5 de maio de 2016

Estamos Sozinhos no Universo? Novo Cálculo Aponta que Não, Porém Civilizações Avançadas Provavelmente Estariam Extintas

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Por Marco Faustino

No mês passado, o físico teórico Stephen Hawking anunciou apoio a um ambicioso projeto de exploração espacial batizado de Breaktrough Starshot, estimado em US$ 100 milhões (cerca de R$ 360 milhões), e financiado pelo bilionário russo Yuri Milner. O projeto, que também é apoiado por Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, prevê um novo e minúsculo modelo de sonda com a qual se pretende alcançar o sistema estelar mais próximo ao nosso, Alfa Centauro, que está a 4,37 anos-luz da Terra. O projeto usará "nanossondas" extremamentes leves, chamadas "lightsails". Elas viajarão pelo espaço com uma espécie de vela, como a de barcos, mas movida a radiação solar, e contarão com um impulso inicial dado por um raio laser de 100 gigawatts, uma potência suficiente para "acelerar" as pequenas sondas espaciais a 20% da velocidade da luz. Com a nave mais rápida da atualidade, demoraria 30 mil anos para chegar lá, mas a meta é encurtar a viagem para "apenas" 20 anos. Estima-se que o objetivo só seja alcançado em cerca de 50 anos. São 20 anos para a construção da tecnologia necessária, mais 20 anos para que as "nanossondas" cheguem até Alfa Centauro, e mais menos 4 anos para receber os dados de volta à Terra.

Para Stephen Hawking o objetivo era sobrevivermos como espécie, ou seja, encontrarmos um planeta parecido com a Terra, capaz de sustentar a vida como a conhecemos. Entretanto, cerca de duas semanas após o mundo ter recebido com euforia a notícia sobre essa união de esforços para ampliarmos consideravelmente nossa capacidade de exploração do Universo, foi divulgado na mídia um artigo realizado por dois astrônomos norte-americanos, em que a famosa equação de Drake foi reformulada, o que pode agradar tanto aos "otimistas" quanto aos "pessimistas".

Você provavelmente já deve ter olhado para o céu durante a noite e se perguntado: "Estamos sozinhos no Universo?" Esta pergunta, resumida na equação de Drake, vem sendo por mais de meio século uma das perguntas mais insolúveis da ciência. Nesse novo artigo publicado em uma recente edição do  periódico Astrobiology, mostra que as recentes descobertas de exoplanetas combinados com uma abordagem mais ampla para essa pergunta, tornam possível atribuir uma nova probabilidade empírica válida para sabermos se quaisquer outras civilizações tecnológicas avançadas já existiram. O resultado é que provavelmente não somos a primeira e única civilização tecnológica ou avançada, mas que outras civilizações avançadas, apesar de terem sido abundantes no Universo, muito provavelmente já estariam extintas. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Antes de começarmos a tratar especificamente sobre essa nova versão da equação de Drake e suas respectivas implicações, precisamos informar vocês sobre a origem da equação original, quem a criou e seu significado. Nesse ponto muitos podem pensar que por se tratar de uma "equação", quer dizer que teríamos termos matemáticos muito complicados, porém vamos demonstrar que qualquer pessoa, mesmo que não entenda quase nada sobre o "mundo da matemática" ou da astronomia pode compreendê-la perfeitamente.

A Equação de Drake


Em 1959, os físicos Giuseppe Cocconi e Philip Morrison publicaram um artigo na revista Nature, argumentado que os radiotelescópios tinham sido aperfeiçoados ao longo do tempo, ao ponto de poderem interceptar transmissões que por ventura estivessem sendo transmitidas pelo espaço por civilizações que orbitassem outras estrelas. Essas mensagens poderiam ser enviadas a um comprimento de onda de 21 centímetros (1420.4057 MHz). Esse é o comprimento de onda emitido pelo hidrogênio neutro, o elemento mais comum no Universo. Assim sendo, eles concluíram que outras civilizações inteligentes poderiam ver isso como um ponto de referência dentro do espectro eletromagnético. Se você acompanha de perto o nosso blog e o nosso canal vai se lembrar do famoso sinal "Wow!" (saiba mais em: O Misterioso "Sinal Wow!" Pode Ter Vindo de Cometas, não de Civilizações Extraterrestes).

Apenas alguns meses depois, Frank Drake, um astrônomo e astrofísico norte-americano (atualmente Professor Emérito de Astronomia e Astrofísica pela Universidade da Califórnia), tornou-se a primeira pessoa a iniciar uma busca sistemática por sinais de vida inteligente no Cosmos, utilizando o Observatório Nacional de Radioastronomia em Green Bank, Virgínia, nos Estados Unidos.

Frank Drake, professor Emérito de Astronomia e Astrofísica pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos
No projeto que ele chamou de Projeto Ozma (nome inspirado pelo filme "O Mágico de Oz"), Drake investigou duas estrelas semelhantes ao nosso Sol: Episilon Eridani e Tau Ceti. Ele foi capaz de escanear frequências próximas de 21 centímetros de comprimento de onda durante seis horas por dia, do mês de abril até julho de 1960. O projeto era bem simples, barato e até bem elaborado, porém não rendeu nenhum resultado positivo. Apesar do fracasso do Projeto Ozma, o mesmo se tornou o precursor do Projeto SETI (sigla em inglês para Search for Extraterrestrial Intelligence, que significa Busca por Inteligência Extraterrestre, em português).

Frank Drake tornou-se a primeira pessoa a iniciar uma busca sistemática por sinais de vida inteligente no Cosmos, utilizando o Observatório Nacional de Radioastronomia em Green Bank, Virgínia, nos Estados Unidos
No ano seguinte, ou seja, em 1961, Frank Drake apresentou ao mundo uma equação, que até hoje é utilizada para estimar a quantidade de civilizações extraterrestres em nossa galáxia, a Via Láctea, cujo nível tecnológico possibilitaria estabelecer um contato conosco, porém a equação não tinha propósitos probabilísticos reais, mas sim de estimular um diálogo científico no primeiro encontro SETI.

Os termos colocados na equação são apenas uma proposição de condições prováveis para começarmos as buscas por vida fora da Terra. Uma vez que a preocupação principal de Drake era o Projeto SETI, sua equação incluía ainda um fator que tentava levar em conta a "longevidade" de uma civilização. Convenhamos que não é possível estabelecer um diálogo com uma civilização que se autodestruiu, por exemplo, devido a um "holocausto nuclear" ou "aquecimento global", não é mesmo?

A equação se popularizou no seriado e no livro Cosmos, de Carl Sagan, além de ter sido divulgada em diversos outros livros sobre Astronomia, bem como de pseudociência, como o livro "Eram os Deuses Astronautas?", em revistas de ufologia etc. Apesar de aparecer em algumas publicações de credibilidade duvidosa, a equação é de certa forma bem fundamentada e muito simples de entender. Curioso para saber a fórmula? Dê uma olhada nela:
Calma, a equação não é nenhum bicho de sete cabeças. Confira abaixo o que cada fator representa:
  • N é o número de civilizações extraterrestres em nossa galáxia com as quais poderíamos ter chances de estabelecer comunicação.
  • R* é a taxa de formação de estrelas em nossa galáxia.
  • fp é a fração de tais estrelas que possuem planetas em órbita.
  • ne é o número médio de planetas que potencialmente permitem o desenvolvimento de vida por estrela que possui planetas.
  • fl é a fração dos planetas com potencial para vida que realmente desenvolveram vida.
  • fi é a fração dos planetas que desenvolveram vida inteligente.
  • fc é a fração de civilizações inteligentes que desenvolveram uma tecnologia capaz de emitir no espaço sinais detectáveis de sua existência.
  • L é basicamente expectativa média de vida dessas civilizações.
Nas contas do próprio Drake, o N, que seria o número de civilizações na nossa galáxia capazes de se comunicar com a Terra, chegaria a 10 mil. Nos últimos anos Drake passou a acreditar que esse número pudesse ser maior. Um dos motivos é que a ciência passou recentemente a admitir a possibilidade de que estrelas anãs vermelhas tenham planetas habitáveis. Algo que já comentamos algumas vezes em nosso blog (saiba mais em: Vida Inteligente Fora da Terra? Será Mesmo que Civilizações Avançadas Podem Viver em Aglomerados Globulares? / A Nova Aposta do SETI: A Busca Por Vida Extraterrestre Inteligente em Sistemas ao Redor de Estrelas Anãs Vermelhas!)

Uma vez que essa equação deu asas a imaginação daqueles que acreditam em vida extraterrestre, otimistas e pessimistas resolveram apresentar as suas versões ao longo do tempo. O astrônomo Carl Sagan calculou nada menos do que 1 milhão de civilizações. O escritor de ficção científica Isaac Asimov calculou 530 mil. O astrofísico Thomas R. McDonough chegou a 4 mil. Entretanto, o psicólogo e diretor da Skeptic Magazine, Michael Shermer, arredondou as contas para apenas três civilizações avançadas. Já o escritor Michael Crichton, o autor do livro "O Parque dos Dinossauros", chamou a equação de "pseudociência", visto que a mesma não podia ser testada, e assim sendo não teria nenhuma relação com a Ciência. Confira a explicação dessa equação por Carl Sagan:



Achou muito complicado? Tente assistir a um vídeo semelhante realizado pelo canal "Ciência Todo Dia":



Com certeza você entenderá plenamente a dinâmica da equação de Drake após assistir a algum desses vídeos. Entretanto, o maior problema dessa equação são as grandes incertezas que muitos fatores possuem, principalmente em relação aos últimos três fatores. Isso levou os críticos a rotularem a equação como um mero palpite ou até mesmo pseudociência. Apesar dos pesares, hoje em dia existem "versões atualizadas" dessa equação, que levam em conta as descobertas feitas desde a década de 1960, e será justamente a mais recente delas, o assunto principal retratado por essa postagem.

Nesse ponto é interessante ressaltar que Frank Drake participou com Carl Sagan, em 1972, da elaboração das placas com mensagens sobre a Terra, que foram enviados para os espaço a bordo das naves Pioneer 10 e 11, sendo também supervisor da produção dos discos de ouro das naves Voyager 1 e 2, lançadas em 1977. Em 1974, escreveu a mensagem de Arecibo, enviada por sinais de rádio para o espaço, com objetivo de transmitir à possíveis civilizações extraterrestres informações sobre a humanidade e nosso planeta, utilizando o radiotelescópio de Arecibo.

Frank Drake possui um vitral em sua casa com a mensagem de Arecibo, sendo que ele próprio criou a mensagem. Uma mensagem simples, codificada em base binária, e que foi transmitida para o espaço pelo radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, em 1974.
Frank Drake ainda está atuante no Projeto SETI, ocupando uma posição de destaque como "Presidente Emérito", com seus 85 anos, e participando dos esforços de busca de sinais de vida extraterrestre. Aliás, ele é um dos astrônomos que compõe o grupo de cientistas e pesquisadores do Projeto Breaktrough Starshot, que citamos no início.

De qualquer forma, após toda essa explicação, você deve ter notado que alguns dos fatores da equação são extremamente difíceis de se estimar. Por exemplo, de todos os planetas que desenvolvem vida, quantos chegam a ter uma espécie inteligente, avançada e tecnológica? E por quanto tempo vive uma civilização a partir do momento que ela surge como espécie? A verdade é que o fator "L" é um dos mais complicados de se estimar, pois só existe um exemplo conhecido: o nosso planeta Terra. O resultado é que a equação de Drake pode dar a resposta que você quiser, dependendo é claro, do seu otimismo ou do seu pessimismo sobre os fatores desconhecidos. Apesar de funcional, a equação é meramente hipotética. Entretanto, dois astrônomos norte-americanos resolveram abordar toda essa questão por um outro ponto de vista.

A Nova Proposta de Adam Frank e Woodruff Sullivan: "A Equação Arqueológica de Drake"


Um novo artigo publicado no periódico Astrobiology sugere que poderia haver uma maneira de simplificar a equação de Drake, com base nas observações de exoplanetas que temos feito desde o primeiro deles foi descoberto na década de 1990. Segundo os pesquisadores, embora o resultado possa ser desanimador, ou seja, que a vida já foi abundante, mas provavelmente está extinta, o mesmo tem aplicações para nos ajudar a aumentar a expectativa de vida da nossa própria civilização, não de cada indivíduo, mas do ser humano como espécie. O artigo foi elaborado por Adam Frank, professor de física e astronomia na Universidade de Rochester, em Nova Iorque, nos Estados Unidos e por Woody Sullivan, físico e astrônomo pertencente ao Departamento de Astronomia e do Programa de Astrobiologia da Universidade de Washington, também nos Estados Unidos.

Vale ressaltar nesse momento, que esse assunto pode ser um tanto quanto complicado de se entender no começo, por isso, ao final dessa postagem tentaremos simplificar tudo o que está escrito abaixo para caso você não entenda, combinado?

Adam Frank (à esquerda), professor de física e astronomia na Universidade de Rochester, em Nova Iorque, nos Estados Unidos e por Woody Sullivan (à direita), físico e astrônomo pertencente ao Departamento de Astronomia e do Programa de Astrobiologia da Universidade de Washington, também nos Estados Unidos.
"A questão em saber se existem civilizações avançadas em outros lugares do Universo sempre foi atormentada por três grandes incertezas na equação de Drake. Nós sabemos há muito tempo quantas estrelas aproximadamente existem. Nós não sabíamos quantas dessas estrelas tinham planetas que poderiam abrigar vida, com que frequência a vida poderia evoluir e resultar em seres inteligentes, e por quanto tempo quaisquer civilizações poderiam durar antes de serem extintas", disse Adam Frank.

"Graças ao satélite Kepler da NASA e de outras pesquisas, agora sabemos que cerca de um quinto das estrelas têm planetas em "zonas habitáveis", onde as temperaturas poderiam suportar vida como a conhecemos. Portanto, uma das três grandes incertezas já teria sido restringida", continuou.

Frank disse que a resposta para uma outra grande questão - por quanto tempo uma civilização sobreviveria antes de ser extinta - ainda é completamente desconhecida.

"O fato de que os seres humanos dispunham de tecnologia rudimentar há aproximadamente 10 mil anos realmente não nos aponta se outras sociedades iriam durar tanto tempo ou talvez por muito mais tempo", explicou.

"Graças ao satélite Kepler da NASA e de outras pesquisas, agora sabemos que cerca de um quinto das estrelas têm planetas em 'zonas habitáveis', onde as temperaturas poderiam suportar vida como a conhecemos. Portanto, uma das três grandes incertezas já teria sido restringida", disse Adam Frank
Entretanto, Adam Frank e Woody Sullivan descobriram que podiam eliminar esse fator por completo, simplesmente ampliando os horizontes sobre essa questão.

"Em vez de perguntar quantas civilizações podem existir atualmente, nós perguntamos: Será que somos a única espécie tecnológica que já surgiu?", disse Woody Sullivan.

"Isso mudou o foco e eliminou a incerteza sobre a questão do tempo de vida de uma civilização, nos permitando abordar o que chamamos de questão 'arqueológica-cósmica': Com que frequência na história do Universo a vida evoluiu para um estado avançado?", continuou.

De uma forma ou de outra, isso ainda deixa enormes incertezas no cálculo da probabilidade sobre a vida em estado avançado evoluindo em planetas habitáveis. É justamente nesse ponto que ambos tentam inverter a situação. Em vez de tentar adivinhar as chances de desenvolvimento de um estado avançado de vida, eles calcularam as probabilidades contra o surgimento de um estado avançado de vida, de modo que a humanidade fosse a única civilização avançada em toda a história do Universo observável. Com isso, Adam Frank e Woody Sullivan então calcularam a linha que separa um Universo onde a humanidade teria sido a única em termos de civilização, em relação aquela em que outros vieram antes de nós.

"É claro que não fazemos ideia de qual é a probabilidade de que uma espécie tecnológica inteligente evolua em um determinado planeta habitável. Porém, usando o nosso método, podemos dizer exatamente o quão baixa a probabilidade teria que ser, para que fôssemos a única civilização que o Universo produziu. Chamamos isso de linha de pessimismo. Se a probabilidade real é maior do que a linha pessimismo, então uma civilização tecnológica provavelmente surgiu anteriomente", disse Adam Frank.

"Em vez de perguntar quantas civilizações podem existir atualmente, nós perguntamos: Será que somos a única espécie tecnológica que já surgiu?", disse Woody Sullivan.
Usando essa abordagem, Frank e Sullivan calcularam o quão improvável a vida em estado avançado deve ser, se nunca houve outro exemplo entre as dez bilhões de trilhões de estrelas do Universo observável, ou até mesmo entre as centenas de bilhões de estrelas da nossa Via Láctea.

O resultado? Ao aplicar os novos dados de exoplanetas em relação ao número de estrelas no Universo observável, ou seja, 2x10²², Frank e Sullivan descobriram que a civilização humana tende a ser a única no Cosmos somente se as chances de uma civilização em desenvolvimento em um planeta habitável forem menores do que cerca de uma em 10 bilhões de trilhões, ou seja, de uma parte de 10²².

"Uma chance em cada 10 bilhões de trilhões é incrivelmente baixa. Para mim, isso implica que outras espécies inteligentes e tecnológicas muito provavelmente evoluíram antes de nós. Pense nisso desta maneira. Antes do nosso resultado, você seria considerado um pessimista se imaginasse a probabilidade de evolução de uma civilização em um planeta habitável fosse, digamos, uma em um trilhão. Porém, ainda que tivesse essa suposição, uma chance em um trilhão implicaria que o que aconteceu aqui na Terra, com a humanidade, aconteceu cerca de outras 10 bilhões de vezes ao longo da história cósmica!", disse Adam Frank.

Para Adam Frank uma chance em cada 10 bilhões de trilhões é incrivelmente baixo. Segundo ele, isso implica que outras espécies inteligentes e tecnológicas muito provavelmente evoluíram antes de nós em outros pontos do Universo

Entretanto, se esses números parecem dar "munição" para os "otimistas" em relação a existência de civilizações alienígenas, Woody Sullivan aponta que a Equação de Drake completa, a que calcula as chances de que outras civilizações estejam vivendo ao nosso redor, pode dar um certo "ânimo" para os "pessimistas".

Como dissemos anteriormente, em 1961, o astrofísico Frank Drake desenvolveu uma equação para estimar o número de civilizações avançadas que possam existir na Via Láctea, a famosa "Equação de Drake", porém é impossível fazer qualquer coisa além de adivinhar fatores, tais como "L", a provável longevidade de outras civilizações avançadas. Nesse novo artigo, Adam Frank e Woodruff Sullivan sugeriram uma nova equação para abordar uma questão ligeiramente diferente: Qual é o número de civilizações avançadas que provavelmente se desenvolveram ao longo da história do Universo observável? A equação de Frank e Sullivan se baseia na equação de Drake, mas elimina a necessidade do fator "L".

O argumento de ambos se baseia na recente descoberta de quantos planetas existem e quantos desses planetas estão no que os cientistas chamam de "zona habitável" (planetas em que a água líquida poderia se formar e, portanto, a vida poderia existir). Isso permitiu que Frank e Sullivan definissem um número que eles chamam de Nast, que por sua vez é produto de N*, o número total de estrelas; fp, a fração dessas estrelas que formam planetas; e np, o número médio desses planetas nas zonas habitáveis de suas estrelas. Eles denominaram isso como "Equação Arqueológica de Drake", que define A como o "número de espécies tecnológicas que já foram criadas ao longo da história do Universo observável".

Duas equações que "descrevem" as possibilidades da vida: a famosa equação de Drake famosa (acima),
e a equação mais recente criada por Adam Frank e Woodruff Sullivan (abaixo).
A equação A = Nast * fbt descreve A como o produto de Nast - que resumidamente seria o número de planetas habitáveis em um determinado volume do Universo - multiplicado por fbt - a probabilidade de uma espécie tecnológica surgir em um desses planetas. O volume considerado poderia ser, por exemplo, todo o Universo, ou apenas nossa galáxia, a Via Láctea.

"O Universo tem mais de 13 bilhões de anos. Isso significa que, mesmo que tenha havido milhares de civilizações em nossa própria galáxia, se eles vivessem tão somente o mesmo tempo que nós, aproximadamente 10 mil anos, todos eles provavelmente já foram extintos. E outras civilizações não vão evoluir até que tenhamos chance de vê-las, ou seja, já teremos desaparecido como espécie. Para que tenhamos uma maior chance em encontrar uma outra civilização tecnológica "contemporânea" ativa, eles precisam durar, em média, muito mais tempo que nossa expectativa de vida como espécie", disse Woody Sullivan.

"De qualquer forma, considerando as grandes distâncias entre as estrelas e a velocidade fixa de luz, provavelmente nunca seremos capazes de estabelecer uma conversação com outra civilização. Se eles estivessem a 20.000 anos-luz de distância, consequentemente, cada troca de mensagens levaria 40.000 anos para ir e voltar", disse Adam Frank.

Entretanto, conforme Frank e Sullivan apontam, mesmo se não houver outras civilizações em nossa galáxia para se comunicar conosco atualmente, o novo resultado ainda possui uma profunda importância científica e filosófica.

"De uma perspectiva fundamental, a questão é: Isso já aconteceu em algum lugar antes? O nosso resultado aponta para a primeira vez que alguém foi capaz de estabelecer alguma resposta empírica para essa pergunta, sendo que é incrivelmente provável que não sejamos o único momento e lugar em que uma civilização avançada evoluiu", continuou.

A imagem ilustra o crescimento da população humana, o consumo total de energia e concentração atmosférica de CO², desde 10.000 a.C até os dias de hoje. Os cientistas usaram dados como este para estimar a rapidez com que uma civilização pode se extinguir.
De acordo com Frank e Sullivan o resultado também possui uma aplicação prática. Enquanto a humanidade enfrenta sua crise em termos de sustentabilidade e em relação as alterações climáticas, podemos nos questionar se outras espécies, que desenvolveram uma civilização em outros planetas, passaram por um gargalo semelhante, e a forma como eles lidaram com isso.

"Nós sequer sabemos se é possível ter uma civilização de alta tecnologia, que dure mais do que alguns séculos", apontou Adam Frank. Com esse novo resultado, os cientistas podem começar a usar tudo o que sabem sobre os planetas e o clima para começar a modelar as interações de uma espécie de alta intensidade energética com seu planeta natal, sabendo que uma grande amostra de tais casos já existiu no Cosmos.

"Os nossos resultados sugerem que a nossa evolução não foi a única, e que provavelmente aconteceu muitas vezes antes. Os outros casos provavelmente incluem muitas civilizações de alta intensidade energética lidando com os problemas em seus planetas conforme suas civilizações crescem. Isso significa que podemos começar a explorar o problema por meio de simulações para ter uma noção do que faz com civilizações tenham uma maior longevidade e o que não faz", finalizou Adam Frank.

Achou esse assunto muito complicado? Conforme dissemos anteriormente, vamos tentar simplificá-lo para caso você não tenha entendido, afinal é muita informação ao mesmo tempo, não é mesmo?

Simplificando Toda Essa História Sobre a "Equação Arqueológica de Drake"


Vamos tentar simplificar nessa última parte dessa postagem, tudo o que foi dito até agora e mostrar a vocês tudo o que vocês precisam saber desse assunto, e por ventura talvez não tenham entendido exatamente a relevância dele. Tente acompanhar o que vamos escrever a partir de agora.

Adam Frank e Woody Sullivan publicaram um artigo em um periódico chamado Astrobiology, sugerindo uma nova versão da "Equação de Drake", que eles chamaram de "arqueológica-cósmica". Esse cálculo basicamente produz uma estimativa interessante: se a chance de um planeta abrigar vida inteligente for maior do que o número extremamente baixo de aproximadamente 10^-24 (10 elevado a -24), ou seja, um valor de 0,000000000000000000000001, então não seríamos mais a primeira e única civilização a sugir no Universo observável.

Ambos também notaram, que muitos fatores na época em que a equação de Drake foi formulada, eram muito especulativos e precisavam ser simplesmente adivinhados, como por exemplo: a fração de estrelas com formam planetas e a fração de planetas em zona habitáveis. Porém, atualmente temos uma precisão um pouco maior sobre esses números, visto que, por exemplo, cerca de 2.000 exoplanetas já foram descobertos desde 1988 (isso que milhares ainda aguardam confirmação). Assim sendo, essas estimativas atuais foram meio que promovidas da categoria de "chute aleatório" para a de "chute calculado". Os dois astrônomos, por exemplo, fixaram essas proporções em aproximadamente "1" (o fator de sermos o único mundo habitado por uma civilização, que seria de 1 em tantos mundos similares à Terra) e "0,2" (20% dos planetas em zona habitável). Para apontar esses números os autores se respaldaram em um estudo publicado em 2012 na revista Nature e um outro publicado na PNAS em 2013.

De modo geral somos apenas um ínfimo ponto em toda a nossa galáxia, a Via Láctea, que se acredita possuir entre 200 e 400 bilhões de estrelas, sendo que se estima que o Universo, por sua vez, possua cerca de 100 bilhões de galáxias.
Em um segundo momento eles propuseram uma outra versão da equação de Drake, que não fosse dependente do fator tempo, trocando a taxa de formação de estrelas pelo número total de estrelas no Universo observável (2x10²²), e eliminaram o fator de longevidade das civilizações (o fator "L"). O resultado é a tal "Equação Arqueológica de Drake": o número, não de civilizações contemporâneas à nossa, mas de civilizações na totalidade do espaço-tempo observável.

Se esse número for ajustado para 1, ou seja, uma única civilização (nesse caso apenas a nossa) em toda a história do Universo, então a chance de outros planetas habitáveis desenvolverem vida inteligente teria que ser menor do que 2,5x10^-24. Esse é um valor muito, muito, muito baixo. Entretanto, para os pessimistas seria muito mais fácil uma mesma pessoa ganhar diversas vezes seguidas na Mega-Sena, do que então encontrar vida avançada no Universo observável. Ironicamente, em contrapartida, para os otimistas isso gera um resultado em que seria mais fácil encontrar vida inteligente do que ganhar várias vezes seguida na Mega-Sena. Entenderam? De qualquer forma, apesar desse "limite de pressimismo", muito provavelmente nunca estivemos sozinhos no Universo.

Tem um comentário muito interessante do Salvador Nogueira, jornalista de ciência e colunista da Folha de São Paulo que diz o seguinte: "Note que o argumento corta para os dois lados. Se você quiser defender a existência de vida inteligente como um milagre, já sabe qual é o tamanho do milagre: Deus teria vencido as chances de 1 em 10 bilhões de trilhões. Agora, se você quer tratar a vida como um fenômeno raro, em vez de um milagre, aí terá dificuldades em defender a singularidade do caso terrestre. As chances jogam contra."

Esses valores também foram recalculados para "espaços menores", como por exemplo, a nossa galáxia, a Via Láctea. A probabilidade de uma espécie tecnológica surgir em um desses planetas habitáveis de nossa galáxia é de 1.7x10^-11, ou seja, é maior que 1 em 60 bilhões de chances.

Por enquanto, matematicamente falando, é bem provável que civilizações avançadas, do ponto de vista tecnológico, tenham surgido em diversos pontos do Universo observável ou até mesmo em diversos pontos de nossa galáxia. A grande questão é se elas souberam como lidar com o progresso tecnológico e o crescimento de sua própria civilização, visto que um eventual desequilíbrio pode condenar toda uma civilização a sua própria extinção. Além disso, devido as vastas distâncias que temos entre as estrelas, pode ser que nossa espécie demore muito mais tempo para desenvolver mecanimos eficientes para uma ampla exploração espacial do que o necessário em relação ao tempo que levará para que se autodestrua.

Evidentemente, muitas surpresas nos aguardam ao longo dos próximos anos, décadas e provavelmente a equação de Drake será reescrita e atualizada diversas vezes. Entretanto, ainda que nossos rádiotelescópios consigam captar um "oi" extraterrestre, pode ser que ninguém mais esteja aqui para responder quando eles nos perguntarem simplesmente se estamos bem.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://carlosorsi.blogspot.com.br/2016/04/equacao-arqueologica-de-drake.html
http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2016/05/02/astronomia-qual-e-a-chance-de-estarmos-sozinhos-no-universo/
http://news.discovery.com/space/the-universe-likely-has-many-extinct-civilizations-study-160429.htm
http://super.abril.com.br/tecnologia/eles-sao-quantos
http://thescienceexplorer.com/universe/humans-are-probably-not-universe-s-first-advanced-civilization
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/equipe-com-stephen-hawking-e-mark-zuckerberg-anuncia-projeto-de-exploracao-espacial
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160412_interestelar_np
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3564247/An-advanced-alien-civilization-existed-Scientists-make-prediction-changing-Drake-equation-include-Kepler-data.html
http://www.inquisitr.com/3046866/does-alien-life-exist-new-hope-for-alien-optimists/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Equação_de_Drake
https://pt.wikipedia.org/wiki/Frank_Drake
https://www.rochester.edu/news/are-we-alone-in-the-universe/
https://www.sciencedaily.com/releases/2016/04/160428095339.htm
https://www.youtube.com/watch?v=VWRJI5fmFns
https://www.youtube.com/watch?v=qkdCgsM46CY
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