20 de fevereiro de 2017

Conheça os Lendários e Supostos "Ossos de Sereia" Guardados há Quase 800 Anos no Templo Ryuguji, na Cidade de Fukuoka, no Japão!


Por Marco Faustino

Se tem algo que nunca decai do interesse popular ou envelhece no imaginário de crianças, adolescentes, adultos e idosos são as sereias. A bela e pequena sereia de cabelos ruivos chamada Ariel, da Disney, não nos deixa mentir nesse aspecto. Embora a animação tenha sido ligeiramente baseada em um conto de fadas dinamarquês de mesmo nome, publicado pela primeira vez em 1837, e ter ganhado diversas adaptações no teatro, cinema e na música, sem dúvida alguma a Disney impulsou consideravelmente a lenda sobre as sereias pelo mundo afora a partir de 1989. É interessante destacar que no folclore europeu medieval e moderno, assim como acontece em "A Pequena Sereia", as sereias são seres aquáticos com a cabeça e o torso de uma mulher e a cauda de um peixe, porém quase todos os povos que dependiam do mar para sobreviver, tinham alguma representação feminina, que poderia enfeitiçar os homens até se afogarem. Na mitologia grega, por exemplo, isso era representado como um ser que continha o corpo de um pássaro e a delicadeza de uma mulher. Foi basicamente a partir da Idade Média, no entanto, começando pelas regiões do Mediterrâneo, que a sereia como "mulher-peixe" obliterou a "mulher-pássaro" da mitologia grega como a criatura que supostamente levava os marinheiros à perdição. A transformação muito provavelmente pode estar relacionada ao maior desenvolvimento da navegação, que permitiu as embarcações viajarem pelo alto-mar, onde acredita-se que as "novas sereias" morem, ou seja, muito além das rochas costeiras.

Para o Cristianismo, esses seres eram sinônimos do pecado, da vaidade e da luxúria. As sereias dos bestiários e outros manuscritos medievais desempenhavam as funções básicas de mostrar a bondade e a riqueza da Criação de Deus, personificava os pecados mortais, as tentações da carne e a vaidade como pecado corporificado na beleza, no espelho e no pente, os inseparáveis objetos característicos da imagem contemporânea das sereias. Por essa mesma razão, as sereias são relativamente comuns na arte sacra, como decoração de igrejas e altares. É bem provável que esse fortalecimento e a propagação das histórias de sereias decorreu dos relatos de marinheiros, que pensavam que ter visto essas criaturas na espuma do oceano e do mar. Na realidade, é bem possível que eles tivessem visto algo bem mais mundano, e totalmente explicável, assim como uma vaca-marinha-de-steller (um mamífero aquático considerado extinto) ou então um mero peixe-boi (um mamífero aquático ameaçado de extinção). De qualquer forma, até hoje nunca existiu uma verdadeira prova da existência das sereias. Ao longo do tempo foram divulgados diversos vídeos, fotos, supostas carcaças, e até mockumentários (falsos documentários) exibidos pelo Discovery Channel, mas infelizmente nunca houve uma prova substancial nesse sentido, sendo que a maioria é declaramente e sabidamente falsa.

No Japão as sereias são chamadas de "ningyo". A palavra " ningyo", formado pelos kanji "nin" (pessoa), e "gyo" (peixe), traduzida comumente como sereia, é utilizada para designar as criaturas ocidentais metade peixe e metade ser humano, assim como também as criaturas orientais que possuem características aquáticas e humanas. As sereias nipônicas possuem dedos longos, garras afiadas e brilhantes escamas douradas, podendo variar em tamanho, desde o tamanho de uma criança até um adulto. Suas cabeças foram, por vezes, descritas como sendo deformadas, possuidoras de chifres ou dentes proeminentes. Em outras versões, as sereias são descritas com uma forma que lembra a versão mais familiar de sereias ocidentais, mas com uma aparência sinistra, meio demoníaca. Segundo a lenda, são capazes de emitir um canto agradável como a canção de um pássaro ou o doce som de uma flauta. Acredita-se que a carne de uma "ningyo" pode conceder a imortalidade e suas lágrimas transformam-se em pérolas que, quando consumidas, trazem a juventude eterna. Enfim, ainda no Japão, existe um tempo chamado Ryuguji, na cidade de Fukuoka, que desde 1222, ou seja, há quase 800 anos, guarda supostos ossos (atualmente cerca de seis ossos) de uma sereia, que teria aparecido no litoral da cidade. É justamente sobre isso que vamos contar para vocês nessa postagem. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Pouco Sobre a Cidade de Fukuoka e o Templo Ryuguji, no Japão


Fukuoka é a capital da prefeitura de Fukuoka, situada na costa norte da ilha japonesa de Kyushu. Ela é a cidade mais populosa da ilha, seguida por Kitakyushu. Também é considerada a maior cidade e região metropolitana a oeste de Keihanshin, sendo uma das dez maiores cidades do Japão, com pouco mais de 1.6 milhões de habitantes. Apesar de ficar localizada a 1.100 km de distância de Tóquio, a capital do país, o centro da cidade fica apenas a 10 minutos do aeroporto local, possuindo assim uma grande acessibilidade e hospitalidade para todos aqueles que desejam visitar ou fazer negócios na cidade.

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre a cidade de Fukuoka e Tóquio, a capital do Japão
Apesar de ficar localizada a 1.100 km de distância de Tóquio, a capital do país, o centro da cidade fica apenas a 10 minutos do aeroporto local, possuindo assim uma grande acessibilidade e hospitalidade para todos aqueles que desejam visitar ou fazer negócios na cidade
A cidade é repleta de instituições, museus, e clubes destinados a construir laços culturais entre o Japão e outras culturas,
perfazendo-a uma cidade amigável e cosmopolita
A cidade também possui diversos templos, santuários, festivais, ruínas de castelos, praias, ilhas, lojas, e muitas opções em termos de entretenimento, e principalmente em relação a vida noturna. Fukoka fica próxima da China e da Coreia do Sul, ou seja, possui muitos laços culturais com estes dois países. A cidade também é influenciada por uma longa história de contato com o Ocidente, mesmo em determinados momentos em que o Japão estava quase completamente isolado.

Muitos moradores locais consideram a cidade como a ponte japonesa para o mundo. Confira um vídeo de apresentação da cidade, realizado pelo canal "Japan Experience", em setembro do ano passado, no YouTube (legendas em inglês, mas o vídeo é belíssimo, vale a pena conferir):



Além disso, a cidade é repleta de instituições, museus, e clubes destinados a construir laços culturais entre o Japão e outras culturas, perfazendo-a uma cidade amigável e cosmopolita. Sem dúvida alguma, se um dia vocês foram ao Japão, e tendo disponibilidade de tempo, devem dar uma passada em Fukuoka.

Já o templo Ryuguji é um templo dedicado a escola do Budismo chamada "Jodo Shinshu". O templo era originalmente localizado na praia, próximo ao porto. A tradição menciona que uma sereia apareceu na praia em 1222, e diante desse acontecimento acreditou-se que o mesmo era uma espécie de sinal de longa prosperidade da nação. Assim sendo, o templo foi rebatizado como Ryuguji (nome do lendário castelo onde as sereias vivem), quando o corpo da sereia foi enterrado dentro do santuário. Naquela época, o templo também recebeu um outro nome, sendo chamado de Reizen-san, originado do nome de um emissário da corte imperial japonesa.

O templo Ryuguji é um templo dedicado ao Budismo Jodo Shinshu, sendo que
o mesmo era originalmente localizado na praia próximo ao porto
A tradição menciona que uma sereia apareceu na praia em 1222, e diante desse acontecimento acreditou-se
que o mesmo era uma espécie de sinal de longa prosperidade da nação
Imagem mostrando o local (no centro da imagem) onde teria sido enterrado uma sereia no ano de 1222
Um detalhe interessante é que esse templo, ao contrário do que estamos acostumados a pensar, não fica em uma região afastada ou distante dos grandes centros urbanos, pelo contrário. É possível notar que o templo se encontra no meio de majestosos prédios, o que demonstra sua importância e a valorização dos aspectos religiosos e culturais japoneses. Confira abaixo sua localização no mapa interativo do Google Maps:



Agora que você conhece um pouco a mais sobre a cidade de Fukuoka e do templo Ryuguji, nada mais justo que contar maiores detalhes sobre essa lenda e conferir mais de perto como são esses tais "ossos de sereia".

A Lenda Sobre a Sereia que Teria Aparecido no Litoral de Fukuoka e Alguns dos Seus Supostos Ossos



O templo Ryuguji, em Fukuoka, vem preservando por quase oito séculos o que muitos acreditam que sejam autênticos ossos de uma sereia, sendo que qualquer pessoa pode vê-los pessoalmente. Basta agendar um horário por telefone, ou seja, nada de chegar no local e querer dar uma olhada a todo custo. Vale lembrar que respeito é fundamental, ainda mais no Japão.

De acordo com a lenda, que inclusive é mencionada em um mapa turístico local, uma sereia foi enterrada em um templo após ter sido encontrada na parte superior de um cais na região de Hakata, no Japão medieval, em 14 de abril de 1222, na ilha de Kyushu. Na época, Abe-no Otomi, um xamã "onmyoji", que era conhecido por ter grandes habilidades de adivinhação, disse que o surgimento da criatura mística era "um bom presságio para a longa prosperidade da nação".

O templo Ryuguji, em Fukuoka, vem preservando por quase oito séculos o que muitos acreditam que sejam autênticos ossos de uma sereia, sendo que qualquer pessoa pode vê-los pessoalmente
Para ver os ossos pessoalmente basta agendar um horário por telefone, ou seja, nada de chegar no local e querer dar uma olhada a todo custo. Vale lembrar que respeito é fundamental, ainda mais no Japão.
Assim sendo, baseado nas palavras do xamã, a sereia foi enterrada em Ukimido, um salão ao lado do principal dedicado ao Kanzeon Bodhisattva (uma espécie de deidade da compaixão infinita e da misericórdia). Posteriormente, Ukimido foi chamado de Ryugu-Ukimido, porque a população acreditava que a sereia deveria ter vido de Ryugu, um palácio místico onde o deus dragão da água e do mar, conhecido como Ryūjin, reside nas profundezas do mar. Atualmente, Ryugu-Ukimido faz parte do templo Ryuguji. Um pouco complicado, mas espero que tenham entendido essa parte.

De acordo com a lenda, que inclusive é mencionada em um mapa turístico local, uma sereia foi enterrada em um templo (à direita) após ter sido encontrada na parte superior de um cais na região de Hakata, no Japão medieval, em 14 de abril de 1222, na ilha de Kyushu
O templo está localizado na avenida Taihaku-dori, a principal avenida que se estende da movimentada estação JR Hakata, um terminal para duas linhas shinkansen (o famoso trem-bala) e muitos trens locais. Um monumento de pedra no templo possui a inscrição "Ningyo-zuka" ("túmulo da sereia", em português), indicando que uma sereia foi enterrada no local.

Em um artigo publicado por Shinjiro Sadamatsu, para o site de notícias "The Asahi Shimbun", Ryusei Okamura, 65 anos, o principal sacerdote do templo, mostrou o conjunto de ossos no salão principal, onde são geralmente mantidos. De acordo com um texto fornecido, acredita-se que os ossos sejam de uma "sereia escavada das instalações do templo Ryuguji". Outra linha menciona que "todos os ossos são considerados como sendo de alguns mamíferos".

O templo (à direita na imagem do Google Street View) está localizado na avenida Taihaku-dori, a principal avenida que se estende da movimentada estação JR Hakata, um terminal para duas linhas shinkansen (o famoso trem-bala) e muitos trens locais
Apenas seis pedaços dos ossos, que dizem ter sido escavados entre 1772 e 1781, permanecem guardados até hoje. Nesse ponto, pode surgir uma dúvida sobre o real tempo que esses ossos estão armazenados no santuário. Bem, diz a lenda que esses ossos são da suposta sereia encontrada em 1222, e que teria sido enterrada no santuário, portanto esses ossos teriam permanecido por quase 800 anos no interior do templo.

Um detalhe interessante é que a superfície de uma das peças maiores parece madeira. Muitos "ossos" têm superfícies brilhantes, aparentemente causado pelo efeito de polimento natural por parte dos visitantes, visto que aparentemente é permitido tocá-los.

Apenas seis pedaços dos ossos, que se dizem ter sido escavados entre 1772 e 1781, permanecem guardados até hoje.
A superfície de uma das peças maiores parece madeira
O templo também tem um pergaminho de uma sereia, que se acredita ter sido pintado na era Eiroku (1558-1570) do Período Muromachi. Até a era Meiji (1868-1912), o templo Ryuguji ofereceu aos visitantes a água usada para embeber os ossos da sereia em um festival realizado no verão. Acreditava-se que beber a água que esteve em contato com os ossos, afastava possíveis doenças.

O templo também tem um pergaminho de uma sereia (na foto),
que se acredita ter sido pintado na era Eiroku (1558-1570) do Período Muromachi
De qualquer forma, a questão principal e natural de tudo isso é: Esses ossos são realmente de uma sereia? Bem, aqueles que não acreditam na existência de sereias, dizem que as mesmas provavelmente são resultados de avistamentos de dugongos.

Nesse ponto vale ressaltar que é um dugongo é considerado o menor membro da ordem Sirenia, uma ordem de mamíferos marinhos que inclui, por exemplo, o peixe-boi e vaca-marinha. O nome dugongo vem da palavra malaia "duyung", que significa sereia. A espécie costumava habitar regiões tropicais dos Oceanos Índico e Pacífico, mas hoje em dia essa distribuição é mais limitada. As principais populações vivem na Grande Barreira de Corais, na costa da Austrália, e no Estreito de Torres. Dizem que o habitat de dugongos mais ao norte do Japão está localizado nos mares ao redor da Prefeitura de Okinawa, ao sul de Kyushu.

Yoshihito Wakai, vice-diretor do Aquário de Toba, na cidade de Toba, na Prefeitura de Mie, o único aquário no Japão que possui um dugongo, chegou a dar uma olhada nas fotos tiradas pela equipe do site "The Asahi Shimbun".

O Aquário Toba, na cidade de Toba, na Prefeitura de Mie, é o único aquário no Japão que possui um dugongo
"Não posso dizer nada de forma conclusiva. Acho que é melhor manter uma lenda como uma lenda mesmo", disse Wakai, um especialista em dugongos. Serena, o dugongo do aquário, possui cerca de 2,6 metros de comprimento e pesa cerca de 380 quilos. Sua piscina, por assim dizer, é chamada de "Mar da Sereia". Curiosamente, ela é um presente das Filipinas há quase 30 anos.

Serena, o dugongo do aquário (na foto), possui cerca de 2,6 metros de comprimento e pesa cerca de 380 quilos
Sua piscina, por assim dizer, é chamada de "Mar da Sereia".
Curiosamente, ela é um presente das Filipinas há quase 30 anos.
Os "ossos da sereia" do templo podem ter vindo de um boto-do-índico (uma espécie de golfinho sem barbatana dorsal), que costuma nadar até o Mar Interior de Seto, entre entre Kyushu e as principais ilhas de Shikoku e Honshu, bem como das águas ao longo da costa norte da Prefeitura de Fukuoka. Aliás, o aquário de Toba possui alguns indivíduos dessa espécie.

Os "ossos da sereia" do templo podem ter vindo de um boto-do-índico (uma espécie de golfinho sem barbatana dorsal, sendo que o da imagem pertence ao Aquário de Toba), que costuma nadar até o Mar Interior de Seto, entre entre Kyushu e as principais ilhas de Shikoku e Honshu, bem como das águas ao longo da costa norte da Prefeitura de Fukuoka
"A aparência deles assemelha-se a de um ser humano, não parece? Muitas criaturas do mar podem ser confundidas com sereias", disse Yoshihito Wakai, mas sem querer entrar em detalhes sobre os ossos do templo Ryuguji.

Uma Rápida Conferida na Suposta "Sereia Mumificada" do Templo Tenshou-Kyousha, em Fujinomiya, no Japão


Não poderia deixar de encerrar essa postagem sem mencionar a suposta "sereia mumificada" do Templo Tenshou-Kyousha, na cidade de Fujinomiya, na Prefeitura de Shizuoka, bem próximo do Monte Fuji, e a aproximadamente 140 km a sudoeste da capital do país, Tóquio. Dizem que essa "sereia mumificada" teria cerca de 1.400 anos, e seria uma das primeiras "Sereias de Fiji".

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre a cidade de Fujinomiya e Tóquio, a capital do Japão
O templo Tenshou-Kyousha, na cidade de Fujinomiya, na Prefeitura de Shizuoka, bem próximo do Monte Fuji, e a aproximadamente 140 km a sudoeste da capital do país, Tóquio
De acordo com a história, a sereia apareceu pela primeira vez ao Príncipe Shotoku, no Lago Biwa. Diante do seus últimos suspiros de vida, ela teria contado uma história bem agoniante: a pobre criatura teria sido um pescador, que teria invadido "águas protegidas" para pescar, e como castigo teria sido transformado em um animal horrendo. Tendo aprendido a lição e desejando se tornar um exemplo após a sua morte, a sereia pediu ao príncipe para que fundasse um templo e exibisse seus horrendos e mumificados restos mortais como uma espécie de lição para todos os demais.

Fotos da "sereia mumificada" que fica localizada no interior do templo Tenshou-Kyousha
Notavelmente diferente dos pensamentos ocidentais de belas sereias atraindo marinheiros para as profundezas das águas com os seus encantos, a sereia dos contos japoneses, conhecida como "ningyo", costuma possuir uma aparência sinistra, meio demoníaca, assim como mencionamos no começo dessa postagem.

Apesar da história e da lenda em torno da mesma, é difícil ignorar as semelhanças desse exemplar com a suposta sereia exibida pelo infâme P.T. Barnum (a famosa "Sereia de Fiji"), que na verdade na passava de uma montagem do corpo de um peixe com a cabeça e o torso de um macaco.

A "Sereia de Fiji" tal como retratada na autobiografia de P.T. Barnum (à direita) e uma foto supostamente da "Sereia de Fiji" original, visto que atualmente temos tão somente réplicas ao redor do mundo. Muitos acreditam que a "sereia" original encontra-se no Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mas provavelmente é apenas uma réplica.
A parte interessante dessa farsa sobre a "Sereia de Fiji" de P.T. Barnum é que a mesma teria sido comprada por um capitão da marinha mercante norte-americana chamado Samuel Barrett Edes, de marinheiros japoneses, em 1822. Segundo Alex Boese, curador do "Museum of Hoaxes" ("Museu das Farsas", em uma tradução livre), tais figuras híbridas (com cabeça de macaco e corpo de peixe) algumas vezes eram usadas em práticas religiosas no Japão e nas Índias Orientais (basicamente o Sudeste Asiático). Se essa era uma prática comum, é bem provável que a sereia do templo Tenshou-Kyousha siga essa mesma linha.

De qualquer forma, até hoje não se sabe se a figura original desapareceu ou não em um dos inúmeros incêndios ocorridos no acervo de P.T. Barnumm, na década de 1860. Alguns acreditam que o exemplar original esteja no Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, porém há muita controvérsia devido algumas diferenças na caracterização da figura, e devido as inúmeras réplicas criadas ao longo do tempo.

Evidentemente, AssombradOs, tanto os supostos "ossos de sereia do templo Ryuguji", quanto a "sereia mumificada de 1.400 anos do templo Tenshou-Kyousha" são apenas exemplares físicos, que refletem lendas milenares sobre as sereias no Japão. É muito complicado destruir uma lenda, visto que não bastaria apenas a nossa crença, mas a análise científica do material disponível, algo que é inviável, uma vez que sendo descoberta a realidade, perderia totalmente o seu encanto. Sinceramente, eu não diria para considerar a mais remota possibilidade de que estejamos diante de exemplares reais das chamadas sereias, porém, quem sabe um dia algum prove a existência das mesmas? É muito remoto, mas enquanto isso, assim como Yoshihito Wakai disse, vamos deixar a lenda sendo apenas e tão somente uma lenda.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://hoaxes.org/archive/permalink/the_feejee_mermaid
http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Sereias
http://www.asahi.com/ajw/articles/photo/AS20170209004045.html
http://www.atlasobscura.com/places/fujinomiya-mermaid-mummy
http://www.japan-talk.com/jt/new/fukuoka
http://www.smithsonianmag.com/smart-news/how-13th-century-mermaid-bones-came-be-displayed-japanese-temple-180962209/
https://en.wikipedia.org/wiki/Fukuoka
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sereia
https://yokanavi.com/en/spot/26937/
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