20 de outubro de 2019

Poltergeist em Ponta Porã - A Família de Japoneses que Vivenciou o Sobrenatural em 1972 - "O poltergeist do Paraguai"


As pedras voam. Não importa o tamanho. Do tamanho de um ovo, até 20 ou trinta quilos. Os tomates verdes são atirados às costas dos plantadores e lavradores.

Não se dorme em camas, mas sim no assoalho com "futon" (Acolchoado) é o local mais seguro. Pois, diziam: "a gente é empurrado da cama durante a noite".

Estes fatos narrados a princípio por pessoas que constataram este fenômeno, foram publicados em japonês pelo JORNAL PAULISTA.


Apesar da austeridade e a linha que mantinha o antigo jornal onde veicularam estas notícias, em 28 de julho de 1972, não foram suficientes para que os leitores tivessem uma definição melhor dos casos abundantemente conhecidos, que vinham sendo comentados nas proximidades de Ponta Porã, do lado do Paraguai.

A direção do jornal, como sempre ocorria em casos dessa natureza, convocou o repórter Kazunari Akagi (pronuncia-se " Cázu-nári Acá-güi ")jornalista habituado a viajar e descrente de tais fatos. Ele se prontificou a desvendar por vez esse mistério, já que o mesmo não acreditava nos pormenores relatados por um conhecido artista e um produtor de vendas de determinado produto agrícola.

Os primeiros contatos foram feitos e ficou estabelecido que o encontro seria realizado na cidade de Dracena, de onde sairiam em condução do próprio promotor de vendas com destino a Ponta Porã, cidade que faz divisa com o Paraguai.

A distância de aproximadamente 1.200 quilômetros, foram vencidos sem delongas e sempre com certo ar de indiferença por parte do repórter que colocava em dúvida os "contos".

O sítio ficava a menos de vinte quilômetros de Ponta Porã, em estrada de terra onde o solo parecia bom para o cultivo. Ele chegou ao local no dia 4 de julho de 1972, juntamente do Senhor Yasugoro Nakagawa, promotor de vendas.

O repórter Akagi conversou com o proprietário às 12 horas do Paraguai. Katsuni Okabe, era o proprietário do sítio de mais ou menos 100 hectares. O repórter nota que ele é um homem culto, pois era leitor assíduo do Times. Okabe conversa de modo a deixar o repórter à vontade. Não tenta induzir a nada. Responde as perguntas e fala com convicção, assim como os membros de sua família.

Com cautela, o repórter Kazunari Akagi frisa que estava no local para fazer o "teste" de São Tomé. Ele precisava ver para crer.



Como Começou

Segundo informações fornecidas por pessoas do local, o sr. Katsumi Okabe teria comprado as terras nos idos de 1962, formando seu sítio a partir daí.

Contam que por volta de em 1969, um paraguaio comprou uma dúzia de bananas e se sentou
na beira da estrada para comê-las. Depois de ter comido uma das bananas da penca,
notou que haviam desaparecido dali, duas delas.

Após ter comido duas bananas, verificou que haviam desaparecido mais quatro. Acreditando que alguém estivesse escondido e roubado suas frutas, o paraguaio tratou de esconder consigo o resto das bananas. Ao fazer isso, sentiu um tremendo soco nas costas, que o fez cair sem sentidos.

Na ocasião em que tal fato ocorrera, uma família paraguaia instalada aproximadamente a meio quilômetro da casa do sr. Okabe passou a ser palco de fenômenos inusitados: as camas em que as pessoas estavam dormindo eram levitadas e balançavam de um lado para outro. Temerosos de serem atirados de cima de seus leitos para o solo, os habitantes daquela casa passaram a dormir no chão debaixo das camas.

Mas mesmo assim não tiveram sossego, pois, de noite, enquanto dormiam, eram empurrados para longe dos colchões. Mais tarde, os objetos da casa passaram a ser movimentados e atirados para fora, atraindo numerosos curiosos que vinham assistir os estranhos fenômenos ali em atividade.

A família paraguaia resolveu se mudar daquela casa. Porém, lá ficou apenas uma senhora de idade. Esta não quis – não se sabe o porquê – deixar a casa. Ao que parece, ela não devia estar se sentindo incomodada.

Ela trabalhava na lavoura de tomates do sr. Okabe. Entretanto, aconteceu que ela também recebeu uma saraivada de tomates em uma ocasião em que ali se achava trabalhando. A idosa ficou brava, pensando que estava sendo vítima de alguma brincadeira de mau gosto. Logo após alguns dias, o filho e a filha do sr. Okabe também foram atingidos por tomates e pepinos, enquanto lá
se achavam trabalhando.

A referida horta de tomates distava da casa da idosa paraguaia, tanto quanto da casa do sr. Okabe. Os três pontos formam um triângulo quase equilátero com cerca de 400m de lado. Era nessa região que ocorriam os ditos fenômenos poltergeist. Fora desse triângulo, não se observava nenhum fato estranho

A mais ou menos 250m distante da casa do sr. Okabe, havia outra construção onde residia outra família paraguaia. Ali jamais se deram fenômenos semelhantes.

Características Estranhas

O caso que ficou conhecido como "O poltergeist do Paraguai", possui características um tanto diferentes dos casos clássicos.

Sua atividade quase nunca cessava, permanecendo de forma quase ininterrupta de dia e de noite. Notaram apenas alguma redução irregular de suas atividades, por pequenos intervalos de tempo, durante os quais, ocorriam algumas quedas de pedras, sumiços de objetos etc.

No alegado fenômeno de Aporte, que seria segundo a parapsicologia, a passagem da matéria através da matéria, uma espécie de "teleporte", o objeto material aportado é sempre pequeno, no máximo do tamanho de meio tijolo.

Neste caso do "poltergeist do Paraguai", objetos pesados e grandes eram transportados de forma misteriosa do pavimento térreo para o superior do sobrado onde dormiam os membros da família. A escada e a passagem que ligavam os dois pisos eram estreitas, dando passagem para uma pessoa de cada vez.

Entretanto, eram trasladados de forma misteriosa, objetos grandes como bicicletas, rolos de malhas de arame, sacos de mantimentos, botijões de gás, macacos de caminhão, pedaços de trilhos de aço e até aves (dois papagaios que se achavam presos em gaiolas).

Tais objetos sumiam do lugar no piso térreo e iam aparecer no cômodo superior, causando um grande trabalho para recolocar de volta nos antigos lugares, pois a passagem pela escada não tinha espaço suficiente. Era necessário então, baixar esses objetos pelas janelas. 

Presenciando Incidentes

A família do proprietário do sítio, começou a narrar os fatos, no qual, o repórter Akagi não acreditou. Ele foi convidado então a ver uma bicicleta, dois botijões de gás (um cheio), um carrinho de mão, etc., no andar superior (a casa de madeira era uma sobrado). Esses objetos, alguns pesados, estavam juntos no assoalho.O repórter julgou ser brincadeira de algum filho do Senhor Okabe, o dono do sítio.

A família e o repórter, baixaram esses objetos e um pouco mais tarde, os mesmos objetos estavam outra vez no mesmo local, no segundo andar.




Já à noite, na hora do jantar notaram um barulho junto ao botijão de gás (utilizado para iluminar) onde pedras do tamanho de um ovo estavam sendo jogadas, fazendo barulho.

O repórter Akagi se afasta da mesa e tenta fotografar as pedras em movimento, pois era perfeitamente perceptível a uma distância de 1 de diâmetro. Ao não conseguir fotografar o fenômeno, naquele momento, o repórter assume que não acredita, apesar do barulho e dos movimentos das pedras.




Inclusive, antes dele se afastar do local e correr para a cozinha de onde vinha o barulho, apesar da luz fraca, ele andou normalmente e não se deparou com objeto algum pelo caminho.

Mas a filha do sitiante, ao passar pelo mesmo local derrubou uma lata de talco. O repórter pensou, duvidou e não acreditou, assumindo que poderia ser apenas um truque, em que teriam colocado a lata de talco, sem que ele percebesse.

No outro dia, às 21 horas enquanto a dona da casa preparava as camas, eles ouviram um barulho forte e subiram correndo ao quarto onde se depararam com um grande maçarico sob a cama do repórter.


Em questão de 1 segundo atrás, não havia nada, segundo a sra. Okabe que estava arrumando a cama do repórter, no qual, este não acreditava em nada ainda.

Jeep Voa

Eles haviam deixado o Jeep Toyota 1962 em frente da porta de entrada e quando haviam subido para quarto, notaram outro barulho do lado de fora. Eles desceram e não acharam o Jeep onde haviam deixado. Procuraram e foram encontrar o veículo um pouco mais adiante, em fronte ao paiol com o para-choque amassado.

O repórter notou que o carro estava com a primeira marcha engatada. Ele procura o rastro para ver as marcas do pneu e não viu nada.

Pensando seriamente no caso, o repórter Akagi vê que há um declive onde o Jeep poderia ter se desgovernado. Porém, a direção era outra e não para o lado do paiol.

No outro dia, ele chega a seguinte conclusão: "carregaram o Jeep". Não havia marca alguma.

Apesar de pensar seriamente no caso, Akagi ainda não acreditava no que estava acontecendo, pois na cabeça dele "Jeep não voa", mas devido a que não haviam marcas de pneus no solo, as hipóteses de levitação ou "aporte" foram levantadas.

Às 17:45 horas do Paraguai já está bastante escuro. Nakagawa (O promotor de vendas) tentou acionar o Jeep e dar algumas voltas "para surgir mais novidades". Segundo a família Okabe, quanto mais se fazia barulho de motor, mais casos estranhos aconteciam.



Teste de São Tomé 

Quando o repórter do Jornal Paulista, Kazunari Akagi, esteve no local, ele fez algumas experiências para verificar a autenticidade dos fenômenos. Entre elas, ele mesmo comprou um cadeado novo e uma corrente de ferro, com os quais, prendeu dois pneus a um dos esteios do barracão, na parte do piso inferior. Assim, os pneus ficaram fortemente acorrentados e atrelados ao esteio pelo robusto cadeado novo, cujas chaves foram guardadas no próprio bolso do repórter.

O repórter saiu de perto dos pneus por alguns instantes e foi o quanto bastou para que sumissem dali para aparecerem no cômodo superior. A corrente e o cadeado não foram mais encontrados em parte alguma. Essa "teimosia" do dito poltergeist em levar todos os objetos volumosos e pesados para o cômodo superior do barracão era uma de suas características únicas.

O repórter então fez o "teste São Tomé". Ele solicitou que todos se retirassem e ficou de vigilância na escadaria que dá acesso ao sobrado.

Único local de passagem. Quando ligam o motor se houve muito barulho. São pilhas usadas (utilizadas muito em faroletes, etc), que vão de encontro com as paredes. A mulher grita. Algo estava acontecendo.

O repórter corre para o quarto onde havia estado (no qual, ele subia de minuto em minuto sem se descuidar da escada) e se depara com um trilho cortado em cima da cama. O peso do pedaço de trilho, utilizado em estrada de ferro, é de 24 quilos e 500 gramas.

Foi nesse momento que o repórter Kazunari Akagi, que não se assustava com nada, passou a acreditar nos fenômenos. Havia feito o teste de São Tomé.

O repórter contou que de noite, sempre se deparava com roupas intimas de mulheres (baby doll) sob as árvores. Eram peças Japonesas e de Nylon que estavam guardadas (e bem guardadas) nos armários e não adiantava ocultar que voavam durante a noite. Aquilo dava uma má impressão disseram a ele.

Embaixador Japonês


Ao se deitar o repórter constatou que balas caíam no local onde dormia. Ele inicialmente pensou que poderia ser alguém atirando os doces do outro quarto, já que não havia forro na casa e os quartos eram separados por tábuas apenas.

O Embaixador Japonês Sanetoni* esteve no local após ter lido as reportagens publicadas pelo jornal (na primeira matéria onde o repórter Akagi não acreditava). O embaixador levou de presente, entre outras coisas, latas de balas, as mesmas que eram Jogadas em cima das pessoas.

*("Sanetoni" pela transcrição do jornal da época, no entanto, o embaixador japonês no Brasil em 1972 se chamava Shigeru Nakamura.)

A dona da casa contou que em uma determinada noite que eram as balas do embaixador que caíam. O repórter correu junto com a dona da casa até a cozinha onde ele conta as balas da lata e volta para o quarto.

O caso se repete e ele conta novamente as balas, constatando, sem duvidar de mais nada, que de algum modo as balas eram "retiradas" da lata e caíam sobre eles quando deitados em suas camas.

Pedras eram lançadas, vindas de fora, apesar das janelas estarem todas fechadas. Ele pega uma dessas pedras na mão, constatando que estava quente.

O repórter Kazunari Akagi, fica 5 dias no sítio e sai de lá sem a menor dúvida que os fenômenos inexplicáveis, eram reais.

Ele conclui a matéria dizendo: "Fiz o teste que devia constatei o fato, escrevi, publicamos e como é natural pode permanecer algumas dúvidas. A estes só posso recomendar. O local fica a uns 20 quilômetros da divisa de Ponta Porã. É fácil de se chegar ao sítio da família Katsumi Okabe. Todo mundo conhece o caso na região. Fiz o meu dever profissional e os fatos narrados são constatados por mim, pelo artista Hideo Sasaki e pelo promotor de vendas Yasugoro Nakagawa."

Via: Sueli Farandi - Transcrição e Atualização: rusmea.com & Mateus Fornazari

Fonte:
Journal Paulista 1972-7-28
https://espirito.org.br/artigos/poltergeist-ainda-um-misterio/
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