26 de julho de 2017

Conheça os "Caixões-Torpedo" e as Estranhas Invenções que um Dia Tentaram Impedir o Roubo de Túmulos ao Redor do Mundo!

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Por Marco Faustino

Acredito que a última vez, que trouxe ao conhecimento de vocês algo bem peculiar, e que remontaria (ao menos em tese) a séculos anteriores foi em relação aos kits supostamente autênticos e utilizados para enfrentar vampiros durante o século XIX na Europa, e que são tipicamente equipados com pistolas, estacas de madeira, bíblias, crucifixos e rosários. Além, é claro, de garrafas de pó de alho, água benta e poções de ervas diversas. Dezenas desses kits foram parar em coleções de museus, e os visitantes se aglomeram pela chance de poder conferir de perto tais "preciosidades." Ninguém parece se importar, no entanto, que nos últimos anos os acadêmicos vêm estudando tais acervos e conduzindo testes científicos, que indicam que muitos desses kits, que atualmente estão espalhados ao redor do mundo, foram criados tão somente no final do século XX, ou seja, não são tão antigos quanto prometem ser. Para piorar a situação, muitos desses kits são vendidos em leilões de casas muito famosas e renomadas, por preços completamente surreais, superando a casa dos R$ 80.000, sem que haja qualquer análise para determinar o quão antigo seus componentes são ou suas respectivas origens. Assim sendo, naquela postagem apresentei a vocês cerca de seis motivos para não comprarem esses tais kits, visto que, além de alimentar um mercado extremamente fraudulento ao incentivar a fabricação em larga escala dos mesmos, sai muito mais barato criar o seu próprio kit, caso tenha interesse em ter um deles na sua casa, por exemplo, como um mero objeto de decoração (leia mais: Conheça os Estranhos "Kits" Supostamente Autênticos e Utilizados Para Enfrentar Vampiros Durante o Século XIX na Europa!). Portanto, tenham muita cautela quando resolverem comprar itens supostamente antigos, visto que a chance de ser enganado(a) é grande.

Aliás, alguns dias antes daquela postagem relacionada aos "kits para combater vampiros" havia comentado sobre o lacrimatório, um nome que até hoje algumas pessoas costumam atribuir a pequenos recipientes de vidro ou cerâmica, que teriam sido encontrados desde a Grécia e a Roma Antiga, e que se presume terem sido utilizados para coletar as lágrimas vertidas pelos enlutados (pessoas que se encontravam em luto, ou seja, daqueles que sofriam com a morte de alguém) nos funerais. Contudo, conforme expliquei direitinho para vocês, o lacrimatório nunca existiu. Os frascos de vidro atualmente vendidos em antiquários custando entre R$ 400 e R$ 5.000 nada mais são do que frascos que serviam para guardar vinagres e sais perfumados, perfumes ou para então perfumar lenços umedecidos (leia mais: Conheça o Lacrimatório: A Estranha História Sobre um Recipiente que Serviria Para Coletar as Lágrimas dos Enlutados na Era Vitoriana!).

Assim sendo, novamente na tentativa de buscar um conteúdo interessante, e que ao mesmo tempo agregasse algum conhecimento para vocês, encontrei algo muito peculiar, e que talvez vocês nunca tenham ouvido ou lido sobre isso: os caixões-torpedo. Termo estranho, não é mesmo? Porém, saiba que durante boa parte do século XIX, se você quisesse ter certeza de que o corpo de um ente querido permaneceria dentro do túmulo, e evitasse de parar na mesa de um estudante de Anatomia, você simplesmente poderia "armar" o seu caixão. Durante o século XIX, os "caixões-torpedo" surgiram no concorrido mercado funerário norte-americano, principalmente diante da Guerra Civil, prontos para frustrar as intenções de possíveis ladrões de corpos, e garantir que o ente querido pudesse realmente descansar em paz. Considerei essa história muito interessante e resolvi trazê-la para vocês. Além disso, aproveitarei a ocasião para mostrar outros métodos que já foram utilizados para evitar esse problema, que era mais comum do que vocês imaginam! Vamos saber mais sobre esse assunto?

Conheça os Caixões-Torpedo: Um Estranho Mecanismo Destinado a Evitar o Roubo de Corpos de Seus Respectivos Túmulos


Não é de hoje que o roubo de corpos de seus respectivos túmulos, para as mais diversas finalidades possíveis e inimagináveis, é um problema tanto em nossa sociedade quanto em diversas outras ao redor do mundo. Se vocês acompanharam uma série chamada "Taboo", da BBC One, e protagonizada por Tom Hardy, devem ter percebido que, em determinado momento, o personagem principal James Keziah Delaney,  um aventureiro de 1813 que retorna da África carregando 14 pedras de diamantes obtidas de maneira ilegal, e que busca vingança pela morte de seu pai (interpretado pelo próprio Tom Hardy) paga um valor adicional para o coveiro (ou assistente funerário, caso queira ser politicamente correto, muito embora isso não diminua o preconceito em relação a profissão) cavar mais fundo. O objetivo? Isso faria com que ladrões demorassem mais tempo para desenterrar o caixão, ou seja, não daria tempo de realizar o roubo antes do Sol nascer, e fatalmente acabariam sendo presos.

Se vocês acompanharam uma série chamada "Taboo", da BBC One devem ter percebido que, em determinado momento, o personagem principal James Keziah Delaney paga um valor adicional para o coveiro cavar mais fundo. O objetivo? Isso faria com que ladrões de túmulos demorassem mais tempo para desenterrar o caixão, ou seja, não daria tempo de realizar o roubo antes do Sol nascer.
Infelizmente, muitas pessoas não tinham esse dinheiro adicional (lembrando que uma simples fotografia custava muito caro no século XIX), e ficavam sujeitas a ação desses criminosos, que alimentavam um mercado ilegal de estudantes e universidades interessados em corpos para serem estudados anatomicamente falando. Aliás, vale ressaltar que a série "Taboo" se passa em Londres, no início do século XIX, conforme vocês já devem ter notado.

Do outro lado do oceano, o roubo (ou furto, dependendo da interpretação jurídica atual) de túmulos era uma preocupação tão grande nos Estados Unidos após a Guerra Civil, que as pessoas começaram a construir verdadeiras armas para proteger seus entes queridos. O terrível e desagradável pensamento de que o corpo de um familiar poderia ser roubado de seu túmulo e vendido para ser simplesmente dissecado por um médico ou estudante de Anatomia, levou empresários ou os chamados "homens de negócio" a considerar machucar ou até mesmo matar ladrões em potencial. Leis estaduais aprovadas entre 1880 e 1910 começaram a permitir, que profissionais da área médica utilizassem cadáveres não reclamados - incluindo aqueles de pessoas, cujas famílias não podiam pagar por funerais apropriados - para dissecação e análises. Por mais que isso soe estranhe nesse primeiro momento, antes dessas mesmas leis, os cemitérios eram o "Velho Oeste" da Medicina nos Estados Unidos.

Autoridades de Massachusetts verificando uma ocorrência de roubo de um corpo durante uma investigação de 1883 sobre a Tewksbury Almshouse, uma instituição estadual destinada a alcoólatras e pessoas mais pobres e mentalmente insanos.
Houve uma época, que as escolas de Medicina das universidades necessitavam de cadáveres para que pudessem aprender mais sobre o corpo humano, e sem nenhuma forma lícita de obter tais corpos à luz do dia, as mesmas se voltavam para o "mercado negro de cadáveres". Os ladrões entravam nos cemitérios para exumar as pessoas recentemente enterradas, e simplesmente vendiam seus corpos. Contudo, em alguns casos os ladrões roubavam esses corpos não para "finalidades médicas", mas exigiam dinheiro da família para devolvê-los (chega a ser difícil apontar qual era a motivação mais cruel). Foi assim que dois homens desenvolveram mecanismos considerados mortais chamados de "caixões-torpedo", que poderiam ferir gravemente ou até mesmo matar ladrões ou profanadores de túmulos. Um deles se parecia como uma espingarda ou canhão, já o outro com uma mina terrestre.

Philip K. Clover, um artista e inventor da cidade de Columbus, capital do estado norte-americano de Ohio, foi o primeiro a patentear uma versão de um "caixão-torpedo". Em sua patente publicada em 8 de outubro de 1878, ele escreveu: "Minha invenção tem como objetivo fornecer um meio que deve impedir com sucesso a ressurreição não autorizada de cadáveres. E, diante desse objetivo, minha invenção consiste em um torpedo construído de forma peculiar, adaptado para ser prontamente anexado ao caixão e ao corpo nele contido de tal maneira que, qualquer tentativa de remover o corpo após ter sido enterrado causará o acionamento do cartucho contido no torpedo, machucando ou matando o profanador de túmulos."

Philip K. Clover, um artista e inventor da cidade de Columbus, capital do estado norte-americano de Ohio, foi o primeiro a patentear uma versão de um "caixão-torpedo"
O "torpedo" de Philip K. Clover estava preso internamente na tampa superior do caixão, assim como amarrado ao cadáver. Funcionava como uma espécie de espingarda que seria acionada após a abertura da tampa. O "aspirante" a ladrão seria literalmente abatido por bolas de chumbo de calibre .36, destinadas a matar ou ferir gravemente quem ousasse perturbar os mortos. Contudo, como parar um bando de ladrões? Por mais que o projeto de Clover parecesse ser perfeito para lidar com um ladrão solitário, o mesmo não se aplicava a um bando de ladrões, visto que o mecanismo disparava apenas uma única vez. Assim sendo, com mais pessoas envolvidas, um ladrão poderia se tornar a cobaia para abrir o caixão e, independentemente se morresse ou ficasse ferido, o restante poderia roubar tranquilamente o corpo.

Foi assim que uma patente para um formato diferente de "caixão-torpedo" aparentemente surgiu para resolver essa questão. Thomas N, Howell, um juiz de sucessão na cidade de Circleville, também no estado norte-americano de Ohio, patenteou sua própria versão em 20 de dezembro de 1881. A patente de Howell era destinada a um "torpedo", que funcionava como uma espécie de mina terrestre. Uma espécie de domo deveria ser enterrado acima e próximo do caixão (não era anexado ao caixão como no caso da invenção de Philip K. Clover, sendo que o tal domo seria protegido por um mecanismo de metal. O domo, preenchido com quase meio quilo de pólvora negra, seria inflamado mediante uma pertubação física. O mecanismo de metal funcionaria tanto como proteção quanto uma arma, visto que direcionaria a força da explosão diretamente para o ladrão de túmulos. O corpo do falecido permaneceria intacto enquanto que o ladrão iria sair, na melhor das hipóteses, com algumas queimaduras, porém o mais provável é que ele morresse mesmo,

Foi assim que uma patente para um formato diferente de "caixão-torpedo" aparentemente surgiu para resolver essa questão. Thomas N, Howell, um juiz de sucessão na cidade de Circleville, também no estado norte-americano de Ohio, patenteou sua própria versão em 20 de dezembro de 1881
Um determinado anúncio para esse dispositivo, semelhante a uma mina terrestre dizia: "Durma bem anjinho, não tenha medo que forças malignas perturbem o seu descanso, pois logo acima encontra-se um torpedo, pronto para fazer picadinho de qualquer um que tentar retirá-lo de sua morada."

Curiosamente, ao pesquisar sobre esse assunto me deparei com uma outra invenção também atribuída a T. N. Howell, que seria uma espécie de versão anterior, patenteada alguns meses antes da versão, que se parece realmente com uma "mina terrestre". É justamente essa que vocês podem conferir logo abaixo, onde se utilizavam cordas ao redor do caixão ao invés de uma proteção metálica.

Curiosamente, ao pesquisar sobre esse assunto me deparei com uma outra invenção também atribuída a T. N. Howell, que seria uma espécie de versão anterior, patenteada alguns meses antes da versão, que se parece realmente com uma "mina terrestre"
Existem poucas evidências arqueológicas, no entanto, que sugiram que os "caixões-torpedo" tenham sido amplamente utilizados, porém eles fornecem uma ideia do mórbido fascínio pela morte no século XIX. De acordo com a Dra. Kathryn Meyers Emery, antropóloga do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos, esses tais dispositivos teriam sido utilizados pouquíssimas vezes.

De acordo com a Dra. Kathryn, eram definitivamente excentricidades projetadas para ganhar dinheiro devido ao temor generalizado em relação ao roubo de corpos. A verdade seria que, na maioria das vezes, os familiares precisavam mesmo de alguém para vigiar o túmulo de algum ente querido por alguns dias ou semanas para se certificarem de que o corpo tivesse tempo para se decompor e não ser mais útil para as escolas de Medicina.

De acordo com a Dra. Kathryn Meyers Emery, antropóloga do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos, esses tais dispositivos teriam sido utilizados pouquíssimas vezes
Megan E. Springate, candidata a PhD em Arqueologia, pela Universidade de Maryland, e autora do livro "Coffin Hardware in Nineteenth-century America" também não está convencida de que os caixões-torpedo tivessem realmente saído das páginas dos catálogos de patentes. De acordo com Megan, as notícias publicadas (vocês vão conferir algumas delas daqui a pouco) sobre esse assunto provavelmente se referiam a "explosivos em geral" colocados ao redor dos túmulos do que invenções específicas para o setor funerário.

Ainda segundo Megan, outros aspectos do setor funerário dos Estados Unidos também dissuadiam o roubo de corpos, incluindo o enterro em caixas de transporte seladas como se fossem cofres improvisados, a utilização de mecanismos de travamento escondidos nas tampas dos caixões, e a utilização de caixas de ferro fundido. Todos os itens listados acima já teriam sido recuperados de maneira arqueológica.

Megan E. Springate, candidata a PhD em Arqueologia, na Universidade de Maryland, e autora do livro "Coffin Hardware in Nineteenth-century America" também não está convencida de que os caixões-torpedo tivessem realmente saído das páginas dos catálogos de patentes
Ainda segundo Megan, outros aspectos do setor funerário dos Estados Unidos também dissuadiam o roubo de corpos, incluindo o enterro em caixas de transporte seladas como se fossem cofres improvisados, a utilização de mecanismos de travamento escondidos nas tampas dos caixões, e a utilização de caixas de ferro fundido
Por falar em notícias, em uma edição de um jornal diário chamado "Topeka State Journal", da cidade de Topeka, no estado norte-americano do Kansas, de 1889, chegou a comentar sobre o túmulo de uma extravagante senhora chamada William C. Whitney, cujo corpo teria sido adornado com joias, e que possuía mecanismos de proteção bem agressivos.

Esse relato, cuja autenticidade é desconhecida, definia o seguinte cenário: "Sob a riqueza das flores cultivadas em estufa, que adornam o túmulo da Sra. William C. Whitney em uma colina com vista para Little Neck Meadows, a terra recém-cavada foi semeada com poderosos torpedos. O caixão está envolto deles, e a força maligna que ousasse invadir o espaço entre ele e a superfície seria convidado a uma rápida destruição." O texto ainda dizia que não havia segredos sobre os tais "torpedos", e que todos do vilarejo sabiam sobre eles. Também era mencionado que dois homens, um detetive e um patrulheiro vigiavam dia e noite o seu túmulo.

Uma edição de um jornal diário chamado "Topeka State Journal", da cidade de Topeka, no estado norte-americano do Kansas, de 1889, chegou a comentar sobre o túmulo de uma extravagante senhora chamada William C. Whitney, cujo corpo teria sido adornado com joias, e que possuía mecanismos de proteção bem agressivos
Em uma noite de janeiro de 1881, três profanadores de túmulos acabaram se dando muito mal, quando tentaram roubar um corpo de um cemitério em Mount Vernon, no estado norte-americano de Ohio. Um dos ladrões, bem ou mal, acabou sendo enviado para o próprio túmulo. "A história conta que, ao escavar o túmulo, as picaretas entraram em contato com um torpedo, que explodiu, matando um dos ladrões, chamado Dipper e destroçando a perna de outro", dizia uma notícia publicada no jornal "Stark County Democrat", no dia 20 de janeiro de 1881. O terceiro indivíduo, que felizmente tinha a função de vigia, não teria ficado ferido, e teria salvado seu colega machucado.

Em uma noite de janeiro de 1881, três profanadores de túmulos acabaram se dando muito mal, quando tentaram roubar um corpo de um cemitério em Mount Vernon, no estado norte-americano de Ohio. Um dos ladrões, bem ou mal, acabou sendo enviado para o próprio túmulo
Os caixões-torpedo, no entanto, não eram o único método de proteção de túmulos. Algumas famílias contratavam vigias armados, que ficavam atentos nas proximidades dos túmulos ou em verdadeiras "torres de observação ou vigilância", que eram construídas nos cemitérios. Também existiam as chamadas "armas de cemitérios", que eram populares na Europa, e geralmente se tratavam de armas municiadas ou desmuniciadas colocadas acima do solo, sendo espalhadas pelos cemitérios. O gatilho das respectivas armas era amarrado com um fio em diversos pontos considerados estratégicos.

Torre de vigilância construída no Cemitério Glasnevin, em Dublin, na Irlanda
Torre de vigilância construída no interior do Cemitério Dalkeith, na Escócia
Se algum ladrão desavisado acabasse encostando em um desses fios, o simples som de um tiro poderia assustá-lo ou então uma arma municiada poderia efetivamente matá-lo. Aliás, é interessante destacar que as armas eram "geralmente" desmuniciadas durante o dia, visto que os cemitérios recebiam os familiares, que iam prestar suas últimas homenagens aos seus entes queridos.

Nesse ponto é interessante notar, que entre os séculos XVI e XIX, na Europa, o roubo de túmulos era um problema social gritante, visto que as escolas de Medicina e os médicos também clamavam por mais corpos para praticar a dissecação. Esse foi um dos principais motivos que levaram a criação das tais "armas de cemitérios", uma adaptação de um tipo de arma conhecido em inglês como "set-gun", por volta do século XVIII (muito embora esse esquema já existisse desde o século XV), que era montada sobre uma cerca e disparava quando algo ou alguém tropeçasse em um fio. Era a solução mais fácil para manter animais selvagens ou ladrões afastados dos cemitérios.

Uma "arma de cemitério" permanece em exibição pública no Museu de Arte do Luto no Cemitério Nacional de Arlington, em Drexel Hill, no estado norte-americano da Pensilvânia. A arma teria sido fabricada em 1707.
Maiores detalhes da arma que está em exibição pública no Museu de Arte do Luto no Cemitério Nacional de Arlington
Assim sendo, uma arma municiada, plantada de forma segura em um local estratégico e um fio que passava por uma área onde um intruso poderia invadir eram extremamente eficazes. No entanto, essas armas geralmente eram montadas sobre blocos de madeira, para que pudessem ser facilmente colocadas em qualquer lugar do cemitério. Os visitantes sabiam muito bem da existência dessas armas e dos fios que, conforme mencionamos anteriormente "geralmente" eram desmuniciadas durante o dia. Muitas vezes, durante o entardecer, alguns vigias mudavam o posicionamento das mesmas para que os ladrões não soubessem exatamente elas estariam. 

Essas armas eram bem populares na Grã-Bretanha até 1827, quando foram proibidas. A proibição acabou dando origem aos "Mortsafes" ou gaiolas de ferro, que adicionavam uma camada de proteção sobre os túmulos, e que se tornaram bem populares pela Europa, muito embora não tivesse muitos adeptos nos Estados Unidos.

Exemplo clássico de "mortsafes" no Cemitério da Igreja de Logierait, na Escócia.
Outra versão de "mortsafe" que foi posicionado bem rente ao solo
Mais uma versão de "mortsafe", mas dessa vez destinada a proteger mausoléus
Outra versão de "mortesafe" no qual foi acrescentada uma camada de concreto sobre a estrutura de ferro ao redor do túmulo,
no Cemitério de Cluny, na Escócia
Antes da invenção dos caixões-torpedo houve ao menos 17 tumultos registrados nos Estados Unidos, nos quais cidadãos irritados invadiram faculdades de Medicina para recuperar os cadáveres roubados. No fim do século XIX e início do século XX, as leis estaduais, que por sua vez passaram a fornecer meios legais para as faculdades de Medicina reivindicar os corpos, enfraqueceram o mercado negro. Portanto, os mortos conseguiram descansar um pouco mais em paz. Em um momento que os corpos dos entes queridos podiam ser roubados por mero capricho, os caixões-torpedo talvez fornecessem uma sensação de segurança. E, ironicamente, é claro, tais armas acabaram matando quem teve a audácia de mexer com os mortos.

Para Michael Sappol, pesquisador associado do Colégio Sueco para Estudos Avançados, em Uppsala, na Suécia, e autor do livro "A Traffic of Dead Bodies: Anatomy and Embodied Social Identity in Nineteenth-Century America", aquele era um período (principalmente o século XIX, nos Estados Unidos) em que as pessoas dedicavam uma parte considerável de suas economias nos funerais, e obviamente seria gerada toda uma indústria ao redor disso, que incorporava a fabricação de caixões, mausoléus, roupas, veículos próprios, lápides, fotografias e todo e qualquer tipo de bugiganga. As vezes surgiam invenções brilhantes, que enriqueciam seus inventores, mas as vezes surgiam coisas completamente estúpidas, que acabaram caindo no esquecimento.

Para Michael Sappol, pesquisador associado do Colégio Sueco para Estudos Avançados, em Uppsala, na Suécia, e autor do livro "A Traffic of Dead Bodies: Anatomy and Embodied Social Identity in Nineteenth-Century America", aquele era um período (principalmente o século XIX, nos Estados Unidos) em que as pessoas dedicavam uma parte considerável de suas economias nos funerais, e obviamente seria gerada toda uma indústria ao redor disso
Para muitas pessoas que trabalhavam, se conseguissem economizar algum dinheiro, provavelmente seria destinado a pagar as despesas do próprio funeral ou de algum familiar. As pessoas começaram a sentir que era desesperadamente importante ter um "enterro decente." Contudo, teve um caso em específico que serviu como um "divisor de águas" nesse sentido, nos Estados Unidos.

Um Escândalo Nacional: O Caso Envolvendo o Roubo do Corpo do Congressista Norte-Americano John Scott Harrison


No rescaldo da Guerra Civil Norte-Americana, existiam inúmeros cadáveres para serem recolhidos e enterrados. A maioria das vítimas era pobre ou então não possuía um lugar para morar. Os afro-americanos e imigrantes também foram fortemente afetados. Porém, em certa ocasião, os ladrões tinham passado dos limites: o corpo de um congressista pelo Estado norte-americano de Ohio chamado John Scott Harrison foi retirado de seu túmulo e vendido a Faculdade de Medicina de Ohio.

John Scott Harrison continua sendo até hoje a única pessoa
que foi filho e o pai de presidentes dos Estados Unidos
John Scott Harrison continua sendo até hoje a única pessoa que foi filho e o pai de presidentes dos Estados Unidos: o pai, William Henry, foi o nono presidente, enquanto seu filho, o Benjamin foi o vigésimo terceiro. Por outro lado, ele também é conhecido pelo seu corpo ter sido roubado de seu túmulo e vendido para uma faculdade de Medicina, o que desencadeou um escândalo nacional.

Depois de morrer dormindo na noite de 25 de maio de 1878, aos 74 anos, o corpo de Harrison foi enterrado em North Bend, no Estado de Ohio, no dia 29 de maio daquele mesmo ano. Durante seu funeral, os familiares ficaram sabendo que o corpo de um jovem chamado Augustus Devin, que havia morrido 11 dias antes, vítima de tuberculose, tinha sido roubado. Horrorizados e preocupados com tal situação, Benjamin e seus irmãos John e Carter reforçaram o túmulo do pai, colocando três grandes placas de pedra sobre o caixão, e cobriram cimento. Depois que o cimento secou, o túmulo foi preenchido com terra, e a família pagou cerca de US$ 30 para um vigia tomar conta do túmulo por cerca de 30 noites.

No dia seguinte, John e seu primo George Eaton, munidos com um mandado de busca e com o apoio de três policiais de Cincinnati, começaram a procurar por Augustus na Faculdade de Medicina de Ohio. As escolas de Medicina eram as principais suspeitas, quando um corpo desaparecia de um cemitério naquela época, visto que costumavam "abastecer" suas aulas de Anatomia com o "material" vendido por profanadores de túmulos.

Curiosamente, na edição matinal daquele dia, do jornal "The Cincinnati Enquirer", foi mencionado que às 3h da madrugada um bugre (uma tipo de veículo) tinha entrado em um beco entre as ruas Vine e Race, próximo da Faculdade de Medicina, sendo que "algo branco foi retirado e teria desaparecido" antes que o bugre deixasse rapidamente o local. Ainda segundo o jornal, a impressão geral era que algo "rígido" estava sendo contrabandeado para a Faculdade de Medicina de Ohio.

Desenho da fachada da Faculdade de Medicina de Ohio, em 1856
De qualquer forma, John, seu primo e os três policiais foram recebidos pelo zelador A.Q. (algumas vezes citado como J.Q.) Marshall, que os acompanhou durante a busca no prédio. No porão, encontraram uma calha conectada a uma porta, que dava para o beco, que também de conectava a uma espécie de poço vertical, que ultrapassava a altura do prédio. Em outros locais, eles já tinham encontrados caixas de diversas partes de corpos: um estudante cortado na altura do peito, a cabeça de uma mulher negra e o corpo de um bebê de apenas seis meses de idade, mas nada do Augustus Devin.

Finalmente, Marshall insistiu que ele precisava alertar a faculdade sobre o que estava acontecendo, então o detetive Snelbaker o deixou ir, mas colocou um investigador para seguir os seus passos. Sem querer, Marshall os levou para uma sala no andar superior, que tinha uma espécie de guincho com uma corda, que descia até um buraco quadrado no chão. O buraco abria para aquela espécie de poço, que eles tinham visto no porão. Pelo que parecia, essa espécie de guincho era usado para erguer os cadáveres para os andares superiores.

Sem querer, Marshall os levou para uma sala no andar superior, que tinha uma espécie de guincho com uma corda, que descia até um buraco quadrado no chão. O buraco abria para aquela espécie de poço, que eles tinham visto no porão. Pelo que parecia, essa espécie de guincho era usado para erguer os cadáveres para os andares superiores
O detetive Snelbaker percebeu que a corda estava tensionada. Ele girou a manivela, e lentamente ergueu o corpo nu de um homem, cuja cabeça estava coberta por um pano. Inicialmente, John descartou a possibilidade de ser Augustus. O corpo era de um homem idoso, relativamente robusto, e não o corpo fragilizado de um jovem de 23 anos que estavam procurando. O detetive Snelbaker sugeriu que ele verificasse mesmo assim, então Harrison tirou o pano da cabeça do homem, e ele teve uma visão aterradora. "É o meu pai", disse Harrison, ofegante. John Scott Harrison, cujo funeral havia sido realizado há menos de 24 horas, tinha sido despejado pela calha às 3h da manhã, não Augustus Devin (o corpo de Devin foi posteriormente descoberto em cubas na Universidade do Michigan).

Familiares que visitaram o túmulo de Harrison também descobriram sobre o roubo. As pedras tinham sido deslocadas, o caixão tinha sido perfurado e a tampa foi arrancada para que o corpo pudesse ser amarrado pelos pés e puxado para fora. Provavelmente, os ladrões tinham participado do enterro e visto as medidas que tinha sido tomadas, caso contrário não saberiam exatamente como lidar com as camadas extras de proteção. Aliás, o vigia contratado não tinha nenhuma explicação para dar sobre como aquilo tinha acontecido sob sua suposta supervisão.

O irmão de George Eaton, Archie, e Carter Harrison foram para Cincinnati para contar às suas famílias o que havia acontecido. Carter disse a John que o corpo de seu pai havia sido roubado; John disse a Carter que ele já sabia, porque ele tinha encontrado o corpo. O zelador acabou sendo preso por receptação ilegal e ocultação do cadáver de John Scott Harrison, mas sua permanência atrás das grades seria bem curta, visto que a faculdade pagou sua fiança no valor de US$ 5.000 (um valor consideravelmente alto para aquela época).

Atualmente os restos mortais de John Scott Harrison encontram-se em um memorial estadual na cidade de North Bend, em Ohio
John Scott Harrison está sepultado ao lado de seu pai e de seu filho nesse mesmo memorial na cidade de North Bend
A Faculdade de Medicina foi execrada pela imprensa, mas não demonstrava nenhum tipo de arrependimento. Eles se lamentaram, é claro, que um indivíduo de prestígio tinha ido parar em suas salas de dissecação, em vez dos pobres habituais, mas eles insistiram que tudo isso era o preço a se pagar por um ensino de qualidade. No dia 1º de junho, o Dr. Robert Bartholow, Reitor da Faculdade de Medicina de Ohio (que quatro anos antes matou uma paciente chamada Mary Rafferty ao inserir eletrodos profundamente em seu cérebro em razão de um experimento) publicou uma declaração no jornal "Cincinnati Times" negando ter conhecimento do roubo ou responsabilidade sobre um profanador anônimo, uma vez que isso significava "reabastecer o seu tesoureiro." Naquela mesma tarde, Benjamin Harrison publicou sua indignação através de uma carta aberta:
"Seu zelador negou que isso fosse responsabilidade de vocês, mas a incisão precisa na artéria carótida, a linha com a qual foi amarrada, e as veias injetadas, fazem dele um mentiroso. Quem fez a incisão e injetou naquele corpo, senhores da Faculdade? Os cirurgiões que examinaram o trabalho, disseram que não tinha sido feito por um amador. Enquanto ele estava na mesa de vocês, a longa barba branca, que as mãos de seus netinhos tinham acariciado com tanto amor, tinha sido rudemente despojada de seu rosto. Vocês têm tão pouco cuidado com a faculdade, que um homem desconhecido, que ninguém viu, foi capaz de fazer tudo isso? Quem o tirou da mesa e o pendurou pelo pescoço no poço?"
Sem respostas e sem nenhuma acusação formal contra a faculdade, Benjamin Harrison entrou com uma ação civil. Os resultados tanto da parte criminal quanto civil foram perdidos, uma vez que todos os registros foram destruídos quando o Tribunal de Justiça do Condado de Hamilton foi incendiado em 1884, por outras motivações (não foi exatamente uma "queima de arquivo").

Os resultados tanto da parte criminal quanto civil foram perdidos, uma vez que todos os registros foram destruídos quando o Tribunal de Justiça do Condado de Hamilton pegou fogo em 1884. O incêndio começou durante uma revolta provocada pela indignação pública sobre o resultado de um julgamento por homicídio.
Em reação a esse episódio, no entanto, os estados norte-americanos de Ohio, Indiana, Illinois, Iowa e Michigan aprovaram leis que aumentavam as penas em caso de roubo de túmulos, e permitiam que as escolas de medicina usassem os corpos de pessoas não reclamadas, que morreram aos cuidados do Estado (mendigos, órfãos, mentalmente insanos, prisioneiros etc.) para "dissecação anatômica". Um exemplo disso foi a "Lei da Anatomia" promulgada em 1883 pelo Estado norte-americano da Pensilvânia.

Um exemplo disso foi a "Lei da Anatomia" promulgada em 1883 pelo Estado norte-americano da Pensilvânia.
Por outro lado, a aplicação das leis era considerada fraca e com a demanda ainda superando oferta, os profanadores ainda tinham um lucrativo comércio por todo os Estados Unidos, no início do século XX. A situação realmente melhorou por volta de 1913, quando a maioria dos estados norte-americanos já contavam com leis nesse sentido, e quando a tecnologia envolvendo a refrigeração começou a ser aperfeiçoada, permitindo que os cadáveres fossem armazenados e preservados em instituições médicas.

A microbiologia, os avanços no campo cirúrgico e os primeiros raios-X fizeram com que a dissecação anatômica fosse deixada de lado em detrimento das inovações do campo da Medicina. A Anatomia continuou sendo ministrada nas escolas de Medicina, mas primordialmente como um curso introdutório, em vez do foco central do currículo médico.

Conheça Outras Estranhas Invenções do Passado Relacionadas ao Setor Funerário


Para finalizar essa postagem, resolvi complementá-la como algumas estranhas invenções do setor funerário, que surgiram ao longo da história. Já vimos sobre os "caixões-torpedo", as "armas de cemitérios", as "torres de vigilância", e os "mortsafes", porém vale ressaltar que muitas coisas relacionadas a "morte" foram inventadas, principalmente durante o século XIX. Confira abaixo algumas dessas invenções, que separei para vocês.

1. O Alarme de Caixão


Muitos cidadãos no século XIX tinham mais medo de serem enterrados vivos do que propriamente morrer. Esse medo, no entanto, não era infundado. Devido às epidemias de cólera e febre amarela, além dos cuidados médicos rudimentares, houve diversos casos notórios de pessoas que foram enterradas vivas. Para alguns, a solução seria o "alarme de caixão", também conhecido como "caixão de segurança."

Devido às epidemias de cólera e febre amarela, além dos cuidados médicos rudimentares, houve diversos casos notórios de pessoas que foram enterradas vivas. Para alguns, a solução desse caso o "alarme de caixão", também conhecido como "caixão de segurança."
Esses dispositivos costumavam usar um sino ou qualquer outro aparelho que emitisse som, e que ao mesmo tempo pudesse ser utilizado por uma pessoa presa dentro de um caixão enterrado para alertar aqueles que estavam acima do solo. Muitos também incluíam uma espécie de escotilha, que deixava entrar ar fresco no caixão, permitindo que a vítima enterrada de forma prematura pudesse respirar até ser resgatada.

2. Os Caixões de Escape


Um primo mais elaborado do "alarme de caixão", os "caixões de escape" foram construídos para que as pessoas enterradas de forma prematura, e que não tivessem paciência para esperar que outra pessoa viesse resgatá-las, pudessem sair. Tal caixão, patenteado em 1843, e destinado a ser utilizado em mausoléus, tinha uma tampa com uma mola, que podia ser aberta com o menor movimento de uma cabeça ou da mão.

Um primo mais elaborado do "alarme de caixão", os "caixões de escape" foram construídos para que as pessoas enterradas de forma prematura, que não tivessem paciência para esperar que outra pessoa viesse resgatá-las, pudessem sair
Outro exemplo mais extremo foi do mausoléu do bombeiro aposentado Thomas Pursell, que ele projetou para si mesmo e para sua família. Localizado no Cemitério Wildwood em Williamsport, no estado norte-americano da Pensilvânia, o o mesmo poderia ser aberto por dentro, através de uma escotilha.

Outro exemplo mais extremo foi do mausoléu do bombeiro aposentado Thomas Pursell, que ele projetou para si mesmo e para sua família. Localizado no Cemitério Wildwood em Williamsport, no estado norte-americano da Pensilvânia, o o mesmo poderia ser aberto por dentro, através de uma escotilha
Thomas Pursell foi realmente enterrado nesse local em 1937, porém até hoje ele não saiu de lá.

3. As Salas de Espera Mortuárias


As salas de espera mortuárias acabaram sendo uma abordagem muito mais prática para evitar o sepultamento prematuro de pessoas. A sala foi inventada por um francês, porém foi aperfeiçoada pelos alemães no início do século XX.

As salas de espera mortuárias acabaram sendo uma abordagem muito mais prática para evitar o sepultamento prematuro de pessoas. A sala foi inventada por um francês, porém foi aperfeiçoada pelos alemães no início do século XX
O funcionamento era bem simples. Os cadáveres eram colocados em majestosos salões e monitorados, dia e noite, em busca de sinais de que a pessoa pudesse estar viva, ou melhor, que não estivesse se decompondo. Algumas vezes, fios ligados a sinos eram amarrados ao redor dos dedos das mãos e dos pés dos corpos. Imaginem o que acontecia quando batia um vento.

4. O Caixão de Ferro Fundido


Já falamos sobre o caixão de ferro fundido para evitar o roubo de corpos, porém ele entra novamente nessa lista por um outro motivo bem peculiar. Um inventor chamado Almond D. Fisk não estava tão preocupado em relação ao enterro prematuro de pessoas, mas com a demora de um corpo para ser enterrado, ao ser transportado, por exemplo, para o outro lado do oceano, o que demoraria semanas no século XIX. Em 1848, ele patenteou seu caixão de ferro fundido, que poderia preservar os corpos por longos períodos de tempo.

Um inventor chamado Almond D. Fisk não estava tão preocupado em relação ao enterro prematuro de pessoas, mas com a demora de um corpo para ser enterrado, ao ser transportado, por exemplo, para o outro lado do oceano, o que demoraria semanas no século XIX
De forma semelhante a um sarcófago egípcio, esses caixões ornamentais também incluíam placas dianteiras articuladas, na altura da cabeça, que poderiam ser abertas para revelar o rosto do falecido através de um painel de vidro.

5. O Caixão Reutilizável


O imperador da Áustria, José II, foi o imperador do Sacro Império Romano-Germânico de 1765 a 1790. Por volta de 1784, ele ficou tão preocupado com o interesse crescente de Viena pela morte e pelos funerais extravagantes (sem mencionar os gastos com madeira e os espaços destinados a cemitérios), que ele instituiu o uso de um caixão reutilizável.

O imperador da Áustria, José II, era o imperador do Sacro Império Romano-Germânico de 1765 a 1790. Por volta de 1784, ele ficou tão preocupado com o interesse crescente de Viena pela morte e pelos funerais extravagantes (sem mencionar os gastos com madeira e os espaços destinados a cemitérios), que ele instituiu o uso de um caixão reutilizável
O caixão de madeira continha uma espécie de alçapão no fundo, na qual os cadáveres, envolvidos em sacos, eram discretamente retirados de seus túmulos. O caixão poderia então ser reutilizado para outros funerais, o que evitaria o desperdício de madeira e aceleraria a decomposição dos mortos de Viena. Os moradores de Viena ficaram completamente indignados com essa invenção de José II, e o caixão reutilizável acabou sendo abolido.

Enfim, AssombradOs, espero que vocês tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre os caixões-torpedo, sobre os outros métodos de proteção de túmulos que acabaram sendo adotados no decorrer da história, assim como as estranhas invenções que surgiram, principalmente no século XIX para o setor funerário. É algo que não se comenta muito, mas que fiz questão de trazer, porque isso efetivamente aumenta o conhecimento de vocês, em um mundo cada vez menor para uma informação de qualidade!

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://io9.gizmodo.com/5933858/19th-century-coffin-torpedos-shot-would-be-grave-robbers
http://mentalfloss.com/article/59584/7-weird-graveyard-inventions
http://mentalfloss.com/article/64221/body-snatching-horror-john-scott-harrison
http://spartanideas.msu.edu/2015/07/28/grave-guns-coffin-torpedos-and-other-methods-of-protecting-your-bones-from-thieves/
http://www.atlasobscura.com/articles/coffin-torpedos
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4665160/Coffin-torpedoes-used-post-Civil-War-era.html
http://www.guns.com/2012/08/06/cemetery-guns-grave-torpedoes/
http://www.journalofthebizarre.com/2016/05/the-coffin-torpedo.html
http://www.neatorama.com/2012/08/10/A-Gun-Designed-to-Fit-inside-a-Coffin-and-Shoot-Grave-Robbers/
http://www.ohiohistorycentral.org/w/Grave-robbing?rec=2701
http://www.theparanormalguide.com/blog/grave-guns-and-coffin-torpedoes
https://bonesdontlie.wordpress.com/2015/07/28/grave-guns-coffin-torpedos-and-other-methods-of-protecting-your-bones-from-thieves/
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