24 de fevereiro de 2017

Os Estados Unidos Enviaram uma Aeronave para Detectar Partículas Radioativas de um Suposto "Teste Nuclear" Realizado pela Rússia?


Por Marco Faustino

Desde maio do ano passado, eu comecei a redigir o que vocês conhecem por "Minuto AssombradO", o qual eu carinhosamente apelidei de "MA" (na verdade foi puramente por preguiça mesmo). Assim sendo, muitas notícias, que não se encaixavam ou não compensavam fazer uma postagem completa sobre as mesmas, passaram a ser divulgadas para vocês através desse formato, que exige muito menos trabalho em editar, mas que para mim o esforço e a dedicação continuam sendo os mesmos, visto que é necessário verificar a veracidade da informação, as fontes, eventuais vídeos, fotos, entre outros detalhes, que acabam passando desapercebidos por vocês. Para que vocês tenham uma ideia, até hoje eu já redigi o texto, que serve como roteiro-base, e comumente publicado na descrição dos vídeos, de cerca de 95 "Minutos AssombradOs". Entretanto, nada é perfeito nessa vida. Apesar desse formato ser mais rápido, de vez em quando falta espaço para maiores informações e explicações, o que acaba gerando uma série de especulações, que podem ser nocivas ao próprio tema abordado.

Esse é o caso, por exemplo, daquele "Minuto AssombradO" no qual comentamos, que uma certa quantidade de um isótopo radioativo de iodo, chamado Iodo-131, de origem desconhecida, tinha sido detectada no mês passado sobre grandes regiões da Europa. Uma vez que esse isótopo tem uma meia-vida de apenas oito dias, a detecção era praticamente uma prova que a liberação do mesmo era recente. Uma estação de análise do ar localizada em Svanhovd, na Noruega, foi a primeira a detectar pequenas quantidades de Iodo-131, na segunda semana de janeiro. Pouco tempo depois, o mesmo Iodo-131 foi detectado em Rovaniemi, capital da Lapônia, na Finlândia. Posteriormente, cerca de duas semanas depois, foram detectados vestígios de radioatividade, embora em pequenas quantidades, na Polônia, República Checa, Alemanha, França e Espanha. A parte "alarmista" é que a estação de Svanhovd está localizada a poucas centenas de metros da fronteira da Noruega, com a península de Kola, na Rússia. Para "piorar a situação" e torná-la ainda mais "conspiratória", Astrid Liland, principal responsável pelo setor de preparação para situações de emergência da Autoridade Norueguesa de Proteção contra a Radiação, acreditava que havia uma forte possibilidade, que a radiação tivesse vindo de algum país do Leste Europeu. A presença de Iodo-131 no ar poderia indicar um possível incidente com um reator nuclear, mas não necessariamente, que tivesse ocorrido uma explosão. Isso indicava apenas que alguma coisa pudesse ter dado errado em algum lugar (provavelmente no Leste Europeu), e ninguém quis assumir a culpa.

Entretanto, esse assunto voltou à tona recentemente, quando surgiu uma notícia dizendo que os Estados Unidos teriam enviado uma aeronave, uma espécie de avião "farejador", o WC-135C, para uma base militar no Reino Unido, e poucos dias depois a mesma decolou rumo a Noruega e o Mar de Barents. E o que essa aeronave faz? Bem, sua missão é coletar amostras da atmosfera com a finalidade de detectar e identificar partículas radioativas a partir de explosões nucleares. Esse avião é informalmente conhecido por "pássaro do tempo" ou então "farejador" por aqueles que participam das operações da Força Aérea dos Estados Unidos. Acho que nem preciso dizer, que começaram a disseminar especulações de que os Estados Unidos teriam levado essa detecção na Europa muito a sério, e até mesmo surgiram hipóteses que a Rússia estaria testando algum tipo de armamento nuclear no Ártico. Contudo, será mesmo que isso é verdade? Será que o Iodo-131 teria vindo, por exemplo, daquele incidente ocorrido em uma usina nuclear na França? É justamente isso que vocês ficarão sabendo a partir de agora. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Entenda o Caso: Como a Mídia Internacional Ficou Sabendo das Detecções de Iodo-131 Sobre Diversas Regiões da Europa?


Podemos dizer que a absoluta maioria dos veículos de impresa internacionais deu destaque a esse assunto somente após uma notícia publicada no site de notícias "The Independent Barents Observer", intitulada "Radioactive Iodine over Europe first measured in Finnmark" ("Iodo Radioativo sobre a Europa foi medido pela primeira vez em Finnmark", em português), no dia 19 de fevereiro. Vale lembrar nesse ponto que Finnmark é um condado no extremo nordeste da Noruega, que faz fronteira com o condado de Troms, a oeste, na Finlândia (região da Lapônia) e ao sul com o território federal de Murmansk Oblast, na Rússia. Essa região norueguesa também é banhada pelo Mar da Noruga e o Mar de Barents.

Imagem do Google Maps mostrando a localização de Finnmark, um condado no extremo nordeste da Noruega, que faz fronteira com o condado de Troms, a oeste, na Finlândia (região da Lapônia) e ao sul com o território federal de Murmansk Oblast, na Rússia
Visão aérea da Estação de Pesquisa NIBIO, em Svanhovd,
uma das cidades norueguesas mais próximas da fronteira com a Rússia
A notícia dizia que vestígios de um isótopo radioativo de iodo, o Iodo-131, de origem desconhecida, tinha sido detectado no mês anterior, ou seja, em janeiro, em diversas regiões da Europa. Uma vez que esse isótopo tem uma meia-vida de apenas oito dias, a detecção seria uma prova de que o mesmo teria sido liberado recentemente na atmosfera. Ninguém sabia, no entanto, de onde essa radioatividade estava vindo.

Para sua melhor compreensão do caso, precisamos dizer que um isótopo nada mais é do que uma variante de um mesmo elemento químico, sendo que no caso do iodo, existem dezenas de isótopos. O Iodo-131, por exemplo, é sintético, ele não existe na natureza, porém ele é utilizado na medicina nuclear no tratamento di câncer e outras patologias da glândula tireoide em seres humanos.

Já a "meia vida" é o intervalo de tempo em que uma amostra desse mesmo elemento se reduz à metade. Esse intervalo de tempo também é chamado de período de semidesintegração. A quantidade e atividade caem pela metade com o decorrer do tempo, e o processo vai se repetindo sucessivamente. Porém, devemos considerar que esse átomo nunca sumirá e nem sua radiação será zero. No caso do Iodo-131 essa meia vida é de apenas 8 dias, mas no caso do césio-137, por exemplo, é de 30 anos. Já o Tório-232 tem simplesmente uma meia vida de "apenas" 14 bilhões de anos. Agora, vamos voltar ao texto principal.

O Iodo-131, por exemplo, é sintético, ele não existe na natureza, porém ele é utilizado na medicina nuclear no tratamento do câncer e outras patologias da glândula tireoide em seres humanos
No caso do Iodo-131 essa meia vida é de apenas 8 dias, mas no caso do césio-137, por exemplo, é de 30 anos.
Já o Tório-232 tem simplesmente uma meia vida de "apenas" 14 bilhões de anos.
A estação de análise do ar em Svanhovd, na Noruega, foi a primeira a detectar pequenas quantidades de Iodo-131, na segunda semana de janeiro. A estação está localizada a poucas centenas de metros da fronteira da Noruega com a península de Kola, ou seja, com a Rússia.

Depois de algum tempo, o mesmo Iodo-131 foi detectado em Rovaniemi, a capital da Lapônia (você deve conhecê-la como a "Casa do Papai Noel"), na Finlândia. Na duas semanas seguintes, foram detectados vestígios de radioatividade, embora em pequenas quantidades, na Polônia, República Checa, Alemanha, França e Espanha. Um detalhe interessante é que os maiores índices detectados estavam justamente sobre a Polônia.

A estação de análise do ar em Svanhovd (na foto), na Noruega, foi a primeira a detectar pequenas quantidades de Iodo-131 na segunda semana de janeiro. A estação está localizada a poucas centenas de metros da fronteira da Noruega com a Rússia
Foto da Capela de Svanhovd
A Noruega foi a primeira a detectar e quantificar essa radioatividade, porém a França foi o primeiro país europeu a informar publicamente sobre a situação.

"O relatório preliminar afirma que a radioatividade foi encontrada pela primeira vez durante a segunda semana de janeiro, na região norte da Noruega", disse o Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear da França (IRSN), em um comunicado de imprensa, publicado no dia 13 de fevereiro.

Astrid Liland, a principal responsável pelo setor de preparação para situações de emergência da Autoridade Norueguesa de Proteção à Radiação, disse ao "The Independent Barents Observer" que os níveis medidos não eram preocupantes em relação a saúde da população.

Mapa da detecção do Iodo-131 sobre a Europa, divulgado pelo Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear da França (IRSN), em um comunicado de imprensa, publicado no dia 13 de fevereiro
"Nós detectamos pequenas quantidades de radioatividade no ar de tempos em tempos, porque temos equipamentos de medição muito sensíveis. As medições de Svanhovd, em janeiro, foram muito, muito baixas. Assim como as detecções realizadas em países vizinhos, como a Finlândia. Os níveis não são preocupantes para os seres humanos ou para o meio ambiente. Portanto, acreditamos que isso não tivesse nenhuma importância de ser noticiado", disse Astrid Liland ao ser questionada sobre o motivo da população não ter sido informada.

Ela também apontou que a Noruega possuía uma ampla rede com 33 estações onde as pessoas podem verificar os índices em tempo real (na verdade, os dados são atualizados de hora em hora, mas caso tenha curiosidade, clique aqui para dar uma olhadinha).

As medições em tempo real (de hora em hora) da estação de análise do ar em Svanhovd, na Noruega
É importante ressaltar, que em Svanhovd, na Noruega, as medições no período de 9 a 16 de janeiro apontavam níveis de 0,5 microbecquerel por metro cúbico de ar (μBq/m³). Na França, onde as autoridades decidiram publicar as informações, a radioatividade medida foi muito menor, de 0,1 a 0,31 μBq/ m³. Os níveis medidos na Finlândia foram também mais baixos do que no norte da Noruega, com 0,27 μBq/ m³ medido em Rovaniemi, e 0,3 μBq/m³ em Kotka.

Astrid Liland, a principal responsável pelo setor de preparação para situações de emergência da Autoridade Norueguesa de Proteção à Radiação, disse ao "The Independent Barents Observer" que níveis medidos não eram preocupantes em relação a saúde da população.
A Autoridade de Radiação e Segurança Nuclear da Finlândia (STUK) decidiu seguir o exemplo francês e também publicou um comunicado de imprensa sobre o aumento dos níveis de radioatividade, no dia 16 de fevereiro. Porém, deixaram claro que os níveis medidos estavam bem longe das concentrações que poderiam causar algum efeito nocivo à saude humana. De qualquer forma, nem a STUK e nem o IRSN quiseram especular sobre a origem do Iodo-131. Astrid Liland também não conseguiu explicar a origem da radioatividade.

"No período em que as medições foram realizadas, as condições meteorológicas estavam bem severas, portanto não conseguimos rastrear essa liberação até seu ponto de origem. As medições de diversas localidades na Europa podem indicar que isso veio do Leste Europeu", explicou Astrid Liland.

Ainda de acordo com Astrid, o Iodo-131 no ar poderia ter vindo de um incidente com um reator nuclear
. Conforme dissemos anteriormente, o isótopo também é amplamente utilizado na medicina, e por isso muitos países ao redor do mundo o produzem. Vale ressaltar que incidente não significa explosão nuclear. São duas coisas bem diferentes, e depende muito do que realmente aconteceu.

A Autoridade de Radiação e Segurança Nuclear da Finlândia (STUK) decidiu seguir o exemplo francês e também publicou um comunicado de imprensa sobre o aumento dos níveis de radioatividade, no dia 16 de fevereiro. Porém, deixaram claro que os níveis medidos estavam bem longe das concentrações que poderiam causar algum efeito nocivo à saude humana
Todos os operadores de reatores nucleares ou de instituições que utilizam o Iodo-131 para fins medicinais possuem detectores para vazamentos externos de radioatividade. Assim sendo, com certeza alguém sabia a razão pela qual aquela radioatividade se espalhou por grandes regiões da Europa. Instalações nucleares no nordeste da Europa, onde a radioatividade foi descoberta, incluíam usinas nucleares na Finlândia, Suécia e Rússia, além de navios movidos a energia nuclear na península de Kola, na Rússia, e na área do Mar Branco (um braço do mar de Barents, na costa noroeste da Rússia). A fonte poderia também vir de instalações ainda mais longínquas.

Enfim, o que talvez tenha passado desapercebido no comunicado divulgado pela IRSN é que eles mencionaram que a estratificação térmica da atmosfera muitas vezes afeta as camadas atmosféricas mais baixas durante o inverno, prejudicando consideravelmente a dispersão de poluentes atmosféricos, ou seja, podoa ter acontecido uma concentração natural desse isótopo no ar. Vale lembrar que no início do ano a Europa enfrentou uma das piores ondas de frio dos últimos tempos, com temperaturas mínimas históricas e fortes nevascas. Além disso, somente partículas de Iodo-131 tinham sido detectadas.

A IRSN mencionou que a estratificação térmica da atmosfera muitas vezes afeta as camadas atmosféricas mais baixas no inverno, prejudicando consideravelmente a dispersão de poluentes atmosféricos. Aliás, somente partículas de Iodo-131 tinham sido detectadas
Resumindo? O que poderia estar sendo dispersado sobre condições normais, pode ter se concentrado devido a retenção atmosférica, o que explicaria o súbito aumento dos níveis de Iodo-131 em diversas localidades da Europa. A STUK, por sua vez, mencionou que os maiores índices estava sobre a Polônia, mas ainda assim muito distantes de causarem quaisquer problemas à saude humana.

As Detecções de Iodo-131 Seriam Referentes ao Incidente em uma Usina Nuclear na França?


A resposta para essa pergunta é um sonoro não. Existem três principais motivos para isso e vou explicar ao longo dessa parte da postagem, que será relativamente curta, diga-se de passagem. De qualquer forma, para que vocês entendam o que estamos dizendo, precisamos informar a vocês que por volta de 9h40 (horário local), do dia 9 de fevereiro desse ano, na comuna francesa de Flamanville, que fica localizada a 370 km de distância de Paris, a capital da França, houve uma espécie de explosão em uma usina nuclear dessa localidade (a Central Nuclear de Flamanville).

Entretanto, fiquem calmos, não estamos falando da explosão de um reator nuclear. Em entrevista a agência interncional de notícias "AFP", Olivier Marmion, mencionado como diretor do escritório do prefeito de Flamanville, disse que a explosão ocorreu fora da zona nuclear.

"Trata-se de uma questão técnica significativa, mas não constitui um acidente nuclear", disse Olivier.

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre a Central Nuclear de Flamanville, e Paris, capital da França
Foto da Central Nuclear de Flamanville, na França
Funcionários disseram que a explosão ocorreu na sala das máquinas (local que abriga as turbinas que produzem eletricidade), e confirmaram que não houve nenhum vazamento radioativo. Cinco pessoas foram atendidas pelos paramédicos devido a inalação de fumaça, mas não tiveram ferimentos graves.

"Um incêndio resultou em uma pequena explosão na sala das turbinas, na parte 'não nuclear' da unidade número 1, da Central Nuclear de Flamanville. O incêndio foi imediatamente controlado pela equipe de resposta da central e, de acordo com o procedimento padrão, o corpo de bombeiros foi até o local afetado e confirmou que o incêndio havia sido extinguido", disse um porta-voz da central nuclear.

Infográfico divulgado pelo tabloide britânico "Daily Mail" para explicar o incidente na Central Nuclear de Flamanville
Foto divulgada da sala das turbinas de um dos reatores da Central Nuclear de Flamanville
A empresa EDF Energia, responsável pela Central Nuclear de Flamanville, não divulgou maiores informações sobre as causas do incêndio, que resultou no desligamento temporário do reator nº 1. Porém, a Autoridade Francesa de Segurança Nuclear (ASN) disse que o fogo originou-se em uma turbina abaixo de um alternador, que converte energia mecânica em eletricidade. Disse também que iria solicitar a EDF Energia um relatório completo sobre as causas e as consequências do evento.

"Explosões em turbinas, geralmente relacionadas ao óleo em rolamentos superaquecidos, não são incomuns e ocorrem de vez em quando em usinas convencionais de carvão, petróleo ou gás. Outra possibilidade é que a explosão poderia ter sido ocasionada por um gerador de emergência no local. De qualquer forma, não deve ter havido quaisquer emissões de radiação", disse Barry Marsden, professor de tecnologia nuclear e engenharia de materiais, da Universidade de Manchester, na Inglaterra.

Barry Marsden, professor de tecnologia nuclear e engenharia de materiais,
da Universidade de Manchester, na Inglaterra
De qualquer forma, tudo indicava que nenhum reator tinha sido afetado, e que realmente não tinha havido vazamento nuclear, visto que até hoje não houve nenhum outro alerta de qualquer outro país ou de qualquer outra autoridade francesa nesse aspecto. Além disso, tinha sido descartada a hipótese de sabotagem.

Bem, não entrarei em detalhes políticos e econômicos sobre esse incidente na Central Nuclear de Flamanville, porém diante da leitura do que aconteceu, acho que vocês já perceberam que não teria como o incidente estar relacionado com o aumento nas emissões de Iodo-131 na Europa, não é mesmo? Isso devido a três motivos básicos: O incidente ocorreu no dia 9 de fevereiro, mais de mês após as primeiras detecções na Noruega, nenhum reator da central nuclear foi diretamente afetado, e não houve vazamento nuclear. Mesmo tentando muito, não dá para especular sobre isso.

Um Incidente Semelhante Relacionado ao Vazamento de Iodo-131 Ocorreu Há Seis Anos em Budapeste, na Hungria


Em um artigo escrito por Ben Sullivan, para o site Motherboard, publicado no dia 20 de fevereiro, foi mencionado que algumas pessoas começaram a especular que esse aumento nos índices de radioatividade teria sido causado devido a um "teste nuclear", que a Rússia teria realizado no Ártico, porém especialistas disseram que uma instalação farmacêutica poderia estar por trás do incidente.

"Uma vez que apenas o Iodo-131 foi detectado, e nenhuma outra substância radioativa foi medida, acreditamos que o mesmo tenha se originado a partir de uma empresa farmacêutica que produz medicamentos radioativos", disse Astrid Liland, algo que ela não tinha mencionado para o "The Independent Barents Observer". De qualquer forma, onde exatamente essa empresa poderia estar localizada ainda era um mistério.

"Devido aos ventos que mudam rapidamente, não é possível rastrear exatamente de onde isso veio. Isso aponta para uma fonte de emissão em algum lugar do Leste Europeu", completou.

Algumas pessoas começaram a dizer que esse aumento nos índices de radioatividade teria sido causado devido a um "teste nuclear", que a Rússia teria realizado no Ártico, porém especialistas disseram que uma instalação farmacêutica poderia estar por trás do incidente
A Sociedade Britânica de Proteção Radiológica (SRP) também disse à Motherboard que a presença exclusiva de Iodo-131 sugeria que a fonte não era um incidente nuclear, mas uma instalação médica como um hospital ou um fornecedor de radiofármacos (substâncias emissoras de radiação utilizadas na medicina para radioterapia e para exames de diagnóstico por imagem).

O site "Science Alert", em uma notícia publicada no dia seguinte (21), citou um caso de 2011 envolvendo uma empresa de produtos farmacêuticos, em um evento quase idêntico, quando baixos níveis de Iodo-131 foram detectados em diversos países europeus durante algumas semanas. Na época da divulgação do caso, autoridades também não sabiam explicar o súbito aumento dos níveis do isótopo, mas rapidamente descartaram quaisquer ligações com centrais nucleares.

"Se isso viesse de um reator, encontraríamos outros elementos no ar", disse Didier Champion, o então chefe de Meio Ambiente e Intervenção do IRSN, em entrevista para a agência de notícias Reuters.

"Se isso viesse de um reator, encontraríamos outros elementos no ar", disse Didier Champion,
o então chefe de Meio Ambiente e Intervenção do IRSN
Curiosamente, um estudo publicado no dia 16 de fevereiro desse ano, no periódico científico PLoS, ou seja, quase seis anos após aquele incidente, confirmou que a fonte do vazamento de Iodo-131, do incidente de 2011, tinha ocorrido devido a uma falha no sistema de filtragem do Instituto de Isótopos Ltd em Budapeste, na Hungria, que produz uma grande variedade de isótopos radioativos para tratamento médico e pesquisas.

Gráficos mostrando a dispersão de Iodo-131 sobre regiões do Leste Europeu, cerca de 84 horas após as primeiras emissões. O ponto azul é a cidade de Budapeste, capital de Hungria, sendo que os pontos vermelhos são os locais que detectaram as emissões
A contradição entre os resultados da dispersão e da trajetória pode ser explicada
devido ao grande cisalhamento vertical do vento
A fonte do vazamento de Iodo-131, do incidente de 2011, tinha ocorrido devido a uma falha no sistema de filtragem do Instituto de Isótopos Ltd em Budapeste, na Hungria, que produz uma grande variedade de isótopos radioativos para tratamento médico e pesquisas
Entretanto, geralmente não importa o que você diga, sempre existirá alguém disposto a criar uma teoria conspiratória, ainda mais quando se fala sobre um possível incidente nuclear e possivelmente tão próximo de um vizinho tão temperamental quanto a Rússia.

Surge uma "Teoria da Conspiração": A Rússia Teria Realizado um "Teste Nuclear" no Ártico?


Pois bem, de acordo com o site "The Aviationist", que se autointitula como um dos sites mais lidos e confiáveis sobre aviação militar, que por sua vez é conduzido por um jornalista italiano chamado David Cenciotti, questionou nas entrelinhas que a realidade sobre a possível gravidade da situação não era bem essa que a mídia estava contando.

Em 17 de fevereiro, uma aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos, um WC-135C Constant Phoenix, número de série 62-3582, usando o indicativo de chamada "Cobra 55" teria sido deslocado para a Base Aérea de Mildenhall, pertencente a Força Aérea Britânica, no Reino Unido.

Tweet realizado pelo usuário @CivMilAir, que foi replicado pelo site "The Aviationist", visto que em 17 de fevereiro, uma aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos, um WC-135C Constant Phoenix, número de série 62-3582, usando o indicativo de chamada "Cobra 55" teria sido deslocado para a Base Aérea de Mildenhall, pertencente a Força Aérea Britânica, no Reino Unido
O WC-135C é uma modificação da aeronave de transporte e suporte Boeing C-135, sendo que atualmente duas aeronaves desse tipo estão em operação ao redor do mundo, das dez que teriam operado desde 1963. A aeronave é pilotada por equipes do 45º Esquadrão de Reconhecimento da Base Aérea de Offutt, no estado norte-americano do Nebraska, enquanto as equipes responsáveis por missões pertencem ao 1º Destacamento do Centro de Aplicações Técnicas da Força Aérea dos Estados Unidos.

O WC-135C é uma modificação da aeronave de transporte e suporte Boeing C-135, sendo que atualmente duas aeronaves desse tipo estão em operação ao redor do mundo, das dez que teriam operado desde 1963
A aeronave é pilotada por equipes do 45º Esquadrão de Reconhecimento da Base Aérea de Offutt, no estado norte-americano do Nebraska, enquanto as equipes responsáveis por missões pertencem ao 1º Destacamento do Centro de Aplicações Técnicas da Força Aérea dos Estados Unidos
O WC-135C, conhecido como o "farejador" ou o "pássaro do tempo" por suas equipes, pode transportar até 33 pessoas. Contudo, o número de membros no interior da aeronave é mantido em uma quantidade considerada mínima durante as missões, com o objetivo reduzir os níveis de exposição radioativa entre a tripulação. Os gases efluentes são coletados por duas aberturas nas laterais da fuselagem, que por sua vez acabam retendo as partículas por meio de filtros. As equipes têm capacidade de analisar os resíduos em tempo real, ajudando a confirmar a presença ou não de precipitação nuclear, e possivelmente determinar as características da ogiva nuclear envolvida.

Juntamente com o monitoramento de testes de armas nucleares, o WC-135C é utilizado para rastrear a atividade radioativa, assim como aconteceu após o desastre nuclear de Chernobyl, na União Soviética, em 1986, e o incidente em Fukushima, no Japão, em 2011. Um desses aviões, por exemplo, foi deslocado para uma região próxima da Coreia do Norte, em antecipação aos lançamentos de foguetes por parte do ditador  Jong-un, em abril de 2013. Em seguida, o mesmo foi identificado sobrevoando o espaço aéreo do Reino Unido, em agosto daquele mesmo ano, levantando especulações que ele teria sido utilizado na Síria, devido a sua capacidade de analisar substâncias químicas dispersadas pelo vento na região dos ataques após dias ou até mesmo semanas.

Confira também um vídeo mostrando a decolagem do WC-135C, publicado em janeiro do ano passado, da Base da Força Aérea de Kadena, na ilha japonesa de Okinawa, da qual partem missões para espionar o programa nuclear da Coreia do Norte:



Apesar dessas aeronaves cruzarem o espaço aéreo europeu de vez em quando, as operações na Europa são raras. Além disso, até aquele momento, não havia nenhuma declaração oficial dos militares norte-americanos sobre as razões pelas quais tal aeronave de investigação nuclear tinha sido deslocada até aquele local. No entanto, muitas fontes começaram a sugerir que a aeronave tinha sido encarregada de investigar o súbito aumento dos níveis de Iodo-131, detectado no norte da Europa, no início do mês de janeiro.

O problema é que algumas pessoas começaram a especular que isso poderia ter sido o efeito colateral de um teste de uma nova ogiva nuclear na Rússia, que seria uma "improvável" (considerado a capacidade de detectar testes nucleares através de satélites e detectores sísmicos) violação do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT).

Na verdade, um dos primeiros locais a divulgar essa teoria conspiratória, foi um blog sueco chamado "Cornucopia", que se autointitula o "maior blog independente sobre economia, meio ambiente, sociedade e política". Esse termo "independente" é bem ambíguo em termos de sites de notícias, porque deveria ser algo positivo, mas geralmente não é.

O problema é que algumas pessoas começaram a especular que isso poderia ter sido o efeito colateral de um teste de uma nova ogiva nuclear na Rússia, que seria uma "improvável" (considerado a capacidade de detectar testes nucleares através de satélites e detectores sísmicos) violação do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT)
Com um teor razoavelmente questionador e conspiratório ao mesmo tempo, porém sem informar as pessoas as finalidades medicinais do Iodo-131, o Cornucopia mencionou que o Iodo-131 aparecia após a fissão nuclear do isótopo urânio-235 (uma detonação nuclear) ou de armas nucleares a base de plutônio. Lembrando que desastres nucleares também geram uma grande quantidade desse isótopo.

Aliás, aproveitando esse assunto, você podem conferir esse interessante vídeo relacionado a dispersão de Iodo-131 logo após o incidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011:



Também foi mencionado que a Rússia já teria se retirado de diversos acordos de desarmamentos, e de paz, e que por isso não seria impossível de se imaginar que o país tivesse abandonado o Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares.

Apesar de uma extensa rede de 170 sensores sísmicos e 80 estações de radionuclídeos criada justamente com o objetivo de detectar eventuais testes nucleares, o Kremlin estaria bem ciente sobre esses sensores, ou seja, eles poderiam utilizar pequenas cargas táticas, que não fossem facilmente detectadas.

Mapa do Sistema Internacional de Monitoramento (IMS) da
Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO)
Em resposta ao crescente movimento de pessoas acreditando na "iminência de uma guerra nuclear", a Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) emitiu um comunicado de imprensa sobre o assunto, no dia 20 de janeiro. Confira o texto abaixo na íntegra e devidamente traduzido, é claro:

"Em resposta as múltiplas consultas realizadas nas últimas 48 horas, a CTBTO informa que as estações de radionuclídeos (RN) do Sistema Internacional de Monitoramento (IMS) estão funcionando normalmente. O isótopo radioativo Iodo-131 é produzido através fissão nuclear em explosões nucleares, reatores de energia nuclear e instalações industriais e médicas de enriquecimento isotópico. O mesmo possui uma meia-vida de 8,02 dias. É um dos isótopos radioativos que as 80 estações planejadas do IMS, da CTBTO, monitoram continuamente por indícios de explosões de testes nucleares. Devido a sua ampla utilização industrial e médicinal, a CTBTO compara as medições de Iodo-131 com os níveis históricos locais. Embora o Iodo-131 seja frequentemente detectado pelas estações do IMS ao redor do mundo, não foram detectadas emissões acima dos níveis históricos locais nos últimos meses.

Comunicado de imprensa da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO),
que foi divulgado no dia 20 de fevereiro
Se fosse realizado um teste nuclear, que liberasse o Iodo-131, também se esperaria a liberação de muitos outros isótopos radioativos. Além disso, a CTBTO também é capaz de detectar muitos outros isótopos. Até o presente momento, nenhum outro isótopo de fissão nuclear foi detectado em níveis elevados juntamente com o Iodo-131, na Europa"

Entretanto, no dia 22 de fevereiro, o site "The Aviationist" publicou que o WC-135C (usando o indicativo de chamada "Flory 58"), que anteriormente tinha sido deslocado para a Base Aérea de Mildenhall, tinha decolado para sua primeira missão, Conseguem adivinhar o destino? Justamente a Noruega e o Mar de Barents, locais onde o primeiros aumentos dos níveis de Iodo-131 foram detectados no início de janeiro! Além disso, um pouco antes do WC-135C decolar, tinham decolado dois aviões de reabastecimento KC-135 ("Quid 524" and "525"), além de um avião de reconhecimento RC-135W ("Pulpy 81") juntamente com um outro avião de rebastecimento ("Quid 513").

Simplificando? Primeiramente, decolou um avião de reconhecimento acompanhado de um de reabastecimento e, em seguida, decolou o WC-135 acompanhado de dois aviões de reabastecimento, indicando assim que a missão seria um tanto quanto longa.

O WC-135C (usando o indicativo de chamada "Flory 58"), que anteriormente tinha sido deslocado para a Base Aérea de Mildenhall, tinha decolado para sua primeira missão, Conseguem adivinhar o destino? Justamente a Noruega e o Mar de Barents, locais onde o primeiros aumentos dos níveis de Iodo-131 foram detectados no início de janeiro!
Uma vez que as aeronaves chegaram nos arredores da cidade de Aberdeen, no leste da Escócia, elas desligaram os respectivos transponders tornando-as invisíveis para sites de rastreamento de vôos como o "Flightradar24.com"ou o "Global.adsbexchange.com", que usam ADS-B, Modo S e MLAT para monitorar vôos, ou seja, um sinal que eles estavam em uma missão oficial, e não queriam ser monitorados.

Enfim, de acordo com as informações fornecidas pela conta "CivMilAir", no Twitter, a aeronave norte-americana WC-135C retornou após uma missão de aproximadamente 12 horas, que teria sido realizada no Mar de Barents. Terá sido apenas coincidência?

Suposta Foto do WC-135C 62-3582 sobrevoando o Mar do Norte
De acordo com as informações fornecidas pela conta "CivMilAir", no Twitter, a aeronave norte-americana WC-135C retornou após uma missão de aproximadamente 12 horas, que teria sido realizada no Mar de Barents
De acordo com grande parte da mídia internacional, a exemplo de sites como o Science Alert, Motherboard, entre outros, essa aeronave teria sido deslocada para ajudar a rastrear a fonte que originou essa súbito aumento na emissão de Iodo-131 sobre a Europa, porém até agora isso não foi confirmado por nenhuma autoridade, e nem mesmo pela Força Aérea dos Estados Unidos.

Segundo uma notícia publicada pelo site britânico "Independent", no dia 22 de fevereiro, um porta-voz da Base Aérea de Mildenhall, teria confirmado que um WC-135 Constant Phoenix realmente havia pousado em solo britânico. Já em uma entrevista para o portal "Military.com", Erika Yepsen, uma porta-voz da Força Aérea dos Estados Unidos, declarou que o WC-135C estava em "uma manobra militar rotativa pré-planejada e previamente agendada".

Além disso, segundo o Coronel Patrick Ryder, da Força Aérea dos Estados Unidos, o WC-135C "realiza missões rotineiras ao redor mundo, sendo que qualquer um dos relatos sobre terem outra motivação não possui nenhum fundamento". Ele também se recusou a fornecer quaisquer outros detalhes a respeito da missão realizada recentemente pelo WC-135C. E aí, vocês acreditam nisso?

Segundo uma notícia publicada pelo site britânico "Independent", no dia 22 de fevereiro, um porta-voz da Base Aérea de Mildenhall, teria confirmado que um WC-135 Constant Phoenix realmente havia pousado em solo britânico
Também no dia 22 de fevereiro, o site de notícias IBTimes, publicou as declarações de Jayde Lovell, cientista e apresentadora do ScIQ, um canal de ciências da TYT Network.

"O Iodo-131 não é um mistério. Normalmente, é liberado em níveis baixos como parte do processo de geração de energia nuclear, e uma vez que a energia nuclear é comum em toda a Europa, não é incomum sermos capaz de detectarmos certas quantidades durantes determinadas condições climáticas, assim as baixas temperaturas do inverno europeu", disse Jayde Lovell.

"Eu esperaria ver muito mais e diferentes tipos de radiação do que apenas Iodo-131, caso fosse um teste nuclear. Seria incrivelmente anormal ser capaz de detectar Iodo-131 nessas quantidades a partir de um teste nuclear russo. Também não é perigoso e nem sequer perto de níveis que um ser humano pode ser exposto quando é utilizada uma técnica de imagem nuclear", continuou.

Jayde Lovell, cientista e apresentadora do ScIQ, um canal de ciências da TYT Network
"É muito mais provável que este vestígio, extremamente seguro, provenha de um dos muitos reatores nucleares da Europa, e não seja algo anormal ou sinal de um vazamento - e isso não é causado por nenhuma arma nuclear que eu tenha conhecimento", completou.

A questão é que até o presente momento temos uma série de coincidências estranhas, e até agora ninguém sabe exatamente de onde veio esse "súbito aumento" na quantidade de Iodo-131 sobre a Europa. Por outro lado é natural que os Estados Unidos quisessem dar uma olhada, por "desencargo de consciência", a partir do "alerta público", que foi gerado por dois países países europeus (França e Finlândia) sobre o assunto. Particulamente, não acredito que tenha sido uma explosão nuclear ou muito menos um teste nuclear realizado pela Rússia, quaisquer outros países do Leste Europeu ou até mesmo da Ásia.

Além disso, ao entrar em diversos fóruns de discussão percebi muitas pessoas acreditando que o Iodo-131 teria se originado a partir de Fukushima, lembrando que a central nuclear foi relembrada pela mídia devido aos recentes fracassos das missões robóticas para avaliar o estado do reator nº 2, devido os níveis extremamente altos de radiação, porém é altamente improvável. Outras pessoas mencionaram eventuais testes nucleares da Coreia do Norte ou do Irã, mas aparentemente, ainda que houvessem, isso não explicaria somente o súbito aumento do Iodo-131.

O mais provável é que alguém tenha alguma besteira, e não quis assumir a responsabilidade em um setor de alto custo como esse ou então simplesmente houve um acúmulo maior desse isótopo devido as condições climáticas atípicas pela qual a Europa, basicamente repleta de centrais nucleares, passou no começo desse ano. Acreditem, não é tão fácil começar uma guerra nuclear com diversos lados armados até os dentes. Apesar de oficialmente a Força Aérea dos Estados Unidos "negar" ou "desconversar" se mandaram ou não uma aeronave para dar uma olhada na situação divulgada recentemente, não seria de se estranhar que isso tivesse realmente acontecido. Vale a pena lembrar que a Terra não é plana e, portanto, a Rússia está bem mais próxima dos Estados Unidos do que se pensa.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://cornucopia.cornubot.se/2017/02/har-ryssland-brutit-mot.html
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0172312
http://radnett.nrpa.no/?id=225049#mon
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4245586/US-nuclear-sniffer-plane-Britain-nuclear-spike.html
http://www.dailymail.co.uk/news/article-4250098/US-nuclear-sniffer-plane-flies-Norway.html
http://www.ibtimes.com/nuclear-news-us-aircraft-detects-mystery-radiation-spreading-across-europe-2496840

http://www.independent.co.uk/news/world/europe/french-nuclear-power-plant-explosion-latest-injured-flamanville-la-manche-normandy-accident-fire-a7570876.html
http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/wc135-nuclear-sniffer-plane-europe-spike-in-radiation-us-military-raf-uk-landed-monitor-radioactive-a7593871.html
http://www.irsn.fr/EN/newsroom/News/Pages/20170213_Detection-of-radioactive-iodine-at-trace-levels-in-Europe-in-January-2017.aspx
http://www.popularmechanics.com/military/aviation/news/a25350/no-the-russians-are-not-blowing-up-nukes-but-things-are-still-getting-weird/
http://www.reuters.com/article/us-nuclear-iodine-iaea-idUSTRE7AA4U020111116
http://www.sciencealert.com/no-one-can-figure-out-what-s-behind-a-mysterious-radiation-spike-across-europe
http://www.stuk.fi/-/pienia-maaria-radioaktiivista-jodia-tammikuun-ilmanaytteissa
http://www.thedrive.com/the-war-zone/7830/usafs-nuke-sniffing-plane-is-flying-on-a-mission-near-the-arctic-right-now
https://en.wikipedia.org/wiki/Boeing_WC-135_Constant_Phoenix
https://motherboard.vice.com/en_us/article/nobody-is-sure-what-caused-a-mysterious-radiation-spike-across-europe
https://theaviationist.com/2017/02/19/u-s-air-force-deploys-wc-135-nuclear-sniffer-aircraft-to-uk-after-spike-of-radioactive-iodine-levels-detected-in-europe/
https://theaviationist.com/2017/02/22/u-s-wc-135-nuclear-sniffer-airplane-has-left-the-uk-heading-towards-norway-and-the-barents-sea/
https://thebarentsobserver.com/en/ecology/2017/02/radioactive-iodine-over-europe-first-measured-finnmark
https://thebarentsobserver.com/en/security/2017/02/russian-flash-nuclear-power-baltic-sea
https://www.dodbuzz.com/2017/02/22/36879/

https://www.theguardian.com/environment/2017/feb/09/explosion-at-flamanville-nuclear-plant-in-western-france
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