5 de fevereiro de 2018

O Templo Padmanabhaswamy: Existe Mesmo uma Porta Misteriosa que Nada Pode Abrir ou que Poderia Causar o Fim do Mundo?



Por Marco Faustino

Na matéria anterior havia comentado, que estamos vivendo em uma época, onde a informação de qualidade vem perdendo cada vez mais espaço para vídeos aleatórios de contas e páginas destinadas a propagação de conteúdo viral nas redes sociais, que não acrescentam em absolutamente nada na vida das pessoas que disseminam os mesmos. Uma época, um tanto quanto obscura, em que grandes veículos de comunicação apenas traduzem o que é divulgado por agências de notícias ou sites de curiosidades gerais, não fornecendo qualquer análise mais aprofundada ou refutações. Apenas publicam um determinado material da forma que tiver maior repercussão ao engajamento do público, não importando o quão ridículo, falso ou sensacionalista seja a manchete ou o conteúdo. Ao longo do texto mostrei a vocês a história fantasiosa de Edward Mordrake, e como a mesma conseguiu alimentar a crença e a imaginação das pessoas por mais de 100 anos. No entanto, o caso envolvendo "Edward Mordrake" é totalmente falso. Ele nunca existiu, sendo tão somente uma criação literária de Charles Lotin Hildreth, que publicou este e outros casos igualmente inventados, no jornal "Boston Sunday Post", em 8 de dezembro de 1895. Ironicamente, Charles Hildreth não viveu para ver o sucesso de sua criação. Ele morreu em agosto de 1896, aos 39 anos, antes da publicação do livro "Anomalies and Curiosities of Medicine", que muitos pensam até hoje ser a fonte original da história (leia mais: Edward Mordrake: A Triste e Horripilante História Sobre o "Homem da Face Demoníaca" Seria Tão Somente uma Farsa?).

Agora, vou abordar um tema que sempre foi muito pedido por vocês, o Templo Padmanabhaswamy, em Kerala, na Índia. Existe pouquíssimo material disponível em português sobre esse assunto, sendo que a absoluta maioria, infelizmente, não é nada confiável. De qualquer forma, um templo, uma edificação tão comum na Índia, não deveria ser motivo de tanta discussão ou mistério. Porém, o que faz ele tão especial é que o mesmo possuiria cerca de sete câmaras secretas, sendo que seis já teriam sido abertas, e a sétima ninguém teria conseguido abrir até hoje. Há quem diga que em todas as tentativas de acessar essa câmara ocorreram estranhos eventos. Além disso, também é mencionado que, caso alguém realmente abra a porta da sétima câmara, libertá forças malignas, catástrofes ocorrerão ao redor do mundo, levando, indubitavelmente, a extinção da raça humana. Entretanto, o templo Padmanabhaswamy não possui sete câmaras, ele possui no mínimo oito e, para completar, a imagem mais famosa atribuída a tal porta não pertence ao templo, ou melhor, nunca existiu. Estão prontos para realmente conhecer a história do templo? Vamos saber mais sobre esse assunto?

O Templo Padmanabhaswamy: Sua Localização e um Pouco de Sua História


O Templo Padmanabhaswamy está localizado na cidade de Thiruvananthapuram (mais conhecida como Trivandrum), a capital e a maior cidade do estado de Kerala, na Índia. O templo foi construído em uma intrínseca fusão dos estilos arquitetônicos Dravidiano e do próprio estado de Kerala, sendo comumente associado ao estado vizinho de Tamil Nadu, contendo muros altos e um "gopuram" (uma torre monumental, geralmente ornamentada, na entrada de um templo hindu) do século XVI.



O Portão Leste da cidade de Thiruvananthapuram, sendo que é possível notar que uma parte do antigo muro,
que cercava a cidade foi preservado.
O Templo Padmanabhaswamy está localizado na cidade de Thiruvananthapuram (mais conhecida como Trivandrum), a capital e a maior cidade do estado de Kerala, na Índia. O templo foi construído em uma intrínseca fusão dos estilos arquitetônicos Dravidiano e do próprio estado de Kerala, sendo comumente associado ao estado vizinho de Tamil Nadu, contendo muros altos e um "gopuram" (uma torre monumental, geralmente ornamentada, na entrada de um templo hindu) do século XVI. A foto acima é de janeiro deste ano.
A deidade principal Vishnu está consagrada na postura "Anantha Shayanam", o eterno sono ióguico na serpente "Adisheshan". Sree Padmanabhaswamy é a deidade tutelar (divindade que ocupa o cargo ou função de guardião, patrono, padroeiro ou protetor de determinado local, pessoa, linhagem, dinastia, nação, cultura ou ocupação) da família real de Travancore.

Aliás, o atual Marajá de Travancore, um senhor chamado Moolam Thirunal Rama Varma deveria ser o atual administrador do tempo (devido a inúmeros problemas, conforme veremos daqui a pouco, uma comissão nomeada pela Suprema Corte da Índia atualmente toma conta do templo). De acordo com um documento chamado "Temple Entry Proclamation" ("Proclamação de Entrada em Templos", em português) apenas aqueles que professam a fé hindu são autorizados a entrar no templo e os devotos têm que seguir rigorosamente um código de conduta e usar as vestimentas adequadas.

A deidade principal Vishnu está consagrada na postura "Anantha Shayanam", o eterno sono ióguico na serpente "Adisheshan". Sree Padmanabhaswamy é a deidade tutelar (divindade que ocupa o cargo ou função de guardião, patrono, padroeiro ou protetor de determinado local, pessoa, linhagem, dinastia, nação, cultura ou ocupação) da família real de Travancore.
Aliás, o atual Marajá de Travancore, um senhor chamado Moolam Thirunal Rama Varma (à esquerda) é o atual administrador do tempo. De acordo com um documento chamado "Temple Entry Proclamation" ("Proclamação de Entrada em Templos", em português) apenas aqueles que professam a fé hindu são autorizados a entrar no templo e os devotos têm que seguir rigorosamente um código de conduta e usar as vestimentas adequadas.
Diversos textos hindus, que sobreviveram a ação do tempo, assim como o Brahma Purana, Matsya Purana, Varaha Purana, Skanda Purana, Padma Purana, Vayu Purana, Bhagavata Purana e o Mahabharata fazem menção a esse templo. De acordo com o Bhagavata, Lorde Balarama (uma deidade hindu, irmão mais velho de Krishna) visitou Phalgunam (atualmente conhecido como a cidade de Thiruvananthapuram), tomou banho em Panchapsaras (Padmateertham, um lago no coração da cidade) e deu de presente cerca de dez mil vacas para homens santos. O local, então, virou uma espécie de ponto de peregrinação.

Em algum momento foi erguido um templo (o que viria a ser o atual templo Padmanabhaswamy), sendo que o mesmo é mencionado no período literário "Sangam" (entre 500 a.C e 300 d.C). Muitos historiadores acreditam que o templo, em um passado distante, já teria sido chamado de o "Templo de Ouro". Isso porque, tanto na literatura quanto na poesia "Sangam", assim como em obras posteriores do século IX, o templo e até mesmo a cidade são citados como se tivessem paredes de ouro puro. Em alguns pontos, tanto o templo quanto a cidade inteira são muitas vezes elogiados, sendo que o templo é citado como sendo o "Paraíso".  De qualquer forma, até hoje ninguém sabe exatamente quando e quem construiu o templo.

De acordo com o Bhagavata, Lorde Balarama (uma deidade hindu, irmão mais velho de Krishna) visitou Phalgunam (atualmente conhecido como a cidade de Thiruvananthapuram), tomou banho em Panchapsaras (Padmateertham, um lago no coração da cidade) e deu de presente cerca de dez mil vacas para homens santos. O local, então, virou uma espécie de ponto de peregrinação.
Aparentemente, havia mesmo muitas riquezas em Padmanabhaswamy conforme os textos antigos mencionam, porém o templo só teria acumulado grande parte de suas riquezas no início do século XVIII. Na época, o Marajá de Travancore, chamado Anizham Thirunal Veerabaala Marthanda Varma, estava lutando contra os chefes locais. Seus principais rivais eram conhecidos, coletivamente, como os "Lordes das Oito Casas" (Ettuveetil Pillamar). Um dia, esses homens se reuniram em uma pousada, ao sul de Trivandrum, e conspiraram para assassiná-lo, durante um festival no templo Sri Padmanabhaswamy.

O plano poderia ter dado certo, se não fosse um senhor de idade, responsável por vigiar o poço da pousada. Esse senhor ouviu o plano e enviou uma mensagem ao Marajá. No dia do festival, o Marajá apareceu no templo armado, com um contingente de soldados. Então, ele ordenou que vários rebeldes fossem executados, apreendeu suas riquezas, destruiu suas casas, e ainda por cima vendeu suas esposas e filhos como escravos. Posteriormente, o Marajá passou a conquistar os reinos próximos, cuja riqueza era muito considerável.

Mapa do Reino de Travancore em 1871
Assim como o escritor e intelectual indiano Gurcharan Das escreveu, os reis e comerciantes indianos acumularam lucros provenientes do comércio de especiarias por quase dois mil anos. Na Antiga Roma, os senadores lamentavam, que as mulheres locais usassem muitos objetos oriundos da Índia e, em 77 d.C, Plínio, o Velho, disse que a Índia havia se tornado "a fossa do ouro mundial". No século XVI, os portugueses também ecoaram esse sentimento, reclamando que muito de sua prata do Novo Mundo estava indo para a Índia. Depois que os britânicos chegaram ao subcontinente, eles fizeram protestos semelhantes.

O historiador T. P. Sankarankutty Nair escreveu diversos livros sobre o antigo "Reino de Travancore". Segundo Nair, naquela época (no início do século XVIII), o marajá era um homem muito cruel e, depois de tantos assassinatos, passou a ansiar pelo perdão do que havia feito em vida. Como forma de arrependimento, ele dedicou todo o seu reino a deidade, em 1750. Tudo o que ele tinha "coletado", derrotando todos esses reis, ou seja, todos os objetos de valor, ouro, prata, ornamentos e moedas foram trancados no templo. Porém, nunca ficou claro o que aconteceu com essas riquezas ao longo dos séculos. Os historiadores nunca se preocuparam em estudar a riqueza dos templos.

Assim como o escritor e intelectual indiano Gurcharan Das escreveu, os reis e comerciantes indianos acumularam lucros provenientes do comércio de especiarias por quase dois mil anos.
O historiador T. P. Sankarankutty Nair (à direita) escreveu diversos livros sobre o antigo "Reino de Travancore". Segundo Nair, naquela época (no início do século XVIII), o marajá era um homem muito cruel e, depois de tantos assassinatos, passou a ansiar pelo perdão do que havia feito em vida. Como forma de arrependimento, ele dedicou todo o seu reino a deidade, em 1750
É importante ressaltar nesse ponto, que Travancore foi um reino que abrangeu grande parte do sul da Índia. Embora tenha deixado de existir em 1947, quando a Índia se tornou independente, os marajás continuaram administrando o templo Padmanabhaswamy, tanto como líderes espirituais quanto como guardiões da riqueza da divindade.

Durante séculos, a gestão da família real em relação ao templo recebeu pouco escrutínio: não havia registros completos ou facilmente acessíveis sobre o que a deidade possuía ou como o marajá usava essa riqueza para manter o templo. Ninguém havia questionado absolutamente nada, ao menos até 2007, quando um advogado chamado Ananda Padmanabhan moveu uma ação judicial contra a administração do templo, em nome de dois devotos. É justamente sobre isso que vocês vão conferir a partir de agora.

Como Tudo Começou: "O Segredo do Templo", um Excelente Artigo Publicado Sobre o Templo Padmanabhaswamy na Revista Norte-Americana "The New Yorker"


Para podermos começar a compreender toda essa história, vou utilizar como base um excelente artigo do escritor Jake Halpern para a revista norte-americana "The New Yorker", que foi publicado no site da referida revista em 30 de abril de 2012. Na época, Jake comentou que ninguém sabia exatamente, o que estava escondido sob o antigo Templo Padmanabhaswamy, em Trivandrum, na Índia. Porém, um advogado chamado Ananda Padmanabhan tinha um pressentimento.

De acordo com uma lenda local, o tesouro havia sido selado nas câmaras do templo, e Padmanabhan, que era apaixonado pela história, sabia que, em séculos passados, os marajás realizavam uma cerimônia em que os príncipes locais, aproximando-se da idade adulta, eram pesados. Então, doavam em ouro, o equivalente aos seus pesos, para o templo. Padmanabhan acreditava que essas riquezas ainda estavam escondidas no templo, sem ninguém tomando conta para ver quem e como a possível fortuna estava sendo utilizada.

Para podermos começar a compreender toda essa história, vou utilizar como base um excelente artigo do escritor Jake Halpern para a revista norte-americana "The New Yorker", que foi publicado no site da referida revista em 30 de abril de 2012
Padmanabhan, na época com 39 anos, tinha passado toda sua vida em Trivandrum, na região sudoeste da Índia, no estado de Kerala. Sua casa e seu escritório de advocacia estavam na histórica rua Brahmin, nos arredores dos portões do templo, que por sua vez possui uma monumental torre de sete andares, cuja fachada de granito pálido é um verdadeiro tapete rochoso, gravado com imagens ornamentadas de deuses, ninfas, espíritos e demônios. No dia do encontro de Jake e Padmanabhan estava acontecendo um festival. Os guardiões do templo removeram um ídolo do "sanctum sanctorum" (local sagrado, um local destinado a veneração), e desfilaram com ele em torno de um pátio. O ídolo é como uma encarnação de "Deus", então é como se o próprio "Deus" estivesse saindo do templo. Padmanabhan, assim como muitos hindus, acreditava que a deidade de um templo - neste caso, o deus supremo Vishnu - morava dentro de suas paredes. Os devotos levavam as mais diversas oferendas: flores, incenso, prata e ouro. Qualquer que fosse a riqueza acumulada pertencia à deidade.

As deidades podem possuir propriedades na Índia, embora a Lei trate as mesmas como se fossem "menores de idade", ou seja, elas precisam ser representadas por um guardião oficial. No Templo Padmanabhaswamy, o Marajá de Travancore desempenha esse papel, que nunca foi questionado. Porém, em 2007, Padmanabhan moveu uma ação judicial contra a administração do templo, em nome de dois devotos. Na época, Padmanabhan e seus clientes argumentaram que o chefe da família real, Uthradom Tirunal Marthanda Varma (ele morreu em dezembro de 2013, aos 91 anos de idade), que possuía 90 anos de idade, não estava administrando o local como deveria, e que o governo deveria nomear um novo administrador para salvaguardar a riqueza da deidade. Embora Varma não fosse oficialmente um marajá, assim como seus ancestrais, ele era reverenciado em Kerala, e muitos de seus seguidores se referiam a ele como um verdadeiro "Rei". Padmanabhan acreditava, que seu processo poderia ser impopular, mas, em pouco tempo, outras pessoas se juntaram a sua causa, incluindo o líder de uma união de funcionários do templo, que acreditava que os tesouros tinham sido retirados do templo, ou seja, saqueados de alguma forma.

Padmanabhan (na foto), na época com 39 anos, tinha passado toda sua vida em Trivandrum, na região sudoeste da Índia, no estado de Kerala. Sua casa e seu escritório de advocacia estavam na histórica rua Brahmin, nos arredores dos portões do templo.
Na época, Padmanabhan e seus clientes argumentaram que o chefe da família real, Uthradom Tirunal Marthanda Varma (ele morreu em dezembro de 2013, aos 91 anos de idade), que possuía 90 anos de idade, não estava administrando o local como deveria, e que o governo deveria nomear um novo administrador para salvaguardar a riqueza da deidade.
Na ação judicial, Padmanabhan alegou que uma série de kallaras (câmaras) existiam sob o templo e estavam sendo saqueadas. De qualquer forma, o templo era muito mal vigiado. Para vocês terem uma ideia, a segurança consistia apenas de homens segurando bastões de madeira. O então diretor-executivo do templo, Sasidharan Nair, negou as acusações de má administração e disse, em uma declaração sob juramento, que "a alegação da existência de tesouros sendo mantidos em algumas câmaras era falsa"; não havia nada debaixo do templo, exceto alguns cômodos vazios "cobertos com teias de aranha e poeira". Segundo Sasidharan Nair, os acusadores estavam espalhando antigos rumores e fofocas sobre o templo.

Padmanabhan apresentou seu escritório ao Jake, e foi questionado sobre a razão pela qual ele tinha tanta certeza, que havia um tesouro escondido em Padmanabhaswamy. Segundo Padmanabhan, tudo estava nos livros. Em passagem escrita em um dos livros mostrados a Jake, podia-se ler que, em 1855, o governo regional estava "enfrentando dificuldades financeiras" e, para cobrir suas despesas, havia tomado uma espécie de "empréstimo" considerável do templo.

O então diretor-executivo do templo, Sasidharan Nair, negou as acusações de má administração e disse, em uma declaração sob juramento, que "a alegação da existência de tesouros sendo mantidos em algumas câmaras era falsa"; não havia nada debaixo do templo, exceto alguns cômodos vazios "cobertos com teias de aranha e poeira". Segundo Sasidharan Nair, os acusadores estavam espalhando antigos rumores e fofocas sobre o templo.
Jake também visitou o historiador T. P. Sankrankutty Nair em sua casa. Na sala de estar havia fotografias em preto e branco dos familiares já falecidos de Nair. Várias fotografias estavam adornadas com flores. Nair, assim como muitos hindus, reverenciam seus ancestrais como se fossem deidades; um dos seus avós, manteve suas posses mais valiosas em uma pequena caixa de madeira, que Nair herdara, mas nunca teve coragem de abrir. Segundo ele, a caixa provavelmente continha alguma riqueza, talvez um diário e até mesmo algumas cartas. Muitas pessoas na Índia possuem caixas como essa. Segundo Nair, algumas vezes essas caixas contêm objetos de valor e, às vezes, nada, mas, devido a crença nos antepassados, ninguém se importava em abri-las. As caixas são mantidas como algo quase divino. Talvez essa fosse a mesma sensação de todos em relação ao templo, ninguém se importava se algo estava sendo ou não roubado, por acreditar que a deidade do templo estivesse protegendo seus tesouros.

Jake mencionou que, nos Estados Unidos, seria inconcebível que uma misteriosa porta fechada fosse deixada em paz. Porém, na Índia, a riqueza armazenada nas câmaras dos templos hindus é vista, principalmente, em um contexto espiritual, não monetário. De acordo com William Harman, um estudioso do Hinduísmo na Universidade do Tennessee, no Estados Unidos, as pessoas fazem negócios com deidades e, se elas recebem o que querem, elas pagam. Assim sendo, qualquer tesouro no interior do Templo Padmanabhaswamy está embebido de promessas e preces religiosas.

Jake disse que leu diversas histórias de Travancore, mas não conseguiu encontrar relatos detalhados sobre a riqueza do templo. Um dos livros mais populares foi escrito por um membro da própria família real, a princesa Aswathi Thirunal Gowri Lakshmi Bayi, e não fazia menção alguma sobre um suposto tesouro, e nem de câmaras subterrâneas. No entanto, ele encontrou um relato tentador, de 1870, da vida em Trivandrum por um missionário britânico chamado Samuel Mateer. Depois de notar, que os europeus foram impedidos, "por um preconceito nativo", de entrar no templo, ele acrescentou: "Conta-se que há um poço profundo dentro do templo, no qual imensas riquezas são lançadas todos os anos e, em um outro lugar, em uma cavidade coberta por uma pedra, existe uma grande lâmpada dourada, acesa há mais de 120 anos, e ainda continua queimando".

Um dos livros mais populares foi escrito por um membro da própria família real, a princesa Aswathi Thirunal Gowri Lakshmi Bayi, e não fazia menção alguma sobre um suposto tesouro, e nem de câmaras subterrâneas. A foto acima foi tirada em 2016.
No entanto, ele encontrou um relato tentador, de 1870, da vida em Trivandrum por um missionário britânico chamado Samuel Mateer. Depois de notar, que os europeus foram impedidos, "por um preconceito nativo", de entrar no templo, ele acrescentou: "Conta-se que há um poço profundo dentro do templo, no qual imensas riquezas são lançadas todos os anos e, em um outro lugar, em uma cavidade coberta por uma pedra, existe uma grande lâmpada dourada, acesa há mais de 120 anos, e ainda continua queimando".
Jake também visitou a central de aquivos de Trivandrum, cujos registros remontam ao ano de 1300. À primeira vista, o lugar parecia um armazém para tapetes de vime. Até um século atrás, os escribas registravam as atividades do templo em longas folhas de palmeira, e os corredores do arquivo estavam alinhados com prateleiras contendo feixes de frondes secas. Um arquivista mostrou-lhe uma folha, que tinha 90 cm de comprimento e 2,5 cm de largura.

Era um documento oficial, de 1750, no qual o Marajá entregou seu reino a deidade. Existiam 10 milhões de folhas semelhantes no arquivo. Segundo o arquivista, um pesquisador cuidadoso, que lesse essas folhas teria uma sensação de riqueza escondida no templo, porém a pesquisa em si seria uma tarefa colossal.

Jake também visitou a central de aquivos de Trivandrum, cujos registros remontam ao ano de 1300. À primeira vista, o lugar parecia um armazém para tapetes de vime. Até um século atrás, os escribas registravam as atividades do templo em longas folhas de palmeira, e os corredores do arquivo estavam alinhados com prateleiras contendo feixes de frondes secas.
R. Chandrankutty, então líder do Congresso Nacional dos Sindicatos da Índia (a ala sindical do Congresso Nacional da Índia), havia dado apoio ao processo movido por Padmanabhan. Em Trivandrum, a organização representava cerca de 50 funcionários do templo, incluindo funcionários, varredores e sacerdotes. Alguns desses membros relataram, que objetos de valor tinham sido roubados do templo, incluindo uma grande flauta de marfim e um anel antigo adornado com nove pedras preciosas. A flauta havia sido tirada de uma área de armazenamento contendo itens cerimoniais, e o anel do dedo do ídolo principal, de dentro do "sanctum sanctorum". Quem roubou o anel, o substituiu por uma réplica barata. Chandrankutty suspeitava, que outros funcionários do templo, com o conhecimento da administração, fossem os culpados.

Chandrankutty disse que, depois de expressar suas preocupações com um assistente do templo, em vão, ele decidiu se juntar ao processo. Porém, essa decisão veio com um preço alto a ser pago: um outro membro do sindicato, um antigo funcionário chamado K. Padmanabha Das quase foi morto por seu envolvimento no caso. Padmanabha Das, que aparentava ter 50 e poucos anos, disse que, quando jovem, trabalhou no templo como percussionista, em uma orquestra de cinco integrantes. O tempo passou, e ele já havia trabalhado no templo ao longo de três décadas. Porém, a partir de 1993, Das começou a perceber, que alguns objetos ocasionalmente desapareciam do templo: pedras preciosas que adornavam o ídolo principal, um recipiente de prata, a flauta de marfim, que por sua vez era bem antiga e feita a partir de uma única presa de elefante, entre outros. Pouco tempo depois, Das soube do processo movido por Padmanabhan, e se juntou a causa. Sua participação era crucial, porque ele era uma testemunha de opinião credível, e que havia trabalhado há décadas no templo

Um antigo funcionário chamado K. Padmanabha Das quase foi morto por seu envolvimento no caso
Das estava trabalhando no templo no dia em que foi atacado. Ele disse que viu vários homens tentando carregar seis grandes lâmpadas cerimoniais em uma van. Os homens disseram-lhe que as lâmpadas estavam indo para o Palácio Pattom, onde Marthanda Varma morava. Das disse, de forma incisiva, que não iria permitir que os homens fizesse aquilo. Mais tarde, naquela noite, quando Das voltava para casa, dois homens o abordaram e o atacaram com ácido. Das demorou meses para se recuperar, e seu corpo ficou repleto de cicatrizes terríveis. A família real negou qualquer envolvimento. O advogado da família disse que Das havia inventado toda essa história, e posteriormente foi demitido do templo por conduta imprópria. Das, por sua vez, disse que ele foi demitido tão somente após deixar claro, que ele não se retiraria do processo.

Com base em sua pesquisa, Padmanabhan acreditava que havia pelo menos seis câmaras debaixo do templo: duas contendo ornamentos usados diariamente pelos sacerdotes, duas contendo ornamentos usados apenas em festivais, e duas que raramente eram abertas. Ele suspeitava que o maior tesouro estava nas últimas duas câmaras, posteriormente chamadas de Câmara "A" e Câmara "B". No entanto, ele temia que todas as câmaras fossem vulneráveis e, quando moveu a ação judicial, em setembro de 2007, ele solicitou uma liminar para restringir a administração do templo, e seus "capangas", de tocar nas câmaras.

Poucos dias depois, Marthanda Varma deu uma entrevista a um jornal local de idioma malayalam, o "Kerala Kaumudi", no qual ele admitiu a existência de uma "câmara secreta" no templo contendo "riqueza acumulada pela família real Travancore ao longo das gerações". O tesouro, segundo ele, cresceu desde 800 d.C, e incluía "preciosos ornamentos de ouro e moedas de vários países". Ele acrescentou que nunca havia visto o tesouro, e que a câmara não havia sido aberta desde 1885. Padmanabhan ficou satisfeito diante da confirmação da existência do tesouro, mas ele ficou alarmado com a sugestão de Varma de que o mesmo pertencia à família real (posteriormente a família de Varma insistiu, que ele foi mal interpretado na ocasião). Conforme Padmanabhan sabia, depois que a Índia se tornou independente, em 1947, a família real de Travancore entregou seu poder ao governo indiano. Em troca, o líder da família na época, o irmão mais velho de Varma, Chithira Thirunal Balarama Varma, foi autorizado a reunir uma certa quantia, basicamente um fundo fiduciário concedido aos ex-príncipes pelo governo indiano.

Conforme Padmanabhan sabia, depois que a Índia se tornou independente, em 1947, a família real de Travancore entregou seu poder ao governo indiano. Em troca, o líder da família na época, o irmão mais velho de Varma, Chithira Thirunal Balarama Varma (representado no monumento acima), foi autorizado a reunir uma certa quantia, basicamente um fundo fiduciário concedido aos ex-príncipes pelo governo indiano.
Ele também foi autorizado a manter seu status como governante de Travancore, permitindo-lhe administrar o Templo Padmanabhaswamy. Então, em 1971, a primeira-ministra Indira Gandhi liderou uma campanha populista, que culminou com a vigésima sexta emenda à Constituição da Índia, que aboliu esse fundo, e despojou a realeza do status de "governante".  Na prática, essa mudança legal significava, que Marthanda Varma não tinha mais controle sobre o templo.

O Tribunal de Justiça de Trivandrum concordou com praticamente todos os aspectos do argumento de Padmanabhan, dizendo: "Este grande templo não deve ser deixado para os caprichos e fantasias de certos indivíduos particulares". O tribunal ordenou ao governo que se apropriasse do templo, e nomeou dois comissários para servir como testemunhas sempre que os funcionários do templo abrissem uma câmara, incluindo aquelas usadas para armazenar os ornamentos dos festivais.

Então, em 1971, a primeira-ministra Indira Gandhi liderou uma campanha populista, que culminou com a vigésima sexta emenda à Constituição da Índia, que aboliu esse fundo, e despojou a realeza do status de "governante".  Na prática, essa mudança legal significava, que Marthanda Varma não tinha mais controle sobre o templo.
No início de uma manhã, em outubro de 2008, quando o templo se preparava para realizar seu maior festival anual, Padmanabhan acompanhou os dois comissários em uma área de armazenamento atrás do "sanctum sanctorum". Confirmando as suspeitas de Padmanabhan, eles encontraram portas para seis câmaras. Eles destravaram as portas, e entraram em duas câmaras, que continham os ornamentos do festival, que mais tarde foram denominadas de Câmara "C" e Câmara "D". No interior das câmaras eles encontraram objetos deslumbrantes, incluindo um arco e flecha de ouro, guarda-chuvas feitos com varetas de ouro, e um trono dourado embutido com centenas de pedras preciosas para a deidade. Provavelmente, os itens valiam milhões de dólares. Era difícil saber se faltava alguma coisa, porque não havia registro detalhado, mas os comissários relataram, entre outras coisas, que alguém havia tirado 44 alças de um guarda-chuva dourado e substituído por alças feitas de um metal inferior. De acordo com os comissários, a equipe do templo mostrou descuido, e que, na época, as medidas de segurança eram inadequadas.

Padmanabhan estava ansioso para abrir as câmaras restantes, mas ele teve que esperar: a família real apelou para a Suprema Corte de Kerala. Os advogados da família real argumentaram, que os antepassados de Varma tinham governado Travancore há mais de mil anos, e que tinham um legado de administrar o templo como líderes espirituais. Durante séculos, um marajá da família tinha conduzido procissões no templo, e escoltado o ídolo enquanto marchava para o mar, duas vezes por ano, para um banho ritualístico. Por costume, o marajá precisava pedir permissão à deidade para sair da cidade. Este relacionamento especial, afirmou a família real, não foi interrompido pela vigésima sexta emenda. Além disso, a realeza não havia sido envolvida em nenhum roubo, Pelo contrário, Varma contribuiu regularmente com dinheiro para compensar os déficits orçamentários do templo.

Padmanabhan estava ansioso para abrir as câmaras restantes, mas ele teve que esperar: a família real apelou para a Suprema Corte de Kerala. Os advogados da família real argumentaram, que os antepassados de Varma tinham governado Travancore há mais de mil anos, e que tinham um legado de administrar o templo como líderes espirituais.
A batalha legal se intensificou quando o tio de Padmanabhan, de 70 anos, T. P. Sundararajan, aderiu ao processo. Ele tentou derrubar o recurso apresentado pela família real por meio de uma petição juntamente a Suprema Corte, que desafiava a reivindicação de Varma em relação a autoridade sobre o templo. Sundararajan, que era extremamente religioso, rapidamente se tornou o rosto público do caso. Ele visitava o templo muitas vezes por dia, começando às 3h30 da manhã, e parecia mais um guru do que um advogado. Ele também já tinha sido considerado um amigo da família real - ele tinha sido um confidente do irmão mais velho de Varma, o marajá anterior. Porém, ele não era próximo de Varma.

Antes de se tornar um advogado, Sundararajan era policial, então agente do Serviço de Inteligência da Índia. Ele também atuou como membro da equipe de segurança encarregada de proteger Indira Gandhi. Sundararajan era considerado uma mente brilhante, mas que o que realmente o diferenciava do restante das pessoas eram seus elevados padrões éticos. Ele disse que entrou em toda essa história, porque "sentiu que as coisas não estavam sendo feitas como deveriam". Depois de deixar o Serviço de Inteligência, Sundararajan tornou-se um professor de direito e também assumiu casos de interesse público. Certa vez, ele ajudou um cliente a reivindicar uma herança, que lhe foi negada porque era uma mulher. Ele também ajudou uma mulher chamada Nalini Netto a vencer um processo de assédio sexual contra um poderoso oficial indiano.

A batalha legal se intensificou quando o tio de Padmanabhan, de 70 anos, T. P. Sundararajan (na foto), aderiu ao processo. Ele tentou derrubar o recurso apresentado pela família real por meio de uma petição juntamente a Suprema Corte, que desafiava a reivindicação de Varma em relação a autoridade sobre o templo
Em janeiro de 2011, os argumentos de Sundararajan se juntaram ao consentimento do Tribunal Superior de Kerala, que confirmou a decisão do Tribunal de Justiça de Trivandrum, dizendo que era "absurdo" chamar o Templo Padmanabhaswamy de um "templo familiar". A família real também não tinha direito de supervisionar a riqueza do templo: "Uma vez que a deidade é um perpétuo menor de idade aos olhos da lei, o tribunal tem jurisdição para protegê-la". O tribunal concluiu: "Nós sentimos que é tempo de tomar medidas regulatórias no Estado para evitar pilhagens de dinheiro público em nome de Deus e da fé".

A família real apelou novamente - desta vez para a Suprema Corte da Índia. Em maio daquele mesmo ano, a Suprema Corte fez um anúncio favorável. Antes de dizer sobre quem administraria o templo, uma equipe de "observadores" examinaria as câmaras restantes, que supostamente continham tesouros. As Câmaras "A" e "B", que supostamente "não teriam sido abertas por mais de um século", seriam abertas, inspecionadas, e posteriormente "trancadas e seladas novamente". A inspeção dessas câmaras ocorreu em 30 de junho de 2011. Sundararajan estava entre os observadores, juntamente com vários arqueólogos e gemólogos. No grupo também estava C. S. Rajan, um ex-juiz de 73 anos, da Suprema Corte de Kerala.

A Suprema Corte impôs uma restrição, uma espécie de sigilo, em relação aos homens que entraram nas câmaras. E, nos dias que se seguiram, nenhum deles falou com a imprensa, incluindo Rajan. Jake resolveu visitar Rajan pessoalmente, visto que ele havia negado falar qualquer coisa por telefone. Rajan concordou em descrever o que ele havia visto. Ele disse que foi o melhor dia de sua vida.

A família real apelou novamente - desta vez para a Suprema Corte da Índia. Em maio daquele mesmo ano, a Suprema Corte fez um anúncio favorável. Antes de dizer sobre quem administraria o templo, uma equipe de "observadores" examinaria as câmaras restantes, que supostamente continham tesouros
Ao entrar no templo, Rajan e os outros se dirigiram para o "sanctum sanctorum", onde o ídolo principal repousa. O ídolo é considerado um deus adormecido, uma das muitas encarnações de Vishnu, e contém 12.008 pedras sagradas, que foram coletadas há séculos do rio Gandaki, no Nepal, e levadas a Trivandrum através de elefantes. Os observadores passaram pelo "sanctum sanctorum" e visitaram uma área de armazenamento adjacente, onde chegaram às seis câmaras, incluindo a "A" e "B", que tinham portas de grades metálicas, aparentando que não tinham sido abertas há muito tempo.
Em um muro de pedra acima da Câmara "A" havia uma imagem em relevo de uma cobra. A princesa Lakshmi Bayi, durante sua passagem pelo templo, costumava dizer que há muitas histórias. que são "transmitidas oralmente" sobre uma raça suprema de cobras, que teriam aparecido, quando o "templo foi ameaçado", oferecendo aos intrusos uma espécie de aviso.  Ela escreveu que as cobras, são consideradas "guardiãs da riqueza moral e material" do templo. A imagem da cobra seria amplamente vista como um mau presságio.

As portas para as Câmaras "A" e "B" exigiam diversas chaves, que tinham sido confiadas a Varma e ao então diretor-executivo do templo, V. K. Harikumar. Os observadores usaram as chaves para abrir a porta de grade metálica da Câmara "B", e descobriram uma porta de madeira bem pesada logo atrás da mesma. Eles também abriram essa porta, e se depararam com uma terceira porta, feita de ferro, que estava emperrada. Então eles resolveram dar atenção a Câmara "A". Mais uma vez, eles destravaram as duas portas externas, uma de madeira e outra de ferro (assim como havia na Câmara "B"). Eles entraram em uma pequena sala com uma enorme placa retangular no chão, como se fosse uma lápide caída. Foram necessários cinco homens e cerca de 30 minutos para mover a tal placa. Abaixo dela, eles encontraram uma passagem estreita e escura, quase grande o suficiente para um adulto passar, que levava a um pequeno lance de degraus. Era praticamente como a "cavidade coberta por uma pedra" descrita pelo missionário britânico. Antes que os observadores descessem, uma equipe de bombeiros chegou e usou equipamentos especiais para bombear oxigênio no ambiente. Ao final de tudo, encontraram eles a câmara.

A inspeção dessas câmaras ocorreu em 30 de junho de 2011. Sundararajan estava entre os observadores, juntamente com vários arqueólogos e gemólogos. No grupo também estava C. S. Rajan (à esquerda), um ex-juiz de 73 anos, da Suprema Corte de Kerala.
Um dos observadores era um advogado de 59 anos, chamado M. Balagovindan, que era o advogado particular de Sundararajan e um amigo de confiança.

"Quando eles tiraram a pedra de granito, estava praticamente escuro, exceto por uma pequena quantidade de luz entrando pela porta atrás de nós. Enquanto olhava para a câmara escura, o que eu vi parecia estrelas brilhando em um céu noturno quando não há lua. Diamantes e pedras preciosas brilhavam, refletindo o pouco de luz que havia. Grande parte da riqueza tinha sido originalmente armazenada em caixas de madeira, mas, com o tempo, as caixas tinham quebrado e virado pó. Assim sendo, as pedras preciosas e o ouro estavam amontoados em pilhas no chão empoeirado. Foi fantástico", disse M. Balagovindan.

De acordo com Rajan, os observadores instruíram os funcionários do templo a transportar tudo que havia na Câmara "A" até o andar de cima, para que os objetos fossem inspecionados. Foram necessários 15 homens durante um dia inteiro de trabalho. Rajan disse que ver o tesouro foi um "momento divino". Havia inúmeros anéis de ouro, braceletes e medalhões, muitos incrustados com pedras preciosas. Também havia correntes de ouro, cada uma cravada com jóias e cerca de 5,5 metros de comprimento, o comprimento do ídolo principal. Rajan disse que os especialistas em moedas estimavam que a câmara possuía cerca de 100 mil moedas de ouro, abrangendo séculos de comércio: romano, napoleônico, mogol, holandês etc. Ele também descreveu ter visto um conjunto de peças de uma armadura de ouro, conhecido como angi, construído para adornar o ídolo principal.

De acordo com Rajan, os observadores instruíram os funcionários do templo a transportar tudo que havia na Câmara "A" até o andar de cima, para que os objetos fossem inspecionados. Foram necessários 15 homens durante um dia inteiro de trabalho. Rajan disse que ver o tesouro foi um "momento divino"
A câmara também continha diamantes, rubis, esmeraldas e outras pedras preciosas. De acordo com Balagovindan, as pedras mais impressionantes eram os grandes diamantes, alguns dos quais tinham centenas quilates, do "tamanho de um grande polegar". Os arqueólogos e gemólogos estimaram que somente um pequeno ídolo de ouro sólido de Vishnu, incrustado com centenas de pedras preciosas, valia cerca de 30 milhões de dólares. Embora Balagovindan tenha se maravilhado com o que viu, seu cliente, Sundararajan, parecia indiferente. Sundararajan não mostrou interesse no ouro, e tinha entrado apenas para ver se havia mais câmaras internas no interior da própria câmara. Sundararajan era um verdadeiro asceta.

Até a publicação do artigo na revista "The New Yorker", ninguém havia calculado formalmente o valor do tesouro encontrado na Câmara "A". Porém, Harikumar, o diretor-executivo do templo, estimou que o mesmo valia, no mínimo, 20 bilhões de dólares. Ananda Bose, ex-diretor do Museu Nacional, em Nova Déli, liderou brevemente uma equipe, que foi encarregada de documentar o tesouro. Bose disse que uma avaliação adequada provavelmente levaria cerca de um ano. Ele havia feito algumas pesquisas sobre outros tesouros famosos, incluindo aqueles encontrados nas pirâmides egípcias, e disse que nenhum deles parecia chegar perto do tesouro do templo. Segundo Ananda Bose, talvez isso acontecesse somente uma vez a cada mil anos.

Ele havia feito algumas pesquisas sobre outros tesouros famosos, incluindo aqueles encontrados nas pirâmides egípcias, e disse que nenhum deles parecia chegar perto do tesouro do templo. Segundo Ananda Bose, talvez isso acontecesse somente uma vez a cada mil anos.
Ninguém sabia exatamente se a Câmara "A" já tinha sido roubada anteriormente. Inicialmente, Harikumar "garantiu", que ninguém havia entrado por mais de um século, mas admitiu que não havia registros sobre isso. Ele disse que não havia nenhum documento mostrando, que a câmara havia sido aberta por tal razão e em tal data. Curiosamente, ao ser questionado sobre como ele poderia ter certeza que nada tinha sido roubado, uma vez que não há nenhum registro nesse sentido, Harikumar disse que não podia responder, e disse apenas "acreditar" que nada tinha sido roubado.

Nos dias que se seguiram a abertura da Câmara "A", o templo estava cercado pela imprensa e por manifestantes - a maioria deles devotos zelosos, que temiam que a riqueza da deidade fosse retirada do templo. Padmanabhan e seu tio, Sundararajan, tornaram-se alvo da ira de populares. Padmanabhan recebeu ameaças de morte; seu escritório foi atacado, e seu carro foi vandalizado. Policiais foram designados para protegê-lo. As multidões se reuniram no lado fora de seu escritório, segurando cartazes que diziam: "Recupere a propriedade perdida e usurpada do tempo, e use-a para as necessidades do templo", e acusando Sundararajan de "saquear a propriedade de Deus". Em um determinado ponto, os manifestantes levaram um búfalo-asiático, símbolo da morte no Hinduísmo - com um cartaz ao redor do pescoço que dizia: "Eu sou Sundararajan".

O advogado da família real Venugopal K. Nair após sair de uma inspeção no Templo Padmanabhaswamy
Nos dias que se seguiram a abertura da Câmara "A", o templo estava cercado pela imprensa e por manifestantes - a maioria deles devotos zelosos, que temiam que a riqueza da deidade fosse retirada do templo. Padmanabhan e seu tio, Sundararajan, tornaram-se alvo da ira de populares.
Sundararajan ficou profundamente abalado. Seu primo, N. Rangachary, disse que Sundararajan não conseguia entender como seus esforços levaram a tanto caos, e a ser evitado e odiado por seu próprio povo. Padmanabhan disse que, aproximadamente duas semanas depois, no dia 16 de julho, Sundararajan foi dormir em estado febril. Inicialmente, ninguém levou isso a sério. Porém, naquela noite, a mãe de Padmanabhan disse-lhe, que seu tio estava gravemente doente. Padmanabhan resolveu ir ao quarto do seu tio, e pouco depois da meia-noite notou que ele estava melhor, mas Sundararajan disse que tinha apenas mais algumas horas de vida. No início daquela manhã, Sundararajan levantou-se, olhou ao redor da sala para seus parentes, sorriu e caiu morto. No dia seguinte, jornais indianos anunciaram sua morte, juntamente com a especulação de que ele havia sucumbido à "maldição da cobra", um verdadeiro absurdo.

Rajan contou ao Jake, que a porta mais interna da Câmara "B", aquela que não tinham conseguido abrir, possuía 3 travas, e uma delas estava emperrada, impedindo que a equipe de observadores abrisse a mesma. Os observadores consideraram forçar a abertura, mas consideraram isso impróprio, uma vez que poderia danificar a porta de uma forma irreparável. Assim sendo, eles decidiram contratar um serralheiro. Então, em meados de julho, antes que o serralheiro chegasse, a família real enviou uma declaração a Suprema Corte pedindo que a Câmara "B", ao menos durante um tempo, não fosse aberta, pois isso poderia "comprometer a integridade espiritual do templo".

Lakshmi Bayi, a princesa que chegou a escrever uma história sobre o templo, estava entre aqueles da família real que achavam que a câmara não devia ser perturbada. Ela mora no Palácio Kowdiar, sua residência em Trivandrum. Em entrevista a Jake, ela não se descreveu como "serva" da deidade, mas sua "escrava".

Lakshmi Bayi, a princesa que chegou a escrever uma história sobre o templo, estava entre aqueles da família real que achavam que a câmara não devia ser perturbada. Ela mora no Palácio Kowdiar (na foto), sua residência em Trivandrum. Em entrevista a Jake, ela não se descreveu como "serva" da deidade, mas sua "escrava".
"Um servo tem o direito de deixar seu mestre. Se eu não gostar de trabalhar com você, eu saio e eu digo adeus, mas um escravo não tem opção de ação independente. Ele está sempre ligado aos pés de seu mestre. Então, preferimos dessa forma", disse Lakshmi Bayi.

Embora ela nunca tivesse colocado os olhos na Câmara "B", teoricamente, é claro, ela acreditava que a câmara estivesse conectada ao "sanctum sanctorum" do templo, por meio de uma "carga espiritual", que emitia vibrações especiais que só poderiam ser sentidas "se você fosse excepcionalmente afortunado". Segundo ela, essa energia não deveria ser perturbada, e a imagem da cobra da Câmara "A" era um aviso claro sobre isso.Jake perguntou o que aconteceria se a energia fosse perturbada. A princesa lhe contou uma história, que ela tinha ouvido sobre um templo indiano que continha o mais raro dos tesouros: um ídolo levitante. A figura do ídolo permanecia suspensa no ar. Era uma "coisa muito maravilhosa", e permaneceu pairando no ar até que os trabalhadores começaram a reformar o templo. De repente, o ídolo caiu. Lakshmi Bayi acreditava que a manipulação da Câmara "B" poderia causar um desastre semelhante. Diversos gurus tinham avisado que a abertura "traria perigo e danos" para a cidade de Trivandrum. Lakshmi Bayi, no entanto, não deu maiores detalhes sobre nada do que mencionou.

"Um servo tem o direito de deixar seu mestre. Se eu não gostar de trabalhar com você, eu saio e eu digo adeus, mas um escravo não tem opção de ação independente. Ele está sempre ligado aos pés de seu mestre. Então, preferimos dessa forma", disse Lakshmi Bayi.
Poucos dias depois, Jake conheceu o chefe da família real, Marthanda Varma, no Palácio Pattom. Ao lado do palácio havia uma garagem ao ar livre contendo carros antigos, incluindo uma Mercedes 180D, de 1955, perfeitamente preservada. Um dos assessores de Varma escoltou-lhe até uma sala, e disse-lhe que não deveria abordar a questão do tesouro com "Vossa Alteza". Eles discutiram sobre finanças, e Varma tentou explicar o que, exatamente, era sua riqueza e o que era da deidade. Ele disse que tinha uma casa, morava nela, mas não lhe pertencia. A casa pertencia a deidade do templo, ou seja, o Palácio Pattom nunca seria vendido. Porém, curiosamente, ele acrescentou que, na vida moderna, algumas vezes, sua intenção pode ser anulada. Ao pedir para que elaborasse melhor sobre essa questão, Varma disse que, "de acordo com as circunstâncias, seja qual for seu desejo ou seus princípios, as coisas podem sair do controle".

Em um determinado ponto, a conversa se voltou a Câmara "B". De forma bem críptica, Varma disse que com certeza havia algo na câmara, mas não o que as pessoas estavam falando. Os relatos de riquezas imensas na câmara seriam apenas histórias fantasiosas (lembrando que a família real já havia alegado, que não havia nenhuma câmara secreta em Padmanabhaswamy). Ironicamente, ele disse que a Câmara "B" deveria permanecer fechada por uma questão uma precaução, porque ver uma riqueza tão grande assim poderia despertar a cobiça as pessoas, e gerar uma onda de depredação (um pouco contraditório para uma câmara que, segundo ele, não haveria absolutamente nada).

Uma vez que os cidadãos de Trivandrum tinham começado a discutir sobre o que fazer em relação a Câmara "B", a família real e os funcionários do templo convidaram um grupo de astrólogos a realizar uma cerimônia de quatro dias, conhecida como "Devaprasnam", para verificar a vontade da deidade. Um dos astrólogos, Padmanabha Sharma, disse que a chave para fazer a cerimônia funcionar era encontrar uma criança, que poderia servir como "instrumento" através do qual a divindade transmitia seus desejos. Nesse caso, a criança era um menino que estava orando no templo, quando os astrólogos cheagram. "Tudo aconteceu como uma questão de destino", explicou Sharma.

Um dos astrólogos, Padmanabha Sharma, disse que a chave para fazer a cerimônia funcionar era encontrar uma criança, que poderia servir como "instrumento" através do qual a divindade transmitia seus desejos.
Sharma e os outros astrólogos se certificaram de que o menino estava limpo e sem camisa, e depois o sentaram na frente de oito objetos: uma lâmpada, um espelho, um pedaço de pano, alguns grãos de arroz, folhas de areca, uma noz de areca, um antiga moeda de ouro, e uma cópia do Bhagavad Gita. Um "pó sagrado" foi pulverizado no chão para criar um quadro astrológico composto de doze caixas: uma para cada uma das estrelas do nascimento hindu. O menino recebeu 108 conchas, e foi pedido para que ele espalhasse no "gráfico", que havia sido montado no chão. Conforme o menino espalhava as conchas, todos ao redor entoavam cânticos.

"Nós pedimos a Deus para mostrar ao menino a mensagem certa", disse Sharma. Todos os aspectos da cerimônia, disse ele, revelaram uma mensagem diferente sobre o que a deidade estava pensando.

"É tudo ciência. É como um médico que diagnostica uma doença a partir de diversos sintomas", completou. Nesse caso, a notícia não era boa. Sharma concluiu que a deidade não estava feliz.

"É tudo ciência. É como um médico que diagnostica uma doença a partir de diversos sintomas", completou. Nesse caso, a notícia não era boa. Sharma concluiu que a deidade não estava feliz.
"É aconselhável que a riqueza encontrada nas câmaras não seja retirada. Estes não são apenas objetos de valor, mas também divinos, e o deslocamento dos mesmos provocará a ira do Lorde. Ele advertiu que abrir as portas para a Câmara 'B' faria mal para as pessoas e para a terra", disse Sharma, em agosto daquele ano, para a imprensa. Aliás, um membro da família real disse a Jake, que a deidade já havia deixado claro o quão estava chateada. A maior prova disso teria sido a morte de Sundararajan.

Diante da realização da cerimônia "Devaprasnam", a Suprema Corte declarou que a Câmara "B" não seria aberta naquele momento, mas que uma decisão seria posteriormente tomada, e que a mesma não seria delegada a outras pessoas. Segundo a Suprema Corte, decisões impraticáveis ​​ou supersticiosas e a segurança não podiam andar de mãos dadas.

Jake também se encontrou com V. S. Achuthanandan, ex-ministro-chefe de Kerala e líder do poderoso Partido Comunista do referido estado. Achuthanandan estava entre os poucos políticos, que haviam acusado publicamente a família real sobre a má administração do templo. Ele chamou o ritual astrológico de um plano "tolo", encenado pela família real, para evitar que a Supremo Corte fizesse um inventário no templo, e implementasse medidas de segurança adequadas. Padmanabhan, o responsável por dar início ao processo, sentiu o mesmo. Em sua visão, o ritual era uma farsa. Jake ainda perguntou se ele ainda esperava que fosse encontrado algum tesouro na Câmara "B", e Padmanabhan o olhou com uma cara de quem havia feito uma pergunta excepcionalmente estúpida. Em seguida, ele recomendou que Jake conversasse com o advogado de seu tio, Balagovindan.

Jake também se encontrou com V. S. Achuthanandan, ex-ministro-chefe de Kerala e líder do poderoso Partido Comunista do referido estado. Achuthanandan estava entre os poucos políticos, que haviam acusado publicamente a família real sobre a má administração do templo.
Ao se encontrar com Balagovindan, o mesmo contou uma história sobre Sundararajan. Segundo Balagovindan, Sundararajan e o Marajá anterior, Sri Chithira Thirunal, haviam compartilhado segredos sobre o templo - incluindo o fato de que, em seus tesouros, havia barras sólidas de ouro. Depois que a Câmara "A" foi aberta, e não foram encontradas as tais barras de ouro, Sundararajan disse a Balagovindan, que elas provavelmente estavam na Câmara "B". Uma vez que o local estava trancado seria um excelente lugar para esconder grandes quantidades de ouro. De qualquer forma, ninguém sabia quantas barras de ouro existiam.

Ainda que a Câmara "B" estivesse vazia, o tesouro da Câmara "A" poderia transformar radicalmente a cidade de Trivandrum e, de fato, o estado de Kerala. Se o tesouro na Câmara "A" valesse metade da estimativa de 20 bilhões de dólares, provavelmente seria dinheiro suficiente para cobrir o custo dos principais projetos listados no orçamento do estado para o ano de 2012, por cerca de um ano, incluindo novas instalações de processamento de resíduos, portos de carga, ambulâncias, escritórios, unidades hospitalares de tratamento intensivo, e um laboratório moderno para monitorar a qualidade dos alimentos e medicamentos. E ainda haveria um excedente de 350 milhões de dólares, que poderia ser usado para ajudar os mais pobres de Kerala.

Durante sua visita a Índia, Jake visitou uma favela em Trivandrum chamada "Chenkal Choola Colony" (ou Chenkalchoola). Na rua havia mulheres idosas rodeadas por montes de lixo, jovens mulheres vendendo peixes cobertos de moscas, e uma criança usando apenas uma peça íntima de roupa, que pulava em uma série de tábuas, para evitar cair em uma poça de lama profunda e viscosa. Ele conheceu o dono de uma barraca de galinha, um homem de 60 anos chamado K. S. Babu. Sua barraca continha uma gaiola de galinhas, uma foto da Virgem Maria, um toco de árvore para massacrar as aves, entre outros objetos. Babu disse que o "bairro" já tinha sido muito pior, antes que Indira Gandhi lançasse programas contra a pobreza, na década de 1980. Segundo Babu, se alguém morresse por lá, ninguém iria remover o corpo. E qualquer pessoa sem uma casa, poderia tomar a casa de outra pessoa e viver normalmente. Assim sendo, na visão de Babu, o governo poderia fazer uma grande diferença na vida das pessoas.

Durante sua visita a Índia, Jake visitou uma favela em Trivandrum chamada "Chenkal Choola Colony". Na rua havia mulheres idosas rodeadas por montes de lixo, jovens mulheres vendendo peixes cobertos de moscas, e uma criança usando apenas uma peça íntima de roupa, que pulava em uma série de tábuas, para evitar cair em uma poça de lama profunda e viscosa
De acordo com Babu, era necessário que o tesouro fosse utilizado para o bem-estar da população.  Apesar de seus sentimentos fortes, ele advertiu Jake para não abordar o tema com outros moradores da colônia. Ele disse que a maioria dos moradores seria muito agressiva, e lhe diria para não remover o tesouro do tempo. Babu alegou ser cristão e socialista, e que não era possível falar abertamente sobre esse assunto com os hindus. Em Kerala, três religiões têm uma forte presença: um quarto de sua população é muçulmana, mais ou menos um quarto é cristã, e o restante é hindu.

Jake pediu para que Babu lhe apresentasse um hindu, que concordasse em ser entrevistado. Babu apresentou o seu próprio filho. O nome do jovem era Ganesh; ele tinha 27 anos, e era um estudante de Artes. Ele explicou que seu pai se converteu ao Cristianismo, mas ele permaneceu hindu. Ganesh
se opôs firmemente a tirar qualquer riqueza do templo, e disse que evitava discutir o assunto com seu pai.

"Como hindu, vejo meu pai e minha mãe como deuses. Nós não elevaremos nossa voz contra eles", disse Ganesh. Ele também contou ao Jake que, todo e qualquer dinheiro que ele conseguia poupar, ele dava a deidade, algo que, às vezes, era tão pouco quanto uma rúpia. Segundo Ganesh, tudo no templo teria sido fruto da devoção das pessoas, ou seja, tudo pertencia a "Deus".

De acordo com Babu, era necessário que o tesouro fosse utilizado para o bem-estar da população.  Apesar de seus sentimentos fortes, ele advertiu Jake para não abordar o tema com outros moradores da colônia. Ele disse que a maioria dos moradores seria muito agressiva, e lhe diria para não remover o tesouro do tempo
Babu alegou ser cristão e socialista, e que não era possível falar abertamente sobre esse assunto com os hindus. Em Kerala, três religiões têm uma forte presença: um quarto de sua população é muçulmana, mais ou menos um quarto é cristã, e o restante é hindu.
Jake chegou a perguntar a Ganesh, se não seria bom que as riquezas de deidade fossem usadas para ajudar as pessoas. Ganesh disse que, considerando essa lógica, então os objetos valiosos também deviam ser removidos de igrejas e mesquitas. Além disso, ele insistiu em dizer o dinheiro não "chegaria nas mãos certas". De acordo com o jovem, existiam diversos fundos para a melhoria da colônia, que são geridos por funcionários do governo, mas esses fundos não são usados corretamente. Até mesmo o sistema de drenagem na colônia não tinha sido devidamente construído. Quando houve o tsunami, houve um fundo para os afetados, mas ainda assim o mesmo não foi bem utilizado. Muitos indianos compartilhavam as frustrações de Ganesh. Em 2011, o ex-ministro das telecomunicações da Índia foi preso por acusações de corrupção, num escândalo que, na época, podia custar cerca de 40 bilhões de dólares dos contribuintes indianos

"Se o governo se apoderar da riqueza do templo, eles vão saqueá-lo", concluiu Ganesh.

Um grupo de homens hindus estava parado em uma rua enlameada, conversando amigavelmente. Eles foram inflexíveis, e disseram que nenhum tesouro deveria ser removido do templo. Um vendedor de comida de rua chamado Suresh falou com Jake em sua casa, uma humilde habitação de concreto, que ele havia decorado com uma pequena estátua de Buda e fotos de seus heróis: Jesus, Madre Teresa, Vishnu e o Arnold Schwarzenegger. Ele disse que não confiava no governo para lidar com a riqueza do templo. Então, Jake lhe perguntou, se ele tinha mais fé na família real. "Sim", ele respondeu.

"Eles não eram como os funcionários do governo, que são corruptos. Eles foram visionários e preservaram esta riqueza para as gerações futuras, assim como os pais que estão preservando para seus filhos", disse Suresh.

Um grupo de homens hindus estava parado em uma rua enlameada, conversando amigavelmente. Eles foram inflexíveis, e disseram que nenhum tesouro deveria ser removido do templo. Um vendedor de comida de rua chamado Suresh falou com Jake em sua casa, uma humilde habitação de concreto, que ele havia decorado com uma pequena estátua de Buda e fotos de seus heróis: Jesus, Madre Teresa, Vishnu e o Arnold Schwarzenegger.
Aliás, há muitas pessoas que, assim como Suresh, sentem que a família real fez um excelente trabalho de proteger o tesouro da deidade - e a prova teria sido a grande quantidade de tesouros encontrados na Câmara "A". Jake também perguntou a Suresh, se os moradores de Kerala estavam melhores, quando eles eram governados por marajás.

"A administração durante o governo do Rei era muito melhor", disse Suresh.

Era surpreendente que, em um lugar com uma pobreza desenfreada, não havia uma maior demanda para nacionalizar o tesouro. Na verdade, em muitos cruzamentos em Trivandrum, havia cartazes de Lenin, Marx e Stalin. Quando Jake se encontrou com Achuthanandan, líder do Partido Comunista, ele afirmou que grande parte da riqueza doada pelo marajá ao templo, em 1750, era, na verdade, receita fiscal que ele havia coletado de outros governantes. Era, em essência, o dinheiro do povo. Este argumento, no entanto, estava provando ser algo bem difícil de ser aceito em Kerala. Vários ativistas comunistas disseram que, se eles continuassem pressionando para que o tesouro do templo fosse distribuído ao público, eles acabariam afastando seus eleitores hindus.

"Nós devemos ficar unidos", disse um ativista. Jake perguntou o que ele pensava, que Marx e Lenin teriam feito sobre o caso. O ativista, girando sua cadeira, respondeu: "Quando eles reencarnarem, perguntaremos a eles".

"Nós devemos ficar unidos", disse um ativista. Jake perguntou o que ele pensava, que Marx e Lenin teriam feito sobre o caso. O ativista, girando sua cadeira, respondeu: "Quando eles reencarnarem, perguntaremos a eles".
A descoberta do tesouro no Templo Padmanabhaswamy provocou caças ao tesouro em toda a Índia. Em novembro de 2011, a imprensa indiana informou que o templo Chandrasekhara Swamy, perto de Chennai, também tinha uma câmara secreta, que poderia conter enormes riquezas. No estado de Tamil Nadu, os pesquisadores estavam fazendo uma campanha para abrir as câmaras de dois templos antigos. Um dos pesquisadores, Kudavayil Balasubramaniyam, disse que, talvez, o tesouro fosse tão grande quanto o do Templo Padmanabhaswamy.

Após toda a confusão em relação ao Templo Padmanabhaswamy, o mesmo passou a ser protegido por detectores de metal, câmaras de segurança e mais de 200 guardas, alguns dos quais equipados com metralhadoras. Mesmo assim, o local não possui uma característica de segurança importante que já teve no passado: obscuridade, ou seja, pouca relevância. Longas filas se formavam fora do templo todos os dias, e os devotos e os peregrinos precisavam passar por pontos de controle de segurança. De acordo com Sanal Kumar, ex-chefe de segurança, muitos devotos culpam Sundararajan e seus aliados por esses inconvenientes. Padmanabhan, por sua vez, lamenta: "Ninguém pensa, que eu tinha apenas interesse em proteger o tesouro".

Após toda a confusão em relação ao Templo Padmanabhaswamy, o mesmo passou a ser protegido por detectores de metal, câmaras de segurança e mais de 200 guardas, alguns dos quais equipados com metralhadoras.
No início de 2012, Jake visitou Padmanabhan em sua casa, onde viveu desde que nasceu com seus pais e, até pouco tempo atrás, com seu tio. Ele lhe mostrou o quarto de seu tio. Havia uma mesa com algumas cartas, prateleiras cheias de livros de direito e uma armação de cama de madeira. Sundararajan, sempre abstêmio, recusara o conforto de um colchão. O quarto não havia sido tocado desde a sua morte. A conversa foi interrompida pela chegada do pai de Padmanabhan, de 75 anos, T. P. Krishnan, que era o irmão mais velho de Sundararajan. Krishnan está chegando do templo. Padmanabhan contou ao Jake, que seu pai estava devastado pela morte de Sundararajan, e estava com uma saúde tão debilitada, que mal conseguia andar sozinho. Padmanabhan acreditava, que o estresse do caso e a repercussão pública negativa por parte dos hindus tinham contribuído para a morte súbita de seu tio.

"A morte é inevitável. Porém, quando o perdi foi além do que as palavras podem dizer. Às vezes, eu me sinto totalmente desprezível", disse Padmanabhan com lágrimas nos olhos. Ao ser perguntando sobre a razão pela qual ele sentia isso, Padmanabhan foi enfático: "Porque fui a pessoa que colocou este templo no mapa e iniciou tudo isso".

"A morte é inevitável. Porém, quando o perdi foi além do que as palavras podem dizer. Às vezes, eu me sinto totalmente desprezível", disse Padmanabhan com lágrimas nos olhos. Ao ser perguntando sobre a razão pela qual ele sentia isso, Padmanabhan foi enfático: "Porque fui a pessoa que colocou este templo no mapa e iniciou tudo isso".
Padmanabhan planejava voltar a Nova Déli, ainda naquele ano, para comparecer perante a Suprema Corte, onde ele esperava resolver o assunto da administração do templo e forçar uma decisão sobre a Câmara "B". Enquanto isso, não havia nada a ser feito, além de esperar. Após visitar Padmanabhan, Jake se recostou na porta de sua casa, e ficou olhando para o templo, observando peregrinos, muitos deles magros e descalços, caminhando pela rua em direção à magnífica torre de pedra. Jake também se sentiu atraído pelo templo, porém mesmo que houvesse muita história para ser contada, até hoje o templo está aberto apenas aos adeptos do Hinduísmo.

Interessante, não é mesmo? Agora que vocês já sabem como essa história começou e alguns dos seus desdobramentos, nada melhor do que contar a vocês o que aconteceu posteriormente. É justamente isso que vocês conferem a partir de agora.

Um Tesouro de Um Trilhão de Dólares? A Lentidão no Processo de Documentar Todos os Itens do Templo Padmanabhaswamy


O artigo de Jake Halpern é uma leitura fundamental e imprescindível para compreender a situação das câmaras do Templo Padmanabhaswamy. Conforme podemos ver, até aquela época, existiam seis câmaras denominadas de "A","B","C","D","E" e "F". As câmaras "C", "D", "E", e "F" são abertas regularmente, uma vez que guardam os itens utilizados habitualmente no templo ("E" e "F") ou então objetos usados esporadicamente durante os festivais realizados pelo mesmo ("C" e "D"), ou seja, não há nenhum mistério sobre essas câmaras. Já a Câmara "B" era para ter sido aberta em 2011, porém, infelizmente o serralheiro não chegou antes que a Suprema Corte da Índia resolvesse acalmar os ânimos, que estavam bem inflamados naquele momento.

Daqui a pouco irei comentar melhor sobre essa câmara, mas é possível notar claramente, que a história sobre uma maldição ou que a abertura da mesma causará o fim do mundo não passa de uma cortina de fumaça para evitar que todos saibam da provável e grande quantidade de ouro e riqueza material armazenada na Câmara "B".

A Câmara "B" era para ter sido aberta em 2011, porém, infelizmente o serralheiro não chegou antes que a Suprema Corte da Índia resolvesse acalmar os ânimos, que estavam bem inflamados naquele momento.
Em outubro de 2012, um relatório independente, proveniente de um "Amicus Curiae" (uma expressão em Latim utilizada para designar uma instituição independente, que tem por finalidade fornecer subsídios às decisões dos tribunais, oferecendo-lhes melhor base para questões relevantes e de grande impacto) foi divulgado publicamente pelo jornal indiano "The Hindu". Não é mais possível fazer o download diretamente do domínio virtual do mesmo, mas é possível encontrá-lo usando o serviço "Wayback Machine". O documento possui cerca 94 páginas, ou seja, seria inviável traduzi-lo na íntegra para vocês, porém é interessante destacar alguns detalhes.

Em outubro de 2012, um relatório independente, proveniente de um "Amicus Curiae" (uma expressão em Latim utilizada para designar uma instituição independente, que tem por finalidade fornecer subsídios às decisões dos tribunais, oferecendo-lhes melhor base para questões relevantes e de grande impacto) foi divulgado publicamente pelo jornal indiano "The Hindu"
O relatório apontou, que não foram encontradas evidências de que a família real estivesse expropriando os próprios tesouros, e que o processo de inventariar tudo o que havia nas câmaras "A","C","D","E" e "F" levaria mais tempo do que se imaginava. Além disso, os resultados do inventário não deveriam ser divulgados publicamente até a conclusão de todo o processo por ordem da Supremo Corte da Índia. Isso, é claro, não impediu, que diversos veículos de imprensa indianos começassem a divulgar a suposta lista dos itens encontrados na Câmara "A" (diante do vazamento de algumas informações ao longo do tempo). Eis uma "pequena" lista, porém altamente especulativa, sobre o que poderia haver na Câmara "A", que foi divulgado:
  • Um ídolo sólido e dourado sólido de Mahavishnu, com 1,2 m de altura e 1 m de largura, repleto de diamantes e outras pedras preciosas;
  • Um trono sólido de ouro puro, repleto de centenas de diamantes e pedras preciosas, destinado ao ídolo de 5,5 m da deidade;
  • Um vestuário cerimonial para adornar a deidade sob a forma de uma armadura de ouro, contendo 16 partes de ouro puro, e pensando quase 30 quilos;
  • Uma corrente de ouro puro com cerca de 5,5 metros de comprimento, além de diversas outras correntes de ouro;
  • Um feixe de ouro puro pesando 500 quilos;
  • Um véu dourado de 36 quilos;
  • Cerca de 1.200 correntes "Sarappalli", em ouro puro, incrustadas com pedras preciosas, e pensando entre 3,5 e 10,5 kg;
  • Diversos sacos repletos de artefatos dourados, colares, diademas, diamantes, rubis, safiras, esmeraldas, pedras preciosas e outros objetos feitos de outros metais preciosos;
  • Cascas de coco de ouro cravadas com rubis e esmeraldas;
  • Diversas moedas da Era Napoleônica, do século XVIII;
  • Centenas de milhares de moedas de ouro do Império Romano;
  • Um certa quantidade de moedas de ouro pensando 800 quilos, e datadas de 200 a.C;
  • Pelo menos três ou mais coroas de ouro sólido, e todas repletas de diamantes e outras pedras preciosas;
  • Centenas de cadeiras de ouro puro;
  • Milhares de potes de ouro;
  • Um local contendo 600 quilos de moedas de ouro provenientes do período medieval.
    Vale mais uma vez ressaltar que essa lista é altamente especulativa, ou seja, ninguém sabe oficialmente a quantidade de tesouros existentes na Câmara "A". Tudo o que temos é baseado em relatos, não há nada oficial até o presente momento.

    Vale mais uma vez ressaltar que essa lista é altamente especulativa, ou seja, ninguém sabe oficialmente a quantidade de tesouros existentes na Câmara "A". Tudo o que temos é baseado em relatos, não há nada oficial até o presente momento. A imagem acima é meramente ilustrativa.
    Para vocês terem uma ideia de como essa é uma operação muito complicada, em 2013, o jornal "The Hindu" publicou que a avaliação e o registro das joias encontrada no Templo Padmanabhaswamy estava consumindo mais tempo do que todos inicialmente acreditavam. Com medo de que isso pudesse atrasar a conclusão do inventário (que até hoje não foi feito, diga-se de passagem), um comitê de especialistas planejava buscar a ajuda da "National Geographic Society" (NGS), uma instituição sem fins lucrativos conhecida por sua revista e programas de televisão em Arqueologia e Meio Ambiente, para acelerar o processo.

    Em maio daquele ano, perante o sétimo relatório sobre o andamento do inventário, o comitê responsável por investigar os objetos, que continham pedras preciosas, admitiu que só conseguia documentar 3 ou 4 objetos por dia. Dos 105 mil itens documentados até aquele momento, cerca de 500 estavam incrustados com pedras preciosas. Exceto alguns, todos tinham um mínimo de 100 pedras preciosas. Um único medalhão tinha cerca de 997 pedras preciosas. Somando todos os 500 itens, os mesmos possuíam cerca de 60.000 pedras preciosas.

    O procedimento para analisar as pedras preciosas demorava tempo e, a menos que o comitê identificasse novas tecnologias para avaliar os artigos encontrados, não poderia completar o inventário dentro do prazo estabelecido pelo tribunal. Foi decidido estudar os procedimentos usados nos Estados Unidos, França e Inglaterra e atualizar os métodos adotados no templo. O comitê também decidiu estender um convite especial à NGS para demonstrar a tecnologia que a mesma utilizava para estudar artefatos. Aliás, para vocês terem uma dimensão da situação, daqueles 105 mil itens catalogados, cerca de 103 mil estavam na Câmara "A".

    Com medo de que isso pudesse atrasar a conclusão do inventário (que até hoje não foi feito, diga-se de passagem), um comitê de especialistas planejava buscar a ajuda da "National Geographic Society" (NGS), uma instituição sem fins lucrativos conhecida por sua revista e programas de televisão em Arqueologia e Meio Ambiente, para acelerar o processo.
    Diante de tanto dinheiro, o historiador T.P. Sankarankutty Nair extrapolou o valor dos tesouros, que poderiam estar contidos na Câmara "B", embora a mesma, teoricamente, não teria sido aberta até hoje. Ele disse que essa câmara era a maior e mais valiosa do templo e seu valor poderia chegar a 50 trilhões de rúpias, ou seja, quase US$ 1 trilhão (dependendo da cotação da época que você ler esta matéria, é claro).

    Conseguem entender claramente qual é a verdadeira razão para família real não querer, que ninguém veja o que existe dentro da Câmara "B"? O motivo é claramente financeiro. De qualquer forma, vou abordar rapidamente como essa história de uma porta, que não poderia ser aberta por nada ou que libertaria o Mal no mundo surgiu. Além disso, a foto comumente atribuída a tal porta, que circula amplamente pela internet, é falsa!

    Como Essa História Sobre uma Porta que Não Poderia Ser Aberta por Nada ou que se Aberta Resultaria em Catástrofes na Índia e no Mundo Surgiu?


    Toda essa história sobre uma porta amaldiçoada ou algo do gênero começou a ganhar força a partir de um artigo no site do jornal "The Hindu", em 7 de julho de 2011, poucos dias após a abertura da Câmara "A". Vamos conferir primeiramente o que foi escrito, e posteriormente comento a realidade sobre o material, combinado?

    Bem, naquela época foi mencionado que, 79 anos antes, muito antes da então recente descoberta de "tesouros fenomenais" no Templo Padmanabhaswamy, ao menos uma das câmaras teria sido aberta, e um inventário dos preciosos itens também teria sido feito. Um correspondente do jornal "The Hindu", que não teve seu nome mencionado, mas que teria testemunhado o que aconteceu, teria escrito um relato descrevendo o que viu e os objetos em seu interior.

    Toda essa história sobre uma porta amaldiçoada ou algo do gênero começou a ganhar força a partir de um artigo no site do jornal "The Hindu", em 7 de julho de 2011, poucos dias após a abertura da Câmara "A".
    Em um domingo, 6 de dezembro de 1931, por volta das 10h da manhã, em um momento propício escolhido pelos funcionários do templo, uma das câmaras teria sido aberta. Seguindo ritos religiosos especiais, "a chave foi introduzida nas fechaduras velhas e enferrujadas". O Marajá Chithira Thirunal Balarama Varma havia comparecido pessoalmente. Uma ambulância foi mantida no lado de fora para atender a qualquer eventual emergência. As fechaduras não queriam ceder, e as portas teriam sido abertas após uma luta de duas horas e meia.

    Lâmpadas elétricas e tochas teriam sido utilizadas para iluminar o espaço interno e ventiladores elétricos foram ligados para bombear ar para dentro e para fora do "porão". As autoridades do templo encontraram quatro baús de bronze, que continham moedas antigas. Bem próximo havia uma espécie de depósito, ou algo assim, repleto de moedas de ouro e prata. Logo acima, havia diversos potes de ouro. Havia um baú de madeira fixado no chão e havia seis câmaras. No baú havia joias com diamantes, rubis, esmeraldas e outras pedras preciosas. Além disso, havia mais de 300 potes de ouro e quatro baús. Os oficiais que entraram no primeiro "porão" descobriram que havia outro atrás do mesmo. Acreditava-se, diante do relato do correspondente do "The Hindu", que no total havia quatro "porões": Mahabarathakonathu kallara, Sree Pandarathu kallara, Vedavyanakonathu kallara e Sarswathikonathu kallara.

    Em um domingo, 6 de dezembro de 1931, por volta das 10h da manhã, em um momento propício escolhido pelos funcionários do templo, uma das câmaras teria sido aberta (a imagem acima não acompanha a publicação do "The Hindu".
    O Marajá Chithira Thirunal Balarama Varma havia comparecido pessoalmente. Uma ambulância foi mantida no lado de fora para atender a qualquer eventual emergência. As fechaduras não queriam ceder, e as portas teriam sido abertas após uma luta de duas horas e meia (a imagem acima acompanha a publicação do "The Hindu")
    Por volta das 15h30, a operação teria sido interrompida, e o "porão" selado. Os quatro baús foram levados para Chellavagai para "contagem e avaliação". Não ficou claro a partir do relato, se algum dos "porões" restantes foi aberto nos dias posteriores a essa operação. Os motivos da abertura também não teriam sido revelados. Vale ressaltar que o texto usou a palavra "porão", mas muito provavelmente está se referindo a uma câmara do templo.

    No entanto, Emily Gilchrist Hatch, que estava em Trivandrum, em 1933, ofereceu uma explicação em seu livro, "Travancore: A guide book for the visitor" (Oxford University Press, 1933). Ela não apenas relembrou a abertura no ano de 1931, da tal câmara, mas também mencionou uma tentativa semelhante, porém mal sucedida, em 1908. A Sra. Hatch, que no prefácio de seu livro agradeceu o governo de Travancore por toda a "ajuda e consulta" que lhe foi concedida, registrou que o templo tinha uma grande quantidade de riquezas guardadas em "câmaras".

    "Cerca de 25 anos atrás, quando o Estado precisava de um dinheiro extra, considerado conveniente abrir essas baús, e usar a riqueza que eles continham... Um grupo de pessoas se reuniu e tentou entrar nas câmaras com a ajuda de tochas. Quando eles descobriram que elas estavam 'infestadas de cobras', eles 'saíram correndo' temendo por suas vidas", teria dito Emily Gilchrist Hatch. Contudo, em 1931, as autoridades do templo estavam melhor preparadas com "luzes elétricas e sistema de ventilação".

    No entanto, Emily Gilchrist Hatch, que estava em Trivandrum, em 1933, ofereceu uma explicação em seu livro, "Travancore: A guide book for the visitor" (Oxford University Press, 1933). Ela não apenas relembrou a abertura no ano de 1931, da tal câmara, mas também mencionou uma tentativa semelhante, porém mal sucedida, em 1908.
    De acordo com o "The Hindu", a década de 1930 foi um período difícil. O estado monárquico de Travancore, assim como o restante da Índia, enfrentava uma depressão econômica. As receitas caíram e os preços dos produtos agrícolas também caíram. Porém, em 1932, as autoridades de Travancore não chegaram a mencionar, que nenhum tesouro havia sido retirado do templo ou muito menos utilizado para quaisquer finalidades. O "The Hindu" também mencionou, que era um mistério a forma pela qual tantas riquezas teriam sido protegidas das mãos de saqueadores ao longo do tempo.

    Entretanto, é importante fazer algumas observações. O "The Hindu", em nenhum momento, mostrou os manuscritos originais do tal correspondente, não citou seu nome e não apresentou nenhum material publicado, que estivesse preservado em seu arquivo. Apenas publicou um relato de alguém, ou seja, evidências anedóticas, que não fazemos a menor ideia de quem seja. O jornal pode ter simplesmente criado a história, uma vez que foi o único local que publicou tal conteúdo que, na época, todos queriam saber por alguma informação adicional.

    Por falar nisso, também não sabemos exatamente, quem foi Emily Gilchrist Hatch. O máximo que encontrei sobre ela é que Emily nasceu em 1897, e teria sido uma estudante de Indologia nos Estados Unidos. Ela teria frequentado a Universidade de Cornell, em Nova York. Posteriormente, ela teria se casado com um agricultor, e se mudado para a Índia juntamente com o marido para ajudar no desenvolvimento rural, principalmente entre os dalits. Acredita-se que eles estiveram na Índia por mais de 20 anos, e em 1942 eles teriam se mudado para o México, em seguida para a Costa Rica e o Sri Lanka. Além disso, não existe mais nada sobre ela, nem mesmo quando e onde teria morrido.

    Por falar nisso, também não sabemos exatamente, quem foi Emily Gilchrist Hatch. O máximo que encontrei sobre ela é que Emily nasceu em 1897, e teria sido uma estudante de Indologia nos Estados Unidos. Ela teria frequentado a Universidade de Cornell, em Nova York
    Infelizmente, não encontrei nenhuma cópia disponível gratuitamente do livro "Travancore: A guide book for the visitor". Seria interessante saber se ela realmente escreveu sobre isso da maneira que foi publicada pelo "The Hindu"; se isso teria sido escrito em algum outro lugar (documento ou livro) ou se ela apenas ouviu falar e resolveu adicionar um material folclórico ao seu guia de viagens de 270 páginas. Uma busca por palavra-chave no Google Books também não ajudou a encontrar maiores informações sobre isso.

    De maneira totalmente imprudente, diversos sites começaram a alegar, que as cobras citadas por Emily fariam parte de uma eventual maldição da Câmara "B" ou algo assim. Em primeiro lugar, sequer sabemos qual teria sido a câmara aberta em 1908 e, em segundo lugar, cobras dificilmente permaneceriam vivas por tanto tempo sem alimento, oxigênio, entre outros fatores limitantes. Exceto, é claro, que alguém tivesse conhecimento antecipado de uma eventual abertura de uma ou mais câmaras, tivesse aberto as câmaras alguns dias antes, colocado as cobras, e então esperado para ver a reação das pessoas. Tudo isso para alimentar a crença em uma suposta maldição, e evitar que pessoas tentassem roubar o ouro do templo.

    Posteriormente, começaram a surgir na mídia, algumas histórias de que somente um poderoso "Sadhu" (termo comum para designar um místico, um asceta, um praticante de ioga ou um monge andarilho) ou um "Yogi" (um praticante de ioga) entoando um mantra igualmente poderoso (Garuda Mantra) poderia abrir a porta da Câmara "B" sem que nenhuma catástrofe acontecesse ao templo, a Índia ou ao mundo. Aliás, ao entoar o cântico a porta seria aberta "automaticamente". Porém, isso não passa de mais uma lenda inventada ao longo do tempo. Isso porque, além da Câmara "B" ter quase sido aberta (só não foi devido a uma ordem da Justiça), existe uma forte suspeita que a mesma já tenha sido aberta diversas vezes no passado recente (daqui a pouco comentarei sobre isso). Para completar, nem mesmo a família real comentou sobre essa história de mantras, conforme pudemos acompanhar no artigo escrito por Jake Halpern.

    A Verdadeira Origem da Foto, que Divulgam como Sendo do Portão da Câmara "B"


    Chegou a hora de mostrar para vocês a realidade sobre a suposta "foto" do tal portão amaldiçoado da Câmara "B". Vocês lembram que eu disse, que vivemos uma época sombria, onde geralmente as pessoas não fazem questão de pesquisar muito para elaborar um bom material para seu leitor ou seu seguidor? O mesmo se aplica ao Templo Padmanabhaswamy.

    Provavelmente, vocês já devem ter visto essa imagem abaixo como sendo atribuída ao suposto portão amaldiçoado da Câmara "B", não é mesmo? Nove em cada dez matérias ou vídeos sobre esse assunto na internet destacam essa imagem.

    Provavelmente, vocês já devem ter visto essa imagem acima como sendo atribuída ao suposto portão amaldiçoado da Câmara "B", não é mesmo? Nove em cada dez matérias ou vídeos sobre esse assunto na internet destacam essa imagem.
    Na mesma podemos ver serpentes enroladas em pilares, uma face aparentemente demoníaca, serpentes, dragões e uma série de outros elementos. Soa um pouco sinistra e assustadora, não concordam? Porém essa porta não pertence ao Templo Padmanabhaswamy e, para piorar, ela não existe em lugar do mundo, exceto o virtual. O portão, na verdade é uma criação artística de um brasileiro chamado "Mario Russo", e chama-se "Gates of Hell" ("Portões do Inferno", em português). Ele utilizou os programas 3ds Max e o Photoshop para criar todos os detalhes do portão.

    Mario Russo publicou, aquilo que ele chamou de "segunda versão" da imagem, no dia 11 de novembro de 2004, no fórum "CGSociety", muito antes do processo ser movido por Ananda Padmanabhan, em 2007, e ainda mais distante da abertura da Câmara "A", e toda a polêmica sobre a Câmara "B", que começou a partir de 2011. Aliás, na época de sua publicação (2004), Mario alegou que criou a imagem para participar da 38ª edição de um concurso chamado "3DLuVr", no qual ele ficou em terceiro lugar. Ele também publicou a imagem em alta resolução no PhotoBucket.

    Mario Russo publicou, aquilo que ele chamou de "segunda versão" da imagem, no dia 11 de novembro de 2004, no fórum "CGSociety", muito antes do processo ser movido por Ananda Padmanabhan, em 2007, e ainda mais distante da abertura da Câmara "A", e toda a polêmica sobre a Câmara "B", que começou a partir de 2011.
    Aliás, na época de sua publicação (2004), Mario alegou que criou a imagem para participar da 38ª edição de um concurso chamado "3DLuVr", no qual ele ficou em terceiro lugar. Ele também publicou a imagem em alta resolução no PhotoBucket.
    O criador da imagem também publicou seu trabalho no site "3Dtotal", em dezembro de 2009, onde mostrou os primeiros rascunhos, e revelou sua principal inspiração (ou referência) para a criação do portão: uma escultura chamada "Portões do Inferno" de Auguste Rodin.

    O criador da imagem também publicou seu trabalho no site "3Dtotal", em dezembro de 2009, onde mostrou os primeiros rascunhos, e revelou sua principal inspiração (ou referência) para a criação do portão: uma escultura chamada "Portões do Inferno" de Auguste Rodin.
    Mario também mostrou como foram todas as etapas de criação do seu portão (making of), assim como a modelagem, a texturização, etc. Não acredito que ele tenha disseminado a imagem como sendo o suposto portão amaldiçoado da Câmara "B", porém muito provavelmente alguém pegou a imagem e começou a disseminá-la dessa forma.

    Mario também mostrou como foram todas as etapas de criação do seu portão (making of),
    assim como a modelagem, a texturização, etc
    Não acredito que ele tenha disseminado a imagem como sendo o suposto portão amaldiçoado da Câmara "B", porém muito provavelmente alguém pegou a imagem e começou a disseminá-la dessa forma.
    Etapa de texturização dos "Portões do Inferno" de Mario Russo
    Caso esteja se perguntando, não encontrei nenhuma foto verdadeira dos portões das câmaras ou do interior das mesmas disponível na internet até o presente momento. Enfim, de qualquer forma, sempre desconfie de quem divulga essa imagem do "portão da Câmara B" como sendo verdadeira, pois é um sinal claro que a pessoa não pesquisou seriamente sobre o assunto. Aliás, eu coloquei essa imagem na capa desta matéria tão somente para atrair a atenção de vocês, porque sabia que muitos reconheceriam, ainda que erroneamente (devido a má qualidade das matérias ou vídeos divulgados sobre o templo), essa mesma imagem.

    A Câmara "B" Já Teria Sido Aberta por Diversas Vezes no Passado Recente? Novas Câmaras Secretas Foram Encontradas no Templo Padmanabhaswamy!


    Toda essa situação sobre o Templo Padmanabhaswamy ganharia um novo fôlego, em 15 de abril 2014, quando um advogado chamado Gopal Subramanium apresentou um novo relatório independente (amicus curiae) de 577 páginas para a Suprema Corte da Índia. No documento ele destacava várias irregularidades graves na gestão do templo e sua riqueza. Naquele dia, houve uma verdadeira troca de farpas entre Venugopal K. Nair, advogado da família real, e Gopal Subramanium. Na visão de Venugopal K. Nair, o relatório era inaceitável. Aliás, ele até mesmo questionou a inclinação religiosa de Gopal Subramanium, porém é muito importante ressaltar, que o relatório havia sido elaborado a partir de uma solicitação de Vinod Rai, ex-Controlador e Auditor-Geral da Índia, ou seja, não era um ato unilateral de Subramanium.

    Subramaniam leu a parte do relatório preparado por ele após 35 dias de inspeção do templo, e disse que o Comitê de Conservação criado pela Suprema Corte não estava realizando reuniões regulares e aqueles associados à administração do templo estavam trabalhando com medo. Ele disse que grandes quantidades de ouro e prata doadas por devotos nunca foram relatadas pelos administradores do templo, e que também nunca foram contabilizadas ou auditadas ao longo de 30 anos. Aliás, por cerca de 10 anos, o templo sequer apresentou uma declaração de rendimentos, apesar de possuir isenção fiscal. 

    Subramaniam leu a parte do relatório preparado por ele após 35 dias de inspeção do templo, e disse que o Comitê de Conservação criado pela Suprema Corte não estava realizando reuniões regulares e aqueles associados à administração do templo estavam trabalhando com medo
    Além disso, uma máquina de folhear ouro, que estava escondida, foi encontrada, tornando obrigatório que houvesse alguém, de forma independente, que monitorasse a auditoria em relação ao ouro e a prata. Subramaniam disse que, durante cerca de um mês, entre fevereiro e março de 2014, cerca de 10.290.000 rúpias (cerca de US$ 160.000) tinha sido doadas pelo devotos, dinheiro esse não contabilizado. Ele também disse. que havia discrepâncias no número de contas bancárias informadas pela administração do templo. Enquanto os administradores alegavam apenas 14 contas bancárias em 5 bancos, na verdade, existiam 34 contas bancárias em 17 bancos.

    Como se tudo isso não bastasse, Subramaniam disse que o estado de conservação do templo era patético, e que ídolos quebrados, que pesavam cerca de dois quilos, foram encontrados jogados em sacos plásticos comuns. Ele questionou como alguém podia manter um templo tão sujo, quanto o Padmanabhaswamy. No entanto, a melhor parte viria com uma declaração bombástica por parte de Subramaniam.

    "Embora o palácio tenha resistido à abertura da Câmara 'B', há relatos de testemunhas oculares, que um membro do palácio e o seu diretor-executivo já abriram a Câmara 'B' há alguns anos (o referido diretor-executivo já não está vivo)", disse Gopal Subramanium.

    "De fato, a Câmara 'B' parece ter sido aberta mais de uma vez, e houve tentativas de fotografar as joias, não com a finalidade de catalogá-las, mas possivelmente disponibilizar essa informação aos compradores, já que a família real acreditava que estes são tesouros pessoais", completou.

    Como se tudo isso não bastasse, Subramaniam disse que o estado de conservação do templo era patético, e que ídolos quebrados, que pesavam cerca de dois quilos, foram encontrados jogados em sacos plásticos comuns. Ele questionou como alguém podia manter um templo tão sujo, quanto o Padmanabhaswamy
    Subramanium também apresentou uma denúncia grave, dizendo que parecia haver uma grande resistência por parte de todo o aparelho estatal, para lidar efetivamente com os referidos problemas. Vocês podem conferir o relatório completo clicando aqui e aqui (lembrando que são 577 páginas, em inglês, e em formato PDF).

    Agora, se todo esse caos não bastasse, Subramaniam tinha mais uma revelação a fazer. Durante sua investigação, ele encontrou mais duas câmaras no interior do Templo Padmanabhaswamy, que foram chamadas de "G" e "H". Não há informações suficientemente claras, apontando se as câmaras "G" e "H" já teriam sido abertas desde então, porém, aparentemente, ambas ainda não teriam sido abertas.

    Agora, se todo esse caos não bastasse, Subramaniam tinha mais uma revelação a fazer. Durante sua investigação, ele encontrou mais duas câmaras no interior do Templo Padmanabhaswamy, que foram chamadas de "G" e "H".
    Em agosto de 2014, uma outra revelação bombástica causou espanto na Índia. Um outro relatório submetido a Suprema Corte, por Vinod Rai, ex-Controlador e Auditor-Geral da Índia, revelou registros incompletos sobre o peso e a pureza dos objetos de ouro e prata do templo, a ausência de controle financeiro, da utilização de artigos preciosos, e do precário sistema de registros do templo. Em 24 de abril daquele mesmo ano, a Surprema Corte havia solicitado uma auditoria especial no templo e suas propriedades.

    Além disso, esse novo relatório apontou que a Câmara "B" teria sido aberta duas vezes em 1990, e cerca de cinco vezes, em 2002. Barras de prata teriam sido retiradas da câmara, e potes de ouro teriam sido guardados e posteriormente retirados. O advogado da família real, no entanto, sempre alegou que somente uma antecâmara teria sido aberta, nunca a câmara em si.

    Novos Indícios de Desvios do Tesouro do Templo Padmanabhaswamy Foram Apontados!


    Em agosto de 2016, mais um relatório, dessa contendo cerca de dois volumes, cinco partes, e cerca de 1.000 páginas, foi apresentado por Vinod Rai para a Suprema Corte da Índia, e isso abalou novamente a confiabilidade na família real. Em uma revelação surpreendente, o relatório demonstrou que muitas irregularidades financeiras e atos de corrupção continuavam ocorrendo mesmo durante a investigação realizada sobre o templo (alguma semelhança com o Brasil?). Além disso, cerca de 1 bilhão e 860 milhões de rúpias em ouro tinham sumido. Para vocês terem uma ideia, 769 potes de ouro, pesando 776 quilos, tinham desaparecido das câmaras do templo.

    Em seu relatório, Vinod Rai disse que cada pote de ouro havia recebido um número de série. Potes de ouro com números de 1 até 1.000 foram usados até julho de 2002. Posteriormente, potes com número 1.000 em diante foram usados. Vinod Rai descobriu que um dos potes, retirado em 1º de abril de 2011, apresentava o número de série 1988. Isso significa, que havia pelo menos 1988 potes de ouro disponíveis nas mais diversas câmaras. Ele disse que, 822 potes de ouro teriam sido derretidos para a criação de peças ornamentais, então deveria haver, no mínimo, 1.166 potes restantes. Porém, o relatório apontava a existência de potes com números de série até 397. Assim sendo, estavam faltando cerca de 769 potes de ouro, que no total pesariam cerca de 776 quilos. O relatório também apontou, que 30% do ouro enviado para derretimento e purificação havia desaparecido.

    Em uma revelação surpreendente, o relatório demonstrou que muitas irregularidades financeiras e atos de corrupção continuavam ocorrendo mesmo durante a investigação realizada sobre o templo (alguma semelhança com o Brasil?).
    O relatório ainda afirmou, que foram tiradas fotografias de 1.022 artigos preciosos, incluindo os 397 potes de ouro, localizados nas Câmaras "C" e "E", em agosto de 2007, como uma sugestão da então administração do templo para a elaboração de um catálogo do tesouro. Porém, não havia quaisquer sinais da existência desse catálogo, das fotografias e muito menos dos negativos. Para completar, em 1970, a administração do templo vendeu ilegalmente cerca 8.500 m² de terreno, cujos registros não foram encontrados.

    Na época, também foi especulado, que existiria um túnel escondido debaixo de algumas câmaras, que permitiria os arquitetos das mesmas fechar as portas das câmaras por dentro, tornando "impossível" de serem violadas. Assim sendo, esse túnel secreto poderia ter contribuído para que a família real pudesse saquear uma parte dos tesouros sem que ninguém percebesse. Entretanto, esse suposto túnel não foi encontrado até hoje, ou seja, é apenas uma especulação.

    Como Está a Situação do Templo Atualmente? Um Assunto Para os Meus Comentários Finais!


    Quando você informa de maneira precária uma pessoa, a mesma se torna uma máquina de desinformação especulativa. É exatamente isso o que acontece com o Templo Padmanabhaswamy que, por estar na Índia, um país de tradições tão singulares, muitas vezes é visto como algo totalmente místico, e que abriga conhecimentos ocultos sobre a humanidade. O Templo Padmanabhaswamy, na verdade, nada mais é do um grande cofre, que abriga inúmeras riquezas acumuladas ao longo dos séculos ou milênios, através do intenso comércio e de muito sangue derramado. Entretanto, conforme observamos na matéria, o Templo Padmanabhaswamy não é o único a possuir câmaras semelhantes, ou seja, diversos outros templos indianos também acumulam inúmeras riquezas. Devido a esse forte intercâmbio comercial, alguém, em algum momento, poderia até mesmo ter adquirido um objeto considerado sagrado para outra cultura ou religião, porém dificilmente, isso será encontrado no Templo Padmanabhaswamy. O motivo é bem simples. Muito provavelmente, todas as câmaras já foram abertas no passado recente, conforme diversos relatórios independentes apontam, e não há nenhuma garantia, que não haja nenhuma outra passagem, que dê acesso as mesmas. Resumindo? Se existe algo que, na visão de muitas pessoas poderia mudar o mundo de alguma forma, muito provavelmente não está mais no templo. A família real não quer que a Câmara "B" seja aberta por outro motivo bem simples: dinheiro, muito dinheiro. Evidentemente, o governo, como um todo, quer uma generosa fatia de tudo o que encontrar, e essa câmara virou uma espécie de "bastião". Se ela for aberta, dificilmente a família real conseguirá evitar que todo aquele ouro, e as pedras preciosas saiam de suas mãos. Se tem uma coisa que todos odeiam perder, acima de tudo, é dinheiro. Se a maioria pessoas entra em pânico ao perderem 50 reais na rua, imagine se perdessem trilhões de reais, e justamente para o governo, da noite para o dia?

    No entanto, o que realmente dói é ver todo esse dinheiro, e saber que, muito dificilmente o mesmo seria usado em benefício da população. A colônia Chenkal Choola, por exemplo, aquela citada no artigo do Jake Halpern, fica a apenas dois quilômetros, cerca de 13 minutos, do templo Padmanabhaswamy. Essa é a distância do zero absoluto e de trilhões de dólares. Essa é a distância entre pessoas passando fome, vivendo em meio ao esgoto, e de crianças brincando em meio a urina e as fezes, e de um templo, cuja riqueza de trilhões de dólares tentam alegar, que pertence a uma deidade hindu, devido a uma doação escrita em uma folha de palmeira de 1750. Enquanto isso, a "família real" ocupa palácios luxuosos, ostenta carros de luxo perfeitamente preservados, e comem do bom e do melhor. Porém, segundo eles, essa é a vontade divina, seus deuses querem que eles fiquem bem alimentados, mas isso não se aplica aos demais. Os demais precisam contribuir com cada centavo que possuem, e dar aos deuses para que possam receber, quem sabe, um pouco de sorte para conseguir levar um pão para casa, e reparti-lo com sua esposa e filhos. Nessas horas, muitos vão bradar a plenos pulmões: "Mas é a cultura deles", "Devemos respeitar a cultura dos outros", "Se eles são felizes assim, que sejam". Sinceramente, meu limite de tolerância vai até o ponto, que vejo uma criança descalça em um terreno imundo, repleto de cartazes políticos, e sem nenhuma perspectiva de futuro. E isso se aplica a qualquer lugar do mundo.

    Talvez, a pior parte seja saber, que nenhuma única moeda de ouro será realmente revertida para quem precisa. E nenhum poder, seja o Executivo ou o Judiciário, da Índia, demonstra real interesse em resolver esse impasse. Para vocês terem uma ideia, as comissões criadas para fiscalizar o templo Padmanabhaswamy são constantemente renovadas, porque elas não demonstram ser efetivas. Além disso, nem mesmo a polícia não expressa nenhuma vontade em realizar investigações sobre os alegados furtos. Em meados do ano passado, o Judiciário, por exemplo, começou a debater sobre uma possível existência de uma "energia mística" em relação a Câmara "B". Resumindo? Aparentemente, essa situação está longe de um desfecho, simplesmente porque ninguém quer arriscar seus mandatos e seus elevados cargos de prestígio, perante uma população de maioria hindu. Basta ver o que aconteceu ao Ananda Padmanabhan e ao seu tio, Sundararajan, que por sua vez era um respeitado membro da comunidade local. Aliás, Sundararajan muito provavelmente morreu, devido a tanto desgosto em ver uma população incapaz de perceber os seus esforços, em pelo menos evitar que os tesouros fossem, aos poucos, sendo utilizados em benefício tão somente de uma "família real". Sundararajan, assim como a maioria dos hindus, provavelmente manteria os tesouros no templo, dedicando-o a deidade, mas ele acabou sendo vítima daqueles que o cercavam. E, enquanto isso, Vishnu dorme profundamente em águas primordiais, enquanto crianças e idosos o veneram imersos nas fezes dos homens.

    Até a próxima, AssombradOs.

    Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

    Fontes:
    http://economictimes.indiatimes.com/slideshows/nation-world/the-treasure-trove-of-padmanabhaswamy-temple-will-make-you-feel-so-poor/what-can-you-possibly-do-with-that-kind-of-money/slideshow/56200719.cms
    http://indianexpress.com/article/india/india-others/padmanabhaswamy-temple-sc-says-disturbing-features-to-be-taken-care/
    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2011/07/110701_india_maraja_tesouro_mm_cc.shtml
    http://www.firstpost.com/india/padmanabha-temple-sc-asks-subramaniam-continue-amicus-curaie-1653069.html
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    http://forums.cgsociety.org/archive/index.php?t-185716.html
    http://smg.photobucket.com/user/alphagain/media/gatesofhellver1.jpg.html
    https://www.3dtotal.com/tutorial/842-making-of-the-gates-hell-3ds-max-photoshop-by-mario-russo-scene-door-gate-hell-head-monster
    http://photobucket.com/gallery/user/alphagain/media/cGF0aDovZ2F0ZXNvZmhlbGx2ZXIxLmpwZw==/?ref=
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