20 de julho de 2017

Uma Empresa de Biotecnologia Norte-Americana Estaria Mesmo Pronta para Começar a "Ressuscitar os Mortos" na América Latina?


Por Marco Faustino

Quem diria que eu voltaria a escrever sobre esse assunto, visto que o mesmo foi tema de uma postagem que fiz no início do mês de maio do ano passado. Naquela época, havia notado uma verdadeira "enxurrada" de notícias sobre uma determinada empresa norte-americana, que basicamente teria recebido uma autorização das autoridades dos Estados Unidos, para iniciar procedimentos para "trazer os mortos de volta à vida." Pelo menos era isso que os títulos chamativos das notícias associadas as imagens de capa dos vídeos, que mostravam zumbis ou os personagens principais da série de TV norte-americana "The Walking Dead" queriam dizer, tentando assim despertar a atenção do público para o assunto. Apesar de notícias sobre tentativas de prolongamento da vida não serem incomuns, sendo que inclusive já publiquei diversas postagens sobre isso (desde um cientista que teria injetado uma bactéria em si mesmo, até o extremo de tentar transplantar uma cabeça humana), essa ganhou uma pouco mais de notoriedade, porque envolvia uma permissão de autoridades norte-americanas.

Naquela mesma postagem apresentei a vocês uma empresa de biotecnologia norte-americana chamada "Bioquark", que estava sendo divulgada por boa parte da mídia brasileira e internacional, como a empresa que daria o "primeiro passo para o fim da humanidade por meio de um apocalipse zumbi."  Vale lembrar nesse ponto, que na maioria dos países, para ser "oficialmente declarado como morto", você tem que se encontrar em um quadro de perda completa e irreversível das funções cerebrais, cujo termo mais conhecido seria "morte cerebral" (também chamada de morte encefálica). E, embora isso soe como se fosse um "fim da linha", a Bioquark, uma empresa do ramo da saúde, que está voltada para tecnologias, que eles mesmo denominam de "reparação" e "reanimação", alegava que a morte podia não ser tão "irreversível" assim, e que estariam aptos a testar isso na prática. Assim sendo, fui atrás de respostas para esclarecer se isso seria mesmo o objetivo da Bioquark, se a mesma estava sozinha nesse projeto, e o que existia de verdade ou que havia sido propagado de forma exagerada (leia mais: Uma Empresa de Biotecnologia dos Estados Unidos Recebeu Permissão para "Ressuscitar os Mortos"?).

Em junho desse ano, diversos sites de notícias publicaram que as primeiras tentativas de "trazer as pessoas volta do mundo dos mortos" seriam realizadas ainda esse ano. Curiosamente, o presidente-executivo da Bioquark, um homem chamado Ira Pastor, revelou que testaria um método envolvendo células-tronco, sem precedentes, em "pacientes" de um país da América Latina, cujo nome não havia sido divulgado, mas que os detalhes seriam confirmados nos meses seguintes. De acordo com Ira Pastor, a Bioquark havia desenvolvido uma "série de injeções" que podiam "reiniciar o cérebro", e eles planejavam testar diretamente em seres humanos. O detalhe mais estranho é que eles não estavam planejando testar primeiramente as tais injeções em animais, como habitualmente acontece em pesquisas científica dessa natureza (algo que supostamente vem acontecendo, por exemplo, em relação ao "transplante de cabeça"). Agora, novamente a Bioquark voltou a figurar na primeira página de alguns sites internacionais de notícias. Será que temos alguma novidade? Esse tal país pertencente a América Latina foi finalmente revelado? Será mesmo que a Bioquark está pronta e tem capacidade para isso? Eles vão mesmo trazer os mortos de volta à vida? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda Como Tudo isso Começou a Ser Divulgado: As Primeiras Informações que Foram Propagadas no Início do Ano Passado


Uma vez que muitos de vocês não tem tempo suficiente para ler o que já foi publicado anteriormente e ao mesmo tempo não posso iniciar esse assunto sem contar para vocês o que foi mencionado e devidamente pesquisado no passado, tentarei fazer uma espécie de "resumão" para que não se sintam tão perdidos assim, combinado? Poderá ficar um pouco longo, mas é extremamente necessário para que vocês compreendam e dominem de forma adequada esse assunto, evitando que se tornem agentes propagadores de desinformação ou conteúdo meramente especulativo.

Bem, vamos começar com os critérios para uma pessoa ser "oficialmente declarada como morta" no Reino Unido, no Brasil e alguns outros países. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a confirmação de uma morte costumava ser algo simples, uma vez que para alguém ser declarado morto bastava o coração da pessoa parar de bater, não responder mais a estímulos e parar de respirar. A falta de oxigênio, que ocorre como resultado da falta de fluxo sanguíneo, rapidamente leva à perda permanente da função do tronco cerebral.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a confirmação de uma morte costumava ser algo simples, uma vez que para alguém ser declarado morto bastava o coração da pessoa parar de bater, não responder mais a estímulos e parar de respirar, porém atualmente isso não seria tão simples assim.
O tronco cerebral é a "sede" das estruturas nervosas que controlam as funções que mantêm o indivíduo vivo, assim como pressão arterial, batimentos cardíacos, atividade respiratória e nível de consciência
Entretanto, atualmente, a confirmação da morte é bem mais complicada, porque é possível manter o coração batendo, mesmo após o tronco cerebral (também conhecido como tronco encefálico) ter parado permanentemente de funcionar. Isso pode ser feito, por exemplo, mantendo uma pessoa em um respirador artificial, no qual permita que o corpo e o coração sejam oxigenados artificialmente. No Reino Unido, Estados Unidos, e entre tanto outros países, uma pessoa é declarada como "morta" quando sua função do tronco cerebral é permanentemente perdida. Assim sendo, a morte cerebral é amplamente aceita como argumentação para o "fim da linha", tal como a morte cardíaca.

Nesse ponto é interessante destacar que o tronco cerebral é a "sede" das estruturas nervosas que controlam as funções que mantêm o indivíduo vivo, assim como a pressão arterial, batimentos cardíacos, a atividade respiratória e o nível de consciência. A morte encefálica é, na verdade, um "novo conceito de morte", baseado no conceito de estado de coma irreversível. Entretanto, a morte cerebral não é a mesma coisa que o estado de coma. No estado de coma as funções cerebrais estão ativas; na morte cerebral há a perda definitiva das funções neurológicas do cérebro. Entenderam?

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a morte cerebral é a definição legal de morte. É a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Isto significa que, como resultado de severa agressão ou ferimento grave no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o cérebro é bloqueado e o cérebro morre.

No Brasil, o diagnóstico de morte encefálica é definido pela Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1480/97, de 8 de agosto de 1997. Segundo o Hospital Infantil Sabará, a imagem acima seria o algoritmo para o diagnóstico de morte encefálica.
Em nosso país, atualmente o diagnóstico de morte cerebral é realizado seguindo o "Termo de Declaração de Morte Encefálica", onde o exame clinico é feito por dois médicos distintos, em diferentes intervalos de tempo (de no mínimo seis horas), sendo obrigatória a utilização de exames complementares. Uma vez repetido o protocolo, e obtendo-se o mesmo resultado, encerra-se a fase clínica e passa-se aos exames complementares.

Os Principais Nomes Por Trás da Bioquark e o Projeto ReAnima


Agora que você conhece a definição legal de morte, principalmente aqui no Brasil, é importante que você saiba que ao falar sobre a Bioquark praticamente surgem dois personagens principais. O primeiro deles é o Ira Pastor, amplamente divulgado como presidente-executivo da empresa, e o segundo é o Dr. Sergei Paylian, que aparece como fundador da Bioquark, sendo que ambos pertencem ao chamado "Conselho Consultivo" de um projeto chamado ReAnima.

O site do projeto ReAnima descreve o projeto como "a exploração do potencial da tecnologia biomédica de ponta para a neuroregeneração e a neuroreanimação humana." Aproveite também e assista um vídeo institucional da Bioquark, que foi publicado no canal do próprio Ira Pastor, em janeiro de 2013 (em inglês):



Aparentemente, a missão do Projeto ReAnima seria se dedicar a pesquisas clínicas em relação ao estado de morte encefálica, ou coma irreversível, em indivíduos que se encaixem nos critérios da "Determinação Uniforme do Ato de Morte" (sigla em inglês, UDDA) nos Estados Unidos, que seria o equivalente ao nosso "Termo de Declaração de Morte Encefálica", mas que ainda estejam em suporte cardiopulmonar ou trófico.

Em entrevista para o tabloide britânico "Daily Mail", no fim do mês de abril do ano passado, Ira Pastor explicou que o projeto tinha um "objetivo final de induzir eventos de regeneração e remodelação epimórficos e intercalados, que pudessem dar início a restauração da estrutura e da função do sistema nervoso central (SNC)". Ele acrescentou que o "epimórfico" nesse contexto referia-se à capacidade das células em "apagar seus históricos", e começar novamente uma vida.

"Para realizar uma iniciativa tão complexa, estamos combinando certas ferramentas biológicas regenerativas, com outros dispositivos médicos existentes normalmente utilizados para estimulação dos pacientes com outras graves desordens do estado de consciência", explicou, na época, Ira Pastor, que alegava ter mais de 25 anos de experiência na indústria biofarmacêutica, algo que transmitiria uma certa seriedade às metas aparentemente utópicas da organização.

"Para realizar uma iniciativa tão complexa, estamos combinando certas ferramentas biológicas regenerativas, com outros dispositivos médicos existentes normalmente utilizados para estimulação dos pacientes com outras graves desordens do estado de consciência", explicou, na época, Ira Pastor, que alegava ter mais de 25 anos de experiência na indústria biofarmacêutica.
"Embora seja verdade que os seres humanos não possuam capacidades regenerativas substanciais no sistema nervoso central (SNC), muitas espécies não-humanas, tais como anfíbios, planárias, e determinadas espécies de peixes, podem reparar, regenerar e remodelar partes substanciais dos seus cérebros e do tronco cerebral, mesmo após um trauma crítico, que possa comprometer suas vidas", completou.

A Polêmica Envolvendo Uma Certa "Permissão" Concedida pelo Conselho de Revisão Institucional, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos


Talvez a parte mais polêmica dessa história naquela época, tenha sido uma permissão concedida pelo Conselho de Revisão Institucional (IRB) dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), tendo como objetivo a realização de testes clínicos envolvendo um "estudo de prova de conceito empregando multi-modalidades (utilizando peptídeos bioativos intratecais, células-tronco, laser transcraniano IV e estimulação do nervo mediano como adjuvantes) em casos de morte cerebral devido a lesão cerebral traumática com lesão axonal difusa." Vale ressaltar nesse ponto, que o "IRB" nos Estados Unidos funciona, guardadas as devidas proporções, como se fosse uma espécie de "Conselho de Ética". De qualquer forma, isso não significava simplesmente pegar um cadáver de um necrotério e tentar ressuscitá-lo, conforme alguns sites tentavam apontar ou induzir seus leitores.

Para quem não sabe, uma prova de conceito, ou PoC (sigla em inglês para Proof of Concept) é um termo utilizado para denominar um modelo prático, que possa provar o conceito (teórico) estabelecido por uma pesquisa ou artigo técnico. Pode ser considerado também uma implementação, em geral resumida ou incompleta, de um método ou de uma ideia, realizada com o propósito de verificar que o conceito ou teoria em questão é suscetível de ser explorado de uma maneira útil.

No caso da lesão cerebral traumática (um exemplo de traumatismo cranioencefálico ou simplesmente TCE), a mesma ocorre quando um trauma súbito causa dano ao cérebro, como por exemplo, quando a cabeça bate violentamente ou quando um objeto atravessa o crânio e entra no tecido cerebral.

No caso da lesão cerebral traumática (um exemplo de traumatismo cranioencefálico ou simplesmente TCE), a mesma ocorre quando um trauma súbito causa dano ao cérebro, como por exemplo, quando a cabeça bate violentamente ou quando um objeto atravessa o crânio e entra no tecido cerebral
Já a lesão axonal difusa (LAD), por sua vez, é uma lesão devastadora no cérebro, que ocorre em cerca de 50% das pessoas com traumas graves na cabeça, e leva a morte de pessoas com lesões cerebrais traumáticas. Um golpe direto na cabeça geralmente não causa esse tipo de lesão. O problema surge quando o cérebro se move para trás e para frente ou para os lados do crânio de forma violenta.

Os movimentos podem ser causados por aceleração ou desaceleração em caso de um acidente, quedas, violência e até mesmo abusos. Basicamente, a lesão se caracteriza por levar ao inchaço e o aumento da pressão no crânio/cérebro quando as células cerebrais morrem. Mais lesões podem surgir devido à diminuição nutricional e de sangue para o cérebro.

Imagem mostrando um exemplo de lesão axonal difusa. Neste caso foi citado o caso do piloto de Fórmula 1, Jules Bianchi,que infelizmente faleceu cerca de 9 meses depois de um grave acidente no Grande Prêmio do Japão, em 2014
Agora que você já sabe o significado de ambas as lesões, vamos aos métodos que pretendiam ser empregados nesse estudo, visto que a equipe estaria utilizando quatro diferentes tipos de tratamentos ao longo de seis semanas:
  • A injeção de peptídeos (cadeias simples de proteínas) dentro da medula espinhal, diariamente.
  • A injeção de células-tronco no cérebro, duas vezes por semana.
  • A terapia de laser transcraniano, um tratamento não-invasivo que utiliza a luz para penetrar no crânio e ativar os processos naturais de recuperação do corpo, e que foi testado em casos de AVC, pacientes do Mal de Parkinson, e até mesmo em casos de enxaqueca no passado.
  • A estimulação nervosa, outro tratamento não-invasivo, que envolve dar impulsos elétricos no nervo mediano do membro superior.
Assim sendo, a Bioquark teve permissão para "recrutar" 20 pacientes entre 15 e 65 anos, clinicamente mortos, e tentar trazer "o sistema nervoso central deles de volta à vida." Se eles conseguissem reanimar com êxito partes da medula espinhal superior, onde o tronco cerebral inferior está localizado, havia uma possibilidade de darem uma espécie de "pontapé inicial" das funções vitais de um corpo, assim como a respiração e os batimentos cardíacos, algo que esses pacientes só conseguiam fazer com a ajuda de aparelhos.

O ensaio clínico da 1ª fase era descrito como um "estudo de prova de conceito não aleatório" para determinar se era possível reverter a morte cerebral usando uma combinação de tratamentos que citamos acima. Na melhor das hipóteses, caso não houvesse uma reanimação verdadeira do sistema nervoso central, a equipe iria analisar se eles conseguiam provocar quaisquer alterações nas meninges do cérebro, as camadas de tecido que ficam entre o crânio e a superfície do cérebro. A equipe estaria observando, em especial, quaisquer melhorias na saturação de oxigênio no sangue, a pressão arterial e a respiração dos pacientes.

Quais Outras Empresas Estavam Envolvidas? Como a Comunidade Médica Reagiu Diante Dessa História?


É muito importante destacar que, de qualquer forma, seria necessária a permissão das famílias dos pacientes, visto que não bastava ter apenas uma permissão do Conselho de Revisão Institucional. Somente após essa etapa é que os pesquisadores iriam tratar seus 20 pacientes, clinicamente mortos, ao longo de um período de seis semanas no Hospital Anupam, na cidade de Rudrapur, na Índia (curiosamente os testes não seriam realizados nos Estados Unidos, sendo que vamos abordar essa questão daqui a pouco).

Nessa "jornada" também estava envolvida uma empresa chamada "Revita Life Sciences", uma empresa de biotecnologia com sede na Índia, que seria parceira no âmbito da "medicina regenerativa" da Bioquark, que por sua vez estava sediada na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos. Logo, não era apenas uma empresa, mas sim duas empresas, em dois países diferentes, e pelo menos um hospital envolvido nessa história.

Foto da fachada do Hospital Anupam, na cidade de Rudrapur, na Índia
É bom deixar claro mais uma vez, que pacientes "clinicamente mortos" são aqueles pacientes que são mantidos vivos tão somente através da ajuda de aparelhos, o que significa que eles não conseguem respirar ou muitas vezes fazer o sangue circular por conta própria, sendo que seus cérebros foram "completamente desligados" em relação ao pleno e normal funcionamento deles.

Entretanto, muitos pacientes ainda mantêm determinadas funções vitais, tais como: a digestão de nutrientes, a cicatrização de ferimentos, alguns continuam fisicamente crescendo e amadurecendo sexualmente falando, sendo que alguns conseguem até mesmo combater infecções, gestar e dar a luz a um bebê. Estudos recentes também sugerem que existe uma certa atividade elétrica e fluxo sanguíneo após a morte de células cerebrais, mas não o suficiente para permitir todo o corpo funcione.

É bom deixar claro mais uma vez, que pacientes "clinicamente mortos" são aqueles pacientes que são mantidos vivos apenas através da ajuda de aparelhos, o que significa que eles não conseguem respirar ou muitas vezes fazer o sangue circular por conta própria, sendo que seus cérebros foram "completamente desligados" em relação ao pleno e normal funcionamento deles
Assim sendo, se os pesquisadores descobrissem como fazer com que os seus cérebros voltassem a funcionar novamente, segundo eles, haveria uma esperança de que os pacientes pudessem recuperar algo que pelo menos se parecesse com uma vida. Os pesquisadores, no entanto, estavam dando um passo de cada vez, visto que existia um longo caminho, aliás, um caminho muito longo mesmo em relação a esse tema.

"É uma visão de longo prazo a respeito de uma recuperação total desses pacientes ser uma possibilidade, embora não seja o foco desse primeiro estudo - mas é uma ponte para essa eventualidade", disse Ira Pastor.

"Através de nosso estudo, nós teremos uma visão única em relação ao estado de morte cerebral humana, que terá conexões importantes para o desenvolvimento terapêutico futuro para outras desordens graves do estado de consciência, tais como o coma, e os estados vegetativo (EV) e minimamente consciente (EMC), bem como um gama de condições degenerativas do sistema nervoso central, incluindo a doença de Alzheimer e de Parkinson", declarou Sergei Paylian, fundador da Bioquark.

Sergei Paylian, fundador da Bioquark
Mesmo diante de toda a euforia de boa parte da mídia em divulgar apenas a parte mais popular dessa história, é importante ressaltar que, apesar de ter sido declarado por Ira Pastor, que eles esperavam ver algum resultados nos primeiros dois ou três meses, os ensaios clínicos só deveriam começar esse ano. E como era de se esperar, isso foi recebido com cautela e com muito ceticismo por parte da comunidade médica.

O site Medical Daily chegou a dizer que os pesquisadores queriam descobrir se era possível "reiniciar o sistema nervoso central", depois de ter sido declarada a morte cerebral, ou seja, se as células-tronco injetadas iriam crescer e formar um novo cérebro, o que poderia, em parte, despertar a consciência do paciente clinicamente morto. O site ainda disse que esse era um caso clássico onde a vida imitava a arte, e comparou essa notícia com o filme "Frankenstein", de Mary Shelley. Além disso, seria muito provável que essa pesquisa ainda demorasse longos e demorados anos até que pudesse ser aplicada amplamente. Como se isso não bastasse, o estudo de um único grupo não-aleatório estaria longe de ser um ensaio clínico aleatório, que é considerado como o melhor padrão dos ensaios clínicos.

"Embora tenha havido inúmeras demonstrações nos últimos anos, que o cérebro humano e o sistema nervoso podem não ser tão 'estáticos' e irreparáveis como normalmente se presume, a ideia de que a morte cerebral poderia ser facilmente revertida parece muito distante para ser alcançada diante das nossas habilidades e a compreensão da neurociência atual", disse o Dr. Dean Burnett, neurocientista do Centro Universitário de Cardiff para Formação Médica, no País de Gales, no Reino Unido, em entrevista para o DailyMail.

I Dr. Dean Burnett, neurocientista do Centro Universitário de Cardiff para Formação Médica, no País de Gales, no Reino Unido
"O cérebro é um órgão muito exigente e muito complexo, porém isso também significa que é muito frágil", continuou, apontando que até mesmo uma breve interrupção do fornecimento de sangue poderia causar danos permanentes às partes ativas do cérebro.

"É verdade que algumas regiões do cérebro podem ter uma maior durabilidade, ou ter um suprimento de sangue mais assegurado, mas uma pessoa, apesar do mito, precisa de todo o seu cérebro funcionando. Não são apenas as células do cérebro que são importantes, são as formas incrivelmente complexas que estão ligadas a muitas outras regiões", completou.

"Preservar partes individuais pode ser útil, mas é um longo caminho para ressuscitar um cérebro funcionando plenamente, em um estado funcional, sem danos. Ainda não há nada que sugira que estamos sequer próximos desse ponto", finalizou. Entretanto, como ressaltamos anteriormente, Ira Pastor esperava ter os primeiros resultados no começo desse ano.

"Acreditamos estar muito próximos de um ponto no tempo em que a fronteira entre o coma, o coma irreversível ou morte cerebral irá se tornar 'turva', e espero ter essas tais perspectivas um tanto quanto promissoras em 2017", disse Ira Pastor, em entrevista para o britânico Daily Mail.

Mesmo diante de toda a euforia de boa parte da mídia em divulgar apenas a parte mais popular dessa história, é importante ressaltar que apesar de ter sido declarado por Ira Pastor, que eles esperavam ver algum resultados nos primeiros dois ou três meses, os ensaios clínicos só deveriam começar esse ano
"Acreditamos estar muito próximos de um ponto no tempo em que a fronteira entre o coma, o coma irreversível ou morte cerebral irá se tornar 'turva', e espero ter essas tais perspectivas um tanto quanto promissoras em 2017", disse Ira Pastor
"Considerando que 50.000 das 150.000 pessoas que morrem diariamente, não morrem devido ao envelhecimento natural do corpo, mas devido a diversos traumas agudos que levam rapidamente a morte cerebral, acreditamos que isso terá um grande impacto", completou.

Já em entrevista para o site "Health Aim", Ira Pastor foi enfático em dizer que o objetivo não era a vida eterna, mas sim de "trazer de volta da beira do precipício da morte, aqueles entes queridos que por algum motivo, estavam a caminho da 'morte definitiva'". Ele inclusive chegou a citar nomes como Einstein, Tesla, Da Vinci, e até mesmo Steve Jobs, como se os mesmos pudessem ser agraciados com mais 50 anos de vida pela frente caso já tivéssemos essa tecnologia ao nosso alcance.

A Índia Impediu que os Ensaios Clínicos Fossem Realizados no País no Fim do Ano Passado: Os Problemas em Relação aos Procedimentos e a Empresa "Revita Life Sciences"


No mesmo dia que publiquei a matéria sobre esse assunto no ano passado, ou seja, no dia 5 de maio, o site "NextShark", que por sua vez é um site focado no empreendedorismo, dentro e fora do ramo da tecnologia, realizou uma entrevista com o Ira Pastor, presidente executivo da Bioquark, e mostrou algumas salas de sua sede na Filadélfia.

"Minha mãe diria que cresci lendo muitas histórias em quadrinhos e assisti muitos filmes de ficção científica. Porém, para sua informação, nunca gostei de filmes de zumbis, então não há nenhuma conexão", disse Ira Pastor. Nesse ponto, o texto dizia que, por mais que a "reanimação de cérebros mortos" pudesse ser um enredo inacreditável de ficção científica, talvez aquele fosse o experimento, que a indústria médica estava precisando.

O site "NextShark", que por sua vez é um site focado no empreendedorismo, dentro e fora do ramo da tecnologia, realizou uma entrevista com o Ira Pastor, presidente executivo da Bioquark, e mostrou algumas salas de sua sede na Filadélfia.
Em um determinado trecho, o texto dizia que, por mais que a "reanimação de cérebros mortos" pudesse ser um enredo inacreditável de ficção científica, talvez aquele fosse o experimento que a indústria médica precisava atualmente
"É engraçado, atualmente os biólogos estão estudando aplicações da seda de aranha, respiração líquida e tecnologias de animação suspensa, então acredito que a ficção científica virou realidade. Quer dizer, tecnicamente, minha indústria realmente não curou quaisquer doenças desde o tempo dos antibióticos. Em vez disso, a maioria das novas aprovações de medicamentos quando muito oferece um benefício mínimo em relação às terapias existentes, ao mesmo tempo que testemunhamos o aumento paradoxal da prevalência de todas as doenças crônicas degenerativas responsáveis pelo sofrimento humano e pela morte", continuou.

Ainda de acordo com o artigo publicado no site "Next Shark", a BioQuark teria sido fundada em 2007, pelo Dr. Sergei Paylian, e seria especializada no desenvolvimento de "produtos biológicos naturais." No projeto "ReAnima", a BioQuark estava em parceria com a "Revita Life Sciences", outra empresa de biotecnologia supostamente especializada em terapia com células-tronco. Também foi mencionado que todos os testes seriam realizados em pacientes da Índia, no Hospital Anupam, na cidade de Rudrapur, onde os custos de uma unidade de tratamento intensivo (UTI) eram bem inferiores aos preços praticados nos Estados Unidos.

Ainda de acordo com o artigo publicado no site "Next Shark", a BioQuark teria sido realmente fundada em 2007, pelo Dr. Sergei Paylian, e seria especializada no desenvolvimento de "produtos biológicos naturais."
Também foi mencionado que todos os testes seriam realizados em pacientes da Índia, no Hospital Anupam, na cidade de Rudrapur, onde os custos da unidade de tratamento intensivo (UTI) eram bem inferiores aos preços praticados nos Estados Unidos
"A escolha da Índia foi uma combinação de economia e boas regulamentações para a realização de pesquisas envolvendo 'reanimação de cadáveres'. Provavelmente, os indivíduos serão indianos, uma vez que estaremos 'recrutando' apenas da UTI do hospital, exceto que haja pacientes/familiares de outras nacionalidades que morem na região", completou.

Agora, se essa história já era naturalmente estranha, a mesma começou a declinar de vez com a matéria publicada pelo site do jornal indiano "The Hindu", no dia 15 de maio do ano passado, no qual havia uma entrevista com o Dr. Himanshu Bansal, o proprietário da empresa "Revita Life Sciences", e responsável pelos tais ensaios clínicos na Índia.

De acordo com o texto, o Hospital Anupam estava cercado por um bar e uma academia de ginástica, e se parecia com qualquer outra unidade particular de atendimento médico de uma cidade de pequeno porte da Índia. O hospital de três andares era administrado pelo próprio Dr. Himanshu Bansal, um ortopedista com um grande interesse pela neurociência. O Dr. Himanshu Bansal admitiu não ter exercido a profissão, ou seja, praticado a Medicina desde 2005, visto que, segundo ele, sempre preferiu mais pesquisar do que qualquer outra coisa. Segundo o texto, ele tinha por volta de 40 anos, estava ligeiramente acima do peso, era afável e muito simpático.

O Dr. Himanshu Bansal,
um ortopedista com um grande interesse pela neurociência
O texto fez questão de ressaltar, que não havia nenhum atrativo técnico na pequena cidade de Rudrapur, que era mais conhecida por ter ruas e estradas bem precárias. Contudo, atualmente, a Índia não tinha leis específicas para ensaios clínicos envolvendo pacientes com morte encefálica. "Uma vez que a Índia não tem leis, não são necessárias permissões", resumiu o Dr. C.M. Gulhati, editor da revista médica "Monthly Index of Medical Specialties" (MIMS), e especialista em bioética.

Segundo o "The Hindu", ainda assim as "permissões" foram concedidas por um Conselho de Revisão Institucional (IRB), um comitê de ética independente, que neste caso foi composto por um grupo heterônomo de médicos locais de hospitais particulares em Rudrapur, um funcionário do alto escalão da Universidade de Pantnagar e um burocrata aposentado do Departamento de Saúde do Estado de  Uttar Pradesh.

Geralmente, IRBs são consultados para serem obtidas permissões após a aprovação da Controladoria-Geral de Drogas do Ministério da Saúde e Bem-Estar da Índia (DCGI). Porém, nesse caso, o Dr. Bansal disse que tal aprovação não era necessária, uma vez que os indivíduos participantes dos ensaios estariam clinicamente mortos.

"Os regulamentos aplicam-se apenas aos pacientes vivos. Vamos 'recrutar' pessoas que estejam com morte cerebral. Já registramos o ensaio na CTRI (sigla em inglês para "Registro de Ensaios Clínicos da Índia"), que é o único requisito, uma vez que existe uma certa névoa, legalmente falando, quando se trata de realizar experimentos em pacientes com morte encefálica", reconheceu o Dr. Bansal.

Geralmente, IRBs são consultados para serem obtidas permissões após a aprovação da Controladoria-Geral de Drogas (DCGI) do Ministério da Saúde e Bem-Estar da Índia. Porém, nesse caso, o Dr. Bansal disse que tal aprovação não era necessária, uma vez que os indivíduos participantes dos ensaios estavariam clinicamente mortos.
Durante a entrevista, ele mostrou onde os pacientes seriam acomodados, muito embora ele ainda não houvesse "recrutado" nenhum paciente. Ele também esclareceu, que enunca afirmou que poderia reverter a morte cerebral ou reanimar os pacientes. Quando questionado sobre sua prática como cirurgião ortopedista, o Dr. Bansal disse que era um especialista no sistema nervoso central. Ele alegou que "a fisiopatologia era a mesma coisa", portanto ele não precisava ser neurocientista, visto que não iria abrir os pacientes. Vale lembrar nesse ponto que a fisiopatologia é o estudo das funções anormais ou patológicas dos vários órgãos e aparelhos do organismo. Já a neurologia é a especialidade que se dedica ao diagnóstico e tratamento das doenças que afetam o sistema nervoso. Porém, para o Dr. Bansal, ambas eram a mesma coisa.

A situação em relação ao Dr. Himanshu Bansal piorou com a publicação de uma matéria no site "The Wire India" onde suas credenciais como pesquisador da terapia com células-tronco em relação a neuroregeneração foram amplamente questionadas. Seu curriculum vitae dizia que ele tinha mestrado e bacharelado em Cirurgia, que tinha um interesse particular em lesões da medula espinhal, e que tinha aprendido sobre pesquisas com células-tronco durante diversas "visitas" a organizações de pesquisa, tal como o Instituto de Medicina Experimental, em Praga. Ele também era autor de cinco publicações documentando ensaios de terapia com células-tronco para uma variedade surpreendente de condições médicas: cegueira devido a intoxicação por metanol, autismo, doença do neurônio motor, paralisia cerebral e lesão da medula espinhal. Todos os estudos apareciam no periódico "Journal of Stem Cells", onde blogueiros acadêmicos já tinham classificado o mesmo como "predatório", visto que os artigos eram publicados no periódico, sem a revisão de pares, em troca do pagamento de uma taxa. Além disso, seus estudos estavam repletos de problemas metodológicos. Para completar, quatro estudos de Bansal apareciam na mesma edição, na qual ele tinha sido o editor.

Todos os estudos apareciam no periódico "Journal of Stem Cells", onde blogueiros acadêmicos já tinham classificado o mesmo como "predatório", visto que artigos eram publicados no periódico, sem a revisão de pares, em troca do pagamento de uma taxa
Um dos seus estudos documentava os casos de cinco pessoas que tinham ficado cegas após o consumo de metanol, e foram supostamente curadas por Bansal através do uso de injeções de células-tronco. Contudo, de acordo com Dorairajan Balasubramanian, presidente da Força-Tarefa da Índia para Pesquisas sobre Células Estaminais, responsável por criar diretrizes para a pesquisa com células-tronco no país, o estudo apresentava uma série de inconsistências. A quantidade do concentrado de células-tronco que Bansal afirmou ter injetado na região posterior do globo ocular seria muito alta (cerca de 2 ml), visto que isso poderia causar edema.

O estudo também dizia, que 240 ml de medula óssea teriam sido coletadas como fonte de células estaminais. A extração de tanta medula óssea seria injustificável, visto que transplantes semelhantes de células-tronco usariam quantidades muito menores. Outros problemas também foram apontados, porém acredito que a leitura ficaria extremamente cansativa para vocês. De qualquer forma, é possível ter uma ideia da gravidade dos problemas.

Contudo, de acordo com Dorairajan Balasubramanian, presidente da Força-Tarefa da Índia para Pesquisas sobre Células Estaminais, responsável por criar diretrizes para a pesquisa com células-tronco no país, o estudo apresentava uma série de inconsistências
Outra grande preocupação com o trabalho de Bansal era a quantidade exata de ensaios listados em seus cinco artigos, que estariam de fato registrados na CTRI ("Registro de Ensaios Clínicos da Índia"), uma vez que esses registros passaram a ser a obrigatórios na Índia, desde 2009. Em email enviado ao site "The Wire India", Bansal alegou que não sabia que tais registros eram obrigatórios. O site do CTRI mostra apenas três desses ensaios realizados por Bansal, mas nada de autismo, paralisia cerebral ou doença do neurônio motor. Isso levantou a questão para saber se esses ensaios tinham sido realizados de maneira ilegal, uma vez que a Índia não permitia o uso de células-tronco para tratar quaisquer doenças, exceto indicações comprovadas, tais como: distúrbios e cânceres do sangue. Em todas as outras indicações, um ensaio clínico deveria ser conduzido. A proibição foi introduzida em 2014 para combater a exploração desenfreada de pacientes considerados vulneráveis, por médicos que ofereciam tratamentos de células-tronco não comprovados para diversas condições, assim como, por exemplo, para o tratamento da queda de cabelo.

Para não me alongar ainda mais nesse assunto, visto que há muito material questionando os trabalhos e o discurso proferido pelo Dr. Himanshu Bansal, a matéria expressou as considerações de Geeta Jotwani, diretora-geral adjunta do Conselho de Pesquisa Médica da Índia (ICMR), dizendo que o Dr. Bansal nunca compartilhou o protocolo de seu ensaio com a Controladoria-Geral de Drogas, optando, em vez disso, por perguntar através de uma simples consulta se havia algum regulamento para pesquisas sobre indivíduos com morte cerebral na Índia. Quando a Controladoria-Geral de Drogas respondeu que não havia, o Dr. Bansal teria "entendido", que seu ensaio estaria isento. Segundo, Geeta Jotwani esse teria sido um mau uso e uma má interpretação das palavras da Controladoria-Geral. Além disso, um problema com o argumento de que a pesquisa com indivíduos com morte cerebral não está regulamentada na Índia, é que na eventualidade do ensaio clínico ser bem-sucedido, os indivíduos não estarão mais mortos.

Geeta Jotwani, diretora-geral adjunta do Conselho de Pesquisa Medica da Índia (ICMR)
Enfim, para completar toda essa saga, em entrevista ao "The Wire India" o Dr. Bansal disse que não fazia ideia do que faria com os indivíduos caso ele conseguisse reanimá-los. Ele se limitou a dizer que, quando a mídia descobriu essa "falha" no projeto, ele adquiriu uma "apólice de seguros" no valor de 5 milhões de rúpias (cerca de R$ 245.000 pela cotação atual e oficial) para tratar e dar apoio aos indivíduos caso retornassem da morte cerebral. Isso para não mencionar os inúmeros problemas éticos em relação ao consentimento por parte dos familiares. O site "The Wire India" chegou a pedir para ver o formulário, que seria preenchido pelos familiares, porém o Dr. Bansal disse que não podia compartilhar o mesmo, porque era um documento "inovador" e "particular."

De qualquer forma, no dia 11 de novembro do ano passado, o ICMR removeu o "ReAnima" do registro de ensaios clínicos da Índia, após identificar diversas falhas regulatórias nos ensaios sugeridos, incluindo a falta de aprovação por parte da Controladoria-Geral de Drogas. Apesar do Dr. Bansal reclamar da atitude do ICMR dizendo que o mesmo não tinha competência para fazer tal avaliação, o cancelamento do registro do "ReAnima" colocava um fim na tentativa de realizar tais experimentos na Índia. Por outro lado, Ira Pastor, presidente executivo da BioQuark, disse que isso não impediria a empresa de levar adiante os ensaios e que, se necessário, conduziria os mesmos fora da Índia, ou seja, em algum outro país do mundo. É justamente sobre esse "planejamento", que vocês vão conhecer a partir de agora.

A Bioquark Realizará Ensaios Para Tentar "Ressuscitar os Mortos" em Algum País da América Latina? A Empresa Tem Realmente Capacidade Para Fazer Isso?


No início do mês de junho desse ano, diversos sites internacionais de notícias divulgaram algo no mínimo inusitado. Foi simplesmente mencionado que a Bioquark iria tentar "ressuscitar os mortos" em algum país da América Latina. Entre esses sites estava, é claro, o britânico Daily Mail, cujo texto inicialmente mencionava novamente, que as primeiras tentativas de "trazer as pessoas de volta do mundo dos mortos" estavam programadas para começar este ano. Na ocasião, Ira Pastor havia revelado que, em breve, estaria testando um método sem precedentes de células-tronco, em um país que ele não quis citar qual era, na América Latina, mas que os detalhes seriam revelados nos próximos meses. Ainda segundo o presidente executivo da Bioquark, eles planejavam testar diretamente em seres humanos, sem que houvesse testes preliminares em animais.

Curiosamente, o texto se limitava a dizer que a fase inaugural dos ensaios provavelmente seguiria os mesmos "procedimentos" apresentados no ano passado, dizendo que, inicialmente, Ira Pastor e seu colaborador, o Dr. Himanshu Bansal, um cirurgião ortopedista, planejaram realizar os primeiros testes na Índia. Porém, o pequeno texto publicado pelo Daily Mail não dizia quem era o Dr. Himanshu Bansal, e alegou que, "dias depois de anunciar suas ambições" o Conselho de Pesquisa Médica da Índia impediu que ambos realizassem tais ensaios no país. Isso é mentira. Sinceramente, se não fosse pelo empenho da mídia em mostrar quem era o Dr. Himanshu Bansal, suas credenciais, suas declarações de que ele aguardava por pacientes (leia como "vítimas") devido a precariedade da local onde seu "hospital" se encontrava (que não teve nenhuma foto interna divulgada, diga-se de passagem), provavelmente a Índia ainda seria um país a ser considerado.

Na ocasião, Ira Pastor havia revelado que, em breve, estaria testando um método sem precedentes de células-tronco, em um país que ele não quis citar qual era, na América Latina, mas que os detalhes seriam revelados nos próximos meses. Ainda segundo o presidente executivo da Bioquark, eles planejavam testar diretamente em seres humanos, sem que houvesse testes preliminares em seres humanos
No entanto, o que mais me impressionou é que o texto publicado no Daily Mail, que contava com uma imagem genérica, e o mesmo vídeo divulgado pelo Ira Pastor há mais de 4 anos, obteve cerca de 169.000 compartilhamentos. Não me lembro de um texto dessa natureza ser tão amplamente compartilhado assim ao longo do tempo que escrevo para vocês. Talvez isso tenha acontecido devido a esperança das pessoas, de que os mesmos teriam capacidade de reverter a morte cerebral. De qualquer forma, sabemos que, na prática, não é bem assim que as coisas funcionam.

O site "STAT", que por sua vez é voltado para notícias relacionadas a saúde, consultou o Dr. Charles Cox, um cirurgião pediátrico que realizou pesquisas com células estaminais mesenquimatosas - o mesmo tipo que pretendem utilizar nos ensaios - no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em Houston, nos Estados Unidos. Aliás, Cox não possui envolvimento no trabalho da Bioquark.

"Não é a coisa mais absurda que já ouvi, mas acho que a probabilidade de que funcione seja próxima de zero", disse o Dr. Charles Cox, acrescentando que alguns estudos descobriram, que as células de uma parte do cérebro chamadas de subventricular podiam crescer em cultura mesmo depois que uma pessoa fosse declarada como morta. No entanto, seria improvável que o resultado pretendido do ensaio, ou seja, ter um tratamento com células-tronco resultando em novos neurônios ou conexões, realmente desse certo. Os neurônios provavelmente lutariam para sobreviver, visto que o fluxo sanguíneo para o cérebro quase sempre era perdido em pessoas que tinham morte cerebral.

O site "STAT", que por sua vez é voltado para notícias relacionadas a saúde, consultou o Dr. Charles Cox (na foto), um cirurgião pediátrico que realizou pesquisas com células estaminais mesenquimatosas - o mesmo tipo utilizado no teste - no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em Houston, nos Estados Unidos. Aliás, Cox não possui envolvimento no trabalho da Bioquark
"Acredito que (reviver alguém) tecnicamente seria um milagre. Acho que o Papa chamaria isso tecnicamente de um milagre", completou. Além disso, no ano passado, a neurologista Dra. Ariane Lewis, do Centro Médico Langone, em Nova York, e o professor de bioética Dr. Arthur Caplan, da Univerdade de Nova York, escreveram em um editorial, que o ensaio "beirava a charlatanice", "não tinha fundamento científico", e dava às famílias "uma cruel e falsa esperança de recuperação." Vale lembrar nesse ponto que o Dr. Arthur Caplan também já tinha se posicionado contra o chamado "transplante de cabeça."

O site IPSCell, que na verdade é uma espécie de blog do Laboratório Knoepfler, da Escola de Medicina do Campus de Davis, da Universidade da Califórnia, chegou a mencionar que esse tipo de pesquisa não era uma boa ideia. Em vez disso, em termos de neurologia, fazia mais sentido concentrar energia, recursos e tempo, na utilização de células-tronco para tentar obter um efeito regenerativo no sistema nervoso de pessoas plenamente vivas, que sofrem de distúrbios neurológicos. Existem estudos promissores nesta área sobre pacientes vivos com base em dados concretos.

Além disso, no ano passado, a neurologista Dr. Ariane Lewis, do Centro Médico Langone, em Nova York, e o professor de bioética Dr. Arthur Caplan (na foto), da Univerdade de Nova York, escreveram em um editorial, que o ensaio "beirava a charlatanice", "não tinha fundamento científico", e dava às famílias "uma cruel e falsa esperança de recuperação."
Um leitor atento do IPSCell notou que, após anunciar que o procedimento seria realizado em algum país da América Latina, a equipe da Bioquark ainda manteve o status de que estava "recrutando" pacientes no Hospital Anupam, na Índia, sendo que a última atualização sobre isso tinha sido realizada no dia 15 de junho, ou seja, cerca de duas semanas após dizer que tinham "desistido" da Índia. Segundo a opinião desse leitor, isso levantava a suspeita de que a Bioquark estava desesperada para conseguir algum investimento financeiro. É interessante notar que, tanto a estrutura interna da Bioquark quanto do Hospital Anupam não parecem condizer com a suposta grandiosidade do que esperam realmente fazer e anunciar para o mundo.

Ontem (19), o britânico Daily Mail voltou a tocar nesse assunto, talvez para tentar validar a história de vida e as eventuais credenciais do Dr. Sergei Paylian, o fundador da Bioquak. O texto inicialmente mencionava que Sergei Paylian, 66 anos, tinha apenas 14 anos quando ficou horrorizado com a morte do jovem e cativante vizinho na cidade de Tbilisi, capital da Geórgia (o país, não o estado norte-americano). Seu caixão aberto foi conduzido pela rua, ao som de uma música (supostamente devido a uma "tradição soviética local"), e aquela teria sido a primeira vez que o jovem Sergei tinha sido confrontado em relação a sua própria mortalidade. Isso teria despertado nele uma obsessão ao longo do tempo com a questão do "envelhecimento", e como reverter isso.

Sergei Paylian, 66 anos, tinha apenas 14 anos quando ficou horrorizado com a morte de seu jovem e cativante vizinho na cidade de Tbilisi, capital da Geórgia (o país, não o estado norte-americano)
Seu laboratório, que mais parecia com um consultório de um dentista, no estado norte-americano da Flórida havia se tornado seu quartel-general. Ele explicou o resultado de uma vida inteira de pesquisas: um extrato purificado que ele chamada de "Bioquantine", uma "combinação de produtos biológicos" incorporando outras espécies, tais como sapos. E, no futuro, tubarões, que ele acreditava serem a chave para curar doenças, e até mesmo a morte. Segundo Sergei, quando injetado em seres humanos, o "Bioquantine" encontraria células doentes ou danificadas e ajudava a restaurá-las para um estado mais saudável.

A empresa que Dr. Sergei Paylian fundou, a Bioquark, faz parte de um projeto mais amplo chamado ReAnima, cujo objetivo seria "explorar o potencial da tecnologia biomédica de ponta para neuroregeneração humana e neuro-reanimação." Sergei estaria presente no chamado "conselho consultivo" internacional da ReAnima, que já estaria se preparando para realizar tratamentos experimentais na América Latina, em pacientes que sofreram perda completa e irreversível de função cerebral ou morte cerebral. O procedimento envolvia a coleta de células-tronco do próprio sangue do paciente, e injetando-as de volta ao corpo; a injeção de "Bioquantine" na medula espinhal do paciente; e a realização por 15 dias de estimulação do nervo mediano com laser, além do monitoramento dos pacientes usando exames de ressonância magnética.

Seu laboratório, que mais parecia com um consultório de um dentista,
no estado norte-americano da Flórida havia se tornado seu quartel-general
O objetivo inicial é reiniciar a capacidade do corpo, sem ajuda, de bombear o coração e o ato de respirar. Aparentemente, ninguém estava esperando que o tratamento reanimasse imediatamente os pacientes para que "pulassem de suas camas", mas o projeto visava estabelecer as bases para o futuro, de "desenvolvimentos adicionais", que poderiam aumentar os níveis de consciência e recuperação. Também foi mencionado que a Índia havia rejeitado o prosseguimento dos ensaios no país, embora a Bioquark tivesse recorrido a Suprema Corte da Índia, visto que algumas famílias deram apoio e "ofereceram" familiares para essa finalidade. Além disso, o Dr. Sergei Paylian reconheceu que enviou centenas de artigos científicos, mas raramente os mesmos foram publicados, e ninguém o parabenizou por algo que ele considerava ser uma descoberta que poderia mudar a forma como vemos e tratamos as doenças.

O texto citou um homem chamado Cody Smith, professor assistente de Ciências Biológicas na Universidade de Notre Dame, no estado norte-americano de Indiana, explicando que a comunidade científica vem estudando há anos outros organismos para ver se os seres humanos podem aprender a replicar suas propriedades regenerativas.

"A ideia é que, se você conseguir encontrar o que eles fazem de maneira diferente do que os humanos, então você pode ativá-lo de alguma forma ou desativá-lo em um ser humano - e fazê-lo se regenerar assim como os anfíbios e outros organismos", disse o Dr. Smith, que estuda peixes-zebra. Aliás, ele não comentou especificamente sobre os planos da Bioquark, supostamente devido a sua falta de familiaridade com os detalhes de sua ciência. Porém, outras universidades contatadas ficaram relutantes em indicar alguém para falar diretamente sobre os "esforços da ReAnima."

Além disso, o Dr. Sergei Paylian reconheceu que enviou centenas de artigos científicos, mas raramente os mesmos foram publicados e ninguém o parabenizou por algo que ele considerava ser uma descoberta que poderia mudar a forma como vemos e tratamos as doenças.
O Dr. Sergei Paylian, no entanto, parecia estar esperando por um milagre e dizia que reverter os efeitos do envelhecimento, das doenças e até mesmo da morte sempre foi seu "sonho final" desde o funeral do vizinho, que deixou essa "marca" nele.

"Fiquei tão chocado. Chegará o momento em que tudo desaparecerá. Como podemos ter uma habilidade tão única de raciocinar e ao mesmo tempo temos que morrer, de alguma forma, no futuro? Quando criança tive medo disso, foi quando comecei a coletar informações sobre o processo de envelhecimento, porque todo mundo morre, tanto mosquitos quanto seres humanos. Parece que algum programa está funcionando, e o programa é diferente entre seres humanos, cães, baratas, todos eles têm programas diferentes", disse o Dr. Sergei Paylian, enquanto sua sorridente esposa russa, chamada Tatyana - que também é sua assistente de laboratório - concordava com a cabeça.

"Fiquei fascinado com esse poder do envelhecimento, porque todas as espécies biológicas eventualmente morrem, sendo especialmente injusto com os seres humanos. Temos uma capacidade tão grande de raciocinar e criar tanto nas Artes quanto nas Ciências, e mesmo assim, ao final da sua vida, aos 80 anos de idade, você ainda é capaz de pensar com clareza e fazer muitos outros trabalhos benéficos. Porém, infelizmente, o envelhecimento tem seu preço. Então, esse era praticamente o grande desafio. Pensei que deveria haver algum mecanismo que nos permitisse modificar de alguma forma o processo de envelhecimento e, de alguma forma, torná-lo reversível", continuou.

O Dr. Sergei Paylian, e sua esposa russa chamada Tatyana, que também é sua assistente de laboratório
O Dr. Sergei Paylian disse que estudou Biofísica e Biologia Molecular na União Soviética, e teria trabalhado no Instituto de Morfologia Experimental, em Tbilisi, e no Instituto de Gerontologia, em Kiev, na Ucrânia, porém a ciência comum não teria oferecido as respostas que ele procurava. Ele disse que, em um determinado momemento, não queria mais trabalhar de maneira "comum", mas não quis chamar o campo que entrou de "obscuro", apenas de um campo onde ninguém estaria entrando. O Dr. Sergei disse que era contra o uso de medicamentos potentes para matar células cancerosas, contra a radiação, a radioterapia e até mesmo contra cirurgias, "porque não era dado ao paciente a oportunidade de entender o que estava acontecendo com o crescimento do câncer." Ele alegou que preferia trabalhar com células cancerosas para tentar revertê-las ao seu estado estado pré-cancerígeno sem nenhum medicamento.

Segundo Sergei, eles descobriram que as células têm uma memória do passado, memórias de um estado saudável, "porque o passado geralmente está associado à saúde, e futuro com a doença." Ele disse acreditar que a reprogramação é o futuro da terapia médica, acrescentando que deve haver uma espécie de "gatilho" identificável, que seja capaz de reverter as células para um estado normal, anterior a doença.

De acordo com Sergei, ele continuou seus estudos e trabalhou na Europa Oriental antes de imigrar para os Estados Unidos, na década de 1990, porque queria ter mais "liberdade de escolha." Na União Soviética um ser humano não podia expressar seus pensamentos, tanto nas Artes quanto nas Ciências. Ele teria chegado a trabalhar nos Estados Unidos, porém ficou desanimado com a falta de entusiasmo e financiamento para seus projetos, eventualmente trabalhando na tradução de documentos.

De acordo com Sergei, ele continuou seus estudos e trabalhou na Europa Oriental antes de imigrar para os Estados Unidos na década de 1990, porque queria ter mais "liberdade de escolha." Na União Soviética um ser humano não podia expressar seus pensamentos, tanto nas Artes quanto nas Ciências.
"Larguei a ciência", disse o Dr. Sergei Paylian, que possui três filhos com esposa Tatyana, e um filho de um relacionamento anterior. Ele e sua esposa construíram uma cabana em Wisconsin, e desfrutaram temporariamente de uma vida tranquila na natureza. Porém, o dinheiro teria acabado e ele achou o momento certo de publicar suas ideias, visto que isso poderia lhe render dinheiro. Ele publicou suas ideias sobre a reprogramação em um site científico, procurando financiamento, mas passou meses recebendo telefonemas irritantes de corretores, que queriam dinheiro para intermediar a conexão com os investidores, até que um belo dia, ao telefone, teria surgido o Ira Pastor, um empresário farmacêutico, que atualmente era o presidente executivo da Bioquark.

Assim sendo, o Dr. Paylian teria começado a realizar mais pesquisas com melhores recursos e atualmente trabalhava em um laboratório de 600 m² na cidade de Tampa, na Flórida, a poucos quilômetros de sua residência. O texto mencionou que o local era um espaço indescritível, composto por escritórios, em um único andar, bem decorado e radiante. Além de usar o "Bioquantine" para práticas de terapia, o mesmo também era incorporado em produtos cosméticos e dermatológicos que eles vendiam. No dia que um correspondente do Daily Mail visitou o laboratório não havia animais, mas seria comum o espaço abrigar sapos, peixes, e até mesmo tubarões - para estudar e utilizar suas qualidades regenerativas - assim como ratos onde o "Bioquantine" seria testado. O laboratório abrangia três salas com equipamentos científicos, assim como a sala de espera e um banheiro. Um local que não parecia com o nascimento de uma tecnologia semelhante a que deu origem ao Frankenstein.

Era nesse local que ele pesquisava e estudava as "bioquantinas" (que resultava no chamado "Bioquantine") supostamente rejuvenescedoras. As mesmas englobavam material biológico purificado e extraído de outras espécies, cuja biologia permitia a regeneração, com células revertidas para as "condições primordiais" através da estimulação elétrica. A pesquisa teria começado com sapos da espécie Xenopus laevis, e expandido desde então. Porém, o Dr. Sergei não deu maiores explicações sobre isso.

No dia que um correspondente do Daily Mail visitou o laboratório não havia animais, mas seria comum o espaço abrigar sapos, peixes, até tubarões - estudando e utilizando suas qualidades regenerativas - assim como ratos onde o "bioquantine" seria testado
A pesquisa teria começado com sapos da espécie Xenopus laevis, e expandido desde então.
"O peixe zebra tem uma incrível oportunidade de rejuvenescer até mesmo o tecido neural. Se você corta uma parte do cérebro, ele se regenera. Se você corta uma parte do coração, ele se regenera. E, então, também adicionamos tubarões... eles são os mestres da regeneração. Os tubarões são uma espécie de 450 milhões de anos, uma das espécies mais antigas desse planeta - e eles se lembram de coisas que as demais espécies não se lembram. É por isso que coletamos o material do tubarão, especialmente como um componente sanguíneo", disse o Dr. Sergei Paylian.

"A partir disso, entendi que tropecei em algo incomum, mágico e interessante, o que me atraiu imediatamente. Esse foi um grande sentimento que tive, porque se você possui em suas mãos um mecanismo que pode reverter células patológicas em células normais, isso quer dizer que, se podemos fazer com a célula, isso significa que podemos fazer com tecido, visto que tecido consiste de células. Então, poderíamos fazer com órgãos, e convertê-los em estágios mais jovens, podendo realmente rejuvenescer seres humanos", continuou, acrescentando que ao injetar as tais "bioquantinas", as mesmas teriam ajudado os pacientes em tudo, desde paralisia cerebral, problemas de tireoide, e até doenças renais, muito embora as razões de sua eficácia continuem sendo um mistério.

"Como as bioquantinas funcionam ninguém sabe, incluindo nós mesmos. Não sabemos o que está acontecendo, como isso funciona, como isso se modifica. Cada tecido libera algum tipo de sinal de alerta: 'Ei, não me sinto bem, venha aqui e me ajude'. Aparentemente, as bioquantinas leem esses sinais, vão até determinada região e interagem com algumas moléculas de lá, micromoléculas. Acreditamos que esse seja o início do processo de cura. Contudo, tudo isso pode ser melhor rastreado, com estudos mais amplos, que obviamente precisam de dinheiro para serem realizados", completou, acrescentando que todos os experimentos teriam sido conduzidos em outros países, uma vez que o uso de bioquantinas em seres humanos não é aprovado pelo FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos), sendo que o Dr. Paylian disse não ter dinheiro suficiente para realizar a pesquisa necessária para obter essa aprovação.

Todos os experimentos teriam sido conduzidos em outros países, uma vez que o uso de bioquantinas em seres humanos não é aprovado pelo FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos), sendo que o Dr. Paylian disse não ter dinheiro suficiente para realizar a pesquisa necessária para obter essa aprovação
"Estamos mais focados na produção, o que pode ajudar milhões de pessoas, incluindo crianças. Nosso principal objetivo no momento é ajudar as pessoas, não coletar dados de biologia molecular, resultados. Há muitos séculos que sofremos, há milhares de anos os seres humanos estão sofrendo devido a muitas doenças. Atualmente, temos cerca de 6.500 tipos diferentes de doenças. Somos uma civilização muito doente. Isso nos deixa tristes, porque merecemos uma saúde muito melhor - e acho que... a terapia de bioquantinas baseada em reprogramação pode ajudar as pessoas a serem mais saudáveis.", disse o Dr. Paylian.

Aliás, o Dr. Sergei Paylian disse que em um determinado ponto de sua pesquisa, ele estava muito envolvido nos estudos sobre o envelhecimento e acabou pensando, o que aconteceria se isso fosse aplicado a pessoas declaradas como mortas, quando o cérebro para de funcionar, algo que ele acreditava ser "um limite sensível" para tentar aplicar bioquantinas e células-tronco para tentá-los trazer novamente a vida.

"Se pudermos fazer você respirar de forma independente, e seu coração estiver batendo de forma independente, você está vivo. Você não está acordado, mas você está coma, e não está em um coma irreversível, ou seja, isso seria um passo importante. Algumas pessoas dizem isso que não é bom, que seria uma péssima qualidade de vida, porém posso argumentar que morrer, provavelmente é uma qualidade de vida pior do que estar vivo. A questão é a existência de uma linha contínua de consciência. Existe a morte cerebral ou o coma irreversível. Um passo depois é o coma, sendo que há muitas etapas em relação a isso. Acima do coma é estado vegetativo persistente, e acima disso é o estado minimamente consciente - e acima disso, você está acordado", completou o Dr. Paylian.

"Então, nosso objetivo é progredir nessa sequência, mas temos que fazer isso de forma gradual. Isso não é mágico, mas uma progressão que normalmente acontece na natureza, e temos apenas um caminho para ser seguido em relação a isso, nesse momento", finalizou.

Comentários Finais


Não sei quanto a vocês, mas é possível notar que toda essa história é repleta de contradições. Primeiramente, é importante destacar que a maioria das matérias consideradas "exclusivas" do Daily Mail são extremamente "cinzas", ou seja, parciais. Em segundo lugar, talvez vocês não tenham acesso aos textos originais rotineiramente publicados, em inglês, visto que muitas vezes vocês absorvem a informação de sites de "curiosidades" ou então "pseudoinformativos", que na verdade visam mais fornecer um entretenimento barato, tal como um programa dominical, do que realmente informar. Porém, é muito comum, principalmente quando o texto trata de assuntos altamente questionáveis, e que carecem de provas adicionais, vocês encontrarem uma espécie de respaldo velado para mostrar que uma determinada pessoa é pai ou mãe de família, e que tem filhos, como isso fosse uma "credencial de credibilidade." Talvez isso significasse algo no século XIX, e talvez ainda signifique para muitas pessoas, que acreditam nesse quesito (visto que isso ainda é mencionado), mas não significa absolutamente nada, quando não se consegue fazer de forma limpa, honesta e ética o que se tem em mente. Vimos o que aconteceu na Índia, que na verdade foi um verdadeiro fiasco. Meses depois, nos deparamos com uma outra matéria do mesmo veículo de imprensa, como se a culpa fosse das autoridades indianas, e que um novo país, da América Latina (novamente o chamado "Terceiro Mundo") seria agraciado por algo milagroso e revolucionário, e que todos deveriam ser gratos por receber essa oportunidade única de tratamento. Dizem a mesma coisa das vacinas aplicadas em massa em países africanos, dos mosquitos geneticamente modificados e disseminados pelas mais diversas regiões do Brasil, e assim por diante. Infelizmente, nenhum país da América Latina ou do "Terceiro Mundo" será abençoado, pelo contrário, somos tão somente celeiros de cobaias, e para melhorar a situação nos multiplicamos rapidamente.

Antigamente, quando havia apenas o posicionamento do Ira Pastor sobre seus planos, ainda acreditava que pudesse haver algo minimamente técnico envolvido em toda essa história. Porém, com as declarações do Dr. Sergei Paylian dizendo que a "morte era uma qualidade de vida melhor do que o coma", que suas "bionquatinas" não tinham aprovação da FDA, mas que ele as colocava em seus dermocosméticos, que estavam disponíveis para compra de qualquer cidadão norte-americano ou quem sabe "quando ele se deparou com algo milagroso, mas que posteriormente tratou como se não fosse milagre, ou melhor, que ele nem sabia como explicar o que tinha em mãos, realmente pude notar que não existe muita realidade em toda essa história. Como não olhar para isso e pensar da mesma forma que o Arthur Caplan, o professor de Bioética da Universidade de Nova York, e dizer que isso flerta ou beira a charlatanice? Aliás, alguém se lembra da época que se vendiam pílulas de cartilagem de tubarão ou óleo de fígado de tubarão, no Brasil? Foi uma febre, todos queriam ficar saudáveis e compravam ao ligar para números, que apareciam constantemente na TV. Pois bem, além de não servir para nada, cientistas da Universidade de Miami, nos Estados Unidos disseram que a cartilagem de tubarão "poderia" aumentar o risco de mal de Alzheimer e doenças neurodegenerativas (muito embora os suplementos não tivessem sido diretamente analisados). Muitas pessoas podem acreditar que as grandes indústrias ou que os "Illuminatis" não queiram que as pessoas fiquem bem e saudáveis, mas a quantidade de pessoas que querem se aproveitar da esperança e do dinheiro dessas mesmas pessoas, talvez seja exatamente a mesma ou maior do que aqueles que colocam um medicamento à venda na prateleira de uma farmácia.

Evidentemente, devemos ter esperanças, e cada um sabe o sofrimento que passa, mas é necessário ter cautela para que o benefício de um grupo não resulte em danos irreparáveis em outros. É por isso que existem estudo científicos sérios, que sejam efetivamente analisados por pares, e que mostrem exatamente a eficácia do que é proposto. Não basta ter apenas uma boa ideia, uma boa vontade e dizer as pessoas que é possível trazer um ente querido de volta à vida após ser detectada uma morte cerebral. Torço, efetivamente, para que um dia não precisemos chegar ao ponto de reverter uma morte encefálica, mas que possamos compreender melhor a morte, entender que esse é um ciclo natural, termos uma consciência do quão necessário e importante é o ciclo da vida ou quem sabe prolongá-lo. Sentir em nossos corações o valor de uma despedida, e saber que tudo naturalmente se renova em nossas vidas, assim como em nosso planeta. Obviamente, não tenho como dizer a uma mãe, que vê diariamente um filho com morte cerebral em uma UTI, mas que ainda escuta o seu coração batendo, que não possa existir uma chance, atualmente, de trazê-lo novamente aos seus braços. Talvez exista ou venha existir, mas a resposta nunca será obtida tão rapidamente, e ainda mais enquanto formos cobaias com números nas costas. E, assim como ouvi certa vez, sempre fujam daqueles que lhes prometem ajoelhados um mundo melhor, visto que todas as vezes que tentaram fazer isso na história da humanidade, resultou em milhões de mortos.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
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http://reanima.tech/research/exclusive-by-2017-humans-will-uncover-the-secrets-of-life-says-death-reversion-proponent-ira-pastor/
http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/564197/morte+cerebral+ou+morte+encefalica+o+que+e.htm
http://www.beckersspine.com/spine/item/29548-bioquark-revita-life-sciences-partner-on-regenerative-medicine-for-spinal-cord-injuries-4-points.html
http://www.dailymail.co.uk/health/article-4573914/US-firm-try-reawakening-dead-Latin-America.html
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4710672/Man-wants-bring-BRAIN-DEAD-life.html
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3553644/Could-death-soon-REVERSIBLE-Reanimation-firm-looking-ways-bring-brain-dead-people-life.html
http://www.healthaim.com/exclusive-2017-humans-will-uncover-secrets-life-says-death-reversion-proponent-ira-pastor/52956
http://www.independent.co.uk/news/science/us-companies-given-permission-to-try-and-bring-people-back-from-the-dead-a7013786.html
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http://www.parentherald.com/articles/41338/20160505/clinical-trial-brain-death-approved-bring-dead-back-life.htm
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http://www.sciencemag.org/news/2016/11/experiment-raise-dead-blocked-india
http://www.telegraph.co.uk/science/2016/05/03/dead-could-be-brought-back-to-life-in-groundbreaking-project/
http://www.thehindu.com/news/national/a-strange-project-to-revive-the-brain-dead/article8601787.ece
https://arstechnica.com/science/2017/06/quack-trial-to-resurrect-brain-dead-folks-revived-with-new-location/
https://clinicaltrials.gov/ct2/show/study/NCT02742857?term=bioquark&rank=1
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https://nextshark.com/ira-pastor-bioquark-interview/
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https://www.statnews.com/2017/06/01/brain-death-trial-stem-cells/
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