13 de fevereiro de 2017

Polêmico Projeto de Lei Quer Proibir o Uso de Dinheiro Público na Busca Pelo "Pé-Grande" no Novo México, nos Estados Unidos


Por Marco Faustino

Um dos principais assuntos que estão em alta nesse começo de ano, sem dúvida alguma é sobre a lendária criatura mais conhecida como "Pé-Grande". Tivemos um caso relacionado a uma irlandesa que acreditava tê-lo registrado em Slieveanorra, na Irlanda do Norte (leia mais: Pé-Grande, Fantasma ou Pareidolia? Irlandesa Alega Ter Fotografado uma "Estranha Criatura" em Slieveanorra, na Irlanda do Norte), e um outro caso bem mais emblemático ocorrido no estado norte-americano da Dakota do Norte. Nesse último caso, um homem chamado Chris Bauer, morador da pequena cidade de Ellendale, no condado de Dickey, disse ter sido uma espécie de "caçador" a vida inteira, que conhecia muito bem a região onde mora, e que tinha sido capaz de rastrear uma criatura que, segundo ele, só poderia ser um "Pé-Grande". Enquanto muitas famílias estavam aproveitando a manhã de Natal (no ano passado), Chris Bauer caminhou por alguns quilômetros pela neve ao seguir pegadas de 45 cm de comprimento por 20 cm de largura, que teriam misteriosamente desaparecido em uma região montanhosa. No fim do mês passado, no entanto, a WDAY, uma emissora da TV afiliada da ABC do estado norte-americano da Dakota do Norte, exibiu uma reportagem dizendo ter recebido uma carta anônima apontando que o rastro teria sido forjado com a ajuda de moldes caseiros de pegadas adaptados em um par de tênis. Quem não gostou nada dessa história foi Chris Bauer, que se recusou a acreditar na carta, dizendo que a mesma era falsa. Bauer continua até hoje tendo certeza absoluta, que ele rastreou um grande animal nas redondezas (leia mais: O "Pé-Grande" Reapareceu na Dakota do Norte? "Caçador" Norte-Americano Alega Ter Encontrado Pegadas dessa Lendária Criatura!).

Recentemente, os tabloides britânicos resolveram até mesmo ressuscitar um vídeo, que circula há pelo menos seis anos na internet, mais precisamente desde 18 de março de 2011. Esse vídeo mostraria a suposta filmagem de um "Pé-Grande" em uma região florestal nos arredores da cidade de Yalta (ou Ialta), na península da Crimeia, que é um território disputado até hoje pela Ucrânia e pela Rússia. Mesmo após seis anos, o vídeo de apenas 16 segundos continua sendo constantemente discutido em fóruns de discussão espalhados pela internet, entre eles o Reddit, que nem de longe é uma boa fonte de informação. Curiosamente, no entanto, apesar de muitas pessoas acreditarem que seja apenas uma pessoa fantasiada, que talvez quisesse pregar uma peça em alguém que estivesse andando pela floresta, outros tantos acreditam que o medo demonstrado pelo rapaz fosse real. Entretanto, a solução do mistério era tão antiga quanto o vídeo. Na verdade, a filmagem era para ser tão somente um viral para uma campanha publicitária de uma companhia de telefonia móvel ucraniana chamada "Kyivstar", que acabou publicando seu comercial pouco tempo depois. Além disso, a agência publicitária MullenLowe divulgou o comercial em sua própria conta no YouTube, no dia 1º de abril de 2011, reforçando ainda mais a conexão entre a filmagem supostamente realizada em Yalta. As gravações do comercial, diga-se de passagem, ocorreram bem próximo dessa cidade (saiba mais: Pé-Grande Filmado na Ucrânia! - #93 Minuto Assombrado).

De qualquer forma, o assunto de hoje não tem uma relação direta com fotos ou vídeos, mas sobre um polêmico projeto de lei de um senador norte-americano chamado George Munoz, do estado do Novo México, que visa proibir o uso de dinheiro público para procurar ou capturar "criaturas fictícias". Aliás, de acordo com a lista proposta por ele, não somente o "Pé-Grande" seria afetado, mas criaturas como o "Abominável Homem das Neves", "Sasquatch", "Yeti", além de "Pokemons", "Leprechauns" (uma figura mitológica do folclore da Irlanda, uma espécie de duende) e até mesmo o "Bicho-papão". Por mais surreal que isso possa parecer, o caso é real, assim como o projeto de lei do senador George Munoz. A razão para isso é que uma parte da verba destinada a Universidade do Novo México (UNM), uma universidade pública dos Estados Unidos, foi utilizada no ano passado para promover uma conferência sobre esse assunto e até mesmo uma "expedição" para procurar pelo "Pé-Grande" no estado. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda o Caso: A Polêmica História Divulgada em Outubro do Ano Passado


Em outubro do ano passado, um repórter investigativo chamado Larry Barker, da KRQE, uma emissora de TV afiliada da CBS e sediada em Albuquerque, publicou o que foi considerado uma verdadeira "bomba" em termos de utilização do dinheiro público no estado do Novo México. No centro de toda a controvérsia estava a lendária criatura que conhecemos como "Pé-Grande". Vale ressaltar que "Pé-Grande" está no mesmo nível de outras criaturas lendárias, assim como o "Monstro do Lago Ness", o "Kraken" ou "Lobisomens", por exemplo. Confira a reportagem realizada pela KRQE, que foi publicada em sua própria conta no YouTube, no dia 31 de outubro do ano passado (em inglês, mas vamos destrinchar essa reportagem para vocês a seguir):



De acordo com o folclore, o "Pé-Grande" é um animal peludo, semelhante a um ser humano, que supostamente vive em regiões florestais. Mesmo que até hoje nunca tenha existido uma prova contundente de sua existência, aparentemente o campus em Gallup, da Universidade do Novo México (UNM), tinha conduzido uma série de atividades nesse sentido. O principal responsável era o Dr. Christopher Dyer, simplesmente o diretor-executivo desse campus.

Mesmo que até hoje nunca tenha existido uma prova contundente da existência do "Pé-Grande", aparentemente o campus em Gallup, da Universidade do Novo México (UNM), tinha conduzido uma série de atividades nesse sentido
Imagem do Google Maps mostrando a localização da cidade de Gallup em relação a outras cidades e estados
da Costa Oeste dos Estados Unidos
"Nunca vi, mas eu ouvi. Acredito que jogaram uma pedra em mim em uma determinada noite. E certamente havia um cheiro ruim no ar. Isso porque eles têm um odor muito forte", disse o Dr. Christopher Dyer.

De seu escritório na região oeste do estado do Novo México, o Dr. Christopher Dyer é o responsável pelo campus em Gallup da UNM. Quando não está coordenando os alunos e docentes, ele viaja com o objetivo de investigar criaturas lendárias. Ele garantiu que procurava pelo "Pé-Grande" com seus próprios recursos, porém uma investigação realizada pela KRQE descobriu que as despesas geradas pelo Dr. Christopher Dyer superavam a casa dos US$ 7.000 (cerca de R$ 22.000), que saíram dos cofres da UNM, ou seja, dinheiro público.

De seu escritório na região oeste do estado do Novo México, o Dr. Christopher Dyer (na foto) é o responsável pelo campus em Gallup da UNM. Quando não está coordenando os alunos e docentes, ele viaja com o objetivo de investigar criaturas lendárias
"Quando você está gastando o dinheiro do contribuinte sobre o que é completamente pseudociência, é uma traição da confiança pública. Essa é uma traição da missão da universidade", disse o professor e instrutor de tecnologia Dave Thomas.

Em fevereiro do ano passado, o Dr. Christopher Dyer organizou uma conferência que durou cerca de dois dias, no campus de Gallup, chamada "Pé-Grande no Novo México: Evidência, Ecologia e Comportamento". Os palestrantes convidados foram denominados como: o "renomado especialista" Dr. Jeff Meldrum, e o "naturalista do Novo México", Rob Kryder.

"Foi o melhor e o maior evento em termos de público da história do campus", disse o Dr. Christopher Dyer. A UNM gastou milhares de dólares com propaganda, refeições para os palestrantes convidados, passagens aéreas, e diárias de hotéis. O autointitulado "especialista" em Pé-Grande, o Dr. Jeff Meldrum recebeu cerca de US$ 1.000 pela palestra. Já "Rob Kryder" recebeu cerca de US$ 500.

O autointitulado "especialista" em Pé-Grande, o Dr. Jeff Meldrum (à esquerda) recebeu cerca de US$ 1.000 pela palestra.
Já "Rob Kryder" (à direita) recebeu cerca de US$ 500
"Existem esses seres que, conforme vem sendo sugerido, obviamente estão aqui há muito tempo. Porém, são poucos atualmente. Eles certamente não são tão numerosos quanto já foram um dia", disse o Dr. Jeff Meldrum para a multidão, que acompanhava sua palestra.

No entanto, para Ben Radford, pesquisador, autor de diversos livros e editor-chefe da revista "The Skeptical Inquirer", a conferência nem de longe foi equilibrada.

"Havia duas pessoas que se diziam ser especialistas quando o assunto é 'Pé-Grande' dando palestras. Contudo, onde estavam os céticos? Há muitos céticos sobre 'Pé-Grande' no Novo México que eles poderiam ter chamado", disse Ben Radford.

"Sinceramente, eu não sabia onde encontrar esses tais céticos", rebateu o Dr. Christopher Dyer.

No entanto, para Ben Radford (na imagem), pesquisador, autor de diversos livros e editor-chefe
da revista "The Skeptical Inquirer", a conferência nem de longe foi equilibrada
Após a conferência, o Dr. Christopher Dyer encheu sua van de equipamentos e pegou a estrada em busca da "ardilosa besta". Para Larry Barker, aquela poderia ter sido a primeira expedição em busca do "Pé-Grande" financiada com dinheiro público na história. Armados com binóculos e outras parafernálias, o Dr. Christopher Dyer e alguns de seus amigos se dirigiram para a região de Sandia em busca do "Pé-Grande".

Embora não tenham sido chamados quaisquer alunos ou professores da universidade nessa expedição, a UNM pagou por tudo. Desde diárias em hotéis de Santa Fé e Albuquerque, até refeições e gasolina. Os contribuintes também pagaram cerca de US$ 140 para a aquisição de sete calçados para neve, para todos aqueles envolvidos na expedição.

Os contribuintes também pagaram cerca de US$ 140 para a aquisição de sete calçados para neve,
para todos aqueles envolvidos na expedição.
A KRQE chegou a perguntar ao Dr. Christopher Dyer se ele foi ao menos capaz de vislumbrar o "Pé-Grande".

"Não, mas vimos seu habitat. Não chegamos a vê-lo", respondeu o Dr. Christopher Dyer.

"Tenho que dizer que foi praticamente um grande desperdício de dinheiro, visto que não encontramos evidências devido a neve. Era simplesmente impossível andar por lá. Então, nesse caso, se gastaríamos dinheiro com isso novamente? Absolutamente não", completou.

Um dos participantes da expedição em busca do "Pé-Grande" em Sandia foi um homem chamado George Harvey, que ninguém sabia exatamente quem era, apenas que ele acreditava na existência da criatura. A UNM pagou todas as despesas da Harvey, incluindo refeições, transporte e quartos de hotel. De acordo com o Dr. Christopher Dyer, George Harvey era "muito pobre", assim como toda sua família, e ele acreditava que não poderia custear suas despesas por conta própria.

Um dos participantes da expedição em busca do "Pé-Grande" em Sandia foi um homem chamado George Harvey (na imagem), que ninguém sabia exatamente quem era, apenas que ele acreditava na existência da criatura
A KRQE também perguntou ao Dave Thomas a respeito das chances de se encontrar o "Pé-Grande" na região montanhosa de Sandia.

"Acredito que a probabilidade seria de uma em bilhões. Para a UNM, procurar pelo Pé-Grande em Sandia faz tanto sentido quanto financiar uma viagem de campo para encontrar o pote de ouro no final do arco-íris", disse Dave Thomas.

"Acredito que a probabilidade seria de uma em bilhões. Para a UNM, procurar pelo Pé-Grande em Sandia faz tanto sentido quanto financiar uma viagem de campo para encontrar o pote de ouro no final do arco-íris", disse Dave Thomas (na imagem).
"Bem, se você quer passar o dia fazendo caminhadas em Sandia, fique à vontade. Só diria para não usar o dinheiro público com isso. O histórico de sucesso em buscas pelo Pé-Grande é exatamente zero. Não é 1%. Não é 10%, nem 30%, é exatamente zero. Portanto, nunca houve uma busca bem sucedida pelo Pé-Grande", disse Ben Radford.

"Utilizo fundos discricionários para coisas que eu acho que possuem algum mérito. Isso poderia incluir trabalho de campo de algum tipo ou alguma pesquisa sobre alguma coisa. As pessoas usam dinheiro dos contribuintes para fazer pesquisas, independentemente de ser ou não em razão do Pé-Grande", disse o Dr. Christopher Dyer.

Vale lembrar nesse ponto, que fundos discricionários são verbas públicas, em o gestor público utiliza o dinheiro para o que quiser, ou seja, de acordo com sua conveniência ou oportunidade. De qualquer forma, desde fevereiro até outubro de 2016, a UNM gastou US$ 7.458 em atividades relacionadas ao Pé-Grande.

Desde fevereiro até outubro de 2016, a UNM gastou US$ 7.458 em atividades relacionadas ao Pé-Grande.
A KRQE questionou o senador estadual George Muñoz, que mora em Gallup, se ele havia conversado com o Dr. Christopher Dyer sobre sua paixão pelo Pé-Grande.

"Não conversei com ele. Não sei se consigo manter uma expressão séria no rosto, para então perguntar a razão pela qual ele está gastando essa quantia em algo que não existe", disse George Muñoz.

Ele também disse que não sabia explicar aos seus colegas o que estava acontecendo no campus de Gallup da UNM, visto que eles ririam dele se ele contasse que um diretor de uma universidade pública estava em busca de uma criatura lendária. O senador também mandou um recado para Dyer dizendo para que ele devolvesse o dinheiro utilizado aos cofres públicos.

"Não conversei com ele. Não sei se consigo manter uma expressão séria no rosto, para então perguntar a razão pela qual ele está gastando essa quantia em algo que não existe", disse George Muñoz (na imagem).
"Isso não é expandir as fronteiras da ciência. É desperdiçar tempo e recursos em algo que é tão efêmero como leprechauns. É realmente um desperdício de recursos científicos", disse Dave Thomas, sobre o uso de dinheiro público para financiar a busca pelo Pé-Grande.

"O Dr. Dyer precisa pensar melhor sobre a maneira pela qual ele se compromete com essas atividades. A expedição não era apropriada, e não voltará a ocorrer dessa maneira", disse Robert Frank, presidente da Universidade do Novo México. Resumindo? Os dias de "expedições" do Dr. Christopher Dyer podiam estar chegando ao fim.

Uma Polêmica que Parece Não Acabar no Estado do Novo México: O Projeto de Lei de George Muñoz


Recentemente, a KRQE divulgou a existência de um projeto de lei do senador estadual George Muñoz, visando proibir o uso de dinheiro público para pesquisas sobre o "Pé-Grande", no Novo México. Confira essa nova reportagem da KRQE, que foi publicada em sua própria conta no YouTube, no dia 8 de fevereiro desse ano (em inglês):



"É triste termos que fazer isso, visto que eles não têm a ética, ou seja, a UNM não tem a ética necessária para parar isso. E, agora, temos que elaborar projetos de lei para parar algo que não é moralmente correto", disse George Muñoz. Porém, aparentemente, o senador adotou um tom jocoso nesse projeto de lei ao incluir duendes, pokemons e o bicho-papão.

George disse que a atitude tomada pelo Dr. Christopher Dyer foi bem injusta com os alunos, porque eles gastam muito dinheiro com a educação, e que o dinheiro público não deveria ser gasto com algo assim.

Aparentemente, o senador adotou um tom jocoso nesse projeto de lei ao incluir duendes, pokemons e o bicho-papão
Sinceramente, eu custei a acreditar que esse projeto de lei existia, mas ele realmente existe, e está disponível para consulta pública no site da Assembleia Legislativa do Estado do Novo México. Ela é basicamente uma proposta de restrição de despesas relacionadas a "determinadas atividades" no âmbito da educação de Ensino Superior no estado.

Primeira página do Projeto de Lei do Senador George Muñoz
Segunda página do Projeto de Lei do Senador George Muñoz
De acordo com o projeto de lei, o dinheiro público de qualquer instituição estadual de Ensino Superior do Estado do Novo México, não deveria ser utilizado com o propósito de procurar ou capturar uma criatura fictícia, incluindo o "Abominável Homem das Neves", "Sasquatch", "Yeti", "Pokemons", "Duendes" e o "Bicho-papão".

Além disso, ainda segundo esse projeto de lei, o dinheiro público não deveria ser utilizado para compensar de forma financeira quaisquer docentes ou funcionários dessas instituições, quando não estivessem exercendo o cargo que ocupam, exceto, por exemplo, que fosse aprovado por uma autoridade administrativa designada de acordo com os procedimentos estabelecidos para este fim pelo conselho de regentes.

Enquanto Isso, no Estado Norte-Americano do Alabama...


Enquanto o estado norte-americano do Novo México tem sua luta particular para tentar evitar o "desperdício" do dinheiro público, uma pequena cidade com pouco mais de 3.800 habitantes no estado do Alabama, se declarou ser oficialmente a "Capital Estadual do Pé-Grande". Sim, exatamente isso que você leu. Porém, para entender essa história, é necessário compreender o que levou isso.

Em uma notícia publicada no dia 24 de janeiro desse ano, o site de notícias "AL.com" divulgou que um homem chamado Donald McDonald, pertencente a "Gulf Coast Bigfoot Research Organization"("Organização de Pesquisa sobre Pé-Grande da Costa do Golfo") tinha sido "convidado" para falar durante durante o Festival Collard Green, um evento realizado todos os anos, na pequena cidade de Evergreen, no condado de Conecuh, no Alabama, no início do mês passado.

Em uma notícia publicada no dia 24 de janeiro desse ano, o site de notícias "AL.com" divulgou que um homem chamado Donald McDonald, pertencente a "Gulf Coast Bigfoot Research Organization"("Organização de Pesquisa sobre Pé-Grande da Costa do Golfo") tinha sido "convidado" para falar durante durante o Festival Collard Green, um evento realizado todos os anos na cidade de Evergreen
Quando um morador de uma comunidade chamada Pine Orchard mostrou "marcas de garras" em uma árvore do seu quintal, McDonald determinou, que não poderia ter sido feito por seres humanos, sendo ainda mais improvável que tivessem sido feitas por quaisquer outros animais.

"Algumas dessas marcas de garras estava a cerca de 2,5 metros de altura do solo e chegavam até 3,6 metros. Sim, existem ursos na região, mas se um urso tivesse feito essas marcas, haveria marcas de garras de urso nas laterais da árvore onde tivesse escalado, porém não havia nada assim", disse Donald McDonald.

Quando um morador de uma comunidade chamada Pine Orchard mostrou "marcas de garras" em uma árvore do seu quintal, McDonald determinou, que não poderia ter sido feito por seres humanos, sendo ainda mais improvável que tivessem sido feitas por quaisquer outros animais
Ele estava acompanhado de um "entusiasta sobre Pés-Grandes" chamado Ashley McPhaul, da cidade de Excel e Lee Peacock, jornalista do The Evergreen Courant, um jornal local. Além deles também estava presente um homem chamado Michael Humphreys, que participa de um programa chamado "Killing Bigfoot", que é exibido por uma emissora norte-americana chamada "Destination America".

"Sou uma pessoa muito cética por natureza, mas gosto de manter a mente aberta. Particularmente, nunca vi um 'Pé-Grande", mas o que vi em Pine Orchard no outro dia é difícil de ignorar. Como verdadeiros especialistas em rastreamento McDonald e Humphreys pareciam ser capazes de ver coisas na floresta, que a maioria das pessoas não conseguiria notar. Foi uma experiência bem reveladora para mim", disse Lee Peacock.

McDonald e Humphreys não fizeram nenhuma filmagem para o programa de TV enquanto estiveram no Alabama, visto que tinham ido até a cidade de Evergreen para verificar alguns relatos de avistamentos de "Pé-Grande", que foram comunicados a "Gulf Coast Bigfoot Research Organization" (GCRBO), por moradores locais.

Da esquerda para direita, Peacock, Humphreys, McPhaul e McDonald
"Eu não tinha ideia quando fui contatado, que havia tantos relatos dessas criaturas na região. Uivos e gritos de 'Pé-Grande' foram ouvidos por muitos moradores nessa região. Muitos o viram atravessar a estrada na frente deles ou rondar suas casas", disse Donald McDonald, acrescentando que essas criaturas não eram seres amigáveis. Aliás, caso encontrassem alguma dessas criaturas, e que colocasse pessoas em risco a vida das pessoas, eles iriam matá-lo.

Donald McDonald disse que a GCRBO tinha aproximadamente 18 relatos na região, mas quando eles deixaram o Alabama havia cerca de 40 relatos de avistamentos. De acordo com o site da GCRBO, pessoas de 43 condados, de um total de 67 no estado do Alabama já tinham relatado ter visto o "Pé-Grande". Resumindo, a prefeitura de Evergreen "convidou" essas pessoas devido aos avistamentos que estavam ocorrendo na região.

No dia 9 de fevereiro, o site de notícias "AL.com" publicou que diversas histórias relacionadas a avistamentos de "Pé-Grande" tinha viralizado na região, o que levou os membros da Câmara Municipal de Evergreen a discutir como capitalizar a atenção que vinha recebendo. Assim sendo, na noite de terça-feira passada (7), os membros da câmara votaram de forma unânime para designar a cidade, com uma população de pouco mais de 3.800 habitantes, como o "Capital Oficial de Pé-Grande do Alabama".

Imagem do Google Maps mostrando a localização da pequena cidade de Evergreen em relação a outras cidades
e estados da região Sul dos Estados Unidos
Na noite de terça-feira passada (7), os membros da câmara votaram de forma unânime para designar a cidade, com uma população de pouco mais de 3.800 habitantes, como o "Capital Oficial de Pé-Grande do Alabama"
Ironicamente, um dos vereadores da cidade, chamado Luther Upton, que apresentou essa mesma resolução, disse que nunca tinha visto um "Pé-Grande", porém ele disse "que nunca tinha visto Deus, e ainda assim acreditava nele".

"Muitas pessoas viram essas coisas. Não são charlatães. São pessoas legítimas que viram essas coisas. Tem que haver algo que explique tudo isso", disse Luther Upton, que ainda planejava entrar em contato com um representante estadual para enviar a resolução ou a proclamação até a Assembleia Legislativa do Estado do Alabama, para que também houvesse esse reconhecimento.

Vale lembrar nesse ponto que duas outras cidades alegam ser regiões com avistamentos de "Pé-Grande": Willow Creek, na Califórnia, como a "Capital Mundial do Pé-Grande", e Remer, no Minnesota, como a "Casa do Pé-Grande".

Comentários Finais


Estamos tão acostumados a acompanhar casos de corrupção e desvio de dinheiro público em nosso país, na ordem de milhões ou até mesmo bilhões de reais, que talvez seja um choque para muitos de vocês se depararem com um "escândalo" envolvendo o equivalente a R$ 22.000, no estado norte-americano do Novo México. Contudo, para compreendermos melhor essa situação, precisamos ter em mente duas coisas muito importantes. A primeira delas é que o "Pé-Grande" é considerado uma criatura lendária, ou seja, nunca se provou de fato sua existência. Em segundo lugar, essas criaturas lendárias, mesmo que ninguém nunca tenha encontrado nada que prove substancialmente a suposta existência das mesmas, se torna uma poderosa fonte de renda para inúmeras cidades norte-americanas, que se aproveitam disso para criar festivais, atrair turistas, vender souvenirs, passeios turísticos etc. Basta ver o que aconteceu com a cidade de Point Pleasant, no estado norte-americano da Virgínia Ocidental, em relação ao chamado "Homem-Mariposa". Apesar de toda a história ter começado com depoimentos e relatos subjetivos de supostas testemunhas, nunca houve uma foto, um vídeo, e nem mesmo material biológico, que pudesse comprovar sua existência. Isso não impediu que livros e filmes de ficção científica fossem criados em torno do tema. Aliás, o Festival Anual do Homem-Mariposa se tornou a principal renda da cidade de pouco mais de 4 mil habitantes. Muitas vezes, ao menos nos Estados Unidos, manter uma lenda viva é manter um prato de comida na mesa daqueles que a contam.

A grande questão é que aparentemente, tudo indica que o principal responsável pelo campus de Gallup, da Universidade do Novo México, o Dr. Christopher Dyer, não estava nem um pouco interessado em manter essa lenda viva em sua região e muito menos em seu estado. Ficamos com a sensação que ele agiu por interesses particulares ao planejar uma conferência no campus, e posteriormente uma expedição, que não houve sequer a preocupação em saber das condições climáticas do local. Além disso, não havia a presença de professores ou alunos da universidade, para que ao menos pudéssemos chamar o que fez como "interesse público". Então, obviamente, houve todo um escândalo quando suas despesas injustificáveis afetaram diretamente o dinheiro dos contribuintes. Para vocês conseguirem comparar isso de forma mais próxima a nossa realidade, seria o mesmo que o reitor de uma universidade estadual acreditasse, por exemplo, no Curupira, pegasse uma verba pública, ou seja, seu dinheiro, para promover uma conferência sobre lendas brasileiras e chamasse pessoas que acreditam e até mesmo possuem supostas provas de sua existência. Além disso, imagine esse mesmo reitor promovendo uma expedição para procurar pelo Curupira e pagasse todas as despesas de uma equipe composta por mais 6 pessoas, que você não faz ideia de quem sejam, e nem mesmo fazem parte da universidade. Entendeu, mais ou menos a gravidade? Acreditar é uma coisa, realizar uma pesquisa ou um estudo bem feito, é totalmente diferente.

Enquanto isso, a cidade de Evergreen, no estado norte-americano do Alabama, faz o que é esperado de uma cidade bem pequena do interior, se aproveita de relatos subjetivos, de pessoas que até podem ter uma conduta ilibada, mas que em razão de uma série de motivos, dizem aquilo que acreditam que viram, o que pode não ser exatamente o que viram, visto que não há nenhuma pesquisa séria na região. Apenas de pessoas que são "especialistas" naquilo que nunca viram. E nesse ponto, um vereador da cidade, chamado Luther Upton, soltou uma das maiores pérolas do ano: "Nunca vi um 'Pé-Grande', mas também nunca vi Deus, e acredito nele". Soa engraçado, mas é um completo desastre querer comparar religião com uma criatura lendária. Uma justificativa deturpada, na qual seria muito mais conveniente dizer real propósito, ou seja, promover o turismo da cidade mesmo diante de algo que ninguém até hoje foi capaz de provar a existência, muito menos em Evergreen. Se tantas cidades fazem isso nos Estados Unidos e ao redor do mundo, por que aquela pequena cidade do Alabama não pode? Enfim, talvez esse caso sirva como parâmetro para até que ponto uma lenda pode alcançar, ou seja, aparentemente é interessante quando há uma intenção para promover toda uma cidade, porém quando o dinheiro público é usado para fins pessoais, sobe o tom da discussão. No final das contas, é irônico pensar que o único erro do Dr. Christopher Dyer foi apenas em se esquecer de colocar mais um prato de comida na mesa.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://krqe.com/2016/10/31/taxpayers-on-the-hook-for-unm-bigfoot-expedition/
http://krqe.com/2017/02/08/bigfoot-expedition-inspires-bill-banning-state-funded-searches-for-mythical-creatures/
http://uk.businessinsider.com/ap-university-executive-director-under-fire-for-bigfoot-hunt-2016-11
http://www.al.com/living/index.ssf/2017/01/bigfoot_hunters_say_claw_marks.html
http://www.al.com/living/index.ssf/2017/02/citycouncil_designates_townoff.html
https://www.cnet.com/news/bigfoot-pokemon-yeti-new-mexico/
https://www.youtube.com/watch?v=UrC4djKe7dk
https://www.youtube.com/watch?v=Z12CpPlz99g
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