11 de maio de 2017

O Colapso de um Túnel com Material Radioativo Provoca Tensão no "Depósito Nuclear de Hanford", o Mais Contaminado dos Estados Unidos!

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Por Marco Faustino

Confesso para vocês, que essa postagem não estava nos meus planos, e que ela é uma completa coincidência. Não posso falar que seja uma "feliz coincidência", visto que ao falar de eventuais vazamentos nucleares, não há motivo algum para quaisquer comemorações, muito pelo contrário. É essencial explicar exatamente o que está acontecendo para a população, a gravidade que isso representa ou pode vir a representar, e evidentemente providenciar soluções rápidas e efetivas para que o problema seja minimizado. Vale lembrar que anteontem (9), publiquei uma extensa matéria, bem completa, que provavelmente é o maior e melhor conteúdo em português sobre o caso relacionado ao escoteiro norte-americano chamado David Hahn, que aos 17 anos tentou construir um reator regenerador nuclear caseiro. Ele conduziu experimentos, obviamente em segredo, em um galpão de jardinagem, no quintal da casa de sua mãe, em Commerce Township, no estado do Michigan. Por mais que seu reator nunca tenha atingido a massa crítica, ele atraiu a atenção da polícia local, ao ser abordado em relação a um outro problema ao encontrarem um determinado material em seu veículo. David, no entanto, alertou que o material era radioativo, sendo que os policiais pensaram que se tratava de uma "bomba nuclear". Além disso, o galpão acabou tendo que sofrer uma descontaminação por parte da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, cerca de 10 meses depois. Será que ele conseguiria mesmo levar seus planos adiante, se não tivesse se metido em confusão com a polícia? A resposta para essa e inúmeras perguntas você encontra na referida postagem (leia mais: O Caso David Hahn: O Escoteiro Norte-Americano que Tentou Criar um "Reator Nuclear" no Quintal da Sua Própria Casa!).

Uma vez que fiquei extramente focado na segunda-feira (8), e na manhã seguinte (9) para finalizar a matéria sobre o David Hahn e apresentá-la ao conhecimento de vocês, acabei não notando um assunto, que vem gerando muita preocupação nos Estados Unidos, mais precisamente no "Depósito Nuclear de Hanford" (muitos sites de notícias brasileiros estão erroneamente divulgando como se o local fosse uma central ou usina nuclear, algo que não é, e nunca foi, visto que a instalação não foi criada com o propósito de geração de energia elétrica), e principalmente nas cidades que ficam relativamente próximas ao local. O motivo? Bem, na manhã da última terça-feira (9), um túnel subterrâneo dessa instalação colapsou, em um trecho de cerca de seis metros de extensão, justamente onde ficariam armazenados resíduos nucleares altamente radioativos. Como resultado, o material teria sido exposto, colocando em risco não somente os funcionários que trabalham no local, mas também as populações de cidades próximas, devido aos ventos que poderiam conduzir as partículas para essas cidades, e provocar a temida "precipitação radioativa". O túnel que desmoronou fica localizado ao lado da Unidade de Extração de Plutônio e Urânio (PUREX, sigla em inglês), fazendo com que fosse declarada uma "situação de emergência". Agora, será que isso é motivo para pânico? As populações de cidades próximas, que somam quase de 300.000 pessoas, correm algum perigo? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda o Caso: O Colapso de um Túnel no "Depósito Nuclear de Hanford"


Antes de começarmos, é importante que você compreenda que não estamos falando da capital e nem do distrito federal chamado Washington D.C (abreviação de Distrito de Columbia), mas do 42º estado norte-americano localizado na região dos "estados do Pacífico", e que de acordo com o último censo realizado em 2010, possui pouco mais de 7,3 milhões de habitantes.

Se estivéssemos olhando para o mapa dos Estados Unidos, veríamos o estado de Washington no "canto superior esquerdo do mapa", fazendo fronteira com o Canadá, enquanto a capital norte-americana estaria no "canto superior direito", relativamente próxima da cidade da Filadélfia. Portanto, são localidades completamente opostas.

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre o estado de Washington,
e a capital norte-americana, Washington D.C
Bem, agora que isso está devidamente esclarecido, saiba que a manhã da última terça-feira (9) tinha tudo para ser outra qualquer no estado norte-americano de Washington, exceto por um boletim de emergência divulgado pelo site oficial do "Depósito Nuclear de Hanford".

Confira abaixo o que dizia boa parte do texto original:

"O Escritório de Operações de Richland do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOR) ativou o Centro de Operações de Emergência de Hanford as 8h26 da manhã (horário local), após um alerta ser declarado. Existe uma preocupação sobre uma subsidência do solo, que cobre os túneis ferroviários próximos a uma antiga instalação de processamento químico. Os túneis contêm materiais contaminados. As ações tomadas para proteger os funcionários do local incluem:
  • As equipes da instalação foram evacuadas;
  • Como precaução, os trabalhadores em áreas potencialmente afetadas do Sítio de Hanford foram mantidos dentro dos prédios;
  • O acesso a área denominada '200 East Area' de Hanford, que fica localizada na região central da instalação, foi restrita para proteger os funcionários."
A manhã da última terça-feira (9) tinha tudo para ser outra qualquer no estado norte-americano de Washington, exceto por um boletim de emergência divulgado pelo site oficial do "Depósito Nuclear de Hanford"
O boletim ainda dizia, que ainda não seria necessário tomar nenhuma atitude em relação aos moradores dos condados de Benton e Franklin, um modo sutil para dizer que não ainda era necessário evacuá-los, ou seja, para não gerar pânico, é claro.

Conforme os minutos foram passando, esse boletim foi recebendo novas informações. Uma nova atualização saiu as 9h39, dizendo que o Corpo de Bombeiros de Hanford já estava presente no local, e as atualizações seriam publicadas tão logo fosse possível. Os trabalhadores nas proximidades ainda estavam sendo mantidos no interior dos prédios como medida de precaução.

Uma nova atualização saiu as 9h39, dizendo que o Corpo de Bombeiros de Hanford já estava presente no local,
e as atualizações seriam publicadas tão logo fosse possível
O boletim emitido na manhã da última terça-feira (9) dizia que ainda não seria necessário tomar nenhuma atitude em relação aos moradores dos condados de Benton e Franklin, um modo sutil para dizer que não ainda era necessário evacuá-los, ou seja, para não gerar pânico, é claro
A situação, no entanto, ficaria um pouco mais caótica, as 10h13, quando equipes no local passaram a reportar que o solo havia cedido em uma área de aproximadamente 6 x 6 metros, sobre um dos túneis ao lado da Unidade de Extração de Plutônio e Urânio (PUREX, sigla em inglês). Porém, oficialmente, ão havia nenhuma indicação de vazamento de agentes contaminantes até aquele momento. Ainda foi mencionado, que as equipes estavam tentando se aproximar do local para realizar uma inspeção visual mais próxima.

A situação, no entanto, ficaria um pouco mais caótica, as 10h13, quando equipes no local passaram a reportar que o solo havia cedido em uma área de aproximadamente 6 x 6 metros (na foto), sobre um dos túneis ao lado da Unidade de Extração de Plutônio e Urânio, a PUREX
A parte interessante é que esse afundamento do solo, por assim dizer, teria sido descoberto pelos próprios trabalhadores durante uma vistoria de rotina, visando evidentemente a segurança do local. Esse túneis possuem centenas de metros de extensão e aproximadamente 2,5m de terra cobrindo os mesmos. A profundidade desse "buraco" em questão, aparentava estar no nível do túnel.

As 10h54, esses números foram atualizados, quando citaram que os túneis da PUREX estavam localizados a leste da instalação, estendendo-se para o sul. Havia dois túneis: um com cerca de 110 metros de comprimento, e outro com aproximadamente 520 metros de comprimento. Os mesmos foram usados a partir da década de 1950 para armazenar equipamentos contaminados. Esse verdadeiro "buraco" de 6 x 6 metros estava localizado no chamado túnel nº 2, em uma área bem próxima de onde os dois túneis se interligavam.

Imagem divulgada mostrando não somente a área ocupada pelo Sítio de Hanford, assim como seus limites (linha tracejada) com os condados de Franklin, Benton e Grant. Além, é claro, do local exato onde encontra-se a instalação denominada de PUREX
Havia dois túneis: um com cerca de 110 metros de comprimento, e outro com aproximadamente 520 metros de comprimento. Os mesmos foram usados a partir da década de 1950 para armazenar equipamentos contaminados
Esse verdadeiro "buraco" de 6 x 6 metros estava localizado no chamado túnel nº 2, em uma área bem próxima de onde os dois túneis se interligavam (nessa imagem não aparece o tal buraco, apenas a localização do túnel nº 2)
Mais uma atualização saiu as 11h13, quando foi informado que algumas equipes presentes em Hanford estavam investigando pessoalmente, por assim dizer, se tinha havido alguma contaminação nas áreas ao redor da PUREX. No entanto, em uma área próxima ao local do incidente, as equipes estavam usando o TALON, que é um dispositivo de exploração remota capaz de monitorar a condição radiológica e registrar imagens em vídeo. Esse equipamento, uma espécie de robô, permitia que as equipes se mantivessem afastadas a uma distância de até 800 metros do local.

Essa aparente serenidade, no entanto, não refletia na imprensa local, principalmente através da jornalista investigativa chamada Susannah Frame que, através da sua conta no Twitter, começou a comentar como estava a situação no local. Susannah pertence a KING-TV, que por sua vez é uma emissora de TV norte-americana afiliada da NBC, com sede na cidade de Seattle, no estado de Washington, e foi uma das principais responsáveis por trazer as primeiras informações e fotos relacionadas ao caso, além do que estava sendo oficialmente mencionado.

No entanto, em uma área próxima ao local do incidente, as equipes estavam usando o TALON, que é um dispositivo de exploração remota capaz de monitorar a condição radiológica e registrar imagens em vídeo. Esse equipamento, uma espécie de robô, permitia que as equipes se mantivessem afastadas a uma distância de até 800 metros do local
Em um dos seus tweets (ou tuítes, como preferirem), ela mencionou a declaração de um dos funcionários, que não foi identificado, mas que estava trabalhando em Hanford no momento do incidente. "Essa é maior ação que já vi em Hanford, nos meus 35 anos trabalhando aqui", teria declarado esse funcionário em questão.

Susannah posteriormente mencionou, que os trabalhadores mais antigos acreditavam que aquela tinha sido a primeira vez que o Centro de Operações de Emergência de Hanford tinha sido acionado diante de um possível vazamento nuclear. Ainda de acordo com a jornalista, essa fonte disse que algumas equipes estavam fazendo obras em uma estrada próxima, e que talvez as vibrações geradas pela mesma poderiam ter resultado no colapso da estrutura.

Susannah pertence a KING-TV, que por sua vez é uma emissora de TV norte-americana afiliada da NBC, com sede na cidade de Seattle, no estado de Washington, e foi uma das principais responsáveis por trazer as primeiras informações e fotos relacionadas ao caso, além do que estava sendo oficialmente mencionado
No entanto, o site do jornal Tri-City Herald foi um dos primeiros a realmente dimensionar tudo o que estava realmente acontecendo. Foi mencionado que cerca de seis trabalhadores estavam próximos do local quando a descoberta relacionada ao afundamento do solo foi feita, sendo que eles foram imediatamente evacuados. Posteriormente, a ABC News acrescentou que estava ocorrendo um passeio guiado no momento em que tudo aconteceu. O grupo foi imediatamente evacuado como "medida de precaução".

Ainda de acordo com o Tri-City Herald, cerca de 3.000 trabalhadores da chamada "200 East Area", incluindo cerca de 1.000 trabalhadores da instalação de vitrificação de Hanford foram ordenados a permanecerem dentro dos prédios. Uma vez que os sistemas de ventilação foram desativados, como "medida de precaução", os equipamentos que geravam calor foram desligados.

Ainda de acordo com o Tri-City Herald, cerca de 3.000 trabalhadores da chamada "200 East Area", incluindo cerca de 1.000 trabalhadores da instalação de vitrificação de Hanford foram ordenados a permanecerem dentro dos prédios
Uma vez que os sistemas de ventilação foram desativados, como "medida de precaução",
os equipamentos que geravam calor foram desligados
Nesse ponto vale destacar, que a jornalista Susannah Frame publicou uma mensagem interna, que pedia aos funcionários para não se alimentarem ou ingerirem líquidos até segunda ordem.

Nesse ponto vale destacar, que a jornalista Susannah Frame publicou uma mensagem interna, que pedia aos funcionários para não se alimentarem ou ingerirem líquidos até segunda ordem
Depois que uma inspeção aérea foi realizada no meio da manhã mostrou que o teto do túnel havia sido destruído, todos os trabalhadores ao norte da "Barricada Wye" (uma espécie de bloqueio militar, considerando o "portão de acesso" dessa localidade), além do Observatório LIGO, foram recomendados que permanecessem abrigados dentro dos prédios. Lembrando que o Observatório LIGO fica localizado a apenas 20 minutos de carro (cerca de 25 km de distância) do centro de Richland e Benton, as cidades mais próximas desse observatório.

Depois que uma inspeção aérea foi realizada no meio da manhã mostrou que o teto do túnel havia sido destruído, todos os trabalhadores ao norte da "Barricada Wye" (uma espécie de bloqueio militar, considerando o "portão de acesso" dessa localidade)...
...além do Observatório LIGO, foram recomendados que permanecessem abrigados dentro dos prédios. Lembrando que o Observatório LIGO fica localizado a apenas 20 minutos de carro (cerca de 25 km de distância) do centro de Richland e Benton, as cidades mais próximas desse observatório.
Isso é um burocrático de entender, mas vou tentar explicar. O alerta inicial emitido foi classificado como sendo um dos níveis mais baixos em termos de emergência, ou seja, quando não se espera que um "evento afete pessoas que estejam fora do limite da instalação". Posteriormente, esse alerta foi ampliado para uma "Situação de Emergência", quando "o evento está afetando ou poderia potencialmente afetar as pessoas fora do limite da instalação, mas não além das fronteiras do Sítio de Hanford". Oficialmente, não houve quaisquer menções do Observatório LIGO, talvez porque o mesmo fique bem perto de populações urbanas, mas burocraticamente dentro dos limites estabelecidos.

Oficialmente, ao meio-dia, os funcionários ao norte da Barricada Wye, e que não estavam presentes na área "200 East Area" foram liberados mais cedo do trabalho como "medida de precaução". No entanto, o pessoal que estava na área do incidente permanecia no interior dos prédios. A atualização fazia questão de mencionar, que não havia nenhuma indicação de vazamento nuclear a partir do buraco que foi aberto no túnel da PUREX, mas que as equipes continuavam monitorando a qualidade do ar das proximidades. Além disso, ninguém foi autorizado a entrar em Hanford além das barreiras de segurança, e os vôos sobre o sítio foram restritos durante boa parte da manhã (continuavam restritos até o fechamento dessa postagem). Confira também uma reportagem publicada no canal do YouTube da KHQ6, emissora de TV afiliada da NBC, em Spokane, Washington, mostrando um pouco como foi aquela manhã em Hanford (em inglês, mas vale a pena conferir):



Curiosamente, o trabalho continuou normalmente em uma usina nuclear, fora dos limites impostos pelas barricadas de segurança. Os trabalhadores dessa usina, a Estação Geradora Columbia, não foram instruídos a permanecerem dentro dos prédios. De acordo com a Energy Northwest, responsável pela usina em questão, a mesma fica localizada a cerca de 20 km da PUREX.

Curiosamente, o trabalho continuou normalmente em uma usina nuclear, fora dos limites impostos pelas barricadas de segurança. Os trabalhadores dessa usina, a Estação Geradora Columbia, não foram instruídos a permanecerem dentro dos prédios. De acordo com a Energy Northwest, responsável pela usina em questão, a mesma fica localizada a cerca de 20 km da PUREX
Os condados de Franklin e Benton também ativaram seus centros de operações de emergência, mas disseram que suas populações não precisavam tomar nenhuma ação preventiva. O Distrito Escolar de Richland disse aos pais dos alunos e outras pessoas que estavam preocupadas com a situação, que não havia perigo de que qualquer contaminação radioativa pudesse chegar às suas escolas, e que eles não tinham sido afetados de forma alguma pelo incidente.

A Universidade Estadual de Washington, também assegurou aos estudantes e ex-alunos que não havia perigo algum em seu campus de Richland. Por volta das 13h35 todos os funcionários da "200 East Area", que não eram essenciais as operações ou que não fossem responsáveis pela segurança também foram liberados mais cedo e instruídos a irem para suas casas.

Foto tirada no local do incidente, mostrando o buraco que se abriu logo acima do túnel nº 2
Ainda de acordo com o site do jornal Tri-City Herald, o Departamento de Energia dos Estados Unidos disse que, até as 17h de terça-feira, nenhum sinal de vazamento de partículas radioativas na atmosfera havia sido detectado (algo que permanece até o fechamento dessa postagem). Além disso, no início da noite foi divulgado, que o incidente estava passando de uma "fase de emergência" para uma "fase de recuperação". Uma equipe especializada estava se preparando para cobrir o buraco com terra limpa, até que uma solução final pudesse ser colocada em prática.

Isso efetivamente aconteceu. Por volta das 20h (horário local) de terça-feira (9), começou o trabalho de preparação para estabilizar e preencher o buraco sobre o túnel nº 2. Naquela mesma noite, uma estrada de cascalho começou a ser construída até a seção desmoronada. A estrada iria fornecer um caminho seguro para os trabalhadores realizarem os procedimentos necessários da melhor forma possível nessa operação.

O preenchimento do buraco acabou sendo escolhido como a melhor opção. As outras duas possibilidades consistiam em cobrir o mesmo com uma lona ou construir uma estrutura sobre o buraco. Até mesmo um vídeo dessa operação foi publicado no canal HanfordPlateau, do YouTube:



Na manhã seguinte (10), por volta das 9h, cerca de 50 caminhões contendo terra e areia começaram a ser despejados no buraco. Um outro vídeo também foi publicado no canal HanfordPlateau, do YouTube, também mostrando essa operação:



De qualquer forma, vale a pena repetir que, até o fechamento dessa postagem, não houve nenhuma alteração em relação a eventuais detecções de partículas radioativas no ar. As autoridades afirmam com veemência que não houve qualquer tipo de vazamento nesse sentido.

Um Pouco Sobre o "Depósito Nuclear de Hanford" e o Material Radioativo que Está Armazendo no Local onde o Túnel Colapsou


Se você está achando que um mero "buraco" no Depósito Nuclear de Hanford, poderia ser algo inofensivo, acredite, o local é realmente perigoso em relação ao seu passado e o que mesmo ainda abriga. Nessa parte da postagem, vamos contar rapidamente um pouco sobre esse local e o que está armazenado naquele ponto onde ocorreu o incidente. Você vai acabar se surpreendendo com alguns números.

O Sítio de Hanford (também chamado de "Depósito Nuclear de Hanford" ou "Reserva Nuclear de Hanford") ocupa uma área de 1.518 km², praticamente o mesmo tamanho da cidade de São Paulo (que possui 1.521 km²), e fica localizando dentro do condado de Benton, em Washington. Esse sítio era ainda maior, possuía cerca de 1.770 km², e incluía áreas dos condados de Grant e de Franklin.

O Sítio de Hanford (também chamado de "Depósito Nuclear de Hanford" ou "Reserva Nuclear de Hanford") ocupa uma área de 1.518 km², praticamente o mesmo tamanho da cidade de São Paulo (que possui 1.521 km²), e fica localizando dentro do condando de Benton, em Washington (a foto acima mostra apenas duas "pequenas áreas" do Sítio de Hanford)
Uma parte do terreno foi devolvida a iniciativa privada, e atualmente conta com pomares e campos irrigados, muito embora a localidade seja um ambiente desértico, com uma baixíssima precipitação anual, e não há permissão para que civis passem ou trafeguem livremente pelo local, exceto que estejam em passeios guiados.

A criação de Hanford começou em março de 1943 e chegou a empregar cerca de 44 mil trabalhadores (em junho de 1944). A construção das instalações nucleares avançou rapidamente. Antes do fim da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945, já havia sido construído cerca de 554 prédios em Hanford, incluindo três reatores nucleares (105-B, 105-D e 105-F) e três instalações de processamento de plutônio.

Vale ressaltar nesse ponto, que a localidade surgiu como parte do "Projeto Manhattan", sendo o lar do primeiro reator de produção de plutônio em larga escala no mundo (o reator 105-B). O plutônio fabricado no local foi usado na primeira bomba nuclear, testada no Sítio Trinity, e na chamada "Fat Man", a bomba que foi detonada sobre Nagasaki, no Japão.

Vale ressaltar nesse ponto, que a localidade surgiu como parte do "Projeto Manhattan", sendo o lar do primeiro reator de produção de plutônio em larga escala no mundo, o reator 105-B (na foto, mostrando sua construção)
Durante a Guerra Fria, o projeto foi expandido, totalizando nove reatores nucleares e cinco grandes complexos de processamento de plutônio, que produziram plutônio para a maior parte das mais de 60 mil armas construídas para o arsenal nuclear dos Estados Unidos.

A tecnologia nuclear desenvolveu-se rapidamente durante este período, e os cientistas de Hanford produziram as principais realizações tecnológicas da época. Muitos procedimentos iniciais de segurança e práticas de deposição de resíduos radioativos eram inadequados, e documentos governamentais confirmaram que as operações em Hanford teriam liberado quantidades significativas de materiais radioativos no ar e no rio Columbia.

Foto antiga mostrando uma "fazenda de tanques subterrâneos", com 12 dos 177 tanques de armazenamento
de resíduos gerados em Hanford
A instalação denominada de PUREX foi a principalmente responsável pela produção de plutônio-239 durante a Guerra Fria, um material fissionável que pode ser utilizado em bombas para criar explosões nucleares. Varetas de combustível de urânio foram irradiadas em reatores nucleares em Hanford para formar o plutônio-239, e posteriormente encaminhadas para a unidade da PUREX para o seu devido processamento. As varetas de combustível foram dissolvidas em ácido para separar o plutônio do urânio e dos rejeitos nucleares.

A planta da PUREX ocupa um espaço maior do que três campos de futebol, erguendo-se a 20 metros acima do solo e 12 metros abaixo dele, possuindo mutos de concreto de até 6 metros de espessura para proteger os trabalhadores da radiação proveniente da edificação. De acordo com o site oficial, essa instalação foi construída durante o início da década de 1950, e entrou em operação em 1956. Desde esse ano até 1972, e novamente entre 1983 e 1988, a PUREX processou cerca de de 75% do plutônio produzido em Hanford. Alguns cientistas acreditam que mais plutônio foi processado na PUREX, do que em qualquer outra instalação no planeta, uma vez que processou mais de 70 mil toneladas de varetas de combustível de urânio durante suas operações.

Foto antiga mostrando o interior da instalação denominada PUREX
A edificação está vazia há quase 20 anos, mas permanece altamente contaminada. Diversos vagões ferroviários que foram utilizados para transportar as varetas de combustível irradiadas dos reatores nucleares de Hanford para serem processadas na PUREX, acabaram sendo temporariamente enterrados dentro de túneis próximos a unidade. Assim como o restante das estruturas de Hanford, a PUREX está programada para ser descontaminada, demolida e alguns dos seus destroços removidos. Os vagões enterrados juntamente à instalação também deverão ser descontaminados, removidos e permanentemente enterrados. É mais uma questão de tempo, muito tempo mesmo, e dinheiro.

Agora, quer saber o que existe debaixo do túnel nº 2, onde um buraco de 6 x 6 metros foi descoberto na manhã de terça-feira (9)? Bem, a PUREX foi a última de cinco instalações de processamento de plutônio-239 que foram construídas. Muitas vezes essas instalações eram chamadas de cânions, porque eram construções compridas, estreitas e tetos bem altos. O urânio irradiado era levado por vagões de trem, evidentemente sobre trilhos, mas os mesmos tiveram uma segunda utilidade.

Uma espécie de extensão foi construída para acessar um novo sistema de descarte de grandes peças de equipamentos altamente radioativos. Além disso, dois túneis foram construídos para armazenar os resíduos. Um motor elétrico controlado remotamente empurrava os vagões ferroviários carregados com material altamente contaminados da instalação para os túneis.

Infográfico mostrando as características do túnel onde ocorreu o colapso de um trecho do mesmo
O túnel onde ocorreu o incidente era o mais antigo dos dois (não sei a razão pela qual chamam de nº 2 se é o mais antigo, talvez seja pelo tamanho menor), com cerca de 110 metros de extensão e foi construído basicamente com vigas de madeira, muito embora o Departamento de Energia dos Estados Unidos diga que concreto também foi utilizado. Em seguida, o mesmo foi coberto com 2,5m de terra. De acordo com o grupo "Heart of America Northwest", esse túnel possui cerca de 6,7 metros de altura por 5,8 metros de largura. Entre junho de 1960 e janeiro de 1965, oito vagões carregados com resíduos radioativos foram empurrados para dentro do mesmo.

Um outro túnel acabou sendo criado em 1964, bem mais reforçado, com vigas de aço e concreto armado em forma de arco. O mesmo possui 520 metros de extensão e cerca de 28 vagões contendo equipamentos contaminados, embora tenha sido projetado para armazenar até 40 vagões. O último vagão, aparentemente, teria sido colocado no início da década de 1990.

Um relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos, realizado em 1997, apontava que a inspeção desses mesmos túneis não eram viável, uma vez que os níveis de radiação eram superiores a cinco roentgens por hora. Um roentgen, ou rad, é uma unidade de medida de exposição radioativa. Para vocês terem uma ideia, cinco roentgens é o limite anual para um trabalhador, que preste serviços em instalações nucleares nos Estados Unidos.

Imagem aérea do buraco que se formou sobre um trecho do chamado túnel nº 2
Entretanto, isso nem chega perto do que ainda está armazenado em Hanford. Estima-se que o sítio contenha cerca de 211 milhões de litros de resíduos radioativos armazenados em tanques, debaixo da terra, sendo que alguns desde a Segunda Guerra Mundial. Se as autoridades ficaram assim por oito vagões em um túnel (no máximo 36 se somássemos com o outro túnel), imagina o que aconteceria se houve um colapso geral desses tanques de armazenamento? Complicado, não é mesmo?

Autoridades Norte-Americanas, Especialistas e Movimentos Antinucleares Comentaram Sobre o Caso


Apesar do Departamento de Energia dos Estados ter mencionado que Rick Perry, Secretário de Energia - que estava visitando o Laboratório Nacional de Idaho, na cidade de Idaho Falls, a uma distância de 1.600 km a sudoeste do local do incidente - ter sido avisado sobre a emergência, o destaque acabou sendo outros membros do governo norte-americano, assim como governadores e senadores.

Rick Perry (de óculos, na foto), Secretário de Energia, estava visitando o Laboratório Nacional de Idaho,
na cidade de Idaho Falls, a uma distância de 1.600 km a sudoeste do local do incidente
O governador de Washington, Jay Inslee, disse que o Departamento de Energia o notificou da emergência na terça-feira pela manhã. Em seguida, houve um telefonema da Casa Branca também para alertá-lo sobre a situação.

"Esta é uma situação séria, e garantir a segurança dos trabalhadores e da comunidade é a principal prioridade. Continuaremos monitorando esta situação e ajudaremos o governo federal a cuidar desse caso", declarou Jay Inslee.

De acordo com a KING-TV, Jay Inslee aparentava estar bem mais preocupado com a situação do que estava sendo oficialmente divulgado. O motivo era justificável, visto que se você ainda continua pensando, que era apenas um buraco sem muita importância, pense duas vezes. As agências que responderam a essa emergência incluíram, além do Departamento de Energia dos Estados Unidos, os departamentos de polícia e os corpos de bombeiros das cidades de Richland, West Richland e Kennnewick, assim como dos condados de Benton, Franklin e Grant; a Patrulha do Estado de Washington; e autoridades estaduais de Washington e do Oregon. Resumindo, tinha muita gente envolvida em tudo isso.

"Esta é uma situação séria, e garantir a segurança dos trabalhadores e da comunidade é a principal prioridade. Continuaremos monitorando esta situação e ajudaremos o governo federal a cuidar desse caso", declarou Jay Inslee
"Acredito que sempre que há uma falha de contenção, existe uma certa preocupação", disse o governador, acrescentando que o Estado de Washington também estava monitorando a qualidade do ar, independentemente das autoridades federais, o que demonstrava uma certa desconfiança, mas que podia ser entendida como uma "medida de precaução". Além dele, a governadora do Oregon, Kate Brown, disse que também estava monitorando a situação, visto que o rio Columbia passa por Hanford e, em seguida, ao longo da fronteira entre Washington e o Oregon.

"O incidente deve servir como um lembrete que, as soluções temporárias que o Departamento de Energia usou por décadas para conter resíduos radioativos em Hanford têm uma vida útil limitada, sejam túneis subterrâneos para armazenar equipamentos contaminados ou tanques de aço envelhecidos repletos do mais alto nível de resíduos radioativos", declarou o senador Ron Wyden, do estado norte-americano do Oregon.

"Quanto maior for o tempo necessário para limpar Hanford, maior será o risco para os trabalhadores, a população, e o meio ambiente", completou.

"Quanto maior for o tempo necessário para limpar Hanford, maior será o risco para os trabalhadores, a população, e o meio ambiente", declarou o senador Ron Wyden, do estado norte-americano do Oregon
A senadora Patty Murray, do estado de Washington, disse que enviou a sua "mais profunda gratidão as primeiras equipes que estavam no local, e a todos aqueles que estavam trabalhando arduamente para tentar descobrir a gravidade da situação."

Aparentemente, quem estava mais preocupado com essa situação eram as autoridades do Estado do Oregon. O site do jornal "Statesman Journal", sediado na cidade de Salem, no Oregon (não confundam com a famosa cidade de Salem, do estado de Massachusetts), apontou a preocupação do Departamento Estadual de Energia, através do seu porta-voz, o Jonathan Modie.

"Estamos monitorando de perto esse incidente. Se houver alguma detecção de radioatividade dentro de um raio de 80 km da instalação, trabalharemos com nossos parceiros no Departamento de Energia do Oregon, no Departamento de Energia de Washington e do departamento federal de energia. Provavelmente, enviaremos equipes para a área para coletar amostras de ar, água, solo e vegetação", disse Jonathan Modie.

A senadora Patty Murray, do estado de Washington, disse que enviou a sua "mais profunda gratidão as primeiras equipes que estavam no local, e a todos aqueles que estavam trabalhando arduamente para tentar descobrir a gravidade da situação."
O "Statesman Journal" também confirmou que a Administração Federal de Aviação (FAA) tinha imposto uma restrição temporária de vôo, ou zona de exclusão aérea, sobre Hanford as 10h35 da manhã de terça-feira (9), algo que estava previsto para durar até às 17h de ontem (10), mas ao consultar o site da FAA, podemos perceber que essa restrição continua e está prevista para durar até 23h59 dessa quinta-feira.

O "Statesman Journal" também confirmou que a Administração Federal de Aviação (FAA) tinha imposto uma restrição temporária de vôo, ou zona de exclusão aérea, sobre Hanford as 10h35 da manhã de terça-feira (9), algo que estava previsto para durar até às 17h de ontem (10), mas ao consultar o site da FAA, podemos perceber que essa restrição continua e está prevista para durar até 23h59 dessa quinta-feira
No texto publicado no site é mencionado que Hanford possui mais de 9.000 funcionários no total, alguns dos quais moravam no condado de Morrow, no Oregon, sendo que o senador Bill Hansell representava a região. "Minha região do Oregon seria a primeira a ser afetada. Obviamente, estamos muito preocupados e acompanhando as atualizações", disse Bill Hansell.

Cerca de 29.000 habitantes moram nas comunidades vizinhas de Boardman, Irrigon, Hermiston e Umatilla. Além da segurança, autoridades do Oregon disseram que sua maior preocupação era com as fazendas, produtores de leite, e empresas da laticínios dessas comunidades, visto que o condado de Morrow é o lar, por exemplo, da Threemile Canyon Farms, uma das maiores empresas desse ramo, nacionalmente falando.

"Se ocorresse um vazamento, nós coletaríamos amostras do leite para ter certeza que é seguro. Certamente não permitiríamos que ele fosse enviado para nenhum lugar", disse Bruce Pokarney, porta-voz do Departamento de Agricultura do Oregon.

O condado de Morrow é o lar, por exemplo, da Threemile Canyon Farms,
uma das maiores empresas desse ramo, nacionalmente falando.
O site também lembrou que o governo federal produziu plutônio para o programa de armas nucleares do país em Hanford, por mais de 40 anos, conforme já mencionamos anteriormente, criando enormes quantidades de resíduos radioativos e quimicamente perigosos. No entanto, estima-se que cerca de 1,6 trilhões de litros de líquidos contaminados foram despejados no solo por todo o país, causando uma extensa contaminação da água subterrânea, sendo que centenas de instalações antigas ainda estariam contaminadas.

"Descobrimos que, as coisas que foram feitas na década de 1940, foram erros absolutamente gigantescos. Estamos fazendo uma limpeza ambiental desde então", disse Bill Hansell. No mês passado, autoridades do Oregon cobraram do governo federal para que o mesmo continue financiando a limpeza, anualmente bilionária (cerca de US$ 2 bilhões todos os anos com um claro viés de alta a cada "novidade" que é descoberta), de Hanford.

"Descobrimos que, as coisas que foram feitas na década de 1940, foram erros absolutamente gigantescos. Estamos fazendo uma limpeza ambiental desde então", disse Bill Hansell
Edwin Lyman, cientista sênior da "Union of Concerned Scientists" ("União de Cientistas Preocupados", em uma tradução livre para o português), disse que o colapso do túnel era uma grande preocupação devido ao potencial de vazamento de radioatividade.

"Isso é um alerta para que acordem sobre a existência de riscos em todos os complexos de armas nucleares, que são possivelmente quiescentes, e que podem surgir a qualquer momento. Não acredito que o Departamento de Energia esteja provendo recursos suficientes para resolver essas questões com a urgência que elas precisam", disse Lyman.

Edwin Lyman, cientista sênior da "Union of Concerned Scientists" ("União de Cientistas Preocupados", em uma tradução livre para o português), disse que o colapso do túnel era uma grande preocupação devido ao potencial de vazamento de radioatividade
Outro incidente que custou caro ocorreu em um depósito subterrâneo de resíduos nucleares no estado norte-americano do Novo México, em fevereiro de 2014, quando um tambor cheio de resíduos radioativos explodiu. A instalação foi forçada a fechar por quase três anos e reabriu em janeiro. "Ainda não sabemos quais serão as consequências do que aconteceu em Hanford, mas isso tem potencial de se tornar um vazamento ambiental muito mais sério. Eles vão precisar estabilizar esse local", completou.

Um relatório de avaliação de risco publicado de 2015, justamente sobre Hanford, que foi preparado para o Departamento de Energia dos Estados Unidos, pelo Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Vanderbilt, disse que "diversos pedaços de detritos perigosos e equipamentos contendo ou contaminados com resíduos perigosos/mistos" foram colocados no túnel nº 2 da PUREX.  O consórcio de pesquisadores que preparou o relatório disse que o edifício da PUREX e os dois túneis têm "potencial para consequências significativas no local." Eles descreveram os riscos básicos envolvendo a PUREX, dizendo que um terremoto ou outro fenômeno natural "causaria uma falha estrutural do edifício ou dos túneis, e liberaria grande parte dos contaminantes radiológicos dispersáveis."

O relatório também resumiu o progresso na limpeza ambiental a longo prazo de Hanford, dizendo que mais de US$ 100 bilhões devem ser gastos com a limpeza durante os próximos 50 anos.

Um relatório de avaliação de risco publicado de 2015, justamente sobre Hanford, que foi preparado para o Departamento de Energia dos Estados Unidos, pelo Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Vanderbilt, disse que "diversos pedaços de detritos perigosos e equipamentos contendo ou contaminados com resíduos perigosos/mistos" foram colocados no túnel nº 2 da PUREX
"Somente os dois túneis combinados têm aproximadamente tanto ou mais isótopo césio-137, do que foi liberado no ambiente durante o acidente de Fukushima", disse Lyman, referindo-se aos detalhes contidos no relatório, acrescentando que, embora as circunstâncias em Hanford sejam muito diferentes do desastre nuclear de 2011, no Japão, ele acreditava que somente isso ilustrava, que o mesmo não era um local de rejeitos inofensivos e de baixo nível, mas que havia muito com o que se preocupar. O colapso do túnel também refletia problemas maiores em instalações que possuem resíduos nucleares em todo o país.

"O maior problema é a falta de atenção e recursos por parte do Departamento de Energia para lidar com os problemas desse legado. Porém, o departamento é incumbido dessa responsabilidade. Eles têm esse problema e precisam fornecer os recursos para resolver essas questões", completou. Alguns dos outros locais nucleares com alto nível de resíduos radioativos incluem um sítio em Savannah River, na Carolina do Sul, e uma planta de reprocessamento nuclear fechada há muito tempo em West Valley, Nova York.

"Em alguns casos, eles estão lidando com um legado de decisões ruins, que foram tomadas décadas atrás, em nome da segurança nacional. Ainda estamos pagando o preço por isso, e continuaremos pagando", acrescentou.

Alguns dos outros locais nucleares com alto nível de resíduos radioativos incluem um sítio em Savannah River, na Carolina do Sul (foto superior), e uma planta de reprocessamento nuclear fechada há muito tempo em West Valley, Nova York (foto inferior)
"A decisão original de usar esses túneis como lixeiras, não era incomum. Na verdade, em todo o complexo nas primeiras décadas do programas de armas nucleares, eles não pensaram sobre o que fariam mais adiante para a eliminação de resíduos nucleares", continuou.

Lyman disse que outros problemas não abordados em Hanford e Savannah River - as duas principais instalações onde o plutônio foi fabricado para armas nucleares - incluem tanques, que estão repletos de resíduos líquidos com alto nível radioativo e são, em alguns casos, instáveis. Alguns desses tanques geram hidrogênio, logo haveria uma ameaça de explosão. Além disso, alguns deles também estariam vazando.

"Existe um gigantesco legado de todos os tipos de resíduos radioativos. Não há outra solução senão gastar dinheiro e tempo para estabilizá-los, embalá-los, e encontrar um lugar estável para eliminá-los a longo prazo", finalizou Lyman.

Segundo a KIRO7, emissora de TV afiliada da CBS, em Seattle, no estado de Washington, o movimento antinuclear "Beyond Nuclear" mencionou que o incidente ajudava a mostrar "como o gerenciamento de resíduos radioativos estava totalmente fora de controle." A notícia publicada também mencionava, que o procurador-geral do estado de Washington, Bob Ferguson, já havia entrado com uma ação judicial no último outono contra o Departamento de Energia e a empreiteira contratada, a Washington River Protection Solutions, alegando que os vapores liberados de tanques subterrâneos de resíduos nucleares representavam um sério risco para os trabalhadores.

A notícia publicada também mencionava, que o procurador-geral do estado de Washington, Bob Ferguson, já havia entrado com uma ação judicial no último outono contra o Departamento de Energia e a empreiteira contratada, a Washington River Protection Solutions, alegando que os vapores liberados de tanques subterrâneos de resíduos nucleares representavam um sério risco para os trabalhadores


Bob Ferguson disse que desde o início da década de 1980, centenas de trabalhadores foram expostos a vapores que escaparam dos tanques e, aqueles que respiraram os vapores, desenvolveram hemorragias nasais, dores no peito e no pulmão, dores de cabeça, tosse, dor de garganta, olhos irritados e dificuldade respiratória. Por outro lado, advogados do Departamento de Energia disseram que não há provas de que os trabalhadores tenham sido prejudicados devido a tais vapores.

Como o Plutônio Pode Prejudicar o Corpo de um Ser Humano?


Na parte final dessa postagem, vamos entender um pouco sobre como o plutônio pode prejudicar uma pessoa e os danos que o mesmo pode causar. A base para isso será um artigo bem curto que foi publicado pelo site Live Science, justamente devido a intensificação que esse assunto teve e continua tendo na mídia norte-americana.

De acordo com o site Live Science, todo material radioativo, conforme decai, pode causar danos. Uma vez que isótopos radioativos instáveis ou versões de um elemento com diferentes pesos moleculares decaem em versões ligeiramente mais estáveis, eles liberam energia. Essa energia extra pode matar diretamente as células ou danificar o DNA de uma célula, gerando mutações que podem eventualmente levar ao câncer. O plutônio, uma das substâncias radioativas que está presente em Hanford, tem uma meia-vida de 24.000 anos, o que significa que esse é o tempo que ele leva para que metade do material decaia em substâncias mais estáveis. Assim sendo, ele permanece no ambiente, e no corpo, por um longo tempo.

Plutonium-239, 1941. A primeira amostra em que a fissão nuclear foi detectada, na Universidade da Califórnia.
O item acima fica em exposição no Museu Nacional de História Americana, em Washington, D.C
A exposição ao plutônio pode ser letal para as criaturas vivas. Um estudo publicado em 2011, no periódico "Nature Chemical Biology" descobriu que as células das glândulas adrenais de ratos transportavam plutônio para as células. O plutônio entrou nas células do corpo, primordialmente ao tomar o lugar natural do ferro nos receptores. Esse estudo descobriu que o plutônio também pode permanecer preferencialmente no fígado e nas células sanguíneas. Quando inalado, o plutônio também pode causar câncer de pulmão. No entanto, de acordo com os cientistas responsáveis pelo estudo, uma vez o corpo humano ainda prefere ligeiramente o ferro ao plutônio em seus processos biológicos, essa preferência poderia potencialmente fornecer caminhos para tratar a exposição ao plutônio, inundando tais receptores e impedindo que o plutônio fosse absorvido pelas células.

Além disso, um estudo publicado em 2005, no periódico "Current Medicinal Chemistry" descobriu que existem alguns tratamentos de curto prazo para a exposição ao plutônio. Estudos realizados nas décadas de 1960 e 1970 identificaram agentes como o dietilenetriaminapentaacético (DTPA), que pode ajudar o corpo a remover plutônio mais rapidamente. Outras drogas, como as usadas no tratamento de transtornos do processamento de ferro, como a beta talassemia, ou medicamentos de fortalecimento ósseo, que tratam a osteoporose, também podem ser úteis para a exposição ao plutônio.

O urânio, outro elemento radioativo que muito provavelmente está presente em concentrações perigosas nos túneis da PUREX, também pode ter efeitos nocivos para a saúde humana. Os isótopos de urânio têm meias-vidas que variam de 4,5 bilhões de anos a 25 mil anos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o maior risco de saúde que as pessoas enfrentam depois de terem sido expostos ao urânio se concentra nos rins. As pessoas expostas ao urânio também podem ter problemas pulmonares, como tecido cicatricial (fibrose) ou enfisema (grandes sacos aéreos nos pulmões). Em doses elevadas, o urânio pode levar a falência renal e pulmonar. No entanto, estudos descobriram que as pessoas que bebem água de poço contendo baixas doses de urânio não apresentam alterações significativas na função renal.

O urânio, outro elemento radioativo que muito provavelmente está presente em concentrações perigosas nos túneis da PUREX, também pode ter efeitos nocivos para a saúde humana. Os isótopos de urânio têm meias-vidas que variam de 4,5 bilhões de anos a 25 mil anos
O urânio também pode decompor-se em radônio, que tem sido associado a um aumento do risco de câncer em vários estudos, particularmente em mineiros que estão expostos a níveis mais elevados. Além disso, formas radioativas de iodo e césio, por exemplo, e que podem estar presentes em Hanford, também podem causar sérios problemas como o câncer de tireoide.

Enfim, AssombradOs, de qualquer forma resta apenas aguardar os desdobramentos desse caso, na esperança, é claro, que as autoridades estaduais e federais realmente estejam sendo transparentes e resolvam o quanto, de forma definitiva, a situação de Hanford. Se algumas vibrações tiverem sido realmente a causa do colapso daquele túnel, isso mostra claramente a fragilidade de todo o sistema de contenção e o risco real que centenas de milhares de norte-americanos estão correndo. Enfim, caso haja mais alguma novidade relevantes, manteremos vocês informados através dessa mesma postagem, combinado?

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://abcnews.go.com/US/hanford-nuclear-emergency/story?id=47323670
http://tfr.faa.gov/save_pages/detail_7_2817.html
http://touch.latimes.com/#section/-1/article/p2p-93263685/
http://www.businessinsider.com/hanford-nuclear-site-tunnel-collapse-2017-5
http://www.cbc.ca/news/technology/hanford-us-nuclear-waste-radioactive-contamination-tunnel-1.4107595
http://www.efe.com/efe/brasil/mundo/eua-declaram-emergencia-em-central-nuclear-por-colapso-de-tunel/50000243-3261464
http://www.independent.co.uk/news/world/americas/washington-nuclear-tunnel-collapse-hanford-latest-news-updates-plutonium-plant-disaster-a7726866.html
http://www.king5.com/news/local/hanford/tunnel-collapses-at-hanford-no-radiation-released-officials-say/438227872
http://www.kiro7.com/news/local/hanford-evacuates-staff-over-contamination-concerns/520876290
http://www.livescience.com/59042-how-does-plutonium-damage-the-body.html
http://www.popsci.com/tunnel-collapse-nuclear-hanford
http://www.sciencealert.com/a-tunnel-full-of-radioactive-waste-has-caved-in-at-one-of-the-most-contaminated-nuclear-sites-in-the-us
http://www.spokesman.com/stories/2017/may/09/tunnel-with-nuclear-waste-collapses-in-washington-/#/0
http://www.spokesman.com/stories/2017/may/10/hanford-update-workers-building-road-to-reach-coll/
http://www.statesmanjournal.com/story/tech/science/environment/2017/05/09/oregon-activates-emergency-operation-center-after-tunnel-collapses-hanford-nuclear-reservation/101470768/
http://www.tri-cityherald.com/news/local/hanford/article149475209.html
http://www.tri-cityherald.com/news/local/hanford/article149695314.html
http://www.zerohedge.com/news/2017-05-09/emergency-alert-declared-hanford-nuclear-facility-washington-evacuation-ordered
https://energy.gov/em/hanford-site
https://web.archive.org/web/20170510013509/http://www.hanford.gov/c.cfm/eoc/?page=290
https://www.rt.com/usa/387760-hanford-tunnel-collapse-nuclear/
https://www.theatlantic.com/science/archive/2017/05/hanford-tunnel-collapse/526041/
https://www.washingtonpost.com/news/post-nation/wp/2017/05/09/tunnel-collapses-at-hanford-nuclear-waste-site-in-washington-state-reports-say/
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