16 de março de 2020

Os Experimentos Humanos da Prisão de Holmesburg



A instalação de Holmesburg foi inaugurada 1896; está localizada na 8215 Torresdale Av., na seção Holmesburg da Filadélfia. A prisão foi fechada e desativada em 1995.

A história dos experimentos humanos da prisão de Holmeburg começa com a chegada de um carismático dermatólogo a essa detenção em 1951: Albert Kligman.

O doutor Kligman, na época um professor da Universidade da Pensilvânia, foi convocado por uma epidemia de Pé de atleta que estava assolando a prisão. No entanto, o que ele viu ao chegar não foram os corpos de homens que precisavam de sua ajuda... Mas sim, um campo gigantesco de pele completamente ao seu dispor.

Experimentos

Assim, o jovem dermatólogo logo começou a pesquisar. O Dr. Albert Kligman era caracterizado por sua ordem e rigorosidade, e contribuiu muito para o campo da dermatologia (que naquele tempo era pouco rigorosa e estava muito mal estruturada).

No entanto, ao que parece, o que ele tinha de habilidades lógicas, não o tinha em empatia e logo Ficou claro que os presos não eram nada mais que números para ele. Como se nunca tivesse se preocupado de verdade com o bem-estar dos presos.

Durante os 20 anos que ele durou na prisão, o cientista criou um cenário bastante macabro em que se converteu em fornecedor de quantias de dinheiro para quem estivesse disposto a se submeter aos seus experimentos. É claaro, ali não havia um espaço seguro, não havia nenhum tipo de garantia aos voluntários e ninguém sabia com certeza dos resultados.

Mas esse mesmo cenário favorecia o médico. Os pagamentos não eram lá grande coisa, mas em um cenário como a cadeia dificilmente se podia conseguir algo mais e quem se negava a participar nos experimentos logo se converteriam em "prisioneiros de segunda categoria", sujeito aos desejos e caprichos de quem manipulava o dinheiro.

Dentro dos experimentos, eram incluídos talcos, xampus, sabões, cremes e todo tipo de substâncias que eram esfregadas no rosto e nas costas dos prisioneiros. Mas como se isso não fosse o bastante, o dermatólogo também experimentou com vírus como a herpes e com substâncias tóxicas como a dioxina.

No caso da dioxina, foi a Dow Chemical Company quem pagou ao cientista a soma de 10.000 dólares na época (cerca de 99 mil dólares em valores atuais) para que ele testasse o tóxico na pele dos prisioneiros e ver se era seguro (uso civil) ou se era muito prejudicial (uso militar).

As investigações de Kligman converteram ele em um famoso dermatólogo e no inventor da droga Retin-A (tretinoína), usada com sucesso contra a acne. No entanto, sua fama desandou quando o escândalo veio à tona, mais de 20 anos depois de começar a trabalhar na prisão.

Allen M. Hornblum

Em 1971 um professor chamado Allen Hornblum chegou à prisão de Holmeburg. Ele estava dirigindo um curso de leitura que tratava de ensinar os prisioneiros, muitos dos quais, jamais haviam aprendido a ler.

O que o professor encontrou o impressionou profundamente. Homens de todas as idades com o rosto, os braços e as costas recobertos de bandagens, papel e em ocasiões fita adesiva. Originalmente pensou que era a consequência de inesperados tumultos carcerários. Mas não. Logo descobriu que eram as consequências de participar dos chamados "experimentos de perfumes" do doutor Kligman.

Acres Of Skin:
Human Experiments
At Holmesburg
Prison por
Allen M. Hornblum
Hornblum descobriu que o dinheiro que Kligman havia pago aos presos havia se convertido em impulsor de uma espécie e "proxenetismo" ("Cafetinagem") meio da prisão, em que muitos homens receberiam um pagamento para se deitar com outros ou em ocasiões seriam forçados a isso.

Ainda que não há dúvida de que Kligman não era culpada disso (talvez nem sequer era consciente) muitos o condenaram pois afirmaram que ele devia prever as consequências de introduzir grandes quantidades de dinheiro em um cenário como uma prisão.

Hornblum começou a pensar em desmascarar o dermatólogo. Seu trabalho teve sucesso e quatro anos depois Kligman se viu obrigado a extinguir com seus experimentos.

No entanto, Albert Kligman jamais foi processado por isso, pois sua defesa garantiu que tais experimentos não eram contra a legislação norte-americana em 1950 e 1960. No final, os experimentos terminaram, mas os responsáveis jamais pagaram por isso.

Allen M. Hornblum publicou o livro Acres Of Skin: Human Experiments At Holmesburg Prison ("'Acres' de pele: Experiências Humanas na Prisão de Holmesburg") em 1998, que documenta os experimentos médicos não terapêuticos ministrados em reclusos da prisão de Holmesburg de 1951 a 1974, realizados sob a direção do dermatologista Albert Kligman. O título do livro é uma referência à reação que Kligman teve ao ver centenas de prisioneiros quando ele entrou na prisão: "Tudo o que vi diante de mim eram 'acres' de pele" ... "Era como um fazendeiro vendo um campo fértil pela primeira vez".

A prisão de Holmesburg abandonada. Minuto 1:25
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Tradução/Adaptação: Rusmea & Mateus Fornazari

https://en.wikipedia.org/wiki/Holmesburg_Prison
https://en.wikipedia.org/wiki/Acres_of_Skin
https://www.inquirer.com/philly/news/pennsylvania/philadelphia/leodus-jones-74-bore-witness-to-phillys-grisly-holmesburg-prison-experiments-20180213.html
https://www.dailymail.co.uk/news/article-3038202/Haunted-ruins-tortured-ghostly-remains-U-S-prison-disabled-citizens-inmates-experimented-government.html
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