11 de outubro de 2017

O Poder da Crença! O Segredo Milenar de Curar Através das Palavras e a Matança de Animais Devido as Crenças ao Redor do Mundo!


Por Marco Faustino

No início do ano comentamos sobre uma senhora chamada Hava Čebić, 79 anos, moradora do pequeno vilarejo de Crnjeva, na Bósnia e Herzegovina, uma das repúblicas mais sofridas e pobres que nasceram da dissolução da Iugoslávia. Essa senhora alegava ter um "dom" um tanto quanto incomum e "especial". De acordo com alguns sites de notícias, desde pequena ela possuía um peculiar "dom" de curar problemas de visão das pessoas ao simplesmente passar sua língua em seus globos oculares. Sim, exatamente isso que você leu. Muitos desses sites diziam, que ela já tinha ajudado mais de 5.000 pessoas de regiões próximas de onde morava ao longo de sua vida, mas que seus filhos não queriam perpetuar esse estranho e controverso "método de cura". Olhar para Hava Čebić era como olhar para um passado distante, e estarmos diante de uma cultura, que jamais iremos compreender sua totalidade. Talvez ela fosse a última praticante de algo que atualmente, com o avanço da medicina, é totalmente condenável, mas que tempos atrás, e provavelmente ainda nos dias de hoje, não é na comunidade onde ela mora. E, apesar de ser uma senhora bem humilde, ela possui o discernimento em não cobrar das pessoas desempregadas ou aposentadas. E, por mais que soe estranho dizer isso, ela é um exemplo de generosidade que a mídia internacional converteu em um exemplo bizarro, nojento e deplorável. Porém, somente quando você tem as informações corretas sobre um caso é que você realmente pode entender suas nuances e peculiaridades. Vale muito a pena conferir aquela matéria (leia mais: Conheça Hava Čebić! Essa Senhora Realmente "Cura" Problemas de Visão ao "Lamber os Olhos" das Pessoas, na Bósnia?).

Agora, resolvi trazer dois temas que parecem ser bem diferentes, mas compartilham algo tão básico, que muitas vezes passa desapercebido em nosso cotidiano: as crenças dos seres humanos e o impacto das mesmas nos próprios seres humanos e na natureza. Inicialmente, iremos falar sobre uma antiga tradição de curar através das palavras, muitas vezes por meio de sussurros, que é mantida na Bielorrússia. A tradição é secreta, protegida, e não é transmitida para estrangeiros. O conhecimento sagrado vem sendo transmitido de geração em geração, de avô para neto, de avó para neta, e tudo que é falado é escolhido com muito cuidado. Aparentemente, as palavras certas tem o poder de curar pessoas e animais, proteger as famílias de eventuais problemas financeiros, do mau tempo, e até mesmo de doenças rogadas por bruxas e feiticeiros. Contudo, ano após ano, o número de pessoas que possuem esse conhecimento vem diminuindo, fazendo com que uma tradição milenar corra o risco de desaparecer para sempre. Posteriormente, iremos comentar, que em muitos países do mundo a crença de que animais possuem poderes mágicos, tanto para bem, quanto o mal, vem fazendo com que inúmeras espécies corram risco de extinção, ou seja, também de desaparecerem para sempre. Até que ponto as crenças realmente funcionam e podem ser benéficas? Será que existe uma maneira de preservar as crenças humanas, o conhecimento milenar, os animais e as memórias das próprias pessoas? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Sussurro Pode Salvar uma Vida? O Segredo Milenar de Curar Através das Palavras, que é Mantido a Sete Chaves na Bielorrússia!


Aparentemente, é apenas na Bielorrússia, um país singular do Leste Europeu, que é preservada uma antiga tradição de curar pessoas e animais com a ajuda das palavras (muitas vezes através de um sussurro, de uma oração ou encantamento). A tradição é tão antiga, que provavelmente se origina nas profundezas de milhares de anos, enquanto a própria palavra surgia e adquiria poderes mágicos. E, talvez, só conseguimos saber um pouco mais desse mundo depois que Babka Vanda, uma simpática senhora de olhos brilhantes, cabelos escondidos debaixo de um lenço na cabeça e usando um vestido floral, resolveu contar a história de sua avó para o fotógrafo Siarhiej Leskiec, morador da cidade de Maladzyechna, que fica localizada a cerca de 75 km a noroeste de Minsk (cerca de 1h de carro), a capital da Bielorrússia, assim como muitas outras senhoras conhecidas como "sussurradoras".

Siarhiej Leskiec, morador da cidade de Maladzyechna,
que fica localizada a cerca de 75 km a noroeste de Minsk (cerca de 1h de carro), a capital da Bielorrússia



Aparentemente, é apenas na Bielorrússia, um país singular do Leste Europeu, que é preservada uma antiga tradição de curar pessoas e animais com a ajuda das palavras (muitas vezes através de um sussurro, de uma oração ou encantamento)
De acordo com Babka Vanda, algumas pessoas acreditavam que sua avó fosse uma bruxa, e até mesmo um padre local teria a proibido de tratar as pessoas. Isso mudou, no entanto, quando ele foi mordido por uma víbora. Ela sussurrou palavras ao vento, e por incrível que pareça, ele foi curado.

Depois de algum tempo, ela passou esse poder, de curar através de sussurros, para Babka Vanda. Atualmente, essa antiga tradição de cura bielorrussa está desaparecendo lentamente. Para Siarhiej Leskiec, a mesma é uma parte da herança cultural do seu país, e ele vem documentando essa tradição antes que ela desapareça completamente da face da Terra.

De acordo com Babka Vanda (na foto), algumas pessoas acreditavam que sua avó fosse uma bruxa, e até mesmo um padre local teria a proibido de tratar as pessoas. Isso mudou, no entanto, quando ele foi mordido por uma víbora. Ela sussurrou palavras ao vento, e por incrível que pareça, ele foi curado.
Assim como outras ex-repúblicas socialistas soviéticas, a "independente" Bielorrússia evoluiu tanto de uma forma previsível quanto inesperada ao mesmo tempo. Em termos geográficos, o país é pequeno, não possui saída para o mar, e está encaixotado entre diversos países bálticos (alguns bem instáveis), assim como a Ucrânia, a Rússia e a Polônia. Mesmo durante o regime soviético o país conseguiu manter um grande número de cristãos ortodoxos (o regime comunista soviético confiscou propriedades religiosas, promoveu amplamente o ateísmo nas escolas, perseguiu crentes e investiu na ridicularização das religiões).

Um casal de idosos sentado no quintal de sua casa no vilarejo de Medryki,
no distrito de Smarhon, no noroeste da Bielorrússia.

Uma senhora sentada em sua fazenda em Lakcianiaty, que fica próximo da fronteira com a Lituânia. A expectativa de vida para as mulheres supera a dos homens nas áreas rurais da Bielorrússia. Filhos e netos costumam se mudar para as cidades em busca de melhores condições de trabalho e ensino, deixando alguns vilarejos completamente povoados por mulheres mais idosas.

Um paroquiano da Igreja Católica da Santíssima Virgem Maria reza durante uma missa
na pequena cidade de Vishniova, no distrito de Valozhyn


Politicamente, a Bielorrússia se encaixa precariamente na divisão entre o Kremlin e o Ocidente, e seu líder, Aleksandr G. Lukashenko, está no poder há 23 anos, sendo visto mais como um ditador do que mero político. Ainda assim, a tradição de cura praticada por mulheres como Babka (uma palavra em bielorrusso para "avó") Vanda permaneceu forte, pelo menos até agora. É improvável, no entanto, que sobreviva em razão do declínio da população rural do país. Atualmente, três em cada quatro bielorrussos vivem no meio urbano.

Atualmente, essa antiga tradição de cura bielorrussa está desaparecendo lentamente. Para Siarhiej Leskiec, a mesma é uma parte da herança cultural do seu país, e ele vem documentando essa tradição antes que ela desapareça completamente da face da Terra.
"A tradição foi  preservada ao longo de mil anos de Cristianismo, repressão Stalinista e ateísmo, e perseguição de crentes na URSS, mas atualmente está morrendo sob a influência da globalização e da urbanização. Os jovens não acreditam nesses 'contos' e não querem aprender. Eles acham que é desnecessário e primitivo", disse Siarhiej Leskiec, em entrevista para o site Atlas Obscura. Diga-se de passagem, a "cura sussurrante" é muito ritualizada.

"Para cada doença há palavras especiais. São textos pequenos, muitas vezes rimados, que você precisa dizer em uma única respiração e num sussurro bem pouco audível. Na maioria das vezes, eles recitam palavras sobre a pessoa ou sobre um recipiente com água. A pessoa deve beber essa água, lavar o rosto, e o local do ferimento por cerca de três dias", continuou.

"A cura sussurrante ocorre em certos dias para homens e outros dias para mulheres, mas nunca aos domingos ou feriados. Os curandeiros, por assim dizer, tratam de doenças e infecções, mas também se voltam para interesses mais espirituais. Os sussurradores mais poderosos podem até mesmo expulsar espíritos malignos. Os métodos também podem incorporar ervas e outros rituais", completou.

De acordo com o fotógrafo Siarhiej Leskiec, curandeiras lhe contaram a história de uma mãe, que havia perdido todos os seus filhos, ainda quando eram apenas crianças. Foi-lhe dito para ir à estrada e pedir ao primeiro homem que encontrasse para ser o padrinho do próximo filho. Segundo as curandeiras, ela cumpriu, e seu próximo filho sobreviveu.

Uma colmeia em uma árvore de um cemitério rural. A crença local diz que as abelhas são enviadas por Deus para ajudar as pessoas a curar, enquanto coletam néctar de flores, que crescem em túmulos ancestrais.
Uma capela cristã de 100 anos construída em carvalho sagrado tem uma história pagã e, às vezes,
é mencionada em feitiços sussurrados.
De acordo com Siarhiej Leskiec, essa tradição teria origens no Paganismo. Quando o Cristianismo chegou até a Bielorrússia, os feitiços foram adaptados para incorporar elementos da religião, incluindo os nomes dos santos. As ordens e congregações religiosas católicas eram altamente desconfiadas em relação aos feitiços, e os chamavam de "malditos sussurros pagãos". No entanto, a religião e a prática popular encontraram uma maneira de coexistir. Agora, os próprios sussurradores são cristãos profundamente religiosos, mas eles têm sua própria compreensão da fé e da tradição.

Uma imagem do projeto de documentação do fotógrafo descreve uma "cruz feminina", um crucifixo tradicional que foi drapeado em pedaços de pano. Os panos são doados pelos moradores locais para afastar o mal e manter uma boa saúde para todos. Segundo Siarhiej Leskiec, posteriormente a cruz é adornada como se fosse uma mulher com roupas tradicionais, e o símbolo do Cristianismo se torna uma espécie de deusa feminina.

A "cruz feminina", um crucifixo tradicional que foi drapeado em pedaços de pano. Os panos são doados pelos moradores locais para afastar o mal e manter uma boa saúde para todos. Segundo Siarhiej Leskiec, posteriormente a cruz é adornada como se fosse uma mulher com roupas tradicionais, e o símbolo do Cristianismo se torna uma espécie de deusa feminina.
Entretanto, sempre foi difícil se tornar um curador através de sussurros. O conhecimento é passado para as crianças, meninos ou meninas, entre 7 e 12 anos, por parentes próximos, geralmente avós. Todas as orações são ensinadas verbalmente e raramente são escritas no papel. Aliás, também existem outros requisitos para a profissão. A pessoa deve ser gentil e curiosa, bem intencionada e aberta à comunicação com os outros, mas os iniciados devem esperar, às vezes, por décadas, antes que eles possam realmente se envolver na prática, ou seja, somente depois de terem construído suas próprias famílias ou passarem pela menopausa.

O projeto de Leskiec começou em 2012, mas levou tempo, não apenas para encontrar os curandeiros, mas também ganhar a confiança deles. Ele passou diversos anos aprendendo sobre a tradição antes de ser, de certa forma, iniciado. Ele disse que depois disso ficou mais fácil conversar com outros sussurradores, visto que o conhecimento era idêntico. No entanto, o tempo agiu de forma cruel com essa tradição. Quando começou, Siarhiej Leskiec encontrou cerca de 40 curandeiros, porém, atualmente, ele conhece apenas cinco. Seu objetivo é criar um livro do projeto para que as histórias possam permanecer vivas. Segundo o fotógrafo, todos os anos os vilarejos rurais encolhem, ou seja, há cada vez menos moradores e menos jovens para serem ensinados. Restam somente os idosos , que mantém viva as tradições curativas e ancestrais da Antiga Europa enquanto podem, diante de um destino aparentemente inevitável.

Todas as orações são ensinadas verbalmente e raramente são escritas no papel
Os sussurros podem ser realizados sobre a água, pão, sal, açúcar ou cinzas.
Geralmente os feitiços envolvem apenas sussurros, porém também existe o envolvimento e a prática de rituais.
Entretanto, resolvi ir atrás de maiores informações sobre o projeto de Siarhiej Leskiec, que continua em andamento, e encontrei referências sobre o fotógrafo no site do jornal britânico "The Guardian", em 2014 e 2016. No ano de 2014, ele apareceu rapidamente na mídia com fotos mostrando o cotidiano de vilarejos rurais da Bielorrússia (sendo que algumas dessas fotos foram usadas para compor essa primeira parte da postagem). Já no ano passado ele apareceu para divulgar algumas fotos de sussurradoras, assim como algumas de suas histórias.

Entre essas histórias, temos a de "Babka Alena", que teria sido a criança mais nova de sua família. Ela disse que seu pai era capaz de curar o rebanho, e que sua mãe tratava as pessoas e ajudava as mulheres no momento do parto. Durante muito tempo, ela não quis ser curandeira, porque tinha vergonha e medo. Então, ela alegou que certo dia Jesus Cristo teria aparecido para ela e dito: "Alenka, você deve ajudar as pessoas e o gado. Não se preocupe, eu vou ajudá-la". Desde então, ela se tornou uma sussurradora.

Entre essas histórias, temos a de "Babka Alena", que teria sido a criança mais nova de sua família. Ela disse que seu pai era capaz de curar o rebanho, e que sua mãe tratava as pessoas e ajudava as mulheres no momento do parto
Durante muito tempo, ela não quis ser curandeira, porque tinha vergonha e medo. Então, ela alegou que certo dia Jesus Cristo teria aparecido para ela e dito: "Alenka, você deve ajudar as pessoas e o gado. Não se preocupe, eu vou ajudá-la". Desde então, ela se tornou uma sussurradora.
Uma mulher com um tumor na perna sendo tratada por Babka Alena. Uma semana antes, ela teve um sonho em que a Virgem Maria havia lhe dito para procurar pela sussurradora, e então sua doença desapareceria. A mulher é católica, e Babka Alena é ortodoxa. Segundo Babka Alena, não há diferença entre as religiões, visto que as palavras antigas ajudam tanto os que acreditam quanto aqueles que duvidam.
Uma outra sussurradora chamada "Babka Yanina" contou, por exemplo, que seu marido ficou gravemente doente por muito tempo, e nada parecia resolver. Os médicos também disseram que não poderiam fazer nada por ele. Então, ela começou a sussurrar na água, e lhe deu para beber. Milagrosamente, seu marido melhorou. Após esse episódio, pessoas de vilarejos e cidades vizinhas foram procurá-la, e pedir para que ela sussurrasse na água. No entanto, atualmente ela estava com uma idade muito avançada, e o sussurro necessitava de muita energia. Ela disse que precisava entrar na floresta para obter essa energia, algo que a fazia sentir melhor e seguir em frente.

Já uma outra sussurradora também chamada "Babka Yanina" disse que o seu tio foi o responsável por ensiná-la a sussurrar. Ela disse que ele era um poderoso feiticeiro, e que conhecia palavras capazes de paralisar uma cobra. Yanina também disse que era capaz de curar tumores, medos e até mesmo gagueira. Segundo ela, Deus havia lhe dado esse "dom" após ter ficado cega.

Uma outra sussurradora chamada "Babka Yanina" contou, por exemplo, que seu marido ficou gravemente doente por muito tempo, e nada parecia resolver. Os médicos também disseram que não poderiam fazer nada por ele. Então, ela começou a sussurrar na água, e lhe deu para beber. Milagrosamente, seu marido melhorou.

Já uma outra sussurradora também chamada "Babka Yanina" disse que o seu tio foi o responsável por ensiná-la a sussurrar. Ela disse que ele era um poderoso feiticeiro, e que conhecia palavras capazes de paralisar uma cobra
"Babka Nadzeja" contou que o "dom" de sua mãe era temido por causa dos tempos em que vivia: o governo soviético não reconhecia nada disso como sendo milagroso. Durante a guerra, ela lutou coma uma partidária contra os nazistas e depois trabalhou em uma escola. Ela disse que as pessoas riram dela, quando descobriram sobre seu "dom", mas quando essas mesmas pessoas pediram sua ajuda, ela não conseguiu dizer não. Infelizmente, ela não conseguiu ajudar sua própria família. Segundo ela, os sussurros só ajudam os outros.

"Babka Stasia" também tinha uma história triste para contar, visto que sua família católica era muito religiosa, mas ela tinha perdido sua mãe quando tinha três anos, e seu pai quando tinha sete anos, se tornando assim uma órfã. Segundo ela, a maioria dos sussurradores são ortodoxos e não católicos. Quando ela se tornou mais velha, sua sogra e duas senhoras do seu vilarejo lhe ensinaram a sussurrar, a queimar fios de tecido, e usar a fumaça para curar as pessoas. No recente texto publicado pelo site Atlas Obscura, ela é citada em relação um interessante caso. De acordo com Babka Stasia, ela ajudou uma família de Misnk que possuía uma criança pequena que não parava de chorar e não conseguia dormir de jeito nenhum. Quando ela começou a sussurrar suavemente e docemente, a criança adormeceu. Os pais ficaram muito impressionados pela força que um sussurro poderia ter, mas segundo Babka Stasia aquele era o poder de Deus.

"Babka Nadzeja" contou que o "dom" de sua mãe era temido por causa dos tempos em que vivia: o governo soviético não reconhecia nada disso como sendo milagroso. Durante a guerra, ela lutou coma uma partidária contra os nazistas e depois trabalhou em uma escola.
"Babka Stasia" também tinha uma história triste para contar, visto que sua família católica era muito religiosa, mas ela tinha perdido sua mãe quando tinha três anos, e seu pai quando tinha sete anos, se tornando assim uma órfã. Segundo ela, a maioria dos sussurradores são ortodoxos e não católicos.
Uma sussurradora chamada "Babka Fiadora" disse que nunca tinha ido à escola, uma única vez sequer. Os tempos eram difíceis quando ela era jovem, e as crianças tinham que trabalhar. Durante 12 anos, ela cuidou de vacas em troca de comida. Teria sido sua avó, que lhe mostrou como usar ervas e lhe ensinou a sussurrar. Teria sido tudo de boca em boca, porque ela não sabe ler. Aliás, ela disse que só tratava as pessoas quando sabia que seria realmente capaz de ajudá-las.

De acordo com "Babka Maria", no entanto, os idosos que conhecem a palavra estão morrendo, e os jovens não querem aprender, porque não acreditam nisso. Porém, o mal não havia se tornado menor. Ela disse que crianças e idosos vão até ela todos os dias, mas ela não sabia quem iria sussurrar no seu lugar após a sua morte.

Uma sussurradora chamada "Babka Fiadora" disse que nunca tinha ido à escola, uma única vez sequer. Os tempos eram difíceis quando ela era jovem, e as crianças tinham que trabalhar. Durante 12 anos, ela cuidou de vacas em troca de comida.

De acordo com "Babka Maria", no entanto, os idosos que conhecem a palavra estão morrendo,
e os jovens não querem aprender, porque não acreditam nisso.
Por fim, tivemos o depoimento de uma última sussurradora chamada "Babka Katia". Ela disse que havia um comunista chamado Misha no vilarejo onde morava. Certo dia, ele estava cortando a grama bem próximo do rio e acabou sendo mordido por uma cobra. Ele ficou muito doente e estava à beira da morte, quando enviou sua esposa para pedir ajuda. A sussurradora disse que ficou com medo, porque ele era um comunista, e os comunistas não gostavam deles, zombavam deles, fecharam igrejas e enviaram sacerdotes para a Sibéria.

Entretanto, ela não podia negar ajudar. Então, ela sussurrou na água, ele bebeu e acabou melhorando. Ela disse que não sabia se Misha algum dia acreditou em Deus, mas que ele sabia o poder da palavra. É interessante notar como esse "relato" é bem parecido com aquela história no começo da matéria, onde dizia que um padre local teria sido curado após ter sido mordido por uma cobra. Se elas são as mesmas histórias, e são contadas de uma forma diferente dependendo da memória das senhoras, isso não sei dizer a vocês.

Por fim, tivemos o depoimento de uma última sussurradora chamada "Babka Katia". Ela disse que havia um comunista chamado Misha no vilarejo onde morava, e que um dia precisou de sua ajuda.
De qualquer forma, não sei quanto a vocês, mas sinceramente espero que Siarhiej Leskiec consiga finalizar o seu projeto, e que o mesmo resulte um livro documentando através de fotos essa tradição milenar de cura através dos sussurros. Confesso, que tenho minhas dúvidas sobre os eventos que levaram cada uma das pessoas a serem curadas, mas não hesitaria a pedir ajuda se fosse necessário, e não hesitarei em comprar um futuro livro, que não será apenas de fotos, mas de memórias humanas, de algo que mesmo a distância soa ser único, e porque não dizer, mágico.

Como as Crenças Humanas, Superstições e Mitos Afetam a Preservação de Animais?


Certo dia, moradores malgaxes (grupo étnico de metade da população da ilha de Madagascar, na costa leste da África) advertiram uma mulher chamada Caroline Ward, estudante candidata ao título de PhD pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, que ela deveriam matar as cobras, que ela havia trazido consigo para o acampamento onde estava, antes que as mesmas a matassem (vale ressaltar nesse ponto que Caroline estava estudando uma espécie conhecida localmente como "fandrefiala", para sua pesquisa sobre conservação da fauna).

Entretanto, o motivo do medo dos habitantes locais não era que as cobras fossem venenosas ou agressivas. Em vez disso, o problema era com a cor das caudas. Uma vez que a fandrefiala tem uma espécie de cauda avermelhada, semelhante a cor de tijolos, os malgaxes acreditam que as cobras podem se transformar em lanças, saltarem das árvores e matar qualquer coisa que passar abaixo delas.



Foto tirada de uma rua de Antananarivo, capital de Madagascar, em 2014

O medo dos habitantes locais não era que as cobras fossem venenosas ou agressivas. Em vez disso, o problema era com a cor das caudas. Uma vez que a fandrefiala tem uma espécie de cauda avermelhada, semelhante a cor de tijolos, os malgaxes acreditam que as cobras podem se transformar em lanças, saltarem das árvores e matar qualquer coisa que passar abaixo delas.
Essa era uma conexão que o supervisor de doutorado de Caroline Ward, o Dr. George Holmes, havia notado em seu trabalho de campo ao redor mundo: crenças "mágicas" - uma ampla categoria que varia desde crenças em animais míticos, até conexões com propriedades lendárias de animais, para espiritualismo e tradições - têm um impacto no bem-estar dos animais e nos ecossistemas da vida real.

Em um recente artigo publicado no periódico Oryx, Caroline Ward e o Dr. George Holmes propuseram que os biólogos da conservação levem mais em consideração as crenças em animais mágicos e as superstições sobre as propriedades mágicas dos animais, na elaboração de políticas de conservação.

Em um recente artigo publicado no periódico Oryx, Caroline Ward e o Dr. George Holmes, da Universidade de Leeds (na foto), propuseram que os biólogos da conservação levem mais em consideração as crenças em animais mágicos e as superstições sobre as propriedades mágicas dos animais, na elaboração de políticas de conservação.
"Os conservacionistas frequentemente falam sobre o papel dos incentivos econômicos para construir todo um comportamento por parte das pessoas, assim sendo, devemos pagar aos habitantes locais para não matar uma espécie? Porém, existem outras maneiras pelas quais as pessoas reagem e se comportam em relação a espécies ameaçadas de extinção. Essa questão da crença das pessoas em magia é realmente muito importante", disse o Dr. George Holmes, que vem pesquisando sobre as interações entre os esforços de conservação e a sociedade humana há vários anos.

Em alguns lugares, as crenças mágicas acabam criando uma espécie de base de proteção para animais específicos. Por exemplo, em Kombolcha, na Etiópia, as hienas são criadas para comer espíritos malignos e transmitir mensagens sobrenaturais através de seus uivos. Assim sendo, elas são toleradas, e até mesmo protegidas, por pessoas que compartilham seu habitat natural.

Em alguns lugares, as crenças mágicas acabam criando uma espécie de base de proteção para animais específicos. Por exemplo, em Kombolcha, na Etiópia, as hienas são criadas para comer espíritos malignos e transmitir mensagens sobrenaturais através de seus uivos
Em contrapartida, certas crenças podem bater de frente com os esforços de conservação. Em grande parte de Madagascar, particularmente a região norte do país, a aparência de um lêmure aye-aye, um animal ameaçado de extinção, é vista como um presságio de morte ou doença. As reações quando avistam um lêmure aye-aye variam entre os grupos (desde rituais específicos até o abandono de vilarejos inteiros), mas em muitos vilarejos acredita-se, que a única maneira de evitar a má sorte é matar o aye-aye e exibi-lo em um poste de madeira na estrada.

Em algumas ilhas do Caribe, incluindo o Haiti, a Jamaica e a República Dominicana, o mesmo tratamento é dado às corujas, que se acredita estarem conectadas com bruxas.

Em contrapartida, certas crenças podem bater de frente com os esforços de conservação. Em grande parte de Madagascar, particularmente a região norte do país, a aparência de um lêmure aye-aye, um animal ameaçado de extinção, é vista como um presságio de morte ou doença. Em muitos vilarejos acredita-se, que a única maneira de evitar a má sorte é matar o aye-aye e exibi-lo em um poste de madeira na estrada.

Em algumas ilhas do Caribe, incluindo o Haiti, a Jamaica e a República Dominicana, o mesmo tratamento é dado às corujas, que se acredita estarem conectadas com bruxas.
Ajudar a ciência de conservação a essas crenças também pode ser um grande desafio. Outra crença malgaxe ou tabu, proíbe machucar a tartaruga, que está fortemente ameaçada de extinção. No entanto, esta regra só é praticada em determinados vilarejos; e mesmo nesses vilarejos, os habitantes locais não consideram que essa regra se aplique a estrangeiros e, portanto, não impedem que caçadores machuquem ou furtem as tartarugas. As crenças também podem evoluir ao longo do tempo à medida que as pessoas mudam, migram, encontram novas crenças ou trabalham para rejuvenescer e proteger antigas tradições.

"Acredito que é um pouco frustrante, visto que não podemos realmente fornecer uma solução para todas essas situações. É bem mais uma questão de estar mais consciente de que essas crenças existem, e que, apenas porque não seguem o sistema de crenças científicas não significa que podemos direcioná-las para um lado", disse Caroline Ward sobre a interação entre as crenças mágicas e os problemas de conservação das espécies. O Dr. George Holmes também enfatizou, que a utilização de crenças mágicas na conservação apresenta algumas questões éticas complicadas.

Outra crença malgaxe ou tabu, proíbe machucar a tartaruga, que está fortemente ameaçada de extinção. No entanto, esta regra só é praticada em determinados vilarejos; e mesmo nesses vilarejos, os habitantes locais não consideram que essa regra se aplique a estrangeiros e, portanto, não impedem que caçadores machuquem ou furtem as tartarugas.
"Essa sutil questão ética surge para tratar das visões de mundo das pessoas com um sentido muito utilitário. Ela surge dizendo que, tudo bem, não iremos tratar da sua visão de mundo, espiritualidade e cultura de forma holística; iremos esculpir isso em pedaços individuais, e promover aquelas que são boas para nossos propósitos e suprimir as que são ruins para nossos propósitos", disse o Dr. George Holmes. Embora a conservação da biodiversidade possa ser um objetivo admirável, ainda assim a mesma está permitindo às pessoas uma autonomia espiritual e religiosa.

Paige West, uma antropóloga ambiental, assim como professora de Antropologia da Universidade de Columbia e da Faculdade Barnard, em Nova York, foi uma das primeiras a ver os resultados negativos de toda essa história. Ela passou décadas realizando pesquisas etnográficas entre os habitantes de Papua Nova Guiné. Em um determinado caso, depois de oito anos de pesquisa entre os Gimi, no vilarejo de Maimafu, ela concluiu que um projeto de conservação local, que tentava proteger as florestas da região e seus habitantes, os conectado a empresas de mercado (assumindo que os Gimi valorizavam a biodiversidade local tão somente como um recurso econômico) deu muito errado.

Paige West, uma antropóloga ambiental, assim como professora de Antropologia da Universidade de Columbia e da Faculdade Barnard, em Nova York, foi uma das primeiras a ver os resultados negativos de toda essa história
O planejamento de conservação falhou em explicar o fato de que os Gimi veem tudo na natureza como um presente da floresta, como a encarnação física de seus antepassados. Os Gimi acreditam que as árvores e os animais de suas florestas, particularmente os marsupiais, carregam a força vital dos mortos e podem ser encarnados pelo espírito enquanto dormem.

"Os marsupiais não são simplesmente animais para Gimi, eles são a encarnação literal dos antepassados. O que foi traduzido como 'ambiente' não é simplesmente um lugar repleto de recursos florais e faunísticos, que esperam ser usados ou transformados em commodities, é um lugar de relações sociais entre os vivos e os mortos", escreveu Paige West, em um estudo sobre o caso, em 2005. Esse descuido foi prejudicial ao projeto de conservação, assim como antropologicamente problemático. Na visão de Paige West, até mesmo tentar entender esses pontos de vista "mágicos" pode resultar em problemas.

"Quando as pessoas na tradição intelectual europeia ouvem a palavra 'magia', elas imediatamente pensam em uma série de falsas crenças ou que são de alguma forma antiquadas ou menos racionais. Para cada pessoa indígena com quem eu já interagi, que tem um conjunto diferente de proposições ontológicas sobre a razão pela qual os animais estão no mundo do que particularmente tenho, esse conjunto de proposições é altamente racional. Faz sentido no sistema geral em que está em sua educação cultural está assentada. Ao utilizar o temo 'mágico' essas crenças se tornam menos racionais do que as crenças europeias e ocidentais", disse Paige West.

O planejamento de conservação falhou em explicar o fato de que os Gimi veem tudo na natureza como um presente da floresta, como a encarnação física de seus antepassados. Os Gimi acreditam que as árvores e os animais de suas florestas, particularmente os marsupiais, carregam a força vital dos mortos e podem ser encarnados pelo espírito enquanto dormem.
Caroline Ward e o Dr. George Holmes também destacam que os europeus e os ocidentais não estão isentos dessas próprias crenças. A pesquisa de ambos detalha as crenças em animais, que estão espalhadas pelo mundo inteiro. Eles citaram, por exemplo, o Monstro Loch Ness, que leva centenas de milhares de ecoturistas para o lago escocês, e os Huldufólk, elfos no folclore da Islândia e das Ilhas Féroe, que foram motivos da paralisação da construção de uma rodovia através de suas terras tradicionais. De qualquer forma, os exemplos citados não se tratam realmente de animais ou seres que realmente existam na natureza.

"Isso realmente acontece em todos os cantos do mundo. E isso importa. As crenças das pessoas realmente têm um impacto material no bem-estar dos habitats ameaçados, dos ecossistemas e das espécies", finalizou o Dr. George Holmes.

Comentários Finais


Sinceramente, não fiz questão de abordar nessa matéria a forma como as crenças fazem com que as pessoas sejam levadas ao ponto de tirar a vida de outras. Se fosse fazer isso a matéria iria ficar extremamente longa. O motivo? Bem, existem inúmeros casos a serem abordados, sendo que alguns desses casos abordei anteriormente, tais como a dramática situação de milhares de crianças acusadas de bruxaria na República Democrática do Congo, os medos e as ameaças contra mulheres responsáveis por crematórios, na Índia, além da moderna caça às bruxas e a superstição assassina, também na Índia. Porém, não se deixem enganar e pensar que a culpa é de uma determinada religião, crença, cultura ou país. Casos de exorcismos em virtude de supostas possessões demoníacas, invariavelmente terminam com abusos, violência ou até mesmo com a morte de inocentes. Lembro até hoje, por exemplo, do caso Vilma Trujillo. Houve também o caso de uma senhora chamada Rosa Villar Jarionca, 73 anos, de etnia Yánesha, que foi queimada viva em fogueira perante adultos e crianças, em uma comunidade chamada Shiringamazú Alto, no Peru, que conta com pouco mais de 200 habitantes, em setembro do ano passado. A motivação nesse último caso?  Rosa Villar tinha sido julgada e condenada por bruxaria, pelo própria comunidade, sob a alegação que ela estaria provocando constantes cólicas nos moradores da comunidade. Os líderes locais justificaram o ato citando a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), onde garante as comunidades indígenas decidirem a punição adequada a membros da comunidade. Porém, eles subverteram o artigo 9 dessa convenção, visto que o mesmo menciona que "desde que sejam compatíveis com o sistema jurídico nacional e com direitos humanos internacionalmente reconhecidos, os métodos tradicionalmente adotados por esses povos para lidar com delitos cometidos por seus membros deverão ser respeitados". Vocês querem saber o que aconteceu com os líderes comunitários? Nada. Agora, imaginem o dia que eu abordar a situação dos albinos, na África.

Essas são apenas algumas das razões para não ter abordado como as crenças humanas afetam negativamente os próprios seres humanos. Em vez disso, preferi trazer um tema provavelmente desconhecido para a absoluta maioria de vocês, referente as sussurradoras e sussurradores da Bielorrússia (muito embora haja mais mulheres do que homens que pratiquem esse método alternativo de cura). Achei belíssimo o trabalho desempenhado pelo fotógrafo Siarhiej Leskiec, morador da cidade de Maladzyechna, que fica localizada a cerca de 75 km a noroeste de Minsk, a capital do país. Apesar de acreditar, que existam inúmeros fatores que acabam colaborando para a melhoria do estado de saúde de uma pessoa, prefiro nesse momento acreditar que aquelas senhoras fazem com que suas palavras sejam transmitidas pelo vento. Prefiro imaginar que o som das palavras possa atravessar as células de nossos corpos e curá-las, assim como algumas conseguem tocar os nossos corações. Prefiro imaginar que, apesar da prática de rituais, cujos procedimentos desconheço e que foram praticamente deixados de lado no material disponibilizado por Siarhiej, as palavras tenham realmente o poder de transformar vidas, de curar pessoas e animais. Sem dúvida alguma é um belo ato de caridade (embora não saibamos se algum valor é cobrado, e se for, deve ser ínfimo), que parte de uma pessoa para outra. É uma pena que essa tradição estará extinta daqui alguns anos, mas espero que seja amplamente documentada e imortalizada através da fotografia da alma daquelas senhoras.

Por outro lado, em uma espécie de segunda parte da matéria, mostrei rapidamente a vocês como o poder da crença pode afetar diretamente um ecossistema ao ponto de fazer com que uma espécie inteira possa desaparecer definitivamente do mapa. Toda aquela segunda parte é referente aos animais, sendo inevitável pensar que também fazemos parte desse planeta, e que também somos animais, porém munidos de crenças. Nesse ponto, muitas pessoas continuarão olhando para cima com medo de um asteroide, continuarão formulando teorias que apenas poucas pessoas irão sobreviver devido a esconderijos secretos, ou então continuarão procurando respostas e conexões vagas em livros escritos há séculos atrás. Chega a ser incrível notar como o ser humano é fascinado pela extinção de sua própria espécie, mas não gosta de conversar sobre sua própria mortalidade. A extinção da crença humana para salvar vidas, e a ameaça de extinção de espécies de animais devido as crenças humanas convivem lado a lado, todos os dias, em uma espécie de cabo de guerra imaginário. Esse duelo acontece bem na sua frente, com pessoas discutindo se devemos respeitar ou não as crenças de determinados povos ou se devemos manter as nossas mentes abertas e compreender o significado de uma crença. No entanto, ao final do dia, quando faltar apenas 1 minuto para meia-noite, só existirá uma resposta a ser dada: Qual o lado da corda você vai segurar?

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://leskiec.com/whisper-in-progress/
http://www.atlasobscura.com/articles/endangered-animals-cultural-myths
http://www.atlasobscura.com/articles/water-whisper-magic-belarus-tradition-health
http://www.atlasobscura.com/places/the-exorcist-stairs
https://belarusdigest.com/story/life-in-a-belarusian-village-belarus-photo-digest/
https://reporters.pl/2054/bialoruska-szeptucha-wygnala-biesa-z-komunisty-foto/
https://www.lensculture.com/projects/414358-whisper
https://www.theguardian.com/world/gallery/2014/nov/13/-sp-life-in-rural-belarus-villages-in-pictures
https://www.theguardian.com/world/gallery/2016/aug/29/the-last-whisperers-of-belarus-in-pictures
https://www.youtube.com/watch?v=Ek0srMS2FBk
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