24 de julho de 2017

Jovens Acreditam ter Filmado o "Fantasma" de uma Empregada que Teria Morrido em um Incêndio, no Palácio Tryon, nos Estados Unidos!


Por Marco Faustino

Na semana passada, publiquei uma postagem sobre três inusitados casos de supostos "fantasmas" onde o desconhecido aparentemente não tinha sido levado nem um pouco a sério, na Inglaterra. Isso porque ultimamente estamos tendo uma verdadeira "onda" de supostos casos fantasmagóricos sendo amplamente disseminados na imprensa britânica com a ajuda, é claro, dos tabloides que não se importam nem um pouco com o título que acrescentam em suas respectivas matérias. Na postagem anterior comentamos sobre o caso de um homem, que acreditava que o fantasma de sua avó tinha aparecido na vidraça de um hipermercado para lembrá-lo de comprar pão, na cidade de Skegness; de um grupo de investigação paranormal, que alegou ter registrado o "espírito" de um antigo sacerdote egípcio chamado "Nesyamun" retornando ao seu sarcófago, no museu da cidade de Leeds; e finalmente de um casal que alegava estar sendo assombrado por um "fantasma abusivo" devido ao recebimento de benefícios por invalidez, em Moston. Lembrando mais uma vez, que todas as cidades ficam localizadas na Inglaterra. O último caso era particularmente interessante, porque o casal dizia que a casa tinha sido invadida por espíritos, devido a condição financeira que possuíam. Isso era algo difícil de acreditar, porque, se fosse assim, grande parte das casas em nosso país, por exemplo, seriam mal-assombradas, o que na prática sabemos que não é verdade. De qualquer forma, vale a pena conferir a postagem, e analisar caso a caso. (leia mais: Conheça 3 Inusitados Casos de Supostos "Fantasmas" Onde o "Desconhecido" Aparentemente Não Foi Levado a Sério, na Inglaterra!)

Assim sendo, para começar essa última semana de julho (praticamente a última semana, visto que dia 31 cai em uma segunda-feira) escolhi falar de mais um caso de um suposto fantasma, mas dessa vez em relação a uma ocorrência no Palácio Tryon, que fica localizado na pequena cidade de New Bern, no condado de Craven, na Carolina do Norte. Curiosamente, em vez desse caso ser noticiado primeiramente pela imprensa local, o mesmo foi divulgado pela imprensa britânica, algo que deixou os norte-americanos sem entender absolutamente nada (fiquem calmos, que irei explicar essa relação no decorrer da postagem, que por sua vez não será tão longa quanto vocês estão acostumados). De qualquer forma, o cerne da história é que duas jovens, Danielle Hyde, 21 anos e Savanna Brown, 23 anos (não ficou bem claro se formariam ou não um casal) teriam visitado recentemente o imponente Palácio Tryon, quando Danielle resolveu gravar um vídeo para o seu Snapchat. A jovem teria registrado muito rapidamente o que seria a "figura fantasmagórica" de uma mulher usando roupas de época, passando pela porta, e carregando uma espécie de cesta. Ambas disseram acreditar que fosse o fantasma de uma empregada, que teria morrido em um incêndio no século XVIII. Contudo, será mesmo que elas registraram um fantasma? Será que esse Palácio Tryon é mesmo mal-assombrado? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Conheça um Pouco da História do Palácio Tryon! Esse Palácio Seria Mal-AssombradO?


O Palácio Tryon foi originalmente construído entre 1767 e 1770 para servir como primeiro Capitólio (sede do governo) permanente da Colônia da Carolina do Norte, e um lar para o Governador Real e sua família (lembrando que nesse período o território onde atualmente é o Estado da Carolina do Norte pertencia a Inglaterra). O governador William Tryon contratou o arquiteto inglês John Hawks para a construção do mesmo, quando John chegou a Carolina do Norte em 1764. Ele projetou o palácio com uma arquitetura muito semelhante as casas londrinas, no estilo georgiano e com uma simetria impecável. Rapidamente, o palácio foi considerado uma das melhores edificações públicas entre as colônias americanas.



O Palácio Tryon foi originalmente construído entre 1767 e 1770 para servir como primeiro Capitólio (sede do governo) permanente da Colônia da Carolina do Norte, e um lar para o Governador Real e sua família (lembrando que nesse período o território onde atualmente é o Estado da Carolina do Norte pertencia a Inglaterra)
Entretanto, o governador Tryon, sua esposa, Margaret Wake Tryon, e sua filha, Margaret, moraram no palácio somente por pouco mais de um ano. Eles deixaram a cidade de New Bern, em junho de 1771, quando o governador Tryon foi nomeado para o governo de Nova York. Josiah Martin, o segundo governador real a viver no local, fugiu em maio de 1775, no início da Revolução Americana e seus móveis foram posteriormente leiloados pelo recém-formado governo estadual. Patriotas tomaram o palácio e realizaram as primeiras sessões da Assembleia Geral para começar a projetar um estado livre e independente. Quatro governadores estaduais usaram o palácio: Richard Caswell, Abner Nash, Alexander Martin e Richard Dobbs Spaight.

Na noite de 21 de abril de 1791, o Palácio de Tryon foi cenário para uma reunião que envolvia um belo jantar e uma agradável noite de muita dança, que foi realizada em homenagem ao presidente George Washington, que estava visitando a cidade New Bern durante algo que ficou conhecido como "Southern Tour" (uma grande jornada pelos estados do Sul realizada pelo presidente norte-americano George Washington entre 21 de março e 4 de junho de 1791). A cidade de Raleigh tornou-se a capital do estado em 1794 e, a partir de então, o espaço no palácio começou a ser alugado para diversas finalidades, incluindo uma Loja Maçônica, uma escola particular e uma casa de pensão.

Na noite de 21 de abril de 1791, o Palácio de Tryon foi cenário para uma reunião que envolvia um belo jantar e uma agradável noite de muita dança, que foi realizada em homenagem ao presidente George Washington, que estava visitando a cidade New Bern durante algo que ficou conhecido como "Southern Tour"
Em fevereiro de 1798, um incêndio começou porão do Palácio Tryon, onde o feno costumava ser armazenado. O fogo rapidamente devastou o prédio principal, que entrou em colapso, porém os prédios relacionados a cozinha e o estábulo conseguiram ser salvos. De qualquer forma, a cozinha acabou sendo demolida no início do século XIX, restando apenas o estábulo, que existe até hoje. Ainda no século século XIX, a rua George foi estendida sobre a base original do palácio, e dezenas de casas e escritórios comerciais foram construídos em ambos os lados. No final da rua, uma ponte cruzava o rio Trent.

Na década de 1930, um movimento foi iniciado com o objetivo de restaurar o primeiro capitólio da Carolina do Norte. O movimento ganhou força quando voluntários encontraram os planos arquitetônicos originais de John Hawks. Em 1944, a Sra. James Edwin Latham, moradora da cidade de Greensboro, porém nascida em New Bern, convocou o Estado da Carolina do Norte a se juntar a ela para restaurar o Palácio Tryon. Ela garantiu seu compromisso através da criação de um fundo fiduciário dedicado unicamente à restauração do palácio. Em 1945, a legislatura estadual criou a Comissão do Palácio Tryon, um corpo de 25 pessoas nomeadas pelo governador, e lhe foi imputado a reconstrução do palácio original a partir de seus planos originais, inclusive em sua base original. Como parte de seu compromisso, o Estado concordou em manter e operar o palácio restaurado, quando o mesmo fosse aberto ao público.

Em 1944, a Sra. James Edwin Latham, moradora da cidade de Greensboro, porém nascida em New Bern, convocou o Estado da Carolina do Norte a se juntar a ela para restaurar o Palácio Tryon. Ela garantiu seu compromisso através da criação de um fundo fiduciário dedicado unicamente à restauração do palácio
Em 1945, a legislatura estadual criou a Comissão do Palácio Tryon, um corpo de 25 pessoas nomeadas pelo governador, e lhe foi imputado a reconstrução do palácio original a partir de seus planos originais, inclusive em sua base original
Imagem aérea mostrando o trabalho de reconstrução do Palácio Tryon
A Sra. James Edwin Latham morreu em 1951, pouco antes da reconstrução do Palácio Tryon. Sua filha, a Sra. Mae Gordon Kellenberger, assumiu a liderança da restauração. Aliás, o primeiro desafio da restauração foi fazer a limpeza do terreno. Isso envolveu a remoção de mais de 50 prédios, e o redirecionamento da Rota 70, do Estado da Carolina do Norte, incluindo uma ponte sobre o rio Trent.

Além disso, foram realizadas escavações arqueológicas, que rapidamente descobriram as fundações originais do Palácio Tryon sob o local anteriormente ocupado pela rodovia. As camadas de estuque (uma espécie de argamassa) foram removidas do estábulo, a única parte restante do complexo de 1770. Então, começou o árduo trabalho de reconstrução do palácio, sendo que artesãos de todo o país e do exterior foram chamados para a realização das obras. Enquanto isso, viagens até a Inglaterra permitiram a compra de um mobiliário adequado ao período do palácio original.

Na década de 1930, um movimento foi iniciado com o objetivo de restaurar o primeiro capitólio da Carolina do Norte. O movimento ganhou força quando voluntários encontraram os planos arquitetônicos originais de John Hawks
Imagem mostrando que o a rua George havia sido estendida sobre a antiga fundação do prédio principal do Palácio Tryon
É interessante notar que o governador Tryon fez um inventário muito detalhado de suas posses após a destruição pelo fogo de uma outra casa, que possuía na cidade de Fort George, no estado norte-americano de Nova York. Esse inventário revelou o gosto da família Tryon em relação ao mobiliário, e acabou sendo usado como uma espécie de guia na recriação do palácio original, e que foi aberto ao público em abril de 1959, como sendo o primeiro grande projeto da história pública da Carolina do Norte.  

Atualmente, os guias turísticos utilizam roupas de época, e conduzem passeios pelo palácio. Ambos os andares são abertos ao público, assim como o porão, que foi "reinterpretado" de acordo com as descrições contidas nas cartas do arquiteto John Hawks.

Atualmente, os guias turísticos utilizam roupas de época, e conduzem passeios pelo palácio. Ambos os andares são abertos ao público, assim como o porão, que foi "reinterpretado" de acordo com as descrições contidas nas cartas do arquiteto John Hawks
Visitantes durante um passeio turístico guiado pelo Palácio Tryon
Em outubro de 2010, o Palácio Tryon inaugurou o Centro Histórico da Carolina do Norte, uma instalação de 5.600 m², em uma área total de 24.200 m². Esse centro possui uma tecnologia interativa, sendo que o mesmo abriga dois museus principais - o Centro Familiar Pepsi e o Museu de História Regional - além de uma lojinha de souvenirs, duas salas de orientação, um espaço destinado a salas de aula, um salão de artes performáticas de 200 lugares, uma cafeteira à beira-mar, e um espaço administrativo. Enfim, são dois museus muitos interativos, sendo que o Centro Familiar Pepsi possui uma espécie de máquina do tempo virtual que remete os visitantes a 1835, além de permitir que pais e filhos realizem atividades práticas tais como os moradores daquela época.

Sinceramente, parece ser um lugar completamente fascinante de ser visitado. Além disso, o Palácio Tryon serviu de cenário para programas de televisão e documentários. Para vocês terem uma ideia, três episódio da série norte-americana de TV chamada "Sleepy Hollow" (adaptação da famosa "Lenda do Cavaleiro sem Cabeça", que foi cancelada após quatro temporadas) foi gravada no espaço pertencente ao palácio.

Em outubro de 2010, o Palácio Tryon inaugurou o Centro Histórico da Carolina do Norte (na foto),
uma instalação de 5.600 m², em uma área total de 24.200 m²
Mapa mostrando o Palácio Tryon (no centro do mapa) e o Centro Histórico da Carolina do Norte (canto inferior direito).
No mapa é possível notar que anexo do estábulo fica à direita (em relação ao portão principal de entrada) e o anexo da cozinha fica à esquerda (novamente em relação ao portão principal de entrada)
Entretanto, tanto o site oficial do Palácio Tryon, quanto sua página na Wikipedia e de grupos de investigação paranormal da Carolina do Norte, não mencionam quaisquer tipos de atividades paranormais ou sobrenaturais em relação ao mesmo. Também não há o registro oficial de nenhuma morte em decorrência do incêndio ocorrido em 1798, disponível publicamente na internet.

Seria necessário fazer uma pesquisa bem minuciosa em jornais locais daquela época, não apenas publicamente pela internet, para saber se houve alguma vítima fatal, porém infelizmente o acesso a essa documentação é inviável financeiramente falando em detrimento de um caso aparentemente simples. De qualquer forma, vamos tentar não julgar o livro pela capa e ver o que exatamente foi registrado pelas duas jovens que promoveram um verdadeiro frenesi na mídia britânica.

A Suposta Filmagem do "Fantasma" de uma Empregada que Teria Morrido em um Incêndio, no Palácio Tryron, em 1798


Por volta do dia 21 de julho desse ano, sexta-feira passada, o britânico Daily Mail, assim como inúmeros outros tabloides, sites de entretenimento e de cunho pseudoinformativos divulgaram que duas jovens, Danielle Hyde, de 21 anos, e Savanna Brown, de 23 anos, teriam visitado o Palácio Tryon, no domingo anterior, e gravado um vídeo para o Snapchat. Confira o vídeo, que foi publicado pelo canal Caters Clips, no YouTube:



Teria sido nesse ocasião, no dia 16 de julho desse anos, que elas teriam registrado o "fantasma" de uma empregada que teria morrido durante um incêndio no século XVIII. O texto é bem curto e possui informações, que já conhecíamos previamente e de contexto histórico, tais como: a ocorrência de um incêndio em 1798, que começou no porão, e que rapidamente tomou conta do prédio principal.

"Na verdade, o palácio é conhecido por ser assombrado. Houve um incêndio lá em 1798, e eu acredito, que começou onde os empregados costumavam morar.", disse Danielle Hyde, moradora da cidade de Goldsboro, no condado de Wayne, na Carolina do Norte.

Duas jovens, Danielle Hyde (à direita), de 21 anos, e Savanna Brown (à esquerda), de 23 anos, teriam visitado o Palácio Tryon, no domingo anterior, e gravado um vídeo para o Snapchat
"Era como se ela fosse translúcida. Você não conseguia ver a parte de trás do seu corpo, como se estivesse desfocado. Sua silhueta não estava bem definida, você não consegue distinguir, por exemplo, a cor do seu cabelo. É difícil dizer, mas acho que ela era uma jovem, que estava vestindo uma roupa de empregada e carregando um cesto", continuou.

"Acredito que devido o quão antigo o prédio era e sua história, isso acabou parecendo estranho. Estávamos realizando um passeio e ouvindo o guia. Não estava tentando registrar nada em específico, mas apenas mostrando os arredores. Apenas notei a figura fantasmagórica ao fundo quando minha prima me enviou uma mensagem dizendo: 'Isso é um fantasma?'", completou.

"Acredito que devido o quão antigo o prédio era e sua história, isso acabou parecendo estranho. Estávamos realizando um passeio e ouvindo o guia. Não estava tentando registrar nada em específico, mas apenas mostrando os arredores. Apenas notei a figura fantasmagórica ao fundo quando minha prima me enviou uma mensagem dizendo: 'Isso é um fantasma?'", disse Danielle
Após Danielle ter enviado o vídeo para o Snapchat, no fim de semana retrasado, ela ainda não fazia ideia do "fantasma" até que ela olhasse novamente o vídeo. Quando voltou para casa, ela realizou mais algumas pesquisas sobre a história do palácio, e descobriu a história do trágico incêndio.

"Realmente não pensei nisso, porque já aconteceram muitas coisas fantasmagóricas comigo antes, tal como ouvir passos em escadas ou quadros caindo das paredes ao sofrerem um impacto. Coisas pequenas desse gênero. No entanto, as pessoas geralmente não capturam coisas assim diante das câmeras. Quando estávamos no porão estava congelando, embora as janelas não estivessem abertas e estava quente do lado de fora", finalizou Danielle.

E foi apenas isso, que foi publicado pelos tabloides britânicos, porém o suficiente para despertar a atenção de centenas de pessoas e ser compartilhado milhares de vezes. A única diferença entre as "notícias" publicadas sobre o caso foram os títulos que acabaram sendo os mais variados possíveis e despertou uma certa revolta na imprensa norte-americana.

A Reação da Imprensa Local Norte-Americana: Danielle Hyde Realmente Registrou um "Fantasma" de uma Empregada, que Teria Supostamente Morrido em um Incêndio em 1798?


Quem aparentemente não entendeu absolutamente nada sobre essa história foi a imprensa local norte-americana. Imagine, por exemplo, você registrar um suposto "fantasma" em foto ou vídeo a partir de um local considerado mal-assombrado aqui no Brasil e, de repente, sua história começa a ser veiculada pelos tabloides britânicos sem que nenhum site aqui no Brasil tenha divulgado primeiramente o caso. Vocês não achariam estranho? Foi mais ou menos isso que o site do jornal "The Charlotte Observer", o jornal com maior circulação da Carolina do Norte, apontou em um texto publicado também no dia 21 de julho.

Quem aparentemente não entendeu absolutamente nada sobre essa história foi a imprensa local norte-americana
O texto inicialmente dizia que duas turistas estavam visitando o Palácio Tryon, na região leste da Carolina do Norte, quando supostamente gravaram imagens de um "fantasma", sendo que os jornais do Reino Unido não conseguiram se conter diante do ocorrido. A filmagem mostrava claramente uma imagem transparente de uma empregada do período colonial carregando um cesto. Não estava claro quem havia postado o vídeo no Snapchat (uma vez que o endereço original não foi divulgado), mas a alegação recaía sobre Danielle Hyde, 21 anos.

O texto também apontava que, "por razões desconhecidas", o vídeo estava sendo amplamente divulgado no Reino Unido através de tabloides tais como o Daily Mail, o Metro, o The Sun e o Daily Mirror. Aliás, o Daily Mirror chamou a filmagem de "aterrorizante", enquanto o "The Sun" estampou a seguinte manchete: "EMPREGADA DO TERROR: Imagens assustadoras mostram 'fantasma' de empregada rondando mansão nos Estados Unidos, onde ela queimou viva em um incêndio no Século XVIII."

O "The Sun" estampou a seguinte manchete: "EMPREGADA DO TERROR: Imagens assustadoras mostram 'fantasma' de empregada rondando mansão nos Estados Unidos, onde ela queimou viva em um incêndio no Século XVIII."
O "The Charlotte Observer" tentou entrar em contato com os funcionários que trabalham no Palácio Tryon na última sexta-feira (21), mas não teria sido possível. De qualquer forma, foi mencionado que as redes sociais estavam questionando a tal imagem fantasmagórica, sendo que algumas pessoas alegavam que o vídeo era falso. Já outas pessoas alegavam que era apenas um membro da equipe que trabalha no Palácio Tryon, que ficou desfocada na imagem devido a velocidade que estava caminhando. Aliás, pessoas mais atentas disseram que o "fantasma" possuía sombra, e que todas as mulheres que trabalham no palácio usavam roupas de época. Agora, estaríamos mesmo diante um "fantasma"? O Palácio Tryon seria mesmo mal-assombrado? A filmagem é falsa? Por que a filmagem acabou sendo primeiramente divulgado no Reino Unido e não nos Estados Unidos?

Bem, para começar a responder a essas perguntas, vocês já devem ter notado que todo o material fornecido vem da agência de notícias "Mercury Press and Media" e da Caters (uma agência considerada "irmã" da Mercury), que apenas coleta as informações, depoimentos, fotos e vídeos e monta um texto básico sobre o ocorrido. Resumindo? Não há qualquer tipo de pesquisa, investigação e nenhuma preocupação se o conteúdo oferecido é falso ou não, ou seja, depende de você meramente acreditar no que é contado pelas pessoas, que vendem suas respectivas histórias para eles. Essa é a famosa "indústria do paranormal" no Reino Unido, onde qualquer coisa pode ser tornar inexplicável na mão das agências de notícias e dos tabloides britânicos. É exatamente por isso, que a filmagem apareceu primeiramente no Reino Unido, porque muito provavelmente, muito mesmo, Danielle vendeu sua história para a agência de notícias , que repassou o material para os tabloides, que por sua vez tem o conteúdo traduzido, e publicado em sites de entretenimento e pseudoinformativos ao redor do mundo, assim como acontece aqui no Brasil.

Além disso, a filmagem não aparenta ser manipulada digitalmente, visto que parecer ser mesmo uma filmagem original, e sem cortes. Porém, temos realmente o registro de um "fantasma"? Muito provavelmente, muito mesmo, não, e por diversas razões. Primeiramente, o suposto "fantasma" tem sombra (é possível notar isso embaixo da "figura fantasmagórica"), e imaginamos que um espírito não faça sombra enquanto "ande."

Primeiramente, o suposto "fantasma" tem sombra (é possível notar isso embaixo da "figura fantasmagórica"),
e imaginamos que um espírito não faça sombra enquanto "ande"
Em segundo lugar, se vocês ampliarem bem, poderão ver que o "fantasma" usa sapatos pretos, e a cesta que carrega destoa em termos de cor do restante da imagem.

Se vocês ampliarem bem, poderão ver que o "fantasma" usa sapatos pretos,
e a cesta que carrega destoa em termos de cor do restante da imagem
Quanto a transparência da imagem, como se houvesse um pequeno rastro, é perfeitamente explicável diante da filmagem do deslocamento de uma pessoa em carne e osso e o efeito "motion blur" ("desfoque de movimento", em português), que muitas vezes independe de quem está gravando, mas da câmera utilizada.

Para finalizar, estamos falando de um lugar histórico, extremamente importante da Carolina do Norte, onde os guias turísticos e funcionários utilizam diariamente roupas de época e que, aparentemente e oficialmente dizendo, nada indica que seja assombrado por quaisquer fantasmas, espíritos, entidades, maldições etc.

Para finalizar, estamos falando de um lugar histórico, extremamente importante da Carolina do Norte,
onde os guias turísticos e funcionários utilizam diariamente roupas de época
Portanto, existe uma probabilidade muito próxima de zero (senão zero) de Danielle ter registrado algo de cunho paranormal. Além disso, soa ser de extrema má-fé estar em um lugar onde sabidamente todos os funcionários utilizam roupas de época, e alegar que teria filmado o fantasma de uma empregada que teria morrido em um incêndio do século XVIII (sem apresentar nenhuma alegação histórica para confirmar isso). Para finalizar, o tal "fantasma" precisaria ter sobrevivido a demolição do prédio principal e da cozinha, que havia se tornado uma simples rua, com dezenas de casas e escritórios ao redor (e nenhum relato de avistamento de fantasmas nas respectivas casas e escritórios).

Enfim, talvez essa seja a verdadeira diferença entre noticiar algo, e verdadeiramente pesquisar, ainda que minimamente, sobre algo relacionado ao chamado mundo do sobrenatural ou paranormal. Caso tenhamos maiores novidades ou um posicionamento oficial do Palácio Tryon manteremos vocês informados.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.charlotteobserver.com/news/local/article162981053.html
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4717458/Couple-tour-palace-film-ghost-servant.html
http://www.wcti12.com/news/local-news/craven/tryon-palace-reviewing-security-changes/574855958
https://en.wikipedia.org/wiki/Tryon_Palace
https://www.thesun.co.uk/news/4068299/spooky-footage-shows-ghost-of-female-servant-stalking-us-palace-where-she-burned-alive-in-18th-century-fire/
https://www.tryonpalace.org/
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