14 de julho de 2017

A Fera do Pontilhão: Um "Monstro" e "Assombrações" Estariam há Décadas Aterrorizando os Moradores da Cidade de Juatuba/MG?


Por Marco Faustino

Na segunda-feira passada (10), resolvi abordar um triste caso envolvendo um senhor chamado Edson Carvalho, 45 anos, que encontrou um mausoléu abandonado no Cemitério Municipal de Marialva, no Estado do Paraná, e fez do local o seu lar. Um homem que conseguia ganhar entre R$ 600 a R$ 700 por mês, atuando em serviços de construção, incluindo obras no próprio cemitério, e cujas refeições diárias acabavam sendo parte de seu próprio pagamento. Edson teria ido parar nas ruas após a morte dos pais. Assim sendo, no pequeno e apertado "mausoléu", com dimensões de 1,8 x 2,4 m, ele passou a dormir enrolado em velhos cobertores, mesmo nos dias mais frios, e no meio de insetos. Sem dúvida alguma foi um caso, que mexeu muito comigo, visto que uma determinada reportagem realizada por um veículo de mídia local dizia que a condição de vida de Edson parecia não incomodar os habitantes de Marialva, cidade que tinha sua base econômica sustentada pela agricultura e pelo cultivo de uvas finas. Edson Carvalho havia se tornando uma figura folclórica no município sendo adjetivado por alguns como "morto-vivo" ou "sem terra." Para completar a situação, um pedreiro chamado Leonel Batista, que trabalhava no cemitério, acreditava que o homem era "alvo de uma maldição." Ao longo do postagem foi possível notar claramente o nível e a profundidade da situação, onde até mesmo um repórter acostumado a conduzir as matérias de forma bem humorada, ficou visivelmente transtornado com a situação daquele senhor. Enfim, torço para ler novamente sobre ele, e saber que ele está morando em um lugar digno como todo brasileiro deveria ter direito (leia mais: Conheça Edson Carvalho: O Homem que Mora há 11 Anos em um "Mausoléu Abandonado" no Cemitério Municipal de Marialva/PR).

Agora, resolvi "visitar" o Estado de Minas Gerais, um território repleto de lendas e supostos casos de assombrações e criaturas horrendas, que fazem parte tanto do folclore quanto das lendas urbanas, que circulam pelas mais diversas cidades mineiras. No início de junho do ano passado, havia realizado uma matéria sobre os contos e as assombrações da cidade de São João del-Rei e região, que foi muito bem recebida por todos vocês. Além disso, aproveitei para ajudar a promover um espetáculo chamado "Lendas São Joanenses", que promove um trabalho belíssimo para manter a riqueza cultural "assombrosa" da cidade de São João del Rei viva dentro dos corações dos turistas e do novos moradores locais, ainda que muitos deles sejam apenas temporários. Vale muito a pena conferir (leia mais: Conheça as Lendas de São João del-Rei e Região: Os Contos e as Assombrações nas Ruas do Interior de Minas Gerais).

Entretanto, dessa vez vamos falar sobre um suposto "monstro" apavorante, que há décadas estaria aterrorizando os moradores da cidade de Juatuba, uma cidade mineira que fica bem próxima de Belo Horizonte. Os moradores locais contam que a criatura apareceria em um local chamado "pontilhão", que nada mais é do que uma pequena ponte férrea, que existe na cidade, que ainda está em atividade. Esse tal monstro costumava aparecer ou atacar justamente quando as pessoas chegavam na metade da ponte. Para completar, o local ainda seria mal-assombrado, visto que as almas daqueles que morreram durante a construção da ponte ainda vagariam pela mesma. Inevitavelmente, essa história me lembrou de um incidente que ocorreu no ano passado, quando uma jovem morreu ao tentar investigar a lenda do "Monstro de Pope Lick" (também conhecido como "Homem-Bode" ou "Homem-Cabra", muito embora essa terminologia tenha nascido a partir de lendas no estado norte-americano de Maryland). Esse monstro atacaria as pessoas com um machado ensanguentado na ponte férrea Pope Lick, no estado norte-americano do Kentucky, porém a morte da jovem teria sido por total e completa imprudência! Será que o suposto "monstro" brasileiro teria alguma relação ou semelhança? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Pouco Sobre a Cidade de Juatuba, no Estado de Minas Gerais


Normalmente, ou melhor dizendo, sempre que possível e quando há tempo hábil, sempre gosto de contar um pouco sobre a cidade onde determinados casos ou lendas ocorrem. Acredito que essa seja uma parte importante para uma melhor compreensão em relação ao conteúdo que é divulgado, e muitas vezes pode nos auxiliar a entender como certas ocorrências acabam tomando uma proporção bem maior do que o esperado. Aliás, em um país de dimensões continentais, é virtualmente muito difícil conhecer um pouco de cada cidade, razão pela qual faço questão de iniciar por essa parte, que geralmente é bem curta, não se preocupem.

Assim sendo, é interessante dizer que Juatuba é uma pequena cidade localizada no chamado "vetor Oeste" da Região Metropolitana de Belo Horizonte (cerca de 60 km de distância da capital mineira), cuja estimativa populacional do IBGE, em relação ao ano passado, apontava que a cidade teria pouco mais de 25 mil habitantes. O nome atual do município, anteriormente conhecido por "Varginha", teria origem indígena, e passou a ser adotado em 1911. O nome seria uma combinação entre "Ayú á" (vem do Juá, que por sua vez seria uma fruta colhida dos espinhos) e Tuba (o Sítio dos Juás), portanto, Juatuba. Interessante, não é mesmo?



Visão aérea de um trecho de Juatuba, que é uma pequena cidade localizada no chamado "vetor Oeste" da Região Metropolitana de Belo Horizonte (cerca de 60 km de distância da capital mineira), cuja estimativa populacional do IBGE, em relação ao ano passado, apontava que a cidade teria pouco mais de 25 mil habitantes
De acordo com o site da prefeitura, o povoamento de Juatuba iniciou-se ao redor da estação ferroviária da antiga "Rede Mineira de Viação". O primeiro registro de habitação da região vincula-se ao chamado "Ciclo do Ouro", sendo a Serra de Santo Antônio ou Serra de Santa Cruz, os principais pontos de infiltração dos bandeirantes oriundos das cidades de Ouro Preto e Mariana.

Os bandeirantes Fernão Dias, Borba Gato, Mateus Leme entre tantos outros, vindos dessas cidades em busca do ouro, enfrentaram dificuldades ao atravessar o Rio Paraopeba, e acabaram fundando os povoados de Mateus Leme e Esmeraldas. Portanto, em busca de um ponto de referência, os mesmos passavam por Juatuba, que oferecia todas as condições para suas paradas.

De acordo com o site da prefeitura, o povoamento de Juatuba
iniciou-se ao redor da estação ferroviária da antiga "Rede Mineira de Viação"
Visão aérea da praça no centro da cidade de Juatuba
Em 1948, o povoado de Juatuba foi elevado a distrito, pertencente ao município de Mateus Leme. Com a expansão de Juatuba, a partir da década de 1970, verificou-se uma grande demanda por áreas adequadas ao seu crescimento. Ainda no início daquela década, o Instituto Brasileiro de Café iniciou uma campanha de implantação de uma nova economia de cafeicultura na região. Foram gerados mais de 800 empregos, iniciando, dessa forma, o progresso e gerando diversas demandas na região.

Em 1978, a empresa "H. F. Empreendimentos Imobiliários" colocou à venda 100 lotes destinados às pessoas de baixa renda, implantando novas áreas, denominadas atualmente de "Cidade Nova I e II." Consequentemente à implantação ferroviária, os caminhos de cavaleiros e tropas do Curral Del Rey, Oliveira e Esmeraldas se transformaram em estradas. Era o progresso chegando e transfigurando o trajeto por onde passava. As estradas se cruzavam no local onde está situada Juatuba, e onde se encontrava a "Estação Rede Oeste de Minas Ferrovia."

Consequentemente à implantação ferroviária, os caminhos de cavaleiros e tropas do Curral Del Rey, Oliveira e Esmeraldas se transformaram em estradas. Era o progresso chegando e transfigurando o trajeto por onde passava
Esse foi o começo do crescimento de Juatuba, que ainda era distrito de Mateus Leme. Toda sua arrecadação era dividida com a Sede e demais distritos. O desenvolvimento se deu, principalmente, no setor agropecuário com a plantação de eucaliptos e de café, além da criação de gado e implantação da Cervejaria Brahma. Com o passar do tempo surgiu, naturalmente, o movimento emancipativo, sendo formada uma comissão encarregada de organizar a luta pela emancipação do distrito, para se tornar município.

A emancipação política de Juatuba aconteceu em 1992. Tornando-se município, Juatuba conservou muitas de suas características tradicionais, mas começou a receber imigrantes à procura de empregos e mais qualidade de vida, o que ocasionou a formação de novos bairros.

Com o passar do tempo surgiu, naturalmente, o movimento emancipativo, sendo formada uma comissão encarregada de organizar a luta pela emancipação do distrito, para se tornar município. A emancipação política de Juatuba aconteceu em 1992
Tornando-se município, Juatuba conservou muitas de suas características tradicionais, mas começou a receber imigrantes à procura de empregos e mais qualidade de vida, o que ocasionou a formação de novos bairros
Enfim, conforme vocês podem notar, a malha ferroviária e a estação ferroviária foram elementos muito importantes para o desenvolvimento de Juatuba, sendo que é justamente nos arredores de uma ponte férrea onde viveria um monstro apavorante, que assustaria ou atacaria todos aqueles que passam por ela durante a noite ou madrugada. É justamente sobre esse tal "monstro", que iremos conferir a partir de agora.

A "Fera do Pontilhão": Um Monstro que Atacaria as Pessoas ao Atravessarem uma Ponte Férrea na Cidade de Juatuba/MG


Provavelmente, não ficaríamos sabendo desse suposto monstro se não fosse uma reportagem realizada por uma equipe da RecordTV Minas, que foi exibida na sexta-feira passada (7), no programa "Balanço Geral MG", que inaugurou a nova temporada do quadro "Você Acredita?" Portanto, provavelmente, ainda iremos divulgar outras histórias eventualmente interessantes para vocês a partir desse quadro, obviamente acrescentando maiores detalhes e informações sobre as mesmas, sempre que houver disponibilidade. Resumindo, essa não é uma mera resenha de uma reportagem qualquer, mas uma base em vídeo para que eu possa explorar e detalhar posteriormente, o que foi comentado na mesma. Afinal de contas, é sempre muito importante pesquisar outras fontes e não usar apenas o que um único veículo de comunicação menciona, independente de quem seja.

Bem, quem foi conferir de perto essa história, foi o próprio apresentador do "Balanço Geral MG", o Mauro Tramonte, que conversou com uma historiadora chamada Sônia dos Anjos, que por sua vez contou que a história surgiu com a construção da linha férrea, há mais de 100 anos, na cidade que era contornada por fazendas. De acordo com Sônia, diversos trabalhadores que participaram das obras, acabaram morreram no local onde a criatura atacaria, um lugar chamado "pontilhão", que nada mais seria do que uma "ponte férrea" local, devido as condições precárias de higiene. Atualmente, no entanto, os espíritos desses trabalhadores ainda vagariam pelo lugar.

De acordo com Sônia, diversos trabalhadores que participaram das obras, acabaram morreram no local onde a criatura atacaria, um lugar chamado "pontilhão", que nada mais seria do que uma "ponte férrea" local, devido as condições precárias de higiene. Atualmente, no entanto, os espíritos desses trabalhadores ainda vagariam pelo lugar.
Os relatos, de quem já disse ter avistado a fera e as "assombrações" seriam sempre os mesmos: a suposta criatura apareceria para quem estivesse passando pelo "pontilhão" e, em seguida, seria a vez dos tais espíritos, ou seja, dois supostos "fenômenos sobrenaturais" ao mesmo tempo. Sônia dos Anjos, que também é moradora da cidade, garantiu que, quando era criança, um vizinho dela teria sido atacado por essa criatura, que ficou conhecida como "Fera do Pontilhão", que teria desaparecido quando o mesmo resolveu se afastar da pequena ponte. Confira a reportagem abaixo, que foi publicada em um canal de terceiros, no YouTube (iremos comentá-la a seguir):



Na chamada "cabeça da reportagem" podemos ver o apresentador Mauro Tramonte, na antiga estação ferroviária da cidade de Juatuba, ressaltando que a mesma não estava completamente abandonada, visto que ainda passavam trens pelo local.

Na chamada "cabeça da reportagem" podemos ver o apresentador Mauro Tramonte, na antiga estação ferroviária da cidade de Juatuba, ressaltando que a mesma não estava completamente abandonada, visto que ainda passavam trens pelo local.
Em seguida, nos deparamos com o apresentador acompanhado da historiadora Sônia dos Anjos, explicando justamente aquilo que já havíamos mencionado, ou seja, que trabalhadores, no passado, teriam morrido durante a construção da ponte férrea. Contudo, ela acrescentou que, as almas das pessoas, que teriam sido atropeladas pelos trens também assombrariam o local. Já em relação a suposta criatura, que atacaria os moradores naquele local, a mesma "lembraria um porco, um leão ou um cachorro."

Assim sendo, de acordo com o que se conta na cidade Juatuba, quem ousasse atravessar o pontilhão durante noite, principalmente durante a madrugada, fatalmente se encontraria com a criatura.

Em seguida, nos deparamos com o apresentador acompanhado da historiadora Sônia dos Anjos, explicando justamente aquilo que já havíamos mencionado, ou seja, que trabalhadores, no passado, teriam morrido durante a construção da ponte férrea
Contudo, ela acrescentou que, as almas das pessoas, que teriam sido atropeladas pelos trens também assombrariam o local. Já em relação a suposta criatura, que atacaria os moradores naquele local, a mesma "lembraria um porco, um leão ou um cachorro."
Entretanto, é necessário dizer que a história contada por Sônia é no mínimo questionável. Ela disse que havia um vizinho, que era sanfoneiro, sendo que o mesmo teria alegado ter ficado frente a frente com a criatura, quando estava mais ou menos no meio da ponte férrea. De repente, ele teria ouvido um barulho no mato (lembrando que a ponte corta um ribeirão chamado Serra Azul). Então, quando ele conseguiu firmar sua visão, em meio ao névoa, em uma das extremidades da ponte teria aparecido a suposta fera, rosnando para ele.

Sônia disse que havia um vizinho, que era sanfoneiro, sendo que o mesmo teria alegado ter ficado frente a frente com a criatura, quando estava mais ou menos no meio da ponte férrea
De repente, ele teria ouvido um barulho no mato (lembrando que a ponte corta um ribeirão chamado Serra Azul). Então, quando ele conseguiu firmar sua visão, em meio ao névoa, em uma das extremidades da ponte teria aparecido a suposta fera, rosnando para ele
Apesar de estar assustado e acreditando ter sido efeito da "bebedeira", ele tentou se aproximar da criatura, que também teria se movimentado em sua direção. Quando o homem percebeu que se tratava de algo desconhecido, que ele nunca tinha visto antes, ele resolveu fugir, porém a criatura teria corrido atrás dele. Assim que ele se aproximou da estação ferroviária, a criatura teria desaparecido. Desde então a criatura não teria sido mais vista, quer dizer, ao menos não que a historiadora tivesse conhecimento.

Quando o homem percebeu que se tratava de algo desconhecido, que ele nunca tinha visto antes, ele resolveu fugir, porém a criatura teria corrido atrás dele. Assim que ele se aproximou da estação ferroviária, a criatura teria desaparecido.
De acordo com o apresentador Mauro Tramonte, a situação de quem passava por aquele local há 50 ou 80 anos atrás deveria ser muito complicada, visto que provavelmente não havia nada ao redor e nem sequer iluminação, ou seja, seria uma escuridão total.

Ainda segundo a historiadora, aquela região seria um local de muito sofrimento, visto que a história de Juatuba teria começado em 1709 com a chegada dos bandeirantes, muito embora o município tivesse conseguido sua emancipação há 25 anos. A referência seria em relação aos escravos, que teriam sofrido nas mãos dos seus senhores, muito antes da construção da estrada de ferro, visto que, no passado, a região teria sido repleta de fazendas. Curiosamente, muitos moradores ainda teriam medo de atravessar a ponte durante a noite, justamente com medo dessa fera.

De acordo com o apresentador Mauro Tramonte, a situação de quem passava por aquele local há 50 ou 80 anos atrás deveria ser muito complicada, visto que provavelmente não havia nada ao redor e nem sequer iluminação, ou seja, seria uma escuridão total
Ainda segundo Sônia, aquela região seria um local de muito sofrimento, visto que a história de Juatuba teria começado em 1709 com a chegada dos bandeirantes. A referência seria em relação aos escravos, que teriam sofrido nas mãos dos seus senhores, muito antes da construção da estrada de ferro, visto que, no passado, a região teria sido repleta de fazendas
Evidentemente, o apresentador foi até a ponte férrea durante a noite, acompanhado de sua equipe, da Sônia dos Anjos, e de um grupo de pessoas. Em um determinado ponto, Mauro Tramonte indagou se aquele seria o local onde a criatura apareceria. Em resposta, Sônia disse que, segundo alguns relatos, seria ali mesmo. Esse ponto é interessante, visto que foi apresentado apenas um único relato, ou seja, do seu vizinho sanfoneiro, que tinha bebido na noite em que teria avistado a suposta criatura. Não sabemos quais são esses outros relatos.

Evidentemente, o apresentador foi até a ponte férrea durante a noite, acompanhado de sua equipe,
da Sônia dos Anjos, e de um grupo de pessoas
Em um determinado ponto, Mauro Tramonte indagou se aquele seria o ponto onde a criatura apareceria. Em resposta, Sônia disse que, segundo alguns relatos, sim. Esse ponto é interessante, visto que foi apresentado apenas um único relato, ou seja, do seu vizinho sanfoneiro, que tinha bebido na noite em que teria avistado a suposta criatura
Agora, ao ser questionada se ela acreditava na existência da "Fera do Pontilhão", Sônia ergueu suas sobrancelhas, em um claro tom de incerteza, porém rapidamente disse que tinha ouvido sua mãe contar tais histórias, inclinando sua cabeça para a direita, ou seja, sua mãe muito provavelmente teria realmente lhe contado tais histórias. Portanto, apesar da hesitação em querer expressar sua própria opinião, Sônia preferiu dizer que não duvidava da palavra de sua mãe, e que não podia duvidar de nada nessa vida. Será mesmo?

Um ponto interessante que preciso destacar, é que essa ponte férrea que apareceu na reportagem do "Balanço Geral-MG", como sendo o "pontilhão de Juatuba", e que corta o ribeirão Serra Azul, não é o mesmo "pontilhão" apontado por diversos moradores da cidade de Juatuba. É possível notar que existe uma outra ponte férrea na cidade, também denominada de "pontilhão", bem mais extensa, e que corta o rio Paraopeba!

Um ponto interessante que preciso destacar, é que essa ponte férrea que apareceu na reportagem do "Balanço Geral-MG", como sendo o "pontilhão de Juatuba", e que corta o ribeirão Serra Azul, não é o mesmo "pontilhão" apontado por diversos moradores da cidade de Juatuba
Em uma rápida busca no YouTube, também é possível notar diversos vídeos publicados sobre o nível elevado do Rio Paraopeba, no ano de 2012, onde essa outra ponte férrea é mencionada como "pontilhão" (clique aqui para assistir um desses vídeos). Existem também outros vídeos de caráter informativo que mencionam que essa outra ponte em questão seria conhecida dessa forma (clique aqui para assistir ao trecho onde isso é mencionado).

Por outro lado, é importante notar que esse pontilhão fica bem mais distante da antiga estação ferroviária de Juatuba, ou seja, de acordo com o que foi contado pela Sônia dos Anjos, a criatura ficaria em um pontilhão próximo da antiga estação. Portanto, a ponte férrea exibida na reportagem seria mesmo o local onde a suposta criatura atacaria.

Por outro lado, é importante notar que esse pontilhão fica bem mais distante da antiga estação ferroviária de Juatuba, ou seja, de acordo com o que foi contado pela Sônia dos Anjos, a criatura ficaria em um pontilhão próximo da antiga estação
Agora, se existe alguma outra "lenda" sobre esse pontilhão que corta o rio Paraopeba, é outra história.

A "Fera do Pontilhão" Realmente Existe? Existem Outras Lendas (ou "Causos") que são Contadas em Juatuba/MG?


Apesar de não querer estragar o imaginário popular, tudo indica que a "Fera do Pontilhão" seja tão somente uma lenda, e que toda a história contada sobre o tal vizinho de Sônia seja um "causo", que por sua vez, nada mais é do que uma história (representando fatos verídicos ou não), geralmente contada de forma engraçada (embora essa seja praticamente uma "história assombrada"), com objetivo lúdico. Infelizmente, não há registros documentais do avistamento dessa tal criatura, sendo que a noite é possível ver que existem casas bem próximas do "pontilhão." Bastaria tentar entrevistar alguns moradores locais, para saber desde quando não se escutava falar sobre a mesma, e a possibilidade de ainda existir (se é que um dia existiu) naquela região> Isso não foi feito durante a reportagem, que tinha muito mais o objetivo de entreter do que investigar.

De qualquer forma, encontrei uma pequena página no Facebook chamada "Causos Assombrosos de Juatuba-MG", que conta justamente alguns "causos" da cidade, tais como: "A Professora Fantasma", "Saiona" (também conhecida como "Mulher Comprida"), "As Almas Penadas da Linha Férrea", "O Fantasma do Juiz do Campo de Futebol" e um muito curioso chamado de "O Fantasma do Pontilhão."

De qualquer forma, encontrei uma pequena página no Facebook chamada "Causos Assombrosos de Juatuba-MG", que conta justamente alguns "causos" da cidade, tais como: "A Professora Fantasma", "Saiona" (também conhecida como "Mulher Comprida"), "As Almas Penadas da Linha Férrea", "O Fantasma do Juiz do Campo de Futebol" e um muito curioso chamado de "O Fantasma do Pontilhão."
Nesse último "causo" é contado que "logo após a Estação Ferroviária, costumava aparecer uma fera fantasmagórica, que assustava as pessoas que se atreviam a atravessá-lo altas horas da noite. Quem ousasse atravessá-lo, deparava-se com esse monstro, meio lobo, meio homem, meio porco, muito peludo, de presas alongadas. Aparecia bem na pontinha do pontilhão. Antes, porém, assustava as pessoas mexendo-se no mato e uivando, roncando e rosnando ferozmente. Conta-se também que um senhor, depois de se embriagar, ousou atravessar o pontilhão e deparou-se com a tal fera. Contudo, resolver sacar o seu revólver e atirar sobre a fera que sumiu numa nuvem de fumaça... Assustado, ele resolveu correr. Porém, a fera o acompanhou pela mata até que ele chegou à estação ferroviária. Depois disso ele foi ficando tristonho, doente e amargo. Até que tirou a própria vida. Por muitas vezes essa fera apareceu assustando as pessoas da cidade, porém ninguém nunca mais ousou atirar contra ela. Apenas esperam que ela desapareça ou tentam se esconder até que ela vá embora."

Essa versão é um pouco mais sombria do que aquela contada por Sônia dos Anjos, porém tudo indica que estejamos falando da mesma pessoa, que pode ter ou não existido, afinal de contas é simplesmente um "causo." Sinceramente, gostaria muito de acreditar que fosse mesmo verdade, porém não posso ser injusto com vocês, que estão acostumados com a seriedade com que lido com os temas de cunho sobrenatural ou paranormal. Aliás, caso queiram conhecer os demais "causos" recomendo que acessem a página do "Causos Assombrosos de Juatuba-MG", no Facebook, visto que essa é uma forma de incentivar o trabalho feito pelos responsáveis da página.

A Inevitável Semelhança com a Lenda Urbana do "Monstro de Pope Lick", nos Estados Unidos


Conforme mencionamos no início dessa postagem, essa história lembra muito uma lenda urbana sobre o "Monstro de Pope Lick", uma criatura criptozoológica, que seria uma espécie de "homem-bode", com um corpo grotescamente deformado, pernas fortes cobertas de pelo de bode/cabra, um nariz aquilino e olhos grandes. A suposta criatura também teria chifres salientes na testa, curtos e afiados. Além disso, existem algumas histórias que, inclusive, dizem que a mesma seria metade homem e metade carneiro.

Conforme mencionamos no início dessa postagem, essa história lembra muito uma lenda urbana sobre o "Monstro de Pope Lick", uma criatura criptozoológica, que seria uma espécie de "homem-bode", com um corpo grotescamente deformado, pernas fortes cobertas de pelo de bode/cabra, um nariz aquilino e olhos grandes
O "Monstro de Pope Lick" tem esse nome devido a ponte férrea onde ele supostamente apareceria, a "Pope Lick Trestle", que possui cerca de 235 metros de comprimento e cerca de 30 metros de altura (dimensões muito superiores a ponte férrea em Juatuba).

Embora um trem leve apenas poucos segundos para alcançar o lado oposto, na ponte férrea Pope Lick, visto que geralmente os trens passam por aquele local a mais de 40 km/h, uma composição inteira demoraria cerca de 5 a 7 minutos para atravessar a ponte. Aliás, essa ponte férrea está localizada nos arredores da cidade de Louisville, no estado norte-americano do Kentucky, bem próximo do famoso Sanatório de Waverly Hills.

O "Monstro de Pope Lick" tem esse nome devido a ponte férrea onde ele supostamente apareceria, a "Pope Lick Trestle", que possui cerca de 235 metros de comprimento e cerca de 30 metros de altura (dimensões muito superiores a ponte férrea em Juatuba).
Embora um trem leve apenas poucos segundos para alcançar o lado oposto, na ponte férrea Pope Lick, visto que geralmente os trens passam por aquele local a mais de 40 km/h, uma composição inteira demoraria cerca de 5 a 7 minutos para atravessar a ponte
O grande problema é o fascínio, principalmente de jovens, em querer explorar essa lenda urbana. No fim do mês de abril do ano passado, uma jovem chamada Roquel Bain, 26 anos, da cidade de Dayton, do estado norte-americano de Ohio, morreu em decorrência de múltiplos traumas em seu corpo, após ter caído dessa mesma ponte. Roquel Bain e seu namorado foram surpreendidos por um trem que estaria vindo na direção oposta em uma velocidade de 51 km/h.

Segundo a versão do namorado, apesar de estarem a pouco mais de 12 metros de distância do final da ponte, eles teriam percebido que não conseguiriam atravessá-la. Assim sendo, eles teriam decidido se pendurar nas laterais da ponte. O namorado conseguiu se pendurar e permanecer até que o trem passasse pela ponte, porém Roquel Bain sequer teria conseguido se pendurar na ponte, uma vez que ela teria sido atingida pelo trem, e sido arremessada da ponte férrea. Confira uma reportagem realizada pela WAVE-TV sobre esse caso, que foi publicada em um canal de terceiros no Youtube (em inglês):



De acordo com o escritor e historiador norte-americano chamado David Domine, muitos exploradores urbanos pensam de maneira equivocada que as pontes férreas estejam desativadas, ou seja, que não estejam mais sendo utilizadas por nenhuma empresa. Então eles são atraídos por histórias de uma criatura - metade bode e metade homem - que supostamente engana as pessoas para que elas subam até as pontes férreas.

Nesse sentido, moradores locais foram entrevistados e ressaltaram que sempre viam um trem passando a cada 30 minutos pela ponte férrea Pope Lick, e que mesmo a área ao seu redor fosse uma propriedade particular, ou seja, seria ilegal estar tanto estar em terra firme, quanto sobre a ponte, muitos ainda se arriscavam desnecessariamente. Aliás, se vocês acham que seriam capazes de escapar do trem, vejam a gravação da câmera de bordo de um trem da companhia Norfolk Southern passando pela ponte férrea de Pope Lick, através de um canal de terceiros, no YouTube:



Entretanto, essa suposta criatura tem um viés muito mais de lenda urbana, assim como um passado sem praticamente nenhum fundamento, nem mesmo mitológico, do que outras criaturas criptozoológicas dos Estados Unidos, tais como, por exemplo, o "Pé-Grande" ou o "Homem-Lagarto." De acordo com o site Sierra Club, a suposta criatura tinha sido exibida como uma aberração de circo no final do século XIX, porém ela conseguiu escapar do cativeiro, quando um raio atingiu o trem do circo enquanto o mesmo atravessava a ponte férrea de Pope Lick, o fazendo descarrilhar. A criatura teria sido a única sobrevivente. A história, é claro, não possui quaisquer detalhes que possam ser investigados.

Já de acordo com David Domine, uma outra versão é que existia um fazendeiro local que costumava maltratar seu rebanho de bodes e cabras, sacrificando alguns deles em nome de Satanás, em troca, é claro, de riqueza e poder. O fazendeiro teria assinado um contrato com o mesmo e então perdido a sua alma. No processo, ele foi convertido na terrível criatura e foi "mandado de volta", condenado a viver sob a ponte férrea. Outra versão diz que o "Monstro de Pope Lick" seria o filho de um fazendeiro local que mantinha relações com animais. Além disso, não existe coerência nem mesmo em relação a forma que a suposta criatura mataria suas vítimas. Além da hipnose, mimetismo de voz, machado, também temos a lenda que a criatura pularia em cima do teto dos carros que passam debaixo da ponte.

De acordo com o escritor e historiador norte-americano chamado David Domine, muitos exploradores urbanos pensam de maneira equivocada que as pontes férreas estejam desativadas, ou seja, que não estejam mais sendo utilizadas por nenhuma empresa
Essa lenda urbana ganhou ainda mais repercussão e notoriedade, principalmente entre os mais jovens, basicamente após ser lançado um curta-metragem independente, em 29 de dezembro 1988, chamado "The Legend of the Pope Lick Monster", do diretor Ron Schildknecht. Com apenas 16 minutos e um orçamento estimado em apenas US$ 6.000, a maior parte do filme foi realmente gravada nos arredores da ponte férrea de Pope Lick, porém uma cena onde mostrava os personagens em cima da ponte, foram gravadas em outro local bem mais seguro

Quem não gostou nada disso foi a Norfolk Southern Railway, a responsável pela área e consequentemente pela ponte férrea. Na época, a empresa ficou muito preocupada em relação ao filme, uma vez que se acreditava que os adolescentes seriam estimulados a atravessar a ponte. Aliás, uma cena do filme era particularmente perigosa e enganosa ao mesmo tempo. No filme, o personagem principal, um estudante do Ensino Médio, escapou por pouco de um trem que estava se aproximando ao se pendurar na lateral da ponte férrea.

O "Monstro de Pope Lick" retratado pelo diretor Ron Schildknecht em seu curta-metragem independente
chamado "The Legend of the Pope Lick Monster"
Entretanto, é muito difícil alguém sobreviver diante de tal condição, visto que as vibrações geradas quando uma composição passa são tão fortes, que o solo abaixo da ponte férrea simplesmente trepida, tornando assim o ato de se pendurar para escapar de ser atingido por um trem, algo altamente improvável e arriscado. O namorado de Roquel teria sobrevivido dessa forma, porém ele teria sido uma gigantesca exceção.

Curiosamente, um dia após o lançamento do filme, ou seja, em 30 de dezembro de 1988, a ponte férrea foi apelidada de "A Ponte Férrea da Morte" pelo jornal "The Louisville Courier-Journal", sendo que o mesmo apontou para duas mortes que teriam sido associadas a ponte nos anos de 1986 e 1987. Essas duas mortes seriam de adolescentes que acabaram sendo atingidos por um trem quando tentavam atravessar a ponte férrea. Fato é, que soa apenas ser tão somente uma lenda urbana, que infelizmente não fica apenas no imaginário das pessoas, resulta em famílias despedaçadas pela morte de um ente querido.

De qualquer forma, preciso encerrar essa postagem dizendo a todos aqueles que desejam explorar lendas urbanas aqui no Brasil ou que conhecem pessoalmente alguém que costuma fazer isso por mera diversão, que é muito importante terem um extremo cuidado e não arriscarem suas vidas em busca de algo fantasmagórico ou sobrenatural em ambientes extremamente perigosos, assim como uma linha férrea. As linhas de trem e as pontes férreas foram construídas e projetadas para a passagem de trens, maquinário pesado e que, ao contrário do que muitos pensam, os trens são bem velozes e eles não vão desviar caso seu pé fique preso em uma madeira, caso tropece ou não consiga chegar a tempo até o outro lado. Na melhor das hipóteses, um maquinista pode tentar frear, mas ainda assim quase sempre o resultado é fatal. Não arrisquem suas vidas para tentar registrar algo e fazer sucesso, por exemplo, no YouTube. Quase todos os vídeos destinados a retratar "explorações sobrenaturais" possuem ambientes controlados, e os supostos fenômenos são totalmente questionáveis. Enfim, aproveitem a vida da melhor forma possível, mas não se iludam, caso contrário farão parte dessas mesmas lendas.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://juatuba.mg.gov.br/historia/
http://noticias.r7.com/minas-gerais/monstro-assombra-linha-de-trem-em-juatuba-mg-dizem-moradores-08072017
http://noticias.r7.com/minas-gerais/videos/voce-acredita-monstro-assombra-linha-de-trem-em-juatuba-mg-07072017
http://www.assombrado.com.br/2016/04/jovem-morre-em-ponte-ferrea-ao.html
https://www.facebook.com/causosjuatuba/
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