3 de novembro de 2017

Mulher Alega Conviver com um Fantasma há 13 Anos e Ter Descoberto seu Passado Usando uma Tábua Ouija, em Manchester, na Inglaterra!


Por Marco Faustino

Se não me falha a memória, a última vez que abordamos algum assunto relacionado a supostos fantasmas, foi naquele caso relacionado a pequeníssima cidade litorânea de Bodalla, no estado de New South Wales (ou "Nova Gales do Sul", como queiram), que possui pouco mais de 700 habitantes. A atual proprietária de um hotel chamado "Bodalla Arms Hotel", que na verdade é uma espécie de estalagem, visto que é possível alugar um quarto para se hospedar por alguns dias ou então frequentar apenas no período da tarde ou da noite para aproveitar os inúmeros pratos e bebidas que são servidos no local, surgiu nos tabloides britânicos alegando que seu empreendimento seria mal-assombrado. A principal razão para isso? Ela teria registrado em vídeo, a suposta voz fantasmagórica de uma garotinha que teria sido atropelada em frente ao hotel, há cerca de 15 anos, enquanto a mesma perseguia sua tartaruga de estimação pela estrada. Evidentemente, como vocês já estão acostumados, fomos atrás do que realmente foi divulgado pelos tabloides britânicos, e mostramos a vocês toda a conturbada relação da Michelle Coric, a proprietária do "Bodalla Arms Hotel", com os moradores da cidade desde que comprou o imóvel. Além disso, mostramos exatamente quando toda essa história começou, as supostas evidências e apontamos para a mais provável realidade por trás de toda aquela história. Vale muito a pena conferir (leia mais: A Voz Fantasmagórica de uma Garotinha que Teria Morrido Tragicamente Há Cerca de 15 Anos foi Ouvida em um Hotel, na Austrália?).

Agora, nos deparamos com um caso muito estranho e ao mesmo tempo, como sempre, muito peculiar. Na véspera do Halloween desse ano, surgiu uma história em alguns tabloides britânicos sobre uma mulher chamada Karen Wakefield, 52 anos, que alegava estar convivendo com um fantasma dentro de sua casa ao longo dos últimos 13 anos. Além disso, ela alegou que o mesmo seria o espírito de um homem chamado Malcolm, que teria morrido em 1858, aos 57 anos! E como ela sabia de todas essas informações? Karen alegou que essas descobertas foram realizadas através de uma tábua Ouija! Como se isso não bastasse, Karen disse que acabou aceitando Malcolm como parte da família, que assinava seu nome nos cartões de felicitação juntamente com os demais nomes de seus familiares, e que até mesmo conversava com ele, caso o mesmo estivesse agindo de forma agressiva com os convidados que ela recebia em casa. Para completar, Karen chegou a mencionar que o espírito até mesmo colocaria a chaleira no fogo para preparar um chá para os mesmos. Contudo, será que nunca falamos anteriormente sobre essa tal de Karen Wakefield? Esse rosto parece familiar, não acham? Vamos saber mais sobre esse assunto?

O Casal Karen e Paul são Velhos Conhecidos da Mídia Britânica! Aliás, Muito Mais do que Vocês Podem Imaginar!


A relação de amor e ódio com a mídia britânica por parte do casal Karen e Paul é muito mais antiga do que vocês pensam. Para compreender exatamente a história contada por eles sobre um fantasma chamado "Malcolm" é necessário conhecer o histórico desse casal bem peculiar. O mesmo começou a aparecer na mídia britânica em janeiro de 2013, através do site do jornal britânico "Manchester Evening News" (pertencente ao grupo Trinity Mirror, o mesmo do tabloide Daily Mirror).

Na época, Paul Dawson, um homem de poucas palavras, havia resumido sua experiência em administrar uma lavanderia em uma das comunidades mais pobres da Inglaterra: "Nunca conheci um lugar com tanta gente estúpida". Certa vez, ele teve que ir até a casa de uma senhora de 67 anos, que havia sido flagrada roubando a roupa de uma outra cliente em sua lavanderia chamada "Wishy Washy", em Moston, um distrito de Manchester. Quando a senhora finalmente atendeu a porta, ela fingiu não saber do que se tratava, muito embora estivesse usando a roupa que ela própria havia roubado. Sua companheira, Karen Wakefield disse que crianças costumavam sentar nas secadoras, e que os pais deixavam as crianças correrem enlouquecidamente no interior da lavanderia, muitas vezes causando prejuízos devido a esse comportamento. A filha de Karen, a Amber, na época com 18 anos, contou que havia se deparado com pessoas que entravam nuas na lavanderia, colocavam suas roupas para lavar, se vestiam no próprio local e iam embora como se nada tivesse acontecido.

A família Wakefield no início do ano de 2013.
Da esquerda para direita temos a Amber, Karen, Paul e Madison
Isso tudo que vocês leram era apenas uma amostra do que seria exibido em uma série de documentários chamada "People Like Us" ("Gente como a Gente", em uma tradução livre para o português), da emissora britânica BBC Three (BBC3), que é operada, evidentemente, pela própria BBC. A ideia era mostrar o cotidiano e espírito comunitário por trás de todas as sombrias estatísticas relacionadas a uma das localidades mais carentes do país.

Nessa mesma matéria publicada pelo "Manchester Evening News" foi mencionado que Amber tinha uma irmã mais nova, a Madison, então 11 anos. Karen também aparecia dizendo que, apesar de todos estarem lutando, inclusive para manterem a lavanderia, a situação não totalmente ruim. Ela e o Paul estavam juntos a mais ou menos 20 anos, e há seis eram os proprietários da Wishy Washy, que ficava aberta 362 dias por ano.

Na época, Paul Dawson, um homem de poucas palavras, havia resumido sua experiência em administrar uma lavanderia em uma das comunidades mais pobres da Inglaterra: "Nunca conheci um lugar com tanta gente estúpida"
Certa vez, Paul teve que ir até a casa de uma senhora de 67 anos, que havia sido flagrada roubando a roupa de uma outra cliente em sua lavanderia chamada "Wishy Washy", em Moston, um distrito de Manchester. Quando a senhora finalmente atendeu a porta, ela fingiu não saber do que se tratava, muito embora estivesse usando a roupa que ela própria havia roubado
Karen também disse que era impressionante ver como as pessoas ainda precisavam de uma lavanderia, um negócio considerado morto por muitas pessoas. Alguns rapazes não gostavam de lavar a própria roupa; outros iam até a lavanderia, porque suas máquinas de lavar tinham quebrado; outras simplesmente precisavam trabalhar e deixavam as roupas para serem lavadas; entre outras situações. Ela disse que apanhava as roupas e posteriormente as entregava sem cobrar um centavo por esse serviço de transporte. No entanto, Amber era quem estava sendo vista como a indubitável estrela do programa. Ela estava estudando na Faculdade de Manchester, mas esperava seguir a carreira teatral. Ela até mesmo estava conseguindo um dinheiro extra ao fazer algumas pequenas participações em séries britânicas de TV. Paul acreditava que, em 10 anos, Amber seria rica, e teria uma casa e um carro bem grande. Por outro lado, Karen via a filha em Hollywood, e acrescentou que Amber era muito determinada.

Pouco tempo depois, em março daquele mesmo ano, as declarações de Paul, Karen e Amber, assim como o próprio programa, começaram a provocar uma série de protestos de políticos e líderes comunitários, que passaram a dizer que o programa estava se concentrando tão somente nos estereótipos negativos de Harpurhey, um outro distrito de Manchester, vizinho a Moston, e que já foi considerado um dos piores lugares para se viver no país (muito embora ainda seja considerado por muitos). Karen Wakefield, no entanto, disse que os críticos estavam com inveja de sua família, e que a sua humilde lavanderia havia se tornado a mais recente atração turística de Manchester. Moradores da Irlanda e da Escócia estavam indo até a lavanderia para tirar fotos com a família. Contudo, reuniões públicas foram realizadas contra o programa e até mesmo um vídeo foi produzido por estudantes da Manchester Communication Academy,  justamente a escola onde Madison estava estudando, denunciando aqueles que tinham "rotulado" negativamente a comunidade.

Pouco tempo depois, em março daquele mesmo ano, as declarações de Paul, Karen e Amber, assim como o próprio programa, começaram a provocar uma série de protestos de políticos e líderes comunitários, que passaram a dizer que o programa estava se concentrando tão somente nos estereótipos negativos de Harpurhey, um outro distrito de Manchester, vizinho a Moston.
Karen Wakefield, no entanto, disse que os críticos estavam com inveja de sua família, e que a sua humilde lavanderia havia se tornado a mais recente atração turística de Manchester. Moradores da Irlanda e da Escócia estavam indo até a lavanderia para tirar fotos com a família.
Karen disse que ficou bem chateada com a Manchester Communication Academy visto que, ao realizarem o vídeo, eles aparentavam estar tentando entrar na cabeça das crianças para dizer que o programa era ruim, assim como aqueles que tinham participado dele. Lynne Heath, diretora da Manchester Communication Academy, disse que o vídeo havia sido realizado por alunos para refletir o orgulho na comunidade, e não tinha como objetivo importunar a Madison. Segundo Lynne, a Manchester Communication Academy trabalhava em estreita colaboração com os parceiros da comunidade para desenvolver uma imagem positiva da localidade. O curta-metragem celebraria apenas as conquistas de estudantes e moradores, sendo aquela uma das séries de atividades promocionais, que refletiam o orgulho na comunidade local.

Confira o vídeo que foi divulgado pelo site do Manchester Evening News naquela época, e que tinha sido publicado pelo canal Greater Manchester Academies Trust, no YouTube (em inglês, mas ao que tudo indica aparenta ser apenas uma espécie de trailer):



De qualquer forma, Karen estava indignada e disse que algumas pessoas estavam tentando culpar o programa pelos problemas de Harpurhey, mas que outras pessoas tinham entrado em contato com ela e agradecido a BBC por mostrar a realidade do local: o lixo espalhado nas ruas, o comportamento antissocial das pessoas, entre outras situações gritantes. Karen disse que o programa tinha sido um sucesso, e que estavam sendo reconhecidos em todos os lugares. Pessoas de todos os cantos também estavam enviando cartas para eles. Ela também disse, que queria estar vivendo assim como as celebridades viviam, mas que eles eram apenas uma família normal administrando uma lavanderia.

Em outubro de 2014, Karen Wakefield apareceu em uma matéria do site do tabloide "Birmingham Mail" para alertar os moradores de Chelmsley Wood, um subúrbio de Solihull, que eles seriam filmados na nova versão do programa referente a região metropolitana de Birmingham, e que eles deveriam estar preparados para a reação do público em geral. Isso tudo, além de se certificarem das promessas feitas pelos produtores. Karen disse que foi perseguida, e que até mesmo a sua filha mais nova, a Madison, teria sido ameaçada pelos telespectadores. Mais de 1.000 pessoas assinaram uma petição pedindo para BBC Three cancelar o programa, o que resultou na promessa da BBC nunca mais voltar a Harpurhey, na região de Manchester.

Karen disse que ficou bem chateada com a Manchester Communication Academy visto que, ao realizarem o vídeo, eles aparentavam estar tentando entrar na cabeça das crianças para dizer que o programa era ruim, assim como aqueles que tinham participado dele
Karen disse que o ano de 2013 tinha sido um ano infernal para sua família, que eles tinham recebido mensagens de ódio no Twitter, e que uma pessoa tinha ameaçado esmagar o rosto da Madison com um tijolo. Houve até mesmo uma pessoa que passou a perseguir o Paul, ligando para ele na lavandeira para dizer o que sua esposa estava fazendo ao sair de casa. Karen também disse que o programa havia arruinado as esperanças de Amber, sua filha mais velha, de se tornar uma atriz, e que a mesma estava desolada. Ela contou que, no início, foi um sonho, uma vez que havia muita gente torcendo por eles e pedindo autógrafos, mas que depois tudo virou um pesadelo. Karen disse que a família se sentia abandonada pela BBC, e as promessas de aconselhamento com psiquiatras nunca se concretizaram.

O ano de 2015 seria ainda mais tortuoso para Karen Wakefield e sua família. No início de abril daquele ano, o site do jornal "Manchester Evening News" noticiou que ela e seu companheiro, o Paul, tinham levado a Madison, com então 13 anos, para uma viagem até a Turquia, no fim das férias escolares de seis semanas. Essa viagem fez com que a Madison perdesse cerca de seis dias de aula logo no início do ano escolar. Essa prática, no Reino Unido, implica em multa para os pais da criança, porém Karen disse que "não gostava de ser avisada pelos professores sobre quando a filha poderia sair ou não de férias", e seu companheiro se recusou a pagar as duas primeiras multas de £60 (cerca de R$ 250), sendo posteriormente esse valor subiu para £120 cada uma. Por desobedecer a lei, ambos poderiam enfrentar 3 meses de reclusão ou uma multa de até £1000 (cerca de R$ 4.200), quando comparecerem a Corte dos Magistrados de Manchester daquele mês. Em entrevista, Karen disse que iria lutar até o fim e que estava pronta para ser presa, caso fosse necessário, porque a Madison "merecia" viajar, uma vez que supostamente sofria bullying na escola.

O ano de 2015 seria ainda mais tortuoso para Karen Wakefield e sua família. No início de abril daquele ano, o site do jornal "Manchester Evening News" noticiou que ela e seu companheiro, o Paul, tinham levado a Madison, com então 13 anos, para uma viagem até a Turquia, no fim das férias escolares de seis semanas.
Essa viagem fez com que a Madison perdesse cerca de seis dias de aula logo no início do ano escolar. Essa prática, no Reino Unido, implica em multa para os pais da criança, sendo que seu companheiro se recusou a pagar as duas primeiras multas de £60 (cerca de R$ 250). Posteriormente esse valor subiu para £120 cada uma.
"Nós dissemos a verdade e dissemos à escola que estávamos saindo de férias. Não mentimos, não dissemos que ela estava doente ou qualquer coisa nesse sentido. Porém, eles disseram que não tínhamos permissão. Madison merecia sair de férias; ela foi intimidada na escola. Ela passou por um período difícil. Nos recusamos a pagar as multas, isso é ridículo. Não gostamos de ser avisados sobre quando temos que sair de férias pelos professores. E quando eles estão em greve ou estão em período de treinamento ("Inset day", em inglês)? Isso não é diferente do que perder alguns dias de aula. Seria diferente se suas notas estivessem baixas, mas a Madison é muito inteligente e está melhor do que o esperado, apesar de ser intimidada", disse Karen. Um porta voz da escola disse que, se o casal tivesse pago as multas o assunto teria se dado por encerrado, mas eles decidiram enfrentar as consequências. Aliás, de acordo com esse porta-voz, era "obrigação da escola tomar ações contra a evasão escolar".

Em agosto de 2015, Karen reapareceu na mídia. Isso porque a equipe de TV por trás do programa "People Like Us", a "Dragonfly Television and Film", estava planejando retornar a região para gravar uma nova série de documentários. Isso gerou uma série de protestos de líderes comunitários e políticos locais. Na época, Karen disse que não estava envolvida com a série, e que não apareceria em nenhum programa de televisão no futuro, porque os donos das emissoras disseram que ela estava "muito popular". De qualquer forma, ela ajudou a promover a campanha para que o programa fosse realizado ao colocar cartazes de incentivo em sua própria lavanderia. Enfim, imaginem como a relação entre ela e a comunidade local estava desgastada nesse ponto.

No início de setembro daquele mesmo ano, a família Wakefield voltou a aparecer na mídia. Isso porque Karen e Paul foram considerados culpados após um julgamento realizado na Corte dos Magistrados de Manchester e Salford. Eles foram condenados a pagar £620 (cerca de R$ 2.600) em multas, acrescido dos custos processuais. Porém, eles disseram que não tinham como pagar esse valor, porque estavam falidos. Ela declarou que a atitude da escola não estava ajudando na educação de sua filha, e que a escola não podia ditar regras ou criar regulamentos. Karen disse que sua filha Madison, agora com 14 anos, estava agindo de maneira diferente devido ao estresse que vinha sofrendo na escola. Aliás, ela alegou que viajou com a família no período escolar, porque a viagem acabou custando £800 (cerca de R$ 3.400) a menos do que sairia durante o período de férias.

Karen e Paul foram considerados culpados após um julgamento realizado na Corte dos Magistrados de Manchester e Salford. Eles foram condenados a pagar £620 (cerca de R$ 2.600) em multas, acrescido dos custos processuais.
Porém, eles disseram que não tinham como pagar esse valor, porque estavam falidos. Ela declarou que a atitude da escola não estava ajudando na educação de sua filha, e que a escola não podia ditar regras ou criar regulamentos
Ainda segundo Karen, a família teria enviado uma carta para a escola avisando sobre a viagem, ou seja, que a escola estava ciente da situação, e voltou a repetir mais uma vez, que não pagaria as multas, que por sua vez tinham um prazo de 14 dias para serem pagas. Um porta-voz da escola da Madison, a Manchester Communication Academy, disse que estavam apenas seguindo diretrizes estatutárias do Departamento de Educação, que não permitia aos alunos tirarem férias durante o período escolar. Além disso, a escola disse que não havia nenhuma evidência substancial sobre as alegações de bullying por parte de outros estudantes ou funcionários da escola.

Karen disse que sua filha Madison, agora com 14 anos, estava agindo de maneira diferente devido ao estresse que vinha sofrendo na escola. Aliás, ela alegou que viajou com a família no período escolar, porque a viagem acabou custando £800 (cerca de R$ 3.400) a menos do que sairia durante o período de férias.
No fim de setembro, Karen estava novamente na mídia para dizer que sua lavanderia estava prestes a fechar as portas. A companhia de energia elétrica havia cortado o fornecimento de gás do seu estabelecimento comercial por falta de pagamento. A companhia alegava que o valor devido era de £820 (cerca de R$ 3.500), mas Karen alegava que era somente £195 (cerca de R$ 840). Assim sendo, apenas as máquinas de lavar continuavam funcionando, ou seja, as secadoras tiveram que ser desligadas devido a falta de gás.

Com isso, Karen alegou que contraiu cerca de £16,000 (cerca de R$ 70.000) em dívidas, e que estava precisando da ajuda da mãe até mesmo para comprar comida. Ela alegou que isso fez com que ficassem sem nada, que ainda precisavam pagar o aluguel, mas que estavam determinados a não ficar desempregados. Diga-se de passagem, ela colocou a culpa no governo, que estaria provocando a falência de todos os pequenos empreendimentos. Curiosamente, ela planejava processar a companhia de energia por fraude, e por cortar o fornecimento de gás sem autorização judicial.

No fim de setembro, Karen estava novamente na mídia para dizer que sua lavanderia estava prestes a fechar as portas. A companhia de energia elétrica havia cortado o fornecimento de gás do seu estabelecimento comercial por falta de pagamento. A companhia alegava que o valor devido era de £820 (cerca de R$ 3.500), mas Karen alegava que era somente £195 (cerca de R$ 840)
No início de outubro daquele mesmo ano, para variar, Karen e Paul voltaram a aparecer na mídia britânica para dizer que o programa "People Like Us" havia arruinado a vida deles. Ela disse que controverso programa havia a deixado psicologicamente abalada, com vontade de tirar a própria vida, e deixado seu companheiro em um péssimo estado de saúde. Eles disseram que, em vez de serem abraçados pela comunidade, acabaram sendo caluniados por aqueles que se diziam amigos.

"Somos apenas pessoas decentes e trabalhadoras que tentam ganhar a vida, mas estar envolvido no programa nos deixou sem dinheiro e sem amigos. Passamos por muitos problemas desde que o mesmo foi exibido. Sempre que surge alguma notícia ruim sobre o programa ou sobre a localidade, cismam em nos associar. Nossa imagem é sempre utilizada, mesmo que não tenhamos nada a ver com a situação. Karen ficou psicologicamente abalada e passei a ter pressão alta", disse Paul.

No início de outubro daquele mesmo ano, para variar, Karen e Paul voltaram a aparecer na mídia britânica para dizer que o programa "People Like Us" havia arruinado a vida deles. Ela disse que controverso programa havia a deixado psicologicamente abalada, com vontade de tirar a própria vida, e deixado seu companheiro em um péssimo estado de saúde
O casal também disse que estava sendo perseguido pela Justiça de Manchester, e se recusava a pagar cerca de 15 multas emitidas em meses anteriores. Entre essas 15 multas havia, por exemplo, uma de £640 por manter a lavanderia funcionando sem um planejamento de descarte de resíduos, inúmeras multas de estacionamento, e aquela multa de £620 referente as férias, que tiraram juntamente com a Madison, em período escolar indevido.

"Sentimos que a Justiça foi muito injusta e não iremos pagar as multas. Não temos dinheiro, estamos falidos e, portanto, não podemos pagar as multas, mesmo que desejássemos. Ficamos manchados na mídia. As pessoas dizem que destruímos a reputação da localidade, o que não é verdade", disse Karen.

Karen apareceu novamente na mídia em março do ano passado, mas dessa vez para prestar homenagens devido a morte de uma amiga de infância e, ao que tudo indica, passou um mais de um ano em completo silêncio, ou seja, não voltaria a aparecer na mídia britânica até meados desse ano, e por um motivo complemente inusitado. É exatamente isso que vocês conferem a seguir.

A Recente História de um Casal que Alegava Estar Sendo Assombrado por um "Fantasma Agressivo" Devido ao Recebimento de Benefícios Assistenciais, em Moston, na Inglaterra!


Quem costuma acompanhar o que publicamos, provavelmente iria reconhecer esse casal muito emblemático. Ambos já tinham feito parte de de uma postagem publicada por nós, em meados de julho, quando abordei três inusitados casos de supostos "fantasmas" onde o "desconhecido" aparentemente não tinha sido levado sério, na Inglaterra (leia mais, clicando aqui). A história sobre esse casal foi justamente a última a ser abordada.

Na época foi mencionado que o casal, que vivia por meio de benefícios assistenciais, acreditava que estava sendo assombrado por um "fantasma vitoriano agressivo". Ambos eram moradores do distrito de Moston, pertencente a cidade de Manchester (localizado a cerca de 5 km do centro da cidade de Manchester), na região de North West England, na Inglaterra. Eles apareceram em um episódio de um programa de TV chamado "On Benefits", do Canal 5, na noite do dia 13 de julho desse ano, e revelaram que a casa deles tinha sido "invadida" por um espírito chamado Malcolm.



Karen e Paul, moram no distrito de Moston (na foto), pertencente a cidade de Manchester (localizado a cerca de 5 km do centro de Manchester), na região de North West England, na Inglaterra
Nesse ponto é importante esclarecer algumas coisas para que vocês não se sintam tão perdidos assim diante do que acabamos de mencionar. Primeiramente, o programa "On Benefits" é uma espécie de uma série de documentários exibidos semanalmente pelo Canal 5 (uma emissora de TV no Reino Unido), que mostra a vida de pessoas, cuja principal renda provém de algum benefício fornecido pelo governo. Seria mais ou menos o equivalente a mostrar a vida de pessoas, que sobrevivem com os benefícios concedidos pelo INSS aqui no Brasil (guardadas as devidas proporções, é claro).

De qualquer forma, durante o episódio foi "descoberto" que o espírito que assombrava o casal, o Malcolm, teria morrido em 1858, aos 57 anos. Também foi mencionado que, "a atividade fantasmagórica tinha sido desencadeada devido aos recentes problemas financeiros do casal." Após terem perdido a empresa que possuíam (uma lavanderia), ambos teriam sido obrigados a vender tudo o que tinham, e passaram a sobreviver com cerca de £1,600 (cerca de R$ 6.800 pela cotação atual) por mês, graças ao benefício por invalidez (ou incapacidade) recebido por Karen, devido a uma condição relacionada a sua medula espinhal, além dos ganhos obtidos através de jogos pela internet.

Após terem perdido a empresa que possuíam (uma lavanderia), ambos teriam sido obrigados a vender tudo o que tinham, e passaram a sobreviver com cerca de £1,600 (cerca de R$ 6.800 pela cotação atual) por mês, graças ao benefício por invalidez (ou incapacidade) recebido por Karen, devido a uma condição relacionada a sua medula espinhal, além dos ganhos obtidos através de jogos pela internet.
De qualquer forma, durante o episódio foi "descoberto" que o espírito que assombrava o casal, o Malcolm, teria morrido em 1858, aos 57 anos. Também foi mencionado que, "a atividade fantasmagórica tinha sido desencadeada devido aos recentes problemas financeiros."
"Foi o ano mais difícil de todos os tempos, a família desmoronou. Não tínhamos comida, dinheiro ou eletricidade, sentávamos na escuridão, e tivemos que vender tudo o que possuíamos", disse Karen.

"Essas atividades paranormais devem possuir energias pelas quais são atraídas. A energia que elas obtêm é por meio de nossas emoções", disse Paul ao tentar explicar como todo o seu "esforço pela sobrevivência", ou seja, sobreviver apenas com o benefício recebido por Karen, tinha desencadeado algo paranormal em sua vida e de sua esposa. Além disso, o casal tinha "tentado entrar em contato com Malcolm usando uma tábua Ouija", mas não tiveram a reação que eles esperavam. Paul alegou que o fantasma teria usado uma linguagem ofensiva contra ele, enquanto utilizavam a tábua Ouija.

"Ele usou a linguagem mais ofensiva que já escutei na vida", disse Paul. Aliás, Karen aparentou concordar, alegando que Malcolm foi "horrível", e que podia escutá-lo correndo pelo casa. Além disso, o casal disse que Malcolm se tornou um "espírito violento" e começou a destruir a casa deles.

"Ele usou a linguagem mais ofensiva que já escutei na vida", disse Paul. Aliás, Karen aparentou concordar, alegando que Malcolm foi "horrível", que podia escutá-lo correndo pelo casa. Além disso, o casal disse que Malcolm se tornou um "espírito destrutivo" e começou a destruir a casa deles.
"Tivemos prateleiras arrancadas das paredes. Certa noite, às 4h da manhã, parecia que alguém estava arrombando a casa. Disse que era o Malcolm querendo se vingar do Paul, porque o Paul o insulta. Aquilo arruinou todo o trabalho realizado pelo Paul. É definitivamente algo paranormal ter cada prateleira arrancada. Foi realmente bem estranho", disse Karen.

De qualquer forma, a família foi visitada por uma suposta médium chamada Theresa, que tentou fazer contato com o fantasma. Theresa contou ao casal que inúmeros fantasmas estavam visitando a casa, e que eles costumavam subir e descer as escadas. Para finalizar, ela alegou que Malcolm estava tentando pedir desculpas ao Paul. Confira abaixo alguns trechos do que aconteceu durante esse episódio, e que foram publicados em um canal de terceiros, no YouTube (em inglês):





"Ele não vem aqui com nenhuma má intenção, ele vem aqui como parte da família. Não importa o quanto eu queira mandá-lo embora, ele sempre encontrará o caminho de volta", disse Theresa.

Apesar de ser necessário respeitar o eventual "sofrimento" de outras pessoas, é importante notar que o valor de £1,600 é bem expressivo, mesmo para os padrões britânicos, ou seja, está bem próximo da média de ganhos mensais dos moradores do Reino Unido. Ninguém passa fome ou necessidade com essa renda mensal. Contudo, não foi especificado qual era o valor exato do benefício assistencial que Karen recebia, o valor exato dos seus ganhos em jogos na internet, se a casa onde morava ela alugada, qual era o emprego do Paul (se é que ele tinha algum) entre outros fatores. Portanto, é difícil saber o quão essa renda era variável e o real poder de compra do casal.

"Ele não vem aqui com nenhuma má intenção, ele vem aqui como parte da família. Não importa o quanto eu queira mandá-lo embora, ele sempre encontrará o caminho de volta", disse Theresa.
Entretanto, dizer que a casa foi invadida por espíritos, ou uma suposta atividade fantasmagórica foi desencadeada devido a condição financeira do casal, é quase uma covardia, sendo bem difícil levar isso a sério. Se fosse assim, grande parte das casas em nosso país seriam mal-assombradas, não concordam? Além disso, tivemos a velha história de tentar entrar em contato com os espíritos através de uma tábua Ouija. Se você acompanhou o especial realizado sobre a tábua Ouija, principalmente a postagem que fiz explicando todos os detalhes da história dessa tábua e a realidade sobre o seu funcionamento, vai entender que, na verdade, isso seria altamente improvável de acontecer (leia mais: A História Completa da Tábua Ouija: Apenas um Mero Brinquedo ou um Poderoso Instrumento de Comunicação com os Mortos?).

Karen e Paul Voltam a Aparecer na Mídia Britânica e Fornecem Maiores "Detalhes" Sobre o Suposto Fantasma Chamado "Malcolm"


No dia 30 de outubro, véspera de Halloween, o casal Karen e Paul voltou a aparecer na mídia britânica. Dessa vez, todo o material publicado por alguns tabloides britânicos, entre eles o "Daily Mirror" e o "The Sun", foi fornecido pela "Press Association Real Life" (PA Real Life), um segmento da agência de notícias "Press Association", que promete contar com "exclusividade" a "história real de vida" de pessoas comuns. Foi dessa forma que o casal forneceu alguns detalhes que não tinham sido publicados anteriormente.

Inicialmente, o texto mencionou que Karen Wakefield, 52 anos, moradora de Manchester, estava aterrorizada com o espírito - cujo nome foi revelado através de uma tábua Ouija, juntamente com o fato de ter morrido em 1858, aos 57 anos de idade - mas que havia aceitado a sua presença.

Inicialmente, o texto mencionou que Karen Wakefield, 52 anos, moradora de Manchester, estava aterrorizada com o espírito - cujo nome foi revelado através de uma tábua Ouija, juntamente com o fato de ter morrido em 1858, aos 57 anos de idade - mas que havia aceitado a sua presença.
"Ainda não fico sozinha na casa, porque fico muito assustada, mas já aceitei o Malcolm como parte da família. Eu até assino seu nome nos cartões de felicitação que enviamos. Converso com ele e digo-lhe quando está se comportando mal. É a melhor maneira de agir. Ele adora interagir com as pessoas. Ele mesmo coloca a chaleira no fogo, quando temos visita", disse Karen.

Diga-se de passagem, Karen alegou que sentia uma conexão com o mundo espiritual desde pequena. Descrevendo-se como "muito psíquica", ela ficou convencida, que a casa onde havia crescido era assombrada, após o ouvir o som de batidas e passos, quando ninguém mais estava em casa. Então, em 2004, ela se mudou para a casa onde atualmente mora. Ela alegou que, após a mudança, tudo mudou.

"No começo, ouvia apenas batidas estranhas ou entrava na cozinha e notava as gavetas abertas e o que tinha dentro espalhado pelo chão. Certa vez, senti um puxão no meu roupão de banho, mas quando me virei não havia ninguém perto de mim", disse Karen, alegando que, certa noite, ela voltou para casa, por volta das 22h, e sentiu uma sensação estranha.
 
Foto tirada do lado de fora da casa de Karen, em que ela acreditar ser o fantasma de Malcolm
"Na época, uma das minhas portas estava meio solta, e fiquei um pouco com medo de que alguém pudesse ficar me espiando, então a arrastei para tampar a visão. Assim que me sentei, ouvi um forte barulho, e quando me virei para ver o que tinha acontecido, notei que a porta estava tremendo e se movendo", continuou.

"Meu cachorro, que infelizmente já faleceu, começou a rosnar e, logo em seguida, disparou em direção ao andar de cima. Fiquei completamente gelada. Telefonei para minha amiga, e disse que ela precisava vir até a minha casa, porque alguma coisa estava dentro dela. No começo, ela pensou que estava brincando, mas ouvindo o quão em pânico eu estava, ela logo percebeu que estava falando sério. Enquanto falava com ela, os barulhos pararam, então ouvi a chaleira apitar e as xícaras batendo umas nas outras no outro cômodo. Na minha mente, completamente aterrorizada, pensei: 'Essa coisa está me preparando uma bebida?'", completou.

Confira também o vídeo divulgado pelos tabloides britânicos, e que foi publicado por um canal de terceiros, no YouTube, onde Karen alegava até mesmo ter registrado a voz do Malcolm (em inglês, mas é possível acompanhar pelas imagens):



Inicialmente, a família e os amigos de Karen não acreditavam em sua história. Aliás, o fantasma teria ficado "quieto" durante um tempo. Então, quando seu companheiro Paul Dawson se mudou para a casa, ele também teve uma experiência paranormal.

Foto recente de Madison (à esquerda), agora com 16 anos, e Karen Wakefield (à direita), com 52 anos.
"Paul sempre foi muito cético, não acreditando em nada assim. Então, um dia ele estava assistindo a um filme enquanto eu estava na cama, quando ele disse que estava ouvindo um assobio e vendo algo algo passando em frente a tela. No entanto, ele não ficou com medo. Ele simplesmente subiu as escadas e me disse: 'Conheci o seu amigo fantasma'", disse Karen.

Em uma tentativa de saber mais sobre o fantasma, Karen convidou diversos médiuns, sendo que todos sentiram uma energia estranha na casa. Ela também contou com a ajuda de um "grupo de entusiastas paranormais", que costumavam "caçar-fantasmas" em um parque próximo, e que teriam registrado uma sombra misteriosa descendo as escadas em sua casa, sendo que uma câmera de circuito interno de TV instalada acabou sendo derrubada.

Em uma tentativa de saber mais sobre o fantasma, Karen convidou diversos médiuns, sendo que todos sentiram uma energia estranha na casa. Ela também contou com a ajuda de um "grupo de entusiastas paranormais", que costumavam "caçar-fantasmas" em um parque próximo, e que teriam registrado uma sombra misteriosa descendo as escadas em sua casa.
Foto tirada no ano passado, em que Karen acreditava ser o fantasma de Malcolm próximo a porta do seu quarto
"Não gosto de contar muita coisa sobre o que aconteceu para as pessoas, mas todos os médiuns concordam que há algo acontecendo. Eu sei que as pessoas podem ser muito céticas sobre esse tipo de coisa, sendo que eu mesma sou uma delas, que precisa ver para crer. De qualquer forma, até mesmo meus amigos, que não acreditam em fantasmas, dizem que há uma certa energia na casa", completou.

A casa de Karen foi construída na década de 1930, sendo que ela acredita que Malcolm morou em alguma outra propriedade que existia no local. Ela não tem certeza sobre o que o espírito quer, mas os amigos sugeriram que ele é especialmente atraído por ela, uma vez que pode lembrá-lo de sua esposa. Atualmente, Karen e Paul passaram a transmitir eventos de "caça-fantasmas" pelo Facebook, juntamente com a filha mais nova deles, a Madison, de 16 anos.

"As pessoas comentam o que elas viram. Muitas vezes são luzes piscando ou notam sombras atrás de nós, que nem mesmo percebemos no momento", continuou. Mesmo após a família ter conhecido a história de Malcolm através de uma tábua Ouija, e ter adotado uma abordagem mais amigável, suas "travessuras sobrenaturais" não se acalmaram.

"As pessoas comentam o que elas viram. Muitas vezes são luzes piscando ou notam sombras atrás de nós, que nem mesmo percebemos no momento", continuou. Mesmo após a família ter conhecido a história de Malcolm através de uma tábua Ouija, e ter adotado uma abordagem mais amigável, suas "travessuras sobrenaturais" não se acalmaram.
"Pode se tornar realmente perturbador. Atualmente, não durmo ou desço as escadas sozinha. Malcolm consegue até mesmo me imitar. Uma vez, eu ouvi minha própria voz enquanto estava descansando na minha cama. Outra vez, ouvi o Paul incessantemente chamando por mim, mas quando desci as escadas não havia ninguém, e nem mesmo seu carro estava do lado de fora. Ele tinha saído, mas tenho certeza que ouvi sua voz", completou.

"Sei que as pessoas podem não acreditar em mim, mas isso é o que está acontecendo. Muitos familiares e amigos viram isso, e se os céticos passarem uma noite na minha casa, eles também irão ver", finalizou.

Comentários Finais


Havia jurado para mim mesmo, que evitaria de fazer um comentário final nessa postagem, mas infelizmente não consegui resistir, visto que prefiro ter minha consciência limpa, quando deito a cabeça no travesseiro, do que fazer qualquer coisa mal feita e chamar de notícia. Se vocês lessem apenas a última parte dessa postagem, vocês realmente teriam informações suficientes claras para emitir uma opinião sobre o assunto? Embora o caso seja proveniente da mídia britânica, o que naturalmente é passível de desconfiança, situações muito semelhantes acabam se espalhando ao redor do mundo como meras cópias de um conteúdo simplificado, sem maiores detalhes e escrito para você acreditar exatamente no que é contado. Aliás, muitas pessoas realmente acreditam, exatamente por isso as agências de notícias continuam pagando por fotos borradas, sem qualidade alguma e vídeos ainda mais questionáveis. Esse é um ciclo financeiro, que não terá um desfecho tão cedo. Ironicamente, também faço parte desse ciclo, visto que estou comentando esse caso com vocês, porém existem dois fatores principais que me diferenciam da indústria do paranomal do Reino Unido. Primeiramente, faço questão de mostrar todo o histórico ou toda a história que existe por trás do que é divulgado e, em segundo lugar, para vocês terem uma ideia, se eu fizesse uma postagem com apenas quatro parágrafos e algumas fotos, sem contar absolutamente nada sobre esse casal, acrescentando um título sensacionalista e letras maiúsculas, eu receberia o mesmo valor pelo texto. E sabe por que continuo escrevendo? Porque eu me importo com quem lê, com você que está do outro lado.

Sinceramente, não tenho coragem de abrir um portal de notícias ou então o site da Wikipedia, copiar o conteúdo de forma indiscriminada e chamar o que faço de trabalho. É necessária muita dedicação em informar corretamente as pessoas, em procurar outras fontes, outras opiniões, pensamentos, pontos de vista, análises complementares, entre outros detalhes. Com o tempo, isso está se perdendo. Cada vez mais vemos a palavra "trabalho" ganhar outros significados mais sombrios do que qualquer caso fantasmagórico. Cada vez mais vemos pessoas não importando em informar, porque não compensa ou porque não é financeiramente rentável. Uma hora, inevitavelmente, isso também acontecerá comigo, mas enquanto isso vivo um dia de cada vez, com a certeza absoluta de saber que a palavra "trabalho" ao menos para mim, ainda tem a mesma definição daquela dos dicionários. E, talvez, seja exatamente essa palavra, uma das mais antigas do mundo, que se resume a história do casal Karen e Paul. Ambos conduziam sua lavanderia, o sustento de sua família, e que permitia que suas duas filhas estudassem e, de certa forma, tinham um bom futuro pela frente. Porém, em uma jogada totalmente inconsequente expuseram toda a realidade que tinham em volta, acreditaram que não precisavam mais trabalhar, eram celebridades. Pessoas queriam tirar fotos, vinham de todas as partes e os idolatravam. Contudo, a mídia expôs o triste lado do ser humano. Aquele que se esconde por trás de uma máscara, aquele que não tolera a opinião dos outros, e pouco se importa com as outras ao seu redor. Foi assim que as pessoas conheceram quem eles realmente eram, e o resultado foi um completo caos. As filhas foram prejudicadas, a lavanderia passou por inúmeros problemas, e Karen foi incapaz de entender o problema. Ela apontou o dedo para seus clientes, amigos, comunidade, políticos, mídia, o sistema judiciário e, por fim, um fantasma chamado Malcolm.

Como podemos culpar totalmente a Karen e o Paul por adotarem essa postura, quando conhecemos tantas pessoas a nossa volta que fizeram ou fazem a mesma coisa? Quantas pessoas abandonam ou abandonaram um trabalho honesto, dignificante e silencioso para se apoiarem na volátil indústria do entretenimento? Muitos se acham populares, amados e queridos por todos, porém isso é um conto de fadas, porque uma hora as máscaras caem e sobra apenas o cerne de cada um. Quanto ao suposto fantasma, acredito que não é necessário dizer nada. Karen e Paul não conseguiram se desvencilhar do encanto da mídia, de tentarem ser populares a todo custo e atualmente, ao que tudo indica, estão apostando na indústria do paranormal do Reino Unido. A filha mais velha, a Amber, aparentemente saiu de casa, visto que nem mesmo aparece em fotos familiares desde o ano passado. Imagino o que ela deve ter passado depois de tudo o que aconteceu. Enquanto isso, continuaremos vendo cada vez mais pessoas como Karen e Paul. Pessoas que seguem o caminho mais fácil ou o caminho mais curto. Afinal de contas, o espetáculo não pode parar. Contudo, em algum momento a vida cobra seu preço, sendo justamente nesse ponto em que notamos que o espetáculo não é teatral, mas um verdadeiro circo, e sem nenhuma plateia para aplaudir.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://metro.co.uk/2015/10/14/people-like-us-stars-claim-bbc-show-ruined-their-lives-5439823/
http://www.bbc.co.uk/programmes/profiles/4NM1gCsSqTzfWRxmNhZT8mM/the-wakefield-puppies
http://www.birminghammail.co.uk/news/people-like-manchester-star-warns-7979807
http://www.manchestereveningnews.co.uk/incoming/gallery/people-like-parents-court-after-10015763
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/people-like-couple-prosecuted-taking-10027936
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/people-like-creators-return-harpurhey-9781523
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/people-like-us-laundrette-closure-10098310
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/people-like-us-wishy-washy-10241072
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/school-term-time-holiday-manchester-8965950
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/stars-controversial-bbc-three-tv-1755905
http://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/tribute-childhood-friend-julie-archer-11009843
http://www.manchestereveningnews.co.uk/whats-on/film-and-tv/bbc-tv-series-people-like-1276007
http://www.mirror.co.uk/news/uk-news/psychic-mum-haunted-moody-ghost-11433181
http://www.mirror.co.uk/tv/tv-news/couple-claim-bbc-documentary-ruined-6618901
https://uk.linkedin.com/in/karen-wakefield-5730b281
https://www.facebook.com/DailyMail/videos/1517458161668432
https://www.thesun.co.uk/fabulous/4797818/mum-claims-her-house-has-been-haunted-for-13-years-by-a-ghost-called-malcolm-who-mimics-her-partner-smashes-photos-and-even-puts-the-kettle-on/
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