19 de setembro de 2019

A Bússola Pasilalinico-Simpática - O Estranho Projeto dos Caracóis Telepáticos


Enquanto a telepatia segue fascinando a inúmeras pessoas ao redor do mundo, a verdade é que atualmente, no campo científico, esse fenômeno foi descartado como algo impossível. Isso significa que a telepatia está relegada atualmente aos âmbitos do sobrenatural e do oculto e não é algo que possa ser utilizada em nossa tecnologia de maneira cotidiana ou esporádica.

No entanto, houve um momento em que a telepatia era uma hipótese científica tão válida quanto qualquer outra. No século XIX, várias pessoas tentaram usar a telepatia como um mecanismo para comunicar distâncias longínquas entre si. O objetivo era desenvolver mecanismos mais econômicos e eficientes que o telégrafo, que naquele tempo, era o método de comunicação a distância mais revolucionário de que se tinha registro.

Foram muitos que tentaram todo tipo de mecanismos para conseguir a ansiada comunicação. Desde tatuagens paralelas até transplantar um pedaço de carne do braço de uma pessoa a outra, todos estes mecanismos buscavam gerar uma conexão entre dois entes e com isso permitir algum tipo de comunicação.

Mas nenhuma dessas tentativas foi tão particular como o experimento dos caracóis telepáticos, levado a cabo em 1851 na França.

"A Bússola pasilalinico-simpática" nada mais
era que caracóis de jardim, supostamente
se comunicando entre si através de telepatia.
Claro, a pessoa que chegasse nos investidores com uma proposta comercial de "caracol telepático", não chegaria a lugar algum. Por essa razão o nome que puseram nessa peculiar iniciativa foi o de "A Bússola pasilalinico-simpática". 

Jacques Toussaint Benoit, ocultista francês, era quem estava por trás dessa proposta (com a suposta assistência de um colega americano seu chamado Biat-Chretien), pois ele garantia que havia descoberto que os caracóis de jardim ao se juntar, geravam um vínculo telepático para toda a vida.

O fenômeno exato mediante o qual isso ocorreria, não estava claro. Benoit mencionava "fluídos" para explicar o assunto, mas nunca esclarecia exatamente o que significava aquilo. Em qualquer caso, o francês afirmava que utilizando esse mecanismo, podia ser construído um sistema operacional de transmissão de informação instantânea, superando assim a tecnologia do telégrafo.

A construção do dispositivo

Jacques Benoit conseguiu convencer o dono de um ginásio local, Monsieur Triat, de financiar sua investigação, pois garantia que já entendia bem as bases científicas dessa comunicação e podia aplicar em um dispositivo prático. No entanto, passavam os meses e o ocultista seguia sem mostrar resultados, assim que seu patrocinador farto de esperar e gastar dinheiro, exigiu a construção do dispositivo prometido.

Por fim, foi fabricada a tal Bússola pasilalinico-simpática. A máquina prometida consistia de dois conjuntos de 24 recipientes, cada um com um caracol e uma letra, que continham sulfato de cobre porque... bem, para transmitir melhor os sinais ou algo assim...

A ideia era que ao tocar um caracol em um dos seus recipientes, geraria uma reação em seu homólogo do outro lado do dispositivo, no qual poderia ser detectada por um observador que registraria a mensagem.

No entanto, o primeiro experimento não deu os resultados esperados, e Jacques Benoit começou a fazer questão de que o fracasso, se devia aos erros dos operadores em dirigir o processo.

Charge.
Já com a imprensa atenta, foi realizado um segundo experimento. Em 2 de outubro de 1851, Benoit convidou o patrocinador Monsieur Triat e seu amigo Jules Allix, jornalista do La Presse.

O inventor Benoit primeiro pediu a Triat e, em seguida, a Allix para que ficassem em um posto emissor e soletrassem uma palavra. Benoit então diria qual era a palavra lendo do lado receptor.

No entanto, a transmissão era imprecisa, com ele supostamente recebendo erros como "gymoate" em vez de "gymnase" ("Ginásio"), e Benoit andava continuamente entre os dois dispositivos, alegando que era necessário supervisionar seus assistentes para garantir que eles estavam tocando e lendo os caracóis corretamente. Apesar do Monsieur Triat suspeitar de que aquilo era uma farsa, aparentemente o experimento resultou bem-sucedido.

O jornalista Allix, ficou convencido com a demonstração e escreveu um artigo cheio de elogios à criação de Benoit, que foi publicado no jornal La Presse em 27 de outubro de 1851. Jules Allix sugeriu que as mulheres usassem o dispositivo em suas correntes de cinturas ("wasit-chains").

O desconfiado Monsieur Triat, patrocinador do projeto, exigiu um outro teste mais rigoroso, com o qual Benoit concordou. No entanto, o terceiro experimento, programado para finais daquele ano de 1851, jamais foi realizado, pois Benoit desapareceu sem deixar rastro abandonando seus projetos.
Dizem que ele apareceu morto nas ruas de Paris dois anos depois.

Durante a Comuna de Paris, - quando o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia - tentaram utilizar o mecanismo para auxiliar nas comunicações e assim, defender a cidade. Mas foi totalmente abandonado quando os operadores perceberam que não oferecia resultados. A Bússola pasilalinico-simpática ou o aparelho de "caracóis telepáticos", nunca funcionou.

Em tempo:

O anime One Piece, nos brinda em toda a sua série com os "telefones" Den Den Mushi, que são caracóis caricatos utilizados ​​para comunicação ou projeção de imagens. São geralmente mostrados com receptores de telefones ou máquinas de fax, ligados às suas conchas.

Os "telefones" Den Den Mushi do divertido anime, têm a capacidade de se comunicar uns com os outros telepaticamente. As pessoas do universo de One Piece então, aproveitam essa capacidade anexando botões e receptores neles. Os Den Den Mushi, portanto, têm o lugar de telefones e outras máquinas similares no mundo de One Piece.

É interessante observar que, quando os Den Den Mushi são utilizados em uma conversa no anime, esses caracóis expressam as feições dos seus usuários como raiva, medo, tristeza, etc.
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Pois bem, agora já sabemos de onde Eiichiro Oda, criador de One Piece, se inspirou para criar esses singulares comunicadores do anime.

Tradução/Adaptação: Rusmea & Mateus Fornazari

https://en.wikipedia.org/wiki/Pasilalinic-sympathetic_compass
https://www.wired.com/2006/11/the-snail-teleg/
https://books.google.com.br/books?id=1ml_DwAAQBAJ&pg=PT189&dq=Pasilalinic-sympathetic+compass&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiQldWjq9bkAhWFGLkGHSAtCF0Q6AEIMjAB#v=onepage&q=Pasilalinic-sympathetic%20compass&f=false

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