6 de janeiro de 2017

O "Aquecimento Global" Poderia Desencadear um Surto Mortal de Varíola, um Desastre Nuclear, e o Colapso de Cidades na Rússia?


Por Marco Faustino

No início de agosto do ano passado, fizemos uma matéria extremamente completa sobre o que boa parte da mídia internacional, e inclusive a brasileira, estava divulgando como se fosse um "apocalipse zumbi" na Rússia. O motivo? Bem, inicialmente, de acordo com a AP (Associated Press), as autoridades russas estavam evacuando os pastores nômades de renas e colocando uma região da Sibéria em quarentena, após um surto de antraz ter matado mais de 1.000 animais. O aparecimento da doença bacteriana na região de Yamal-Nenets seria o primeiro surto de antraz, com consequências fatais, registrado naquela região da Rússia em 75 anos. O Gabinete do Governador Dmitry Kobylkin (Дмитрия Кобылкина), que administra a Região Autônoma de Yamal-Nenets (Ямало-Ненецкого автономного округа), na Sibéria Ocidental, localizada a 2.000 km de Moscou, capital da Rússia, havia dito que 13 pessoas, incluindo crianças, tinham sido hospitalizadas devido a doença, e 63 pessoas tinham sido potencialmente expostas ao antraz. Os pastores de renas estavam sendo evacuados para a capital regional de Salekhard. Posteriormente, o número de pessoas em observação aumentou para 72, que estavam sendo mantidas no Hospital de Salekhard. Ao menos uma morte foi confirmada, a de Denis, um menino de apenas 12 anos, após ter ingerido carne infectada de cervo. O menino era um membro de uma família de pastores de renas.

As últimas notícias daquela época apontavam que 2.349 renas tinham morrido em decorrência do antraz, quase o dobro do número mencionado quando o alerta foi emitido pela primeira vez. Cerca de 4.500 animais tinham sido vacinados, e o plano era aumentar esse número para 41.000 animais, em uma tentativa para impedir de vez a disseminação da doença. De acordo com um comunicado emitido pelo governo regional naquela época, 44 médicos veterinários estavam tentando controlar a situação, e era esperada a chegada de mais médicos na região. O objetivo final era vacinar 700.000 renas, sendo que os primeiros rebanhos seriam do distrito de Yamalsky, onde ocorreu o surto da doença. Veronika Skvortsova, Ministra da Saúde da Rússia, chegou a afirmar que seria impossível do antraz se espalhar para outras regiões da Sibéria. Contudo, o Cazaquistão chegou a suspender as importações de carne de origem russa em meio a preocupações sobre o surto de antraz. De qualquer forma, com o passar dos dias foi possível notar que a situação foi rapidamente controlada pelas autoridades russas. Talvez o ponto neuvrálgico de toda essa história é que apesar de ser considerada uma bactéria letal, não é tão simples assim de se contaminar com o antraz. O risco maior, por exemplo, seria "pulverizar" os esporos da bactéria, através de aerossol, sobre uma determinada região muito populosa, o que muito possivelmente causaria centenas de milhares ou até mesmo milhões de mortes. Bastaria respirar normalmente para ser infectado. Seria algo bem silencioso, mas não seria tão rápido ou imediato assim, pois existe um período de incubação médio de 3 a 5 dias (não é uma ciência exata, pois os primeiros sintomas podem aparecer em apenas 12h ou até mesmo 40 dias após a exposição), mas nenhuma dessas pessoas se tornaria um "zumbi", conforme estava sendo amplamente mencionado, ainda que de forma velada, nas manchetes da época. (leia mais: Será Verdade que a Rússia Estaria Enfrentando um "Apocalipse Zumbi" Devido a uma Superbactéria na Sibéria?)

Entretanto, todo o segundo semestre de 2016 foi permeado das mais diversas notícias sobre possíveis cenários caóticos envolvendo o chamado "Aquecimento Global" e a Rússia. Entre eles podemos citar o questionamento se o "Aquecimento Global" (processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da Terra causado por massivas emissões de gases que intensificam o efeito estufa, originados de uma série de atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra, como o desmatamento, e outras fontes secundárias) poderia causar um surto mortal de varíola, um desastre nuclear ou até mesmo o colapso de cidades na Rússia, ou seja, causado pelo derretimento do gelo do "permafrost" (também chamado de pergelissolo, consistindo de um tipo de solo formado por gelo, rocha, e sedimentos, que armazena uma grande quantidade de carbono e metano), consequentemente deixando o solo instável, e fazendo com que casas e prédio simplesmente viessem abaixo. Isso poderia causar um forte impacto econômico e até mesmo político no aparente inabalável território comandando por Vladimir Putin, atual presidente da Federação Russa. Vamos saber mais sobre esse assunto?

O "Derretimento do Permafrost Devido ao Aquecimento Global" Poderia Desencadear um Surto de Varíola na Rússia?


Nesse momento você pode se perguntar: Não estamos falando apenas de "Aquecimento Global"? Por que está sendo mencionado o "permafrost"? Calma, vamos explicar. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) emitiu, no fim de 2012, um alerta a respeito do derretimento acentuado do "permafrost". Isso porque tal derretimento libera uma grande quantidade de carbono antes armazenada no gelo. O carbono, em contato com o ar, transforma-se em dióxido de carbono, que segundo a ONU e muitos pesquisadores, seria um dos principais gases responsáveis pelo agravamento do efeito estufa. De acordo com algumas projeções, portanto, o "permafrost" estaria derretendo graças ao "Aquecimento Global" e o alimentando ainda mais. Entenderam, o sentido da história?

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) emitiu, no fim de 2012, um alerta a respeito do derretimento acentuado do "permafrost". Isso porque tal derretimento libera uma grande quantidade de carbono antes armazenada no gelo
Pois bem, segundo uma matéria do site "The Siberian Times", publicada no dia 12 de agosto do ano passado, o derretimento do "permafrost" naquele verão tinha sido três vezes maior do que o habitual, fazendo eclodir doenças que estavam "congeladas" por muito tempo. Na época, de acordo com um cientista, isso devia servir como um aviso do risco real de um possível retorno da varíola (que já havia sido erradicada desde 1980), devido a erosão das margens dos rios, em locais onde as vítimas foram enterradas no passado.

"Na década de 1840 ocorreu uma grande epidemia de varíola. Havia uma cidade onde até 40% da população morreu. Naturalmente, os corpos foram enterrados sob a camada superior de solo do 'permafrost', na margem do rio Kolyma. Agora, pouco mais de 100 anos depois, os margens do rio começaram a erodir", disse Boris Kershengolts, vice-diretor de pesquisa do Instituto Russo de Problemas Biológicos da Zona do Permafrost, afiliado a Academia de Ciências da Rússia.

Ruínas da cidade Zashiversk, que foi devastada por causa da epidemia de varíola em 1840
De acordo com Sergey Netesov, chefe do Laboratório de BioNanotecnologia, Microbiologia e Virologia do Departamento de Ciências Naturais da Universidade Estadual de Novosibirsk, especialistas do Centro de Virologia e Biotecnologia de Novosibirsk realizaram pesquisas na região.

Em uma intrigante e preocupante videoconferência promovida pela agência de notícias TASS, envolvendo especialistas multidisciplinares sobre as implicações do surto de antraz na península de Yamal, no norte da Sibéria, ele disse que os cadáveres que estudaram tinham feridas que pareciam com a varíola. Embora o vírus em si não tenha sido encontrado, alguns fragmentos de seu DNA foram observados.

"Esse tipo de pesquisa deve continuar, examinar os cemitérios mais profundos pode ajudar a esclarecer a situação", disse Sergey Netesov.

Cemitério antigo em Yakutia, na Rússia
Curiosamente, essa não era a primeira vez que Sergey Netesov surgia na imprensa russa emitindo esse tipo de aviso. Voltando um pouco mais no tempo, em 4 de novembro de 2015, nos deparamos com um artigo publicado pelo próprio "The Siberian Times", que nos dava mais uma dimensão sobre essa situação.

Na época, um professor e cientista francês chamado Jean-Michel Claverie emitiu um aviso que a exploração energética em regiões do "permafrost" poderia fazer eclodir antigos vírus, que permaneciam "adormecidos". Jean-Michel Claverie é diretor do Instituto de Microbiologia do Mediterrâneo, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS-AMU).

"Se não tivermos cuidado, e industrializarmos essas regiões sem colocar salvaguardas no lugar, corremos o risco de um dia 'despertar' um vírus como a varíola, que pensávamos ter sido erradicada. É uma receita para o desastre. Se você começar a ter exploração industrial, as pessoas vão começar a revirar as camadas mais profundas do 'permafrost'. Através da mineração e perfuração, essas camadas antigas serão atingidas, sendo que é justamente aí que mora o perigo. Se for verdade que esses vírus sobrevivem da forma como pensamos, então a varíola não está erradicada do planeta, apenas da superfície", disse Jean-Michel Claverie.

Jean-Michel Claverie (à esquerda) é diretor do Instituto de Microbiologia do Mediterrâneo,
do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS-AMU)
"Ao cavarmos cada vez mais fundo, poderemos reativar a possibilidade de que a varíola volte a ser uma doença para os seres humanos nos tempos modernos. Os cientistas também descobriram quatro dos chamados 'vírus gigantes' no 'permafrost' descongelado", completou.

O artigo também contava com as considerações do Sergey Netesov. Ele deixou claro que ele estava menos preocupado com a varíola emergente do degelo dos cemitérios contendo vítimas da doença na Sibéria, do que com roedores portadores do vírus, que poderiam infectar as pessoas com imunodeficiência, por exemplo, aqueles com HIV, visto que, segundo ele, a Rússia estava falhando em priorizar a educação preventiva de doenças infecciosas entre os adolescentes, o que estava levando a um aumento contínuo no número de pessoas infectadas pelo HIV.

Sergey Netesov (na foto), chefe do Laboratório de BioNanotecnologia, Microbiologia e Virologia do Departamento de Ciências Naturais da Universidade Estadual de Novosibirsk
"Histórias sobre cadáveres com varíola, a partir do 'permafrost' descongelado apareceram pela primeira vez em nosso país. Os primeiros corpos com vestígios de varíola foram escavados aqui, em Yakutia (também conhecida como República Sakha). Foi entre 1993 e 1994, na foz do rio Kolyma. Fui lá no inverno, e no verão nossos virologistas tinham encontrado corpos com traços da varíola", disse Sergey Netesov.

"O vírus em si não foi encontrado. Porém os sinais, alguns de seus marcadores, foram encontrados nas amostras. Além da Rússia, isso pode surgir no Canadá, nos Estados Unidos, principalmente no Alasca e na Groenlândia. Isso é bem possível, mas agora estou praticamente certo que não haja um vírus vivo", acrescentou, sugerindo que a ameaça de uma nova onda de varíola a partir do descongelamento do 'permafrost' na Sibéria era exagerada, visto que cada ciclo de congelamento e descongelamento reduzia o número de vírus viáveis de cinco para dez vezes.

Sergey Netesov sugeriu que a ameaça de uma nova onda de varíola a partir do descongelamento do 'permafrost' na Sibéria era exagerada, visto que cada ciclo de congelamento e descongelamento reduzia o número de vírus viáveis de cinco para dez vezes
"Conseguimos encontrar apenas um corpo mais ou menos preservado com sinais do vírus e foi enterrado não em um túmulo, mas em uma espécie de porão, muito mais profundo do que uma típica sepultura. As sepulturas lá - na região do 'permafrost' - geralmente não possuem mais do que um metro de profundidade. Você pode imaginar o que é cavar sepulturas mais profundas no 'permafrost'? É muito difícil fazer uma sepultura profunda por lá. Portanto, os túmulos são próximos a superfície, e essa região congela e descongela a cada ano. O vírus viável não poderia se manter preservado por lá", continuou.

"Eu acho que é mais provável que a varíola não apareça a partir do 'permafrost', porque é quase impossível, mas de outra fonte. O fato é que, quando na década de 1990 meus colegas no Centro de Vetores e nossos colegas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), de Atlanta, nos Estados Unidos, sequenciaram os genomas de muitas cepas do vírus da varíola, uma coisa muito inesperada foi revelada", seguiu dizendo.

Vacinação contra a varíola na década de 1960, na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
"Descobriu-se que seus genomas são muito semelhantes aos genomas do vírus da varíola bovina. E vírus da varíola bovina, de acordo com ideias modernas, sequer seria varíola bovina, mas poxvirus de roeadores que vivem próximos dos bovinos. Assim sendo, o ancestral do vírus da varíola dos humanos ainda está vivo. Está na natureza, sendo impossível eliminar isso. E uma vez que as pessoas não estão mais vacinadas, é possível, como já aconteceu uma vez, que haverá uma nova transição do vírus dos animais para os seres humanos. Essa probabilidade não é zero. Uma vez que aconteceu na história, pode acontecer novamente", continuou.

"Por exemplo, na década de 1990 houve um caso em que uma mulher na Sibéria apresentou sinais de infecção semelhante à varíola bovina. Infelizmente, as amostras não foram coletadas imediatamente e, portanto, não foi possível provar sua origem. Todos esses casos devem ser cuidadosamente investigados, visto que são nesses momentos em que podemos receber uma forma intermediária do vírus. Essa é a razão para mantermos amostras de cepas de varíolas", exemplificou.

Sergey Netesov é ex-vice-diretor do Centro Estadual de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia, também conhecido como Vector, um mundialmente renomado centro de pesquisa e produção com foco em biologia molecular, virologia, engenharia genética, biotecnologia e epidemiologia. Na época, ele ainda dedicava parte de seu tempo como pesquisador científico do Vector. Aliás, o próprio Vetor é um dos dois repositórios oficiais no mundo para o vírus da varíola, o outro é o CDC (por mais que a Organização Mundial de Saúde reclame e muito disso).

Sergey Netesov é ex-vice-diretor do Centro Estadual de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia, também conhecido como Vector (na foto), um mundialmente renomado centro de pesquisa e produção com foco em biologia molecular, virologia, engenharia genética, biotecnologia e epidemiologia
"Uma vez que domesticamos a besta, não temos que destruí-la até o fim. Não há nada tão terrível em deixá-la 'viva' no laboratório. Está sendo mantido a 'sete chaves', tanto na Rússia quanto nos Estados Unidos. No entanto, se um novo vírus semelhante a varíola aparecer em um país desenvolvido, a probabilidade de uma pandemia é próxima de zero. Até mesmo a probabilidade de uma epidemia é muito pequena", continuou, acrescentando que o sistema de rastreamento de tais casos é bem eficiente. Se alguma doença incomum aparece, é imediatamente relatada, e o local é colocado em quarentena.

"Nos últimos 30 anos, a partir do momento em que a varíola foi erradicada, nos tornamos muito avançados no estudo de como esse vírus funciona. E agora estamos melhor preparados para um potencial ressurgimento desse vírus. Temos desenvolvido melhores vacinas do que antes, e medicamentos que podem tratar dessa infecção. Isso tudo teria sido impossível sem o estudo das cepas no laboratório", completou.

"Uma vez que domesticamos a besta, não temos que destruí-la até o fim. Não há nada tão terrível em deixá-la 'viva' no laboratório. Está sendo mantido a 'sete chaves', tanto na Rússia quanto nos Estados Unidos", disse Sergey Netesov
O próprio Vetor é um dos dois repositórios oficiais no mundo para o vírus da varíola, o outro é o CDC
(por mais que a Organização Mundial de Saúde reclame e muito disso).
"A varíola é uma doença infecciosa aguda. A disseminação de tais doenças pode ser prevenida pela quarentena. Uma pessoa com um sistema imunológico fraco pode se infectar com o vírus da varíola bovina.  O vírus muda muito rapidamente, e novas cepas podem aparecer, ameaçando a humanidade. E se destruirmos nossos estoques de vírus ficaremos desarmados. Agora, se estivermos criando novos tipos de vacinas, se estivermos trabalhando em novos medicamentos, estaremos armados", acrescentou.

Uma vez que pessoas infectadas com HIV possuem imunodeficiência, Sergey Netesov bem estava mais preocupado com a eclosão do HIV na população russa. O motivo? Segundo ele, um virus semelhante a varíola teria mais oportunidades em pessoas com um sistema imunológico mais debilitado, ou seja, o vírus da varíola teria maior facilidade de se propagar nesse grupo, sofrendo uma adaptação em seres humanos a partir de outras fontes, como os roedores, por exemplo.

O "Aquecimento Global" é Realmente uma Ameaça em Relação a Propagação de Doenças da Rússia para o Mundo?


Vamos analisar o que se conhece atualmente, o seja, o que aconteceu na Rússia, no ano passado, tendo em mente que realmente exista o "Aquecimento Global" (iremos comentar isso no final da postagem).

Conforme dissemos anteriormente, houve um surto de antraz na Península de Yamal, na Rússia, no fim de julho do ano passado. Todos queriam saber o que estava realmente acontecendo, e o impacto que isso poderia causar no país ou eventualmente ao redor do mundo. O site da "NBC News" chegou a apontar que a incineração dos corpos das renas infectadas, poderia trazer consequências graves, uma vez que a Sibéria já estava sofrendo desde junho com incêndios florestais. A vegetação seca devido as altas temperaturas tinham favorecido as queimadas. Aliás, as temperaturas na tundra de Yamal, acima do Círculo Ártico, atingiram máximas de 35ºC naquele verão, em comparação com uma média de 25ºC em anos anteriores.

A vegetação seca devido as altas temperaturas tinham favorecido as queimadas na região da Sibéria,
que já estava sofrendo desde junho com os incêndios florestais
Imagens de satélite mostrando a região da Sibéria, na Rússia, nos dias 20 e 26 de julho desse ano. Os pontos em vemelho mostram os focos de incêndio na região (note a quantidade nos arredores da Península de Yamal, assim como a fumaça)
A notícia também contava com a participação de Vladimir Bogdanov, professor de Biologia da Academia de Ciências da Rússia, dizendo que poderia ser tarde demais para os animais da região, visto que o antraz poderia matar uma rena em apenas 3 dias após o contágio. Ele ainda destacou que as autoridades em Yamal tinham parado de vacinar as renas há 10 anos, porque não tinha havido mais nenhum surto durante mais de meio século. Aparentemente, isso teria se provado um erro grotesco das autoridades locais. Porém, de acordo com o Siberian Times, as autoridades insistiam em dizer que, em 2015, quase meio milhão de renas foram vacinadas contra o antraz.

O que isso quer dizer? Nesse ponto isso que dizer que, primeiramente e possivelmente, houve uma grande falha das autoridades russas em vacinar as renas contra o antraz. Em seguida, apesar das altas temperaturas na região, muito provavelmente eram as queimadas que estavam gerando esse aumento excessivo do calor, ou seja, elas seriam as principais responsáveis por elevar a temperatura na região. Vale lembrar que além de elevar a temperatura do solo, criavam uma cortina de fumaça no céu, o que deixava a temperatura do ar ainda mais alta para aquela época do ano. Você até pode dizer que se as temperaturas não tivessem altas, não haveria queimadas, porém bastaria uma ponta de cigarro para desencadear um incêndio florestal de proporções épicas.

Entretanto, um outro comunicado oficial emitido pelo governo da Região Autônoma de Yamal-Nenets sugeriu que a origem do surto de antraz poderia ser outro: os hábitos um tanto quanto incomuns dos Nenets (também conhecidos como Samoiedos), um povo indígena que habita o norte da Rússia, ou seja, a culpa seria dos próprios pastores de renas e suas famílias.

A razão para isso é que os Nenets não enterravam os corpos dos seus entes queridos. Eles os colocam em caixas de madeiras (como se fosse um caixão), apoiados um pouco acima do solo, porém em céu aberto.

Os Nenets não enterram os corpos dos seus entes queridos. Eles os colocam em caixas de madeiras (como se fosse um caixão), apoiados um pouco acima do solo, porém em céu aberto.
Para piorar um pouco a situação, os Nenets têm o costume de consumir a carne crua dos animais,
assim como beber o sangue dos mesmos
Devido ao calor, os esporos poderiam ter emanado dos restos mortais infectados, e contaminado as renas que eventualmente pastassem nas proximidades, uma vez que os esporos poderiam ser levados pelo vento. No entanto, amostras de solo não indicavam contaminação por antraz.

O que isso quer dizer? Acho que ficou bem claro que a culpa não era dos Nenets, ou seja, foi mais uma tentativa falha das autoridades russas em apontar um culpado. A razão para isso é que os Nenets são meio que uma "pedra no sapato" das companhias que exploram gás e petróleo na região.

Existia um detalhe, no entanto, um tanto quanto sombrio, que nem a mídia russa ou a mídia internacional fez questão de divulgar naquela época, mas que fiz questão de trazer para vocês. Um homem chamado Edward Adrian-Vallance, proprietário de uma empresa especializada em excursões, filmagens e viagens de pesquisa em locais de difícil acesso na Sibéria, no Ártico e no Extremo Leste da Rússia, fez uma postagem muito interessante em seu blog de viagens, no dia 7 de março de 2012, ou seja, quatro anos antes desse surto.

Durante uma de suas excursões ele entrevistou um homem chamado Radik, um membro do povo dos Nenets, que vivia bem próximo da Península de Yamal. Ele contou a relação que seu povo tinha com a Gazprom, a maior empresa da Rússia e a maior exportadora de gás natural do mundo, assim como as demais empresas que exploravam o gás na região.

Radik, um pastor de renas da Península de Yamal, na Rússia
Radik contou que a Gazprom queria se apoderar da terra deles. Confira um trecho dessa conversa:

"- Porém, no ano passado, quando eu lhe perguntei, você me disse que não tinha tido problema com as empresas de gás, interrompi.

- Isso mesmo. Particularmente todo os problemas começaram no ano passado quando foram construídos diversos novos gasodutos. Em relação aos pastores do norte, os problemas vêm acontecendo há algum tempo - as rotas de migração são bloqueadas, as renas são mortas por resquícios dos campos de gás - e como você sabe, a perda de uma única rena para nós é um imenso problema, respondeu Radik.

- Você perdeu alguma rena, perguntei

- Sim. Perdemos diversas devido ao antraz. O antraz costumava ser um grande problema aqui, mas sob a União Soviética todas as renas eram vacinadas a cada ano e, eventualmente, o problema tinha acabado. No ano passado (2011), a Gazprom construiu um gasoduto subterrâneo, e desenterrou o antraz. A cada grupo que atravessava, diversas renas morriam com os mesmos sintomas causados pelo antraz. E como você sabe, o antraz pode matar pessoas também. Os restos mortais de companheiros ainda estão em Yamal, onde grupos inteiros, renas e pessoas, foram aniquilados por ele. A política soviética era de não se aproximar desses companheiros, e até hoje ninguém se aproxima, respondeu Radik.

Imagens mostrando os campos de gás na Região Autônoma de Yamal-Nenets,
e a rota dos gasodutosda Sibéria Ocidental em direção ao leste europeu
Vale lembrar que a mídia russa dizia que o último caso de morte por antraz, na Península de Yamal, teria sido há 75 anos. Simplificando? A mídia estava mentindo. Felizmente, a opinião pública estava dividida na Rússia: muitos não concordava em culpar os Nenets pelo incidente, e tantos outros discordavam da "desculpa" do "Aquecimento Global", visto que os incêndios florestais e a exploração predatória de recursos naturais na região vêm destruindo a paisagem e o meio ambiente ao longo das últimas décadas.

O que isso quer dizer? Isso quer dizer que a combinação entre a falta de vacinação das renas, somado aos incêndios florestais e a exploração predatória de gás e petróleo na região foram os verdadeiros culpados pelo surto de antraz no ano passado. Apesar das pessoas tentarem associar que as mudanças climáticas tivessem deixado um ambiente propício para a ocorrência de queimadas, o surto de antraz não tem nenhuma relação direta com o chamado "Aquecimento Global", não importando se ele realmente exista ou não, entenderam?

É possível que outros vírus e bactérias possam "despertar" por meio do descongelamento do permafrost, mas no caso da varíola parece remoto que haja um surto. Ainda que haja um surto, seria prontamente estabelecida uma zona de quarentena para isolar o local e evitar a propagação para o resto do mundo. Fronteiras seriam fechadas, importações seriam interrompidas etc. Hoje em dia qualquer desastre dessa natureza chama a atenção do mundo e provoca rapidamente grandes implicações políticas e econômicas. Se tem uma coisa que nenhum país quer perder, chama-se dinheiro. Portanto e por enquanto, nada indica que estejamos na iminência de um surto de varíola ou quaisquer outras doenças devido ao "Aquecimento Global"

O "Aquecimento Global" Poderia Desencadear um Desastre Nuclear?


Diante da possibilidade de um surto mortal de doenças devido ao descongelamento do "permafrost" muitos sites de notícias começaram a questionar se o "Aquecimento Global" poderia causar também uma espécie de "desastre nuclear". O motivo? Bem, segundo alguns sites o "Aquecimento Global" ameaçava desenterrar resíduos nucleares de uma base militar secreta da Guerra Fria enterrada sob gelo da Groenlândia.

Homens colocando um suporte no interior da base militar norte-americana
conhecida como Camp Century, na Groenlândia
Em 1967, os Estados Unidos desativaram uma base militar chamada "Camp Century", que havia sido construída sob a camada de gelo da Groelândia. Os militares retiraram um reator nuclear portátil, que ajudou a suprir energeticamente a base de 200 pessoas, mas deixou para trás resíduos: de gasolina a PCBs (bifelinas policloradas, ou seja, compostos sintéticos utilizados como óleo isolante em equipamentos elétricos, mais especificamente em transformadores e capacitores, que pode contaminar potencialmente o ambiente e causar câncer nos seres humanos) e água do sistema de refrigeração nuclear.

No entanto, o que uma vez foi enterrado, o "Aquecimento Global" estava prestes a desenterrar. De acordo com um estudo publicado no dia 3 de agosto do ano passado, na revista científica Geophysical Research Letters, que é revisada por pares, o derretimento da camada de gelo poderia começar a espalhar os resíduos perigosos através da superfície da camada de gelo, e para o oceano em aproximadamente 75 anos, a contar de agora. Ainda de acordo com o estudo, esses resíduos representavam uma ameaça para os ecossistemas e as populações humanas. Mais importante ainda, porém, a pesquisa chamava a atenção para uma questão que poderia complicar as relações entre os Estados Unidos, a Dinamarca e o território recém-autônomo da Groenlândia.

Uma das principais entradas para a base militar norte-americana conhecida como Camp Century, na Groenlândia
Um guindaste desce uma espécie de "escotilha" em uma trincheira lateral na base militar norte-americana
conhecida como Camp Century, na Groenlândia
"Os resíduos são uma responsabilidade inesperada devido à mudança climática, que potencialmente prejudica a 'boa vontade' entre os Estados Unidos, a Dinamarca e Groenlândia", disse Liam Colgan, climatologista da Universidade de York, em Toronto, no Canadá, e principal autor do estudo. Essa boa vontade, por sua vez, permite que os Estados Unidos ainda mantenham uma base na Groenlândia e, potencialmente construam mais, à medida que a maior ilha do planeta se revele, conforme as temperaturas aumentem.

"Ninguém se deu conta de que havia um pressuposto climático enterrado naquele tratado, justamente que continuaria nevando lá", disse Colgan em entrevista ao site Mashable, referindo-se ao acordo entre os Estados Unidos e a Dinamarca sobre o chamado "Camp Century".

Avaliando a "Cidade Sob o Gelo"


Os cientistas examinaram documentos do Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos para determinar aproximadamente quanto resíduo estava enterrado sob a camada de gelo e quão extensa era a região. Eles estimaram que o "Camp Century", localizado a 200 km em direção ao interior a partir da Costa Oeste da Groenlândia, abrigava cerca de 9.200 toneladas de resíduos físicos associados à infraestrutura abandonada, algo equivalente à massa de 33 Airbus A380, juntamente com 20.000 litros de resíduos químicos associados ao combustível básico. Isso equivalia aproximadamente ao volume de um caminhão tanque de tamanho normal. O estudo também descobriu, que a profundidade dos resíduos sólidos era estimada em cerca de 36 metros abaixo da superfície da camada de gelo.

Além disso, eles calcularam que provavalmente haveria cerca de 24 milhões de litros de resíduos biológicos (principalmente esgoto), juntamente com água radioativa do reator. De acordo com o estudo, as instalações militares ocupavam uma área de 550.372 m² ou cerca de 100 campos de futebol.

O estudo indicou que a ameaça mais significativa para o ambiente ártico a partir de resíduos enterrados eram as bifenilas policloradas, ou PCBs, que não se decompõem naturalmente no ambiente e podem se acumular em plantas e animais, potencialmente causando câncer em seres humanos.

"Tenho certeza de que há toneladas de PCBs no Camp Century. Literalmente toneladas", disse Colgan.

Os pesquisadores, que solicitaram financiamento da OTAN e do governo dinamarquês, mas tiveram os pedidos negados, também examinaram simulações climáticas para determinar quando o "Camp Century" poderá se tornar parte do que se conhece como "zona de ablação". Estudos mostram que a camada de gelo da Groenlândia perdeu 262 bilhões de toneladas de gelo por ano, entre 2007 e 2011, sendo a maior parte devido ao derretimento da superfície.

Estudos mostram que a camada de gelo da Groenlândia perdeu 262 bilhões de toneladas de gelo por ano, entre 2007 e 2011, sendo a maior parte devido ao derretimento da superfície
A água formada pelo derretimento da neve e do gelo pode se infiltrar na subsuperfície da camada de gelo, até cerca de 10 metros a cada temporada, podendo permanecer sob a superfície e se infliltrar ainda mais. Isso significa que os resíduos enterrados serão vulneráveis tanto ao derretimento a longo prazo quanto ao fluxo subsuperficial da água oriunda do derretimento da neve e do gelo. As simulações mostraram que isto pode acontecer antes do final desse século, dado o avanço constante do derretimento do gelo da Groenlândia à medida que o rápido aquecimento ocorre.

O Projeto "Iceworm"


A pouca conhecida base de "Camp Century" foi uma das cincos bases que o Exército construiu perto na Base da Força Aérea de Thule, no noroeste da Groenlândia. Para variar a base tinha uma missão secreta, além de seu propósito declarado de testar técnicas de construção no Ártico e realizar pesquisas científicas.

Confira também um interessante vídeo mostrando o "Camp Century", que foi publicado pelo canal "CIRESvideos", no YouTube, no dia 27 de julho do ano passado (em inglês, mas vale a pena ver):



"Camp Century" também foi projetada para conduzir uma uma prova de conceito para um plano muito mais expansivo, que teria construído uma base de mísseis nucleares debaixo da camada de gelo. Assim sendo, os resíduos do Camp Century poderiam ser muito piores se o Exército dos Estados Unidos tivesse cumprido seu plano secreto de enterrar até 600 mísseis balísticos de alcance intermediário debaixo do gelo.

Os Resíduos Constituem um Risco Político


De acordo com James White, climatologista da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, e que não estava envolvido no estudo, os resíduos não podem ser vistos como "enterrados para a eternidade" em uma área que está se transformando tão rapidamente.

"Essas coisas iriam emergir de qualquer forma, mas o que a mudança climática fez foi pressionar o pedal do acelerador bem fundo e dizer, 'isso vai emergir muito mais rápido do que você pensou'", disse James em um comunicado à imprensa.

James White, climatologista da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos
A gestão do problema dos resíduos no "Camp Century" pode tornar-se um modelo para descobrir como lidar com problemas de poluição inesperados semelhantes ao redor do mundo, à medida que as camadas de gelo se derretem e os ecossistemas mudam em resposta ao aquecimento do clima.

"De repente, o mundo mudou sob nossos pés e agora temos um problema multinacional e multigeracional sob nossas mãos. Isso provavelmente vai acontecer mais em todo o mundo à medida que as mudanças climáticas acontecerem", completou.

Agora, você deve estar se perguntando: o "Aquecimento Global" irá provocar um Desastre Nuclear? Bem, especificamente em relação a antiga base militar norte-americana chamada "Camp Century" não. Aparentemente, segundo os cientistas, o maior problema seria em relação aos PCBs, e não aos eventuais resíduos nucleares. Ainda assim, como você pode notar nessa parte da postagem, muitas vezes a responsabilidade recaiu em cima das "mudanças climáticas" e não ao "Aquecimento Global", que culpa quase que exclusivamente as emissões de dióxido de carbono e gases do efeito estufa na atmosfera por parte dos seres humanos. Talvez seja uma interpretação diferente e interessante a se adotar aqui, visto que as mudanças climáticas abrageria uma gama de processos e mudanças naturais em nosso planeta e não somente um principal vilão (talvez erroneamente) propagado pelo "Aquecimento Global" que seria o dióxido de carbono, onde há uma verdadeira "indústria" montada.

Por outro lado, se fomos colocar a Rússia em perspectiva, não podemos desconsiderar o material bélico nuclear, que possa estar enterrado ou abrigado de forma precária embaixo de camadas de gelo em seu território. Por enquanto não existe nenhuma ameaça real nesse sentido, o que não quer dizer que não possa existir no futuro. Isso sem contar é claro, as declarações de Vladimir Putin querendo aumentar seu arsenal nuclear, e as tais cidades "proibidas" russas (vide Seversk, leia mais aqui) que ainda contam com usinas nucleares em atividade. Infelizmente, essa é uma realidade que só o tempo mostrará se estamos mesmo correndo esse risco ou não.

O "Derretimento do Permafrost Devido ao Aquecimento Global" Poderia Colapsar Cidades na Rússia e Prejudicar o Fornecimento de Energia?


No dia 14 de dezembro do ano passado, o site do "The Siberian Times" publicou uma notícia sobre a preocupação dos cientistas sobre o perigo potencial para instalações de produção de gás em regiões vitais para o fornecimento de energia na Rússia.

O súbito aparecimento de crateras gigantescas, que alteram a paisagem da península da Yamal tem sido documentado nos últimos anos, enquanto que na Ilha Belyy, ao longo da costa da península, que outrora era extremamente sólida, tem sido vista "borbulhando" ou "tremulando". De acordo com os cientistas, as medições indicavam que estaria vazando metano e dióxido de carbono. Confira também um vídeo mostrando esse fenômeno na Ilha Belyy, que foi publicado no canal do "The Siberian Times, no YouTube, no dia 20 de julho de 2016:



Dessa vez, no entanto, os especialistas apontaram para a rápida formação de profundas ravinas e deslizamentos de terra surpreendentes, que estavam alterando a forma dessa região ártica rica em gás. Especialistas da empresa Gazprom Dobycha Nadym identificaram nada menos de 150 formações geológicas em Yamal, que se acredita estarem relacionadas a camadas de gelo descongeladas no interior do "permafrost".

Uma equipe de cientistas do Instituto Trofimuk de Geologia do Petróleo e Geofísica desenvolveu um método para avaliar a escala de destruição em torno dessas formações, e para medir o provável impacto futuro. Essas formações são vistas como potencialmente "perigosas" para as pessoas e instalações de produção. Uma dessas instalações é o depósito de gás de Bovanenkovo, no qual é conhecida por ter uma grande cratera a cerca de 30 quilômetros de distância, e ter inúmeras outras formações semelhantes nos arredores.

Uma dessas instalações é o depósito de gás de Bovanenkovo, no qual é conhecida por ter uma grande cratera a cerca de 30 quilômetros de distância, e ter inúmeras outras formações semelhantes nos arredores
Outras formações foram encontradas em outra localidades na península de Yamal, que detém os maiores depósitos de gás na Rússia, sendo crítico para os fornecimento de energia para a Europa Ocidental, principalmente a Alemanha, Holanda, Bélgica e a Polônia. O "permafrost" descongelado impõe desafios complexos às empresas que lidam com a extração.

Dessa vez, no entanto, os especialistas apontaram para a rápida formação de profundas ravinas e deslizamentos de terra surpreendentes, que estavam alterando a forma dessa região ártica rica em gás.
Especialistas da empresa Gazprom Dobycha Nadym identificaram nada menos de 150 formações geológicas em Yamal, que se acredita estarem relacionadas a camadas de gelo descongeladas no interior do "permafrost"
O Dr. Vladimir Olenchenko, chefe da equipe de pesquisa do instituto, examinou quatro dessas formações: duas localizadas perto de estradas que levam a poços de gás, um perto de um gasoduto e outro adjacente a uma linha de alta tensão.

"Em termos simples: o calor aumenta, o permafrost está descongelando e a destruição ocorre a um ritmo alarmante. Isso acontece porque em Yamal há uma grande quantidade de camadas de gelo espalhadas no solo, que estão descongelando devido ao aquecimento global", disse o Dr. Vladimir Olenchenko.

"Nossa tarefa era delinear os lugares perigosos e estabelecer quão amplamente esses processos podem se desenvolver. Quando você vê uma ravina, você não consegue imaginar a escala de seu desenvolvimento posterior. Sim, há gelo por lá, mas o quão longe isso poderia se estender, e a extensão do dano não estava claro. Fomos capazes de entender isso rapidamente com a ajuda de métodos geofísicos, literalmente em apenas um dia", continuou.

Outras formações foram encontradas em outra localidades na península de Yamal, que detém os maiores depósitos de gás na Rússia, sendo crítico para os fornecimento de energia para a Europa Ocidental, principalmente a Alemanha, Holanda, Bélgica e a Polônia. O "permafrost" descongelado impõe desafios complexos às empresas que lidam com a extração
"Os especialistas da Gazprom revelaram cerca de 150 formações perigosas. Não podemos analisar todas, mas desenvolvemos o método e estamos passando essa tecnologia aos especialistas da Gazprom para que eles mesmos possam fazer isso", completou.

Os especialistas estavam usando uma modificação moderna da sondagem elétrica vertical (tomografia eletrônica), que desenvolveram especialmente para analisar as formações perigosas no "permafrost". Essa "tomografia" ajuda a criar modelos 3D de formações potencialmente perigosas e prever como elas se desenvolveriam, em que direção e a que velocidade. Este método, que os cientistas estão patenteando, é mais preciso do que a fotografia aérea ou a perfuração de poços de teste.
Os especialistas estavam usando uma modificação moderna da sondagem elétrica vertical (tomografia eletrônica), que desenvolveram especialmente para analisar as formações perigosas no "permafrost". Essa "tomografia" ajuda a criar modelos 3D de formações potencialmente perigosas e prever como elas se desenvolveriam, em que direção e a que velocidade
Quando as crateras apareceram pela primeira vez na península de Yamal, conhecida pelos habitantes locais como "o fim do mundo", elas geraram teorias bizarras quanto à sua formação. Atualmente, os cientistas sabem que elas são formadas por "pingos" (montículos em formato de domo sobre um núcleo de gelo) liberando gás metano sob pressão devido ao descongelamento do "permafrost" causado pela mudança climática.

O Dr. Vladimir Olenchenko (na foto), chefe de pesquisa do Instituto Trofimuk de Geologia do Petróleo e Geofísica
De acordo com a principal autoridade nesse assunto, o professor Vasily Bogoyavlensky, do Instituto de Pesquisa de Petróleo e Gás de Moscou, as crateras de Yamal, algumas pequenas, assim como outras grandes, foram criadas por gás natural preenchendo o espaço vazio em corpos de gelo, desencadeando eventualmente erupções.

Já no dia 28 de dezembro do ano passado, ou seja, pouco menos de 10 dias atrás, o site do "The Siberian Times" divulgou algo bem mais preocupante: um eventual colapso de cidades na Rússia devido ao descongelamento do "permafrost" nos próximos 35 anos, sendo que a ameça a cidades como Salekhard e Anadyr poderia vir mais cedo, em meados da década de 2020.

Um importante estudo acadêmico alertou sobre o risco para os edifícios em áreas urbanas em toda a região do "permafrost" da Rússia causada pela mudança climática. A análise russo-americana cita que o pior cenário poderia levar a uma redução entre 75 a 95% da capacidade de sustentação em toda a região do "permafrost" até 2050.

A análise russo-americana cita que o pior cenário poderia levar a uma redução entre 75 a 95%
da capacidade de sustentação em toda a região do "permafrost" até 2050.
"Isso pode ter um efeito devastador sobre as cidades construídas sobre o permafrost", concluíram os autores, visto que o descongelamento do "permafrost" pode potencialmente levar à deformação e ao colapso das estruturas. O estudo analisou detalhadamente quatro cidades siberianas, todas dentro dos 63% do território russo que é escorado pelo "permafrost".

Esses locais eram esclarecedores, e a ameaça potencial aos edifícios se aplicava em cidades em toda a região, porque a "capacidade de suporte" do terreno, até então sólido, está enfraquecendo, e tanto as estruturas residenciais como industriais de todos os tipos enfrentariam um "colapso".

"Em média, as mudanças mais rápidas são projetadas para Salekhard e Anadyr. Nessa localidades, a capacidade de sustentação tem potencial para diminuir para níveis críticos em meados da década de 2020. Em Yakutsk e Norilsk, a queda crítica da capacidade de sustentação, induzida pelo clima, é esperada por volta da década de 2040", disseram os autores.

"Em média, as mudanças mais rápidas são projetadas para Salekhard e Anadyr. Nessa localidades, a capacidade de sustentação tem potencial para diminuir para níveis críticos em meados da década de 2020. Em Yakutsk e Norilsk, a queda crítica da capacidade de sustentação, induzida pelo clima, é esperada por volta da década de 2040", disseram os autores.
Os acadêmicos, cujo trabalho foi financiado pela Fundação de Ciências da Rússia e pela Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos, enfatizaram que, a "alta incerteza" nas "projeções climáticas" não permitem conclusões definitivas e ofereceram cerca de seis cenários diferentes em relação a velocidade das mudanças. No entanto, eles enfatizaram que as novas técnicas de construção devem levar em conta as mudanças no "permafrost" sob as cidades.

Salekhard, a capital de Yamal, pode enfrentar sérios problemas em meados de 2020
"Nossa análise demonstra que as mudanças climáticas causadas pelo 'permafrost' podem potencialmente prejudicar a estabilidade estrutural das fundações, indicando uma clara necessidade de adoção de normas e regulamentos de construção para as regiões de 'permafrost' que podem ser impactadas pelas mudanças climáticas projetadas", disse os autores.

"Numerosos estudos mostram que o Ártico russo está se aquecendo a uma taxa de aproximadamente 0.12ºC por ano, 'significativamente mais rápido do que a média global'", afirmaram os autores. Considerando as previsões mais "conservadoras" haveria uma diminuição de menos de 25% na "capacidade de sustentação".

Em Norilsk, espera-se que a diminuição da capacidade de sustentação, causada pelo clima,
seja crítica por volta da década de 2040
"Essa mudança não deve afetar significativamente estruturas bem projetadas", disse o estudo, sugerindo que construções, que não fossem tão bem construídas seriam bem mais comprometidas.

O estudo denominado "Climate Change and Stability of Urban Infrastructure in Russian Permafrost Regions" foi publicado na Geographical Review, revista da Sociedade Geográfica Americana de Nova York, que é revisada por pares, no dia 4 de outubro de 2016.

Sim, é assustador e plenamente possível conforme o estudo demonstrou. De qualquer forma, assim como vocês puderam notar, a "alta incerteza" nas "projeções climáticas" não permitem conclusões definitivas. Resumindo? O estudo oferece diversas perspectivas, porém a incerteza ainda é muito alta, devido a imprecisão dos dados com que são trabalhados e a profundidade dos mecanismos muitos maiores, que fazem com que nosso planeta esquente ou esfrie em determinados períodos. Toda essa incerteza em apontar um vilão e saber exatamente o que vai acontecer, gerou, por exemplo, uma corrente de diversos pesquisadores a dizerem que o "Aquecimento Global", pelo menos assim como ele é proposto é uma farsa. E vamos tentar explicar um pouco sobre isso para vocês a seguir.

A Teoria do "Aquecimento Global" é Uma Farsa? Confira Alguns Aspectos dos Dois Lados Dessa Mesma Moeda


Está quente, não é mesmo? No Brasil, como sempre acontece todos os anos, a estação do Verão divide opiniões. Existem aquelas pessoas que adoram ir a praia ou as piscinas dos clubes para se refrescar, aproveitar um pouco das nossas belezas naturais com seus filhos durante o período de férias escolares, assim como pegar o tão desejado bronzeado. Contudo, existem outras pessoas que não suportam todo esse calor. Hoje em dia, muitos desses insatisfeitos reclamam através redes sociais, mostrando todo o seu martírio através de memes ou de fotos no Facebook ou no Instagram. Uma coisa é certa, embora as campanhas de conscientização da utilização do filtro solar sejam bombardeadas constantemente na imprensa, principalmente através da televisão, muitos ainda se esquecem desse importante aliado contra o câncer de pele ou o utilizam de forma incorreta

No Brasil, como sempre acontece todos os anos, a estação do Verão divide opiniões
Mesmo morando em um país, cujo clima é predominantemente tropical e tropical de altitude (apesar da diversidade de climas em razão da nossa localização e grande extensão territorial), quando seguidamente faz muito calor, sem qualquer tipo de alívio, invariavelmente nos sentimos desconfortáveis. Podemos sentir uma sensação de indisposição e esgotamento físico, tonturas, náuseas, dores de cabeça e, é claro, desidratamos muito rapidamente, podendo provocar danos irreversíveis no cérebro ou em outros órgãos, ou até mesmo levar à morte. É justamente por isso que a hidratação, uma alimentação leve, a utilização de tecidos de cores claras e evitar a luz solar de forma direta, por exemplo, é tão importante. Geralmente, as pessoas tendem a ficar mais irritadas e ansiosas com o calor, porém tudo isso é "normal". Querendo ou não, sempre damos um jeito de nos refrescarmos.

Infográfico publicado pelo jornal mineiro "O Tempo" em outubro de 2014
Muitas vezes temos uma sensação, de certa forma empírica, que a cada ano que passa está mais quente. Quem parece concordar com isso é Organização Meteorológica Mundial (OMM), que atua como um braço científico das Nações Unidas, visto que passou praticamente o ano passado inteiro dizendo que 2016 seria o ano mais quente já registrado na história, com temperaturas extremamente altas. O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, chegou a mencionar que os níveis do dióxido de carbono (CO2), que é propagado como o "maior causador da mudança climática", também teriam batido recordes entre janeiro e junho, superando a barreira simbólica de 400 partes por milhão, e com um viés de alta. Não podemos nos esquecer que o fenômeno El Niño, que provoca o aquecimento anormal das águas do Pacífico, também contribuiu consideravelmente nesse resultado.

Ainda de acordo com Taalas, algumas áreas árticas registraram temperaturas de 7ºC acima da média de longo prazo. Outras regiões árticas e sub-árticas em toda a Rússia, no Alasca e no noroeste do Canadá registraram pelo menos 3ºC acima da média.

Ainda de acordo com Taalas, algumas áreas árticas registraram temperaturas de 7ºC acima da média de longo prazo. Outras regiões árticas e sub-árticas em toda a Rússia, no Alasca e no noroeste do Canadá registraram pelo menos 3ºC acima da média
De acordo com a ONU, A Etiópia enfrenta uma das piores secas em três décadas. Seis milhões de crianças estão vulneráveis à fome, falta de água e doenças. O acesso à água segura para o consumo pode protegê-las destes riscos e garantir a permanência na escola. Confira nesse vídeo do UNICEF, publicado no canal ONU Brasil, no YouTube, do dia 4 de janeiro desse ano:



Entretanto, nem todos concodam que os gases do efeito estufa sejam os verdadeiros vilões. Para muitos climatologistas, as emissões de dióxido de carbono geradas pelo ser humano não controlam o clima do planeta. Nesse ponto vale lembrar que segundo a teoria do "Aquecimento Global", a intensificação da atividade industrial no século XX (baseada na queima de combustíveis fósseis como petróleo e carvão) aumentou a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Esse gás seria um dos causadores do chamado efeito estufa, processo natural que mantém a temperatura da superfície quente o suficiente para que haja vida. Portanto, quanto mais dióxido de carbono no ar, maior seria a temperatura média. Porém, muitos cientistas tentam provar que a Terra sempre passou por ciclos de aquecimento e resfriamento, que não foram causados nem pelo dióxido de carbono, e nem mesmo pela ação humana, ou seja, seríamos apenas formigas diante da magnitude climática do nosso planeta.

Para o meteorologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), por exemplo, "o clima global é produto de vários fenômenos, incluindo alguns que ocorrem fora do planeta, como a radiação solar. A conservação ambiental, porém, é necessária para a sobrevivência da humanidade, esteja o planeta aquecendo ou esfriando."

Para o meteorologista Luiz Carlos Molion (na foto), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), por exemplo, o clima global é produto de vários fenômenos, incluindo alguns que ocorrem fora do planeta, como a radiação solar.
Entre alguns dos argumentos contra a teoria do "Aquecimento Global" estão:

O "Aquecimento Global" não é causado pelos humanos: Entre 1925 e 1946, quando o ser humano emitia muito menos dióxido de carbono que emite atualmente, teria havido um aquecimento de 0,4 °C no planeta. Por outro lado, entre 1947 e 1976, época de aceleração da produção industrial após a Segunda Guerra Mundial, teria havido um resfriamento global de 0,2 °C. Na última década, a concentração de dióxido na atmosfera aumentou, mas a temperatura global se estabilizou. Portanto, a variabilidade climática seria natural e não causada pelo homem. Também teríamos o famoso ciclo de Gleisberg (períodos de atividade máxima e mínima se alternando a cada 50 anos), ou seja, a variação de energia solar emitida poderia aquecer ou resfriar o planeta Terra. Além disso, os oceanos, os animais, a vegetação, o solo e até mesmo vulcões emitem muito mais dióxido de carbono do que os humanos. Os mecanismos que o planeta dispõe para controlar os gases do efeito estufa seriam muito mais complexos e eficazes do que se pensa.

Segundo Shawn Marshall, professor de Geografia e pesquisador de mudanças climáticas na Universidade de Calgary, no Canadá, a Terra estaria 1ºC mais quente do que o período pré-industrial, porém o período Cretáceo e Jurássico, por exemplo, era 10ºC mais quente do que o período pré-industrial.

Entre 1925 e 1946, quando o ser humano muito menos dióxido de carbono que emite atualmente, teria havido um aquecimento de 0,4 °C no planeta. Por outro lado, entre 1947 e 1976, época de aceleração da produção industrial após a 2ª Guerra Mundial, teria havido um resfriamento global de 0,2 °C
O clima global já mudou diversas vezes: Há 7 mil e 3 mil anos atrás, e entre os anos 800 e 1200 d.C., o clima teria estado até 10°C mais quente, sendo que no último período, os vikings colonizaram áreas do Canadá e da Groenlândia, que atualmente são cobertas de gelo. A concentração de dióxido de carbono, no entanto, era pelo menos 50% menor que a atual. Para aqueles que contestam o "Aquecimento Global", se existe mais dióxido de carbono na atmosfera hoje, é porque o volume desse gás sempre reage com cerca de 800 anos de atraso em relação às variações de temperatura. É o tempo que leva para o oceano esquentar ou esfriar, liberando ou retendo dióxido de carbono.

É interessante destacar que no dia 19 dezembro do ano passado, pela primeira vez em 37 anos, a neve caiu na cidade argelina de Ain Sefra. Enquanto a última ocorrência, em 1979, só durou meia hora, a de 2016 durou um dia inteiro. Vale lembrar que há cerca de 11.000 anos, ventos oceânicos e chuvas intensas transformaram o Saara em uma exuberante floresta verde pré-histórica. Alguns pesquisadores acreditam que este ciclo, que segundo os climatologistas pode ter acontecido diversas vezes na história da Terra, vai se repetir novamente, e que o Saara voltará a ser verde mais uma vez por volta do ano 17.000.

É interessante destacar que no dia 19 dezembro do ano passado, pela primeira vez em 37 anos, a neve caiu na cidade argelina de Ain Sefra. Enquanto a última ocorrência, em 1979, só durou meia hora, a de 2016 durou um dia inteiro
O gelo do planeta não está derretendo: A variação no volume de gelo flutuante do polo Norte, por exemplo, seria causada por ciclos de aquecimento e resfriamento, que duram de 20 a 40 anos no oceano Atlântico Norte. Quando a água mais aquecida passa por baixo dos icebergs, derrete parte do gelo submerso. Com isso, a parte exposta ao ar, correspondente a 10% do volume do bloco, não derrete, mas desmorona. O gelo da superfície não derrete porque a temperatura do ar é inferior a -20 °C, mesmo no verão.

A variação no volume de gelo flutuante do polo Norte, por exemplo, seria causada por ciclos de aquecimento e resfriamento, que duram de 20 a 40 anos no oceano Atlântico Norte
Houve fraudes nos relatórios sobre mudanças climáticas: Diversos dados publicados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU dedicado a pesquisar as causas e o impacto do aquecimento global, não têm comprovação científica. Projeções sobre branqueamento de corais, devastação da Floresta Amazônica e das geleiras do Himalaia, por exemplo, são especulativas. Além disso, o IPCC creditou como autores dos relatórios cientistas que não apoiam a tese do aquecimento global.

Vocês também podem conferir um documentário legendado chamado "A Grande Fasa do Aquecimento Global" através de um vídeo publicado por um canal de terceiros, no YouTube:



A raiz de toda essa divergência entre os que apoiam ou contestam a teoria do "Aquecimento Global" está nas mais diversas definições de como o "Aquecimento Global" aparece no clima. Aqueles que defendem que o "Aquecimento Global" é real, assim como a própria ONU, estão passando a usar um outro "termo" ao taxar o "problema" de "mudanças climáticas", uma vez que soa mais realista em relação ao que está sendo enfrentado. Um outro complicativo está em provar o que se fala, ou seja, nos estudos que tentam provar se o "Aquecimento Global" é real ou não. Ao contrário da crença pública, os resultados de todos os estudos científicos não são conclusivos, visto que não temos uma base de dados tão extensa sobre o clima em nosso planeta quanto seria necessária para esse tipo de análise. Para alguns cientistas podemos usar os mesmos dados e dar uma interpretação diferente a cada um deles, ou seja, chegando a conclusões diferentes.

Isso não quer dizer, no entanto, que não devemos preservar o meio ambiente em que vivemos ou que deveríamos aceitar que indústrias despejassem gases e produtos tóxicos no ar que respiramos, uma vez que podem voltar para nós na forma de chuva ácida, e nem tão pouco aceitar que carros sejam tão poluentes ao ponto de contaminar o ar que respiramos e nos causar inúmeras doenças cardiorrespiratórias. A questão básica aqui talvez esteja em apontar erroneamente um vilão, se aproveitando financeiramente das implicações geradas por ele, impedindo a real compreensão da dinâmica do nosso planeta e os procedimentos que realmente deveríamos adotar para prolongar ao máximo nossa existência, como espécie, na Terra. Esse é um debate muito interessante, e que pretendo trazer ao AssombradO de uma forma bem mais aprofundada ainda nesse ano (provavelmente em meados desse ano, quando costumam sair os relatórios climáticos em relação aos primeiros meses do ano). Esse é apenas um aperitivo para vocês!

Espero que vocês tenham gostado e que as principais dúvidas em relação a Rússia tenham sido sanadas. Vamos esperar que nesse ano nada de ruim aconteça para moradores daquela e de outras regiões, que muito possivelmente podem voltar a sofrer com as altas temperaturas. Vamos também aguardar e torcer para que as autoridades russas dessas vez tenham tomado as medidas minimamente necessárias para evitar novamente um caos esse ano. Fica bem claro, no entanto, a mensagem de que se a Rússia continuar explorando seus recursos naturais de forma predatória e expansionista a qualquer custo, corre seriamente o risco de se extinguir como nação, não devido as ameaças de outras nações, mas devido ao mais impiedoso de todos os sistemas, e que sempre o controle sobre todos nós: a própria natureza.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2016/09/2016-pode-se-transformar-no-ano-mais-quente-da-historia-diz-agencia.html
http://mashable.com/2016/08/04/greenland-cold-war-base-global-warming-waste/#VYdgINoBLSqj
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/principais-argumentos-contra-teoria-aquecimento-global-624801.shtml
http://siberiantimes.com/science/casestudy/features/f0280-warning-of-collapse-of-buildings-in-siberias-permafrost-cities-in-next-35-years/
http://siberiantimes.com/science/casestudy/news/n0817-more-weird-landforms-appear-due-to-thawing-permafrost-on-yamal-peninsula/
http://siberiantimes.com/science/opinion/features/f0179-how-great-is-the-threat-of-an-explosion-of-smallpox-from-the-thawing-permafrost-in-siberia/
http://siberiantimes.com/science/opinion/features/f0249-experts-warn-of-threat-of-born-again-smallpox-from-old-siberian-graveyards/
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3741091/Could-SMALLPOX-return-grave-Deadly-disease-risk-permafrost-thaws-near-Russian-village-victims-buried-warn-scientists.html
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-4072890/Putin-s-crumbling-empire-Towns-cities-Russia-COLLAPSE-2050-thawing-permafrost.html
http://www.jn.pt/nacional/interior/2016-pode-tornar-se-o-ano-mais-quente-da-historia-5298304.html
http://www.smithsonianmag.com/science-nature/radioactive-cold-war-military-base-will-soon-emerge-greenlands-melting-ice-180960036/?no-ist
https://nacoesunidas.org/agencia-da-onu-alerta-que-2016-deve-ser-ano-mais-quente-da-historia/
https://nacoesunidas.org/video-o-impacto-devastador-das-mudancas-climaticas-na-etiopia/
https://noticias.terra.com.br/ciencia/clima/agencia-da-onu-alerta-para-derretimento-do-permafrost,9708e80b9f25b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
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