25 de março de 2017

Os Mistérios e Maldições do Hotel Yara: Um Gigante em Estado de Abandono e com Fama de Mal-Assombrado, em Bandeirantes/PR!


Por Marco Faustino

Se você gosta do chamado mundo "paranormal" ou "sobrenatural", provavelmente você tem na ponta da língua o nome de algum hotel com fama de mal-assombrado, não é mesmo? Geralmente, estamos acostumados a divulgar casos internacionais envolvendo hotéis considerados assombrados e, inclusive, relatos de hóspedes dizendo que viram fantasmas vagando pelos corredores. Em janeiro desse ano, por exemplo, chegamos a comentar sobre o Grand Midway Hotel, que por sua vez fica localizado em uma espécie de cidadezinha chamada Windber, no condado de Somerset, e a cerca de 13 km ao sul da cidade de Johnstown, no estado norte-americano da Pensilvânia. Os proprietários garantem que esse hotel é mal-assombrado, sendo que o fantasma mais famoso seria de uma jovem chamada Martha Cerwinsky, que foi morta em 4 de julho de 1911 enquanto assistia a queima de fogos em comemoração ao dia da Independência dos Estados Unidos, em uma varanda do hotel. Supostamente, um rojão teria sido disparado de forma errada, e acabou atingindo o seu pescoço. Martha acabou não resistindo e teria morrido no local. Aparentemente, o Corpo de Bombeiros da cidade havia abafado o caso naquela época com medo de ser responsabilizado pela morte de Martha em razão da falta de fiscalização em relação aos fogos de artifício. De qualquer forma, alguns moradores locais dizem ainda era possível ver sua imagem em uma das janelas do segundo andar, e que sua presença ainda podia ser sentida no hotel (leia mais: A Maior Tábua Ouija do Mundo! Proprietário de Hotel Considerado "Mal-Assombrado" Recebe Certificação do Livro dos Recordes!).

Provavelmente, vocês também devem conhecer algum prédio ou casa abandonada e considerada mal-assombrada na sua cidade, mas saberiam dizer o nome de algum hotel abandonado, nem que fosse no seu próprio Estado, e com fama de mal-assombrado? Essa é uma pergunta é bem complicada de ser respondida, visto que não é comum termos empreendimentos desse porte, que basicamente pertencem a iniciativa privada, parados por muito tempo. Normalmente, os empresários rapidamente arrumam um novo destino para a propriedade, visto que ninguém gosta de perder dinheiro, ainda mais no Brasil. Assim sendo, recentemente me deparei com uma interessante matéria realizada pelo "Estúdio C", que é um programa de entretenimento da RPC, emissora de TV afiliada da Rede Globo, no Paraná, sobre o Hotel Yara (também conhecido por Termas Yara). Apesar de possuir proprietários, esse hotel se encontra em estado de abandono há décadas, e seus planos de revitalização infelizmente nunca saíram do papel devido a imbróglios judiciais.

Construído na década de 1950, esse hotel era um símbolo de riqueza e prosperidade do norte do Paraná, mas que no decorrer do tempo uma sucessão de tragédias envolvendo a morte de diversos proprietários, acabaram selando seu destino e o mesmo foi abandonado. No entanto, o que mas chama a atenção é que antigos hópedes e ex-funcionários desse hotel contam que o mesmo era mal-assombrado. Era possível escutar o som de passos no corredor quando não havia ninguém, janelas e portas batiam mesmo sem nenhuma corrente de vento, pessoas eram empurradas nos corredores, viam vultos e torneiras de banheiros abriam sozinhas durante a noite. Além disso, começaram a surgir rumores que o primeiro proprietário do hotel, um homem chamado Domingos Regalmuto, teria feito uma espécie de "pacto com o Diabo" para que o empreendimento prosperasse e, após algum tempo o Diabo teria voltado para cobrir a dívida, despedaçando seu corpo e levando embora a sua alma. Será que isso é mesmo verdade? Será que esse hotel era e continua sendo mal-assombrado? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Pouco Sobre a Cidade de Bandeirantes, no Estado do Paraná


Bandeirantes é um município brasileiro, que pertence ao estado do Paraná, na região Sul do Brasil, que segundo dados do IBGE, tem uma estimativa populacional atual de pouco mais de 32.500 habitantes. Na prática, a cidade fica a aproximadamente 410 km de distância a noroeste da capital do estado, Curitiba (aproximadamente 5h30 de carro). A base da economia no município é o cultivo de uva fina de mesa, pimentão, pepino, cana-de-açúcar e, principalmente, soja e milho.

Imagem do Google Maps mostando a distância entre a cidade de Bandeirantes e Curitiba, a capital do Paraná
Visão aérea de uma parte da cidade de Bandeirantes, no Paraná
Até 1920, o território atualmente ocupado pelo município era habitado pelos índios caingangues. A partir de então, foram criadas fazendas na região. Em 1929, foi criado o distrito de Invernada, pertencente ao município de Jacarezinho. No mês de julho do ano seguinte, a Empresa Ferroviária São Paulo-Paraná inaugurou uma estação ferroviária a três quilômetros do patrimônio de Invernada, estação ess que passou a denominar-se Bandeirantes, devido aos pioneiros da localidade, surgindo, então, um povoado nas proximidades.

Em 27 de setembro de 1931, deu-se início a um trabalho de coligação em favor do progresso da estação. Um ano depois, no final de 1932, os dois povoados (Invernada e Bandeirantes) foram unificados. O município foi criado através da Lei Estadual nº 2.396, de 14 de novembro de 1934, data essa considerada como o aniversário da cidade.

Santuário Santa Terezinha do Menino Jesus, na cidade de Bandeirantes, no Paraná
Como curiosidade, no município de Bandeirantes, foi inaugurado em 2012, o terceiro maior santuário de São Miguel Arcanjo no mundo, com a maior estátua do planeta dedicada ao anjo São Miguel. Anualmente também acontece uma festa típica de regiões interioranas, a conhecida e amplamente comentada "Festa do Milho Verde".

Como curiosidade, no município de Bandeirantes, foi inaugurado em 2012, o terceiro maior santuário de São Miguel Arcanjo no mundo, com a maior estátua do planeta dedicada ao anjo São Miguel
Foto mostrando mais detalhes da estátua do anjo São Miguel
Caso queiram conhecer mais detalhes sobre a cidade, recomendo fortemente que leiam um informativo (em formato .PDF) disponibilizado no próprio site da prefeitura de Bandeirantes, que possui um material bem completo nesse sentido (clique aqui para baixá-lo).

A Localização e um Resumo Sobre a História do Hotel Yara: Um Gigante em Estado de Abandono e com Fama de Mal-Assombrado, em Bandeirantes, no Paraná!


Conhecido popularmente como Hotel Yara, o empreendimento está localizado a cerca de 10 a 11 km do centro da cidade de Bandeirantes, na zona rural do município, mais precisamente no km 10 da Rodovia PR-519, mais conhecida como Rodovia Tsuneto Matsubara. Construído na década de 1950, o local na verdade era um complexo de lazer que abrigava um luxuoso e grande hotel, com capacidade para 200 hóspedes, uma piscina de água termal, um cassino, e até mesmo uma pista de pouso para aeronaves de pequeno porte.

O hotel possui uma arquitetura imponente, porém vem sofrendo com a ação do tempo, sendo que até mesmo um incêndio, que até hoje não se sabe se foi criminoso ou não, ocorreu em 2011, em um dos prédios desse complexo. De qualquer forma, para contar um pouco mais sobre a história do Hotel Yara, também é necessário voltar um pouco mais no tempo.

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre a cidade de Bandeirantes e o Hotel Yara
Imagem de Satélite do Google Maps mostrando o o complexo pertencente ao Hotel Yara
Tudo começou na década de 1930, quando um homem chamado Domingos Regalmuto, italiano naturalizado brasileiro, ficou rico com serrarias em São Paulo. Com um olhar empresarial apurado, Domingos visitou a região em busca de madeira de lei, gostou do que viu, e acabou comprando cerca de 500 alqueires (aproximadamente 1.200 hectares ou 12.000.000 m²) de terras.

Tudo começou na década de 1930, quando um homem chamado Domingos Regalmuto (na foto), italiano naturalizado brasileiro, ficou rico com serrarias em São Paulo
Foto de uma das serrarias de Domingos Regalmuto
Certo dia, andando pela fazenda, Domingos encontrou uma área alagada, uma espécie de brejo com água limpa e que exalava um aroma diferente. Evidentemente, desconfiado, ele coletou uma amostra no dia 23 de julho de 1942 para análise no Laboratório Geral do Departamento de Saúde do Estado do Paraná . Mesmo sem saber do que se tratava, essa seria uma decisão que mudaria a vida dele e da própria cidade de Bandeirantes. Assim sendo, o laboratório confirmou que se tratava de água mineral e com propriedades medicinais e terapêuticas.

Certo dia, andando pela fazenda, Domingos encontrou uma área alagada, uma espécie de brejo com água limpa e que exalava um aroma diferente. Evidentemente, desconfiado, ele coletou uma amostra no dia 23 de julho de 1942 para análise no Laboratório Geral do Departamento de Saúde do Estado do Paraná
Mesmo sem saber do que se tratava, essa seria uma decisão que mudaria a vida dele e da própria cidade de Bandeirantes. Assim sendo, o laboratório confirmou que se tratava de água mineral e com propriedades medicinais e terapêuticas
Domingos Regalmuto não perdeu tempo e mandou construir um poço de mais de 100 metros de profundidade, de onde começou a jorrar água pura e naturalmente aquecida a cerca 32ºC. Posteriormente, ele abriu uma empresa para engarrafar a água, que foi batizada de "Água Mineral Yara - A Deusa das Águas", com o seguinte slogan: "Beba Água Yara, Beba Saúde". Boa parte da produção, no entanto, era destinada ao Estado de São Paulo.

Domingos Regalmuto não perdeu tempo e mandou construir um poço de mais de 100 metros de profundidade, de onde começou a jorrar água pura e naturalmente aquecida a cerca 32ºC
Posteriormente, Domingos abriu uma empresa para engarrafar a água, que foi batizada de "Água Mineral Yara - A Deusa das Águas", com o seguinte slogan: "Beba Água Yara, Beba Saúde"
Boa parte da produção, no entanto, era destinada ao Estado de São Paulo
Entusiasmado com o local, Domingos Regalmuto contratou uma empresa para dar andamento a dois projetos na fazenda. Primeiramente, ele dividiu parte do terreno em lotes, com o simples objetivo de criar uma verdadeira cidade, a "Cidade Yara". Quem quisesse e tivesse dinheiro, é claro, poderia adquirir lotes e desenvolver o local.

Entusiasmado com o local, Domingos Regalmuto contratou uma empresa para dar andamento a dois projetos na fazenda. Primeiramente, ele dividiu parte do terreno em lotes, com o simples objetivo de criar uma verdadeira cidade, a "Cidade Yara"
Até mesmo uma igreja foi construída, e foi completamente integrada à população local. A Capela São Domingos, que foi inaugurada em 1º de setembro de 1954, data registrada em concreto, no alto de sua torre. Contudo, esse projeto de cidade acabou não tendo o resultado esperado.

Você pode conferir mais detalhes sobre a Capela São Domingos ao assistir um vídeo publicado pelo usuário Luiz Henrique Jacobucci, em sua conta no YouTube, que mostra algumas imagens da mesma:



Já o segundo, que era construir um complexo de águas termais, foi um sucesso. Domingos Regalmuto conseguiu criar um grande hotel, que conforme dissemos anteriormente, tinha capacidade para 200 hóspedes, com quartos confortáveis, e uma imensa piscina de água morna e mineral, que vinha diretamente da fonte.

No meses mais quentes do ano, o hotel ficava completamente lotado, e pessoas de todas as partes do país se dirigiam até Bandeirantes para se hospedar e passar ao menos um fim de semana, na jóia rara localizada no norte do Paraná.

Já o segundo projeto, que era construir um complexo de águas termais, foi um sucesso. Domingos Regalmuto conseguiu criar um grande hotel, que conforme dissemos anteriormente, tinha capacidade para 200 hóspedes, com quartos confortáveis...
... e uma imensa piscina de água morna e mineral, que vinha diretamente da fonte
Jogadores de futebol e cantores famosos chegavam a se hospedar no Hotel Yara. Os menos abastados, no entanto, acampavam ou dormiam nos carros para poder usufruir dos poderes das águas e da lama do lago próximo à piscina, à qual muitos também atribuíam o poder de curar doenças.

Os menos abastados, no entanto, acampavam ou dormiam nos carros para poder usufruir dos poderes das águas e da lama do lago próximo à piscina, à qual muitos também atribuíam o poder de curar doenças
Para atender a todos da forma mais luxuosa possível, o hotel mantinha salões muito bem decorados e adornados, um belo restaurante e, inclusive, um cassino onde pessoas com melhor condição financeira acabaram perdendo e ganhando muito dinheiro, verdadeiras fortunas, nas mesas de pôker. Curiosamente, muitas apostas não valiam exatamente dinheiro, mas bois, uma forte moeda de troca e de alto valor naquela época.

Em um fim de semana, algumas pessoas chegavam a perder 100 a 150 bois, o que era uma quantia bem razoável naqueles tempos. No campo de pouso construído por Domingos Regalmuto dentro da propriedade, desciam os aviões da Real Aerovias, os Douglas DC-3, que faziam a rota "São Paulo-Maringá".

No meses mais quentes do ano, o hotel ficava completamente lotado, e pessoas de todas as partes do país se dirigiam até Bandeirantes para se hospedar e passar ao menos um fim de semana, na jóia rara localizada no norte do Paraná
No campo de pouso construído por Domingos Regalmuto dentro da propriedade, desciam os aviões da Real Aerovias, os Douglas DC-3, que faziam a rota "São Paulo-Maringá"
Os anos de glória do hotel, no entanto, foram interrompidos devido a um problema de saúde de Domingos Regalmuto. Com mais de 80 anos de idade, ele sofreu uma trombose e infelizmente precisou amputar as duas pernas. Isso foi algo aterrorizador e que afetou consideravelmente o cotidiano de um homem de negócios e de uma vida muito agitada. Visivelmente deprimido, Domingos acabou cometendo suicídio.

Antiga foto de turistas norte-americanos que passaram pelo Hotel Yara
Mais uma foto desses mesmos turistas norte-americanos
O único herdeiro, Paulo Regalmuto, não conseguiu manter o empreedimento com a mesma energia e tino comercial de Domingos, apesar de haver divergências nesse sentido. De qualquer forma, Paulo morreu em um acidente de carro, cerca de dois anos depois da morte do pai, em uma estrada rumo a São Paulo, na altura da cidade de Cambará, quando bateu com o carro de frente com um caminhão que vinha em sentido contrário.

Paulo Regalmuto (à direita) juntamente com sua esposa (à esquerda). Paulo morreu em um acidente de carro, cerca de dois anos depois da morte do pai, em uma estrada rumo a São Paulo, na altura da cidade de Cambará, quando bateu com o carro de frente com um caminhão que vinha em sentido contrário
No início da década de 1970, a mãe de Paulo, a Sra. Katerine Erdely, herdou tudo, mas vendeu o lugar para um grande comerciante do ramo imobiliário chamado Paschoal D'Andrea. Ele regularizou os cerca de 660 lotes que formavam a "Cidade Yara" e os vendeu, porém pouquíssimos proprietários tomaram posse e, aos poucos, a área acabou adquirindo características de lotes rurais.

Foto antiga mostrando a piscina de água termal do Hotel Yara
Antiga visão da piscina do Hotel Yara, a partir da varanda do segundo andar do mesmo
Quando começou o trabalho para se levar asfalto até o "Hotel Yara", ou seja, para finalmente tornar a PR-519 uma realidade, ele adoeceu e acabou morrendo. Os filhos de D'Andrea permutaram a área com a família Matsubara por uma outra fazenda na cidade de Cornélio Procópio. Começava o declínio e o abandono do Yara.

Em meados da década de 1980, o movimento começou a cair até o ponto que o mesmo foi obrigado a fechar as suas portas. Sem público e muito menos investimento, o hotel foi abandonado, e acabou virando ruína, uma espécie de monumento perdido em meio ao nada. Aparentemente, a piscina é a única que verdadeiramente resistiu a ação do tempo, que ainda é alimentada pelo chafariz original.

A Notícia da Reabertura da Piscina do Hotel Yara, que Foi Publicada Pelo Jornal "A Folha de Londrina", em 2001


Em 15 de novembro de 2001, em uma matéria especial escrita por Marcos André Brito, e publicada pelo jornal "A Folha de Londrina", foi ressaltado que se dependesse do empresário Sueo Matsubara, todo o complexo Yara estaria como antes, aguardando as definições que poderiam transformar o local em um ponto de turístico, de referência internacional. A pedido de amigos, o grupo Matsubara, teria decidido recuperar a piscina e parte do lago existente no local. A ideia era atrair milhares de pessoas de toda a região naquele verão para desfrutar das maravilhas que o local tinha para oferecer.

O empresário teria afirmado naquela época, que não estava disposto a vender o Hotel Yara, porque pretendia implantar um complexo turístico, que teria participação e capital estrangeiro. De acordo com o empresário Sueo Matsubara, os contratos estavam sendo encaminhados através de representantes do grupo em São Paulo e no exterior. Disposto a não comentar totalmente o projeto que pretendia desenvolver na propriedade, Matsubara tinha adiantado que tudo seria divulgado no momento certo, para não criar expectativas negativas ou frustação na população.

Foto mais atual da piscina do Hotel Yara. Sueo Matsubara afirmou em 2001, que não estava disposto a vender o Hotel Yara, porque pretendia implantar um complexo turístico, que teria participação e capital estrangeiro
Disposto a não comentar totalmente o projeto que pretendia desenvolver na propriedade, Matsubara tinha adiantado que tudo seria divulgado no momento certo, para não criar expectativas negativas ou frustação na população
''Hoje, qualquer investimento requer um profundo estudo de viabilidade e principalmente de capital'', disse naquela época, Sueo Matsubara. Depois de conversar com a família, ele autorizou a recuperação da piscina, dos banheiros, das instalações do bar e da lanchonete, e parte do lago localizado ao lado da piscina, permitindo a prática de alguns esportes náuticos e pesca. Os banhistas que pretendessem desfrutar das piscinas pagariam cerca de R$ 3,00 (mulheres) e cerca de R$ 5,00 (homens).

Também teria sido melhorada toda a área localizada às margens da piscina e churrasqueiras, sendo que o mato também tinha sido aparado. Já o Hotel Yara, que foi um dos mais modernos do interior do País nos anos 50, 60 e 70, continuava sendo destruído pela ação do tempo. Todo o aspecto caótico do hotel acabou chamando a atenção dos visitantes que, nos primeiros dias de abertura da piscina, lotaram o local. O empresário Pedro Agra, morador da cidade de Bandeirantes, e que na época possuía uma estância particular próxima da Yara, classificou o estado de abandono como lamentável.

Todo o aspecto caótico do hotel acabou chamando a atenção dos visitantes que,
nos primeiros dias de abertura da piscina, lotaram o local
O empresário Pedro Agra, morador da cidade de Bandeirantes, e que na época possuía uma estância particular próxima da Yara, classificou o estado de abandono como lamentável
''Isso aqui é um patrimônio histórico que está se deteriorando, para a nossa tristeza e de toda a população de Bandeirantes. Existem poucos locais como este em todo o mundo. A água aqui encontrada é rara, e tem uma importante composição química que permite a cura de inúmeras doenças e enfermidades da pele'', disse Pedro Agra.

Outro empresário que também lamentou a situação foi Celso Silva. Ele defendeu ações mais concretas para reverter o quadro e transformar o local numa estância moderna e que possibilitasse o acesso de turistas brasileiros e estrangeiros. Segundo o empresário, a responsabilidade não podia ser apenas atribuída à família Matsubara, mas de todos os segmentos organizados da sociedade de Bandeirantes.

Desde a década de 1980, o o Hotel Yara permanece em estado de abandono,
principalmente devido a imbróglios judiciais
Em 2001, um empresário chamado Celso Silva disse que a responsabilidade não podia ser apenas atribuída à família Matsubara, mas de todos os segmentos organizados da sociedade de Bandeirantes.
''É necessário criar uma consciência comunitária de que aquela estância é importante, não só para o desenvolvimento de Bandeirantes e da região, como também de uma opção importante no turismo saúde, hoje muito propagado em todo o mundo e no lazer de nossa população'', disse Celso Silva. Ele também destacou a composição da água, que diariamente jorra a partir do centro da piscina, e segue para rios da região, como uma das mais importantes e completas do mundo.

''Só há uma estância que pode ser comparada à Yara em todo o planeta e ela está a milhares de quilômetros daqui, em Kalsbad, na República Tcheca, na Europa. Será que apenas este referencial não é suficiente para despertar a atenção, não só a família Matsubara, mas como também as autoridades estaduais e federais?'', completou.

A Venda do Hotel Yara, no ano de 2002, para o Casal Rafaela e Cláudio Delgado: A Briga Judicial, a Invasão do MAST e de Caçadores, e o Uso da Piscina para Criar Peixes


Aparentemente, a ideia de implantar um complexo turístico, que teria participação e capital estrangeiro por parte de Sueo Matsubara não prosperou, e boa parte da propriedade (48 dos 98 alqueires) teria sido vendida para o casal Rafaela e Cláudio Delgado no ano de 2002. Porém, isso acabou ganhando destaque apenas em março em 2010, quando o jornal "A Folha de Londrina" publicou uma grande matéria em seu site a respeito de um imbróglio jurídico que estava impedindo o casal de regularizar a escritura e colocar em prática o plano de transformar a fazenda em um complexo empreendimento turístico.

A história de Cláudio Delgado, narrada por ele mesmo, despertava interesse. Filho de um boia-fria, ele relatou que ajudou o pai a catar algodão nas fazendas de Sueo Matsubara, ainda menino. Aos 18 anos, partiu para São Paulo levando na bagagem apenas o que havia aprendido no extinto Movimento Brasileiro de Alfebetização (Mobral). Já na capital paulista, arranjou vaga como contínuo de um empresário que deu-lhe estudo. Virou corretor da Bolsa de Valores de São Paulo, investiu bem e, desfazendo-se de sua carteira de ações da Ambev, pagou R$ 1,8 milhão na parte da Fazenda Yara que abriga o lago, a fonte de água termal, o hotel e a capela.

Aparentemente, a ideia de implantar um complexo turístico, que teria participação e capital estrangeiro por parte de Sueo Matsubara não prosperou, e boa parte da propriedade (48 dos 98 alqueires) teria sido vendida para o casal Rafaela e Cláudio Delgado no ano de 2002
A história de Cláudio Delgado, narrada por ele mesmo, despertava interesse. Filho de um boia-fria, ele relatou que ajudou o pai a catar algodão nas fazendas de Sueo Matsubara, ainda menino
''Cresci em Bandeirantes, vendo aquele tesouro todo que é o Yara. É uma sensação estranha. Sonhei com aquele diamante e hoje ele é meu. Porém, quero lapidá-lo e não posso. Hoje, cuido das ações de um grupo alemão que tem R$ 35 milhões para investir no projeto de restauração e transformação em complexo turístico. Já tenho, inclusive, o plano diretor pronto. Só falta a questão jurídica'', lamentou naquela época, o ex-catador de algodão.

Entretanto, na cidade de Bandeirantes, havia quem não acreditasse que Cláudio Delgado tivesse prosperado tanto quanto ele afirmava. Os fatos, por outro lado, mostravam que ele e a esposa não estavam de brincadeira. Para planejar o futuro do empreendimento, eles teriam contratado um casal de arquitetos suíços radicados no interior de São Paulo, e para resolver a parte jurídica, um advogado associado de um dos mais tradicionais escritórios de advocacia de Londrina.

Para planejar o futuro do empreendimento, eles teriam contratado um casal de arquitetos suíços radicados no interior de São Paulo, e para resolver a parte jurídica, um advogado associado de um dos mais tradicionais escritórios de advocacia de Londrina
''O meu cliente não é um 'laranja', como já chegaram a dizer. Ele tinha condições financeiras sim para comprar a área. Temos inclusive o comprovante de que o dinheiro saiu da Bolsa de Valores de São Paulo'', disse, na época, o advogado Frederico Vidotti de Rezende. O advogado explicou que Cláudio Delgado fez a compra dos 48 alqueires por meio de um instrumento particular, um ''contrato de gaveta'', direto com Sueo Matsubara.

''O Cláudio fez tudo certo, dentro da lei. Mas quando ele comprou já havia uma pendência jurídica em cima da propriedade, por isso, ele não a registrou. A fazenda toda, com seus 98 alqueires, teria sido arrematada no final da década de 1980 pelo Banestado, por conta de dívidas dos proprietários da época. Então, o senhor Serafim Meneghel teria comprado a dívida em créditos da família Matsubara e conseguiu fazer um acordo com o banco, ficando com parte das terras. Houve um embargo de arrematação por parte da defesa da família Matsubara, que ainda não foi julgado por causa do sumiço de uma carta precatória que foi enviada para a Justiça de Bandeirantes. Ninguém sabe onde esse documento foi parar'', continuou o advogado. Com isso 36 alqueires da fazenda, pelo menos naquela época, ainda pertenciam a Meneghel.

Foto mostrando o estado das paredes e o aspecto geral de uma das partes internas do Hotel Yara
Foto mostrando o estado do piso, de madeira, que vem cedendo ao longo do tempo
Naquele meio tempo começaram a aparecer os processos trabalhistas de ex-funcionários de Matsubara. A Justiça do Trabalho mandou as terras da Yara para leilão, mas excluiu os 48 alqueires de Cláudio Delgado do pregão. No dia 12 de março de 2010, os 50 alqueires restantes foram leiloados e arrematados por Rafaela, a esposa de Cláudio, por cerca R$ 700 mil.

Entretanto, Sueo Matsubara recorreu e cancelou o arremate. Antes disso, o casal já havia recorrido aos serviços de advocacia de Rezende, em um embate com a Mitra Diocesana de Jacarezinho, que queria ficar com a capela São Domingos, e para se livrar da invasão de membros do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (MAST), que chegaram a agredir o casal, e a retirar objetos da sede da fazenda. Doze pessoas foram presas acusados de roubo. Quanta confusão!

Foto mostrando detalhes do teto de um dos trechos do Hotel Yara
O advogado disse que não pensava em litígio contra Matsubara e Meneghel, que por sua vez estariam sendo corretos. Ele aguardava apenas que a tal carta precatória aparecesse ou houvesse "boa vontade" por parte de ambos. Enquanto isso, o casal passou usar piscina de água termal com poderes medicinais para criar tilápias. Sim, exatamente isso que você leu.

''Elas engordam muito mais rápido por causa da temperatura. Ah! e não esqueça de escrever que sofremos com os caçadores, que entram aqui atrás de capivaras e pássaros'', disse Rafaela Delgado.

A Entrevista Realizada com Sueo Matsubara, Divulgada pela "Folha de Londrina", em 2010


Na terceira parte da matéria publicada pelo site da "Folha de Londrina", em 28 março de 2010, constava uma interessante, porém curta entrevista, realizada com Sueo Matsubara. O texto começou dizendo que a família Matsubara era "emblemática" no Norte do Paraná. A partir do patriarca Takeo, o clã fez fortuna na lavoura.

Posteriormente, os ''japoneses'' profissionalizaram um time de futebol de uma das fazendas, e chegaram até mesmo a disputar a primeira divisão do futebol paranaense. Sueo, um dos filhos de Takeo, presidia a equipe e sempre esteve à frente da maioria dos negócios da família. Ousado, em 1995 chegou a contratar o jogador Neto, ex-jogador do Corinthians, para jogar no seu time, que trocara Cambará (Norte Pioneiro) por Londrina.

Sueo Matsubara, filho de Takeo Matsubara, uma família "emblemática" no Norte do Paraná
Entretanto, o maior investimento da família Matsubara sempre foi em terras. Chegaram a ter uma dúzia de fazendas no Paraná, e milhares de hectares no Sul do Estado do Pará. Em uma matéria publicada na revista ''Veja'', em 1995, Sueo teria declarado que uma dívida de R$ 2,2 milhões junto ao Banco do Brasil, algo que representava apenas 20% do patrimônio da família. Assim sendo, a "Fazenda Yara" foi apenas um dos bens administrados por Sueo. Simpático e de bom humor, ele concedeu uma entrevista, por telefone, para a Folha de Londrina naquela época. Por estar fora do escritório, ele disse que não tinha muitos dados, mas confirmou o imbróglio jurídico. Confira a entrevista, logo abaixo:

P1: Por que o Yara chegou a essa situação?
R1: Quando eu comprei, já estava funcionando de forma muito precária. Era preciso muito dinheiro para reformar tudo. Depois eu fiz uma venda para o Serafim Meneghel e ele assumiu o negócio com o Banestado, pagando a dívida. Depois eu o paguei, e ele me devolveu uma parte da Yara. Mais terde vendi para o Cláudio.

P2: O que o senhor sabe sobre a carta precatória, que teria sumido?
R2: Não sei nada dessa história.

P3: Por que o senhor vendeu a Yara?
R3: Nunca gostei de terra. Meu pai e meus irmãos é que gostavam mais. Eu gosto é do comércio, de negociar. Terra não é comigo. Hoje, além do time, que atualmente só tem juniores e juvenis, tenho um loteamento em Bandeirantes e vou mexendo com outras coisinhas. Já estou com 70 anos. Tô bem de saúde, mas não adianta morrer de trabalhar. Tenho que aproveitar o restinho da vida. A água lá da Yara é muito boa, mas precisa de um investimento grande, do contrário, não compensa.

P4: O senhor já foi chamado de ''Rei do Algodão''. Parou de plantar?
R4: Deus me livre! Não quero mais saber de lavoura.

O Documentário Sobre os Mistérios do Hotel Yara Realizado Por Estudantes da UNOPAR: Domingos Regalmuto Teria Feito um Pacto com o Demônio?


Em 30 de outubro de 2013, foi publicado no YouTube, um documentário realizado por estudantes do 4º ano de Artes Visuais da UNOPAR (Universidade Norte do Paraná) sobre os mistérios do Hotel Yara. Aliás, esse mesmo documentário possui uma página no Facebook, que inclusive conta com o "Making Of", e maiores detalhes sobre o mesmo. Você pode conferí-lo, logo abaixo:



Boa parte do documentário, pelo menos a parte inicial, é destinado a contar uma parte da história do Hotel Yara. Contudo, a situação começa a ficar mais interessante por volta de 5:20 de vídeo, quando é mencionado uma espécie de lenda ou "rumor local" que, para alcançar a fama que o hotel alcançou, Domingos Regalmuto teria feito um "pacto com um demônio", vendendo sua alma em troca de atrair milhares de turistas.

Ainda de acordo com essa lenda, quando o hotel atingiu ao seu auge, esse demônio teria vindo para cobrar a dívida e levar a alma de Domingos para o Inferno. Então, Domingos teria recusado e implorado por sua vida. Por sua vez, o demônio teria feito uma última proposta, que Domingos teria que correr até a piscina sob certas condições, e que o pacto seria esquecido. Porém em um gesto de crueldade, enquanto Domingos corria, o demônio teria começado a arrancar partes de seu corpo: primeiramente as pernas, depois os braços e a cabeça, que teria rolado até a beira da piscina. De qualquer forma, oficialmente não é bem isso que se conta, visto que Domingos teria sofrido uma trombose, que lhe custou as duas pernas e posteriormente, em depressão, cometido suicídio.

A situação começa a ficar mais interessante por volta de 5:20 de vídeo, quando é mencionado uma espécie de lenda ou "rumor local" que, para alcançar a fama que o hotel alcançou, Domingos teria feito um "pacto com um demônio", vendendo sua alma em troca de atrair milhares de turistas.
O documentário também menciona que moradores locais contam relatos estranhos sobre o local. Alguns dizem ver uma noiva de branco, em frente a igreja (a Capela São Domingos), caminhando lentamente até a porta, em direção ao altar. Muitos contam que seria uma noiva que foi assassinada na região, na década de 1950, e sua alma continua presa no lugar. Outras pessoas dizem ouvir passos, janelas e portas batendo do nada e vozes que, aparentemente, viriam de todas as partes, além da sensação de alguém sempre estar vigiando quem visita o lugar.

Alguns dizem ver uma noiva de branco, em frente a igreja (a Capela São Domingos), caminhando lentamente até a porta, em direção ao altar. Muitos contam que seria uma noiva que foi assassinada na região, na década de 1950, e sua alma continua presa no lugar
De qualquer forma, isso são apenas rumores ou lendas locais, e o documentário não apresenta quaisquer provas ou imagens que possam corroborar com que é mencionado em vídeo. Já a partir de 6:40, é mencionado sobre a chamada "hora morta", sendo que o grupo de estudantes resolveu entrar no Hotel Yara, supostamente às 3h da manhã, para investigar e ver se o local era realmente assombrado ou não. Apesar dos esforços e das boas imagens, nada foi detectado diante de câmeras convencionais.

Na parte final do vídeo é exibida uma série de fotografias e reportagens antigas de jornais sobre o Hotel Yara, além de um vídeo mostrando um incêndio que aconteceu em 23 de janeiro de 2011, que teria destruído boa parte do hotel. Vocês podem conferir esse vídeo, que foi publicado em um canal de terceiros, no YouTube logo abaixo:



Apesar de ser especulativo e abordar lendas e rumores locais, esse documentário foi bem feito, e com certeza é um material válido de ser assistido por quem tiver interesse pelo Hotel Yara.

A Reportagem Realizada pelo Programa "Meu Paraná", e os Fantasmas que Aterrorizavam os Antigos Hóspedes


Em 22 de fevereiro de 2014, o programa "Meu Paraná", que vai ao ar aos sábados, sempre ao meio-dia, pela RPC, e apresentado por Ana Carolina Oleksy, apresentou uma interessante matéria sobre o Hotel Yara que, ao menos naquela época, continuava nas mãos de Cláudio Delgado. Confira as duas partes dessa interessante reportagem, em um canal de terceiros, no YouTube. A primeira basicamente retrata a história que vocês já leram anteriormente:



Já a segunda parte apresenta os relatos de fantasmas do Hotel Yara. Porém, iremos comentar sobre isso daqui a pouco, além dos planos que Cláudio Delgado tinha para o local:



Vale ressaltar nesse ponto, que o "Meu Paraná" apresenta o estado para os próprios moradores da região. São apresentadas reportagens especiais que mostram as belezas naturais do Paraná e recantos ainda pouco explorados pela indústria do turismo. É um espaço que fala das manifestações culturais mais autênticas da região, do legado deixado pelos diversos povos que formaram o mosaico de culturas que caracteriza o estado do Paraná e também da História, resgatando episódios e destacando personalidades que marcaram a construção da sociedade paranaense.

A segunda metade da segunda parte da reportagem sobre o Hotel Yara é basicamente reservado ao Cláudio Delgado, a quem a matéria citava como "homem que se apresentava como atual proprietário do hotel", e que tinha planos para revitalizar o lugar. Ele planejava construir um hotel menor e mais charmoso, com SPA, academia, um espaço dedicado a venda de artesanato local e até mesmo um mini zoológico.

Cláudio Delgado, a quem a matéria citava como "homem que se apresentava como atual proprietário do hotel",
tinha planos para revitalizar o lugar
Ele planejava construir um hotel menor e mais charmoso, com SPA, academia, um espaço dedicado
a venda de artesanato local e até mesmo um mini zoológico
Enquanto isso não acontecia, o hotel atraía a atenção de curiosos, e suas dependências e arredores tinham virado cenário para filmes, fotos de casamento e catálogos de moda.

Enquanto isso não acontecia, o hotel atraía a atenção de curiosos, e suas dependências e arredores tinham virado cenário para filmes, fotos de casamento e catálogos de moda
Também é mencionado que a família de Cláudio, ao menos no passado distante, era grande e a renda não dava para sustentar a todos. Ele levava uma marmita na mochila, mesmo que quase sempre estivesse vazia, devido a vergonha que sentia perante os amigos. Muitas vezes um alimento catado na própria lavoura era a única refeição após um dia inteiro de trabalho pesado. Teriam sido anos de sofrimento, até que posteriormente o Claúdio, com a ajuda de amigos, teria conseguido estudar. Ele teria feito um curso técnico de corretor, e conseguido emprego na Bolsa de Valores de São Paulo.

"Era fácil ganhar dinheiro, todo papel que você comprava tinha boa liquidez. E nessa liquidez você ia acumulando, e geralmente quem mexe com ações nunca tem dinheiro no bolso, você tem em ações. Eu fui juntando e vendi", disse Cláudio. Ao visitar a terra natal, teria surgido a ideia de comprar o Hotel Yara.

Também é mencionado que a família de Cláudio, ao menos no passado distante, era grande e a renda não dava para sustentar a todos. Ele levava uma marmita na mochila, mesmo que quase sempre estivesse vazia, devido a vergonha que sentia perante os amigos
"Era fácil ganhar dinheiro, todo papel que você comprava tinha boa liquidez. E nessa liquidez você ia acumulando, e geralmente quem mexe com ações nunca tem dinheiro no bolso, você tem em ações. Eu fui juntando e vendi", disse Cláudio. Ao visitar a terra natal, teria surgido a ideia de comprar o Hotel Yara
"Você pegar e comprar a Yara é o mesmo que bater o pênalti da Copa, é como você acertar a bola, é como você ir a Lua. Ela é a joia da coroa de Bandeirantes", completou.

A primeira metade da segunda parte, no entanto, tratou do aspecto "sobrenatural" do Hotel Yara. Inicialmente, foi mencionado que muitos hóspedes e ex-funcionários juravam ter visto ou escutado coisas estranhas nas dependências do hotel, tais como passos nos corredores e portas rangendo. Nesse sentido, apareceu a Dona Regina, uma ex-camareira do hotel, que contou uma história de arrepiar sobre pedras que surgiam do nada e eram arremessadas contra as paredes do hotel, assim como contra as pessoas.

Ela disse que as pedras teriam atingido o dono da época em que trabalhou e hóspedes, porém ninguém sabia de onde vinham e não perceberam a presença de ninguém, até mesmo porque a noite estava bem iluminada devido ao luar.

Dona Regina, uma ex-camareira do hotel, que contou uma história de arrepiar sobre pedras que surgiam do nada e eram arremessadas contra as paredes do hotel, assim como contra as pessoas
Já um homem chamado Nivaldo, que foi garçom do Hotel Yara disse que cansou de socorrer pessoas de olhos arregalados devido a "barulhos sinistros", principalmente de madrugada. Simpático e sorridente, Nivaldo disse que explicava aos hóspedes que era apenas uma janela que batia ou uma porta, mas que não havia nada demais no local.

Nivaldo, que foi garçom do Hotel Yara disse que cansou de socorrer pessoas de olhos arregalados devido a "barulhos sinistros", principalmente de madrugada
Aliás, isso não assustava Rafaela, esposa do Cláudio Delgado, que não estava preocupada com fantasmas de outro mundo, visto que seu maior fantasma era o da incerteza. Devido a problemas judiciais não era possível colocar em prática o projeto que ela e o marido estavam imaginando desde que compraram, ao menos boa parte da fazenda Yara, em 2002. Agora, será que depois de tanto tempo, temos alguma novidade sobre esse hotel? É o que vocês vão descobrir a seguir.

A Recente Reportagem Realizada Pelo Programa "Estúdio C" da RPC, e a Atual Situação do Hotel Yara


Eis que chegamos na parte final dessa postagem para comentarmos a respeito de uma reportagem que foi realizada pelo programa "Estúdio C", apresentado por Daiane Fardin, que foi ao ar no sábado passado (18), pela RPC, que conforme vocês já sabem, é afiliada da Rede Globo, no Paraná. Vocês podem conferir o primeiro bloco do programa, que foi publicado em um canal de terceiros, no Daily Motion (fiquem tranquilos que iremos detalhar os principais pontos a seguir):



A reportagem começa efetivamente aos 2:27 de vídeo, visto que antes disso temos apenas uma espécie de teaser sobre a mesma e a chamada para alguns outros assuntos do programa. No começo da matéria é mostrado o depoimento de alguns moradores locais, que dizem que o local é mal-assombrado, sendo que algumas pessoas teriam visto vultos e até mesmo que o fantasma de um homem teria aparecido em uma foto.

Logo em seguida, inicia-se a conversa com o Walter de Oliveira, que foi muito amigo do primeiro proprietário do Hotel Yara, o Sr. Domingos Regalmuto, e que morou cerca de 7 anos no hotel, na época que o mesmo funcionava a todo vapor. Ele lembrou que em feriados prolongados vinha gente de diversas partes do país, de estados como São Paulo e Rio de Janeiro, além do próprio Estado do Paraná. O Hotel Yara era uma opção única na região, ou seja, em um raio de 100 km, não havia nada melhor do que ele.

Walter lembrou que em feriados prolongados vinha gente de diversas partes do país, de estados como São Paulo e Rio de Janeiro, do próprio Estado do Paraná. O Hotel Yara era uma opção única na região.
Walter lembrou que o local também era muito procurado por homens que costumavam levar suas amantes. Aliás, Paulo Regalmuto, filho de Domingos, teria sido fruto de um relacionamento extraconjugal com uma húngara (a Sra. Katerine Erdely). Nas imagens, também é possível notar o estado de abandono do hotel, principalmente em relação ao piso, o teto e as paredes nitidamente vandalizadas.

Novamente apareceu o Nivaldo, que conforme já sabemos, tinha sido garçom do hotel. A novidade é que foi informado que ele trabalhou para o terceiro proprietário do hotel, e seu pai tinha sido administrador do primeiro dono. Nivaldo lembrou dos velhos tempos e disse ter saudades da época de ouro do Hotel Yara.

Novamente apareceu o Nivaldo, que conforme já sabemos tinha sido garçom do hotel. A novidade é que foi informado que ele trabalhou para o terceiro proprietário do hotel, e seu pai tinha sido administrador do primeiro dono
Então, por volta de 11:20 de vídeo, Walter de Oliveira é questionado sobre uma certa maldição relacionada ao Hotel Yara, e foi perguntado se ele achava que os primeiros donos teriam sido amaldiçoados. Walter explicou que após o Domingos Regalmuto ter amputado as duas pernas, havia a perspectiva de ter que amputar também os dois braços, e que por isso ele teria posto um fim em sua própria vida. Já seu filho, o Paulo, morreu de forma prematura em um acidente de carro quando tinha menos de 24 anos. Curiosamente, o terceiro proprietário, Paschoal D'Andrea, também acabou morrendo, vítima de câncer.

Então, por volta de 11:20 de vídeo, Walter de Oliveira é questionado sobre uma certa maldição relacionada ao Hotel Yara, e foi perguntado se ele achava que os primeiros donos teriam sido amaldiçoados
Assim sendo, devido a sucessão de três mortes consecutivas de proprietários, foi alimentada uma antiga crença que havia sido feito um "pacto com o Diabo", porém isso não passaria de folclore local.

Na parte final da postagem, é mostrado o casal Rafaela e Cláudio Delgado. Rafaela disse que no começo as pessoas perguntavam sobre os estranhos eventos que aconteciam no local, e que ela não acreditava, até achava engraçado. Porém, depois de um tempo, ela disse que coisas estranhas começaram acontecer, assim como vozes que chamavam o seu nome, mas quando ela se dirigia até a frente do hotel, não havia ninguém.

Já Cláudio disse que mesmo sem nenhum tipo de vento, as portas ficavam batendo (inclusive isso chegou a acontecer enquanto ocorria a gravação). Ele acreditava que havia algo no local, que não dava para explicar. Pouco tempo depois podemos notar novamente a Dona Regina, ao lado de uma amiga, que também trabalhava na lavanderia do hotel, na década de 1960.

Dona Regina disse os mais antigos contavam que uma bolinha de pingue-pongue, na época da Quaresma, simplesmente se movia sozinha pela mesa do salão de jogos, como se duas pessoas estivessem jogando, mesmo sem a presença física de ninguém. Aliás, ela também teria presenciado esse estranho fenômeno. De qualquer forma, sua amiga disse ficava um pouco cismada, visto que nunca teria visto nada.

Dona Regina (à direita) disse os mais antigos contavam que a bolinha de pingue-pongue, na época da Quaresma, simplesmente se movia sozinha pela mesa do salão de jogos, como se duas pessoas estivessem jogando, mesmo sem a presença de ninguém
Na reportagem também aparece uma outra senhora, que teria trabalhado como faxineira do Hotel Yara. Essa outra senhora contou que, certa vez, uma hóspede mencionou que a torneira do banheiro do quarto onde a mesma estava hospedada, abriu sozinha durante a noite, e a mesma ficou desesperada.

Na reportagem aparece uma outra senhora, que teria trabalhado como faxineira do Hotel Yara. Essa outra senhora contou que certa vez uma hóspede mencionou que a torneira do banheiro do quarto onde a mesma estava hospedada, teria aberto sozinha durante a noite
Na reportagem exibida pelo programa "Estúdio C" também é contada bem resumidamente a história de vida de Cláudio Delgado, que permanece juntamente com a esposa como proprietário do Hotel Yara desde 2002, ou seja, há 15 anos, e que ele teria comprado, o que ele chamou apenas de "Yara", por cerca de US$ 1 milhão da família Matsubara. Em seguida, próximo de terminar, aparecem novas imagens do projeto de revitalização do local, e que dessa vez contaria com uma cervejaria artesanal e auditórios, porém não foi informado quando isso sairá do papel.

De qualquer forma, diante do vimos, será mesmo que podemos dizer que o hotel é mal-assombrado? Será que algum dia o Hotel Yara voltará a ser como era antes? Isso tudo é assunto para os meus comentários finais.

Comentários Finais


Coincidentemente, essa foi a minha segunda postagem consecutiva envolvendo algum caso relacionado a região Sul do Brasil, visto que a anterior tinha sido sobre as crenças e lendas da cidade de São José, em Santa Catarina. A outra coincidência, no entanto, é um pouco mais estranha. Pouco tempo depois que acessei o site da "Folha de Londrina", as páginas relacionadas especificamente ao Hotel Yara, que usei como base para compor uma parte dessa postagem, simplesmente foram apagadas, e até esse momento, na manhã de sábado (25), nenhuma tinha voltado ao ar. Isso não interferiu em meu trabalho, mas é algo bem inusitado e que raramente vejo acontecer. Aparentemente, cheguei a tempo de evitar que essa parte da história sobre o Hotel Yara fosse estranhamente retirada do ar. Será que realmente existe uma maldição e que afetaria até mesmo o que é publicado na internet sobre o hotel? Será que essa postagem também sairá do ar, assim como também já aconteceu com uma outra que eu havia publicado no passado? Bem, estranhezas a parte, é muito complicado tentar induzir as pessoas que Domingos Regalmuto tenha feito um "pacto com um demônio" diante de tanta história de trabalho duro, pesado e árduo para construir tudo aquilo que vemos em ruínas hoje em dia. Tudo indica que Domingos tenha erguido uma joia rara no Norte do Paraná devido aos seus próprios esforços, não do sobrenatural. Ao sofrer um problema de saúde, e precisar amputar suas pernas, o peso de toda uma vida caiu em seus ombros, e o mesmo decidiu não investir mais em si mesmo, uma vez que a perspectiva era a pior possível.

Tragicamente, seu filho Paulo morreu em um acidente enquanto dirigia em direção a São Paulo, e o terceiro proprietário efetivo do local, acabou morrendo de câncer. Porém, aqui mora um detalhe interessante. Após a morte de Paschoal D'Andrea, o local teve pelo menos mais quatro donos. Um homem chamado Serafim Meneghel, Sueo Matsubara e o casal Rafaela e Cláudio Delgado, isso sem considerar as mãos temporárias pelas quais a propriedade passou. Até onde pude pesquisar há mais de 15 anos, desde que tiveram alguma relação com a propriedade, todos eles continuam bem vivos. Aliás, aparentemente, Rafaela e Cláudio Delgado moram, desde 2002, em algum local da propriedade que adquiriram. Resumindo, fica claro que a sequência de mortes tenha sido apenas fatalidade. Outra coisa que chama a atenção é o comportamento das pessoas em apontar essa lenda. Será que ninguém que tivesse dinheiro e se dedicasse firmemente ao trabalho não poderia fazer o que Domingos proporcionou? Será que um ex-boia-fria não pode mudar de vida, comprar as ruínas de um hotel que via apenas de longe, e ter planos para revitalizar o lugar? Se você procurar no Google irá encontrar diversos exemplos que isso é plenamente possível e não precisa de demônio algum para isso. Quanto aos relatos de fantasmas, isso é subjetivo, uma vez que as pessoas contam o que acreditam que viram, o que outras pessoas mencionaram e assim por diante. O mesmo vale para portas e janelas batendo, visto que seria necessária uma análise mais aprofundada e técnica sobre o assunto. De qualquer forma, com certeza, mesmo em ruínas, é um local extremamente interessante, que exala história e que sem dúvida alguma eu gostaria de conhecer pessoalmente.

Agora, será que algum dia o Hotel Yara irá reviver seus dias de glória? Bem, isso só o tempo nos dirá. É difícil estimar uma data, porque essa história vem se arrastando há 15 anos, e ninguém chega a um acordo sobre o que fazer com o lugar, e nem mesmo sobre a exploração consciente da fonte. Aliás, um dos maiores pecados é saber que uma água, que já considerada praticamente milagrosa e de propriedade terapêutica, tenha sido desperdiçada na criação de peixes, sendo que boa parte acaba escoando para os rios locais, e sequer pode ser aproveitada em benefício da população local. Um bem tão precioso quanto a água, o ouro branco que se tornou turvo, diante de um gigante em estado de abandono e a mercê da boa vontade dos homens. Existe tanto em jogo, tantas possibilidades interessantes, tantos empregos a serem gerados e novas oportunidades para a pequena cidade de Bandeirantes, mas aparentemente ninguém chega a um acordo. E assim, o gigante e a Yara, a deusa das águas esperam pacientemente para voltar a seduzir os homens e arrebatá-los, especialmente em uma noite de luar.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://gshow.globo.com/RPC/Estudio-C/noticia/2017/03/estudio-c-desvendou-os-misterios-do-hotel-yara-reveja-o-programa.html
http://redeglobo.globo.com/rpctv/meuparana/noticia/2014/02/meu-parana-falou-sobre-o-passado-e-o-futuro-do-hotel-yara.html
http://sabordahistoriacafe.blogspot.com.br/2014/02/hotel-yara.html
http://www.folhadelondrina.com.br/cadernos-especiais/agua-medicinal-para-criar-tilapias-710414.html
http://www.folhadelondrina.com.br/norte-pioneiro/piscina-das-termas-yara-e-reaberta-369305.html
http://www.lugaresesquecidos.com.br/2015/05/hotel-thermas-yara.html
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1360741
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