24 de outubro de 2016

Um "Artefato de Alumínio de 250.000 Anos" Descoberto na Romênia Seria a Prova Definitiva que Extraterrestres Visitaram a Terra?

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Por Marco Faustino

Entre o fim do mês de setembro e início de outubro desse ano fomos inundados de mensagens em nossas redes sociais, principalmente através de nossa página no Facebook, sobre a existência de supostos "artefatos astecas", que teriam sido mantidos em segredos, e revelariam o contato de civilizações antigas com outras civilizações extraterrestres. Lembram dessa matéria? Na época, esse caso começou a ser propagado a partir de um determinado site, cujo nome não irei mencionar por uma questão de ética, uma vez que não promoverei algo que engana sistematicamente as pessoas. Aliás, sempre que vocês forem ler uma notícia, é necessário que conheçam a reputação do site, as fontes nas quais os textos foram baseados, conhecer a credibilidade de quem escreve, entre outros pequenos detalhes para que vocês tenham uma garantia de uma informação de qualidade. Muitos simplesmente "requentam" os textos, e republicam os mesmos como se fossem novidades e com um texto levemente modificado, para dar a impressão de ser algo inédito e extraordinário. Obviamente, quem faz isso, nunca o faz com boas intenções.

No caso dos supostos "objetos astecas", por exemplo, nenhuma fonte era mencionada, nenhum estudo científico era mencionado, absolutamente nada. Apenas tinha sido publicada uma informação rasa, sem qualquer fundamentação. E ainda assim, mesmo sendo um péssimo conteúdo, que seria amplamente desprezado em qualquer outro site que tivesse um pouco de dignidade em relação ao que é divulgado, milhares de usuários passaram a compartihar a postagem acreditando que fosse verdade. Lembre-se que, na maioria dos casos, você não está ajudando a disseminar conhecimento ou disseminar "algo que não querem que você saiba", pelo contrário, você está contribuindo para financiar direta ou indiretamente sites de péssima qualidade, que lucram a base de mentira e sensacionalismo (leia mais: Será Verdade que Diversos "Objetos Astecas" Mantidos em Segredo Revelariam o Contato com Seres Extraterrestres?). Aliás, faço questão novamente de ressaltar que as notícias e matérias que escrevo sempre são baseadas em uma pesquisa séria, para evitar ao máximo que você possa ser enganado.

Dessa vez, no entanto, a vedete da pseudoarqueologia é um objeto chamado de "Aluminium Wedge of Aiud" ("Cunha de Alumínio de Aiud", em uma tradução livre para o português). Basicamente, o objeto teria sido encontrado no ano de 1974, em uma das margens do rio Mures, a cerca de aproximadamente 2 km de Aiud. O misterioso objeto teria sido descoberto durante uma escavação, e enterrado a cerca de 10 metros de profundidade, ao lado de "dois ossos de mastodontes". O mastodonte é um mamífero de grandes dimensões, também conhecido popularmente por "mamute", e que teria sido extinto há pelo menos 11.000 anos. Na época, a descoberta teria sido levada para o "Instituto Arqueológico de Cluj-Napoca" para ser examinada. Então, os "arqueólogos" teriam "confirmado" algo bem estranho:  O objeto era feito de alumínio, recoberto com uma fina camada de óxido, sendo que a liga do mesmo teria sido analisada, e teria sido detectado cerca de 12 elementos diferentes. Não demorou muito tempo para que "pesquisadores do fenômeno OVNI" sugerissem que essa "cunha" poderia ser uma espécie de trem (ou sapata) de aterrissagem de alguma nave espacial, cuja decolagem ou pouso seria realizado na posição vertical. Entretanto, será que isso tem alguma chance de ser verdade? Não teríamos nenhuma explicação mais mundana para esse objeto? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Como o Assunto Começou a Ser Propagado pelos Tabloides Britânicos, Principalmente Através da Agência de Notícias "CEN"


Antes de começarmos a tentar desmistificar toda essa história para vocês, é necessário que vocês conheçam o que vem sendo divulgado ao redor do mundo sobre a "Cunha de Alumínio de Aiud". O assunto, que é bem antigo, foi recentemente abordado pelos tabloides britânicos, que se encarregaram de propagá-lo para o restante do mundo. Como exemplo, vamos utilizar a notícia publicada pelo "Daily Mail".

"Uma peça de alumínio, que aparenta ser fabricada a mão, está sendo aclamada como uma evidência de 250.000 anos de idade de que os extraterrestres já teriam visitado a Terra. De acordo com a CEN, a descoberta do misterioso pedaço de metal, na Romênia comunista em 1973, não foi revelada ao público naquela ocasião.

Desde então, análises de oficiais romenos revelaram que o objeto é composto por 12 metais e cerca de 90% de alumínio datados de 250.000 anos. Os primeiros resultados foram posteriormente confirmados por um laboratório em Lausanne, na Suíça.

Uma peça de alumínio, que aparenta ser fabricada a mão, está sendo aclamada como uma evidência de 250.000 anos de idade de que os extraterrestres já teriam visitado a Terra
O alumínio metálico não era produzido pela humanidade até aproximadamente 200 anos atrás, então essa descoberta, que se alega possuir 250.000 anos de idade, está sendo considerada como uma descoberta sensacional.

Em 1973, operários trabalhavam nas margens do rio Mures, não muito longe da cidade de Aiud, na Romênia, quando encontraram 3 objetos a cerca de 10 metros de profundidade. Eles pareciam ser bem incomuns e muito antigos, sendo que os arqueólogos chamados ao local imediatamente identificaram dois deles como sendo fósseis. O terceiro parecia um pedaço de metal feito pelo homem e, embora fosse muito leve, suspeitava-se que ele pudesse ser a cabeça de um machado.

Todos os três foram enviados para uma análise mais aprofundada em Cluj, a principal cidade romena na região da Transilvânia. Foi rapidamente determinado que os dois grandes ossos pertenciam a um grande mamífero que teria morrido entre 10.000 a 80.000 anos atrás, mas os especialistas ficaram surpresas ao descobrirem que o terceiro objeto era um pedaço de metal muito leve e parecia ter sido manufaturado.

Os investigadores alegam que os detalhes da descoberta não se tornaram públicos na ocasião,
porque teria sido escavado na Romênia comunista, em 1973

Operários trabalhavam nas margens do rio Mures, não muito longe da cidade de Aiud, na Romênia,
quando encontraram 3 objetos a cerca de 10 metros de profundidade

Localização da cidade de Aiud, na Romênia
O objeto possui 20 cm de comprimento, 12,5 cm de largura e 7 cm de espessura. O que intrigou os especialistas é que o pedaço de metal possui concavidades, que fazem com que, aparentemente, tenha sido fabricado como parte de um sistema mecânico mais complexo. Agora, um debate acalorado está acontecendo para saber se o objeto é realmente parte de um OVNI, e a prova da visita de uma civilização extraterrestre no passado.

O objeto possui 20 cm de comprimento, 12,5 cm de largura e 7 cm de espessura. O que intrigou os especialistas é que o pedaço de metal possui concavidades que fazem com que aparente ter sido fabricado como parte de um sistema mecânico mais complexo
'As análises laboratoriais concluiram que a peça trata-se do fragmento de um OVNI antigo, uma vez que as substâncias que a compõe, não podem ser combinadas com a tecnologia disponível na Terra', disse Gheorghe Cohal, o diretor-adjunto da "Associação Romena de Ufólogos", para a mídia local.

Entretanto, Mihai Wittenberger, um historiador local, alega que, na realidade, o objeto é uma peça de metal de uma aeronave alemã da Segunda Guerra Mundial. Ele acredita que seja um pedaço do trem de pouso de um "Messerschnmitt ME 262". Os "caçadores de OVNI", no entanto, dizem que isso não explicaria a idade do artefato.

O objeto de metal passou a ficar em exposição do Museu de História de Cluj-Napoca com uma placa onde é possível ler: 'Origem ainda desconhecida'

O terceiro parecia um pedaço de metal feito pelo homem e, embora fosse muito leve,
suspeitava-se que ele pudesse ser a cabeça de um machado
Em declaração ao Daily Mail, Nigel Watson, autor do livro 'UFO Investigations Manual' ('Manual de Investigação de OVNIs', em português) acredita que a peça seja algo um pouco diferente disso.

'É muito raro que as pessoas encontrem pedaços de metal relacionados a quedas de OVNIs. Alega-se que a famosa queda do disco voador de Roswell em 1947, por exemplo, tenha deixado destroços que eram impossíveis de cortar ou incendiar, e retornavam ao seu formato original assim que amassados. Infelizmente, a Força Aérea dos Estados Unidos teria levado todos os destroços embora, deixando os teóricos da conspiração pensando que o governo dos Estados Unidos teria um disco voador escondido na Área 51', disse Nigel Watson.

O objeto de metal passou a ficar em exposição do Museu de História de Cluj-Napoca
com uma placa onde é possível ler: "Origem ainda desconhecida"

Entretanto, Mihai Wittenberger, um historiador local, alega que, na realidade, o objeto é uma peça de metal de uma aeronave alemã da Segunda Guerra Mundial. Ele acredita que seja um pedaço do trem de pouso de um Messerschnmitt ME 262.
'Quando os destroços de um OVNI estão sendo mantidos pelo governo norte-americano ou por misteriosos "Homens de Preto", normalmente temos uma explicação mundana para isso. Em alguns casos, nossos próprios satélites caem, e passam a ser considerados como destroços de OVNIs, o que é uma boa maneira de manter uma missão espacial em sigilo', continuou.

'Nesse caso poderiam ser os destroços de um satélite, e por essa razão isso foi mantido em segredo em 1973. Tal como acontece com todos esses casos, o debate entre os que defendem a existência dos OVNIs e as pessoas com explicações mais mundanas, tende a continuar sem qualquer um dos lados admitir que esteja errado', completou."

Um Rápido Comentário Sobre o Que Foi Publicado Recentemente


Se você acompanha o nosso blog há algum tempo, deve estar familiarizado com a famigerada agência de notícias CEN (Central European News), que tradicionalmente não faz questão de se aprofundar sobre os casos que apresenta, informando muito mal as pessoas ou então divulgando um material completamente mentiroso. Para vocês terem uma ideia, essa agência consegue ser pior que a SWNS.

Curiosamente, boa parte dos textos e das imagens divulgadas não apenas no Daily Mail, mas em todos os tabloides britânicos partiram da CEN. Intencionalmente, eu retirei esse "detalhe" nas imagens acima para poder evidenciá-la nesse momento:

Curiosamente, boa parte dos textos e das imagens divulgadas não apenas no Daily Mail, mas em todos os tabloides britânicos partiram da CEN. Intencionalmente, eu retirei esse "detalhe" nas imagens acima para poder evidenciá-la.
Aliás, não se preocupe em relação a direitos autorais, visto que as imagens sequer pertencem a CEN, uma vez que ela tira "print", a famosa captura de tela, de frames de vídeos publicados por terceiros no YouTube, e vende o material como se fosse dela. Um prática covarde, porém muito comum por parte dessa agência.
É geralmente isso que você acaba visualizando, e posteriormente compartilhando com os seus amigos.

Nesse caso, a CEN extraiu as imagens do seguinte vídeo publicado no YouTube (reparem que a suposta idade do objeto informada nesse vídeo é bem menor do que alegada pela CEN):



Confira algumas notícias que foram repassadas pela CEN, e que já mostramos no passado o quão errada ela estava:
E olha que esses são apenas alguns casos, que eu "lembro de cabeça", em que fiz uma postagem mostrando a realidade por trás do que estava sendo divulgado. Complicado, não é mesmo?

De qualquer forma, apesar de apontarmos repetidas vezes, que essas agências de notícias não são dignas de confiança, muitos de vocês inundam nossas redes sociais na esperança que finalmente tenham encontrado algo, que possa provar "definitivamente" que extraterrestres, ao menos uma vez, estiveram em nosso planeta. Enfim, acredito que chegou a hora de mostrar um pouco de realidade sobre essa "Cunha de Alumínio de Aiud" para vocês.

Como Toda Essa História Sobre a "Cunha de Alumínio de Aiud" Começou: Um Ufólogo Chamado Florin Gheorghita


Dizer para vocês como toda essa história começou não é tão simples quanto tentam fazer parecer que seja. Ao realizar uma pesquisa na internet, é possível encontrar diversas versões para essa mesma história. Alguns sites apontam que o objeto teria sido encontrado em 1973, já outros apontam que teria sido em 1974. É também possível ler em alguns sites, que o objeto teria sido escavado em uma das margens do rio Mures, porém em outros ele teria sido obtido a partir de um "poço de areia". A data do objeto, no entanto, é o elemento que possui a maior discrepância: varia entre centenas de milhares de anos até algumas centenas de anos, ou seja, tem muita variação em relação as informações que são difundidas sobre o mesmo.

Entretanto, ao procurarmos por registros oficiais arqueológicos desse objeto, a localização exata onde o mesmo foi encontrado, em quais condições foi encontrado, e quem foram as pessoas ou a empresa responsável pela descoberta, não encontramos absolutamente nada. Aliás, até hoje, nenhuma pessoa intitulada como "arqueólogo", que realmente tenha formação em Arqueologia, sequer comenta sobre esse objeto, ou seja, ele não tem a menor importância ou valor histórico. Então, como tudo isso começou a ser contado, e como as pessoas ficaram sabendo desse objeto?

Aparentemente, tudo começou a partir de um livro chamado "Enigme in Galaxie", de Florin Gheorghita, um conhecido ufólogo da Romênia (mencionado algumas vezes como "engenheiro"), que foi publicado em 1983 (cerca de aproximadamente 10 anos após sua suposta descoberta). No capítulo 6, "Visitas ao Planeta Azul", mais precisamente na página 152, Florin descreveu uma história a respeito de uma descoberta sensacional em Aiud. Segundo o autor, em 1973, nos arredores da cidade de Aiud, durante escavações em uma "pedreira de areia", em uma camada a cerca de  10 metros de profundidade, foram encontrados "três objetos envoltos em uma espécie de invólucro de areia prensada". Na página 153, seria possível ler que um "especialista" chamado ao local teria identificado um dos objetos como sendo um "osso fossilizado".

Ainda de acordo com o livro, "especialistas" começaram a limpar as camadas de sedimentos, quando perceberam um objeto com uma estranha aparência metálica, e com "sinais evidentes" que tinha sido manufaturado. Segundo Florin, os outros dois objetos pertenceriam ao "esqueleto de um mastodonte". Intrigados pelo aspecto do objeto, e pelo fato de que tinha sido encontrado em uma camada geológica tão antiga, especialistas teriam enviado fragmentos para análise em um centro de pesquisas localizado na cidade de Magurele, na Romênia, chamado ICPMMN (Instituto para o Estudo de Metais e de Minerais Não-Metálicos).

A análise teria deixado os "especialistas" em Magurele totalmente perplexos. O objeto era composto de uma liga de alumínio e outros metais raros, conforme descrito na página 154: "(...) era uma liga complexa composta de 12 elementos diversos, dosados em diferentes porcentagens. O ingrediente principal - a grande surpresa - era o alumínio (89%)! O restante dos elementos que foram encontrados (na ordem referente as maiores porcentagens) eram: cobre (6,2%), silício (2,84%), zinco (1,81%), chumbo (0,41%), estanho (0,33%), zircônio (0,2%), cádmio (0,11%), níquel (0,0024%), cobalto (0,0023%), bismuto (0,0003%), prata (0,0002%), e gálio (vestígios)".

Em 1992, Florin Gheorghita, ao escrever para uma revista chamada "Ancient Skies", não se limitou apenas a comentar sobre o objeto, mas começou a especular sobre a origem e o significado do mesmo. Florin teria solicitado que diversos profissionais analisassem o objeto, e alegou que um engenheiro aeronáutico, cujo nome não foi revelado, teria identificado a "cunha de alumínio" como uma parte do trem de pouso de uma aeronave do tipo VTOL ("Vertical Take-Off and Landing", ou "Decolagem e Aterrissagem Vertical", em português).

Florin teria solicitado que diversos profissionais analisassem o objeto, e alegou que um engenheiro aeronáutico, cujo nome não foi revelado, teria identificado a "cunha de alumínio" como uma parte do trem de pouso de uma aeronave do tipo VTOL ("Vertical Take-Off and Landing", ou "Decolagem e Aterrissagem Vertical", em português).


Apesar de muitos autores replicarem essa mesma história ao longo do tempo, ninguém, pelo menos desde 1973/1974, tinha se preocupado em saber se o objeto realmente existia, e caso existisse, onde ele se encontrava após tantos anos. Essa história, no entanto, mudaria em 1995.

A Matéria Publicada na Revista "RUFOR" em 1995


Em uma matéria publicada pelos jornalistas e investigadores "Peter Leb" e "Tibor Reman", em uma edição da Revista "RUFOR" ("Romanian UFO Researchers", ou "Pesquisadores do Fenômeno OVNI da Romênia") em 1995, o paradeiro do objeto mencionado por Florin Gheorghita foi descoberto.

Capa da Revista "RUFOR" de 1995 onde o paradeiro do objeto
mencionado por Florin Gheorghita foi descoberto
Na época, a matéria dizia que o objeto estava no "Museu de História da Transilvânia em Cluj-Napoca", cujo diretor chamava-se Gheorgha Lazarovici. A equipe da revista "RUFOR" teve acesso ao objeto, pessoalmente, no dia 17 de fevereiro daquele ano. Todo o objeto estava coberto por uma espessa camada oxidada, de cor branco-amarelada, com uma tonalidade esverdeada, sendo que a parte superior estaria visivelmente erodida por ação mecânica, devido a supostas colisões ou corrosão mecânica. Todas as medidas possíveis foram tiradas do objeto, que deixou a equipe completamente maravilhada. Além disso, o objeto pesaria pouco mais de 2 quilos.

Vale lembrar que, de acordo com o livro escrito por Florin Gheorghita, dois ossos de mastodonte teriam sido encontrados próximo do objeto, na mesma camada geológica, porém, segundo Gheorgha Lazarovici, os ossos seriam de uma espécie, não mencionada na matéria, de "rinoceronte-peludo".

Primeira e segunda página da Revista "RUFOR" sobre a "Cunha de Alumínio de Aiud". Na época, a matéria dizia que o objeto estava no Museu de História da Transilvânia em Cluj-Napoca, cujo diretor chamava-se Gheorgha Lazarovici.
Ainda segundo a revista, o rinoceronte-peludo teria vivido na região de Cluj-Napoca durante o Pleistoceno (entre 10.000 e 80.000 anos atrás), no período Würm, contemporâneo com o habitat dos Neandertais. Esse período interglacial podia ser caracterizado com tendo um clima muito servero, semelhante ao da taiga ou da tundra. Como "conclusão preliminar", os jornalistas afirmavam que o objeto de alumínio era de uma "camada geológica, que remetia a um período em que os antepassados do homem não possuíam conhecimento a respeito do alumínio, assim como também estaria relacionado ao primeiro período paleolítico".

Além disso, a revista apontava para um homem chamado "Marian Pasla", um engenheiro aposentado, que teria uma estreita relação com o "objeto de Aiud" (como era chamado na época). Ele teria confirmado a hipótese de que uma amostra extraída desse objeto teria sido examinada por um laboratório, cujo nome não foi revelado, na cidade de Lausanne, na Suíça. Os especialistas suíços teriam confirmado a composição do objeto, que seria a mesma apontada em Magurele. Eles também teriam dito que a liga não se encaixava em nenhuma das ligas "padrões", que eram utilizadas, na época, pela humanidade. A liga teria sido descrita como "fraca", não seria "duralumínio", e seu formato aparentava ter sido projetado (o que indicava a característica artificial do objeto).

Terceira e quarta página da Revista "RUFOR" sobre a "Cunha de Alumínio de Aiud". Especialistas suíços teriam confirmado a composição do objeto, que seria a mesma apontada em Magurele
Baseando-se pela camada de óxido de alumínio "envelhecida", um professor chamado apenas "Stoicovici", tinha chegado à conclusão de que o objeto poderia ter uma idade de pelo menos 300 a 400 anos. Porém, de acordo com outro especialista, citado por Florin Gheorghita, o objeto poderia ter milhares de anos.

Talvez, para tentar disfarçar essa discrepância em relação a idade do objeto, e de modo alegar que o mesmo teria "origem extraterrestre", os jornalistas mencionaram, que mesmo que o objeto tivesse apenas 300 anos, ele remontaria um período bem anterior ao começo do processamento e industrialização do alumínio (iremos explicar sobre isso daqui a pouco).

As Estranhas Análises Publicadas da "Cunha de Alumínio de Aiud" no Site da "ASFAN Romênia"


Em um artigo publicado no site da ASFAN ("Asociatia pentru Studiul Fenomenelor Aerospatiale Neidentificate" ou "Associação para o Estudo de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados", em português), escrito por George Cohal, diretor executivo da própria ASFAN, foram apresentados novos resultados de análises, supostamente desse mesmo objeto.

No texto é mencionado que uma equipe, que incluía membros da ASFAN (George Cohal e Ion Nutu), assim como um homem chamado "Cristian Pompei", da revista "Lumea Misterelor" ("Mistérios do Mundo", em português) teria encontrado o objeto no depósito do Museu Nacional de História da Transilvânia, em Cluj-Napoca, em maio de 2007.

Na época, Viorica Crisan, então diretora desse mesmo museu, teria oferecido todos os esclarecimentos necessários, incluindo cópias de jornais, e algumas análises publicadas na internet. Contudo, infelizmente, devido a diversos fatores, entre eles devido ao museu estar passando por uma reforma, ela não pôde apresentar os documentos originais, nem mesmo os resultados das análises realizadas na década de 70. Curioso, não é mesmo?

Em um artigo publicado no site da ASFAN ("Associação para o Estudo de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados", em português), escrito por George Cohal, diretor executivo da própria ASFAN, foram apresentados novos resultados de análises, supostamente desse mesmo objeto
Anteriormente, o objeto teria sido a "estrela principal" de uma exposição no museu, mas foi retirado após algum tempo pela administração do museu daquela mesma época. A administração também teria recusado o pedido para exibir o objeto em uma exposição chamada "Ancient Aliens", na Alemanha, organizada por Erich von Daniken. Foi mencionado nessa ocasião, que alguns especialistas estimavam, através da avaliação da espessa camada de óxido de alumínio, que o objeto descoberto nos arredores de Aiud poderia ter a incrível idade de 250.000 anos.

De qualquer forma, a pedido dessa equipe mencionada no artigo, o objeto foi levado até Bucareste para ser analisado por dois métodos diferentes, que não foram mencionados no texto. Uma análise teria sido realizada pelo Departamento de Arqueometalurgia, do Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Física e Engenharia Nuclear, e teria apresentado o seguinte resultado: alumínio (80,5%), estanho (6,5%), cobre (6%), silício (4%), zinco (2%), chumbo (0,5%), antimônio (0,5%), além de vestígios de prata, níquel, manganês e ferro.

A segunda análise (não destrutiva) de um fragmento do "objeto de Aiud", realizado no Laboratório da Faculdade de Metalografia Física teria revelado 97,6% de alumínio, 2,4% de estanho e menos de 1% de outros elementos. Apesar de não ter sido mencionado, acredita-se que essa análise "não destrutiva" tenha sido uma espectrometria de fluorescência de raios-X (XRF). O índice de alumínio obviamente chama a atenção, porém SE o teste foi feito a partir da camada superficial de alumínio, o resultado poderia ter uma explicação racional, VISTO QUE, as ligas de alumínio são folheadas por alumínio puro para aumentar a resistência à corrosão.

A administração do museu também teria recusado o pedido para exibir o objeto em uma exposição chamada "Ancient Aliens", na Alemanha, organizada por Erich von Daniken. Foi mencionado nessa ocasião, que alguns especialistas estimavam, através da avaliação da espessa camada de óxido de alumínio, que o objeto descoberto nos arredores de Aiud poderia ter a incrível idade de 250.000 anos.
Em setembro de 2007, a equipe conseguiu se encontrar com o ufólogo Florin Gheorghita que, segundo o artigo, teria sido o primeiro a publicar essa história sobre o "objeto de alumínio". Entre outras coisas, ele teria dito que na década de 70, tinha sido obtida uma grande amostra do objeto, e enviada para algum lugar na Suíça para ser analisada. Os resultados deveriam guardados estar no museu em Cluj-Napoca, na Romênia. No entanto, posteriormente, Florin Gheorghita teria enviado para a equipe uma cópia dos resultados das análises realizadas na Romênia, por mais que não se encontre nenhuma cópia disponível publicamente na internet.

A primeira análise teria sido realizada pelo Centro de Pesquisa e Design de Metais Radioativos. O relatório de análise nº 334, da amostra identificada como "1975 A-CNST-Bucareste", apresentava o seguinte resultado: Al - 74.17%, Cu - 4.62%, Zn - 1.81% Pb - 0.11% Sn - 0.33% Ni - 0, 0024% Bi - 0.0003% Ag - 0.0002%, Co - 0.0023% Cd - 0.11% Zr - 0.20%. Traços de Ga, e Si presente. Alguns outros elementos também estavam presentes. O relatório teria sido assinado pelo chefe de departamento, o Dr. Ion Niederkorn, um engenheiro chamado St. Neciu, e um pesquisador sênior chamado M. Gradin.

A segunda análise teria sido realizada por esse mesmo mesmo centro. O relatório de análise nº 380, da amostra identificada como "NK-2", trazida pelo Dr. Ion Niederkorn, apresentava o seguinte resultado: Al - 92,74%, Si - 2,84%, Cu - 6,2%, Zn - 0,95% Pb - 0,41% Sn - 0,33% Ni - 0,002% Bi - 0,0003, Ag - 0,0002%, Co - 0,002% Cd - 0,055, Zr - 0,20%.

Em setembro de 2007, a equipe conseguiu se encontrar com o ufólogo Florin Gheorghita,
que segundo o artigo teria sido o primeiro a publicar essa história sobre o objeto de alumínio
O artigo ainda mencionava que engenheiros de uma companhia chamada "Alro", uma das maiores empresas de alumínio da Romênia e na Europa, localizada na cidade de Slatina, teriam examinado essas análises realizadas na década de 70, e não teriam conseguido identificar ligas de alumínio similares produzidas no mundo.

De qualquer forma, uma única coisa era certa: as diferenças gritantes nos resultados das análises do objeto desde sua suposta descoberta. Todavia, o artigo não conseguiu explicar a razão para isso.

Qual Seria a Razão Para Tanta Discussão a Respeito de um Objeto de Alumínio? Qual Seria a Suposta Ligação com Seres Extraterrestres?


Para muitos ufólogos e teóricos da conspiração, a "Cunha de Alumínio de Aiud" seria uma forte evidência de que seres extraterrestres teriam visitado o nosso planeta. A razão para isso? Bem, para compreender essa questão é necessário conhecer um pouco sobre algo tão comum em nosso dia a dia: o alumínio.

O alumínio por si só é um elemento um tanto irônico (ainda mais por ter o número atômico "13", um número bem controverso para algumas pessoas), visto que ele é o metal mais abundante na crosta terrestre (cerca de 8,2%), porém é raramente encontrado "livre" na natureza. Sua leveza, condutividade elétrica, resistência à corrosão e baixo ponto de fusão lhe conferem uma multiplicidade de aplicações, especialmente na engenharia aeronáutica. Entretanto, mesmo com o baixo custo em relação a sua reciclagem, o que aumenta sua vida útil e a estabilidade do seu valor, a elevada quantidade de energia necessária para a sua obtenção reduz o seu campo de aplicação, além das implicações ecológicas negativas no rejeito dos subprodutos do processo de reciclagem (estima-se que 8% do consumo anual de energia nos Estados Unidos seja utilizado para a produção de alumínio).

Hans Christian Oersted, um químico dinamarquês,
foi o primeiro a produzir pequenas quantidades de alumínio
Os cientistas suspeitavam sobre a existência de um metal desconhecido no "alume" desde 1787, porém os cientistas não tinham um método para extrair esse metal até 1825. Nesse ponto vale ressaltar, que o termo "alume", em sua origem, se referia especificamente ao sulfato duplo de potássio e alumínio dodeca-hidratado, popularmente conhecido como "pedra-ume". Os antigos gregos e romanos já o utilizavam como adstringente e fixador para tinturaria.

Hans Christian Oersted, um químico dinamarquês, foi o primeiro a produzir pequenas quantidades de alumínio. Dois anos mais tarde, Friedrich Wöhler, um químico alemão, desenvolveu uma maneira diferente para obter alumínio. Em 1845, ele foi capaz de produzir grandes amostras de alumínio, o suficiente para determinar algumas das propriedades básicas desse metal.  O método de Wöhler foi aperfeiçoado em 1854 por Henri Étienne Sainte-Claire Deville, um químico francês. O processo de Deville permitiu a produção comercial de alumínio. Como resultado, o preço do alumínio caiu de cerca de US$ 1200 por quilo em 1852, para cerca de "apenas" US$ 40 por quilo em 1859. Infelizmente, no entanto, o alumínio permanecia demasiadamente caro para ser amplamente utilizado.

Dois acontecimentos importantes na década de 1880 fizeram aumentar consideravelmente a disponibilidade de alumínio. O primeiro foi a invenção de um novo processo para a obtenção de alumínio, a partir do óxido de alumínio. Charles Martin Hall, um químico americano, e Paul L. T. Héroult, um químico francês, inventaram separadamente esse processo em 1886. A segunda foi a invenção de um novo processo que poderia baratear a obtenção de óxido de alumínio a partir da bauxita. A bauxita é um minério que contém uma grande quantidade de hidróxido de alumínio, juntamente com outros compostos. Karl Joseph Bayer, um químico austríaco, desenvolveu esse processo em 1888. Os processos criados por Hall-Héroult e Bayer ainda são utilizados até hoje para produzir quase todo o alumínio que temos no mundo. Para saber mais detalhes de como o alumínio é produzido, basta clicar aqui.

Contando com uma maneira fácil de extrair alumínio a partir de óxido de alumínio, e uma maneira fácil de extrair grandes quantidades de óxido de alumínio a partir da bauxita, a era do alumínio a um custo baixo tinha começado. Em 1888, Hall fundou a "Pittsburgh Reduction Company", que atualmente é conhecida como a "Aluminum Company of America", ou "Alcoa". Quando foi fundada, sua empresa conseguia produzir cerca de 25 kg de alumínio por dia. Em 1909, sua empresa estava produzindo cerca de 41.000 quilos de alumínio por dia. Como resultado desse grande aumento da oferta, o preço do alumínio caiu rapidamente para cerca de US$ 0,60 por quilo. Assim sendo, no passado, o alumínio foi tão ou mais valioso que o ouro, e hoje em dia ele é utilizado desde utensílios de cozinha até partes de aeronaves ou foguetes.

A bauxita é um minério que contém uma grande quantidade de hidróxido de alumínio, juntamente com outros compostos. Karl Joseph Bayer, um químico austríaco, desenvolveu esse processo em 1888. Os processos criados por Hall-Héroult e Bayer ainda são utilizados até hoje para produzir quase todo o alumínio que temos no mundo.
Resumindo, o alumínio metálico não existia antes de 1825, e custa relativamente caro (em termos de consumo de energia elétrica) isolá-lo, por isso o processo de reciclagem é tão importante. A reciclagem da sucata de alumínio exige somente 5% da energia empregada para a produção do alumínio primário, sendo que o alumínio pode ser reciclado infinitamente com 100% de eficiência, ou seja, não perde nenhuma das suas propriedades naturais no processo de reciclagem.

Agora que você conhece um pouco sobre a história do alumínio, vai conseguir entender o porquê muitos ufólogos e teóricos da conspiração acreditam que esse objeto faria supostamente parte de um "OVNI" (no sentido explícito de ser uma "nave extraterrestre"). Se a idade do objeto seria de no mínimo 300 anos, isso seria bem antes da humanidade começar a obter o alumínio metálico, ou seja, somando isso ao "design inteligente" do objeto, o mesmo só poderia ser proveniente de uma civilização extraterrestre.

Para reforçar essa teoria, uma vez que o alumínio oxida na presença do oxigênio, a espessa camada oxidada do objeto seria mais uma prova de uma ação prolongada do oxigênio (ao longo de alguns milhares de anos), o que resultaria em um objeto muito antigo. Isso, é claro, na visão dessas pessoas.

Existe Algo "Alienígena" na Composição da "Cunha de Alumínio de Aiud"? O Que Poderia Ser Esse Objeto?


É necessário que você saiba que nenhum dos elementos encontrados nas mais diversas análises são realmente raros na Terra, e todos, com exceção do gálio, que é quase impossível de remover completamente do alumínio, são utilizados na criação de uma grande variedade de ligas de alumínio. É a espessura da oxidação, e principalmente a profundidade a que a "cunha" foi encontrada, juntamente com supostos "ossos de mastodonte" (ou "ossos de rinoceronte", segundo algumas versões), que fazem toda essa história um tanto quanto intrigante.

Na maioria das análises, os três elementos principais da "cunha" são alumínio, cobre e silício (Al-Cu-Si), e por mais que tenhamos inúmeras ligas de alumínio, as ligas de "Al-Cu-Si" são uma das mais populares em uma fundição onde seja necessária a alta resistência. Bismuto, chumbo e cádmio são adicionados para aumentar a usinabilidade.

Assim sendo, essa liga claramente faria parte da série 2000 de alumínio (também conhecida como duralumínio), onde o cobre adiciona uma maior resistência e o silício aumenta a dureza, conferindo uma maior integridade ao processo de fundição das peças envolvidas. Quando tratada termicamente, essa liga pode ser superior aço leve em relação à dureza. Curiosamente, porém, os fabricantes destacam que, as aplicações mais comuns para as ligas de alumínio da série 2000 estão nos setores aeroespacial, de veículos militares e de aletas para foguetes.

Assim sendo, essa liga claramente faria parte da série 2000 de alumínio (também conhecida como duralumínio), onde o cobre adiciona uma maior resistência e o silício aumenta a dureza, conferindo uma maior integridade ao processo de fundição das peças envolvidas
O cobre na liga de alumínio tende a segregar na borda dos grãos, fazendo com que surjam potenciais locais galvânicos, e aumente a tendência à corrosão. Em outras palavras, a liga "Al-Cu-Si" tende a possuir a menor resistência à corrosão entre as demais ligas de alumínio, o que significa que a camada oxidada pode não dar uma estimativa precisa em relação a idade do objeto.

Em outras palavras, a liga "Al-Cu-Si" tende a possuir a menor resistência à corrosão entre as demais ligas de alumínio, o que significa que a camada oxidada pode não dar uma estimativa precisa em relação a idade do objeto
Entretanto, será que civilizações antigas poderiam ter encontrado uma forma de produzir alumínio, uma vez que eles tinham conhecimento do aço? Existem quaisquer formas de alumínio na natureza, que poderiam ser aproveitadas, uma vez que existem formas nativas de ouro, prata ou cobre? Bem, a primeira pergunta é a mais fácil de responder, visto que não existem outros artefatos antigos, que sejam autênticos, é claro, que sejam feitos de alumínio metálico, quer sejam moedas, coroas, ou martelos. Já em relação a segunda pergunta, existem documentos revisados por pares, que relatam o "alumínio nativo" sendo encontrado em locais "exóticos", ou seja, o alumínio é atualmente aceito por geólogos como um mineral. Contudo, esses locais sempre estão associados a ambientes extremos e livres de oxigênio, assim como nas fontes no fundo dos oceanos ou através de ação vulcânica.

Então, apesar do alumínio ser raramente encontrado na natureza, as civilizações antigas não teriam capacidade de isolá-lo. Aparentemente, a hipótese "extraterrestre" ganharia força diante desse cenário, mas a história não é bem assim. Vamos supor que o artefato tenha sido realmente encontrado no fundo de uma escavação, e não simplesmente "plantado no local" por farsantes. Como ele foi parar lá? É justamente o local que a "cunha" foi encontrada, que fornece uma importante pista. Será que existiria "algo mundano", em que o alumínio de alta resistência fosse utilizado, e pudesse ser encontrado ao fundo de uma escavação, não importando quão fosse profunda? A resposta é sim.

Em uma rápida pesquisa no Google em relação a imagens semelhantes, é possível notar que os dentes para caçamba de retroescavadeiras são muitos ao objeto em questão. Esses "dentes" são usados tanto para proteger a caçamba de escavação contra danos, assim como aumentar a eficiência da operação da retroescavadeira. Geralmente eles são feitos de aço carbono, o que nos levaria a uma resposta improvável para esse mistério, exceto, é claro, que também fossem fabricados em alumínio.

Em uma rápida pesquisa no Google em relação a imagens semelhantes, é possível notar os dentes para caçamba de retroescavadeira são muitos ao objeto em questão. Eles são usados tanto para proteger a caçamba de escavação contra danos, assim como aumentar a eficiência da operação da retroescavadeira
Os dentes para caçamba de retroescavadeira em alumínio são geralmente utilizados para reduzir o risco de explosão e incêndio ao escavar em ambientes voláteis, assim como minas de carvão, pântanos, terrenos alagados ou ao redor de gases ou vapores inflamáveis. E, por mais que o número total de "ambientes voláteis" na Romênia não possa ser calculado com precisão, muitas minas de carvão foram fechadas nos últimos anos devido à queda do Comunismo e adesão à União Europeia (UE).

Algumas áreas de mineração de carvão presentes na Romênia.
Por mais que o número total de "ambientes voláteis" na Romênia não possa ser calculado com precisão, muitas minas de carvão foram fechadas nos últimos anos devido à queda do Comunismo e adesão à União Europeia (UE)
Então, é possível imaginar que uma retroescavadeira, que tinha sido utilizada na mineração de carvão ou na transferência de carvão, tenha sido utilizada para escavar a areia na margem do rio Mures ou até mesmo um "poço de areia". E se a "cunha de alumínio"/"dente" simplesmente se soltasse da caçamba da retroescavadeira, que estivesse cavando um buraco? E se alguém que não estivesse familiarizado com a manutenção de retroescavadeiras tivesse encontrado o objeto na areia? Pois é, existe uma grande possibilidade que isso tenha ocorrido.

Outras sugestões, é claro, já foram apontadas nessa postagem, tais como "parte do trem de pouso" uma aeronave utilizada pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial (Messerschnmitt ME 262) ou até mesmo de um satélite espacial secreto (opinião de Nigel Watson, autor do livro 'UFO Investigations Manual' ('Manual de Investigação de OVNIs', em português).

Outras sugestões, é claro, já foram apontadas nessa postagem, tais como "parte do trem de pouso" uma aeronave utilizada pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial (Messerschnmitt ME 262) ou até mesmo de um satélite espacial secreto (opinião de Nigel Watson, autor do livro 'UFO Investigations Manual' ('Manual de Investigação de OVNIs', em português)
A parte mais interessante, no entanto, é que ninguém até hoje quis realizar uma verdadeira datação do respectivo objeto, independentemente de qual fosse o método, ou seja, nunca foi realizado nenhum estudo sério e realmente arqueológico da "Cunha de Alumínio de Aiud". Por que será, não é mesmo?

Assim sendo, só nos resta especular sobre quais seriam as possíveis explicações, para tentar entender os números tão diferentes das supostas análises, que teriam sido realizadas ao longo do tempo.

Algumas Possíveis Explicações para a "Cunha de Alumínio de Aiud"


Vamos enumerar algumas possíveis explicações para os resultados tão diferentes, e que estariam relacionados as análises da "Cunha de Alumínio de Aiud", visto que até hoje ninguém conseguiu explicá-las.

1) Uma Péssima Qualidade de Fabricação Levou a Diferentes Concentrações de Ligas de Alumínio em Diferentes Partes do Objeto


A "cunha" em si não é simétrica, mesmo se levarmos em consideração um eventual desgaste da peça. O objeto aparenta ser sido proveniente de um molde totalmente negligente. Basta notar que o orifício da "cunha" está fora do centro da peça. Os "braços" também possuem diferentes comprimentos. Se a fundição foi realizada a partir de alumínio reciclado, então o processo pode ter sido imperfeito, deixando diferentes concentrações de alumínio em diferentes partes do molde.

A "cunha" em si não é simétrica, mesmo se levarmos em consideração um eventual desgaste da peça.
O objeto aparenta ser sido proveniente de um molde totalmente negligente
Se isso estivesse sendo produzido em massa, como parte de um conjunto de dentes para caçamba de retroescavadeiras, então isso seria compreensível. Precisaria de cobre e silício para aumentar a resistência, além de chumbo, zinco e cádmio para melhorar a usinabilidade, enquanto que outros metais podem ter aparecido como "contaminantes" do processo de reciclagem. Fabricado de forma extremamente barata, o dente se desgastaria rapidamente, e seria descartado após um curto período de tempo.

2) Os Extraterrestres Fabricaram um "Alumínio Mágico", que Muda sua Composição Todo Dia


Os extraterrestes são as "fadas" do século 21. Qualquer coisa que não pode ser compreendida usando o nosso "conhecimento tradicional", e o "senso comum" provavelmente está relacionada a extraterrestres. Nossos ancentrais, por exemplo, enxergaram a pedra como um material de construção devido a necessidade que tiveram, porém, como eles construíram tanta coisa complexa naquela época? Devem ter sido os extraterrestres. A extinção dos dinossauros? Dinossauros reinaram por milhões de anos, não é possível que tenham sido mortos por alterações climáticas. Então, devem ter sido os extraterrestres. Os últimos mamutes da Terra morreram no norte da Rússia, ao mesmo tempo que as pirâmides estavam sendo construídas. Pirâmides? Mamutes? Bem, isso obviamente seria obra dos extraterrestes, não é mesmo?

Qual parte da história da "Cunha de Alumínio de Aiud" realmente podemos dizer que está relacionada aos extraterrestes? Apenas o local onde supostamente o objeto foi encontrado é mencionado, visto que há pouquíssima informação, e nenhuma documentação sobre o objeto. Ainda que fosse encontrado no fundo de uma escavação, o mesmo assemelha-se estreitamente a uma peça de equipamento de escavação. Porém, no século 21 procuramos respostas para tudo, e quando não temos, existe a Wikipedia. Agora, quando nem mesmo a Wikipedia, com seus resultados imprecisos consegue nos ajudar a obter uma resposta, bem, com certeza deve estar relacionado a extraterrestres.

No século 21 procuramos respostas para tudo, e quando não temos, existe a Wikipedia. Agora, quando nem mesmo a Wikipedia, com seus resultados imprecisos consegue nos ajudar a obter uma resposta, bem, com certeza deve estar relacionado a extraterrestres
Pense nas palavras de Sócrates: "A verdadeira sabedoria vem a cada um de nós, quando nos damos conta de quão pouco sabemos sobre a vida, a nós mesmos, e ao mundo que nos rodeia". Talvez Sócrates, e seu conhecimento da sabedoria antes da hora certa, fosse extraterrestre. Melhor do que isso, poderíamos citar Carl Sagan ao dizer "Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias" ou a pérola proferida pelo ex-primeiro ministro canadense Jean Chrétien, quando disse: "A prova é uma prova. Que tipo de prova? É uma prova. A prova é uma prova. E quando você tem uma boa prova, é porque está provado". Talvez até mesmo Clarice Lispector fosse extraterrestre.

Observação Importante: Antes que isso seja interpretado de forma incorreta, obviamente esse segundo ponto foi apenas uma sátira em relação a imposição constante sobre extraterrestres.

3) Os Fatos não são Consistentes. As Análises não são Consistentes. Não Existe Nenhuma Documentação Disponível Relacionada ao Objeto, Assim Como Não Existe Nenhuma Evidência Arqueológica


Toda essa história seria uma grande farsa. A "Cunha de Alumínio de Aiud" teria sido encontrada pelo que os fortianos chamariam de "FOAF" ("Um Amigo de um Amigo", em português, um termo usado para dar credibilidade a uma história). Basicamente, isso seria melhor do que dizer "uma pessoa sem nome, que eu não conheço". O termo foi cunhado por Rodney Dale em "The Tumour in the Whale: A Collection of Modern Myths" (1978). Enfim, vale lembrar que os relatórios originais das análises realizados das ligas de alumínio não existem ou não estão disponíveis publicamente na internet.

Toda essa história seria uma grande farsa. A "Cunha de Alumínio de Aiud" teria sido encontrada pelo que os fortianos chamariam de "FOAF" ("Um Amigo de um Amigo", em português, um termo usado para dar credibilidade a uma história)
Aliás, onde estão ossos de "mastodonte" ou de "rinoceronte-peludo", que teriam sido encontrados juntamente com o objeto? Eles foram realmente datados? Onde está a respectiva análise? Onde estão as fotos e os registros científicos desses ossos? Já parou para pensar que todas as análises podem ter sido inventadas ou realizadas em cima de sucata?. Além disso, a "liga incomum de alumínio" foi encontrada próxima de um local de fundição de metais.

4) Incompetência


As amostras não pertenceriam ao mesmo metal ou as análises foram falhas. Contudo, se elas apresentaram problemas. o que poderíamos fazer para seguirmos em direção ao caminho correto? No mundo ocidental, testes "Spark-OES" estão disponíveis desde a Segunda Guerra Mundial e costumam ser precisos (quando devidamente calibrados) em partes por milhão. Portanto, testes recentes seriam igualmente precisos em relação aqueles realizados em 1975.

Muitos tipos de testes estão disponíveis atualmente, e todos são bem precisos quando interpretados de forma correta. Infelizmente, o fator incompetência ronda as análises realizadas, principalmente em relação a determinados "especialistas", particularmente aquelas análises que não são revisadas por partes. Nesse caso, os especialistas citados, se é que eles realmente existiram, demonstraram uma evidente falta de compreensão sobre o processo de corrosão, e acabaram levantando dúvidas sobre a competência de todos aqueles envolvidos nas análises referentes a "Cunha de Alumínio de Aiud".

5) Existe Mais de Uma "Cunha de Alumínio de Aiud": Poderia Ser uma Cópia Realizada pelo Museu ou Até Mesmo Outro Objeto Semelhante que Tenha Sido "Encontrado"


Museus geralmente fazem cópias de artefatos, que são armazenados em cofres, para proteger de maneira mais adequada os originais. O artefato, mais especificamente sua documentação, pode ter sido perdida pelo museu, embora estivesse "em reforma" em 2007. Quem sabe o artefato tenha sido encontrado somente recentemente, embora sua documentação estivesse igualmente perdida? Quem sabe a "cunha" não foi "encontrada", mas substituído por uma cópia - fosse ela fabricada ou simplesmente retirada de um antigo estoque de dentes para caçamba de retroescavdeira, que certamente existia quando a "cunha" foi encontrada?

Aliás, quem sabe se o museu perdeu o objeto original e realizou testes metalúrgicos em uma cópia? Pois é, esse é um caso de muitas perguntas, e poucas respostas. Porém, a hipótese menos provável entre as raras respostas confiáveis que temos, é que objeto seja de origem extraterrestre. É curioso observar, que diante de tantas lacunas (que os próprios ufólogos e teóricos da conspiração criaram ao não analisarem devidamente o objeto), que a hipótese extraterrestre tenha acabado se tornando a menos provável, muito embora, aparentemente, não fosse exatamente isso que estavam planejando. Respire fundo, e vamos aos comentários finais de mais essa postagem.

Comentários Finais


Existem tanto detalhes que não são mencionados sobre esse caso, e os que existem sequer podem ser comprovados ou taxados como verdadeiros, que nem sei por onde começar. No entanto, convido vocês a refletirem e quem sabe tentar encontrar e responder as seguintes perguntas: Onde estão os "ossos de mastodonte" ou "rinoceronte-peludo", que foram supostamente encontrados com o objeto? Onde estão as análises atestando tais alegações? Quem encontrou a "Cunha de Alumínio de Aiud"? Qual foi o local exato da descoberta? Quais foram os arqueólogos que registraram essa descoberta? Onde o registro dessa descoberta foi catalogado e arquivado? Quais são os arqueólogos que atualmente consideram o objeto como um autêntico artefato antigo? Quem era o homem conhecido por "Dr. Ion Niederkorn", no qual só encontramos referências relacionadas ao objeto de Aiud? Quais foram os métodos utilizados para a análise do objeto? Onde estão os documentos originais contendo os resultados das análises? Até onde sabemos essa "descoberta" não foi noticiada a partir de um arqueólogo ou um instituto de Arqueologia, mas a partir de um ufólogo. Portanto, temos um evidente conflito de interesses aqui, não acham? Se eu digo para as pessoas que acredito em extraterrestres, e divulgo a descoberta de um objeto, que eu alego ser de origem extraterrestre devido a supostas análises em laboratório, que eu mesmo escolhi, e sem permitir que o mesmo fosse analisado por demais laboratórios e arqueólogos renomados por suas pesquisas ao redor do mundo, isso não seria no mínimo suspeito?

Ufólogos, assim como qualquer outro profissional, estudioso ou meramente um redator, não possuem uma reputação inabalável, e não podem ficar dizendo o tempo todo que são perseguidos por pessoas que não querem que as "verdades sejam expostas". Isso é uma espécie de vitimismo digno de um programa dominical. Curiosamente, esse tipo de atitude acontece de maneira endêmica nesse meio, assim como na "pseudoarqueologia", a partir de alegações fantásticas, que possuem tão somente provas medíocres. O mundo está recheado de falsos relatos de avistamentos, de supostos contatos com extraterrestres e para piorar essa situação, está repleto de supostas análises de objetos e materiais, que essas mesmas pessoas tentam fazer você acreditar. O objetivo, talvez, seja para que você pague por inscrições em palestras, comprem livros dessas pessoas ou então acreditem em suas fotos de má qualidade tiradas por celular. Em alguns casos, as próprias pessoas que descobrem objetos ou determinados "fenômenos" estão diretamente envolvidas nas análises realizadas. Imaginem se uma empresa é acusada de fraude em relação a um produto, e ela o envia para ser analisado em um laboratório, escolhido por ela própria, e o resultado diz que o produto é seguro para consumo. Você acreditaria nisso? Pois é, o correto seria que o produto fosse analisado por diversos laboratórios sérios e renomados. Além disso, a reputação de quem analisa e valida os resultados também deveria ser levado em consideração.

No caso da "Cunha de Alumínio de Aiud" temos apenas uma "história fantástica" cercada de achismos, de desculpas esfarrapadas, e de análises totalmente questionáveis. Infelizmente, é tão somente isso que temos para contar para vocês. Sei que algumas pessoas reclamam que as matérias que escrevo são muito longas, mas isso é necessário, e sabe porquê? Muitas pessoas dizem que leram a matéria, quando na verdade nem mesmo perceberam que fui eu, Marco Faustino, quem a escreveu. Não me importo em receber o crédito pelo que escrevo, mas isso demonstra que a leitura dessas pessoas não foi tão boa quanto elas acreditam que tenha sido. Isso me faz questionar: O que será que essa pessoa realmente leu em relação ao que foi escrito? Será que ela entendeu exatamente o que se pretendia mostrar? Não sei, mas fico na esperança que essa pessoa tenha compreendido, e se torne uma pessoa mais apta a questionar de maneira saudável, com seriedade, pesquisa, ponderando sobre as informações que são divulgadas pelos sites de notícias. Não sou o centro da verdade, assim como a Terra não é o centro do universo, assim como pretensos ufólogos estão longe de terem razão sobre esse objeto, que poderia ser tão somente um dente para caçambas de retroescavadeiras. Geralmente, quando você começa a cavar sobre uma determinada história, mais detalhes interessantes surgem, porém isso não se aplica a esse caso. Rapidamente chegamos a uma camada dura, bem espessa, uma mistura de incompetência, falta de conhecimento e ética profissional, de proporções desconhecidas, e não necessariamente nessa mesma ordem.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://education.jlab.org/itselemental/ele013.html
http://hilblairious.blogspot.com.br/2014/12/aluminum-aliens-and-gear-they-left.html
http://listverse.com/2007/10/01/top-10-out-of-place-artefacts/
http://rationalwiki.org/wiki/Wedge_of_Aiud
http://s8int.com/page29.html
http://ufologie.patrickgross.org/ce3/1978-09-23-romania-bielalake.htm
http://www.abovetopsecret.com/forum/thread661940/pg14
http://www.asfanufo.ro/index.php/articles/190-a-strange-aluminium-shoe
http://www.factfictionandconjecture.ca/files/aluminum_wedge_of_aiud.html
http://www.hydro.com/pt/A-Hydro-no-Brasil/Sobre-o-aluminio/como-aluminio-e-produzido/
http://www.infoescola.com/elementos-quimicos/aluminio/
http://www.rufon.org/forum/arheologie-astronautica-antica/extraterestrii-au-pierdut-ceva-la-aiud/15/?PHPSESSID=ka6ajouek84fisi78tqggjqj13
http://www.sciences-fictions-histoires.com/blog/preuves-autre-histoire/le-mysterieux-artefact-de-aiud.html
http://www.thelivingmoon.com/46ats_members/Lisa2012/03files/Object_Made_of_Aluminum_from_Aiud.html
http://www.xraymachines.info/article/467018767/aluminum-aliens-8-the-alloy-tests-of-aiud/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alumínio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alume
https://pt.wikipedia.org/wiki/Duralumínio
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