13 de junho de 2016

Conheça o "Misterioso" Som que Vem Tirando o Sono dos Moradores da Comunidade de Windsor-Essex, no Canadá

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Por Marco Faustino

Muito provavelmente vocês já devem ter ouvido sobre o "The Hum" ("O Zumbido", em português), que é considerado um fenômeno ou um conjunto de fenômenos, envolvendo relatos generalizados de um zumbido de baixa frequência, um tanto quanto persistente e invasivo, mas que nem toda a população consegue ouvir (estima-se que apenas 2% da população mundial consiga ouvir tal "zumbido"). Ao fazer uma rápida pesquisa no Google, é muito comum vocês encontrarem a palavra inglesa "Hum" quase sempre associada a cidade em que o fenômeno ocorre, como por exemplo: "Bristol Hum" (Bristol é uma cidade da Inglaterra), Taos Hum (Taos é uma cidade norte-americana no Novo México), Auckland Hum (Auckland é uma cidade da Nova Zelândia), e assim por diante. Existe até mesmo um site chamado "The World Hum Map and Database Project", que visa identificar os casos através dos relatos das pessoas, porém a maior parte dos casos se concentra nos Estados Unidos, e na Inglaterra. Também é possível encontrar dezenas de relatos semelhantes no Brasil. Uma postagem que realizei no mês de setembro do ano passado chamada "Trombeta do Apocalipse? Misterioso Som Intriga Moradores de Cidades da Grande Manchester, na Inglaterra" fez muito sucesso na época entre nossos seguidores no Facebook. Na época, não faltaram relatos de pessoas, que narravam ter escutado um som estranho em suas respectivas cidades.

O elemento essencial que define esse "zumbido" é que ele geralmente é notado como se fosse um "som de baixa frequência", muitas vezes descrito como se fosse o som produzido por um caminhão com motor a diesel, operando em marcha lenta. Provavelmente você já viu um caminhão parado com o motor ligado, lembra do som? Agora imagine esse som sendo reproduzido por um aparelho com subwoofer. É mais ou menos isso. Se qualquer pessoa fizer uma pesquisa no Youtube encontrará centenas de casos. Porém, cerca de pelo menos 90% dos vídeos publicados sobre "sons misteriosos" ou que mencionam o "The Hum", são absolutamente falsos. Muitos utilizam o áudio extraído de trechos de filmes, tais como: "Guerra dos Mundos" e "Seita Mortal". Também existem os casos onde há uma explicação racional para o som, seja de origem natural ou então provocado pelo próprio homem. Se fôssemos começar a mencionar caso por caso, bem, essa postagem não iria terminar tão cedo. Portanto, isso fica para uma outra ocasião.

Entretanto, alguns casos por mais que já tenham sido amplamente estudados, até hoje permanecem um verdadeiro mistério em relação a localização exata da fonte sonora. Um desses casos é o chamado "Windsor Hum", que vem tirando o sono dos moradores da comunidade de Windsor-Essex, no Canadá, desde o início de 2011. Isso mesmo que você leu, há pelo menos cinco anos as pessoas reclamam, quase que diariamente, desse incômodo som. Aliás, os moradores já relataram que o som fez vibrar objetos de vidro dentro dos armários de suas casas, além de causar desconforto, dores de cabeça e consequentemente insônia, visto que o som já ecoou por diversas vezes durante a madrugada, e costuma variar de intensidade. Em matérias publicadas recentemente no Canadá, e que rapidamente ganharam repercussão internacional, os moradores vêm relatando que o som está cada vez pior, e parece que ninguém consegue resolver o problema. Alguns citam que o som poderia ser um experimento secreto do governo, já outros dizem que o som teria uma origem extraterrestre. No entanto, estudos científicos anteriores apontaram que o som "provavelmente" viria de uma ilha artificial altamente industrializada, que fica "de frente" para a região, mas em território norte-americano. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Conheça um Pouco Sobre a Cidade de Windsor


A cidade de Windsor fica localizada na província de Ontario, sendo considerada a cidade mais ao sul do Canadá. Segundo o último censo realizado em 2011, a cidade possui pouco mais de de 210.000 habitantes. Windsor era uma das cidades que mais contribuíam com a indústria automobilística do Canadá, porém atualmente está praticamente falida. De qualquer maneira, a cidade tem muito a oferecer ao seu visitante em relação a sua história e sua cultura. Uma das partes mais interessantes é que o rio Detroit faz parte de sua paisagem, visto que de um lado temos o território canadense e do outro o norte-americano referente ao Estado do Michigan. Além disso, uma vez que ela é a cidade canadense com o maior número de dias em que ocorrem tempestades severas, ela tem sido historicamente sujeita a ocorrência de tornados, mas não é algo tão preocupante assim. Os piores incidentes ocorreram nos anos de 1946 e 1974.

Imagem do Google Maps mostrando a localização da cidade de Windsor, no Canadá, e a sua proximidade
com a cidade de Detroit, nos Estados Unidos
Apesar de ser considerada a "cidade das rosas", as doenças respiratórias associadas a poluição são mais comuns em Windsor do que em outros lugares no Canadá. Isso porque o vento carregado de poluição proveniente das usinas termoelétricas, que produzem energia através da queima do carvão, dos Estados Unidos, sopram em direção a cidade de Windsor, causando um transtorno considerável a saúde da população. O "The Weather Network", que é um canal de previsão do tempo do Canadá, já chegou a classificar a cidade como a "capital da poluição do Canadá". Só para deixar registrado, é bom ressaltar que a qualidade do ar na cidade de Windsor é bem superior caso fôssemos compará-la, por exemplo, com a cidade de São Paulo.

Apesar de ser considerada a "cidade das rosas", as doenças respiratórias associadas a poluição
são mais comuns em Windsor do que em outros lugares no Canadá
O vento carregado de poluição proveniente das usinas termoelétricas, que produzem energia através da queima do carvão, dos Estados Unidos (parte superior e a esquerda da foto), sopram em direção a cidade de Windsor, gerando um transtorno
considerável a saúde da população.
Apesar de toda essa situação, Windsor é considerada uma cidade bem segura para se morar, mesmo estando bem próxima da cidade norte-americana de Detroit. Das cinco comunidades consideradas mais seguras no Canadá, quatro delas estão localizadas na Área Metropolitana de Windsor (Amherstburg, LaSalle, Tecumseh, and Lakeshore). Para vocês terem uma ideia, a cidade não registrou um homícidio sequer em um período de 27 meses (entre 2009 e 2011).

Evidentemente, toda cidade tem suas belezas e suas mazelas, porém a cidade de Windsor se destaca nesse cenário por um outro detalhe um tanto quanto peculiar: um misterioso e incômodo "zumbido", que se tornou parte do cotidiano de seus moradores.

Um Incômodo "Zumbido" Surgiu em Março de 2011


Desde o mês de março de 2011, o Ministério do Meio Ambiente (singla em inglês, MoE) da Província de Ontário, no Canadá, vem recebendo reclamações e queixas de moradores da cidade de Windsor, e de cidades vizinhas, sobre um "zumbido" de baixa frequência, de natureza intermitente, e que persiste ao longo de várias horas. O som é ouvido com mais frequência ao sul da cidade de Windsor, e também na cidade vizinha de La Salle, que pertence ao condado de Essex, também no Canadá. É comumente descrito como um "zumbido profundo", como fosse de uma "fornalha", de um caminhão a diesel operando em marcha lenta ou então um ruído profundo, pulsante e vibrante, que é percebido mais frequentemente como se fosse uma "estranha sensação", do que necessariamente um som audível. Foi assim que o mesmo recebeu o apelido de "Windsor Hum."

Curioso para saber como é esse som? Veja o vídeo abaixo publicado no canal da emissora WXYZ-TV Detroit no Youtube (é recomendado que você escute com fones de ouvido ou alto-falantes com subwoofer para uma "melhor experiência", e entender o que os moradores locais enfrentam quase que diariamente):



Tudo começou quando o Departamento de Recursos Naturais do Canadá (sigla em inglês, NRCan) passou a receber diversas ligações durante a primavera de 2011 (relativa ao hemisfério norte), questionando se estava ocorrendo algum tipo de atividade sísmica na região de Windsor. O problema é que não havia nenhuma evidência nos sismógrafos pertencentes a Rede Nacional Sismográfica do Canadá (sigla em inglês, CNSN). Aliás, os equipamentos da CNSN tinham uma boa cobertura na região para registrar qualquer tipo de atividade sísmica por menor que ela fosse, e mesmo assim não havia nenhum registro.

Apesar de terremotos produzirem um som similar ao que estava sendo descrito, a duração é de apenas alguns poucos segundos, e não durante várias horas como estava sendo relatado. O Ministério do Meio Ambiente chegou a chegou até mesmo a investigar diversas indústrias locais na época, mas não conseguiu identificar a origem do som.

Para atender um pedido do próprio Ministério do Meio Ambiente, a CNSN instalou cerca de quatro sismógrafos em junho de 2011, na região oeste da cidade de Windsor, onde se localizava a maior parte das reclamações. Os equipamentos pemaneceram "captando" os sons até o final de agosto do mesmo ano, quando então foram removidos, e os dados foram enviados para serem analisados pelo Departamento de Recursos Naturais do Canadá (NRCan).

Mapa mostrando a localização das quatro estações sismográficas instaladas na cidade de Windsor, no Canadá
Essa análise gerou um relatório de 25 páginas, que foi divulgado em setembro daquele mesmo ano. Obviamente, traduzí-lo por completo faria com que essa postagem se alongasse de uma forma sem precendentes, portanto vamos apenas comentar o essencial, combinado? Se quiser ler ou fazer o download do documento original, clique aqui.

A frequência dominante dos sinais, em dois sismógrafos diferentes, era de aproximadamente 35Hz (34 a 37Hz). Quando foram analisar mais de perto esses sinais, encontraram uma sequência que foi registrada pela estação denominada como "POWR", aproximadamente 16 segundos antes que a mesma fosse registrada pela estação "LYON", sendo que as estações estavam a aproximadamente 6 km de distância uma da outra. Isso queria dizer que o sinal estava se propagando como uma onda acústica pela atmosfera. Se os sinais tivessem viajado pelo solo, a diferença seria inferior a 2 segundos.

Imagem dos espectrogramas das estações POWR e LYON entre 1 e 2h da manhã do dia 17 de junho de 2011
Destaque do sinal de aproximadamente 35Hz, e de maior interesse na análise dos dados, que foi realizada
pelo Departamento de Recursos Naturais do Canadá
A localização era outro ponto interessante da análise, porque foram cruzados os dados referentes as estações "POWR" e "LYON". A região mais provável como sendo a origem do misterioso som recaía nas proximidades de uma ilha artificial chamada "Zug Island", em território norte-americano, que abriga uma série de indústrias destinadas a fabricação de aço, principalmente a "The United States Steel Corporation" (U.S. Steel), a maior siderúrgica dos Estados Unidos (comentaremos sobre a "Zug Island" mais a frente, não se preocupem).

Também foi percebido que "a maior parte", do mais provável local de origem do misterioso "zumbido", estava sobre a água, o que reforçava a ideia de que a ilha artificial fosse mesmo a responsável pelo incômodo som. Contudo, o estudo não levava em consideração o vento, a topografia ou geologia local.
Mapa mostrando a localização das estações sismográficas, assim como a localização mais provável dos sinais que foram registrados. A região em vermelho no mapa indica que o local possui um intervalo de confiança no nível de 95% em relação aos dados obtidos das estações "POWR" e "LYON", ou seja, aponta para "Zug Island".
Leia a conclusão desse relatório: "Dois dos quatro sismógrafos instalados na cidade de Windsor, do dia 14 de junho a 25 de agosto de 2011 registraram um sinal de aproximadamente 35 Hz vindo dos arredores de Zug Island, Michigan durante os horários em que os sons foram relatados. Os sinais registrados são consistentes em relação ao horário, duração e características dos sons relatados na região de Windsor durante esses períodos. Os dados sísmicos não são capazes de identificar a origem do sinal, apenas a sua localização. Outras investigações serão necessárias para determinar a origem exata do sinal."

A análise realizada pelo Departamento de Recursos Naturais do Canadá (NRCan) apontou que "Zug Island" (no centro da foto), teria 95% de chances de ser a responsável pelo misterioso "zumbido", que estava atormentando os moradores de Windsor
Naquela época, mais precisamente no mesmo mês em que esse relatório foi divulgado, o site do jornal Windsor Star publicou um texto escrito por Al Maghnieh, então vereador da cidade da Windsor. No texto ele dizia que uma semana antes do relatório do Ministério do Meio Ambiente e do Departamento de Recursos Naturais do Canadá "confirmar" a origem do misterioso "zumbido", ele mesmo já tinha dito que a "responsabilidade" era de "Zug Island". Aliás, a ilha pertence a cidade de River Rouge, que por sua vez é considerada uma espécie de "subúrbio industrial de Detroit". Assista e escute o que foi registrado pelo próprio vereador Al Maghnieh naquela época:



O prefeito de River Rouge na época chamava-se Micheal D. Bowdler (detalhe que ele ainda é o atual prefeito), e era considerado por Al Maghnieh como um um verdadeiro "cavalheiro". Al Maghnieh disse que havia ligado para o prefeito Micheal Bowdler para convocar uma reunião, e que ele teria concordado de imediato. Aliás, não apenas o prefeito se encontraria com ele, mas como também o levaria até "Zug Island" para que o vereador canadense pudesse observar as instalações (algo que nunca aconteceu).

Al Maghnieh, ex-vereador da cidade de Windsor, no Canadá
Al Maghnieh estava confiante que descobriria a origem do problema, porque segundo ele todos os colegas norte-americanos estavam sendo muito prestativos. Ele terminou o texto de forma emblemática: "Anotem minhas palavras, isso será resolvido e vamos dar um fim ao zumbido". A ironia é que esse problema nunca foi resolvido, e o próprio Al Maghnieh desistiu da política anos depois, passando a viver na cidade de Hoboken, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos.

Aparentemente, apesar do som ser um tanto quanto incômodo, as reclamações por parte dos moradores da cidade de Windsor diminuíram no último trimestre de 2011. Houve um período de relativa calmaria, porém essa trégua não iria durar muito tempo.

O "Misterioso" Zumbido Volta com Força Total no Início de 2012


No final de janeiro de 2012, poucos meses após o relatório do Departamento de Recursos Naturais do Canadá (NRCan) ter apontado que o "zumbido" estaria vindo de "Zug Island", o site do jornal Windsor Star, apontava que o "Windsor Hum" havia voltado com força total. Alguns moradores da cidade também foram entrevistados para dar seus relatos sobre o que estava acontecendo no último fim de semana daquele mês de janeiro.

"É hora do governo federal fazer alguma coisa, e começar a dialogar com os Estados Unidos", disse David Robins, sócio do escritório de advocacia "Sutts & Stroberg", dizendo que sentiu vibrações nas paredes de sua casa.

"Temos quadros nas paredes, e eles ficaram tremendo na noite passada. Isso nunca tinha sido tão ruim ao ponto de fazer com que as coisas se movimentassem", disse Sonya Skillings, que na época era mãe de duas crianças, sendo uma delas de apenas 1 ano e 3 meses, um menino chamado Sam. Ela ficou acordada a noite inteira, visto que seu filho mais novo não conseguia dormir.

"Essa pertubação atrapalha totalmente o sono, ainda mais tendo um bebê em casa. É surreal. Simplesmente não há paz ou tranquilidade. Isso nunca tinha acontecido antes", completou Sonya, que estava há cerca de 10 anos morando na mesma casa.

Sonya Skillings, que na época era mãe de duas crianças, uma delas de apenas 1 ano e 3 meses, ficou acordada durante toda uma noite. De acordo com Sonya, era a primeira vez em 10 anos que seus quadros na parede tinham tremido.
O principal "personagem" dessa história, o então vereador Al Maghnieh, ressaltou na ocasião que recebeu uma "enxurrada" de reclamações sobre o tal "zumbido" durante aquele fim de semana, especialmente no domingo pela manhã. Ele também demonstrou toda sua frustração com o andamento do caso, em contraste com toda a esperança que ele tinha anteriormente.

"Estou pedindo ao governo federal para que terminem o que começaram, ou seja, chegar ao fundo de tudo isso para saber o que é esse zumbido. Estou extremamente frustrado pela forma como todo este processo vem acontecendo. Tivemos muita atenção por parte governo no ano passado e, agora, de repente, o Ministério do Meio Ambiente de Ontário parece estar lavando suas mãos, e o Departamento de Recursos Naturais do Canadá está simplesmente ignorando todo mundo. A única coisa que o pessoal de River Rouge sabe fazer é reclamar que não tem dinheiro, e que não podem pagar por uma investigação. Enquanto isso, os moradores de Windsor estão sofrendo com esse barulho", disse o então vereador Al Maghnieh.

No início de fevereiro de 2012, David Bower, Procurador de Justiça da cidade de River Rouge resolveu falar com a imprensa, mas seu discurso não foi nada animador. Segundo ele, o barulho não era problema deles, mas sim da cidade de Windsor.

Foto do prédio da prefeitura da cidade de River Rouge, nos Estados Unidos
"Não iremos pagar por algo para beneficiar outras pessoas, uma vez que isso não é um problema que nos afeta. Simplesmente não temos dinheiro para algo assim. Pessoalmente, não conheço nenhuma outra origem de onde isso estaria vindo, exceto a região de Zug Island. Tenho certeza de que a origem do som é devido a um processo industrial, mas é preciso mais do que apenas sair andando e falando por aí. Existe todo um processo para determinar a origem, mas não temos dinheiro. Alguém terá que pagar por isso", disse David Bower.

O que mais chama atenção dessa história é que de acordo com o último censo realizado na cidade norte-americana de River Rouge, a mesma possuía apenas 8.000 habitantes, algo que nem chega perto dos 210.000 habitantes da cidade canadense de Windsor. Na cidade de River Rouge vivem apenas pouco menos de 2.000 famílias, sendo que cerca de 25% do território da cidade é ocupado pela "Zug Island".

Na cidade de River Rouge residem apenas pouco menos de 2.000 famílias,
sendo que cerca de 25% do território da cidade é ocupado pela "Zug Island"
Além disso, a cidade de River Rouge havia dito no ano anterior (2011), que iriam rapidamente investigar a origem das vibrações. Contudo, logo em seguida eles recuaram, alegando a escassez de recursos financeiros para custear todo o processo, que levaria a identificação das causas desse problema. Mark Rabbior, o então porta-voz do Ministério do Meio Ambiente de Ontário, no Canadá, disse que apenas 23 reclamações tinham sido oficialmente registradas no órgão no mês de janeiro de 2012.

Entretanto, a gravidade da situação ficou evidente no final de fevereiro de 2012, quando cerca de 22 mil moradores ligaram para uma espécie de teleconferência de duas horas de duração promovida pela prefeitura da cidade de Windsor. Autoridades locais e até mesmo o prefeito de La Salle participaram desse evento, que era destinado somente a esclarecer as dúvidas dos moradores locais a respeito do "Windsor Hum."

Diversos moradores levantaram questões sobre os efeitos do "zumbido" na saúde das pessoas - incluindo uma mulher que estava grávida, e questionou se o som poderia fazer mal para o seu bebê. As pessoas também estavam preocupadas se o "zumbido" poderia provocar rachaduras nas fundações das casas em West Windsor e LaSalle. Outros moradores, no entanto, perguntaram se era possível entrar com alguma ação judicial, porém as autoridades diziam que primeiro era necessário identificar a origem exata do zumbido. Além disso, a melhor abordagem seria a via diplomática. Veja o que estava sendo veículado naquela época, através do canal "The Detroit News", no Youtube (em inglês):



Em abril de 2012, o site do jornal "Toronto Star" apontava que a indústria automobilística de Windsor havia praticamente falido, a taxa de desemprego era a mais alta de Ontario, e a cidade era uma das duas cidades cujas populações tinham "encolhido" no último censo. Como se tudo isso não bastasse, surgiu então o "zumbido" no início de 2011. O site também mencionou as possíveis teorias para explicá-lo: as minas de sal de Windsor, turbinas eólicas, o tráfego de navios, trens ou aviões na região, um rio subterrâneo, e até mesmo outras teorias dignas da série "Arquivo X". O texto também fazia duras críticas ao governo federal, dizendo que Ottawa (capital do Canadá) permanecia em silêncio diante de uma situação que estava soando mais como ficção científica.

Conheça um Pouco Sobre a "Zug Island" 


A "Zug Island" é uma ilha altamente industrializada, pertencente a cidade de River Rouge, porém ela não é uma ilha natural. A mesma foi criada quando um canal de navegação foi cavado ao longo do lado sudoeste da ilha, permitindo que navios pudessem contorná-la. Originalmente, era uma península pântanosa localizada na foz do rio Rouge, sendo que o local era destinado a um cemitério indígena, ou seja, de nativos norte-americanos há milhares de anos. Portanto, não tinha o menor valor comercial.

O início do interesse em fazer alguma coisa com aquela terra surgiu quando um homem chamado "Samuel Zug" chegou em Detroit no ano de 1836, para fazer fortuna na indústria de móveis com o dinheiro que havia ganhado trabalhando como contador. Pouco depois, um empresário chamado Marcus Stevenson entrou no negócio, e ambos fundaram a "Stevenson & Zug Furniture".

Mapa do Google Maps mostrando a localização da "Zug Island"
A "Stevenson & Zug Furniture" prosperou até 1859, quando Zug, agora um homem rico, desistiu da parceria. Ele decidiu investir em imóveis para proporcionar uma maior segurança financeira para sua esposa, Ann. Prevendo uma propriedade de luxo no rio Detroit, Zug comprou cerca de 325 acres (1,32 km²) de terreno pantanoso, próximo do Fort Wayne, da cidade de Delray em 1876. Porém, a umidade foi demais para os Zugs, e após cerca de 10 anos morando no local, eles abandonaram a propriedade.

Em 1888, Zug deixou a "River Rouge Improvement Company" cavar um pequeno canal através do sul de sua propriedade para interligar o rio Rouge ao rio Detroit. Três anos mais tarde, Zug fez a maior transação imobiliária da década: ele vendeu sua "ilha" por US$ 300.000 (uma fortuna na época) para as indústrias, que queriam torná-la um depósito de lixo. Samuel Zug faleceu aos 80 anos de idade, em 1896, sem saber que a venda da "ilha" geraria um imenso transtorno no século seguinte.

Samuel Zug faleceu aos 80 anos de idade, em 1896, sem saber que a venda da "ilha" geraria
um imenso transtorno no século seguinte
A partir de 1902 a ilha passou a abrigar indústrias para a fabricação de ferro, e posteriormente de aço. Atualmente, o complexo industrial possui cerca de três alto-fornos e silos para o armazenamento de matéria-prima, que pertencem principalmente a coorporações como a "U.S. Steel" e a "DTE Energy", que geram emprego para cerca de 1.800 operários que trabalham em suas instalações.

Atualmente, o complexo industrial possui cerca de três alto-fornos e silos para o armazenamento de matéria-prima, que pertencem principalmente a coorporações como a "U.S. Steel" e a "DTE Energy", que geram emprego para cerca de 1.800 operários que trabalham em suas instalações
Um dos problemas mais graves nos arredores de "Zug Island" é a péssima qualidade do ar. De acordo com um artigo publicado no jornal "Detroit Free Press", em 20 de janeiro de 2010, das dez localidades mais poluídas do estado de Michigan, seis estavam localizadas nas proximidades de "Zug Island". No artigo, os moradores citavam amostras de qualidade do ar que continham chumbo e altos níveis de metil-etil-cetona, cuja  inalação pode causar tosse, vertigens, tontura, dor de cabeça, náuseas, enjoo, vômitos, perda da consciência. Também mencionavam um grande número de casos de câncer e de asma. Isso sem contar o "mau cheiro" vindo de um "pó brilhante", que só era possível ser removido com um limpador de vaso sanitário. Assista a uma filmagem mostrando as atividades em "Zug Island" durante a noite:



É importante ressaltar que o acesso a "Zug Island" é extremamente restrito, visto que é uma propriedade privada, e todo o perímetro é intensamente vigiado por seguranças particulares. Nem visitantes, muito menos câmeras são permitidas dentro da ilha. Resumindo, seja lá o que realmente fazem, não querem ser pertubados. De qualquer forma, cerca de um ano depois esses não seriam os únicos problemas da região, ao menos não para a comunidade de Windsor-Essex.

Os Estudos Financiados pelo Governo Federal Canadense Para Investigar o Misterioso "Windsor Hum"


Aparentemente, Ottawa "acordou" em relação ao problemas enfrentados pela população da cidade de Windsor em janeiro de 2013, visto que eles anunciaram que iriam financiar dois estudos, através do Departamento de Relações Exteriores e Comércio Internacional do Canadá (sigla em inglês, DFAIT), para tentar encontrar a origem exata do misterioso "zumbido", que estava prejudicando e causando um impacto negativo no cotidiano dos moradores da cidade.

Cerca de C$ 60.000 (aproximadamente R$ 160.000 pela cotação atual) seriam investidos para que a "University of Windsor" e a "Western University" investigassem o caso. Naquela época, o destaque ficava por conta do Dr. Colin Novak, então professor assistente de Engenharia Mecânica da Universidade de Windsor, que era um dos pesquisadores que tentariam localizar a origem exata do som. Ele alegava que seriam utilizados equipamentos de última geração, e que muito provavelmente elucidariam de vez essa questão. Assista a uma reportagem feita pela WXYZ-TV Detroit, em seu respectivo canal no Youtube, sobre isso (em inglês):



O Estudo da "Western University"


A primeira universidade a concluir os estudos foi a "Western University", em 15 de junho de 2013. Em um estudo denominado "Scientific Research to Characterize and Localize the Windsor Hum: Final Report", e assinado pelos pesquisadores E.A. Silber e P.G. Brown, do Departamento de Física e Astronomia da "Western University", o mesmo se mostrou inconclusivo. Sim, isso mesmo que você leu. Os pesquisadores não sabiam dizer a origem do som.

O papel da universidade era de instalar duas estações com equipamentos portáteis para captar infrassons (ondas sonoras extremamente graves, com frequências abaixo dos 20 Hz, portanto abaixo da faixa audível do ouvido humano que é de 20 Hz a 20.000 Hz) na região de Windsor, e monitorá-las durante aproximadamente um mês, com o objetivo de determinar a frequência, a direção e a origem do "zumbido". Aliás, os equipamentos tinham sido fornecidos pelo Departamento de Recursos Naturais do Canadá (NRCan). Assim sendo, o monitoramento ocorreu entre o final de fevereiro e início de março de 2013.
Uma das estações com equipamentos portáteis para captar infrassons que foram instaladas pela Western University
O conjunto montado no "Ponto 1", próximo a uma mina de sal da cidade de Windsor, apresentou um amplo espectro de sinais em todas as direções, e em um "raro momento" apontou para "Zug Island", da mesma forma como foi apresentado em um relatório anterior produzido pela NRCan. Já o conjunto montado no "Ponto 2", que seria uma área destinada a transportes na cidade, mostrou sinais de 35Hz, compatíveis com o "zumbido", sendo emanados do centro da cidade de Windsor, o que poderia ser a real origem do som ou então estar sendo mascarado por ele.
Mapa mostrando a localização das estações, sendo que o "Array 1" é referente a uma mina de sal da cidade de Windsor, e o "Array 2" é referente a uma área utilizada para transportes na cidade
Como resultado, os pesquisadores não conseguiram localizar a origem exata do som, e para piorar a situação, a maior parte das observações de ambas as estações não validavam a hipótese de que a fonte do "zumbido" emanasse de "Zug Island".

O estudo ainda dizia que as complexidades em relação a propagação acústica nas condições locais de Windsor, incluindo sua geologia (Windsor possui uma estrutura geológica sinclinal), sua vegetação, os caminhos de propagação, interferência, turbulência, entre outros, poderiam desempenhar um papel fundamental ou parcial na propagação do som. Embora não fosse possível determinar a fonte exata do "zumbido", as fontes possíveis poderiam incluir as atividades em uma pedreira ou em sistemas de ventilação industrial. Caso alguém queira conferir esse estudo, é possível baixá-lo clicando aqui.

O Estudo da "University of Windsor"


O estudo proveniente da Universidade de Windsor, que foi conduzido pelo Dr. Colin Novak, foi um pouco mais a fundo nessa história, comentando sobre o famoso "The Hum", seu possível impacto negativo em relação as pessoas das mais diversas localidades ao redor do mundo, até chegar na questão sobre o "Windsor Hum". Na época foram utilizados equipamentos no valor total de C$ 250.000 (cerca de R$ 670.000 pela cotação atual), e o estudo foi concluído apenas em 15 de janeiro de 2014.

Dr. Colin Novak, então professor assistente de Engenharia Mecânica da Universidade de Windsor, no Canadá
Esse estudo denominado de "Investigation of Windsor Hum" foi basicamente realizado em duas fases. A primeira fase consistia em identificar e caracterizar a assinatura acústica do "zumbido" utilizando equipamentos de monitoramento de ruídos, que foram instalados por toda a comunidade de Windsor-Essex. Uma vez que o "zumbido" foi medido e caracterizado, a segunda fase consistia em determinar a origem exata do "zumbido" utilizando equipamentos e softwares avançados para a localização do mesmo.

O relatório incluiu uma discussão aprofundada das possíveis fontes capazes de produzir o "zumbido" relatado. O estudo comparou as fontes potenciais com os sons caracterizados medidos na primeira fase. Porém, ao longo de todo o monitoramento, o "zumbido" ocorreu apenas em alguns dias, o que tornou a identificação de sua origem um tanto quanto difícil. Apesar das estações terem coletado uma quantidade razoável de dados para serem analisados, a evidência conclusiva sobre sua exata localização não pode ser obtida, visto que o "zumbido" não ocorreu enquanto o equipamento mais sofisticado para essa finalidade estava presente em uma embarcação no rio Detroit.

Na época, em uma matéria publicada pela revista "On Earth", um porta-voz da "DTE Energy" disse que a empresa não utilizava quaisquer equipamentos que fossem capazes de criar as vibrações que produzissem aquele "zumbido". Uma representante da "U.S. Steel", disse a empresa estava "consciente de que a comunidade de Windsor acreditava que o zumbido fosse proveniente de Zug Island, porém eles não acreditavam que estivesse relacionado a siderúrgica deles". Ainda foi dito que "U.S. Steel" iria considerar as solicitações para permitir que pesquisadores instalassem equipamentos na ilha para procurar pelo "zumbido", dependendo "do pedido e de sua abrangência", porém os pedidos sempre foram negados.

Novamente a suspeita de mais um estudo sobre o "Windsor Hum" recaiu em "Zug Island"
Apesar de tudo isso, a conclusão do estudo era que o "Windsor Hum" realmente existia, não era uma "histeria coletiva", e possuía características qualitativas e quantitativas, que correspondiam as operações de alto-fornos em "Zug Island". Vale lembrar que o "alto-forno" é como se chama a construção, de tamanho variável, externamente revestida por metal e internamente com material refratário, onde é fundido o minério de ferro, com o intuito de transformá-lo em ferro-gusa em uma siderúrgica. Caso alguém queira conferir esse estudo, é possível baixá-lo clicando aqui.

O Sigilo em Relação Aos Relatórios e o Possível Vazamento no Início do Ano


A mídia canadense só ficou sabendo desses estudos em maio de 2014, e ainda sim os mesmos não foram liberados para consulta pública. Somente autoridades canadenses e norte-americanas tiveram acesso aos relatórios finais. Ao público foi destinado apenas uma espécie de resumo dos mesmos. Evidentemente, estranhei que os relatórios finais não tivessem sido disponibilizados publicamente pelas autoridades canadenses, e fui pesquisar mais a fundo sobre isso.

Em minha jornada de pesquisas, encontrei uma matéria no site da revista "Vice", que foi publicada no dia 4 de março desse ano, que retratava bem essa situação. O texto apontava que os relatórios referentes aos estudos realizados em 2013 estavam sendo mantidos em sigilo pelo governo canadense, e ninguém dizia o motivo. Nem mesmo o Dr. Colin Novak comentou sobre o assunto quando questionado pela revista "Vice". Ainda foi apontado, que foi enviada uma carta ao governo federal canadense pedindo a liberação de tais documentos em janeiro, mas até o momento da publicação da matéria, ainda não havia qualquer tipo de resposta. Bem estranho, não é mesmo?

Os endereços para consulta e download  desses estudos, que estamos disponibilizando nessa postagem, foram publicados por um site chamado "Zug Island Documentary" há cerca de apenas 3 meses, ou seja, apenas em março desse ano. Uma vez que não encontrei nenhum endereço oficial para consultar tais relatórios, imagino que eles tenham sido vazados recentemente de alguma forma.

O HAARP Seria o Responsável pelo "Windsor Hum"?


Como se não bastasse todo o problema gerado pelo "zumbido", o assunto virou alvo de teóricos da conspiração através da série "Joe Rogan Questions Everything", exibido pelo canal SyFy, que teve apenas seis episódios no ano de 2013. Foi justamente no segundo episódio, exibido no dia 31 de julho daquele ano, que foi apresentada a hipótese de que o misterioso "Windsor Hum" fosse gerado pelo HAARP ("Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência"), um estudo que era financiado pelo governo norte-americano, e a Universidade do Alasca, com o propósito oficial de "entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância."

No segundo episódio da série Joe Rogan Questions Everything, exibido no dia 31 de julho daquele ano, que foi apresentada a hipótese de que o misterioso "Windsor Hum" fosse gerado pelo HAARP ("Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência")
O HAARP sempre foi objeto de discussão entre os teóricos da conspiração, visto que havia a alegação que o mesmo poderia provocar mudanças no tempo, assim como furacões e terremotos em qualquer ponto do planeta. Logo, a comunidade de Windsor-Essex poderia estar sendo alvo de um experimento de cunho militar por parte dos Estados Unidos, uma espécie de teste prático sobre o comportamento humano em baixas frequências. Entretanto, essa hipótese era descartada por 99% dos moradores locais.

O "Windsor Hum" Volta a Ressoar Ainda mais Forte na Comunidade de Windsor-Essex, no Início de 2016


Aparentemente, o incômodo "zumbido" deu uma relativa trégua ao longo de 2015, porém, no começo desse ano, o "Windsor Hum" voltou a ressoar ainda com mais força na comunidade de Windsor-Essex, sendo considerado por muitos, como o pior "zumbido" de todos os tempos.

Entre todos os moradores, com certeza um dos mais afetados é um homem chamado Mike Provost, 62 anos, aposentado, e que ajuda a investigar o caso desde que o fenômeno surgiu pela primeira vez. Isso porque o quintal de sua casa fica de frente para "Zug Island" (uma distância de 17 km), que até hoje é considerada como a mais provável responsável pelo "zumbido", muito embora ninguém tenha conseguido até hoje apontar para a exata origem do som.

Mike Provost, 62 anos, aposentado, vem registrando o "Windsor Hum" desde que o fenômero surgiu pela primeira vez. Ele anota o horário em que "zumbido" ocorre, bem como sua duração e características
"Você escuta um barulho bem alto. Tem sido bem perceptível nos últimos seis ou sete meses", disse Mike Provost, em entrevista para o site do jornal "Windsor Star", em março desse ano. O texto ainda ressaltava que o som se tornava mais intenso por volta das 20h, e que os moradores locais continuavam enviando cartas para o governo federal, na esperança que o mesmo tomasse alguma medida.

Mike voltou a ser entrevistado pelo Windsor Star em abril desse ano, relatando que a noite do dia 17 de abril tinha sido a pior de todos os tempos, com uma intensidade que ele nunca havia notado anteriormente.

"Foi desastroso na noite passada. Foi algo inacreditável. Eu nunca o tinha escutado dessa forma, mesmo após tantos anos o registrando. Nunca tinha ouvido algo assim", disse Mike Provost, que sempre alegou, que o "zumbido" era algo absolutamente terrível, visto que fazia com as paredes de sua casa tremessem, assim como os vidros das janelas. Segundo ele, o "zumbido" levava qualquer um ao limite.

"Foi desastroso na noite passada. Foi algo inacreditável. Eu nunca o tinha escutado dessa forma, mesmo após tantos anos o registrando. Nunca tinha ouvido algo assim", disse Mike Provost.
A ironia é que por mais que tenha sido gasto uma expressiva quantia dos cofres públicos canadenses, e por mais que diversos pesquisadores tenham sugerido que o "zumbido" tenha origem em algum ponto de "Zug Island", ninguém até hoje conseguiu obter uma "prova cabal" do envolvimento da ilha em toda essa história. Incrivelmente, as conclusões dos estudos acabaram virando meras especulações ao longo do tempo, alimentando teorias cada vez mais conspiratórias e praticamente enlouquecendo os moradores da comunidade de Windsor-Essex.

Comentários Finais


Não seria exagero dizer que os moradores da cidade de Windsor convivem com o som que ecoa do "Inferno", afinal estão de frente para uma região que há muito tempo foi esquecida pelo governo norte-americano, cujo lema oficial é "In God We Trust" ("Em Deus, Nós Confiamos", em português). Como dizer para as indústrias, que um dia pagaram caro por um terreno que nada valia, e que construíram um pequeno império ilhado de qualquer tipo de repressão ou investigação de suas atividades, que elas não podem fazer com seus alto-fornos rujam alto para que todos tremam perante o poderio econômico, ainda exercido por elas? Aliás, a própria cidade de Windsor se beneficiou com a próspera Detroit, e sua fortíssima indústria automobilística, que hoje em dia se resume a uma triste sinfonia sobre a destruição do sonho americano. Seus esqueletos, no entanto, ainda são visíveis, e sua poluição sentida dentro dos pulmões dos moradores, que ainda precisam respirar fundo para tentar conviver com o impossível, porém previsível: um impasse diplomático, que só demonstra a submissão e conveniência do lado canadense. Afinal, o que realmente podem fazer contra isso?

É justamente essa pergunta que muitas autoridades canadenses e norte-americanas com certeza se fizeram ao longo dos últimos anos, e evidentemente nunca teve uma resposta. Prefiro acreditar que os pesquisadores fizeram a parte deles em toda essa história, e que analisaram de forma efetiva a situação enfrentada por seus compatriotas. Muito embora, é claro, não conseguiram, por um "mero" detalhe, forjar um material tão resistente ao ponto de resistir a pressão do outro lado da margem. O mais impressionante dessa história é que mesmo havendo um gigante de aço vivendo em seu próprio mundo, alguns teóricos da conspiração fizeram questão de mencionar o HAARP, ou que o som poderia ser um prenúncio do final dos tempos. O único problema é que esqueceram de mencionar isso para a população de Windsor, visto que somente quem não mora na cidade cogita essa hipótese. De qualquer forma, confesso que algumas perguntas não foram respondidas. Por que o som foi percebido somente em 2011? O que aconteceu de diferente a partir desse ano na região? Por que o som é intermitente? Por que passa um bom tempo sem ser notado, e de repente ele "ataca" com toda sua fúria? Seria mesmo a responsabilidade de "Zug Island" ou temos outro fenômeno acontecendo na comunidade de Windsor-Essex?

O único conforto dos moradores da cidade de Windsor acaba sendo o grupo fechado no Facebook chamado de "The Windsor/Essex County Hum", administrado por Gary Grosse, no qual eles podem encontrar pessoas que também sofrem com o problema, e buscam lidar com isso da melhor forma possível. Provavelmente, a única voz que eles escutarão nos próximos anos será dos seus próprios vizinhos, e de outros moradores da região, porque as autoridades canadenses permanecem em silêncio, e apenas prometem ações vazias para tentar acalmar os ânimos da população. Enquanto isso, o "Windsor Hum" continua ressoando dia e noite pela região, algo que pode ser sentido e ouvido por boa parte de sua população. Nem todos, é claro, sofrem com a infelicidade de terem uma boa audição, e infelizmente não percebem o som emanando ao seu redor. De qualquer forma, é emblemática a conclusão da Universidade de Windsor ao afirmar que o "zumbido" era real, não era "imaginação das pessoas". Pois é, você pode não acreditar no Diabo, mas ele acredita em você.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://cr4.globalspec.com/thread/76018/What-is-causing-the-Zug-Island-Hum
http://news.nationalpost.com/news/canada/the-ranchlands-hum-a-mysterious-noise-has-been-plaguing-residents-of-a-calgary-community-since-2008
http://windsorstar.com/news/22000-residents-dial-in-to-windsor-hum-telephone-town-hall
http://windsorstar.com/news/local-news/barry-white-and-the-zug-island-hum
http://windsorstar.com/news/local-news/industrial-noise-again-haunts-west-end-residents
http://windsorstar.com/news/local-news/windsor-hum-worst-in-years-say-some-west-end-residents
http://windsorstar.com/news/river-rouge-too-broke-to-figure-out-windsor-hum
http://www.cbc.ca/news/canada/windsor/windsor-s-mysterious-hum-research-to-be-funded-by-ottawa-1.1303981
http://www.cbc.ca/news/canada/windsor/world-hum-windsor-bc-1.3548758
http://www.cbc.ca/radio/asithappens/as-it-happens-tuesday-edition-1.3543092/windsor-hum-is-louder-than-ever-and-boy-is-it-annoying-1.3543098
http://www.international.gc.ca/department-ministere/windsor_hum_results-bourdonnement_windsor_resultats.aspx?lang=eng
http://www.usatoday.com/story/news/nation-now/2016/03/07/strange-hum-canadian-city-windsor/81453386/
http://www.windsorstar.com/news/Windsor+back+with+vengeance/6069986/story.html
http://www.zugislanddocumentary.com/post/140464280373/windsor-hum-reports-both-studies
https://en.wikipedia.org/wiki/Windsor,_Ontario
https://news.vice.com/article/a-mysterious-hum-is-plaguing-windsor
https://www.facebook.com/groups/WindsorHum/?ref=br_rs
https://www.theguardian.com/world/2016/jun/07/windsor-hum-canada-zug-island-united-states
https://www.thestar.com/news/canada/2012/04/20/ottawa_looking_to_silence_the_hum_of_zug_island.html
https://www.thestar.com/news/canada/2014/05/23/federal_study_fails_to_pinpoint_exact_cause_of_windsor_hum.html
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