17 de janeiro de 2019

Zana - Um Yeti Entre Nós


Em meados da década de 1970, no vilarejo de T'khina, na República da Abecásia, foi encontrado pela primeira vez na História da Criptozoologia, o crânio da mítica criatura conhecida como Yeti. Moradores de mais idade da região, dizem ainda se lembrar de indivíduos vivos da espécie. No local, também existe a dupla sepultura de uma mãe "Pé-grande" chamada Zana e seu filho Khwit. Um calçado de borracha marcado com a data de 1888 foi retirado da sepultura da mulher.

A escavação foi conduzida por Igor Burtsev, um proeminente cientista do leste europeu. Burtsev passou muitos anos tentando obter o direito de investigar em T'khina, onde Zana costumava viver. A autorização foi, finalmente, concedida.

Igor Burtsev
Sobre Zana, o presidente do Conselho local de moradores, Apollon Dumava conta:

"Eu não vi Zana pessoalmente. Ela se foi 50 anos antes do meu nascimento. Porém, meus parentes mais velhos lembravam dela. 
Como esquecer? Ela tinha quase dois metros de altura, braços muito longos e fortes coberta de densa pelagem. Carregava facilmente sacos com 50 quilos de grãos usando apenas uma das mãos. Mas seus grandes olhos vermelhos, quadris curvilíneos, apesar dos seios caídos, a testa lisa, ela despertava o desejo dos homens."

Contam que um dia Zana foi tocaiada e capturada em uma ravina do rio Adzyubzha (Pronuncia-se Ad-ziu-brá). Ela foi caçada por um comerciante local. Não foi tarefa fácil.
A Yeti sempre foi muito rápida e sagaz. Mas a armadilha foi preparada. Uma cueca vermelha serviu de isca pois ela gostava de roupas e ao se aproximar da peça foi apanhada. Esse caçador foi quem deu a ela o nome Zana, porque "zan" significa "negro" na língua local.

Ela ficou presa em uma vala fechada com uma grade guarnecida com estacas afiadas. Tornou-se atração para as crianças que se divertiam atormentando-a, jogando paus e bolas de terra em que ela reagia, rosnava. Ela passou alguns anos ali sendo "domesticada". Quando o caçador achou seguro, ela foi transferida para uma cabana.

Concepção artítica de Zana.
Zana dormia no chão, em um nicho que ela mesma cavou. Estava sempre sem roupas. Jamais aprendeu a usar colheres e pratos. Comia com as mãos. Também não aprendeu a falar, mas podia reconhecer o próprio nome. Ela sabia tirar as botas de seu captor e imitava perfeitamente o som do ranger do portão.

Porém, os homens são cruéis. Além de aprisionar a Yeti em condições de vida degradantes, davam-lhe vinho e bebiam com ela. Agressivos, muitos homens mantiveram relações sexuais com Zana. Ela ficou grávida e seu primeiro filho era, portanto, um híbrido. Ela levou ele a um riacho e banhou o bebê na água gelada. A criança morreu.

O mesmo aconteceu com o segundo filho. Depois disso, o caçador tomou suas precauções e retirava os recém nascidos da mãe antes do banho gelado. O terceiro filho sobreviveu e foram quatro, ao todo, os que sobreviveram sob os cuidados de aldeões. Eram dois meninos e duas meninas.

Ninguém sabia quem eram os pais. Anos depois, durante um censo, a paternidade dos filhos da Yeti foi atribuída a um morador local chamado Kamshish Sabekia, que admitiu ter se relacionado com Zana várias vezes. Ainda há quem se lembre de um desses híbridos. Seu nome era Khvit.

Zana teve 4 filhos, dois
meninos e duas meninas.
Alto, mais de dois metros, pele cinzenta, cabelos encaracolados e lábios grossos, herança genética de sua mãe. Ele viveu em T'khina toda a sua vida e morreu em 1954, antes de completar 70 anos. Ele não gostava de crianças, que entravam em seu jardim para roubar uvas e peras.

Certa ocasião, Khvit teve uma briga com um parente. O homem reagiu e bateu em Khvit com uma enxada atingindo-lhe o braço direito. Devido à gravidade do ferimento, seu  membro teve de ser amputado. Apollon Dumava recorda a imagem incrível daquela pessoa enorme, fortíssima, arando sua terra com um braço apenas. Khvit era um ser humano. Falava, casou-se duas vezes e teve duas filhas e um filho.

Uma das filhas, Abkhazia, morreu precocemente: eletrocutada, mas deixou um filho. Robert Kukubava que guarda um álbum com fotos da família. Khvit e uma de suas irmãs eram muito parecidos com Zana. Já a filha mais velha de Khvit, neta de Zana, não se parece com a avó exceto pelos olhos.

A mais nova, Raisa e seu irmão Shuliko, (filhos de Khvit e netos de Zana), conservaram mais os traços da avó: mandíbula baixa, maçãs do rosto salientes, lábios carnudos e pele escura.

Nos últimos 30 anos, Igor Burtsev encontrou quase todos os descendentes de Zana. Porém, ele ainda queria encontrar Zana, seus restos mortais, esqueleto, crânio.

Há 35 anos atrás um crânio de fêmea foi recuperado no cemitério de Tkhin. Exames estabeleceram que o crânio pertencera a uma mulher negra que, de algum modo, chegou ao Cáucaso. Já o crânio de Khvit, também recuperado, era somente parcialmente humano.

Zana seria na verdade uma escrava africana?

Bryan Sykes, professor de genética humana na Universidade de Oxford, levou a cabo testes de DNA em amostras de saliva tomadas de descendentes de Zana, capturada no final do século 19 no sul da Rússia, cuja a população local acreditava que era um "Almasty" (Também conhecido como "Almas").

Provas de DNA a partir da neta de Zana (à esquerda)
e os restos de seu filho Khwit (à direita)
pareciam provar que Zana era de ascendência
Africana, apesar dela viver no Cáucaso selvagem.
A investigação do professor Sykes (parte de uma análise mundial das supostas amostras do Pé-grande), deu um notável resultado: que a ascendência de Zana era de 100% da África Subsaariana e que era muito provável que fosse uma escrava trazida à região pelos governantes otomanos.

Os "Caçadores de Almasty" russos têm estado obscecados com sua história por mais de meio século e sempre acreditaram que Zana poderia ser um Neandertal sobrevivente, a espécie de aparência humana extinta dezenas de milhares de anos atrás.

Para resolver o enigma e estabelecer a que espécie pertencia, o professor Sykes pôs a prova as amostra de seis dos descendentes vivos de Zana. Também recuperou o DNA de um dente extraído do crânio de um de seus filhos, Khwit.

Esse tipo de trabalho é altamente especializado e Sykes foi o primeiro genetista em extrair DNA de ossos antigos.

Bryan Sykes
Os resultados são complexos e fascinantes. Em primeiro lugar, mostram que Zana foi, de fato, não mais neandertal do que o resto dos humanos modernos.

Quando o genoma neandertal foi sequenciado em 2010, ficou evidente que os europeus e os asiáticos continham ao redor de 2 a 4 % de DNA neandertal, é quase certo que foi o resultado de mestiçagem.

Mas a grande surpresa nos resultados de Sykes foi que o DNA de Zana não é caucasiana. A amostra do dente de Khwit confirma sua ascendência africana materna e as provas de saliva em seis descendentes vivos mostram que todos eles contêm DNA africano nas proporções adequadas para que Zana fosse geneticamente 100% da África subsaariana.

"A solução mais óbvia que salta à mente é que Zana e seus antepassados foram trazidos da África à Abecásia como escravos, quando faziam parte do comércio de escravos do Império Otomano, para trabalhar como serventes ou trabalhadores", diz o professor Sykes.

Na exumação da filha de Zana foi encontrada
uma forma humana híbrida.
"Enquanto os russos aboliram a escravatura quando passaram a comandar a região no final da década de 1850, alguns africanos ficaram para trás.Zana teria sido um deles, que vivia selvagem no bosque quando foi capturada?"

Mas essa teoria não explicaria suas extraordinárias caraterísticas, descritas por testemunhas confiáveis. Há uma teoria alternativa ainda mais intrigante. Após ter estudado cuidadosamente o crânio de Khwit, o filho de Zana, o professor Sykes acredita que há algumas caraterísticas morfológicas incomuns no crânio.

Tais como cavidades orbitais muito amplas, um arco superciliar elevado e o que parece ser um osso adicional na parte posterior do crânio, que poderiam sugerir uma origem humana antiga, em oposição aos homens modernos.

Sykes também propôs a audaz possibilidade teórica de que Zana poderia ser um remanecente de uma migração anterior humana vinda da África, talvez há dezenas de milhares, de anos. Se isso for correto, Zana poderia ser a evidência de uma "tribo" de seres humanos até agora desconhecida, que data de uma época remota em que a espécie humana estava ainda em evolução e cujos antepassados foram empurrados para regiões remotas, como as montanhas do Cáucaso, pelas ondas posteriores dos humanos modernos que saíram da África.

Crânio de Khwit, filho de Zana.
O Dr. Igor Burtsev, um "caçador de Almasty" descobriu o crânio de Khwit em 1971 e alguns anos mais tarde, mostrou a um grupo de antropólogos em Moscou e estes ficaram desconsertados, identificando uma mistura de traços "primitivos" e "progressistas" (modernos) no crânio.

Por enquanto, é apenas uma ambiciosa e especulativa teoria, mas o professor Sykes tem a intenção de estudar bem mais antes de chegar à conclusões definitivas.

O professor Sykes diz que tem desenvolvido uma forte sensação de que "algo está lá fora" depois de falar com dezenas de testemunhas. Sykes não poderia dizer se o Yeti, Pé-grande ou o almasty russo é o melhor candidato para uma corrida de sobrevivência do "homem-macaco" humano.

Ele disse: "O pé-grande" tem mais pessoas tentando encontrá-lo. Mas suponho que seja o Yeti ou o almas, que vivem em regiões de difícil acesso e muito baixa densidade populacional, seja o mais provável."


Tradução/Adaptação: rusmea.com & Mateus Fornazari

Fontes:
http://english.pravda.ru/science/mysteries/06-04-2010/112878-bigfoot-0/
http://en.wikipedia.org/wiki/Almas_(cryptozoology)
http://www.channel4.com/info/press/news/was-russian-bigfoot-actually-an-african-slave 
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3025466/Was-19th-Century-Siberian-apewoman-yeti-6ft-6in-Russian-serf-outrun-horse-not-human-according-DNA-tests.html
Comentários