28 de junho de 2017

O "Fantasma de um Bebê" Teria Sido Filmado ao Lado de uma Criança Dormindo em um Berço, na Cidade de Plymouth, na Inglaterra?


Por Marco Faustino

Sinceramente, dessa vez não lembro última vez que falei sobre fantasmas e algum país pertencente ao Reino Unido ao mesmo tempo, visto que havia algum tempo que não encontrava um caso que fosse relativamente interessante e que viesse do que chamo de "indústria do paranormal" britânica. Porém, a última vez que falamos de um caso supostamente de outro mundo, foi cerca duas semana atrás, em relação ao "Poltergeist de Guyra", que foi um dos mais antigos e estranhos casos de suposta "atividade paranormal" do mundo. O caso aconteceu em abril de 1921, quando a pequena Guyra, uma cidade situada a meio caminho entre Armidale e Glen Innes, na região da Nova Inglaterra, em Nova Gales do Sul ("New South Wales", em inglês, o mais populoso estado australiano e o terceiro mais densamente povoado), na Austrália, foi atingida literalmente e aparentemente por um "espírito que atirava pedras."

Entretanto, a cidade também ficou marcada por uma série de outros acontecimentos "incomuns" Juntamente com os ataques fantasmagóricos, uma mulher idosa, segurando uma batata em cada mão, simplesmente desapareceu sem deixar pistas. Além disso, uma menina de apenas seis anos foi baleada na cabeça pelo seu próprio irmão, e um oficial de polícia foi afastado por estar "abalado" pela "suposta atividade poltergeist" em alguns locais da cidade. Isso fez com que o mundo voltasse seus olhos para Guyra naquela época, e atraiu a atenção até mesmo de Sir Arthur Conan Doyle, o criador do famoso personagem, que muito provavelmente vocês devem conhecer: o famoso detetive britânico Sherlock Homes, que até hoje inspira livros, séries e filmes ao redor do mundo. Vale muito a pena ler sobre história (leia mais: O Poltergeist de Guyra: Um dos Mais Antigos e Estranhos Casos de Suposta "Atividade Paranormal" do Mundo!).

Agora, apesar de aparentemente não se tratar de um caso envolvendo Poltergeist, surgiu uma interessante história na mídia britânica, que foi amplamente propagada pelos principais tabloides, é claro, contando sobre uma mulher chamada Laura Haigh, moradora da cidade inglesa de Plymouth, que alegou ter visto um "bebê fantasmagórico" subindo no berço do seu filho, de apenas 18 meses (1 ano e 6 meses) e, em seguida, deitando-se ao seu lado, através do monitor da câmera, que estava apontada para o seu filho. Laura Haigh e o seu companheiro Dean Evans instalaram a câmera de monitoramento depois que esse filho em questão, o pequeno Sebastian Evans, tentou sair do berço, no mês passado. Ao notar a estranha movimentação, Dean disse ter corrido até o andar de cima, onde o Sebastian estava dormindo, acreditando que fosse tão somente um ursinho de pelúcia, mas para a surpresa dele, o seu filho estava dormindo sozinho, sem nada ao redor. Estranho, não é mesmo? Será que a câmera de monitoramento realmente registrou uma "presença fantasmagórica" no quarto do Sebastian Evans? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda a Origem dessa Notícia, que vem Sendo Amplamente Propagada na Mídia Britânica e Internacional


Antes de abordamos esse assunto propriamente dito, é muito importante ser honesto (como sempre sou, diga-se de passagem) com vocês. Isso porque vocês sempre disponibilizam uma parte do tempo que possuem para acompanhar os textos, e toda a riqueza do material, que normalmente trazemos ao conhecimento de vocês.

Estou dizendo isso, porque ao procurar por informações sobre esse caso, facilmente qualquer pessoa notaria (mesmo que não tivesse o domínio do inglês), que os textos publicados pelos tabloides britânicos são basicamente os mesmos, além do conteúdo multimídia ser idêntico, ou seja, denota que o material foi repassado "pronto" por uma agência de notícias que, nesse caso, é uma velha conhecida de vocês (caso nos acompanhem ao menos nos últimos dois anos): a Mercury Press and Media, que tem uma longa tradição de fornecer material (textos, fotos e vídeos) sobre casos de cunho "sobrenatural" ou "paranormal" para esses mesmos tabloides britânicos.

Ao procurar por informações sobre esse caso, facilmente qualquer pessoa notaria (mesmo que não tivesse o domínio do inglês), que os textos publicados pelos tabloides britânicos são basicamente os mesmos, além do conteúdo multimídia ser idêntico, ou seja, denota que o material foi repassado "pronto" por uma agência de notícias
A Mercury Press and Media afirma em seu site, por exemplo, que tem estado na vanguarda da cobertura de notícias tanto para a imprensa do Reino Unido quanto internacional, nos últimos 50 anos. No entanto, ela apenas coleta as informações, depoimentos, fotos e vídeos e monta um texto básico sobre o ocorrido. Resumindo? Não há qualquer tipo de investigação e nenhuma preocupação se o conteúdo oferecido é falso ou não, ou seja, depende de você meramente acreditar no que é contado pelas pessoas, que vendem suas respectivas histórias para eles.

Infelizmente, diante do que já vimos ao longo de todo esse tempo, o mais importante é tão somente lucrar com a informação. Aliás, os tabloides britânicos também não fazem quaisquer investigações, visto que se for mentira, o problema é basicamente da agência de notícias. Entenderam o esquema?

A Mercury Press and Media afirma em seu site, por exemplo, que tem estado na vanguarda da cobertura de notícias tanto para a imprensa do Reino Unido quanto internacional, nos últimos 50 anos. No entanto, ela apenas coleta as informações, depoimentos, fotos e vídeos e monta um texto básico sobre o ocorrido
É interessante ressaltar nesse ponto, que a prática de vender histórias, ao menos no Reino Unido, ainda mais que possuam um grande apelo emocional é muito comum e aberta, não é algo ilícito, muito pelo contrário. Facilmente você encontra tabelas com os mais diversos critérios e valores pagos por essas agências. Enfim, sempre que você se deparar com esses casos, em que o material seja oriundo da Mercury, tenha sempre um pé e meio atrás, entenderam? Aliás, essa não é uma questão de opinião particular, mas baseada nos inúmeros casos que publicamos ao longo do tempo, e que foram amplamente questionados, debatidos e exaustivamente analisados. Confiram alguns exemplos:
Entendem agora, porque temos "conhecimento de causa", em relação a Mercury Press and Media? Enfim, como sempre faço, vamos tentar dar um voto de confiança, e evitar de julgar um livro pela capa, muito embora seja difícil não lembrar de casos anteriores.

Conheça a História Contada Pelo Casal Laura Haigh e Dean Evans


Conforme dissemos anteriormente, uma mãe chamada Laura Haigh, 39 anos, que possui quatro filhos e mora na cidade de Plymouth, que por sua vez fica localizada na costa Sul do condado de Devon, na Inglaterra, a aproximadamente 310 km (distância em linha reta, sendo que, na prática são pelo menos 348 km ou cerca de 4h30 em média de viagem) a sudoeste de Londres, disse ter visto um "bebê fantasmagórico" subindo no berço do seu filho, de apenas 1 ano e 6 meses e, em seguida, deitando-se ao seu lado, através da câmera de monitoramento.



Laura contou que instalou a tal câmera, juntamente com o seu companheiro, chamado Dean Evans, e que trabalha na construção de embarcações, depois que esse mesmo filho, chamado Sebastian Evans, havia tentado escapar do seu berço no mês passado. Ao se deparar com a estranha cena, Dean alegou que saiu correndo até o segundo andar da casa onde mora para ver o que estava acontecendo, muito embora acreditasse que podia ser tão somente um ursinho de pelúcia. Contudo, ele disse que encontrou Sebastian dormindo sozinho.

Laura contou que instalou a tal câmera, juntamente com o seu companheiro, chamado Dean Evans, e que trabalha na construção de embarcações, depois que esse mesmo filho, chamado Sebastian Evans, havia tentado escapar do seu berço no mês passado
De acordo com a história contada, o mais estranho é que a "figura fantasmagórica" teria permanecido diante do monitor durante um bom tempo, e até mesmo se movimentado. Por mais que Laura não tenha conseguido explicar o que teria visto, ela disse acreditar que o "incidente" não havia representado risco algum para o Sebastian, uma vez que ele dormia profundamente e sem aparentar que estivesse sendo incomodado por algo. Por outro lado, em uma de suas declarações, ela disse que já havia notado, que seu filho costumava acenar para "coisas invisíveis" em seu quarto.

"Quando notei esse rosto que aparece no canto do berço, chamei minha irmã para dar uma olhada, no Skype, e não havia nada lá. Algumas vezes, ele leva um ursinho para a cama com ele, então, inicialmente, pensei que poderia ser isso, mas parecia estranho", disse Laura Haigh.

O pequeno Sebastian Evans, de apenas 1 ano e 6 meses de idade
"Imediatamente, o Dean disse: 'será apenas um ursinho de pelúcia' e subiu direto para o segundo andar. No entanto, ele ficou um pouco confuso, porque não havia nada no local, muito embora ainda estivesse aparecendo no monitor. Ele ficou um pouco espantando, uma vez que ele não acreditava nesse tipo de coisa, e ao mesmo tempo não sabia explicar o que estava acontecendo", continuou.

"Verifiquei a câmera e tenho certeza que não havia nada de errado com ela. Nossos amigos acreditam que isso é algo realmente assustador. Independentemente do que fosse aquilo, permaneceu no berço até 1h30 da manhã e desapareceu quando fui amamentá-lo. Porém, durante a noite, aquilo se movimentou em diversas posições", completou.

Foto tirada do monitor da babá eletrônica instalada por Laura Haigh, onde supostamente
apareceria um "bebê fantasmagórico" (à direita)
Mais uma foto tirada por Laura Haigh do monitor da sua babá eletrônica. Considerando o horário, que aparece na imagem, a "aparição" teria durado mais de 2h. Contudo, aparentemente, a data seria diferente da segunda câmera apresentada nas notícias
Surpreendentemente, apesar de Dean estar 'assustado' diante do avistamento, Laura permanecia impassível, uma vez que ela acreditava que, independentemente do que tivesse aparecido na câmera, não representava nenhum risco para o seu filho, visto que o pequeno Sebastian provavelmente iria ficar incomodado de alguma forma.

Entretanto, essa não teria sido a primeira "experiência paranormal" da família. Na verdade, Laura costumava ouvir sons estranhos pela casa, tal como fotografias penduradas nas paredes, que viravam misteriosamente de cabeça para baixo.

Imagem de uma "segunda" câmera instalada no quarto do pequeno Sebastian Evans.
De acordo com Laura Haigh o que aparece na imagem seria uma aparição fantasmagórica.
Mais uma imagem da "segunda" câmera instalada por Laura Haigh,
que aparentemente foi extraída cerca de 2 segundos após a primeira (considerando o horário das imagens)
"O Sebastian está bem. Acredito que ele possa ver, independente do que isso seja, uma vez que ele costuma sentar no berço e sorrir pra o vazio. Algumas vezes ele olha para o canto e acena para alguma coisa, mas não existe nada lá", disse Laura.

"Isso não me deixa abalada. Já aconteceu uma espécie de atividade na casa, mas se houver uma 'presença' não é algo ruim. Certa vez, notamos as fotografias, que estão penduradas nas paredes, viradas de cabeça para baixo ou então como se tivessem sido arremessadas para longe. Já tivemos coisas que desapareceram do nada, sendo que tínhamos acabado de vê-las momentos antes. Vemos orbes o tempo todo e já notei sombras estranhas nas fotos, ao fundo", continuou.

Entretanto, essa não teria sido a primeira "experiência paranormal" da família. Na verdade, Laura costumava ouvir sons estranhos pela casa, tal como fotografias penduradas nas paredes, que viravam misteriosamente de cabeça para baixo.
Na imagem superior vemos o Sebastian Evans (ao centro) e ao lado temos os seus irmãos Oliver, de 4 anos (à esquerda) e sua irmã, a Murphy, de 5 anos (à direita). Nas imagens inferiores vemos Dean Evans juntamente com o pequeno Sebastian.
"Algumas vezes, ouvimos crianças correndo no segundo andar da casa, quando não há ninguém no andar de cima ou até mesmo quando as crianças nem mesmo estão em casa. Meu companheiro, no entanto, não acredita em nada disso. Tenho uma mente bem aberta. Costumava ser bem cética, mas a atividade na casa me fez mudar de ideia", completou.

"Foi quando não consegui explicar as coisas, tais como: fotografias viradas de cabeça para baixo, sendo que as crianças nem mesmo as alcançam ou barulhos inexplicáveis, e assim por diante. Já ouvi pessoas chamando pelo meu nome, mas quando fui verificar, não havia ninguém. De qualquer forma, definitivamente, essa é a coisa mais clara que já vimos até agora", finalizou.

Havia Realmente um "Fantasma" no Berço do Pequeno Sebastian? O Gás Radônio Provocaria o Avistamento de Fantasmas?


Caso não tenha percebido, essa história é um tanto quanto confusa e questionável. Vou tentar citar alguns pontos, que ficaram sem respostas sobre a mesma. A primeira de todas chega a ser bem óbvia: onde está a eventual gravação da babá eletrônica ou daquela outra câmera de segurança, que estava filmando, de cima, o berço? Simplesmente, não foi divulgado vídeo algum. Aliás, para não sermos injustos, a Mercury forneceu apenas um vídeo apresentando slides dessas mesmas fotografias, assim como você pode ver no vídeo abaixo, que foi publicado por um canal de terceiros, no YouTube:



Aliás, aparentemente, alguns slides não interessaram aos tabloides britânicos, porém iremos fazer questão de mostrar para vocês. Confiram outras duas imagens, logo abaixo:

A imagem acima mostra que não havia nada ao lado de Sebastian Evans por volta das 18h51,
porém ainda permanece a dúvida em relação a data do acontecimento
A imagem acima mostra que não havia nada ao lado de Sebastian Evans por volta das 10h52, o que contradiz a versão mencionada por Laura quando alegou que a aparição teria permanecido até 1h30 da manhã. De qualquer forma, ainda permanece a dúvida em relação a data do acontecimento, visto que ela não aparece de forma completa, em nenhum momento.
Outro ponto é que a data nas imagens da babá eletrônica parece destoar completamente da outra câmera, que possui o que chamamos popularmente de "visão noturna." É possível notar, que nas imagens em "preto e branco", temos a data de 6 de junho desse ano, porém nas imagens do monitor da babá eletrônica, aparentemente seria a data de 20 de novembro do ano passado (considerando que aquele 11 * 20 seja a data, e que a idade do Sebastian esteja correta), exceto é claro que a data não tenha sido ajustada ou então aqueles números não representem a data correta. Isso sem contar um eventual fator emocional, visto que se você vê algo estranho escalando o berço do seu filho e dormindo ao seu lado durante horas, você acharia aquilo normal e manteria o filho no berço?

Além disso, temos pouquíssimas imagens para algo que teria durado horas. Mesmo se as câmeras instaladas pelo casal não tivessem dispositivos de gravação, porque Laura ao menos não gravou os monitores com seu celular? Se ela foi capaz de tirar uma foto, por qual razão, durante horas, não lembrou de fazer um vídeo? É completamente estranho e obscuro esse ponto. Não sei quanto a vocês, mas a imagem parece retratar tão somente um ursinho de pelúcia mesmo. Isso, é claro, contradiz a versão contada pelo Dean, caso você acredite mesmo na versão dele e da esposa, visto que eles demonstram que não sabiam o que estava no berço do Sebastian (uma mãe e um pai não saberiam o que deixam no berço do próprio filho?).

Não sei quanto a vocês, mas a imagem parece retratar tão somente um ursinho de pelúcia mesmo, o contradiz a versão contada pelo Dean, caso você acredite mesmo na versão dele e da esposa, visto que eles demonstram, que não sabiam previamente, o que estava no berço do Sebastian
Quanto aquela "aparição esbranquiçada", que aparece na câmera, muito possivelmente não passa de um inseto, tal como uma mosca doméstica. É comum encontrar vídeos no YouTube de pessoas que acreditam ter registrado "fadas" ou "seres de outro mundo", quando na verdade registram apenas insetos diante de câmeras com "visão noturna", que sempre aparentam ser "fantasmagóricos".

Quanto a essa "aparição esbranquiçada", que aparece na câmera, muito possivelmente não passa de um inseto,
tal como uma mosca doméstica
Confiram em um vídeo publicado pelo canal do Jake Kapustynski, no YouTube, onde é possível ver o exemplo de um aracnídeo passando em frente de uma dessas câmeras, e compare o efeito gerado:



Evidentemente, a câmera de Laura não teria registrado um aracnídeo (ao menos nada indica isso), mas possivelmente um mero inseto voador, tal como uma mariposa, uma mosca doméstica ou algo assim. Seria interessante se tivéssemos acesso a gravação, mas pelo visto isso será impossível.

Aliás, muitas pessoas comentaram, que conseguiram ver o que seria uma segunda criança no berço, ao lado do Sebastian Evans. Esse é um ponto interessante, porque abre algumas possibilidades: pareidolia, armação do casal para todos pensarem que era uma criança ou então realmente seria a prova cabal de um "fantasma". Aliás, Laura disse ser mãe de quatro filhos, mas nas fotos aparecem apenas três, onde está o quarto filho e qual seria a idade dele? Seria possível ser uma outra criança de "carne e osso" ao lado do Sebastian?

Aliás, muitas pessoas comentaram, que conseguiram ver o que seria uma segunda criança no berço, ao lado do Sebastian Evans. Esse é um ponto interessante, porque abre algumas possibilidades: pareidolia, armação do casal para todos pensarem que era uma criança ou então realmente seria a prova cabal de um "fantasma"
Agora, interessante mesmo foram os comentários dos próprios britânicos, visto que esse assunto teve realmente uma grande repercussão pelo Reino Unido. Ao comentar no britânico Plymouth Herald, o usuário "Bob_C" disse: "É mais do que provável, que a imagem do fantasma está sendo oriunda de uma outra babá eletrônica nas proximidades. Tente encobrir a câmera, e o fantasma ainda estará lá, o que irá provar isso."

Essa mesma opinião era compartilhada pela usuária "blondiejule", no britânico Daily Mail, que aliás foi o comentário melhor avaliado entre mais de 900 comentários, dizendo que: "Alguém na rua dela provavelmente comprou a mesma câmera e os sinais simplesmente se misturaram. Nós tínhamos uma dessas babás eletrônicas, quando minha filha era bebê, e costumávamos ouvir o choro de bebê que morava no fim da rua através dele." Um outro usuário chamado "angelonearth" também fez o seguinte comentário: "É a interferência da babá eletrônica de outra criança em uma casa nas proximidades, isso é bem comum e um problema desses equipamentos."

"É mais do que provável, que a imagem do fantasma está sendo oriunda de uma outra babá eletrônica nas proximidades. Tente encobrir a câmera, e o fantasma ainda estará lá, o que irá provar isso", disse Bob_C. Essa mesma opinião era compartilhada pela usuária "blondiejule", no britânico Daily Mail, que aliás foi o comentário melhor avaliado entre mais de 900 comentários
Houve quem estranhasse a mãe chamar a filha de Murphy, visto que não seria um nome considerado feminino. De qualquer forma, as pessoas estavam divididas entre interferência provocada por outro equipamento ou ser tão somente um urso de pelúcia. Em relação a imagem em "preto em branco", a absoluta maioria acreditava ser apenas um inseto passando pela lente da câmera, ou seja, a hipótese paranormal foi praticamente descartada por aqueles que resolveram comentar, é claro.

Curiosamente, um usuário chamado "Jess 2" mencionou que muitas casas em Plymouth eram construídas em granito, e a concentração de gás radônio era alta. Assim sendo, as aparições de fantasmas não seriam incomuns em certas determinadas regiões e, muitas vezes, eram vistos por crianças. Segundo esse usuário, as pessoas geralmente não falam sobre isso por medo de se expor ao ridículo. Esse comentário recebeu muitas avaliações positivas, assim como negativas.

Curiosamente, um usuário chamado "Jess 2" mencionou que muitas casas em Plymouth eram construídas em granito, e a concentração de gás radônio era alta. Assim sendo, as aparições de fantasmas não seriam incomuns em certas determinadas regiões.
Evidentemente, fiquei intrigado em tentar entender a relação do gás radônio com a aparição de supostos fantasmas e fui procurar alguma referência nesse sentido. Em 2009, um blog chamado "Ghost Hunting Theories" questionou se o gás radônio poderia induzir a ocorrência de assombrações. Segundo Sharon, a responsável do blog, o mapa onde apontaria as maiores concentrações de radônio, na cidade norte-americana de Phoenix seria semelhante a um outro mapa, que ela mesma teria criado, das regiões mais ativas em termos de assombrações. Então, ela questionou se o radônio não poderia desencadear tais fenômenos ou gerar alucinações nas pessoas, que acabariam vendo esses tais "fantasmas" ou "coisas assustadoras" do gênero. Ela disse que os locais geologicamente ricos, especialmente em granito, possuíam maiores concentrações de radônio.

Entretanto, por mais que isso fizesse sentido para ela, ou seja, que o radônio pudesse induzir ou fizesse com que as pessoas alucinassem diante de um fenômeno desse gênero, ela apontou que não havia sido criada nenhuma metodologia para identificar isso. Ela disse que continuaria sua pesquisa, mas não encontrei nenhum outro artigo dela sobre o assunto, e que não apontasse praticamente para as mesmas coisas anteriormente mencionadas.

Curiosamente, o site "Skeptoid", um ano antes, em 2008, citou a comercialização de detectores de íons, que era vendidos quase exclusivamente em sites que vendiam kits para caçar fantasmas ou então para fins alternativos. Segundo esse site, os íons ocorriam naturalmente na atmosfera a partir de diversas fontes: a radiação solar e o clima seriam os principais responsáveis. Além disso, se alguém fosse para uma determinada região do seu próprio país, onde o gás radônio fosse um problema, um detector de íons no porão poderia enlouquecer, ao detectar os íons criados pelo decaimento do radônio. Os caçadores de fantasmas costumavam considerar esse tipo de leitura como um indicativo da presença de um "fantasma."

Curiosamente, o site "Skeptoid", um ano antes, citou a comercialização de detectores de íons, que era vendidos quase exclusivamente em sites que vendiam kits para caçar fantasmas ou então para fins alternativos
Ironicamente, segundo a página oficial do governo da cidade de Plymouth, a atividade industrial ocorrida no passado, em algumas áreas da cidade, acabou tendo um grande impacto ao longo dos anos no meio ambiente local, resultando em terrenos potencialmente contaminados, que anteriormente teriam sido utilizados pelo setor industrial, na eliminação de resíduos, entre outras finalidades. Aliás, entre esses contaminantes estava justamente o radônio que, segundo essa mesma página, seria um gás ou vapor (semelhante ao vapor, mas incolor), causado pelo decaimento natural do urânio em rochas presentes em muitas áreas, incluindo a região sudoeste da cidade. Normalmente, o gás se dispersaria no ar e não causaria problemas significativos. No entanto, em espaços fechados, inclusive em casas construídas com rochas que dão origem ao gás, poderiam ocorrer concentrações maiores do mesmo, no ambiente. Assim sendo, o radônio poderia representar um risco significativo para a saúde se as concentrações fossem particularmente altas ao longo de uma exposição vitalícia.

Entretanto, segundo a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), o radônio proveniente do solo abaixo das casas é um problema mais comum e um risco de saúde pública muito maior do que o radônio proveniente dos materiais de construção, assim como o granito. O radônio eventualmente liberado pelo granito é dispersado ao longo de sua vida útil, mas é normalmente "diluído", por assim dizer, no ambiente, devido as correntes de ar. Além disso, segundo uma notícia publicada pelo Daily Telegraph, em 2002, as construções comumente encontradas em Devon e na Cornualha, não representavam risco, em termos de saúde, para as crianças.

Mapa do potencial de radônio geológico dos Estados Unidos pela USGS
Agora, o radônio poderia induzir a ocorrência de "fantasmas" ou "alucinações" em pessoas fazendo-as ver "aparições fantasmagóricas" ou outras "aparições do gênero"? Bem, até onde pesquisei não há nenhum estudo baseado nessa linha de pesquisa. Por outro lado, o gás radônio não tem cor, cheiro ou sabor. Portanto, não pode ser detectado pelos sentidos humanos. 

Normalmente, o gás se dispersa no ar e não causa problemas significativos. No entanto, em espaços fechados, inclusive em casas construídas sobre rochas que dão origem ao gás, poderiam ocorrer concentrações de gás maiores no ambiente. Assim sendo, o radônio poderia representar um risco significativo para a saúde se as concentrações fossem particularmente altas ao longo de uma exposição vitalícia
As reservas de água do subsolo também poderiam sofrer contaminação por esse gás e liberá-lo, por exemplo, durante um banho. Atualmente, existem apenas projetos e levantamentos indicando, que o gás radônio possa estar causando doenças graves até mesmo em brasileiros, principalmente o câncer de pulmão. Um exemplo disso seria a cidade de Poços de Caldas-MG que, por conta da presença das minas de urânio, teria uma maior incidência de câncer de pulmão que outras áreas do país, algo que também aconteceria na cidade de Caetité/BA, onde a incidência de câncer de pulmão era 19 vezes maior do que o restante do Estado da Bahia.

Apesar de ter encontrado dados indicando que a exposição muito prolongada a altas concentrações de gás radônio, principalmente em ambientes fechados, possa levar até mesmo ao desenvolvimento do chamado mal de Parkinson ou Alzheimer, doenças que afetam diretamente o cérebro, não encontrei nenhum estudo dizendo que o gás radônio induzisse alucinações nas pessoas de modo que vissem "fantasmas." Para não ser injusto, houve um caso no Cazaquistão, em 2014, chamado de "mal de Kalachi" onde os "cientistas" disseram que o culpado por fazer as pessoas dormirem constantemente, muito além do normal, e até mesmo terem alucinações vívidas, seria o gás radônio, porém essa hipótese foi amplamente questionada devido a incidência de radônio em outras regiões no mundo em que nada disso ocorria. Na época, muitos acusaram o governo do Cazaquistão de tentar encobrir a real causa do problema. De qualquer forma, não houve quaisquer menções sobre "fantasmas".

Embora seja um tema e um questionamento bem interessante, não há quaisquer estudos indicando nada nesse sentido. Portanto, não há como saber. De qualquer forma, se fosse assim teríamos uma quantidade absurda de "casos fantasmagóricos" em Plymouth, assim como, por exemplo, em Poços de Caldas e Caetité aqui no Brasil, algo que não parece ocorrer. Enfim, voltando ao caso principal dessa postagem, ou seja, especificamente em relação ao casal Laura e Dean, sinceramente acho bem difícil que tenha sido realmente um "fantasma", mas e vocês, o que acham de toda essa história?

Até a próxima, AssombradOs!


Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://gizmodo.com/10-scientific-explanations-for-famous-ghostly-phenomena-1655680348
http://siberiantimes.com/other/others/features/siberian-experts-say-they-can-solve-the-cause-of-mystery-sleeping-disorder/
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4634948/Parents-ghostly-child-lying-son-monitor.html
http://www.ghosthuntingtheories.com/2009/10/radon-induced-hauntings.html
http://www.irishmirror.ie/news/world-news/mum-horrifed-spots-ghost-baby-10676630
http://www.plymouthherald.co.uk/mum-describes-horror-at-finding-a-ghost-baby-sleeping-next-to-her-child/story-30410147-detail/story.html

http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/1396618/Homes-on-granite-are-not-a-cancer-risk-for-children.html
https://drauziovarella.com.br/cancer/radonio-e-fator-de-risco-para-cancer-de-pulmao/
https://www.cartacapital.com.br/revista/867/radonio-uma-ameaca-6506.html
https://www.epa.gov/radiation/granite-countertops-and-radiation
https://skeptoid.com/episodes/4081
https://www.plymouth.gov.uk/environmentandpollution/contaminatedland
https://www.thesun.co.uk/living/3874513/mum-ghost-baby-cot/
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