28 de maio de 2020

Criaturas Selvagens da Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial provocou morte em grande escala, massacres em todo o planeta e a bomba atômica. Também, estranhamente, trouxe vários relatos envolvendo feras selvagens. Dois casos de destaque vieram da antiga União Soviética, um em 1941 e outro em 1944.

A fonte do primeiro relato era uma figura respeitada no setor de serviços médicos do exército soviético: o tenente-coronel V.S. Karapetyan. A localização era próxima das montanhas do Cáucaso, de onde surgiram numerosos relatos sobre o Almasty, um suposto símio de grandes proporções.

Por cerca de doze semanas, Karapetyan e sua unidade ficaram em Buynaksk, na República do Daguestão, fazendo o possível para diminuir as expansões alarmantes na Europa pelos nazistas. Em uma certa manhã em particular, e de repente, um policial de Buynaksk visitou o acampamento de Karapetyan e compartilhou com ele algumas notícias surpreendentes.

Seus olhos não me diziam nada... Eram maçantes e vazios...

No alto, nos picos frios ao redor, um homem havia sido capturado por moradores locais. Só que não era um homem normal... De modo bastante intrigante, ele foi descrito como um agente de espionagem "disfarçado". Essa descrição, intrigou Karapetyan até que ele viu o homem de perto e pessoalmente, em um antigo celeiro onde estava sendo mantido, e então percebeu que era realmente uma descrição no mínimo, inadequada. Karapetyan disse:

"Ainda vejo a criatura diante de mim, um homem nu e com os pés descalços. E era sem dúvida um homem, porque toda a sua forma era humana. O tórax, as costas e os ombros, no entanto, estavam cobertos de pelos desgrenhados de um marrom escuro (vale ressaltar que todos os habitantes locais tinham cabelos pretos). Seu pelo era muito parecido com o de um urso e tinha 2 a 3 centímetros de comprimento. O pelo era mais fino e mais macio abaixo do peito. Seus pulsos eram rudes e escassamente cobertos de pelos.

Ilustração de como teria sido o encontro entre V.S. Karapetyan e a criatura.


As palmas das mãos e as solas dos pés estavam livres de pelos. Mas o cabelo na cabeça chegava aos ombros, cobrindo parcialmente a testa. Além disso, os cabelos em sua cabeça pareciam muito ásperos ao toque. Ele não tinha barba ou bigode, ainda que seu rosto estivesse completamente coberto por um leve crescimento de pelos. Os pelos em volta da boca também eram curtos e esparsos.

O homem estava absolutamente ereto, com os braços pendurados, e sua altura estava acima da média, tinha cerca de 1, 80 cm. Ele estava diante de mim como um gigante, seu poderoso peito saltado para a frente. Seus dedos eram grossos, fortes e excepcionalmente grandes. No geral, ele era consideravelmente maior do que qualquer um dos habitantes locais. Seus olhos não me diziam nada. Eles eram maçantes e vazios, como os olhos de um animal. E ele me parecia ser apenas um animal e nada mais.

"...ele me parecia ser apenas um animal e nada mais..." Tenente-coronel V.S. Karapetyan
Como soube, ele não aceitou comida ou bebida desde que foi capturado. Ele não pediu nada e não disse nada. Quando mantido em uma sala quente, ele suava profusamente. Enquanto eu estava lá, um pouco de água e um pouco de comida (pão) foram levados à boca; e alguém lhe ofereceu ajuda, mas não houve reação. Eu concluí verbalmente que não era uma pessoa disfarçada, mas um homem selvagem de algum tipo. Então voltei para minha unidade e nunca mais ouvi falar dele."

Homem-monstro de túnica

Apenas três anos depois, e enquanto a Segunda Guerra Mundial continuava brutal, ocorreu um outro encontro com um "homem selvagem da Rússia". Novamente, o encontro se deu nas montanhas do Cáucaso. Nesse caso, a fonte da história foi um policial chamado Erjib Koshokoyev. Como morador de uma pequena cidade na área montanhosa, era responsabilidade dele garantir que não houvessem incursões nazistas na área - algo que ele fazia um bom trabalho em impedir, em todos os aspectos.

Como parte de seu trabalho, Erjib Koshokoyev liderou manobras regulares a cavalo nas montanhas: a última coisa que alguém precisava era de hordas de tropas alemãs invadindo a área.

Em uma noite escura de outono de 1944, a unidade de homens fazia sua patrulha regular na área quando, de repente, um dos cavalos empinou e jogou o cavaleiro no chão. E a razão para o cavalo se assustar assim, se tornou imediatamente óbvia.

De pé nas sombras, a uma distância de uns 5 metros, havia uma figura alta, semelhante a um homem, revestida de pelos avermelhados. Por alguns segundos, ninguém se mexeu, essa foi a essência aterrorizante da situação, até que  de repente, a criatura começou a correr espantosamente rápido e o grupo de homens correu atrás.

Almasty ou Almas são um mito originário de Mongólia e do Cáucaso e seriam criaturas selvagens.


Quando o animal atravessou a paisagem fria e escura, encontrou uma velha cabana de pastor e abriu a porta e a fechou com força. Uma ação que sugeria um bom grau de inteligência de sua parte. Por sua vez, Erjib  Koshokoyev rapidamente deduziu que, qualquer que fosse aquele animal, ele deveria ser levado vivo. Koshokoyev já estava pensando em transferi-lo para um destacamento militar-científico em Nalchik, que era a capital da república de Cabárdia-Balcária.

Certamente, a operação de capturar o ser primitivo não seria fácil, então Koshokoyev sussurrou ao grupo que eles deveriam se aproximar devagar e com cuidado e cercar a cabana, garantindo que a coisa não tivesse como escapar. Infelizmente, o plano não saiu como Koshokoyev esperava.

De alguma forma, parece que o homem peludo percebeu o que estava acontecendo e saiu da cabana, correndo ao redor de maneira selvagem e frenética. Embora aterrorizados com a aparência monstruosa e a natureza horrível da besta, os homens fizeram o possível para manter a calma. Isso funcionou até que o monstro os atacou, o que resultou na dispersão do grupo como se fossem pinos de boliche. O homem-monstro desapareceu enquanto se dirigia para um grande desfiladeiro arborizado.

Um detalhe final e estranho: segundo Erjib Koshokoyev, a criatura estava parcialmente vestida com o que parecia ser uma túnica kaftan (Cafetã) rasgada e esfarrapada. Nunca mais foi visto.

Tradução/Adaptação: Rusmea & Mateus Fornazari

https://books.google.com.br/books?id=Wy6_vA0zWfUC&pg=PA3&dq=The+Werewolf+Book+Lt.+Col.+V.S.+Karapetyan&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjn6Neg9fXnAhUqH7kGHYGcBUIQ6AEIKTAA#v=onepage&q=The%20Werewolf%20Book%20Lt.%20Col.%20V.S.%20Karapetyan&f=false

10 de maio de 2020

Projeto Blue Book


O Project BLUE BOOK (Projeto Livro Azul) foi o codinome de um programa da Força Aérea dos Estados Unidos criado na década de 1950, após numerosos avistamentos de OVNIs durante a época da Guerra Fria, para explicar ou desmentir o maior número possível de relatos a fim de mitigar o possível pânico e proteger o público de um genuíno problema de segurança nacional...


Assombrados, o vencedor da enquete dessa semana foi finalmente o Projeto Blue Book. Nesta postagem e no vídeo vamos conhecer toda a história desse Projeto que começou com a missão de investigar os avistamentos de OVNIs e no final mudou totalmente, pregando que tudo tinha explicação...

Projeto Sign e Projeto Grudge

Em 24 de junho de 1947, Kenneth Albert Arnold afirma ter visto nove objetos incomuns voando em conjunto perto do Monte Rainier , Washington. Esse avistamento é considerado o primeiro de objetos voadores modernos não identificado amplamente divulgado nos Estados Unidos. Seguindo a este avistamento começaram a surgir cada vez mais pessoas dizendo ver "discos voadores" nos céus.

Assim, no final daquele ano a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) cria o Project Sign (O Projeto Sinal), a primeira iniciativa da USAF para o estudo dos objetos voadores não identificados. Foi aprovado em 30 de dezembro de 1947 e começou a operar em 22 de janeiro de 1948, tendo durado até 11 de fevereiro de 1949.

As  investigações foram realizadas na Força Aérea na Base da Força Aérea de Wright-Patterson. Aliás, Wright-Patterson também seria o lar de todas as investigações públicas oficiais subsequentes da USAF.

O Projeto Sign era oficialmente inconclusivo em relação à causa dos avistamentos. No entanto, de acordo com o capitão da Força Aérea dos EUA Edward J. Ruppelt (o primeiro diretor do Projeto Blue Book), em documento publicado no final do verão de 1948, concluiu que os discos voadores eram embarcações reais, não eram fabricadas pela União Soviética ou pelos Estados Unidos , e provavelmente eram de origem extraterrestre!

Esse texto foi enviada ao Pentágono, mas posteriormente rejeitada pelo general Hoyt Vandenberg., Chefe da Casa Civil da USAF, citando uma falta de prova física. Vandenberg posteriormente desmontou o Projeto Sign e o substituiu pelo Projeto Grudge. Assim, o Project Grudge (O Projeto Rancor) foi a segunda iniciativa da USAF para o estudo dos objetos voadores não identificados, posterior ao Project Sign (Projeto Sinal). Iniciou suas atividades no final de 1948.

O Projeto Grudge, ao contrário do Projeto Sign, que chegou a sugerir que os "discos voadores" eram extraterrestres, concluiu que todos os OVNIs eram fenômenos naturais ou outras interpretações errôneas, embora também declarasse que 23% dos relatórios não podiam ser explicados.

De acordo com o capitão Edward J. Ruppelt , no final de 1951, vários generais da USAF de alto escalão e muito influentes estavam tão insatisfeitos com o estado das investigações de OVNIs da Força Aérea que desmontaram o Project Grudge e o substituíram por um novo projeto, o Blue Book.

Kenneth Albert Arnold em 1966 segundo uma ilustração do OVNI que viu em 1947, o que gerou uma onda em massa de avistamentos que fez o governo americano investigar o que estava ocorrendo.


O Projeto Blue Book

O Projeto Blue Book ("Livro Azul") foi criado em 27 de outubro de 1951 e seu nome foi escolhido como uma referência aos cadernos azuis utilizados ​​para testes em algumas faculdades e universidades. O nome foi inspirado, disse Edward J. Ruppelt, pela atenção que os oficiais de alta patente davam ao novo projeto; parecia que o estudo dos OVNIs era tão importante quanto um exame final de faculdade.

Durante o tempo que durou Blue Book, finalizado em 1969, foram compilados 12.618 relatórios OVNIs, e ao final foi concluído que a maioria eram interpretações errôneas de fenômenos naturais (nuvens, estrelas, etc) ou aviões convencionais.

Vários foram considerados fraudes. Ao passo que 701 casos (aproximadamente  6%) foram classificados como inexplicáveis. Os relatórios foram arquivados e estão disponíveis sob a Lei de Liberdade de Informação, mas os nomes das testemunhas e outras informações pessoais foram eliminadas.

O primeiro chefe do projeto Blue Book foi o capitão Edward J. Ruppelt. Seguindo suas ordens, foi criado um padrão para relatar os fenômenos. Aliás, foi cunhou oficialmente o termo "UFO", "Unidentified Flying Object" ("OVNI/Objeto Voador Não Identificado") para substituir os termos como: "flying saucer" ou "flying disk" ("Pires voador" ou "Disco voador"), termos sugestivos e pouco exatos, que haviam sido usado até então.

O astrônomo J. Allen Hynek era o consultor científico do projeto. Trabalhou para o Blue Book até a sua conclusão e criou o conceito que hoje se conhece como "contatos imediatos". Era um grande cético quando começou, mas disse que seu ceticismo foi se suavizando durante a investigação, após a análise de alguns relatórios ovni que pareciam inexplicáveis.

Direita: Capitão Edward J. Ruppelt, primeiro chefe do projeto Blue Book. Esquerda: O astrônomo J. Allen Hynek era o consultor científico do projeto.


Análises Estatísticas e Avistamentos Famosos

No final de dezembro de 1951, Ruppelt se reuniu com os membros do Instituto Comemorativo Battelle, um grupo de especialistas estabelecido em Columbus, Ohio, próximo da base aérea Wright-Patterson. Ruppelt pediu ajuda a esses especialistas para investigar o assunto de um modo mais científico. Assim, o Instituto de Battelle foi quem fez a análise padronizada.

Começando no final do março de 1952, o Instituto começou a analisar os relatórios e a codificação de aproximadamente 30 de suas características em cartões de IBM para a análise informática. O relatório especial nº 14 do Projeto Blue Book era uma análise estatística em massa dos casos analisados até aquele momento, cerca de 3.200 casos, e os resultados só seriam conhecidos em 1954.

E foi com Edward J. Ruppelt no comando do projeto que ocorreram alguns incidentes que ficaram famosos nos Estados Unidos, como as luzes vista sobre a cidade de Lubbock, Texas, em agosto e setembro de 1951, o Incidente UFO de Washington em 1952, quando uma série de objeto voador não identificado ocorreram em finais de semana consecutivos, de 19 a 20 de julho e de 26 a 27 de julho.

Ainda em 1952, ocorreu o avistamento que ficou conhecido como O Monstro de Flatwoods, uma possível vida extraterrestre, relatado por ter sido vista condado de Flatwoods no condado de Braxton nos Estados Unidos em 12 de setembro de 1952.

Com tantos avistamentos assim, temendo ser uma ação do inimigo, a CIA ficou preocupada e decidiu agir...

Manchete de jornal noticiando que OVNIs sobrevoaram a capital dos EUA.



Comissão Robertson

O número extremamente alto de relatórios de OVNIs em 1952 perturbou a Força Aérea e a Agência Central de Inteligência (CIA). Ambos os grupos achavam que uma nação inimiga poderia inundar deliberadamente os EUA com relatórios falsos de OVNIs, causando pânico em massa e permitindo que eles lançassem um ataque furtivo.

Em 24 de setembro de 1952, o Escritório de Inteligência Científica (OSI) da CIA enviou um memorando a Walter B. Smith , diretor da CIA. O memorando afirmava que "a situação dos discos voadores... Tem implicações de segurança nacional... Na preocupação pública com os fenômenos... Reside o potencial para desencadear a histeria e o pânico em massa".

O resultado deste memorando foi a criação em janeiro de 1953 do Painel Robertson, que foi uma
comissão de cientistas que incluía a vários físicos, meteorólogos, engenheiros, e um astrônomo (J. Allen Hynek), liderados pelo doutor Howard P. Robertson, um físico do Instituto Tecnológico da Califórnia. A comissão Robertson se reuniu pela primeira vez em 14 de janeiro de 1953.

Ruppelt, Hynek e outros apresentaram as melhores provas que haviam sido obtidas pelo Projeto Blue Book, incluindo uma filmagem. Após 12 horas repassando 6 anos de informações, a comissão Robertson concluiu que a maior parte dos casos OVNI tinham explicação racional, e que todos poderiam ser explicados com uma investigação mais profunda, que consideraram que não valia a pena.

Em seu relatório definitivo, ressaltaram que haviam muito relatórios de pouco valor sobrecarregando os canais de inteligência, no qual acentuava o risco de omitir uma suposta ameaça real aos EUA.

Portanto, recomendaram à Força Aérea para diminuir a importância dada ao tema dos ovnis e empreender uma campanha para desacreditar e diminuir o interesse público, aconselharam usar os meios de comunicação, incluindo à companhia Walt Disney, e a psicólogos, astrônomos e famosos para ridiculizar o fenômeno e propor explicações convencionais.
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Além disso, os grupos de aficionados ao tema ovni "deveriam ser vigiados devido a sua potencial influência sobre o pensamento das massas. A evidente irresponsabilidade e o possível emprego desses grupos para objetivos subversivos deveriam ser levados em conta".

Definitivamente, a comissão Robertson recomendava que a opinião pública fosse controlada mediante um programa de espionagem e propaganda oficial. Muitos ufólogos acham que essas recomendações são a base da política das Forças Aéreas com relação ao fenômeno ovni, não apenas na época do" relatório Robertson", mas também hoje em dia.

A comissão Robertson, o painel consultivo científico sobre objetos voadores não identificados convocado pela CIA



Projeto Blue Book Dilapidado...

Como consequência imediata das recomendações da Comissão Robertson, em fevereiro de 1953, a Força Aérea emitiu o Regulamento 200-2, ordenando que os oficiais da base aérea discutissem publicamente os incidentes OVNI, somente se fossem julgados como tendo sido resolvidos e classificassem todos os casos não resolvidos. Ou seja, mantendo longe dos olhos do público.

No mesmo mês, os deveres investigativos começaram a ser assumidos pelo recém-formado 4602º Esquadrão de Inteligência Aérea (Air Intelligence Squadron - AISS) do Comando de Defesa Aérea. O AISS recebeu a tarefa de investigar apenas os casos mais importantes de UFOs com implicações de inteligência ou segurança nacional. Esses casos mais importantes foram deliberadamente desviados do Blue Book, deixando o projeto Blue Book lidando apenas com os relatórios mais triviais.

O general Nathan Twining, que impulsionou o Projeto Sign em 1947, era na época o chefe do Comando de Material da Força Aérea. Em agosto de 1954, ele recebeu a missão de depurar responsabilidades e classificar os OVNIs que foram definidos como

"qualquer objeto aerotransportado que por seu funcionamento, características aerodinâmicas, ou traços insólitos, não se ajusta às características de nenhum avião ou míssil conhecido neste momento, ou simplesmente que não possa ser identificado como um objeto comum". 

A investigação OVNI foi declarada secreta por motivos de segurança nacional, e tinha o objetivo de averiguar "aspectos técnicos." O Blue Book por sua vez, poderia falar de casos OVNI com os meios de comunicação, mas somente se fossem fenômenos identificáveis. Caso não explicáveis, a única informação que devia dar aos meios era de que a situação estava sendo analisada. Também ordenaram que Blue Book reduzisse o número de não identificados ao mínimo.

Tudo isso foi feito em segredo. A tarefa de fachada do projeto Blue Book, seguiu sendo a investigação ufológica oficial, mas na verdade havia sido reduzido a uma organização "laranja" que mal fazia investigações complexas. O projeto Blue Book havia se convertido quase que exclusivamente em uma equipe de relações públicas com a missão de desacreditar tudo. Para se ter uma ideia, no final de 1956, o número de casos catalogados como não resolvidos havia baixado para 0.4%, de 20 a 30% alguns anos antes.

Edward Ruppelt (centro de pé) em 29 de julho de 1952 Conferência de imprensa do Pentágono sobre UFO. Também representado, os principais generais Roger Ramey (sentado à esquerda), chefe de operações da USAF, e John A. Samford (sentado à direita), diretor de inteligência da USAF.
Publicação do Relatório Especial nº 14

Lembra que no final de dezembro de 1951, Ruppelt se reuniu com os membros do Instituto Comemorativo Battelle, um grupo de especialistas estabelecido em Columbus, Ohio, e pediu ajuda a esses especialistas para investigar o assunto de um modo mais científico? Pois ele não não estava mais na chefia do Projeto Blue Book quando ele finalmente ficou pronto no ano de 1954.

O Instituto Comemorativo Battelle empregou quatro analistas científicos, que tentaram classificar os casos entre "explicável", "inexplicável", e uma terceira categoria: "com informação insuficiente". 

Os dois primeiros tipos foram classificados em quatro categorias de qualidade, de excelente a pobre.
Por exemplo, os casos considerados excelentes implicavam testemunhas experimentadas, como pilotos comerciais ou pessoal militar treinado, ou ainda, múltiplas testemunhas, corroborando as afirmações com provas, como detecções de radar, fotografias ou outro tipo de material tangível. 

Para que um caso passasse a ser considerado "explicável", era necessário apenas dois analistas em separado, estivessem de acordo com a solução. No entanto, para que um caso fosse considerado realmente "inexplicável", era preciso quatro analistas que estivessem de acordo. Desse modo, o critério para um "inexplicável" era bastante rigoroso.

Além disso, as observações foram classificadas mediante seis características diferentes: cor, número, duração da observação, resplendor, forma e velocidade. Posteriormente, essas características foram ajustadas aos casos explicáveis e inexplicáveis para ver se havia alguma diferença estatística significativa.

Os resultados principais das análises estatísticas foram:

Aproximadamente 69% dos casos eram explicáveis ou identificáveis; Aproximadamente 9% carecia de informação suficiente.

22% eram considerados "inexplicáveis", algo abaixo do valor inicial de 28% dos estudos da Força Aérea, mas ainda uma fração muito significativa.

Na categoria de "explicáveis", 86% dos fenômenos eram devidos a aviões ou balões, ou tinham explicações astronômicas. Apenas 1,5% de todos os casos eram psicológicos ("coisa da cabeça").

Uma categoria "mista" compreendia 8% de todos os casos e incluía possíveis fraudes.

Quanto mais alta fosse a qualidade do caso, mais probabilidades de ser classificado como "desconhecido".

35% dos casos excelentes foram considerados "desconhecidos", enquanto que apenas 18% dos casos mais pobres foram considerados "desconhecidos".

Esse era o resultado da antítese predita pelos céticos que no geral, argumentavam que os "inexplicáveis" eram casos de menor qualidade, ao implicar testemunhas não fiáveis e que poderiam ser solucionados caso dispusessem de melhor informação.

Nas seis características estudadas, os casos "inexplicáveis" se diferenciaram dos "explicáveis" em um nível estatisticamente insignificante: em cinco das seis medidas, as probabilidades de que fosse explicável ou inexplicável se diferenciavam por acaso em 1 % ou menos.

Quando as seis características eram consideradas juntas, a probabilidade de que coincidisse em um ou outro tipo era de menos de 1 entre 1 bilhão.

Apesar disso, a conclusão do relatório definitivo do Instituto Battelle declarou que era "sumamente improvável que qualquer dos relatórios de avistamentos de objetos não identificados represente acontecimentos tecnológicos fora da gama de conhecimento atual".

Mais tarde no entanto, alguns pesquisadores, incluindo ao Doutor Bruce Maccabee, quem repassou profundamente os dados, advertiram que no geral as conclusões dos analistas estavam em desacordo com seus próprios resultados estatísticos.

Dizem que os analistas simplesmente teriam tido problemas se tivessem aceitado seus próprios resultados, ou talvez, escreveram as conclusões para satisfazer o novo clima político dentro do Projeto Blue Book após a comissão Robertson.

A Força Aérea finalmente tornou público o Relatório Especial nº 14 em outubro de 1955, e o Relatório Especial Nº 14 continua até hoje continua sendo o maior estudo ufológico jamais empreendido. Clique para ler o relatório.

Relatório especial nº 14


Os Chefes do Projeto Blue Book

- Capitão Edward J. Ruppelt: Comandou de 1951 até fevereiro de 1953 para uma transferência temporária. Ele voltou alguns meses depois e encontrou sua equipe reduzida de mais de dez para dois subordinados. Frustrado, Ruppelt sugeriu que uma unidade de Comando de Defesa Aérea (o 4602º Esquadrão do Serviço de Inteligência Aérea) fosse acusada de investigações sobre OVNIs.

A breve permanência de Edward J. Ruppelt no projeto é considerada como o período de máximo das investigações ufológicas públicas. Naquele tempo, as investigações eram tratadas com seriedade e tinham o apoio das altas esferas. A partir de então, o Projeto Blue Book caiu em decadência, e nunca mais ressurgiu.

Ruppelt deixou a Força Aérea alguns anos mais tarde, e escreveu o livro The Report on Unidentified Flying Objects, que descrevia o estudo dos OVNIs por parte da USAF entre 1947 e 1955.

- Capitão Hardin: Em março de 1954, o capitão Charles Hardin foi nomeado chefe do Livro Azul; no entanto, o 4602º conduziu a maioria das investigações sobre OVNIs, e Hardin não se opôs. Ruppelt escreveu que Hardin "acha que qualquer um que esteja interessado em OVNIs é louco. Eles o aborrecem". 

Em 1955, a Força Aérea decidiu que o objetivo do Blue Book não deveria ser investigar relatórios de OVNIs, mas minimizar o número de relatórios de OVNIs não identificados. No final de 1956, o número de avistamentos não identificados havia caído de 20 a 25% da era de Ruppelt para menos de 1%.

- Capitão Gregory: O capitão George T. Gregory assumiu o cargo de diretor do Blue Book em 1956 e liderou o Blue Book "em uma direção anti-OVNI ainda mais firme do que o apático Hardin". O 4602º foi dissolvido, e o 1066º Esquadrão de Serviços de Inteligência Aérea foi encarregado de investigações de OVNIs.

De fato, houve realmente pouca ou nenhuma investigação dos relatórios de OVNIs; uma AFR 200-2 revisada emitida durante o mandato de Gregory enfatizou que os relatórios inexplicáveis ​​de OVNIs devem ser reduzidos ao mínimo.

- Tenente-coronel Robert J. Friend: foi nomeado chefe do Blue Book em 1958. Friend fez algumas tentativas de reverter a direção que o Blue Book havia tomado desde 1954.

Em 1960, houve audiências no Congresso dos EUA sobre OVNIs. O grupo civil de pesquisa de OVNIs NICAP havia acusado publicamente o Blue Book de encobrir evidências de OVNIs e também adquiriu alguns aliados no Congresso dos EUA. O Blue Book foi investigado pelo Congresso e pela CIA, com críticos afirmando que o Blue Book estava faltando como estudo científico. Em resposta, adicionou pessoal (aumentando o total de pessoal para três militares, além de secretários civis) e aumentou o orçamento do Livro Azul. Isso pareceu aplacar alguns dos críticos do Blue Book, mas foi apenas temporário.

Quando foi transferido do Blue Book em 1963, Friend achou que o Blue Book era efetivamente inútil e deveria ser dissolvido, mesmo que causasse protestos entre o público.

- Major Quintanilla: assumiu o cargo de líder do Blue Book em agosto de 1963. Ele continuou em grande parte os esforços de desmistificação, e foi sob sua direção que o Blue Book recebeu algumas das críticas mais severas. O pesquisador de OVNIs Jerome Clark chega ao ponto de escrever que, a essa altura, o Blue Book havia "perdido toda a credibilidade".

No centro, o último diretor do Programa Blue Book, Major Hector Quintanilla.


Comitê Condon

Livro com os resultados obtidos
com o Comitê Condon
Em 1966, uma série de avistamentos de OVNIs em Massachusetts e New Hampshire provocou uma audiência no Congresso pelo Comitê de Serviços Armados da Câmara. O Projeto Blue Book foi novamente acusado de não investigar nada. Após as audiências no Congresso dos EUA, o Comitê Condon foi estabelecido em 1966.

O Comitê Condon era o nome informal do Projeto UFO da Universidade do Colorado, um grupo financiado pela Força Aérea dos Estados Unidos de 1966 a 1968 na Universidade do Colorado para estudar objetos voadores não identificados sob a direção do físico Edward Condon. O resultado de seu trabalho, formalmente intitulado Estudo Científico de Objetos Voadores Não Identificados, e conhecido como Relatório Condon, apareceu em 1968.

Após examinar centenas de arquivos OVNI do Projeto Blue Book da Força Aérea e dos grupos civis de OVNIs do Comitê Nacional de Investigações sobre Fenômenos Aéreos (NICAP) e Organização de Pesquisa de Fenômenos Aéreos (APRO), e investigar avistamentos relatados durante a vida do Projeto, o Comitê produziu um relatório final que sugeriu que não havia nada de extraordinário nos OVNIs e, embora tenha deixado uma minoria de casos inexplicável, o relatório também argumentou que pesquisas futuras provavelmente não produziriam resultados significativos.

Fim do Projeto Blue Book

Em resposta às conclusões do Comitê Condon, o secretário da Força Aérea Robert C. Seamans, Jr. anunciou que o Blue Book seria fechado em breve, porque novos financiamentos "não podem ser justificados nem por razões de segurança nacional nem pelo interesse da ciência." O último dia publicamente reconhecido das operações do Blue Book foi em 17 de dezembro de 1969.

O Projeto declarou que as observações de OVNIs foram geradas devido a:

- Histeria em massa.

- Indivíduos que inventam casos fraudulentos para obter publicidade.

- Pessoas com psicopatologias.

- Má interpretação de vários objetos convencionais.

Declaração Oficial da Força Aérea dos Estados Unidos a respeito dos OVNIs

Em janeiro de 1985 foi liberada a declaração abaixo pela Base da Força Aérea de Wright-Patterson:

Entre 1947 e 1969, a Força Aérea norte-americana investigou os ovnis sob o Projeto Blue Book. O projeto, com sede na base aérea de Wright-Patterson, Ohio, finalizou em 17 de dezembro de 1969. Das 12.618 observações catalogadas pelo Projeto Blue Book, 701 permaneceram como "inexplicáveis."

A decisão de interromper as investigações ovni foi baseada em vários fatores, como a avaliação de um relatório redigido pela Universidade do Colorado titulado "O estudo científico dos ovnis" (Relatório Condon - "Scientific Study of Unidentified Flying Objects"), a revisão deste relatório por parte da Academia Nacional de Ciências, os casos ovni previamente estudados e a experiência da Força Aérea, que investigou relatórios ovni entre 1940 e 1969.

Como consequência dessas investigações, estudos e experiências, as conclusões do Projeto Blue Book foram:

1) Nenhum ovni sobre o qual a Força Aérea tenha investigado supôs nenhum tipo de ameaça à segurança nacional.


2) A Força Aérea não encontrou nenhuma prova de que as observações classificadas como "não identificadas" representem objetos ou princípios tecnológicos que vão além dos conhecimentos científicos da época.


3) Não houve nenhuma prova que indique que as observações classificadas como "não identificadas" fossem veículos extraterrestres.


Com a conclusão do Projeto Blue Book, o estabelecimento da regulação da Força Aérea e o controle do programa para investigar e analisar ovnis foi cancelado. A documentação em quanto à antiga investigação do Blue Book foi transferida ao Ramo Moderno Militar, aos Arquivos Nacionais e ao Serviço de Registros, e está disponível para a revisão e a análises públicas.

Desde a finalização do Projeto Blue Book, não ocorreu nada que pudesse apoiar uma retomada das investigações ufológicas por parte das Forças Aéreas. Considerando o cenário atual, em que os orçamentos de defesa diminuem regularmente, é improvável que a Força Aérea dos Estados Unidos se envolvam completamente em um projeto tão custoso a curto prazo.

Existe um significativo número de universidades e organizações científicas que analisaram fenômenos ovni durante reuniões e seminários. O interesse e a revisão oportuna de relatórios ufológicos por parte de grupos privados garante que as provas autênticas não sejam ceixadas de lado pela comunidade científica.


Declaração oficial da Base Wright-Patterson emitida em 1985
Acesse os Arquivos!

Os arquivos do projeto ficaram classificados, e estavam disponíveis apenas em microfilmes do Arquivo Nacional de Washington ou em sites dedicados ao tema, muitas vezes sem acesso livre. Mas em janeiro de 2015, eles foram liberados.

Após 15 anos de solicitações do entusiasta John Greenewald, ele conseguiu reunir mais de 10 mil PDFs com quase 130 mil páginas a respeito de casos relacionados a objetos que poderiam ser extraterrestres.

Cada documento descreve um caso diferente, e traz detalhes inclusive de investigações de casos famosos nos EUA, como o incidente de Exeter, o caso Kenneth Arnold e o caso Mantell.

Os arquivos inicialmente estavam disponíveis em seu site, The Black Vault, mas eu não os encontrei mais nele, mas em outros locais, como no Internet Archive, onde você pode fazer o download dos casos e também pode consultar FOLD3, que classificou de maneira majestosa tudo, e o melhor, está disponível gratuitamente.

Um dos sites onde pode acessar os arquivos do Projeto Blue Book


Sucesso no History Channel

Em janeiro de 2019, estreou a série Projeto Blue Book no canal History, lá nos EUA, chegando aqui no Brasil em agosto do mesmo ano.

A série Projeto Livro Azul, baseada na história real do projeto desta postagem teve sua primeira temporada composta por dez episódios. Atualmente está em sua segunda temporada.

A série bateu recordes de audiência dos Estados Unidos como um dos programas mais vistos da TV a cabo americana, com média de 3,4 milhões de espectadores.


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Tradução/Adaptação: rusmea.com & Mateus Fornazari

Fontes (Acessadas em 09/05/2020):
https://www.nicap.org/bluebook/51-69.htm
https://www.afmc.af.mil/
https://www.nytimes.com/2019/01/15/arts/television/project-blue-book-history-true-story.html
http://www.roswellfiles.com/FOIA/twining.htm
https://www.archives.gov/research/military/air-force/ufos.html
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https://www.archives.gov/research/military/air-force/ufos#bluebk

26 de abril de 2020

As Luzes de Brown Mountain

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Luzes misteriosas aparecem em Brown Mountain, nos EUA, ao longo de séculos. Trata-se de um dos fenômenos mais duradouros e misteriosos de todos os fenômenos naturais dos Estados Unidos: As Luzes de Brown Mountain.


Esse foi o tema ganhador da enquete da semana. Fazia tempo que queria gravar o especial sobre essas misteriosas luzes, ainda mais depois que fiz sobre Luz de Paulding e Luzes de Hesdalen. A próxima luz misteriosa vai ser a Luz de Marfa. Mas antes, vamos saber tudo sobre as Luzes de Brown Mountain!

O Local e as Luzes

Brown Mountain é uma montanha ou precisamente, uma pequena cadeia de montanhas localizadas na Floresta Nacional de Pisgah, na divisa entre os municípios de Burke e Caldwell, próxima da cidade de Morganton, Carolina do Norte, EUA.

É palco de um dos fenômenos mais duradouros e misteriosos de todos os fenômenos naturais dos Estados Unidos: As luzes de Brown Mountain.

As luzes parecem ser brilhantes esferas de luz vermelha, azul ou verde que pairam sobre a montanha, se movem, piscam ou explodem sem som. Os raros encontros físicos com humanos, teriam resultado em relatos sobre descargas elétricas.

De acordo com a maioria dos avistamentos, as luzes aparecem em intervalos irregulares no topo da montanha. As luzes se movem erraticamente para cima e para baixo, visíveis à distância, mas desaparecendo quando se sobe a montanha. A princípio parecem ter o dobro do tamanho de uma estrela a olho nu e raramente aparecem em "enxames". Os melhores meses para observar são setembro e outubro.

Os mais antigos relatos conhecidos das luzes de Brown Mountain, de moradores da área circundante, remontam o século XIX, mas os nativos cherokee da área podem ter visto as luzes já no século XIII.

Os avistamentos têm registros antigos como publicado no jornal Charlotte Daily Observer em 1913 e registro fotográfico como publicado no jornal Asheville Citizen Times de 1962.

O primeiro cientista conhecido a estudar as luzes e o primeiro registro em livro, vem de um cartógrafo alemão chamado Johann Wilhelm Gerhard von Brahm (John William Gerard de Brahm). Ao estudar as luzes, Brahm concluiu que estas eram causadas por vapores baseados em óxido nitroso que estariam sendo emitidos pela montanha, se misturavam e depois queimavam no ar antes de se degradarem.


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Jornal Asheville Citizen Times em 1962. 


Lendas Locais

- Batalha entre Índios Nativos: Os mais antigos relatos conhecidos das luzes de Brown Mountain, datam de 1200 d.C. A causa das luzes de acordo com os nativos americanos , uma batalha foi travada no ano de 1200 e muitos guerreiros foram mortos nos cumes da cadeia de montanhas Brown. Essa batalha deve ter sido travada entre as nações Cherokee e Catawba. Mais especificamente, as luzes deveriam ser os espíritos perdidos das mulheres cujos maridos, noivos e amantes, foram mortos naquela batalha.

- A Lenda da Guerra Revolucionária: Outras lendas dão a causa das luzes aos espíritos dos soldados da Guerra de Independência dos Estados Unidos (1775–1783).  Contam que uma família havia migrado pelas montanhas do oeste da Carolina do Norte, finalmente se aproximando de Blowing Rock, no sopé do que hoje é conhecido como Brown Mountain. Na eclosão da Guerra Revolucionária, o pai deixou sua esposa com seus três filhos pequenos para lutar por seu país. Depois da guerra, ele retornou para encontrar apenas os restos carbonizados de sua casa. Meio enlouquecido pelo desespero e pelo pesar, procurou freneticamente qualquer sinal de sua família perdida. Durante todo o dia ele procurou e quando a noite chegou ele continuou sua longa busca, iluminando seu caminho, com uma tocha grosseira. Dizem que, vencido pela fome e pela fadiga, ele morreu no topo da Brown Mountain. Assim que seu espírito inquieto e sempre em busca de sua família, vaga por aquela montanha até os dias de hoje.

- O Espírito da Mulher Morta: As narrativas locais também afirmam que a causa das luzes vem do possível assassinato de uma mulher pelas mãos de seu marido adúltero que a seguiu até as montanhas e a matou: "…. Outra lenda data de 1850, quando uma mulher chamada Belinda desapareceu na área de Brown Mountain, e seu marido Jim era  suspeito de tê-la assassinado. Todos na comunidade ajudaram a procurar por Belinda. Uma noite durante a busca, luzes estranhas apareceram sobre Brown Mountain. Muitos acreditavam que era o espírito da mulher morta, voltando para assombrar o seu assassino. A busca terminou sem que Belinda fosse encontrada, e Jim logo saiu do condado, para nunca mais ser visto. Muitos anos depois, sob uma pilha de pedras em uma profunda ravina na Brown Mountain, o esqueleto de uma mulher foi encontrado, e as luzes que tinha sido vistas durante a busca começaram a aparecer novamente. E foram vistas sempre desde então, lembrando os malfeitores que seus crimes serão revelados ... "

As luzes continuaram a ser vistas e, finalmente, o governo dos Estados Unidos se interessou.

Investigando o Fenômeno

Em 1913, um Serviço Geológico dos Estados Unidos foi conduzido para explicar o que eram as luzes misteriosas que apareciam sobre a Brown Mountain e na área circundante. O estudo de 1913 concluiu que as luzes eram causadas pela reflexão dos faróis de tráfego de trens de locomotivas que usavam pontes ferroviárias naquela área do Vale de Catawba, ao sul de Brown Mountain. Esta conclusão inicial foi posta à prova e falhou quando, em 1916, uma inundação séria derrubou as pontes da ferrovia por várias semanas e as luzes ainda eram vistas mesmo sem trens, carros ou energia devido à tempestade, invalidando assim o estudo em sua totalidade.

Em 1919, o fenômeno de Brown Mountain chamou a atenção do Instituto Smithsonian e do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos. O Dr. WJ Humphries, investigou as luzes de Brown Moutain e concluiu que eram o mesmo tipo de fenômeno descrito sobre a Cordilheira dos Andes na América do Sul. Ele não ofereceu uma explicação para as luzes, apenas que eram compartilhadas em dois continentes, ou seja, que se manifestavam da mesma forma que as luzes dos Andes.

Depois que novos relatos dos avistamentos continuaram, a Sociedade Geológica dos Estados Unidos iniciou uma segunda investigação em 1922, liderada por George Mansfield. Este estudo concluiu que as luzes eram causadas por gás do pântano (Metano). No entanto, não há pântanos perto de Brown Mountain e, além disso, o gás do pântano (fogo fátuo) não inflama em condições naturais. Quando inflamado em condições de laboratório, o gás explode com um som alto e produz uma fumaça preta espessa, nenhuma das quais está associada às Luzes de Brown Mountain, como observado anteriormente.

Em 1940, um relatório de Hobart A. Whitman concluiu que as luzes não eram o resultado de fontes naturais do solo. Ele realizou testes e analisou as rochas e o solo de Brown Mountain e as áreas circundantes em busca de elementos estranhos, e as rochas e o solo não diferiram de outros estratos retirados de toda a região oeste da Carolina do Norte.

Em maio de 1977, a Rede de Observação Isócrona de Oak Ridge (Oak Ridge Isochronous Observation Network - ORION) colocou um potente holofote em Lenoir, que fica a 35 quilômetros a leste de Brown Mountain. Ao mesmo tempo, um grupo de observadores se reuniu em um mirante na Rota 181, que fica a 4 quilômetros e meio a oeste de Brown Mountain, um local favorito para assistir às famosas luzes. Os observadores podiam, de fato, ver a luz como um brilho vermelho-alaranjado e, portanto, concluiu-se por ORION que a grande maioria dos avistamentos das Luzes de Brown Mountain eram, na verdade, avistamentos de luzes artificiais. ORION no entanto, admitiu que esse experimento não explicava avistamentos antes da introdução da eletricidade na área e esses avistamentos ainda permaneciam inexplicados. ORION também tentou recriar as luzes através da atividade sísmica usando pequenas cargas detonadas e foi incapaz de reproduzi-las.

Foto das luzes publicada em 1962



Alguns Registros do Fenômeno

A primeira filmagem com boa qualidade das luzes foi feita por Brian Irish, membro da Liga de Materialização de Energia e Pesquisa de Fenômenos Inexplicáveis (League of Energy Materialization and Unexplained Phenomenon Research  - LEMUR) em novembro de 2010.

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O vídeo abaixo foi feito através da tecnologia de terceira geração de visão noturna, por Dean Warsing em 13 de outubro de 2009. Esses clipes foram aprimorados por Brian Irish, com a assistência de Christopher McCollum. Esse vídeo foi capturado enquanto gravaram um programa para National Geographic Channel e nem o especialistas em equipamento de visão noturna conseguiram explicar o que ocorreu.

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Foto tirada em 15 de outubro 2001 por Charles Braswell, Jr.
O Estudo Feito pela L.E.M.U.R.

O estudo mais recente conduzido em Brown Mountain foi realizado pela equipe da Liga de Materialização de Energia e Pesquisa de Fenômenos Inexplicáveis (League of Energy Materialization and Unexplained Phenomenon Research  - LEMUR), começando em 1995 e terminando em 2010, um período de quinze anos. Abaixo está uma amostra de seu relatório:

League of Energy Materialization and Unexplained Phenomenon Research  - LEMUR

Equipamento usado no estudo LEMUR:

"... 1. Medidores TriField Natural EM Meter, Modelos 1 e 2: Estes dispositivos são projetados para captar mudanças em campos elétricos DC ou "naturais" extremamente fracos (tão pequenos quanto 3 volts por metro), campos magnéticos na faixa de micro-tesla (tão pequeno quanto 0,05 por cento do campo magnético da Terra quando uma antena é usada), combinações em variações de campos elétricos e magnéticos (ou eletromagnéticos) e energia na faixa de rádio / microondas que variam de 100.000 a 2.5 bilhões de oscilações por segundo (100 KHz a 2,5 GHz) com intensidade de sinal mínima e máxima detectável de 0,01 miliwatt / cm quadrado e 1 miliwatt / cm quadrado respectivamente.

2. Medidores Gauss Master EMF calibrados para CA de 50/60 Hz e sensíveis de 1/10 mG a 10 mG.

3. Um detector portátil Multidetector Electrosmog II Prof Sensível a campos eléctricos ou magnéticos que variam de 5-500 Hz como a definição ELF (Extreme Low Frequency) ou 500 e superior na definição VLF (Very Low Frequency - Muito baixa frequência).

4. Um detector grande de mesa VLF (Very Low Frequency) com uma faixa de 0 a 500.000 Hz que pode ser escaneado manualmente, usando uma antena de bobina grande ajustado para 145.000 Hz.

5. Um termômetro de mão infravermelho sem contato para registrar temperaturas da superfície instantaneamente em fahrenheit.

6. Câmeras fotográficas digitais e HandiCams Sony Digital 8 capazes de detectar a faixa do infravermelho próxima.

7. Um voltímetro digital sensível a milliVolts, tanto AC como DC.

8. Leituras telúricas obtidas pela colocação de duas hastes de aço de 1 metro de altura no solo para medir a atividade elétrica.

9. Detectores eletrostáticos capazes de medir até 5.000 volts e identificar a polaridade.

10. Um espectroscópio básico ligado a uma câmera fotográfica digital.

11. Contadores Geiger sensíveis o suficiente para medir microRem e detectar raios-x, alfa, beta e radiação gama.

E rádios AM para procurar por interferência.

Metodologia:

A LEMUR passou anos entrevistando testemunhas e acampando nas proximidades da montanha, tomando medidas. Em 2000, a  equipe foi a primeira a obter imagens claras das luzes inexplicáveis ​​de Brown Mountain através do especialista em imagens, Brian Irish. Ele usou uma câmera sensível ao infravermelho para obter mais de uma hora de filmagem nos finais de semana de novembro de 2000 (noites do dia 4 e 11, do pôr do sol à meia-noite).

Não conseguiram excluir conclusivamente algumas fontes convencionais de luz (como faróis de carros) de partes da filmagem. No entanto, algumas das imagens mostram iluminações distintas sobre faces de rochas que se dividem em luzes menores que orbitam em torno de si de forma amebiana e fluida, aparentemente impossível de reproduzir por qualquer meio convencional naquele terreno acidentado e isolado.

Além de coletar dados objetivos, o LEMUR consultou vários especialistas em áreas especializadas (alguns dos quais participaram das expedições em acampamentos na cordilheira), como David Hackett (ex-engenheiro nuclear do Oak Ridge National Laboratory equipe que pesquisou as luzes nos anos 70 e 80), Charles A. Yost (engenheiro da NASA, que trabalhou nos projetos da Apollo e agora opera o laboratório "Electric Spacecraft" e a revista científica), John Connor (um geólogo profissional da Carolina do Norte) e Pesquisador de Floresta Primária Robert E. Messick. Esses especialistas forneceram orientações valiosas e acham que a conclusões atuais têm mérito.

Principais resultados da pesquisa da ORION:

1. As imagens de luzes inexplicáveis ​​no cume obtidas pela LEMUR (especialmente a de Brian Irish) demonstram que as luzes podem ser vistas através de câmeras sensíveis a infravermelho mesmo quando elas não podem ser vistas a olho nu. Às vezes, as luzes são vistas primeiro no espectro de infravermelho, então são visíveis a olho nu como vermelhas, passando por branco e diminuindo para vermelho e depois para a faixa de infravermelho. As luzes portanto, parecem mudar as frequências ao longo de sua duração.

2. Em 2000, um especialista em fotografia de infravermelho com a LEMUR usou um rolo de filme IR de 35 mm no 181 overlook quando as luzes apareceram. Mais tarde, ele ficou chocado ao encontrar todas as suas impressões completamente superexpostas.

3. Na noite de 2 de novembro de 2001, Brian Irish filmou imagens claras de uma esfera pulsante de luz branca subindo firmemente e desaparecendo no céu ao longo de 60 a 90 segundos. A anomalia não produziu som algum e não pode ser explicada como uma aeronave convencional (sem luzes piscando ou coloridas).

4. Na montanha à noite, especialmente quando as luzes aparecem, um contador Geiger fica "descontrolado". Isso já foi experimentado numerosas vezes pelo LEMUR e por David Hackett. A reação do contador Geiger não indica necessariamente radiação alfa, beta ou gama, mas parece reagir à ionização extremamente alta que cria uma corrente no tubo Geiger. Um contador Geiger indicou que estava no limite máximo (mais de 10 mR / h em sua escala) durante toda a noite nas noites de 8 e 9 de agosto de 2003.

5. Correntes telúricas erráticas (eletricidade que flui através do solo) foram medidas perto da cordilheira sem explicação óbvia, variando de minúsculos milivolts a surtos espontâneos de mais de um volt.

6. Com um grande detector VLF (Very Low Frequency - Muito baixa frequência), ligado a um osciloscópio, detectou um grande número de perturbações, especialmente em torno de 140 KHz, produzindo padrões de osciloscópios bem formados à noite (muitas vezes independentemente das luzes serem ou não visíveis a olho nu).

7. Ainda que a LEMUR nunca tenha conseguido obter um espectrógrafo claro das luzes, David Hackett foi capaz de fazê-lo e descobriu que as luzes produzem uma ampla gama de espectros: tão amplos que era impossível determinar quais elementos específicos poderiam criar as iluminações.

8. Noites (como 4 e 11 de novembro de 2000), quando as luzes apareciam a olho nu, muitas vezes correspondiam a um alto nível de perturbação recente no índice Kp (uma leitura de 5 ou superior, fornecida pela NOAA, indicando forte disrupção da magnetosfera devido à atividade solar).

9. Consistente com a lenda, descobriam que as luzes podiam ser mais facilmente observadas no outono, durante ou depois de um período chuvoso.

10. Descobriram que a área da Brown Mountain é em grande parte composta de, ou contém, camadas de quartzo e magnetita. Pequenos pedaços de magnetita podem ser facilmente descobertos no chão e manipulados com ímãs.

11. Documentaram que Brown Mountain é quase completamente cercada por falhas de empuxo (Cavalgamento - fenômeno resultante do movimento orogenético convergente de obdução entre placas tectônicas, em que uma das placas, geralmente menos densa, sobrepõe-se a outra placa.).

12. Um dos períodos de observação mais bem sucedidos, novembro de 2000, coincidiu com incêndios florestais nas proximidades.

Hipótese Baseada nos Resultados:

1. Considerando todos os dados disponíveis, a explicação mais provável é que aquelas iluminações primárias tradicionalmente conhecidas como as "Luzes de Brown Mountain" são uma forma de plasma, o quarto estado da matéria, produzido naturalmente pela montanha. 

O plasma é o produto de tanta energia sendo adicionada a um gás (incluindo o ar) que um ou mais elétrons são extraídos de cada átomo produzindo uma massa luminosa de elétrons flutuantes e átomos que têm uma carga positiva (íons positivos).

Os plasmas são reforçados por ter combustível no ar, como o carbono produzido a partir de um incêndio florestal. As luzes de Brown Mountain podem ter aparecido com mais frequência no passado, quando os incêndios eram mais comuns. De acordo com David Hackett, ORION também concluiu que as luzes são provavelmente um fenômeno de plasma.

2. Camadas de quartzo e magnetita na montanha criam capacitores naturais. O quartzo é um não-condutor ou dielétrico (ainda que produza eletricidade quando sob tensão ou vibre quando a eletricidade é aplicada a ele), e a magnetita é um condutor. Camadas de condutores e dielétricos armazenam energia elétrica em um ponto crítico até que ocorra uma descarga poderosa.

3. Há buracos cavernosos que correm por toda a Brown Mountain (alguns podem ser vistos em trilhas com água correndo rapidamente abaixo). À medida que a água atravessa a montanha, esta carrega as camadas de quartzo e magnetita, carregando a capacitância da montanha. No laboratório da LEMUR, foi provado que a água correndo sobre camadas de um capacitor pode gerar uma carga elétrica.

4. À noite, a montanha esfria e se contrai, aproximando as camadas de quartzo e magnetita, resultando em descargas elétricas, particularmente após a passagem de água pela estrutura. A contração da montanha é reforçada pelas falhas de empuxo (cavalgamento) que a cercam, permitindo uma flexibilidade extra.

5. Descargas da capacitância natural presumivelmente fornecem a atividade elétrica mais notável, mas ventos fortes (conhecidos como ventos de zéfiro) que sopram através do vale, construindo altas cargas eletrostáticas também podem contribuir.

6. À medida que as descargas elétricas ocorrem, as ressonâncias de quartzo criam frequências harmônicas complexas e sobrepostas, semelhantes àquelas para sintonizar Bobinas de Tesla.

7. Quando numerosas descargas, entre a montanha e a atmosfera, ocorrem simultaneamente a partir de várias falésias e saliências rochosas, elas às vezes se cruzam.

Esses pontos de interseção criam pontos de momento elétrico em que uma ou mais descargas giram. Esses "pontos de articulação" às vezes giram rápido o suficiente para oscilar a uma taxa no espectro eletromagnético visível. Uma vez no espectro EM visível, a cor muda à medida que a frequência varia; e às vezes a freqüência cai tão baixo que só é detectável na faixa de Infravermelho. Portanto, as luzes tradicionais são simplesmente a única porção pequena e visível de uma descarga invisível muito maior.

Sua aparência como esferas auto-contidas é uma ilusão. Quando ocorre uma descarga, às vezes com duração de muitos segundos, a "bola" de luz se move para frente e para trás ao longo das camadas de descarga e, geralmente, pisca quando a descarga é concluída.

Mais raramente, o ponto de articulação subirá com o eixo de descarga, parecendo estroboscópico ou pulsando com o giro, enquanto flutua para cima na atmosfera.

As luzes provavelmente estão ocorrendo com mais frequência do que se acreditava, mas simplesmente não estão oscilando rápido o suficiente para entrar no espectro eletromagnético visível.

Ainda que tenham descoberto árvores chamuscadas ao redor da Montanha Brown, as esferas de plasma evidentemente não irradiam muito calor, pelo menos em um ponto por um longo período de tempo, ou criam sons audíveis aos ouvidos humanos.

8. Se este modelo estiver correto, ele pode explicar como a maioria das manifestações do tipo bola, se não todas, são criadas: elas não são verdadeiramente auto-suficientes, mas são simplesmente a única parte visível de grandes colunas de interseção de descargas elétricas.

Isto pode especialmente explicar tais luzes vistas sobre trilhos de trem ou riachos: áreas onde numerosas descargas podem se originar de vários pontos em uma pequena área e tocar um ao outro a uma curta distância acima do solo. Ainda que essa hipótese seja complicada, o número de variáveis ​​relevantes explicaria por que assuntos como relâmpagos globulares têm sido tão difíceis de entender até agora ... "

Veja as Luzes!

As luzes podem ser vistas a partir de Blue Ridge Parkway, uma estrada panorâmica que faz parte do National Parkway e da rodovia All-American. Existe um mirante na Rota 181, que fica a 4 quilômetros e meio a oeste de Brown Mountain, um local favorito para assistir às famosas luzes. Existe também perto da cidade de Linville Falls o espetacular Wiseman´s View.

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As Luzes na Mídia

Vários livros já foram escritos sobre as misteriosas luzes, e existe até um guia disponível gratuitamente na internet escrito por uma dos maiores pesquisadores do mistério, Joshua P. Warre: Brown Mountain Lights: A Viewing Guide.

Em 2014 foi a vez de um filme ser lançado, Abdução: Uma família sai de férias para acampar em uma montanha na Carolina do Norte. Com um erro do GPS, eles se perdem e acabam em um túnel cheio de carros abandonados. O pai desaparece. O restante da família busca abrigo e encontra uma cabana. Eles descobrem que o local é conhecido por inúmeros casos de abdução alienígena. Eles tentam buscar ajuda das autoridades mas alienígenas descobrem e começam uma luta para capturar a família toda.

Por fim, um especial muito interessante contando a história das luzes também foi feito por Carl White´s - Life in the Carolinas, que você pode assistir abaixo.



Tradução/Adaptação: rusmea.com & Mateus Fornazari

- Fontes (acessadas em 25/04/2020):
- Brown Mountain Lights
- Brown Mountain Lights: Pesquisa LEMUR Liga de Materialização Energética e Fenômenos Inexplicáveis
- Brown Mountain Lights: A Viewing Guide
- Youtube: The Mystery of the Brown Mountain Lights Episode
- National Geographic Channel: Luzes Misteriosas
- Wikipedia.en: Brown Mountain Lights
- Mysterious Universe: North Carolina’s Mysterious Brown Mountain Lights Caught on Camera

12 de abril de 2020

Caso Gloria Ramirez: A Mulher Mais Tóxica da História



Em 1994, após uma mulher chamada Gloria Ramires dar entrada num hospital nos EUA, vinte e três pessoas passaram mal e cinco precisaram ser hospitalizadas. Logo foi divulgado que Gloria liberava uma fumaça tóxica, que infectou as pessoas. O que aconteceu naquele dia no hospital? O que se sabe é que esse o único caso até hoje registrado com essas características no mundo...

Assombrados, esse foi o tema vencedor na enquete que fiz com os membros do canal assombrado alguns dias atrás. A história é muito interessante, e nunca tinha ouvido falar. Você pode ver aqui a transmissão ao vivo que fiz estudando esse material. Vamos agora entender esse mistério chamado Glória Ramirez...

O Começo da Tragédia

Glória Ramírez era uma mulher de 31 anos com dois filhos. Ela padecia de um câncer cervical em fase terminal. No entanto, sua vida piorou ainda mais na noite de 19 de fevereiro de 1994, quando foi transladada de urgência ao Hospital Geral Riverside, em Riverside, Califórnia, EUA.

Uma vez dada entrada, informaram aos médicos sobre os batimentos cardíacos irregulares e a dificuldade para respirar. Enquanto a levavam ao hospital, os paramédicos forneceram a ela oxigênio e injetaram medicamentos intravenosos.

Naquele momento em que Glória Ramírez foi atendida pelos médico, ela se encontrava semiconsciente, com fala ininteligível, respiração fraca e o coração acelerado. Para aliviar esses sintomas, a equipe médica decidiu injetar uma mistura de medicamentos de ação rápida, incluindo sedativos e substâncias para reduzir os batidos cardíacos.

Apesar dos esforços, o quadro de Glória não melhorou e os médicos tiveram que lançar mão do desfibrilador (equipamento eletrônico cuja função é reverter um quadro de fibrilação auricular ou ventricular através de uma corrente elétrica no paciente). Nesse momento, vários dos presentes notaram um brilho oleoso que cobria o corpo da paciente, ao mesmo tempo que percebiam um cheiro frutado que lembrava alho, que pensaram emanar da boca de Glória.


Para obter sangue para análise, uma enfermeira chamada Susan Kane esfregou o braço direito de Ramirez com álcool, inseriu um cateter e anexou uma seringa. E foi aí que a rotina frenética e ordeira da sala de emergência começou a desmoronar. Quando a seringa encheu, Kane notou um cheiro químico no sangue. Kane entregou a seringa a a fisioterapeuta Maureen Welch e se inclinou para mais perto da mulher que estava morrendo para tentar rastrear a fonte do odor, que parecia amônia. Ela passou a seringa para Dr. Julie Gorchynski, uma médica residente que notou partículas incomuns da cor de manila (amarelado) flutuando no sangue - uma observação ecoada por outro profissional do hospital, Humberto Ochoa,

Julie Gorchynski, dando uma entrevista durante
o período que ficou hospitalizada.
Kane virou-se para a porta da sala de trauma e balançou. Pegue ela! alguém gritou. Ochoa se lançou em direção a Kane, a pegou e gentilmente guiou seu corpo mole ao chão. Kane disse que seu rosto estava queimando, e ela foi colocada em uma maca e retirada do trauma. Gorchynski também começou a se sentir enjoada. Reclamando que estava tonta, saiu da sala de trauma e sentou-se à mesa de uma enfermeira. Um membro da equipe perguntou a Gorchynski se ela estava bem, mas antes que ela pudesse responder, ela caiu no chão. Agora ela era a segunda integrante da equipe de emergência de Riverside sendo levada para longe da sala de trauma em uma maca. Gorchynski tremia intermitentemente; repetidamente, ela parava de respirar por alguns segundos, respirava algumas vezes e depois parava de respirar novamente - uma condição conhecida como apneia. Enquanto isso, de volta ao primeiro trauma, Welch se tornou a terceira a sucumbir. Lembro-me de ouvir alguém gritar, diz Welch. Então, quando acordei, não consegui controlar os movimentos dos meus membros.

Glória Ramirez


Sangue Tóxico

Humberto Ochoa estava tralhando na emergência
e ajudou a socorrer as pessoas que passaram mal.
O próprio acabou não sofrendo nenhum sintoma.
Após o colapso de Welch, vários outros funcionários começaram a dizer que se sentiam doentes e os administradores do hospital declararam uma emergência interna. Ochoa ordenou que a equipe evacuasse todos os pacientes da sala de emergência para o estacionamento do hospital. Uma equipe mínima ficou para trás para ajudá-lo em uma luta desesperada para salvar a vida de Ramirez. Sua pressão sanguínea continuou a cair e seu pulso estava ficando mais fraco. Ochoa e outros três administraram repetidamente choques elétricos e drogas, mas seus esforços para estabilizar Ramirez falharam. Às 20h50, Ochoa declarou-a morta. Dois membros da equipe transferiram o corpo para uma ante-sala de isolamento adjacente ao trauma.

Do lado de fora, no estacionamento, a equipe do hospital tratava pacientes e colegas doentes sob o brilho alaranjado das lâmpadas de enxofre. Por causa da preocupação de que o pessoal atingido tivesse sido derrubado por um produto químico nocivo, eles foram despidos para a roupa de baixo e suas roupas foram embrulhadas em sacos plásticos. Gorchynski continuou a sentir tremores e apneia. Kane agitou os braços, e seu rosto ainda ardia. Enquanto isso, Sally Balderas, uma enfermeira profissional que havia voltado para dentro para ajudar a levar o corpo de Ramirez para a sala de isolamento, começou a vomitar e sentiu uma sensação de queimação na pele. Logo ela estava tão mal que também estava deitada em uma maca.

No total, 23 dos 37 funcionários da sala de emergência apresentaram pelo menos um sintoma. Cinco foram hospitalizados pelo resto da noite. Balderas sofreu crises de apneia durante uma hospitalização de dez dias. Gorchynski, a mais gravemente enferma, passou duas semanas em terapia intensiva, onde, além de apneia, sofria de hepatite, pancreatite e necrose avascular, uma condição na qual o tecido ósseo não tem sangue e começa a morrer. No caso dela, a necrose avascular atacou os joelhos, restringindo-a a muletas por meses. É preciso uma toxina potente para fazer tudo isso, diz Sheldon Wagner, toxicologista clínico da Oregon State University.

Naquela noite surreal, o Riverside General Hospital passaria a figurar em jornais e programas de TV por semanas, pois a possibilidade assustadora de um corpo humano liberando fumaça tóxica capturava a imaginação do público. Também desencadeou uma das investigações mais extensas da história forense - detetives médicos de dez equipes locais, estaduais e federais examinaram dezenas de possíveis culpados, de gás venenoso de esgoto a histeria em massa.

Imagem mostrando os doentes no estacionamento do hospital, retirados da sala de emergência onde ela estava.


Começam as Investigações

O primeiro em cena, chegando ao hospital por volta das 23 horas, foi uma equipe de materiais perigosos do condado de Riverside. A equipe de materiais perigosos estava atrás de uma arma fumegante - algum tóxico volátil que ainda pode estar à espreita no ar da sala de emergência. Eles procuraram por uma série de substâncias químicas nocivas, incluindo sulfeto de hidrogênio e fosgênio. Para alívio dos administradores do hospital, a equipe de materiais perigosos não detectou nenhum desses produtos químicos na sala de emergência.

Seis dias depois, em uma câmera especialmente construída, o Serviço de Medicina Legal do Riverside, cujos patologistas ficaram com a incômoda tarefa de realizar uma autópsia em Ramírez sem uma pista do que o corpo estava abrigando - talvez um patógeno fugitivo, um produto químico tóxico, ou nada, vestiram roupas herméticas e desapareceram em uma câmara de exame selada para trabalhar no corpo. Surgiram 90 minutos depois, com amostras de sangue, tecido, uma bolsa de ar e segurando um caixão de alumínio com o corpo. Após isso foram desinfectados. Uma operação que você geralmente só vê em filmes.

O escritório do legista permaneceu de boca fechada sobre a análise que realizou nos dias que se seguiram. Uma coisa, no entanto, é certa: vários dias após a autópsia, o médico legista de Riverside ainda não encontrara nada de notável.

O escritório do legista construiu esta sala selada especial para investigar o corpo de Ramirez.


O Laboratório Nacional Lawrence Livermore Investiga o Caso

No dia 25 de março, o escritório dos Legistas de Riverside entrou em contato com Patrick M. Grant, vice-diretor do Centro de Ciência Forense, no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, em Livermore, na Califórnia, um local com aparelhos de ponta. Após aceitar participar do caso, Riverside enviou amostras de autópsia, em gelo seco, para o laboratório.

O plano que eles desenvolveram foi direto: analisar os compostos, orgânicos e inorgânicos, no sangue, bile e tecidos dos órgãos de Ramirez, incluindo coração, fígado, pulmões, cérebro e rins. A equipe também verificaria quaisquer gases que possam ter expelido.

Foi uma longa investigação, com uso de vários equipamentos. Até que após usar espectrografia de massa, encontraram moléculas incomuns, como amina, nicotinamida e  dimetilsulfona. Dimetilsulfona é uma molécula composta por um átomo de enxofre, dois carbonos, seis hidrogênios e dois oxigênio. É fabricado como um solvente industrial, mas às vezes também é produzido naturalmente em nossos corpos a partir de aminoácidos que contêm enxofre. Discriminada pelo fígado, a dimetilsulfona tem uma meia-vida no corpo de menos de três dias, para que pessoas saudáveis ​​nunca tenham quantidades mensuráveis ​​em seu sistema. Mas no sangue e nos tecidos de Ramirez havia uma grande concentração de dezenas de microgramas por mililitro, cerca de três vezes maior que a codeína nas amostras.

Mas o dimetilsulfona em si não podia nocautear uma sala de emergência; portanto, quando Andresen, diretor do Centro de Ciência Forense, voou para Riverside em 12 de abril para informar o legista, sua conclusão foi que ele não havia encontrado nada que parecesse um veneno. Andresen relembra alguns questionamentos ansiosos do médico legista, na esperança de encontrar algo, mas ele insistiu que parecia que Ramirez havia simplesmente tomado muita codeína e Tylenol, que em doses grandes  podem danificar o fígado. Ele também destacou as descobertas que o intrigaram: a amina que poderia ter causado o odor de amônia, a nicotinamida e a dimetilsulfona. Claramente, havia algo incomum acontecendo, mas nada que pudesse resultar na morte de Ramirez ou nos sintomas da emergência, diz Andresen. O legista ficou desanimado e sentiu que chegara ao fim da estrada também.

O Laboratório Nacional Lawrence Livermore é imenso e é um dos dois únicos lugares onde são projetadas as ogivas nucleares dos Estados Unidos da América. Foi no Centro Forense que fizeram uma investigação.


Finalmente Ocorre o Enterro

Olive Wood Memorial Park, em Riverside,
é um belo cemitério
Assim, depois da investigação, o corpo de Glória Ramirez foi finalmente entregue para a família. Seu corpo em decomposição foi liberado para uma autópsia e enterro independentes. O patologista da família Ramírez não conseguiu determinar a causa da morte porque seu coração estava ausente, seus outros órgãos estavam contaminados com matéria fecal e seu corpo estava muito decomposto.

Em 20 de abril de 1994 - dez semanas após sua morte - Ramirez foi enterrada no Olive Wood Memorial Park, em Riverside.

Cerca de 100 pessoas, a maioria parentes, compareceram ao culto no dia anterior, uma terça à noite. A família pediu às equipes de notícias da televisão que mantivessem suas câmeras do lado de fora. O reverendo Brian Taylor repreendeu o condado por não compartilhar os resultados de sua investigação sobre a morte dela com a família e pelo manuseio de seu corpo.

Os dois filhos de Ramirez de um casamento anterior, Evelyn Arciniega, de 12 anos, e Angel Arciniega Jr., de 9, se aproximaram do altar com a irmã de Ramirez, Maggie Ramirez-Garcia, que leu um poema escrito por Evelyn. "Rosas são vermelhas, violetas são azuis...  A próxima vez que encontrar uma rosa vermelha, será apenas para você" - recitou ela. "Quando as estrelas brilharem, isso me lembrará você."

Coroas de flores flanqueavam o caixão cor de marfim; um pequeno crucifixo foi colocado sobre ele e um retrato de Ramirez posicionado à esquerda dele.

As autoridades do condado consideraram a morte de Ramirez a mais desconcertante da história local e disseram que divulgarão suas descobertas até o final do mês, o que realmente ocorreu. Um porta-voz do condado disse que o hospital não é a fonte da fumaça.

Em uma entrevista coletiva convocada em 29 de abril para revelar os resultados da autópsia, o médico legista Scotty Hill anunciou que Gloria Ramirez havia morrido de disritmia cardíaca provocada por insuficiência renal decorrente de seu câncer cervical. A investigação de sua morte, Hill disse, foi concluída. Quanto à doença nos trabalhadores do hospital e como isso pode estar relacionado a Ramirez, Hill concluiu que estudos toxicológicos exaustivos não identificaram nenhuma substância tóxica externa que teria contribuído para sua morte.

Jornal do dia 29 de abril noticiando que finalmente divulgaram a causa oficial da morte de Gloria Ramirez.


Foi Tudo Histeria em Massa?

Embora a investigação sobre a morte de agora estivessem oficialmente fechados, não havia explicação para o surto de doença entre os funcionários do hospital. O departamento de saúde do condado chamou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos da Califórnia, que colocou dois de seus principais cientistas no caso, os médicos Ana Maria Osorio e Kirsten Waller. Eles entrevistaram 34 funcionários do hospital que estavam trabalhando na sala de emergência em 19 de fevereiro. Usando um questionário padronizado, Osório e Waller descobriram que as pessoas que desenvolveram sintomas graves como perda de consciência, falta de ar e espasmos musculares tendem a ter certas coisas em comum. Talvez sem surpresa, as pessoas que haviam trabalhado a menos de um metro de Ramirez e haviam tratado suas linhas intravenosas estavam em alto risco.

Essas descobertas, juntamente com os resultados da autópsia, a análise de materiais perigosos e os resultados anormais de exames de sangue da equipe do hospital atingida, levaram a um relatório oficial que o departamento de saúde divulgou em 2 de setembro. A conclusão: a equipe do hospital provavelmente experimentou um surto de doença sociogênica de massa, talvez desencadeada por um odor. Em outras palavras, eles foram abatidos pelo estresse e pela ansiedade. Para apoiar essa teoria da histeria em massa, Osório e Waller citaram a falta de evidências de um veneno e o fato de as mulheres terem mais probabilidade de sofrer sintomas graves, ambos sinais característicos da histeria em massa. Além disso, eles apontaram que nenhum dos paramédicos que tratou Ramirez na ambulância ficou doente - apesar dos quarteirões próximos e de terem tocado sua pele e parte de seu sangue após iniciar uma linha intravenosa. Contudo,

O relatório do departamento de saúde desencadeou outra enxurrada de notícias; estes incluíram Gorchynski e seu advogado, médico Russell Kussman, que denunciaram a conclusão da histeria em massa. Naquela época, Gorchynski havia aberto uma ação contra o Riverside General Hospital, o escritório do legista e vários outros, buscando US $ 6 milhões em danos. Um relatório sugerindo que Gorchynski experimentou sintomas psicossomáticos certamente não seria bom para ela no tribunal. "O relatório pode ser baseado na política ou na ignorância, mas não na ciência", disse Kussman ao New York Times. Estes são todos profissionais de emergência. Eles não se tornam histéricos por causa de um ataque cardíaco.

O relatório do estado também irritou alguns dos outros funcionários da sala de emergência, incluindo Welch. Ela estava convencida de que nem ela nem ninguém naquela noite haviam participado da histeria em massa. Ela queria que alguém olhasse com mais atenção o caso e, em sua opinião, Livermore era o único laboratório envolvido sem interesse. Welch ligou para Andresen, diretor do Centro Forense, em Livermore e implorou para que ele desse outra olhada. Para ajudar a atraí-lo de volta ao caso, ela enviou a ele uma cópia de um álbum de recortes de material que havia acumulado, incluindo notícias, o relatório do legista de Riverside, documentos legais e relatórios de toxicologia.

Jornal L.A. Tymes do dia 7 de agosto de 1994 trazendo matéria onde informa que a Dr. Julie Gorchynski vai processar o Condado de Riverside em U$ 6 milhões por por estresse emocional, custos médicos e perda de ganhos.
Laboratório Nacional Lawrence Livermore Volta a Investigar

Andresen pediu a Patrick M Grant, que já tinha feita uma análise anterior das amostra das autópsia para reabrir o caso. Para refrescar a memória de Grant, ele também mostrou seus resultados, incluindo os intrigantes compostos que ele havia identificado. Andresen apresentou um artigo com os resultados da cromatografia gasosa e espectrometria de massa, um gráfico com picos semelhantes às leituras de terremotos em um sismógrafo e apontou para o pico de dimetilsulfona (ou Metil Sulfonil Metano).

Creme DMSO pode ser
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Grant ficou um pouco hesitante, mas aceitou, e a equipe forense descobriu que o dimetilsulfona vinha do dimetilsulfóxido ou DMSO). O DMSO apareceu na década de 1960, e rapidamente se popularizou entre os atletas como um remédio milagroso para aliviar a tensão muscular. Com o tempo, descobriram que a exposição prolongada gerava danos em algumas partes do corpo. É provável então, que Glória Ramírez tenha se aplicado DMSO para suportar a dor, substância absorvida pela pele que terminou na sua corrente sanguínea.

Quando Ramirez entrou em colapso (presumivelmente por insuficiência renal relacionada ao câncer) e foi colocada na ambulância, os paramédicos colocaram uma máscara de oxigênio em seu rosto. As moléculas de oxigênio inundaram sua corrente sanguínea, combinando-se com o DMSO em seu sistema, segundo os pesquisadores, para formar altos níveis de dimetilsulfona. Quanto mais altas as concentrações dos ingredientes necessários, mais reações químicas serão realizadas com mais eficiência; assim, com tanto oxigênio, nenhum DMSO foi deixado sem transformação. A substância se cristalizou e formou os fragmentos vistos no interior da seringa com a amostra sanguínea.

O Dimetilsulfona é uma substância relativamente inofensiva, exceto quando se acrescenta dois outros átomo de oxigênio à molécula, o que resulta em um produto químico desagradável chamado sulfato de dimetilo.

Os vapores do sulfato de dimetilo podem danificar as células dos tecidos expostos. Quando absorvido no organismo é capaz de gerar convulsões, alucinações, paralisia, coma e inclusive dano grave ao fígado, rins e coração.

Como teria ocorrido a transformação do Dimetilsulfona em Sulfato de Dimetilo? Se desconhece o mecanismo pelo qual o dimetilsulfona no corpo de Glória terminou como sulfato de dimetilo. Alguns pesquisadores supõem que a conversão foi promovida pela baixa temperatura na sala.

O Centro Forense em Livermore então então envia os resultados para Riverside. Eles só queríamos a opinião do médico legista, mas Riverside pegou o artigo e disseram: "Esta é a resposta". O Instituto Médico Legal de Riverside divulga em novembro daquele ano de 1994, o relatório, saudando sua conclusão como a provável causa dos sintomas dos trabalhadores do hospital. Isso pegou desprevenidos o pessoal de Livermore. Eles afirmam que nunca disseram que foi isso que aconteceu, apenas que as pessoas deveriam investigar.

É claro que nem todos concordaram com o estudo do Livermore. Vários cientistas apontaram erros, principalmente a temperatura para vaporizar o sulfato de dimetilo e também que os efeitos mais conhecidos dessa substância demoram várias horas para se manifestar, enquanto que o relatório oficial assinala que os sintomas apareceram nos minutos prévios à exposição.

Em 23 de junho de 1997 foi publicado um artigo escrito por Patrick M Grant no prestigiado periódico Forensic Science International Volume 87, Issue 3, 23 June 1997, Pages 219-237. Ele foi revisado por pares e alguns autores começam a colocar em livros essa reação.

O artigo publicado do Grant em 1997 no Forensic Scienci International


A Hipótese do Laboratório de Metanfetamina

Alguns anos após o incidente, em 1997, o jornal New Times LA publicou uma possibilidade alternativa (veja as edições de 21 de maio de 1997 e 17 de setembro de 1997). A reportagem afirmava que um grupo de pessoas no interior do hospital, fabricava ilegalmente metanfetamina e a contrabandeava em bolsas intravenosas, uma das quais terminou acidentalmente no corpo de Glória Ramírez. A exposição a essa substância poderia ter causado esses sintomas.

Parecesse uma teoria da conspiração, e poucas pessoas acreditariam que em um hospital como esse existiria um laboratório ilegal de metanfetamina. No entanto, a hipótese surge a partir de que o Condado de Riverside foi um dos maiores pontos de distribuição de metanfetamina nos Estados Unidos.

Imagem ilustrativa de um laboratória de metanfetamina.


Família Ganha na Justiça

Em 25 de março de 1998 foi publicado no L.A. Tymes que o Condado de Riverside concordou em pagar US $ 350.000 para resolver uma ação movida por parentes de Glória Ramirez.

A família de Gloria Ramirez processou as autoridades do hospital e do condado, alegando que os médicos não a trataram corretamente na noite em que ela morreu. Eles também afirmam que as autoridades do hospital não a notificaram em 1991 que um exame de Papanicolaou mostrou que ela estava desenvolvendo câncer.

O juiz Richard Van Frank do tribunal do condado de Riverside ainda deve aprovar o acordo, que ele deve receber na segunda-feira.

As autoridades de saúde do condado não admitiram nenhuma irregularidade. O condado concordou com o acordo, em parte, para evitar levantar acusações sobre riscos à segurança no hospital, disse Peter Osinoff, advogado do condado.

Reportagem do Los Angeles Tymes do dia 25 de março de 1998 sobre o caso de causa da família.


Conclusão

Logicamente, para os forenses a possibilidade mais aceitada é a do DMSO. A possível explicação química para este incidente, por Patrick M. Grant, do Centro de Ciência Forense Livermore está começando a aparecer nos livros didáticos básicos de ciência forense.

Mas sua falha principal é a falta de comprobação de um mecanismo capaz de converter o dimetilsulfona em sulfato de dimetilo.

Por isso, a estranha história de Glória Ramírez figura como um dos maiores enigmas na história da medicina, e até hoje, pesquisadores não conseguem encontrar um envenenamento semelhante nos anais médicos, nem podem dizer se os hospitais devem se preocupar com casos futuros.
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Tradução/Adaptação: Rusmea & Mateus Fornazari

Fontes (acessadas em 06/04/2020):
Discover: Analysis of a Toxic Death
- L.A. Times: Woman at Core of Mystery Buried : Medicine: Gloria Ramirez is laid to rest two months after her death at a Riverside hospital, where fumes felled personnel. Her clergyman scolds the county for its handling of the case.
- L.A. Times: ‘Mystery Fumes’ Doctor to File $6-Million Claim : Medicine: Julie Gorchynski, who suffered knee damage in the bizarre incident, accuses Riverside County of stonewalling. Officials have said the hospital was not the source of the odor.
- L.A. Times: Riverside County Settles Suit Over Death in Hospital
- Wikipedia.en: Death of Gloria Ramirez
- Hektoen International: A case of toxic blood
- Forensic Science International: A possible chemical explanation for the events associated with the death of Gloria Ramirez at Riverside General Hospital
- Shared: The Mystery Of The "Toxic Woman" Who Made Everyone Around Her Sick
- Find a Grave: Gloria “The Toxic Lady” Ramirez
- Skeptoid: The Toxic Lady