21 de abril de 2016

"Possessão Demoníaca" ou "Histeria Coletiva"? Alunas e Professoras Relatam Ver "Vultos Negros" em Escolas da Malásia

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Por Marco Faustino

No começo da semana passada, mais precisamente no dia 11 de abril (uma segunda-feira), havia uma pequena notícia publicada no site "The Star Online", que basicamente é um dos sites de notícias mais populares da Malásia. Essa notícia contava que os 1.044 estudantes e 84 professores de uma escola de Ensino Médio da cidade de Kota Baru (ou Kota Bharu), capital do estado de Kelantan, localizada na região nordeste da Península da Malásia, e bem próxima da fronteira com a Tailândia, foram liberados mais cedo da escola, por volta de meio-dia. Isso porque teria acontecido uma espécie de histeria coletiva na escola. Inicialmente se dizia que cerca de 10 alunas e apenas uma professora teriam passado mal na escola, muito embora o Diretor de Assuntos Estudantis na época disse que nada disso teria acontecido, e que todos os alunos foram liberados no horário normal como de costume.

Essa era uma versão constestada diante do depoimento de uma estudante do terceiro ano do Ensino Médio, que não teve seu nome revelado pelo site "The Star Online" (na Malásia o ensino equivalente ao nosso Ensino Médio possui seis séries, sendo que a última, o sexto ano, é opcional). A estudante, que provavelmente deveria ter entre 14 e 15 anos, disse que a situação tinha piorado desde a semana anterior, e que mais e mais estudantes estavam sendo afetadas pela histeria, denotando assim que o caso era mais antigo do que se pensava anteriormente. O Diretor do Departamento Estadual de Educação de Kelantan, Datuk Ab Aziz Abdullah, não foi encontrado na ocasião para prestar maiores esclarecimentos.

A princípio eu não achei essa notícia tão interessante assim, porque é muito comum acontecerem casos de histeria coletiva ao redor do mundo, principalmente em escolas. Em novembro do ano passado, publicamos uma notícia sobre um caso de histeria coletiva que havia ocorrido em uma escola na cidade de Ripon, no condado de North Yorkshire, na Inglaterra. Naquela ocasião alguns estudantes desmaiaram em um "efeito dominó", outros tiveram ataques de pânico entre outros sintomas. Leia mais sobre esse caso aqui: Histeria Coletiva? Alunos Passam Mal e Desmaiam em "Efeito Dominó" em Escola na Inglaterra. Assim sendo, não estava considerando a notícia tão relevante.

Entretanto, esse caso na Malásia se tornou particularmente interessante, porque diversos estudantes e até mesmo professores disseram ter visto um vulto negro, uma espécie de espectro, circulando pela escola, sendo que muitas alunas relataram ter sido possuídas, logo após se depararem com esse vulto, no qual denominaram de "pontianak", uma espécie de espírito vampírico na mitologia da Malásia e da Indonésia. Curiosamente essa não era uma opinião unânime, pois muitas também alegavam ter visto um "pocong", que dizem ser a alma de uma pessoa morta, que ficou presa em suas roupas (mortalha), uma lenda comum em países do Sudeste Asiático, especialmente na Malásia e na Indonésia. Para piorar a situação, no último domingo (17) foram ouvidos gritos dentro da escola, e a imprensa não teve acesso para pode registrar o que estaria acontecendo. Vamos saber mais sobre esse assunto?

O Caso Envolvendo a Escola SMK Pengkalan Chepa 2


Esse caso teria acontecido na escola pública de Ensino Médio chamada "SMK Pengkalan Chepa 2" (Sekolah Menengah Kebangsaan Pengkalan Chepa 2), que seria uma escola tão normal quanto qualquer outra na Malásia. Isso se não fosse o caso que está sendo comentado diariamente por quase todos os sites de notícias e jornais do Sudeste Asiático e Oceania, principalmente, é claro, na própria Malásia. Vale ressaltar que a grande maioria fez questão de apontar que a situação supostamente não passaria de um fenômeno sociopsicológico conhecido como "histeria coletiva".

Foto mostrando a entrada da escola SMK Pengkalan Chepa 2
Os surtos de "histeria coletiva" (conhecida também como "distúrbio psicogênico em massa") acontecem quando um grupo de pessoas passa a ter sintomas, perturbações ou reações semelhantes, de forma solidária a qualquer fato, imaginário ou exagerado. Para que vocês tenham uma noção, durante a Idade Média, casos de histeria coletiva foram classificados como bruxaria, possessão demoníaca e até insanidade. Ainda não há consenso entre a comunidade médica sobre esses surtos, no entanto, eles costumam estar relacionados com estresse emocional e mental.

Entretanto, há certos detalhes que foram sendo pouco a pouco detalhados, que tornaram o clima na escola um tanto quanto aterrorizante. Na quarta-feira, 13 de abril, ou seja, cerca de dois dias após a primeira notícia, o site "The Star Online" informou que não eram apenas 10 alunas, e sim mais de 50 alunas que teriam sido afetadas pela histeria coletiva, porém não informou o número exato, nem mesmo de professoras. Também foi comentado que a maioria dos estudantes sequer estavam tendo aulas naquele dia, sendo que muitos se encontravam no pátio da escola. Alguns deles alegavam que não conseguiam estudar diante de tantas colegas que estavam tendo ataques desde segunda-feira (11).

No dia 13 de abril, uma quarta-feira, a maioria dos estudantes sequer estavam tendo aulas,
sendo que muitos se encontravam no pátio da escola.
"É assim todos os dias, até mesmo as professoras foram afetadas pela histeria, e não conseguimos estudar", disse um(a) estudante do 3º ano do Ensino Médio.

"Acho que é melhor fechar a escola até que encontrem uma solução", disse um(a) estudante do 5º ano do Ensino Médio, que estava pensando seriamente em não ir a escola no dia seguinte.

Algumas alunas também afirmaram ter visto todos os tipos de "seres" na escola, desde um "pontianak" até um "pocong". Porém, a comunicação com a escola em busca de maiores informações estava um tanto quanto difícil, uma vez que os(as) professores(as) e outros(as) funcionários(as) da escola se recusavam a comentar sobre o assunto. O Diretor Adjunto do Departamento Estadual de Educação de Kelantan chegou a dizer que esse era um assunto interno da escola e que não comentaria sobre o caso.

Algumas alunas também afirmaram ter visto todos os tipos de "seres" na escola, desde um "pontianak" (uma espécie de espírito vampírico na mitologia da Malásia e da Indonésia) até um "pocong", que dizem que dizem ser a alma de uma pessoa morta, que ficou presa em suas roupas (mortalha), uma lenda comum em países do Sudeste Asiático, especialmente na Malásia e na Indonésia
Aparentemente a situação ficou insustentável ainda na quarta-feira (13), visto que a escola informou que tinha decidido cancelar as aulas no dia seguinte, ou seja, na quinta-feira (14). De acordo com o "The Star Online", isso implicaria que a escola ficaria fechada pelo menos até domingo (17). Novamente a administração da escola não quis comentar a respeito das razões sobre esse fechamento temporário da escola, e nem mesmo sobre os relatos de histeria coletiva.

Para vocês não ficarem meio perdidos sobre a razão pela qual a escola não poderia abrir na sexta-feira, é que a SMK Pengkalan Chepa 2 é uma escola islâmica, e no Islamismo a sexta-feira é um dia de descanso e oração. Os muçulmanos consagram a Deus a sexta-feira. No Cristianismo é o domingo, e no Judaísmo é o sábado. Em termos gerais é como se a sexta-feira, tal como a maioria de nós está acostumado, fosse simplesmente um dia como o domingo (muito embora a sexta e o sábado para os islâmicos, seja meio que o sábado e o domingo como estamos acostumados). Entenderam mais ou menos a dinâmica?

Inicialmente professores(as) e outros(as) funcionários(as) da escola, assim como muitas alunas,
se recusavam a comentar sobre o assunto
Apesar dos esforços para esconder o que estava acontecendo na escola, Siti Hawa Mat, diretora da escola SMK Pengkalan Chepa 2, convocou uma coletiva de imprensa na quinta-feira (14). Ela disse que ao perguntar como era o tal fantasma que as alunas estavam vendo, todas as vítimas afirmaram ter visto um "vulto negro". Ela disse aos repórteres que 25 estudantes sofreram ataques de histeria na segunda-feira (11), e cerca de 50 estudantes e 11 professoras na quarta-feira (13). A coincidência? A maioria absoluta das vítimas seria de mulheres, aliás, havia uma forte crença da mídia, que apontava que todas as vítimas seriam apenas mulheres. Siti Hawa Mat também disse que a administração estava em busca da melhor forma de livrar a escola dos "maus espíritos".

Siti Hawa Mat, diretora da escola SMK Pengkalan Chepa 2, disse em uma coletiva de imprensa, que 25 estudantes sofreram ataques de histeria na segunda-feira (11), e cerca de 50 estudantes e 11 professoras na quarta-feira (13).
"Tivemos que fechar a escola hoje (quinta-feira). Até o momento, temos mais de 8 ustadz e bomohs para nos ajudar a afastar espíritos que alegadamente estão no complexo escolar", disse Siti Hawa Mat, acrescentando que o fechamento era necessário para evitar a presença de alunos, e então permitir que os bomohs e os ustadz realizassem as orações necessárias antes que reabrissem a escola no domingo (17).

Funcionário da escola SMK Pengkalan Chepa 2 colocando um aviso no portão
dizendo que a mesma não teria atividades no dia 14 de abril, uma quinta-feira.
De acordo com Siti Hawa Mat apenas os professores estariam presentes na escola, "como de costume". Ela ainda disse que a escola estava de portas abertas para qualquer um que soubesse o que fazer para resolver o mistério que afligia a escola. Além disso, no domingo (17), a escola estaria realizando uma sessão especial de orações durante duas horas com os alunos. Ela também fez questão de mencionar que essa era a primeira vez que algo assim acontecia na escola desde sua inauguração em 2001, e garantiu que a situação a partir de então estaria sob controle.

O site de notícias Astro Awani conseguiu entrevistar duas professoras que teriam passado por essa estranha experiência na quarta-feira. A professora Norlailawati Ramli, 32 anos, disse que o "distúrbio" aconteceu primeiramente entre as alunas e posteriormente veio a ocorrer com as professoras.

"Quando eu estava segurando uma das alunas, eu senti meus braços extraordinariamente pesados. Não conseguia me mover, era como se estivesse colada no chão. Então eu recitei o istighfar. As coisas estavam realmente fora de controle naquele momento", disse Norlailawati Ramli.

"Entretanto, após a aluna ter se recuperado e ido para casa, senti como se alguém estivesse pendurado no lado esquerdo do meu corpo. Vi flashes escuros como se fosse um vulto negro. Por sorte, uma outra professora conseguiu me trazer de volta", completou. Veja abaixo algumas reportagens feitas sobre esse assunto (em malaio):





Um outra professora chamada Kamariah Ibrahim disse que tentou recitar versos do Alcorão, quando percebeu que estava perdendo o controle de si mesma.

"Eu vi um vulto negro, como se estivesse tentando entrar no meu corpo, mas os meus colegas estavam me cercando, recitando versos do Alcorão. Senti como se minha cabeça estivesse inchada, me senti dormente e lágrimas continuavam escorrendo pelo meu rosto", disse Kamariah Ibrahim.

"Recitei continuamente o Ayatul Kursi, e minha cabeça começou a ficar mais leve depois de aproximadamente uma hora", completou.

Para que vocês não fiquem tão perdidos é necessário explicar o que é um ustadz e um bomoh. O ustadz é uma espécie de título concedido aos professores especializados na religião e nas leis islâmicas. Já o bomoh é uma espécie de feiticeiro que provém da cultura ancestral malaia, e cujas funções sociais são de curandeiro, de atrair boa sorte e até mesmo de encontrar pessoas desaparecidas.

As práticas dos bomohs se mantiveram ativas na Malásia durante séculos, inclusive depois da chegada do Islã. Só a partir do renascimento islamita das décadas de 1970 e 1980, é que suas práticas começaram a ser coibidas, por serem consideradas um desvio da "autêntica fé muçulmana". Atualmente, uma parte da sociedade malaia ainda confidencia todo tipo de problema pessoal aos bomohs na busca de ajuda. Resumindo, a administração da escola estava recorrendo a todo tipo de ajuda, exceto a ajuda médica.

Uma funcionária da escola confirmou posteriormente à BBC que cerca de aproximadamente 100 pessoas, a maioria estudantes, foram afetadas.

"Nossos estudantes foram possuídos e perturbados por estes espíritos. Não sabemos exatamente o porquê isso aconteceu. Não sabemos o que nos afetou", disse a funcionária, que prefirou não ser identificada.

"Entretanto, o lugar é meio antigo e crianças por vezes são desobedientes, às vezes elas jogam o lixo dentro da escola. Talvez elas tenham acertado alguns 'djinns' e ofendido os espíritos", completou.

O Silêncio Por Parte das Autoridades na Malásia


Toda essa situação causou um grande constrangimento ao governo da Malásia. O Ministro Adjunto do Ministério da Educação, Chong Sin Woon, tentou amenizar a situação ao declarar na quinta-feira (15), que aguardava um relatório completo sobre o incidente da suposta histeria coletiva na escola SMK Pengkalan Chepa 2. Ele disse que havia sido concedido a escola a "flexibilidade necessária" para que houvesse um feriado da mesma forma que o Ministério da Educação concederia em situações como, por exemplo, uma onda de calor.

"Elas podem solicitar feriados, assim como as escolas chinesas podem solicitar feriados durante o Qing Ming", disse Chong Sin Woon.

O Ministro Adjunto do Ministério da Educação, Chong Sin Woon, tentou amenizar a situação ao declarar na quinta-feira (15), que aguardava um relatório completo sobre o incidente sobre a suposta histeria coletiva na escola SMK Pengkalan Chepa 2
"Ainda preciso receber um relatório detalhado sobre as alegadas 'assombrações', então deixemos que o Ministério da Educação receba um relatório completo antes de emitirmos quaisquer outros comentários", continuou.

"Entretanto, ao permitir que qualquer escola feche, a nossa primeira prioridade é se isso vai afetar os estudos dos alunos, e em segundo lugar, a segurança deles. Vamos primeiramente esperar por um relatório", completou.

Era visível o constrangimento do governo malaio diante da declaração de Siti Hawa Mat dizendo que iria chamar "bomohs" para tentar resolver a situação, uma vez que essa é uma prática reiteradamente coibida, ainda mais em uma escola pública. Chong Sin Woon resolveu apenas "conceder o benefício da dúvida".

Mesmo após Intervenção Religiosa, Alunas Continuaram Sendo "Possuídas" na Escola SMK Pengkalan Chepa 2


A situação, no entanto, iria piorar drasticamente. Ao contrário do que se previa, a escola foi parcialmente reaberta no sábado (16), porém no domingo (17) os portões da escola SMK Pengkalan Chepa 2 foram fechados para os repórteres, ou seja, a mídia não pode entrar na escola para filmar e saber o que de fato estaria acontecendo, porém gritos foram ouvidos vindo das salas de aula. Aparentemente a ida de religiosos até o local não havia resolvido o problema.

De acordo com o "The Star Online", repórteres e fotógrafos que permaneceram estacionados na frente da escola, ficaram espantados ao ouvirem gritos e clamores, que vinham de seu interior. A administração da escola realizou um recital de duas horas de versos do Alcorão, e fizeram orações em conjunto com os alunos, conforme tinha sido anunciado anteriormente por Siti Hawa Mat. Por volta de 11h30 mais gritos e clamores foram ouvidos, e as tentativas por parte dos meios de comunicação para entrar na escola foram inúteis devido ao forte esquema de segurança. Tanto Siti Hawa Mat quanto as demais autoridades responsáveis pela educação no distrito não foram encontradas para comentar sobre isso.

Ainda no domingo foi noticiado que diversos estudantes teriam conseguido registrar as imagens de uma aparição fantasmagórica na cantina, no pátio, corredores e em algumas das salas de aula na noite de sábado (16). Outros alegavam ter registrado imagens de um fantasma branco semelhante a um pocong (uma figura fantasmagórica envolta em uma mortalha).

Uma das fotos divulgadas pela mídia da Malásia supostamente atribuída a um estudante que teria registrado
o "vulto negro", que estava sendo visto por alunas e professoras da escola SMK Pengkalan Chepa 2
Mesmo após a realização das preces e orações na escola, no domingo (17), cerca de 8 alunas foram afetadas pela suposta histeria coletiva. Izzah Sulaiman, mãe de uma estudante do 4º ano chamada Nora Mohd Fauzi, disse que ligaram para ela buscar a filha após a mesma "ter ficado histérica".

Uma estudante, que só queria ser identificada como Ina, disse que faltou a escola no sábado ao ser aconselhada por seus pais. "Eu não sei como fui possuída, não conseguia me mover, e fiquei desmaiada até de ser revivida por um ustadz", disse Ina, que estava acompanhada de seus pais para buscar seu irmão na escola.

Na segunda (18) uma estudante, que não quis ser identificada, disse que uma aluna tinha sido "possuída" pela segunda vez. A menina teria subitamente pulado um lance inteiro de escadas no terceiro andar da escola, mas ela foi salva pelos demais colegas que estavam na parte inferior da escadaria.

"Ela deveria ter faltado a escola ontem. Não entendo por que ela veio depois de ter sido possuída", disse a estudante.

Mais 3 Escolas são Afetadas Pela Suposta Histeria Coletiva


O que aparentemente estava limitado a escola SMK Pengkalan Chepa 2, acabou se espalhando para outras três escolas, sendo declarado na última segunda-feira (18) como uma "epidemia de histeria coletiva" pelo site de notícias "The Star Online". As mais recentes escolas a serem afetadas pelas "possessões" eram a SMK Pengkalan Chepa 1 (5 alunas), a SMK Kemumin (20 alunas) e a SMK Kubang Kerman 3 (8 alunas).

A administração da escola SMK Pengkalan Chepa 1 conseguiu controlar a situação, mandando de volta para casa as estudantes que tinham sido afetadas para evitar que outros estudantes também fossem afetados. Um funcionário que não quis ser identificado confirmou que as estudantes tinham sido afetadas pela suposta histeria coletiva.

A escola SMK Pengkalan Chepa 1 conseguiu controlar a situação, mandando de volta para casa os estudantes,
que tinham sido afetados para evitar que outros estudantes também fossem afetados
Já na escola SMK Kemumin, 20 alunas, de quatro séries diferentes, foram afetadas pelo fenômeno, e foram imediatamente mandadas de volta para casa. Uma verificação de rotina realizada na escola, por volta de 8h da manhã de segunda-feira (18), apontou que as alunas estavam reunidas para recitar versos religiosos em uma tentativa de livrar os maus espíritos da escola.

Uma verificação de rotina realizada na escola SMK Kemumina, por volta de 8h da manhã de segunda-feira (18), apontou que as alunas estavam reunidas para recitar versos religiosos em uma tentativa de livrar os maus espíritos da escola.
Enquanto isso, um renomado especialista local em medicina tradicional, Wiru Sankala, disse que o tempo quente e abafado, associado a emoções reprimidas e aos relatos de histerias coletivas, que estavam sendo noticiado o tempo todo na mídia, poderia ser a causa da histeria que afetou diversas escolas. O Diretor Adjunto do Departamento de Educação do Estado de Kelantan, Jaafar Ismail, chegou a dizer que não comentaria sobre esse assunto, e que as escolas deveriam ser deixadas em paz para que resolvessem o problema por conta própria.

Na terça-feira (19), o "The Star Online" conseguiu obter maiores informações a partir de estudantes das escolas que tinham sido afetadas pelo que se acreditava ser um caso de histeria coletiva. Aliás, segundo uma das estudantes não era a primeira vez que algo assim havia acontecido. Fatin Nor Atikah, 17 anos, aluna da escola SMK Pengkalan Chepa 1, disse que ela já tinha sido possuída por duas vezes nos banheiros da escola, quando ela estava no terceiro e quarto ano do Ensino Médio. Durante os dois incidentes ela disse ter visto um espectro negro, que era difícil descrever com maiores detalhes.

"O espectro era tão feio que eu me senti paralisada, como se estivesse sendo presa por uma força invisível. Em ambos os caso eu fiquei desmaiada por várias horas. Acabei sendo salva por um ustadz na escola. Essas experiências me abalaram tanto que toda vez que eu vou ao banheiro eu levo uma amiga junto, caso contrário eu evito de ir ao banheiro", disse Fatin Nor Atikah, que também pertence ao grupo das alunas que foram recentemente afetadas.

Uma aluna da escola SMK Pengkalan Chepa 1, disse que ela já ficou possuída por duas vezes
nos banheiros da escola SMK Pengkalan Chepa 2, quando ela estava no terceiro e quarto ano do Ensino Médio


Raja Nor Atirah Hurmaishah, uma aluna do 5º ano do Ensino Médio da escola SMK Pengkalan Chepa 2, disse que ela ficou possuída depois de ter visto um pontianak no banheiro da escola na quarta-feira (13).

"Eu não conseguia acreditar no que via, e meus dois braços começaram a ficar dormentes. Então minha mente ficou completemente vazia e fiquei 'congelada'. Tentei gritar por socorro, mas não conseguia abrir a boca. Em seguida, tudo ficou escuro", disse Raja Nor Atirah Hurmaishah, descrevendo a sensação de não ser capaz de se mover como "estranha", mas agradeceu a Deus por "não ter pulado do prédio da escola".

"A aparição era assustadora, e agora eu evito os banheiros, prefiro usar apenas em casa", completou. Ela disse que ainda estava tendo pesadelos sobre o incidente, e que muitas vezes não queria ir a escola com medo de ser possuída novamente.

Tudo Sob Controle?


Na última terça-feira (19), o Departamento de Educação do Estado de Kelantan disse que os incidentes supostamente relacionados a histeria coletiva, que tinham sido relatados em diversas escolas do estado desde a semana passada, estavam sob controle. Jaafar Ismail, Diretor Adjunto do Departamento de Educação do Estado de Kelantan, disse que as medidas contínuas de intervenção, tanto nas escolas quanto nos distritos escolares, envolvendo funcionários do departamento, tiveram êxito em resolver os problemas.

Jaafar Ismail, Diretor Adjunto
do Departamento de Educação do Estado de Kelantan
Segundo Jaafar Ismail, existiam apenas casos isolados envolvendo alunas que ainda estavam debilitadas, mas que elas estavam frequentando normalmente as escolas.

"Nós também estamos confiantes de que a as administrações escolares serão capazes de seguir os procedimentos operacionais para tratar dos casos, uma vez que eles estão mais familiarizados com os alunos", disse Jaafar Ismail, que negou as alegações de que o incidente havia afetado um grande número de estudantes. Ele também esperava que o assunto não fosse tratado de uma forma tão sensacionalista por parte da mídia, para garantir que os incidentes pudessem ser tratados de forma abrangente e rápida.

Na quarta-feira (20), o site de notícias "Free Malaysia Today", informou que o Ministério da Educação estava permitindo que as escolas realizassem cerimônias religiosas, que eram consideradas aceitáveis para as comunidades locais, para acalmar os sentimentos de professores e alunos que foram afetados pela histeria.

Entretanto, o governo disse que não incentivava práticas supersticiosas ou aqueles que tentam praticar o khurafat e o syirik, uma vez que a escola é tida como um local sagrado.

Chong Sin Woon, Ministro Adjunto do Ministério da Educação, declarou ao jornal China Press que os ataques de histeria já tinham acontecido anteriormente e que isso não era exatamente uma novidade.

"Além de ajudá-los a partir de um ponto de vista religioso, também estaremos providenciando aconselhamentos para eles", disse Chong, explicando que a situação na escola SMK Pengkalan Chepa 2 estava sob controle e o Ministério da Educação iria continuar acompanhando o progresso da escola.

Chong Sin Woon, Ministro Adjunto do Ministério da Educação, declarou ao jornal China Press que os ataques de histeria já tinham acontecido anteriormente e que isso não era exatamente uma novidade.
"Pedimos aos departamentos de educação para monitorar as outras escolas do distrito. Nenhum outro caso de histeria em outras escolas foi relatado até agora", completou.

O site de notícias "News.com.au" lembrou que em setembro de 2013, cerca de 20 estudantes do ensino médio nas Filipinas afirmaram que estavam "possuídos" por espíritos malignos. De acordo com o jornal "The Philippine Star" na época, as autoridades escolares na ilha de Cebu foram forçadas a suspenderem as aulas. e sessões de oração foram realizadas na tentativa de livrar a escola de espíritos malignos.

A Opinião de Diversos Especialistas


Um psicólogo consultado pelo "The Star Online" disse que uma forma de prevenir a histeria coletiva era ensinar aos estudantes a lidar com o estresse, de modo a ajudá-los também a lidar com a ansiedade.

"Não vem sendo ensinado a lidar com estresse em escolas ou universidades. Quando você tem pessoas em um grupo, que compartilham a ansiedade e o estresse umas com as outras, e se elas não tiverem quaisquer mecanismos de enfrentamento do estresse - ou que o assunto em questão esteja provocando um aumento do estresse - tudo o que se precisa é de alguém para acender o pavio", disse Paul Jambunathan, psicólogo clínico da Universidade de Monash, uma universidade pública australiana, mas que possui campus na Malásia e também na África do Sul.

Paul K. Jambunathan, psicólogo clínico
da Universidade de Monash
Ele disse que os casos de histeria coletiva dos estudantes do Ensino Médio em Kota Baru, muito provavelmente eram devido ao estresse e ansiedade.

"O fator de predisposição é que existe estresse e ansiedade no grupo, na época da aplicação de provas ou quando há uma crise na escola. Ao ver uma figura de liderança entrando em colapso ou entrando em histeria, funcionaria como espécie de gatilho", continuou.

Ao ser questionado como a histeria poderia se espalhar entre as escolas, ele disse que aquilo estava acontecendo através de contato visual. "Quando um grupo vê alguém abalado, eles sentem medo", explicou.

"Se você analisar a dinâmica dos grupos afetados, você vai conseguir perceber qual deles foi primeiramente abalado. Boa parte disso são disfunções psiconeurológicas. Algumas vezes, na Psiquiatria, isso é chamado de 'transtorno de conversão', porque é uma conversão do estresse psicológico e ansiedades em distúrbios físicos. Algo semelhante aos distúrbios psicossomáticos, porém em massa", completou.

De acordo com a professora Wazir Jahan Karim, fundadora e diretora-executiva da Academia de Pesquisa e Análise Socioeconômica, um grupo de aconselhamento longe do ambiente escolar poderia ser uma solução para o atual surto de histeria em massa em algumas escolas de Kelantan.

"Para mim, um grupo de aconselhamento composto por psicólogos clínicos ou médicos-antropólogos irá ajudar as pessoas afetadas. Como alternativa, as sessões também podem ser conduzidas por um ustadz que tenha um bom relacionamento com as alunas", disse Wazir.

Segundo Wazir, o mais importante era que tais sessões não deveriam ser realizadas nas escolas dos alunos, uma vez que o próprio ambiente escolar poderia desencadear a histeria. Ela disse que esta forma de aconselhamento tinha funcionado em um grupo de estudantes de uma escola religiosa, que ela havia realizado um estudo durante o início da década de 1990.

A professora ainda disse que investigações realizadas durante o seu estudo revelaram que os estudantes - sendo que todos eram do sexo feminino - estavam tendo dificuldades no aprendizado. Constatou-se também que as estudantes do sexo feminino eram muito mais pressionadas e cobradas do que seus colegas do sexo masculino.

Ela disse que, nessas circunstâncias, a histeria coletiva na escola SMK Pengkalan Chepa 2 era uma síndrome de medo agudo, quando alguém - geralmente mulheres - começaram a gritar porque acreditavam que tinham visto uma aparição.

A professora Wazir Jahan Karim, fundadora e diretora-executiva
da Academia de Pesquisa e Análise Socioeconômica,
"Quando alguém começa a gritar, uma outra pessoa que esteja em um estado semelhante de medo, começa a gritar com ela. E antes que você perceba, a classe inteira está gritando", disse Wazir, acrescentando que a primeira pessoa a desencadear isso, geralmente seria aquela que teria apresentando o comportamento de forma mais violenta. Os "ataques de gritos" também poderiam ser acompanhados de desmaios ou de pessoas se contorcendo no chão.

Entretanto, a professora disse que muito provavelmente, estes eram sintomas verdadeiros, ao invés de serem algo de aparência teatral. "Nada disso é falso", apontou, embora ela tenha achado incomum que, no caso da escola em Kelantan, até mesmo algumas professoras tenham sucumbido ao surto.

Devido a esse aspecto incomum, a professora Wazir se questionou se as professoras não seriam "muito jovens", uma vez que professoras mais experientes e maduras geralmente não apresentam tal comportamento.

"Vocês deveriam investigar se as professoras eram muito jovens e se tinham sido recentemente transferidas para lá", finalizou.

A notícia publicada no "The Star Online" na última terça-feira (19), aponta que o estudo realizado pela professora Wazir Jahan Karim na década de 1990, coincide com uma época em que a histeria coletiva era comumente vista entre os trabalhadores das fábricas - sendo que a maioria envolvia jovens meninas malaias. No entanto, ela disse que casos de histeria coletiva também era comuns em países como a Jordânia e Turquia.

De acordo com um religioso mulçumano chamado Mohamad Shukri Mohamad, assustar as crianças com histórias sobre espíritos está entre as causas da histeria. Ele disse que algumas famílias gostavam muito de fazer isso, e isso resultou em crianças que pemanecem com esse medo, mesmo ao crescerem e frequentarem a escola.

Um religioso mulçumano chamado Mohamad Shukri Mohamad disse que assustar crianças
com histórias sobre espíritos, seria um fator que contribuiria em casos de histeria
"Crianças vindas dessas famílias terão medo de fantasmas e espíritos, até o ponto que de se tornarem histéricas", disse Mohamad Shukri, acrescentando que casos de histeria frequentemente ocorrem na comunidade malaia muçulmana, especialmente nas escolas. Ele ainda disse que fatores climáticos também poderiam ser um fator importante na histeria, tal como o fenômeno El Niño.

"O tempo quente também pode influenciar a mente de uma pessoa, especialmente se a pessoa não estiver bem, infeliz ou triste", completou.

O "Kit Anti-Histeria" Criado Por uma Universidade Pública na Malásia


Conforme estava realizando minha pesquisa para poder trazer essa notícia da forma mais completa possível para vocês, encontrei uma notícia muito interessante publicada pelo site de notícias "The Malay Mail Online", em maio de 2015.

A notícia dizia que uma universidade pública da Malásia estava vendendo um "kit anti-histeria" composto por itens usados no cotidiado do cidadão malaio, tais como chopsticks (também conhecido por kuàizi ou hashi, os famosos palitinhos "usados como talheres" pelos orientais), sal, limão, vinagre, spray de pimenta, e ácido fórmico, por exorbitantes RM 8.750 (cerca de R$ 8.000,00 pela cotação atual), com a promessa que o mesmo afastaria os maus espíritos. Sim, isso mesmo que você está lendo, eu também não acreditei quando fiz a conversão do valor. Para que vocês tenham uma noção desse valor, um Playstation 4 na Malásia é vendido em média por RM 1.800.

O kit anti-histeria era composto por itens usados no cotidiado do cidadão malaio, tais como chopsticks (também conhecido por kuàizi ou hashi, os famosos palitinhos usados como talheres pelos orientais), sal, limão, vinagre, spray de pimenta, e ácido fórmico


Diversos jornais malaios informaram na época que a Universiti Malaysia Pahang (sigla em inglês, UMP, ou "Universidade da Malásia, Pahang", em português) dizia que o kit, que levou cerca de três anos para ser elaborado, foi criado com o objetivo de resolver os casos de histeria que afligiam os jovens estudantes, normalmente uma condição de emoções incontroláveis ou exacerbadas.

"No Alcorão e no Hadith é dito que esses espíritos são incapazes de tolerar itens salgados, azedos e picantes", disse Datuk Dr Daing Nasir Ibrahim, Vice-Reitor da UMP, que ainda listou o sal, o limão, o vinagre e a pimenta preta como exemplos.

Ele ainda disse que os chopsticks seriam utilizados para "exercer uma pressão" nos dedos de vítimas de histeria, enquanto que o ácido fórmico funcionaria como se fosse "água quente" para ser derramado ao redor dos pontos onde os espíritos se escondem.

O Vice-Reitor da UMP, Datuk Dr Daing Nasir Ibrahim, disse que o kit continha itens, que segundo
o Alcorão e o Hadith, não seriam tolerados pelos espíritos malignos
Em uma coletiva de imprensa para lançar o produto no escritório do Ministério da Educação, em Putrajaya, naquela época, ele disse que três pesquisadores da universidade, liderados pelo Dr. Mahayuddin Ismail, assim como um especialista em medicina islâmica do Centro de Tratamento Islâmico Al-Manarah, estavam envolvidos no projeto, que inclusive já tinha sido testado em 11 escolas no país.

"Os itens do kit têm sido muito utilizados para fins de tratamento. Nós apenas os reunimos para tornar o acesso mais fácil", disse Daing, acrescentando que ele era compatível com diversas tradições locais e não possuía qualquer item que pudesse ser considerado imoral.

No preço do kit estavam inclusos o treinamento da utilização dos itens para duas pessoas, serviços de treinamento com especialistas para caso não houvesse nenhuma melhoria da condição da pessoa, um tratamento futuro para casos crônicos, três recargas dos itens inclusos no kit, uma sessão ceramah e serviços de consultas online e gestão de riscos.

O Dr. Shaikh Mohd Saifuddeen Shaikh Mohd Salleh,
do Centro de Estudos de Ciência e Meio Ambiente
do Instituto de Estudos Islâmicos da Malásia
Além disso, a equipe da universidade também estava pensando criar um laboratório de medicina islâmica para expandir a pesquisa acadêmica e científica sobre o assunto. Ainda foi destacado, que não era a primeira vez que a UMP acabava virando notícia na mídia devido ao aparente interesse e pesquisa em elementos sobrenaturais.

Isso causou muita polêmica e discussão na época. O Dr. Shaikh Mohd Saifuddeen Shaikh Mohd Salleh, pertencente ao Centro de Estudos de Ciência e Meio Ambiente do Instituto de Estudos Islâmicos da Malásia, disse que o fenômeno psicológico relacionado a "possessão por espíritos malignos" estava enraizado no paganismo que antecedia a chegada do Islã.

"Como consequência, nós achamos que a comunidade muçulmana da Malásia não consegue diferenciar entre o conceito animista de ser possuído por espíritos malignos e a compreensão psiquiátrica moderna sobre histeria", disse o Dr. Shaikh Mohd.

Shaikh Mohd Saifuddeen, pesquisador sênior da Federação dos Praticantes Associados da Medicina Islâmica (Gappima), disse que o kit foi um desserviço para o campo da Ciência, devido tanto ao seu alto e inexplicável custo, quanto as alegações de ser baseado na Ciência.

"Se o kit é realmente científico, tal como é alegado, a "ciência "por trás dele deve ser examinada por peritos em psiquiatria. A metodologia deve ser examinada cuidadosamente", disse Shaikh Mohd.

Em defesa do kit, a UMP tentou rebater as críticas de que o mesmo teria sido baseado apenas em superstições, alegando que ele teria sido baseado em pesquisa científica e teria um histórico comprovado de eficácia em mais de 50 casos.

Enfim, Assombrados, que caso mais estranho de histeria coletiva, não é mesmo? Aparentemente o mesmo possui todos os elementos necessário para presumirmos que se tratou mesmo de histeria coletiva. Porém, existem declarações um tanto quanto assustadoras sobre as supostas aparições fantasmagóricas na escola. De qualquer forma, o Sudeste Asiático é repleto de lendas, superstições e histórias, das mais encantadoras até as mais arrepiantes, e existe um longo histórico de histerias coletivas, não somente na Malásia, mas em outros países da região, independentemente do nível socioeconômico. Esse não foi o primeiro e nem será o último caso que ocorrerá na região. O mais triste é que a vida reprimida dessas meninas continuará existindo com ou sem fantasmas, e infelizmente isso não é algo que assombre nem um pouco as autoridades locais.

Até a próxima, Assombrados!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.bbc.com/news/world-asia-36069636
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/11/kelantan-school-alleged-hysteria-attacks/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/13/more-than-50-pupils-and-teachers-affected-by-mass-hysteria-in-kota-baru-school/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/13/temporary-closure-for-school-allegedly-struck-by-mass-hysteria/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/14/school-hit-by-mass-hysteria-appeals-for-help/
http://english.astroawani.com/malaysia-news/hysteria-smk-pengkalan-chepa-2-102475
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/15/help-sought-to-rid-school-of-bad-spirits/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/15/education-ministry-awaits-report-on-mass-hysteria-incident/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/16/awaiting-other-sides-story-ministry-wants-report-on-schools-alleged-hauntings-and-mass-hysteria/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/17/mass-hysteria-continues-at-pengkalan-chepa-school/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/17/eight-more-female-students-struck-by-hysteria/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/18/eight-more-hysteria-cases-problem-persists-in-school-despite-exorcism-attempts/
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/18/three-more-kota-baru-schools-hit-by-hysteria/
http://www.freemalaysiatoday.com/category/nation/2016/04/17/more-screaming-heard-at-hysteria-school/
http://www.freemalaysiatoday.com/category/nation/2016/04/19/hot-weather-and-media-reports-blamed-for-hysteria/
http://www.news.com.au/lifestyle/parenting/school-life/mass-hysteria-in-malaysian-school-screams-heard-from-the-classrooms/news-story/42f3d7d2b784a402cb6ec188aed2eb2e
http://www.thestar.com.my/news/nation/2016/04/19/students-saw-ghostly-figure-hysteria-victims-claim-to-have-seen-pontianak-before-fainting/
http://www.utusan.com.my/berita/nasional/smk-pengkalan-chepa-ii-8232-didiami-makhlus-halus-1.260270https://en.wikipedia.org/wiki/Educational_stage
http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2014-03-13/rituais-de-magia-viram-rotina-em-aeroporto-de-onde-decolou-aviao-malaio.html
http://www.freemalaysiatoday.com/category/nation/2016/04/20/scaring-kids-with-stories-on-spirits-causes-hysteria/
http://www.freemalaysiatoday.com/category/nation/2016/04/20/hysteria-religious-ceremonies-allowed-in-school/
http://www.freemalaysiatoday.com/category/nation/2016/04/19/kelantan-education-dept-says-hysteria-under-control/
http://www.themalaymailonline.com/malaysia/article/anti-hysteria-kit-shows-muslims-cant-tell-supernatural-from-science-ikim-sc
http://www.themalaymailonline.com/malaysia/article/varsity-sells-anti-hysteria-kit-for-rm9000-to-fight-evil-spirits
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