20 de abril de 2017

Será Verdade que os Cientistas Estão Pretendendo "Clonar" Jesus Cristo a Partir dos Ossos de João Batista ou do Santo Sudário?


Por Marco Faustino

Quando tocamos no tema religião é sempre algo muito sensível para a absoluta maioria das pessoas. Isso é compreensível, porque estamos entrando em um campo repleto de crenças, fé e esperança de uma vida melhor para si mesmo(a) e para aqueles que a pessoa ama. Assim sendo, sempre tento abordar esses assuntos da forma mais limpa e imparcial possível. A questão não é defender e nem mesmo acusar qualquer crença, mas ter um olhar criterioso e apontar dados e informações, que muitas vezes as pessoas não possuem qualquer tipo de conhecimento. Então, naturalmente, quando alguém não tem informações suficientemente claras a respeito de um determinado assunto, tende a agir meramente por suas emoções diante do que acredita ser uma ofensa. De qualquer forma, acredito que ao realizar um trabalho e mostrar uma pesquisa bem feita sobre um tema específico, ainda que tenha cunho religioso, é praticamente "meio caminho andado" na direção de uma plena compreensão. Essa não é a primeira vez que abordo assuntos espinhosos, e provavelmente não será a última caso o Google/YouTube assim permitam, é claro, uma vez que estamos em uma época de caça às bruxas, onde qualquer coisa, a qualquer momento pode ser "censurado financeiramente" falando, se é que vocês me entendem. Portanto, acredito fielmente que todas as pessoas, independentemente de suas crenças, se sentem confortáveis em ler o material que sempre trazemos para vocês com muita responsabilidade, dignidade e acima de tudo respeito, porque essa é a base para conquistar dia após dia a confiança e a credibilidade de cada um de vocês, nossos leitores.

Dessa vez, o assunto dessa postagem é meio polêmico, mas talvez não exatamente pelo tema, mas como ele passou a ser propagado por alguns sites de notícias brasileiros, sites internacionais de cunho bem alarmista e principalmente, como não podia deixar de ser, tabloides britânicos. Assim sendo, recentemente começaram a ser propagadas notícias com os seguintes títulos: "Cientistas Querem clonar Jesus a Partir de Ossos de João Batista", "Pesquisador Propõe Clonar Jesus a Partir do DNA de João Batista e de Tiago" ou então "Cientistas Querem Clonar Jesus Cristo Através dos Restos de seu DNA Deixado Aqui na Terra". Nessas notícias era mencionado que um cientista chamado George Busby, professor da Universidade de Oxford (Inglaterra), havia publicado recentemente um artigo na revista acadêmica "The Conversation" dizendo que estava prestes a encontrar amostras do DNA de Jesus Cristo. A ideia seria clonar Jesus Cristo, em uma tentativa que, a princípio, utilizaria o DNA encontrado no Santo Sudário, ato que a Igreja Católica - guardiã do material - não havia autorizado. Então, o material genético que os cientistas tentariam utilizar nesse experimento seria a ossada encontrada de João Batista, primo de Jesus. Agora, será que toda essa história é realmente verdade? Os pesquisadores querem mesmo cloná-lo a partir do seu DNA, em uma espécie de projeto sobre a "Segunda Vinda de Jesus Cristo"? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Algumas Considerações Iniciais: A "Ideia" de Querer Clonar "Jesus Cristo" Não é Bem uma Novidade na Internet


Antes de começarmos é necessário fazer algumas ponderações sobre esse assunto um tanto quanto polêmico. Primeiramente, é importante mencionar que essa "ideia" de querer clonar Jesus Cristo não é nova. Se vocês fizerem uma rápida busca no Google encontrarão sites mencionando sobre diversos supostos "projetos" nesse sentido  Um desses supostos projetos, para vocês terem uma noção, data do ano 2000, e citava que o "DNA de Jesus Cristo seria extraído a partir do Santo Sudário, inserido dentro de um óvulo não fertilizado e implantado dentro do útero de uma jovem virgem". Se tudo transcorresse conforme o planejado, a criança, ou seja, o segundo Jesus Cristo, nasceria em 25 de dezembro de 2001. Como vocês podem perceber, isso não aconteceu.

Um desses supostos projetos, para vocês terem uma noção, data do ano 2000, e citava que o "DNA de Jesus Cristo seria extraído a partir do Santo Sudário (na foto), inserido dentro de um óvulo não fertilizado e implantado dentro do útero de uma jovem virgem"
Além disso, também já tivemos até supostos projetos envolvendo a extração de DNA da icônica "Lança do Destino" que, segundo o Evangelho de João, teria sido uma lança utilizada pelo centurião romano chamado "Longinus", que por sua vez teria perfurado Jesus Cristo durante a crucificação. De qualquer forma, essa lança é considerada praticamente uma lenda, visto que há diversas pontas de lança, supostamente romanas, que alegam ser a "Lança do Destino" espalhadas ao redor do mundo. Sinceramente, nem compensa ir atrás para desmentir cada vez que isso surge na internet, visto que, infelizmente, praticamente todos os sites que falam sobre isso são altamente questionáveis ou especulativos, exceto, é claro, aqueles que possuem uma opinião mais racional sobre o assunto.

A suposta "Lança do Destino" localizada no Tesouro Imperial, no Palácio Hofburg em Viena, na Áustria
Outra suposta "Lança do Destino" localizada em  Vagharshapat (antigamente chamada de Echmiadzin), na Armênia
Outro ponto interessante a ser comentado é sobre o site "The Conversation", que vem sendo citado pelos sites que estão propagando toda essa história. Esse site não é bem uma revista acadêmica ou um repositório totalmente confiável de artigos escritos por acadêmicos. Aliás, isso também não quer dizer que sejam artigos científicos ou estudos revisados por pares, pelo contrário, uma vez que o "The Conversation" é um local destinado a "notícias independentes" e "pontos de vista" de acadêmicos.

Quando alguém lê uma notícia atribuindo valores a pessoas, artigos ou sites, a pessoa tende a acreditar que seja algo mais científico e mais credível por assim dizer, mesmo que essa pessoa não seja muito adepta da relação amigável entre ciência e religião. Conforme mencionamos anteriormente, o "The Conversation" é uma espécie de canal de mídia independente e sem fins lucrativos, que utiliza o conteúdo fornecido pela comunidade acadêmica e de pesquisa.

O "The Conversation" é uma espécie de canal de mídia independente e sem fins lucrativos,
que utiliza o conteúdo fornecido pela comunidade acadêmica e de pesquisa
Historicamente, quando um veículo de comunicação ou um site de notícias menciona ser "independente", sempre aparece envolvido em confusões. O "The Conversation", por exemplo, é acusado de ser "unilateral" e repleto de "refugiados de esquerda de organizações de mídia comercial". Há quem acuse que, durante o auge da crise financeira da Grécia, "um número impressionante de cientistas sociais e economistas gregos dispararam a escrever artigos pró-Syriza (um partido político de esquerda da Grécia). Enfim, de qualquer forma sempre tenham atenção em sites que se digam "independentes", porque isso geralmente mascara a real finalidade dos mesmos.

Como Tudo Isso Começou? O Texto Publicado pelo Pesquisador George Busby no Site "The Conversation" Fala Alguma Sobre "Clonar" Jesus Cristo?


Agora que você já está munido com algumas informações iniciais importantes e pertinentes a esse assunto, vamos conferir o que o pesquisador George Busby escreveu em seu artigo publicado no site "The Conversation", no dia 12 de abril desse ano, intitulado: "Can we ever find Jesus’s DNA? I met the scientists who are trying to find out" ("Podemos encontrar o DNA de Jesus? Conheci os cientistas que estão tentando descobrir", em português). Leiam o texto abaixo:

"Foi a primeira parada em uma viagem extraordinária. Em uma brilhante, mas muito fria tarde de janeiro no início deste ano, estive em uma pequena ilha no Mar Negro, próxima a Sozopol, na Costa Leste da Bulgária. A ilha de Sveti Ivan tem sido um destino para os viajantes: ela ostentava um templo de Apolo em tempos antigos. Porém, eu estava lá para falar com um antigo arqueólogo búlgaro sobre a descoberta mais importante de sua carreira.

A ilha de Sveti Ivan tem sido um destino para os viajantes: ela ostentava um templo de Apolo em tempos antigos
Em 2010, Kasimir Popkonstantinov descobriu o que ele acredita ser os ossos de um dos mais famosos de todos os santos: João Batista. Estava interessado em saber o que a análise de DNA poderia nos dizer sobre esses ossos, entre outras coisas. Juntamente com Joe Basile, especialista em estudos bíblicos, estive viajando ao redor do mundo gravando um documentário sobre a evidência científica que correlaciona artefatos religiosos e arqueológicos ao próprio Jesus Cristo.

Kasimir Popkonstantinov realizou sua descoberta quando estava escavando uma igreja do século VI nessa ilha, construída sobre uma basílica no século anterior. Conforme ele cuidadosamente raspou através da lama onde deveria estar o altar, ele se deparou com uma laje de pedra e ficou maravilhado ao encontrar uma pequena caixa de mármore logo abaixo. Ele imediatamente soube o que era aquilo. Para que uma igreja fosse consagrada nessa região da Europa, no século V, era necessário contar com uma relíquia de um santo ou de uma pessoa religiosa. Essa caixa, conhecida como relicário, teria que abrigar tal relíquia. 

O professor Kasimir Popkonstantinov e o relicário de mármore, onde possivelmente se encontravam os ossos de João Batista
Ele continuou a escavar em volta e encontrou uma outra caixa menor, a cerca de um metro de distância. Na borda inferior havia uma inscrição: "Que Deus o salve, servo Tomé. Para São João." Posteriormente, quando Kasimir abriu o relicário, ele encontrou cinco fragmentos de ossos. O epitáfio na caixa menor, provavelmente usado para transportar os ossos durante a viagem, foi a peça chave de evidência, que o levou a acreditar, que os ossos talvez pudessem ser os de João Batista. A descoberta é extremamente importante, em parte porque João Batista foi um discípulo de Jesus, e seu primo, o que significa que eles compartilhariam o DNA.

Graças a uma série de avanços científicos, a área relacionada a DNA ancestral - a extração e análise de material genético de ossos e fósseis de organismos desenterrados do solo - está crescendo. Agora temos sequências de DNA de centenas de pessoas mortas há muito tempo, e a análise dessas sequências está refinando ainda mais nossa compreensão da história humana."

DNA Como Prova de Identidade


"Inicialmente, estava cético sobre o que os ossos búlgaros poderiam nos ensinar. Para começar, nenhum teste de DNA pode provar que estes eram os restos mortais de João Batista, Jesus ou qualquer outra pessoa específica. Não podemos extrair e analisar uma amostra de DNA desconhecida e dizer magicamente que pertencia a este ou aquele personagem histórico. Para fazer isso, precisaríamos ter uma amostra de DNA que, sem qualquer sombra de dúvidas, fosse de João Batista, e assim poderíamos comparar com os ossos em questão. Portanto, sequenciar apenas o DNA não seria muito útil.

 O amanhecer no Monte das Oliveiras com vista para a antiga cidade de Jerusalém
Outra consideração importante é o risco de contaminação. Em um cenário ideal, o material antigo que desejemos utilizar para a análise genética deve estar intocado por qualquer pessoa, desde que a pessoa em questão tenha morrido. As melhores amostras nesse sentido são extraídas do solo, colocadas em um saco e, em seguida, enviadas diretamente para um laboratório especializado em DNA ancestral. Nos 500 anos entre a morte de João e seus ossos serem selados na igreja, inúmeras pessoas podem ter manuseado os mesmos, e deixado vestígios de seus respectivos DNAs.

Entretanto, isso não significa que tudo está perdido. O DNA se degrada ao longo do tempo, assim podemos testar qualquer DNA extraído de restos mortais antigos a procura de indicadores de degradação. Isso significa que podemos diferenciar a contaminação moderna de genomas antigos. Também podemos tentar extrair DNA do interior dos ossos e sequência o DNA das pessoas que são conhecidas por terem entrado em contato com os artefatos para ajudar a distinguir o DNA ancestral e os agentes contaminantes modernos."

O Que o DNA Pode Nos Dizer


"O DNA deve ser usado como uma ferramenta adicional para a Arqueologia. Na minha opinião, há dois benefícios claros, que a análise de DNA pode trazer para essa questão em particular. Podemos comparar o DNA de uma relíquia com o DNA de outras relíquias. Se encontrarmos outras relíquias supostamente de João Batista, ou um parente próximo assim como Jesus, então poderíamos usar a genética para comparar os dois para ver se eles são prováveis de terem vindo das mesmas pessoas ou de pessoas relacionadas. Além disso, temos coleções crescentes de DNA coletadas de pessoas em todo o mundo, algo que podemos usar para fazer uma suposição sobre as origens geográficas das relíquias.

Então, o que os ossos búlgaros nos disseram? A datação por radiocarbono sugeriu que eles tinham 2.000 anos de idade. Sua sequência de DNA aparentou mostrar uma afinidade às populações modernas do Oriente Médio. Infelizmente, quando falei com o geneticista que fez a pesquisa, ele me disse que, desde então, descobriram que a sequência de DNA correspondia à pessoa que extraiu o material ósseo, o que significava que uma contaminação era mais do que provável. Além disso, eles só tinham uma pequena quantidade de material para trabalhar, por isso era improvável que sejamos capazes de usar o DNA para sabermos realmente a quem os ossos pertenciam.

Posteriormente, quando Kasimir abriu o relicário, ele encontrou cinco fragmentos de ossos (na foto). O epitáfio na caixa menor, provavelmente usado para transportar os ossos durante a viagem, foi a peça chave de evidência, que o levou a acreditar, que os ossos talvez pudessem ser os de João Batista
Entretanto, também visitei outros cientistas que possuíam outras relíquias, onde a análise de DNA poderia ser possível. Por exemplo, pesquisas recentes identificaram o DNA de diversas pessoas no Sudário de Turim (também conhecido como Santo Sudário), que é um pedaço de pano que alguns acreditam que Jesus foi enrolado quando o desceram da cruz.

Em Jerusalém, também nos encontramos com um homem que está em processo de sequenciamento de material do "Ossuário de Tiago", uma caixa de calcário do primeiro século que pode ter armazenado os ossos do irmão de Jesus. Encontramos também um arqueólogo em Israel, com diversos cravos de crucificação, sendo que um deles ainda estava cravado em um osso do calcanhar de uma pobre alma crucificada. Infelizmente, é impossível extrair o DNA a partir de ferro enferrujado.

O "Ossuário de Tiago" (na foto), uma caixa de calcário do primeiro século que pode ter armazenado os ossos do irmão de Jesus
Embora a análise de DNA não possa provar que esses são os artefatos que alguns acreditam que sejam, a esperança é que esses e outros itens possam um dia fornecer uma visão sobre as relações entre eles e seus descendentes modernos. Vamos supor por um momento que a contaminação pudesse ser completamente descartada, e que a análise de DNA demonstrasse que o DNA do Sudário era uma correspondência familiar com o DNA do "Ossuário de Tiago", e que ambos estivessem relacionados com os ossos búlgaros. Poderia ser o DNA de Jesus e sua família? Para responder a isso, tudo que você precisa é um pouco de crença."

Enfim, conforme vocês puderam acompanhar, em nenhum momento do artigo é mencionado que George Busby tivesse pretensão de "clonar" Jesus Cristo. Além disso, até mesmo tentar identificar possíveis descendentes é algo bem remoto e difícil por uma série de fatores mencionados no artigo. De qualquer forma, vamos saber uma rápida análise dessa história.

Uma Rápida Análise do que Foi Mencionado por George Busby


Não sei se foi somente impressão minha, mas me senti um pouco frustrado ao chegar ao final do artigo escrito pelo George Busby. Se formos realmente colocar no papel as evidências cientifícas, que realmente poderiam nos dizer alguma coisa, nesse exato momento e diante do seu texto, não teríamos praticamente nada.

George Busby é apontado como pesquisador associado
em Estatística Genômica da Universidade de Oxford
Aparentemente, dependemos de um futuro, que não podemos precisar quando, no qual tenhamos provas convicentes, que determinados restos mortais possam ser realmente de algum familiar de Jesus Cristo ou até mesmo do próprio Jesus Cristo, para então tentar extrair um DNA bem degradado e passível de um alto índice de contaminação, apenas para tentar identificar os eventuais descendentes de sua família.

E olha que não estou e nem entrarei no mérito sobre a existência ou natureza divina de Jesus, e nem mesmo se tais relíquias, artefatos ou até mesmo o Santo Sudário, que vira e mexe, é alvo de polêmicas e teorias de que tudo não passaria de uma grande farsa, sejam realmente verdadeiras ou tão antigas quanto se acredita.

É importante destacar que o autor do artigo, George Busby é apontado como pesquisador associado em Estatística Genômica da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Também é mencionado que ele foi um consultor pago pela produtora TIJAT (This is Just a Test), a companhia por trás do documentário exibido pelo History Channel. Em seu perfil no site "The Conversation", no qual ele possui apenas três artigos publicados, ele cita que vem "tentando entender a razão pela qual algumas pessoas na África simplesmente parecem não contrair a malária, mesmo que vivam em uma região altamente endêmica. A resposta é muito complicada, mas é claro que existe um componente genético." Além disso, ele escreveu que "está interessado em usar a genética para entender a história humana", e que teríamos o registro de nossa ancestralidade dentro de cada um de nós.

É importante destacar que o autor do artigo, George Busby é apontado como pesquisador associado em Estatística Genômica da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Também é mencionado que ele foi um consultor pago pela produtora TIJAT (This is Just a Test), a companhia por trás do documentário exibido pelo History Channel
Em seu perfil no site "The Conversation", no qual ele possui apenas três artigos publicados, ele cita que vem "tentando entender a razão pela qual algumas pessoas na África simplesmente parecem não contrair a malária, mesmo que vivam em uma região altamente endêmica. A resposta é muito complicada, mas é claro que existe um componente genético."
De acordo com George, o objetivo seria aprender como a história afetou nossos genes, não somente do ponto de vista evolutivo, mas para descobrir como as relações genéticas entre as populações podem ajudar a interpretar estudos epidemiológicos genéticos no caso de doenças infecciosas.

Não é à toa, que ele aparece como tendo um PhD pelo Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, tendo trabalhado no laboratório de um pesquisador chamado Cristian Capelli, também na Universidade de Oxford, usando técnicas genéticas evolutivas para explorar os movimentos ancestrais de pessoas ao redor do Mediterrâneo. Atualmente, no entanto, George estaria trabalhando no Centro Wellcome Trust de Genética Humana, da Universidade de Oxford.

Não é à toa, que George Busby aparece como tendo um PhD pelo Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, tendo trabalhado no laboratório de um pesquisador chamado Cristian Capelli, também na Universidade de Oxford, usando técnicas genéticas evolutivas para explorar os movimentos ancestrais de pessoas ao redor do Mediterrâneo
Em seu artigo, como era de se esperar, George Busby foi criticado pela pouca profundidade do mesmo. Um comentário em particular me chamou a atenção, visto que foi o único comentário entre 65 (até o fechamento dessa postagem), que George Busby respondeu. Um usuário chamado John Dakin citou que o artigo era "bizarro". Primeiramente, porque o George afirmou, sem nenhuma qualificação, que Jesus de Nazaré e João Batista eram primos, porém a única garantia disso seria o Evangelho Segundo Lucas, Capítulos 1 e 2. Segundo John, esses capítulos contêm a narrativa da infância de Lucas, sendo que as narrativas da infância de Mateus e Lucas são altamente questionáveis e se contradizem em diversos detalhes importantes.

Ainda de acordo com John, George mencionava Joe Basile, seu parceiro no documentário, como alguém que fosse um especialista em estudos bíblicos, mas o endereço apontado por ele remetia a uma conta no Twitter, onde Joe Basile dizia ser apenas um "pastor da Igreja Encounter Road -  Clovis/Visalia & The Valley", no estado norte-americano da Califórnia. Assim sendo, seria difícil determinar o que Joe alegava ter de conhecimento para alegar que era um especialista em estudos bíblicos. Por fim, John ainda questionou o final do artigo, onde George mencionava que era necessário ter "um pouco de crença" ou um "pouco de fé".

Em seu artigo, como era de se esperar, George Busby foi criticado pela pouca profundidade do mesmo.
Um usuário chamado John Dakin citou que o artigo era "bizarro".
Em sua resposta, George inicialmente disse que John estava certo ao dizer que o Evangelho de Lucas sugeriria que Maria, mãe de Jesus, e Isabel, mãe de João Batista, eram primas, e que essa era a base de sua declaração sobre o parentesco de ambos. Disse também que ele poderia ter o ponto de vista de que as narrativas de infância estivesse cheias de contradições e fossem potencialmente um mito, visto que muitos consideram que a Bíblia inteira seja um mito. Na verdade, algumas pessoas questionam até mesmo se Jesus existiu como figura histórica. Posteriormente, George mencionou que seu artigo queria demonstrar que, sendo geneticista e havendo o DNA de Jesus e João Batista, ele poderia analisá-lo e entender como ambos estão relacionados.

George disse que no artigo, que ele abordava isso por um outro ângulo. Ele sugeria (com grandes ressalvas) que poderíamos obter DNA de uma relíquia que poderia ter pertencido a Jesus e uma relíquia que poderia ter pertencido a João Bastista, para então avaliar se eles eram primos do ponto de vista genético. Isso seria interessante, visto que a Bíblia, sendo ou não apenas um mito, menciona essa relação.

Já sobre Joe Basile, George disse que ele era realmente um pastor da Califórnia, e ele não via, a princípio, como isso o desqualificaria como especialista em estudos bíblicos, pois isso depende da definição particular de "estudioso". Joe teria passado anos estudando, ensinando e pregando a Bíblia. Então, na opinião de George, isso tornaria o Joe, "um estudioso".

Resposta de George Busby para o usuário John Dakin
Em relação a sua frase final, George disse que o Cristianismo, assim como toda religião, é baseado na crença. Segundo George, a questão é que a ciência nunca será capaz de provar que um osso, cravo ou determinada roupa pertencia a uma pessoa em específico, que viveu há 2.000 anos. Porém, poderia fornecer algum detalhe arqueológico, ou até mesmo talvez genético. Portanto, se alguém quiser pensar que a combinação de evidências científicas e bíblicas apontam para ser Jesus e sua família, então é crença e não ciência que ajudar essa pessoa.

Bem, como vocês podem notar até o momento, o documentário exibido pelo History Channel teria sido produzido pela empresa TIJAT, sediada em Los Angeles, na Califórnia, que costuma prestar serviço para canais como Discovery, Animal Planet, National Geographic, além de criar campanhas publicitárias para empresas multinacionais. Entre os principais personagens, temos um pastor jovial, moderno, repleto de tatuagens (nada contra, visto que também possuo tatuagens) de uma igreja que possui dois "campus" coincidentemente também no Estado da Califórnia. Outro destaque seria o George Busby, o PhD pelo Departamento de Zoologia de Oxford, mas que aparece como pesquisador associado em Estatística Genômica, uma credencial bem mais imponente. É o mesmo George o responsável por dizer que a definição de estudioso é pessoal, ou seja, não importa onde a pessoa estudou, os congressos, seminários que frequentou, nada, isso é bobeira. Assim sendo, em um mundo que cada vez mais clama por experiência, qualificação e veracidade do que é divulgado, cada um pode se considerar como quiser como estudioso.

De qualquer forma, encontrei um material bem interessante que foi publicado no dia 14 de abril, cerca de dois dias antes do documentário ser exibido no History Channel, pelo site de notícias Visalia Times-Delta, justamente sobre o pastor Joe Basile.

Quem é o Pastor Joe Basile?


Na matéria publicada pelo site Visalia Times-Delta, inicialmente foi feito o seguinte questionamento: "Como você vai de um rapper de Chicago para um especialista em estudos bíblicos requisitado pelo History Channel para ir à Terra Santa para fazer um especial de Domingo de Páscoa sobre o DNA de Jesus?" Também foi mencionado que vem sendo uma longa e incrível jornada para Joe Basile, que foi escolhido para trabalhar com o geneticista George Busby, em uma combinação de fé e ciência em busca do DNA de Jesus.

"O History Channel realmente queria precisão. Usamos a Bíblia como um mapa combinado com a ciência. Meu papel era ter certeza de que não saíssemos dos limites", disse o pastor Joe Basile.

De acordo com o Visalia Times-Delta, os dois especialistas usaram os mais recentes avanços científicos em termos de DNA, para investigar as relíquias sagradas mais famosas do mundo, incluindo o Sudário de Turim, o Sudário de Oviedo e os recém-descobertos ossos do primo de Jesus, João Batista (detalhe que não há nenhuma confirmação nesse sentido). O resultado poderia ser visto no especial denominado "The Jesus Strand: A Search for DNA", com cerca de 2h, que seria (e foi, diga-se de passagem) exibido nos Estados Unidos no último domingo (16).

Foi mencionado que vem sendo uma longa e incrível jornada para Joe Basile (à direita), que foi escolhido para trabalhar com o geneticista George Busby (à esquerda), em uma combinação de fé e ciência em busca do DNA de Jesus
"Ter sido escolhido para um projeto como esse soa muito bom para ser verdade. Eu mesmo disse à igreja, que isso provavelmente não era real, mas eles estavam interessados em mim", disse o pastor Joe, repleto de tatuagens pelo corpo. Depois de ter sido entrevistado e escolhido como um especialista em estudos bíblicos para o especial, ele passou 25 dias com George Busby, e uma equipe de filmagem indo a locais sagrados da Espanha e Itália, até Israel e as margens do Mar Negro.

Ao extrair e analisar amostras de relíquias sagradas em cada local, eles esperavam recuperar uma amostra de DNA, que possivelmente pertencesse a Jesus ou a um membro de sua família. O objetivo era ver se eles poderiam encontrar uma fita de DNA de Jesus, o que poderia ajudar a identificar os seus descendentes, e fornecer uma nova visão sobre o homem que muitos consideram ser a pessoa mais importante na história.

"Fomos capazes de ir a lugares que ninguém mais tem acesso, e dar uma olhada em artefatos que são incríveis. Foi um momento de mudança de vida para mim", disse o pastor Joe. Eles deram uma olhada em algumas das mais bíblias e textos antigos da Biblioteca Bodleian, na Universidade de Oxford, uma das mais célebres bibliotecas do mundo. Em Turim, na Itália, eles foram autorizados a fazer testes no Sudário de Turim, registrado na Bíblia como a mortalha que envolveu Jesus.

O pastor Joe Basile ao lado do geneticista George Busby na Ilha Sveti Ivan, na costa da Bulgária
"O Vaticano só permitiu dois testes. Eles nos deram acesso ao testes deles e fizemos alguns testes por conta própria", continuou. No Norte da Espanha, eles viram o Sudário de Oviedo, o pano que a "tradição e os estudos científicos" alegam ter sido usado para cobrir e limpar o rosto de Jesus após a crucificação. Na ilha de Sveti Ivan, na costa da Bulgária, no Mar Negro, eles testaram os ossos encontrados em 2010, que se acredita serem os de João Batista.

"George e eu tínhamos que descobrir - eu a partir da Bíblia, ele a partir da ciência - o que era genuíno", acrescentou, uma vez que a ciência e a religião nem sempre concordam em relação a artefatos históricos. Por sua vez, John Verhoff, produtor executivo de programação do History Channel, explicou o desafio.

O pastor Joe Basile no interior da biblioteca Bodleian, na Universidade de Oxford, na Inglaterra
"Devido ao tremendo salto na tecnologia do DNA nos últimos anos, houve uma discussão para ver se poderíamos acessar algumas das relíquias religiosas mais famosas e testar o DNA. A ideia era ver se poderíamos revelar novas informações sobre as relíquias, bem como encontrar algo que pudesse apontar para a figura histórica de Jesus. Queríamos ver se a ciência poderia aprofundar nossa compreensão de Jesus, o homem", disse John Verhoff, uma vez que o canal queria mostrar uma visão equilibrada.

"Joe tem uma fé poderosa, bem como curiosidade genuína. Ele estava aberto a investigar a figura histórica de Jesus. Joe era alguém que poderia equilibrar o aspecto religioso dessa viagem, juntamente com o histórico e científico", completou John.

"Todas as noites, estive estudando sobre tudo o que os especialistas falariam no dia seguinte - escrituras, história, localização, idiomas. Eu vi todos os meus estudos ganharem vida. A viagem inteira me surpreendeu. Meu objetivo era que Jesus saísse das páginas e voltasse à vida. Acho que encontramos algumas coisas interessantes", disse o pastor Joe, que não quis revelar naquele momento o que seriam essas coisas, visto que as pessoas precisariam assistir ao documentário.

O pastor Joe Basile em sua igreja a "Encounter Road Church", em Clovis, na Califórnia
O texto publicado pelo Visalia Times-Delta também menciona que Joe Basile cresceu em uma grande família católica italiana-americana em Chicago, o caçula de 10 filhos. Depois de ter o que ele descreveu como um "poderoso momento em uma igreja protestante evangélica", Joe entrou em uma espécie de "jornada espiritual". Ele se matriculou na Trinity International University como estudante de estudos bíblicos, tornando-se a primeira pessoa em sua família a se formar na faculdade.

"Sinceramente, foi um tremendo desejo por respostas, que começou com minha primeira Bíblia. Eu criei minha própria concordância por trás das minhas passagens bíblicas, nas quais forneciam respostas claras a questões urgentes. Toda vez que eu fazia isso, eu dava aquela Bíblia para um novo Cristão e criava uma nova", disse o pastor Joe.

"Sinceramente, foi um tremendo desejo por respostas, que começou com minha primeira Bíblia. Eu criei minha própria concordância por trás das minhas passagens bíblicas, nas quais forneciam respostas claras a questões urgentes. Toda vez que eu fazia isso, eu dava aquela Bíblia para um novo Cristão e criava uma nova", disse o pastor Joe
Joe Basile começou uma igreja em sua cidade natal, mudou-se para Los Angeles para iniciar uma igreja e foi abordado para participar de três reality shows sobre religião, que nunca foram vendidos. Mais recentemente ele esteve na cidade de Fresno como pastor da Primeira Igreja Batista de Fresno, e dois anos atrás começou sua igreja na cidade de Clovis.

Quando o pastor da "Road Chuch" em Visalia aposentou-se, as duas igrejas fundiram-se. Joe Basile também já esteve no programa do Jim Franklin, na rádio KMJ diversas vezes, sendo convidado a defender a "ressurreição de uma perspectiva intelectual". Sua igreja está presente na TV, no canal CW, todos os domingos de manhã. Portanto, ele era uma escolha praticamente lógica para ser explorada pelo History Channel.

Foto de um dos cultos realizados dentro da igreja coordenada pelo pastor Joe Basile
Durante a viagem, o pastor não-convencional também conseguiu se divertir e rir de si mesmo.

"Sou italiano, mas nunca fui à Itália. Todos eles são esbeltos, bonitos e altos. O que aconteceu comigo?", disse o pastor Joe, também esperando que o especial estimulasse maiores investigações.

"Cresci muito. Meu coração está repleto. As pessoas foram maravilhosas. Sinto-me honrado. Isso mostra que, para um cara que mora no Vale, Deus pode me usar para fazer coisas muito legais", finalizou.

O Documentário Exibido Pelo History Channel no Domingo de Páscoa Desse Ano (16)


Diante de tanta discussão e nenhuma delas apontando, que quaisquer cientistas tivessem alguma intenção de "clonar" Jesus Cristo, resolvi assistir ao documentário exibido pelo History Channel. Vocês até podem se perguntar como assistí-lo, porém até onde sei ele não foi exibido no Brasil. Então tive que me virar para poder trazer o conteúdo desse documentário, de 2h de duração, para vocês. Afinal de contas, faço isso não por mim, mas por cada um que dedica uma parte do seu tempo em acompanhar o que escrevo e consequentemente o meu trabalho. Então, vamos acompanhar um grande resumo que fiz de tudo que foi exibido no mesmo.

O documentário exibido pelo History Channel intitulado "The Jesus Strand: A Search for DNA"
No início do documentário são apresentados os dois personagens principais do mesmo, ou seja, o Dr. George Busby e o pastor Joe Basile, sendo que esse último é apontado como especialista em Koine Greek, o idioma original no qual o Novo Testamento teria sido escrito. De qualquer forma, ficou bem claro no início do documentário, que a jornada de ambos estaria em busca de conhecermos quem seria os descendentes de Jesus vivendo entre nós, um homem considerado como um dos mais importantes da história. Simplificando, mais uma vez não tinha nada a ver com clonagem.

No início do documentário são apresentados os dois personagens principais do mesmo, ou seja, o Dr. George Busby...
...e o pastor Joe Basile, sendo que esse último é apontado como especialista em Koine Greek,
o idioma original no qual o Novo Testamento teria sido escrito
Rapidamente, o assunto abordado se volta para a mais emblemática evidência da existência de Jesus Cristo: o Sudário de Turim (também conhecido como "Santo Sudário"), uma peça retangular de linho de 4,5 metros de comprimento por 1,1 de largura, que mostra a imagem de um homem, que aparentemente sofreu traumatismos físicos de maneira consistente com a crucificação.

Atualmente, o Santo Sudário é mantido na Catedral de Turim, em um vidro à prova de balas, selado e com a temperatura controlada, sendo que a última vez que foi exibido ao público teria sido em 2015. O objetivo então, seria tentar extrair alguma amostre da DNA do Santo Sudário. Porém, diante dessa restrição de acesso, seria praticamente impossível coletar algo diretamente desse sudário.

O Sudário de Turim (também conhecido como "Santo Sudário"), uma peça retangular de linho
de 4,5 metros de comprimento por 1,1 de largura...
...que mostra a imagem de um homem, que aparentemente sofreu traumatismos físicos de maneira consistente com a crucificação
Atualmente, o Santo Sudário é mantido na Catedral de Turim, em um vidro à prova de balas, selado e com a temperatura controlada, sendo que a última vez que foi exibido ao público teria sido em 2015
No documentário também é mostrado o Laboratório de Genética e Genômica BreedOmics, localizado na Universidade de Pádua, no qual ambos tiveram acesso, e conversaram o Dr. Gianni Barcaccia, responsável pelo laboratório. Ele mostrou onde as amostras do Santo Sudário, coletadas em 1978 e 1988, ficam armazenadas.

Joe Basile chegou a ficar empolgado, visto que o Santo Sudário realmente conteria partículas sangue, ainda que a quantidade fosse mínima. O Dr. Gianni Barcaccia também mencionou que não era possível reproduzir o o Santo Sudário, garantindo que nenhum artista teria pintado o tecido em questão.

No documentário também é mostrado o Laboratório de Genética e Genômica BreedOmics, localizado na Universidade de Pádua, no qual ambos tiveram acesso, e conversaram o Dr. Gianni Barcaccia, responsável pelo laboratório
O Dr. Gianni Barcaccia mostrou onde as amostras do Santo Sudário, coletadas em 1978 e 1988, ficam armazenadas
Joe Basile chegou a ficar empolgado, visto que o Santo Sudário
realmente conteria partículas sangue, ainda que a quantidade fosse mínima
Entretanto, procurando com cautela as palavras diante do questionamento feito por Joe Basile se o sudário era realmente autêntico, o Dr. Gianni Barcaccia disse que, com base nos dados que possuem, ele podia dizer que não era uma "farsa do período medieval" e que o sudário tinha 2.000 anos de idade, sendo que ambos teriam acesso as amostras para analisá-las. Nesse ponto uma amostra de puro DNA teria sido extraída para análise.

Uma amostra de DNA puro teria sido extraída para análise
Imagem do Dr. George Busby entregando a amostra para ser devidamente analisada
Em seguida é apontada uma das contovérsias sobre o Santo Sudário, o caminho percorrido pelo mesmo e as dúvidas que pairam sobre sua real representação. Vamos pular alguns pontos para não nos alongarmos muito, afinal de contas são 2h de especial.

Então, ambos se encaminham para Biblioteca Bodleian, a principal biblioteca de pesquisa da Universidade de Oxford, e uma das mais antigas da Europa, conforme havia sido mencionado pelo site Visalia Times-Delta. Obviamente, Joe Basile ficou muito empolgado em acessar todo aquele material antigo e de certa forma restrito ao acesso público. Aliás, ele também passou a explicar para George a importância de tudo aquilo que estava diante deles. Simplificando, as bíblias e manuscritos antigos poderiam conter informações valiosas sobre a família de Jesus.

Então, ambos se encaminham para Biblioteca Bodleian, a principal biblioteca de pesquisa da Universidade de Oxford, e uma das mais antigas da Europa, conforme havia sido mencionado pelo site Visalia Times-Delta
Joe Basile ficou muito empolgado em acessar todo aquele material antigo e de certa forma restrito ao acesso público. Aliás, ele também passou a explicar para George a importância de tudo aquilo que estava diante deles
Depois dessa rápida passagem pela Inglaterra, a equipe foi para a Bulgária para investigar os supostos ossos de João Batista, mais precisamente até a ilha de Sveti Ivan, e foram recebidos pela Dra. Rossina Kostova e o Dr. Kazimir Popkonstantinov, ambos da Universidade de Veliko Tarnovo. Durante o trajeto, George e Joe foram informados que antigamente a ilha era utilizada para finalidades militares, e que a exploração arqueológica da mesma foi possível apenas na última década.

Depois dessa rápida passagem pela Inglaterra, a equipe foi para a Bulgária para investigar os supostos ossos de João Batista, mais precisamente até a ilha de Sveti Ivan, e foram recebidos pela Dra. Rossina Kostova e o Dr. Kazimir Popkonstantinov, ambos da Universidade de Veliko Tarnovo
Durante o trajeto, George e Joe foram informados que antigamente a ilha era utilizada para finalidades militares, e que a exploração arqueológica da mesma foi possível apenas na última década
Também é mencionado no documentário que os ossos foram enviados para a análise em um dos mais renomados laboratórios de datação por radiocarbono, na Universidade de Oxford, e que os resultados apontaram que eles eram da primeira metade do primeiro século, ou seja, coincidia com a época que João Batista viveu. Já em uma análise de DNA realizada na Universidade de Copenhague, apontou que os ossos seriam de uma única e mesma pessoa. O objetivo de George e Joe seria tentar buscar alguma relação "de sangue" entre os supostos ossos de João Batista e o Santo Sudário.

Reconstituição feita em computador para mostrar a localização das duas caixas
encontradas pelo Dr. Kazimir Popkonstantinov
Local exato onde o Dr. Kazimir Popkonstantinov encontrou a caixa contendo os supostos ossos de João Batista
Imagem mostrando o interior da caixa contendo os supostos ossos de João Bastista
Momento da abertura da respectiva caixa no ano de 2010
Posteriormente, eles puderam conferir de perto esses mesmos ossos, que estão guardados em uma pequena igreja na cidade de Sozopol, na Bulgária. É explicado também, que os ossos são de cada uma das partes do corpo de uma pessoa, e que a igreja local acreditava que sejam mesmo de João Batista, assim como os pesquisadores búlgaros.

Entretanto, George ao conversar com um outro pesquisador envolvida na análise desses ossos, ficou sabendo que o DNA encontrado nas amostras era de um dos cientistas envolvidos no projeto, ou seja, o material estava comprometido, contaminado, por assim dizer.

Posteriormente, eles puderam conferir de perto esses mesmos ossos,
que estão guardados em uma pequena igreja na cidade de Sozopol, na Bulgária
É explicado também, que os ossos são de cada uma das partes do corpo de uma pessoa, e que a igreja local acreditava que sejam mesmo de João Batista, assim como os pesquisadores búlgaros
Detalhe dos ossos e até mesmo de um dente que foram encontrados
Entretanto, George ao conversar com um outro pesquisador envolvido nas análises desses ossos, ficou sabendo que o DNA encontrado nas amostras era de um dos cientistas envolvidos no projeto, ou seja, o material estava comprometido, contaminado, por assim dizer
Assim sendo, George e Joe viajaram para Jerusalém, em Israel, onde família de Jesus teria vivido e morrido. Ambos visitaram primeiramente a Basílica do Santo Sepulcro, onde, segundo a tradição católica conta, Jesus teria sido crucificado, sepultado e, "ao terceiro dia", teria ressuscitado.

Assim sendo, George e Joe viajaram para Jerusalém, em Israel, onde família de Jesus teria vivido e morrido
Ambos visitaram primeiramente a Basílica do Santo Sepulcro, onde, segundo a tradição católica conta,
Jesus teria sido crucificado, sepultado e, "ao terceiro dia", teria ressuscitado
Após uma explicação de Joe sobre a crucificação e a importância do sacrifício de Jesus, ambos foram até a Universidade de Tel Aviv para conversar com o Dr. Israel Hershkovitz, apontado como especialista em ossos e relíquias. Ele tinha em sua posse três cravos, que poderiam ter sido usados na crucificação de Jesus e, caso estivessem em boas condições, poderiam conter ter traços de DNA para compará-los aos demais materiais que estavam verificando ao longo da jornada deles.

Um dos cravos ainda estava preso ao osso, sendo que também foi apontado que essa era a primeira evidência física no mundo de que se utilizavam cravos na crucificação, visto que havia apenas relatos históricos.

Após uma explicação de Joe sobre a crucificação e a importância do sacrifício de Jesus, ambos foram até a Universidade de Tel Aviv para conversar com o Dr. Israel Hershkovitz, apontado como especialista em ossos e relíquias
Um dos cravos ainda estava preso ao osso, sendo que também foi apontado que essa era a primeira evidência física no mundo de que se utilizavam cravos na crucificação, visto que havia apenas relatos históricos
Aliás, a parte interessante nesse ponto é a declaração do Dr. Israel Hershkovitz apontando que, a forma como o cravo estava no osso, não indicava que Jesus teria sido crucificado da maneira como todas as pessoas pensam, mas possivelmente em duas toras de madeira em formato de "X", com cada pé ao lado de uma tora de madeira fincada diretamente no chão, ao contrário da simbologia cristã tradicional (em formato de "T"). A iconografia da crucificação pode ter sido alterada para simbolizar o cristão olhando para cima, sendo levantado cada vez mais no alto, em direção a Jesus ou a Deus.

Aliás, a parte interessante nesse ponto é a declaração do Dr. Israel Hershkovitz apontando que, a forma como o cravo estava no osso, não indicava que Jesus teria sido crucificado da maneira como todas as pessoas pensam...
...mas possivelmente em duas toras de madeira em formato de "X", com cada pé ao lado de uma tora de madeira fincada diretamente no chão, ao contrário da simbologia cristã tradicional (em formato de "T")
Joe Basile, por sua vez, disse que no Novo Testamento, escrito em seu idioma original, o "Koine Greek" menciona que a crucificação de Jesus teria ocorrido em um "stauros", palavra que significaria "cruz" ou "estaca", e que não havia nenhuma razão no idioma original para ser identificado como algo em formato de "X".

Joe Basile, por sua vez, disse que no Novo Testamento, escrito em seu idioma original, o "Koine Greek" menciona que a crucificação de Jesus teria ocorrido em um "stauros", palavra que significaria "cruz" ou "estaca", e que não havia nenhuma razão no idioma original para ser identificado como algo em formato de "X"
De qualquer forma, o Dr. Israel Hershkovitz mencionou que não acreditava que cravo com o osso seria realmente de Jesus. Tudo seria da mesma época e encontrado em Jerusalém, mas eles tinham o nome de quem havia morrido gravado no ossuário, ou seja tinham absoluta certeza que não era de Jesus Cristo. Então, ele mencionou a existência de mais dois cravos, que "as pessoas acreditavam que pertenciam a Jesus Cristo".

Então, ele mencionou a existência de mais dois cravos, que "as pessoas acreditavam que pertenciam a Jesus Cristo"
Os cravos teriam sido encontrados no local onde Caiaphas foi enterrado. Para quem não sabe, Caiaphas foi sacerdote judeu do alto escalão, que se dizem ter organizado o plano para matar Jesus. No documentário é questionado se os cravos poderiam ter sido colocados como uma espécie de amulento para proteger Caiaphas em sua morte ou então sido colocados como uma espécie de troféu em seu túmulo.

No documentário é questionado se os cravos poderiam ter sido colocados como uma espécie de amulento para proteger Caiaphas em sua morte ou então sido colocados como uma espécie de troféu em seu túmulo
Entretanto, quando Joe perguntou ao George se era possível extrair amostras de DNA dos cravos, George disse que não teria como visto que estavam muito oxidados, ou seja, enferrujados, fora que muitas pessoas deviam ter tocado nos cravos ao longo do tempo, ou seja, havia um alto risco de contaminação. O próprio Dr. Israel Hershkovitz disse que a chance de extrair DNA dos cravos era zero. Algo bem decepcionante.

Entretanto, quando Joe perguntou ao George se era possível extrair amostras de DNA dos cravos, George disse que não teria como visto que estavam muito oxidados, ou seja, enferrujados, fora que muitas pessoas deviam ter tocado nos cravos ao longo do tempo, ou seja, havia um alto risco de contaminação
O próprio Dr. Israel Hershkovitz disse que a chance de extrair DNA dos cravos era zero.
Algo bem decepcionante
Após uma conversa entre Joe e George, estando diante do Mar da Galiléia, ambos retornaram para Jerusalém para visitar um geólogo, o Dr. Aryeh Shimron, que é especialista em "túmulos judaicos". Foi mencionado no documentário, que existem ossuários em duas caixas feitas de calcário, onde estariam os restos mortais da família de Jesus Cristo, visto que haveria inscrições de nomes dos familiares conhecidos de Jesus, os mesmos que seriam mencionados na Bíblia.

Após uma conversa entre Joe e George, estando diante do Mar da Galiléia, ambos retornaram para Jerusalém para visitar um geólogo, o Dr. Aryeh Shimron, que é especialista em "túmulos judaicos"
Foto do local onde os ossuários teriam sido encontrados
Foi mencionado no documentário, que existem ossuários em duas caixas feitas de calcário, onde estariam os restos mortais da família de Jesus Cristo, visto que haveria inscrições de nomes dos familiares conhecidos de Jesus, os mesmos que seriam mencionados na Bíblia.

Então, o Dr. Aryeh Shimron mostrou evidências físicas, pequenas amostras do que foi coletado e que supostamente pertenceria a família de Jesus, para a admiração, é claro de George e Joe.

Contudo, Joe ressaltou que na inscrição de uma das caixas havia a expressão, "Judas, filho de Jesus", o que não era compatível com os registros bíblicos, visto que nenhum dos evengelhos menciona que Jesus teria tido um único filho. Então, Joe não sabia dizer o quão a descoberta poderia ser confiável.

Então, o Dr. Aryeh Shimron mostrou evidências físicas, pequenas amostras do que foi coletado
e que supostamente pertenceria a família de Jesus...
...para a admiração, é claro de George e Joe
Em seguida, foi mencionado que na Bíblia havia diversas passagens citando a existência não apenas um único sudário, mas dois sudários. Nesse caso, o segundo sudário teria coberto o rosto de Jesus Cristo após a sua crucificação. Acredita-se que ele seja o que atualmente se conhece como "Sudário de Oviedo", que se encontra na Catedral de Oviedo, na Espanha.

Nesse sentido, Joe conversou remotamente com o historiador Mark Guscin, que acreditava que o tecido que se encontrava na Espanha seria realmente o sudário que teria coberto o rosto de Jesus. Aliás, esse sudário ainda conteria sangue, algo que poderia ser comparado com o Sudário de Turim.

Joe conversou remotamente com o historiador Mark Guscin, que acreditava que o tecido que se encontrava na Espanha seria realmente o sudário que teria coberto o rosto de Jesus. Aliás, esse sudário ainda conteria sangue, algo que poderia ser comparado com o Sudário de Turim
Acredita-se que o tecido seja o que atualmente se conhece como "Sudário de Oviedo",
que se encontra na Catedral de Oviedo, na Espanha
Foi mencionado que na Bíblia havia diversas passagens citando a existência não apenas um único sudário, mas dois sudários. Nesse caso, o segundo sudário teria coberto o rosto de Jesus Cristo após a sua crucificação.
Assim sendo, Joe e George se separaram. Joe se encaminhou para a Espanha, enquanto George voltou para a Itália para finalizar o sequenciamento das amostras do Sudário de Turim. Durante sua jornada até a Espanha, Joe conversou com o próprio Mark Guscin pessoalmente.

Durante sua jornada até a Espanha, Joe conversou com o próprio Mark Guscin pessoalmente
É possível notar que o Sudário de Oviedo é mantido em condições muito semelhantes ao Sudário de Turim, porém ao menos nesse caso Joe teve ao menos acesso visual ao mesmo. Mark explicou que, a princípio, as pessoas poderiam pensar que se tratava apenas um pedaço de pano velho, mas que havia vestigíos de sangue e fluídos do pulmão como ocorreria em casos de asfixia.

Então, após uma análise forense eles teriam descoberto que a pessoa a quem pertencia aquele sudário havia realmente morrido por asfixia, e outros elementos que eram compatíveis com quem tivesse sido crucificado.

É possível notar que o Sudário de Oviedo é mantido em condições muito semelhantes ao Sudário de Turim, porém ao menos nesse caso Joe teve ao menos acesso visual ao mesmo
Mark explicou que, a princípio, as pessoas poderiam pensar que se tratava apenas um pedaço de pano velho, mas que havia vestigíos de sangue e fluídos do pulmão como ocorreria em casos de asfixia
Além disso, o tipo sanguíneo (AB) encontrado no Sudário de Oviedo era mesmo encontrado no Sudário de Turim. Esse também seria o mesmo tipo sanguíneo mais comum no Oriente Médio. De qualquer forma, a Igreja não permitia extrair quaisquer amostras do Sudário de Oviedo para realização de testes. Segundo Mark, a conclusão era que os dois sudários pertenciam ao mesmo corpo. Disse ainda, que a conclusão natural era que o Sudário de Oviedo pertencia a Jesus Cristo.

Além disso, o tipo sanguíneo (AB) encontrado no Sudário de Oviedo era mesmo encontrado no Sudário de Turim
Por outro lado, em Pádua, na Itália, foi verificado que o material presente na amostra coletada era "DNA mitocondrial", sendo que esse DNA seria transferido geneticamente de mãe para filho, por muitas gerações. Isso foi considerado como uma "descoberta sensacional". O Dr. Gianni Barcaccia disse que eles obtiveram inúmeras sequências compatíveis com povos do Oriente Médio.

Além disso, um dos tipos mitocondriais pertencia a um grupo étnico muito raro, chamado de "Drusos": uma pequena comunidade religiosa autônoma, que compartilharia as crenças do Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Isso poderia sugerir que Jesus Cristo pertenceria a esse grupo étnico em questão.

Por outro lado, em Pádua, na Itália, foi verificado que o material presente na amostra coletada era "DNA mitocondrial", sendo que esse DNA seria transferido geneticamente de mãe para filho, por muitas gerações
Além disso, um dos tipos mitocondriais pertencia a um grupo étnico muito raro, chamado de "Drusos": uma pequena comunidade religiosa autônoma, que compartilharia as crenças do Cristianismo, Islamismo e Judaísmo
Segundo o documentário essa seria uma descoberta estonteante, visto que a base do Cristianismo é a crença que Jesus era judeu. Por outro lado, os registros bíblicos deixavam muito claro que Jesus seria realmente judeu. Uma vez que tanto Joe quanto George ficaram intrigados com essa questão, eles resolveram voltar para Israel. Eles foram até um vilarejo nos arredores de Nazaré para visitar uma comunidade de drusos. Eles acabaram visitando uma família (Nasreen e Azmi) em particular, para perguntar por maiores informações sobre os drusos. Azmi mencionou que os drusos remontam o Antigo Egito, algo em torno de 3.000 anos atrás, inicialmente como uma religião secreta. Ainda de acordo com esse homem, a crença dos drusos se baseavam duas coisas principais: a crença em um único Deus e crença na reencarnação, ou seja, na imortalidade da alma.

De qualquer forma, Nasreen explicou não era possível se tornar um druso, apenas nascer druso. Assim sendo, seria difícil entender o aspecto de Jesus nesse contexto, porém seria interessante considerar que eles não era um grupo formal até o século X, cerca de 1.000 anos depois de Cristo, ou seja, será as que "regras" seriam assim tão rígidas antes?

Azmi mencionou que os drusos remontam o Antigo Egito, algo em torno de 3.000 anos atrás, inicialmente como uma religião secreta. Ainda de acordo com esse homem, a crença dos drusos se baseavam duas coisas principais: a crença em um único Deus e crença na reencarnação, ou seja, na imortalidade da alma
De qualquer forma, Nasreen explicou não era possível se tornar um druso, apenas nascer druso
George então coletou amostras de DNA de ambos para comparar com as amostras obtidas a partir do Sudário de Turim. Enquanto isso, o documentário mostrou uma série de possibilidades, sempre considerando o fator "drusos", ou seja, diante de apenas um única amostra realmente analisada durante todo o documentário.

Como resultado, nos últimos minutos desse longo documentário, é mencionado para essa família, que se o Sudário de Turim realmente pertencesse a Jesus, ele teria a mesma linhagem genética deles. Resumindo? Seria como se eles fossem possíveis parentes distantes de Jesus, ou melhor, descendentes de Jesus.

Como resultado, nos últimos minutos desse longo documentário, é mencionado para essa família, que se o Sudário de Turim realmente pertencesse a Jesus, ele teria a mesma linhagem genética deles
Resumindo? Seria como se eles fossem possíveis parentes distantes de Jesus, ou melhor, descendentes de Jesus
Ao final o documentário ainda foi apontado que toda essa jornada de George e Jose abria portas para que mais mistérios pudessem ser revelados no futuro. Enfim, de qualquer forma, tudo o que você leu acima é basicamente um grande resumo dessas 2 horas de documentário.

Imagem final do documentário mostrando que o mesmo foi produzido pela TIJAT

Não sei se vocês acharam interessante, mas é interessante ressaltar a seguir alguns pontos, principalmente para muitos de vocês que não tiveram acesso a esse documentário dublado ou legendado. No meu caso, uma vez que sou tradutor fui acompanhando, escrevendo, anotando cada ponto e copiando frame por frame para trazer esse conteúdo praticamente inédito no Brasil.

Podemos Concluir que Jesus era um Druso? Tudo Isso na Realidade Seria uma Grande Fachada com o Objetivo de Clonar Jesus Cristo?


Conforme vocês já devem imaginar, a resposta para essas duas perguntas é um belo e sonoro não. Primeiramente, o especial do History Channel só não foi mais enfadonhoso do que o filme "A Paixão de Cristo" do Mel Gibson, devido ao pastor Joe Basile, que nem de longe é possível dizer que seja um especialista renomado ou que pudesse fornecer informações bíblicas realmente importantes e vitais para um especial com essa dimensão ou proposta. Contudo, ele é da Califórnia, é um ótimo orador, está acostumado com câmeras, possui a mente aberta, tatuagens, faz um estilo quase "bad boy", mas que ainda assim acredita em Jesus, e prega o bem em sua igreja. Ele era o personagem perfeito para unir uma espécie de Cristianismo moderno, jovial, eloquente e arrebatador de rebanhos perdidos. Simplificando? Ele fugia completamente do estereótipo de um "pastor ou padre convencional", e com certeza isso traria dinâmica para o documentário. Claramente, não importava suas qualificações, tanto é que George saiu em sua defesa dizendo que a definição de "estudioso" era algo particular. Não, não é. Ele sabe muito bem disso, senão não estaria em Oxford.

Ironicamente, o próprio George não foi escolhido por suas qualificações, visto que ele sequer pegou em algum equipamento para analisar a única amostra que obtiveram em 25 dias, que se traduziram em 2h de documentário. Ele foi uma espécie de coadjuvante que deu apenas "uma olhada nos resultados", obtidos na Universidade de Pádua, e que não foram analisados em nenhum outro local, não houve nenhuma revisão de quaisquer outros pesquisadores etc. Aliás, nem mesmo sabemos de qual parte a amostra de DNA foi extraída, visto que, considerando o tempo, a quantidade de pessoas ao longo da história que manusearam o Sudário de Turim, seu comprimento, entre uma série de outros fatores, tudo isso poderia interferir substancialmente no resultado. George foi escolhido, porque era britânico, era de Oxford. Os Estados Unidos é o maior mercado midiático das Américas, e a Inglaterra, o maior da Europa. Sim, claro, ele possui suas qualificações e devemos respeitar isso, mas sequer foram exploradas. Ele acabou ficando pequeno diante do Joe Basile e da clara intenção do History Channel em não se aprofundar em nada sobre o assunto, apenas gerar entretenimento, que foi o que vimos. Não tivemos nenhuma amostra coletada diretamente do Santo Sudário, do Sudário de Oviedo, nenhuma outra análise adicional sobre os supostos ossos de João Batista, nada. Nada mesmo. Tudo se resumiu as citações de análises de terceiros, confiando plenamente neles, não nos principais personagens do documentário.

Para terem uma ideia, o final do episódio me causou espanto, não porque foi incrível e espetacular, mas pela completa e total falta de conhecimento da comunidade drusa, visto que há estudos apontando que a assinatura genética, ou seja, a diferenciação dos drusos para as demais comunidades do Oriente Médio, aconteceu primordialmente após o século XI, quando resolveram expor publicamente essa sociedade, e quando o processo de endogamia entre clãs drusos se acentuou drasticamente. Nada prova ou demonstra conclusivamente, que o Santo Sudário pertencia a um druso, assim como não indica que Jesus Cristo seria um druso. Existe um caminho imenso a ser percorrido para alguém poder dizer isso. Enfim, o final é desastroso. Quanto a questão sobre "clonar" Jesus Cristo chega a ser retórico comentar, visto que diante do que atualmente conhecemos, temos em mãos, e das restrições de acesso por parte da Igreja Católica, isso seria totalmente improvável, para não dizer impossível. Precisaria que algo totalmente surreal, inédito e realmente inacreditável acontecesse. E ainda assim, haveria todo um longo e monumental debate sobre o assunto. Então, não caiam nessa história, e nem mesmo a do History Channel.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
Documentário Jesus Strand: A Search for DNA
http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2015/02/06/estudo-estabele-consolidacao-de-diferencas-geneticas-dos-drusos-no-seculo-xi.htm
http://www.adventistas.com/novembro2000/clone2000.htm
http://www.catholic.org/news/hf/faith/story.php?id=74557
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-4419810/Scientists-religious-scholars-hunt-DNA-JESUS.html

http://www.efe.com/efe/brasil/tecnologia/estudo-estabele-consolida-o-de-diferen-as-geneticas-dos-drusos-no-seculo-xi/50000245-2530146
http://www.history.com/specials/the-jesus-strand-a-search-for-dna/full-special
http://www.thecommentator.com/article/5590/greek_crisis_foreshadows_new_european_order
http://www.visaliatimesdelta.com/story/life/inspire/2017/04/14/visalia-preacher-appears-history-channels-jesus-doc/100394612/
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Conversation_(website)
https://kehilanews.com/2016/09/25/the-original-language-of-the-new-testament/
https://noticias.gospelprime.com.br/cientistas-dna-jesus-ossada-joao-batista/
https://quadrant.org.au/opinion/tony-thomas/2014/02/rather-one-sided-conversation/
https://theconversation.com/can-we-ever-find-jesuss-dna-i-met-the-scientists-who-are-trying-to-find-out-72296
https://www.usatoday.com/story/news/nation-now/2017/04/16/calif-pastors-faith-joins-science-history-channels-hunt-jesus-dna/100547190/
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