24 de outubro de 2017

Conheça "Carmilla": A Relação Íntima entre uma Jovem Mulher e uma Vampira que Teria Inspirado Drácula e os Vampiros Modernos!



Por Marco Faustino

Provavelmente, a última vez que falamos de algum assunto relacionado a vampiros, foi naquela ocasião onde abordamos o caso referente aos kits supostamente autênticos, que teriam sido utilizados para combater (entendam como "matar") vampiros durante o século XIX. Até hoje, alguns colecionadores continuam desembolsando "pequenas fortunas" por esses verdadeiros "conjuntos de ferramentas". Para vocês terem uma ideia, um desses conjuntos já chegou a ser vendido por um valor superior e equivalente a R$ 80.000 durante um leilão. Vocês até podem pensar que isso seria algo vendido apenas por antiquários obscuros ou sites de compra e venda de produtos no exterior, não é mesmo? Porém, durante a pesquisa que realizei para trazer aquele conteúdo para vocês, encontrei até mesmo um kit, totalmente artístico, à venda no Mercado Livre, custando quase R$ 1.000, sendo que o vendedor alegava que tinha comprado em Sigshoara, na Romênia, cidade natal do Conde Drácula. O grande problema é que o kit, que estava sendo vendido aqui no Brasil, tinha origem moderna e sido fabricado por um homem chamado Phineas J. Legheart, um norte-americano que não tem nenhuma relação com a Romênia. Diga-se de passagem, Phineas nunca teve a intenção de enganar ninguém. Ele costuma fabricar diversos kits para matar zumbis, de magia, de piratas, entre outros, que costumam servir de decoração até mesmo para produções cinematográficas. A questão é que algumas pessoas se aproveitam do material criado por ele para contar algumas histórias irreais sobre esses kits. Além disso, mostrei a vocês que a absoluta maioria dos kits vendidos ao redor do mundo também tem origem moderna, ou seja, toda essa indústria é movimentada tão somente pela falta de conhecimento das pessoas (caso não queira ser enganado, leia mais: Conheça os Estranhos "Kits" Supostamente Autênticos e Utilizados Para Enfrentar Vampiros Durante o Século XIX na Europa!).

Agora, irei abordar uma história, que muito provavelmente vocês não conhecem. Quando alguém pensa na origem da literatura sobre os vampiros, ao menos no mundo ocidental, é bem provável que se tenha na ponta da língua a seguinte resposta: Drácula, de Bram Stoker. Foi exatamente a história do Conde Drácula, que vem inspirando e alimentando toda uma indústria literária e cinematográfica ao redor do mundo há mais de 100 anos, a principal responsável por sucessos de Hollywood, tais como: Crepúsculo, Entrevista com o Vampiro, Anjos da Noite, Blade, entre outros filmes. Isso sem contar séries de TV, que já foram extremamente populares como "Buffy, a Caça-Vampiros", "True Blood" e "Vampire Diaries". Publicado inicialmente em 1897, Drácula, de Bram Stoker, foi destinado a se tornar a obra-prima universalmente reconhecida da ficção vampírica, mas nunca foi, de maneira alguma, a primeira história do gênero. O talento de Bram Stoker não consistiu em ter inventado o vampiro moderno, mas, de maneira imaginativa, sintetizou e expandiu as ideias que os autores anteriores já tinham explorado. Um deles foi J. Sheridan Le Fanu, cujo conto de 1871, chamado Carmilla, forneceu um modelo para muitos dos personagens e ideias mais memoráveis de Drácula. E, para a surpresa de muitos, Carmilla não é uma história de um vampiro mordendo o pescoço de uma dama, mas uma intensa e sombria relação entre uma donzela e uma vampira. Sim, isso mesmo que você leu. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Conheça uma Obra Chamada "Carmilla": A Relação Sombria Entre uma Donzela e uma Vampira, que Teria Inspirado a Lenda do Conde Drácula!


Primeiramente, é necessário entender que "Carmilla" é um romance gótico do escritor irlandês Joseph Sheridan Le Fanu, e uma das primeiras obras de ficção de vampiros, que precedeu "Drácula", de Bram Stoker (1897), cerca de 26 anos antes de sua publicação. Isso porque o romance "Carmilla" foi publicado pela primeira vez em capítulos na revista literária "The Dark Blue" (entre o fim de 1871, e o início de 1872). A história é narrada por uma jovem chamada Laura, oriunda da Estíria (um estado austríaco que ainda existe, cuja capital é a cidade de Graz), e relata os dias vivenciados na companhia de uma outra jovem, porém misteriosa, chamada Carmilla, que posteriormente revela-se como Mircalla (diga-se de passagem, Carmilla é um anagrama de Mircalla), também conhecida como a Condessa de Karnstein, assim como os estranhos eventos, que ocorrem na região após a sua chegada.

O romance "Carmilla" foi publicado pela primeira vez em capítulos
na revista literária "The Dark Blue" (entre o fim de 1871, e o início de 1872)
A história é narrada por uma jovem chamada Laura, oriunda da Estíria (um estado austríaco que ainda existe, cuja capital é a cidade de Graz), e relata os dias vivenciados na companhia de uma outra jovem, porém misteriosa, chamada Carmilla, que posteriormente revela-se como Mircalla (diga-se de passagem, Carmilla é um anagrama de Mircalla).
Essa história acabou sendo reimpressa em uma coleção de contos curtos de autoria do próprio Joseph Sheridan Le Fanu chamada "In a Glass Darkly", em 1872, que basicamente consiste em uma série de casos misteriosos supostamente estudados por um especialista alemão em ocultismo, o Dr. Martin Hesselius. Uma particularidade bem interessante, e que talvez valha a pena ser mencionada,  é que houve dois ilustradores, cujas ilustrações apareceram na revista literária, mas não aparecem nas edições modernas do romance.

Esses dois ilustradores, David Henry Friston e Michael Fitzgerald, acabaram gerando algumas inconsistências na descrição dos personagens e, como resultado, houve algumas confusões em relacionar as imagens ao longo do desenvolvimento do romance. De qualquer forma, o romance se tornou um clássico inestimável ao apresentar ao mundo a primeira vampira da literatura, inspirar a criação do Conde Drácula, e criar um importante marco na literatura gótica. Abaixo irei fazer um rápido resumo do livro, ou seja, o texto abaixo contém spoilers, mas recomendo fortemente que você leia mesmo assim, porque o livro é muito mais interessante e abrangente que esse resumo, e dificilmente irá estragar sua experiência caso queira lê-lo posteriormente.

Essa história acabou sendo reimpressa em uma coleção de contos curtos de autoria do próprio Joseph Sheridan Le Fanu chamada "In a Glass Darkly", em 1872, que basicamente consiste em uma série de casos misteriosos supostamente estudados por um especialista alemão em ocultismo, o Dr. Martin Hesselius
Uma particularidade bem interessante, e que talvez valha a pena ser mencionada,  é que houve dois ilustradores, cujas ilustrações apareceram na revista literária, mas não aparecem nas edições modernas do romance.
De qualquer forma, o romance se tornou um clássico inestimável ao apresentar ao mundo a primeira vampira da literatura, inspirar a criação do Conde Drácula, e criar um importante marco na literatura gótica
O romance é basicamente narrado em primeira pessoa pela própria Laura, a protagonista, que começa contando sobre a sua infância em um castelo pitoresco e solitário, em meio a uma densa floresta na Estíria, onde mora com o pai, um rico viúvo inglês, que se aposentou após servir ao Exército do Império Austríaco. A mãe havia morrido quando Laura ainda era pequena, e sua companhia diária era composta primordialmente por suas duas governantas: Madame Perrodon e Mademoiselle de Lafontaine, que eram as pessoas mais próximas de Laura.

Em uma certa ocasião, entre os seis e sete anos de idade anos de idade, após acordar assustada no meio da noite, Laura, chorando por não encontrar uma de suas governantas em seu quarto, se depara com uma belíssima jovem aos pés da sua cama. A jovem se arrasta para cama de Laura, a coloca em seus braços e a consola, fazendo-a parar de chorar. Laura acaba adormecendo nos braços da estranha visitante, mas desperta ao sentir que seu peito é mordido. Após Laura gritar, a jovem desaparece. Pouco tempo depois, as governantas entram no quarto, mas não encontram o rastro da suposta jovem, e nem mesmo as marcas no peito de Laura. Suas governantas, embora assustadas com o relato, dizem para Laura que tudo não passou de um sonho, mas ela não fica convencida com a explicação, e acaba crescendo assustada, sempre lembrando da jovem que a visitou em seu quarto.

O romance é basicamente narrado em primeira pessoa pela própria Laura, a protagonista, que começa contando sobre a sua infância em um castelo pitoresco e solitário, em meio a uma densa floresta na Estíria, onde mora com o pai, um rico viúvo inglês, que se aposentou após servir ao Exército do Império Austríaco
Em uma certa ocasião, entre os seis e sete anos de idade anos de idade, após acordar assustada no meio da noite, Laura, chorando por não encontrar uma de suas governantas em seu quarto, se depara com uma belíssima jovem aos pés da sua cama
Evidentemente, o tempo passa, e cerca de doze anos depois, Laura se vê ansiosa pela visita de um antigo amigo do seu pai, o General Spielsdorf, uma vez que ele deveria trazer consigo sua sobrinha chamada Bertha Rheinfeldt. Uma vez que Laura sempre viveu solitária em seu castelo, ela esperava que ela e Bertha se tornassem amigas. Porém, seu pai recebe uma carta de Spielsdorf afirmando que sua sobrinha havia morrido. Na carta é alegado que um "monstro", que traiu sua "cega hospitalidade", seria o culpado de tudo. O General Spielsdorf também menciona na carta, que iria dedicar seus dias à caça ao monstro, e que após cerca de dois meses iria visitar o pai de Laura. Ambos, pai e filha, ficam chocados com a carta enviada pelo general, e Laura fica particularmente frustrada por ter pedido uma amiga em potencial, ou seja, sua solidão continuava.

No mesmo dia em que a carta chegou, em uma noite de lua cheia, acaba ocorrendo um acidente envolvendo uma carruagem, em uma localidade próxima ao castelo. O pai de Laura, sabendo do acidente, resolve oferecer ajuda. Da carruagem sai uma senhora vestindo veludo preto, muito preocupada com a saúde de sua filha, que acabou desmaiando devido ao acidente. Essa senhora conta que está fazendo uma importante viagem e que sua filha, que possui uma saúde bem frágil, não aguentaria chegar ao destino final após o acidente. A senhora também pergunta ao pai de Laura se não haveria um local próximo para deixá-la. Laura, vendo a oportunidade de ganhar uma companhia, pede ao seu pai que a filha da senhora permaneça alguns meses no castelo para se recuperar do acidente.



Foto mostrando uma das vastas paisagens da Estíria, na Áustria
Assim sendo, o pai de Laura e a senhora acabam fazendo um acordo em que a jovem poderia permanecer no castelo durante três meses e, posteriormente, essa senhora iria buscá-la. Durante essa estadia, no entanto, a senhora pediu que a filha não fosse perturbada com perguntas sobre sua origem ou família.

Assim que a jovem é levada ao castelo, e Laura vai dar as boas-vindas, ela imediatamente reconhece a recém-chegada como sendo a misteriosa visitante da sua infância. As duas se reconhecem, e a jovem narra que sonhou com Laura há 12 anos. Laura também afirma que sonhou com a jovem, e as duas veem isso como sinal de que estavam predestinadas a se encontrarem e serem amigas íntimas.

Laura, vendo a oportunidade de ganhar uma companhia, pede ao seu pai que a filha da senhora
permaneça alguns meses no castelo para se recuperar do acidente.
Essa jovem que aparece na vida de Laura é justamente Carmilla, que é retratada como sendo uma jovem extremamente bela, encantadora e lânguida (um sinônimo para frágil). Laura rapidamente se afeiçoa a ela, muito embora Carmilla possua hábitos muito estranhos: sempre acorda tarde (nunca antes do meio-dia), dorme com as portas e janelas trancadas, raramente se alimenta, tem acessos de raiva quando houve um hino fúnebre, entre outros comportamentos muito esquisitos. Ela também é bem misteriosa, mantendo seu passado e sua família em segredo, o que magoa Laura, que vê isso como sinal de que Carmilla não confia nela.

Durante a convivência das duas, Carmilla constantemente declara seu amor por Laura, muitas vezes de forma fervorosa e, embora Laura admita que goste de estar nos braços de Carmilla, sente que, quando isso acontece, suas forças são sugadas, o que lhe causa um sentimento que varia entre a repugnância e a paixão por Carmilla.

Essa jovem que aparece na vida de Laura é justamente Carmilla, que é retratada como sendo uma jovem extremamente bela, encantadora e lânguida (um sinônimo para frágil)
Durante a convivência das duas, Carmilla constantemente declara seu amor por Laura, muitas vezes de forma fervorosa e, embora Laura admita que goste de estar nos braços de Carmilla, sente que, quando isso acontece, suas forças são sugadas, o que lhe causa um sentimento que varia entre a repugnância e a paixão por Carmilla
Na mesma época, súbitas mortes de mulheres ocorrem na região do castelo. A esposa do pastor, a filha do guarda-florestal e outras mulheres, após terem alucinações, febre e aparente perda de sangue, acabam morrendo após cerca de três dias, o que deixa os camponeses bem assustados. O pai de Laura acaba suspeitando que tudo não passe de uma epidemia de febre amarela, embora houvesse quem acreditasse que as mortes fossem causadas por uma entidade maligna.

Na lua cheia seguinte, ou seja, praticamente um mês após a chegada de Carmilla, o pai de Laura recebe em seu castelo o filho de um restaurador, que veio trazer os quadros restaurados da família. Nesse momento, Laura percebe que uma jovem mulher, que aparece em um desses quadros, tinha exatamente a mesma aparência física que Carmilla. A mulher em questão era a Condessa Mircalla Karnstein, uma antepassada de Laura, retratada numa pintura datada de 1698. Laura fica encantada com a semelhança, e pede ao pai para que o quadro seja pendurado na parede de seu quarto.
Na lua cheia seguinte, ou seja, praticamente um mês após a chegada de Carmilla, o pai de Laura recebe em seu castelo o filho de um restaurador, que veio trazer os quadros restaurados da família. Nesse momento, Laura percebe que uma jovem mulher, que aparece em um desses quadros, tinha exatamente a mesma aparência física que Carmilla
Naquela mesma noite, Laura acorda de madrugada sem conseguir se mover, e vê no seu quarto um enorme gato preto, que pula em cima dela e morde um dos seus seios. Laura grita e desmaia. Posteriormente, ela acorda, já conseguindo se mover, e nota uma mulher vestida de preto bem próxima de sua cama. Quando Laura pega a vela para tentar identificar a mulher, a mesma simplesmente atravessa a porta do quadro de Laura, que estava fechada, a deixando assustada.

Nas semanas seguintes, o sono de Laura é mais tranquilo, porém ela passa a ter pesadelos constantes com um gato preto. Ela passa a acordar cada vez mais cansada, sem forças, e uma estranha melancolia se apodera do seu corpo. Em uma dessas noites, Laura vê Carmilla ensaguentada aos pés de sua cama. Ela acorda de sobressalto e corre ao quarto de Carmilla, acreditando que ela está em perigo. Carmilla não responde as batidas na porta, e Laura pede para os criados do castelo abram a porta a todo custo. Quando finalmente conseguem abrir a porta, Carmilla não está no quarto, havia desaparecido. Após horas procurando Carmilla, a mesma reaparece em seu quarto, aparentando não lembrar por onde andou durante a noite, fazendo o pai de Laura acreditar que ela fosse sonâmbula.

Nas semanas seguintes, o sono de Laura é mais tranquilo, porém ela passa a ter pesadelos constantes com um gato preto. Ela passa a acordar cada vez mais cansada, sem forças, e uma estranha melancolia se apodera do seu corpo. Em uma dessas noites, Laura vê Carmilla ensaguentada aos pés de sua cama
A saúde de Laura fica cada vez mais comprometida, e o pai chama um médico para examiná-la. O médico encontra uma pequena mancha azul no peito de Laura, e pede para falar reservadamente com seu pai, porém durante a conversa ele pede apenas que Laura nunca seja deixada sozinha. Seu pai então parte com Laura em uma carruagem para um vilarejo em ruínas dos Karnstein, que fica a uma distância de apenas 5 km. Eles deixam uma mensagem pedindo para que uma das governantas levassem Carmilla para Karnstein depois que acordasse. A caminho de Karnstein, Laura e seu pai encontram o General Spielsdorf que, por sua vez, acaba contando uma história muito estranha.

O General Spielsdorf e sua sobrinha tinham conhecido uma jovem chamada Millarca e sua enigmática mãe em um baile de máscaras. A sobrinha do general ficou imediatamente encantada com Millarca. Sua mãe dela acabou convencendo o General que ela era uma antiga amiga dele, e Bertha acabou pedindo para que Millarca ficasse com eles durante três semanas, enquanto sua mãe resolvia uma espécie de assunto secreto de grande importância. A sobrinha do general ficou misteriosamente doente e sofreu dos mesmos sintomas que Laura. Após a consulta com um médico sacerdotal, o general chegou à conclusão de que sua sobrinha estava sendo visitada por um vampiro. Ele se escondeu em um armário com uma espada e esperou até ver um diabólico gato preto no quarto de sua sobrinha. Quando o animal estava prestes a morder o pescoço dela, o general saiu do armário, e atacou o animal, que tomou a forma de Millarca. Ela fugiu atravessando a porta trancada, de maneira sobrenatural, sem sofrer nenhum dano. A sobrinha do general morreu logo em seguida.

O General Spielsdorf e sua sobrinha tinham conhecido uma jovem chamada Millarca e sua enigmática mãe em um baile de máscaras. A sobrinha do general ficou imediatamente encantada com Millarca. Sua mãe dela acabou convencendo o General que ela era uma antiga amiga dele, e Bertha acabou pedindo para que Millarca ficasse com eles durante três semanas.
O general se escondeu em um armário com uma espada e esperou até ver um diabólico gato preto no quarto de sua sobrinha. Quando o animal estava prestes a morder o pescoço dela, o general saiu do armário, e atacou o animal, que tomou a forma de Millarca
Quando eles finalmente chegam a Karnstein, o general pergunta a um lenhador, que vive nas proximidades, onde ele poderia encontrar o túmulo de Mircalla Karnstein. Então, o lenhador conta que o túmulo havia sido transferido há muito tempo por um certo "herói", que tinha derrotado os vampiros que assolavam a região. Em um certo momento, Laura e o General Spielsdorf são deixados a sós em uma capela em ruínas. É nesse exato momento que aparece Carmilla. O general tem um ataque de fúria ao vê-la, e Carmilla acaba fugindo. O general explica a Laura que Carmilla também é Millarca, ambos anagramas para o nome original da vampira: a Condessa Mircalla Karnstein.

Posteriormente, todos se juntam ao Barão Vordenburg, o descendente do herói que havia livrado a região dos vampiros. Vordenburg era uma espécie de autoridade em matéria de vampiros e descobriu que seu antepassado estava envolvido romanticamente com a Condessa Karnstein antes de ela morrer e se tornar uma vampira. Usando as anotações de seu antepassado, ele localiza o túmulo escondido de Carmilla. Então, uma comissão imperial é convocada, que acaba exumando o corpo da mesma. Imerso em sangue, o corpo ainda parecia estar respirando lentamente, o coração ainda batia e os olhos ainda estavam abertos.

Usando as anotações de seu antepassado, ele localiza o túmulo escondido de Carmilla. Então, uma comissão imperial é convocada, que acaba exumando o corpo da mesma. Imerso em sangue, o corpo ainda parecia estar respirando lentamente, o coração ainda batia e os olhos ainda estavam abertos.
Sem piedade, uma estaca é cravada em seu coração, um doloroso grito é ouvido e, em seguida sua cabeça é cortada. O corpo e cabeça são queimados, e as cinzas são jogadas em um rio. Ao final, o pai de Laura viaja com a filha por um ano pela Itália para que ela possa se recuperar do trauma, algo de que ela nunca mais iria se recuperar totalmente.

Um Pouco Sobre o Autor Joseph Sheridan Le Fanu e Suas Fontes de Inspiração


Embora Carmilla seja considerada por muitos teóricos uma das obras mais importantes na consolidação do vampiro na literatura, pouco se sabe sobre o autor por trás da obra e suas publicações. Le Fanu nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1814 e era filho de pais huguenotes (protestantes franceses), e viveu em Abington, Limerick durante os primeiros anos da Guerra do Dízimo. Acredita-se que esse primeiro contato com as superstições populares do interior da Irlanda tenha deixado marcas em Sheridan, e que possivelmente o inspirou para seus futuros trabalhos.

Graduado em Direito pela Faculdade Trinity, ele nunca exerceu a profissão, em vez disso, dedicou-se ao jornalismo ao integrar a equipe da revista da Universidade de Dublin (da qual se tornou proprietário e editor em 1861), onde publicou a sua primeira história "The Ghost and the Bonesetter" (1838). 

Le Fanu nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1814 e era filho de pais huguenotes (protestantes franceses), e viveu em Abington, Limerick durante os primeiros anos da Guerra do Dízimo
Graduado em Direito pela Faculdade Trinity (na foto), ele nunca exerceu a profissão, em vez disso, dedicou-se ao jornalismo ao integrar a equipe da revista da Universidade de Dublin (da qual se tornou proprietário e editor em 1861), onde publicou a sua primeira história "The Ghost and the Bonesetter" (1838). 
Ao longo dos anos Le Fanu publicou muitas outras histórias, mas foi após a morte de sua esposa Susanna Bennett, em 1858, que ele obteve maior reconhecimento e publicou seus maiores sucessos. Em relação ao romance "Carmilla", acredita-se que o poema "Christabel" de Samuel Taylor Coleridge e outros contos sobrenaturais franceses tenham sido as principais inspirações de Le Fanu ao escrever o conto.

Ao ler a biografia de Sheridan, é possível perceber o quão ele é referido como um dos grandes nomes da literatura do século XIX e isso se dá não apenas pela qualidade de suas histórias, mas principalmente pela mudança no foco do Gótico em sua narrativa, que passa de um ponto de vista externo para o interno, trazendo a questão do terror psicológico para suas histórias. Inclusive, em uma carta para seu George Bentley, seu editor, ele disse que buscava em suas obras "um equilibro entre o
natural e o sobrenatural
."

Em relação ao romance "Carmilla", acredita-se que o poema "Christabel" de Samuel Taylor Coleridge e outros contos sobrenaturais franceses tenham sido as principais inspirações de Le Fanu ao escrever o conto.
Conforme mencionado anteriormente, "Carmilla" foi publicado como uma das histórias que integram a coletânea de contos do livro "In a Glass Darky", de 1872. O professor Dr. Alexander Meireles da
Silva (Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro) chegou a mencionar na introdução da edição traduzida pelo professor Dr. José Roberto Basto O'Shea, da Universidade Federal de Santa Catarina, e publicada pela Editora Hedra, em 2010, que a obra foi de profunda importância para a literatura popular da época, pois introduziu o personagem do pesquisador alemão Dr. Martin Hesselius, o primeiro investigador ocultista e narrador ficcional que serve de guia para as histórias que se seguem no livro. No começo de cada conto ele explica como aquele texto chegou até ele, dando assim uma maior veracidade para a história.

De acordo com Cyntia Luiza Trevor, em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciada em Letras pela própria UFRGS, esse personagem seria um bom exemplo do equilibro entre o natural e o sobrenatural que Le Fanu buscava. Assim sendo, o Dr. Hesselius se tornou uma figura influente na literatura gótica, uma vez que teria sido inspiração para personagens como Van Helsing e Sherlock Holmes.

Edição traduzida pelo professor Dr. José Roberto Basto O'Shea, da Universidade Federal de Santa Catarina,
e publicada pela Editora Hedra, em 2010
O Dr. Hesselius se tornou uma figura influente na literatura gótica, uma vez que teria sido inspiração para personagens
como Van Helsing e Sherlock Holmes.
Outra inspiração para "Carmilla" teria sido uma coleção de relatos fantasmagóricos de Antoine Augustin Calmet, um monge beneditino do século XVII, chamada "Dissertations sur les apparitions des anges, des démons et des esprits, et sur les revenants et vampires de Hongrie, de Bohême, de Moravie et de Silésie". A temática principal dos relatos são os vampiros ou, como também são chamados por Calmet, os "revenants": pessoas que retornaram, supostamente, dos mortos. Muitas dessas histórias não envolvem sinais claros de vampirismo, assim como mordidas e sede por sangue; muitas relatam apenas esse retorno de pessoas que estavam mortas há um tempo considerável.

Nessa coleção existe o relato sobre um vampiro chamado Arnold Paole, relatado em "Visum et Repertum" (1732) por um cirurgião do Regimento de Campo Austríaco chamado Johannes Fluckinger. Por ordem do Império Austríaco, Arnold foi considerado um vampiro após a sua morte e foi acusado de matar pelo menos 16 pessoas no seu vilarejo. Ao violarem seu túmulo, o encontraram completamente conservado, como se estivesse vivo. Seu corpo foi então esfaqueado, decapitado e posteriormente queimado. O relato de Fluckinger foi considerado um best-seller na época, e tudo indica que Le Fanu teve acesso a esse texto e, talvez, tenha se inspirado na localização do ocorrido para escrever Carmilla. O livro de relatos sobrenaturais "The Phantom World", de Augustine Calmet, traduzido para o inglês, em 1850, também serviu como inspiração para a construção de muitos dos elementos folclóricos presentes na obra.

Outra inspiração para "Carmilla" teria sido uma coleção de relatos fantasmagóricos de Antoine Augustin Calmet, um monge beneditino do século XVII, chamada "Dissertations sur les apparitions des anges, des démons et des esprits, et sur les revenants et vampires de Hongrie, de Bohême, de Moravie et de Silésie"
Aliás, antes de Carmilla houve algumas tentativas de trazer a figura de uma mulher "transgressora", por assim dizer, para a literatura através do mito do vampiro. Como exemplo temos "A Noiva de Corinto" (1797) de Goethe, e "Christabel" (1798) de Coleridge; sendo a última, influência direta para a construção da vampira Carmilla, embora em Christabel, Geraldine (a vampira) fuja com o pai da jovem mulher. Assim sendo, podemos dizer que de fato Carmilla foi a primeira "vampira mulher" em um romance e a primeira vampira lésbica também, já que todas as suas vítimas são jovens mulheres. E a escolha de Le Fanu por uma vampira mulher é algo há ser discutido, visto que se considerarmos, novamente, o tempo em que isso foi publicado, e toda a repressão feminina, Carmilla é facilmente um símbolo de transgressão sexual, numa época em que se via a mulher como um ser sem sexualidade, cujo único dever era ser uma boa mãe e esposa.

Embora a relação homossexual esteja bem clara na obra, também é possível interpretá-la como o despertar da sexualidade em Laura, um autoconhecimento que se dá através de Carmilla. Laura tinha aproximadamente dezenove anos quando tudo isso aconteceu e, até então, vivia isolada e sem contato com outras pessoas da idade dela. Sem qualquer possibilidade de explorar a sua sexualidade, Carmilla surge como a oportunidade perfeita para saciar as suas vontades e sanar as suas curiosidades. Todas as figuras masculinas na vida de Laura estão muito distantes de se tornarem interessantes a ela, tanto que isso se manifesta na forma com que ela os descreve. Assim sendo, Carmilla era a única pessoa que poderia despertar a sexualidade de Laura e que, de fato, o fazia.

Embora a relação homossexual esteja bem clara na obra, também é possível interpretá-la como o despertar da sexualidade em Laura, um autoconhecimento que se dá através de Carmilla
Enfim, não irei entrar em maiores detalhes para evitar estragar a leitura daqueles que se interessaram pela obra e pretendem ler a mesma. Diga-se de passagem você pode baixar (em formato EPUB ou MOBI) ou ler gratuitamente esse livro em inglês (uma vez que o mesmo encontra-se em domínio público nos Estados Unidos) diretamente no site do Projeto Gutenberg (clique aqui para acessar essas opções). Em português recomendo a compra da edição publicada pela editora Hedra (clique aqui para adquirir, lembrando que você também procurar por esse livro na livraria de sua preferência, visto que não estou um único centavo para recomendá-lo). Ah, e não pense que é um livro demorado para ler, visto que a edição em português tem aproximadamente 150 páginas, sendo de fácil leitura.

Caso você compre o livro (ou o encontre disponível em português na internet), e após lê-lo não consiga compreendê-lo de forma satisfatória ou queira uma análise mais aprofundada do mesmo, recomendo fortemente que você leia o belíssimo trabalho da Cyntia Luiza Trevor, onde ela explicou sobre o local onde Laura vivia, quem ela era, a sexualidade em Carmilla, a questão sobre a "vampira mulher", a morte como punição e a noção de comunidade, a alienação feminina, a construção do vampiro, a relação entre Calmet e Carmilla, as habilidades e peculiaridades de Carmilla, os vampiros e a religião, além dos sonhos e questões deixadas no ar. Sem dúvida alguma é um excelente trabalho que vale muito a pena ser lido do começo ao fim (clique aqui para acessá-lo), e serve perfeitamente como uma referência bem completa para compreender as nuances em Carmilla.

As Influências Geradas por "Carmilla": Alguns Elementos que Ajudaram a Criar Desde a Lenda de Drácula até Séries Modernas na Internet


Conforme percebemos anteriormente, Carmilla é uma espécie de protótipo original para uma legião de vampiros femininos (assim como vampiras lésbicas). Embora Le Fanu retrate a sexualidade de seu vampiro com a circunspecção que se esperaria em virtude do seu tempo, é evidente que a atração afetiva, amorosa e sexual é a principal dinâmica entre Laura e Carmilla.
"Às vezes, depois de uma hora de apatia, a minha estranha e bela companheira pegava a minha mão e a segurava com uma carinhosa pressão, renovada seguidamente, corando suavemente, encarando-me com olhos langorosos e ardentes, respirando tão rápido que seu vestido erguia-se e abaixava-se com a tumultuada respiração. Foi como o ardor de um amante, que me deixou envergonhada. Foi odioso e ainda assim, avassalador. Com olhos sedutores, ela atraia-me para ela e seus lábios ardentes passeavam ao longo de meu rosto em beijos. Ela sussurrava, quase em soluços: "Você é minha, você será minha, eu e você seremos uma para sempre."
Quando comparado a outros vampiros literários do século XIX, Carmilla é um produto similar de uma cultura com costumes sexuais restritos e rigorosos, além de um medo religioso tangível. Enquanto Carmilla escolhia exclusivamente vítimas femininas, ela só se envolvia emocionalmente com algumas. Carmilla tinha hábitos noturnos, mas não se limitava à escuridão. Ela tinha uma beleza sobrenatural, e conseguia mudar sua forma, assim como passar por paredes sólidas. Seu alter ego animal era um gato preto monstruoso, não um cão de grande porte como em Drácula. Carmilla funciona como uma história de horror gótico, porque suas vítimas são retratadas sucumbindo a uma tentação perversa e profana, que tem graves consequências metafísicas para elas.

Carmilla tinha hábitos noturnos, mas não se limitava à escuridão. Ela tinha uma beleza sobrenatural, e conseguia mudar sua forma, assim como passar por paredes sólidas. Seu alter ego animal era um gato preto monstruoso, não um cão de grande porte como em Drácula
Drácula vria uma tensão colocando a alma de Mina na balança - apesar de seu arrependimento, sua salvação depende unicamente dos esforços de Van Helsing e companhia para matar o ardiloso Conde
Embora Carmilla seja uma história de vampiro bem menos conhecida, e muito mais curta do que Drácula, que até hoje é considerada por muitos como a obra-prima desse gênero, essa última foi fortemente influenciada pelo romance de Le Fanu. Um conto curto chamado "Dracula's Guest" ("O Convidado de Drácula", em português), de 1914, conhecido como o primeiro capítulo suprimido de Drácula mostra uma influência ainda mais evidente e impoluta em relação a "Carmilla":
  • Na narrativa, um inglês encontra-se na Alemanha, em meio a sua viagem da Inglaterra ao castelo de Drácula, e acaba se deparando com o túmulo de uma vampira cuja inscrição é possível ler: "Condessa de Dolingen de Graz da Estíria. Procurou e encontrou a morte em 1801";
  • Ambas as histórias são contadas em primeira pessoa. Drácula expande a idéia de uma narrativa em primeira pessoa ao criar uma série de passagens em diário e registros de diferentes pessoas, além de criar uma história de fundo plausível para a sua compilação;
  • Ambos os autores exploram o mistério, embora Bram Stoker conduza esse mistério por muito mais tempo do que Le Fanu, permitindo que os personagens resolvam o enigma vampiresco juntamente com o leitor;
  • As descrições da personagem Carmilla, de Le Fanu, e de Lucy, de Bram Stoker são semelhantes, e se tornaram arquétipos para o aparecimento de vítimas desamparadas e sedutoras em histórias de vampiros ao terem peles rosadas, serem delgadas e lânguidas, com olhos grandes, lábios carnudos e vozes suaves;
  • Muitos dos nomes próprios em Drácula, de fato, são alusões diretas aos personagens e cenários em "Carmilla": "Karnstein" tornou-se "Carfax", "Reinfeldt" tornou-se "Renfield", e assim por diante. A protagonista de Le Fanu, Laura, corresponde aproximadamente a "Mina" de Stoker, visto que ambas são mulheres jovens e aflitas, cujas almas dependem dos esforços das famílias para desvendar o mistério vampiresco;
  • O Dr. Abraham Van Helsing, de Stoker, é um paralelo direto ao perito vampírico do Le Fanu, o Barão Vordenburg: ambos os personagens costumavam investigar e catalisar ações em oposição aos vampiros, e representar simbolicamente o conhecimento do desconhecido, além da estabilidade da mente na investida contra o caos e a morte.
As personagens Lucy Westenra (Sadie Frost) e Mina Murray (Winona Ryder)
no filme "Drácula de Bram Stoker" de 1992
As personagens Lucy Westenra (Katie McGrath) e Mina Murray (Jessica De Gouw)
na série Drácula, da emissora de TV norte-americana NBC, que cancelou a série após a primeira temporada
Assim como dissemos anteriormente, Carmilla se comporta como uma história de terror, porque Laura é retratada como sucumbindo a uma tentação perversa e profana, fazendo com que o leitor entenda que isso terá consequências metafísicas graves. Drácula, da mesma forma, cria uma tensão colocando a alma de Mina na balança - apesar de seu arrependimento, sua salvação depende unicamente dos esforços de Van Helsing e companhia para matar o ardiloso Conde. Essas são histórias que funcionavam muito bem na Europa do século XIX, mas raramente funcionariam atualmente. A lógica cultural é simplesmente diferente.

Carmilla também foi tema de inúmeros filmes, livros, revistas em quadrinhos, músicas, periódicos, peças de teatro, episódios de séries televisas, jogos de videogame e, mais recentemente, até mesmo de um série transmitida através do YouTube.

Carmilla também foi tema de inúmeros filmes, livros, revistas em quadrinhos, músicas, periódicos, peças de teatro, episódios de séries televisas, jogos de videogame e, mais recentemente, até mesmo de um série transmitida através do YouTube. Na imagem acima temos alguns filmes que já foram realizados sobre ou tiveram alguma influência de "Carmilla"
No caso da série do YouTube, por exemplo, que talvez seja um grande marco em relação a Carmilla em tempos modernos, as atrizes canadenses Natasha Negovanlis e Elise Bauman, interpretam os personagens Carmilla e Laura, respectivamente. Uma espécie de adaptação moderna do romance, que ocorre em uma universidade tal como vemos nos filmes de hoje em dia, onde ambas as meninas são estudantes. Eles se tornam colegas de quarto após o primeiro colega de quarto de Laura desaparecer misteriosamente, e Carmilla se muda, ocupando o seu lugar.

No caso da série do YouTube, por exemplo, que talvez seja um grande marco em relação a Carmilla em tempos modernos, as atrizes canadenses Natasha Negovanlis e Elise Bauman, interpretam os personagens Carmilla e Laura, respectivamente
Essa é uma espécie de adaptação moderna do romance, que ocorre em uma universidade tal como vemos nos filmes de hoje em dia, onde ambas as meninas são estudantes. Eles se tornam colegas de quarto após o primeiro colega de quarto de Laura desaparecer misteriosamente, e Carmilla se muda, ocupando o seu lugar
Uma das cenas da websérie "Carmilla" onde as duas personagens acabam se beijando
A série teve três temporadas, entre 2014 e 2016, muito embora uma "mini temporada", que denominaram de zero (uma prequela de 12 episódios assim que terminou a segunda temporada, em 2015). No total, foram cerca de 120 episódios, que são bem curtinhos, mas que somam mais de 70 milhões de visualizações no YouTube, de acordo com dados referentes a agosto desse ano (vocês podem conferir todos os episódios dessa série no canal KindaTV, no YouTube, em inglês, mas com a opção de legenda em português).

O sucesso foi tanto que realizaram um filme sobre a história que deve ser lançado daqui alguns dias, no dia 26 de outubro desse ano. Confira o trailer do filme abaixo, que foi publicado pelo canal KindaTV, no início desse mês, no YouTube (em inglês e com a opção de legenda em português):



Enfim, AssombradOs, espero que tenham gostado de conhecer a história sobre Carmilla e a forte influência que o romance acabou tendo sobre Drácula, que por sua vez ditou boa parte da literatura ou imaginário que temos sobre vampiros atualmente. Evidentemente, o trabalho de Bram Stoker sofreu outras influências de sua época, mas é inegável que Carmilla ofereceu um mundo de possibilidades após conseguir sobreviver a uma era de repressão ainda maior contra mulheres do vemos atualmente. Essa foi uma pequena viagem que tentei proporcionar a vocês entre 1871 e 2017, cerca de 146 anos de uma história, que jamais será esquecida pelo tempo.

Caso tenham gostado, recomendo fortemente que leiam o livro "Carmilla" na edição que for mais acessível diante da realidade econômica de cada um de vocês, para que tenham realmente uma experiência mais profunda com as personagens. Leiam também o TCC da Cynthia, e quem sabe acompanhem a série Carmilla no YouTube.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://the-toast.net/2014/05/16/carmilla-original-female-vampire/
http://www.atlasobscura.com/articles/the-lesbian-vampire-story-that-came-before-dracula
http://www.bemparana.com.br/politicaemdebate/index.php/2008/04/22/a-vampira-esquecida/
http://www.branchcollective.org/?ps_articles=anna-maria-jones-on-the-publication-of-dark-blue-1871-73
http://www.doseliteraria.com.br/2013/12/antes-de-dracula-veiocarmilla.html
http://www.victoriangothic.org/before-dracula-there-was-carmilla/
https://ebooks.adelaide.edu.au/l/lefanu/carmilla/prologue.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Carmilla
https://en.wikipedia.org/wiki/Carmilla_(series)
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/156970/001016396.pdf?sequence=1
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