20 de fevereiro de 2021

El Duende de Zaragoza - O Mistério do Fogão que Falava



Em 1934, um estranho acontecimento dito paranormal em Saragoça, capital da comunidade autônoma espanhola de Aragão, chocou o país inteiro e foi alvo da primeira investigação oficial de um fenômeno paranormal na Espanha. A história do "Duende do Fogão" ou a "Casa do Duende da Boca do Fogão"*, cuja investigação terminou com um "carteiraço", encerrada à força de autoridade, segue sendo hoje um mistério sem solução. Em 1977, a casa foi derrubada e, em seu lugar, foi erigido um prédio batizado de "Edifício Duende".

*"La Casa del Duende de la Hornilla" no original, ou seja, Casa do Duende do Queimador do Fogão [Por onde sai a chama]. O fogão era a lenha mas utilizavam carvão como combustível e cujas auréolas do queimador, assim chamadas no Brasil, são chamadas de "Hornilla" na Espanha. Apesar de quase todas as fontes se referirem a vivenda como "casa" era na verdade um apartamento de um bloco com quatro andares. NDT.

O Duende de Saragoça

Ocorreu na cidade de Zaragoza (Saragoça) na Espanha e por certo que jamais um fenômeno paranormal havia causado tanta expectativa na sociedade espanhola. Milhares de pessoas seguiam com fervor o desenrolar dos fatos de uma vivenda no centro da capital aragonesa. Ao mesmo tempo, e pela primeira vez no país de Cervantes, policiais e juízes intervinham diretamente na investigação dos fatos.

O imóvel situado na rua Gascón de Gotor, número 2.
Saragoça despertava naquele 27 de setembro de 1934, às seis e meia da manhã, quando sonoras gargalhadas explodiram subitamente nas escadas de um velho imóvel situado na rua Gascón de Gotor, número 2. Muitos vizinhos saltaram de suas camas assustados, se perguntando qual era a origem do misterioso som. As sinistras gargalhadas foram se diluindo no silêncio da casa e terminaram por desaparecer ao cabo de alguns minutos. Os vizinhos ficaram ainda mais intrigados quando constataram que não se encontrava ninguém perambulando pelos corredores do prédio.

Naquele momento, todos se perguntavam sobre quem poderia ser o brincalhão. No entanto, essa pergunta ficaria sem resposta. Durante os dias seguintes só se ouviam ruídos estranhos altas horas da madrugada, quase ao amanhecer. Eram mais breves e soavam mais afastados, e por isso, a vizinhança não deu tanta importância. O fenômeno cessou três ou quatro dias depois e o desagradável assunto começou a cair no esquecimento.

Em 15 de Novembro de 1934, e de novo por volta da 6:00 manhã, Isabel, a inquilina do segundo apartamento à direita, ouvia a sua empregada de 16 anos, Pascuala Alcocer, que uma voz masculina chorosa havia lhe dirigido a palavra na cozinha, apesar dela se encontrar completamente só naquele momento e local do apartamento.

No dia seguinte, quando a garota fechava a tampa do forno do fogão, a própria dona do andar pôde ouvir um grito de homem que pronunciou um "ai!" de dor, e que a seguir exclamou: "Maria, vem!". 

Tomadas por um intenso pânico, as duas mulheres saíram esbaforidas pelos corredores do prédio pedindo ajuda. Alarmados pelos gritos de angústia, vários vizinhos apareceram pelas escadas de acesso ao segundo andar.

Era um fogão como este.
Pouco tempo depois, o grupo de pessoas voltava a escutar com nitidez a assustadora voz que surgia do queimador do fogão. Convencidos de que não se tratava de nenhuma piada macabra, decidiram se apresentar imediatamente na delegacia para denunciar o fato às autoridades.

A partir desse momento, a Polícia e a Guarda de Assalto começaram a investigar, pela primeira vez, um suposto fenômeno sobrenatural. Poucos minutos depois de terem dado queixa, um agente do Corpo Policial entrava na cozinha se dirigindo diretamente para a boca do fogão, ao mesmo tempo em que debochava a multidão que havia se reunido para presenciar a cena.

Pascuala Alcocer de 16 anos na época.
Ao tocar no registro da chaminé, a voz soltava murmúrios de dor.
Ao remover o interior do forno com o gancho destinado a tal efeito, soou de novo um som bronco, uma voz que soava distante gritou: "Ai, ai, que me machuca!".

Os deboches cessaram de imediato. Foi realizado um minucioso registro em toda a casa para comprovar se a misteriosa exclamação partia de alguma pessoa escondida em um dos andares superiores.

Como medida suplementar, vários guardas subiram ao telhado e cortaram as antenas de rádio, chegando inclusive a cavarem uma valeta ao redor do edifício para descobrir se havia algum cabo enterrado, no qual, não acharam nada.

Primeiras suspeitas

Pascuala Alcocer.
Em vista do resultado negativo das investigações oficiais que foram realizadas desde a terça-feira dia 20 à sexta-feira 23 de novembro de 1934, a Polícia supôs que devia se tratar de um excecional fato paranormal, e como se dava a circunstância de que a servente da casa, Pascuala Alcocer, estava presente "sempre" que a voz era ouvida, chegaram a afirmar que o fenômeno teria origem nela.

Quando na quinta-feira, dia 22, chegaram estas teorias aos ouvidos do psiquiatra Dr. Joaquín Gimeno Risse, endossado pelo médico Santiago Ramón y Cajal, declarou:

"Duvido de que não possa ter o fenômeno uma explicação racional. Lembro perfeitamente de que houve médiuns, em geral mulheres, que chegaram a realizar verdadeiros prodígios que ainda permanecem inexplicados; mas isso não quer dizer, nem muito menos, que eu qualifique de médium a essa garota sem a ter submetido antes a um demorado estudo". 

A polícia investigou o caso a fundo.
Sobre a origem da voz, o especialista assinalou: "Cabe a ventriloquia em uma histérica; cabe o que chamamos alucinações psicomotoras; e cabem uma porção de coisas patológicas que sem ver à jovem é impossível concretizar". 

E como a voz não era ouvida com regularidade, senão em intervalos, o Dr. Joaquín Gimeno Risse enfatizou: "Caso se trate de uma hipersensível tendo dias e horas, é o que se chama 'fraudes dos médiuns'; isto é, que sua hipersensibilidade aumenta ou diminui". 

Sem dúvida o psiquiatra se referia às pessoas dotadas que, quando experimentam uma diminuição de seus poderes paranormais, chegam inclusive à fraude para manter seu prestígio.

Enquanto isso, informado por seus agentes, o Comissário chefe de Vigilância Sr. Pérez de Soto já havia solicitado ao juiz de guarda, Sr. Pablo de Pablos, que investigasse o caso.

Estudantes debocham da polícia

Os estudantes foram multados pela
brincadeira - mas o caso seguia sendo
um mistério.
Ante a avalanche humana que se acotovelava na rua desde que se tornou público o acontecimento, o comissário ordenou a uma dupla de guardas que custodiassem o edifício.

Em frente ao velho portal da rua Gascón de Gotor se aglomeravam milhares de pessoas desejosas de ouvir as lamentações da novidade sobrenatural, ao mesmo tempo que gananciosos anunciantes inundavam o rádio e os jornais com grandes quantidades de publicidade que terminaram por fazer do "duende" algo popular.

Inclusive, um grupo de estudantes equipados com lanternas e lençóis, debocharam da vigilância policial e entraram pela parte traseira de um bar, depois de subornarem o dono do local, como fizeram alguns jornalistas, subindo totalmente cobertos com os lençóis no telhado para imitarem  "fantasmas" de forma bem tosca. A brincadeira custou aos jovens, uma multa de 50 pesetas.

Em uma coletiva de imprensa realizada durante a noite de sexta-feira 23 de novembro, o Governador Civil Otero Mirelis deixou claro que para ele, o "caso do duende" era um problema de ordem pública dizendo:

"Acho que já é hora de acabar com esse assunto para evitar consequências que podem ser lamentáveis".

A servente: a principal suspeita

Mesmo sem evidências, o caso foi "empurrado goela abaixo"
como simples "ventriloquismo inconsciente". 
Às quatro da tarde do sábado 24 de novembro, o juiz de guarda, D. Pablo de Pablos, em companhia dos forenses, D. Manuel Rost Mateo Ojer e D. Jaime Penella Murt, eram recebidos por Antonio Palazón, o dono da propriedade.

Enquanto o juiz inspecionava o edifício e trocava impressões com os inquilinos, os forenses procediam a examinar à garota de 16 anos, Pascuala Alcocer. Às sete da tarde deixavam o imóvel, aconselhando os seus moradores que fizessem o mesmo e ordenando aos agentes de Segurança que proibissem a entrada a toda pessoa estranha.

Aceitando a sugestão do juiz, os inquilinos desalojaram o imóvel três horas depois. O edifício ficou completamente esvazio ante a surpresa das pessoas que permaneciam dia e noite na rua. Enquanto policiais e vizinhos saíam pela porta principal, foi ouvida uma voz que disse: "Adeus, adeus".

Pascuala Alcocer foi investigada.
Mesmo longe do local, o fenômeno continuava.
Na manhã de segunda-feira 26, o Comissário Sr. Pérez de Soto declarava à imprensa que havia retirado a guarda do interior da moradia porque, segundo os relatórios redigidos pelos agentes que prestavam serviço na cozinha enfeitiçada, não voltaram a ouvir a voz desde que os proprietários abandonaram a casa no sábado 24, às dez da noite; "isto é, que uma vez desalojado o andar o fenômeno desapareceu", concluiu De Soto.

Figurou no relatório judicial, que naquela mesma segunda-feira foi emitido o relatório médico forense que descartava a empregada Pascuala Alcocer como possível origem do fenômeno. Descartaram também, que seria um fenômeno de ventriloquismo inconsciente supostamente provocado pela histeria da servente, pois o fenômeno ocorria também em sua ausência.

Os especialistas deixariam escrito: "Não descobrimos nela invencionices, tendência à mentira nem simulação. Afastada a garota da cozinha, a voz continua a ser ouvida. Não podemos provar nem mesmo que se trate de uma histérica, nem tampouco médium. Tanto a Polícia, como encanadores, eletricistas e pedreiros, fizeram diversas inspeções, não tendo encontrado instalação alguma que conduza à voz fantasmagórica".

Uma testemunha viva do caso

Arturo Grijalba
Arturo Grijalba era apenas uma criancinha de 4 anos de idade na época, quando a entidade falou com ele. Ele era o filho do proprietário do prédio e a única testemunha viva desse caso.

Enquanto a investigação estava em andamento, ele entrou na cozinha para conferir a tal voz. Ele observou que não haviam moradores no prédio. Somente policiais estavam do lado do fogão e ao redor do prédio, guardando o perímetro.

Quando Arturo se virou para o seu pai e disse: "Vamos pai, essa coisa é um loucura".
Inesperadamente, a voz do fogão respondeu:
"Não é uma loucura pequenino…" Todo mundo ouviu, inclusive os policiais e ficaram com medo.

Sessenta anos depois, Arturo descreve do seguinte modo um encontro com o duende: "O único que fazia era falar e adivinhar. Meu falecido pai uma vez perguntou ao duende: 
'Vem, se você é tão esperto, me diz quantos somos aqui?' 
A voz respondeu 'Treze!'. 
'Bah!, Errou!, somos doze'.
'Treze, são treze!' [retrucou a voz]. 
A polícia pediu para que Arturo Grijalba (o menino)
conversasse com a misteriosa voz.
Foram contar e de fato, éramos treze pessoas. 

No começo dissemos que não... mas não havíamos contado com uma criança de colo de um mês.".

Formalmente é dito que o duende fez sua última comunicação em Dezembro de 1934, quando Pascuala não estava trabalhando na casa.

Mas anos mais tarde, Arturo Grijalba foi questionado sobre isso e ele disse que aquilo não tinha nada ventriloquismo.
"Aquilo não era algo físico e o duende continuou falando pela boca do fogão até 1935." Arturo confirmou que devido ao medo, sua família acabou abandonando o prédio.

O que a voz dizia?

O vocabulário empregado pela misteriosa voz se limitava unicamente a nomes, palavras soltas, lamentos, gemidos, uma que outra pergunta e, em raras ocasiões, frases mais ou menos longas.

Uma das incógnitas que nunca ninguém soube explicar corretamente, foram o porquê de serem tão breves intervenções. Contam que era uma voz homem, ainda que algumas testemunhas e em uma que outra ocasião, ouviram um tom de parecido com o de uma mulher jovem, um "tom de voz de flauta". As exclamações mais célebres do duende foram:

Gemidos e lamentos quando alguém tocava na chave do registro da chaminé (o cano por onde passa a fumaça nesses fogões a lenha, geralmente possui uma válvula que controla a saída de fumaça. NDT.):

"Ai!".
"Bom dia".
"Já estou aqui, já estou aqui...!".
"Bom dia, camaradas".
"Já estou aqui. Covardes. Covardes".

Quando um fumante ofereceu um cigarro a outra pessoa: "Fumar, fumar".

Se uma criança chorava: "Não chores".

Ao acabar de jantar: "Já vou, já vou...".

Quando os curiosos perguntavam pelo duende: "Aqui estou já".

Medindo o cano da chaminé: "Não se incomodem, o diâmetro é de quinze centímetros".

A um arquiteto que ia alterar a chaminé: "Se mexer aí, me translado pra tua casa!".

A um visitante com barba: "Mas este senhor não sabe que existem em Espanha fábricas de lâminas de barbear?".

Quando um convidado pede o jornal Heraldo de Aragón para ver como estavam tratando do assunto: "O Heraldo não, que não traz nada, porque não se importa comigo...".

Nomes: "Maria, vêem".
"Isabel".
"Antonio".
"Trudis".

Se alguém apagava a luz para comprovar se o "duende" também via o interior da cozinha: "Luz... que não vejo".
"Não apague a luz".
"Não apaguem, que não se vê".

Quando alguém foi pegar aparas de madeira para o fogo: "Para que pegar lasca, se há
gás?".

Ao acender o queimador: "Não acenda o fogo, que me queimo".

Conversas com os inspetores:

"Quem és? Por que está fazendo isto? Quer dinheiro?".
-"Não".
-"Quer trabalho?".
-"Não".
-"O que você quer, homem?".
-"Nada; não sou homem".

À polícia: "Covardes, para que tanta gente e tantos guardas?".
"Já estão aqui os guardas!".

Quando um agente de Vigilância tirou a pistola do bolso do casaco para guardá-la no bolso da calça: "Com a pistola, não".

Adivinhando a chegada dos guardas: "Os guardas, os guardas".

Aos juízes municipais do distrito: "Sim".
"Não".
"Ladrões".

A toda a comunidade: "Cabrones!"** 
"Vou matar a todos os que vivem nesta casa".

Despedida: 
"Adeus, saúde".
"E por hoje, basta".
"Boa noite".

"Adeuuus, adeuuus".

**(Cabrones ou cabrón no singular quer dizer literalmente "cabrão", "bode", mas com o significado conforme contexto e ocasião de: babaca, chulo, corno, cretino, filho da put@, idiota, pentelho, safado, sacana, cafetão, garanhão, pé-de-pano... Em algumas ocasiões, soa como elogio, mas na maioria das vezes é xingamento mesmo. NDT.

O jornal Heraldo de Aragón.

A Direção-geral de Segurança pede notícias

Os jornalistas que naquela época examinavam a imprensa estrangeira que chegava a Madri, se assombraram ao ler no jornal britânico "The Times", um dos diários mais prestigiados do mundo, a referência sobre o acontecimento de Gascón de Gotor, como o "irônico duende".

Policiais e investigadores foram insultados pela misteriosa voz.
E como se o interesse do jornal londrino influenciasse nisso, durante as primeiras horas da madrugada da quarta-feira 28 de novembro de 1934, a Delegacia de Vigilância recebeu uma chamada telefônica da Direção-geral de Segurança solicitando informação sobre o estranho acontecimento.

Às 00:20 horas o duende voltava a se expressar, só que desta vez mal humorado dizendo: "Já estou aqui. Covardes. Covardes".

A delegacia comprovou essa nova intervenção e responderam ao seus colegas da Direção-geral de Segurança, um amplo dossiê o respeito do caso. O apartamento onde estava o "fogão enfeitiçado" voltou a ser ocupado pelas forças de segurança.

Na quinta-feira, dia 29 a Polícia, que até então impedia que entrassem na cozinha enfeitiçada, deu permissão ao vidente aragonês Tomás Menés, cuja visita teria sido filmada em um cinematógrafo. No entanto, essas filmagens se encontram perdidas.

Ao entender que o trabalho a realizar estava além de sua capacidade, o titular do Tribunal de Instrução Número 2, dom Pablo de Pablos, passou o assunto ao Juiz Autárquico do Distrito Terceiro, Dom Luis Fernando. Por sua vez, o governador civil, Dom Otero Mirelis, insistia em tom de ameaça para que a imprensa deixasse de falar do acontecimento. Ao que parece, a fama nacional e internacional que estava alcançando o fenômeno deixava em xeque o trabalho da polícia.
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"Carteiraço Oficial" - A investigação é encerrada à força de autoridade

Curiosos se acotovelavam em frente ao prédio para ver o
desenrolar dos acontecimentos em uma contínua alteração
da ordem pública.
Com a chegada do novo juiz rumo da investigação se tornaria incerto. Na sexta-feira, dia 30 de Novembro e nos dois primeiros dias de dezembro de 1934 os órgãos oficiais privavam de informação os meios de comunicação.

Suspeitava-se que o juiz e sua equipe estavam levando a cabo algum tipo de experimento que permitisse a eles descobrir o que realmente estava acontecendo. E assim, o juiz Dom Luis Fernando sentenciou na segunda-feira dia 3 de dezembro:

"Primeiro quis ouvir a misteriosa voz. As experiências realizadas demonstram, com absoluta clareza, que a voz é devida a um fenômeno psíquico, que unicamente se produz em determinadas circunstâncias, por isso escuto a voz quando quero. Na cozinha da casa nos encontrávamos com a empregada dos antigos inquilinos, duas testemunhas e eu.
A voz deixou-se ouvir quantas vezes eu propus. Sob o ponto de vista científico não pode ser mais interessante e sugestivo, pois ainda que não é o primeiro que se produz, são muito poucos registrados pela história médica. Por agora não posso dizer mais, as atuações praticadas serão arquivadas hoje, por não ter sido encontrada a pessoa responsável pelos acontecimentos. O misterioso acontecimento ficou totalmente aclarado".

A tudo isso, o governador civil Otero Mirelis declarou:

"Com a habitação iluminada e a escuras, o resultado foi satisfatório. Tudo o que não seja reconhecer isto, é desejo de irritar e  enfurece, e adotar posições falsas que não quero qualificar".

Convidado pelo juiz, o Dr. Joaquín Gimeno Risse também escutou os lamentos do duende na tarde de segunda-feira dia 3. Suas declarações também foram surpreendentes:

"Por fim, ouvi a voz, se é que se pode chamar voz a um som apagado e que dá certa impressão de distância. Confirmo quanto ao que disse no primeiro dia, no ponto em que chegaram as coisas, o melhor que eu devo fazer é dar o assunto por encerrado e calar. Minha posição no assunto é perigosa, posso me proteger inclusive atrás do segredo profissional".

Uma morte na investigação

Asunción Jiménez Álvarez.
Na tarde de 25 de Novembro de 1934, chegou à cidade uma mulher chamada Asunción Jiménez Álvarez, uma médium de reconhecido prestígio convidada pela polícia a expulsar o espírito daquela casa.

O grupo que acompanhou a mulher, se sentou em um círculo em uma mesa, enquanto Asunción se concentrou unindo os polegares à espera de contactar com a entidade.

Ela então abriu os olhos e uma voz gutural e desagradável de homem, saiu de sua garganta. Depois ela caiu. Os demais participantes da sessão chamaram uma ambulância, mas quando o socorro chegou ela já estava morta. Asunción morreu misteriosamente, mas o assunto foi abafado pela imprensa.

Conclusão

Em nenhum momento pôde ser explicado por que a voz seguia sendo ouvida ainda que a empregada, acusada de "ventriloquismo inconsciente", não estivesse em casa.
Antonio Palazón, o dono do imóvel, contratou Pascuala Alcocer em seu novo domicílio e ali, jamais foram ouvidas as lamentações do duende. Para a opinião pública estava muito claro que a pressão política exercida sobre o assunto deixava em dúvida a legalidade das investigações.

Os primeiros forenses erigiram um relatório que descartava à garota como origem do fenômeno. Então, por que opinaram os seguintes forenses que era ela quem provocava a anomalia?
Não é maluquice pensar que durante os dias que experimentaram com ela, traçaram um plano para acabar com o assunto que estava se tornando um incômodo cada vez maior.

Edifício Duende.
A ideia era que, declarando que a empregada, quem já não residia no local, era a culpada, as pessoas deixariam de se acotovelar nas redondezas do prédio.

Mas o efeito foi contrário, pois o fenômeno continuava se manifestando e sem explicação, o prédio e redondezas permaneceu invadido pelos curiosos com o consequente escândalo e a contínua alteração da ordem pública.

Após dois meses de mensagens e ameaças, oficialmente, em uma fria noite de finais de dezembro de 1934, aquela voz se apagou sem motivo e nunca mais voltou a ser ouvida. (Extra-oficialmente, segundo Arturo Grijalba a voz teria continuado até o ano de 1935.)
Aquele velho edifício terminou sendo demolido, pondo fim definitivamente ao mistério que deu origem aquela extensa investigação.
Hoje, apenas o nome do novo imóvel que ocupa o novo prédio "Edifício Duende" evoca aquele tempo passado.

Tradução/Adaptação: Rusmea & Mateus Fornazari

http://www.elseip.com/
http://pedromariafernandez.blogspot.com/2010/12/el-duende-de-zaragoza.html
https://www.atlasobscura.com/articles/unconscious-ventriloquism-the-unsolved-mystery-of-the-zaragoza-goblin
https://www.thevintagenews.com/2018/05/30/goblin-stove/
https://books.google.com.br/books?id=FwuQSvFCJugC&pg=PA35&dq=Asunci%C3%B3n+Jim%C3%A9nez+%C3%81lvarez&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjD_rqlg8PkAhWYF7kGHU1qBWwQ6wEINjAB#v=onepage&q=Asunci%C3%B3n%20Jim%C3%A9nez%20%C3%81lvarez&f=false

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