26 de setembro de 2016

Existe Vida Extraterrestre em Europa? NASA Anuncia uma "Atividade Surpreendente" na mais Intrigante Lua de Júpiter

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Por Marco Faustino

O mundo da Astronomia ganhou novamente destaque no cenário internacional após um período recente e arrebatador com diversas notícias muito interessantes, que divulgamos ao longo dos últimos tempos para vocês. Entre o fim de agosto e início de setembro tivemos alguns casos muito emblemáticos, como de um suposto contato extraterrestre, visto que um intrigante sinal de rádio poderia ter vindo da estrela HD 164595, na Constelação de Hércules. Posteriormente, passaram a dizer, que provavelmente o sinal tinha sido de origem terrestre. Noticiamos também o caso de um suposto "OVNI", que poderia ter sido o responsável pela explosão do foguete Falcon 9, da Space X, que deixou Mark Zuckerberg, CEO do Facebook "profundamente desapontado". O satélite Amos 6, que seria usado para o projeto de banda larga "Internet.org", do Facebook, foi destruído na explosão do foguete, que o colocaria na órbita da Terra. Além disso, tivemos o caso de uma eventual segunda "esfera de Dyson", relacionada a estrela EPIC 204278916, e até mesmo o lançamento da sonda espacial OSIRIS-REx, rumo a sua jornada de dois anos até alcançar o asteroide Bennu, apelidado de "asteroide da morte". Na época, alguns sites noticiaram de maneira totalmente sensacionalista, que a NASA tentaria destruí-lo, mas na verdade ela quer estudá-lo mais a fundo e coletar amostras do mesmo. Se tudo der certo, essas amostras cairão, literalmente de paraquedas no nosso planeta, em março de 2021. Quanta coisa, não é mesmo?

Entretanto, na semana passada, a NASA deixou a comunidade internacional muito apreensiva após um comunicado, publicado em seu site oficial na terça-feira passada (20), dizendo que realizaria no dia 26 de setembro, ou seja, no dia de hoje, uma coletiva de imprensa a partir das 15h, horário de Brasília, para apresentar os resultados, obtidos a partir de imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble sobre uma "atividade surpreendente" em Europa, a mais intrigante das luas do planeta Júpiter. De acordo com o comunicado, os astrônomos apresentariam resultados de uma "campanha singular de observação de Europa, que resultou em surpreendentes evidências de atividades, que podem estar relacionadas à presença de um oceano subsuperficial em Europa". Evidentemente, sempre que a NASA dá uma conotação como essa, ainda mais sobre um intrigante mundo gelado conhecido por abrigar um oceano de água líquida potencialmente habitável sob sua crosta de gelo, a primeira expectativa é o anúncio sobre uma eventual detecção de vida extraterrestre (ao menos em nível microbiano). Contudo, a aposta de diversos sites especializados era que a NASA confirmasse que Europa, ocasionalmente, emitisse plumas de água para o espaço, assim como acontece em Encélado, provavelmente a lua mais conhecida do planeta Saturno.

É importante ressaltar que o Hubble já havia feito uma detecção nesse sentido em dezembro de 2012, mas a falta de confirmação em anos subsequentes, assim como em registros de observações realizadas em anos anteriores, inclusive por sondas, sempre deixou um grande ponto de interrogação na cabeça dos astrônomos. Caso as plumas sejam mesmo recorrentes, haverá uma grande chance de que a próxima missão a Europa, que deve ser colocada em prática no começo da década de 2020, possa estudar o conteúdo dessa água que está sendo ejetada, ainda que não haja necessariamente um pouso e, quem sabe, encontrar evidências de vida em seu oceano subsuperficial. Enfim, vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Pouco Sobre Europa, um Intrigante Mundo Gelado em Nosso Sistema Solar


Europa é uma das quatro maiores luas de Júpiter (as outras são Ganímedes, Calisto e Io, porém no total Júpiter possui cerca de 67 satélites naturais). Devido às evidências coletadas até hoje, das possíveis condições existentes em seu interior, muitos astrônomos acreditam na existência de vida, tal como a que existe nas profundezas dos mares da Terra. Juntamente com o planeta Marte, a lua Europa é o astro de melhor condição ambiental extraterrestre em nosso Sistema Solar, e vocês já vão entender o porquê.

Bem-vindo a Europa, a mais intrigante lua de Júpiter
Considera-se que Galileu Galilei tenha sido o responsável por descobrir Europa, a partir das observações feitas em 7 de janeiro de 1610, em Pádua, na Itália. Europa e as outras "luas de Galileu" tiveram um grande impacto na teoria de que a Terra não era o centro do Universo, já que foram as primeiras luas que visivelmente não orbitavam a Terra. Até então, julgava-se que todos os planetas, o Sol e a Lua orbitavam o nosso planeta. Contudo, alguns historiadores afirmam que foi Simon Marius, de Ausbach, na Alemanha, o primeiro a observar os satélites em 29 de dezembro de 1609.

Europa é uma das quatro maiores luas do planeta Júpiter (as outras são Ganímedes, Calisto e Io, porém no total Júpiter possui cerca de 67 satélites naturais). Devido às evidências coletadas até hoje das possíveis condições existentes em seu interior, muitos astrônomos acreditam na existência de vida, tal como a que existe nas profundezas dos mares da Terra
Assim como acontece na Lua, a atmosfera em Europa é muito tênue, visto que a gravidade por lá é de apenas 13% a da Terra. Para efeitos comparativos, a gravidade na Lua é cerca de 16% do que existe na Terra, e Marte tem cerca de 38% da atração exercida pelo nosso planeta. Portanto, Europa não consegue reter os gases, que formariam uma atmosfera mais consistente, ou seja, a mesma não teria alterações climáticas, ventos ou cores no céu. Fazer uma caminhada nessa lua gelada seria parecido como caminhar na Lua. Apesar de ser desprezada, a atmosfera de Europa seria composta de oxigênio, mas não da mesma forma como acontece em nosso planeta.

No caso de Europa, esse oxigênio seria "gerado" pela luz do Sol e partículas carregadas que atingem a superfície gelada, produzindo vapor de água, que em seguida, se divide em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio, muito leve, rapidamente escapa devido à pouca gravidade de Europa, deixando "para trás" o oxigênio. Contudo, respirar por lá seria impossível devido, principalmente, a pressão atmosférica. Aliás, vale lembrar que esse oxigênio de Europa vaza lentamente para o espaço, e precisa ser continuamente reposto por tal processo.

Um conjunto de observações ultravioletas do Telescópio Espacial Hubble revelou um uma grande assinatura de íons de hidrogênio e oxigênio em seu polo sul, que acabou sendo interpretado como evidência de plumas de água emergindo do seu interior (explicaremos isso no decorrer dessa postagem)
Outra semelhança com a Lua, é que Europa orbita Júpiter com um lado sempre voltado para o planeta, porém pousar nesse lado seria uma decisão fatal para os seres humanos, uma vez que a magnetosfera de Júpiter lança uma radiação mortal em direção as suas luas. De qualquer forma, sobreviver por lá, mesmo na face voltada para o espaço seria complicado, porque Europa é realmente muito fria. Para vocês terem ideia, a temperatura média é de -160°C em regiões próximas ao equador, e -220°C ao se aproximar dos polos. Um dia em Europa é equivalente a 3,5 dias terrestres, sendo que esse o mesmo período de tempo que a mesma leva para dar uma volta completa em seu gigante gasoso (rotação sincronizada). Com um diâmetro equatorial de 3.121,6 km, Europa é ligeiramente menor que a Lua (3.474,8 km), porém essa diferença, como vocês podem perceber é mínima.

Fotos feitas em missões anteriores sugerem que a superfície de Europa é relativamente lisa, com poucas grandes crateras e montanhas por conta da força da convecção de um suposto oceano subsuperficial, que alteraria a superfície constantemente. Porém, mesmo assim, andar pela sua superfície não seria uma tarefa fácil. Se você estivesse na superfície de Europa, você veria diversos picos com alguns metros de altura, que seriam suficientes para dificultar qualquer exploração, isso sem contar com as rachaduras que riscam a superfície de Europa.

Imagem em cores falsas da NASA (sonda Galileu) mostrando algumas das rachaduras que cortam Europa
Essas rachaduras gigantescas, com milhares de quilômetros de extensão, semelhantes a abismos, são resultados das "forças de maré" de Júpiter, que "encolhem e esticam" essa lua, trincando toda a espessa camada de gelo. Acredita-se que essa camada tenha entre 1,5 e 30 km de profundidade, abrigando abaixo dela um vasto oceano de água líquida, que poderia ter até 90 km de profundidade, ou seja, a estimativa é que, mesmo com tamanho muito menor do que o da Terra, Europa tenha de duas a três vezes mais água do que nosso planeta. Vamos explicar melhor alguns detalhes para que vocês entendam o que estamos dizendo.

Na década de 1970, cálculos sugeriram que a gravidade de Júpiter poderia fornecer a chamada "energia das marés" suficiente para aquecer Europa em seu interior, e criar um oceano líquido sob essa camada de gelo. Por mais que Europa esteja cinco vezes mais distante do Sol do que a Terra, seu gigante gasoso faz toda a diferença. Por exemplo, tanto a Terra quanto a Lua se atraem mutuamente. A Lua atrai um pouco a Terra para si (e vice versa), assim como o Sol também exerce essa atração. Tudo isso faz com que a Terra estique e escolha constantemente, causando as marés.

As rachaduras gigantescas, com milhares de quilômetros de extensão, semelhantes a abismos, são resultados das "forças de maré" de Júpiter, que "encolhem e esticam" essa lua, trincando toda a espessa camada de gelo
O mesmo fenômeno acontece em Europa, com a gravidade de Júpiter esticando e encolhendo sua própria lua. A questão é que em Europa, essa atração é muito mais poderosa, simplesmente porque Júpiter tem mais de 25.000 vezes a massa da nossa Lua. Isso resulta em atrito, o que gera calor, que é parte do que se acredita, que ajuda a manter esse oceano de água líquida sob a camada de gelo. Entenderam? Em termos práticos seria quase mesmo que tentar "tirar gelo" de uma forma de gelo recém-saída do seu freezer, torcendo a forma de um lado para o outro. No caso de Europa, isso gera imensas rachaduras em superficíe.

As rachaduras observadas na superfície de Europa são um forte indício que o gelo esteja sendo continuamente reciclado, ou seja, uma evidência que apoia a ideia de um oceano líquido abaixo da superfície congelada. Cerca de 8 sondas espaciais já visitaram Europa, e apesar desse mundo gelado ser fascinante, apenas cerca de 15% de sua superfície foi fotografada com uma resolução aceitável. Uma dessas sondas, por exemplo, foi a sonda Galileo que chegou em Júpiter no dia 7 de dezembro de 1995, numa viagem contínua pelo planeta e suas luas durante oito anos.

Acredita-se que essa camada de gelo tenha entre 1,5 e 30 km de profundidade, abrigando abaixo dela um vasto oceano de água líquida, que poderia ter até 90 km de profundidade, ou seja, a estimativa é que, mesmo com tamanho muito menor do que o da Terra, Europa tenha de duas a três vezes mais água do que nosso planeta
Em 2 de março de 1998, a NASA anunciou que a Galileo tinha encontrado fortes evidências de um oceano salgado abaixo de sua superfície. A razão para isso? A sonda Galileo tinha descoberto que Europa possui um campo magnético, provavelmente pela circulação de água salgada em seu interior. Um trabalho subsequente indicou que em alguns lugares, esse oceano subsuperficial estaria realmente "vazando" através dessa da camada de gelo, logo haveria uma ligação direta entre a superfície e esse suposto oceano subsuperficial. Vale lembrar que é necessário todo um conjunto probatório para se afirmar algo, porém o consenso entre os astrônomos é que Europa tenha mesmo esse oceano líquido em seu interior e inclusive tenha plenas condições de ser habitável.

Como dissemos anteriormente, Europa é constantemente bombardeada por íons de alta energia (a partir da magnetosfera de Júpiter), e enxofre (a partir da atividade vulcânica numa outra lua de Júpiter, a Io). Acredita-se também que sais, tais como sulfato de magnésio, e peróxido de hidrogênio existam em sua superfície. Isso sem mencionar a possível colisão de asteroides que poderiam levar os componentes necessários à vida para Europa. Enfim, se toda essa química pudesse acabar parando no oceano subsuperficial de Europa, a mesma poderia gerar certas reações químicas na água, e assim fornecer "alimento" para formas microbianas de vida.

Europa é constantemente bombardeada por íons de alta energia (a partir da magnetosfera de Júpiter), e enxofre (a partir da atividade vulcânica  numa outra lua de Júpiter, a Io). Acredita-se também que sais, tais como sulfato de magnésio, e peróxido de hidrogênio existam em sua superfície. Isso sem mencionar a possível colisão de asteroides que poderiam levar os componentes necessários a vida até este mundo gelado
De qualquer forma, a água poderia ser salgada demais, por exemplo, para permitir certas reações químicas básicas. Além disso, não temos ideia do quão difícil é para que a vida evolua: sabemos apenas que aconteceu uma vez, na Terra, mas levou bilhões de anos. Logo, apesar da grande expectativa em torno de Europa, pode ser que a busca seja em vão nesse sentido.

Vale lembrar nesse ponto, que no documentário "Aliens of the Deep", lançado em 2005, produzido por James Cameron, exobiólogos da NASA e biólogos marinhos investigaram os respiradouros hidrotermais nos oceanos Atlântico e Pacífico. Essas regiões têm o seu próprio ecossistema, que suporta organismos como vermes-tubo gigantes, caranguejos brancos cegos, e muitos camarões. Estes animais vivem destas fontes hidrotermais superaquecidas e sulfurosas, e não necessitam da luz solar. A ideia de algo assim em Europa tem sido discutido pelos astrônomos, sendo que esta lua é capaz de ter um ecossistema semelhante onde a vida extraterrestre poderia existir.

A NASA tem muito interesse em Europa, tanto é que já está sendo planejada uma missão para estudar melhor esse intrigante mundo gelado, a "Europa Clipper", que deverá ser lançada ao espaço em 2020. O objetivo principal dessa missão não é nos dizer se existe vida em Europa, até porque atualmente não existe um "detector de vida" eficaz. Ninguém sabe exatamente que tipo de vida existiria em outro mundo, ou seja, não se sabe exatamente o que é necessário para testar a presença de vida.

A NASA tem muito interesse em Europa, tanto que já está sendo planejada uma missão para estudar melhor esse intrigante mundo gelado, a "Europa Clipper", que deverá ser lançada ao espaço em 2020
Contudo, temos uma ideia aproximada das condições ideais, que possam permitir a evolução da vida, sendo que a sonda Europa Clipper possuirá cerca de nove instrumentos para verificar, pelo menos, se Europa é realmente habitável como se acredita ou não. A sonda deve sobreevoar Europa cerca de 45 vezes ao longo de 3 ou mais anos, a uma distância variando entre 100 a míseros 25 km, nos fornecendo detalhes nunca antes obtidos na história da Astronomia (em relação a lua Europa é claro).

A sonda deve sobreevoar Europa cerca de 45 vezes ao longo de 3 ou mais anos, a uma distância variando entre 100 a míseros 25 km, nos fornecendo detalhes nunca antes obtidos na história da astronomia
Confira também um vídeo realizado pelo Salvador Nogueira, responsável pelo blog Mensageiro Sideral, que foi publicado em seu canal no Youtube, em maio de 2015:



Existe também uma ambiciosa proposta de enviar uma grande sonda, que funcionaria movida a energia nuclear, e que derreteria o gelo até atingir o oceano abaixo da superfície gelada. E, depois de atingida a água, lançaria um veículo subaquático, que compilaria informação e a enviaria de volta para a Terra. No entanto, esta proposta ainda está longe de ser uma realidade. As apostas estão mesmo voltadas para a Europa Clipper.

Enfim, essa é Europa! Esperamos que tenham gostado da explicação que fornecemos a vocês. Lembrando que o nosso objetivo é sempre tentar explicar da forma mais simples possível! Vamos continuar a postagem comentando rapidamente sobre a especulação criada na semana passada, e posteriormente comentaremos o anúncio realizado pela NASA.

A Especulação Inicial Sobre o Anúncio da NASA, que Estava Sendo Propagada na Semana Passada


A grande especulação em torno de Europa, desde a semana passada, girava em torno da eventual confirmação de plumas de água sendo ejetadas do interior da mesma, assim como acontece em Encélado, uma das inúmeras luas de Saturno. A razão para isso é que boa parte das pessoas que estariam presentes nessa coletiva de imprensa, pertencem a equipe responsável pelo Telescópio Espacial Hubble.

Em dezembro de 2012, o Hubble observou o que os astrônomos consideraram como vapor de água por cima da gélida região polar sul dessa lua de Júpiter, fornecendo a primeira forte evidência de plumas de água em erupção a partir da superfície. Descobertas científicas anteriores, de outras fontes, já apontavam em direção a existência de um oceano localizado sob a crosta gelada de Europa. O maior problema é que os astrônomos não tinham certeza absoluta que tinham detectado vapor de água sendo gerado pela erupção de plumas de água na superfície, mas estavam confiantes de que essa era a explicação mais provável.

Os círculos em vermelho apontam o que os astrônomos consideraram como uma pluma de água
emergindo das profundezas do polo sul de Europa
A localização das plumas de água observados em ultravioleta no polo sul da Europa,
sobreposta a uma fotografia de luz visível da lua.
Segundo as medições do Hubble, o vapor a -40ºC, na sua maioria, não escapava para o espaço como acontece em Enceládo, mas cairia de volta para a superfície após atingir uma altitude de 201 km, ou seja, mais de 20 vezes a altura do monte Everest. Os astrônomos teorizavam que isso poderia criar características superficiais brilhantes perto da região polar sul da lua. Vale ressaltar ainda, que NASA anunciou essa descoberta cerca de um ano depois, em dezembro de 2013, excluindo a possibilidade do impacto de um asteroide como sendo a causa para esse fenômeno.

Uma fotografia das plumas de água, no pólo sul da lua Encélado, de Saturno, tirada pela sonda Cassini
Posteriormente, houve uma série de pesquisas, que cada vez mais passaram a apontar que Europa não era apenas um mundo gelado ou morto, mas geologicamente ativo e com grande potencial para abrigar vida. É provável que existam grandes placas de gelo rachando, partindo, afundando e derretendo em sua superfície.

Posteriormente, houve uma série de pesquisas, que cada vez mais passaram a apontar que Europa não era apenas um mundo gelado ou morte, mas geologicamente ativo e com grande potencial para abrigar vida
O site de notícias "Business Insider" disse ter entrado em contato com diversos especialistas quando o assunto é a lua Europa, para tentar entender o que poderia vir a ser o anúncio da NASA.

Bill McKinnon, cientista planetário da Universidade de Washington, em St. Louis, nos Estados Unidos, em entrevista por email, disse que o anúncio devia estar relacionado as plumas, uma vez que o telescópio Hubble "não consegue ver o deslocamento das placas de gelo ou alguma geologia" em Europa a partir da órbita em torno da Terra.

É claro que além de confirmação de uma eventual segunda pluma de água em Europa, poderíamos ir além. Quem sabe não pudesse ser anunciado a descoberta de algo que estivesse no interior dessas plumas? Por um lado, a NASA, através de sua conta no Twitter, disse que o anúncio não estava relacionado a extraterrestes. Por outro, se eventuais compostos químicos, os chamados ingredientes necessários para existência da vida tal como a conhecemos, fossem ejetados para o espaço através dessas plumas de água, o Hubble poderia analisá-los. Isso poderia fazer com que a NASA acelerasse seus planos com a Europa Clipper, e posteriormente, quem sabe, uma verdadeira exploração do oceano subsuperficial de Europa.

Finalmente o "Grande Dia" Chegou. O Anúncio Oficial da NASA Sobre a "Atividade Surpreendente" Descoberta em Europa.


Bem, astrônomos usando o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, obtiveram novas imagens do que podem ser plumas de vapor de água emergindo a partir da superfície de Europa, uma das luas do planeta Júpiter. Essa descoberta reforça observações anteriores do Hubble, que sugerem que plumas de vapor de água irrompem da lua gelada, alcançando altas altitudes. Essa observação aumenta a possibilidade de que missões em relação a Europa possam ser capazes de provar a existência de um oceano em Europa sem a necessidade de pousar ou perfurar quilômetros de gelo, o que seria um grande avanço.

"O oceano de Europa é considerado um dos lugares mais promissores, que poderiam abrigar vida no Sistema Solar. Essas plumas, se elas realmente existirem, poderiam fornecer uma outra forma de provar a subsuperfície de Europa", disse Geoff Yoder, da Diretoria de Missões Científicas da NASA, em Washington, nos Estados Unidos.

Plumas de vapor de água detectadas pelo Telescópio Espacial Hubble


Conforme dissemos anteriormente, existe um consenso entre os astrônomos a respeito existência de um enorme oceano global, que contém o dobro de água da Terra, mas que é protegido por uma camada extremamente fria de gelo, cuja espessura é desconhecida em Europa. As plumas oferecem uma oportunidade tentadora para recolher amostras provenientes da subsuperfície de Europa sem haja a necessidade do pouso de uma sonda ou que haja a perfuração dessa camada de gelo, ou seja, bastaria sobrevoar e detectar do que essas plumas são compostas.

A equipe liderada por William Sparks, astrônomo do Instituto da Ciência dos Telescópios Espaciais ("STScI", sigla em inglês), em Baltimore, nos Estados Unidos, observou essas projeções "semelhantes a dedos", enquanto visualizava a lua Europa conforme ela passava na frente de Júpiter.

O objetivo original das observações era determinar se a Europa tinha uma fina atmosfera estendida ou exosfera. Usando o mesmo método de observação que detecta atmosferas em torno de planetas, que orbitam outras estrelas, a equipe percebeu que se houvesse vapor de água saindo da superfície de Europa, essa observação seria uma excelente maneira de enxergar esse vapor.

A equipe liderada por William Sparks, astrônomo do Instituto da Ciência dos Telescópios Espaciais ("STScI", sigla em inglês), em Baltimore, nos Estados Unidos, observou essas projeções semelhantes a dedos, enquanto visualizava a lua Europa conforme ela passava na frente de Júpiter
"A atmosfera de planetas extrassolares bloqueia parte da luz das estrelas que estão atrás delas. Se houvesse uma fina atmosfera em torno de Europa, ela teria o potencial de bloquear parte da luz de Júpiter, e nós poderíamos vê-la como se fosse uma silhueta. Assim sendo, fomos à procura de características de absorção ao redor de Europa, conforme ela transitasse na frente de Júpiter", disse William Sparks.

Em cerca de 10 ocorrências diferentes em um período de 15 meses, a equipe observou Europa passando em frente de Júpiter. Eles viram o que poderia ser plumas emergindo de Europa em três dessas ocasiões (em 26 de janeiro, 17 de março e 4 de abril de 2014). Assim sendo, esse estudo fornece elementos comprobatórios sobre a existência de plumas de água em Europa.

Em 2012, uma equipe liderada por Lorenz Roth, do Instituto de Pesquisa Southwest Research, em San Antonio, nos Estados Unidos, detectou uma evidência de vapor de água emergindo a partir da gélida região polar sul de Europa, chegando a uma altitude de cerca de 160 quilômetros em direção ao espaço. Apesar de ambas as equipes terem utilizado o espectrógrafo de imagens do Telescópio Espacial Hubble, cada uma utilizou um método totalmente independente para chegar à mesma conclusão.

Em 10 ocorrências diferentes em um período de 15 meses, a equipe observou Europa passando em frente de Júpiter. Eles viram o que poderia ser plumas emergindo de Europa em três dessas ocasiões.
"Quando calculamos de uma forma completamente diferente a quantidade de material que seria necessário para criar essas características de absorção, notamos que é muito semelhante ao que Roth e sua equipe descobriram. As estimativas para as massas são semelhantes, e as estimativas para a altura das plumas também são semelhantes. A latitude das candidatas a plumas que vemos correspondem aos seus estudos anteriores", completou William. O estudo de William Sparks e seus colegas será publicado na edição do dia 29 de setembro do periódico Astrophysical Journal.

Entretanto, até o momento as duas equipes ainda não detectaram simultaneamente as plumas usando suas técnicas independentes. Até agora as observações têm sugerido que as plumas podem ser altamente variáveis, o que significa que elas podem emergir esporadicamente durante algum tempo, e depois simplesmente não emergirem mais.

De qualquer forma, se confirmado, Europa seria a segunda lua no Sistema Solar conhecida por ter plumas de vapor de água. Em 2005, a sonda especial Cassini, da NASA, detectou plumas de vapor de água e poeira emergindo da superfície de Encélado, uma das mais famosas luas de Saturno.

Futuramente, com auxílio do Telescópio Espacial James Webb, que todos esperam que seja lançado em 2018, os astrônomos poderão usar a visão infravermelha para confirmar definitivamente as tais plumas de vapor de água em Europa. A NASA também já está preparando uma missão que poderia detectar e coletar amostras dessas plumas de água em Europa (a Europa-Clipper). Confira também um vídeo publicado pela NASA explicando o que foi anunciado nessa última segunda-feira (em inglês):



"As capacidades únicas do Hubble nos permitiram capturar essas plumas, demonstrando mais uma vez a habilidade do telescópio em realizar observações das quais ele nunca foi projetado para fazer. Essa observação abre um mundo de possibilidades, e estamos ansiosos para futuras missões, assim como o Telescópio Espacial James Webb, por exemplo, dando prosseguimento a esta descoberta emocionante", disse Paul Hertz, diretor da divisão de Astrofísica da NASA.

Fora de questão, contudo, está o uso da Juno, aquela sonda que recentemente chegou a Júpiter, mas está focada no estudo do planeta gigante, e nem um pouco preocupada em relação as suas luas. Além de não ter instrumentos adequados para observar as plumas de Europa, a sonda sempre se mantém bem longe da mesma. "A Juno está focada em Júpiter, e nos esforçamos muito para que a Juno não se aproxime de Europa, para evitarmos o risco de contaminação", disse Curt Niebur, cientista do programa Europa, na sede da NASA.

De qualquer forma AssombradOs, os cientistas ainda não são capazes de afirmar com certeza absoluta se as observações que temos até o presente momento relacionadas a Europa são mesmo referentes a plumas de água. Aparentemente, caso sejam definitivamente confirmadas, elas aparentam ser intermitentes e parecem ocorrer em um determinada região de Europa. Enfim, ainda que pairem diversas dúvidas a respeito dessa intrigante lua de Júpiter, ainda assim ela tem um grande potencial para abrigar vida, e aparentemente estamos bem próximos dessa tão esperada confirmação.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://astro.if.ufrgs.br/solar/europapr.htm
http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2016/09/21/nasa-fara-anuncio-de-atividade-surpreendente-em-europa-a-lua-oceano-de-jupiter/

http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2016/09/26/hubble-faz-observacao-recorrente-de-plumas-de-agua-em-europa-a-lua-oceano-de-jupiter/
http://uk.businessinsider.com/nasa-europa-hubble-images-announcement-2016-9
http://www.americaspace.com/?p=46831
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3799973/Is-alien-life-Europa-Nasa-reveal-surprising-discovery-icy-moon-s-subsurface-oceans.html
http://www.galeriadometeorito.com/2016/05/como-seria-viver-em-europa-lua-de-jupiter.html#.V-QmV0BvB0o
http://www.galeriadometeorito.com/2016/09/nasa-faz-nova-revelacao-sobre-lua-europa.html#.V-l3REBvB0o
http://www.nasa.gov/press-release/nasa-s-hubble-spots-possible-water-plumes-erupting-on-jupiters-moon-europa
http://www.nasa.gov/press-release/nasa-to-hold-media-call-on-evidence-of-surprising-activity-on-europa
http://www.telegraph.co.uk/science/2016/09/26/nasa-to-announce-surprising-revelations-about-jupiters-moon-but/
http://www.vox.com/2015/2/16/8045979/europa-moon-jupiter
https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa_(satélite)
https://www.youtube.com/watch?v=4QJS9LcB66g
https://www.youtube.com/watch?v=SAZwNaqpD6Q
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