14 de fevereiro de 2018

O Horripilante Caso do Profanador de Túmulos que se Alimentava de Restos Mortais Humanos em Moçambique, na África!


Por Marco Faustino
Email para contato: marcofaustino@gmx.de

Faz muito tempo que não abordo algum caso, que gere muito impacto, por assim dizer. Porém, isso não significa, em hipótese alguma, que casos considerados horripilantes não aconteçam ao redor do mundo. Em junho do ano passado, por exemplo, fui responsável por uma matéria sobre uma suposta criatura misteriosa, que teria emboscado e dizimado um pelotão soviético inteiro em uma região florestal da Finlândia durante a famigerada Segunda Guerra Mundial. O tema havia sido sugerido por um usuário no Facebook, muito provavelmente motivado por um determinado vídeo, de um canal brasileiro no YouTube, que apesar do mesmo não afirmar a existência dessa criatura, e nem mesmo apresentar detalhes ou documentos históricos de que algo realmente de misterioso e macabro tivesse ocorrido, apresentava uma única foto, em um determinado momento do vídeo, alegando que a mesma estaria mostrando a "pele de um soldado russo" esticada e pendurada em uma árvore. Essa única foto seria uma clara demonstração, que algo muito misterioso e sombrio teria acontecido e, quiçá, tivesse sido mesmo um monstro, que se espreitava nas florestas da Finlândia. Evidentemente, fui atrás de maiores informações, e descobri que toda a história sobre uma suposta criatura não passava de uma mera creepypasta, cujo texto nem mesmo era original, mas uma simplória tradução para o nosso idioma. Apesar da história ter sido inventada, ou seja, ser completamente mentirosa, a foto era autêntica, o que me levou a uma longa investigação. Para essa investigação resolvi pedir ajuda de Janne Ahlberg, responsável pelo site HoaxEye que, além de trabalhar para mostrar a realidade por trás de muitas fotos antigas, e muitas vezes propagadas pela internet como se fossem da chamada "Deep Web", é um finlandês nascido e criado na Finlândia. Vale muito a pena ler a matéria, e conferir todo o processo investigativo (leia mais: Uma Criatura Misteriosa Teria Emboscado e Dizimado um Pelotão Soviético Inteiro em uma Região Florestal, na Finlândia?).

Agora, eis que me deparo com um triste caso, que sinceramente gostaria que fosse mentira. Um homem foi preso pela Polícia da República de Moçambique (uma força paramilitar integrada ao Ministério do Interior de Moçambique) sob a acusação de profanação de túmulos e canibalismo. Vocês não leram errado. O homem simplesmente desenterrava corpos recém-enterrados, cozinhava os mesmos e se alimentava da carne humana. O mais triste e macabro disso tudo é que a maioria dos corpos era de crianças menores de 5 anos de idade. Alguns veículos de imprensa alegaram que o homem sofria de transtornos mentais devido ao consumo de soruma (o nome popular da cannabis sativa em Moçambique, algo que conhecemos em nosso país como maconha). Uma vez que essa droga, ao menos até onde a ciência sabe, não desperta esse tipo de comportamento, resolvi ir atrás de maiores informações. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda Como Tudo Começou: A Prisão de um Coveiro do Cemitério de Chimadzi, nos Arredores da Cidade de Tete, e a Denúncia de uma Situação Alarmante


No dia 17 de janeiro deste ano, o site "MNO" (Moçambique Notícias Online) republicou um texto do jornal "Diário de Moçambique", onde informava que pessoas, até então desconhecidas das autoridades policiais, tinham vandalizado campas (túmulos), e retirado nove corpos de crianças e de um adulto, no Cemitério Tradicional de Chimadzi, nos arredores da cidade de Tete. A situação havia sido descoberta no sábado anterior (13) pela família de um dos menores sepultado na sexta-feira (12), quando os familiares pretendiam fazer a limpeza e a posterior rega das flores.



Visão aérea de uma parte da cidade de Tete, em Moçambique, em 2011.
Na foto também podem ver o rio Zambezi, o quarto mais extenso da Àfrica.
Foto do pequeno aeroporto de Tete, em Moçambique
Imediatamente, o caso foi comunicado à Polícia da República de Moçambique (PRM), mais precisamente à 1ª Esquadra, sendo que polícia acabou prendendo preventivamente um dos coveiros chamado João Tenguene Buino, de 47 anos. Na época, Lurdes Ferreira, porta-voz da PRM, garantiu que a polícia iria se pronunciar sobre o caso, em "tempo oportuno". A situação estava causando muita indignação na população local, uma vez que o caos havia atingindo níveis alarmantes ao ponto de serem vandalizados dez túmulos, cujos corpos também desapareceram, em tão pouco tempo.

Francisco Gerente Saguate, secretário (algo equivalente a um líder comunitário) do bairro Mateus Sansão Mutemba, onde está inserida a unidade comunal de Chimadzi, pediu para que as pessoas envolvidas naquele horrendo ato fossem punidas severamente, de modo a desencorajar outras pessoas que tivessem essa mesma intenção. Ele também disse, que não sabia como os vândalos tinham coragem de fazer aquilo com os entes queridos dos moradores do bairro. Ainda segundo Francisco, os coveiros tinham uma parcela de culpa na vandalização dos túmulos, e na posterior exumação dos corpos, devido ao objetivo de extrair órgãos humanos para "tratamentos" por parte de curandeiros - os principais promotores do caos -, porque eles faziam promessas aos cidadãos, que lhes pediam ajuda para enriquecer rapidamente.

Confira também uma reportagem realizada por uma emissora de TV local, a TVM (Televisão de Moçambique) sobre esse caso, que foi publicada em um canal de terceiros, no YouTube (em português moçambicano, mas dá para entender perfeitamente):



A reportagem basicamente mencionou, que túmulos de crianças, todas menores de 5 anos de idade, tinham sido profanados e os corpos simplesmente tinham desaparecido. Um ponto interessante a ser mencionado é que a polícia havia levado o coveiro para a delegacia, porque ele estava ameaçado de ser linchado, o que é uma prática muito comum em Moçambique, de um modo geral, ou seja, a população está habituada a fazer justiça com as próprias mãos. Se vocês procurarem por "linchamento Moçambique", no Google, poderão ter uma noção de como essa prática é endêmica. Em sua defesa, o coveiro disse que não havia percebido nada de errado, e que não sabia de nada.
Um ponto interessante a ser mencionado é que a polícia havia levado o coveiro para a delegacia, porque ele estava ameaçado de ser linchado, o que é uma prática muito comum em Moçambique, de um modo geral, ou seja, a população está habituada a fazer justiça com as próprias mãos.
Em sua defesa, o coveiro João Tenguene Buino disse que não havia percebido nada de errado,
e que não sabia de nada.
Na reportagem também é relatado o caso de um morador local chamado Juvêncio Faustino, que tinha perdido os filhos gêmeos recém-nascidos há quatro dias, sendo que os corpos dos mesmos também tinha sido roubados. Juvêncio estava completamente desesperado, e disse que os vândalos tinham roubado apenas os corpos recém-enterrados. Um outro morador tinha enterrado a sobrinha de apenas 2 anos na quinta-feira (11), sendo que o corpo da mesma foi roubado no dia seguinte.

Na reportagem também é relatado o caso de um morador local chamado Juvêncio Faustino, que tinha perdido os filhos gêmeos recém-nascidos há quatro dias, sendo que os corpos dos mesmos também tinha sido roubados. Juvêncio estava completamente desesperado, e disse que os vândalos tinham roubado apenas os corpos recém-enterrados.
Um outro morador tinha enterrado a sobrinha de apenas 2 anos na quinta-feira (11),
sendo que o corpo da mesma foi roubado no dia seguinte.
Luís Machaia, secretário da unidade comunal de Chimadzi, que confirmou o caso, explicou que as pessoas, quando confrontadas com a situação, expressaram muita tristeza e ao mesmo tempo indignação.

"Os túmulos foram vandalizados para a retirada dos corpos. Ainda não descobrimos quem fez isso, mas uma família denunciou a situação para a polícia, que prendeu um dos coveiros. Ele é mais conhecido por João. Os coveiros é que facilitam a vandalização dos túmulos, porque conhecem os corpos que acabaram de ser sepultados, e o tipo de pessoa que foi enterrada. Assim sendo, a PRM o levou para fins de investigação", disse Luís Machaia.

Machaia disse que os familiares da criança, cujo corpo desapareceu na noite de sexta-feira, estavam visivelmente chocados pela situação, e decidiram queimar, no sábado, o caixão que foi abandonado bem na entrada do cemitério, visto que eles tentaram procurar os restos mortais no local, porém sem sucesso.

A situação estava causando muita indignação na população local, uma vez que o caos havia atingindo níveis alarmantes ao ponto de serem vandalizados dez túmulos, cujos corpos também desapareceram, em tão pouco tempo.
"Este é o primeiro caso em que vândalos retiram os corpos de tantas pessoas ao mesmo tempo. Isso nunca aconteceu antes em nosso cemitério. Normalmente, acontece um ou outro caso. Por exemplo, no ano passado, um túmulo de um albino foi violado para a extração dos ossos", continuou.

"Não registramos os nomes das famílias, que perderam os corpos de seus parentes. Isso será feito posteriormente, porque neste momento estamos interessados em descobrir quem são as pessoas que vandalizaram os túmulos", completou.

Machaia disse que os familiares da criança, cujo corpo desapareceu na noite de sexta-feira, estavam visivelmente chocados pela situação, e decidiram queimar, no sábado, o caixão que foi abandonado bem na entrada do cemitério, visto que eles tentaram procurar os restos mortais no local, porém sem sucesso.
Segundo o texto, a província de Tete havia sido "fustigada" no ano de 2016  por uma onda de sequestros e assassinatos de pessoas com problema de pigmentação da pele, conhecidas por albinos, sendo que os casos ocorreram nos distritos de Cahora Bassa, Marara, Changara, Angónia e Moatize. Na cidade de Tete também foi registrado um caso referente a exumação do corpo de um albino adulto. Ainda em 2016, nove pessoas, incluindo alguns funcionários públicos foram encontrados na posse de ossos humanos de um albino, que foram retirados de um dos cemitérios do distrito de Chemba, na província de Sofala. Seis dos envolvidos acabaram sendo presos, e estão atualmente cumprindo pena.

Ainda segundo o texto, os corpos humanos costumavam ser exumados para a extração de órgãos genitais, olhos, dentes, cabelos, unhas, nariz e ossos, que são entregues aos curandeiros, que os recomendam para a realização de "tratamentos" a quem deseja enriquecer rapidamente, uma situação que ocorre com muita frequência em Tete, uma província com quase 3 milhões de habitantes, tida como supersticiosa. Um tanto quanto apavorante, não é mesmo? De qualquer forma, não demorou para que a polícia encontrasse os corpos das crianças, cujo desfecho é ainda mais macabro.

A Polícia é Chamada Para Prender um Profanador de Túmulos, que se Alimentava dos Restos Mortais das Crianças, que Tinham Sido Enterradas no Cemitério de Chimadzi!


No dia 22 de janeiro, por volta das 18h, a PRM foi chamada para atender uma ocorrência em Chimadzi. Um morador chamado Rui Foia, 36 anos, simplesmente possuía pedaços de corpos de crianças dentro de panela no fogão de sua casa. Sim, exatamente isso que vocês leram, e essa ainda não é a parte mais sinistra desta história. Isso porque a cunhada e vizinha de Rui tinha sido convidada pelo mesmo para jantar, porém quando lhe foi servida uma tigela, logo percebeu que havia uma mão e uma costela de uma criança. Extremamente assustada, ela correu, alertou as pessoas mais próximas e, em seguida, avisou a Luís Machaia, secretário da unidade comunal de Chimadzi, que imediatamente notificou a polícia.

Não demorou muito tempo para que a casa de Rui Foia fosse tomada por populares, curiosos e até mesmo familiares das pessoas, que tiveram os túmulos de seus entes queridos profanados. Rui Foia mantinha fotos de adultos e crianças, quando ainda estavam vivas, além das roupas com que os corpos tinham sido enterrados. A população queria, para variar, linchá-lo, mas a polícia chegou a tempo de impedir que a população fizesse justiça com as próprias mãos. A porta-voz do Comando Provincial da PRM, em Tete, Lurdes Ferreira, disse que, tanto o coveiro João quanto Rui, permanecerão detidos até ao fim das averiguações.

Confira também uma reportagem realizada pela TVM, que foi publicada em um canal de terceiros, no YouTube (em português moçambicano, mas dá para entender boa parte da reportagem):



Na reportagem é basicamente mencionado o que já sabemos sobre o caso. Rui Foia profanava túmulos, e levava os corpos para sua casa, para cozinhá-los e posteriormente consumi-los. Praticamente todas as partes eram aproveitadas (membros inferiores e superiores), além de alguns órgãos internos. Aliás, um dos momentos mais tristes foi o depoimento de um pai de família, que identificou a foto do seu filho na casa de Rui Foia.

Um morador chamado Rui Foia, 36 anos,
simplesmente possuía pedaços de corpos de crianças dentro de panela no fogão de sua casa
Rui Foia mantinha fotos de adultos e crianças, quando ainda estavam vivas...
...além das roupas que os corpos eram enterrados
Praticamente todas as partes eram aproveitadas (membros inferiores e superiores), além de alguns órgãos internos. Aliás, um dos momentos mais tristes foi o depoimento de um pai de família, que identificou a foto do seu filho na casa de Rui Foia.
Uma moradora chegou a dizer que Rui, ao ser cercado pelos moradores locais, alegou ser "maluco", algo que, aparentemente, essa moradora não concordava nem um pouco. Além disso, ela disse que Rui não deveria ficar tão somente preso, mas que deveria ser morto. Ao final, foi mencionado que ao menos três famílias tinham identificado peças de vestuário dos seus entes queridos já falecidos.

A agência de notícias portuguesa "Lusa" divulgou que a polícia tinha dúvidas sobre o estado de saúde mental do homem, e que iria solicitar exames. Por outro lado, a população ouvida pela polícia acreditava que as práticas podiam estar ligadas a crenças sobrenaturais, que são comuns no interior do país. Já o jornal "O País" mencionou que, de acordo com os depoimentos de alguns moradores de Chimadzi, Rui Foia, que morava sozinho, sofria de problemas mentais, que teriam sido causados pelo consumo excessivo de soruma (a famosa "maconha"). O secretário da unidade comunal de Chimadzi manifestou preocupação, e pediu à polícia para que trabalhasse de modo que essa situação não voltasse a acontecer naquele cemitério. O serviço de radiodifusão internacional chamado "Voa Portugal" citou o sociólogo Boaventura Bosco, que ligou o caso do canibalismo com a desestruturação do tecido da sociedade, além da tendência do obscurantismo. O veículo também disse que o caso havia reacendido o debate sobre o obscurantismo em Moçambique.

Esse Não Foi um Caso Isolado em Moçambique: Um Assunto Para os Meus Comentários Finais


Conforme foi mencionado anteriormente, a profanação de túmulos e a utilização de algumas partes de corpos de seres humanos, principalmente de crianças, por parte de "curandeiros" é uma prática antiga e comum em Moçambique. Se vocês fizerem uma rápida pesquisa poderão encontrar alguns casos mais emblemáticos, e que acabaram sendo divulgados internacionalmente. Em meados de agosto de 2006, por exemplo, a polícia de Moçambique prendeu um casal no distrito de Vanduzi, na província de Manica, após o mesmo ter confessado o consumo de carne humana e pó de ossos humanos, sendo que eles também estavam em poder de órgãos humanos. Na confissão, o casal teria dito que comer carne humana aumentava o poder deles de curar as pessoas. O marido, Neva Mafunga, de 50 anos, teria contado à polícia que vinha comendo carne humana há 20 anos, enquanto sua esposa, Nhanvura Faera, de 34 anos, teria dito que começou a prática de canibalismo por ordem do marido. O casal também foi indiciado pela violação de túmulos e o desaparecimento de dez corpos de crianças. Curiosamente, algumas fontes mencionaram, que o casal seguia essa prática por indicação de "médicos tradicionais" como forma de se defenderem de eventuais problemas mentais, que poderiam levá-los à demência. No fim do mês de agosto, mais três mulheres foram presas na cidade de Gorongosa, província de Sofala, na região central de Moçambique, acusadas de consumir carne humana. O então chefe das operações da Polícia de Gorongosa, Francisco Alexandre, disse que todas as mulheres ligaram suas atividades as práticas tradicionais e de curandeirismo.

Pouco tempo depois, em setembro daquele mesmo ano, um homem apelidado de Jemusse, de 33 anos, confessou a exumação e o consumo de cadáveres misturados com medicamentos tradicionais, desde 1996, motivado por fins supersticiosos. O homem era suspeito de roubar três cadáveres, incluindo o de sua própria irmã, no Cemitério de Matequenha, em Chimoio, capital da província de Manica. Seu último roubo teria sido o corpo de uma criança de três anos, do qual apenas sobraram apenas a cabeça, as mãos e os órgãos genitais. A roupa retirada dos cadáveres exumados era vendida no mercado de Vanduzi. Pelo menos quatro famílias de Chimoio reconheceram parte dos restos mortais e roupas encontradas na residência do suspeito. Aliás, Jemusse foi preso após um familiar de um dos falecidos ter visto o suspeito usando as mesmas roupas (camisa e calça), que o cadáver havia sido enterrado. Em declarações à Lusa, em Chimoio, um familiar de Jemusse disse que desconhecia as atividades necrófagas do seu parente. Enfim, conforme vocês podem notar, isso é algo recorrente e bem comum em Moçambique. Isso que estamos falando de corpos de seres humanos sem vida, porque muitas vezes, especialmente no caso de albinos, os mesmos são mutilados na calada da noite e têm seus membros superiores ou inferiores arrancados a base da machete, algumas vezes com lâminas cegas. Tudo isso em nome de dinheiro, poder e diversos "tratamentos" proporcionados por "curandeiros" ou "médicos tradicionais". Não, essas pessoas não são curandeiros ou médicos tradicionais, elas são monstros. Uma corja de monstros canalhas da pior espécie.

A razão pela qual a população tenta ou efetivamente lincha tais monstros não é difícil de ser entendida. Em janeiro deste ano, a organização "Human Rights Watch" lamentou que governo moçambicano não tenha conseguido levar a julgamento quaisquer responsáveis pelos "graves abusos" cometidos pelas forças de segurança e da oposição em 2015 e 2016. Crimes cometidos contra jornalistas também costumam ficar impunes. Além disso, a PRM não é vista com bons olhos pela população de Moçambique. Em setembro de 2016, o Jornal Notícias divulgou, por exemplo, alguns casos envolvendo crimes cometidos por policiais da PRM naquele ano: pessoas inocentes ou criminosos sendo mortos pela polícia, um taxista morto por um policial após o mesmo ter tirado fotos do agente bêbado e, para completar, uma adolescente chegou a ser violentada por policiais da PRM, naquele mesmo ano. No ano anterior, a polícia tinha introduzido um novo modelo de recrutamento de candidatos a ingressar na corporação. Segundo as autoridades, a ideia era proibir a entrada de indivíduos com antecedentes criminais. Resumindo? Antes de 2015, se uma pessoa já tivesse sido uma criminosa, não importando a quantidade e nem a gravidade de crimes cometidos, a mesma podia usar perfeitamente uma farda. Inacreditável. Diante desse cenário, o que resta para a população? Linchamento. Diante de tanta barbárie e impunidade, é compreensível, porém não justificável, que a população tenha perdido completamente a paciência e resolva fazer justiça com as próprias mãos. É compreensível, porém não justificável, que uma mãe, vendo partes de seu filho morto em uma panela, fique não somente desesperada, mas que queira tirar a vida do responsável por tanta crueldade. Enquanto pessoas como Rui são presas e condenadas a no máximo um ano de detenção, os curandeiros, verdadeiras encarnações do Mal, estão soltos, sendo os únicos a verdadeiramente enriquecer em toda essa história. E onde está Têmis, divindade grega por meio da qual a justiça é definida? Provavelmente foi dilacerada, juntamente com os corações daqueles pais e mães, sendo que sua cabeça provavelmente está sendo cozida em uma panela qualquer, em uma esquina qualquer, de Moçambique.

Até a próxima, AssombradOs.

Pesquisa/Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI1098967-EI294,00-Casal+e+acusado+de+canibalismo+em+Mocambique.html
http://opais.sapo.mz/suposto-canibal-surpreendido-com-carne-crianca-em-tete
http://revistamanchete.com/detido-cidadao-indiciado-de-alimentar-se-de-carne-humana/
http://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2006/08/060817_canibais_is.shtml
http://www.dnoticias.pt/hemeroteca/159697-mocambique-BODN159697
http://www.maisnovidades.net/2018/01/detido-individuo-suspeito-de-praticar.html
http://www.verdade.co.mz/newsflash/64709-jovem-detido-em-tete-acusado-de-profanacao-de-tumulos-e-canibalismo-
https://mozkuia.com/2018/01/23/a-prm-deteve-um-individuo-indiciado-de-alimentar-se-de-carne-humana/
https://noticias.mmo.co.mz/2018/01/tete-desconhecidos-exumam-corpos-de-nove-criancas-e-um-adulto.html
https://noticias.uol.com.br/ultnot/lusa/2006/08/22/ult611u72905.jhtm
https://www.abola.pt/Africa/Noticias/Ver/712833
https://www.publico.pt/2006/08/18/jornal/casal-preso-em-mocambique-por-canibalismo-93980
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/policia-detem-suspeito-de-canibalismo-no-interior-de-mocambique_n1054165
https://www.voaportugues.com/a/canibal-tete-mocambique/4222215.html
https://www.youtube.com/watch?v=h1iSTQyoKpk
https://www.youtube.com/watch?v=yFrhTGPe5yc
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