7 de junho de 2017

Conheça a "Ilha do Medo": Um Local Temido por Moradores e Pescadores Locais Devido a Suposta Atividade Sobrenatural, em Itaparica/BA!


Por Marco Faustino

Anteontem, comentamos sobre um caso exclusivo, que havia sido repassado para nós por uma moradora (que chamamos de A.P.) da região Sul do Brasil (ela nos pediu para manter em sigilo seu estado e cidade) que, desde o fim do ano passado, após mudar de casa, indo morar em outra cidade, situações muito estranhas passaram a acontecer com ela. Primeiramente, seu microondas começou a ligar sozinho, depois seu celular apresentou defeito. O que poderia ser uma coincidência se agravou, quando ela viu uma misteriosa "marca de mão" em sua toalha de banho, e simplesmente o colchão de sua cama apareceu totalmente revirado em seu apartamento, quase matando seu cãozinho de estimação, que teve que ser levado às pressas ao veterinário. Isso sem contar que ela sente a presença de algo na escada do seu prédio, e acredita que haja uma "manifestação" dentro do seu próprio apartamento. Além disso, seu cãozinho, um maltês chamado Z., possui um estranho comportamento de latir para porta da frente da casa, mesmo sem ninguém estar do lado de fora, sendo que essa é a única porta para qual o mesmo late. Toda essa história é recheada de detalhes e acontecimentos, que vale muito a pena conferir tudo o que vem acontecendo com a A.P. (leia mais: Apartamento AssombradO? "Fenômenos Paranormais" e a Marca de uma Suposta Mão em uma Toalha Causam Medo no Sul do Brasil!).

Para continuar valorizando casos nacionais, dessa vez vamos falar sobre a "Ilha do Medo", que administrativamente pertence a bela cidade de Itaparica, no Estado da Bahia. Recentemente, o programa "Globo Repórter", da Rede Globo de Televisão, dedicou um pequeno segmento (bem pequeno mesmo) para falar dessa ilha, que não é tão conhecida assim do povo brasileiro. Você a conhece? Provavelmente, esse será o primeiro contato, que vocês terão com essa ilha em questão. Uma vez que para muitos as férias estão chegando, principalmente aqueles que estão em idade escolar, e considerando que a região Nordeste nesse período do ano é um destino considerado como baixa temporada, ou seja, os valores dos pacotes turísticos ou diárias de hotéis são bem mais econômicos do que no Verão, achamos uma excelente oportunidade sugerir esse "destino assombrado", e ao mesmo tempo turístico para vocês (principalmente caso sua viagem seja a capital Salvador ou cidades vizinhas). Aliás, essa também é uma boa oportunidade de abordar um tema intrínseco ao nosso DNA, que são as supostas atividades paranormais ou sobrenaturais. A "Ilha do Medo" é pequena, mas dizem que não falta assombração por lá, tanta que os pescadores locais evitam a todo custo se aproximar da mesma. Agora, será que essa ilha é mesmo assombrada? Quais são as lendas contadas na região? Será verdade que recentemente ela quase foi "vendida para a iniciativa privada"? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Pouco Sobre o Município de Itaparica, no Estado da Bahia


Para quem não conhece, Itaparica é um município do Estado da Bahia. O mesmo fica localizado na chamada "Ilha de Itaparica" (que também abriga o município de Vera Cruz, onde estão as praias mais frequentadas, por assim dizer), na Baía de Todos os Santos.

Inicialmente, a localidade ganhou fama por uma espécie de balneário para repouso e até mesmo medicinal devido às suas bonitas praias e à sua água mineral, que jorra da Fonte da Bica, construída em 1842. Na parede frontal da fonte é possível ler a seguinte frase, em um azulejo: "Êh ! água fina. Faz velha virá menina." Evidentemente, a fonte uma das principais atrações turísticas e, teoricamente, faz a alegria de muitos moradores locais.



Inicialmente, a localidade ganhou fama por uma espécie de balneário para repouso e até mesmo medicinal devido às suas bonitas praias e à sua água mineral, que jorra da Fonte da Bica (na foto), construída em 1842
A história da localidade remonta por volta do ano 1.000, quando os índios tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis originários da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma ainda era habitada pelos tupis.

Foi justamente a partir do século XVI, que surgiram os primeiros registros sobre a Ilha de Itaparica. Na época, os jesuítas construíram uma capela que se tornou um importante marco histórico da região. A cana-de-açúcar e a criação de gado bovino foram elementos primordiais no desenvolvimento econômico da região, assim como nos séculos posteriores.

Para quem não conhece, Itaparica é um município do Estado da Bahia. O mesmo fica localizado na chamada "Ilha de Itaparica" (que também abriga o município de Vera Cruz, onde estão as praias mais frequentadas), na Baía de Todos os Santos
Itaparica destaca-se também por ser o berço de historiadores, intelectuais e heróis, tendo merecido do Imperador Dom Pedro I, o título de "Denodada Villa", em razão da bravura de seus filhos nos episódios da guerra de independência no início do século XIX, dos quais destaca-se a participação da heroína Maria Felipa, marisqueira, que liderou um grupo de pessoas, dentre tantos outros bravos nativos nas batalhas contra os portugueses, que buscavam reconquistar a Ilha de Itaparica. Outro ponto que merece ser ressaltado são os portos de Itaparica, que foram testemunhas do nascimento da Marinha do Brasil, cujos primeiros barcos foram os saveiros dos destemidos itaparicanos liderados por João das Bottas.

Atualmente, Itaparica possui pouco mais de 22 mil habitantes (de acordo com o último censo realizado em 2013). O município é bem perto de Salvador, a capital do estado, estando apenas a 1h de barco ou cerca de 25 minutos de catamarã. Com certeza esse é um destino, que vale a pena ser conhecido, caso você visite Salvador ou cidades próximas a Itaparica.

A Localização da Chamada "Ilha do Medo"


Parece um pouco confuso, mas é fácil de entender. Na "Ilha de Itaparica" existem duas cidades: Itaparica e Vera Cruz. A chamada "Ilha do Medo" pertence administrativamente ao município de Itaparica, e localiza-se ao norte da referida ilha, a cerca de 3,3 km de distância, entenderam? Para completar, a mesma é a menor das 56 ilhas da chamada "Baía de Todos os Santos", e a única que não é habitada! Quanta informação para uma ilha despovoada, e com apenas 12.000 m², não é mesmo? Calma, que as atribuições não param por aí!

Imagem do Google Maps mostrando a localização da Ilha de Itaparica (identificada por um marcador)
e a "Ilha do Medo" (identificada por um círculo vermelho, ao norte da Ilha de Itaparica
Imagem aérea feita por um drone da "Ilha do Medo"
Além de tudo isso, a "Ilha do Medo" e seu entorno fazem parte, desde o ano de 1991, da Estação Ecológica Ilha do Medo, criada a partir do Decreto Municipal nº8, de 27 de julho daquele mesmo ano, consagrando-se como a primeira estação ecológica da Baía de Todos os Santos.

A ilha também integra a chamada Área de Proteção Ambiental (APA) da Baía de Todos os Santos, que por sua vez foi criada pelo Decreto Estadual 7.595, de 5 de junho de 1999. Sua vegetação é composto, em sua maior parte, de restinga, formando os manguezais. Daí a importância da preservação da ilha, uma vez que é no mangue, que peixes, moluscos e crustáceos encontram as condições ideais para reprodução. É um verdadeiro berçário da natureza.

Imagem do primeiro mapa ecoturístico da Ilha de Itaparica
Entretanto, a ilha não é tão somente famosa por sua biodiversidade, mas por um aspecto um tanto quanto sobrenatural, que vem sendo transmitido oralmente, de geração em geração, entre os moradores locais, principalmente pescadores.

O Aspecto Sobrenatural da "Ilha da Medo"


Para começar nossa pequena jornada sobre os aspectos sobrenaturais da chamada "Ilha do Medo", precisamos voltar um pouco no tempo para acompanhar um vídeo publicado no canal "Programa Todos os Cantos", da "Cine Brasil TV", uma emissora de televisão dedicada à produção audiovisual independente, que foi publicado no YouTube, em 2012. Confira o vídeo abaixo, sendo que, logo em seguida, comentaremos sobre o mesmo:



No começo do vídeo é mencionado que a "Ilha do Medo" reservava histórias e lendas, que justificavam a sua fama. Então, é apresentado um biólogo chamado Everaldo Lima, explicando que os negros, do candomblé dos ebus, provavelmente faziam seus "despachos" na ilha, o que gerava medo entre os moradores. Isso porque todo esse conflito religioso, principalmente envolvendo a Igreja Católica, gerava um certo temor, que aliás existe até hoje, em relação ao candomblé. Nesse ponto, há quem diga que, para que isso não continuasse, os jesuítas teriam colocados gatos selvagens na ilha. Porém, é difícil saber a realidade sobre esse ponto em específico.

De acordo com Everaldo, os militares mais indisciplinados, por assim dizer, também teriam sido levados para a ilha e, por não ter nada para fazer ou por solidão, acabavam morrendo. Seus corpos também teriam sido enterrados na própria ilha. Como se isso não bastasse, as pessoas diziam que havia uma "areia movediça", ou seja, evitavam de passar pela ilha com medo de parar no "centro da Terra." Sim, isso mesmo que você leu! Apesar de ser engraçado hoje em dia, antigamente não havia tantas informações assim sobre fenômenos naturais. Aliás, quantos de nós sabemos realmente como se livrar de uma areia movediça? Agora, imagine como era o pensamento há séculos atrás.

De acordo com Everaldo, os militares mais indisciplinados, por assim dizer, também teriam sido levados para a ilha e, por não ter nada para fazer ou por solidão, acabavam morrendo. Seus corpos também teriam sido enterrados na própria ilha
Também é mencionado que os moradores de Itaparica costumavam ver uma espécie de nuvem, um "fogo azulado" emanando da "Ilha do Medo", algo que interpretamos atualmente como o famoso "Fogo Fátuo", que já falamos algumas vezes ao longo do tempo. Everaldo contou que esse tipo de fenômeno é muito comum em regiões de manguezal, sendo que o mesmo pode ter dado origem a lenda brasileira do "Boitatá", a enorme serpente de fogo que mata quem destrói as florestas.

Nesse ponto é interessante destacar, que esse é um impressionante fenômeno que também costuma ocorrer em cemitérios ou pântanos. De tempos em tempos, surgem misteriosas chamas azuladas, que aparecem por alguns segundos na superfície, e logo depois somem sem deixar vestígios. Hoje, os cientistas sabem que esse "fogo esquisito" está ligado à decomposição dos corpos de seres vivos. Nesse processo, as bactérias que metabolizam a matéria orgânica produzem gases que entram em combustão espontânea em contato com o ar. Além disso, ocorre uma pequena explosão e a chama azulada vem acompanhada de um estrondo, que assusta quem está por perto. Imagina algo assim sendo visto e ouvido, na calada da noite, há décadas ou séculos atrás?

Também é mencionado que os moradores de Itaparica costumavam ver uma espécie de nuvem, um "fogo azulado" emanando da "Ilha do Medo", algo que interpretamos atualmente como o famoso "Fogo Fátuo", que já falamos algumas vezes ao longo do tempo. A imagem acima é meramente ilustrativa e serve apenas para retratar a lenda do "Boitatá", sendo que a fonte não citou o local em que a foto foi tirada.
Fenômeno observado no Rio Claro, no município de São José do Rio Claro (MT), em 2009. O ponto exato é um local em que a correnteza não tem força e forma um alagado. A água borbulha quando a areia é remexida e libera um gás inflamável, que se incendeia em contato com uma faísca. Técnicos estiveram no local, e descobriram que o gás tem origem na decomposição de material orgânico no leito do rio.
O próprio biólogo contou suas experiências em tentar pisar na "Ilha do Medo". Na primeira tentativa, por razões não mencionadas, ele disse que não conseguiu. Posteriormente, na presença de primos, amigos e pescadores, ele disse que a vela do barco acabou quebrando. Ele também contou que diversos equipamentos eletrônicos deixaram de funcionar na ilha, tais como máquinas fotográficas e de filmar (equipamentos muito comuns antigamente). Além disso, ele quase sofreu um acidente com seu filho ao tentar visitar a ilha.

O biólogo também contou que diversos equipamentos eletrônicos deixaram de funcionar na ilha, tais como máquinas fotográficas e de filmar (equipamentos muito comuns antigamente)
No final da reportagem, é mencionado um aspecto mais biológico, uma vez que Everaldo contou que foram identificados, ao menos até a data da reportagem, mais de 120 espécies de peixes, mais de 100 espécies de caranguejos, siris, camarões e lagostas, mais 10 espécies de coral, mais de 10 espécies de ouriços e estrelas-do-mar, e uma infinidade de moluscos. Então, a "Ilha do Medo" também era sinônimo de vida e biodiversidade.

Recentemente, assim como mencionamos no começo dessa postagem, o programa "Globo Repórter", da Rede Globo de Televisão, dedicou um segmento bem pequeno para falar dessa ilha, que não é tão conhecida assim do povo brasileiro. Assista abaixo essa reportagem, que foi publicada em um canal de terceiros, no Daily Motion, visto que, em seguida, também iremos comentar tudo o que aconteceu nesse segmento:



Inicialmente, é mencionado que do alto, a paisagem lembra uma "ilha de paz", mas que nem todo mundo se aventurava por aquele pedaço de terra. A equipe foi diretamente de Salvador para a "Ilha do Medo", um trajeto percorrido em cerca de 2h. Dessa vez, o guia era um professor de história chamado Denilson Miguel, e que conhecia bem a região.

Inicialmente, é mencionado que do alto, a paisagem lembra uma "ilha de paz", mas que nem todo mundo se aventurava por aquele pedaço de terra. A equipe foi diretamente de Salvador para a "Ilha do Medo", um trajeto percorrido em cerca de 2h
Dessa vez, o guia era um professor de história chamado Denilson Miguel, e que conhecia bem a região
O repórter chegou a mencionar que, aqueles que desembarcavam na ilha, nunca eram bem-vindos, uma vez que o lugar estaria cercado por fantasmas e almas penadas. Segundo Denilson, seu pai e seu avô já tinham saído correndo da ilha, após escutarem vozes, gritos e gemidos, e que o local, por ser mal-assombrado, passava longe dos olhos de quaisquer pescadores.

Então, bem no meio da ilha, a equipe chegou até um velho casarão em ruínas, e que talvez fosse ele a razão dos mistérios que rondavam a "Ilha do Medo." No século XIX, havia funcionado uma espécie de leprosário, ou seja, pessoas que tivessem doenças consideradas "incuráveis" eram levadas para essa ilha em particular, permanecendo no local até morrerem.

Segundo Denílson, seu pai e seu avô já tinham saído correndo da ilha, após escutarem vozes, gritos e gemidos, e que o local, por ser mal-assombrado, passava longe dos olhos de quaisquer pescadores
Bem no meio da ilha, a equipe chegou até um velho casarão em ruínas, e que talvez fosse ele a razão dos mistérios que rondavam a "Ilha do Medo." No século XIX, havia funcionado uma espécie de leprosário, ou seja, pessoas que tivessem doenças consideradas "incuráveis" eram levadas para essa ilha em particular, permanecendo no local até morrerem.
Na época que a hanseníase era uma doença incurável e contagiosa, o velho casarão servia como um local de isolamento. De acordo com Denilson, talvez os uivos, gritos e gemidos fossem das almas penadas, que voltaram para assombrar o local onde tantas pessoas sofreram no passado. Aliás, até mesmo o avistamento de urubus na ilha, era interpretado como um sinal de mau presságio.

Aliás, até mesmo o avistamento de urubus na ilha, era interpretado como um sinal de mau presságio
Ao procurar por outras lendas sobre a "Ilha do Medo" é possível encontrar uma sobre um padre que teria se recusado a rezar uma missa em Itaparica, mesmo após ter sido pago. Ele teria sido amaldiçoado pelos moradores e naufragado próximo a ilha. Assim sendo, ele teria virado um "fantasma" e foi condenado a passar a eternidade no local. Há pessoas que garantem, que à noite, o padre surge em meio a bruma e chama os pescadores para participarem da missa, que ele não realizou em vida. Aliás, no site "Guia da Semana" também é informado, que o exílio forçado de doentes teria acontecido no século XVII, e algo semelhante teria ocorrido com doentes terminais de cólera, durante a epidemia de 1855 (no século XIX). Para adicionar um toque ainda mais sombrio, muitas vítimas teriam sido enterradas em valas comuns na areia.

E, acreditem, as lendas não param por aí. Há quem diga, por exemplo, que um pescador avistou uma mulher diabólica, que soltava fogo pela boca. Após relatar o ocorrido, o pescador teria ficado simplesmente mudo. Tem até quem fale em peste de moscas e mosquitos endiabrados, e em mortais cobras venenosas rastejando em suas areias. Já imaginaram um passeio noturno nessa ilha?

Um Pouco de Realidade Sobre a "Ilha do Medo" e sua Situação Atual


Entretanto, existem certos detalhes importantes a serem considerados sobre a ilha. O primeiro deles é que a ilha não possui nenhuma fonte de água potável, o que explicaria, em parte, a razão pela qual não é permanentemente habitada (isso não quer dizer que a ilha não tenha água doce de alguma forma, ainda que isso não seja evidente aos nossos olhos). Além disso, para chegar até o local, é indicado fazer a travessia quando a maré estiver cheia, devido aos bancos de areia.

Foto do manguezal na Costa Sul da Ilha do Medo
Fotos das ruínas do antigo quartel militar da Ilha do Medo
A ilha não possui nenhuma fonte de água potável, o que explicaria, em parte, a razão pela qual não é permanentemente habitada (isso não quer dizer que a ilha não tenha água doce de alguma forma, ainda que isso não seja evidente aos nossos olhos)
Segundo um site chamado "Blog do Avoante", se olharmos as cartas náuticas, a vontade de chegar até lá naufraga em meio ao cinturão de uma coroa ampla e ameaçadora, sem falar nas baterias de corais, que fazem fileiras na tropa de defesa organizada pela natureza. Resumindo? Não seria de se estranhar a dificuldade em pisar na ilha.

Isso sem contar que o nome "Ilha do Medo", seria apenas uma espécie de trocadilho, uma vez que a ilha originalmente se chamaria "Ilha do Meio". Interessante, não é mesmo?

Segundo um site chamado "Blog do Avoante", se olharmos as cartas náuticas, a vontade de chegar até lá naufraga em meio ao cinturão de uma coroa ampla e ameaçadora, sem falar nas baterias de corais, que fazem fileiras na tropa de defesa organizada pela natureza. Resumindo? Não seria de se estranhar a dificuldade em pisar na ilha
Aliás, em um passeio realizado pelo casal Nelson e Lucia, que moram a bordo do veleiro Avoante, desde janeiro de 2015, os mesmos observaram ruínas em avançado estado de destruição e abandono. Dividiram o espaço da praia com alguns nativos de Itaparica, que por ali faziam um piquenique, porém o que mais chamou atenção foi a grande quantidade de lixo, principalmente sacos e garrafas plásticas, que se esparramavam por entre as árvores.

As normas que regem as Áreas de Proteção Ambiental no Brasil, que por sua vez são administradas pelo ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, dizem que as mesmas são áreas, geralmente extensas, com um certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e têm como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Essas áreas podem ser estabelecidas em área de domínio público e/ou privado, pela União, estados ou municípios, não sendo necessária a desapropriação das terras. No entanto, as atividades e usos desenvolvidos estão sujeitos a um disciplinamento específico. É o que diz a Lei. Porém, entre o que deve ser feito e o que acontece na prática, existe uma grande diferença.

Em um passeio realizado pelo casal Nelson e Lucia, que moram a bordo do veleiro Avoante, desde janeiro de 2015, os mesmos observaram ruínas em avançado estado de destruição e abandono
Porém, o que mais chamou atenção foi a grande quantidade de lixo, principalmente sacos e garrafas plásticas,
que se esparramavam por entre as árvores
Muitos turistas ou moradores locais acabam não tendo o respeito necessário pela natureza
Agora que você conheceu um pouco mais da "Ilha do Medo", talvez fiquei um pouco mais espantado, mas por outras razões. Em fevereiro desse ano, a "Ilha do Medo" foi literalmente colocada à venda. Isso mesmo que você leu. De acordo com o site de jornal "Tribuna da Bahia", em uma notícia publicada no dia 14 de fevereiro desse ano, após vereadores de Itaparica terem aprovado um projeto de lei que liberava a venda da Ilha do Medo, localizada na Baía de Todos os Santos, o presidente da Câmara de Vereadores de Itaparica, Ítalo Mastríolo, promulgou a decisão no Diário Oficial do Legislativo, destacando que a utilização econômica e socioambiental do território era de interesse do município.

No artigo 2º eram citadas "alterações estruturais no espaço físico da Ilha do Medo, visando sua utilização com finalidade econômica e socioambiental por parte de quem possua legitimidade posse/propriedade, deverão em todos os casos respeitar manter preservados os aspectos florísticos e faunísticos da ilha." Contudo, a determinação passou a ser repudiada por moradores da região e ambientalistas. Para o Grupo de Defesa e Promoção Socioambiental (Germen), tratava-se de uma medida que contrariava o discurso de defesa do meio ambiente.

Cláudio Mascarenhas, diretor executivo do Germen, evidenciou que, qualquer decisão que interferisse no território da região, deveria ser discutida com a população.


Cláudio Mascarenhas, diretor executivo do Germen, evidenciou que, qualquer decisão que interferisse no território da região deveria ser discutida com a população
"A prefeitura pode levar as ideias, técnicos e especialistas para ampla discussão com os moradores da região, ambientalista e universidade, mas não de forma unilateral. Qualquer diminuição da proteção ambiental é inconstitucional. Nenhuma lei pode voltar atrás e fazer diminuir o grau de proteção ao meio ambiente", disse Cláudio, naquela época.

Segundo o Portal G1, após ser aprovada, a lei que permitia a exploração da ilha por entidades com fins lucrativos chegou ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). Durante as investigações, o MP-BA descobriu a existência de um projeto para a construção de um spa no local, que iria realizar terapias com água do mar. Atualmente, o MP-BA está apurando as responsabilidades sobre o projeto. 

Entretanto, felizmente essa situação aparentemente mudou em maio desse ano. Segundo o site "Bahia Notícias", a "Ilha do Medo" continuará sendo uma área de preservação ambiental. Em contraposição à Lei nº. 001/2016, aprovada pela Câmara Municipal de Itaparica em janeiro de 2017, que autorizava construções particulares no local, a Prefeitura Municipal de Itaparica sancionou, no dia 5 de maio, a Lei nº 338/2017 vedando a utilização econômica da "Ilha do Medo". Desta forma, a Lei 001/2016, sancionada pela Câmara Municipal, foi revogada, devolvendo ao local a condição de Estação Ecológica.

Em tese, segundo consta o novo documento oficial, para ganhar permissão para explorar ambientalmente o local, o interessado terá que se submeter a uma "criteriosa análise técnica do poder público municipal, especialmente o treinamento histórico, cultural e de manejo, bem como o cadastramento dos técnicos, dos guias e da equipe de apoio". Conforme acabamos de mencionar, entre o que está escrito e o que é colocado em prática, sempre existe uma grande diferença. Então, vamos ver o desenrolar de toda essa história.

Marlylda Barbuda, prefeita de Itaparica, afirmou que a revogação da lei anterior foi realizada com objetivo de garantir a "preservação da fonte de subsistência e de renda de boa parte da população, que depende da mariscagem e pesca, além de salvaguardar toda riqueza natural da Ilha." Finalmente, um ponto positivo, diante de tanta descrença e absurdos quem vemos no cenário político brasileiro, não é mesmo?

Para finalizar, dizem que todos os empreendimentos na ilha fracassaram ao longo do tempo, e os proprietários terminaram falidos. Alguns casos teriam resultado em histórias trágicas. Porém, a única e verdadeira tragédia em relação a "Ilha do Medo", e que é visível aos olhos de quaisquer pessoas, sejam elas mediúnicas ou não, é o descaso que os próprios seres humanos fazem com a natureza, independentemente do local ser mal-assombrado ou não.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2017/03/globo-reporter-mostra-os-misterios-e-belezas-da-baia-de-todos-os-santos.html
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2017/03/ilha-do-medo-onde-pescadores-nao-vao-tem-historias-de-arrepiar.html

http://g1.globo.com/bahia/noticia/lei-que-proibe-exploracao-comercial-da-ilha-do-medo-em-itaparica-e-sancionada.ghtml
http://salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com.br/2010/11/ilha-do-medo.html
http://viajantesemporto.blogspot.com.br/2011/07/os-misterios-e-lendas-da-ilha-do-medo-o.html
http://www.bahia.ws/ilha-do-medo-baia-de-todos-os-santos/
http://www.bahianoticias.com.br/municipios/noticia/9401-itaparica-prefeitura-sanciona-lei-que-garante-condicao-de-estacao-ecologica-a-ilha-do-medo.html
http://www.tribunadabahia.com.br/2017/02/14/ilha-do-medo-em-itaparica-esta-venda-saiba-mais
http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/a-ilha-do-medo/303543
http://www.viajenaviagem.com/2013/12/como-pegar-praia-itaparica
http://www.visiteabahia.com.br/visite/atracoes/belezasnaturais/leia_ilhas.php?id=26
https://diariodoavoante.wordpress.com/2015/01/11/a-ilha-do-medo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Medo_(Bahia)
https://www.guiadasemana.com.br/salvador/turismo/estabelecimento/ilha-do-medo
Comentários