25 de março de 2018

O Caso Vallecas: O Filme "Verónica" Foi Mesmo Baseado em um Caso de "Possessão Demoníaca" Ocorrido na Espanha? (Atualizado 29/09)

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Por Marco Faustino
Email para contato: marcofaustino@gmx.de

Recentemente, a Netflix adicionou em seu catálogo um filme chamado "Verónica" (não estranhem o acento agudo, uma vez que é o título original do filme em espanhol). Em diversos sites brasileiros, que não irei citar os nomes, as pessoas vêm sendo informadas, que se trata de um obra "baseada em fatos reais" sobre um caso de possessão demoníaca ocorrido na Espanha, na década de 1990. Inicialmente, o filme foi exibido no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, no ano passado, e vem sendo taxado de o "filme de terror mais assustador de todos os tempos". Outros sites publicaram com grande entusiasmo que a "crítica especializada" apontava o filme com 100% de aprovação em um dos maiores sites de classificação de filmes e séries do mundo, o Rotten Tomatoes. Atualmente, no entanto, o filme tem 88% de aprovação da "crítica especializada" (de um total de 16 críticos), e apenas 44% de aprovação do público, que é aquele que efetivamente paga para assistir um determinado filme, ou seja, sem público, sem bilheteria (de um total de 815 votos). Entender o filme é algo relativamente bem simples, ainda mais quando se trata do gênero de terror. Neste caso, a obra cinematográfica acompanha uma jovem, que precisa proteger seu irmãos mais novos depois que ela tenta trazer de volta o espírito de seu pai ao usar uma tábua Ouija durante um eclipse (sim, mais um filme sobre a famigerada tábua Ouija). Sinceramente, por mais que eu goste do diretor Paco Plaza - que conseguiu fazer um filme bem interessante chamado "[•REC]" (o mesmo não é possível dizer de suas sequências [•REC]² e [•REC]³, sendo que este último foi massacrado pela crítica e pelo público), e que acabou ganhando adaptações com outros atores para o mercado norte-americano (e muito mais fraco que o filme em espanhol), onde acabou sendo chamado de "Quarantine" - existe uma forte apelação contextual nessa história, ou seja, a tentativa de usar um suposto instrumento de comunicação com os mortos com um eventual misticismo arcaico sobre eclipses.

Entretanto, como se não bastante todo o apelo contextual para obviamente tentar induzir o medo nas pessoas (afinal de contas trata-se de um filme de terror), os sites começaram a divulgar, conforme acabei de dizer, que o filme seria "baseado em fatos reais", sendo que outros resolveram apontar "a verdadeira história por trás de Verónica". Uma vez que sempre sou muito honesto com o público que nos acompanha, preciso dizer uma coisa bem sincera para vocês: o filme é, no máximo, vagamente inspirado em um suposto caso de "possessão demoníaca" ocorrido em Puente de Vallecas, um distrito de Madri, capital da Espanha, em 1990. Isso significa, que praticamente nada do que você viu ou verá no filme realmente aconteceu. Para piorar a situação o chamado "Caso Vallecas", que teria servido para a vaga inspiração de "Verónica" é um caso extremamente mal documentado, e o que vocês verão a seguir é uma espécie de tentativa de reconstruir o que teria acontecido no passado, a partir do cruzamento de inúmeras informações coletadas a partir de entrevistas, programas televisivos e conteúdo publicado por terceiros, na internet. Existe muito joio em todo esse trigo, e essa matéria especial é uma tentativa de trazer esse caso o mais próximo possível da realidade para vocês. Vamos saber mais sobre esse assunto?

OBS: Essa matéria especial foi originalmente publicada em 20 de março de 2018, e foi apenas realocada devido a realizado do especial em vídeo sobre a mesma.

Uma Breve Reflexão Inicial


Em março do ano passado publiquei uma matéria chamada "A História Completa da Tábua Ouija: Apenas um Mero Brinquedo ou um Poderoso Instrumento de Comunicação com os Mortos?", na qual apresentei a vocês a forma pela qual a tábua Ouija, que conhecemos atualmente, nasceu, por assim dizer. Expliquei detalhadamente o caso das Irmãs Fox, um dupla que enganou centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo, e promoveu o "Espiritualismo" de forma totalmente irresponsável. Também mostrei como isso fez com que o "Espiritualismo" entrasse na Casa Branca, e ganhasse tanta força, que foi capaz de culminar indiretamente no assassinato de Abraham Lincoln. E tudo isso levou a criação de inúmeros mecanismos e instrumentos supostamente destinados a comunicação com os mortos.

Mostrei a vocês como a tábua Ouija originou-se, quem registrou sua patente, e a finalidade benéfica, e não maléfica, que a mesma foi adquirindo ao longo do tempo. Aproveitei para esclarecer se a tábua Ouija era utilizada na Antiguidade, se tinha inspirado obras literárias ou músicas, e apontei exatamente o momento em que a mesma se tornou "maligna" aos olhos das pessoas.

Mostrei a vocês como a tábua Ouija originou-se, quem registrou sua patente, e a finalidade benéfica, e não maléfica, que a mesma foi adquirindo ao longo do tempo. Aproveitei para esclarecer se a tábua Ouija era utilizada na Antiguidade, se tinha inspirado obras literárias ou músicas, e apontei exatamente o momento em que a mesma se tornou "maligna" aos olhos das pessoas.
É justamente nesse ponto, onde ela se torna "maligna" na mente das pessoas, o mais interessante (principalmente graças a Hollywood, com o filme "O Exorcista"), porque muito antes disso, o mecanismo de funcionamento da tábua Ouija já era bem conhecido: o chamado "efeito ideomotor", termo cunhado pelo naturalista britânico William B. Carpenter, em 1852. Com o poder da sugestão ou expectativa, somado com os sutis movimentos inconscientes feitos pelas mãos, pode parecer que algo sobrenatural esteja ocorrendo, assim como o indicador da tábua aparenta estar se movendo por conta própria. William Carpenter também observou que os movimentos musculares podem ser realizados pelo cérebro independentemente das emoções. Porém, desde que Hollywood quis dizer ao mundo que a tábua Ouija era satânica, inúmeras histórias vêm sendo inventadas sobre a mesma. Uma delas é que a tábua não pegaria fogo. Sim, ela pega, exceto, é claro, que você passe algum produto especial na mesma. Aliás, nunca existiu, por exemplo, um "demônio da tábua Ouija" chamado "Zozo", visto que fui na raiz de toda essa história para mostrar a vocês como isso surgiu.

Ao final, mostrei que tudo indicava que a tábua Ouija fosse tão somente um brinquedo, nada além disso. Infelizmente, muitas pessoas são enganadas deliberadamente nesse sentido por filmes, séries, sites na internet, canais do YouTube etc. Por outro lado, isso não quer dizer que sua utilização por crianças ou pré-adolescentes seja recomendável, muito pelo contrário. A questão não está relacionada se a tábua poderia gerar uma possessão demoníaca, ou se a mesma é permitida ou não por determinada religião, mas potencialmente por gerar um fenômeno chamado "histeria coletiva" (também conhecido como doença psicogênica de massa).

Por outro lado, isso não quer dizer que sua utilização por crianças ou pré-adolescentes seja recomendável, muito pelo contrário. A questão não está relacionada se a tábua poderia gerar uma possessão demoníaca, ou se a mesma é permitida ou não por determinada religião, mas potencialmente por gerar um fenômeno chamado "histeria coletiva" (também conhecido como doença psicogênica de massa).
Geralmente, em casos de "histerias coletivas", as meninas são mais susceptíveis de serem afetadas do que os homens (raramente se ouve falar de meninos sendo "possuídos" por usar a tábua Ouija). Muitas vezes começa simplesmente com uma única menina. As pessoas pertencentes ao grupo, geralmente fechado, assim como uma roda de amigas em um quarto, são mais afetadas se a primeira pessoa a desmaiar for alguém que elas conheçam bem, ainda mais se a menina possuir uma grande relevância ou elevada admiração pelo grupo. Além disso, as escolas são particularmente mais vulneráveis, justamente por conterem um alto número de estudantes, de uma mesma faixa etária, o que agrava a situação. Após a demonstração dos sintomas por uma determinada pessoa, outras pessoas começam a manifestar sintomas semelhantes, geralmente náuseas, fraqueza muscular, convulsões ou dores de cabeça. Na visão de muitos, tal comportamento é interpretado como "possessão demoníaca", mas na verdade não é, e cada caso deve ser tratado individualmente e fora do ambiente que gerou essa histeria coletiva por psicólogos capacitados. Isso não se resolve com oração e trabalhos espirituais.

Para finalizar, diante do longo dossiê que escrevi sobre a tábua Ouija, nada indica que a mesma promova possessões demoníacas. Infelizmente, não conheço um único caso envolvendo a tábua Ouija, que não seja passível de inúmeros questionamentos se for realmente a fundo nas histórias, algo que nem sempre todo mundo faz pelos mais variados motivos (falta de interesse, de tempo, de paciência etc.). Assim sendo, o caso Vallecas é praticamente uma "história paranormal natimorta", ou seja, um caso que já nasceu sob uma fortíssima suspeita em relação a sua veracidade. Contudo, o que realmente teria acontecido na Espanha, na década de 1990?

O Caso Vallecas: Onde Aconteceu e as Informações Preliminares do Caso


O caso que teria vagamente inspirado o filme "Verónica" ocorreu no distrito de Puente de Vallecas (atualmente com pouco mais de 240 mil habitantes), um dos 21 distritos que compõe a cidade de Madri, capital da Espanha. Juntamente com o distrito de "Villa de Vallecas", o mesmo forma a chamada região de Vallecas. Aliás, é interessante ressaltar nesse ponto, que Vallecas era um município espanhol até 1950, quando a anexação a Madri acabou ocorrendo. Desde então, Vallecas é um região conhecida por seus moradores, predominantemente de classe média baixa (classe trabalhadora ou operária), por assim dizer. É possível notar, por exemplo, inúmeros conjuntos habitacionais praticamente iguais espalhados por todo o distrito.

O caso que teria vagamente inspirado o filme "Verónica" ocorreu no distrito de Puente de Vallecas, um dos 21 distritos que compõe a cidade de Madri, capital da Espanha. Juntamente com o distrito de "Villa de Vallecas", o mesmo forma a chamada região de Vallecas. Acima temos a visão aérea do distrito em 2011.
Desde então, Vallecas é um região conhecida por seus moradores, predominantemente de classe média baixa (classe trabalhadora ou operária), por assim dizer. É possível notar, por exemplo, inúmeros conjuntos habitacionais praticamente iguais espalhados por todo o distrito.
Entre 1960 e 2006, a região sofreu transformações similares aos outros distritos periféricos de Madri, e passou de ruas sem asfalto e sem iluminação, a ser incorporada a rede de metrô, a ter uma melhor urbanização das ruas, áreas com jardins, centros comerciais etc. Contudo, tenham em mente que não é um local glamouroso ou que tenha um ambiente socioeconômico expressivo, ainda mais se pensarmos como era a região em 1990, ou seja, 28 anos atrás.
Contudo, tenham em mente que não é um local glamuroso ou que tenha um ambiente socioeconômico expressivo, ainda mais se pensarmos como era a região em 1990, ou seja, 28 anos atrás.
Era exatamente nesse bairro, mais precisamente em um apartamento de um prédio residencial da rua Luís Marín nº 8, que morava a família Gutierrez Lázaro. Em 1990, a família era composta pela mãe, Concepción Lázaro de la Iglesia, 36 anos; pelo pai, Máximo Gutiérrez Palomares, 44 anos; e pelos seguintes filhos: Maria Estefanía Gutiérrez Lázaro (16 anos, porém morreu aos 17 anos), Ricardo Gutiérrez Lázaro (15 anos), Querubina Gutiérrez Lázaro (13 anos), Marianela Gutiérrez Lázaro (11 anos), Maximiliano Gutiérrez Lázaro (7 anos), e José Luis Gutiérrez Lázaro, que tinha apenas alguns meses de vida.





É válido ressaltar, que a família Gutierrez Lázaro morava em um apartamento desse prédio, que é basicamente o mesmo de 1990, ou seja, não havia uma casa ou um prédio anterior, é exatamente esse o local onde a família morava, e que outras famílias moram atualmente.

Posto isso, é extremamente importante mencionar, que praticamente toda a informação sobre os supostos eventos paranormais ocorridos no interior do apartamento partiram das declarações da senhora Concepción Lázaro de la Iglesia para veículos de comunicação espanhóis, a mãe de seis filhos. Segundo ela, uma de suas filhas, a Maria Estefanía Gutiérrez Lázaro, de 16 anos, um belo dia, em 1990, resolveu usar a tábua Ouija juntamente com colegas de classe, no banheiro de uma instituição pública de ensino chamada "Colegio Público Aragón", que foi fundado em 1973, e que ficava a apenas 400 metros (cerca de 5 minutos a pé) de distância do apartamento da família.



Maria Estefanía Gutiérrez Lázaro, de 16 anos, um belo dia, em 1990, resolveu usar a tábua Ouija juntamente com colegas de classe, no banheiro de uma instituição pública de ensino chamada "Colegio Público Aragón" (na foto), que foi fundado em 1973, e que ficava a apenas 400 metros (cerca de 5 minutos a pé) de distância do apartamento da família.
Tanto Estefanía quanto suas colegas de classe teriam se assustado, quando uma professora teria flagrado as meninas no banheiro, usando a tábua Ouija. Devido ao susto, um copo que estava sendo usado como indicador teria quebrado, e liberado uma espécie de fumaça negra de seu interior que, logo em seguida, teria sido inalada acidentalmente pela Estefanía.

Você pode até estar impressionado nesse momento, mas é importante dizer algumas coisas nesse ponto. Em primeiro lugar, nunca houve nenhuma declaração ou depoimento de qualquer professora, funcionário ou da direção da escola, assim como da administração pública sobre esse incidente. Além disso, não há quaisquer depoimentos de colegas ou amigos(as) de Estefanía. Para completar, nunca foi citado o nome de quaisquer pessoas que teriam participado da cena, ou seja, de pessoas envolvidas na suposta utilização ou flagrante de utilização de uma tábua Ouija no interior do "Colegio Público Aragón". Tudo o que temos foi mencionado pela mãe de Estefanía. Aliás, a razão pela qual não há nenhum depoimento da própria Estefanía, é que ela morreu em meados do ano seguinte, e o caso só apareceu na imprensa espanhola após a sua morte.

Nunca houve nenhuma declaração ou depoimento de qualquer professora, funcionário ou da direção da escola, assim como da administração pública sobre esse incidente. Além disso, não há quaisquer depoimentos de colegas ou amigos(as) de Estefanía. Para completar, nunca foi citado o nome de quaisquer pessoas que teriam participado da cena, ou seja, de pessoas envolvidas na suposta utilização ou flagrante de utilização de uma tábua Ouija no interior do "Colegio Público Aragón".
Uma vez que não há o depoimento de nenhuma eventual testemunha do que realmente teria acontecido, aparentemente cada um começou a publicar aleatoriamente a sua própria versão para o que teria ocorrido. Alguns sites na internet apontam, que Estefanía costumava usar a tábua Ouija e, inclusive, a usaria sozinha. Outros dizem que a "sessão Ouija" na escola teria sido para entrar em contato com o namorado de uma das amigas de Estefanía, que teria morrido em um acidente de moto (a versão mais popular conhecida atualmente). Já outros, no entanto, dizem que a mesma era para entrar em contato com o próprio namorado de Estefanía, que teria morrido em um acidente de trânsito.

Além disso, também não sabemos, quando a tal sessão teria acontecido, ao menos não o dia e nem mesmo o mês, apenas o ano, 1990. Alguns sites apontam que a sessão teria acontecido em março de 1990, mas há uma certa imprecisão sobre isso. Como se nada disso bastasse, ainda existe uma grande imprecisão até mesmo em relação a idade de Estefanía. Diversos veículos de comunicação ao longo do tempo já apontaram para as mais diversas idades: 14 anos, 16 anos, 18 anos e 19 anos. Infelizmente, não encontrei nenhuma declaração da mãe, a senhora Concepción Lázaro de la Iglesia, dizendo a idade da própria filha. Tudo o que temos são informações de terceiros, que podem ou não estar incorretas. Em minha matéria optei por usar a idade de 16 anos, devido a um estudo realizado por um grupo de investigação espanhol, e que mostrarei para vocês somente no final.

As Supostas "Consequências" e a Morte de Estefanía Gutiérrez Lázaro


Após esse suposto incidente, a mãe de Estefanía alegou que a filha teria passado a apresentar comportamentos estranhos. De acordo com a mãe, a adolescente teria sofrido com alucinações e convulsões, que deixavam o seu corpo rígido e seus olhos revirados. A menina também teria passado a ter visões noturna com sombras negras, no formato de homens, que cercavam a sua cama, e que constantemente pediam para que a mesma "fosse juntamente com eles". Tudo isso teria acontecido durante meses, sendo que a mãe alegou ter ido a diversos hospitais, e passado por diversos médicos, porém ninguém sabia o que sua filha tinha (algo que sempre me lembra a fabulosa rede de saúde pública em diversos países da América Latina e Central).

De acordo com a mãe, a adolescente teria sofrido com alucinações e convulsões, que deixavam o seu corpo rígido e seus olhos revirados. A menina também teria passado a ter visões noturna com sombras negras, no formato de homens, que cercavam a sua cama, e que constantemente pediam para que a mesma "fosse juntamente com eles".
Estefanía viria a morrer aos 17 anos, na madrugada de 14 de julho de 1991, por volta das 2h da manhã, no Hospital Gregorio Marañón, um hospital público, (que existe até hoje, diga-se de passagem), após chegar inconsciente devido a mais uma forte crise convulsiva. De acordo com um atestado de óbito assinado, que teria sido assinado pelos médicos "Dr. Pedro Cabezas" e "Dr. Gregorio Arroyo", a jovem teria morrido devido a uma asfixia pulmonar sob circunstâncias suspeitas. A jovem teria morrido somente no hospital, e não em sua casa.

No entanto, é importante ressaltar alguns detalhes em relação a essa parte. Nunca tivemos nenhuma declaração ou depoimento de quaisquer médicos envolvidos no atestado de óbito de Estefanía, e nem mesmo nenhuma declaração por parte do hospital ou de quaisquer outras clínicas ou hospitais que Estefanía teria, eventualmente, passado. Não existe absolutamente nada nesse sentido.



Estafenía viria a morrer na madrugada de 14 de julho de 1991, por volta das 2h da manhã, no Hospital Gregorio Marañón, um hospital público, (que existe até hoje, diga-se de passagem), após chegar inconsciente devido a mais uma forte crise convulsiva. De acordo com um atestado de óbito assinado, que teria sido assinado pelos médicos "Dr. Pedro Cabezas" e "Dr. Gregorio Arroyo", a jovem teria morrido devido a uma asfixia pulmonar sob circunstâncias suspeitas.
Alguns sites apontam que, um dia antes de sua morte, Estefanía teria avançado violentamente contra uma de suas irmãs, a Marianela, porém a menina teria conseguido se desviar, e a Estefanía teria ido parar no chão, em meio a uma crise convulsiva e espumando pela boca. Posteriormente, a jovem teria se recuperado, porém sem lembrar de nada do que havia acontecido, e curiosamente teria saído normalmente para passear com seu namorado, um indivíduo identificado como Pablo G. Porém, infelizmente, essa parte também não é verificável, uma vez que, para variar, nunca houve declarações ou depoimentos de quaisquer filhos do casal e muito menos do tal namorado identificado como Pablo G. Além disso, também foi mencionado que Estefanía já havia avisado anteriormente que, caso morresse, que a família paterna não fosse avisada e que fosse colocada uma foto de seus pais no interior do seu caixão.

Enfim, acredito que vocês já perceberam o quão esse caso é muito mal documentado, não é mesmo? Aliás, embora haja poucos detalhes verificáveis ou credíveis, esse caso poderia ser facilmente explicável diante do avanço da Medicina e da Psicologia, sendo extremamente parecido com casos que ocorrem atualmente com meninas ou grupos de meninas na Ásia, América Latina e América Central.

A Reportagem Exibida Pela Emissora de TV "Antena 3"


No YouTube, é possível encontrar uma reportagem de uma emissora de TV espanhola, a "Antena 3", que teria sido exibida em 14 de outubro de 1992. Vocês podem conferir a mesma abaixo, a partir de um canal de terceiros (em espanhol, mas irei dissecá-la para vocês):



Aparentemente, o vídeo foi extraído de uma gravação de um videocassete, que não sabemos quem gravou, no qual inicialmente podemos ver a âncora, Olga Viza, dizendo que uma equipe de reportagem, composta pela repórter Chus Morán e pelo cinegrafista Antonio Baena, esteve na casa da família Gutiérrez Lázaro, e registraram o momento onde uma "médium" teria sido supostamente possuída pelos espíritos que estariam na residência.

Inicialmente podemos ver a âncora, Olga Viza, dizendo que uma equipe de reportagem, composta pela repórter Chus Morán e pelo cinegrafista Antonio Baena, esteve na casa da família "Gutiérrez Lázaro", e registram o momento onde uma "médium" teria sido supostamente possuída pelos espíritos que estariam na residência.
Na reportagem foi mencionado, que espíritos vinham se manifestando na casa da família Gutiérrez, desde que o avô havia morrido, e expressou como último desejo, dificultar a vida da família como um todo. Segundo a reportagem, o avô costumava discutir muito com sua filha, a senhora Concepción Lázaro de la Iglesia, por motivos financeiros. Essa é uma parte interessante e igualmente mal documentada. Isso porque o pai de Concepción teria morrido bem antes de Estefanía, porém não há praticamente nenhum detalhe sobre a morte desse homem.

Na reportagem foi mencionado, que espíritos vinham se manifestando na casa da família Gutiérrez, desde que o avô havia morrido, e expressou como último desejo, dificultar a vida da família como um todo. Segundo a reportagem, o avô costumava discutir muito com sua filha, a senhora Concepción Lázaro de la Iglesia, por motivos financeiros.
Essa é uma parte interessante e igualmente mal documentada. Isso porque o pai de Concepción teria morrido bem antes de Estefanía, porém não há praticamente nenhum detalhe sobre a morte desse homem.
Alguns sites apontaram ao longo do tempo, que o avô tinha uma "estranha fixação" pela neta, mas isso não foi mencionado na reportagem, uma vez que, aparentemente, a discussão do homem era com a filha, e por motivos financeiros, ou seja, dinheiro.

Foi mencionado também, que Estefanía era a filha mais velha de Concepción, e que teria morrido de "forma inexplicável", por asfixia pulmonar, de maneira súbita e suspeita. Além disso, a menina (apontada na reportagem como tendo 14 anos) costumava usar a tábua Ouija, uma "prática considerada perigosa para os especialistas em parapsicologia".

Foi mencionado também, que Estefanía era a filha mais velha de Concepción, e que teria morrido de "forma inexplicável", por asfixia pulmonar, de maneira súbita e suspeita. Além disso, a menina (apontada na reportagem como tendo 14 anos) costumava usar a tábua Ouija, uma "prática considerada perigosa para os especialistas em parapsicologia".
Então, nos deparamos com a senhora Concepción dizendo que a filha costumava espumar pela boca e pelo nariz. A mãe tinha certeza, que a filha tinha sido possuída por alguma coisa. A reportagem também mencionou que, após a morte do avô, dois possíveis espíritos teriam entrado no apartamento, mais precisamente dentro de um dos banheiros da residência, que na verdade era usado como uma espécie de depósito.

Também foi mencionado, que se escutavam ruídos estranhos pelo apartamento, que eletrodomésticos ligavam sozinhos e, para completar, de vez em quando uma "silhueta humana" e uma "bola" atravessava o corredor do apartamento.

Então, nos deparamos com a senhora Concepción dizendo que a filha costumava espumar pela boca e pelo nariz. A mãe tinha certeza, que a filha tinha sido possuída por alguma coisa.
A reportagem também mencionou que, após a morte do avô, dois possíveis espíritos teriam entrado no apartamento, mais precisamente dentro de um dos banheiros da residência, que na verdade era usado como uma espécie de depósito.
Também foi mencionado, que se escutavam ruídos estranhos pelo apartamento, que eletrodomésticos ligavam sozinhos e, para completar, de vez em quando uma "silhueta humana" e uma "bola" atravessava o corredor do apartamento.
Na época, um grupo de parapsicólogos denominado "Unidad Cero" teria começado a investigar o caso, e registrado algumas psicofonias (fenômeno mediúnico, no qual um espírito se comunicaria através da voz de um médium). Entre essas supostas psicofonias, havia uma que dizia: "¡Cuidado com el abuelo!" ("Cuidado com o avô, em português).

Na época, um grupo de parapsicólogos denominado "Unidad Cero" teria começado a investigar o caso, e registrado algumas psicofonias (fenômeno mediúnico, no qual um espírito se comunicaria através da voz de um médium).
Entre essas supostas psicofonias, havia uma que dizia: "¡Cuidado com el abuelo!" ("Cuidado com o avô, em português).
De acordo com um homem chamado "Tristan Braker", identificado como parapsicólogo, havia duas energias na casa. A primeira seria de Estefanía, uma energia pacífica e positiva, e a segunda seria do avô, que seria muito negativa e ameaçadora.

De acordo com um homem chamado "Tristan Baker", identificado como parapsicólogo, havia duas energias na casa. A primeira seria de Estefanía, uma energia pacífica e positiva, e a segunda seria do avô, que seria muito negativa e ameaçadora.
Se encaminhando para a parte final da reportagem, nos deparamos com uma suposta "vidente" chamada "Lola", que teria supostamente sido possuída por essa tal "energia negativa" do avô, quando a mesma tentou se comunicar com Estefanía. É possível notar o Tristan segurando com força a cabeça de Lola, e gritando com a mesma, pedindo para que ela "voltasse". Também podemos ouvir a repórter, Chus Morán, narrando que, apesar de assustados, os familiares não pretendiam se mudar, porque "segundo os especialistas, os espíritos seguiriam a família, onde quer que eles fossem".

Se encaminhando para a parte final da reportagem, nos deparamos com uma suposta "vidente" chamada "Lola", que teria supostamente sido possuída por essa tal "energia negativa" do avô, quando a mesma tentou se comunicar com Estefanía.
É possível notar o Tristan segurando com força a cabeça de Lola, e gritando com a mesma, pedindo para que ela "voltasse". Também podemos ouvir a repórter, Chus Morán, narrando que, apesar de assustados, os familiares não pretendiam se mudar, porque "segundo os especialistas, os espíritos seguiriam a família, onde quer que eles fossem".
Essa reportagem acima é fundamental por diversos motivos. O primeiro deles é relação aos personagens dessa história. Nenhum outro membro da família, exceto a senhora Concepción Lázaro de la Iglesia, foi entrevistado, ou seja, não sabemos as demais versões dos familiares.

Em segundo lugar temos a questão do "grupo de parapsicólogos", sendo que o nosso principal foco é em "Tristan Braker". Muito provavelmente, quase ninguém conhece esse indivíduo, porém ele foi uma espécie de "caça-fantasmas", que apareceu em uma diversos programas dedicados a supostos fenômenos paranormais na década de 1990, e muitos deles de forma satírica e de humor. Quer um exemplo do profissionalismo dele? Confira o vídeo abaixo:



Na verdade, "Tristan Braker" foi uma espécie de personagem de um homem chamado Alfonso Galán, autor e compositor de livros e músicas. Ele se autointitulava um ator, e dizia ser um parapsicólogo. Em uma entrevista para o jornal "El País", em 2016, por telefone, Alfonso disse que "Tristan Braker" foi um nome inventado por ele, e que "Tristán" em castelhano significa "barulho", e que "Braker" em inglês significa "freio, frenagem", ou seja, "o barulho que retardava tudo".

Na verdade, "Tristan Braker" foi uma espécie de personagem de um homem chamado Alfonso Galán, autor e compositor de livros e músicas. Ele se autointitulava um ator, e dizia ser um parapsicólogo.
Ele também alegou que "a mídia havia mudado o que ele realmente era", uma pessoa que havia estudado parapsicologia desde os 20 anos de idade, e que tinha uma má lembrança da TV. Ironicamente, no entanto, não vemos nenhum desconforto de Alfonso Galán empunhando uma "arma" de plástico, e dizendo que a mesma seria capaz de caçar fantasmas. Por falar nessa "arma", Tristan Braker a apelidava de "Bobby", um arma de plástico com uma lanterna, que ele dizia detectava espíritos, energias, e entidades. Teria sido através dessa "arma", que o mesmo teria "fotografado diversos ectoplasmas". Acho que não preciso dizer muita coisa, mas na Espanha é muito difícil encontrar alguém que não considere Alfonso Galán um farsante.

Em terceiro lugar, temos um "complicativo espiritual" em toda essa história. Se Estefanía morreu no Hospital Gregorio Marañón, seu espírito estaria mesmo dentro de sua residência? Aliás, onde morreu o avô de Estefanía e pai de Concepción? Segundo inúmeros casos, a resposta para a primeira pergunta seria "não". Já a segunda resposta não sabemos, porque nada nesse sentido foi divulgado.

Em quarto e último lugar, onde está a história de que a menina teria usado uma tábua Ouija no colégio, juntamente com algumas amigas, sendo posteriormente flagrada por uma professora, e que um copo teria quebrado e liberado uma fumaça escura? A reportagem da "Antena 3" deu nitidamente a entender que o "principal responsável" pelos supostos fenômenos paranormais na residência da família seria a "energia negativa do avô", ou seja, o pai de Concepción.

A Tentativa de Validar os Supostos Fenômenos Paranormais na Casa da Família Gutiérrez Lázaro: Policiais Teriam Comprovado uma Atividade Paranormal?


Eis que entramos em um ponto nevrálgico, em que muitos gostam de dizer, a plenos pulmões, que a polícia espanhola teria testemunhado e comprovado a existência de fenômenos paranormais na residência da família Gutiérrez Lázaro. Tudo isso porque, por volta das 2h30 da madrugada, do dia 27 de novembro de 1992, Máximo Gutiérrez Palomares, marido de Concepción, que até aquele momento não tinha voz ativa nenhuma nessa história, teria ligado para a polícia. O motivo? Estranhos e supostos fenômenos paranormais estariam acontecendo na residência da família Gutiérrez Lázaro.

Cerca de seis policiais teriam ido até a casa da família, sendo que entre eles estava um inspetor de polícia chamado José Pedro Negri, que é uma outra figura emblemática dessa história, porque nunca houve o depoimento ou quaisquer declarações dos demais policiais até hoje, somente de José Pedro Negri e muitos anos depois do ocorrido. Aparentemente, os policiais foram recebidos pela família na portaria do prédio, sendo que o casal alegava que uma sombra negra e alta estaria rondando a residência. Assim sendo, os policiais subiram até o apartamento e, segundo inúmeros sites na internet, teriam visto as portas de um dos móveis da sala de jantar abrindo e fechando violentamente. Diante de suposto "fenômeno paranormal", quatro policiais teriam ficado com medo e resolveram sair do apartamento, ou seja, teria ficado apenas José Pedro Negri e mais um policial, que até hoje não sabemos o nome.

Cerca de seis policiais teriam ido até a casa da família, sendo que entre eles estava um inspetor de polícia chamado José Pedro Negri, que é uma outra figura emblemática dessa história, porque nunca houve o depoimento ou quaisquer declarações dos demais policiais até hoje, somente de José Pedro Negri e muitos anos depois do ocorrido. A imagem acima é meramente ilustrativa.
Posteriormente, os dois policiais restantes teriam ouvido um barulho "inexplicável", vindo da sacada do apartamento, onde eles não encontraram ninguém ou nenhuma razão para o barulho. Momentos depois, eles teriam percebido em uma mesa, onde ficava o telefone fixo da família, uma espécie de mancha consistente, de coloração marrom, que foi identificada como saliva ou secreção. Logo depois, Máximo acompanhou José Pedro Negri até o quarto do casal para mostrar uma imagem de Jesus Cristo, que havia sido arrancada e arranhada. Aliás, os arranhões teriam sido produzido por "algo semelhante a três garras".

Para completar, os policiais teriam visto um crucifixo, em que a imagem sacra havia se separado da madeira, e ao abrir o banheiro, que servia como depósito, José Pedro Negri teria sentido um frio, que jamais sentiu antes. Incrível, não é mesmo? Porém, nada foi investigado e foi gerado apenas um "informe" uma espécie de documento de polícia informando os detalhes da ocorrência, que muitos dizem que serve de prova que ocorreu algo paranormal no apartamento da família Gutiérrez Lázaro.

Nada foi investigado e foi gerado apenas um "informe" uma espécie de documento de polícia informando os detalhes da ocorrência, que muitos dizem que serve de prova que ocorreu algo paranormal no apartamento da família Gutiérrez Lázaro.
No dia 1º de novembro de 1993, uma foto de Estefanía, em um porta-retrato teria "queimado sozinha", porém com o passar dos tempos os supostos fenômenos teriam diminuído, sendo que a família também resolveu se mudar. O apartamento foi alugado por outras pessoas, mas, curiosamente os mesmos disseram que nunca notaram nada de anormal na residência, sendo que a própria família Gutiérrez Lázaro, que dizer, Concepción e Máximo, uma vez que só houve declarações de ambos para a mídia até hoje, alegaram que não havia acontecido nada na nova residência.

No dia 1º de novembro de 1993, uma foto de Estefanía, em um porta-retrato teria "queimado sozinha", porém com o passar dos tempos os supostos fenômenos teriam diminuído, sendo que a família também resolveu se mudar.
Agora, será mesmo que os policiais presenciaram algo paranormal? Para responder a essa pergunta é necessário assistir dois vídeos. O primeiro deles é uma espécie de reportagem chamada "Expediente Vallecas", que foi exibida no programa "Cuarto Milenio" (um programa espanhol dedicado a temas misteriosos ou de cunho paranormal e sobrenatural), em 27 de novembro de 2005, que vocês podem conferir em um canal de terceiros, no YouTube (em espanhol, mas irei destrinchá-lo rapidamente para vocês):



A reportagem acima é basicamente um resumo do sabemos atualmente. Inicialmente, vemos a senhora Concepcíon dizendo que tudo havia começado, quando sua filha usou a tábua Ouija com algumas colegas no colégio (o narrador diz que isso teria acontecido em março de 1990). Então, uma professora teria flagrado as meninas, e quebrado a tábua Ouija. Um copo usado como indicador, contendo uma espécie de fumaça também teria sido quebrado. Assim sendo, Estefanía teria sido a única a inalar a tal fumaça.

É interessante notar que Concepcíon sempre olha para seu lado esquerdo, enquanto conta sua versão. Quem estuda a linguagem corporal humana costuma dizer que esse ato (de olhar para o lado esquerdo), salvo em condições bem específicas, representa a busca futura, ou seja, Concepción muito provavelmente estaria mentindo sobre a história.

A reportagem acima é basicamente um resumo do sabemos atualmente. Inicialmente, vemos a senhora Concepcíon dizendo que tudo havia começado, quando sua filha usou a tábua Ouija com algumas colegas no colégio (o narrador diz que isso teria acontecido em março de 1990). Então, uma professora teria flagrado as meninas, e quebrado a tábua Ouija. Um copo usado como indicador, contendo uma espécie de fumaça também teria sido quebrado.
É interessante notar que Concepcíon sempre olha para seu lado esquerdo, enquanto conta sua versão. Quem estuda a linguagem corporal humana costuma dizer que esse ato (de olhar para o lado esquerdo), salvo em condições bem específicas, representa a busca futura, ou seja, Concepción muito provavelmente estaria mentindo sobre a história.
Desde esse episódio, sendo ele verdadeiro ou não, Estefanía teria começado a agir de forma estranha, a ter convulsões, a ser agressiva e, em algumas ocasiões, espumava pela boca. A mãe teria levado a filha a vários médicos (sendo que nenhuma clínica ou médico é citado), mas ninguém dizia saber o que a menina tinha.

A situação de Estefanía, no entanto, só piorava e suas crises convulsivas começaram a acontecer com mais frequência, até que, finalmente, ela veio a falecer. Após 15 anos, sua morte continuava sendo um mistério.

A situação de Estefanía, no entanto, só piorava e suas crises convulsivas começaram a acontecer com mais frequência, até que, finalmente, ela veio a falecer. Após 15 anos, sua morte continuava sendo um mistério.
Posteriormente, foi mencionado que o casal teria instalado detectores de movimento na residência, principalmente no corredor, e também foi comentado sobre a foto de Estefanía, que teria pegado fogo sozinha, dentro de um porta-retrato. Como não podia deixar de constar, a ida dos policiais até o apartamento da família também foi citada, muito embora nenhum envolvido diretamente na história foi consultado. Talvez a parte mais interessante seja a declaração de Máximo Gutiérrez dizendo que, os policiais teriam sacado suas armas, quando a porta do armário da estante teria começado a bater.

Posteriormente, foi mencionado que o casal teria instalado detectores de movimento na residência, principalmente no corredor...
...e também foi comentado sobre a foto de Estefanía, que teria pegado fogo sozinha, dentro de um porta-retrato.
Como não podia deixar de constar, a ida dos policiais até o apartamento da família também foi citada, muito embora nenhum envolvido diretamente na história foi consultado.
Então, foi dito que há sete meses a família havia vendido o apartamento e se mudado, ou seja, a família teria morado ao longo de 15 anos no mesmo local, mas nenhum outro incidente teria acontecido. Os novos moradores no antigo apartamento, no entanto, disseram que não havia nada errado com o mesmo. Nenhuma sombra ou batida em portas ou paredes. Aliás, o único barulho que escutavam eram os passos do vizinho de cima.

Os novos moradores no antigo apartamento, no entanto, disseram que não havia nada errado com o mesmo. Nenhuma sombra ou batida em portas ou paredes. Aliás, o único barulho que escutavam eram os passos do vizinho de cima.
O segundo vídeo não é encontrado no YouTube, mas em um site chamado "Mitele", uma espécie de plataforma que possui conteúdo de diversas emissoras de TV na Espanha. No meio desse conteúdo disponível gratuitamente está justamente uma edição do programa "Cuarto Milênio", apresentado pelo controverso jornalista Iker Jiménez Elizari, que foi exibida em 25 de novembro de 2012 (T08xPrograma 296).

Essa edição abriu justamente com o depoimento de José Pedro Negri sobre o que teria acontecido durante a ida dos policiais até a residência da família Gutiérrez Lázaro. E acredite, o que ele falou pode decepcionar muitos de vocês.

O segundo vídeo não é encontrado no YouTube, mas em um site chamado "Mitele", uma espécie de plataforma que possui conteúdo de diversas emissoras de TV na Espanha. No meio desse conteúdo disponível gratuitamente está justamente uma edição do programa "Cuarto Milênio", apresentado pelo controverso jornalista Iker Jiménez Elizari, que foi exibida em 25 de novembro de 2012
Antes de mostrar a vocês o depoimento dele, é importante ressaltar que, de acordo com Iker Jiménez, essa era a primeira vez que o ex-inspetor de polícia havia resolvido falar sobre o caso, visto que ele já tinha se aposentado, e que muitos já tinham tentado entrevistá-lo antes, porém sem sucesso. Ele também disse que José Pedro Negri era totalmente agnóstico e cético sobre essas questões e que, desde então, passou a frequentar missas. Ele teria assegurado, que a natureza daquilo que teria presenciado era diabólica.

Iker também disse, em uma entrevista para site chamado "Formula TV", que já havia estado na casa da família em 1996, e que Concepción mencionou para que ele evitasse o banheiro, porque o mesmo "sugaria energia". Iker estava acompanhado de uma equipe, que transportava duas pilhas, sendo que as mesmas descarregaram, uma após a outra, sem motivo aparente.

Iker também disse, em uma entrevista para site chamado "Formula TV", que já havia estado na casa da família em 1996, e que Concepción mencionou para que ele evitasse o banheiro, porque o mesmo "sugaria energia". Iker estava acompanhado de uma equipe, que transportava duas pilhas, sendo que as mesmas descarregaram, uma após a outra.
Para completar, ele disse que os estranhos e supostos fenômenos na residência não teriam acontecido somente na madrugada em que os policiais compareceram, mas que teria começado a acontecer entre 2 e 3 semanas após a morte de Estefanía, e que tudo teria começado a partir de uma voz que Concepción escutou do banheiro, que ficava próximo do quarto da menina. Os fenômenos teriam começado a se intensificar até que eles chamaram a polícia, praticamente um ano depois da morte da menina.

Posto isso, vou contar a vocês exatamente a versão dada pelo ex-inspetor de polícia. Inicialmente, José Pedro Nigri disse convictamente, que tinha sido testemunha dos fatos, e que lembrava muito bem do que aconteceu, e que tudo estava gravado em sua memória. Ele disse que a chamada teria acontecido por volta das 2h30 da manhã, e que estava muito frio na rua, cerca de 1ºC ou até mesmo 0,5ºC. Ele também disse que Concepción tinha um bebê (provavelmente José Luis Gutiérrez Lázaro). Sua impressão inicial era de que a família não estava mentindo, que dizer, ao menos para eles, soava ser uma verdade que tinham vivido.

José Pedro Nigri disse convictamente, que tinha sido testemunha dos fatos, e que lembrava muito bem do que aconteceu, e que tudo estava gravado em sua memória. Ele disse que a chamada teria acontecido por volta das 2h30 da manhã, e que estava muito frio na rua, cerca de 1ºC ou até mesmo 0,5ºC.
José Pedro Nigri confirmou que seis policiais foram até o apartamento da família, e se sentaram na sala de estar, onde eles começaram a conversar. Os familiares (Concepción e seu marido) teriam mostrado documentos médicos da filha falecida, a Estefanía, que ele considerou como verdadeiros, e que estranhos acontecimentos teriam ocorrido após a menina usar a tábua Ouija. Teria sido mencionado, que a menina desmaiava no colégio, entrava em transe, entre outras coisas.  

Curiosamente, a família disse que os estranhos fenômenos aconteciam, quando as luzes da casa eram apagadas. Então, o pai, Máximo Gutiérrez, teria apagado as luzes, e após cerca de dois ou três minutos, no máximo, a porta de um armário da sala começou a abrir e fechar de forma violenta, sucessivas vezes. Ao acender a luz, os policiais viram a porta fechada e José Pedro Nigri declarou que, em sua visão, a mesma tinha sido aberta de forma "antinatural".

Informe Policial relacionado ao caso Vallecas
José Pedro Nigri confirmou que seis policiais foram até o apartamento da família, e se sentaram na sala de estar, onde eles começaram a conversar. Os familiares (Concepción e seu marido) teriam mostrado documentos médicos da filha falecida, a Estefanía, que ele considerou como verdadeiros, e que estranhos acontecimentos teriam ocorrido após a menina usar a tábua Ouija.
Posteriormente, quatro policiais, provavelmente temerosos, resolveram deixar o apartamento, e ficou apenas o José Pedro Nigri acompanhado de um policial, que ele não recordava o nome. Então, Concepción levou o ex-inspetor e o seu colega até o quarto da filha falecida, onde havia um crucifixo de madeira e um espécie de "poster" (uma imagem ou fotografia, que nesse caso provavelmente era de cunho religioso) presos na parte de trás da porta do quarto. Concepción contou que, algumas vezes, quando ela estava sentada em uma das camas, e conversando com um dos seus filhos de 7 a 8 anos, o mesmo simplesmente "saltava de um lado para o outro" devido a uma "força desconhecia". Pouco tempo depois dessa conversa, José Pedro Nigri teria ouvido um forte barulho na parte de trás do apartamento. Imediatamente, ele se encaminhou até a sala de estar, abriu uma porta que dava acesso a um corredor, mas logo notou não havia nada caído no chão, que pudesse ter causado aquele barulho. Novamente, ele classificou o evento como "antinatural"

Algum tempo depois, José Pedro Nigri foi informado pela família, que havia uma estranha força no interior de um banheiro da residência (aquele usado como uma espécie de depósito). Assim que abriu a porta do banheiro, ele disse que os pelos do seu corpo se arrepiaram, e que ele teve uma estranha sensação de frio, que nunca havia sentido antes em sua vida. Então, ele fechou a porta, e tentou parecer calmo, como se nada tivesse acontecido. Ao se questionado por Iker Jiménez, sobre como ele explicava aquela situação, o ex-inspetor de polícia disse que não sabia como explicar, que sempre tinha sido agnóstico, e que não acreditava em coisas paranormais.

Ao se questionado por Iker Jiménez, sobre como ele explicava aquela situação, o ex-inspetor de polícia disse que não sabia como explicar, que sempre tinha sido agnóstico, e que não acreditava em coisas paranormais.
Em seguida, Iker abiu um "link televisivo" em tempo real com a casa onde os fenômenos tinham ocorrido há mais de 20 anos. Uma equipe do programa estava no interior da residência, provavelmente na expectativa que algo estranho acontecesse.

Foi nesse momento, que o ex-inspetor de polícia reconheceu uma mesa, onde ficava o telefone da família. Ele estranhou que a mesa ainda era a mesma, após tantas pessoas terem morado na casa, mas acabou dizendo que era mesmo o local onde ele havia comparecido em 1992. Aliás, uma móvel da sala, uma estante para ser mais preciso, onde uma única porta teria sido aberta e fechada violentamente, de maneira "antinatural", ainda era o mesmo.

O ex-inspetor de polícia reconheceu uma mesa, onde ficava o telefone da família. Ele estranhou que a mesa ainda era a mesma, após tantas pessoas terem morado na casa, mas acabou dizendo que era mesmo o local onde ele havia comparecido em 1992.
Aliás, uma móvel da sala, uma estante para ser mais preciso, onde uma única porta teria sido aberta e fechada violentamente, de maneira "antinatural", ainda era o mesmo.
Porta da estante que teria aberto e fechado violentamente em 1992.
Seguindo no interior da residência, também foi mostrado o banheiro, que tinha sido inteiramente reformado por alguma outra família.

Seguindo no interior da residência, também foi mostrado o banheiro,
que tinha sido inteiramente reformado por alguma outra família.
José Pedro Nigri disse que algumas pessoas alegaram ao longo do tempo, que os policiais chegaram a empunhar as armas, mas que isso era mentira, porque eles não tinham do que se defender. De qualquer forma, José Pedro Nigri alegou que passou mal durante alguns dias após a ocorrência, e que também teria passado a frequentar a igreja. Continuando a entrevista, a câmera nos mostrou o quarto de Estefanía, bem ao lado do banheiro.

Quando o ex-inspetor de polícia estava saindo do banheiro, Máximo, o pai da família teria chamado sua atenção para um ruído, que tinha acontecido atrás deles (no quarto de Estefanía). Teria sido nesse momento que ele percebeu, que o tal "poster" estava arranhado, uma espécie de marca de garra aparentemente "diabólica", porém ele fez questão de dizer que essa parte de "diabólica" era apenas uma coisa da cabeça dele. Aliás, não somente o "poster" estava arranhado, mas a madeira da porta também. Além disso, o crucifixo teria sido encontrado invertido (de ponta cabeça). Ele não entendia como isso tinha acontecido, porque segundo ele a porta estava fechada.

Quando o ex-inspetor de polícia estava saindo do banheiro, Máximo, o pai da família teria chamado sua atenção para um ruído, que tinha acontecido atrás deles (no quarto de Estefanía). Teria sido nesse momento que ele percebeu, que o tal "poster" estava arranhado, uma espécie de marca de garra aparentemente "diabólica", porém ele fez questão de dizer que essa parte de "diabólica" era apenas uma coisa da cabeça dele.
Além disso, o crucifixo teria sido encontrado invertido (de ponta cabeça). Ele não entendia como isso tinha acontecido, porque segundo ele a porta estava fechada.
Então, José Pedro Nigri disse que teria visto uma "secreção" escura sobre a mesa onde ficava o telefone da família. Ele definiu a secreção como uma espécie de "muco", algo que não teria visto anteriormente.

Então, José Pedro Nigri disse que teria visto uma "secreção" escura sobre a mesa onde ficava o telefone da família. Ele definiu a secreção como uma espécie de "muco", algo que não teria visto anteriormente.
Para terminar, ao ser questionado se ele poderia dizer que presenciou algo demoníaco, o ex-inspetor de polícia disse que não sabia dizer, mas que não era algo bom.

Para terminar, ao ser questionado se ele poderia dizer que presenciou algo demoníaco, o ex-inspetor de polícia disse que não sabia dizer, mas que não era algo bom.
Enfim, conforme vocês puderam notar, cerca de seis policiais estiveram na residência e, com as luzes apagadas, ou seja, sem enxergar nada, e com mais 8 membros da família no apartamento, ouviram uma porta da estante, na sala de estar, batendo violentamente algumas vezes. Quando as luzes foram acesas, José Pedro Nigri disse que a ocorrência era "antinatural". Posteriormente, somente ele e mais um colega de trabalho teriam permanecido, sendo que nunca tivemos o depoimento dessa outra pessoa. De qualquer forma, em nenhum momento, José Pedro Nigri realmente viu algo com seus próprios olhos acontecendo em tempo real. Tudo o que ele relatou aconteceu no escuro, quando ele estava de costas ou então longe de sua presença.

A Opinião dos Especialistas que Costumavam Participar do Programa de Iker Jiménez


Após o depoimento de José Pedro Nigri, o caso acabou sendo analisado por quatro especialistas, que costumavam ser convocados por Iker Jiménez. Entre eles estavam: Enrique de Vicente, autointitulado parapsicólogo, fundador e então diretor da revista Año cero (uma revista espanhola dedicada ao esoterismo, ocultismo, ufologia, teorias de conspiração, parapsicologia e espiritualidade); José Manuel Neves, então diretor da área de Ciência do jornal espanhol "ABC"; Santiago Vásquez, jornalista e investigador paranormal; e Manoel Martín Loeches, professor e coordenador de Neurociência Cognitiva da Universidade Complutense de Madri (UCM). Abaixo, vamos conferir a opinião de cada um.

Enrique de Vicente


Inicialmente, Enrique disse acreditar que se tratava realmente de um caso paranormal. Ele citou que casos assim aconteciam em outros países ao redor do mundo, a exemplo da França, que há mais de 70 anos autoridades policiais falavam abertamente sobre "casas encantadas".

Inicialmente, Enrique disse acreditar que se tratava realmente de um caso paranormal. Ele citou que casos assim aconteciam em outros países ao redor do mundo, a exemplo da França, que há mais de 70 anos autoridades policiais falavam abertamente sobre "casas encantadas".
Durante o debate, Enrique concordou com algumas opiniões baseadas na psicologia, que foram fornecidas por Manoel Martín Loeches, porém alegou que os policiais teriam visto um crucifixo girando sozinho. No entanto, aparentemente isso não aconteceu, visto que sequer consta no informe policial. A participação de Enrique Vicente foi a mais fraca dos quatro especialistas.

José Manuel Neves


Inicialmente, ele disse que havia lido previamente o informe policial e ouviu as declarações de José Pedro Nigri. O jornalista enumerou alguns pontos de toda essa história, que eram muito duvidosos, e que em sua visão poderiam ser perfeitamente explicáveis diante de um outro ponto de vista, é claro. Um dos primeiros debates mais calorosos foi justamente entre José Manuel Neves e Santiago Vásquez.

Inicialmente, ele disse que havia lido previamente o informe policial e ouviu as declarações de José Pedro Nigri. O jornalista enumerou alguns pontos de toda essa história, que eram muito duvidosos, e que em sua visão poderiam ser perfeitamente explicáveis diante de um outro ponto de vista, é claro.
José Manuel estranhou o fato de que "quatro" policiais teriam subido ao apartamento e, ao simplesmente escutar uma porta batendo, três teriam descido ficando somente o ex-inspetor de polícia. Curiosamente, é justamente isso que está escrito no informe policial. Porém, em depoimento ao programa "Cuarto Milenio", José Pedro Nigri declarou que eram seis policiais, que quatro desceram, e que ele não se lembrava do nome do colega de trabalho que teria permanecido com ele no apartamento da família. Santigo Vásquez se mostrou bem nervoso com a situação, meio que não admitindo que José Manuel questionasse o que chamou de "autênticos fenômenos paranormais", de um "verdadeiro clássico" espanhol.

Santiago Vásquez


Inicialmente, Santiago Vásquez elogiou a coragem de José Pedro Nigri em fornecer publicamente o seu "testemunho muito valioso". Conforme vimos anteriormente, Santiago Vásquez discutiu com José Manuel Neves, tentando defender o que chamou de "autênticos fenômenos paranormais", de um "verdadeiro clássico" da Espanha que, inclusive, contava com o depoimento de um inspetor de polícia. Rapidamente, José Manuel o refutou perguntando: "E por ser uma autoridade significa alguma coisa?". Sinceramente, essa foi uma pergunta bem válida, visto que as pessoas acabam tendo uma tendência a acreditar ou valorizar mais uma opinião, quando a mesma vem de um policial ou acadêmico, mas se esquecem que todos são seres humanos e passíveis de cometer erros.

Inicialmente, Santiago Vásquez elogiou a coragem de José Pedro Nigri em fornecer publicamente o seu "testemunho muito valioso". Conforme vimos anteriormente, Santiago Vásquez discutiu com José Manuel Neves, tentando defender o que chamou de "autênticos fenômenos paranormais", de um "verdadeiro clássico" da Espanha que, inclusive, contava com o depoimento de um inspetor de polícia. Rapidamente, José Manuel o refutou perguntando: "E por ser uma autoridade significa alguma coisa?"
Santiago Vásquez sempre batia em uma mesma tecla, a história da menina que teria usado uma tábua Ouija com colegas na escola. Essa é uma informação que, infelizmente, não é verificável, uma vez que não há o depoimento de ninguém que tivesse presenciado a cena. Porém, chegando ao final do debate, ele acrescentou dois detalhes interessantes. O primeiro era que a cachorra da família costumava olhar para um ponto do corredor, ficava rosnando, e em posição de ataque em relação ao mesmo. O segundo é que Concepción dizia ter colocado um crucifixo em uma porta, que teria aparecido invertido por mais de 10 vezes, um sintoma de algo diabólico e invocado pela tábua Ouija.

Posteriormente, Santiago comentou sobre alguns outros fenômenos que teriam acontecido na casa. Uma bola teria sido arremessada contra a cabeça de um menino, e um copo teria sido lançado sobre o menino enquanto jogava dominó. De qualquer forma, ele se mostrou bem incomodado, quando Manoel Martín Loeches comentou que, na presença da polícia, a porta do armário bateu apenas com a luz apagada, um ponto bem crítico de toda essa história, diga-se de passagem.

Manoel Martín Loeches


Inicialmente, Manoel Martín disse que José Pedro Nigri havia contado algo que ele próprio acreditava fortemente, porém não havia nada inexplicável em sua narrativa, ou seja, era possível explicar o que aconteceu através do poder da sugestão, da empatia com a família, e tantas outras coisas que ocorrem na mente humana. Explanando melhor sobre o assunto, Manoel disse que tudo poderia ter sido efeito de sugestão, ao menos, é claro, em relação ao depoimento do ex-inspetor de polícia. Era uma uma madrugada fria de novembro, e lhe foi contada uma série de coisas estranhas. Além disso, o ex-policial teria encontrado com os moradores na portaria do prédio, provavelmente com expressão de medo em seus rostos, ou seja, teria dado a impressão de que tudo era verdadeiro.

Nesse sentido, Manoel sugeriu a possibilidade dos "fenômenos" estarem sendo produzidos por um membro da família de forma deliberada ou inconscientemente. Ele também disse que havia inúmeros experimentos científicos que apontavam que, assim que uma pessoa vê uma expressão de medo no rosto de outra pessoa, o cérebro da pessoa também passava a sentir medo, de forma inconsciente.

Inicialmente, Manoel Martín disse que José Pedro Nigri havia contado algo que ele próprio acreditava fortemente, porém não havia nada inexplicável em sua narrativa, ou seja, era possível explicar o que aconteceu através do poder da sugestão, da empatia com a família, e tantas outras coisas que ocorrem na mente humana.
Em determinado momento do debate, Manoel Martín levantou uma contradição em relação ao depoimento do ex-inspetor de polícia e dos familiares. Isso porque José Pedro Nigri disse, que a história sobre os policiais terem sacado suas, armas assim que as portas de um armário da estante começaram a bater era falsa. Porém, o pai da família, Máximo Gutiérrez Palomares disse em 2005, que os policiais tinham sacado suas armas, ou seja, em quem deveríamos acreditar? Ele também ressaltou, que o relatório forense sobre a morte da menina mencionava várias vezes a palavra epilepsia, e que provavelmente a menina sofria de ataques epilépticos.

Nesse ponto Iker disse que Concecpción e o marido alegaram que a menina nunca teria tido um ataque epiléptico, e que a família havia mencionado que, certa vez, a menina teria se posicionado feito um cachorro, um lobo, e tentado atacar os irmãos. Na opinião de Manoel Martín, a menina poderia estar tendo algum transtorno psicótico ou algum outro transtorno de ordem psicológica. Ele chegou a dizer que era possível que os pais, por acreditar que algo sobrenatural estivesse realmente acontecendo, poderiam induzir os filhos e fazê-los acreditar em um eventual terror doméstico.

O Perfil Psicológico da Senhora Concepción Lázaro de la Iglesia: Uma Grande Reviravolta em Toda Essa História


Existe um documento pouco conhecido relacionado a esse caso, que é igualmente e raramente divulgado pela imprensa ou sites que abordam mistérios envolvendo o paranormal ou sobrenatural. Um documento que traça o perfil psicológico da senhora Concepcíon Lázaro de la Iglesia, visto que desde o começo havia uma certa desconfiança sobre a mesma, ou seja, que ela era a principal liderança da família, e que estava induzindo conscientemente ou não, os demais a acreditar nas mesmas coisas que ela pensava.

Esse documento foi produzido e assinado em novembro de 1996, porém veio à tona somente 20 anos depois, em 2016, devido a permissão, que um homem chamado Pablo Moreira, principal responsável pelo site espanhol "Mundo Parapsicológico" recebeu de um antigo e extinto grupo de investigação chamado "FEDINE", que era composto por pesquisadores profissionais, incluindo psicólogos, investigadores forenses, entre outros, e que sempre ficou longe dos holofotes da mídia. Porém, eles realizaram um estudo interdisciplinar sobre o caso Vallecas, abordando aspectos sociais e psicológicos, que não tinham sido abordados pelo restante dos pesquisadores. Farei questão de traduzir os principais detalhes que constam nesse extenso documento para vocês.

Esse documento foi produzido e assinado em novembro de 1996, porém veio à tona somente 20 anos depois, em 2016, devido a permissão, que um homem chamado Pablo Moreira (à direita), principal responsável pelo site espanhol "Mundo Parapsicológico" recebeu de um antigo e extinto grupo de investigação chamado "FEDINE", que era composto por pesquisadores profissionais, incluindo psicólogos, investigadores forenses, entre outros, e que sempre ficou longe dos holofotes da mídia.
O estudo chamado "Informe: Poltergeist - Vallecas" havia sido liderado pelo Dr. Luis M. Rivero, diplomado em Parapsicologia Superior, Hipnose Clínica e Estomatologia Médica Legal e Forense, e pelo Dr. Enrique Sánchez, diplomado em Parapsicologia Superior. Além disso, o mesmo também contou com a participação da Dra. Mónica N-C., licenciada em Pedagogia e diplomada em Grafologia, e do Dr. Carlos I. G., licenciado em Psicologia e diplomado em Estomatologia Médica Legal e Forense. Portanto, uma equipe de quatro profissionais.
O estudo chamado "Informe: Poltergeist - Vallecas" havia sido liderado pelo Dr. Luis M. Rivero, diplomado em Parapsicologia Superior, Hipnose Clínica e Estomatologia Médica Legal e Forense, e pelo Dr. Enrique Sánchez, diplomado em Parapsicologia Superior. Além disso, o mesmo também contou com a participação da Dra. Mónica N-C., licenciada em Pedagogia e diplomada em Grafologia, e do Dr. Carlos I. G., licenciado em Psicologia e diplomado em Estomatologia Médica Legal e Forense. Portanto, uma equipe de quatro profissionais.
Inicialmente, o estudo fez uma espécie de resumo sobre o caso, dizendo que Estefanía tinha 16 anos, e que segundo sua mãe a menina teria usado a tábua Ouija juntamente com colegas de escola, que o tabuleiro e o copo tinham sido quebrados, e que ela teria inalado uma fumaça negra. Posteriormente, a menina teria apresentado comportamentos estranhos, até que na noite de 13 de julho de 1991 ela teria começado a passar mal, sendo levada de ambulância até o Hospital Gregorio Marañon, por volta das 23h, e vindo a falecer na madrugada do dia 14, por volta das 2h da manhã, com apenas 17 anos de idade.
Inicialmente, o estudo fez uma espécie de resumo sobre o caso, dizendo que Estefanía tinha 16 anos, e que segundo sua mãe a menina teria usado a tábua Ouija juntamente com colegas de escola, que o tabuleiro e o copo tinham sido quebrados, e que ela teria inalado uma fumaça negra.
Posteriormente, a menina teria apresentado comportamentos estranhos, até que na noite de 13 de julho de 1991 ela teria começado a passar mal, sendo levada de ambulância até o Hospital Gregorio Marañon, por volta das 23h, e vindo a falecer na madrugada do dia 14, por volta das 2h da manhã, com apenas 17 anos de idade.
Em seguida, foi apresentado o resultado de um teste parapsicológico realizado com a mãe. Não foi encontrado nenhum dado significativo e relacionado a uma eventual faculdade parapsicológica por parte de Concepcíon. Então, fomos apresentados ao teste psicológico realizado com a mesma, que apresentou conclusões muito peculiares. Confira abaixo o resultado:
  • Indivíduo com leve tendência a introversão (o estado de estar predominantemente interessado no próprio eu mental, ou seja, uma pessoa reservada ou reflexiva);
  • Angústia emocional expressiva, neurótica, com tendência expressiva a ansiedade;
  • Comportamento apático, marcado, às vezes, por violentas explosões;
  • Delírio sistematizado com pensamentos de grandeza ou megalomania;
  • Necessidade de chamar a atenção, superestimando a si própria;
  • Inclinação para a constituição maníaca-depressiva.
Em seguida, foi apresentado o resultado de um teste parapsicológico realizado com a mãe. Não foi encontrado nenhum dado significativo e relacionado a uma eventual faculdade parapsicológica por parte de Concepcíon
Então, fomos apresentados ao teste psicológico realizado com a mesma, que apresentou conclusões muito peculiares
Posteriormente, foi utilizado uma espécie de formulário elaborado pela famosa Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres (SPR) para coletar uma amostra caligráfica da senhora Concepción. Assim sendo um estudo grafológico (a grafologia é definida como uma técnica pseudocientífica, que estuda as características psicológicas das pessoas através da forma e dos traços da escrita. São analisados trechos da escrita espontânea ou a assinatura dos indivíduos) também foi realizado. O estudo fez questão de ressaltar inicialmente, que a análise era de uma pessoa em um determinado momento de sua vida, com uma determinada idade, e que as experiências ao longo da vida podiam ter modificado sua personalidade. De qualquer forma, vamos ao resultado:
  • Pessoa com mais de 30 anos não madura. Personalidade não formada, imatura, com traços infantis que fortalecem sua imaturidade;
  • Otimismo. Capacidade imaginativa e fantasiosa;
  • Independente. Ela acredita ser autossuficiente, e confia em não depender de ninguém, mas ela considera que os outros dependem dela, e isso faz com que ela se sinta útil;
  • Desequilíbrio emocional discreto;
  • Necessita de fingir autoconfiança;
  • Introversão;
  • Agressividade;
  • Sentimentos e emoções encontrados, isto é, contradição em suas emoções;
  • Desconfiança;
  • Precisa atrair a atenção.
  • Gosta de se destacar;
  • Orgulho da figura paterna, que lhe transmitiu agressividade como autodefesa em situações adversas;
Posteriormente, foi utilizado uma espécie de formulário elaborado pela famosa Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres (SPR) para coletar uma amostra caligráfica da senhora Concepción.
O estudo fez questão de ressaltar inicialmente, que a análise era de uma pessoa em um determinado momento de sua vida, com uma determinada idade, e que as experiências ao longo da vida podiam ter modificado sua personalidade.
Também foi mencionado no estudo que, baseando-se no conteúdo das palavras de Concepción e fazendo uma análise psicológica de suas respostas, a equipe podia acrescentar que se tratava de uma pessoa semi-analfabeta. Concepción sabia como se expressar através da escrita sem ter conhecimento das regras ortográficas. Ela apresentava uma verdadeira convicção do que contava, ou seja, ela tinha certeza de que tudo o que dizia era verdade. Por outro lado, Concepción tinha uma capacidade imaginativa considerável, o que fez a equipe supor que seu relato não fosse real, ao menos nem tudo. Foi mencionado que a mãe podia sofrer de um desvio na percepção da realidade. O informe apontou que era necessário um estudo psicológico para ampliar essas conclusões, e definir se as experiências foram realmente verdadeiras ou fruto de imaginação fantasiosa, cujo potencial de Concepción foi considerado como notável.

Durante a investigação do apartamento em si, não foi detectada nenhuma anormalidade. Não houve nenhuma foto relevante para ser analisada, nenhuma psicofonia e nenhuma alteração no detector de EMF, exceto, é claro, oscilações decorrentes dos equipamentos eletrônicos do apartamento e da fiação elétrica do mesmo.

Durante a investigação do apartamento em si, não foi detectada nenhuma anormalidade. Não houve nenhuma foto relevante para ser analisada, nenhuma psicofonia e nenhuma alteração no detector de EMF, exceto, é claro, oscilações decorrentes dos equipamentos eletrônicos do apartamento e da fiação elétrica do mesmo.
Enfim, agora eis as conclusões gerais da equipe:
  • A jovem Estefanía, após usar a tábua Ouija com suas colegas de classe no Colégio Aragón, em 1990, e após "aspirar uma fumaça" no interior do copo, poderia ter sido psicologicamente impregnada com a carga energética relacionada ao jogo, e uma vez no contexto familiar, experimentado um excesso de potencialidade psi (psicorragia), que se manifesta nos limites da residência em que se encontrava;
  • Durante o período de tempo entre o uso da tábua Ouija, e o falecimento da jovem, a mesma sofreu de períodos em que ela se desconectava da realidade. Neste período de tempo, a mãe e a jovem conversaram, em determinada ocasião, sobre a morte. A filha teria dito que, se morresse antes da mãe, que lhe enterrassem sem avisar a família paterna, e que fosse colocada uma fotografia do casamento dos pais no interior do seu caixão;
  • Os dois episódios ocorridos com a jovem, em 13 de julho de 1991, poderiam ter sido ataque epilépticos ou qualquer outro tipo de alteração psíquica. Não sendo possível determinar;
  • Os fenômenos foram mantidos após a morte da menina, resultando na alteração de equipamentos de TV, vídeo, câmeras e baterias de profissionais de comunicação que estiveram em casa, antes desta investigação;
  • A polícia esteve no local, e pode evidenciar a realidade de um fenômeno estranho;
  • A Sra. Concepción Lázaro de la Iglesia sofria de epilepsia, e tomava um medicamento chamado "Tegretol" (usado  no  tratamento  de  determinados  tipos  de  crises  convulsivas, sendo também usado no  tratamento de algumas doenças neurológicas, assim como em determinadas condições psiquiátricas, tais como distúrbios do humor bipolar e um certo tipo de depressão); tinha uma capacidade imaginativa considerável; podia sofrer um desvio na percepção da realidade; apresentava um discreto desequilíbrio emocional, neurótico, com tendência a ansiedade, possivelmente devido aos eventos que ocorreram em sua casa diante da morte de sua filha, juntamente com o não cumprimento das promessas feitas à jovem; contradição em suas emoções, e necessidade de chamar a atenção;
  • A desencadeadora do poltergeist (Concepción Lázaro de la Iglesia) podia sofrer de alterações psicopatológicas principalmente devido à sua experiência na situação em que se encontrava. Fatos estranhos ocorrem, presumivelmente devido à impregnação ambiental existente causada por sua filha Estefanía, e mantida por ela mesma;
  • Na sala de estar da casa, existia um lugar especialmente reservado (uma espécie de santuário) para a jovem Estefanía, onde foi encontrado um retrato e fotografias da mesma, imagens religiosas e flores, o que faz pensar que a jovem está sempre presente, ao menos na vida da mãe;
  • Possível fenômeno de transferência sugestiva aos demais membros da família;
  • Os fenômenos ocorridos na casa da família Gutiérrez Lázaro parecem ter cessado desde outubro de 1996, quando a jovem teria sido exumada para a realização das promessas pendentes;
  • O término da atividade poltergeist ocorreu apenas por extenuação do elemento ativador;
Primeira parte das conclusões da equipe da FEDINE
Segunda parte das conclusões da equipe da FEDINE
É importante ressaltar é que o grupo "FEDINE" também foi analisar uma possível atividade poltergeist, ou seja, que a menina pressionada de alguma forma em seu ambiente familiar poderia estar desencadeando fenômenos parapsicológicos. Nas conclusões gerais foi mencionado que a menina teria sido exumada, talvez para a colocação da foto do casamento dos pais, no interior do caixão, dando a entender que os estranhos fenômenos ainda continuavam até outubro de 1996. Infelizmente, não temos informações suficientemente claras se essa exumação realmente aconteceu e nenhum outro detalhe da manutenção das atividades supostamente paranormais entre 1º de novembro de 1993 até outubro de 1996. Resumindo? Ninguém comentou sobre nada disso e nunca mais a polícia foi chamada para atender qualquer ocorrência, exceto aquela única vez em 1992.

Uma outra situação igualmente interessante é que, durante uma entrevista para o programa de rádio "Milenio 3", da emissora "Cadena SER", em 2005 (a publicação no YouTube data de 2015, mas o programa ocorreu em 2005), um ouvinte teria enviado uma pergunta para Concepción, questionando quando os supostos fenômenos paranormais tinham realmente cessado. Então, ela disse que tinha sido há mais ou menos um ano atrás, ou seja, em 2004. Os fenômenos só teriam parado, quando ele se mudaram de casa (quem vive por 23 anos sendo supostamente "ameaçado" por uma "entidade sobrenatural"?). No entanto, temos um pequeno problema. Logo que a família Guitérrez Lázaro se mudou, uma família de equatorianos (aquela que já mostramos anteriormente) também se mudou para o referido imóvel e afirmou por diversas vezes, depois de meses morando no apartamento, que não tinha notado nada de estranho no imóvel. Nenhuma batida estranha, sombra, nada. Absolutamente nada.

Outro detalhe fundamental nessa história é que a mãe sofria com epilepsia. Atualmente, acredita-se que a epilepsia, na maioria dos casos, não é hereditária (apenas alguns tipos), porém a hereditariedade é uma espécie de fator de risco. Em alguns casos existe uma tendência maior das crianças poderem desenvolver epilepsia, quando um dos pais é epiléptico, mas somente isso não é suficiente, visto que é necessário ocorrer condições desfavoráveis no cérebro para que as crises convulsivas comecem.

A crise epiléptica é causada por descargas anormais e excessivas de um grupo de neurônios. Isso pode ocorrer por diversas causas diferentes, como lesões cerebrais permanentes (sequelas de acidente vascular cerebral, tumores ou traumas) ou predisposição genética. Pode ocorrer, também, por alterações metabólicas, como uso de drogas ilícitas ou hipoglicemia ou na fase aguda de acidente vascular cerebral, traumas ou infecções, e, nessas circunstâncias, não são chamadas de epilepsia. As crises epilépticas são provocadas por alterações biológicas que ocorrem em alguns neurônios. Porém, alguns pacientes com epilepsia, quando submetidos a estresse físico ou emocional podem ter uma piora na frequência das crises. Quando a crise torna-se ou se inicia como parcial complexa (com comprometimento da consciência), o raciocínio está comprometido e, algumas vezes, a pessoa não se recordar que teve uma crise. Para completar, durante ou após alguns tipos de crise epiléptica, a pessoa pode ficar bastante confusa e parecer agressiva, principalmente se outras pessoas tentarem lhe conter fisicamente. E isso encaixa em inúmeros aspectos dos supostos comportamentos de Estefanía.
Outro detalhe fundamental nessa história é que a mãe sofria com epilepsia. Atualmente, acredita-se que a epilepsia, na maioria dos casos, não é hereditária (apenas alguns tipos), porém a hereditariedade é uma espécie de fator de risco.
Simplificando? Estefanía poderia ter uma tendência, assim como os demais irmãos, a desenvolver epilepsia. Ter uma tendência não significa que irá desenvolver. Provavelmente, os irmãos não desenvolveram ou não irão desenvolver epilepsia, porém é muito possível que Estefanía por uma série de alterações metabólicas, emocionais e clínicas tenha passado a manifestar tais sintomas. Esse conjunto de fatores, infelizmente, é desconhecido.

De qualquer forma, o caso Vallecas é extremamente parecido com outros que vemos ocorrendo em países da Ásia, América Latina e Central, que ocorrem primordialmente com meninas, que naturalmente sofrem uma pressão social muito maior. Em todos os casos, que já tive a oportunidade de escrever e pesquisar, principalmente relacionado a tábua Ouija, nunca encontrei um único caso, que eu pudesse dizer que não houve um fator desencadeante humano (não sobrenatural). Inúmeros casos já foram referendados, inclusive por médicos e psicológicos renomados, como histeria coletiva, que também provoca uma série de sintomas, tais como: desmaios, convulsões, alucinações, entre outros. Muito provavelmente, as condições financeiras de Concepción, atrelada as suas crenças, grau de instrução, e percepções do mundo ao se redor, impediram que Estefanía recebesse um diagnóstico e um tratamento médico adequado, algo que acabou levando ao seu óbito.

O Filme Verónica: Uma Vaga e Precária Inspiração no Caso Vallecas


Se vocês acompanharam essa matéria até o presente momento puderam notar o quão vocês foram enganados por inúmeros sites que apresentaram o filme "Verónica" como se fosse baseado em fatos reais. Infelizmente, não é. Praticamente nada do que aparece no filme realmente aconteceu tanto com Estefanía, quanto com a família Gutiérrez Lázaro. O filme "Verónica" é apenas vagamente inspirado no caso Vallecas. Para poder mostrar isso, vou fazer uma pequena resenha sobre o mesmo dizendo o que acontece no filme, e as diferenças para o caso verdadeiro. Portanto, caso não tenha visto o filme e queira muito vê-lo (muito embora não recomende vê-lo, porque o considerei muito fraco para o gênero) é melhor pular essa parte.

Enfim, o filme começa de trás para frente, quando viaturas policiais se encaminham para a residência onde Verônica mora com os três irmãos (duas irmãs e um irmão), todos bem mais novos do que ela, e sua mãe, que trabalha fora, em uma espécie de bar/cafeteria, e quase sempre está ausente no seio familiar. O pai teria morrido em circunstâncias não explicadas. Tudo acontece em uma noite tempestuosa (com direito a muitos raios, trovões e chuva) de junho de 1991. Em um determinado momento, podemos ouvir Verônica desesperada ao telefone ligando para polícia, e também a voz de seus irmãos ao fundo.


Posteriormente, a polícia chega ao prédio onde eles moram, na rua Gerardo Nuñez nº 8  e encontram as irmãs de Verônica na rua, enquanto a mãe delas aparece correndo e confusa em direção as filhas. Alguns policiais sobem até o apartamento, sendo que entre eles está um inspetor de polícia chamado José Ramón Romero, e uma outra policial, não identificada.

Ao entrarem no apartamento, eles notam o mesmo revirado, um crucifixo no chão, e uma luminosidade vinda de um dos cômodos. A cena termina com os policiais atônitos, diante de algo que não é revelado para nós, somente no final do filme. Em seguida, Verônica aparece acordando, seguido a rotina matinal juntamente com seus irmãos, e os levando para escola. Todos estudam na mesma escola, uma espécie de colégio de freiras.

Ao entrarem no apartamento, eles notam o mesmo revirado, um crucifixo no chão, e uma luminosidade vinda de um dos cômodos. A cena termina com os policiais atônitos, diante de algo que não é revelado para nós, somente no final do filme.
Em seguida, Verônica aparece acordando, seguido a rotina matinal juntamente com seus irmãos, e os levando para escola. Todos estudam na mesma escola, uma espécie de colégio de freiras.
Acredito que somente os primeiros minutos já seriam suficientes para mostrar como essa história original foi completamente distorcida. Primeiramente, Estefanía tinha 5 irmãos, e tanto o pai quanto a mãe estavam vivos e aparentemente presentes na vida das crianças. Além disso, Estefanía não morreu em junho de 1991, mas em julho de 1991. O chamado policial aconteceu depois de uma ligação, que partiu da família, sobre supostos fenômenos paranormais acontecendo mais de um ano depois da morte da jovem, em 1992. Não estava chovendo, apenas fazia muito frio, e tudo ocorreu no mês de novembro. Além disso, cerca de seis policiais teriam subido ao apartamento, e posteriormente quatro policiais, temerosos por um simples porta batendo, teriam descido.

Continuando, Verônica levou uma tábua Ouija para a escola, aparentemente por incentivo de suas amigas. Ela indica para uma das amigas, que a tábua está na mochila durante uma aula que falava sobre um eclipse solar, que iria ocorrer naquela manhã. Na aula foi mencionado uma série de supostos misticismos de civilizações antigas, sacrifícios etc. Pouco tempos depois, Verônica e suas colegas resolvem usar a tábua Ouija em uma espécie de depósito subterrâneo abandonado. Entre as amigas havia uma que pretendia entrar em contato com o namorado morto em um acidente de moto, porém para "facilitar" a comunicação espiritual seria necessário um pertence ou foto da pessoa falecida. Verônica havia levado a foto do pai, já a menina não tinha nada do ex-namorado. Além disso, é mencionado no filme, que para a comunicação espiritual ser mais forte também era necessário fechar os olhos e estar em número ímpar de participantes.

Continuando, Verônica levou uma tábua Ouija para a escola, aparentemente por incentivo de suas amigas. Ela indica para uma das amigas, que a tábua está na mochila...
...durante uma aula que falava sobre um eclipse solar, que iria ocorrer naquela manhã. Na aula foi mencionado uma série de supostos misticismos de civilizações antigas, sacrifícios etc.
Pouco tempos depois, Verônica e suas colegas resolvem usar a tábua Ouija em uma espécie de depósito subterrâneo abandonado. Entre as amigas havia uma que pretendia entrar em contato com o namorado morto em um acidente de moto, porém para "facilitar" a comunicação espiritual seria necessário um pertence ou foto da pessoa falecida. Verônica havia levado a foto do pai, já a menina não tinha nada do ex-namorado.
Enfim, as meninas começam a usar a tábua Ouija justamente durante o eclipse solar. Em um determinado momento, Verônica move rapidamente um copo usado como indicador, e depois de uma certa expectativa o copo quebra, cortando seu dedo, cujo sangue cai em cima da representação do Sol na tábua Ouija. Assim sendo, a mesma acaba pegando fogo e para apagá-lo Verônica pisa na mesma, quebrando-a. Essa parte termina com Verônica sussurrando algo no ouvido de uma amiga, e acaba acordando, sem se lembrar de muita coisa, na enfermaria do colégio.

Enfim, as meninas começam a usar a tábua Ouija justamente durante o eclipse solar. Em um determinado momento, Verônica move rapidamente um copo usado como indicador, e depois de uma certa expectativa o copo quebra, cortando seu dedo, cujo sangue cai em cima da representação do Sol na tábua Ouija.
Essa parte termina com Verônica sussurando algo no ouvido de uma amiga, e acaba acordando, sem se lembrar de muita coisa, na enfermaria do colégio.
Bem, conforme vocês podem notar, essa parte também difere e muito do caso Vallecas. Em primeiro lugar, no caso original não havia nenhum eclipse solar; não sabemos exatamente se Estefanía usou mesmo uma tábua Ouija e, se usou, quantas eram as colegas que participaram. Tudo o que sabemos é que uma professora teria quebrado a tábua Ouija, e aparentemente o copo usado de indicador também teria quebrado, liberando uma fumaça que, então teria sido inalada por Estefanía, que por sua vez, ao que tudo indica, não estava tentando entrar em contato com ninguém, era apenas mais uma participante. Ela não teria cortado seu dedo, a tábua Ouija não teria pegado fogo, a menina não teria desmaiado no colégio ou tampouco sido atendida em uma eventual enfermaria. Aliás, o Colégio Aragón não é uma instituição religiosa. Para completar, é importante dizer que nas "regras" originais da tábua Ouija nenhuma dessas recomendações para "potencializar" a comunicação espiritual são mencionadas, essa é uma invenção ou uma adição moderna as regras. O único elemento de inspiração é a menção que o namorado de uma colegas teria falecido em um acidente.

Pouco tempo depois vemos uma uma freira cega, que posteriormente saberíamos que seu apelido era "Irmã Morte", e que ela mesmo tinha se cegado para evitar ver os espíritos (muito embora, segundo ela, continuaria vendo os espíritos mesmo assim). Verônica volta para casa juntamente com seus irmãos, demonstra diversos problemas para se alimentar na mesa de jantar e, quando vai ao banheiro nota um arranhão em seu ombro (uma espécie de marca de garra). Há um incidente envolvendo o irmão mais novo, o Antoñito, onde o mesmo se queima durante o banho, em uma banheira, quando a água esquenta demasiadamente e de forma misteriosa (no final sabemos que o incidente foi provocado inconscientemente por ela mesma). Durante a noite, Verônica nota a TV ligando sozinha, passa a escutar a voz do pai a chamando, e o posteriormente o vê, aparentemente nu, caminhando em sua direção, até que a jovem cai na própria cama, e nota como se mãos estivessem a agarrando em todas as partes do corpo. Essa parte termina com a jovem acordando pela manhã.

Verônica volta para casa juntamente com seus irmãos, demonstra diversos problemas para se alimentar na mesa de jantar e, quando vai ao banheiro nota um arranhão em seu ombro (uma espécie de marca de garra).
Durante a noite, Verônica nota a TV ligando sozinha, passa a escutar a voz do pai a chamando, e o posteriormente o vê, aparentemente nu, caminhando em sua direção, até que a jovem cai na própria cama, e nota como se mãos estivessem a agarrando em todas as partes do corpo. Essa parte termina com a jovem acordando pela manhã.
Conforme podemos notar claramente, nada disso aconteceu no caso Vallecas. Não havia nenhuma freira cega, não há relato de nenhuma marca de garra no ombro de Estefanía, e ninguém se queimou durante o banho. Os únicos elementos de inspiração é o tal arranhão que teria aparecido em uma imagem pregada na porta do quarto de Estefanía, e os eletrodomésticos que supostamente ligavam sozinhos, após a sua morte.

No dia seguinte, Verônica foi visitar o local onde usou a tábua Ouija, e a Irmã Morte aparece para dizer que a mesma não estava sozinha, no sentido de algo de outro mundo estava a seguindo. Assim sendo, ela tenta desenhar "símbolos vikings de proteção", e os pendura no teto, espalhando-os pela casa. Ela usa como base um desenho, que constava em uma enciclopédia sobre ocultismo. Pouco tempo depois uma vizinha bate na porta para reclamar de problemas com luzes piscando em seu apartamento e uma espécie de mancha negra que teria aparecido em seu teto. Verônica não sabia o que dizer e negou qualquer tipo de vazamento na residência.

Assim sendo, ela tenta desenhar "símbolos vikings de proteção", e os pendura no teto, espalhando-os pela casa. Ela usa como base um desenho, que constava em uma enciclopédia sobre ocultismo.
Pouco tempo depois uma vizinha bate na porta para reclamar de problemas com luzes piscando em seu apartamento e uma espécie de mancha negra que teria aparecido em seu teto. Verônica não sabia o que dizer e negou qualquer tipo de vazamento na residência.
Durante a noite, a jovem começa a ouvir uma voz a chamando em um walkie-talkie, o mesmo que usava para se comunicar eventualmente com os irmãos. Então, em seguida, ela vê luzes piscando no quarto dos mesmos, que é justamente quando ela nota um sombra negra, no formato de um homem, entrando no quarto dos irmãos. Ela corre desesperada, acende a luz, percebe tudo está bem, mas quando apaga um antigo brinquedo chamado "genius" começa a piscar sozinho. Pouco tempo depois, ela nota a sombra negra queimando os "símbolos de proteção vikings".

Verônica também nota uma espécie de mão negra querendo sufocar uma de suas irmãs, porém no final, ela se depara com ela mesmo tentando sufocar a irmã. Essa parte termina com Verônica tendo um pesadelo, onde os irmãos a mordiam, arrancando pedaços de sua pele e, inclusive, sua mãe aparece dizendo que a mesma teria que crescer, esticando a mão sobre a região genital da menina, que acaba sangrando.

Ela corre desesperada, acende a luz, percebe tudo está bem, mas quando apaga um antigo brinquedo chamado "genius" começa a piscar sozinho. Pouco tempo depois, ela nota a sombra negra queimando os "símbolos de proteção vikings".
Verônica também nota uma espécie de mão negra querendo sufocar uma de suas irmãs, porém no final, ela se depara com ela mesmo tentando sufocar a irmã.
Bem, no caso Vallecas, aparentemente nenhum vizinho foi entrevistado, sendo que também não há nenhum relato de quaisquer vizinhos da família daquela época. Portanto, a cena da vizinha não aconteceu originalmente. Estefanía também não desenhou símbolos de proteção pela casa. A adição do "genius" talvez seja a mais grotesca, visto que é uma espécie de adição moderna tipicamente vista em determinados canais no YouTube, que alegam que o "genius" pode entrar em contato com espíritos. Não, infelizmente não pode, e não passa da mais pura enganação. Estefanía não teria sonhado com os irmãos a devorando, sendo que não sabemos se a menina já havia menstruado alguma vez ou não. Aliás, adicionar o elemento "menstruação" nesse contexto é extremamente delicado, porque milhões de mulheres sofrem preconceito e são alvo de superstições extremamente controversas e degradantes ao redor do mundo simplesmente por menstruarem. O único elemento inspirador do caso original dessa parte seria o relato de que Estefanía via sombras negras, que a chamavam pelo nome. Apenas isso.

Verônica acorda, percebe que realmente teria menstruado ao notar sangue no colchão e, pouco tempo depois, nota uma espécie de marca de queimado embaixo do seu colchão, além de uma marca de garra. Ela também nota uma grande marca de queimado embaixo de cada um dos colchões dos irmãos. Então, Verônica sai com os irmãos, e os deixa no bar/cafeteria com a mãe.

Verônica acorda, percebe que realmente teria menstruado ao notar sangue no colchão e, pouco tempo depois, nota uma espécie de marca de queimado embaixo do seu colchão, além de uma marca de garra.
Ela também nota uma grande marca de queimado embaixo de cada um dos colchões dos irmãos. Então, Verônica sai com os irmãos, e os deixa no bar/cafeteria com a mãe.
A jovem visita a Irmã Morte, que por sua vez disse, que ela tinha que "tornar bom o que ela fez de mal", e que a resposta estava nos livros. Assim sendo, depois de um tempo ela descobre, ao comprar uma nova revista, que vinha acompanhada de uma tábua Ouija, na banca de jornais, que tinha que se despedir para sair durante a utilização da tábua Ouija, e que esse procedimento poderia ser feito algum tempo após seu uso. Em seguida, ela tenta chamar as amigas para usar novamente e fazer tudo certo dessa vez, mas ela não aceitam. Uma das amigas diz a Verônica que, quando a mesma sussurrou em seu ouvido, Verônica disse que iria morrer naquele mesmo dia.

Desiludida, Verônica passa pelo seu "doppelganger", algo que muitos sites na internet apontam, que seria um presságio de uma morte iminente. Ela busca seus irmãos no bar/cafeteria da mãe, que tenta se mostrar mais presente, e essa parte termina com a jovem indo embora para casa com os mesmos.

A jovem visita a Irmã Morte, que por sua vez disse, que ela tinha que "tornar bom o que ela fez de mal",
e que a resposta estava nos livros.
Desiludida, Verônica passa pelo seu "doppelganger", algo que muitos sites na internet apontam, que seria um presságio de uma morte iminente. Ela busca seus irmãos no bar/cafeteria da mãe, que tenta se mostrar mais presente, e essa parte termina com a jovem indo embora para casa com os mesmos.
Bem, no caso Vallecas nenhum colchão teria sido queimado, e não havia nenhuma marca de garra embaixo dos mesmos. Estefanía não teria voltado a usar a tábua Ouija e tampouco disse o dia em que iria morrer. Para completar, ela também não teria visto a si própria ao caminhar pela rua. Não há nenhum elemento de inspiração nessa parte.

Assim sendo, nos encaminhamos para a parte final do filme. Ao chegar em casa, Verônica começa a preparar a sala de estar para usar a tábua Ouija com seus irmãos, mais precisamente suas duas irmãs que, lembrando, são duas crianças pequenas. Ela deixa o caçula da família, o Antoñito encarregado de desenhar "símbolos vikings de proteção" nas paredes da casa. Porém, em um determinado momento, o menino descobre um outro desenho e começa a desenhá-lo na parede, sendo que o mesmo seria, supostamente, um símbolo de invocação maligno. É possível ver que a sala está repleta de velas, e que Verônica começa a usar a tábua Ouija juntamente com suas irmãs, meio que tentando substituir as colegas de escola ausentes.

Ela deixa o caçula da família, o Antoñito encarregado de desenhar "símbolos vikings de proteção" nas paredes da casa. Porém, em um determinado momento, o menino descobre um outro desenho e começa a desenhá-lo na parede, sendo que o mesmo seria, supostamente, um símbolo de invocação maligno.
É possível ver que a sala está repleta de velas, e que Verônica começa a usar a tábua Ouija juntamente com suas irmãs, meio que tentando substituir as colegas de escola ausentes.
Então, ela lê novamente as "regras", que indicam a necessidade de cantar um mantra ou uma música suave para se despedir. Porém, com o passar da cantoria, as velas se apagam, a tábua se rompe novamente, e o copo usado como indicador cai e começa a rolar pela casa. Verônica vai atrás do copo, que rola até o corredor da residência, sempre batendo ou tentando entrar em um cômodo no final do mesmo. Esse cômodo é o quarto de Verônica, que posteriormente se vê aterrorizada, quando uma mão sai do colchão e tenta puxá-la. Verônica consegue se desvencilhar, as luzes do corredor estouram, e ela resolve ligar para a polícia.

Durante a ligação, no entanto, uma sombra negra agarra Antoñito e o leva para o banheiro, fechando a porta. Após muita insistência Verônica salva o menino. Um crucifixo acaba caindo da parede e, em seguida, todos correm para fora do apartamento. Essa parte termina com Verônica notando que Antoñito não estava mais em seus braços, e decide voltar para buscá-lo.

Verônica vai atrás do copo, que rola até o corredor da residência, sempre batendo ou tentando entrar em um cômodo no final do mesmo. Esse cômodo é o quarto de Verônica, que posteriormente se vê aterrorizada, quando uma mão sai do colchão e tenta puxá-la. Verônica consegue se desvencilhar, as luzes do corredor estouram, e ela resolve ligar para a polícia.
Essa parte termina com Verônica notando que Antoñito não estava mais em seus braços, e decide voltar para buscá-lo.
Bem, no caso Vallecas praticamente nada disso aconteceu. Estefanía não teria usado a tábua Ouija com seus irmãos em nenhum momento, e a mesma não ligou para a polícia. Conforme já sabemos inúmeras vezes, foi a família que ligou para a polícia, devido a supostos fenômenos paranormais, que estariam acontecendo mais de um ano após a morte da jovem. Os únicos elementos de inspiração dessa parte é a história do crucifixo, que segundo relato dos familiares (Concepción e Máximo), costumava cair por diversas vezes da parede, e a utilização do banheiro como cena para a ocorrência de fenômenos paranormais. Apenas isso.

Chegando ao momento derradeiro, Verônica entra no apartamento para buscar o irmão, e também ter o confronto final com a sombra negra. A "força demoníaca" empurra Verônica contra o espelho do banheiro e, em seguida, ela pega um caco de vidro na pia. No entanto, aparentemente, a tal "força demoníaca" se apodera do corpo de Verônica, ou seja, ela procura o irmão mais novo para matá-lo com o caco de vidro. Isso fica claro, quando ela percebe que o irmão não a reconhece mais, e se lembra de todos os momentos em que ela tentou realmente machucar os irmãos, embora, na época, não se lembrasse exatamente do que havia feito. Então, em um ato de desespero para proteger os irmãos, Verônica acaba "tirando a própria vida" (embora seu pescoço não apareça realmente cortado).

No entanto, aparentemente, a tal "força demoníaca" se apodera do corpo de Verônica, ou seja, ela procura o irmão mais novo para matá-lo com o caco de vidro. Isso fica claro, quando ela percebe que o irmão não a reconhece mais, e se lembra de todos os momentos em que ela tentou realmente machucar os irmãos, embora, na época, não se lembrasse exatamente do que havia feito.
Segundos depois, o inspetor de polícia chega e vê o corpo de Verônica contorcido e suspenso no ar, juntamente com mais alguns policiais ao fundo. A jovem é retirada do prédio em uma maca, para desespero de sua mãe. Então, passado algum tempo, podemos ver um porta-retrato com sua foto, caído no chão. O inspetor tenta pegá-lo, mas, logo em seguida, o solta, e a foto de Verônica começa a queimar por dentro do vidro, mais precisamente na região do seu rosto. Então, as luzes da casa se acendem, e o inspetor é informado que a jovem havia acabado de morrer no hospital.

Segundos depois, o inspetor de polícia chega e vê o corpo de Verônica contorcido e suspenso no ar, juntamente com mais alguns policiais ao fundo. A jovem é retirada do prédio em uma maca, para desespero de sua mãe.
Então, passado algum tempo, podemos ver um porta-retrato com sua foto, caído no chão. O inspetor tenta pegá-lo, mas, logo em seguida, o solta, e a foto de Verônica começa a queimar por dentro do vidro, mais precisamente na região do seu rosto.
Então, as luzes da casa se acendem, e o inspetor é informado que a jovem havia acabado de morrer no hospital.
Bem, no caso Vallecas, Estefanía não tira a própria vida, não tenta matar seu irmão mais novo com nenhum objeto perfurocortante, e nenhum policial presenciou qualquer suposta crise convulsiva da jovem ou qualquer outra situação de cunho paranormal em que Estefanía estivesse presente. Aliás, a foto de Estefanía teria pegado fogo sozinha no dia 1º de novembro de 1993, mais de dois anos após a morte da jovem, e não no dia de sua morte, em 1991. O único elemento de inspiração é o porta-retrato, mas ainda assim totalmente fora do contexto original.

Nos segundos finais, podemos ver o inspetor José Ramón Romero escrevendo o relatório da ocorrência em uma máquina de escrever. Assim sendo, somos informados o que teria acontecido depois disso. Segundo o texto, "em 15 de junho de 1991, o detetive José Ramón Romero foi à casa nº 8, da rua Gerardo Nuñez, em resposta a um chamado de emergência. Em depoimento, familiares declararam que após uma sessão com um tabuleiro Ouija, a garota apresentou sintomas estranhos, e que fenômenos paranormais aconteceram  na casa. Subitamente, dois policiais precisaram sair do prédio ao sentirem náuseas e tonturas, e ficaram duas semanas em licença. Um mês após os acontecimentos, Romero solicitou transferência. Em seu relatório, Romero fala sobre fenômenos "literalmente inexplicáveis". Se trata de o único relatório policial na Espanha, em que um oficial afirma ter sido testemunha de atividade paranormal". Curiosamente, enquanto o texto passa na tela, são mostradas inúmeras fotos do apartamento de Verônica.

Nos segundos finais, podemos ver o inspetor José Ramón Romero escrevendo o relatório da ocorrência em uma máquina de escrever. Assim sendo, somos informados o que teria acontecido depois disso.
Bem, no caso Vallecas é situação é bem diferente do que o texto que passa na tela menciona. Quando os policiais responderam ao chamado da família Gutiérrez Lázaro, um ano após a morte de Estefanía, nenhum policial deixou o prédio com náuseas ou tonturas, e muito menos pediram licença depois disso. José Pedro Nigri também não pediu nenhum transferência, e seu relatório aponta, em grande parte do texto, para aquilo que ele acredita ter escutado, e relatos da família. Em declaração ao programa "Cuarto Milenio" ficou muito claro que ele não viu nada acontecendo em tempo real enquanto observava diretamente uma porta ou um objeto, por exemplo.

Enfim, como podemos ver, o filme Verónica é apenas vagamente inspirado no caso Vallecas. Aliás, é extremamente importante dizer que não existe "caso Verónica". O que é visto na tela do seu computador, TV ou smartphone é tão somente ficção, uma vez que o caso original é totalmente diferente do que foi apresentado para vocês. Não irei entrar em detalhes sobre o filme, produção, entrevistas com elenco ou diretor, porque essa matéria não visa promover o filme espanhol. Digo apenas, que o próprio diretor Paco Plaza já admitiu em diversas entrevistas que o "Verónica" não era documental, e que teria sido "inspirado em casos acontecidos na década de 1990". Porém, no final do filme, muitos ficam com a sensação de estar sendo informados mediante as informações verdadeiras do caso original, incluindo supostas imagens do apartamento da família, cujo caso foi inspirado. No entanto, as informações não são verdadeiras, e as fotos não são originais.

Atualização #1 - 29/09/2018: O Caso Vallecas é Ressuscitado pelo Programa "Cuarto Milenio"


Recentemente, em meados deste mês de setembro, o programa "Cuarto Milenio" resolveu mais uma vez revisitar o chamado "Expediente Vallecas", que seria considerado o caso sobrenatural mais importante da Espanha, e que eu já havia publicado anteriormente, baseado em uma longa pesquisa, que tudo indicava se tratar de uma fraude, uma vez que a protagonista sofria apenas de epilepsia. No dia 17 de setembro, o site do programa publicou a seguinte matéria intitulada: "Expediente Vallecas: Iker Jiménez visita la casa donde murió Estefanía en extrañas circunstancias" ("Arquivo Vallecas: Iker Jiménez visita a casa onde Estefania morreu em circunstâncias estranhas", em português). O motivo de falar sobre esse caso novamente? Bem, a história completava 27 anos desde a morte de sua protagonista, a adolescente Maria Estefanía Gutiérrez Lázaro.

Em uma tentativa de corroborar com toda a história perpetuada até hoje, ou seja, que Estefanía teria morrido de forma "sobrenatural" após utilizar a tábua Ouija com colegas de escola (que nunca vieram a público para dizer nada nesse sentido) e que um inspetor de polícia juntamente com um colega (que nunca veio a público para dizer absolutamente nada) teriam presenciado fenômenos sobrenaturais na residência da adolescente, o programa do apresentador Iker Jiménez entrevistou uma mulher chamada Marianela, que não mostrou o rosto, mas que seria uma das irmãs de Estefanía. No texto publicado no site, Marianela voltou até a casa e alegou ter vivido um "evento aterrorizante". Ela concedeu uma entrevista para a jornalista "Carmen Porter", uma das integrantes do programa "Cuarto Milenio", sendo que seu depoimento foi apontado como "toda a verdade do que aconteceu." A irmã (Estefanía) teria utilizado a tábua Ouija na escola, e após isso o "Mal" teria se instalado em seu corpo. Para completar, Marianela disse ter visto "fenômenos paranormais" ocorrendo na residência. Segundo ela, "a cozinha começou a pegar fogo um dia, de repente, Estefanía se comportou de uma maneira muito estranha, falava línguas desconhecidas, convulsionava, caiu no chão e começou a levitar."

No texto publicado no site, Marianela voltou até a casa e alegou ter vivido um "evento aterrorizante"
Marianela também alegou que ela e a irmã compartilhavam o mesmo quarto, e que acompanhou de perto tais "fenômenos". Disse que a irmã não sabia o que acontecia com ela e perguntava o que havia feito, uma vez que não se lembrava de nada. De qualquer forma, a morte da irmã não bastou para que tais fenômenos terminassem. Segundo Marianela, viver na residência era insuportável, porque "facas voavam, gritos eram ouvidos, portas abriam e fechavam, crucifixos caíam no chão, e uma foto da irmã chegou a pegar fogo". Marianela chegou a dizer até mesmo, que via uma menina de seis anos, que a mesma nunca disse nada para ela, mas que sempre estava no interior da casa. Parece incrível, não é mesmo? O texto, no entanto, só esqueceu de dizer que, entre a piora no estado de saúde de Estefanía e sua morte, Marianela teria apenas entre 10 e 11 anos de idade. Além disso, a reportagem não apresentou o depoimento de nenhum outro irmão ou irmã de Estefanía, ou seja, não há contraponto.

Para completar, é claro, não podia faltar o ex-inspetor chefe de polícia, o José Pedro Negri, que também revisitou a casa para dizer que "não havia esquecido de absolutamente nada" do que havia vivido no local. Ele alegou ter ouvido um estrondo no terraço, ter visto um crucifixo caído no chão, e um pôster arranhado fixado em uma porta. Também disse que teve uma "sensação ruim" ao entrar na casa e no banheiro do imóvel. Se você acompanhou toda essa história desde o começo sabe que ele não acrescentou nada em relação ao que sempre disse para a imprensa.

Para completar, é claro, não podia faltar o ex-inspetor chefe de polícia, o José Pedro Negri, que também revisitou a casa para dizer que não havia esquecido de absolutamente nada do que havia vivido no local.
No encerramento do programa, Iker Jiménez refletiu sobre o "bullying". Isso porque nos meses que sucederam a morte de Estefanía, e diante de toda a repercussão que a história teve na imprensa, ao menos naquela época, Marianela disse ter sido vítima de "bullying" na escola onde estudava, visto que alguns outros alunos teriam a agredido verbalmente e fisicamente. Ela disse que se escondia na hora do recreio para evitar ser agredida.

No encerramento do programa, Iker Jiménez refletiu sobre o "bullying". Isso porque nos meses que sucederam a morte de Estefanía, e diante de toda a repercussão que a história teve na imprensa, naquela época, Marianela teria sido vítima de "bullying" na escola onde estudava, visto que alguns outros alunos teriam a agredido verbalmente e fisicamente
Tudo isso soa dramático e "sobrenatural", não é mesmo? Porém, lembre-se que estamos diante de um programa que precisa que supostas "situações sobrenaturais" ocorram para possa sobreviver e diante da memória traumatizada de uma mulher adulta, que tinha entre 10 e 11 anos de idade, ou seja, uma criança, quando tudo aconteceu.

Dois Irmãos de Estefanía Abrem o Jogo e Confessam que a Suposta Paranormalidade em torno do Caso Vallecas Foi uma FRAUDE!


Alguns dias após a edição do programa "Cuarto Milenio" ir ao ar, dois irmãos de Estefanía resolveram vir a público para dizer que tudo não passou de uma fraude, em uma matéria intitulada "Dos hermanos de la terrorífica ‘Verónica’ real confiesan que su poltergeist fue un fraude" ("Dois irmãos da aterrorizante 'Veronica' verdadeira confessam que seu poltergeist foi uma fraude", em português). Existe uma matéria publicada pelo site "Hipertextual", uma publicação digital voltada para o mundo da tecnologia, ciência e cultura digital, no dia 24 de setembro, porém é baseada em uma entrevista que os dois concederam para o suplemento dominical "Crónica", do conceituado jornal espanhol "El Mundo". O texto é basicamente um compilado da longa entrevista que ambos concederam. Vou traduzir esse "resumo", que foi publicado pelo Hipertextual e, em seguida, traduzirei a entrevista na íntegra, combinado?

De acordo com o Hipertextual, os dois irmãos que resolveram falar sobre o que ocorreu foram: Ricardo Gutiérrez Lázaro e Maximiliano (Maxi) Gutiérrez Lázaro. Em minha pesquisa anterior ambos teriam 15 e 7 anos, respectivamente, na época da morte de Estefanía. Porém, na entrevista eles alegaram ter 16 e 10 anos, respectivamente. Aliás, eles teriam resolvido falar para limpar definitivamente a imagem de Estefanía. Segundo Maxi e Ricardo, todos tiveram uma experiência particular, algo que não podiam negar, mas que era possível explicar racionalmente o que ambos tinham vivido. Ele alegou que, para ele, não houve caso paranormal algum e, de acordo com Ricardo, aquela questão de um vidro ter quebrado e saído fumaça do mesmo durante uma sessão Ouija com colegas de escola foi uma versão narrada pela mãe, a Concepción Lázaro, somente depois da morte da irmã, cujo comportamento era devido a crises epilépticas, e que havia um histórico familiar nesse sentido.

Maxi disse que a mãe estava e continua sendo tratada até hoje devido a um quadro de epilepsia convulsiva, e que a irmã (Estefanía) estava sendo medicamente tratada. Havia a suspeita, de que a mesma sofria de um quadro de epilepsia, porém a mesma morreu devido a um ataque epiléptico, antes de que o diagnóstico pudesse ser confirmado.

Segundo Maxi e Ricardo, todos tiveram uma experiência particular, algo que não podiam negar, mas que era possível explicar racionalmente o que ambos tinham vivido.
Ao serem perguntados se a Ouija poderia ter alguma conexão com a morte da irmã, Maxi disse que: "De maneira alguma, ela faleceu um ano depois." Ricardo ainda disse que a irmã nunca levitou ou falou línguas desconhecidas conforme insistiam aqueles que "buscavam por mistérios inexistentes", uma clara crítica a todos que ignoram a pesquisa sobre o caso e concluem apenas com base em meras concepções pessoais. Segundo os irmãos, a mãe deles estava convicta de que algo ruim estava acontecendo ao redor de Estefanía, que os faria notar sua presença do além. Ela teria imergido os filhos em uma espécie de "estado sugestivo" relevante. Tudo não teria passado de uma questão psicológica. E, então, "parapsicólogos" como Tristán Braker (sabemos que ele era muito mais um personagem do que alguém que pudesse ser levado a sério) entraram em cena, sendo que os mesmos foram os responsáveis por colocar ainda mais medo nos irmãos. Maxi chegou a dizer que os irmãos perderam a privacidade, e que os "parapsicólogos" os acompanhavam até mesmo na hora de irem ao banheiro. Maxi também disse, que os irmãos foram destruídos psicologicamente por tais "parapsicólogos".

Na noite em que a polícia compareceu até a residência da família, Maxi disse que, em relação a história de que um crucifixo preso a uma porta teria caído, e a imagem de Jesus Cristo sido descolada do mesmo, ninguém teria visto o mesmo cair no chão. Ele disse que se tratava de uma noite fria e chuvosa e, quando uma das portas se fechou, o prego ao qual o crucifixo estava preso pode ter se soltado da porta. Sobre um pôster, que teria aparecido repentinamente com "três arranhões", Maxi disse que o mesmo já estava desgastado, e que os rasgos poderiam ter sido anteriores aquela noite. Além disso, eles não viram como o mesmo teria sido "arranhado". Sobre a tal "mancha de cor marrom", que foi descoberta na toalha de mesa do telefone, Maxi disse que ambos acreditavam que se tratava apenas de "comida de bebê", visto que o irmãozinho deles havia jantado horas antes. Já sobre a questão relacionada a porta de um armário que estaria "perfeitamente fechada", mas que teria sido subitamente aberta e de maneira antinatural, Maxi disse que no referido armário havia álbuns de fotos que costumavam cair com muita frequência, fazendo com que a porta abrisse "sozinha". O detalhe é que alguns desses álbuns tinham sido retirados minutos antes para mostrar alguns recortes de revista para os policiais, ou seja, algum álbum restante poderia ter provocado a abertura da porta. Agora, se até esse momento você não acredita nas versões dada pelos irmãos sobre o que poderia ter, de fato, acontecido na residência naquela noite, é melhor se preparar para o que vem a seguir.

Segundo os irmãos, a mãe deles estava convicta de que algo ruim estava acontecendo ao redor de Estefanía, que os faria notar sua presença do além. Ela teria imergido os filhos em uma espécie de "estado sugestivo" relevante. Tudo se tratou de uma questão psicológica
Lembram do "estrondo no terraço"? Aquele barulho alto e forte, que teria acontecido sem uma explicação plausível? Pois bem, Ricardo confessou ter sido responsável pelo barulho. Ele disse ter jogado uma pedra a partir de uma varanda vizinha. Segundo ele, a mãe lhe pediu secretamente para jogar algo no terraço para impressionar a polícia. Foi o som da pedra jogada por Ricardo, que os policiais ouviram aquela noite. Para completar, Maxi confessou que os irmãos disseram coisas que não aconteceram, uma vez que foram instruídos por Tristán Braker sobre o que deveriam dizer. A mãe também pedia para que os irmãos aumentassem os eventos, ou seja, alegassem mais coisas do que de fato aconteceu.

Segundo a confissão dos irmãos Ricardo e Maxi Gutiérrez, estaríamos diante de mais uma fraude paranormal divulgada por Iker Jiménez. Além disso, o texto também informa que o Serviço Social poderia ter intervindo na situação, uma vez que envolvia menores de idade, porém não fizeram absolutamente nada. Menores de idade sendo expostos em programas de televisão sem qualquer tipo de pudor e sendo abusadas psicologicamente por familiares e por farsantes inescrupulosos. Tanto Ricardo quanto Maxi também disseram ter sofrido "bullying" na escola devido a essa exposição negativa na mídia, e o pior: ambos disseram que sofreram maus tratos por parte da mãe para que falassem aquilo que ela queria. Enfim, vamos conferir a entrevista na íntegra.

A Entrevista dos Irmãos Ricardo e Maxi Gutiérrez para o Jornal "El Mundo"


Eis a entrevista exclusiva concedida por Ricardo e Maxi Gutiérrez para o "El Mundo", que foi feita pelo jornalista David Cuevas. As falas dos irmãos serão identificadas pelas letras "R" e "M", sendo que as perguntas aparecerão em negrito e itálico simultaneamente, combinado?

Ricardo: Vamos contar a nossa verdade, e fazemos isso para limpar a imagem da minha irmã Estefanía.

Maxi: Não queremos obter nenhum lucro, nem cobrar nada...

Embora Ricardo e Maximiliano Gutiérrez tenham atualmente mais de 40 anos de idade, em 1992 o primeiro tinha 16 anos e o segundo quase 10. Faziam parte de uma família de seis irmãos (todos menores), filhos de Máximo Gutiérrez (atualmente falecido) e Concepción Lázaro. Hoje, 25 anos depois do que aconteceu naquela humilde casa em Vallecas, eles dão uma versão diferente daquela que se espalhou e culminou no cinema. E o fazem mesmo com o risco de prejudicar a própria reputação, negligenciando eventos que até agora não podiam explicar racionalmente, porque a situação se tornou insuportável: recentemente, vem se espalhando em diversos meios de comunicação a imagem de sua irmã como uma menina possuída, que levitava e rosnava como um animal. E eles resolveram dar um basta nisso. Em declarações anteriores, eles mantiveram o silêncio sobre certos aspectos familiares em respeito ao pai, que tinha câncer. Já falecido, resolveram abrir o jogo.

M: Todos tiveram suas experiências pessoais, e não podemos negar isso, mas o que vivemos com eles podemos explicar racionalmente.

R: Para mim, não há caso algum.

-De acordo com minhas fontes, alguns de seus parentes denunciaram a produtora do filme Verónica...

M: Parece que sim, pelo menos eles tinham a intenção. Porém, acho que isso não faz sentido. O filme não tem nada a ver com o caso de Vallecas em que vivemos. Desinteressadamente, estive em contato com seus criadores, eles me consultaram sobre parte do roteiro e eu dei minha aprovação.

R: É preciso esclarecer que minha irmã não costumava usar a tábua Ouija. Era completamente normal.

-Foi mencionado que, quando ela usou a Ouija no colégio, com alguns colegas de classe, um copo quebrou, e dele surgiu uma espécie de fumaça negra que a possuiu...

R: Essa versão da história é narrada por sua mãe após a morte de nossa irmã.

Estefanía morre, segundo a autópsia, por asfixia pulmonar. Morte súbita e suspeita.

-Parece que ela tinha ataques, que para alguns seria uma espécie de ataque demoníaco...

R: Ela se comportava em razão de crises epilépticas de ausência. Na verdade, há um histórico familiar.

Entre as crises epilépticas mais frequentes estão as crises de ausência, mais comuns em crianças e adolescentes. A crise de ausência, também conhecida como o "pequeno mal", costuma durar entre 10 a 30 segundos e provoca no paciente um olhar vago, demostrando distanciamento com o seu arredor. Além do "desligamento", podem ocorrer outros sintomas, sempre discretos, como contração dos músculos do rosto, pequenos movimentos com as mãos e a cabeça. Na Infância estas crises tendem a se repetir várias vezes ao longo do dia prejudicando as atividades escolares. Após a crise, a pessoa volta naturalmente à atividade que exercia geralmente sem se dar conta do ocorrido. Quando acontece na infância estas crises tendem a desaparecer ao longo da adolescência, desde que um diagnóstico pronto e o tratamento correto tenham sido feitos. A palavra-chave para lidar com essa manifestação é paciência. É preciso respeitar o momento em que acontece a crise e esperar que ela passe espontaneamente. Além de ajudar o paciente, seguir essa postura harmoniza o ambiente para aqueles que presenciam o evento, o que incentiva uma maior aceitação e convívio com a doença. Leia mais sobre isso no site da Liga Brasileira de Epilepsia: http://epilepsia.org.br/artigo/cinco-fatos-sobre-as-crises-de-ausencia/

M: Isso mesmo. Minha mãe era, e ainda é, tratada devido a epilepsia convulsiva. E outros parentes herdaram mais tarde. Além disso, acompanhei ataques críticos de alguns deles, e o comportamento deles foi o mesmo que o da minha irmã. Minha irmã estava sendo medicamente tratada. Suspeitava-se que ela tivesse um quadro de epilepsia, mas ela morreu antes do veredito médico, devido a um ataque epiléptico, não devido a qualquer coisa inexplicável.

-A malfadada Ouija poderia ter alguma coisa a ver com isso?

M: De maneira alguma. Ela morreu um ano depois de usar aquela Ouija. Na verdade, o estranho comportamento de minha irmã aconteceu muitos meses depois.

R: Nunca levitou, nem falou línguas desconhecidas.

-Como era a Estefanía?

R: Era forte, como uma mãe. Uma confidente. Foi ela quem praticamente cuidou de nós. Alegre, sorridente, muito querida por todos os irmãos. Nossa protetora. Às vezes ela não jantava só para nos alimentar.

M: Eu confirmo isso. Os cinco irmãos pensam o mesmo. É a única coisa que estamos todos de acordo.

M: Os fenômenos que, aparentemente, aconteceram na casa não eram estranhos para nós. Nossa mãe estava determinada que algo de ruim estava acontecendo ao redor de Estefanía, que ela faria notar sua presença do além... Ela nos imergiu em um estado de sugestão relevante. Foi tudo psicológico.

R:  De fato, supostos parapsicólogos como Tristán Braker (o primeiro autointitulado especialista paranormal que apareceu na casa) entraram em cena e nos colocaram ainda mais medo.

M: Perdemos nossa própria privacidade para nos sentirmos protegidos. Nos acompanhávamos até mesmo no banheiro. Psicologicamente, eles nos destruíram. Havia outros especialistas mais sérios, como o psiquiatra Fernando Jiménez del Oso, que recomendou que parássemos de falar sobre isso, que não deveríamos dar mais importância. Foi a partir daí, quando fizemos isso, que os fenômenos cessaram.

Na noite de 19 de novembro de 1992, a família, ou assim foi contado, ficou aterrorizada com os eventos aparentemente estranhos que estavam ocorrendo violentamente, o que os levou a chamar a Polícia Nacional. Ao perguntar a Ricardo e Maxi sobre esse famoso episódio, eles nos contam uma realidade muito diferente da oficial...

M: Imagine a cena. Nossos pais pedem que a gente vá até a rua para receber a polícia, já antecipando a situação quando os agentes chegam, principalmente quando, no elevador, eles começam a atualizá-los sobre o número de fenômenos estranhos que estávamos sofrendo.

-De acordo com o relatório oficial: "No caminho feito pelos policiais nos diversos cômodos da casa, eles viram um crucifixo de madeira, relacionado ao fenômeno a que estamos nos referindo, que tinha caído, arrancando uma imagem de Jesus Cristo que estava presa no mesmo."

M: Nem eles, nem nós, vimos aquele crucifixo cair. Era uma noite fria e chuvosa, e quando uma das portas bateu o prego ao qual o crucifixo estava preso, acreditamos, caiu.

-De acordo com o relatório, e juntamente com o crucifixo, houve um pôster em que se produziu "de forma súbita e estranha", três arranhões.

R: Poderiam ter sido anteriores aquela noite, devido ao estado desgastado do pôster. Não vimos como aquilo foi rasgado.

-Na sequência do relatório, os policiais "foram capazes de ver e observar sobre a mesa, na qual ficava o telefone, mais especificamente sobre a toalha de mesa, uma mancha de cor marrom, identificada por um dos agentes como saliva"

M: Acreditamos que era parte da comida de bebê, visto que horas antes nosso irmãozinho havia jantado.

-Em relação a sala de estar, após o apagar das luzes, ocasião em que mais ocorriam fenômenos foi dito que, "sentados na companhia de toda a família, eles puderam ouvir e observar como uma porta de um armário bem fechada, algo que comprovaram depois, abriu de repente e de forma antinatural.

M: Naquele armário havia álbuns de fotos, que costumavam cair muitas vezes, fazendo com que a porta abrisse. Alguns foram retirados minutos antes para mostrar alguns recortes de revistas aos agentes. Acreditamos que a porta poderia ter sido aberta devido a queda de um desses álbuns.

R: É muito curioso como, há poucos dias, o inspetor-chefe (na época) José Pedro Negri, o policial encarregado naquela noite, declarou no Cuarto Milenio, que a porta abriu e aconteceram uma dúzia batidas violentas, quando o relatório fala de uma simples abertura.

M: Não bate, em nenhum momento, em relação ao que foi mencionado publicamente em diversas ocasiões.

Negri declarou ao programa Código Uno (TVE), conduzido por Arturo Pérez Reverte, em 4 de outubro de 1993, que: "A porta do armário foi aberta, fiz uma inspeção visual e não vi nada estranho... sou cético. Há mais de 20.000 explicações para ter acontecido aquilo. Não foi uma coisa tão séria, não me alterei muito por isso."

-Também é mencionado no relatório da polícia que "mal puderam se recuperar do susto, e ainda comentando sobre o ocorrido, quando houve um forte barulho no terraço. E, verificaram, que não havia nada."

R: Fui eu.

-Como disse?

R: Chegou a hora disso vir à tona. Eu joguei uma pedra no terraço a partir de uma varanda vizinha.

-Está falando sério?

R: Minha mãe me pediu, secretamente, que jogasse algo no terraço para impressionar mais a polícia. Peguei uma pequena pedra que estava na sala, fui até a varanda e, ao jogá-la, ela bateu em uma armário de ferro que tínhamos no terraço. Soou "plaft!" Esse foi o som que os agentes ouviram e que, de fato, foi refletido no relatório.

M: Foi isso mesmo que aconteceu. Tanto meu pai, ele não sabia desse pedido, assim como os próprios policiais foram enganados.

Negri, em relação a essa situação para o Código Uno, disse: "Aquele som poderia ter sido produzido, talvez, por um descuido nosso. Na verdade, juntamente com o armário, foi o único fenômeno físico que a polícia testemunhou na casa em Vallecas. O restante ocorreu antes de sua chegada."

-E isso foi repetido em mais ocasiões? Essa geração de fenômenos...

M: Não perpetramos mais fenômenos, mas contamos coisas que não aconteceram, instruídos por Tristán Braker. Ele nos disse o que deveríamos dizer.

-Diziam para vocês mentirem, e sua mãe também?

R: Sim, às vezes. Ela nos pedia para aumentar os fatos ou eventos.

M: Ela nos dizia: "Bem, você tem que dizer isso ou aquilo, porque fulano me disse assim e assado..."

R: Vivi uma mentira. Nos fizeram sentir coisas que não deveríamos ter sentido naquele momento.

M: Provavelmente, de maneira involuntária.

-Houve repercussões pessoais?

R: Sofremos bullying. Muitos amigos nos marginalizaram. Meu irmão Maxi foi quem mais sofreu. O mesmo aconteceu com meus outros irmãos.

M: Vivíamos uma situação que não era normal, e em um bairro como Vallecas.

-E a situação familiar...

M: Muito complicado. Dentro do núcleo familiar, vivemos certas situações que, psicologicamente, matam você. Dada a extrema proteção atual da imagem do menor perante a mídia, naquela época o Serviço Social poderia ter intervindo. Eu os acuso de não ter feito isso. Porque. no final das contas, havia menores entre eles, sendo expostos por seus pais em programas de televisão. Meu pai, além de ser forte e excelente pessoa, era muito cético. Porém, estava influenciado pela minha mãe.

-Essa situação complexa afetou a percepção dos fenômenos que, aparentemente, estavam acontecendo?

M: Claro, a situação criada te machuca tanto psicologicamente, que te faz se trancar em certos mundos para acabar acreditando naquilo que te dizem.

R: Nos fizeram, inclusive, a dizer coisas que não víamos.

-Vocês sofreram maus tratos?

R e M: Sim.

R: Mas nunca do meu pai. Embora isso já vinha acontecendo antes. O medo que tivemos diante do que supostamente acontecia na casa também veio dessa situação. Basicamente: você tem que dizer isso ou caso contrário...

-Com "dizer isso", você se referem a confirmar os fenômenos anômalos?

M: Efetivamente.

R: Muitas vezes.

-Vocês podem dar mais detalhes sobre isso?

M: Não. Devido a questões legais. De qualquer forma, refiro-me ao estudo de um grupo de pesquisa que investigou o caso.

Se trata do relatório do grupo F.E.D.I.N.E sobre a mãe, Concepción Lázaro de la Iglesia, onde dizia que a mesma sofria de epilepsia e tomava Tegretol, tinha uma capacidade imaginativa considerável; poderia sofrer um desvio na percepção da realidade; apresentava discreto desequilíbrio emocional, sendo neurótica (...); contradição em suas emoções; necessidade de chamar atenção...

-Maxi, Ricardo, vocês acham que a mãe de vocês, de alguma forma, foi o foco de todos esses supostos fenômenos?

M e R: Sim, sem dúvida alguma. Foi a precursora disso tudo.

Enfim, particularmente considero a entrevista um verdadeiro "tapa na cara" nas pessoas, que exploraram tão avidamente um caso como este ao longo do tempo sem ao menos fazer uma autocrítica diante da falta de tantos elementos importantes. Inegavelmente, o relato dos dois irmãos corrobora exatamente com tudo aquilo, que havia sido publicado anteriormente por mim, apontando que a mãe seria mesmo a principal responsável por alimentar ou gerar tudo aquilo que estava acontecendo no chamado "melhor caso sobrenatural da Espanha". É vergonhoso, mais uma vez, que o poder público tenha sido completamente omisso e não ter protegido as crianças naquela época. Em relação aqueles que sobrevivem da desgraça alheia não era possível esperar nada além de um sensacionalismo barato, que chegou até as telas do cinema de maneira ainda mais deturpada para convencer muito mais adolescentes do que adultos. Seria interessante, é claro, saber se os demais irmãos estão vivos e suas respectivas versões. Apesar do depoimento de Marianela ter seu próprio peso, a declaração dos dois irmãos soa muito mais fidedigna, considerando que um dos envolvidos já possuía idade suficiente para ter real noção do que estava acontecendo, e diante do que havia sido analisado anteriormente sobre pelo grupo F.E.D.I.N.E.

É claro que cada um pode acreditar no que for mais conveniente. Eu, Marco Faustino, o responsável por essa matéria, no entanto, confio em uma pesquisa séria, ampla coleta de dados através de áudio e vídeo, e na convergência dessas informações. Resumindo, todo esse caso permanece soando uma grande fraude, que continuará sendo propagada como verídica por muita gente e por muito tempo, sem qualquer tipo de critério.

Como Está a Situação do Apartamento Atualmente? Esse é um Assunto Para os Meus Comentários Finais


Em agosto do ano passado, o programa "Aquí en Madrid", da emissora de TV "TeleMadrid", exibiu uma curta reportagem, com cerca de três minutos sobre o filme "Verónica" e sua ligação com o caso Vallecas. Uma equipe do programa tentou conversar com moradores locais sobre o incidente, e todos tinham as mesmas informações, que foram amplamente e repetidamente divulgadas na internet, ou seja, ninguém parecia se lembrar do que realmente aconteceu e, para piorar a situação, não houve uma única tentativa de entrevistar algum outro morador do prédio, onde a família Gutiérrez Lázaro morava. A equipe tentou levar uma espécie de "especialista em espiritismo" que, munida de um mero pêndulo repleto de apetrechos, alegou que o antigo apartamento da família, na rua Luís Marín nº 8, tinha uma "negatividade". Porém, aparentemente, essa não era a mesma opinião da atual proprietária que, assim como o casal de equatorianos, nunca viu ou ouviu nada de estranho no apartamento em que morava, ou seja, somente Concepción e Máximo alegaram isso ao longo do tempo. Estranhamente, mesmo supostamente sofrendo com tudo aquilo, ambos permaneceram com os filhos (embora alguns podem ter construído suas próprias vidas conforme foram crescendo) no apartamento ao menos 23 anos após a morte de Estefanía. Isso faz algum sentido? Não. Alguém comenta sobre isso? Não. Se alguém está realmente aterrorizado e acredita realmente que suas vidas ou de seus filhos estão em perigo, não ficaria 23 anos na mesma casa onde, supostamente, fenômenos paranormais ameaçadores estariam acontecendo. Isso denota que o problema estaria na cabeça de Máximo ou de Concepción. E isso também faz questionar como a jovem Estefanía realmente morreu. Será que realmente sua morte foi em decorrência de sucessivas e fortes convulsões e ataque epilépticos, que não foram devidamente tratados, ou será que Estefanía foi vítima de um crime que nunca fez questão de ser investigado pela polícia? Acho que vocês entenderam exatamente onde quero chegar.

Já em relação ao filme "Verónica" considerei o mesmo realmente bem decepcionante em inúmeros aspectos, mas não vou me alongar aqui. Aliás, ao longo do tempo vi uma grande fomentação na internet de sites dizendo, que "Verónica" seria o "filme de terror mais assustador de todos os tempos", o "filme de terror mais bem avaliado de todos os tempos", e frases igualmente pomposas. Pouco percebem, no entanto, que avaliação dos "críticos" no "Rotten Tomatoes" é totalmente inflada. Houve, por exemplo, dois críticos espanhóis, um argentino e outro mexicano, todos de língua espanhola, que terceram elogios ao filme. Um deles, o Luis Martínez, do jornal espanhol "El Mundo" disse que o filme era "profundamente religioso e, portanto, aterrorizante". Agora, o que me chamou a atenção foram os críticos Manuel Piñón, dos sites espanhóis "Sensacine" e "Cinemanía", e Luis Miguel Cruz, do site mexicano "Cine Premiere". O primeiro avaliou até hoje cerca de 13 filmes no "Rotten Tomatoes", e o segundo apenas míseros 2 filmes. Entre os críticos mais renomados apenas 1 entre 3, que já opinaram sobre o filme, o aprovou, porém ressaltando que, apesar de Paco Plaza ter feito o filme funcionar, o mesmo pecou na forma que foi conduzido. Quando alguém se dá ao trabalho de ler a opinião de pessoas comuns, a maioria está sem entender até agora o porquê o filme vem sendo tão comentado na internet e nas redes sociais. Para muitos, "Verónica" é simplesmente entediante, uma completa perda de tempo. Particularmente, quase dormi e fiquei até às 4h da manhã editando as imagens, revendo as cenas do filme, como se não representasse nada. Obviamente, a Netflix sabe fazer a divulgação do que lança em seu catálogo, porém muitas pessoas ultimamente acreditam em qualquer coisa. Muitas pessoas perderam a capacidade de ler, interpretar textos, ler corretamente uma informação, e aparentemente, os mecanismos de buscas, assim como o Google, não servem mais para nada, beirando uma alienação endêmica.

Essa matéria serve exatamente para ilustrar o quão o caso Vallecas é muito mal documentado, porém na opinião de diversos investigadores paranormais espanhóis, que li para elaborar essa matéria, esse é um caso fantástico, único na Espanha. Não, não é um caso fantástico. Existem inúmeras perguntas que nunca foram feitas para a família, inúmeras pessoas que nunca foram entrevistadas e que sequer sabemos seus nomes, inúmeros registros médicos que nunca foram divulgados publicamente, nenhuma investigação policial foi realizada mesmo diante do fato da morte de Estefanía ter ocorrido em circunstâncias suspeitas, nada. Tudo o que sempre tivemos foi o depoimento da mãe, Concepción Lázaro de la Iglesia, uma dona de casa, do pai, Máximo Gutiérrez Palomares, que trabalhava na construção civil, e de José Pedro Nigri, atualmente ex-inspetor de polícia. Fora isso não temos mais nada. Não temos registro fotográfico ou em vídeo de nada que foi alegado durante 23 anos. Existe um certo conformismo entre os investigadores espanhóis em nunca ter "cutucado" muito o caso. Muito provavelmente, para não descobrir a real razão daquilo que muitos gostam de bradar até hoje, a plenos pulmões, de um caso misterioso e nunca resolvido. Nunca foi resolvido pela incompetência dos investigadores espanhóis e da polícia. Simplesmente isso. É mais fácil e cômodo, financeiramente dizendo, escrever artigos populares sobre o assunto, livros, fazer um filme "inspirado" no caso, e assim por diante. Apesar de não existir nenhum setor, no mundo, que não se submeta ao dinheiro,  nem todas as pessoas, assim como eu, têm uma etiqueta de preço colada na testa, uma vez que sempre faço questão de mostrar cada caso o mais próximo possível da realidade.

Até a próxima, AssombradOs.

Pesquisa/Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://darktv.es/blog/entrevista-paco-plaza-veronica/

http://elojocritico.info/caso-vallecas-los-informes-psicologicos/
http://es.ign.com/entertainment/122565/videointerview/veronica-entrevista-con-su-director-paco-plaza
http://valenciaplaza.com/paco-plaza-entrevista-veronica-cine-mujeres
http://www.abc.es/madrid/20151013/abci-posesion-vallecas-confirma-policia-201510121742.html
http://www.abc.es/play/cine/noticias/abci-veronica-ouija-posesion-vallecas-201708280134_noticia.html
http://www.antena3.com/se-estrena/noticias/entrevista-en-exclusiva-a-paco-plaza-director-de-veronica-el-futuro-del-cine-espanol-es-caotico_20170824599ef3990cf27ca1f8f97bc7.html
http://www.elmundo.es/metropoli/cine/2017/08/24/599ead6422601d1b6b8b458f.html

http://www.elmundo.es/cronica/2018/09/26/5ba7641922601dd2528b4640.html
http://www.formulatv.com/noticias/28014/entrevista-iker-jimenez-tendremos-plato-cuarto-milenio-inspector-jefe-constato-fenomenos-antinaturales-gran-expediente-x-espanol/
http://www.ghosttheory.com/2016/02/08/a-strange-death-in-vallecas-madrid
http://www.mundoparapsicologico.com/misterios/el-caso-vallecas-y-lo-que-nunca-se-conto/
http://www.telemadrid.es/programas/aqui-en-madrid/veronica-la-pelicula-de-terror-basada-en-la-joven-poseida-de-vallecas
http://www.unsurcoenlasombra.com/el-otro-ladocaso-vallecas-uno-de-los-enigmas-espanoles-mas-importantes/
https://allegramag.info/el-caso-vallecas/
https://books.google.com.br/books?id=oq5-3I8ZbFcC&pg=PA318&lpg=PA318&dq=cuarto+milenio+%22vallecas%22&source=bl&ots=ehFbtngF7o&sig=OiAiyO033hP5IbI-mmdFSeiTaUA&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwit7I3qoPDZAhUFWpAKHYxRB3k4FBDoAQhrMAg#v=onepage&q=cuarto%20milenio%20%22vallecas%22&f=false
https://elpais.com/elpais/2016/01/25/tentaciones/1453726214_181325.html

https://hipertextual.com/2018/09/veronica-poltergeist-expediente-vallecas-cuarto-milenio
https://labitacoradelmiedo.wordpress.com/2011/02/14/la-extrana-muerte-de-estefania-gutierrez-lazaro-por-la-ouija-en-vallecas-madrid/
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