2 de outubro de 2017

Projeto Secreto? Misteriosas Torres de Metal Estão Sendo Espalhadas por Nova York e Ninguém Realmente Sabe o Motivo?


Por Marco Faustino

Falar sobre teorias conspiratórias sempre é muito interessante, e algumas vezes o desenrolar de algumas histórias chega a ser muito inusitado. Um exemplo disso foi uma matéria extremamente completa, que fiz em novembro do ano passado sobre um cidadão norte-americano chamado Jeffrey Alan Lash, que havia sido encontrado morto em seu próprio carro, em estado avançado de decomposição, em Los Angeles, nos Estados Unidos, no ano anterior. O Departamento de Polícia de Los Angeles, no entanto, se surpreendeu ao se deparar com cerca de 1.200 armas de fogo, que incluíam rifles, escopetas e pistolas, aproximadamente 6,5 toneladas de munições, arcos, flechas, facas e, aproximadamente cerca de US$ 230.000 em dinheiro vivo. Muitas dessas armas ainda se encontravam em suas respectivas caixas, com as etiquetas dos preço, além de diversos veículos, alguns modificados para serem utilizados nos mais diversos tipos de terrenos, e todos em nome desse homem. A situação ficaria ainda mais estranha, quando o advogado de uma mulher chamada Catherine Nebron, teria declarado que Jeffrey, que na época possuía 60 anos, afirmava ser um "humano-alienígena", uma espécie "híbrida", que trabalhava como agente secreto para diversas agências governamentais dos Estados Unidos. Curiosamente, Catherine alegava que estava ao lado de Jeffrey ao longo dos últimos 17 anos, mas o homem não tinha renda mensal compatível, que pudesse justificar o patrimônio bélico que tinha sido encontrado.

O problema é que Catherine Nebron não era o único "amor" de Jeffrey Alan Lash, e ao longo das investigações outras mulheres apareceram, e aparentemente todas sustentavam os caprichos e manias desse homem. Jeffrey chegou a dizer que era um super-espião, e que estava lutando para salvar o mundo. Ele teria confidenciado isso a poucas pessoas. Disse que trabalhava para uma agência secreta, uma que lidava com alienígenas. E, então, ao longo da postagem notamos que Jeffrey não colecionava apenas armas e carros, mas dezenas de milhares de DVD's, CD's e livros, entre outras milhares de bugigangas, sendo que muitas ainda estavam em suas respectivas caixas, intactas. Além disso, ele fez com que sua suposta última companheira, a Catherine Nebron, vivesse praticamente em cativeiro dentro de sua própria casa, dormindo em péssimas condições em um pequeno banheiro, e seguindo fielmente as instruções dadas por Jeffrey. Assim sendo, tentei coletar a maior quantidade possível de informações para tentar traçar um perfil desse homem, e responder como ele conseguiu fazer tudo isso sem praticamente ser notado por nenhuma autoridade norte-americana, e sem que suas "vítimas" conseguissem escapar do envolvimento emocional, que tiveram por ele. Portanto, vale muito a pena ler todo aquele material, que foi escrito e pesquisado com muito carinho para vocês (leia mais: O Caso Jeffrey Alan Lash: Um Híbrido Reptiliano, um Agente Secreto Norte-Americano ou um Estelionatário de Mulheres?).

Agora, foi divulgado que misteriosas "torres de metal" vêm sendo espalhadas na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, e as mesmas se tornaram um dos principais assuntos em diversos sites de cunho alarmista ou conspiratório, além de estarem sendo amplamente divulgadas por parte de algumas agências de notícias (a exemplo da Sputnik, que nem deveria ser considerada como agência de notícias, mas praticamente um órgão russo destinado a desinformação), e veículos de comunicação norte-americanos, brasileiros e internacionais (a exemplo da emissora norte-americana CBS, do Portal UOL, e do britânico Daily Mail). A situação ganhou força recentemente devido a uma reportagem realizada pela CBS, onde dizia que as tais "torres de metal misteriosas" estão surgindo próximas a túneis, e que brevemente começariam a surgir em pontes da cidade, porém nem mesmo os membros do conselho da MTA (sigla em inglês para "Autoridade de Transporte Metropolitano" de Nova York), que estão encarregados pelas torres, podem dizer a razão pela qual elas estão sendo usadas ou o que existe no interior das mesmas. Aparentemente, no total serão cerca de 18 torres, em uma espécie de projeto sigiloso da ordem de US$ 100 milhões (cerca de R$ 320 milhões). Entretanto, será que ninguém realmente sabe o propósito delas conforme vem sendo divulgado? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda Como Toda Essa História Realmente Começou: Um "Projeto Secreto", que Não Era Tão Secreto Assim


Quando algumas pessoas não veem algo, mas acreditam que o governo está fazendo algo secreto por diversos motivos, é porque o governo quer controlar a população e está se preparando para implantar a "Nova Ordem Mundial" (algo que particularmente acredito que já tenha sido implantada mediante aspectos geopolíticos, culturais e sociais há décadas), que é parente próxima do "Fim do Mundo", ou seja é a cada semana é anunciada como se estivesse chegando, mas nunca chega. Quando veem algo, mas não sabem o que tem dentro, ainda assim é secreto, ou seja, basicamente criado pelos mesmos motivos ou então para encobrir supostas atividades extraterrestres. Se veem o que tem dentro, mas encontram um botão vermelho em um cantinho aleatório, pronto, com certeza é um botão de pânico para liberar um gás venenoso e matar a população inteira. A questão é que não importa o que seja visto ou não visto, sempre haverá alguém que irá pinçar pontos aleatórios de um tema para formar um quebra-cabeças semelhante a uma pintura abstrata.

O caso referente a Nova York não seria diferente, porém para compreender melhor a situação precisamos voltar um pouco no tempo, mais precisamente em 5 de outubro do ano passado. Foi exatamente nesse dia, uma quarta-feira, que Andrew Cuomo, governador do estado norte-americano de Nova York desde 2011, anunciou durante uma coletiva de imprensa, na sede da Sociedade Histórica de Nova York, que iria substituir as antigas praças de pedágios por um sistema eletrônico de escaneamento em pontes e túneis. Vocês podem conferir esse anúncio, na íntegra, através do canal NYGovCuomo, no YouTube (em inglês):



Aliás, vocês também podem conferir um outro vídeo, publicado em 21 de dezembro de 2016, na mesma conta, ou seja, no canal NYGovCuomo, no YouTube, que cita a repaginação de setes pontes e dois túneis administrados pela MTA, além da utilização da tecnologia de reconhecimento facial como medida antiterrorista (a partir de 2:30 e em inglês):



Segundo o site do jornal "New York Daily News", as pontes e túneis operados pela "Autoridade Metropolitana de Transporte" (MTA, sigla em inglês) teriam um sistema automatizado, o que na prática facilitaria a mobilidade urbana. Ele apresentou um sistema de pedágio automatizado, no valor total de US$ 500 milhões, que faria com que o dinheiro fosse coletado dos motoristas através do "E-ZPass" (um equipamento destinado ao pagamento automático de pedágio, onde o motorista abre uma conta pré-paga e anexa um pequeno dispositivo eletrônico chamado transponder no parabrisa ou na placa do veículo, ou seja, o valor do pedágio é descontado automaticamente) ou então uma fatura seria enviada posteriormente para aqueles que decidissem pagar em dinheiro.

Esse era um sistema que, naquela época, já vinha sendo testado na Ponte Henry Hudson, que conecta Manhattan e o Bronx. De acordo com Cuomo, os motoristas economizariam cerca de 21 horas por ano no trânsito com o novo sistema.

Andrew Cuomo apresentou um sistema de pedágio automatizado, no valor total de US$ 500 milhões, que faria com que o dinheiro fosse coletado dos motoristas através do "E-ZPass"
O "E-ZPass" é um equipamento destinado ao pagamento automático de pedágio, onde o motorista abre uma conta pré-paga e anexa um pequeno dispositivo eletrônico chamado transponder no parabrisa ou na placa do veículo, ou seja, o valor do pedágio é descontado automaticamente.
"Temos as rodovias mais congestionadas do país. Se vocês repararem no tempo que gastamos no trânsito, o mesmo vem se tornando cada vez maior", disse Cuomo.

Dois túneis administrados pela MTA, o Queens-Midtown e o Battery (atualmente chamado de Hugh Carey) já estavam com previsão de receber o novo sistema em janeiro desse ano. No total, sete pontes da MTA, incluindo a Triborough, Throgs Neck e Verrazano, também receberiam o sistema até o final desse ano. Veronica Vanterpool, diretora da "Tri-State Transportation Campaign" e membro do conselho da MTA disse que existiam benefícios tanto ambientais quanto em termos de segurança com o novo sistema.

"Isso reduz o congestionamento nas praças de pedágio, visto que é um problema ambiental quando os carros estão parados com os motores ligados ou andando de forma bem lenta a espera de pagar o pedágio. Isso também evita que os motoristas, que estão dirigindo em uma alta velocidade, que troquem abruptamente de faixa para evitar uma fila maior", disse Veronica Vanterpool.

Dois túneis administrados pela MTA, o Queens-Midtown e o Battery (atualmente chamado de Hugh Carey) já estavam com previsão de receber o novo sistema em janeiro desse ano. No total, sete pontes da MTA, incluindo a Triborough, Throgs Neck e Verrazano, também receberiam o sistema até o final desse ano
Veronica Vanterpool, diretora da "Tri-State Transportation Campaign" e membro do conselho da MTA disse que existiam benefícios tanto ambientais quanto em termos de segurança com o novo sistema
"Temos as rodovias mais congestionadas do país. Se vocês repararem no tempo que gastamos no trânsito, o mesmo vem se tornando cada vez maior", disse Cuomo.
Os US$ 500 milhões também iriam ser destinados a nova iluminação de LED nas pontes, incluindo a Ponte George Washington, administrada pela Autoridade Portuária que, segundo Cuomo, iria gerar um show deslumbrante de luzes para os turistas. A temática do show de luzes? "A Cidade que Nunca Dorme".

"Nossas pontes são algumas das mais belas do mundo, apenas em termos de estrutura. Se elas fossem iluminadas, as mesmas poderiam ser de tirar o fôlego, e acredito que poderiam ser uma atração turística internacional", disse Cuomo.

O projeto relacionado as pontes e túneis também incluía cerca de US$ 100 milhões em verbas estaduais e federais para proteger os túneis de inundações, assim como aqueles que ocorreram com a passagem do furacão Sandy.

O projeto relacionado as pontes e túneis também incluía cerca de US$ 100 milhões em verbas estaduais e federais para proteger os túneis de inundações, assim como aqueles que ocorreram com a passagem do furacão Sandy
Concepção artística da nova iluminação interna de um dos túneis administrados pela MTA
Aliás, quem também forneceu maiores informações sobre o projeto foi o site de notícias QNS (Queens News and Community).

"Cerca de 800.000 veículos cruzam os túneis e pontes da MTA todos os dias, e os motoristas de Nova York gastam mais de 6.400 horas por dia ao esperarem para pagar os pedágios. O sistema é projetado para fazer com que os motoristas economizem até 21 horas no ano, no trânsito, que possam economizar aproximadamente um milhão de galões de combustível (aproximadamente 3,8 milhões de litros), e economizar US$ 2,3 milhões por ano", disse Cuomo.

Sensores e câmeras seriam instalados nas rodovias, e os carros não seriam obrigados a parar. Os motoristas com "E-ZPass" seriam cobrados automaticamente, e aqueles sem o equipamento teriam a placa registrada e uma conta seria enviada ao proprietário registrado. O financiamento do projeto viria do plano de capital da MTA, que era de US$ 27 bilhões. Confiram também a apresentação do projeto "New York Crossings" através do canal NYGovCuomo, no YouTube (em inglês):



Como parte do plano, câmeras e sensores avançados seriam instalados em cada cruzamento, ponte ou túnel para ler as placas e testar o programa e equipamentos de reconhecimento facial. A iluminação LED seria instalada em todas as pontes e túneis devido à sua eficiência energética, e sua capacidade de ser programada em diferentes cores e padrões.

Além disso, cerca de 525 funcionários da "Triborough Bridge and Tunnel Authority" (agência afiliada da MTA) iriam prover a segurança e o gerenciamento de tráfego em pontes e túneis, e iriam colaborar com a Polícia Estadual na cobrança do pedágio; 150 membros da Polícia Estadual de Nova York seriam destacados para cruzamentos para garantir a segurança e atividades antiterroristas; e 150 homens da Guarda Nacional iriam trabalhar com os policiais estaduais em iniciativas de segurança e antiterroristas.

O efetivo e o equipamento serão posicionados por trás de um véu de LED, e os portais de monitoramento serão instalados para que os oficiais possam ver todos os veículos que passam. Segundo Cuomo, o projeto iria reforçar a resiliência das pontes e túneis da cidade, aumentando a segurança em pontos vitais, revolucionando assim o transporte em Nova York para garantir que o Estado estivesse preparado para as próximas gerações.

"Cerca de 800.000 veículos cruzam os túneis e pontes da MTA todos os dias, e os motoristas de Nova York gastam mais de 6.400 horas por dia ao esperarem para pagar os pedágios. O sistema é projetado para fazer com que os motoristas economizem até 21 horas no ano, no trânsito, que possam economizar aproximadamente um milhão de galões de combustível (aproximadamente 3,8 milhões de litros), e economizar US$ 2,3 milhões por ano", disse Cuomo.
Imagem mostrando a quantidade e a localização das pontes e túneis administrados pela MTA
Assim como em qualquer outro lugar do mundo, esse projeto iria enfrentar problemas e a principalmente a desconfiança da população sobre como os recursos estavam sendo investidos. Um exemplo disso foi a notícia publicada no dia 21 de julho desse ano no site da revista "Architects Newspaper". A notícia começava dizendo que, no ano passado, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, havia falado com certo entusiasmo sobre seus planos de iluminar sete pontes em Nova York, com luzes LED multicoloridas e devidamente coreografadas, algo que deveria estar pronto no final desse ano.

Entretanto, em meio aos bloqueios e paralisações nas estações da MTA por toda a cidade, algo que acabou sendo apelidado de "verão infernal" devido o caos no transporte público de Nova York durante o verão (no Hemisfério Norte), tanto para moradores locais quanto para os turistas, as pessoas começaram a se questionar como realmente a cidade estava gastando o dinheiro em termos de infraestrutura.

Entretanto, em meio aos bloqueios e paralisações nas estações da MTA por toda a cidade, algo que acabou sendo apelidado de "verão infernal" devido o caos no transporte público de Nova York durante o verão (no Hemisfério Norte), tanto para moradores locais quanto para os turistas...
...as pessoas começaram a se questionar como realmente a cidade estava gastando o dinheiro em termos de infraestrutura.
Um porta-voz do governo chamado Jon Weinstein enviou um email ao site do jornal e revista "Politico" para dizer que o projeto de iluminação das pontes não estava sendo pago pela MTA, indicando que os custos poderiam estar sendo divididos entre a Autoridade de Energia da Cidade de Nova York (NYPA) e a "Empire State Development". Já a MTA e a Autoridade de Energia da Cidade de Nova York pareciam pensar diferente:  Em março desse ano, o Conselho de Administração da NYPA apresentou uma estimativa de US$ 216 milhões para o projeto, com o envolvimento da MTA, embora fosse um plano financeiro não auditado com o custo do projeto colocado separadamente.

Os críticos, no entanto, foram rápidos para distinguir a parte cosmética, por assim dizer, da parte realmente necessária, como os reparos de pontes e túneis após a passagem do furação Sandy. Por exemplo, em um dos projetos pós-Sandy, a recuperação do túnel e da praça de saída do lado de Manhattan do túnel Queens Midtown incluíam US $ 7,3 milhões em verbas adicionais para criar um padrão decorativo de azulejos azuis e dourados, que refletissem as cores oficiais do Estado de Nova York.

Por exemplo, em um dos projetos pós-Sandy, a recuperação do túnel e da praça de saída do lado de Manhattan do túnel Queens Midtown incluíam US $ 7,3 milhões em verbas adicionais para criar um padrão decorativo de azulejos azuis e dourados, que refletissem as cores oficiais do Estado de Nova York.
Além disso, a Autoridade Portuária retirou oficialmente a Ponte George Washington da parte de iluminação do plano coletivo, que foi apelidado de "New York Crossings". No entanto, essa iniciativa não era referente somente a questão da iluminação. O escritório do governador enquadrava o "New York Crossings" como um "projeto de arte pública que abordaria uma série de outras preocupações cívicas": o pagamento automatizado de pedágios projetado para reduzir o tempo de deslocamento no trânsito; o aumento da segurança através de pontos de verificação (através de programa de reconhecimento facial nessas estações); atualizações sísmicas para cada ponte (o plano também incorporava unidades estruturais de concreto armado subaquáticas) e sustentabilidade (introduzindo unidades de LED sempre que possível)."

Na época da notícia, ou seja, no fim de julho desse ano, a data prevista para a finalização do projeto  "New York Crossings" era somente em maio de 2018, mesmo com o escritório do governador alegando que a MTA não estivesse gastando nenhum centavo com a iniciativa. Uma análise independente realizada pelo grupo de vigilância "Reinvent Albany", no entanto, estimou que a agência havia gastado cerca de US$ 40 milhões nas torres decorativas e iluminação de LED até aquele momento.

Obviamente, essa polêmica ainda iria longe. Em 14 de setembro desse ano, o site "Politico" publicou um texto intitulado "Tunnel towers give rise to questions about MTA board" ("Torres em Túneis geram questionamentos em relação ao conselho da MTA", em português), no qual era mencionado que as "torres decorativas" ficavam visivelmente localizadas nas entradas dos túneis Queens Midtown e Brooklyn Battery, uma de cada lado, com cerca de 9 metros de altura, possuindo listras prateadas modernas e estilosas além do brasão do Estado de Nova York. Em uma recente entrevista ao ser questionado sobre a utilidade das torres, Neal Zuckerman, um membro do conselho da MTA, disse que, na verdade, ele não sabia o que eram as tais estruturas.

As "torres decorativas" ficavam visivelmente localizadas nas entradas dos túneis Queens Midtown e Brooklyn Battery, uma de cada lado, com cerca de 9 metros de altura, possuindo listras prateadas modernas e estilosas além do brasão do Estado de Nova York
Foi mencionado que as torres de túneis faziam parte da grande visão do governador Andrew Cuomo em redesenhar as pontes e túneis administradores pela MTA, na cidade de Nova York, tanto operacionalmente, quanto esteticamente. O plano ambicioso, que incluía luzes e pedágio eletrônico, acabou dando origem a perguntas sobre a utilidade e o custo de algumas dessas melhorias, além da administração da própria MTA. Essas questões, no entanto, tinham se transformado em uma denúncia formal apresentada pelo grupo "Reinvent Albany" no Escritório de Orçamento das Autoridades do Estado de Nova York, órgão encarregado de vigiar a quantidade vertiginosa de autoridades quase independentes do Estado.

Na denúncia era alegado que os túneis, com um custo estimado em mais de US$ 40 milhões, era um exemplo bem emblemático em relação aos problemas ainda maiores sob a supervisão da MTA perante o projeto "New York Crossings", e solicitava ao escritório, que "determinasse se os membros do conselho do MTA tinham cumprido seu dever fiduciário através da supervisão adequada das atividades e despesas" relacionadas ao projeto. O diretor do Escritório de Orçamento de Autoridades, Jeffrey Pearlman, disse que o escritório estava analisando a denúncia, e qualquer relatório resultante dessa análise seria de acesso público.

Essas questões, no entanto, tinham se transformado em uma denúncia formal apresentada pelo grupo "Reinvent Albany" no Escritório de Orçamento das Autoridades do Estado de Nova York, órgão encarregado de vigiar a quantidade vertiginosa de autoridades quase independentes do Estado.
Documentos da própria MTA mostravam que a revitalização ou "redecoração" de túneis apresentada no ano passado por Andrew Cuomo poderia incluir as tais torres nas entradas dos túneis "Queens Midtown" e "Brooklyn Battery", sendo que as mesmas eram descritas apenas como de "natureza arquitetônica". Na ata de abril do Comitê de Pontes e Túneis da MTA era possível ler que torres "criariam um tom unificador para diversas pontes e túneis". O custo total, tanto do projeto "New York Crossings" quanto das torres "arquitetônicas", no entanto, permanecia um mistério.

Originalmente, o governador sugeriu que todos os esforços em prol do "New York Crossings" custariam US$ 500 milhões, mas isso não parecia incluir alguns de seus custos, como os US$ 216 milhões estimados para as luzes coreografadas das pontes. Em outubro do ano passado, quando o conselho votou para permitir a cobrança eletrônica nas pontes e túneis administrados pelo MTA, "diversos membros do conselho" expressaram frustração diante da opacidade da resolução. O grande problema é que a mídia não colocou o número de membros que expressou essa frustração, que foram apenas 3 membros de um total de 23 membros que o conselho da MTA possui. Vocês vão notar no decorrer da postagem que esse número não é informado em nenhum momento.

"Esse talvez seja um grande voto para algo que basicamente não temos nenhum detalhe", disse Polly Trottenberg, membro do conselho e comissária de transportes da cidade de Nova York, naquela época.

"Esse talvez seja um grande voto para algo que basicamente não temos nenhum detalhe", disse Polly Trottenberg, membro do conselho e comissária de transportes da cidade de Nova York, naquela época
John Kaehny, diretor-executivo da Reinvent Albany, estimava que o custo total do projeto "New York Crossings" excederia mais de um bilhão de dólares em verbas públicas, e que apenas as torres "arquitetônicas" custariam cerca de US$ 43 milhões. O MTA não comentava sobre as estimativas. Enquanto os documentos apresentados ao conselho do MTA descreviam claramente as torres como se fossem de "natureza arquitetônica", o MTA passou a dizer depois que, contrariamente a esses documentos, as torres possuíam câmeras de monitoramento de tráfego e outros equipamentos relacionados a Segurança Interna (referência direta ao chamado Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos) que, de um jeito ou de outro, seriam implantados nas antigas estruturas de pedágio.

Um porta-voz do MTA chamado Shams Tarek disse que os resumos repassados ao conselho e os comunicados de imprensa não refletiam o projeto de maneira completa, e nem todos os elementos do projeto estavam detalhados. Aliás, questões de segurança geralmente não eram discutidas em detalhes. Alguns membros do conselho acharam essa explicação bem desconcertante.

"Não ouvi dizer que essas torres teriam quaisquer funções operacionais, além de serem aprimoramentos arquitetônicos", disse Veronica Vanterpool, outro membro do conselho. Ao ser questionado sobre a forma inadequada que a MTA havia analisado o projeto "New York Crossings", Jon Weinstein emitiu uma nota, que focou apenas na questão do pedágio eletrônico.

"Não ouvi dizer que essas torres teriam quaisquer funções operacionais, além de serem aprimoramentos arquitetônicos", disse Veronica Vanterpool, outro membro do conselho
"A conversão do pedágio, para ser utilizado sem a necessidade de dinheiro vivo, vem sendo discutida há anos. O Estado de Nova York foi um dos últimos a fazer a transição e requer uma fiscalização adicional para reduzir as fraudes. Foi um longo e detalhado processo, sendo os dispositivos de segurança e eletrônicos envolveram muitas agências diferentes por anos. É um grande sucesso, que reduzirá o congestionamento e as emissões de gases, agilizando nossas artérias de transporte e economizará milhares de horas no tempo de deslocamento na cidade", disse Jon Weinstein.

Outros sites também abordaram esse mesmo assunto através de notícias naquela mesma época (entre os dias 14 e 15 de setembro). Como exemplo temos o site da estação de rádio WYNC, e do jornal AM New York, com os respectivos títulos já devidamente traduzidos para o português: "Acusada de Gastar US$ 42 milhões em Torres Decorativas, MTA Admite que são Voltadas para a Segurança" (14) e "Conselho da MTA aprova milhões em projetos que não tem conhecimento, dizem os vigilantes" (15). Diga-se de passagem, a imprensa só ficou sabendo do que estava acontecendo devido a uma nota publicada no dia 14 de setembro no site da Reinvent Albany, que continha justamente toda a documentação que o grupo deu entrada no Escritório de Orçamento das Autoridades do Estado de Nova York, cerca de uma semana antes (clique aqui, caso queira fazer o download do documento submetido pela Reinvent Albany, em PDF e em inglês).

Em entrevista para WYNC, John Kaehny, diretor-executivo da Reinvent Albany, disse que o assunto não era apenas uma questão se era um desperdício gastar dinheiro em torres prateadas ou decorativas enquanto o metrô estava se desmantelando, mas se a população poderia confiar em todo o processo realizado pela MTA e no próprio sistema oferecido. Quando um porta-voz da MTA resolveu dizer que a estrutura abrigava elementos de segurança, John questionou a razão pela qual isso nunca foi mencionado em qualquer documento da própria MTA.

Em entrevista para WYNC, John Kaehny (à direita), diretor-executivo da Reinvent Albany, disse não era apenas uma questão se era um desperdício gastar dinheiro em torres prateadas ou decorativas enquanto o metrô estava se desmantelando, mas se a população poderia confiar em todo o processo realizado pela MTA e no próprio sistema oferecido
Curiosamente, Charles Moerdler, membro do conselho da MTA e presidente do Comitê de Pontes e Túneis, disse em entrevista para WYNC, que não era verdade que o conselho desconhecia o verdadeiro propósito da torre. Ele disse que a MTA costumava prover segurança para a população de diversas formas e, detalhar qualquer uma dessas formas não era de interesse público. Charles, no entanto, não explicou a razão pela qual as torres foram referidas como "aprimoramentos arquitetônicos" em vez de torres para abrigar equipamentos de segurança. Além disso, um porta-voz do gabinete do governador se recusou a comentar se o MTA havia enganado ou não a população sobre o real propósito das torres.

O "AM New York" se referiu as torres, um total de 18 (duas em cada uma das entradas das sete pontes e dois túneis administrados pela MTA) como uma "pequena parte do projeto do governador". Foi apontado também que os custos referentes as torres foram distribuídos em oito emendas (pequenas alterações) contratuais aprovadas ao longo de três reuniões do conselho, tornando difícil para a população, e provavelmente para o próprio conselho, acompanhar o motivo das despesas, se o montante para tais projetos tinha sido adequado ou se as torres seriam construídas dentro prazo e do orçamento disponibilizado.

Curiosamente, Charles Moerdler, membro do conselho da MTA e presidente do Comitê de Pontes e Túneis, disse em entrevista para WYNC, que não era verdade que o conselho desconhecia o verdadeiro propósito da torre
Novamente, o John Kaehny foi consultado e fez declarações bem interessantes, visto que essa prática não seria bem uma novidade em relação a MTA, porém não em termos conspiratórios, mas de ordem exclusivamente financeira. Leiam bem o que ele declarou, logo abaixo:

"Existem múltiplas e diferentes emendas contratuais para as torres, que você não consegue acompanhar, e isso pode levar a um excesso de gastos, sendo justamente essa a fama da MTA", disse John Kaehny, acrescentando que a principal e maior questão de todas é se a MTA tinha adotado uma postura similar em relação ao financiamento e obtenção da aprovação do conselho em projetos anteriores. Ele disse que tais práticas poderiam prejudicar financeiramente uma agência conhecida por custos operacionais inflados, ou seja, uma agência que gasta muito para fazer as coisas.

Durante uma reunião em maio, a Polly Trottenberg, membro do conselho e comissária de transportes da cidade de Nova York, absteve-se de votar uma emenda do plano de capital por esse motivo. Mesmo sem o seu voto, o conselho ainda conseguiu aprovar a emenda, um documento de 178 páginas, que foi apresentado dois dias antes.

John Kaehny disse que a principal e maior questão de todas é se a MTA tinha adotado uma postura similar em relação ao financiamento e obtenção da aprovação do conselho em projetos anteriores.
"Admito que eu sentia que havia algumas coisas lá que eu realmente não entendia. Há muita informação aqui, e concordo que alguns dos principais tópicos aqui são conhecidos, mas o diabo está nos detalhes", disse Polly, logo após aquela reunião.

Segundo Christopher McKniff, outro porta-voz da MTA, além de câmeras de monitoramento de tráfego e outros equipamentos relacionados a Segurança Interna que, de qualquer forma, seriam implantados nas antigas estruturas de pedágio, a principal função das torres era dar suporte a cobrança do pedágio, sendo que as mesmas ampliavam diversas iniciativas em termos de segurança.

O Custo das Torres Era Muito Maior do que o Grupo "Reinvent Albany" Estimava


No dia 25 de setembro desse ano, ou seja, na segunda-feira passada, o site "Politico" apontou para o verdadeiro custo da implantação das torres em todas as pontes e túneis administrados pela MTA: cerca de US$ 100 milhões. Esse número foi fornecido por Cedrick Fulton, presidente da Divisão de Pontes e Túneis da MTA, naquele mesmo dia, após uma grande insistência por parte de membros do conselho.

Até o presente momento, no entanto, a MTA havia gastado entre 42 e 47 milhões de dólares para instalar as torres nas entradas dos túneis Brooklyn Battery e Queens Midtown, além da Ponte Triborough. Isso significava que, US$ 58 milhões previstos no orçamento do projeto, ainda não tinham sido gastos. Um porta-voz do MTA não respondeu imediatamente, quando questionado se a MTA pretendia prosseguir com as despesas adicionais da ordem de US$ 58 milhões.

Além disso, o MTA e o governador Andrew Cuomo ainda não tinham emitido quaisquer comunicados oficiais sobre as tais torres desde o anúncio oficial do projeto. Por outro lado, vale lembrar que não era nenhuma novidade um acréscimo em termos de segurança.

Até o presente momento, no entanto, a MTA havia gasto entre 42 e 47 milhões de dólares para instalar as torres nas entradas dos túneis Brooklyn Battery e Queens Midtown, além da Ponte Triborough. Isso significava, que US$ 58 milhões previstos no orçamento do projeto, ainda não tinham sido gastos
"Particularmente, acharia melhor usar os US$ 58 milhões para realizar reparos no metrô", disse Polly Trottenberg, que se tornou uma das vozes mais ativas, juntamente com Veronica Vanterpool, entre os membros do conselho da MTA. Ambas pressionaram Cedrick Fulton.

"Quanto custou essas torres? Estou confusa sobre isso, talvez não deveria estar, mas sinto que estou após tantas alterações. Ainda não sentia como se pudesse uni-las totalmente. E, vou dizer que no momento em que votamos sobre esses itens, que certamente não entendia o que eram essas torres enormes, que parecem custar dezenas de milhões de dólares", questionou Polly Trottenberg.

Joe Lhota, presidente em exercício da MTA
À medida que a reunião da comissão estava sendo inciada, o presidente da MTA, Joe Lhota, apareceu pessoalmente na sala de imprensa para exibir um novo painel de controle online, que proporcionaria maiores e melhores informações sobre o desempenho das linhas de metrô. Ele chegou a dizer que os passageiros "mereciam ter toda a informação possível". Enquanto ele falava, Liz Marcello, a diretora de campanha da Reinvent Albany mostrava os detalhes sobre as torres ao conselho.

"Esse conselho tem um dever fiduciário em relação ao MTA e a população de Nova York para analisar e entender completamente os assuntos, que lhe são submetidos, e estar plenamente informado antes de aprovar contratos e gastos. Estar plenamente informado significa que o conselho do MTA precisa saber o custo total dos projetos", disse Liz Marcello.

A Reportagem Realizada pela CBS: Quando a Grande Mídia se Torna a Única Fonte de uma Teoria da Conspiração


Uma vez que não há nenhuma lógica necessária para criar uma teoria da conspiração, qualquer fonte de informação pode se tornar conveniente aos olhos dos seus criadores. Normalmente, você deve ler ou escutar por aí, que a grande mídia, ou seja, os grandes veículos de comunicação mentem para as pessoas, escondem os fatos, a realidade e trabalham todos unidos para os grandes líderes mundiais e, ocasionalmente, todos participam de encontros secretos onde cultuam Satanás. Um dos principais elementos de uma teoria conspiratória é justamente desacreditar todos a volta e se lançar como a única verdade disponível, afinal de contas, a grande mídia mentiria para todos. Agora, e se um grande conglomerado da comunicação nos Estados Unidos e no mundo, assim como a CBS, fizesse uma reportagem sobre torres de metal misteriosas, e alegasse que ninguém soubesse para que as mesmas servem? Deveríamos acreditar, uma vez que a mídia mente para as pessoas? Aos olhos dos criadores de teorias conspiratórias isso não importa em absolutamente nada, tudo é uma questão de dialética, que passa desapercebida.

Esse foi exatamente o caso da reportagem da CBS, publicada no dia 27 de setembro tanto em seu site, quanto em seu canal, no YouTube. Aliás, assistam e acompanhem o que foi falado durante a reportagem, e se ponham no lugar de quem tivesse contato pela primeira vez com esse assunto, e não soubesse de absolutamente nada do que mostrei para vocês até esse momento:



"Misteriosas torres de metal estão surgindo em túneis locais, e logo elas começarão a aparecer em pontes também. Porém, de acordo com o repórter Dave Carlin, nem mesmo os membros da MTA, encarregados de tais torres, conseguem dizer para que elas estão sendo usadas e o que existe nas mesmas.

O morador Jose Lugo disse que as torres de metal apareceram rapidamente assim que a praça de pedágio do Brooklyn Battery foi desmantelada.


'Não sabemos exatamente qual é o propósito disso', disse Jose Lugo.

"Não sabemos exatamente qual é o propósito disso", disse Jose Lugo.
Misteriosas torres de metal estão surgindo em túneis locais, e logo elas começarão a aparecer em pontes também. Porém, de acordo com o repórter Dave Carlin, nem mesmo os membros da MTA, encarregados de tais torres, conseguem dizer para que elas estão sendo usadas e o que existe nas mesmas
É um projeto da MTA na ordem US$ 100 milhões, envolvido em segredos, com 18 dessas torres planejadas para túneis e pontes. Então, o que elas são exatamente? O homem encarregado das pontes e túneis, Cedrick Fulton, se esquivou das perguntas de Dave Carlin na quarta-feira (25).

'Não há o que comentar', disse Cedrick.

O homem encarregado das pontes e túneis, Cedrick Fulton, se esquivou das perguntas de Dave Carlin na quarta-feira (25).
Alguns membros do conselho da MTA, incluindo a comissária de transportes da cidade de Nova York, Polly Trottenberg, dizem que eles sabem muito pouco sobre as torres, embora metade do dinheiro já tenha sido gasto, e algumas das torres já tenham sido erguidas.

'Muitos membros do conselho sentiram que não tiveram todos os detalhes que precisavam, incluindo a mim mesma', disse Polly.

"Muitos membros do conselho sentiram que não tiveram todos os detalhes,
que precisavam, incluindo a mim mesma
", disse Polly.
Os moradores suspeitam que há muito mais nas torres do que seus olhos podem ver, e se perguntam se eles realmente saberão o que está acontecendo dentro delas.

'Suponho que não seja apenas um objeto de decoração', disse Alyssa Renkas, moradora do bairro Upper West Side.

'É um pouco incompreensível, que a MTA aprove US$ 100 milhões para o que nos parece ser grandes pilares decorativos. Estamos pedindo por transparência ao MTA", disse John Kaehny, líder do grupo de vigilância Reinvent Albany.

"Suponho que não seja apenas um objeto de decoração", disse Alyssa Renkas,
moradora do bairro Upper West Side.
"É um pouco incompreensível, que a MTA aprove US$ 100 milhões para o que nos parece ser grandes pilares decorativos. Estamos pedindo por transparência ao MTA", disse John Kaehny, líder do grupo de vigilância Reinvent Albany.
A CBS2 exigiu respostas do presidente da MTA, Joe Lhota.

'Alguns de seus próprios membros do conselho dizem que não conhecem as especificidades', disse Dave Carlin.

'A base dessas novas estruturas, que estão sendo erguidas inclui todo tipo de fibra ótica necessária para itens de Segurança Interna', disse Joe Lhota.

"Alguns de seus próprios membros do conselho dizem que não conhecem as especificidades", disse Dave Carlin.
 "A base dessas novas estruturas que estão sendo erguidas inclui todo tipo de fibra ótica necessária para itens de Segurança Interna", disse Joe Lhota.
Em outras palavras, tecnologia antiterrorista. Poderia, um dia, incluir reconhecimento facial? Não sabemos e Lhota não irá dizer.

'Não tenho liberdade para discutir isso', disse Joe Lhota para Dave Carlin.

Frame mostrando os detalhes de um dos equipamentos montados nas torres
Então, conforme mais dessas torres caras sejam erguidas, o mistério permanece escondido dentro delas. Lhota disse que toda a tecnologia necessária para a Segurança Interna permanece em vigor em todos os cruzamentos, mesmo aqueles que ainda não possuem as novas torres."

Sinceramente, algo que incomoda muito na reportagem da CBS, é o número de cortes rápidos de imagens e edições, aparentemente para fazer com que a dinâmica da mesma refletisse apenas o objetivo da reportagem, visto que aquilo pode ser qualquer coisa, menos uma reportagem investigativa. Foi exatamente apenas essa curta reportagem de dois minutos, com narrativas bem pontuais e intercaladas com frases ainda mais curtas de alguns poucos personagens dessa história, que serviu de combustível para sites de cunho conspiratório, e canais alarmistas no YouTube. A absoluta maioria começou a pregar que essa seria uma nova forma de controle do Estado, de evitar protestos da população, entre outras coisas.

A Reportagem Realizada pela "NBC New York" e as Teorias Conspiratórias que Passaram a Circular Após a Reportagem da "CBS"!


Para efeito de comparação, achei interessante mostrar a vocês a reportagem realizada pela "NBC New York" sobre esse mesmo assunto. Será que vocês vão notar alguma diferença entre o que foi exibido por ambas para os moradores de Nova York? Confira abaixo a reportagem através de um canal de terceiros, no YouTube (em inglês, mas irei destacar os principais pontos):



A reportagem começa com o repórter Andrew Siff dizendo que novas torres estavam sendo erguidas nas entradas de túneis e pontes por toda a cidade, mas muitas questões permaneciam sobre o que elas eram, quanto custavam e o quanto havia sido divulgado sobre as mesmas antes de serem erguidas. Moradores locais, a exemplo de Gordon Francis, passaram a notar essas torres que, de acordo com a MTA têm a capacidade de ler as placas dos veículos e, talvez, obter informações adicionais ou desempenhar outras tarefas.

"Eles podem estar invadindo um pouco demais a nossa privacidade, especialmente sem a nossa prévia autorização", disse Gordon Francis.

"Eles podem estar invadindo um pouco demais a nossa privacidade,
especialmente sem a nossa prévia autorização
", disse Gordon Francis.
John Kaehny, da "Reinvent Albany", que analisa os contratos estaduais, disse que três membros do conselho da MTA disseram ao grupo que eles não sabiam nada sobre as torres (lembrando que existe um total de 23 membros e a imprensa não fez questão alguma de coletar informações dos demais, apenas casos pontuais). John havia dito que o escritório do governador Andrew Cuomo havia prometido que, ao reformar os túneis e pontes, os mesmos poderiam ler as placas dos carros e testar o programa de reconhecimento facial. Segundo John, a preocupação é que eram US$ 100 milhões de verbas públicas que foram espalhadas em seis contratos diferentes da MTA, e que sequer foram aprovados pelo conselho da MTA.

Por sua vez, Joe Lhota disse que os fatos foram apresentados ao conselho do MTA através de uma apresentação no PowerPoint. Ele também foi questionado na semana passada, se o programa de reconhecimento facial fazia parte das torres. Quero que prestem bem a atenção em relação a resposta dele.

"Não tenho liberdade para discutir isso, e não irei colocar minha posição oficial em termos de acesso a informações de segurança em risco ou falar sobre quaisquer itens de segurança, que estejam nas mesmas", disse Joe Lhota.

"Não tenho liberdade para discutir isso, e não irei colocar minha posição oficial em termos de acesso a informações de segurança em risco ou falar sobre quaisquer itens de segurança, que estejam nas mesmas", disse Joe Lhota.
Resumindo? Além de Joe Lhota, provavelmente muitos membros da MTA e outras pessoas tiveram acesso as informações sobre o real propósito das torres, quais equipamentos de segurança existem nelas e, eventualmente, se elas contêm câmeras destinadas ao reconhecimento facial de pessoas, sendo que este último já havia sido amplamente comentado pelas autoridades no passado. Em outras palavras, isso não é nenhuma novidade, visto que essa questão de reconhecimento facial já tinha sido citada anteriormente pelo governador, e está cada vez mais presente em celulares (incluindo digitais, íris etc). Embora, seja importante saber como o dinheiro público está sendo gasto e quão a privacidade das pessoas está sendo invadida, como um governo irá explicar todos os detalhes técnicos sobre o que está fazendo para evitar ataques ou atentados? Imagine você entrando em uma loja ou em um banco e pedindo ao gerente para que diga a você onde estão as câmeras, como funciona o sistema de segurança, porque você como cliente ou consumidor tem o direito de saber para não ter sua privacidade invadida. Acha mesmo que o gerente vai contar para você? Obviamente, não.

É por isso que é necessário haver pessoas com credibilidade, que tenham acesso ao que esteja sendo feito, e que garantam os direitos individuais e a liberdade de expressão e locomoção. Políticos, órgãos governamentais e as famosas autoridades nova-iorquinas (que possuem toda uma estrutura e operacionalidade próprias, e que demoraria um pouco para explicar para vocês) não costumam ser bons exemplos disso. Teóricos da conspiração não ligam a mínima para esse processo. Enquanto John Kaehny e seu grupo exercem um papel fundamental e adotam mecanismos legais para a obtenção de informações e pressionam pessoas a exercerem os cargos a que foram incumbidos, outras criam as mais diversas hipóteses possíveis e inimagináveis sobre a situação.

Enquanto John Kaehny e seu grupo exercem um papel fundamental e adotam mecanismos legais para a obtenção de informações e pressionam pessoas a exercerem os cargos a que foram incumbidos, outras criam as mais diversas hipóteses possíveis e inimagináveis sobre a situação.
Um exemplo disse foi o site "Mysterious Universe" que, no dia 29 de setembro, alegou que atitude evasiva por parte das autoridades abria espaço para especulações conspiratórias, que incluíam:
  • Detectores de Bombas;
  • Detectores de Radiação;
  • Leitores de Dados de Celular;
  • Armas Sonoras Direcionais;
  • Emissores de Ondas de Rádio Não-Letais;
  • Dispositivos de Negação de Acesso;
  • Detectores de Disparo de Armas;
  • Torres de Vigilância;
  • Sistemas de Controle Mental
Ainda segundo o site "Mysterious Universe", ninguém parecia ter nenhuma sugestão indicando acreditar que as torres tivessem sido colocadas e destinadas a algo positivo. Agora, adivinhem em que foi baseado o texto? Na reportagem da CBS, é claro! Além disso, o site, por exemplo, desconsiderou a opinião em comentários nos sites da CBS, da NBC York e diversos outros sites e canais no YouTube, onde diversos moradores, apesar de desconfiados, diziam que, em se tratando de segurança interna, ainda mais uma cidade como Nova York, as autoridades não iriam entregar o esquema de segurança na mão de terroristas ao revelar para a população todos os detalhes. Evidentemente, assim como disse anteriormente, precisa haver alguém que tenha acesso, assegure, tenha confiabilidade e que garanta os direitos individuais das pessoas. Geralmente, esse papel cabe ao Poder Judiciário mediante ações de grupos, que demonstrem a falta de transparência de recursos públicos ou abusos de autoridade por parte do Poder Executivo.

O problema é que, quando você pinça elementos de uma história, cria uma realidade paralela, que pode ou não acontecer, mas convence as pessoas que irá acontecer de forma iminente, desvia a real importância da discussão do tema original, dos métodos legais para obter informações (cujo acesso nos Estados Unidos consegue ser melhor que o nosso), e ignora tudo aquilo que já foi divulgado sobre o tema. É extremamente benéfico que as pessoas fiscalizem o que seus representantes fazem, mas é extremamente maléfico quando algumas pessoas distorcem uma história em benefício próprio, ou seja, tão somente baseado em palpites, fatos inconclusos, suposições etc. Especulação gera especulação, fatos geram conhecimento.

É extremamente benéfico que as pessoas fiscalizem o que seus representantes fazem, mas é extremamente maléfico quando algumas pessoas distorcem uma história em benefício próprio, ou seja, tão somente baseado em palpites, fatos inconclusos, suposições etc. Especulação gera especulação, fatos geram conhecimento.
De qualquer forma, o site do jornal "New York Post" publicou que todas as praças de pedágio, dos túneis e pontes administrados pela MTA, iriam desaparecer definitivamente nesse último fim de semana, algo que acabaria sendo concluído cerca de 3 meses antes do prazo estimado, que era no máximo até 31 de dezembro desse ano, ou seja, o sistema implantado, seja ele qual fosse, já está  operando nas entradas de túneis e pontes administrados pela MTA.

Só para finalizar, a cidade de Nova York possui cerca de 64 pontes sobre corpos d'água e 23 túneis. O sistema atual foi ou será implantado apenas em 7 pontes e 2 túneis (não encontrei informações disponíveis se as tais torres já se encontram em todas as pontes ou túneis administrados pela MTA até o fechamento dessa matéria). Isso não quer dizer que algo semelhante não venha acontecer no futuro, porém é bom deixar bem claro a quantidade de tais equipamentos não cobrem todos os túneis ou pontes da cidade de Nova York.

Comentários Finais


Não pretendia escrever um comentário final, mas achei necessário fazê-lo, ainda que fosse curto, para finalizar adequadamente essa postagem. Em primeiro lugar, não estou querendo dizer que nenhum governo seja honesto em relação as atitudes que toma, principalmente em relação a própria população. Obviamente, é necessário fiscalizar e estar atento as atitudes tomadas pelos governantes, ainda mais se tratando de uma das maiores cidades do mundo, assim como é Nova York. Por outro lado, seria muito importante ter uma imprensa realmente isenta, algo que não acontece em nenhuma parte do mundo, para realmente abordar a situação da maneira adequada, ou seja, informando exatamente o que vem sendo discutido, a razão pela qual está sendo discutido, e as implicações sobre o que está sendo discutido. Em vez disso, a CBS, por exemplo, ignorou tudo o que havia sido divulgado entre outubro e dezembro do ano passado, do que havia realmente sido colocado e levantado pelo grupo "Reinvent Albany" durante esse ano, e ressaltou apenas a opinião de pouquíssimos membros da MTA, quando esse número é superior a vinte membros. Qual é a opinião dos demais? Eles sabiam a real finalidade das torres? Eles foram comunicados sobre isso? Quais elementos foram mostrados na apresentação do PowerPoint? É estranho que alguém levante a mão após tantas sessões e diga que não tinha entendido totalmente. Então, por que não perguntou na época? Ficou parecendo um aluno do Ensino Fundamental com medo de fazer perguntas ao professor, porque tinha vergonha ou medo dos colegas rirem dele. Por que não foi incisivo e questionou a situação conforme seu cargo e posição social exigia? São perguntas que ficaram sem respostas.

A discussão para os norte-americanos é muito mais ampla, uma vez que a MTA, aparentemente, segundo a "Reinvent Albany", tem um histórico de mau uso do dinheiro público. Quando existe a esquiva e ninguém quer responder absolutamente nada, não é porque estão escondendo algo secreto de cunho militar e conspiratório das pessoas, mas podem ocultando uma série de atitudes fraudulentas em termos de desvio de dinheiro público e, para piorar, pode ter acontecido ou não em contratos anteriores em relação a simples obras no meio urbano. A corrupção não existe e não foi inventada aqui no Brasil, ela existe em todos os lugares do mundo. Outro ponto que a imprensa aparentemente esqueceu de ressaltar é que havia sido prometido no ano passado, que em cada cruzamento poderia haver câmeras e sensores destinados ao reconhecimento facial, não apenas em túneis e pontes. Portanto, não é nenhuma novidade. Se as autoridades têm ou não o direito de fazer isso é outra história, e isso é um problema que os moradores de Nova York vão precisar lidar constantemente. Aliás, é quase infantil acreditar que temos realmente liberdade hoje em dia. Todos são vigiados e possuem seus hábitos constantemente monitorados em supermercados, em sites da internet, em mecanismos de busca, redes sociais etc. As pessoas, por exemplo, aceitam que aplicativos tenham quase pleno acesso aos seus celulares, porque não leem os termos e as condições de uso. Porém, na hora de acreditar em qualquer teoria conspiratória rapidamente a aceitam, apesar da pouquíssima informação divulgada. Contraditório, não é mesmo?

Mais um ponto interessante é que Nova York está basicamente concentrada em três ilhas: Manhattan, Staten Island e Long Island. Portanto, caso algo aconteça, uma catástrofe natural ou um incidente nuclear ou biológico, as pessoas só poderiam escapar das ilhas por túneis ou pontes. Se alguém quiser planejar um atentado, também irá querer inutilizar pontes e túneis para evitar que a população escape, não é mesmo? Exceto, é claro, que você seja um triatleta ou o Tom Hanks com uma bola de vôlei na mão, e queira nadar até o continente com sua família. Assim sendo, nada mais lógico que instalar equipamentos de segurança para monitorar os acessos e garantir que os mesmos sejam preservados para que estejam livres, e para as pessoas escaparem. Evidentemente, nada disso importa para quem cria uma teoria conspiratória. Afinal de contas, para quem cria as teorias parece lógico, que as torres nas entradas de túneis e pontes sejam destinadas a evitar protestos, como se fosse comum a realização de protestos em túneis e pontes de qualquer cidade do mundo. Enfim, espero que essa situação seja esclarecida nos Estados Unidos, e que o máximo de sinceridade possível apareça com o passar do tempo. De qualquer forma, os teóricos da conspiração parecem ter razão de vez em quando ao dizerem, que a grande mídia engana as pessoas. O que eles não percebem ou não fazem questão de perceber é que eles mesmos são enganados.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://gothamist.com/2017/09/26/towers_mta_gateway_cuomo.php
http://mysteriousuniverse.org/2017/09/mysterious-metal-towers-pop-up-overnight-in-new-york/
http://newyork.cbslocal.com/2017/09/27/mysterious-metal-towers/
http://nypost.com/2017/09/27/say-goodbye-to-nyc-toll-booths-this-weekend/
http://qns.com/story/2016/10/06/governor-unveils-plan-eliminate-toll-booths-mta-tunnels-bridges/
http://reinventalbany.org/2017/09/did-the-mta-board-fully-review-ny-crossings-contracts-including-42m-decorative-towers-before-approving-them/
http://strangesounds.org/2017/09/mysterious-metal-towers-popping-all-over-new-york-city-and-nobody-knows-why-video.html
http://www.amny.com/transit/mta-board-approving-millions-in-projects-it-doesn-t-understand-watchdogs-say-1.14171632
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4930112/MTA-fire-spending-100M-mystery-metal-towers.html
http://www.nbcnewyork.com/news/local/MTA-Bridge-and-Tunnel-Gateway-Towers-Can-Read-License-Plates-Security--448568193.html
http://www.nydailynews.com/new-york/mta-replace-tollbooths-electronic-scanning-system-article-1.2818785
http://www.politico.com/states/new-york/albany/story/2017/09/11/architectural-tunnel-towers-rise-so-do-questions-about-the-mta-board-114410
http://www.politico.com/states/new-york/city-hall/story/2017/09/25/mta-bridge-and-tunnel-towers-to-cost-100m-114695
http://www.wnyc.org/story/watchdog-accuses-mta-unwittingly-spending-42m-decorative-towers/
http://www.zerohedge.com/news/2017-09-28/whatre-they-exactly-100-million-bridge-and-tunnel-towers-baffle-new-yorkers
https://archpaper.com/2017/07/cuomo-bridge-lighting-plan/
https://ny.curbed.com/2017/6/2/15731924/new-york-climate-change-andrew-cuomo-paris-agreement
https://ny.curbed.com/2017/9/30/16389626/nyc-cashless-tolls-whitestone-bridge-throgs-neck-bridge
https://sputniknews.com/us/201709291057795358-new-york-city-metal-towers-mystery/
https://www.6sqft.com/nyc-bridges-and-tunnels-getting-500m-overhaul-including-led-light-shows-and-electronic-tollbooths/
https://www.governor.ny.gov/news/governor-cuomo-announces-transformational-plan-reimagine-new-york-s-bridges-and-tunnels-21st
https://www.thenational.ae/world/the-americas/new-york-prepares-for-security-superbowl-ahead-of-un-general-assembly-1.629328
Comentários