25 de setembro de 2016

O Caso "La Pascualita": Será Verdade que o "Manequim" de uma Loja Mexicana é uma "Noiva Embalsamada"?

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Por Marco Faustino

Sinceramente? Essa era uma matéria que eu gostaria de ter feito no ano passado devido ao volume de pedidos de vocês, porém devido a quantidade de notícias, e assuntos que foram surgindo no decorrer do tempo, esse caso acabou ficando meio que perdido em meio a tanto trabalho. No entanto, o caso "La Pascualita" ganhou um novo fôlego, no dia 2 de setembro, uma sexta-feira, ao ser abordado pelo programa "A Tarde é Sua", da Rede TV, que é conduzido pela apresentadora e jornalista Sônia Abrão. No dia em que esse assunto foi abordado, ao seu lado estavam o Jorge Lordello, especialista, escritor, palestrante e apresentador do programa "Operação de Risco", da mesma emissora, e a sensitiva Márcia Fernandes. Durante praticamente uma hora, excluindo, é claro, os intervalos comerciais e as inserções realizadas durante o programa, o jornalista Edie Polo, juntamente com toda uma equipe de reportagem, entrou ao vivo, na em uma loja de vestidos de noivas chamada "La Popular", na cidade mexicana de Chihuahua, para mostrar imagens de um "polêmico manequim" chamado "La Pascualita". A razão da "polêmica"? Bem, reza a lenda que na loja não se encontra simplesmente um manequim comum, mas que seria o corpo embalsamado da filha da antiga proprietária da loja. Estranho, não é mesmo? Vocês podem conferir esse programa em questão, que foi publicado em um canal de terceiros no Youtube, simplesmente clicando aqui. Curiosamente, esse assunto já tinha sido abordado há dois anos, nesse mesmo programa, mais precisamente em 22 de setembro de 2014.

A "La Pascualita" seria responsável por uma série de "milagres" ao longo do tempo, e muitas pessoas dizem que já teriam visto o "manequim" suando, movendo os olhos e a boca, sorrindo e até mesmo andando pelas ruas da cidade de Chihuahua, no México, onde a loja em que ela se encontra desde 1930. Contudo, não pensem que a "La Pascualita" seria um manequim comum. Ela possui olhos vívidos, e fissuras na "pele de seu corpo" e em suas "mãos" como se fossem realmente de um ser humano, de uma mulher de verdade. Seu cabelo e cílios nem mesmo seriam sintéticos, mas naturais. Apenas uma pessoa teria autorização para trocar seu vestido e cuidar de sua aparência, que requer cuidados especiais. Dizia-se antigamente que seu cabelo, por exemplo, era lavado com xampu. Além disso, a cada troca de roupa a vitrine é coberta com um pano escuro para que as pessoas não vejam os detalhes mais íntimos de seu corpo. O motivo? Conforme dissemos anteriormente, popularmente acredita-se que a "La Pascualita" seja o corpo embalsamado da filha da antiga proprietária da loja. A razão pela qual ela teria sido "eternizada", na forma de um "manequim" é porque ela teria morrido de uma maneira muito trágica: vítima da picada de uma aranha viúva negra (algumas versões mencionam um escorpião), justamente no dia do seu casamento. Contudo, será que toda essa história é realmente verdade? Estaríamos mesmo diante do cadáver de uma pessoa? Vamos saber mais sobre esse assunto?

A Localização da Loja "La Popular"


A "La Pascualita" atualmente encontra-se na vitrine de uma loja chamada "La Popular: La Casa De Pascualita", na rua C. Guadalupe Victoria nº 801, no centro histórico da cidade de Chihuahua, no México. Durante o programa da RedeTV foi mencionado, que a rua onde a loja está localizada seria como se fosse a "rua da noivas", uma vez que teríamos "uma loja em seguida da outra", e todas relacionadas a venda de vestidos de noiva.

A "La Pascualita" atualmente encontra-se na vitrine de uma loja chamada "La Popular: La Casa De Pascualita", na rua C. Guadalupe Victoria nº 801, no centro da cidade de Chihuahua, no México
Imagem do Google Maps mostrando a localização da loja  "La Popular: La Casa De Pascualita",
no centro da cidade de Chihuahua, bem próxima da Catedral Metropolitana de Chihuahua
Na minha mente logo veio a antiga imagem da rua Oscar Freire, no bairro Cerqueira César, situado na região nobre de São Paulo, na região conhecida como Jardins. Para quem não é de São Paulo, houve um tempo que essa rua abrigava diversas lojas de grifes internacionais, praticamente uma em seguida da outra, ou seja, era uma referência comercial extremamente valorizada. Com a chegada de novos centros comerciais (shoppings) mais luxosos na capital, no entanto, essas lojas acabaram migrando, e os antigos espaços foram preenchidos por marcas nacionais, que tentam sustentar o "ar requintado" da mesma com a instalação de lojas-conceito (ou flagship stores, que proporcionam um ambiente de aproximação entre marca e cliente, além de configurar tendência do mercado contemporâneo). Contudo, não é bem isso que acontece em Chihuahua.

Em uma rápida consulta no Google Maps, utilizando mapas datados entre setembro de 2014 e dezembro de 2015, é possível perceber que não há nenhuma "loja de vestidos de noiva" próxima da "La Popular", pelo menos não em relação aquele trecho da rua C. Guadalupe Victoria. Entretanto, a "La Popular" está localizada em uma esquina, ou seja, se encontra no cruzamento da avenida Melchor Ocampo e da rua C. Guadalupe Victoria. Nesse caso, é possível encontrar pelo menos quatro lojas de vestidos de noiva em um trecho considerável da avenida Melchor Ocampo, porém não são tão próximas umas das outras. É possível que no passado essa situação fosse uma pouco diferente, mas de qualquer forma, a "La Popular" visualmente continua sendo a maior loja desse segmento na cidade de Chihuahua, em virtude, principalmente, de sua maior estrela: "La Pascualita".

Fachadas de algumas poucas lojas de vestidos de noiva na avenida Major Ocampo. É possível que no passado essa situação fosse uma pouco diferente, mas de qualquer forma, a "La Popular" visualmente continua sendo a maior loja desse segmento na cidade de Chihuahua, em virtude, principalmente, de sua maior estrela: "La Pascualita".
Nesse ponto é interessante comentar rapidamente sobre a cidade Chihuahua, que é a capital do estado de mesmo nome, no México. Aliás, Chihuahua não é apenas um dos 31 estados, que juntamente com a cidade do México (formando assim 32 entidades federativas), compõe o o mosaico federativo mexicano. Pelo contrário, Chihuahua é o maior estado mexicano em relação a extensão territorial, ocupando uma área superior a 247.000 km², além de dividir sua fronteira, ao norte, com os Estados Unidos.

Apesar de muito provavelmente você conhecer esse nome devido a uma raça de cachorro, a teoria mais aceita para o nome "Chihuahua", ao menos em relação ao México, é que nome seja derivado da língua Nahuatl, que ainda é falada por muitos povos Nahua, cujo significado é: "o local onde as águas dos rios se encontram". Os povos Nahua ainda habitam algumas áreas do México e da América Central.

Chihuahua é o maior estado mexicano em relação a extensão territorial, ocupando uma área superior a 247.000 km², além de dividir sua fronteira, ao norte, com os Estados Unidos.
De acordo com o último censo realizado em 2013, a cidade de Chihuahua possuía quase 1 milhão de habitantes, e está localizada a cerca de 1.500 km de distância da cidade do México, capital do México. Uma vez que a cidade fica próxima da fronteira dos Estados Unidos, a mesma ainda sofre com a influência do cartel de drogas mexicano, e inclusive já esteve no topo lista das cidades mexicanas com maior índice de homicídios por diversos anos consecutivos.

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre a cidade de Chihuahua e a cidade do México
Foto da Catedral Metropolitana de Chihuahua (imagem superior) e a foto do monumento chamado "Anjo da Liberdade", também conhecido como "Anjo da Independência" com a Igreja de São Francisco de Assis ao fundo (imagem inferior)
A economia da cidade é predominantemente baseada nas indústrias, sendo considerada uma das localidades mais industrializadas do país. A cidade também é rica no âmbito do turismo, uma vez que a mesma respira história através de monumentos e edifícios históricos. Enfim, é basicamente isso.

A História de um Manequim Chamado "La Pascualita" ou "La Chonita"


Conta-se que em 25 de março, dia de Nossa Senhora da Encarnação, de 1930, chegou até a cidade de Chihuahua, mais precisamente na loja "La Popular: La Casa De Pascualita", um manequim que deixaria toda a população local espantada, por ter um semblante vívido e uma incrível semelhança com a então proprietária da loja, a senhora Pascualita Esparza Perales de Pérez, assim como sua irmã "Cuca". Havia também uma certa influência causada por diversos filmes de suspense, que eram lançados naquela época.

Então, as pessoas começaram a dizer que o manequim era o corpo embalsamado de uma suposta filha de Pascualita. Na época, ela não chegou a negar essa versão, que acabou sendo publicada e disseminada pelos jornais da cidade. É possível imaginar que o caso, com certeza, era a principal atração da mídia impressa daquele ano. Aliás, originalmente o manequim foi apelidado de "Chonita", justamente por ter chegado no dia em que é celebrada as festividades em homenagem a Nossa Senhora da Encarnação.

Conta-se que em 25 de março, dia de Nossa Senhora da Encarnação, de 1930, chegou até a cidade de Chihuahua, mais precisamente na loja "La Popular: La Casa De Pascualita", um manequim que deixaria toda a população local espantada
Imagino que vocês não estejam entendendo a relação de "Chonita" com Nossa Senhora da Encarnação, não é mesmo? Porém, vou explicar para vocês. No México, a palavra "Chonita" é usada para se referir as mulheres que se chamam "Encarnación" ("Encarnação", em português), uma espécie de apelido. O mesmo vale, por exemplo, para "Mary" em relação as mulheres que se chamam Maria, ou então "Conchita" para aquelas que se chamam "Concepción". No caso dos homens, por exemplo, temos "Pépe" para quem se chama "José", e "Quique" para que se chama "Enrique". O nome "Encarnación" para é usado para homens, mas nesse caso o "apelido carinhoso" é "Chón".

Vale ressaltar também, que antigamente no México, costumava-se colocar nas crianças certos nomes de santos ou santas, devido a data de nascimento delas coincidir com a data comemorativa dos(as) mesmos(as). Assim sendo, o manequim era originalmente chamado de "La Chonita", que é uma espécie de apelido de "Encarnación", por ter chegado na cidade de Chiahuahua no mesmo dia em que se homenageava Nossa Senhora da Encarnação, entenderam?

No México, a palavra "Chonita" é usada para se referir as mulheres
que se chamam "Encarnación" ("Encarnação", em português), uma espécie de apelido
Logo a "La Chonita" (devido a Nossa Senhora da Encarnação)  ou "La Pascualita" (devido a semelhança com a proprietária na época) começou a atrair multidões de todas as partes da cidade e do estado, que se aglomeravam em frente a loja "La Popular" para analisar cada detalhe do manequim. De uma mera figura estática de uma loja de vestidos de noiva, a mesma passou a ser contemplada como uma verdadeira obra de arte. Em algumas ocasiões, o número de pessoas era tão grande que interrompia o trânsito da rua Liberdade, local onde a loja "La Popular" começou as suas atividades, e bem próximo do local onde atualmente a loja se encontra.

As pessoas começaram a dizer que o manequim era o corpo embalsamado de uma suposta filha de Pascualita. Na época, a Sra. Pascualita Esparza não chegou a negar essa versão, que acabou sendo publicada e disseminada pelos jornais da cidade.
O fascínio, no entanto, rapidamente deu lugar ao medo e a indignação de muitos moradores que ligavam para a polícia e até mesmo para a loja, para dizer que o manequim ia contra a moral e os bons costumes, e que era completamente errado deixar o que muitos consideravam como o "corpo embalsamado de uma pessoa" exposto na vitrine de uma loja, ainda mais uma que vendia vestidos de noiva.

Muitos chegavam a entrar na loja, e certa vez, por descuido, uma dessas pessoas cravou as unhas no rosto do manequim, deixando uma marca que duraria por décadas. Devido a toda essa confusão que acabou sendo criada, a senhora Pascualita Esparza decidiu dizer publicamente que a "La Chonita" era apenas um manequim, e que não era um corpo embalsamado.

O problema é que já era tarde demais, visto que as pessoas sempre acreditam no que elas querem. Não é a toa que essa história é contada até os dias de hoje. É importante destacar também, que a loja desde aquela época, permanece cultivando esse "mistério", ou seja, a lenda atrai clientes. Fato é que muitas noivas costumam comprar o vestido que "La Chonita" esteja usando ou que já tenha usado como se fosse uma espécie de amuleto de proteção e até mesmo de boa sorte no casamento.

O manequim "La Chonita" ou "La Pascualita" permanece na vitrine da loja "La Popular" desde 1930
Por ser um manequim de cera, com cabelo, sobrancelhas e cílios naturais, cujos fios foram colocados um a um, "La Chonita" precisa de uma série de cuidados especiais, assim como "qualquer outra pessoa". Um exemplo disso, é que seu cabelo era lavado com xampu.

Nesse ponto é interessante destacar que certa vez alguns policiais chegaram até loja, que já se encontrava localizada no cruzamento da avenida Melchor Ocampo e da rua C. Guadalupe Victoria, com uma ordem judicial para que fosse realizada uma investigação mais aprofundada do manequim. Contudo, a senhora Pascualita Esparza pediu que os policiais voltassem mais tarde, uma vez que, segundo ela, "La Chonita" estava tomando banho.

Por ser um manequim de cera, com cabelo, sobrancelhas e cílios naturais, cujos fios foram colocados um a um, "La Chonita" precisa de uma série de cuidados especiais, assim como "qualquer outra pessoa"
Dizem que o cabelo de "La Chonita" ou "La Pascualita" era lavado com xampu
Assim sendo, os policiais ficaram ainda mais desconfiados, e acabaram insistindo no caso. Foi tanta insistência que foram buscar o manequim, o envolveram com uma roupa, e deixaram uma toalha envolta do seu cabelo. Os policiais foram autorizados apenas a observar o rosto do manequim, no qual eles puderam perceber que era feito de cera, e os olhos eram de vidro. Sem conseguir obter nenhuma prova que algum crime pudesse estar sendo cometido, os policiais foram embora, por mais que ainda restassem dúvidas sobre "La Chonita". Não é preciso dizer que esse incidente repercutiu na mídia local, e só serviu para adicionar mais uma pitada de "mistério" em relação a lenda em torno do manequim.

Ao longo do tempo foram surgindo novas histórias, tal como a mais popular delas, mencionando que no dia do casamento da filha da senhora Pascualita Esparza, um animal peçonhento (uma aranha viúva negra ou um escorpião) teria caído na coroa da noiva, que posteriormente a picou, e fez com que ela morresse no altar. As pessoas passaram a dizer que a senhora Pascualita Esparza decidiu imortalizar a própria filha para sempre tê-la em sua loja, e usando um vestido de noiva. Dizem também que "La Chonita" caminha pela loja durante a noite, que muda de posição sozinha, e até que lacrimeja em determinada época do ano.

Dizem que "La Chonita" ou "La Pascualita" caminha pela loja durante a noite, que muda de posição sozinha,
e até que lacrimeja em determinada época do ano
As pessoas passaram a dizer que a senhora Pascualita Esparza decidiu imortalizar a própria filha
para sempre tê-la em sua loja, e usando um vestido de noiva.


Os Livros que Contam a "Verdadeira" História de "La Pascualita"


No livro "El Comercio En La Historia de La Ciudad de Chihuahua" ("A História do Comércio da Cidade de Chihuahua", em português), publicado pela Câmara Nacional de Comércio, em 1990, conta-se a versão de que numa de suas viagens a cidade de México, a Sra. Pascualita Esparza foi até a famosa loja de departamentos "El Puerto de Liverpool" (comumente chamada apenas de "Liverpool"), fundada em 1847, e que existe até hoje, contando com diversas lojas espalhadas pelo México.

A Sra. Pascualita Esparza costumava comprar tecidos, ramalhetes e demais acessórios nessa loja. Ao sair da mesma, ela teria se deparado com algumas pessoas que estavam colocando um manequim na vitrine, cuja beleza a teria encantado. Então, ela teria voltado e pedido ao gerente da loja para que lhe vendesse aquele manequim. O gerente teria dito que seria impossível vender o manequim, porque o mesmo tinha acabado de chegar da França, e era a última novidade, visto que seu rosto e suas mãos eram feitos de cera e bem realísticos.

A Sra. Pascualita Esparza costumava comprar tecidos, ramalhetes e demais acessórios nessa loja. Ao sair da mesma, ela teria se deparado com algumas pessoas que estavam colocando um manequim na vitrine, cuja beleza a teria encantado. Depois de muita insistência ela teria conseguido comprá-lo e levá-lo para Chihuahua. Esse manequim era a "La Pascualita".
A Sra. Pascualita Esparza teria insistido, quase implorado, mas o gerente estava irredutível. Desesperada para ter aquele belo manequim em sua loja, a Sra. Pascualita Esparza começou a ameaçar o gerente, que se ele não vendesse para ela, a mesma não iria comprar mais tecidos na loja, e olha que ela era uma consumidora que não podia ser desprezada. Então, o gerente teria refletido a respeito dos valores que sempre eram gastos pela Sra. Pascualita Esparza, e acabou aceitando vender o manequim. Teria sido dessa forma que "La Pascualita" chegou até a cidade de Chihuahua. Pelo menos, essa é a versão mais aceita atualmente em relação a "La Pascualita". Contudo, como vocês já devem imaginar, essa não é a única "versão".

Capa do livro "Leyendas Bárbaras del Norte"
("Lendas Bárbaras do Norte", em português)
No livro "Leyendas Bárbaras del Norte" ("Lendas Bárbaras do Norte", em português) é mencionado que o manequim teria sido trazido diretamente de Paris, a pedido da própria Sra. Pascualita Esparza, e acabou se convertendo num ponto de admiração entre os moradores da cidade. Diante de tanta curiosidade e repercussão, teria chegado um poderoso guru, de terras distantes, que passou pelo manequim e imediatamente se apaixonou pela "jovem mulher", dando-lhe a vida.

O guru teria morado cerca de dois meses na cidade de Chihuahua, e todos os dias, por volta das 10 da noite, ele a esperava na rua Guadalupe Victoria. Assim sendo, ele a tomava pelos braços e a levava para visitar os melhores estabelecimentos da cidade, entre eles o Hotel Hilton, e até mesmo o Cassino de Chihuahua. Evidentemente, AssombradOs, esse livro trata tão somente de lendas, muito diferentemente do livro publicado pela Câmara do Comércio de Chihuahua, que possui uma conotação muito mais próxima da realidade dos fatos.

Por volta do ano de 1988, uma mulher teria ido até a loja "La Popular" para contar, que anos atrás ela estava em frente a vitrine da loja, no cruzamento da avenida Melchor Ocampo e da rua C. Guadalupe Victoria, quando seu noivo teria se aproximado, e motivado por ciúmes (as razões são completamente desconhecidas), acabou disparando um tiro contra essa mulher. Enquanto ela estava perdendo os sentidos, deitada no chão, a última imagem que ela teria visto seria da "La Pascualita". Nesse momento de desespero ela teria pedido para que "La Pascualita" a salvasse. Momentos mais tarde ela acordou no hospital, e ao notar que tinha sobrevivido, imediatamente ela creditou a sua vida a "La Pascualita", e desde aquele dia ela teria passado a rezar em homenagem ao manequim. É importante ressaltar também que existem outras versões para essa mesma história (algumas mencionam, por exemplo, que teria sido um assalto).

Numa tarde de sábado, no ano de 1993, por exemplo, um conjunto de músicos foi oferecer uma espécie de serenata para "La Pascualita", para que a mesma não se sentisse tão sozinha em sua vitrine. A música teria sido entoada por horas, o que provocou uma grande aglomeração de pessoas na frente da loja. Enfim, fato é que até hoje as lendas locais são ensinadas nas escolas, e acabam aumentando o interessante dos alunos, principalmente pela lenda da "La Pascualita".

Agora que vocês possuem essas informações, convido a vocês a conferirem uma matéria realizada pelo programa EXN (Extranormal), que por sua vez era exibido pela Televisión Azteca, entre os anos de 2007 e 2014 (atualmente o programa é "exibido" através do Youtube), que foi publicada no dia 14 de outubro de 2009, onde é possível ver e saber maiores detalhes a respeito desse manequim (em espanhol):



Interessante, não é mesmo? De qualquer forma, é bom deixar claro nessa parte da postagem que a questão de ser um corpo embalsamado de uma noiva é tão somente uma lenda, visto que o manequim é realmente feito de cera. Vamos explicar melhor sobre essas questões daqui a pouco.

Um Pouco Sobre a História de "Pascualita Esparza Perales de Pérez"


Pascualita Esparza de Perales, que acabou sendo mais conhecida como "Pascualita", teria nascido no ano de 1887, na localidade de Chalchihuites, no estado mexicano de Zacatecas. Sua mãe se chamava Pascuala Perales, e seu pai se chamava Tiburcio Esparza. 

Família de Pascualita Esparza, proprietária do manequim,
que se assemelhava à sua irmã (a garota em pé, à direita).
Na foto, Pascualita aparece sentada, no canto direito.
De acordo com os costumes da época, ela casou-se jovem, aos 17 anos de idade, em 1904, com Don Enrique Perez Loera, que lhe deu um filho, sendo que o casamento ocorreu em sua cidade natal.

Em 1908, ela e sua família foram para Chihuahua. Quatro anos mais tarde acabaram se mudando novamente e foram para El Paso, no Texas, onde abriram uma mercearia, no qual Pascualita trabalhava, e que aos poucos começou a se familiarizar com toda a questão administrativa de gerenciar um estabelecimento comercial.

No entanto, Pascualita era apaixonada pela ramo da confecção. Assim sendo, ela voltou para Chihuahua, em 1917, e acabou abrindo uma loja de tecidos e acessórios na avenida Major Ocampo, entre as ruas Liberdade e Guadalupe Victoria. Ela chegou até a cidade acompanhada de sua irmã, que era fascinada em costurar e criar roupas para serem utilizadas em batizados. Não demorou muito tempo para que surgisse a ideia de desenhar vestidos de noiva.

Algum tempo depois ela transferiu a sua loja para a rua Guadalupe Victoria, um local espaçoso, que ficava em frente a chamada "Botica Central". Foi nesse mesmo estabelecimento que ocorreu a lamentável morte de seu esposo Don Enrique Pérez. Anos depois ela transferiu novamente sua loja para um imóvel que ela mesmo havia mandado construir na rua Liberdade nº 608, onde permaneceu funcionando por cerca de 2 anos. Em seguida, ela estabeleceu uma sociedade com a Sra. Amalia Abbud Ochoa, e acabou reabrindo a loja da rua Liberdade, onde permaneceu por cerca de 3 anos.

Depois de tantas idas e vindas, ela finalmente decidiu caminhar por conta própria e acabou desfazendo sua sociedade. Em 1945, Pascualita conseguiu comprar a propriedade que Chihuahua conhece até hoje: aquela que está localizada na esquina da avenida Major Ocampo e da rua Guadalupe Victoria. No entanto, foi somente em 1954 que ela conseguiu se estabelecer em definitivo no imóvel. Desde então. sua loja chama-se "La Popular", e possui o slogan: "La casa de la novia de Chihuahua" ou simplesmente "La casa de Pascualita".

De acordo com os costumes da época, ela casou-se jovem, aos 17 anos de idade, em 1904, com Don Enrique Perez Loera, que lhe deu um filho, sendo que o casamento ocorreu em sua cidade natal.
Pascualita era uma mulher visionária, que cuidou de noivas de todas as classes sociais, e que foram até a sua loja para encomendar vestidos sob medida. Poucas foram aquelas que não a convidaram para seus respectivos casamentos. Após de ter seu dever cumprido como mãe e empresária, Pascualita faleceu no dia 31 de março de 1967. Em maio daquele mesmo ano, a Câmera Nacional de Comércio lançou um concurso de "manequins de festividades nacionais", no qual a loja "La Popular" ganhou o primeiro lugar com seu manequim vestido de "Chica Poblana". A Sra. Consuelo Mascareñas recebeu a premiação em 20 de setembro de 1967 devido a ausência da amada Pascualita.

Pascualita Esparza de Perales foi uma realizadora de sonhos, uma criadora de vestidos para eventos especiais, e moldou toda uma geração. Com experiência, dedicação e criatividade a cada ponto, a cada remendo e a cada véu, transmitia os seus melhores desejos para que incontáveis noivas cristalizassem seus próprios sonhos através do casamento. Cada vestido que saiu de suas mãos foi tão especial quanto o gosto pessoal e as medidas exatas de cada noiva. Vestidos em que muitas vezes estava implícito a última moda internacional ou a originalidade de desenhos claramente chihuahuenses.

Pascualita e sua loja sempre tiveram um ar de misticismo, uma vez que os bons presságios emanavam de cada fibra de cetim, seda e eram enredados pela romântica lenda que se formou ao seu redor, e de seu "manequim vivo". Mesmo sem ter nascido em Chihuahua, foi naquela cidade que ela criou toda uma história prestigiada e agradecida pelo sucesso de suas mãos. Até hoje ela continua a ser lembrada com saudades por toda uma geração.

O Caso "La Pascualita" Exibido em 23/09 no Programa "A Tarde é Sua" da Rede TV


Antes de discutirmos se "La Pascualita" é tão somente um manequim ou não, acho interessante trazer um pequeno resumo do que foi apresentado durante o programa "A Tarde é Sua", entre as 15h55 até por volta das 16h30 da tarde da sexta-feira passada (23). Nessa edição do programa estava presente o jornalista "Edie Polo" que fez questão de ressaltar alguns pontos um tanto quanto exóticos de toda essa história.

Inicialmente, ele disse que obteve suas informações sobre esse caso através de populares, ou seja, nenhuma fonte utilizada é confiável ou possui legitimidade para afirmar quaisquer coisa, visto que em nenhum momento foi apresentado quaisquer documentos, que pudessem nortear ou corroborar com o que estava sendo mencionado pelo mesmo. Assim sendo, o Edie disse que a suposta mulher, aquela que estaria embalsamada na vitrine da loja, teria nascido em 25 de março de 1908, e morrido em 25 de março de 1930. Bem, se a filha de "Pascualita" tivesse morrido em 25 de março de 1930, seria bem complicado de embalsamá-la, e exibi-la no mesmo dia em que ela surgiu diante dos olhos da população, não é mesmo?

Assim sendo, o Edie disse que a suposta mulher, aquela que estaria embalsamada na vitrine da loja, teria nascido em 25 de março de 1908, e morrido em 25 de março de 1930. Bem, se a filha de "Pascualita" tivesse morrido em 25 de março de 1930, seria bem complicado de embalsamá-la, e exibí-la no mesmo dia em que ela surgiu diante dos olhos da população.
Foi alegado que a jovem, supostamente morta aos 22 anos, viveu sua vida inteira naquela mesma casa, que teria mais de um século (sabemos que "Pascualita" mudou diversas vezes o ponto do seu comércio). Sua mãe seria muito controladora, ou seja, oprimia a própria filha. Certa vez, a filha teria se apaixonado por um taxista ou um funcionário da própria loja (imprecisão nas informações), e a mãe, em um ato impensado, teria colocado um escorpião dentro da caixa de sapatos da jovem (novamente imprecisão nas informaçoes, porque uma das versões da lenda dizia que teria sido colocada na coroa de flores). Bem, nesse momento surgiu a ideia de alguém visitar o cemitério de Chihuahua em busca de maiores detalhes. Foi dito que não puderam filmar, mas que no local pertencente a família Esparza estaria faltando uma gaveta, ou seja, não temos imagens que corroborem isso, e nem mesmo qualquer informação oficial, por escrito, do próprio cemitério para explicar o suposto fato, se eventualmente for verdade.

Também foi mencionado que certa vez um policial conseguiu tirar uma cópia das digitais de "La Pascualita", porém alguns dias depois a delegacia teria pegado fogo, e após algum tempo o esse policial teria morrido em um acidente de carro. Novamente não foi mencionada nenhuma data, obituário ou notícia de jornal que comprovasse o que estava sendo dito. Aliás, foi até mesmo citado que se alguém tocasse diretamente em "La Pascualita", essa pessoa morreria por um acidente trágico, e que nem mesmo pessoas casadas poderiam tocar em seu vestido, porque teriam sérios problemas em seus casamentos.

Logo em seguida foi rapidamente comentado sobre o misticismo relacionado ao número 8. Foi mencionado que o endereço da loja seria rua Victoria nº 8, o que não é verdade, a loja está localizada na rua C. Guadalupe Victoria nº 801. Contudo, segundo a crença popular, se alguém tocasse no vidro da loja e rezasse fervorosamente para "La Pascualita", em 8 dias conheceria uma pessoa, após 8 semanas se apaixonaria por ela, e após 8 meses se casaria com a mesma.

A loja  "La Popular: La Casa De Pascualita" está localizada na rua C. Guadalupe Victoria nº 801
Na parte final, a sensitiva Márcia Fernandes mencionou que sendo "boneca ou não", a alma de Pascualita estaria no local, que as pessoas teriam que sepultá-la e "acabar com a palhaçada". Ela disse que nunca tinha visto manequim com digital, e foi acompanhada pelo apresentador Jorge Lordello, que mencionou ter um amigo que lhe disse que não havia técnica para fazer um manequim tão perfeito naquela época. O jornalista Edie Polo chegou a mencionar que um homem chamado Benjamin, o suposto atual gerente da loja, teria garantido que o cabelo de "La Pascualita" era natural.

Para encerrar, foi exibido um vídeo no qual teria sido gravado um vulto negro "dentro da loja". A sensitiva Márcia Fernandes disse que tinha certeza que seria a mãe da jovem, sendo que pouco depois disse que poderia ser também a própria Pascualita. Enfim, o vídeo não provava absolutamente nada, e soava mais um mero reflexo das pessoas que estavam do lado de fora da loja.

Será Mesmo que a "La Pascualita" é Tão Somente um Manequim?


Sei que muitos de vocês ainda podem estar duvidando e achando que a "La Pascualita" seja realmente uma espécie de "noiva embalsamada", porém é necessário uma cautela e uma análise séria e comprometida com as histórias que são contadas. Uma coisa é lenda urbana, outra coisa totalmente diferente é a realidade sobre os fatos. Existem casos, pontuais, em que existe uma certa convergência entre ambos os lados, mas não é bem esse caso, e vamos enumerar os motivos para vocês.

1 - Pascualita Esparza Perales de Pérez Nunca Teve uma Filha


Primeiramente, nada indica que Pascualita Esparza de Perales tenha tido uma filha. O que consta nos registros oficiais é tão somente um filho, e tão somente esse fato derrubaria qualquer hipótese de uma eventual filha de Pascualita Esparza de Perales. Além disso, não há qualquer registro, ao menos não naquela época, de um casamento cuja noiva teria morrido no altar devido a picada de um animal peçonhento.

Vale lembrar que existem versões que apontam que teria sido um escorpião, já outras dizem que teria sido uma aranha viúva-negra. Resumindo, há muita imprecisão nas informações, e não existe nenhuma notícia sobre um evento dessa relevância social, ainda mais sendo filha de uma proprietária de uma loja de vestidos de noiva. Com certeza isso seria noticiado, mas não existe absolutamente nada nesse sentido.

Vale lembrar que existem versões que apontam que teria sido um escorpião, já outras dizem que teria sido uma aranha viúva-negra. Resumindo, há muita imprecisão nas informações.
Foram os próprios moradores de Chihuahua que começaram a olhar para o manequim e observar uma certa semelhança em relação a proprietária da loja "La Popular". A visão desses moradores, que vem atravessando décadas, é que o manequim só poderia ser um descendente de Pascualita Esparza. Portanto, provavelmente, só poderia ser uma filha dela. Contudo, oficialmente, a proprietária nunca teve uma filha, apenas, mas tão somente um filho. Sempre faço questão de ressaltar o lado humano da história, para que vocês entendam que não precisam ter nenhum conhecimento científico para tentar decifrar um eventual mistério. Basta apenas um pouco de pesquisa e pensar no caráter humano do assunto a ser abordado.

2 - "La Pascualita" é Única no Mundo? Existiam Manequins de Cera tão Realísticos Como Ela no Início do Século XX?


Evidentemente, o que deixa as pessoas mais intrigadas é perfeição do manequim. A cera que "simula a pele" é muito realista, o cabelo é natural e cuidadosamente inserido em seu couro cabeludo. Os olhos de vidro possuem um contorno e brilho perfeitos, que sugerem uma realidade impressionante. As mãos parecem tão reais, que causam calafrios em quem observa mais de perto.

Evidentemente, o que deixa as pessoas mais intrigadas é perfeição do manequim.
A cera que "simula a pele" é muito realista. Perceba o detalhe das unhas!
As mãos parecem tão reais, que causam calafrios em quem observa mais de perto
A cor da pele das mãos, o interior das dobras, as fissuras comumente encontradas nas mesmas, as unhas perfeitamente inseridas, e até mesmo as impressões digitais foram criadas com tal perfeição, que "dificilmente são vistas em outro manequim de cera".

A cor da pele das mãos, o interior das dobras, as fissuras comumente encontradas nas mesmas, as unhas perfeitamente inseridas, e até mesmo as impressões digitais foram criadas com extrema perfeição
Entretanto, muitas pessoas ainda tem dúvidas se os profissionais no início do século teriam capacidade de criar um manequim tão realístico quanto "La Pascualita". A resposta é um sonoro "sim". Os manequins do início do século XX eram extremamente realísticos, com os corpos feitos de cera, olhos de vidro e cabelos implantados fio por fio. Vamos contar rapidamente uma história para vocês a respeito disso.

Existe uma grande atração turística em Londres, na Inglaterra, chamada "Madame Tussauds", que inclusive possui "filiais" em diversas outras cidades no mundo. Basicamente, o "Madame Tussauds" é um dos mais antigos e emblemáticos "museus de cera" que existem até hoje, e como vocês devem imaginar, abriga modelos em cera de diversas celebridades do passado e da atualidade.

Fachada atual do museu de cera "Madame Tussauds" em Londres, na Inglaterra
A história desse museu começa com o nascimento de Marie Grosholtz, em 1761, na cidade de Strasbourg, na França. A mãe de Marie trabalhava como governanta para o Dr. Philippe Curtius em Berna, na Suíça, que era um médico especialista em modelagem de cera (ele utilizava a técnica de modelagem para criar modelos para uso acadêmico). Curtius ensinou Marie a arte da modelagem em cera, sendo que a primeira escultura em cera que Marie criou foi o busto de Voltaire, em 1777.

Ela herdou a vasta coleção de modelos de cera do médico após a sua morte em 1794, e passou os 33 anos seguintes viajando pela Europa. Casou-se com Francois Tussaud em 1795, e passou a se apresentar com um novo nome: Madame Tussaud's. (atualmente o apóstrofo não é mais utilizado no nome do museu).

Madame Tussaud's aos 42 anos, quando ela deixou a França em relação a Inglaterra.
Estudo de retrato realizado em 1921 por John Theodore Tussaud, bisneto de Madame Tussaud's.
Para não alongar muito, pulamos para o ano 1835, quando Madame Tussaud's abriu o que se tornaria praticamente um "museu" na famosa rua Baker, em Londres, sendo que uma das principais atrações era a "Câmara dos Horrores". Essa parte da exposição incluía vítimas da Revolução Francesa e modelos recém-criados de assassinos e outros criminosos da época.

Antigo cartaz publicitário referente a exposição dos modelos de cera de Madame Tussaud's,
na famosa rua Baker, em Londres, na Inglaterra, em 1835.
Madame Tussaud's morreu enquanto dormia em 15 de abril de 1850, mas seu legado continua até hoje. Em 1925, um grande incêndio destruiu praticamente toda a coleção que existia no museu. Originalmente, acredita-se que o museu possuía cerca de 400 modelos de cera, e pouquíssimo material foi recuperado. Existe até mesmo uma famosa foto tirada desse dia, onde são mostrados alguns modelos em cera desse museu, cuja foto é comumente atribuída a famigerada "Deep Web":

Em 1925, um grande incêndio destruiu praticamente toda a coleção que existia no museu.
Originalmente, acredita-se que o museu possuía 400 modelos de cera, e pouquíssimo material foi recuperado.
Alguns dos modelos de cera que foram recuperados do grande incêndio de 1925.
Essa foto é comumente atribuída a famigerada "Deep Web"

A criação de modelos em cera no no Madame Tussauds, Londres, por E.O. Hoppe, em 1935
Cabeças humanas de cera que eram criadas para o museu "Madame Tussaud's", em Londres, na Inglaterra
Mãos humanas de cera que eram criadas para o museu "Madame Tussaud's", em Londres, na Inglaterra.
Resumindo, a modelagem em cera de corpos humanos é muito mais antiga do que a maioria das pessoas pensam. Muitos, no entanto, podem continuar não acreditando no que estamos dizendo, uma vez que citar apenas o museu "Madame Tussauds" não prova que "La Pascualita" seria tão somente um manequim. Pois bem, então vamos comentar rapidamente sobre uma empresa chamada Gems Studio, que existe até hoje, e como eram os manequins do início do século XX.

A Gems Studio foi fundada em Londres, na Inglaterra, em 1885, por homem chamado Julius Gems, com o objetivo de criar esculturas para clientes particulares e museus. Um fato curioso é que os manequins em tamanho real e completamente vestidos praticamente não existiam até a Revolução Industrial, e devido a todo esse processo foi desencadeado uma sucessão de eventos, que acabou revolucionando também o varejo e muitas outras empresas. Na virada do século, por exemplo, as lojas de departamento começaram a proliferar nos Estados Unidos, sendo que algo semelhante aconteceu pouco tempo depois no Reino Unido. As classes sociais foram completamente alteradas, mais dinheiro começou a circular e os "nouveaux riches" ("novos ricos", em português) agora podiam pagar o que anteriormente estava disponível apenas para os membros da realeza e da aristocracia rural.

O moderno manequim de cera nasceu por volta dessa época, e era colocado nas vitrines das lojas. Apesar de serem muito caros, pesados (pesavam até 135 kg) e frágeis, eles faziam muito sucesso com os comerciantes, e principalmente com os clientes que ficavam admirados com a realidade apresentada pelos mesmos. O defeito inicial mais alarmante era a capacidade de derreter no calor extremo das vitrines, que por ventura não tivessem qualquer tipo de ventilação durante o dia.

O sucesso era tanto que até mesmo uma empresa separada foi criada, a "The French Bust Company", em 1912, para desenvolver coleções de manequins para o varejo (à esquerda). A fotografia à direita mostra Sra. Lily Candy implantando cerca de 50.000 fios de cabelo, individualmente, na cabeça do Dr. Crippen
A Gems Studio desenvolvia seus modelos com olhos de vidro (que incluíam os "vasos sanguíneos"), e dentes reais (sim, isso mesmo que você leu, muito embora algumas outras empresas utilizavam dentes de porcelana). O processo de produção da cera passou a ser aprimorado a cada ano (com o objetivo de evitar ao máximo o derretimento), sendo que o cabelo utilizado nos manequins era natural e implantado fio por fio.

O sucesso era tanto que até mesmo uma empresa separada foi criada, a "The French Bust Company", em 1912, para desenvolver coleções de manequins para o varejo. Aliás, cabe ressaltar que a Gems Studio foi uma das empresas chamadas pelo museu "Madame Tussauds" para ajudar a restaurar e criar novos modelos após o incêndio de 1925.

Um fato curioso é que os manequins em tamanho real e completamente vestidos praticamente não existiam até a Revolução Industrial, e devido a todo esse processo foi desencadeado uma sucessão de eventos, que acabou revolucionando também o varejo e muitas outras empresas.
Como curiosidade vale a pena destacar também que os manequins do início do século geralmente tinham os pés de ferro, pernas e braços de madeira densa, torsos e cabeças de cera sólida, e eram bem difícies de limpar. Além disso, na época, houve uma intensa discussão a respeito da exibição pública do corpo feminino.

A WCTU (Woman's Christian Temperance Union), nos Estados Unidos, realizou uma série de protestos em relação as lojas que exibiam manequins femininos usando, por exemplo, espartilhos. A pressão foi tanta que algumas cidades aprovaram leis que proibiam a troca de roupas de manequins sem que primeiro as vitrines fossem cobertas. Para vocês terem uma dimensão sobre isso, algumas dessas leis permaneceram em vigor até a década de 1960! Portanto, AssombradOs, sim, manequins realistas feitos de cera eram uma realidade no início do século XX.

3 - Seria Possível Manter um Corpo Embalsamado nas Condições que La Pascualita é Mantida?


É importante mencionar que biologicamente falando, o corpo humano inicia seu processo de decomposição muito rapidamente. Para se embalsamar a pele humana é preciso se fazer um tratamento nos tecidos com produtos a base de álcool e borato de sódio, que ajudam a evitar a proliferação de bactérias.

Conforme explicado pelo o museólogo e taxidermista Emerson Boaventura, em entrevista à revista Superinteressante, em abril de 2014, esses produtos deixam a pele escurecida, com tom de café. Em uma onça, por exemplo, você não percebe o escurecimento do couro, porque a pelagem encobre a mudança. Em uma pessoa com pele negra, essa diferença não ficaria tão evidente, mas ainda assim não teria aspecto natural, visto que a pele tratada para "durar para sempre", mesmo nos dias atuais, fica com um aspecto meio "emborrachado", assim como acontece com os corpos de Lênin, do Papa João XXIII*, de Mao Tse-tung, entre outros.

Corpo embalsamado de Mao Tse-tung, um dos mais proeminentes teóricos do comunismo do século XX
Corpo embalsamado de Vladimir Lenin, um comunista revolucionário, teórico marxista e o primeiro chefe de Estado da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
Corpo "embalsamado" do Papa João XXIII
*Atualmente, o corpo do Papa João XXIII está dentro de um caixão de bronze e vidro, à prova de balas e de radiação ultravioleta, na Basílica de São Pedro. Uma vez exposto, as pessoas constataram rapidamente o surpreendente grau de preservação do corpo de João XXIII, que não apresentou nenhum sinal de decomposição ou deformação. Segundo o professor Gennaro Goglia, a causa da sua preservação foi o tratamento especial levado a cabo "secretamente" por ele antes do funeral de João XXIII. Ele esclareceu que este tratamento não foi uma embalsamação, pelo menos no sentido clássico, e consistiu na aplicação de um líquido especial, que preencheu todos os capilares e eliminou todas as bactérias locais que estavam junto dos tecidos internos. Porém, ainda existem diversas outras teses e explicações científicas a serem debatidas e comprovadas sobre isso.

Entretanto, provavelmente vocês já ouviram falar do corpo de uma menininha chamada Rosália Lombardo, que se encontra nas Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo, na Itália. O Dr. Alfredo Salafia, o embalsamador, era famoso por aplicar as técnicas de mumificação utilizadas pelos egípcios para conservar o corpo dos faraós. O trabalho do embalsamador ficou impecável, e desde 1920 o corpo da menina se mantém intacto. Nós já fizemos um vídeo sobre esse assunto, e que vocês podem conferir logo abaixo:



A parte interessante desse caso é que as câmeras passaram a registrar o abrir e o fechar dos olhos da menina, quase todos os dias, causando assombro de uns e devoção de outros. Algumas pessoas acreditam que Rosália seja santa, e que esse movimento nas pálpebras seja resultado de um milagre. Contudo, não existem motivos para se assombrar, e muito menos de canonizar Rosália. Segundo especialistas os flashes das câmeras de turistas têm causado o que eles chamam de "fotodecomposição" do corpo, o que juntamente com a variação de umidade fazem com que as pálpebras de Rosália se movimentem de tempos em tempos (os olhos ficam realmente abertos por algumas horas). Este não seria o único efeito dos flashes, e da umidade sobre o corpo já sem vida há quase 100 anos. Os cabelos da menina também perderam a cor com o tempo, e estão completamente louros. Rosália tinha cabelos bem mais escuros quando morreu.

Os segredos das técnicas de preservação utilizadas no corpo de Rosália também já foram desvendados pela ciência. O Dr. Salafia utilizou um composto contendo formol (capaz de eliminar completamente as bactérias responsáveis pela decomposição), álcool (promovendo a desidratação do corpo), glicerina (evitando o ressecamento), ácido salicílico (com o intuito de exterminar quaisquer eventuais fungos), e sais de zinco, que promoveram a rigidez do corpo. Resumindo? Rosália Lombardo passou por um processo diferenciado, e por isso precisa ser monitorada com luz controlada e oxigênio quase zero dentro da redoma. Assim sendo, seria impossível que um cadáver, tal como sugere a lenda de "La Pascualita", pudesse ficar exposto por tantos anos sem sofrer quaisquer danos ou efeitos visíveis e gerados pelos compostos químicos.

Comentários Finais


Por mais que eu esteja com uma imensa vontade de expor tudo o que realmente penso sobre o que foi exibido recentemente nas matérias nacionais envolvendo o manequim conhecido como "La Pascualita", sei que a partir do momento que eu começar a escrever não vou parar tão cedo, e esse comentário final acabaria ficando bem maior do que o habitual. Confesso que foi bem sacrificante acompanhar quase 2h10 (somando as três vezes que esse assunto foi abordado nos últimos dois anos) de "análises", que nada acrescentaram, caso o objetivo fosse realmente apontar se "La Pascualita" seria mesmo um mero manequim do início do século XX ou uma "noiva cadáver embalsamada". Tento apenas imaginar como alguém consegue "ver o espírito" de uma jovem que nunca existiu. Não há nenhum registro oficial, e nem mesmo nenhuma notícia que pudesse retratar algo nesse sentido, e nem que estivesse intimamente ligado a parentes ou descendentes da senhora Pascualita Esparza. Outra parte intrigante foi ouvir que não seria bom que o mistério fosse revelado, porque isso poderia comprometer o emprego das pessoas que trabalham na loja. Sinceramente, Chihuahua tem problemas muitos maiores de segurança para serem resolvidos do que se preocupar com um mero manequim, porque se ninguém fizer nada pela cidade provavelmente não vai sobrar muitas pessoas para se casarem. Além disso, não importa o que você diga, a maioria das pessoas tende a acreditar no que elas querem. Vale ressaltar que mesmo conhecendo a verdade, muitas pessoas, assim como eu, com certeza gostariam de conhecer o manequim mais de perto, tirar uma foto, e conversar um pouco com as pessoas que trabalham na loja "La Popular". Por que não?

"La Pascualita" é um manequim realístico muito bem conservado, e que carrega a crença de inúmeras de pessoas, que podem ter tido um casamento feliz ao longo do tempo, cuja esperança nela havia sido depositada, como se fosse uma "santa". Contudo, ela é tão somente um manequim. Nunca houve um mago, nunca houve um guru, nunca houve sequer espírito aprisionado dentro dele(a). "La Pascualita" é tão somente uma boa história, uma boa lenda. Aliás, se você pegar o dicionário, verá que a palavra "lenda", em um dos seus diversos significados, representa uma tradição escrita ou oral de coisas muito duvidosas ou inverossímeis. Por outro lado, a senhora Pascualita Esparza é igualmente uma lenda, mas por um motivo completamente diferente, visto que ela é uma pessoa que ficou conhecida por muitos e foi admirada pelos seus feitos, pelo seu talento, e pelo seu desempenho no ramo da confecção, principalmente de vestidos de noiva. É justamente esse impasse o mais interessante, porque no meio de tantas mentiras, temos que destacar apenas o que existe de realidade, ou seja, a própria senhora Pascualita Esparza. Ela não fez praticamente nenhum esforço para que a lenda nascesse, não criou um roteiro, não inventou livros, não fez um filme, e nem mesmo teria saído espalhando boatos. Apenas comprou um manequim, e esperou que as pessoas admirassem algo que nunca tinham visto antes, sendo que tal situação ainda acontece nos dias de hoje. Logo, converteram tudo isso em uma crença que nunca foi maligna, pelo contrário, sempre foi benéfica diante das mazelas do povo de Chihuahua. A loja é refúgio, não é uma "casa das trevas".

Muitas vezes eu fico imaginando quando ouvirei alguém analisando seriamente um assunto na TV, e abordando toda uma questão social que realmente seja verdadeira. Pessoas que realmente estudem o assunto antes de falar uma série frases desconexas e perdidas no espaço-tempo. Provavelmente esse dia não irá chegar, mas provavelmente "La Pascualita" continuará como um símbolo de dias melhores para toda uma população. É, realmente, não importa que ela seja ou não um manequim, porém o que não dá para fazer é chegar ao absurdo de dizer que uma mãe haveria matado a própria filha. Aliás, uma filha que nunca existiu, diante de uma versão da lenda que nunca foi contada, e se algum dia a mesma foi, provavelmente foi extraída mediante uma dose de tequila. Fico imaginando se isso realmente faz parte de um roteiro puramente televisivo, um estranho roteiro de uma concessão pública, que ao invés de informar, desinforma. Acredito que todos vocês, que tivessem a oportunidade de viajar e, conhecer um pouco mais sobre os mistérios e as lendas de uma determinada localidade, ao menos tentariam aprender um pouco do idioma, e mesmo que não tivessem tempo, ao menos escreveriam perguntas relevantes em um papel, e as treinariam para evitar passar vergonha, mas nem isso aconteceu. De carne ou não, de cera ou não, perdoai-lhes, Pascualita Esparza, eles não sabem o que fazem.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://dankamachine.blogspot.com.br/2014/09/pascualita-noite-cadaver-do-mexico.html?view=mosaic
http://diariodebiologia.com/2014/06/essa-menina-esta-morta-ha-94-anos-e-abre-os-olhos-todos-os-dias/
http://diariodebiologia.com/2014/07/manequim-vestida-de-noiva-no-mexico-podera-mesmo-ser-um-cadaver-embalsamado/
http://forum.wordreference.com/threads/chonita.426482/
http://laopcion.com.mx/noticia/14475
http://super.abril.com.br/blogs/oraculo/olar-e-possivel-empalhar-seres-humanos/
http://thehouseofwhispers.com/la-pascualita/
http://web.archive.org/web/20070206091550/http://www.pascualita.com/leyenda.htm
http://www.atlasobscura.com/places/la-pascualita
http://www.odditycentral.com/pics/la-pascualita-the-corpse-bride-of-mexico.html
http://www.ripleys.com/blog/corpse-bride/
http://www.the-line-up.com/la-pascualita-corpse-bride-of-mexico/
https://www.amazon.com/Leyendas-Barbaras-Norte-Miguel-Orozco/dp/B012JR4LZG
https://www.elpensante.com/la-leyenda-de-pascualita-el-maniqui-viviente-de-chihuahua/
https://www.youtube.com/watch?v=cUG6MSkIfFY
https://www.youtube.com/watch?v=p5H0ZwSJDQg

https://en.wikipedia.org/wiki/Madame_Tussauds
http://www.npg.org.uk/hoppe/timeline.html#t1930
http://www.gems-studio.com/historypage3.php
http://www.collectorsweekly.com/articles/what-mannequins-say-about-us/
http://www.hopesandfears.com/hopes/city/fashion/213389-history-of-mannequins
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