5 de dezembro de 2016

As Bruxas de Salem: Possessão Demoníaca? Histeria Coletiva? Envenenamento por Fungo? Uma Trágica Brincadeira?


Por Marco Faustino

Aproveitando o fato que a série norte-americana "Salem" voltou em sua terceira temporada pelo canal de TV a cabo/satélite FOX 1 (do pacote FOX+ Premium), e que nunca abordamos de forma um pouco mais robusta esse assunto, resolvemos fazer uma matéria curta, porém muito informativa para todos vocês a respeito das icônicas "Bruxas de Salem". Na série "Salem", por exemplo, a história é ambientada em Massachusetts, nos Estados Unidos, no século XVII, e acompanha a história de Mary Sibley (interpretada por Janet Montgomery), uma bela jovem casada com um rico membro do conselho da cidade, e que deixou uma antiga paixão para trás quando seu amor, John Alden (interpretado por Shane West, de "Um Amor para Recordar"), partiu para a guerra. Contudo, John retorna cerca de 10 anos depois, e encontra a cidade de Salem mergulhada em uma inSana caça às bruxas, com mulheres sendo queimadas e enforcadas ao primeiro sinal de "possessão". Não se preocupem, não daremos spoilers sobre as temporadas dessa série para vocês, visto que se vocês tiverem interesse, sempre descobrirão uma forma de assistí-la desde o começo. Aliás, cada temporada possui tão somente 13 episódios, ou seja, não é tão cansativo assim para assistir. Lembrando que a série, apesar de possuir uma classificação etária de 14 anos, possui algumas cenas bem pesadas. Portanto, se você é pai ou mãe, tente acompanhar o que seu filho(a) está assistindo, e como isso possa estar lhe afetando, combinado?

Curiosamente, a primeira temporada dublada de Salem já foi exibida na TV aberta pela Rede Bandeirantes (conhecida popularmente como "Band"), no começo de 2015. Porém, aparentemente a exibição da série não deu a audiência esperada, apesar da mesma ter um excelente ótimo público e ao mesmo tempo fiel aqui no Brasil. Basta acompanhar as redes sociais e as páginas dos fãs da série para perceber isso. Não podemos nos esquecer que a própria Band certa vez adquiriu os direitos da série "The Walking Dead", e que também não conseguiu alavancar a audiência com uma das séries de maior repercussão no mundo. Quem sabe em algum momento esse interesse por séries não possa ser novamente revitalizado, e que haja um melhor gerenciamento para que todos os espectadores de uma concessão pública possam ser agraciados com séries de renome e interesse internacional. Fica aqui a nossa esperança e a nossa torcida.

De qualquer forma, o assunto dessa postagem é sobre as "Bruxas de Salem", um triste episódio gerado pela superstição e pela credulidade que levaram, na América do Norte, aos últimos julgamentos por bruxaria na pequena colônia de Salem, na baía de Massachusetts, em 1692. Na época, uma escrava chamada Tituba teria realizado rituais ou contado histórias para algumas meninas, que, por esse fato, passaram a ter pesadelos. Um médico foi chamado para examiná-las, e declarou que elas estavam "enfeitiçadas". Cotton Mather, um pregador colonial que acreditava em bruxaria, encarregou-se da acusação. O medo da bruxaria durou cerca de um ano, no qual 20 pessoas, em sua absoluta maioria mulheres, foram declaradas culpadas por "bruxaria" e executadas. Um homem chamado Giles Corey, morreu de acordo com o bárbaro costume medieval de ser comprimido por rochas com uma tábua sobre o seu corpo até morrer. No entanto, o julgamento e as condenações aparentemente foram um imenso erro, e ao longo do tempo surgiram hipóteses de que as pessoas executadas estavam intoxicadas pelo consumo do esporão-de-centeio, um fungo do qual se extrai alcaloides na produção de produtos medicinais, incluindo o LSD. Por outro lado alguns pesquisadores acreditam que se tratou de histeria coletiva, já outros mencionam que possa ter sido uma uma bricadeira das jovens, e que acabou terminando de forma trágica. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Breve Resumo Sobre os Julgamentos das Bruxas de Salem


Os julgamentos das "Bruxas de Salem" ocorreram na Massachusetts colonial, entre 1692 e 1693, quando mais de 200 pessoas foram acusadas de praticar bruxaria, a "magia do Diabo", sendo que 20 dessas pessoas foram executadas. Eventualmente, a colônia admitiu que os julgamentos foram um imenso erro, e compensou as famílias dos condenados. Desde então, a história dos julgamentos tornou-se sinônimo de paranoia e injustiça, e continua seduzindo a imaginação popular mesmo após mais de 320 anos.

Mapa da Vila de Salem de 1692 criado por W.P. Upham em 1866
Há muitos séculos atrás, muitos cristãos praticantes e aqueles de outras determinações, tinham uma forte crença de que o "Diabo" poderia dar a certas pessoas conhecidas como "bruxas", o poder de fazer o mal aos outros em troca de sua lealdade. É nesse contexto que uma "onda de bruxaria" varreu a Europa a partir do século XIII até o final do século XVII. Dezenas de milhares de supostas bruxas, principalmente mulheres (apesar de haver exceções em determinados países), foram executadas nesse triste período da história. Embora os julgamentos ocorridos em Salem aconteceram simplesmente quando essa "onda" estava enfraquecendo na Europa, as circunstâncias locais praticamente explicam o seu início.

Em 1689, os governantes ingleses William e Mary começaram uma guerra contra a França nas colônias britânicas. Conhecida como "Guerra do Rei William", a mesma devastou regiões ao norte do estado de Nova York, Nova Escócia e Quebec, enviando refugiados para o condado de Essex e, especificamente, para a Vila de Salem (Salem Village) na Colônia da Baía de Massachusetts.

Vale lembrar nesse ponto, que atualmente a Vila de Salem é a cidade de Danvers, Massachusetts, e a cidade colonial de Salem, é a atual cidade de Salem (ambas ficam bem próximas uma da outra). Os casos de "bruxaria" ocorreram na Vila de Salem, sendo que os julgamentos ocorreram na cidade colonial de Salem.

Em 1689, os governantes ingleses William e Mary começaram uma guerra contra a França nas colônias britânicas. Conhecida como "Guerra do Rei William", a mesma devastou regiões ao norte do estado de Nova York, Nova Escócia e Quebec
Assim sendo, as pessoas deslocadas criaram uma pressão sobre os recursos existentes em Salem. Isso agravou a rivalidade existente entre famílias com vínculos com a riqueza do porto de Salem, e aqueles que ainda dependiam da agricultura.

Esse dilema também repercutiu sobre o Reverendo Samuel Parris, que se tornou o primeiro ministro ordenado da Vila de Salem, em 1689, sendo que ele não era bem visto pela população em geral devido a sua natureza gananciosa e severa. Por outro lado, os aldeões puritanos acreditavam que toda aquela desavença e confusão que estava ocorrendo na época, sem dúvida alguma, era "obra do Diabo.

O Reverendo Samuel Parris, que se tornou o primeiro ministro ordenado da Vila de Salem, em 1689, sendo que ele não era bem visto pela população em geral devido a sua natureza gananciosa e severa
Em janeiro de 1692, a filha do Reverendo Parris, Elizabeth, de 9 anos, e a sobrinha Abigail Williams, de 11 anos, começaram a ter certos "ataques". Elas gritavam, jogavam coisas para longe, emitiam sons peculiares e se contorciam em posições estranhas. Outra garota, Ann Putnam, de 11 anos, também teve episódios semelhantes, assim como cinco outras amigas de Elizabeth. Não demorou muito tempo até que a vila inteira soubesse o que estava acontecendo, e que o "Diabo" poderia estar vivendo entre eles. Assim sendo, em 29 de fevereiro daquele ano, sob a pressão dos magistrados Jonathan Corwin e John Hathorne, as meninas culparam três mulheres por afligi-las: Tituba, a escrava do Reverendo Parris, Sarah Good, uma andarilha, e Sarah Osborne, uma pobre idosa.

Todas as três mulheres foram levadas perante os magistrados locais e interrogadas por vários dias, começando em 1 de março de 1692. Sarah Osborne alegou inocência, assim como Sarah Good. Porém, Tituba teria confessado que o Diabo teria ido até ela e pedido para que servisse aos seus propósitos. Ela também teria descrito elaboradas imagens de cães negros, gatos vermelhos, pássaros amarelos e um "homem negro", que queria que fazê-la assinar seu livro. Ela admitiu que assinou o livro e disse que havia várias outras bruxas procurando destruir os puritanos. Todas as três mulheres foram presas.

Tituba teria confessado que o Diabo teria ido até ela e pedido para que servisse aos seus propósitos. Ela também teria descrito elaboradas imagens de cães negros, gatos vermelhos, pássaros amarelos e um "homem negro", que queria que fazê-la assinar seu livro
Com a semente de paranoia plantada, uma onda de acusações ocorreu nos meses seguintes. As acusações contra Martha Corey, por exemplo, um membro fiel da Igreja da Vila de Salem, preocupava muito a comunidade. Se Martha fosse uma bruxa, então qualquer outra pessoa poderia ser também. Os magistrados até questionaram a filha de 4 anos de Sarah Good, Dorothy, e suas tímidas respostas teriam sido interpretadas como uma confissão. Porém, o questionamento ficou mais sério em abril, quando o vice-governador Thomas Danforth e seus assistentes participaram das audiências. Dezenas de pessoas de Salem e outros vilarejos de Massachusetts foram levadas ao interrogatório.

Em 27 de maio de 1692, o governador William Phipps ordenou a criação de um Tribunal Especial de Oyer (para ouvir) e Terminer (decidir) em relação aos condados de Suffolk, Essex e Middlesex. O primeiro caso trazido para o tribunal especial foi de Bridget Bishop, uma mulher mais idosa, e que era conhecida por seus hábitos de fofoca e promiscuidade. Sua defesa, no entanto, não deve ter sido nada convincente, porque ela foi considerada culpada e, em 10 de junho, tornou-se a primeira pessoa enforcada no local que mais tarde seria chamado de "Gallows Hill".

O primeiro caso trazido para o tribunal especial foi de Bridget Bishop, uma mulher mais idosa,
e que era conhecida por seus hábitos de fofoca e promiscuidade
Sua defesa, no entanto, não deve ter sido nada convincente, porque ela foi considerada culpada e, em 10 de junho, tornou-se a primeira pessoa enforcada no local que mais tarde seria chamado de "Gallows Hill"
Cinco dias depois, o respeitado ministro Cotton Mather teria escrito uma carta implorando ao tribunal que não permitisse "provas espectrais", ou seja, testemunhos sobre sonhos e visões (embora alguns documentos apontassem que ele apoiava tais "provas"). O tribunal ignorou este pedido e cinco pessoas foram condenadas e enforcadas em julho, cinco em agosto e oito em setembro. Em 3 de outubro, seguindo os passos de seu filho, Increase Mather, então presidente da Universidade de Harvard, teria denunciado o uso da "prova espectral", visto que era melhor que dez bruxas suspeitas escapassem do que uma pessoa inocente fosse condenada.

O governador William Phipps, em resposta ao pedido de Mather, e considerando que sua própria esposa estava sendo questionada por bruxaria, proibiu novas prisões, libertou muitas bruxas acusadas e dissolveu o "Tribunal de Oyer e Terminer", em 29 de outubro. Ele o substituiu por um "Tribunal Superior de Judicatura", no qual não aceitava mais as tais "provas espectrais", e condenou somente 3 dos 56 réus. William Phipps eventualmente perdoou todos os que estavam na prisão por acusações de bruxaria em maio de 1693, porém o estrago já tinha sido causado: 19 foram enforcados em Gallows Hill, um homem de 71 anos foi pressionado até a morte com pedras pesadas, diversas pessoas morreram na prisão e quase 200 pessoas, no total, foram acusadas de praticar "bruxaria".

O respeitado ministro Cotton Mather (à esquerda) e seu pai, Increase Mather, então presidente da Universidade de Harvard (à direita). Uma vez que as "fotos" da época eram pinturas, nem sempre é possível encontrar uma que se encaixe melhor em relação a linha do tempo. Nesse caso, o pai de Cotton aparenta ser mais novo que o filho, porém as pinturas foram feitas em momentos bem distintos.
Após os julgamentos e execuções, muitos envolvidos, assim como o juiz Samuel Sewall, teria confessado publicamente o erro e a culpa. Em 14 de janeiro de 1697, o Tribunal Geral ordenou um dia de jejum e de profunda reflexão em relação a tragédia de Salem. Em 1702, o tribunal declarou os julgamentos ilegais e, em 1711, a colônia aprovou um projeto de lei que restabelecia os direitos e a reputação ilibada dos acusados, concedendo uma indenização de £600 aos seus herdeiros. De qualquer forma, foi apenas em 1957, mais de 250 anos depois, que Massachusetts formalmente se desculpou pelos acontecimentos de 1692. Tenso, não é mesmo, AssombradOs?

Vale lembrar que esse é apenas um resumo de toda uma longa história que aconteceu entre 1692 e 1693, em uma época que sequer havia a formação do que conhecemos atualmente como Estados Unidos. Massachusetts, por exemplo, era simplesmente uma colônia britânica. A declaração de Independência do que viria a ser o Estados Unidos ocorreu somente em 4 de julho de 1776. Assim sendo, por se tratar de um resumo, o texto pode contar algumas imprecisões. Caso um dia façamos um especial sobre esse assunto, pesquisaremos cada detalhe a fundo para vocês, uma vez que os documentos dos julgamentos estão preservados no Arquivo Central da Biblioteca Peabody, em Danvers, Massachusetts, e com certeza reservam informações muito valiosas e de certa forma esclarecedoras. Também há um extenso material de estudiosos sobre os julgamentos das "Bruxas de Salem" que poderiam ser utilizados.

Uma Rápida Análise dos Acontecimentos na Vila de Salem Entre 1692 e 1693


Apesar de ter passado mais de 320 anos entre os primeiros episódios de supostas "possessões demoníacas" na Vila de Salem, na antiga colônia britânica de Massachusetts, responder a pergunta sobre o que teria realmente acontecido com aquelas meninas continua sendo algo bem complicado por uma série de fatores. Vamos explicar o porquê para vocês.

Segundo Douglas O. Linder, historiador e professor da Escola de Direito da Universidade de Missouri-Kansas City, a Vila de Salem era um lugar triste e sombrio no fim do inverno de 1692. Entre as imensas florestas e o mar calmo, parecia que o mundo estava se fechando para os colonos puritanos que moravam na região. A varíola tinha começado a afetar a população, e "era fácil acreditar que o Diabo estava muito próximo de Salem, visto que as mortes repentinas e violentas permeavam as mentes das pessoas".

Segundo Douglas O. Linder, historiador e professor da Escola de Direito da Universidade de Missouri-Kansas City, a Vila de Salem era um lugar triste e sombrio no fim do inverno de 1692
A estrutura social também estava muito pressionada. Três novas gerações tinham nascido na vila desde a chegada dos colonos europeus, cada uma delas aparentemente mais afastada da devoção séria e religiosa que havia guiado os puritanos da Europa. Isso sem contar, é claro, os imigrantes de outras localidades que fugiam das guerras. O plano original dos puritanos em criar um novo "Jardim do Éden" parecia estar dando errado, e só faltava uma fagulha para explodir um verdadeiro barril de pólvora que estava se formando.

É nessa parte que entra o Reverendo Parris e sua filha Elizabeth, de apenas 9 anos, que foi acometida por uma série de estranhos espasmos, e negava-se a comer. Um médico foi chamado para diagnosticá-la, e por sua vez atestou que a menina estava estava "enfeitiçada", e que nada lhes restava a fazer além de rezar. As amigas de Elizabeth, visto que o grupo aumentou para um total oito meninas, com idades de 9 a 21 anos, também começaram a apresentar sintomas semelhantes: rolavam pelo chão, salivavam, grunhiam e "latiam". Foi um pandemônio. Pressionado a tomar medidas, o Reverendo Parris resolveu chamar um "exorcista", um "caçador de bruxas": Cotton Mather.

As amigas de Elizabeth, visto que o grupo aumentou para um total oito meninas, com idades de 9 a 21 anos,
também começaram a sofrer ataques semelhantes
Depoimento de Abigail William contra George Jacobs, Jr., durante o julgamento das "Bruxas de Salem"
Os supostos rituais de vodu de Tituba, um tanto quanto animistas, teriam influenciado a mente das meninas, que eram educadas no estreito moralismo calvinista, e a aversão ao sexo que o puritanismo devotava. Estamos falando de meninas bem jovens, pré-adolescentes, porém alguns historiadores supõe que tais rituais tivessem estimulado "fantasias ou sonhos eróticos" nas meninas, o que contrastava com os ensinamentos que recebiam: um verdadeiro choque entre dois mundos completamente diferentes, talvez uma espécie de "choque histérico". Um tribunal queria ouví-las, e apontar culpados era algo estritamente necessário.

Nesse ponto é importante mencionar de maneira inquestionável, que o povo acreditava no chamado maleficium, ou seja, no dano causado pelas bruxas. Na sociedade pré-iluminista, por exemplo, a existência do demônio era coletivamente aceita, porque servia como uma explicação conveniente para acontecimentos estranhos, para as agressões injustificadas ao que lhes parecia inusitado, ao inesperado. Por outro lado, pedir a ajuda de feiticeiras e de bruxas sempre foi uma maneira de tentar influenciar pessoas ou coisas sobre as quais se tinha escasso poder. Vale lembrar que nas perseguições às bruxas, a maioria das vítimas era extremamente pobre, e boa parte delas eram mulheres (embora tenha havido algumas exceções).

Os supostos rituais de vodu de Tituba, um tanto quanto animistas, teriam influenciado a mente das meninas, que eram educadas no estreito moralismo calvinista, e a aversão ao sexo que o puritanismo devotava
Chegava a ser uma tentação irresistível poder fazer o mal a alguém sem correr riscos de ser descoberto. Seria uma espécie de "arma do impotente, do covarde ou do fraco". A bruxaria era uma maneira astuta de causar prejuízos a alguém odiado. A vítima, por sua vez, não tinha a mínima prova do que ou quem a mandou atingir. O malefício lançado contra alguém atuava igualmente como um poderoso instrumento de compensação psíquica, largamente recorrido pelos menos afortunados. Uma forma, ainda que bem primitiva, de se alcançar a justiça, visto que Deus e a própria Justiça pareciam estar sempre de mãos dadas com aqueles que podiam pagar ou faziam parte da elite social.

Resumindo, tudo aquilo precisava ser contido, e de certa forma foi. Uma maneira trágica e infundada (muitas vezes baseado em "provas espectrais"), que chegou a ser covarde, pois o ciclo foi interrompido quando tais "sintomas de bruxaria" afetaram membros da elite, que obviamente não queriam ter o mesmo destino daqueles que eles tinham condenado. No entanto, uma questão permaneceu ao longo do tempo: O que desencadeou os ataques em Elizabeth "Betty" Parris, Abigail Williams e demais meninas? Teria sido realmente possessão demoníaca? Teria sido histeria coletiva? Envenenamento por fungo? Uma brincadeira que saiu do controle e terminou de maneira trágica? Vamos conhecer a seguir algumas hipóteses.

Algumas Hipóteses Para Tentar Explicar os Casos de "Bruxaria" na Vila de Salem


No início da década de 1970, Linda Caporael, uma psicóloga comportamental do Instituto Politécnico Rensselaer de Nova York, nos Estados Unidos, começou a estudar sobre os julgamentos das "Bruxas de Salem". Foi então que ela relacionou os sintomas e os comportamentos estranhos das meninas "aflitas" com os efeitos alucinógenos de drogas como a dietilamida do ácido lisérgico, uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas: o famoso LSD.

Linda Caporael, psicóloga comportamental
do Instituto Politécnico Rensselaer de Nova York
Uma vez que o LSD é um derivado do ergot, um fungo que afeta o grão de centeio (também conhecido como esporão-do-centeio), e uma causa documentada de um surto similar em Pont-Saint-Esprit, na França, em 1951, ela decidiu analisar as condições ambientais de Salem entre 1691 e 1693. Suas análoses foram uma tentativa de explicar a razão pela qual aquele estranho comportamento foi amplamente disseminado, e o motivo pelo qual isso não teria se repetido após os julgamentos terem sido concluídos.

O ergot é produzido pelo fungo Claviceps purpurea, no qual cresce no centeiro (entre outros cereais como o milho, a aveia etc.) em condições extremamente úmidas. Os pedaços de pão acidentalmente contaminados com esses alcaloides de ergot contendo ácido lisérgico teriam sido consumidos pelas famílias, embora apenas certos membros, principalmente os mais jovens, fossem os mais susceptíveis.

Ao examinar os diários dos moradores de Salem daquela época, e localizar as casas das pessoas afetadas nos mapas, Linda Caporael descobriu que a primavera e o verão de 1691 foram quentes, úmidos e chuvosos. A maioria das pessoas afetadas moravam na parte oeste de Salem, que eram cobertos por áreas pantanosas e regiões bem úmidas que ficavam próximas aos campos de centeio. Essas teriam sido ótimas condições para o fungo prosperar. 

O centeio colhido em 1691 e consumido durante aquele inverno coincide justamente quando os primeiros sinais de "bruxaria" começaram a surgir. Sem "guias espirituais" como Timothy Leary, das décadas de 1960 e 1970, para explicar que o LSD era simplesmente uma "droga que expandia a mente", cujo efeito acabaria se uma pessoa parasse de consumí-la, a população de Salem não contava com nenhuma informação, e acabaria tirando sua própria conclusão sobre o que estava acontecendo.

O ergot é produzido pelo fungo Claviceps purpurea, no qual cresce no centeiro (entre outros cereais como o milho, a aveia etc.) em condições extremamente úmidas
Ao examinar os diários dos moradores de Salem daquela época, e localizar as casas das pessoas afetadas nos mapas, Linda Caporael descobriu que a primavera e o verão de 1691 foram quentes, úmidos e chuvosos. Essas teriam sido ótimas condições para o fungo prosperar.
O verão de 1692 teria sido seco e muitas áreas pantanosas nos arredores de Salem secaram, ou seja, a colheita de centeio estava livre do ergot. Embora os julgamentos das "Bruxas de Salem" tivessem sido provavelmente causados por ignorância, fervor religioso, medo e política, qualquer procedimento para classificar a verdade usando evidências físicas estava dolorosamente ausente no final do século XVII.

Vale destacar nesse ponto, que o ergotismo (também conhecido por "envenenamento por Ergot", "envenenamento por cravagem" e "Fogo de Santo Antônio") pode causar uma variedade angustiante de efeitos colaterais. Os sintomas iniciais são geralmente de natureza gastrointestinal, incluindo náuseas, diarréia e vômitos. Pouco tempo depois, o doente pode experimentar uma gama de sintomas causados pela influência do ergot no sistema nervoso central. Geralmente começam com sensações relativamente benignas, como dores de cabeça e sensações de picadas, queimação ou prurido na pele. Porém, a experiência pode se transformar em espasmos, convulsões, inconsciência, alucinações e psicose (ergotismo convulsivo). Em casos graves, os tecidos do corpo experimentam efeitos colaterais físicos, como perda de sensação periférica, inchaço, bolhas, gangrena seca e, ocasionalmente, leva ao óbito (ergotismo gangrenoso).

Tudo isso é causado por duas características do esporão-do-centeiro: os alcaloides do grupo clavine, que causam os sintomas convulsivos, e os alcaloides ergotamina-ergocristina, que causam vasoconstrição impedindo o sangue de circular para os membros superiores e inferiores, e consequentemente impedindo o oxigênio chegar até o cérebro das vítimas.

Em casos graves, os tecidos do corpo experimentam efeitos colaterais físicos, como perda de sensação periférica, inchaço, bolhas, gangrena seca e, ocasionalmente, leva ao óbito (ergotismo gangrenoso)
O evenenamento por ergot, no entanto, não é nenhuma novidade e tem sido problemático ao longo da história. Na Idade Média, a doença era conhecida como "Fogo de Santo Antônio", sendo responsável por inúmeras amputações devido a gangrena e ocasionando muitas mortes. Vilarejos inteiros chegavam a ser acometidos pelos sintomas. Os monges da ordem de Santo Antônio, o Grande, se tornaram hábeis a tratar a condição com bálsamos que estimulavam a circulação e se tornaram exímios amputadores. A causa da doença não tinha sido isolada até o final do século XVII, e não tinha se tornado amplamente conhecida até o século XIX. Antes dessa época, as epidemias de ergotismo eram frequentemente vistas como uma "punição de Deus".

Isso Realmente Faz Sentido?


Bem considerando as condições daquela época, a ideia de que os julgamentos das "Bruxas de Salem" possam ter sido impulsionados pelo envenenamento por ergot é bem plausível. O verão tinha sido quente e úmido e havia muitas áreas pantanosas, uma combinação ideal para o crescimento do fungo. Aliás, sintomas característicos de envenenamento por ergot também aconteceram naquele mesmo ano, em Connecticut. No caso de Salem, a situação pode não ter sido grave em relação ao envenenamento, mas os efeitos colaterais foram devastadores.

Os monges da ordem de Santo Antônio, o Grande, se tornaram hábeis a tratar a condição com bálsamos que estimulavam a circulação, e se tornaram exímios amputadores.
Por outro lado, Salem era uma comunidade atingida pela desigualdade, pelo medo dos índios nativos, amargas disputas sobre a terra e repressão sexual. É nesse ponto que surge uma outra possibilidade: a que esporão-do-centeio tenha sido apenas um catalisador em uma situação já volátil e complicada, logo seria uma questão de tempo até que uma histeria coletiva cuidasse do restante. Em outras palavras, é possível que poucas pessoas tenham sido realmente contaminadas, mas ao ver as crises convulsivas e todo o aparato de medo perpetrado pelas autoridades locais, as demais podem ter sido influenciadas e acabaram apresentando o mesmo comportamento, o que resultaria em um caso clássico de histeria coletiva que, naquela ocasião, terminou em tragédia. Simplificando, se Elizabeth e Abigail fossem as únicas a realmente estarem envenenadas, o comportamento de ambas pode ter influenciado as demais.

Evidentemente, existem teorias alternativas para tentar explicar o que aconteceu em Salem. Alguns historiadores sugeriram que os moradores poderiam ter sofrido de uma forma de encefalite disseminada por aves, ou possivelmente a doença de Huntington. Ambos são possíveis, embora não haja provas suficientes para afirmar isso. Outros historiadores acreditam que seria possível, que somente Elizabeth Parris, a primeira a garota a adoecer, tenha sofrido de alguma forma de envenenamento por ergot. No entanto, acredita-se que as outras garotas tenham aproveitado a oportunidade de afastar o tédio da vida colonial com uma espécie de "brincadeira de mau gosto". Se isso for verdade, é difícil imaginar as reações delas quando os adultos tomaram as rédeas e começaram a enforcar seus vizinhos.

Outros historiadores não acreditam que o esporão-do-centeio tenha quaisquer relações com os julgamentos das "Bruxas em Salém". O Dr. Peter Hoffer, professor de história da Universidade de Geórgia, por exemplo, ao longo do tempo levantou algumas questões sobre isso, como por exemplo: "Por que aconteceu apenas com as garotas e não com os outros? Por que apenas em 1692? Por que nada aconteceu nos anos anteriores ou seguintes?". Diga-se de passagem, Peter Hoffer, que já escreveu muitos textos sobre os julgamentos das "Bruxas em Salem", é um dos que acreditam que as garotas, que acusaram os vizinhos de praticar bruxaria, estavam "pregando uma peça" nas pessoas.

Como Estão as Cidades de Salem (Salem Town) e Danvers (Salem Village) Atualmente?


Vocês já se perguntaram como estão os locais onde séculos atrás serviram de cenário para todo esse emblemático e trágico incidente da história norte-americana? Pois bem, para tentar responder a essa pergunta vamos utilizar como base as informações fornecidas pela viajante e blogueira Fabiana Teixeira, que fez uma viagem na segunda quinzena de dezembro de 2014 por algumas cidades dos Estados Unidos, ao lado de seu companheiro, o Fábio. Advinhem por onde esses passaram? Justamente por Salem e Danvers!

Ambos possuem um blog chamado Viagens e Vivências, onde desde outubro de 2010 compartilham suas experiências de viagens a mais de 33 países. Então, nada melhor do que um olhar atento de um experiente casal, ainda mais sendo brasileiro, para retratar como estão os locais onde um dia presenciaram a morte, atualmente injustificável, de tantas pessoas.

A Cidade de Salem (Salem Town)


Salem é uma cidade costeira no condado de Essex, Massachusetts, nos Estados Unidos, que no último censo realizado em 2010, contava com pouco mais de 41 mil habitantes. Grande parte da identidade cultural da cidade é reflexo de seu papel como o local em que aconteceram os julgamentos das "Bruxas de Salem", em 1692: carros da polícia são adornados com logotipos de bruxas, uma escola pública local é conhecida como a Escola Primária "Witchcraft Heights", as equipes atléticas da Escola de Ensino Médio de Salem são denominadas "As Bruxas", e "Gallows Hill", originalmente creditado por ser o suposto local dos enforcamentos, atualmente é utilizado como um campo para a prática de diversos esportes.

Salem é uma cidade costeira no condado de Essex, Massachusetts, nos Estados Unidos, que no último censo realizado em 2010, contava com pouco mais de 41 mil habitantes
Para vocês terem uma ideia, mais de um milhão de turistas de todas as partes do mundo visitam Salem anualmente, o que resulta em mais de US$ 100 milhões arrecadados com o turismo a cada ano. Em 2016, durante o fim de semana que antecedeu o Halloween, mais de 250.000 pessoas visitaram Salem, ou seja, é praticamente impossível circular de carro na cidade nessa época do ano.

Em 2016, durante o fim de semana que antecedeu o Halloween, mais de 250.000 pessoas visitaram Salem, ou seja, é praticamente impossível circular de carro na cidade nessa época do ano
Na cidade existe o Salem Vistor Center, que disponibiliza mapas para os turistas, além de diversas informações sobre a cidade e das atrações disponíveis. Somente por essa caminhada você já passa por alguns pontos interessantes, onde se veem enfeites exotéricos e místicos nas árvores, casas com um ar sombrio como se fossem de bruxas, entre outras peculiaridades.

Na cidade existe o Salem Vistor Center, que disponibiliza mapas para os turistas, além de diversas informações
sobre a cidade e das atrações disponíveis
Na rua Essex se encontra o Peabody Essex Museum, que conta com um acervo de obras de arte bem interessantes e criativas. São desenhos, pinturas, pendentes, fotografias, esculturas, entre outros objetos, visto que é o objetivo do museu é explorar a arte de diversas localidades pelo mundo. Para maiores informações, clique aqui (em inglês).

Na rua Essex se encontra o Peabody Essex Museum,
que conta com um acervo de obras de arte bem interessantes e criativas
A cidade também conta com mais outros dois museus. Um deles é o "The Salem Museum", que na verdade é antiga Câmara Municipal, e que contém um acervo histórico sobre a cidade e pessoas importantes que viveram nela. Esse museu, no entanto, não tem nenhuma relação com o "museu das bruxas".

Já o "The Witch Museum" é um museu que possui um pequena amostra de objetos e fotos antigas, e conta a história das bruxas de Salem através de alguns bonecos.

O "The Salem Museum", que na verdade é antiga Câmara Municipal,
e que contém um acervo histórico sobre a cidade e pessoas importantes que viveram nela
Já o "The Witch Museum" é um museu que possui um pequena amostra de objetos e fotos antigas,
e conta a história das bruxas de Salem através de alguns bonecos
Outro local interessante seria o Cemitério Old Burying Point. Ele faz parte da história da cidade que, além de ser o mais antigo, é o local onde estaria enterrada a maioria das pessoas que foram executadas no julgamento das "Bruxas de Salem". Logo na entrada, é possível ver uma placa indicativa, caso queira visitar alguns dos túmulos.

No total são 20 pessoas: Bridget Bishop (executada em 10/06/1692), Sarah Good, Rebecca Nurse, Susannah Martin, Elizabeth Howe, Sarah Wildes (executadas em 19/07/1692), George Burroughs, John Proctor, John Willard, George Jacobs, Martha Carrier (executados em 19/08/1692), Giles Corey (executado em 19/09/1692), e os últimos Martha Corey, Mary Easty, Alice Parker, Ann Pudeator, Margaret Scott, Wilmot Redd, Samuel Wardwell e Mary Parker (executados em 22/09/1692).

Outro local interessante seria o Cemitério Old Burying Point. Ele faz parte da história da cidade que, além de ser o mais antigo, é o local onde estaria enterrada a maioria das pessoas que foram executadas no julgamento das "Bruxas de Salem"
Logo na entrada, é possível ver uma placa indicativa, caso queira visitar alguns dos túmulos
Ao lado do cemitério, é possível encontrar o Salem Witch Trail Memorial, que foi construído em homenagem as pessoas que foram executadas. É um memorial bem simples, e sombrio ao mesmo tempo. Em uma pequena área ficam localizadas as pedras gravadas com os nomes de todas as vítimas, distribuídas em dois lados. Ao fundo é possível notar o cemitério.

Assim como todo memorial, trata-se de um lugar de respeito, onde é recomendado que os visitantes permaneçam em silêncio, não subam nas pedras, não arranquem nada do lugar (como flores, por exemplo) e nem realizem nenhuma atitude desrespeitosa.

Ao lado do cemitério, é possível encontrar o Salem Witch Trail Memorial, que foi construído em homenagem as pessoas que foram executadas. É um memorial bem simples, e sombrio ao mesmo tempo.
Assim como todo memorial, trata-se de um lugar de respeito, onde é recomendado que os visitantes permaneçam em silêncio, não subam nas pedras, não arranquem nada do lugar (como flores, por exemplo) e nem realizem nenhuma atitude desrespeitosa
Há também a "The Witch House", que apesar de falarem que é a "Casa da Bruxa", trata-se de uma casa do século XVII (1642), de propriedade de uma das pessoas envolvidas no julgamento das "Bruxas de Salem". Do lado de fora, aparenta ter um ar bem sombrio, sendo que a casa mantém mobiliários, roupas e alguns pertences que remetem à época.

Há também a "The Witch House", que apesar de falarem que é a "Casa da Bruxa", trata-se de uma casa do século XVII (1642), de propriedade de uma das pessoas envolvidas no julgamento das "Bruxas de Salem"
A cidade ainda conta com o "Tour Hocus Pocus", um passeio noturno de 90 minutos onde são mostrados alguns lugares de Salem, curiosidades, e alguns locais que foram utilizados em algumas cenas do filme "Hocus Pocus" (Abracadabra, título em português), que foi gravado na cidade.

A Cidade de Danvers (Salem Village)


Danvers é uma cidade no condado de Essex, Massachusetts, Estados Unidos, situada as margens do rio Danvers, e bem próxima da costa do nordeste de Massachusetts. Originalmente conhecida como Salem Village, a cidade é mais conhecida por sua associação com os julgamentos das "Bruxas de Salem" de 1692. Segundo o último censo realizado em 2010, a cidade contava com pouco mais de 26 mil habitantes.

Danvers está localizada a pouco mais 8 km de Salem (cerca de 15 minutos de carro) e ainda possui as casas onde as pessoas, que foram executadas no julgamento das "Bruxas de Salem", moravam naquela época. Além do local onde tudo começou, é possível visitar o suposto local das execuções (Gallows Hill), e a casa de Rebecca Nurse (a mais velha das pessoas que foram executadas).

Vista aérea de Danvers, uma cidade no condado de Essex, Massachusetts, Estados Unidos, situada as margens do rio Danvers, e bem próxima da costa do nordeste de Massachusetts
Imagem do Google Maps mostrando a distância entre Danvers e Salem.
Danvers está localizada a pouco mais 8 km de Salem (cerca de 15 minutos de carro).
As ruínas da antiga casa do Reverendo Samuel Parris quando, em 1692, Betty Parris e Abigail Williams fizeram as acusações que desencadearam na caça às bruxas, são abertas ao público. É somente uma pequena área, no terreno nos fundos de algumas casas.

As ruínas da antiga casa do Reverendo Samuel Parris quando, em 1692, Betty Parris e Abigail Williams fizeram as acusações que desencadearam na caça às bruxas, são abertas ao público
Entretanto, não espere muita coisa, visto que é somente uma pequena área,
no terreno nos fundos de algumas casas
Existem algumas indicações de onde possa ter acontecido os enforcamentos, mas são apenas suposições. Com base em documentos que alegavam, que "as pessoas eram levadas para Gallows Hill", passou-se a acreditar que esse seria um possível lugar onde os enforcamentos aconteciam. Entretanto, trata-se de uma colina, que já teria sido confirmada como o verdadeiro local das execuções no passado, embora haja uma certa relutância e imprecisão por parte de outros historiadores.

Suposto local chamado de "Gallows Hill", na cidade de Danvers, onde acredita-se que as pessoas
foram enforcadas, logo após serem julgadas em Salem
Entretanto, trata-se de uma colina, que já teria sido confirmada como o verdadeiro local das execuções no passado, embora haja uma certa relutância e imprecisão por parte de outros historiadores
Outro local que valeria a pena ser visitado é a "Rebecca Nurse Homestade", o local onde viveu Rebecca Nurse, que foi executada em 19 de julho de 1692, pela suposta prática de bruxaria. Era uma senhora idosa, com mais de 70 anos, e muito respeitada na região. A casa data aproximadamente de 1678, quando a família de Rebbeca mudou-se para a propriedade. Atualmente, a propriedade está sob os cuidados do Governo de Massachusetts, que realiza visitas guiadas e autoguiadas.

Outro local que valeria a pena ser visitado é a "Rebecca Nurse Homestade", o local onde viveu Rebecca Nurse, que foi executada em 19 de julho de 1692, pela suposta prática de bruxaria
Interessante, não é mesmo AssombradOs, para maiores informações, acredito que vocês possam entrar em contato com o casal, através do blog Viagens e Vivências, que muito provavelmente eles terão mais dicas e conselhos a quem deseja um dia visitar ambas as cidades!

Da Realidade para a Ficção: O Filme "As Bruxas de Salem", e a Série "Salem"


O filme "As Bruxas de Salem" é um filme norte-americano lançado em 1996, sendo baseado na peça teatral de mesmo nome de Arthur Miller sobre os fatos históricos envolvendo o julgamento das Bruxas de Salem, e que traz no elenco Daniel Day-Lewis, Winona Ryder, Joan Allen e Paul Scofield.

Nesse ponto é interessante ressaltar que a peça teatral foi escrita no início da década de 1950, como uma resposta ao macartismo, período no qual o governo norte-americano passou a perseguir pessoas acusadas de serem comunistas. A peça foi primeiramente apresentada na Broadway em 22 de janeiro de 1953 e, apesar de inúmeras críticas negativas, venceu o prêmio Tony de melhor peça daquele ano. Um ano depois a peça foi reapresentada e começou a se tornar um clássico do teatro norte-americano. Atualmente, a mesma é apresentada e estudada em escolas de Ensino Médio e em universidades, tanto pelo estatuto revolucionário quanto pela sua documentação velada da política norte-americana da década de 1950.

A peça foi adaptada duas vezes para o cinema. A primeira adaptação, intitulada "Les Sorcières de Salem", foi realizada na França em 1957 por Jean-Paul Sartre. A segunda, intitulada "The Crucible" (a versão que conhecemos como "Bruxas de Salem"), foi realizada em 1996, pelo próprio Arthur Miller. Confira o trailer legendado do filme "Bruxas de Salem, de 1996, em um canal de terceiros, no YouTube:



Já a série "Salem" é uma série de terror, fantasia e drama histórico criada por Adam Simon e Brannon Braga, que estreou no canal norte-americano "WGN America", em 20 de abril de 2014, sendo baseada na perseguição conhecida como "Bruxas de Salém", no final do século XVII.

Como dissemos no começo de nossa postagem, a série é ambientada na Massachusetts no século XVII, onde Mary Shibley é a ex-namorada de John Alden, um homem que há dez anos partiu para a guerra, sendo capturado pelos índios. Ele volta para Salem onde encontra Mary casada com George, um homem mais velho que ela, porém rico e membro do conselho da cidade. Porém, sua maior surpresa acabando sendo descobrir que a cidade está dominada pelo delírio da caça às bruxas, liderada pelo aristocrata Cotton Mather. Assista a um teaser promocional da da série, no canal "Salem Brasil", no YouTube:



Apesar de existirem outras obras baseadas nos julgamentos das "Bruxas de Salem", acredito que esses sejam os principais trabalhos e referências sobre esse assunto, muito embora sejam adaptações e não retratem necessariamente todos os fatos históricos da maneira que realmente teriam acontecido.

De qualquer forma, particularmente em relação a série, é interessante acompanhar e tentar se envolver nas tramas, principalmente as paralelas, que se desenvolvem no decorrer das temporadas. Caso tenham estômago e coragem de se aventurar em um terror repleto de drama histórico, bem, com certeza vocês irão gostar de Salem!

Comentários Finais


Confesso que não me aprofundei muito sobre as "Bruxas de Salem", visto que o objetivo era mesmo fornecer um material, que fosse mais facilmente assimilado por vocês. A intenção era criar uma matéria um pouco mais curta do que vocês estão acostumados, visto que a mesma poderia servir de base para a construção de um especial contando a história completa sobre esse triste episódio de caça às bruxas em um solo, que pouco menos de 100 anos depois, viria a se tornar o todo poderoso Estados Unidos. Nele poderíamos incluir os depoimentos, o perfil das meninas que passaram a sofrer os "estranhos ataques", e um conteúdo muito mais amplo e sinuoso do que apresentamos nessa matéria. Vai depender, é claro, de vocês, e da repercussão que esse assunto possa vir a ter no futuro. De qualquer forma, não é necessário cavar muito para ter a exata noção que os "estranhos ataques" sofridos por Elizabeth, Abigail e outras amigas da mesma faixa etária, não tiveram nenhuma relação com o sobrenatural. Você pode até tentar "forçar a barra" ao criar um cenário sombrio e de terror envolvendo a Vila de Salem ou então uma creepypasta sobre o caso, porém o peso que a realidade possui e o caos vivenciado na região são muito mais fortes do que qualquer tentativa de disseminar um eventual acontecimento sobrenatural. A Vila de Salem era um caldeirão, não de bruxa, mas de situações e sentimentos que estavam contidos dentro das pessoas, dentro das casas e, em pouco tempo, iriam aflorar de maneira mórbida e forma descontrolada pelas ruas.

Contudo, um ponto de toda essa história me chamou muito a atenção. A Vila de Salem começou a receber mais pessoas do que poderia realmente comportar, visto que muitas delas estavam fugindo das guerras que estavam acontecendo mais ao norte, sendo que outras gerações passaram a crescer com valores diferentes daqueles que eram originalmente perpetuados. É inevitável comparar isso, ainda que em proporções muito menores, com a crise humanitária que o mundo atualmente está vivendo. Temos milhares de pessoas se deslocando para outras cidades e países, de culturas e hábitos totalmente diferentes, em um curto espaço de tempo e, querendo ou não, podem eventualmente exercer uma forte pressão sobre os recursos locais. Existe, é claro, toda uma tentativa midiática de mostrar que imigrantes podem ser benéficos, mostrando o sofrimento de crianças para sensibilizar as pessoas, e até mesmo que possa estimular positivamente todo um comércio local. Porém, o lado que geralmente não apontam, é que no meio de tantas pessoas, existe toda uma cultura que, com o passar do tempo, pode se tornar incompatível moralmente e socialmente com as cidades que recebem tais pessoas, e a questão, um dia, poderá se voltar sobre o que fazer com elas. Não é apenas uma questão de intolerância, mas de uma crise que ainda não mostrou sua verdadeira face. Salem, ainda que em uma conjuntura socioeconômica e política bem diferente, é um sombrio lembrete para aqueles que irão procurar justificativas para extirpar o consideram que esteja maculando o bem-estar de suas comunidades e de seus familiares.

Por outro lado, não podemos ser levianos e acreditar que a caça às bruxas terminou em Salem, muito pelo contrário. Enquanto você está lendo esse comentário final, muito provavelmente uma ou mais mulheres foram mortas na América Andina, no continente Africano ou então na Índia, ao serem acusadas de praticar bruxaria. E olha que nem é necessário que façam ou falem nada. Muitas vezes basta alguém apontar o dedo, por exemplo, para uma mulher que seja viúva, e acusá-la por uma vaca ter morrido em seu pasto. Assim sendo, toda uma comunidade local se junta para linchá-la e, eventualmente, queimá-la viva. Já escrevi sobre isso, em setembro do ano passado, na matéria intitulada "A Moderna Caça às Bruxas e a Superstição Assassina na Índia: As Faces do Medo", na qual convido que vocês leiam. Naquela época, o meu texto era bem simplório, mas ainda assim é possível vocês terem uma noção da gravidade que isso representa no mundo moderno. Resumindo? A dor não terminou em Salem. E, sinceramente, nunca irá terminar enquanto não houver respeito, e leis criadas pelos homens, em seus próprios países, que sejam realmente eficazes em preservar a moral, a dignidade e a própria vida humana, e que se sobreponham aos seus sistemas políticos, religiosos e econômicos. A caçada irá continuar enquanto o julgamento for baseado no que acreditamos, e não no que realmente somos.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://forensicoutreach.com/library/forensics-in-history-the-salem-witch-trials/
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3995254/Did-HALLUCINOGENS-spark-Salem-witch-trials-Experts-say-locals-eaten-bread-contaminated-fungus-LSD.html
http://www.neatorama.com/2012/10/15/Salem-Witch-Trials-The-Fungus-Theory/
http://www.nytimes.com/1982/08/29/us/new-study-backs-thesis-on-witches.html
http://www.pbs.org/wnet/secrets/witches-curse-clues-evidence/1501/
http://www.sausd.us/cms/lib5/CA01000471/Centricity/Domain/457/hysteria%20or%20psychedlics.pdf
http://www.smithsonianmag.com/history/a-brief-history-of-the-salem-witch-trials-175162489/
http://www.viagensevivencias.com.br/2015/07/salem-a-cidade-das-bruxas.html
https://portalconservador.com/o-julgamento-das-bruxas-de-salem/
https://www.damninteresting.com/bad-rye-and-the-salem-witches/
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