14 de abril de 2016

Será que o Hipotético "Planeta 9" Estaria Causando "Pertubações Inexplicáveis" na Órbita de Saturno?

Por Marco Faustino

As notícias sobre o hipotético "Planeta 9" continuam ganhando destaque na mídia internacional. Assim como vem acontecendo há algum tempo, uma nova polêmica e uma verdadeira confusão passou a ser noticiada, mas dessa vez envolvendo astrônomos franceses e a NASA. Uma espécie de controvérsia acirrou os ânimos de quem acredita que o mesmo realmente exista. O assunto que vamos tratar nessa postagem é um tanto quanto peculiar e requer um pouco de atenção da parte de vocês. Não porque o assunto é complicado, mas porque uma série de notícias que foram divulgadas, aparentemente de forma equivocada, alimentaram mais uma vez o conturbado universo de hipóteses sobre esse suposto corpo celeste.

Caso você não esteja acompanhando esse assunto, mas acabou resolvendo ler essa postagem, saiba que em janeiro desse ano, Konstantin Batygin e Mike Brown publicaram a "descoberta" de um novo planeta em nosso Sistema Solar no periódico The Astronomical Journal (K. Batygin and M. E. Brown Astronom. J. 151, 22; 2016), baseando suas conclusões somente em relação a modelagem matemática e computacional que fizeram utilizando o supercomputador chamado CITerra, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, mais conhecido como Caltech, no Estados Unidos. Resumindo, esse planeta não foi observado por nenhum telescópio do mundo, logo o "Planeta 9" é apenas uma hipótese que ainda necessita de maiores confirmações futuras.

Esse novo planeta seria um gigante gasoso tão grande quanto Netuno, e orbitaria a bilhões de quilômetros de distância da órbita do oitavo planeta: longe o bastante para levar entre 10.000 a 20.000 anos para dar uma volta completa em torno do sol. Com uma órbita dessas esse suposto planeta nunca iria chegar mais próximo do que cerca de 200 vezes a distância Terra-Sol, ou 200 unidades astronômicas (UA). Além disso, o suposto planeta teria cerca de 10 vezes a massa da Terra ou 5.000 vezes a massa de Plutão. Caso você queira saber mais detalhes sobre o que estamos dizendo, acesse nossas notícias e assista aos vídeo que fizemos até agora sobre esse assunto: Planeta X? Planeta Nove? Será Mesmo Que Astrônomos Descobriram um Novo Planeta em Nosso Sistema Solar? | O Hipotético "Planeta X" Poderia Ser o Responsável Por Extinções em Massa no Planeta Terra?

Conforme dissemos anteriormente, o assunto dessa postagem será sobre uma verdadeira confusão criada pelo site da renomada e secular revista Scientific American, que envolveu um artigo publicado por astrônomos do Observatório Côte d'Azur, na França, onde dizia que a presença de um hipotético "Planeta 9", conforme foi proposto por Konstantin Batygin e Mike Brown, seria a melhor explicação em relação a uma "série de pertubações" detectadas pela sonda Cassini, que orbita o planeta Saturno. O maior problema é que a notícia continha uma série de informações equivocadas, e isso acabou fazendo com que centenas de sites de notícias replicassem o conteúdo da Scientific American praticamente de forma integral Até mesmo a NASA soltou recentemente um comunicado contestando o que estava sendo noticiado, e abriu margem para que mais controvérsias fossem geradas. Vamos saber mais sobre esse assunto?

A parte mais estranha dessa história é que esses mesmos sites de notícias, principalmente de cunho astronômico, já tinham comentado sobre o estudo dos astrônomos franceses, ao longo da penúltima e última semana de fevereiro desse ano. Um exemplo disso é o texto publicado no site Space.com, no dia 24 de fevereiro onde apontava que um grupo de cientistas estava demonstrando como a existência de um planeta afetaria os movimentos dos outros oito planetas (considerando a si próprio como sendo o "nono planeta). O trabalho baseava-se em medições realizadas pela sonda Cassini, e visava estreitar a região onde os cientistas deveriam apontar seus telescópios para procurar pelo "Planeta 9".

Agnès Fienga, astrônoma pertencente
ao Observatório Côte d'Azur, na França
A notícia ainda aponta que a sonda Cassini fornece localização precisa de Saturno e das suas luas em diversos momentos durante suas respectivas órbitas ao redor do sol. Sendo que essas medições estão relacionados a um modelo do Sistema Solar que mapeia o movimento dos seus maiores corpos celestes. É explicado ainda que desde o início do século 19, os astrônomos vêm tentando usar as posições e movimentos dos planetas conhecidos para inferir a existência de planetas invisíveis. Em alguns casos, a influência de um corpo massivo em outros corpos massivos é óbvia: que se o sol fosse invisível, a órbita dos planetas em torno dele seria uma indicação que algo verdadeiramente massivo estaria no centro do sistema solar.  Essa técnica ajudou os cientistas a descobrirem Netuno em 1846, e Plutão em 1930.

O texto refere-se a Agnès Fienga, uma astrônoma do Observatório Côte d'Azur, na França, e a principal pesquisadora do estudo, que junto com seus colegas, decidiu observar não somente a maneira pela qual o "Planeta Nove" poderia afetar os corpos celestes em uma região mais próxima a ele, mas como o mesmo poderia influenciar os movimentos dos outros oito planetas. Eles usaram um modelo de computador do Sistema Solar chamado de modelo de efemérides planetárias INPOP, que reúne mais de 150.000 medições individuais dos corpos celestes do Sistema Solar, incluindo mais de 200 medições feitas pela Cassini durante cerca de 10 anos.

Segundo Agnès, essa observação a longo prazo do movimento de Saturno é muito importante no aumento da precisão do modelo e da sua capacidade de captar o efeito sutil de um possível nono planeta. Baseando-se na diferença entre a posição calculada de Saturno em relação ao que foi realmente observado, a equipe foi capaz de excluir algumas regiões do céu onde o "Planeta 9" não estaria localizado. Além disso foram demarcadas as regiões possíveis e a região mais provável, que seria uma "estreita faixa" em direção a constelação de Cetus.

A nálise dos dados de rádio da sonda Cassini, que define as regiões de exclusão (em marrom) ondas as perturbações
criadas pelo planeta são inconsistentes com as observações, e uma região provável (em amarelo) onde a inclusão
do hipotético planeta melhora a previsão do modelo, reduzindo as diferenças entre os cálculos e os dados da Cassini
Resumindo, o modelo INPOP calcula o movimento dos planetas no Sistema Solar com a maior precisão possível. Em particular, usando dados da sonda Cassini, conhece-se a distância entre a Terra e Saturno com uma incerteza de aproximadamente 100 metros. Os pesquisadores frances tiveram a ideia de usar o modelo INPOP para testar a possibilidade de acrescentar um nono planeta ao Sistema Solar. No estudo publicado no dia 22 de fevereiro, na revista Astronomy & Astrophysics, a equipe francesa mostra que, dependendo da posição do planeta a partir do seu periélio (o ponto de menor afastamento de um corpo celeste do sistema solar em seu movimento ao redor do Sol), o hipotético "Planeta 9" induz perturbações na órbita de Saturno que podiam ser detetadas através da análise dos dados de rádio da sonda Cassini, que orbita Saturno desde 2004. Portanto, os cientistas foram capazes de calcular o efeito induzido pelo "Planeta" e comparar a órbita perturbada com os dados da Cassini.

Análise dos dados de rádio da sonda Cassini que fornecem uma medição muito precisa da distância da Terra a Saturno,
com uma incerteza de 75 metros. Se acrescentarmos o "Planeta Nove" ao modelo, as diferenças entre os cálculos
e a observação deterioram-se seriamente (gráfico em azul). Após o ajuste de todos os parâmetros do Sistema Solar,
estas diferenças são muito reduzidas (gráfico em vermelho)
Esse estudo recebeu um destaque importante por parte do site da revista Scientific American, que publicou uma notícia no dia 5 de abril com o seguinte título: "Mysterious Gravitational Tug on Cassini Probe May Help Find Planet Nine" ("Força Gravitacional Misteriosa na Sonda Cassini Pode Ajudar a Encontrar o Planeta Nove", em português). Ainda foi destacado que os astrônomos estavam em busca do paradeiro de um planeta gigante escondido em nosso sistema solar, e que o mesmo poderia ser descoberto dentro de um ano. Foi o necessário para que muitos sites de notícias tanto de cunho astronômico ou quanto de variedades, replicassem o conteúdo fornecido pela revista.

Entretanto, algumas informações cruciais, a começar pelo título, estavam totalmente equivocadas, sendo que demorou cerca de 3 dias para que a mesma corrigisse a notícia. Isso foi algo que muitos outros sites não notaram e consequentemente também não corrigiram posteriormente as informações. Confira a seguir o que foi publicado no site da revista.

O Texto Originalmente Publicado no Site da Revista Scientific American


Antes de trascrever o texto publicado no site da revista Scientific American e traduzí-lo para que vocês possam compreender melhor o assunto, é importante deixar que claro que o conteúdo abaixo terá algumas imagens para ilustrá-lo, porém as mesmas não estão contidas na notícia original, que por sua vez possui apenas uma "imagem de capa". Colocaremos algumas imagens referentes ao assunto para que a leitura fique menos cansativa e mais agradável visualmente, certo? Vamos ao texto!
 
A caçada visa encontrar o 'Planeta Nove' - um grande mundo desconhecido, que talvez tenha 10 vezes a massa da Terra e quatro vezes o seu tamanho - que os cientistas acreditam que poderia estar escondido no Sistema Solar exterior. Após Konstantin Batygin e Mike Brown, dois cientistas planetários do Instituto de Tecnologia da Califórnia, terem apresentado evidências de sua existência em janeiro deste ano, outras equipes vêm procurando por mais evidências ao analisar imagens arquivadas e propor novas observações para encontrá-lo usando os maiores telescópios do mundo.

Nesse mês, as evidências fornecidas pela sonda Cassini ajudaram a fechar o cerco em torno do planeta que está 'desaparecido'. Muitos especialistas suspeitam que em pouco menos de um ano, alguém vai localizar o mundo invisível, o que seria uma descoberta monumental, que muda a forma como vemos nosso sistema solar e nosso lugar no cosmos.

David Gerdes, cosmólogo da Universidade de Michigan,
nos Estados Unidos
"Há evidências de que algo incomum está lá fora. É uma história que é difícil de explicar com apenas uma imagem", disse diz David Gerdes, cosmólogo da Universidade de Michigan, que jamais se imaginou trabalhando em relação ao Planeta Nove. Ele é apenas um dos muitos cientistas que aproveitaram a chance de provar - ou refutar - os  meticulosos cálculos da equipe.

Batygin e Brown defenderam a ideia sobre a existência do Planeta Nove, com base em seu efeito gravitacional sobre diversos objetos do Cinturão de Kuiper - corpos gelados que circundam o Sol além da órbita de Netuno. Teoricamente, no entanto, a sua gravidade também deve perturbar sutilmente os planetas, luas e até mesmo qualquer sonda espacial em órbita.
Tendo isso em mente, Agnès Fienga, astrônoma do Observatório Côte d'Azur, na França, e seus colegas, verificaram se um modelo teórico (o mesmo que eles vêm aperfeiçoando há mais de uma década), com a nova adição do Planeta Nove, poderia explicar de uma forma melhor, as ligeiras perturbações observadas na órbita da Cassini. Sem ele, os oito planetas do Sistema Solar, 200 asteroides e cinco dos mais massivos objetos do Cinturão de Kuiper não consegueriam explicar perfeitamente o que foi observado. A peça de quebra-cabeça que está faltando pode ser apenas um nono planeta.

Assim sendo, Fienga e seus colegas compararam o modelo atualizado, no qual foi inserido o Planeta Nove em diversos pontos em sua órbita hipotética, tal como outros dados. Eles encontraram um ponto ideal, que colocaria o Planeta Nove a cerca de 600 UA (cerca de 90 bilhões de quilômetros) de distância na direção da constelação de Cetus - que poderia muito bem explicar a órbita da Cassini. Embora Fienga ainda não esteja convencida de que ela tenha encontrado o culpado pelos movimentos estranhos da sonda, a maioria dos especialistas, que não estão envolvidos com o estudo, estão muito impressionados.

"É uma análise brilhante. É completamente surpreendente que eles tenham sido capazes de fazer isso de maneira tão rápida", disse Greg Laughlin, astrônomo do Observatório Lick, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que não esteve envolvido no estudo.

Telescópio de 4 metros chamado Victor M. Blanco,
do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile,
onde acontece a "Pesquisa em Energia Escura"
"Esse é um belíssimo estudo", concordou David Gerdes.

A boa notícia não termina por aí. Se o Planeta Nove está localizado na direção da constelação Cetus, então ele poderia ser registrado pela "Pesquisa em Energia Escura", um projeto de observação localizado no Hemisfério Sul, que foi concebido para investigar a aceleração da expansão do universo.

"Foi bem por acaso que o localização sugerida a partir dos dados da Cassini fique bem no meio da região em que nossa pesquisa está sendo realizada", disse David Gerdes, que está trabalhando nesse projeto de observação.

"Não poderíamos ter projetado essa pequisa de uma forma melhor", completou David. Embora a pesquisa não tenha sido planejada para procurar objetos do sistema solar, David Gerdes descobriu alguns deles (incluindo um dos objetos gelados que levaram Batygin e Brown a concluírem que o Planeta Nove existe).


Greg Laughlin acredita que esta pesquisa tem a melhor chance imediata de sucesso. Ele também está animado com o fato de que o Planeta Nove possa estar tão perto. Por mais que esteja a 600 UA - cerca de 15 vezes mais distante do que a distância média entre o Sol e o Plutão, o "Planeta Nove" poderia, teoricamente, se esconder a cerca de 1200 UA.


"Isso faz com que seja duas vezes mais fácil de ser encontrado, duas vezes mais rápido. E não apenas duas, mas cerca de 16 vezes mais brilhante", disse Greg Laugghlin. 

A "Pesquisa em Energia Escura" não é a única chance de registrar a existência desse mundo pouco iluminado. Deve ser possível procurar por ondas milimétricas de luz, que o planeta irradia de seu próprio calor interno, tal como foi proposto por Nicolas Cowan, um astrônomo de exoplanetas da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá. Ele sugere que o "Planeta Nove" poderia aparecer em pesquisas sobre a radiação cósmica de fundo de microondas (CMB, sigla em inglês), a luz difusa do Big Bang.

"Historicamente, experimentos envolvendo CMB tem utilizado planetas gigantes do Sistema Solar para calibrar seus instrumentos, por isso sabemos que as experimentos CMB que estão em andamento, assim como os que foram planejados, são sensíveis o suficiente para medir o fluxo do 'Planeta Nove' se ele for tão brilhante quanto nós pensamos que ele seja", disse Nicolas Cowan.

De qualquer forma, os cosmólogos já começaram a vasculhar dados de experimentos existentes, e astrônomos de diversos campos da Astronomia também se juntaram na busca pelo "Planeta Nove".
Nicolas Cowan, astrônomo de exoplanetas
da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá

"Adoro a possibilidade de que possamos usar este telescópio de quatro metros para encontrarmos uma rocha de 100 quilômetros de diâmetro, a cerca de um bilhão de quilômetros além de Netuno, com o mesmo instrumento que estamos usando para fazer coisas extragalácticas e compreender a aceleração do universo", disse David Gerdes.

Enquanto isso, em um estudo recente, Batygin e Brown procuraram determinar, através de vários mapas celestes, onde o "Planeta Nove" não deveria estar.

"Fomos a fundo em meio aos dados observacionais existentes para procurar pelo Planeta Nove, e devido ao fato de não termos o encontrado, fomos capazes de descartar partes da órbita", disse Batygin.

A região do céu onde o planeta está mais distante do Sol, assim como a pequena 'fatia de céu' onde Fienga acredita que o planeta poderia estar agora, por exemplo, não tinham sido sido examinadas em observações anteriores. Para procurar pelas regiões não mapeadas, Batygin e Brown solicitaram aproximadamente 20 noites de observação no telescópio Subaru em Mauna Kea, no Havaí, nos Estados Unidos.

"É um pedido consideravelmente alto em comparação com o tempo que outras pessoas geralmente conseguem para usar o telescópio. Vamos ver se eles mordem a isca", disse Mike Brown. Se eles morderem a tal isca, Mike Brown está convencido que encontrará seu planeta em menos de um ano.

"Eu realmente quero ver como ele se parece", disse Konstantin Batygin, acrescentando ainda que a sua ambição o leva a procurar pelo mundo ainda não observado. Entretanto, Greg Laugghlin vai bem além dessas palavras:

"Acho que a descoberta forneceria uma fantástica inspiração para a próxima fase da exploração planetária. Temos agora mais uma oportunidade de ver um dos mundos do nosso próprio sistema solar pela primeira vez. Se o "Planeta Nove" não estiver por aí, não vamos ter essa experiência novamente", disse Greg Laugghlin.

Algumas Informações Muito Importantes Publicadas no Site da Revista Scientific American Foram Corrigidas Posteriormente


Interessante o que acabamos de ler, não é mesmo? Entretanto, vocês devem ter reparado que algumas partes estão em negrito e com uma cor diferente, uma espécie de vermelho escuro, certo? Pois é, foram justamente essas partes que pertecem ao texto original publicado pela revista Scientific American, que começaram toda a confusão. O motivo? Elas estão incorretas. Veja o que foi publicado originalmente e o que foi corrigido somente 3 dias depois, mais precisamente no dia 8 de abril:

Original: Teoricamente, no entanto, a sua gravidade também deve perturbar sutilmente os planetas, luas e até mesmo qualquer sonda espacial em órbita. 

Correção: Teoricamente, no entanto, a sua gravidade também deve perturbar sutilmente os planetas.

Original: ...com a nova adição do Planeta Nove, poderia explicar de uma forma melhor, as ligeiras perturbações observadas na órbita da Cassini. Sem ele, os oito planetas do Sistema Solar, 200 asteróides e cinco dos mais massivos objetos do Cinturão de Kuiper não conseguem explicar perfeitamente o que foi observado.

Correção: ...com a nova adição do Planeta Nove, poderia explicar de uma forma melhor, as ligeiras perturbações observadas na órbita de Saturno conforme observado pela Cassini. Sem ele, os outros sete planetas do Sistema Solar, 200 asteróides e cinco dos mais massivos objetos do Cinturão de Kuiper não conseguem explicar perfeitamente o que foi observado.

Original: ...que poderia muito bem explicar a órbita da Cassini. Embora Fienga ainda não esteja convencida de que ela tenha encontrado o culpado pelos movimentos estranhos da sonda...

Correção: ...que poderia muito bem explicar a órbita de Saturno. Embora Fienga ainda não esteja convencida de que ela tenha encontrado o culpado pelos movimentos estranhos do planeta...

Essa correção no texto foi devidamente mencionada no final da notícia: "O título e frases marcadas com asterisco nesta notícia foram editadas após a sua postagem original para corrigir um erro. O texto original dizia que as perturbações na órbita da sonda Cassini ao redor de Saturno poderiam ser causadas pelo Planeta Nove. Entretanto, não é a órbita da Cassini, mas perturbações da órbita de Saturno ao redor do sol que talvez possam ser explicadas pela presença de Planeta Nove".

Nota do Editor em relação a correção feita na notícia publicada pelo site da revista Scientific American
Entenderam a diferença? O que era para ter sido noticiado é que o artigo de astrônomos do Observatório Côte d'Azur, na França, publicado no periódico Astronomy & Astrophysics, era referente a pertubações na órbita de Saturno ao redor do Sol, e não da sonda Cassini ao redor de Saturno. Entretanto, devido a alta credibilidade que a revista Scientific American possui, muitos sites simplesmente não verificaram a informação e reproduziram basicamente conforme a revista publicou. Até mesmo a NASA em um comunicado recente parece ter lido a mesma informação em que todos sustentaram suas respectivas notícias, porém isso é assunto para daqui a pouco.

Esclarecendo Alguns Pontos da Notícia Publicada e Corrigida no Site da Revista Scientific American


É importante que seja dito que a Cassini-Huygens é uma sonda espacial não-tripulada enviada em missão ao planeta Saturno e seu sistema planetário. É um projeto conjunto da NASA, ESA (Agência Espacial Europeia) e da ASI (Agência Espacial Italiana). Ela consiste de dois elementos principais, o orbitador Cassini e a sonda Huygens (popularmente chamamos apenas de "sonda Cassini"). Lançada ao espaço em 15 de outubro de 1997, ela entrou na órbita de Saturno em 1 de julho de 2004 e continua em operação, estudando o planeta, seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.

Foto da Sonda Cassini tirada em outubro de 1996 durante o seu teste de vibração e também teste térmico
dentro do prédio do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Pasedena, na Califórnia, nos Estados Unidos
Devido à distância entre Saturno e o Sol, os painéis solares não seriam tão eficientes como fonte de energia para esta sonda espacial. Para gerarem energia suficiente, eles teriam que ser muito grandes e muito pesados. Ao invés disso, a Cassini é alimentada por três geradores termoelétricos de radioisótopos (GTR) que usam o calor produzido por cerca de 33 kg de plutônio-238 (em forma de dióxido de plutônio). Evidentemente, esse "combustível" uma hora vai acabar, por isso o fim da missão Cassini está previsto para o final de 2017, ou seja, ano que vem.

Os astrônomos do Observatório Côte d’Azur, na França, disseram que ao longo de uma década, ou seja, de 2004 a 2014, a sonda Cassini registrou uma série de pertubações na órbita de Saturno. Nesse ponto é importante ressaltar, que desde 2004, Agnès Fienga e seus colegas tem usado os dados obtidos do sistema de navegação da sonda Cassini para monitorar com precisão a movimentação de Saturno. Ao fazerem isso, eles construíram modelos detalhados do movimento de todos os planetas e grandes asteróides do sistema solar.

Foto do Observatório Côte d’Azur, na França
Até então Agnès Fienga e seus colegas não sabiam dizer de onde vinham essas pertubações, porém com a notícia do "Planeta 9" circulando desde o janeiro, eles resolveram adicionar um "nono planeta" seguindo o que foi proposto por Mike Brown e Konstantin Batygin. Para a surpresa deles, a presença desse novo corpo celeste seria o que melhor explicaria essa pertubações. Além disso, diante dessas pertubações eles poderiam indicar com maior probabilidade em que região do espaço o "Planeta 9" estaria atualmente. Nesse caso seria na direção da constelação de Cetus (conhecida também como sendo a constelação de "Baleia") e a cerca de 600 UA do Sol. Entenderam?

Outro ponto interessante a ser ressaltado é que o projeto de observação denominado de "Pesquisa em Energia Escura" utiliza o telescópio de 4 metros chamado Victor M. Blanco, pertencente ao Observatório Interamericano de Cerro Tololo, que está localizado no Vale de Elqui, a cerca de 80 km da cidade de La Serena na Região de Coquimbo, no Chile, a uma altitude de 2.200 m. Esse telescópio possui uma câmera extremamente sensível e especialmente criada para captar certas regiões da "parte vermelha" do espectro da luz, bem próximo ao infravermelho.

Para que não dê um verdadeiro nó na sua cabeça, o mais importante nesse caso é saber apenas que esse telescópio está apontado justamente para região do céu onde supostamente estaria o "Planeta 9" (segundo os astrônomos do Observatório Côte d’Azur, na França) por mais que nada tenha o projetado para tentar registrar a presença desse hipotético planeta. Por isso uma certa "euforia" foi gerada pela mídia internacional ao mencionar. que esse suposto planeta poderia ser descoberto em menos de um ano. Certo?

Foto da câmera especialmente desenvolvida para captar a "energia escura", acoplada ao telescópio de 4 metros
chamado Victor M. Blanco, pertencente ao Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile
Em relação a "radiação cósmica de fundo de microondas" temos um interessante complemento a fazer e que foi publicado pelo site Gizmodo. Segundo esse site e conforme citado na notícia publicada no site da revista Scientific American, Nick Cowan, da Universidade McGill, no Canadá, acreditava que seria possível detectar o "Planeta 9" devido a sua assinatura de calor. Até mesmo um gélido planeta como esse emitiria uma pequena quantidade de energia em comprimentos de onda milimétricas de rádio. Sendo que esse é o mesmo tipo de energia que os cosmólogos utilizam para estudar o nascimento do universo.

"Não sou um especialista no 'Planeta Nove', nem mesmo um cosmólogo", disse Nick Cowan, em entrevista para o site Gizmodo. Entretanto, quando o seu colega Gil Holder sugeriu que a assinatura de calor do "Planeta Nove" talvez pudesse ser detectada com os instrumentos utilizados para estudar a "radiação cósmica de fundo de microondas (CMB) - a assinatura de energia onipresente que restou do Big Bang - Nick Cowan ficou muito interessado.

"Eu fiz um cálculo e resultou em uma temperatura superficial de 20 (-253ºC) a 40 (-233ºC) Kelvin. Isso é incrivelmente frio, e isso significa que o "Planeta Nove" irradia cerca de 2.000 vezes menos calor do que Urano ou Netuno. Depois disso eu pensei que seria uma ideia totalmente maluca", continuou. Foi quando ele mostrou seu cálculos para seu colega Gil Holder e descobriu que não seria uma ideia tão maluca assim.

"Acontece que usamos Urano e Netuno para calibrar experimentos de CMB, porque eles são realmente bem brilhantes. Cerca de 2.000 vezes mais frio é totalmente possível", completou.

Nick Cowan, Gil Holder, e Nathan Kaib, da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, escreveram um artigo sobre essa ideia, que está atualmente em revisão no periódico "The Astrophysical Journal". Nick Cowan está esperançoso de que experimentos cosmológicos da próxima geração sejam capazes de detectar o "Planeta Nove" ou que pelo menos estreitem a sua busca. E, se tiver muita sorte, que sua fraca e sutil assinatura de calor já exista em meio aos dados de algum experimento de CMB de alguém.

Acredito que essas informações e explicações ajudam a esclarecer o que realmente deveria ter sido informado ao longo do começo do mês de abril. Entretanto, nem tudo é fácil na Astronomia. O fato da notícia envolvendo a sonda Cassini ter começado a se propagar de forma deliberada, fez com que a NASA emitisse um comunicado, que dizia que nenhuma pertubação gravitacional anormal da Cassini tinha sido detectada até hoje. Diante de notícias que foram replicadas com o conteúdo principal totalmente equivocado, isso gerou, é claro, muitas controvérsias.

O Comunicado Emitido pela NASA e as Controvérsias Geradas em Torno da Supostas Pertubações Registradas pela Sonda Cassini


Conforme dissemos anteriormente, até mesmo a NASA em um comunicado publicado em 8 de abril parece ter lido a mesma informação em que todos sustentaram suas respectivas notícias, ou seja, que teriam sido detectadas "pertubações na órbita da Cassini ao redor de Saturno", e não o que era o correto a ser mencionado, que eram possíveis pertubações da órbita de Saturno ao redor do Sol, que teriam sido detectadas pela sonda Cassini. Leia com atenção o que foi publicado pela NASA:

Foto de Saturno registrada pela Cassini da NASA em 2008. O acompanhamento a longo prazo da posição
da sonda não revelou quaisquer perturbações inexplicáveis na órbita da Cassini.

De acordo com os gestores da missão Cassini e especialistas em determinação de órbitas do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL), na Califórnia, nos Estados Unidos, ao contrário dos recentes relatos, a Sonda Espacial Cassini da NASA não está sofrendo pertubações inexplicáveis em sua órbita ao redor de Saturno.

Diversas notícias recentes têm relatado que uma anomalia misteriosa na órbita da Cassini poderia ser explicada pela força gravitacional de um hipotético e novo planeta massivo em nosso sistema solar, escondido muito além da órbita de Netuno. Por mais que a existência do proposto planeta possa, eventualmente, ser confirmado por outros meios, os navegadores de missão não tem observado pertubações inexplicáveis na órbita da sonda espacial desde sua chegada a Saturno em 2004.

"Embora eu adoraria se Cassini pudesse ajudar a detectar um novo planeta no sistema solar, não vemos quaisquer perturbações na nossa órbita que não podemos explicar com os nossos modelos atuais", disse Earl Maize, gerente do Projeto Cassini no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

"Um planeta ainda não descoberto além da órbita de Netuno, com cerca de 10 vezes a massa da Terra, afetaria a órbita de Saturno, não da Cassini", disse William Folkner, um cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato. Folkner vem acrescentando informações de órbitas planetárias que são utilizadas por sistemas de navegação de alta precisão das sondas da NASA.

"Isso poderia produzir uma assinatura nas medições da Cassini enquanto a mesma orbita Saturno, se o planeta estivesse próximo o suficiente em relação ao Sol. Porém, não vemos qualquer assinatura inexplicável acima do nível do ruído de medição nos dados da Cassini obtidos entre 2004 e 2016", completou.

Um artigo recente prevê que, se os dados de monitoramento em relação a posição da Cassini estivessem disponíveis até o ano de 2020, eles poderiam ser utilizados para ajudar a excluir algumas possíveis localizações do hipotético planeta em sua longa órbita ao redor do Sol.

A missão da Cassini está prevista para terminar no final de 2017, quando a sonda - com muito pouco combustível para continuar em uma missão por mais tempo - irá 'mergulhar' na atmosfera de Saturno.

Depois de tudo o que explicamos para vocês, esse comunicado da NASA faz algum sentido? Pois é, esse texto publicado pela NASA gerou muita discussão e um dos tabloides britânicos, o Daily Mail, que replicou cegamente o que havia sido publicado no site da revista Scientific American "correu atrás do prejuízo" e resolveu consultar as partes interessadas, quer dizer, ao menos o lado de Konstantin Batygin, Mike Brown e dos astrônomos franceses.

"Isso é exatamente o que temos feito. Simulamos a presença do 'Planeta Nove' e procuramos pelo efeito induzido em relação a distância entre a Terra e Saturno, que é medida pela sonda Cassini", disse o professor Jacques Laskar, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, do Observatório de Paris, na França. Jacques disse isso em relação a declaração de William Folkner quando o mesmo disse que um planeta massivo poderia afetar a órbita de Saturno, e não da Cassini.

"As nossas zonas de exclusões ocorrem quando a perturbação do 'Planeta Nove' em Saturno é grande demais para ser compatível com os dados da sonda Cassini. Com os dados de 2004 a 2014, a zona exclusão possui 180º de amplitude", continuou.

O professor professor Jacques Laskar, do Observatório de Paris, na França
"O comunicado do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL) é muito confuso e principalmente incorreto", seguiu dizendo.

"O resultado de nossa simulação de uma possível extensão da missão Cassini até 2020 não é para ajudar em uma possível determinação da localização do 'planeta 9', que na verdade não é fácil, e até mesmo impossível de se fazer, pois não podemos simular os dados ao incluir um nono planeta de forma coerente", completou.

"Esse resultado é muito robusto. E nada do que foi dito pela equipe do JPL contradiz esse resultado. Estamos bem convencidos que se a equipe do JPL estivesse realizando a mesma simulação, eles iriam obter os mesmos resultados. Entretanto, até agora, não parece que eles estejam buscando reproduzir essa parte dos nossos resultados", finalizou.

Por outro lado, Mike Brown, professor de Astronomia Planetária no Caltech, que originalmente informou a descoberta do 'Planeta Nove' em janeiro deste ano, disse ao Daily Mail que tanto a NASA, quanto os pesquisadores franceses estão corretos.

"Ficou bem confuso, mas principalmente pelo fato de que o comunicado da NASA estava bem vago. Porém, o resultado final é que todo mundo está correto. A Cassini vem medindo com muita precisão a distância entre a Terra e Saturno por mais de uma década", disse Mike Brown.

Mike Brown (à esquerda) e Konstantin Batygin (à direita)
no Caltech, Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos
Ele disse que os dados observados pela NASA obtidos através da sonda Cassini se encaixam, dentro da incerteza, com modelos predizendo a distância esperada entre Saturno e a Terra, e que é por isso que a NASA está dizendo que eles não estão observando quaisquer anormalidades orbitais.

"O artigo publicado pelos astrônomos franceses, no qual eu acho muito impressionante, nos diz o que acontece se adicionarmos o Planeta Nove a tudo isso. Isso não afeta somente a Saturno, mas também todos os outros corpos no Sistema Solar (por menor que sejam), o que significa que eles afetam Saturno de maneiras diferentes, por isso temos que recalcular tudo o que pensávamos que sabíamos sobre onde os planetas deveriam estar", continuou.

"Ninguém iria observar os dados da Cassini e dizer que deve haver um nono planeta. Porém, você pode considerar o "Planeta Nove", e então perceber que isso faz com que os dados da Cassini fiquem ligeiramente mais coerentes", completou.

Entretanto, até mesmo o estudo sobre o hipotético "Planeta Nove" publicado em janeiro desse ano enfrenta muita resistência por parte de alguns astrônomos.

"O estudo é...tudo modelagem. Poderia estar lá, assim como poderia não estar", disse Monica Grady, professora de Ciências Espaciais e Planetárias da Universidade Aberta, no Reino Unido. Em relação ao que foi publicado pelos astrônomos franceses, ela acrescentou que tudo é "muito, muito hipotético". Segundo elaa, se a NASA não está relatando quaisquer pertubações desconhecidas na órbita da Cassini, então é improvável que elas existam.

"Se o planeta estiver no Cinturão de Kuiper, nossos telescópios não são poderosos assim para sermos capazes de observá-lo", acrescentou Monica Grady.

De qualquer forma a cada nova evidência ou descoberta tanto positiva quanto negativa em torno do hipotético "Planeta 9" com certeza será gerada uma nova polêmica. A grande dúvida nesse caso é se NASA leu apenas o que foi publicado pela revista Scientific American, que não repassou o conteúdo da maneira correta, sendo que demorou cerca de 3 dias para perceberem os erros que tinham cometido.

É absolutamente normal que falhas aconteçam, mas quando se trata de uma revista cientifíca com mais de 170 anos desde a sua primeira publicação em 1845, bem, aí as coisas mudam de figura. Muitos sites de notícias nem chegaram a atualizar suas publicações, um exemplo disso é o site Space.com. Logo, não é difícil imaginar que esse talvez esse tenha sido o mesmo caminho trilhado pelos pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, visto que o texto do comunicado é muito mais compatível com o que foi divulgado originalmente pelo site da revista Scientific American. Estranho, não?

Como Seria Esse "Planeta 9"? Qual Seria o Seu Tamanho e sua Temperatura?


Se o "Planeta 9" existir, qual seria o seu tamanho e o quão brilhante ele seria? Qual seria a sua temperatura e qual telescópio poderia encontrá-lo? Essas foram questões que Christoph Mordasini, professor da Universidade de Berna, na Suiça, e Esther Linder, sua aluna de doutorado, queriam responder quando eles ouviram sobre a possibilidade da existência de um novo planeta no Sistema Solar, sugerido por Konstantin Batygin e Mike Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos.

Os cientistas suíços são especialistas em modelar a evolução dos planetas. Eles normalmente estudam a formação de exoplanetas jovens em discos ao redor de outras estrelas a anos-luz de distância da Terra e a possibilidade de se fazer imagens diretas desses objetos em instrumentos de observação no futuro, tal como o Telescópio Espacial James Webb.

"Para mim o candidato a 'Planeta Nove' é um objeto próximo, embora seja 700 vezes mais distante do que a Terra em relação ao Sol", disse Esther Linder.

A aluna de doutorado Esther Linder (à esquerda) e o professor Christoph Mordasini (à direita)
Os astrofísicos presumiram que o Planeta Nove é uma versão menor do que Urano ou Netuno, um "pequeno gigante gasoso", com uma espessa camada de hidrogênio e hélio. De acordo com o modelo de evolução planetária proposto, eles calcularam a maneira pela qual os parâmetros, tais como como o raio planetário ou o brilho, se desenvolveram com o passar do tempo, desde que o Sistema Solar se formou a cerca de 4,6 bilhões de anos atrás. Assim sendo, os cientistas concluíram que um planeta com uma massa projetada de cerca de 10 vezes a massa da Terra, teria atualmente um raio equivalente a 3,7 vezes o raio da Terra e sua temperatura seria de -226ºC.

"Isso significa que a emissão do planeta é dominada pelo resfriamento de seu núcleo, caso contrário sua temperatura seria de apenas de 10 Kelvin (-263,15ºC), ou seja, 10 graus acima do zero absoluto. Sua potência intrínseca é cerca de 1000 vezes maior do que a sua potência de absorção", explicou Esther Linder. Desse modo, a luz solar refletida contribui somente para uma pequena parte da radiação total que poderia ser detectada. Isso significa também que o planeta é mais brilhante no infravermelho do que na luz visível.

"Com o nosso estudo, o candidato a Planeta Nove é mais do que somente um ponto simples de massa, ele começa a ganhar forma e propriedades físicas", disse o professor Christoph Mordasini.

Em uma explicação simplificada, dizem o "Planeta 9" teria um núcleo central que consiste de ferro, o qual é rodeado por um manto de silicato. Além disso, os pesquisadores especulam que o mesmo possa ter uma camada de gelo de água,
na qual seria então rodeada por uma espessa camada de hélio e hidrogênio.
Os pesquisadores também verificaram se os seus resultados explicariam o porquê do "Planeta Nove" ainda não ter sido detectado por nenhum telescópio. Eles calcularam o brilho de planetas menores e maiores em diferentes órbitas. Eles concluíram que as pesquisas celestes realizadas no passado tinham somente uma pequena chance de detectar um planeta com uma massa equivalente a 20 vezes a massa da Terra ou menos, especialmente se o planeta se encontrasse no ponto mais distante de sua órbita com relação ao Sol. Porém, o WISE da NASA talvez pudesse detectar um planeta com uma massa equivalente a 50 vezes a massa da Terra ou mais.

De acordo com os cientistas, futuros telescópios como o "Large Synoptic Survey Telescope" ("Grande Telescópio de Pesquisa Sinóptica", em português) que está em construção perto de Cerro Tololo, no Chile, ou pesquisas dedicadas devem ser capazes de encontrar ou de eliminar candidatos ao "Planeta Nove". Segundo o professor Christoph Mordasini, essa é uma perspectiva animadora.

Concepção artística do "Large Synoptic Survey Telescope" ("Grande Telescópio de Pesquisa Sinóptica", em português),
que está em construção perto de Cerro Tololo, no Chile
Quanta coisa envolvendo o hipótetico "Planeta 9", não é mesmo Assombrados? A cada dia que passa, mais e mais astrônomos se juntam a caçada proposta por Mike Brown e Konstantin Batygin, e muito provavelmente voltaremos em breve a falar sobre ele. Esperamos, é claro, que tenhamos no futuro publicações revisadas por pares e que exista uma maior confiabilidade nos estudos que estão sendo publicados para que isso não se torne uma verdadeira guerra especulativa de ordem astronômica. O campo da Astronomia sempre sobreviveu a muito mais do que isso, e esperamos que ele seja igualmente capaz de conter a ambição desenfreada dos tempos modernos em torno desse hipotético corpo celeste.

Até a próxima, Assombrados!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3528727/Inside-Planet-9-Mysterious-frozen-world-FOUR-times-bigger-Earth-temperatures-dip-226-degrees.html
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3527942/Planet-Nine-end-year-Results-Dark-Energy-Survey-used-identify-mysterious-object-tugging-Nasa-s-Cassini.html
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3533922/The-plot-Planet-X-thickens-Nasa-claims-unexplained-tugs-Cassini-craft-not-mystery-object.html
http://astronomy.com/news/2016/04/saturn-spacecraft-not-affected-by-hypothetical-planet-9
http://www.scientificamerican.com/article/mysterious-gravitational-tug-on-saturn-may-help-find-planet-nine/
http://earthsky.org/space/planet-9-not-affecting-cassini-at-saturn
http://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?release=2016-101
http://www.nasa.gov/feature/jpl/saturn-spacecraft-not-affected-by-hypothetical-planet-9
http://www.gizmag.com/cassini-planet-nine/42745/
http://www.aanda.org/articles/aa/pdf/2016/03/aa28227-16.pdf
http://www.nature.com/nature/journal/v531/n7595/full/531417e.html
http://gizmodo.com/how-astronomers-are-going-to-find-planet-nine-1768072602
http://www.spaceanswers.com/news/astronomers-estimate-size-and-temperature-of-planet-nine/

http://www.space.com/32037-saturn-probe-cassini-planet-nine-search.html
http://www.space.com/32478-is-mysterious-planet-nine-tugging-on-nasa-saturn-probe.html
http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2016/02/26_planeta_nove.htm 
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