25 de agosto de 2019

Os Misteriosos Fortes Vitrificados da Escócia

Você já ouviu falar dos fortes vitrificados? Em uma época que englobou partes da Idade do Bronze e do Ferro, em algumas regiões de Europa foram edificados fortes e muros a base de pedra, geralmente nas partes mais altas das colinas.

Todas essas construções têm algo em comum: rastros de dano por calor intenso. A temperatura sobre esses muros foi tão intensa que terminou derretendo parcialmente as pedras fazendo com que se fundissem.

Assim teria sido o forte Dun Deardail na Escócia.

Foi descoberto há aproximadamente três séculos e, desde então, figuram entre os enigmas mais interessantes da arqueologia moderna. A primeira hipótese sugere que as pedras vitrificadas seja uma evidência de antigas batalhas.

No entanto, logo foi descartada quando descobriram que precisamente a vitrificação proporcionava integridade às estruturas. Em outras palavras, os construtores dispensaram materiais concretantes, como cal ou cimento.

Forte Dun Deardail, em Glen Nevis.

Esses fortes não são encontrados apenas em um período de tempo e localização. De acordo com a About.com , "existem cerca de 200 acampamentos e outros assentamentos no mundo que evidenciam sinais de serem submetidos a calor intenso. Tais fortalezas queimadas variam em idade desde o neolítico até o período romano"

A construção dos fortes vitrificados

Tudo sugere que as rochas eram empilhadas a seco e, posteriormente, tocavam fogo até que entrassem em fusão formando um grande bloco sólido, uma técnica de construção revolucionária e extraordinária.

Pedra vitrificada de uma construção de Sainte-Suzanne, França.

A explicação sobre os fortes vitrificados possui duas versões em nossos dias: uma sugere que o processo de vitrificação dos muros foi um efeito secundário de outras atividades cotidianas que envolviam fogo, como a forja de metal, chaminés e sinais de fogo. A outra assinala que esses fortes são resultado de um esforço construtivo legítimo.
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Em 1930, o engenheiro Wallace Thorneycroft e o arqueólogo Vere Gordon Childe realizaram um experimento pioneiro: edificaram um muro de 180 cm x 180 cm com pedras que entrelaçaram com vigas horizontais de madeira, e depois tocaram fogo. O calor se manteve ativo durante três horas, até que o muro se desmoronou. Thorneycroft e Childe reviraram os restos e encontraram pedaços de madeira carbonizada incrustados na rocha vitrificada. Segundo as estimativas, o fogo atingiu 1200 °C.

Em 1978, um estudo liderado por E. Youngblood e publicado no Journal of Archaeological Science revelou que a vitrificação dos fortes não podia ser explicada por algo tão simples como um muro ordinário e vigas de madeira. Aqueles fogos provavelmente se estenderam durante dias, com temperaturas mantidas que excediam os 1000 °C.

O episódio de 16 de setembro de 1980 do Mysterious World, de Arthur C. Clarke, apresenta um segmento no qual o arqueólogo Ian Ralston examina o mistério do forte vitrificado Tap o' Noth e tenta recriar como isso poderia ter sido feito empilhando pedras e montando uma enorme fogueira, repetindo o trabalho de V. Gordon Childe e Wallace Thorneycroft nos anos 1930.


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O experimento produziu algumas pedras parcialmente vitrificadas, mas não foram colhidas respostas sobre como essas grandes fortalezas poderiam ter sido criadas com a abordagem tentada no programa.

Talvez recheavam os espaços entre as pedras e os marcos de madeira com argila e materiais inflamáveis como a turfa. Mas o fato é que fora a possibilidade do Arenito, o método de construção continua sendo um mistério.

Arenito, a solução do mistério?

É improvável que essa vitrificação tenha sido gerada como efeito secundário de atividades do dia a dia. Se trata de um ato deliberado.

Acredita-se que queimavam os muros para proporcionar maior resistência à pedra. No passado, os pesquisadores descartaram essa teoria pois o processo de aquecimento de uma rocha geralmente termina debilitando sua estrutura ao formar rachaduras diminutas por causa de uma expansão irregular.

Forte Dun Deardail, em Glen Nevis.



No entanto, o Arenito tem um comportamento peculiar com o fogo, e na construção dos fortes o material está muito presente. A resistência do arenito costuma aumentar quando exposto a altas temperaturas, isso ocorre porque as partículas se fundem e geram uma massa de vidro super densa.

Anteriormente acreditava-se que os fortes vitrificados só estavam presentes na Escócia, mas foram descobertas construções similares em diversas regiões do oeste e norte da Europa, contabilizando mais de duzentos, setenta dos quais estão em território escocês.

Tradução/Adaptação: Rusmea & Mateus Fornazari

Fontes:
https://brigantesnation.com/vitrified-forts
https://www.ancientworldreview.com/2014/05/the-vitrified-hill-forts-of-scotland.htmlhttps://en.wikipedia.org/wiki/Vitrified_fort
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