14 de agosto de 2017

O Eclipse Solar é o Prenúncio de Tragédias? Conheça Incríveis Histórias, Monstros, e Experimentos que Levantam Teorias Conspiratórias!


Por Marco Faustino

Daqui exatamente uma semana, um incrível e raro fenômeno natural irá ocorrer nos céus dos Estados Unidos. No dia 21 de agosto, os moradores de uma costa a outra dos Estados Unidos vão se deparar com uma espécie de "Sol negro", que nada mais é do que o eclipse solar total: um dos fenômenos mais aguardados pela NASA (a Agência Espacial Norte-Americana) neste ano. A última vez que os norte-americanos puderam observar um eclipse solar total foi em 1991, porém a última vez que um eclipse solar cruzou o país, de ponta a ponta, foi em 1918, ou seja, há quase 100 anos, por isso existe essa grande expectativa. De acordo com a NASA, neste ano o fenômeno poderá ser observado por 500 milhões de pessoas de forma total ou parcial: 391 milhões nos Estados Unidos, 35 milhões no Canadá e 119 milhões no México (além da América Central e parte da América do Sul). O trecho mais interessante para a observação está compreendido entre as cidades de Lincoln Beach, no estado norte-americano do Oregon, e Charleston, na Carolina do Sul. Em muitas cidades desse trecho, que corta os Estados Unidos, em diagonal, o Sol ficará completamente encoberto durante pouco tempo: menos de 3 minutos, mas isso depende e muito da localidade, visto que algumas cidades terão esse privilégio apenas por poucos segundos, sendo que outras poderão observar o fenômeno por mais de 2 minutos e meio. No Brasil, ele será visto de forma parcial - quanto mais ao Norte, mais o Sol estará encoberto, muito embora não haverá um eclipse total em nosso país. Para vocês terem uma ideia, no extremo norte do Brasil, no Monte Caburaí, o eclipse será parcial: cerca de 50% de escuridão. O trecho contemplado pela penumbra chega até Brasília, mas com apenas 1,96%. Nas regiões com baixo índice, os observadores podem, talvez, notar apenas uma diminuição no brilho do Sol.

Entretanto, isso não nos impede de trazer uma série de histórias envolvendo eclipses solares. Nessa postagem, vocês irão conhecer uma série de  monstros lendários, que existiam em diversas culturas, onde havia a crença de serem os responsáveis por engolir ou até mesmo apagar o Sol e a Lua. Também vão conhecer como ocorreu a primeira previsão de um eclipse solar, sendo que o responsável por essa previsão acreditava que a Terra fosse plana! Além disso, vamos contar para vocês a saga de uma expedição até a Austrália, no ano de 1922 para fazer um experimento cientifico que, a princípio, pode parecer inútil para muitos, porém muito importante para a ciência: comprovar a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein! Aliás, vocês sabiam que esse experimento será repetido daqui uma semana? Além desse experimento, muitos outros irão ocorrer no dia 21 de agosto, tal como a medição exata do tamanho do Sol, visto que ele pode ser muito maior do que pensamos! Como não podia deixar de ser, também vamos comentar sobre certos "exageros", que já começaram a contar sobre essa data. Há quem esteja espalhando por aí, que o mar irá recuar dezenas de metros no Brasil, porque algo gigantesco passará pela Terra, sendo que muitos atribuem ao famigerado "Nibiru". Será que isso é mesmo verdade? Vamos saber mais sobre esse assunto?

A "Previsão do Primeiro Eclipse Solar" foi um Ato Genial, um Incrível Erro ou "Sorte de Principiante"? É Difícil Prever um Eclipse Quando se Acredita que a Terra é Plana!


O ano era 585 a.C., e os Lídios e os Medes (duas antigas civilizações) já estavam em guerra há quase meia década em um território, que atualmente conhecemos como sendo a Turquia. Não estava claro quem estava realmente ganhando aquela guerra. Em certos momentos, os Lídios pareciam ser mais dominantes, mas em outros os Medes pareciam reinar de forma absoluta. Porém, no sexto ano de guerra, enquanto eles lutavam no campo de batalha, algo incrivelmente maravilhoso aconteceu. Os céus começaram a escurecer, visto que a Lua passou na frente do Sol. Os soldados, completamente atônitos, largaram suas armas e houve uma trégua.

Essa história é contada até hoje através de livros, devido a um homem chamado Heródoto, um historiador grego, que viveu cerca de um século após essa luta em questão (acredita-se que entre 485 e 420 a.C.). O que talvez seja mais notável sobre essa narrativa é um trecho da mesma, onde é mencionado que antigo filósofo Tales de Mileto havia previsto essa "diminuição" da luz solar para os Ionianos, dizendo o ano que isso iria acontecer. Contudo, Tales de Mileto não tinha acesso ao conhecimento ou equipamentos científicos para prever com exatidão um eclipse solar. Assim sendo, essa história vem intrigando e dividindo os cientistas ao longo dos séculos. Aquilo teria sido uma previsão astronômica sofisticada, um mito ou apenas uma feliz coincidência?

O ano era 585 a.C., e os Lídios e os Medes (duas antigas civilizações) já estavam em guerra há quase meia década em um território, que atualmente conhecemos como sendo a Turquia. Não estava claro quem estava realmente ganhando aquela guerra. Em certos momentos, os Lídios pareciam ser mais dominantes, mas em outros os Medes pareciam reinar de forma absoluta
Porém, no sexto ano de guerra, enquanto eles lutavam no campo de batalha, algo incrivelmente maravilhoso aconteceu. Os céus começaram a escurecer, visto que a Lua passou na frente do Sol. Os soldados, completamente atônitos, largaram suas armas e houve uma trégua.
Os pesquisadores acreditam que, o eclipse que Heródoto descreveu no campo de batalha, seja um eclipse que aconteceu no dia 28 de maio de 585 a.C. Sua trajetória percorreu desde a Nicarágua, passando pelo Oceano Atlântico, cruzando a França e a Itália, e finalmente chegando na Turquia. A cidade natal de Tales, a antiga cidade de Mileto, na costa do Mediterrâneo, estava um pouquinho fora do trajetória ideal de um eclipse solar total. Portanto, ele teria visto um impressionante eclipse parcial daquele ponto do mundo. Existem, é claro, outros eclipses por volta dessa mesma época, que também seriam possíveis candidatos, mas nenhum que teria mergulhado os Lídios e o Medes abruptamente em meio a escuridão, conforme Heródoto descreveu.

É particularmente estranho, que o historiador tenha mencionado, que Tales de Mileto tenha previsto somente o ano do eclipse, em vez da data exata. De acordo com o matemático Dmitri Pachenko, em um artigo publicado em 1994, no periódico "Journal for the History of Astronomy", "se alguém pode prever um eclipse, pode prever o dia que irá acontecer." Isso porque a Astronomia é uma ciência extremamente precisa. Se você sabe que um grande evento celestial está se aproximando, e onde será visível, provavelmente você terá alguma precisão sobre quando o mesmo acontecerá. Tales, no entanto, estava em uma desvantagem gritante para fazer previsões astronômicas. Ele não sabia que a Terra era esférica, e aparentemente pensava que o nosso planeta fosse um disco plano, repousando na água (curiosamente, muitos ainda acreditam nessa possibilidade).

Estátua de Heródoto em frente ao Parlamento Austríaco, em Viena, na Áustria
Heródoto mencionou que o antigo filósofo Tales de Mileto havia previsto essa "diminuição" da luz solar para os Ionianos, dizendo o ano que isso iria acontecer, mas Tales não tinha acesso ao conhecimento ou equipamentos científicos para prever com exatidão um eclipse solar
Então, como ele teria previsto tal eclipse? Uma hipótese amplamente sugerida é que Tales teria se aproveitado da experiência dos antigos babilônios. Os astrônomos babilônios, situados nos arredores da Bagdá moderna (atual capital do Iraque), mantiveram registros minuciosos do céu, incluindo como Vênus, Mercúrio, o Sol e a Lua se movimentavam pelos céus. Em 1063 a.C, seus registros documentaram um eclipse total, "que transformou o dia em noite."

Os antigos babilônios mantiveram diários astronômicos complexos dos movimentos de objetos celestiais.
As tábuas acima documentam a observação do Cometa Halley em 164 a.C.
Curiosamente, foram esses mesmos registros que nos levaram a descobrir o que chamamos atualmente de ciclos Saros, que nada mais são do que os ciclos que regem a recorrência dos eclipses. É importante mencionar que o "Saros" é um período de aproximadamente 6.585,3 dias (basicamente 18 anos, 11 dias e 8 horas), sendo útil para prever as épocas, nas quais eclipses muito semelhantes irão ocorrer.

Resumindo, se você observasse um eclipse hoje, daqui a 6.585,3 dias, praticamente o mesmo eclipse ocorreria novamente. Nesse meio tempo, cerca de 70 outros eclipses seriam observados. Na verdade, esse valor total de eclipses poderia variar entre 69 e 84 eclipses (sendo geralmente 41 solares e 29 lunares). Assim sendo, pode-se dizer que há sempre por volta de 70 ciclos de Saros "ativos", já que, com o passar dos milênios, alguns ciclos deixam de existir, ou seja, um mesmo eclipse, que ocorria a cada 6.585,3 dias, deixa de ocorrer, para dar lugar a novos ciclos. Meio complicado, não é mesmo?

Nove eclipses solares do ciclo Saros 136 foram traçados acima entre os anos de 1937 e 2081. O deslocamento para Oeste a cerca de 120° em relação a cada trajetória do eclipse é uma consequência das 8 horas extras. O ciclo Saros 136 produzirá 71 eclipses em 1.262 anos na seguinte ordem: 8 parciais, 6 anulares, 6 híbridos, 44 totais e 7 parciais.
E ainda pode piorar porque, por exemplo, após três ciclos Saros de 6.585,3 dias (ou 223 meses sinódicos, ou seja, meses com 29,53 dias), os eclipses retornam à mesma região geográfica e aproximadamente no mesmo horário do dia. Conforme você podem notar, no entanto, essa é uma forma bem complicada de fazer a previsão de um eclipse. Tenham em mente que, compreender tudo isso para conseguir prever um único eclipse solar exige, no mínimo, o conhecimento de que a Terra é esférica, além de observações detalhadas e bem precisas. Isso sem mencionar aqueles eclipses solares, que podem ocorrer em dias nublados, e que muitos sequer notariam para serem registrados, algo que atrapalharia e muito em termos estatísticos.
Após três ciclos Saros de 6.585,3 dias (ou 223 meses sinódicos, ou seja, meses com 29,53 dias), os eclipses retornam à mesma região geográfica e aproximadamente no mesmo horário do dia
Em 585 a.C., os astrônomos da Mesopotâmia ainda não tinham descoberto como usar os ciclos Saros para prever eclipses com precisão. Além disso, diversos cientistas tentaram prever o eclipse de 28 de maio de 585 a.C., usando os ciclos Saros, porém simplesmente não parecia viável diante dos dados que estavam disponíveis para Tales naquela época. Seja qual for o método utilizado por Tales, parece ter funcionado apenas uma única vez. Não se tem conhecimento de nenhum outro registro dele sobre outra previsão com sucesso de um eclipse ou sobre o repasse de tais informações para qualquer um de seus muitos alunos. Então, restariam apenas duas hipóteses possíveis: o método não foi replicável (considerando que não fosse científico) ou a previsão não aconteceu de verdade.

É inteiramente possível que Tales tivesse previsto o eclipse de uma maneira que aparentasse ser científica, mas que na verdade estivesse errada. Essa é a teoria compartilhada pelos cientistas Willy Hartner e Dirk Couprie, muito embora os dois tenham divergido sobre a forma com que Tales possa ter feito isso. Em 1969, Willy Hartner fez uma lista com 29 eclipses solares que Tales poderia ter visto por volta dessa época. Existem padrões entre esses 29 eclipses, mas ainda assim seria improvável que Tales pudesse compreendê-los. Segundo Hartner, Tales poderia ter usado esses padrões para prever o eclipse de 18 de maio de 584 a.C., pouco menos de um ano após aquele que encerrou a batalha. Quando o eclipse aconteceu exatamente um ano antes, Tales pode ter minimizado o incidente, e ter levado algum crédito por ter chegado bem próximo de sua previsão.

Por outro lado, Dirk Couprie acredita que tudo não tenha passado de um golpe de sorte. É possível que Tales tenha detectado um certo padrão, embora um pouco aleatório, em diversos eclipses regionais que ocorreram durante seu tempo. Porém, Tales teria realmente previsto o eclipse? De acordo com Dirk Couprie, a resposta é não, visto que se tentasse prever outros eclipses usando o mesmo método ele teria falhado miseravelmente, o que talvez explique a razão pela qual nenhum dos seus alunos ou sucessores conseguiu prever outro eclipse. Na verdade, a vez seguinte em que um antigo pensador previu com sucesso um eclipse foi somente por volta de 150 a.C. Seu nome? Hiparco, o homem que atualmente creditamos pela descoberta da trigonometria.

Na verdade, a vez seguinte em que um antigo pensador previu com sucesso um eclipse foi somente por volta de 150 a.C. Seu nome? Hiparco, o homem que atualmente creditamos pela descoberta da trigonometria.
Existe, no entanto, mais uma opção. Tales era um astrônomo e filósofo, mas também era uma espécie de intelectual público primordial, quase uma celebridade. Um dramaturgo grego chamado Aristófanes, considerado o maior representante da comédia antiga, chegou a dizer que qualquer homem que tivesse uma "ótima sabedoria prática" era conhecido como um "autêntico Tales", enquanto narrava uma história em que Tales previu um bom ano para a colheita das azeitonas, e então monopolizou o mercado de prensas de azeitonas, ganhando um bom dinheiro com essa operação. Uma demonstração clara que era fácil para os filósofos serem ricos, caso desejassem, mas isso não queria dizer que era naquilo que estavam realmente interessados.

A questão é que Tales realizou façanhas matemáticas, que podem ter soado como mágica para seus contemporâneos, incluindo o cálculo da altura das pirâmides a partir do comprimento de suas sombras. Era era uma lenda, então é possível que sua famosa previsão também tenha sido. Em sua época, as pessoas aceitavam prontamente outras alegações que ele fazia, tais como: os imãs tem almas, porque fazem as coisas se moverem, que os terremotos acontecem, porque a Terra está boiando na água, e que todas as coisas estão cheias de deuses. Assim sendo, não era muito difícil que as pessoas acreditassem que ele poderia ter realmente previsto acontecimentos misteriosos no céu.

De qualquer forma, quando Tales disse que todas as coisas estão cheias de deuses, ou que o magnetismo se deve à existência de "almas" dentro de certos minerais, ele não estava invocando as palavras "Deus" e "Alma", no sentido religioso conforme conhecemos atualmente, mas adivinhando intuitivamente a presença de fenômenos naturais inerentes à própria matéria. Há quem diga, no entanto, que a evidência da Cosmologia de Tales é muito fraca e imprecisa e, por isso, pode ser considerada apenas como uma "base para todo e qualquer tipo de especulação."

A Grande Expedição de 1922 que Visava Confirmar a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein!


Em 30 de agosto de 1922, o astrônomo William Wallace Campbell chegou em uma localidade chamada Wallal, no estado da Austrália Ocidental (evidentemente na Austrália), para acompanhar um eclipse solar que aconteceria três semanas depois. Aliás, até aquele momento, a viagem já tinha sido bem longa. Em julho daquele mesmo ano, William Campbell, então diretor do Observatório Lick, no estado norte-americano da Califórnia, tinha navegado aproximadamente 12.000 km entre as cidades de São Francisco e Sidney. De lá, ele atravessou a Austrália de trem até chegar em Perth, e depois viajou para o norte, de navio, por cerca de 10 dias para chegar até a cidade de Broome. Nesse ponto da expedição sua equipe contava com 35 membros, incluindo sua esposa, Elizabeth Campbell, e cientistas da Austrália, Índia e Canadá. A partir da cidade de Broome, dois barcos que transportavam 35 toneladas de equipamentos navegaram até Eighty Mile Beach, a última parada até finalmente chegarem até Wallal. Nossa, quanto tempo viajando, não é mesmo?

A partir da cidade de Broome, dois barcos que transportavam 35 toneladas de equipamentos navegaram até Eighty Mile Beach (na foto), a última parada até finalmente chegarem até Wallal
A trajetória do eclipse estava bem distante da Califórnia. Ela iria percorrer a Costa Leste da África, passando sobre o Oceano Índico antes de cruzar a Austrália ao passar por Wallal. As opções para a expedição eram a Ilha do Natal (ou Ilha Christmas), a República das Maldivas ou outras localidades rurais na Austrália. Porém, as condições meteorológicas favoreceram Wallal, assim como o fato de poderem observar a maior totalidade do eclipse em relação aos outros locais. Por outro lado, Wallal está em uma posição excepcionalmente remota. Indo em direção ao Oeste, por exemplo, temos o Deserto Great Sandy-Tanami, uma extensão territorial árida maior do que toda a Nova Zelândia.

William Campbell já tinha viajado anteriormente para destinos bem distantes em relação onde morava, assim como a Espanha, Índia, Ucrânia e Kiribati, justamente para registrar eclipses. No entanto, ter as condições adequadas para o eclipse de 1922 era crucial. O propósito dessa expedição era testar a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, que havia sido publicada em 1915. Para fazer isso, ou seja, para ver se a predição de Einstein de que a luz das estrelas distantes se curvavam ao redor do Sol estava correta, William Campbell precisava de condições perfeitas para fotografar o Sol durante a totalidade do eclipse. Aliás, aquela não era a primeira vez que Campbell tinha tentado testar uma das teorias de Einstein.

No final do verão de 1914, enquanto a Europa rumava em direção à I GM, Campbell viajou até a Ucrânia para o eclipse de agosto daquele ano. A viagem era uma tentativa de testar a Teoria da Relatividade Especial de Einstein, de 1905, porém acabou sendo prejudicada pelo mau tempo. Além de não ser capaz de obter dados precisos, a guerra foi oficialmente declarada três semanas antes do eclipse. Assim sendo, ele teve que voltar para casa e deixar seu equipamento com o Observatório Astronômico de Pulkovo, o principal observatório da Academia Russa das Ciências, nas proximidades de São Petersburgo.

Equipamento da expedição de 1922 sendo montado em Wallal
A tentativa seguinte foi durante o eclipse de 8 de junho de 1918, o último a cruzar os Estados Unidos, antes do próximo que acontecerá no dia 21 de agosto desse ano. Campbell posicionou-se em Goldendale, no estado norte-americano de Washington, porém, mais uma vez, ele não teve sorte. Com seus instrumentos ainda retidos na Rússia, ele teve que usar equipamentos emprestados, e ainda por cima, encarou um tempo nublado. Assim sendo, ele próprio considerou que o teste não era conclusivo.

No ano seguinte, um astrônomo britânico chamado Arthur Stanley Eddington viajou para a Ilha do Príncipe, na Costa Leste da África para o eclipse de 29 de maio de 1919. Seu objetivo era o mesmo que Campbell: fotografar a luz das estrelas para ver se a teoria de Einstein estava correta. Durante uma totalidade de 6 minutos e 51 segundos, em condições variáveis, Eddington conseguiu capturar as imagens que ele precisava. Após uma análise cuidadosa, a Sociedade Real e a Sociedade Astronômica Real anunciaram, em novembro de 1919, que não restavam dúvidas sobre o tema: Einstein estava certo. Um resultado definitivo tinha sido obtido, ou seja, de que a luz era desviada de acordo com a gravitação proposta por Einstein.

Os equipamentos e suprimentos eram levados ao acampamento da expedição de 1922 com a ajuda de animais
Os resultados do eclipse de 1919 fizeram Einstein e sua teoria mundialmente famosos, ainda que determinados públicos continuassem lutando para entender a teoria da relatividade (o jornal "The New York Times", em 29 de novembro de 1919, estampava a seguinte manchete: "Não é possível entender o Einstein"). No entanto, alguns cientistas expressaram preocupação com a precisão obtida através das placas fotográficas de Eddington.

Durante alguns anos, até mesmo o próprio Campbell ficou incomodado pelo seus próprios resultados de 1918. Em 1921, ele escreveu: "O fato é que não devíamos ter tentado quaisquer observações sobre essa questão com as lentes imperfeitas e não testadas que pegamos emprestado apenas um mês antes da data do eclipse de 1918." Os astrônomos britânicos também queriam uma confirmação das medições obtidas por Eddington. O próximo eclipse solar total era em 21 de setembro de 1922. Portanto, Campbell voltou sua atenção para encontrar o lugar mais adequado para reavaliar a Teoria Geral da Relatividade.

Somente a equipe de Campbell tinha uma câmera de 12 metros,
que precisava ser alojada em uma torre especialmente construída
O grupo desfrutou de uma viagem à praia, que Clarence Chant, um astrônomo canadense, documentou em seu relato da expedição.
Felizmente, pelo menos um das 35 pessoas da expedição de Campbell registrou a viagem. As fotografias da expedição, que são guardadas pelo acervo do Observatório Lick, no campus de Santa Cruz, da Universidade da Califórnia, são um arquivo extraordinário, que mostra o quão remoto era o local e o trabalho que foi registrar o eclipse.

De acordo com o arquivista Alix Norton, a quantidade de preparativos para realizar a expedição foi surpreendente, ainda mais se considerarmos que tudo aquilo duraria apenas alguns minutos cruciais, nos quais eles poderiam tirar fotografias do eclipse total através do telescópio. A expedição também tinha a previsão de documentar a pesquisa astronômica, que se concentrou em registrar fotograficamente o eclipse. Algumas imagens mostram embarcações repletas de equipamentos preciosos, e posteriormente sendo transportados com a ajuda do povo indígena local, os Nyangumarta, assim como transportados com a ajuda de animais.

Membros do povo indígena Nyangumarta observando o acampamento montado
Uma barraca entre as árvores criava uma câmara escura improvisada
Foto de um outro astrônomo chamado Robert Trumpler, que também fazia parte da expedição de 1922
As fotografias também mostram o tamanho dos instrumentos. Somente a equipe de Campbell tinha uma câmera de 12 metros, que precisava ser alojada em uma torre especialmente construída. Havia também duas câmeras de 4,5 metros, e placas de vidro de 110 cm² com 0,6 cm de espessura cada. Uma barraca entre as árvores criava uma câmara escura improvisada. O arquivo de fotos também revelou o outro lado do acampamento: o local onde eram realizadas as refeições foi batizado de "Café Einstein." O grupo desfrutou de uma viagem à praia, que Clarence Chant, um astrônomo canadense, documentou em seu relato da expedição.

Outra foto mostra que, excepcionalmente para aquela época, Elizabeth Campbell não era a única mulher presente, e que ela desempenhava um papel significativo na expedição. Segundo Alix Norton, ela estava envolvida em muitas das operações cotidianas no "acampamento do eclipse", e ajudava a operar o espectrógrafo e revelar as placas fotográficas. Muito do que sabemos sobre a vida cotidiana dessas expedições é devido aos diários detalhados de Elizabeth e dos álbuns de fotos.

O arquivo de fotos também revelou o outro lado do acampamento:
o local onde eram realizadas as refeições foi batizado de "Café Einstein."
Outra foto mostra que, excepcionalmente para aquela época, Elizabeth Campbell (na extrema esquerda) não era a única mulher presente, e que ela desempenhava um papel significativo na expedição
Elizabeth Campbell perante oo Telescópio Floyd
Em perfeitas condições, na tarde de 21 de setembro de 1922, o céu escureceu. Meses de preparação e anos de tentativas levaram William Campbell a 5 minutos e 19 segundos de eclipse solar total. O que ele viu naquele dia atualmente é parte da Coleção do Observatório Lick. Ainda de acordo com Axis Norton, uma das fotografias do eclipse mostra a coroa do Sol ardendo ao redor de uma lua escura. Em volta, o céu é pontilhado de círculos. Esses círculos denotam as posições das estrelas ao redor da "borda" do Sol, que são visíveis nessas posições, apenas quando ocorre um eclipse. A foto do eclipse solar total é deslumbrante tanto do ponto de vista artístico quanto científico, visto que confirmou a Teoria Geral da Relatividade de Einstein.

Ainda de acordo com Axis Norton, uma das fotografias do eclipse mostra a coroa do Sol ardendo ao redor de uma lua escura. Em volta, o céu é pontilhado de círculos. Esses círculos denotam as posições das estrelas ao redor da "borda" do Sol, que são visíveis nessas posições, apenas quando ocorre um eclipse
Entretanto, antes que pudessem confirmar qualquer coisa, William Campbell e um outro astrônomo chamado Robert Trumpler, que também fazia parte da expedição, tiveram que medir os resultados em relação as placas de comparação. Apesar do calor e da poeira, algumas das placas foram reveladas em Wallal, e o restante em Broome, na viagem de volta até Perth. As fotografias posteriormente foram enviadas para o Observatório Lick, onde foram cuidadosamente analisadas. Campbell sabia que as condições tinham sido favoráveis, ao contrário da expedição britânica anterior. Havia um grande interesse por parte da imprensa e surgiram diversas especulações em relação ao resultado.

Finalmente, em 12 de abril de 1923, William Campbell confirmou a Teoria Geral da Relatividade de Einstein ao realizar as medições de mais de 100 estrelas. O próprio Campbell disse que não seria mais necessário repetir esse teste nos próximos eclipses. Vale ressaltar, no entanto, que para os adeptos da "Teoria da Terra Plana", a gravidade simplesmente não existe!

Alguns Experimentos Científicos que Devem Ser Realizados Durante o Eclipse Solar de 21 de Agosto desse Ano, ou seja, Daqui uma Semana


Vocês podem não saber muita coisa sobre isso, visto que isso não é amplamente divulgado, mas os cientistas vêm planejando experimentos há anos, e que só podem ser realizados durante o breve período em que a Lua está bloqueando completamente o Sol. A atmosfera externa do Sol, o planeta Mercúrio e até o nosso próprio planeta serão estudados por diversos cientistas e pesquisadores, na próxima segunda-feira. Vamos comentar rapidamente sobre alguns desses experimentos.

Os Estudos Relacionados a Coroa do Sol


Embora possamos ver as manchas solares e outros fenômenos da superfície solar, graças a filtros em telescópios e câmeras, ainda temos muito a aprender sobre a "bola de fogo nuclear" localizada no centro do nosso Sistema Solar. A camada mais larga e externa da atmosfera do Sol, conhecida como coroa, é particularmente difícil de estudar porque o Sol é muito brilhante. Os cientistas podem criar uma espécie de eclipse artificial para estudar a coroa, mas o eclipse total é uma oportunidade especial, porque as camadas mais internas da coroa serão visíveis. Os cientistas possuem alguns experimentos em mente, e os dados que serão coletados podem ajudar a prever o clima espacial futuro, e que pode nos afetar aqui na Terra.

A coroa solar fotografada durante um eclipse total do Sol, nas Ilhas Marshall, em julho de 2009
Tanto os satélites no espaço, quanto cientistas aqui na Terra estarão tirando imagens da coroa do Sol durante o eclipse, mas estarão capturando mais do que apenas luz visível normal. Os cientistas estão interessados ​​nos raios-X emitidos pelo Sol e as imagens de um amplo espectro de luz mostrarão seu campo magnético. Os telescópios montados no nariz de dois jatos WB-57 da NASA tentarão capturar pequenas explosões, chamadas nanoflares. Acredita-se que as mesmas ajudam a aquecer a coroa solar.

Além disso, os telescópios também vão tirar as primeiras imagens térmicas da superfície de Mercúrio. Para obter imagens mais nítidas, os dois jatos voarão ao longo da trajetória da totalidade do eclipse, a uma velocidade de 750 km/h, e numa altitude de 15.000 metros. O registro será de apenas oito minutos, mas esse é um tempo suficiente para que os dois instrumentos coletem dados valiosos.

Os telescópios montados no nariz de dois jatos WB-57 da NASA tentarão capturar pequenas explosões, chamadas nanoflares.
Acredita-se que as mesmas ajudam a aquecer a coroa solar.
Outro avião, um Gulfstream V de propriedade da Fundação Nacional de Ciência, e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, ambos dos Estados Unidos, voará por cerca de quatro minutos para aprender mais sobre a estrutura térmica da coroa solar. Interessante, não é mesmo?

Qual o Tamanho Exato do Sol?


Você pode pensar que, ao menos atualmente, a humanidade conhece exatamente o tamanho o Sol, porém nossas medidas atuais são um pouco imprecisas. Até hoje os cientistas foram capaz de medir o diâmetro do Sol ao observar cuidadosamente os trânsitos planetários quando, por exemplo, Vênus ou Mercúrio passam na frente do Sol ou medindo as imagens geradas por satélites. Infelizmente, esses métodos não são perfeitamente precisos. Um homem chamado Xavier Jubier, responsável por um site, que cria modelos de antigos e futuros eclipses, percebeu que modelos de eclipses anteriores, com base nessas medidas, não eram tão compatíveis assim com as fotografias tiradas dos mesmos, exceto que o raio do Sol fosse centenas de quilômetros maior.

Até hoje os cientistas foram capaz de medir o diâmetro do Sol ao observar cuidadosamente os trânsitos planetários quando, por exemplo, Vênus ou Mercúrio passam na frente do Sol ou medindo as imagens geradas por satélites
Uma medida precisa do Sol não é relevante para a maioria dos cientistas que estudam o Sol, mas para aquelas pessoas que acompanham os eclipses ou até mesmo aquelas que vão acompanhar um eclipse pela primeira vez. Um valor impreciso significa estar fora da trajetória do eclipse total. Assim sendo, durante o grande evento, cientistas localizados na parte interna e externa da trajetória da totalidade, medirão o tamanho exato da umbra no solo. Usando o diâmetro conhecido da Lua e as distâncias entre a Terra, a Lua e o Sol, eles calcularão o diâmetro do Sol, que seria capaz de criar esse tamanho de umbra. Haja disposição para fazer essas medições!

A Atmosfera da Terra Também Será Estudada!


Quando a Lua passa em frente ao Sol, a luz não é a única coisa a ser bloqueada. Por um breve momento, o Sol também não estará mais bombardeando uma faixa de planeta com radiação, mesmo que isso tenha acontecido alguns minutos antes. Isso dá aos cientistas uma rara chance de observar uma das camadas mais altas da nossa atmosfera, a Ionosfera, já que ela muda rapidamente entre as condições diurnas e noturnas. Diversos experimentos, incluindo um projeto de financiamento coletivo usando celulares, usarão ondas de rádio para observar as mudanças na Ionosfera, que possam afetar as redes de comunicação e GPS no solo. Outro experimento usará 6.000 sensores no solo para rastrear ondas de gravidade na Ionosfera, que são desencadeadas pelo eclipse.

Eclipse solar ocorrido em 2006 sendo observado a partir da Estação Espacial Internacional
O clima na Terra não é imune às mudanças causadas pelo eclipse. As temperaturas cairão na trajetória da totalidade, já que os raios solares que aquecem o nosso planeta serão bloqueados pela Lua. Os chamados "cientistas cidadãos" podem contribuir para um banco de dados de condições atmosféricas, incluindo condições de temperatura e nebulosidade, usando um aplicativo chamado "GLOBE Observer".

Uma equipe de cientistas à parte medirá a quantidade de energia solar que atinge a Terra à medida que o eclipse ocorre. Esses dados irão ajudar a refinar algo chamado de "modelo de transferência radiativa 3D", que por sua vez ajuda os cientistas a entenderem como a energia do Sol afeta o clima.  As medições que serão realizadas nos estados norte-americanos de Wyoming e Missouri serão combinadas com dados de satélites, medindo a quantidade de energia que a Terra reflete de volta para o espaço, para entender como a energia solar passa pela atmosfera terrestre.

De Novo? A Reprodução de Experimentos Realizados no Passado Para Provar que a Teoria Geral da Relatividade de Einstein Está Correta!


Basicamente, a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein diz que um objeto massivo, tal como o Sol, tem um efeito tão grande na gravidade que irá curvar a luz que passa ao seu redor. O britânico Arthur Eddington foi o primeiro a tentar provar isso, medindo as mudanças nas posições das estrelas, durante um eclipse ocorrido em 1919, que passou por África e o Brasil, mas nuvens entraram em seu caminho. Foi assim que, durante uma expedição em 1922, surgiram dados mais precisos na tentativa de provar que Albert Einstein estava certo.

Foto do eclipse solar de 1919 obtida pela equipe do astrônomo britânico Arthur Eddington
Entretanto, algumas pessoas ainda questionam os números apresentados em experimentos realizados no passado, alegando que os instrumentos eram muito imprecisos. Diversos grupos de astrônomos, principalmente amadores, vão tentar recriar os experimentos realizados no passado, pela primeira vez desde 1973. Será que alguma coisa vai mudar com esses novos experimentos? Dificilmente, mas vamos esperar pelos resultados!

Conheça Alguns Seres Lendários Relacionados aos Eclipses em Diversas e Antigas Culturas ao Redor do Mundo!


Com um pouco de ciência, os humanos modernos podem saborear a mecânica celestial de um eclipse sem temer o apocalipse (muito embora muitos sites de cunho alarmista e sensacionalista sempre aproveitem tais ocasiões), mas nem sempre foi assim. Antes de reconhecer o potencial da Lua em bloquear o Sol, e desaparecer na sombra da Terra, a humanidade buscou respostas em deuses. Sem uma compreensão completa do movimento planetário e do alinhamento celestial, diversas culturas atribuíram a ruptura dos ciclos solar e lunar aos monstros cósmicos.

Embora seja tentador interpretar tais contos como puramente explicativos, a relação entre os fenômenos naturais e a mitologia nem sempre é tão clara. Muitas vezes, não sabemos até que ponto as culturas antigas criaram histórias para explicar os eclipses ou viram seus mitos existentes refletidos nos movimentos do Sol e da Lua. Certamente, gerações de tradição permitiram que a mitologia evoluísse e cumprisse diversos propósitos culturais. Vamos conhecer rapidamente alguns desses monstros cósmicos!

Apep: A Serpente da Lua


Muitos mitos do eclipse solar giram em torno da dualidade da luz e da escuridão, do bem e do mal. Conforme vocês podem imaginar, isso adiciona uma dose de temor sobre a súbita obstrução do Sol do meio-dia. Assim sendo, a cosmologia do Antigo Egito nos apresenta Apep, a serpente cósmica do mundo.

Ilustração de Apep, a serpente da Lua, em uma tumba de Deir el-Medina, Luxor,no Egito
Apep (ou Apophis) encarna o caos e a morte, por isso é adversário natural para o deus do sol Rá. A serpente persegue Rá, e eles lutam enquanto o Deus arrasta o Sol através do céu, iluminando o mundo. De vez em quando, o monstro quase consegue vencer o disco solar, dando origem a um eclipse. Por sorte, Ra e os defensores a bordo de sua barcaça do céu sempre conseguem lutar, e se livrar da sombra de Apep!

Rahu: Uma Eterna Cabeça que Engole o Sol e a Lua


Poucos mitos do eclipse podem ser tão horripilantes, quanto o Rahu, no hinduísmo. Originalmente conhecido como Svarbhānu, o semideus furioso procurou viver para sempre bebendo Amrita, o néctar da imortalidade. Lord Vishnu não aceitou isso, e decapitou Svarbhānu, antes que o líquido pudesse passar por sua garganta. A cabeça decapitada tornou-se o eterno Rahu.

Lord Vishnu não aceitou isso, e decapitou Svarbhānu, antes que o líquido pudesse passar por sua garganta.
A cabeça decapitada tornou-se o eterno Rahu.
A cabeça busca a vingança até hoje. De vez em quando Rahu consegue capturar o Sol ou a Lua (o que resulta no eclipse), mas sempre é derrotado já que ou os perde porque fogem ou porque, ao engoli-los, os astros escapam, uma vez que Rahu não tem corpo.

O Sebettu da Antiga Mesopotâmia


O deus da praga, Erra, trouxe a morte à Mesopotâmia Antiga, e os Sebettus marcharam em seu rastro. Esses sete guerreiros demoníacos da divindade espalharam a doença e a morte pela sociedade, e ocasionalmente se juntam no céu para apagar a Lua, o que resulta em um eclipse. O épico Erra e Išum, escrito na língua semítica do leste de Akkadian em algum momento em torno do século VIII a.C., descrevia os sete guerreiros tão mortíferos que seu "sopro de vida é a morte." Também relatava que Erra gostava de deixá-los vagando livremente na Terra "quando o clamor das habitações humanas se torna ruidoso." Os Sebettus podem parecer monstros bem casuais, porém a forma de apagar a Lua pode ter servido a um propósito real.

O deus da praga, Erra, trouxe a morte à Mesopotâmia Antiga, e os Sebettus marcharam em seu rastro. Esses sete guerreiros demoníacos da divindade espalharam a doença e a morte pela sociedade, e ocasionalmente se juntam no céu para apagar a Lua, o que resulta em um eclipse
Os assírios viam os eclipses como presságios terríveis, e os eclipses lunares particularmente representavam a condenação divina do rei. Às vezes, isso exigia a morte ritualística de um rei substituto ou šar puhi, que morria no lugar do rei. O historiador John Z. Wee já chegou a especular, que o Sebettu pode ter funcionado como uma forma de absolver o rei da culpa associada à Lua. Afinal de contas, por que criar um sacrifício elaborado, quando você pode simplesmente ajustar a religião para se tornar uma vítima de demônios intermitentes?

Sköll e Hati


Quando algo terrível acontece na mitologia nórdica, você pode  presumir que Loki teve algo a ver com isso. O famoso e esperto Loki conseguiu ser o pai da suprema serpente, a rainha do mundo subterrâneo e de um lobo gigante destruidor de deuses. Esse lobo, chamado Fenrir, gerou a eventual desgraça do Sol e da Lua, por meio da dupla de lobos "Sköll e Hati."

Quando algo terrível acontece na mitologia nórdica, você pode  presumir que Loki teve algo a ver com isso. O famoso e esperto Loki conseguiu ser o pai da suprema serpente, a rainha do mundo subterrâneo e de um lobo gigante destruidor de deuses. Esse lobo, chamado Fenrir, gerou a eventual desgraça do Sol e da Lua, por meio da dupla de lobos "Sköll e Hati."
Sköll não consegue engolir o Sol até o fim dos tempos e, quando finalmente crava seus dentes, a luz do mundo extingue sua barriga sombria. Enquanto isso, Hati come a Lua. Stephen Hawking descreveu os lobos como monstros do eclipse em "The Grand Design", e muitas outras publicações seguem o exemplo, mas nem todos estão convencidos sobre isso.

Alguns comentaristas, como o célebre Eve Siebert, argumentam que o antigo poema, frequentemente citado, chamado Grímnismál, apenas aponta para uma eventualidade sombria, e não para eventos recorrentes. Ainda assim, é possível que os nórdicos vislumbrassem esses contos de desgraça refletidos em eclipses ou até mesmo os considerassem algo próximo de uma corrida eterna entre a luz e a escuridão.

O Peri da Antiga Pérsia


De volta ao século 6 a.C, os Peri eram humanoides pequenos e alados nas tradições persas pré-zoroástricas. Assim como outras "fadinhas", sua relação com os seres humanos variou da benevolência casual à destruição maliciosa.

De volta ao século 6 a.C, os Peri eram humanoides pequenos e alados nas tradições persas pré-zoroastrásicas. Assim como outras "fadinhas", sua relação com os seres humanos variou da benevolência casual à destruição maliciosa
Eles podiam ajudar as pessoas, mas também eram capazes de arruinar colheitas e escurecer o sol. O Peri teve esse papel até a cultura islâmica reescrevê-los como anjos arrependidos.

Bônus: Algumas Histórias Fantasiosas, que Andam Circulando Pela Internet a Respeito do Eclipse Solar do dia 21 de Agosto


Em primeiro lugar, é bom deixar claro que o mundo não irá acabar durante o eclipse solar de 21 de agosto ou muito menos em setembro. Infelizmente, a internet está repleta de sites de cunho conspiratório ou alarmista, sendo que esses mesmos sites promovem pessoas que eles não fazem a menor ideia de quem sejam, simplesmente para lucrar com acessos de pessoas temerosas com tópicos relacionados ao "fim dos tempos" ou uma eventual "terceira guerra mundial."

Um dos mais grotescos e recentes casos foi sobre a suposta previsão de Nostradamus, onde o mesmo teria dito que Donald Trump desencadearia uma guerra mundial. A "análise" teria sido realizada por um homem supostamente chamado "Arthur Evans", proprietário de um site chamado "Predictions of Nostradamus." O site possui alegações totalmente fantasiosas, sendo que a mesma história sobre um possível fim do mundo é repetida ano após ano por "ele" mesmo, só mudam os nomes e o contexto. Além disso, não se sabe exatamente quem é a pessoa por trás do domínio, não há nenhuma qualificação que possa ser atribuída ao mesmo, não há estudo, absolutamente nada. Tudo meramente especulativo e voltado para ganhar dinheiro com os cliques de quem acessa o site. Ler esse site ou um cartaz pendurado no pescoço de alguém dizendo que o mundo vai acabar é a mesma coisa.

Geralmente, notícias a respeito do "fim dos tempos", supostas colisões de asteroides contra a Terra, guerras mundiais ou qualquer outro tipo de assunto de cunho alarmista são promovidos principalmente pelos tabloides britânicos, que não têm o menor compromisso em investigar que são as pessoas por trás das declarações. Portanto, sempre que possível, verifiquem quem é a pessoa por trás de uma determinada alegação, e não se deixe enganar por qualquer coisa, combinado?

Outras histórias fantasiosas também surgiram recentemente sobre criaturas criptozoológicas, tais como o Pé-Grande e o Homem-Lagarto, que poderiam ser mais facilmente avistadas durante o eclipse solar. Muitas pessoas começaram a dizer que a NASA havia publicado um mapa mostrando os melhores lugares para ver o eclipse solar nos Estados Unidos, e ao mesmo tempo tentar vislumbrar a presença do "Pé-Grande." Na verdade, ao longo das últimas semanas, proliferaram na internet diversos mapas de entusiastas de criptozoologia valendo-se do mapa fornecido pela NASA e puramente relacionado a trajetória do eclipse solar total nos Estados Unidos, acrescentando pontos dentro desse trajetória, que seriam os locais de supostos avistamentos do lendário "Pé-Grande".

Resumindo, não é que a NASA tenha fornecido oficialmente tais mapas, mas que terceiros acrescentaram dados a mapas já existentes da agência espacial norte-americana, entenderam? Entre os exemplos que mais foram compartilhados pela redes sociais estão o mapa de um cartógrafo chamado Joshua Stevens, que nem mesmo acredita em "Pé-Grande", mas que combinou dados da NASA com os dados de uma organização chamada "Bigfoot Field Researchers Organization" por mera diversão, e um outro mapa de um homem chamado Robert Allison, que criou uma espécie de mapa interativo por estado norte-americano.

Entre os exemplos que mais foram compartilhados pela redes sociais estão o mapa de um cartógrafo chamado Joshua Stevens, que nem mesmo acredita em "Pé-Grande", mas que combinou dados da NASA com os dados de uma organização chamada "Bigfoot Field Researchers Organization" por mera diversão...
...e um outro mapa de um homem chamado Robert Allison,
que criou uma espécie de mapa interativo por estado norte-americano.
Quem também entrou nessa brincadeira foi a Divisão de Gerenciamento de Emergências do Estado da Carolina do Sul (SCEMD), que publicou em sua conta no Twitter, os melhores locais para acompanhar o eclipse e tentar ver uma criatura conhecida como Homem-Lagarto (cuja primeira parte do especial sobre o mesmo, vocês podem conferir ao clicar aqui). A SCEMD chegou até mesmo a pedir para que os moradores ficassem "vigilantes."

Evidentemente, tudo isso não passa de uma brincadeira por parte de usuários, assim como da agência estadual da Carolina da Sul, a SCEMD. Contudo, existe uma boa razão financeira por trás dessas divulgações. Os norte-americanos estão disputando cada vaga de hotel nas cidades, que estão na rota do eclipse solar total. Muitos vão viajar nesse dia apenas para acompanhar o eclipse em sua plenitude. Portanto, faz algum tempo, que diversas cidades estão preparando festivais, eventos, e congressos com o objetivo de atrair mais e mais visitantes dispostos a gastar algum dinheiro no comércio local. Lendas e criaturas criptozoológicas também não ficaram de fora dessa estratégia de marketing. Entenderam a situação? O governo norte-americano não está corroborando com absolutamente nada, tudo é tão somente para atrair turistas.

Quem também entrou nessa brincadeira foi a Divisão de Gerenciamento de Emergências do Estado da Carolina do Sul (SCEMD), que publicou em sua conta no Twitter, os melhores locais para acompanhar o eclipse e tentar ver uma criatura conhecida como Homem-Lagarto
Por fim, recentemente li alguém dizendo (não lembro exatamente o nome), que nessa semana o mar iria recuar ou avançar dezenas ou centenas de metros, em alguns locais do mundo devido a passagem de "algo gigantesco" pela Terra (quase sempre essas histórias tentam associar tais "fenômenos" a chegada do famigerado "Nibiru", cuja existência, dentro dos moldes divulgados pelos teóricos da conspiração, é cientificamente desconhecida). Contudo, o que não mencionam para vocês, é que a mais alta de todas as marés, conhecida como "Maré de Primavera", ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol se alinham, algo que eles rotineiramente fazem em cada Lua Cheia ou Lua Nova. Esse alinhamento também acontece, é claro, durante um eclipse solar.

O mar não irá subir ou descer, avançar ou recuar, dezenas ou centenas de metros durante o eclipse solar no Brasil (o recente recuo das águas no litoral de São Paulo e dos Estados do Sul do Brasil é devido a outro fenômeno). Para vocês terem uma ideia, a Baía de Fundy, localizada entre as províncias canadenses de Nova Brunswick e Nova Escócia, possui a maior variação entre a maré baixa e maré alta do mundo, devida à sua forma, tamanho e profundidade. A variação é de pouco mais de 15 metros de altura. Contudo, isso é algo normal, conhecido e que acontece todos os dias em um intervalo de aproximadamente 13 horas. Vocês também podem conferir esse fenômeno através de um vídeo, que foi publicado em um canal de terceiros, no YouTube:



Enfim, AssombradOs! Acabei me alongando mais do que pretendia nessa postagem, mas acho que acabou sendo um compilado bem interessante de algumas histórias, antigas criaturas ou seres lendários e até mesmo conteúdos fantasiosos, que por sua vez estão sendo divulgados em relação ao eclipse solar total, que cruzará de um ponta a outra, os Estados Unidos, no dia 21 de agosto.

Para vocês terem uma ideia, faz algum tempo que diversos sites da NASA relacionados ao eclipse desse ano vem operando com muita lentidão, e tudo indica que isso irá piorar substancialmente na segunda-feira que vem. Há quem diga que a internet vai parar nos Estados Unidos e haverá reflexos em diversos serviços ao redor do mundo, visto que todos vão querer postar dezenas de fotos e vídeos ao mesmo tempo, por um tempo prolongado, e ao longo de toda a trajetória do eclipse solar. Apesar do Brasil não ser contemplado dessa vez (ao menos não em larga escala e com um eclipse total), vocês poderão assistir a transmissão ao vivo da NASA, através do Facebook, do YouTube e de diversas outras plataformas, no dia 21 de agosto, a partir das 11h da manhã, horário de Brasília, sendo que a mesma irá durar até às 15h. Com certeza será um evento épico!

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.atlasobscura.com/articles/five-mythic-eclipse-monsters
http://www.atlasobscura.com/articles/thales-predicts-eclipse-mystery-ancient-greece
http://www.atlasobscura.com/articles/eclipse-science-experiments-nasa
http://www.atlasobscura.com/articles/the-1922-eclipse-expedition-to-remote-western-australia
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/eclipse-solar-ira-cobrir-o-sol-completamente-nos-eua-veja-como-sera-no-brasil.ghtml
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