31 de outubro de 2017

Conheça 5 Locais Históricos que Relembram os Sombrios Períodos de Caça às Bruxas na Europa e nos Estados Unidos!


Por Marco Faustino

Acredito que a última vez, que comentei sobre uma suposta bruxa foi quando Emma Parry, correspondente norte-americana do tabloide "The Sun", publicou uma matéria sobre uma "bruxa" chamada "Savannah", mais conhecida como "Black Witch S". A suposta bruxa alegava que tinha o poder de curar o câncer ao dialogar com demônios e fazer pactos com o Diabo. Sim, exatamente isso que você leu. Esse é um tema tão sensível, que chega a ser quase repugnante que alguém apareça na mídia, independentemente de qual seja o país, prometendo curas milagrosas para qualquer tipo de doença, ainda mais o câncer que, em algumas ocasiões, chega a ser tão agressivo, que leva o paciente a exaustão e o faz pensar em inúmeras possibilidades de realmente colocar um fim na dor que sente. Porém, quando estamos lidando com tabloides britânicos e uma suposta "bruxa", na qual apenas seu primeiro nome e uma história totalmente superficial é divulgada, vocês podem ter certeza que a mesma possui diversas camadas para ser contada, e não iria se resumir a poucos parágrafos como costumam fazer por aí. Portanto, recomendo fortemente que, se realmente desejam saber a realidade por trás dessa suposta bruxa "Savannah", que leiam o que publiquei no fim do mês de setembro desse ano (leia mais: Pacto com o Diabo? Uma "Bruxa" Realizou um "Pacto com Satanás" para Curar o Câncer de um Jovem Policial, nos Estados Unidos?).

Agora, uma vez que estamos no "Halloween", que também é conhecido como "Dia das Bruxas" aqui no Brasil (ou o "Dia do Saci", caso goste do nosso folclore) resolvi trazer para vocês um compilado bem rápido e de fácil compreensão sobre cinco locais históricos, que até hoje servem como símbolos que relembram o longo e triste período de caça às bruxas na Europa e nos Estados Unidos (embora essa caça ainda aconteça, de forma velada ou até mesmo explícita em inúmeros países ao redor do mundo, a exemplo da Índia, Bolívia, Peru, Tanzânia e muitos outros países africanos). Assim sendo, iremos mostrar a vocês monumentos, estátuas e até mesmo uma casa de pesagem, que permanecem como elementos pulsantes de uma época onde milhares de homens e mulheres foram julgados sem o menor critério ou pudor. Durante séculos, os seres humanos perseguiram outros em troca de absolutamente nada e subjugaram tantas pessoas que, em alguns casos, o número de mortes é incontável. Vamos saber mais sobre esse assunto?

5. A Fonte das Bruxas de Edimburgo, na Escócia!


A "Witches' Well" ("Fonte das Bruxas", em português) é basicamente uma fonte de ferro fundido e uma placa, que tenta honrar as mulheres escocesas que foram queimadas na fogueira entre os séculos XV e XVIII. É um local bem fácil de passar desapercebido durante uma visita ao imponente Castelo de Edimburgo, porém é muito importante lembrar que, durante o século XVI, mais mulheres foram assassinadas naquele local do que em qualquer outro lugar na Escócia. Além disso, cada uma das vítimas não teve um julgamento apropriado. Então, imaginem o terror.



Imagem do Google Street View mostrando a localização da fonte histórica
A "Witches' Well" ("Fonte das Bruxas", em português) é basicamente uma fonte de ferro fundido e uma placa, que tenta honrar as mulheres escocesas que foram queimadas na fogueira entre os séculos XV e XVIII. É um local bem fácil de passar desapercebido durante uma visita ao imponente Castelo de Edimburgo.
O Rei James VI da Escócia, acreditava que a feitiçaria era uma forma de satanismo, e que qualquer pessoa que possuísse tais "habilidades" era porque tinha sido tocada pelo Diabo. Assim sendo, entre os séculos XVII e XVIII, mais de 4.000 supostas bruxas (principalmente mulheres, é claro) foram mortas. Diga-se de passagem, a Escócia foi um dos países que mais perseguiram supostas bruxas no continente Europeu. No fim do século XVII, as bruxas passaram a ser enforcadas em vez de serem queimadas, sendo que o último enforcamento ocorreu em 1728.

Durante o estado de "pânico satânico" daquela época, qualquer pessoa poderia ser acusada de praticar ou usar a famigerada "magia negra". Aqueles(as) que eram mortos(as), muitas vezes eram meros(as) herbalistas (estudiosos de plantas medicinais), pessoas com alguma deficiência mental ou aqueles(as) que simplesmente estavam em diante de um péssimo dia em relação aos seus julgadores. As mulheres que eram suspeitas de feitiçaria eram frequentemente amarradas e jogadas em um lago para determinar sua inocência. Aquelas que se afogavam eram absolvidas, e aquelas que tinham a "audácia" de sobreviver eram acusadas ​​de feitiçaria e enviadas para uma morte terrível.

O Rei James VI da Escócia, acreditava que a feitiçaria era uma forma de satanismo, e que qualquer pessoa que possuísse tais "habilidades" era porque tinha sido tocada pelo Diabo. Assim sendo, entre os séculos XVII e XVIII, mais de 4.000 supostas bruxas (principalmente mulheres, é claro) foram mortas
Durante o estado de "pânico satânico" daquela época, qualquer pessoa poderia ser acusada de praticar ou usar a famigerada "magia negra". Aqueles(as) que eram mortos(as), muitas vezes eram meros(as) herbalistas (estudiosos de plantas medicinais), pessoas com alguma deficiência mental ou aqueles(as) que simplesmente estavam em diante de um péssimo dia em relação aos seus julgadores
A pequena placa, que apresenta um relevo em bronze das cabeças de bruxas enroladas em uma cobra, foi utilizada como uma espécie de dualismo para destacar o equilíbrio entre o "Bem" e o "Mal", assim como para mostrar que cada história tem dois lados. A mesma foi erguida em 1894, na parte oeste do que atualmente é o Tartan Weaving Mill. O relevo também contém a imagem de uma planta chamada "dedaleira" ao centro, sendo que existe uma serpente enrolada e entrelaçada ao redor da cabeça de Esculápio (ou Asclépio), o deus da Medicina e da Cura na mitologia greco-romana, e sua filha Hígia, a deusa da Saúde, Limpeza e da Sanidade.

O bastão de Esculápio, uma haste entrelaçada de cobras, continua sendo um símbolo da medicina até os dias atuais. Hígia, sendo uma personificação da saúde, limpeza e do saneamento, representa a higiene como um todo. A dedaleira, quando usada medicinalmente, também pode ser venenosa dependendo da dosagem, sendo que a imagem da serpente embebida de sabedoria também é reconhecida como maligna. De qualquer forma, o simbolismo, no geral, representa o "Bem" e o "Mal".

A pequena placa, que apresenta um relevo em bronze das cabeças de bruxas enroladas em uma cobra, foi utilizada como uma espécie de dualismo para destacar o equilíbrio entre o "Bem" e o "Mal", assim como para mostrar que cada história tem dois lados
Em 1894, Sir Patrick Geddes, filantropo conhecido por seu pensamento inovador em planejamento urbano e sociologia, encomendou ao seu amigo, John Duncan, que criasse uma fonte no lado oeste do Reservatório Castlehill, ao lado do Jardim Ramsay. Duncan era um famoso artista, que foi influenciado pela mitologia e lenda celta, algo que se tornou evidente em sua arte (aliás, houve uma certa discussão se a fonte era mesmo de ferro fundido ou de bronze). Um pequeno buraco, abaixo da cabeça de uma cobra, jorrava água.

O canto superior esquerdo contém números romanos referentes ao ano de 1479, sendo que o ano de 1722 é representado no canto inferior direito (o período da perseguição mais predominante das bruxas, na Escócia). O canto inferior esquerdo mostra o ano que a arte foi criada, assim como as iniciais do escultor: 18 (JD) 94. Duas espécies de cavilhas nos cantos superiores são bem diferentes entre si, porém diante de olhos bem treinados é possível notar que as mesmas são símbolos Wicca do ar e da água.

Em 1894, Sir Patrick Geddes, filantropo conhecido por seu pensamento inovador em planejamento urbano e sociologia, encomendou ao seu amigo, John Duncan, que criasse uma fonte no lado oeste do Reservatório Castlehill, ao lado do Jardim Ramsay. Duncan era um famoso artista, que foi influenciado pela mitologia e lenda celta, algo que se tornou evidente em sua arte
A placa acima da fonte foi instalada em 1912, e menciona que a mesma foi criada por "John Duncan R.S.A", justamente próxima do local onde muitas bruxas foram queimadas na fogueira
A placa acima da fonte foi instalada em 1912, e menciona que a mesma foi criada por "John Duncan R.S.A", justamente próxima do local onde muitas bruxas foram queimadas na fogueira. Além disso, a serpente tem um duplo significado, do mal e da sabedoria, sendo que a "dedaleira" ressaltaria ainda mais essa dualidade. Para completar, uma espécie de cuba foi esculpida logo abaixo da placa, sendo que o lado esquerdo retrata o "olho gordo", com nariz e olhos franzidos. Já o lado direito retrata um par de mãos segurando uma tigela com as palavras "mãos de" escritas acima da mesma, e "cura", escrita logo abaixo. Interessante, não é mesmo?

4. O Túmulo da Bruxa do Cemitério de St. Omer, no Vilarejo de Ashmore, no Estado Norte-Americano do Illinois!


Entre todas as inúmeras estradas do estado norte-americano de Illinois, uma delas o levará para uma estrada de cascalho, que por sua vez o conduzirá para a cidade de St. Omer ou pelo menos o que restou dela: o seu cemitério. A cidade fantasma poderia ter sido esquecida em meio a tantas outas se não fosse por um dos seus pitorescos monumentos, que acabou virando uma lenda sobre uma suposta bruxa que assolava a região.



Entre todas as inúmeras estradas do estado norte-americano de Illinois, uma delas o levará para uma estrada de cascalho, que por sua vez o conduzirá para a cidade de St. Omer ou pelo menos o que restou dela: o seu cemitério
A cidade fantasma poderia ter sido esquecida em meio a tantas outas se não fosse por um dos seus pitorescos monumentos, que acabou virando uma lenda sobre uma suposta bruxa que assolava a região.
Esse monumento em questão é simplesmente uma espécie de bola em cima de uma fogueira. Enquanto muitos dos outros túmulos neste cemitério estão orientados de Leste para Oeste, este curiosamente está voltado de Norte para o Sul. Além disso, quatro pessoas estão enterradas no local, Marcus Barnes, seus pais Granville e Sarah, e sua esposa, Caroline, cujas datas de falecimento jamais poderiam ter acontecido em nossa história: 31 de fevereiro de 1882 (caso tenha passado desapercebido, não existe dia 31 em fevereiro).

Esse monumento em questão é simplesmente uma espécie de bola em cima de uma fogueira. Enquanto muitos dos outros túmulos neste cemitério estão orientados de Leste para Oeste, este curiosamente está voltado de Norte para o Sul
Reza a lenda, que Caroline Barnes era uma bruxa ou pelo menos foi acusada de ser uma. Ela teria sido enforcada (ou, dependendo de quem você pergunta, teria sido queimada ou até mesmo enterrada viva) devido a sua magia. A esfera em cima da lápide seria, na verdade, uma bola de cristal, que muitos dizem que brilha em noites sem luar. A data impossível em nosso calendário seria uma espécie de medida de precaução: a bruxa poderia renascer na data de sua morte. Por outro lado, se a data de seu óbito nunca fosse celebrada, ela nunca mais reapareceria.

As pessoas também alegam que as fotografias tiradas da sepultura nunca conseguiram ser reveladas (muito embora, aparentemente, não haja nenhum problema em relação as fotografias digitais), e que rituais secretos são realizados na calada da noite. Essa última alegação, no entanto, pode ter alguma credibilidade, visto que a esfera foi reiteradamente encontrada com cera derretida, de vela branca, sobre a mesma.

Reza a lenda, que Caroline Barnes era uma bruxa ou pelo menos foi acusada de ser uma. Ela teria sido enforcada (ou, dependendo de quem você pergunta, teria sido queimada ou até mesmo enterrada viva) devido a sua magia
A esfera em cima da lápide seria, na verdade, uma bola de cristal, que muitos dizem que brilha em noites sem luar. A data impossível em nosso calendário seria uma espécie de medida de precaução: a bruxa poderia renascer na data de sua morte. Por outro lado, se a data de seu óbito nunca fosse celebrada, ela nunca mais reapareceria.
Para ser bem sincero, existem pouquíssimos elementos que sustentem eventuais acusações de bruxaria. O folclore local parece ter surgido das estranhas anomalias que cercam a lápide. Existe, no entanto, uma história trágica a respeito da família Barnes. Marcus Barnes morreu devido a um acidente numa serraria em 1881, e foi enterrado juntamente com seus pais. Cerca de apenas dois meses depois, Caroline morreu devido a pneumonia, com 23 anos de idade. A data em que ela morreu foi entre os dias 26 ou 28 de fevereiro daquele ano. De qualquer forma, "31 de fevereiro" provavelmente acabou sendo apenas um erro de digitação muito caro para ser consertado, sem mencionar que não havia restado mais ninguém na familia Barnes para consertar esse erro.

Aliás, não havia mais ninguém na cidade. A cidade de St. Omer tinha apenas 40 a 50 famílias, uma agência dos Correios, um ferreiro e uma loja de utilidades. Quando a família Barnes morreu, a cidade acabou seguindo o mesmo caminho. Atualmente, tudo o que resta de St. Omer é tão somente o seu cemitério.

3. O Memorial das Bruxas da Cidade de Paisley, na Escócia!


Em agosto de 1696, Christian Shaw, de apenas 11 anos, filha de Laird de Bargarran, um fazendeiro local, flagrou sua criada, Catherine Campbell, roubando leite e relatou o incidente a sua mãe.  A criada, Catherine Campbell, aparentemente não gostava de ser bisbilhotada e teria desejado que o Diabo "levasse a alma de Shaw para o Inferno". Poucos dias depois, Shaw começou a sofrer ataques misteriosos e violentos, incluindo ataques epiléticos e convulsões, além de aparentes transes, nos quais ela falava absolutamente nada. Diga-se de passagem, todos os sintomas eram bem semelhantes aqueles relatados durante os julgamento das Bruxas de Salém, cerca de três anos antes, em 1693.



Os pais da menina a levaram a um médico proeminente de Glasgow, que não encontrou nenhuma explicação para os sintomas que ela estava demonstrando. Sua estranha condição persistiu por meses e piorou com o tempo. Shaw teria lutado e implorado perante carrascos invisíveis, e começaram a sair objetos estranhos de sua boca, assim como bolas de pelo, palha, carvão, cascalho, penas de galinha e cinzas, que ela alegava terem sido colocada em sua boca por aqueles que a afligiam.

Diante de uma análise moderna, acredita-se que a menina estivesse exibindo sinais da Síndrome de Münchausen ou transtorno conversivo. No entanto, todos aqueles que pertenciam a mesma época de Christian Shaw estavam inclinados a acreditar que ela estivesse sendo vítima de feitiçaria.

Diante de uma análise moderna, acredita-se que a menina estivesse exibindo sinais da Síndrome de Münchausen ou transtorno conversivo. No entanto, todos aqueles que pertenciam a mesma época de Christian Shaw estavam inclinados a acreditar que ela estivesse sendo vítima de feitiçaria.
Inicialmente, a acusação de Shaw foi feita apenas em relação a Catherine Campbell e Agnes Naismith, uma senhora local, que já tinha uma certa fama de ser bruxa. Ao longo do tempo, no entanto, as incriminações se expandiram e, eventualmente, implicaram em 35 pessoas envolvidas com a feitiçaria, que supostamente a afligia.

Em última análise, cerca de sete pessoas: Catherine Campbell, Agnes Naismith, Margaret Lang, Margaret Fulton, John Reid, John Lindsay e James Lindsay (as duas últimas tinham apenas 11 e 14 anos, respectivamente) foram formalmente julgadas pela prática de feitiçaria. Todos foram considerados culpados e condenados à morte. John Reid se enforcou em sua cela antes que a sentença pudesse ser executada. Os outros seis acabaram sendo enforcados em Gallow Green. Todos os sete corpos foram queimados, e as cinzas enterradas em Maxwellton Cross, no atual cruzamento das ruas Maxwellton e George.

Tudo o que restou de Gallow Green, o palco da última execução em massa de bruxas, na Europa Ocidental
A ferradura que acabou sendo substituída em 2008,
contendo uma nova dedicatória em um memorial local: "Dor Infligida, Dor Sofrida, Injustiça Cometida".
Durante sua execução, Agnes Naismith rogou uma espécie de "maldição da mulher moribunda" em todos aqueles que estavam presentes, e seus descendentes para todo o sempre (honestamente, quem entre nós não faria o mesmo?). Desde então, muitas desgraças e tragédias locais acabaram sendo atribuídas a essa maldição, sendo que o túmulo foi marcado com uma ferradura para afastar a maldição. No entanto, a ferradura acabou desaparecendo devido a um trabalho de pavimentação que estava sendo realizado na década de 1960. Diga-se de passagem, o declínio econômico na cidade escocesa de Paisley, desde a década de 1970, acabou sendo atribuído a maldição de Naismith por alguns moradores locais. A ferradura acabou sendo substituída em 2008, com uma nova dedicatória em um memorial local: "Dor Infligida, Dor Sofrida, Injustiça Cometida".

Christian Shaw, por sua vez, acabou se tornando uma mulher de negócios bem sucedida, copiando técnicas de tecelagem e, eventualmente, roubando peças da maquinaria dos holandeses. Ela criou uma fábrica de fios e linhas em Paisley, que se tornaria uma referência de qualidade industrial e levaria a cidade a se tornar uma líder mundial no setor. Sem dúvida alguma, ela aparentava ter uma certa magia em tudo aquilo que tocava. Felizmente, no entanto, essa seria a última execução em massa de bruxas, na Europa Ocidental.

2. Triora: A Cidade Italiana das Bruxas, e Considerada a "Salém Europeia"!


Em 1587, o mau tempo e as más condições da lavoura acabaram fazendo com que o povo passasse fome, e isso fez com que os moradores de Triora, na Itália, se convencessem de que tal infortúnio fosse a obra de bruxas. O inquisidor de Gênova e Albenga e o sacerdote Girolamo del Pozzo foram até a localidade para verificar as suspeitas em relação ao falatório local. Na verdade, o "Mal" estava correndo solto, e rapidamente as 20 primeiras mulheres foram arrebatadas e escolhidas a dedo por alguns paroquianos, que se sentiram incomodados durante uma missa.

Ainda mais rapidamente, essas 20 mulheres se tornaram 30, sendo esse o número de mulheres que foram convencidas, através da tortura, a apontar quem seriam suas supostas irmãs satânicas. Pouco tempo depois, 18 pessoas que foram acusadas ​​não aguentaram a pressão e confessaram: um total de 13 mulheres, 4 meninas e até mesmo um garotinho.



Em 1587, o mau tempo e as más condições da lavoura acabaram fazendo com que o povo passasse fome, e isso fez com que os moradores de Triora, na Itália, se convencessem de que tal infortúnio fosse a obra de bruxas.
O Conselho dos Anciões chegou a apelar aos inquisidores para que a decisão fosse postergada. Isso porque dos 30 acusados ​​e torturados, diversos eram nobres ou de famílias influentes da cidade. De qualquer forma, os julgamentos nem sequer tinham começado, e uma das nobres mulheres havia morrido devido a tortura praticada, e uma outra pulou da janela em direção a morte. Essas vítimas acabaram sendo meio que ignoradas, mas uma garota de apenas 13 anos acabou sendo inocentada, provavelmente porque era simplesmente filha de alguém importante.

A captura dessas mulheres desencadeou a caça às bruxas nos países vizinhos e, durante dois anos, as mulheres da Itália foram caçadas e torturadas sem piedade por supostos crimes contra Deus, seus vizinhos e, acima de tudo, crianças pequenas e inocentes.

O Conselho dos Anciões chegou a apelar aos inquisidores para que a decisão fosse postergada. Isso porque dos 30 acusados ​​e torturados, diversos eram nobres ou de famílias influentes da cidade
Pelo menos quatro das mulheres foram queimadas na fogueira, apesar de haver uma quantidade considerável de dúvida por parte do governo de que as confissões eram suficientes para justificar uma morte tão horrenda.

Há relatos contraditórios sobre o destino das pessoas. Alguns dizem que todos foram eventualmente queimados, sendo que outros dizem que as pessoas acabaram sendo presas em Gênova até o Tribunal do Santo Ofício responder aos pedidos para acabar com toda aquela loucura e libertá-las. De qualquer forma, a moderna cidade de Triora exibe sua história mórbida para todos aqueles que resolvem visitá-la.

La Cabotina, o lugar onde bebês eram supostamente sacrificados para o Diabo
A representação de uma bruxa encarcerada no Museu Etnográfico e da Feitiçaria
Primeiramente, existe um museu dedicado à história agrícola e rural da região, mas focado nos julgamentos. O Museu Etnográfico e da Feitiçaria contém artefatos dos julgamentos, assim como reconstruções das torturas e dos interrogatórios. No entanto, além do museu, você encontrará sinais de feitiçaira por toda a cidade: lembrancinhas, placas, estátuas e até visitas aos antigos lares do acusados: Monte delle Forche, a montanha onde muitos foram queimados e "La Cabotina", o lugar onde bebês eram supostamente sacrificados para o Diabo. Além disso, a cidade possui três eventos principais durante o ano: uma espécie de festival de feitiçaria no verão e dois eventos no outono (o festival dos cogumelos em setembro e, é claro, o Halloween).

1. A Casa de Pesagem de Bruxas, em Oudewater, na Holanda!


Na pequena cidade holandesa de Oudewater, há uma casa de pesagem histórica que, ao contrário de uma série de casas similares espalhadas pela Holanda, essa é conhecida principalmente por pesar bruxas. É importante ressaltar nesse ponto, que uma casa de pesagem era algo bem comum em cidades medievais. Era um local onde as pessoas podiam pesar suas colheitas e até mesmo o gado. Essas casas eram geralmente públicas, mas também serviam para coletar impostos.



Uma vez que a caça às bruxas se tornou uma histeria popular, elas se tornaram locais perfeitos para submeter um(a) acusado(a) a um "teste de bruxaria". Acreditava-se que as bruxas fossem tão leves ao ponto de flutuarem na água e, assim sendo, um teste comum consistia em colocar o(a) acusado(a) na balança e ver o resultado. O problema é que essas balanças geralmente eram fraudulentas, e inúmeros inocentes foram queimados ou afogados devido a esse teste.

Uma vez que a caça às bruxas se tornou uma histeria popular, elas se tornaram locais perfeitos para submeter um(a) acusado(a) a um "teste de bruxaria". Acreditava-se que as bruxas fossem tão leves ao ponto de flutuarem na água e, assim sendo, um teste comum consistia em colocar o(a) acusado(a) na balança e ver o resultado.
O problema é que essas balanças geralmente eram fraudulentas, e inúmeros inocentes foram queimados ou afogados devido a esse teste.
A casa da pesagem em Oudewater, no entanto, era ligeiramente diferente, uma vez que se contava que a mesma tinha sido aprovada como um local de pesagem por Carlos V,  Imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Graças a isso, alguns historiadores acreditam que ninguém tenha ido parar na fogueira devido a uma mera balança. Elas foram originalmente construídas em 1482, sendo que os pesos das bruxas não começaram a ser tabulados (no sentido de catalogados) até o século XVI.

A casa da pesagem em Oudewater, no entanto, era ligeiramente diferente, uma vez que se contava que a mesma tinha sido aprovada como um local de pesagem por Carlos V,  Imperador do Sacro Império Romano Germânico
Graças a isso, alguns historiadores acreditam que ninguém tenha ido parar na fogueira devido a uma mera balança
Atualmente, a casa de pesagem é um museu dedicado à história local. Conhecido como o Museu de Heksenwaag, os visitantes podem ir até o local e se pesar, além de receber certificados que comprovam que não são bruxas. Infelizmente, outras casas de pesagem não podem dizer o mesmo.

Enfim, AssombradOs, espero que vocês tenham gostado de conhecer esses cinco locais e, talvez, no futuro, sejam abordados outros locais que relembrem o período de caça às bruxas ou então que sejam considerados satânicos ao redor do mundo.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
https://www.atlasobscura.com/places/paisley-witches-memorial
https://www.atlasobscura.com/places/st-omer-cemetery-witch-grave
https://www.atlasobscura.com/places/the-town-of-witches
https://www.atlasobscura.com/places/the-witches-well
https://www.atlasobscura.com/places/witches-weigh-house
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