16 de fevereiro de 2018

Poltergeist na Rússia? Policiais Teriam Pedido Ajuda da Igreja ao se Depararem com "Fenômenos Paranormais", no Vilarejo de Maraksa! (Atualizado 06/03)


Por Marco Faustino

Cerca de uma semana atrás abordei um caso, supostamente envolvendo um fenômeno conhecido como poltergeist, que teria ocorrido na cidade de Nazário, no interior do Estado de Goiás. Alguns objetos, tais como: colchões, sofás, máquina de lavar, fogão, e roupas guardadas dentro de um armário começaram a pegar fogo misteriosamente no interior de uma humilde residência. Moradores e vizinhos passaram a ficar bem assustados com os estranhos fenômenos, e até mesmo religiosos da cidade teriam comparecido ao local, aparentemente em vão, para tentar ajudar a família. Uma equipe de reportagem de uma emissora de TV afiliada do SBT foi até a residência para coletar os depoimentos dos moradores, que não sabiam mais o que fazer diante dessa situação. Foi diante de todo esse enredo, que acabei indo atrás de maiores informações sobre o caso, visto que sempre existem detalhes muito interessantes, que acabam passando desapercebidos pela maioria das pessoas ao simplesmente assistirem uma reportagem, uma única vez, na frente da TV.  Se tratava de uma família humilde, que provavelmente não atiçaria fogo em seus próprios bens, porém havia uma situação muito peculiar: o fogo sempre (ou quase sempre) começava a partir de alguma peça de roupa dos moradores. Assim sendo, mostrei para vocês algumas hipóteses do que realmente poderia estar acontecendo na casa e, principalmente, que tecidos, de fato, diante das condições certas, podem pegar fogo espontaneamente, algo que nem sempre as pessoas têm conhecimento. Vale muito a pena conferir aquela matéria, porque, com certeza, a mesma irá abrir novos horizontes para vocês, tanto em relação a casos antigos quanto futuros (leia mais: Fenômeno Poltergeist? Objetos Pegam Fogo Misteriosamente em Residência e Deixam Moradores e Vizinhos Assustados em Nazário/GO!).

Agora, eis que surge uma história um tanto quanto estranha e inacreditável na mídia russa, que chegou até o nosso país através da agência internacional de notícias Sputnik, um veículo de imprensa russo, que é controlado e operado pela empresa estatal Rossiya Segodnya (particularmente, considero a Sputnik muito mais como um veículo de desinformação do que informação). Segundo um curto texto publicado pela agência, um comunicado enviado ao Ministério do Interior da região de Tomsk, na Rússia, informava, que um morador do povoado de Maraksa havia chamado os policiais com um pedido incomum: resolver o problema de "objetos voadores em sua casa". A polícia, ao chegar na casa, teria visto, com os próprios olhos, livros caindo sozinhos de uma estante e até mesmo um bastão, que saiu voando de um dos cômodos. Segundo o comunicado, não teria sido encontrada nenhuma explicação racional para o evento. Assim sendo, os policiais teriam chamado religiosos locais, que teriam realizado um ritual de consagração para tentar resolver a situação. Contudo, será que essa história é verdadeira? Estaríamos diante de uma manifestação paranormal ou sobrenatural? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Começando a Entender o Caso: A Notícia Publicada no Site de Notícias "The Siberian Times"


Vamos começar nossa pequena jornada para entender o que vem acontecendo na região de Tomsk, na Rússia, descartando, é claro, o que foi divulgado pela Sputnik, e tentar nos basear, ao menos inicialmente, no material que foi divulgado pelo site de notícias "The Siberian Times", no dia 14 de fevereiro, que não é a melhor fonte de informação possível, mas é uma das menos problemática (isso não quer dizer confiável, visto que seu conteúdo ainda é passível de uma boa verificação prévia), em língua inglesa, quando o assunto é a Rússia.

Vamos começar nossa pequena jornada para entender o que vem acontecendo na região de Tomsk, na Rússia, descartando, é claro, o que foi divulgado pela Sputnik, e tentar nos basear, ao menos inicialmente, no material que foi divulgado pelo site de notícias "The Siberian Times", no dia 14 de fevereiro.
De acordo com o site de notícias "The Siberian Times", um padre teve que ser chamado até uma casa, localizada em um pequeno vilarejo chamado Maraska (Маракса), que fica a cerca de 330 km (aproximadamente 5 horas de carro) a noroeste da cidade de Tomsk. No início desta semana, policiais teriam inspecionado a casa, após uma ligação dos proprietários sobre a ocorrência de coisas estranhas, assim como facas "voando" no interior do imóvel. Um casal e o filho adotivo de 15 anos alegaram, que móveis estavam caindo no chão, e que cadeiras também estariam "voando" pela casa.

Quando uma equipe policial entrou na residência, a mesma teria notado, que a casa estava revirada, e que havia uma faca cravada na parede. Além disso, os policiais teriam alegado sentir, "o poder de algo que não conseguiam explicar racionalmente", enquanto estavam no interior da residência. Isso porque, aparentemente, um armário de cozinha teria caído próximo de um deles; um bastão voou de dentro de um quarto vazio; e livros caíram de uma prateleira. Portanto, os policiais teriam preenchido uma espécie de boletim de ocorrência descrevendo o que aconteceu (no qual chamo de relatório, e vocês já vão entender o motivo), e teriam ido até uma igreja local para pedir ajuda.



De acordo com o site de notícias "The Siberian Times", um padre teve que ser chamado até uma casa, localizada em um pequeno vilarejo chamado Maraska (Маракса), que fica a cerca de 330 km (aproximadamente 5 horas de carro) a noroeste da cidade de Tomsk.
Um padre foi enviado até o local para abençoar a residência, visto que isso, supostamente, deveria "acalmar os espíritos malignos". A Eparquia de Kolpashevsky (lembrando que uma "eparquia" na Igreja Ortodoxa seria o equivalente a uma "diocese", na Igreja Católica) emitiu um comunicado explicando o seu envolvimento nesse caso.

"O relatório da polícia reflete de forma concisa e precisa o que aconteceu na casa. Ontem (13), recebemos telefonemas da polícia e de uma família, que mora em Maraksa", disse o clérigo Simeon Koynov, da Eparquia de Kolpashevsk.

"Um padre foi enviado para conversar com a família e orar. Ele também testemunhou todas as coisas descritas no relatório. Quando o padre chegou, o então 'poltergeist' se acalmou um pouco, mas o fenômeno continuou. Nós decidimos curar essa família, e empregar os esforços necessários para não permitir que tais coisas aconteçam na casa deles", completou.

"O relatório da polícia reflete de forma concisa e precisa o que aconteceu na casa. Ontem (13), recebemos telefonemas da polícia e de uma família, que mora em Maraksa", disse o clérigo Simeon Koynov, da Eparquia de Kolpashevsk.
Basicamente, essa foi a notícia divulgada pelo "The Siberian Times", que não mostrou nenhuma imagem da casa, publicando tão somente imagens genéricas de casas e ruas do vilarejo de Maraska. Adicionalmente, eles divulgaram o que seria um relatório policial; uma captura de tela (o famoso "print") parcial do site da Eparquia de Kolpashevsk, referente ao comunicado por parte da igreja ortodoxa local, e a foto do clérigo Simeon Koynov (иеромонах Симеон - Койнов). Conforme vocês podem perceber, a notícia é bem precária em inúmeros aspectos, mas é exatamente isso que geralmente divulgam para vocês.

Começando a Verificar as Informações: A Nota Divulgada Pela Eparquia de Kolpashevsky, e o Suposto Relatório que Teria Sido Enviado ao Chefe do Ministério de Assuntos Internos da Rússia, na Região de Tomsk!


A notícia divulgada pelo "The Siberian Times" nos forneceu aos menos dois elementos básicos e passíveis de verificação. O primeiro é a captura de tela do site da Eparquia de Kolpashevsk, e o segundo é o suposto relatório emitido pela polícia sobre o caso.

Ao acessar o site da Eparquia de Kolpashevsk é possível se deparar com uma publicação intitulada: "Comentário do Departamento de Informação da Eparquia de Kolpashevsk Sobre os Eventos Ocorridos no Vilarejo de Maraksa". Inicialmente, o texto dizia que, devido ao grande aumento do interesse por parte de veículos de imprensa e usuários das redes sociais sobre os eventos que ocorreram no vilarejo de Maraksa, no distrito de Kolpashevsky, na região de Tomsk, a Secretaria de Informações da Eparquia de Kolpashevsky considerou apropriado comentar sobre o assunto.

Ao acessar o site da Eparquia de Kolpashevsk é possível se deparar com uma publicação intitulada: "Comentário do Departamento de Informação da Eparquia de Kolpashevsk Sobre os Eventos Ocorridos no Vilarejo de Maraksa"
Segundo o texto, no dia 12 de fevereiro, uma família ligou para a eparquia para falar sobre uma casa, na qual estranhos fenômenos teriam começado a ocorrer: diversos objetos voavam espontaneamente e móveis caíam no chão. Esses fatos teriam sido confirmados por agências de segurança, que também teriam recorrido a administração da eparquia. É mencionado que, "o clérigo, ao chegar no local, seguiu a tradição da igreja, realizou a consagração da casa, e também conversou com os moradores. Durante a conversa, um adolescente, que se tornou objeto de fenômeno sobrenatural, expressou o desejo de receber o batismo sagrado."

De acordo com a nota, "diante do aprendizado, e da experiência adquirida ao longo de 2.000 anos, a Igreja Cristã interpreta o que aconteceu em Maraksa, de forma inequívoca, como a ação de 'espíritos malignos' - essa é a forma pela qual as Sagradas Escrituras se referem aos anjos caídos. O mal é irracional, agressivo e destrutivo. Seu objetivo é intimidar, atentar e destruir a alma humana. No entanto, o Mal é impotente diante da ação do amor divino. Ele ascendeu ao caminho da fé e do arrependimento comandado por Cristo. Ele se juntou à Igreja, fundada na Terra pelo Senhor, para tornar uma pessoa espiritualmente perfeita e inacessível às forças do mal."

O clérigo, ao chegar no local, seguiu a tradição da igreja, realizou a consagração da casa, e também conversou com os moradores. Durante a conversa, um adolescente, que se tornou objeto de fenômeno sobrenatural, expressou o desejo de receber o batismo sagrado.
Ainda de acordo com a nota, "não devemos pensar que a família, especialmente a criança, foram vítimas do ódio demoníaco  devido a algum pecado em particular. O que aconteceu com eles, não se tornou de conhecimento público acidentalmente, e sim porque nada acontece por acaso e sem o consentimento do Criador. Pode-se ver neste lembrete, uma espécie de 'sinal' para o espírito adormecido do homem que, juntamente com a realidade visível e material de suas leis físicas, existe uma realidade espiritual, cujas leis são os mandamentos de Deus. E somente seguindo essas leis espirituais, uma pessoa pode se sentir confiante e segura na dimensão espiritual de seu ser."

É possível notar uma certa "poesia" no texto da Eparquia de Kolpashevsky, porém pouquíssima informação sobre o que realmente teria acontecido no interior da residência em Maraksa. Aparentemente, a eparquia reiterou tudo aquilo que, segundo ela, teria sido confirmado por agências de segurança da Rússia. Esse é um ponto interessante, porque o relatório policial publicado no site de notícias "The Siberian Times", assim como em alguns outros veículos de imprensa da Rússia, teoricamente teria vazado, e começado a circular através das redes sociais (algo incomum de acontecer, quando estamos falando da Federação Russa), mais precisamente em grupos do aplicativo "Telegram" (um dos concorrentes diretos do WhatsApp, e muito popular na Rússia) e da rede social "VK". Isso despertou a imensa desconfiança se o documento seria falso ou não. Além disso, o documento não é timbrado, ou seja, não possui identidade visual (símbolo, emblema ou brasão) de quaisquer departamentos ou ministérios do governo russo, algo típico de documentos oficiais, assim como ocorre com um mero boletim de ocorrência ou uma nota de imprensa de um órgão público aqui no Brasil. Confira o mesmo abaixo:

Foto do documento que começou a circular nas redes sociais russas no dia 13 de fevereiro deste ano.
O documento teria sido escrito por um oficial chamado E.G. Artamonov (Е. Г. Артамонова), major de polícia e representante do Ministério de Assuntos Internos da Rússia para o Distrito de Kolpashevsky, sendo endereçada ao chefe regional do Ministério de Assuntos Internos da Rússia, em Tomsk, o Coronel A. I. Budniku (А. И. Буднику). Confira abaixo uma tradução básica do que foi mencionado:

"Ao Chefe do Ministério de Assuntos Internos da Rússia para a Região de Tomsk,

A. I. Budniku (А. И. Буднику)
Coronel da Polícia

Relatório

Reporto que, no dia 12 de fevereiro de 2018, às 15h45, foi recebida uma ligação de uma cidadã chamada Natalia Vikentyevna Zhukov, moradora da rua Parkovaya, nº 4, do vilarejo de Maraska, distrito de Kolpashevsky, de que algo estranho estava acontecendo no interior de sua residência, no referido vilarejo. Na casa, objetos estariam voando, incluindo facas. Uma unidade policial foi destacada até o endereço, sendo que o chefe do departamento de polícia também acompanhou a ocorrência. Após chegar na residência, no endereço indicado, foi constatado que no local morava o casal Zhukov Alexander Ivanovich e Natalia Vikentyevna, sendo que eles possuem a guarda do adolescente Igor Alekseevich Yakovlev desde o seu nascimento, em 2003. A residência estava revirada: objetos estavam espalhados, livros, móveis e utensílios domésticos estavam caídos no chão, e uma faca estava cravada na parede da cozinha. Os moradores da residência disseram, que nos últimos dois dias, passos estão sendo ouvidos, talhares estão voando e o mobiliário está caindo no chão. Durante o período em que os policiais estiveram no endereço indicado, um armário caiu em um cômodo (no quarto ao lado em que estava um policial). Posteriormente, livros caíram sozinhos da prateleira, sem que ninguém estivesse no quarto, e um bastão foi arremessado para longe. Não foi encontrada nenhuma explicação racional para esses eventos. Atualmente, os clérigos da igreja estão realizando uma cerimônia religiosa no local, e devem passar a noite na residência.

13 de fevereiro de 2018,


E.G. Artamonov
Representante do Ministério de Assuntos Internos da Rússia para o Distrito de Kolpashevsky
Major da Polícia
"

O documento teria sido escrito por um oficial chamado E.G. Artamonov (Е. Г. Артамонова), major de polícia e representante do Ministério de Assuntos Internos da Rússia para o Distrito de Kolpashevsky, sendo endereçada ao chefe regional do Ministério de Assuntos Internos da Rússia, em Tomsk, o Coronel A. I. Budniku (А. И. Буднику, cuja foto se encontra em destaque com um fundo azul, logo acima)
O texto revela alguns pontos interessantes. Em primeiro lugar, é possível perceber que um armário teria caído em um cômodo, ao lado de um outro cômodo, onde estava um policial (e não exatamente ao lado do policial, conforme mencionado anteriormente), ou seja, aparentemente ninguém viu o armário caindo sozinho. Em segundo lugar, ao chegar na casa, a mesma estava revirada e com muitos objetos no chão. Nenhum policial teria visto objetos, facas ou talheres voando no interior do imóvel, apenas uma única faca cravada em uma parede da cozinha, que é madeira (veremos isso daqui a pouco). Outro detalhe é que livros teriam caído sozinhos, aparentemente desse mesmo quarto, e sem ninguém ver, além de um bastão, que teria sido arremessado do seu interior, embora, teoricamente, não houvesse a presença de ninguém no quarto.

Resumindo? Temos somente evidências anedóticas, ou seja, relatos dos moradores da casa, e apenas a citação de que policiais teriam se deparado com um armário e livros caindo, porém ninguém teria testemunhado diretamente a queda dos mesmos. Além disso, nenhum policial teria sido atingido por quaisquer objetos. Ao que tudo indica, nada teria saído "voando" (no sentido de flutuando) pela casa na presença dos policiais. Por fim, o documento também não menciona, que policiais teriam solicitado a ajuda da Eparquia de Kolpashevsk. Esse pedido de ajuda é mencionado tão somente pela eparquia, e pela absoluta maioria da imprensa russa, que deduziu isso a partir do referido documento. Isso se torna bem evidente ao fazer uma rápida consulta a página regional (de Tomsk) do Ministério de Assuntos Internos da Federação Russa, uma vez que não encontrei nenhum notícia referente ao caso. Oficialmente, nada foi divulgado até o fechamento desta matéria. Então, só restava acessar um "lugar" para tentar entender melhor essa história: a imprensa russa.

A Divulgação do Caso Por Parte da Imprensa Russa: Estamos Mesmo Diante de um Caso Paranormal Envolvendo o Fenômeno "Poltergeist"?


Eis que chegou o derradeiro momento de saber o que a imprensa russa divulgou sobre esse caso, e sabermos se estamos mesmo diante de um caso de cunho paranormal ou não. Apesar da maioria das notícias repetirem sempre a mesma história, alguns veículos de imprensa acabam sobressaindo em meio ao volume de informações que acabam sendo geradas nos mecanismos de busca.

De acordo com site estatal de notícias "Вести.ru" (Vesti.ru), a população de Maraksa estava agitada diante dos últimos acontecimentos em relação a uma determinada casa do referido vilarejo, que abrigaria um poltergeist furioso. Zhukov Alexander Ivanovich, proprietário da casa em questão, disse que tudo teria começado com as luzes da casa acendendo espontaneamente e, então, elas teriam começado a queimar. Os eletricistas, por sua vez, não sabiam dizer o que estava acontecendo. Posteriormente, os livros, os móveis e as facas começaram a "voar" pela casa.

Zhukov Alexander Ivanovich, proprietário da casa em questão, disse que tudo teria começado com as luzes da casa acendendo espontaneamente e, então, elas teriam começado a queimar.
Posteriormente, os livros, os móveis e as facas começaram a "voar" pela casa.
Confira a reportagem exibida pelo canal de TV "Россия 24" (Russia-24), e que pode ser conferida através de seu próprio canal no YouTube (em russo, é claro):



Ainda segundo o texto publicado pelo site "Вести.ru" (Vesti.ru), um clérigo chamado Alexei Postnikov (Алексей Постников) chegou a mencionar, que teria comparecido até a residência e que, em uma determinada ocasião, um "ovo cozido", que estava em no meio de outros ovos em uma mesa, no canto da sala, teria voado e atingido a testa do adolescente Igor Yakovlev, que seria considerado como o centro da suposta atividade paranormal da casa.

Ainda segundo o texto publicado pelo site "Вести.ru" (Vesti.ru), um clérigo chamado Alexei Postnikov (Алексей Постников) chegou a mencionar, que teria comparecido até a residência e que, em uma determinada ocasião, um "ovo cozido", que estava em no meio de outros ovos em uma mesa, no canto da sala, teria voado e atingido a testa do adolescente Igor Yakovlev.
O adolescente teria sido levado para a cidade de Kolpashevo (centro administrativo do Distrito de Kolpashevsky, que possui cerca de 25 mil habitantes), onde teria passado a viver com sua mãe adotiva, irmãs, e demais parentes. O pai adotivo teria permanecido no imóvel, com medo de deixar a casa sozinha, a mercê de ladrões.



O adolescente teria sido levado para a cidade de Kolpashevo (centro administrativo do Distrito de Kolpashevsky), onde teria passado a viver com sua mãe adotiva, irmãs, e demais parentes de sua família.
O pai adotivo teria permanecido no imóvel, com medo de deixar a casa sozinha,
a mercê de ladrões ou vândalos.
Entretanto, de acordo com o site do jornal russo "Moskovskij Komsomolets" (MK), a situação seria um pouco diferente do que estava sendo veiculado pela imprensa. Em entrevista ao jornal, um morador local chamado Anton Sinenko (Антон Синенко) disse que, no passado, a casa era habitada por um outro casal. Eles pareciam se dar bem, e ninguém os ouvia brigando. Porém, quando o marido morreu, coisas estranhas teriam começado a acontecer na casa - coisas teriam começado a voar; as luzes acendiam e apagavam sozinhas.

A esposa passou a acreditar que o marido não queria que ela vivesse mais naquela casa. Então, a vendeu por um preço muito baixo, e se mudou. Assim sendo, a casa acabou sendo ocupada por uma nova família, atraída pelo preço baixo, oriunda da cidade de Kemerovo, mas o suposto "fantasma" do marido teria feito com eles se mudassem rapidamente. Atualmente, no entanto, a casa estava sendo ocupada por um casal criando um filho adotivo, e o "fantasma" teria passado a perturbar o adolescente em questão.

Em entrevista ao jornal, um morador local chamado Anton Sinenko (Антон Синенко) disse que, no passado, a casa era habitada por um outro casal. Eles pareciam se dar bem, e ninguém os ouvia brigando. Porém, quando o marido morreu, coisas estranhas teriam começado a acontecer na casa - coisas teriam começado a voar; as luzes acendiam e apagavam sozinhas.
Esse mesmo morador mencionou, que um ovo teria atingido a testa do adolescente, e posteriormente ele teria sido atingido pela porta de um guarda-roupa. Os pais adotivos teria decidido notificar a polícia sobre o que estava acontecendo na casa, para evitar que fossem acusados posteriormente de baterem na criança. Policiais (ППСники) teriam comparecido no local, e teriam ficado muito surpresos, quando um armário caiu em um dos quartos. Todos os membros da família estavam em uma outra sala, conversando com os policiais (isso reforça a ideia de que os policiais não viram o momento que o armário caiu). O morador disse que eletricistas teriam sido chamados, porque a luz da casa teria começado a piscar, porém após examinarem a fiação e os soquetes, eles teriam dito que não havia nada de errado.

Anton Sinenko disse, que não chegou a entrar na casa, mas pediu para que sua esposa fosse até o local para fotografar ou filmar o que estava acontecendo com seu celular, porém não teria dado certo. O motivo? Segundo o morador, o celular da esposa teria simplesmente desligado, embora a bateria estivesse com 12% de carga. Ao ser questionado se os pais adotivos tinham alguma desordem mental, Anton disse que não. Em sua visão, caso tivessem, eles não teriam permissão para adotar um filho. Ao ser questionado se os pais bebiam, Anton disse novamente que não, e que eles eram uma "família normal".

Nesse ponto, é importante esclarecer que a temperatura fria basicamente "aumenta a resistência interna e diminui a capacidade de carga de uma bateria de Li-ion". Os pesquisadores acreditam que a -18ºC, por exemplo, uma Li-ion consegue entregar apenas 50% de sua capacidade. Existem diversas matérias explicando esse assunto, sendo que no caso do iPhone é ainda mais problemático (a Apple, por exemplo, especifica que as suas baterias funcionam melhor entre as temperaturas de 0 a 35ºC). Vocês podem conferir as matérias clicando aqui e aqui. Portanto, um celular descarregar rapidamente (ainda mais com 12% de carga) em temperaturas muito frias ou abaixo de zero não é sintoma de nada sobrenatural, é falta de conhecimento mesmo. Para vocês terem uma ideia, hoje (16/02), a mínima prevista para Kolpashevo é de -20ºC.

O morador disse que eletricistas teriam sido chamados, porque a luz da casa teria começado a piscar, porém após examinarem a fiação e os soquetes, eles teriam dito que não havia nada de errado.
Ainda de acordo com o texto publicado no site do jornal "MK", a assessoria de imprensa do Ministério de Assuntos Internos da Rússia para a Região de Tomsk disse que seria feita toda uma investigação sobre o caso, seguindo a legislação russa, e que a autenticidade do documento seria esclarecida futuramente como parte de uma auditoria, que estava sendo realizada, não fornecendo maiores detalhes sobre o assunto.

De qualquer forma, o texto do "MK" indicaria que não estaríamos diante do fenômeno poltergeist, mas de uma espécie de fantasma vingativo, que teria passado a residir no interior daquela casa. Isso não explica, é claro, a razão pela qual somente o adolescente teria sido escolhido como alvo.

Anton Sinenko disse, que não chegou a entrar na casa, mas pediu para que sua esposa fosse até o local para fotografar ou filmar o que estava acontecendo com seu celular, porém não teria dado certo. O motivo? Segundo o morador, o celular da esposa teria simplesmente desligado, embora a bateria estivesse com 12% de carga
A imprensa russa está promovendo esse caso de forma bem eufórica, porém muito repetitiva. Todos os dias são publicadas novas notícias com as mesmas informações, e pouquíssimas imagens. No entanto, se vocês já estavam intrigados com esse caso e não sabiam mais o que pensar sobre o que poderia estar realmente acontecendo, prepare-se para o que vem a seguir. Ao que tudo indica, um site russo conseguiu entrevistar uma filha de Natalia Vikentyevna (sim, a moradora tem uma filha, mas que não mora em Maraska). Segundo ela, a imprensa russa e a polícia estão retratando os membros de sua família como se fossem monstros, que os mesmos estão sendo constantemente assediados pela imprensa, e por moradores e "caçadores de fantasmas" de diversas partes da Rússia. Para piorar a situação, uma onda de boatos também vem destruindo a vida da família.

A Versão Apresentada Pela Filha de Natalia Vikentyevna: A Imprensa e a Polícia Estariam Divulgando Informações Incorretas, e sua Família Estaria Vivendo um Pesadelo!


Se essa história dependesse somente do site "Siberia Realities" teríamos uma bela reviravolta. De acordo com o site, em cerca de uma semana o número de buscas sobre o pequeno vilarejo de Maraksa ficou próximo do número de buscas sobre os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pyeongchang, na Coreia do Sul. Assim sendo, o site enviou uma correspondente até o vilarejo para coletar maiores informações.

"Em 11 de fevereiro, por volta das 23h, minha mãe me ligou e disse que tudo estava caindo em casa. De acordo com ela, um pequeno armário havia caído, houve grandes sacudidas, livros voaram das prateleiras, e almofadas caíram do sofá", disse Catarina (Екатерина), filha de Natalia Vikentyevna.

"Pedi para minha mãe, meu pai, e meu irmão Igor para que deixassem urgentemente a casa. Pensei que fosse um terremoto. Disse para que saíssem da cidade. Não houve um único pensamento a respeito de misticismo. Quando chegamos, a polícia já estava lá. Eu e minha outra irmã fomos até a casa. E, então, vimos com nossos próprios olhos, que o inexplicável acontecia em todos os lugares da casa, onde o Igor ia. Por exemplo, ele foi até o corredor, onde há uma mesa com uma cesta de ovos, e um ovo imediatamente bateu em seu rosto e, em seguida, livros caíram. Ele foi até quarto, e fotos e quadros caíram das paredes. No entanto, nada foi quebrado. Quando ele foi ao banheiro, onde há um armário suspenso na parede, a porta do mesmo o atingiu bem na testa, e assim por diante", continuou.

Se essa história dependesse somente do site "Siberia Realities" teríamos uma bela reviravolta. De acordo com o site, em cerca de uma semana o número de buscas sobre o pequeno vilarejo de Maraksa ficou próximo do número de buscas sobre os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pyeongchang, na Coreia do Sul
De acordo com Catarina, duas semanas antes desses incidentes, a casa começou a ficar cada vez mais escura. Primeiramente, as luzes piscavam e, depois, apagaram totalmente. Posteriormente, tudo começou a acontecer um determinado horário, entre às sete e às nove horas (não ficou claro se seriam da noite ou da manhã, e nem mesmo se esse seria um intervalo de tempo ainda maior). Catarina disse que, inicialmente, os policiais acreditavam que se tratava de um caso de "DT" ("Delirium tremens"), um estado confusional breve, acompanhado de perturbações somáticas, que usualmente acomete usuários de álcool gravemente dependentes em abstinência absoluta ou relativa. Esse quadro geralmente ocorre 3 dias após o início dos sintomas de abstinência e pode durar vários dias.

"Naquela noite (11), pedimos para que eles passassem a noite conosco, mas meu pai estava com medo de deixar a casa, e ele acabou permanecendo na companhia do meu marido. Tudo ficou calmo na casa, até minha mãe voltar juntamente com o Igor, e verem que a polícia estava na frente da porta da casa deles. Membros do Ministério de Assuntos Internos entraram na casa, e certificaram-se que tudo estava normal. E, então, Igor entrou na casa, e tudo começou novamente. Os livros começaram a cair. Ele se vestiu rapidamente, pegou um mochila e saiu correndo para a rua. Uma panela foi arremessada em direção a varada. Lembro que meu pai trouxe a panela de volta, mostrando que tinha conseguido recuperá-la", disse Catarina.

Catarina disse que, inicialmente, os policiais acreditavam que se tratava de um caso de "DT" ("Delirium tremens"), um estado confusional breve, acompanhado de perturbações somáticas, que usualmente acomete usuários de álcool gravemente dependentes em abstinência absoluta ou relativa. Esse quadro geralmente ocorre 3 dias após o início dos sintomas de abstinência e pode durar vários dias.
O site "Siberia Realities" mencionou que a euforia da imprensa russa havia começado a partir do relatório vazado, não se sabia como, nas redes sociais, sendo que muitos veículos de imprensa divulgaram o endereço completo da família (não irei repetir as mesmas informações do relatório, é claro). Oficialmente, não se sabe se o documento é verdadeiro ou não. A assessoria de imprensa do Departamento Regional do Ministério de Assuntos Internos se recusou a fornecer maiores detalhes sobre os eventos ocorridos em Maraksa, e disse apenas que o departamento tinha começado a investigar o que tinha ocorrido. Tudo estava sendo verificado de acordo com a legislação vigente.

Os proprietários da casa no vilarejo de Maraksa, Natalia Vikentyevna e Alexander Ivanovich, disseram que estão em estado de choque. Não devido ao "poltergeist", mas pelo imenso assédio recebido por parte de moradores locais, jornalistas, agências de segurança e "caçadores de fantasmas". As pessoas estão indo até Maraksa, oriundas de todas as partes do país. A família precisou reforçar as trancas das janelas e portas da casa. Eles tentam manter, a todo custo, afastados os populares que tentam tirar fotos ou gravar vídeos da casa. Eles não têm mais paz durante o dia e muito menos a noite. Aliás, Catarina está constantemente em contato com seus pais que, segundo ela, estão muito frustrados após a publicação do relatório policial. De acordo com Catarina, a mídia escreveu 90% de mentiras sobre sua família.

Foto de um trecho da estrada de acesso ao vilarejo de Maraksa durante o verão
Foto de um trecho da estrada de acesso ao vilarejo de Maraksa durante o inverno
"A mídia disse que adotamos o Igor recentemente. Na verdade, ele está conosco desde um ano e meio de idade. Além disso, meus pais são praticamente profissionais nesse quesito. Eles criaram muitas crianças adotivas. No começo, eles criaram os sobrinhos, depois dois filhos adotivos e, em seguida, outros três. Igor foi o mais novo. A mídia disse que não éramos batizados. Na verdade, após o incidente, nós batizamos somente minha mãe (antes ela tinha sido apenas "imergida") e o Igor. Meus pais estão sendo expostos por alguns monstros insociáveis. Alguns dizem que eles não falaram com ninguém antes, e que agora ninguém abre a porta para falar com a imprensa", completou Catarina, alegando que seus pais eram idosos e não tinham nada para falar sobre isso.

Segundo o site "Siberia Realities", Alexander tem 78 anos, e Natalia tem 64 anos. Alexander trabalhava com transporte fluvial, e Natalia era professora. De acordo com Catarina, a família estava pensando em prestar uma queixa na polícia para descobrir quem divulgou dados pessoais de seus familiares. Para piorar a situação, o serviço tutelar havia recebido inúmeras ligações de pessoas interessadas em saber o destino de Igor.

"Houve rumores de que Igor seria levado para um abrigo, e instantaneamente algumas pessoas foram até lá, e perguntaram se poderiam falar com ele. E, ouvi dizer, que eles (a mídia) praticamente nos chamaram de feiticeiros. Houve rumores, de que a casa deveria ser queimada. Como vamos viver em paz depois disso? Esperamos que tudo isso acabe o mais rápido possível, e que as pessoas parem de fazer conjecturas e enviar umas para as outras fotos e vídeos supostamente gravados em nossa casa. Na verdade, todas as imagens e vídeos são falsos! Não divulgamos nada!", disse Catarina, indignada.

"A mídia disse que não éramos batizados. Na verdade, após o incidente, nós batizamos somente minha mãe (antes ela tinha sido apenas "imergida") e o Igor. Meus pais estão sendo expostos por alguns monstros insociáveis. Alguns dizem que eles não falaram com ninguém antes, e que agora ninguém abre a porta para falar com a imprensa", completou Catarina.
O vilarejo de Maraksa se tornou uma das principais "atrações" da região, e os rumores passaram a se multiplicar como uma bola de neve. Entre eles estava, por exemplo, aquele rumor propagado pelo site do jornal "Moskovskij Komsomolets", sobre um possível fantasma de um dos antigos proprietários do imóvel. De acordo com Catarina, esses rumores não eram verdadeiros. Assim sendo, a correspondente conseguiu entrar em contato com Svetlana Ivanovna (Светлана Ивановна), uma das ex-proprietárias da casa.

"Eu e meu marido compramos a casa há 15 anos, mas moramos lá por apenas 4 anos, então meu marido morreu. Meus filhos me ajudaram a fazer os reparos necessários: consertar as janelas, substituir o telhado, e arrumar o teto da casa. Você precisava ver a beleza de quintal que eu tinha lá! Tive que me mudar, porque ficou muito difícil para eu manter a casa sozinha. Assim sendo, vendemos para um jovem casal, que veio da região de Kemerovo. Mantivemos contato com eles após a venda, e nunca nos falaram sobre nada místico. Aliás, eles ficaram pouco tempo na casa, porque queriam ficar mais próximos da cidade. E, então, venderam para os atuais proprietários", disse Svetlana Ivanovna.

A correspondente também ouviu a opinião de Angelica Pikhnovskaya (Анжелика Пихновская), diretora do Museu do Folclore de Kolpashevsky, sobre o passado histórico e sombrio do distrito, que remonta a época do chamado "Grande Expurgo" (1936 a 1938), quando houve uma série de execuções em massa na região de Kolpashevsky. Nesse sentido, mais de 1.000 corpos mumificados foram descobertos em 1979.

"Acabamos sendo exilados para nossa região, e muitas pessoas morreram aqui, mas Maraksa é um vilarejo relativamente novo, e não houve conflitos sangrentos por lá. Portanto, não podemos associar o que está acontecendo com o passado. Para ser bem sincera, inicialmente pensamos que fosse brincadeira, mas agora não sabemos o que pensar", disse Angelica Pikhnovskaya (Анжелика Пихновская).

"Acabamos sendo exilados para nossa região, e muitas pessoas morreram aqui, mas Maraksa é um vilarejo relativamente novo, e não houve conflitos sangrentos por lá. Portanto, não podemos associar o que está acontecendo com o passado. Para ser bem sincera, inicialmente pensamos que fosse brincadeira, mas agora não sabemos o que pensar", disse Angelica Pikhnovskaya.
Foto mostrando um dos ambientes internos do Museu do Folclore de Kolpashevsky
De acordo com Catarina, Igor passou a morar com suas irmãs mais velhas e, desde então, nada de anormal tem acontecido na casa dos seus pais. Aparentemente, nada de estranho também estaria acontecendo no local onde Igor se encontra atualmente, porque nada foi mencionado nesse sentido.

Uma História, Muitas Versões: Por Enquanto o Caso Sobre um Suposto "Poltergeist" em Maraksa, na Rússia, é Inconclusivo


Maraksa (Маракса) é um vilarejo bem distante de grandes centros urbanos. Fica localizado a mais de 300 km de Tomsk, e quase 4.000 km a leste de Moscou, a capital do país, em plena Sibéria. Embora Kolpashevo, o maior e mais próximo centro urbano esteja a alguns quilômetros de distância, o mesmo é uma cidade com uma população de 25 mil habitantes, que está encolhendo ano a ano, e irrisório perto de Tomsk, que possui 525 mil moradores. Em 1989, Kolpashevo tinha cerca de 31.319 habitantes; no último censo realizado em 2010, tinha 24.124. Apesar de não ter encontrado informações sobre o números de moradores de Maraksa, a localidade é bem pequena, e talvez não passe de 2 mil habitantes.

Basicamente, isso que dizer que estamos lidando com um vilarejo remoto, localizado na Sibéria, e no inverno russo. Pouca coisa é pior do que isso em termos de condições ambientais e de acessibilidade para realizar uma investigação, ainda mais de cunho paranormal. Talvez isso explique, em parte, o desespero ou impaciência da imprensa em obter informações o mais rapidamente possível e, quiçá, vislumbrar e registrar, em tempo real, algo "voando" pela casa. Maraksa acabou se tornando uma espécie de "meca" para imprensa e aficionados do tema. Contudo, podemos afirmar que, com certeza, estamos diante de um autêntico caso de fenômeno paranormal? Não, mas podemos dizer que algo de muito estranho e errado aconteceu naquela casa entre os dias 11 e 13 de fevereiro deste ano.



É importante ressaltar, que todo esse caso começou a ser divulgado na imprensa russa a partir do dia 13 de fevereiro, após um documento, que não sabemos oficialmente se é ou não verdadeiro (uma vez que até mesmo a imprensa russa questiona esse ponto) ter supostamente vazado, e ido parar nas redes sociais (leia-se como "VK") e grupos no aplicativo "Telegram". Não sabemos quem inicialmente o divulgou, a razão pela qual divulgou, entre outros detalhes. Uma vez que no documento constava o endereço da residência e nome dos envolvidos, ficou relativamente fácil para a imprensa ir atrás de maiores informações, o que acabou gerando transtornos para a família Zhurkov. A imprensa acabou mencionando, que a polícia teria chamado a Eparquia de Kolpashevsky, devido aquela espécie de nota publicada pela própria eparquia, mas infelizmente não sabemos sob quais condições isso realmente aconteceu, porque as informações são escassas.

Outro detalhe é que, pelo que se sabe até o presente momento, os policiais não teriam visto diretamente um fenômeno paranormal acontecendo. Por exemplo, eles não teriam visto um objeto parado e posteriormente se movendo de forma espontânea. Eles teriam presenciado os supostos fenômenos indiretamente: um armário caindo no cômodo ao lado, livros caindo no mesmo cômodo, e um bastão que teria sido arremessado de dentro do quarto. A casa já estava revirada quando os policiais chegaram, e até mesmo uma faca estaria cravada na parede da cozinha. No entanto, não há nenhum registro visual disso (fotos ou vídeos). Por outro lado, temos os declarações da Eparquia de Kolpashevsky, que basicamente deu a entender que tudo teria acontecido devido um espírito maligno, em virtude do adolescente de 15 anos não ser batizado, e de um clérigo local falando sobre um "ovo", que teria sido arremessado contra o menino (algo inofensivo perante as alegações de que facas estariam voando pela casa). Temos também as declarações de Catarina, filha de moradora da casa, que não mora com os pais e não convive com Igor, mas que teria presenciado (não sabemos exatamente sob quais condições, visto que ela cita algo ocorrido no banheiro, um ambiente mais privado) supostos fenômenos inexplicáveis acontecendo contra o irmão. É difícil saber o que pensar, visto que, apesar de interessantes, as declarações recaem nas famosas evidências anedóticas.

De qualquer forma, vale a pena observar alguns detalhes. Aparentemente, somente o adolescente estava sendo "vítima" dos supostos fenômenos. A casa, segundo Catarina e uma ex-proprietária, não seria assombrada. Quando o adolescente saiu da casa, os fenômenos teriam parado de acontecer, quando ele retornou, teriam começado novamente. Porém, de acordo com Catarina, quando ele passou a morar com suas irmãs e longe de seus pais adotivos, os fenômenos na casa pararam e, aparentemente, nada de errado estaria acontecendo no local, onde o adolescente atualmente está morando. Como explicar isso diante de uma crença na existência do mundo paranormal? Bem, na matéria referente ao caso ocorrido na cidade de Nazário/GO, mostrei que William G. Roll, um prominente psicólogo e parapsicólogo norte-americano, verificou através de um levantamento de dados publicado em 1977, sobre o fenômeno poltergeist, que a porcentagem de supostos agentes do sexo masculino e do sexo feminino era equilibrada, apresentando uma leve tendência, sem importância estatística, para a incidência de agentes do sexo feminino. Além disso, na matéria que fiz sobre o "poltergeist de Guyra", Tony Healy, um dos autores do livro "Australian Poltergeist : The Stone-Throwing Spook of Humpty Doo and Many Other Cases" mencionou que nos casos mais recentes, que eles tiveram a oportunidade de entrevistar os envolvidos, a criança estava sob um estresse intenso e, de alguma forma, o fenômeno era desencadeado. Segundo Tony, existem alguns espíritos maliciosos e desencarnados, que podem gerar uma atividade física através da canalização ao se aproveitarem da angústia da criança. Assim sendo, considerando os aspectos acima, essa seria uma tentativa de explicar esse caso no âmbito paranormal. Porém, até o momento, ninguém teve acesso ao adolescente, e não sabemos como é o relacionamento dele com a família adotiva.

Assim sendo, considerando os aspectos acima, essa uma tentativa de explicar esse caso no âmbito paranormal. Porém, até o momento, ninguém teve acesso ao adolescente e não sabemos como é o relacionamento dele com a família adotiva.
Um ponto que também chamou a atenção é a quantidade de filhos já adotados pelo casal, que foi mencionado por Catarina. Não irei especular sobre as intenções do casal, mas é importante ressaltar, que na Rússia as famílias recebem uma compensação financeira ao adotarem uma criança. Os valores variam muito, visto que depende se a criança possui ou não alguma alguma deficiência ou se é menor de 12 anos. Também existe uma bonificação por cada criança adotada adicionalmente. Famílias adotivas também recebem bons descontos em contas de água, luz e gás, por exemplo, além de contarem com transporte local gratuito e outros tipos de assistência financeira. Nem sempre o amor pode falar mais alto, quando a questão é adoção. A imprensa russa sempre fez muita questão de enfatizar, que o adolescente era adotado, e que o casal tinha apenas sua guarda, praticamente tentando dizer, nas entrelinhas, que algo poderia estar errado naquela relação. Infelizmente, no entanto, não temos base suficiente para afirmar ou negar alguma coisa nesse sentido.

Sinceramente, gostaria que o caso fosse realmente investigado a fundo pelas autoridades competentes, que policiais pudessem ser entrevistados, que os familiares também fornecessem maiores informações, e que tudo fosse devidamente esclarecido. Talvez, no entanto, daqui algum tempo esse caso caia no esquecimento, tão logo a imprensa russa encontre outro assunto, e outro local para acampar. Enfim. E aí, o que vocês acharam de toda essa história? Estranho, não é mesmo? Por enquanto, infelizmente, o caso é inconclusivo. Caso tenhamos maiores informações, manteremos vocês atualizados assim que possível, combinado?

Atualização #1 - 06/03 às 17h: A Surpreendente Investigação de uma Jornalista do Canal de TV Russo TV2, de Tomsk


No dia 18 de fevereiro, a jornalista Victoria Musnik (Виктория Мучник) publicou uma matéria de cunho investigativo no site da emissora russa TV2, que opera na região de Tomsk. Ela foi juntamente com o cinegrafista Oleg Mutovkin (Олег Мутовкин), o repórter Pavel Kanygin (Павел Каныгин), do jornal Novaya Gazeta, e o escritor Andrei Filimonov (Андрей Филимонов), até o vilarejo de Maraksa para investigar esse estranho episódio.

A matéria é bem extensa e vou tentar resumir o máximo possível para vocês.

No dia 18 de fevereiro, a jornalista Victoria Musnik (Виктория Мучник) publicou uma matéria investigativa no site da emissora russa TV2, que opera na região de Tomsk.
Ela foi juntamente com o cinegrafista Oleg Mutovkin (Олег Мутовкин), o repórter Pavel Kanygin (Павел Каныгин), do jornal Novaya Gazeta, e o escritor Andrei Filimonov (Андрей Филимонов) até o vilarejo de Maraksa para investigar esse estranho episódio
Inicialmente, a equipe foi visitar o Alexander Zhukov, pai adotivo do adolescente Igor, que por sua vez foi apontado por grande parte da mídia como o pivô de toda essa "manifestação sobrenatural". Alexander estava relutante em abrir as portas de sua casa, devido ao grande assédio da imprensa. De qualquer forma, ele permitiu o acesso, mas sua esposa, a Natalia, proibiu categoricamente que fosse realizada qualquer filmagem da casa. O mesmo valia para eventuais fotos, mas ainda assim, após alguma conversa, ambos permitiram que algumas fotos fossem tiradas.

O escritor Andrei Filimonov (à esquerda) e o repórter Pavel Kanygin (à direita),
conversando com Alexander (no centro), pai adotivo de Igor.
Natalia, esposa de Alexander, proibiu categoricamente que fosse realizada qualquer filmagem da casa. O mesmo valia para eventuais fotos, mas ainda assim, após alguma conversa, ambos permitiram que algumas fotos fossem tiradas.
Eles explicaram, que tinham se mudado de um vilarejo vizinho chamado Beloyarivka (Белояровки), quando a escola da localidade foi fechada, visto que não queriam que o Igor, o filho adotivo, de um total de 10 filhos que eles já tinham criado, ficasse sem estudar. A casa onde moravam era modesta: nem pobre, nem rica. Os móveis não eram novos, mas estavam em ótimo estado de conservação.

A equipe da TV2 também ficou sabendo que Igor tinha mais três irmãos, que era um rapaz calmo e que adorava cantar. Além disso, seus pais biológicos tinham perdido a guarda do menino. Porém, aparentemente, o tempo todo, Natalia parecia querer dispensar a equipe e, principalmente, suas perguntas. Ao final da conversa, o casal se limitou praticamente a dizer que Igor estava bem, e com parentes da família. Assim sendo, a equipe foi tentar obter maiores informações na escola, onde Igor estudava, no próprio vilarejo de Maraksa.

Ao final da conversa, o casal se limitou praticamente a dizer que Igor estava bem, e com parentes da família. Assim sendo, a equipe foi tentar obter maiores informações na escola, onde Igor estudava, no próprio vilarejo de Maraksa.
Na escola, a equipe inicialmente encontrou um franzino zelador, que tentava conter o acesso dos veículos de imprensa, e sob ordens do diretor da escola. Enquanto a equipe esperava pelo diretor, que estava ocupado, uma professora do Igor, chamada Olga Vasilievna (Ольга Васильевна), abordou a equipe. Ela não queria ser fotografa e muito menos ser filmada, porém o gravador de voz não a intimidou. Segundo ela, os pais adotivos de Igor não eram aquilo que aparentavam ser na mídia.

A professora disse que não entendia como davam crianças para eles cuidarem, visto que elas andavam sempre muito mal vestidas, e falou para os jornalistas procurarem pelas demais crianças, que foram cuidadas por eles para saber como tinha sido a vida delas. Durante a conversa, duas pessoas usando uniformes policiais apareceram no corredor, deixando a sala do diretor. Eles foram ríspidos e disseram para que ninguém fizessem perguntas, e pediram para que todos os arquivos de áudio fossem deletados. Eles também disseram que quaisquer informações sobre o caso seriam fornecidas apenas pela assessoria de imprensa do Ministério de Assuntos Internos. A equipe rebateu e disse que os policiais estavam obstruindo o trabalho da imprensa, e que isso era um crime previsto no código penal. Os policiais se retiraram e a conversa com a professora prosseguiu.

Enquanto a equipe esperava pelo diretor, que estava ocupado, uma professora do Igor, chamada Olga Vasilievna (Ольга Васильевна), abordou a equipe. Ela não queria ser fotografa e muito menos ser filmada, porém o gravador de voz não a intimidou. Segundo ela, os pais adotivos de Igor não eram aquilo que aparentavam ser na mídia.
Segundo a professora, os pais adotivos de Igor eram bem estranhos e agressivos. Chegavam na escola berrando e procurando pelo Igor, sendo que muitas vezes o menino não queria voltar para casa. Olga apresentou uma vendedora de uma loja próxima da escola, que não quis ser identificada, filmada ou fotografada. Segundo essa outra mulher, a mãe adotiva de Igor, a Natalia Zhukova, era uma mulher ruim, sendo que a mesma alegou ter medo dela. A mulher já tinha trabalhado como professora em uma escola, onde os filhos adotivos de Natalia estudavam, e as crianças sempre apareciam mal vestidas.

Isso, no entanto, não seria a pior parte. A mulher disse que, certa vez, viu Natalia batendo nas crianças com força pela janela, e ela sabia que Natalia tinha percebido sua presença do lado de fora da casa. As crianças nunca falaram nada e nunca se queixaram. Igor também teria apanhado, mas não falava nada. Era um menino considerado quieto e inofensivo.

Isso, no entanto, não seria a pior parte. A mulher disse que, certa vez, viu Natalia batendo nas crianças com força pela janela, e ela sabia que Natalia tinha percebido sua presença do lado de fora da casa. As crianças nunca falaram nada e nunca se queixaram. Igor também teria apanhado, mas não falava nada. Era um menino considerado quieto e inofensivo.
Assim sendo, a equipe foi conversar com o "Conselho Tutelar" do Distrito de Kolpashevsky. No entanto, aparentemente, o conselho precisou fazer uma reunião de emergência com a polícia, e alegaram que eles não podiam falar com a imprensa. Posteriormente, por telefone, eles prometeram conversar durante a noite. Porém, nada aconteceu, eles simplesmente pararam de atender as ligações.

A realidade é que quase nenhuma autoridade local queria falar sobre o assunto. A equipe conseguiu conversar apenas com o chefe do Departamento Jurídico de Kolpashev, Dmitry Grishaev, que ao ser perguntado se acreditava que o caso envolvia mesmo um poltergeist, disse que não podia responder a pergunta. A equipe também foi até o Centro de Assistência Social para Famílias e Crianças, visto que havia uma informação de que Igor e outros filhos adotivos do casal pudessem estar nesse local, mas não encontraram a resposta que queriam. Provavelmente, Igor estava mesmo na casa de parentes.

No desenrolar da matéria, eles conversaram com um sacerdote da Igreja Ortodoxa, o Alexei Postnikov, que voltou a dizer que batizou Igor, e que teria presenciado supostos fenômenos paranormais.

No desenrolar da matéria, eles conversaram com um sacerdote da Igreja Ortodoxa, o Alexei Postnikov, que voltou a dizer que batizou Igor, e que teria presenciado supostos fenômenos paranormais.
Porém, não satisfeitos, a equipe tentou contato com E.G. Artamonov, o autor do relatório policial, que despertou a atenção da mídia para o caso. Curiosamente, a equipe se deparou com um oficial de polícia extremamente parecido com o Artamonov, porém o policial negou que tivesse esse nome. Posteriormente, a equipe ficou sabendo através de um outro funcionário, que o homem era mesmo o major de polícia que eles estavam procurando, porém o mesmo já tinha sumido da vista deles. Por outro lado, Dmitry Alimpiev, chefe distrital de polícia, disse que ninguém tinha autorização para falar com a imprensa.

De forma ainda mais curiosa, colegas de imprensa, de uma emissora de TV de Kolpashevsky, disseram acreditar na hipótese de um eventual "poltergeist". Eles alegaram que os policiais teriam tentado gravar o que estava acontecendo, mas que as imagens teriam saído borradas, porque o "poltergeist" não estava deixando que nada fosse filmado.

Porém, não satisfeitos, a equipe tentou contato com E.G. Artamonov, o autor do relatório policial, que despertou a atenção da mídia para o caso. Curiosamente, a equipe se deparou com um oficial de polícia extremamente parecido com o Artamonov, porém o policial negou que tivesse esse nome. Posteriormente, a equipe ficou sabendo através de um outro funcionário, que o homem era mesmo o major de polícia que eles estavam procurando, porém o mesmo já tinha sumido da vista deles.
Para completar, a equipe da TV2 encontrou imagens de uma apresentação artística de Igor Yakovlev, no dia 15 de outubro do ano passado, na Casa de Cultura de Kolpashevo, para um programa da emissora russa NTV, que envolve crianças que estão sob custódia do Estado, com o objetivo que elas exibam suas habilidades. Duas outras crianças também se apresentaram nessa ocasião, sendo que uma delas era justamente um menino chamado Dmitry Yakovlev (Дмитрий Яковлев), irmão de Igor, porém o menino vem sendo cuidado por outros pais adotivos. Dessa espécie de seletiva, apenas Dmitry acabou sendo selecionado. Aliás, é possível ver seu perfil na página do programa.

Para quem gosta de uma estranha coincidência, a segunda temporada do referido programa, que conta com o irmão de Igor, estreou no dia 10 de fevereiro, sendo que no dia seguinte (11), foi justamente quando a atividade "poltergeist" teria realmente se "intensificado".

Para completar, a equipe da TV2 encontrou imagens de uma apresentação artística de Igor Yakovlev, no dia 15 de outubro do ano passado, na Casa de Cultura de Kolpashevo, para um programa da emissora russa NTV, que envolve crianças que estão sob custódia do Estado, com o objetivo que elas exibam suas habilidades.
Duas outras crianças também se apresentaram nessa ocasião, sendo que uma delas era justamente um menino chamado Dmitry Yakovlev (Дмитрий Яковлев), irmão de Igor, porém o menino vem sendo cuidado por outros pais adotivos. Dessa espécie de seletiva, apenas Dmitry acabou sendo selecionado. Aliás, é possível ver seu perfil na página do programa.
Aliás, essa é uma das poucas imagens, que se tem de Igor, visto que ninguém encontrou ou conseguiu encontrar o menino para que ele pudesse dar sua versão do que realmente teria acontecido no interior daquela casa em Maraksa. Publicamente, somente o sacerdote da Igreja Ortodoxa admitiu que viu os estranhos fenômenos, mais ninguém. Ao final, a jornalista Victoria Musnik disse que, aparentemente, o "Poltergeist de Maraksa" teria sido uma forma do adolescente chamar atenção das pessoas ao seu redor para os problemas que ele vinha enfrentando, mas que era muito difícil dar qualquer opinião sem realmente ouvir o menino.

Enfim, que história! Essa atualização acabou reforçando alguns detalhes, que já tinham sido apontados anteriormente, ou seja, que seria muito importante ouvir o adolescente e, principalmente, investigar a razão desses pais adotarem tantas crianças e a maneira pela qual elas foram tratadas por eles ao longo do tempo. Existem muitos detalhes que, infelizmente, ainda não vieram à tona. Caso tenhamos maiores informações, manteremos vocês informados tão logo seja possível.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Redator Marco Faustino

Fontes:
http://kolpashevo.cerkov.ru/duxovenstvo/
http://krasnoyarskmedia.ru/news/669852/
http://siberiantimes.com/other/others/news/police-seeks-help-from-church-on-a-poltergeist-case-in-remote-corner-of-tomsk-region/
http://simeon80.cerkov.ru/
http://svjatoynarym.ru/2018/02/13/kommentarij-informacionnogo-otdela-kolpashevskoj-eparxii-po-povodu-sobytij-proisxodyashhix-v-p-maraksa/
http://tomsk.mk.ru/articles/2018/02/13/v-tomskoy-oblasti-poyavilsya-svoy-poltergeyst.html
http://turistclub.tomsk.ru/travels/?client_id=3319&travel_id=465
http://www.mk.ru/social/2018/02/13/udarilo-yaycom-potom-shkafom-strashnye-priklyucheniya-poltergeysta-v-tomskoy-derevne.html
http://www.newsru.com/crime/13feb2018/poltergeistflattom.html
http://www.tvtomsk.ru/vesti/company/34124-letayut-nozhi-i-padayut-shkafy-poltergeyst-oruduet-v-tomskom-sele.html
http://www.tvtomsk.ru/vesti/event/34128-paranormalnoe-yavlenie-v-tomskoy-oblasti-kolpashevskaya-eparhiya-prokommentirovala-sobytiya.html
http://www.tvtomsk.ru/vesti/event/34152-policiya-provodit-proverku-informacii-o-sverhestestvennom-yavlenii-v-tomskoy-derevne.html
https://br.sputniknews.com/mundo_insolito/2018021410524149-fantasma-russia-tomsk/
https://ria.ru/incidents/20180214/1514580633.html
https://tengrinews.kz/strange_news/letayut-noji-padaet-mebel-politseyskie-rossii-stolknulis-337655/
https://www.sibreal.org/a/29041809.html
https://www.vesti.ru/doc.html?id=2987629
https://www.youtube.com/watch?v=3van8Qe8Y3Y
https://www.youtube.com/watch?v=aaandCXP9h4
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