26 de janeiro de 2016

Fim da Saga? Surgem Novas Espadas Pelo Mundo, mas a Espada de Oak Island não Pertence a Roma Antiga!

Por Marco Faustino

As polêmicas em torno da "espada romana" que supostamente teria sido descoberta em Oak Island com certeza não pararam desde a nossa última postagem. Entretanto, havíamos resolvido dar um tempo e aguardar que Pulitzer publicasse o seu relatório listando a série de artefatos e elementos, que comprovariam que o Império Romano havia visitado as Américas muito antes de Cristóvão Colombo. Entretanto, isso não foi necessário, pois uma análise dos componentes químicos/metálicos da espada, que foi exibida durante a terceira temporada de Oak Island, nos Estados Unidos, mudou toda essa história.

Na época em que o mundo teve conhecimento dessa informação, ou seja, em dezembro de 2015, esse foi um dos assuntos mais comentados entre arqueólogos e historiadores. Para vocês terem uma ideia, as notícias sobre esse caso foram compartilhadas mais 100.000 vezes ao redor do mundo, inclusive pelos principais veículos de imprensa.

Vamos contar para vocês tudo que aconteceu desde a última vez que comentamos sobre isso. É nosso intuito que vocês não percam absolutamente nada e fiquem por dentro de cada nova descoberta que foi encontrada por Andy White, um dos principais arqueólogos que criticaram duramente a notícia naquela época, e que passou a realizar uma investigação por contra própria. Uma investigação que ficou conhecida pelo nome de "Swordgate". Vamos saber mais sobre esse assunto?

Os Preparativos Para uma Verdadeira Guerra da Roma Antiga


Nós já comentamos em nossas duas últimas postagens sobre a "espada romana", que supostamente teria sido descoberta em Oak Island, certo? A ilha por sua vez abrigaria em sua costa o naufrágio de uma embarcação tipicamente romana, razão pela qual toda essa discussão foi iniciada, pois isso poderia "mudar os livros de história". Pois bem, precisamos atualizar vocês sobre o que o arqueólogo e antropólogo Andy White descobriu desde o fim do ano passado. E não foi pouca coisa! Aliás, qual é a primeira coisa necessária para iniciar uma guerra? Acertou quem disse dinheiro.

Andy criou uma campanha em um site chamado GoFundMe, que é destinado a captação de recursos para as mais diversas finalidades que a própria pessoa que criou decide, e pede a ajuda de outras pessoas na internet, sendo que estas podem permanecer ou não no anonimato. Para que vocês tenham uma noção, a campanha criada em 29 de dezembro de 2015, possuía um objetivo de US$ 1.000, porém em apenas 12 dias a mesma conseguiu arrecadar cerca de US$ 510. Somente uma pessoa, que não quis se identificar, contribuiu com cerca de US$ 250. E isso para os planos de Andy foi um verdadeiro financiamento de uma guerra declarada desde que esse assunto surgiu na mídia.

Andy criou uma campanha em um site chamado GoFundMe, que é destinado a captação de recursos para as mais diversas
finalidades que a própria pessoa que criou decide, e pede a ajuda de outras pessoas na internet,
sendo que estas podem permanecer ou não no anonimato
Ele chamou a campanha de "Woo War One". De acordo com o site RationalWiki.org, a palavra "woo" é entendida especificamente como pseudociência, utiliza uma fórmula semelhante a científica, e tenta se colocar como se tivesse algum valor científico ou, pelo menos, razoavelmente endossada. Se formos buscar um significado mais amplo dessas três palavras juntas, o objetivo de Andy é simplesmente vencer uma guerra em detrimento da verdade.

Segundo ele a campanha foi criada por dois motivos principais. O primeiro é que existiam alguns materiais que ele gostaria de comprar, e que achava que o ajudaria a entender o que estava acontecendo em relação as espadas. O segundo é que ele estava tramando um plano para fazer alguns testes por conta própria. Isso exigiria o pagamento de fretes e alguns encargos associados devido a utilização de equipamentos de análise em laboratório.

Uma vez que o dinheiro vai direto para a conta de Andy White conforme vão surgindo novas doações, ele começou a utilizá-lo. Primeiramente ele gastou cerca de US$ 27,90 ao comprar uma das réplicas da espada em ferro da "Design Toscano" na Amazon. A espada chegou para ele no dia 2 de janeiro deste ano e de acordo com Andy, seus filhos ficaram muito empolgados para brincar com a espada, porém enquanto ela fosse necessária em relação a sua investigação, eles não poderiam desfrutar de suas fantasias e utilizá-la em suas brincadeiras (por mais que eu considere um tanto quanto perigoso crianças manuseando espadas de ferro).

Foto da empunhadora da espada da "Design Toscano" comprada
por Andy White (fonte: Andy White Anthropology Blog)
Você pode ficar meio perdido em relação estamos falando. Caso isso aconteça, eu aconselho fortemente que você pare e leia a seguinte postagem: "Os Romanos Descobriram a América? Será que uma "Descoberta" em Oak Island Poderia Reescrever a História?" (basta clicar no nome da postagem para ser redirecionada para ela). Ao ler essa postagem você entenderá tudo o que precisa para continuar lendo esta matéria, certo? Leia aquela matéria e ao terminar terá uma base muito melhor de entendimento desse assunto!

A hipótese que Andy considerava mais plausível era que as espadas da "Design Toscano", que estão sendo atualmente reproduzidas, fossem cópias de um objeto antigo do século 19, uma espécie de espada que era vendida naquela época como souvenir (objeto vendido ao turista como uma espécie de recordação relacionada ao destino turístico visitado pelo mesmo), e não como um objeto verdadeiro da Roma Antiga.

Vale lembrar que J. Hutton Pulitzer e sua equipe sempre disseram que a "espada romana encontrada em Oak Island" era um artefato romano 100% confirmado e que correspondia a uma autêntica espada romana, que estaria em um museu italiano. Porém, eles não tinham apresentado quaisquer provas. Não havia nenhuma imagem, não havia nenhuma espécie de registro de catálogo e nenhuma referência. Absolutamente nada que indicasse que a tal "espada romana" descrita por eles realmente existia. Se havia uma espada em um museu romano, onde ela estava?

Andy comprou uma espada da "Design Toscano", porque achava que a mesma podia oferecer alguns dados para ajudá-lo em relação a sua hipótese de que havia duas "gerações" de espadas (uma mais recente e outra do século 19). Basta olhar casualmente para a espada da "Design Toscano", que você perceberá que ela não possui a riqueza da detalhes que é visível em pelo menos uma das espadas de latão/bronze (a que Andy denominou de "espada da Califórnia"). Isso poderia ser explicado pelo fato da espada possuir uma fabricação grosseira, visto que é ferro fundido. Talvez fosse uma cópia barata de um artefato original rico em detalhes. Entretanto, ele achava mais provável que as espadas da "Design Toscano" tivessem sido copiadas a partir de um exemplar desgastado de uma espada de latão/bronze do século 19, do que ser uma réplica de um autêntico artefato de Pompéia.

Foi justamente em sua postagem no dia 3 de janeiro que Andy revelou seu principal plano. Ele disse que tinha conseguido que o comprador da "espada da Califórnia" emprestasse a espada para que ele pudesse criar imagens tridimensionais, obviamente em um scanner 3D, tanto dela quanto da espada da "Design Toscano", de modo a compará-las diretamente. Ele também pretendia fazer sua própria análise XRF da espada da Califórnia para determinar a composição do metal, e tinha certeza que existiam os equipamentos necessários para fazer uma análise desse tipo na Universidade da Carolina do Sul. Porém, poderia haver alguns gastos intrísecos nesse processo (razão pela qual o dinheiro arrecadado na campanha era tão necessário).

Colaborando com Andy White: Todo Tipo de Ajuda é Necessária Para Descobrir a Verdade


Quando eu li esse assunto pela primeira vez, eu simplesmente não consegui ficar de braços cruzados. Evidentemente, em casos assim é necessário escolher um lado para se estar e com certeza o lado do Pulitzer não era o mais confiável. Apesar de ser extremamente necessário ser imparcial, não podemos ser negligentes. Foi assim que resolvi procurar por mais detalhes, ainda no fim de dezembro, sobre essa "espada romana", que teria sido descoberta em Oak Island.

Minha busca levou até um site chamado "solomonssecret.org", onde a mais recente publicação datava de 2 de janeiro de 2014. Essa publicação era referente a venda de uma espécie de livro sobre os "Segredos do Rei Salomão", Ophir Antigo, Arca da Aliança, "Inestimáveis Tesouros", Templários, "O Símbolo Perdido" e os maiores segredos do mundo. Tudo isso por cerca de US$ 172 (cerca de R$ 700,00 pela cotação no início de janeiro deste ano). O livro estava relacionado a apenas um homem, justamente a J. Hutton Pulitzer. Essa era a screenshot parcial desta postagem:

Screenshot da mais recente postagem contida no site solomonssecret.org


Entretanto, havia um detalhe que me chamou muita atenção, pois na postagem havia uma atualização datada de 15 de novembro de 2015. Essa atualização era referente a a inclusão de um segundo livro, uma espécie de continuação do primeiro que a pessoa receberia gratuitamente ao comprar o pacote relacionado ao primeiro. Adivinhem qual era o assunto do outro livro? Sim, Oak Island, mas não pensem que era sobre qualquer coisa. Prestem muita atenção na imagem da capa desse segundo livro:

Imagem da capa do segundo livro que foi mencionado em 15 de novembro de 2015 no site solomonsecrets.org
Na descrição do livro é dito a seguinte frase: "Os segredos sujos por trás da série 'A Maldição de Oak Island' do History Channel, a verdade sobre a legião romana perdida, relíquias sagradas salomônicas e o segredo do Hércules do Norte". Como é? Segredos sujos? J. Hutton Pulitzer planejava mesmo expor situações embaraçosas de um programa de TV do History Channel em um livro, que ele não mencionou em nenhuma entrevista anterior e que ele começou a vender antes mesmo de anunciar a descoberta da tal "espada romana"?

Poderia ser alguém difamando o Pulitzer ao criar esse site ou simplesmente poderia não estar diretamente relacionado a ele. Talvez alguém querendo tirar vantagem de sua imagem pública e vendendo um material que não teria permissão para fazê-lo, não é mesmo? Pois bem, foi assim que resolvi dar um whois para saber a quem pertencia esse domínio. Vejam só o resultado:

Dados referentes ao domínio "solomonssecret.org"
Como vocês podem perceber o dominío foi criado em 3 de novembro de 2014 e teve os dados atualizados em 1 de setembro de 2015. A postagem anterior a data de criação do domínio não é algo relevante, pois se trata de um blog que já havia determinadas publicações, cujo domínio foi criado posteriormente.

A parte mais interessante é que a proprietária do domínio chama-se Kozette Hedger, cujo endereço seria na 5001 Spring Valley, Dallas, Texas, nos Estados Unidos. O email curiosamente é o "jhpcell@gmail.com", justamente as iniciais de "J. Hutton Pulitzer". Não me dei por satisfeito e procurei saber o que existia nesse endereço e também quem era Kozette Hedger.

A busca pelo endereço levou até um prédio da Clifton Larson Allen, em Dallas, no Texas, onde no mesmo local, ao menos em junho de 2015 (data da imagem do Google Street View) havia um anúncio de salas de escritórios para locação.

Imagem do Google Maps mostrando a 5001 Spring Valley, Dallas, Texas, nos Estados Unidos

Imagem do Google Street View mostrando a 5001 Spring Valley, Dallas, Texas, nos Estados Unidos
Assim sendo, parti em busca de Kozette Hedger, que segundo o site "opencoorporates.com" é proprietária de uma empresa chamada North American Mining and Land Trust, LLC. Porém, essa empresa estaria localizada na 1720 Carey Ave Ste 400, na cidade de Cheyenne, em Wyoming, nos Estados Unidos.

Imagem do Google Maps mostrando a distância entre o antigo endereço da North American Mining and Land Trust, LLC
e o mais recente endereço notificado sobre a mesma. Uma distância de 1.425 quilômetros (3 horas e 40 minutos de avião).

Imagem do Google Street View de setembro de 2011 mostrando a altura da 1720 Carey Ave Ste 400,
na cidade de Cheyenne, em Wyoming, nos Estados Unidos
Estaríamos falando da mesma pessoa e da mesma empresa? Sim, estamos! De acordo com uma mudança de endereço feita em 12 de abril de 2010, e que consta no site oficial do estado do Wyoming em relação a empresas que estão localizadas no respectivo estado, a North American Mining and Land Trust, LLC transferiu-se de Dallas, no Texas, para Cheyenne, no Wyoming, naquele mesmo ano. O endereço anterior era justamente a 5001 Spring Valley Rd. Será que Kozette Hedger esqueceu por seis anos de atualizar o próprio endereço ou ainda existe alguma coisa relacionada em Dallas?

A principal pergunta que restava era: Quem é Kozette Hedger? Apesar de não termos tantas informações quanto gostaríamos sobre ela, possuímos certos dados interessantes e que podemos compartilhar com vocês. O primeiro deles é que ela consta como uma das autoras de um livro chamado "$10,000,000 in Gold - and I Only Brought a Sandwich Baggie!: The Things that MAKE Or BREAK Your Treasure Hunt!" ao lado de J. Hutton Pulitzer. O segundo é que em sua conta no site Pinterest ela faz publicidade de dois ebooks relacionados ao Pulitzer. Já o terceiro é que ele parece ter alguma espécie de amizade ou relação de negócios com ela, visto que ela é mencionada carinhosamente em uma entrevista no site jhuttonpulitzer.blogspot.com. Seria ela a fachada de Pulitzer para a venda de um livro revelando os "segredos sujos da série 'A Maldição de Oak Island'"?

Tudo isso que mencionei acima eu escrevi por email ao Andy White, e o mesmo agradeceu minha colaboração em tentar desvendar a verdade sobre a "espada romana" supostamente descoberta em Oak Island. Andy passou a mencionar constantemente a venda daquele livro por parte de Pulitzer sobre esse assunto. Ele ficou sabendo também de algumas pessoas que pagaram pelo mesmo (que se encontrava em pré-venda há um bom tempo), e que nunca receberam nada em casa.

Aliás, Andy enviou um email ao Pulitzer dizendo que seu livro estava em "pré-venda" há pelo menos 2 anos, mas Pulitzer disse que ele estava enganado. Curiosamente, após toda essa exposição "negativa" o site "solomonssecret.org" suspendeu as atividades de venda dos respectivos livros, tornando-se um site com "conteúdo privado" (podem tentar acessar se quiserem). Muito estranho isso, não é mesmo? Saberemos mais detalhes no decorrer desta postagem.

Enfim, a seguir vamos continuar detalhando a investigação de Andy White.

O Escaneamento 3D da Espada da "Design Toscano" e as Fotos da "Espada Italiana do Ebay"


Em uma postagem realizada no dia 4 de janeiro, Andy White disse que suas férias tinham oficialmente terminado. Isso significava que ele havia retornado ao seu escritório, e usaria a maior parte do seu tempo em pesquisas e também para lecionar, do que focar somente em coisas como "espadas romanas" e "gigantes do passado". Na verdade, ele passaria a escrever com menos frequência, visto que o blog é escrito primordialmente quando ele está em sua casa. No entanto, não foi bem isso o que aconteceu, visto que ele se mostrou bem ativo na primeira semana de janeiro. E como vocês vão descobrir, não era para menos.

Escaneamento 3D sendo realizado
na espada da "Design Toscano"
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Ele passou a prever que a "espada romana" seria jogada na crescente pilha de lixo relacionada a artefatos associados com alegações fantásticas e fraudulentas a respeito dos eventuais contatos entre o Antigo e o Novo Mundo. E a credibilidade de pessoas que faziam tais afirmações iria igualmente pelo ralo.

Andy chegou a mencionar e postar uma imagem do seu trabalho em relação a digitalização da espada da "Design Toscano", bem como naquela época já se mostrava bem ansioso para ter a "espada da Califórnia" em mãos e poder fazer o mesmo com ela.

Surpreendentemente, no mesmo dia houve uma segunda postagem, na qual Trevor Furlotte, comprador da "espada italiana", que estava sendo vendida no eBay, e que pagou cerca de 176 dólares canadenses (cerca de US$ 126 ou R$ 500) pela mesma, enviou ao Andy uma série de fotos da sua espada, que havia acabado de chegar para ele.

Como vocês podem ver, a "espada italiana do eBay" parece ser de uma liga de cobre (que não é magnética) e possui mais detalhes do que as espadas de ferro fundido da "Design Toscano". A lâmina parece ser um pouco mais curta do que a "espada da Nova Escócia", mas a figura na empunhadura é idêntica. Para Andy parecia haver sinais claros de lixamento ou uma espécie de polimento nas laterais da figura, presumivelmente para remover as linhas de contorno deixadas pelo molde. No entanto, não pareciam ser tão extensas quanto em sua espada da "Design Toscano".

Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)


Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)

Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)

Imagem enviada por Trevor Furlotte, comprador da espada italiana que estava sendo vendida no eBay, ao Andy White
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Andy foi cauteloso em dizer que sem ter esta espada ou a "espada romana" da Nova Escócia em mãos, e sem qualquer análise metalúrgica das mesmas, não poderia dizer afirmar nada. Porém, vendo apenas essas imagens, elas reforçariam sua sensação sobre a hipótese da existência de duas gerações de espadas, mas nenhuma que realmente pertencesse a Roma Antiga.

Composição criada por leitor do blog de Andy White, chamado Peter Geuzen.
Apenas modifiquei a imagem original (http://imgur.com/BQoPO7e) para melhor visualização no blog
Seu palpite era que a "espada italiana do eBay", a espada da Nova Escócia (espada de Oak Island), e demais espadas de latão/bronze que estivessem circulando ao redor do mundo, foram em algum momento produzidas no século 19 ou até mesmo mais recentemente.

A Emblemática Postagem Sobre Hércules, o Imperador Romano Cômodo, e a Espada da Flórida


No dia 7 de janeiro, Andy White postou que uma das principais garantias apresentadas por J. Hutton Pulitzer e Sociedade para Preservação de Artefatos Antigos (AAPS) para comprovar a autenticidade da "espada romana da Nova Escócia", é que ela era "compatível" com a "espada da Flórida", que por sua vez teria sido constatada como "autêntica" por "autoridades de antiguidades romanas", por mais que ele nunca tenha mencionado quais autoridades seriam essas.

Busto de Cômodo vestido como Hércules, localizado no
"Museus Capitolinos" em Roma: o museu público
mais antigo do mundo
Pulitzer parece ter "pego emprestado" muito de sua interpretação da espada, mais ou menos diretamente de David Kenney, proprietário da espada da Flórida. Em sua página na internet, Kenney descreve a figura que está na empunhadura da espada de "Cômodo, o Hércules do Norte", e sugere que "esta espada pode ter sido utilizada" para dar início ao mistério de Hércules e do Norte magnético.

Lembram da declaração de Pulitzer que dizia que a espada teria "um dispositivo de navegação oceânica antigo embutido que faria a espada sempre apontar para o Norte verdadeiro"? Então, some isso ao que está escrito na capa de seu livro: "O Segredo de Cômodo: Os segredos sujos por trás da série 'A Maldição de Oak Island' do History Channel, a verdade sobre a legião romana perdida, relíquias sagradas salomônicas e o segredo do Hércules do Norte". Coincidência?

Na página referente a espada de Flórida é dito que mesma é um "artefato em destaque" em uma coletânea de palestras chamada de "Experiencing Rome: A Visual Exploration of Antiquity's Greatest Empire" ("Vivenciando Roma: Uma Exploração Visual do Maior Império da Antiguidade", em português). De acordo com Andy White, nem a biblioteca universitária, nem a biblioteca local do condado onde mora possuíam essa coletânea em seus acervos. Assim sendo, ele a comprou com o dinheiro arrecado em sua campanha "Woo War One" no site GoFundMe.

O conteúdo dessa coletânea é apresentado e ministrado pelo Dr. Steven Tuck, um professor de Estudos Clássicos na Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Eis o que ele diz sobre a espada da Flórida (por volta dos 28 minutos) na parte de "Emperors as Performers":

Imagem extraída da coletânea "Experiencing Rome", onde
mostraria as letras "V" e "C" (fonte: Andy White Anthropology Blog)
"Temos a sorte de ter, e devo dar créditos ao produtor deste curso, James Blandford, que veio com esta imagem, e que isso é realmente muito emocionante. Eu nunca vi isso antes em minha vida. Trata-se, tanto quanto eu posso dizer, de uma imagem única do mundo romano. O que temos aqui é um votivo, que é um adaga que seria carregada por um secutor ("seguidor", "perseguidor", que era um tipo de gladiador do Império Romano), mas não é uma arma que seria utilizada em arena. É um votivo, é uma dedicatória. 

O que temos aqui é a arma do secutor como uma espécie de dedicatória. Se você olhar para o final da empunhadora, o que você verá na verdade é a imagem de Hércules. E assim, isso reúne as duas imagens públicas de Cômodo aqui: uma delas de secutor devido ao formato da arma, e a outra de Hércules. E neste caso temos Hércules com sua clava sobre a cabeça. É Hercules Invictus: O Invicto Hércules como uma figura real de poder e de conquista masculina. Há também letras aqui, monogramas que são as letras 'V' e 'C'".

Andy White disse que se correspondeu com o Dr. Steven Tuck rapidamente por email sobre o fato da "espada da Flórida" ter aparecido em "Experiencing Rome". O mesmo disse ao Andy que nunca havia tido contato pessoal com essa espada, ou seja, nunca a teve em mãos. As imagens foram trazidas para ele no "último minuto" por seu produtor (como mencionado na palestra), e ele concordou em incluí-las, porque elas pareciam ilustrar muito bem o que havia para ser dito sobre Cômodo.

O Dr. Steven Tuck ressaltou que ele não considera a simples utilização da imagem para endossar a autenticidade em relação a espada da Flórida. Ele também disse acreditar que a espada da Nova Escócia fosse provavelmente "um artefeto fabricado para ser vendido aos turistas nos últimos séculos".

Imagem em 3D (ao fundo) da espada da "Design Toscano" (em primeiro plano)
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
No dia seguinte (8) ele aproveitou para mencionar que estava usando seu tempo para experimentar diferentes configurações de processamento do seu scanner 3D, bem como verificando qual seria a melhor resolução para obter toda a riqueza de detalhes que a espada da "Design Toscano" poderia oferecer.

Tudo estava aparentemente calmo, porém no dia 10 de janeiro a história sobre o livro "O Segredo de Cômodo", em que aparece a "espada romana" supostamente encontrada em Oak Island na capa, voltou a ser discutida. Foi acrescentado ainda um detalhe muito interessante: a espada iria aparecer nos episódios 10 e 11 da terceira temporada de Oak Island, sendo que o episódio 11 era intitulado como "Sword Play". Apenas para fins de informação, o episódio 10 foi exibido nos Estados Unidos no dia 12 de janeiro e o episódio 11 no dia 19 de janeiro deste ano. Confira duas imagens referentes ao episódio 10 ("Silence in the Dark"):

Imagem do episódio 10 da terceira temporada de Oak Island que tinha sido antecipada por um leitor do blog de Andy White
Imagem do episódio 10 da terceira temporada de Oak Island que tinha sido antecipada por um leitor do blog de Andy White

Um Breve Comentário Sobre a Suposta Origem da Alegação de Pulitzer, que a Espada Apontaria para o "Norte Verdadeiro"


Em nossa última postagem sobre esse assunto relacionado a "espada romana" supostamente encontrada em Oak Island, Pulitzer disse que todas as espadas compartilhavam uma característica especial muito semelhante, uma certa "qualidade mágica" embutida na espada. Qual seria essa "qualidade mágica"? A espada teria um dispositivo de navegação oceânica antigo embutido, que faria a espada sempre apontar para o Norte verdadeiro. Tais qualidades magnéticas seriam encontradas somente em itens autênticos da antiguidade, não de ferro fundido ou réplicas fabricadas de pedra.

Em uma postagem encontrada no site pertencente a David Kenney, que possui a "espada da Flórida", o mesmo escreveu que ele sentia que a espada representava uma prova do conhecimento antigo de contato um transoceânico. Confira:

"Minhas observações com base em mais de uma década de pesquisa de artefatos de diversas culturas europeias e asiáticas antigas, de épocas diferentes, sugerem que em algum momento na antiguidade havia uma crença amplamente difundida entre os povos tribais da região central até o norte da Europa e da Ásia, que havia uma lendária ou mítica ilha sagrada, ou ilhas, ou um lugar ao extremo norte em direção ao oeste, que foi associado com uma chuva de meteoros; ferro; algo magnético; a bússola de água; a navegação; uma lâmina forjada de alguma divindade; um vulcão (incluindo um relâmpago vulcânico); uma divindade da guerra (ligada a um guerreiro);  uma divindade do mar do sexo feminino que podia estar armada; fertilidade; regeneração; culto solar, uma sugestão de profecia; e o celeste (especialmente a estrela Polar). O mais provável é que grande parte da crença tenha sido baseada em uma antiga tradição oral marítima sobre visitas à Islândia e Groenlândia - que circulavam entre os povos que não tinham uma linguagem escrita conhecida ou aceitável. Observe que quando a espada está orientada verticalmente para o norte, com a lâmina para baixo, o rosto da estatueta na empunhadura olha para o oeste.".

Provavelmente a última linha em negrito relacionada a orientação vertical em direção ao norte e ao oeste (ou seja, um mero ângulo reto), é o que Pulitzer, em sua conversa com Kenney, que era sua fonte para sustentar tal alegação, tenha interpretado erroneamente como sendo uma bússola, ao invés de utilizar a própria terminologia de Kenney para descrever a espada em relação a uma posição em particular. Pulitzer provavelmente confundiu, intencionalmente ou não, a orientação da espada para o norte por algum motivo simbólico, em detrimento de uma espada que se orientasse por si mesma para o norte. Isso explicaria a suposta "mágica" embutida nas espadas.

Os Erros de Avaliação Sobre a Espada Romana de Oak Island que Teriam Sido Cometidos por Pulitzer


Se tinha uma pessoa que estava em uma guerra diária com Pulitzer, com certeza ela se chamava Andy White. Isso porque entre os dias 10 e 17 de janeiro, ele postou um volume muito grande de informações e pesquisas que ele andou fazendo sobre a suposta "espada romana", que teria sido encontrada em Oak Island.

No dia 11 de janeiro, Andy White fez uma postagem rebatendo uma série de comentários que J. Hutton Pulitzer teria feito em sua última aparição de vídeo. Em meio à conversa fiada usual (sendo que algumas frases foram claramente direcionadas a ele, muito embora Pulitzer não tenha mencionado nomes), Pulitzer forneceu alguns detalhes relevantes sobre sua própria interpretação da "espada romana", que ele seguiu afirmando que reescreveria a história. Segundo Andy, a melhor coisa em relação a "espada da Califórnia" é que ela ainda preservaria detalhes, que não eram visíveis na "espada da Nova Escócia". Logo, isso permitia que observássemos mais atentamente a espada Califórnia para avaliar se a interpretação de Pulitzer sobre a espada estaria ou não correta

Ele continuou em sua postagem dizendo que não estava tendo muito tempo naquele dia, então ele comentou apenas sobre 3 pontos. Ele os chamou de pontos 1, 2 e 3. Vamos conhecê-los?

1º Ponto: Pulitzer alegou que uma determinada quantidade de ouro estaria presente nos joelhos da figura de Hércules na espada da Nova Escócia, porém para Andy, não seria nada além de latão (liga metálica de cobre e zinco). Os joelhos da figura é a parte mais proeminente da empunhadura, logo seria a primeira a sofrer algum tipo de desgaste em relação ao tempo/manipulação (assim como a barba de Hércules e a pele de leão que emolduram o seu rosto). Em outras palavras: de tanto "manusearem" na espada ao longo do tempo, o material contido nas partes mais altas sofreria um desgaste maior. Para validar a sua teoria, Andy disse que a "espada da Califórnia" preserva mais detalhes sobre as garras de leão sobre os joelhos de Hércules do que a "espada da Nova Escócia".

Caso ele tivesse que apostar qualquer coisa, ele diria que estamos vendo apenas uma espécie de "latão polido", não ouro. Pulitzer ainda não havia apresentado prova alguma sobre o que andava dizendo, e seria bem embaraçoso que uma "equipe profissional de caça ao tesouro" confundisse ouro como sendo latão.

(fonte: Andy White Anthropology Blog)
2º Ponto: Pulitzer alegou que o símbolo entre as pernas Hércules representava uma concha marinha, que por sua vez simbolizava o Atlântico. Andy disse que não era uma especialista em design vitoriano, porém ele não ficaria supreso que aquele fosse um desenho de um antigo papel de parede. Entretanto, um dos seus leitores o informou que o desenho devia ser uma "palmeta" ou "florão".

Na arquitetura, a palmeta (também chamada de palma) refere-se a um motivo de arte que, na sua expressão mais característica, deriva da folha da palmeira, no formato de leque. Foi usada desde a antiguidade em quase todos os estilos arquitetónicos. Na Grécia Antiga, assim como na Roma Antiga, também foi conhecida como "florão" (do grego ανθέμιον, uma flor). A mesmo pode ser encontrada na maioria dos meios artísticos, mas especialmente como um ornamento arquitetônico, seja ele esculpido ou pintado, seja pintado em cerâmica. Geralmente a sua utilização simboliza a "enegia", "vitória" e "otimismo", entretanto não tem nenhuma relação direta com o mar.

3º Ponto: Pulitzer disse que a espada descrevia Hércules em pé com cada uma de suas pernas sobre os "Pilares de Hércules" (também conhecidos como "Colunas de Hércules"). Esse nome provém da mitologia grega, em que se conta que Hércules, para realizar um de seus doze trabalhos, teria a necessidade de transpor um estreito marítimo. Dispondo de pouco tempo, resolveu abrir o caminho com seus ombros ligando assim o mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. De um lado, ficou um grande rochedo, mais tarde chamado Gibraltar (monte Calpe) e do outro lado o monte Hacho ou o monte Musa (Abília ou Ábila). O primeiro situado em Ceuta e o segundo a alguns quilómetros ao oeste. Os dois montes depois de separados passaram a ser denominados de "Pilares de Hércules". O estreito hoje em dia é conhecido como "Estreito de Gibraltar".

(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Pulitzer também disse que as protuberâncias seriam "rochas", e simbolizaria as águas do Atlântico que fluiriam entre as pernas de Hércules. Porém, ele estaria completamente enganado, uma vez que Hércules estaria em pé sobre duas figuras de animais com suas respectivas cabeças voltadas em sua direção, talvez "mordendo" seus pés. Com base na semelhança entre as "dobras" nas cabeças desses animais, e da forma como a juba é retratada na pele de leão que Hércules está usando, Andy supôs que os animais fossem leões. Os animais também têm um "tufo de pelos" nas extremidades de suas caudas, tal como leões teriam.

No dia seguinte, data de exibição do episódio 10 ("Silence in the Dark") da terceira temporada de "A Maldição de Oak Island" nos Estados Unidos, onde começaria aparecer essa "espada da Nova Escócia", Andy White postou imagens do escaneamento 3D que ele estava fazendo da "espada da Califórnia", que em sua concepção teria vindo do mesmo molde daquela supostamente encontrada em Oak Island. Confira as imagens:

Imagens do escaneamento 3D que Andy White está realizando na "espada da Califórnia"
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Interessante, não é mesmo? Porém, a noite tinha chegado e com certeza haveria uma postagem de Andy em seu blog no dia seguinte.

A "Espada Romana" Finalmente Aparece na Série "A Maldição de Oak Island"


Andy White disse que ainda não tinha assistido a terceira temporada de "A Maldição de Oak Island". O ritmo lento e sofrível como a série é conduzida o fez parar de assistir na metade da segunda temporada. Ele disse que passou grande parte de sua carreira como arqueólogo profissional que escavava a terra, supervisionava outras pessoas que também escavavam a terra, assim como conversando com outras pessoas sobre o que ele próprio escavava na terra. Apesar da escavação arqueológica feita em tempo real ser um processo um tanto quanto meticuloso, ainda sim, se desenvolveria mais rapidamente do que a série ou pelo menos seria bem menos entediante.

Agora, se você pensa que ela teve algum destaque nesse episódio, você se engana. Ela apareceu apenas nos últimos minutos, seguida de exclamações por parte dos integrantes da série. Charles Barkhouse proclamou que a mesma fosse realmente uma "espada romana" e citou os pontos principais sobre gladiadores, Hércules e Cômodo, que já comentamos anteriormente nessa postagem. O mais importante é que a espada reapareceria no episódio da semana seguinte (dia 19 de janeiro), e que seria analisada pelo Dr. Myles McCallum, da Universidade de Santa Maria, em Halifax, província da Nova Escócia, no Canadá. Também poderíamos ter uma espécie de análise dos metais presentes na mesma.

Universidade de Santa Maria, em Halifax, província da Nova Escócia, no Canadá
Além disso, segundo Andy, a lâmina da espada seria formada por duas partes unidas, sugerindo que talvez estivesse quebrada e teria sido reparada de alguma forma, porém isso não era algo técnico, mas sim por mera observação. Entretanto, o mais interessante na postagem no dia posterior a exibição do episódio 10, não foi a exibição da espada na TV, mas sim uma reportagem de um jornal local.

Em uma matéria intitulada "Oak Island’s Roman sword saga unsheathed" publicada no site de um jornal local de Halifax, o "The Chronicle Herald", existem certos pontos muito interessantes que revelavam um pouco sobre quem é Pulitzer e os conhecimentos dele. Não irei traduzir toda a matéria, porque ela é muito grande e também porque existe muito conteúdo que já sabemos. Porém, vou colocar os principais pontos que me chamaram atenção. Leia abaixo:

"Toda essa história começou há dois anos em um quarto no Atlantica Hotel & Marina Oak Island. Rick e Marty Lagina, proprietários parciais do território de Oak Island e principais personagens da série do History Channel sobre a busca por seu lendário tesouro, trouxeram Pulitzer para a Nova Escócia para fazer um estudo arqueológico e consequentemente aparecer em seu programa...

...E agora, dois anos depois de supostamente descobrir uma espada que poderia ajudar a reescrever a história norte-americana, os irmãos Lagina sequer disponibilizaram a espada para que pudesse ser analisada por mais pessoas da comunidade arqueológica. O History Channel se recusou a comentar sobre o assunto, tal como a "Arts & Entertainment Television Network" responsável por vender o programa ao canal.

"Você precisa decidir se você deve ou não deve querer participar de um algo que é fortemente criticado?", disse Pulitzer quando foram feitas perguntas cruciais sobre sua pesquisa.

Quando questionado, Pulitzer não quis dizer se ele tinha uma licenciatura em História.

"É o bastante que eu tenha escrito 300 livros de história?", respondeu Pulitzer.

"É o bastante que eu tenha publicado mais de sete milhões de palavras sobre História antiga e perdida? Isso é suficiente", continuou.

"É o bastante que eu seja um investigador profissional com especialização em investigação forense? Que eu tenha patentes em 189 países. É o bastante que 11,9 bilhões de dispositivos de telefone celular usem minhas patentes?", completou.


Nenhuma das alegações de Pulitzer puderam ser verificadas pelo "The Chronicle Herald".

Entretanto, sob o seu antigo nome, Jeffrey Jovan Philyaw, consta que ele foi o inventor do "CueCat" - um dispositivo de leitura de códigos de barra como se fosse um mouse de computador, mas com o formato de um gato, que foi lançado por volta do ano de 2000. A idéia era que digitalizando um código de barras na mídia impressa, o computador seria direcionado para o site de uma empresa.

Imagem do Cuecat, uma invenção de Pulitzer que custou milhões de dólares de investidores e foi um verdadeiro fracasso
Segundo a Wikipedia, US$ 185.000.000 foram investidos na produção do CueCat por diversas empresas, da Coca-Cola a RadioShack. O produto foi um fracasso e os investidores perderam o seu dinheiro.

Pouco tempo depois, Jeffrey Jovan Philyaw mudou seu nome para Jovan Hutton Pulitzer."

Como adendo eu gostaria de acrescentar que o "CueCat" está na lista das 50 piores invenções de todos os tempos da revista Time: http://content.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,1991915_1991909_1991857,00.html. Após seu fracasso, Pulitzer resolveu dedicar seu tempo a "sua paixão, a História". Cada um tire suas próprias conclusões.

A matéria do "The Chronicle Herald" ainda disse que Pulitzer tinha escolhido a internet como "campo de batalha", uma vez que "sua estratégia consistia em se comunicar diretamente com o público, e não através de intermediários acadêmicos, que ele considerava serem os autores de um mito sobre como os europeus colonizaram as Américas". Nesse campo, principalmente em meados de janeiro, parecia que Pulitzer estava tomando uma verdadeira surra de Andy White. E olha que as coisas iriam piorar!

Será que as Espadas Poderiam Ter Origem Espanhola?


Um leitor de Andy White chamado James Lawrence comentou que os dois animais sob os pés de Hércules poderiam sugerir uma conexão com a Espanha, algo que poderia ser potencialmente promissor.

"Um (possível) ponto interessante que eu descobri (uma vez que eu passei alguns minutos pesquisando sobre 'Hércules e dois leões' (assumindo que eles sejam leões), é que o Brasão de Armas da Andaluzia retrata Hercules com dois leões.


Estátua de Hércules junto a dois leões, na cidade de Sevilha, na Espanha
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Estátua de Hércules junto a dois leões, na cidade de Ronda, na Espanha
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Sevilha (localizada na região de Andaluzia, na Espanha) tem uma estátua bem famosa de Hércules e dois leões (Hercules é o mítico fundador de Sevilha). Isso poderia muito bem apontar para uma origem da espada original (usada para todas essas reproduções) na Espanha (mais especificamente Sevilha / Região da Andaluzia) disputando com Nápoles, na Itália".

Brasão de Armas de Andaluzia, na Espanha
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Para Andy isso era novidade e potencialmente significativo. Será que eles estariam cavando no lugar errado? A espada poderia ter origem espanhola ao invés de italiana? Essa parte foi bem especulativa, porém igualmente interessante considerando tudo o que já foi postado até o momento.

Uma Nova História, Duas Novas Espadas e a Recompensa de Andy White


O dia 14 de janeiro começou com diversas novidades muito interessantes em relação a "espada romana" supostamente encontrada em Oak Island. Primeiramente ficamos sabendo de um artigo intitulado "The Curse of Hoax Island" ("A Maldição da Ilha da Farsa", em português), publicado pela revista Frank no dia 11 de janeiro. Ela é basicamente uma revista que publica "escândalos" sociais e também conteúdo satírico, cuja sede fica na Nova Escócia. Infelizmente não é possível acessar o artigo sem fazer uma assinatura de no mínimo 8 semanas a um custo de CA$ 19,99 (cerca de RS 55).

Logotipo da revista Frank
Entretanto, Andy White postou em seu blog um trecho do artigo que conta um pouco da história "por trás dos panos" e o papel J. Hutton Pulitzer no programa. Confira:

"Quando a notícia chegou até Hutton, que o programa tinha sido contactado pelo filho de um pescador local anônimo afirmando ter encontrado uma arma antiga, não muito longe - apenas uma das dezenas de pistas bizarras que o programa recebe, ele (Pulitzer) ficou eufórico, de uma forma agressiva, proclamando que ele havia confirmado suas teorias de que os Antigos tinham visitado Oak Island, disse Kevin Burns (produtor da série 'A Maldição de Oak Island')".

O artigo segue relatando que a espada foi comprada pelos irmãos Lagina por cerca de US$ 10,000 depois de uma análise que foi feita em cima do capô de um carro (por isso aquela foto da espada, que parece que foi tirada em cima de um espelho, que na verdade é o momento onde a venda aconteceu). O artigo ainda diz que a decisão do programa em esperar para ver o que fariam em relação a espada irritou Pulitzer, que ameaçou "expor os produtores do programa".

Será que era por isso que ele queria vender um livro para revelar os "segredos sujos" por trás da série? O que sabemos é que depois que suas intenções foram expostas por Andy White (que contou com minha pequena colaboração), o site onde o livro seria vendido simplesmente nunca mais voltou a funcionar como antes, uma vez que as vendas foram subitamente interrompidas.

O artigo da revista Frank ainda disse que existiria uma "espada original" em um museu de Nápoles, na Itália, porém essa tal espada ainda não havia aparecido. Será? O que soubemos mesmo foi da existência de mais duas novas espadas. Os leitores de Andy (Pablo Raw e Matti J.) o alertaram para outras duas espadas semelhantes, que estavam sendo vendidas pela internet. Uma na Espanha e outra na França.

Espanha com a empunhadura de Hércules sendo vendida na Espanha (à esquerda), e a espada com uma empunhadura
semelhante sendo vendida na França (fonte: Andy White Anthropology Blog)
E isso levou a mais uma rodada de comparações em relação as espadas que eram conhecidas até então:

Comparativo da empunhadura das espadas que eram conhecidas até o dia 14 de janeiro deste ano,
feita pelo usuário Peter Geuzen (http://imgur.com/5ThesuM)
Para piorar e colocar ainda mais lenha na fogueira, Andy White passou a oferecer uma recompensa no valor de US$ 50 (cerca de R$ 200) para a primeira pessoa que fornecesse evidências que pudessem levar a verdadeira origem dessas espadas com a empunhadura de Hércules.

Surgem Duas Novas Espadas que Teriam Sido Compradas na Itália


Através de comentários no blog, Andy White ficou sabendo da existência de mais duas outras espadas que teriam sido compradas na Itália e em época distintas. A primeira espada, que iremos chamá-la de a "espada romana de Sonja", porque alguém chamado "Sonja" teria a posse dessa espada, teria sido comprada em Roma como uma espécie de lembrança turística em 1975/1976. Leia um trecho do email:

"Conforme prometi esta é a imagem. Não é uma foto muito clara, eu pedi à minha mãe para tirar a foto esta manhã, mas como ela está em Roma e eu estou morando em Milão, eu mesmo não pude tirar a foto.

Meus pais têm essa espada desde meados da década de 70, e a compraram de um homem em um mercado de pulgas em Roma. O cara tinha outros pretensos artefatos antigos romanos, mas foi uma época em que essas coisas eram comuns nesse tipo de mercado aqui em Roma e na Itália em geral
".

Mesmo com a imagem desfocada, não é difícil dizer que estamos olhando para uma outra espada muito semelhante as demais. Porém, era impossível de dizer a distância de qual material a mesma seria feita (liga de cobre ou ferro fundido).

A segunda espada (vamos chamá-la de a "espada de Pompéia de Benjamin") teria sido comprada em uma barraca de um vendedor ambulante no ano de 2005 em Pompéia, por um rapaz chamado Benjamin.

"Eu fiz um amplo estudo sobre Pompéia e Herculano em 2005. Comprei essa espada de um vendedor ambulante por cerca de € 50 nos arredores de Pompéia.

Infelizmente, eu não tenho quaisquer fotografias em relação a compra da espada, nem mesmo posso tirar uma foto segurando ela agora (ela está com minha família em Halifax, uma vez que estou na cidade de Fredericton), mas eu tenho uma foto de 2008 da espada pendurada ao fundo, na parede do meu quarto na faculdade. Estou enviando-a para o seu e-mail imediatamente
". Veja as fotos das duas espadas:

A "Espada Romana de Sonja" (à esquerda) e a "Espada de Pompéia de Benjamin" (à direita)
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Mesmo com a imagem bem embaçada é possível notar que provavelmente ela pertencia a mesma "classe" de espadas das anteriores, embora não pudesse ser dito nada a respeito de sua composição metálica. A lâmina também aparentava ser bem mais curta que as demais, ainda mais se comparada a "espada romana de Sonja". Além disso, todas as espadas previamente conhecidas, e que possuem liga de cobre, mudaram de mãos pelo menos uma vez, quebrando assim a conexão entre o item e informações sobre quando ou onde foi originalmente adquirido.

Aliás, as espadas italianas foram compradas de vendedores de rua, que poderiam ser o destino final de uma série de outras espadas, semelhantes entre si, de um ou mais fabricantes para serem vendidas como lembranças turísticas para quem visitasse a Itália. De qualquer forma, a recompensa de Andy White ainda estava em jogo.

A Ajuda dos Colegas de Andy White do Instituto de Arqueologia e Antropologia da Carolina do Sul


No dia 16 de janeiro Andy White fez uma grande postagem contando sobre as novas ideias e pensamentos que ele formulou juntamente com a ajuda de dois colegas (Jim Legg e Chester DePratter) que também pertencem ao Instituto de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Carolina do Sul. Ele pretendia também obter a composição química da espada da Califórnia através de um microscópio eletrônico de varredura (MEV), uma vez que ele desde o começo não estava convencido que a espada da Nova Escócia seria uma autêntica espada romana, ou seja, não pertenceria a Roma Antiga. Andy sempre manteve seu foco na terceira possibilidade que ele havia descrito como sendo a espada uma espécie de souvenir que era vendido a turistas a poucos séculos atrás.

Aqueles que estavam defendendo a descoberta de uma espada romana autêntica tinham proposto que havia alguma espécie de molde "original" da Roma Antiga, que foi utilizado para produzir diversas espadas semelhantes aquela "encontrada" em Oak Island. Se eles estavam afirmando que a espada Nova Escócia era realmente uma autêntica espada romana (e não uma cópia barata), podemos presumir que a espada era exatamente como deveria ser: supostamente um item de alta qualidade que foi feito por Cômodo e distribuída aos seus comandantes de legiões especiais enquanto havia em estoque. Entretanto, não havia informação alguma que sustentasse essa hipótese.

Devido aos pequenos erros que vão se acumulando com o tempo conforme as réplicas são feitas, seria de esperar que as espadas de gerações posteriores (as espadas que possuem a empunhadura de Hércules, que não tenham sido produzidas na Roma Antiga) refletissem isso. Logo, poderia estar faltando alguns dos detalhes presentes nos autênticas espadas romanas, certo? Assim sendo, quanto mais antiga a espada, mais ela iria se parecer com a original. Um espada poderia não ter exatamente as mesmas características de todas as outras em virtude do desgaste sofrido ao longo do tempo, a variação natural em termos de qualidade, entre outros fatores.

Em seguida, para encontrar a mais antiga espada, nós então observamos aquela que possua maior quantidade de detalhes em termos de design e características que acabaram não sendo preservadas nas gerações posteriores. Para Andy White a maior riqueza de detalhes não estava na empunhadura, mas sim na lâmina das espadas. Aliás. a espada da Califórnia tinha uma lâmina que parecia ser única entre todas as demais espadas. Supondo que todas essas espadas estivessem de alguma forma relacionadas, a explicação mais plausível para a presença de determinadas características na lâmina da espada da Califórnia, que não são encontradas nas demais, é que elas teriam sido perdidas no começo da sequência de fabricação das réplicas.

A Lâmina da Espada da Califórnia


Aparentemente, a espada da Califórnia era a única que possuía uma espécie de "sulcos" na lâmina (ranhuras arredondadas ou chanfradas no lado plano de uma lâmina), que são feitos para deixar a lâmina mais leve e ao mesmo tempo preservando sua resistência. Esses "sulcos" são uma característica comum entre as espadas verdadeiramente funcionais. A espada da Califórnia possuía uma seção transversal mais ampla com dois sulcos de cada lado.

Os sulcos sobre a espada Califórnia terminam abruptamente a cerca de 4,1 cm do guarda-mão da espada. A parte restante da lâmina é mais fina e tem uma superfície mais irregular do aquela presente no cabo e na parte da lâmina com os sulcos. A parte sem sulcos da lâmina tem uma seção transversal praticamente lenticular.

Guarda-mão e parte da lâmina sulcada da espada da Califórnia
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Quando Andy White viu pela primeira vez esta espada, ele pensou que talvez a mesma tivesse sido quebrada e consertada, substituindo a parte que estava faltando da lâmina contendo sulcos por uma lâmina lenticular. Isso também chegou a ser mencionado no episódio 10 da terceira temporada de "A Maldição de Oak Island". Porém, quando seu colega Jim Legg olhou a espada, ele disse que acreditava que a mesma fosse realmente uma peça única.

A empunhadura de Hércules e a parte sulcada da lâmina podem ter sido fundidas a partir de um molde de um objeto original, enquanto a parte não sulcada da lâmina teria sido produzida utilizando uma peça separada em um molde de areia. Logo, se o "artefato original" era uma espada com uma lâmina sulcada e a espada da Nova Escócia não possuía sulcos, isso representaria o fim da alegação de uma "autêntica espada romana descoberta em Oak Island".

Jim Legg ainda sugeriu que apenas a empunhadura e a parte sulcada da lâmina poderiam representar o "artefato original", ou seja, a procura nos museus seria reduzida apenas na busca pela empunhadura e por aquela parte da lâmina. De qualquer forma, se a espada não era uma autêntica espada da Roma Antiga, então o que era?

Naquela altura dos acontecimentos, a maioria das pessoas já acreditava que a espada encontrada em Oak Island não seria de uso verdadeiramente militar. Os defensores da "espada romana" diziam que ela poderia ser uma espada cerimonial, entregue aos comandantes de legiões muito especiais para que eles pudessem utilizar os seus "poderes mágicos" (a espada "apontaria sempre para o Norte Verdadeiro") e teriam acabando navegando até Oak Island. Também diziam que poderia ser algum tipo de cerimônia relacionada aos gladiadores.

Um amigo de Andy White chamado Jeff Plunkett enviou um email para ele questionando se a espada não seria uma espécie de "espada de caça". De acordo com a Wikipedia, "uma espada da caça é um tipo de espada de uma mão e curta, que data do século 12, mas foi utilizada durante caçadas pelos europeus entre os séculos 17 e 19. Uma espada de caça geralmente tem uma lâmina reta, curta, afiada e pontuda, com no máximo 63 centímetros. Este tipo de espada era utilizada para abater em definitivo a caça, de modo a evitar o desperdício de munição. Foi adotada por muitos europeus, e em séculos passados, por vezes, utilizadas pelos oficiais militares como um 'emblema' de hierarquia. As espadas de caça possuem uma grande variedade em termos de design".

No email enviado por Jeff Plunkett, ele destacou a página 242 do Catálogo Oficial da Exposição Nacional de Obras de Arte em Leeds, na Inglaterra, em 1868, onde dizia "ESPADA CURTA DE CAÇA, a empunhadura e o guarda-mão em formato de cruz em aço cinzelado, representando uma figura de Hércules vestido com pele de leão, e o guarda-mão em formato de cruz com dois dragões. Italiano - século 17". O maior problema é que na catálogo não havia foto dessa espada. Aparentemente ela fazia parte da exposição, mas Andy não conseguiu encontrar nenhuma imagem dessa espada. Ele chegou a cogitar que talvez muitos curadores de museus de meados do século 19 não fossem capazes de dizer com precisão se um artefato realmente pertenceria a Roma Antiga, e e isso poderia gerar muita confusão no futuro.

A Situação de Pulitzer Continuava Piorando


Existe uma máxima legal em latim que diz: "Falsus in uno, falsus in omnibus" ("Falso em uma coisa, falso em tudo"). Isso significa que se você conseguir fazer com que a testemunha minta sobre alguma, ou seja, acabe dando um falso testemunho sobre algo, você pode razoavelmente reduzir a importância de tudo que ela tinha falado previamente ou venha falar posteriormente. Embora muitos tribunais atualmente rejeitem a aplicação desse princípio, isso ainda tem acontecido em alguns tribunais norte-americanos.

Pulitzer sabia que estava em desvantagem então tentou resolver dizer uma série de mentiras sobre a espada comprada através do eBay italiano. Confira abaixo o que ele disse:

"Tentamos entrar em contato com os vendedores da espada no eBay por mais de dez ocasiões diferentes... Acho que eles estão preocupados em relação a manter contato, porque eles estão publicando fotos da espada do Museu de Nápoles, mas estão vendendo uma espada de ferro fundido diferente. Então, o que realmente aconteceu é que quando essa história vazou as pessoas começaram a observar a espada e todos nós começamos a fazer perguntas sobre a espada e das pessoas na Itália que a estavam vendendo... Na verdade o eBay encerrou o anúncio, porque o eBay percebeu que eles estavam usando fotos da espada no museu e estavam fornecendo uma espada diferente que era falsa, de ferro fundido ou seja lá do que for. Então, eu não tenho certeza se eles vão querer responder um monte de perguntas, uma vez que eles estavam usando fotos autênticas para enviar uma mercadoria fraudulenta."

Veja uma comparação das fotos dessas espadas, a que estava sendo vendida no eBay e aquela que Trevor Furlotte adquiriu mediante aquele mesmo anúncio (o link ainda está ativo, porém a mesma foi vendida ao Trevor Furlotte):

Foto da espada que foi postada no anúncio do eBay italiano
(fonte: Andy White Anthropology Blog)

Foto tirada por Trevor Furlotte da espada que recebeu após sua compra através do anúncio no eBay italiano
(fonte: Andy White Anthropology Blog)


Resumindo, para que Pulitzer estivesse certo sobre isso, Trevor então teria recebido em sua casa a autêntica espada romana, que segundo Pulitzer estaria em um museu de Nápoles, o qual Andy White acredita ser o Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. Assim sendo, tudo o que Pulitzer disse a respeito da "espada italiana do eBay" é mentira. Note os principais pontos:
  • A foto no eBay não era da espada "original" no Museu de Nápoles;
  • O vendedor não teve seu anúncio encerrado pelo eBay devido ao "comportamento fraudulento". Eles estavam vendendo uma réplica de espada que tem sido vendido na Itália como uma espécie de souvenir pelo menos desde meados da década de 1970;
  • O vendedor não enviou ao Trevor Furlotte uma espada de "ferro fundido, ou seja lá o que for". Eles enviaram a mesma espada que foi mostrada na foto. É uma espada de liga de cobre, provavelmente da mesma época que a "espada romana" do Pulitzer.
Como vocês podem notar, a situação de Pulitzer em manter seu "argumento" de que a espada era um autêntico artefato da Roma Antiga estava indo de mal a pior. E com certeza brevemente teríamos algo mais concreto sobre isso.

As Anomalias Encontradas em 99% das Lâminas Começaram a Derrubar o Mito da "Espada Romana da Nova Escócia"


No dia 18 de janeiro, graças a ajuda de diversos leitores do blog de Andy White, que tinham começado a procurar por detalhes semelhantes entre todas as espadas que já tinham sido previamente apresentadas, foi possível perceber com mais atenção uma espécie de letra "J" na lâmina dessas mesmas espadas, entre outras coisas. As lâminas das espadas da Nova Escócia (Oak Island), italiana do eBay (do atual proprietário Trevor Furlotte), da Flórida (David Kenney), e da França possuem diversas anomalias bem características em comum. Veja a imagem abaixo:
Imagem comparando as anomalias encontradas nas lâminas das espadas
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Como vocês podem ver, diversos locais que apresentam sulcos, protuberâncias (saliências) ou ranhuras parecem corresponder, ou seja, serem bem semelhantes. Isso sugere que estas anomalias não são simplesmente uma variação da pátina: elas refletem características do metal subjacente a pátina. É importante ressaltar que a pátina é o composto químico que se forma na superfície de um metal. Ela se forma naturalmente, pela exposição aos elementos e ao clima, ou artificialmente, com a adição de produtos químicos por artistas ou metalúrgicos.

Comparativo entre a "espada italiana do eBay" e a que supostamente foi encontrada em Oak Island
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Os formatos gerais das lâminas também são muito semelhantes. Andy White chegou até mesmo a dizer que elas seriam praticamente iguais se fosse realizada uma comparação direta, ou seja, mediante fotografias que fossem tiradas em um mesmo plano, e não a partir de um ângulo oblíquo.

A explicação mais simples para as semelhanças entre as lâminas é que todas essas espadas tiveram a mesma "mãe", ou seja, todas tiveram a mesma origem ou fabricadas a partir do mesmo molde. Se a espada da Nova Escócia fosse um suposto artefato romano autêntico, mas a espada italiana do eBay não fosse, então por que as duas têm os mesmos "defeitos de produção" presentes na lâmina?

As semelhanças entre as lâminas amplificavam outro problema para o interpretação "romana" da espada da Nova Escócia. E a espada da Califórnia? Ela não era a mais próxima do artefato original que deu origem a todas as outras espadas que compartilham as mesmas características nas lâminas? Sendo assim, não teria nenhuma chance que a espada da Nova Escócia pertencesse realmente a Roma Antiga.

A espada da Califórnia não apresenta todas aquelas anomalias na lâmina
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
A explicação mais provável seria que as espadas da Nova Escócia, Flórida, italiana do eBay, e da França pertencem a uma geração de réplicas posterior a espada da Califórnia, mas que antecede as espadas da "Design Toscano" que estão sendo atualmente produzidas.

Vale destacar nesse ponto que o dia seguinte era crucial, pois no dia 19 de janeiro iria ser exibido o episódio 11 da terceira temporada de "A Maldição de Oak Island" nos Estados Unidos. Neste episódio iria aparecer a análise do Dr. Myles McCallum, da Universidade de Santa Maria, em Halifax, província da Nova Escócia, no Canadá. Andy estava praticamente seguro e apostando suas fichas que suas conclusões seriam muito semelhantes as que o Dr. McCallum diria no episódio. Ele se mostrou muito satisfeito com o progresso das investigações sobre a "espada romana" de Oak Island, e que o 100% confirmado de Pulitzer havia se tornado 99% bobagem. Será que Andy estaria certo em sua análise?

A Análise de Especialistas da Universidade de Santa Maria: A Espada de Oak Island Não Pertence a Roma Antiga!


Como dissemos anteriormente, Andy White estava muito empolgado para assistir o episódio 11 chamado de "Sword Play", e para ele, sem dúvida alguma foi um episódio bem divertido, porque a história contada por Pulitzer ficou definitivamente comprometida.

O Dr. Myles McCallum, professor associado do departamento de Línguas Modernas e Clássicos da Universidade de Santa Maria, em Halifax, Canadá, especializado em Arqueologia Romana e História, salientou a evidência de linhas grosseiras de molde (e seu respectivo 'polimento' irregular através de um rápido lixamento) eram muito mais consistentes com um item produzido para o comércio turístico moderno do que como um presente imperial antigo.

Dr. Myles McCallum, professor associado no departamento de Línguas Modernas
e Clássicos da Universidade de Santa Maria, em Halifax, Canadá
Já a Dra. Christa L. Brosseau, professora associada do departamento de Química da mesma universidade, forneceu a análise da composição dos metais utilizados para fazer a espada: latão que foi produzido em algum momento depois de 1880. O principal destaque é a elevada porcentagem de zinco. Por mais que os romanos tenham feito algumas espadas de latão, os métodos que usavam para fazer isso resultavam em teores de zinco inferiores a 28%. O zinco a 35% da espada da Nova Escócia (Oak Island) é consistente com a fabricação no final do século 19, e não da Roma Antiga.

Dra. Christa L. Brosseau, professora associada do departamento de Química da Universidade de Santa Maria, em Halifax, Canadá
Andy White evidentemente comemorou. As observações de Brosseau de McCallum estavam em concordância com tudo o que sabíamos até agora sobre essas espadas. Conforme ele mesmo escreveu antes de começar o programa, a concordância entre análises independentes só mostrariam que o mito da "espada romana de Oak Island" seria derrubado. Aliás, o mito tinha sido derrubado de duas maneiras diferentes, por dois grupos diferentes, e usando duas linhas diferentes de investigação. Para Andy White isso era história.

Análise da composição dos metais da "espada romana de Oak Island" apresentada durante o programa
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Entretanto, Pulitzer não se deu por vencido. Imediatamente após o encerramento do episódio, J. Hutton Pulitzer postou um vídeo curto que expressava sua consternação diante dos resultados apresentados pela Dra. Brosseau, uma vez que eles "não eram os mesmos que ele tinha". Ele mais ou menos tentou deixar implícito de que havia algo de "sinistro" acontecendo: "Por que eles ainda fazem isso? Por que tentariam datá-la como se fosse um item de 1880?", disse Pulitzer, que ainda tentou desqualificar o resultado em outro vídeo postado no Facebook naquela mesma noite.

A credibilidade de Pulitzer tinha sido totalmente questionada, e se vocês pensam que nada mais poderia piorar em relação a esse assunto, bem poderia sim, porque o Dr. Myles McCallum enviou um email para Andy White com uma série de comentários que se tornaria um problema ainda maior para Pulitzer.

Os Comentários do Dr. Myles McCallum sobre a Espada de Oak Island


Vamos a lista de comentários que o Dr. Myles McCallum enviou para Andy White:
  1. A técnica de fabricação. A utilização de um molde bivalve, ao invés de um molde com uma única parte, parece inconsistente com técnica de fundição em bronze romana. Além disso, o fato da linha de junção do molde ter sido deixada intacta é mais consistente com processos de fabricação industrial do final do século 19 até meados do século 20.

    A baixa qualidade de fundição, especialmente em relação as características faciais de Hercules, sugerem que este item não teria sido coberto por folhas de ouro ou prata. Se isso fosse feito esconderia completamente o rosto da figura. Se este fosse um item importante na posse de um general/almirante romano, então ele iria querer algo bem mais realístico.
  2. O desgaste do artefato não parece indicar que era muito antigo. Eu trabalho com artefatos encontrados em meios terrestres, não a partir de sítios marítimos, mas boa parte do artefato parecia estar intacto (não foi exposto tempo o suficiente a condições adversas do tempo). A pátina sobre a espada parecia um pouco falsa (dava para ver que cobriu apenas partes do rosto da figura e seu corpo, mas não penetrou em muitos espaços ou fendas). Aliás, a própria pátina não é consistente, até onde eu sei, com a pátina originada devido a água ou pátinas de lago, que geralmente são de cor amarelada, não cinza ou verde. Além disso, eu não tinha certeza do motivo de ter uma pátina sobre pátina (o cinza sobre o verde; parecia um pouco estranho para mim).
  3. O artefato muito provavelmente nem mesmo sequer tenha sido uma espada. Os romanos usavam espadas de ferro, e não armas de bronze. Além disso, não havia nenhum espigão (parte da lâmina que se estende para o interior do punho da espada – fazendo com que a lâmina da espada fosse presa ao cabo, normalmente também feitos de bronze, por rebites) segurando a lâmina em relação ao cabo.
  4. A lâmina em si foi feita pelo processo de dobramento do latão, não por fundição através de moldes (onde latão é derretido à forma líquida e vertido em caixas de areia), algo que parece suspeito. Com base no que eu conheço a respeito de bronze romano e fundição através de moldes, a junção entre o cabo e a lâmina estava realmente mal feita.
  5. O fato de que a espada não tenha se desintegrado muito rapidamente após ter sido removida do seu "túmulo" na água é altamente suspeito. Sem conservação, seria de esperar que os cristais de sal que se formaram nas cavidades e fendas do objeto fizessem a oxidação avançar rapidamente, e como resultado grandes partes da espada estariam faltando. Este não é o caso.
  6. A maneira pela qual a lâmina da espada estava cega. Seria de esperar que algo realmente antigo não tivesse mais nenhum tipo de afiação, mas a lâmina da espada era grossa e quadrada, parecendo que nunca tinha sido afiada. O latão foi dobrado ao longo da borda, não havendo qualquer tipo de afiação, embora pareça ter havido uma tentativa mais recente para afiar a espada usando algum tipo de ferramenta.
  7. Além disso, alguns dias depois de gravarmos o episódio, eu consegui encontrar o que parecia ser uma espada idêntica à venda no eBay na Europa, e estava sendo claramente identificada como uma réplica moderna ou souvenir.
  8. A procedência da espada também é altamente suspeita. Se o objeto veio a partir de um naufrágio em Oak Island, uma área que as pessoas vêm explorando intensamente desde o século passado, então por que outros artefatos romanos não foram identificados? Além disso, com base no que conheço sobre navios romanos, o casco das embarcações era incrivelmente sólido, mas não muito flexível, logo a chance algumas delas sobreviver a travessia do Atlântico Norte parece remota na melhor das hipóteses. Elas eram embarcações costeiras. Se estamos falando de um navio de guerra romana, estes navios não tinham muita navegabilidade. Eles eram essencialmente longos e estreitos, embarcações a remo que tinham a pretensão de navegar por períodos curtos, não por semanas sem nenhum tipo de descanso.
Mesmo assim a história sobre a espada de Oak Island não acabou para Pulitzer. Ele deixou implícito que os testes realizados pela Dra. Christa Brosseau não tinham sido corretos, porque foram realizados os testes errados ou por terem sido realizados por alunos. Ele também deixou implícito que a espada "verdadeira" foi trocada por outra ou talvez que tenha havido uma conspiração da Igreja Católica para suprimir a história ao falsificar os testes.

Entretanto, mesmo colocado contra a parede, Pulitzer não apresentou nenhuma análise da espada em sua defesa. Onde estão esses resultados? Eles realmente existem? O que vimos até agora aponta simplesmente que toda essa história foi criada pelo próprio Pulitzer, simplesmente para ganhar dinheiro em cima da lenda e misticismo sobre Oak Island.

Novas Informações Sobre a "Espada Romana de Sonja"


Um leitor do blog de Andy White chamado Sonja, que anteriormente havia dito que tinha a posse de uma espada muito semelhante, e que teria sido comprada em Roma como uma espécie de lembrança turística em 1975/1976, enviou fotos de melhor qualidade por email para o Andy. Curiosamente, a espada de Sonja é parcialmente sulcada assim como a espada da Califórnia. Isso significa que temos dois exemplares bem parecidos entre si e uma referência de quando, ao menos uma delas, foi originalmente vendida. Confira o email que ele enviou:

"Aqui estão outras informações sobre a minha espada.

Peso: 1502 gramas
Comprimento: 58,5 cm
Largura: 8 cm


Décadas atrás, a espada era esverdeada, muito mais verde do que agora, que está completamente preta.

Foto mostrando a empunhadura e o segmento sulcado da lâmina da espada de Sonja
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Meu pai me confirmou que ele comprou em 1970 de um amigo de um amigo (infelizmente ambos faleceram). O cara costumava vender no mercado de Porta Portese, um famoso mercado de pulgas em Roma, que possui todo o tipo de objetos antigos falsos. Meu pai me disse que, por meio de uma conversa particular, o cara explicou como ele fez isso, deixando as espadas em processo de corrosão na terra ou na lama, e havia um monte delas.

Aqui estão outras imagens:

Foto da parte da clava acima da cabeça de Hércules em escala (fonte: Andy White Anthropology Blog)

Foto da parte de trás da espada de Sonja (fonte: Andy White Anthropology Blog)

Foto da parte da frente da espada de Sonja (fonte: Andy White Anthropology Blog)

Foto da parte de trás da espada de Sonja em escala (fonte: Andy White Anthropology Blog)

Foto da empunhadura da espada de Sonja em escala (fonte: Andy White Anthropology Blog)
Meu pai, em 1992, encontrou o artigo que você está vendo, em um jornal com a foto de uma espada com a mesma empunhadura, mas a lâmina possui um formato diferente. O artigo diz que uma quadrilha de jovens estudantes que viviam em Caserta, perto de Nápoles, estava tentando vender objetos antigos através de um leilão pelo site www.aucland.it, e eles acabaram sendo presos.

Primeira parte do artigo do jornal (fonte: Andy White Anthropology Blog)

Segunda parte do artigo do jornal (fonte: Andy White Anthropology Blog)
Os jovens estudantes disseram que encontraram no mar, na Sicília, durante um feriado. Talvez seja por isso no artigo está escrito que a empunhadura é de Poseidon."

Obs: No email original (em inglês) o peso da espada está abreviado como gr. (grains ou grãos) e não g. (grams ou gramas), que são duas unidades de peso diferentes (antigamente grãos de cereais eram usados para balancear o peso do ouro). Convertendo 1502 gr. para gramas seria equivalente a apenas 97 gramas, ou seja, considerando o tamanho e por ser de metal acho muito mais provável que seja por volta de 1,5 kg do que apenas 97 gramas. Assim sendo considerei que esse detalhe fosse um erro de escrita do Sonja e mantive como 1502 g. De qualquer forma a empunhadura parece realmente ser de Hércules, e não de Poseidon/Netuno.

As Novas "Classificações" Criadas por Andy White em Relação as Espadas


Uma vez que o número de falsas espadas de Hércules continuava crescendo, isso permitia que nós identificássemos e compreendêssemos melhor a questão das suas variabilidades. Todas elas estão agrupadas em único grupo com base no molde da figura de Hércules em relação a empunhadura, mas há variação nos materiais utilizados, a "qualidade" da fundição e as características das lâminas. Assim sendo, Andy White resolveu classificá-las (pelo menos a maioria delas) de acordo com o tipo e as informações conhecidas até o presente momento. Aliás, cerca de 10 espadas surgiram desde a publicação da notícia no jornal Boston Standard em dezembro do ano passado.

Vamos a "classificação" de algumas dessas espadas:

Tipo F: Este tipo inclui espadas de liga de cobre com uma pequena seção de lâmina contendo dois sulcos bem próximos da empunhadura. Este tipo inclui a espada Califórnia (Espada nº 3) e a Espada de Sonja (Espada nº 8). A letra "F" vem do termo em inglês "fullered", que se traduzido para o português seria algo como sulcado.

Tipo J: Este tipo inclui espadas de liga de cobre com o conjunto particular de saliências/ranhuras, e outras anomalias na lâmina. Este grupo inclui a espada de Oak Island (Espada nº 1), que foi o centro de todo o debate desta postagem, bem como a espada da Flórida (Espada nº 2), a espada italiana do eBay (Espada nº 4), e a espada da França (Espada nº 6). A letra "J" vem da aparente marca no formato da letra "J" nas lâminas dessas espadas.

Tipo I: Estas são as espadas modernas de ferro fundido produzidas pela Design Toscano. O mais provável é que essas espadas de ferro modernas sejam todas produzidas a partir da "cópia" de um único "molde" que está em algum lugar da linha do tempo em relação as espadas de Hércules. A letra "i" vem da palavra em inglês "iron", que significa ferro.

Imagem mostrando o painel mais recente das investigações relacionadas a espada de Oak Island
(fonte: Andy White Anthropology Blog)
Andy White acredita que possa haver espadas modernas feitas em liga de cobre, que estariam sendo produzidas em algum lugar (caso não esteja, ao menos estiveram em um passado recente). Estas espadas parecem ter lâminas relativamente "limpas", isto é, ao contrário das espadas do tipo J. Esse seria o caso, por exemplo, da espada da Espanha (Espada nº 7) e de uma espada atualmente à venda no eBay, na Florida (Espada nº 10). Se a matéria-prima dessas espadas pudessem ser confirmadas como sendo liga de cobre e suas medidas fossem compatíveis, isso justificaria a criação de um outro "tipo" somente para elas.

De qualquer forma algo bem mais interessante estaria por vir: a análise da Dra. Christa Brosseau.

Um Resumo da Análise da Dra. Christa Brosseau Enviada ao Blog de Andy White


Confira a análise sobre a "espada romana" supostamente encontrada em Oak Island, que foi enviada pela Dra. Christa L. Brosseau ao Andy White, logo após o episódio 11 ter sido exibido na noite do dia 24 de janeiro no Canadá:

Sumário Executivo:

Uma espada de metal foi trazida para testes químicos durante o verão de 2015 (hemisfério norte). Os objetivos incluíam determinar se a espada era de bronze ou latão, e se os componentes químicos poderiam ou não ser determinados, tanto qualitativamente como quantitativamente, em uma tentativa para datar o artefato. Ambos os testes elementares e moleculares foram realizados. Os ensaios escolhidos incluíam a Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), a Espectroscopia de Energia Dispersiva de Raios-X (EDS), a Microscopia Confocal de Raman e a Espectroscopia Raman de Superfície Reforçada (SERS). Diversas amostras de pátina, bem como do metal de base foram coletadas a partir de ambos os lados da ponta da espada. Uma amostra do metal de base, também foi coletada a partir da empunhadura para testar a composição da liga. Duas amostras de uma "camada adicional", presente na parte da frontal da empunhadura também foi coletada para análise. Depois de testes e análises químicas, os resultados permitem concluir que este objeto representa um "latão com chumbo" moderno, acrescido de uma pátina artificial com uma provável data de fabricação de aproximadamente 1880. A camada adicional é uma massa de óxido de chumbo aplicada por uma razão desconhecida.

Introdução:

A determinação da composição química das ligas de cobre pode ser importante para datar objetos de arte históricos formados a partir de tais ligas. Latão (liga de Cu/Zn) e bronze (liga de Cu/Sn) constituem a grande maioria das ligas de cobre de interesse desde a antiguidade. Nesta análise, duas questões foram propostas: (1) "Trata-se uma espada de bronze ou de latão?" e (2) "Pode a composição elementar do metal de base e/ou a constituição química da pátina oferecer quaisquer pistas sobre a idade do objeto?". A resposta da primeira pergunta é prontamente fornecida em uma análise elementar padrão. Um teor de zinco acima dos níveis de rastreamento, e a ausência de uma quantidade significativa de estanho poderia sugerir que fosse latão. Para latões, o teor de zinco é um poderoso indicador em termos cronológicos. Os primeiros latões funcionais foram produzidos pelos romanos, e foram preparados utilizando um processo no qual um minério de zinco foi feito com que reagisse com metal de cobre a altas temperaturas. Este processo de derretimento ocorre a temperaturas de pelo menos 1100 °C, que é acima do ponto de ebulição do zinco metálico. Assim sendo, a maior parte do zinco é perdida por evaporação, colocando um limite termodinâmico de quanto o zinco pode ser incorporado em um latão usando este método. Este limite máximo é amplamente aceito como sendo de 28%, com base na análise de uma multiplicidade dos primeiros latões, assim como experimentos mais recentes destinados a recriar este método. Portanto, um latão que está sendo apresentado como antigo, que contém um teor de zinco maior do que 28% é suspeito. Isto é especialmente verdadeiro se a liga possui concentrações maiores do que as quantidades residuais de chumbo ou de estanho, que inibem a absorção de zinco na liga. Na Europa pós-medieval, um método de cimentação mais sofisticado foi desenvolvido, o que permitiu a incorporação de mais zinco na liga, em até 33%. A partir disso, datando por volta do século 16, alguns latões foram encontrados contendo até 33% de zinco. Um teor de zinco acima deste nível é o reflexo de um latão bem mais moderno, produzido usando um método direto mais moderno (chamado speltering), cuja patente foi requerida em 1738 na Grã-Bretanha. O método de cimentação mais antigo foi em grande parte abandonado em meados de 1800. Por mais que o teor de de zinco seja o elemento mais importante usado para datar latões, outros fatores serão igualmente importantes, o que inclui a determinação da pureza relativa da liga (o que pode sugerir um refinamento moderno), e a presença de pigmentos e/ou resinas modernas que também serão indicadores-chave de uma fabricação moderna.

Metodologia:

As seguintes ferramentas de análise química foram utilizadas neste estudo:

1. Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV) - TESCAN MIRA 3 LMU Variable Pressure Schottky Field Emission Scanning Electron Microscope.

Este microscópio eletrônico fornece uma micro resolução, assim como em nanoescala de uma amostra. Características tais como as impurezas do metal e dos grãos da pátina podem ser elucidadas.

2. Espectroscópio de Energia Dispersiva de Raios-X (EDS) - INCA X-max 80 mm 2 EDS equipados com Detectores de Deriva de Silício (SDD).

A unidade de EDS está acoplado ao MEV, e permite que se determine a composição elementar de uma região em particular de uma amostra em baixos níveis de ppm. Neste método, a amostra é bombardeada com um feixe de elétrons de alta energia, que excita os elétrons do núcleo da amostra. Após a decomposição voltar para o estado fundamental, a energia é liberada sob a forma de radiação de raios-X, que é monitorada. A energia dos raios-X emitida é muito específica em relação a um elemento individual e, assim, um mapa elementar da amostra pode ser obtido. Esta técnica assemelha-se a fluorescência de raios-X (XRF), porém com algumas diferenças notáveis. O XRF pode ser utilizado de uma forma portátil, mas isto só permite a análise da superfície de um objeto. Além disso, o XRF portátil não tem a sensibilidade e a precisão do EDS. Quando a análise destrutiva é possível, é preferível a utilização do EDS. Isso será utilizado para determinar a composição elementar tanto do metal de base quanto da pátina.

3. Espectroscópio Confocal de Raman

Este instrumento combina um microscópio confocal com um espectrômetro de Raman, e fornece uma assinatura vibracional da amostra, de tal modo que as espécies moleculares podem ser identificadas. Esta técnica baseia-se na dispersão de luz. Isso será utilizado para avaliar os componentes químicos da pátina que são Raman ativos, especialmente quaisquer aditivos, resinas ou corantes/pigmentos.

4. Espectroscópio Raman de Superfície Reforçada (SERS)

Esta técnica utiliza uma camada fina de nanopartículas de metais nobres (Ag) sobre a superfície da amostra, de tal modo que um sinal muito maior de Raman pode ser obtido. Esta técnica é particularmente útil para as amostras que apresentam uma fluorescência intensa, que pode extinguir o sinal de Raman, ou em que a concentração de analito é muito baixa. Isso será utilizado para avaliar os componentes químicos da pátina.

Amostragem e preparação de amostras para análise:

Para esta análise, várias amostras da espada foram coletadas para análise. Em cada caso, o tamanho da amostra foi de aproximadamente entre 1 a 10 mg.

Ponta da espada: limalhas de metal de base, flocos de pátina
Empunhadura da espada: limalhas de metal de base, flocos de pátina
Empunhadura da espada: foi adicionada uma camada de origem desconhecida (esta foi aplicada em algumas partes da espada por uma razão desconhecida)

Os flocos de pátina e a camada adicional foram diretamente removidos usando uma pinça. Para o metal de base, uma pequena parte da espada foi polida para que ficasse sem nenhuma pátina e para expor o metal que não tivesse sido corroído, sendo limpo com solvente e, em seguida, diversas limalhas foram coletadas usando uma lima de aço. Amostras do metal de base da empunhadura foram coletadas em uma data posterior, com o objetivo de confirmar se a espada era um metal contínuo.

Em relação ao MEV-EDS as amostras foram preparadas pelo técnico em MEV em fitas de carbono. Em relação a espectroscopia Raman as amostras foram analisadas diretamente sobre lâminas de vidro. Em relação ao SERS, as amostras sobre as lâminas de microscópio foram tratadas com uma camada de nanopartículas de prata preparadas de acordo com um protocolo estabelecido.

Resultados e Discussão:

Análise metalúrgica do metal de base:

A análise MEV-EDS foi realizada por meio de limalhas de metal de base. Notou-se que o teor de zinco nesta liga é muito alta, a 35% ± 1% a 95% de confiança, representando assim um latão moderno. Isso coloca a data de fabricação mais antiga para esta peça por volta de 1738. Além disso, o teor de chumbo é muito elevado (2,6% ± 0,7). Um exame mais detalhado do metal mostrou regiões brilhantes, referidas como impurezas. Nesta região os metais pesados (Pb, As, Sb, etc.) são tipicamente co-localizados. A análise do EDS da impureza, no entanto, mostrou apenas chumbo, sugerindo que o chumbo possui alta pureza e, portanto, provavelmente refinado. Além disso, o próprio cobre é bem puro, com apenas quantidades muito pequenas de contaminantes (As (em apenas uma amostra), Sn, etc) detectadas. Aliás, o próprio cobre também é provavelmente refinado. A eletrorrecuperação de metais foi demonstrada pela primeira vez em 1847, e a prática foi patenteada pela primeira vez em 1865. Instalações comerciais para a eletrorrecuperação de minério de cobre existiam em 1870 no País de Gales e no início dos anos 1880 nos Estados Unidos. Assim sendo, a data mais provável de fabricação desse latão é entre 1870 e 1880. Esta espada é constituída de latão com chumbo moderno. O chumbo teria sido adicionado para facilitar a moldagem, melhorar a resistência da liga, e também para reduzir a corrosão.

Análise metalúrgica da camada adicional:

Em diversos locais na espada, uma camada adicional foi percebida. Essa camada tinha um brilho metálico e foi considerada de natureza de revestimento. Os resultados confirmam isso como um óxido de chumbo, provavelmente um betume branco de chumbo. A razão para esta camada adicional não é clara; pode ter sido adicionada para simular uma cobertura de chumbo ou para esconder uma região onde um defeito na moldagem estava presente.

Análise morfológica e elemental da pátina:

A pátina foi analisada utilizando o MEV-EDS. Isto permite controlar a morfologia da amostra, e obter a composição química desejada relacionada a uma área de interesse. Embora as amostras não tenham sido preparadas em um corte transversal, ainda é evidente que a pátina é uniforme tanto em sua estrutura quanto em sua morfologia, o que aponta para um processo artificial ao invés de ser um processo natural da formação de pátina. Além disso, a pátina foi muito facilmente removida, o que sugere também uma pátina artificial. A pátina, em geral, é relativamente complexa, no entanto, a composição química é dominada pelo cobre, oxigênio e cloreto. Isso sugere que a pátina é essencialmente um hidroxicloreto de cobre. A fonte do cloreto poderia ser tanto a partir de qualquer sal de corrosão da água, quanto a partir de uma pátina química ao utilizar reagentes químicos, por exemplo, sais de cloreto tais como o CaCl2 e o NH4Cl. Uma vez que a extensão da corrosão é limitada, esta última explicação é a mais provável. Adicionalmente, a pátina contém ferro e enxofre, que também podem indicar uma pátina química, através do uso de CuSO4, Fe(NO3)3 ou Na2S2O3, todos os reagentes normalmente utilizados para pátinas de latão. De modo a avaliar mais profundamente a pátina, além do nível molecular, foi realizada a espectroscopia de Raman e a SERS.

Análise molecular da pátina:

A amostra de pátina foi avaliada usando a espectroscopia de Raman, para determinar a composição química da pátina. A espectroscopia de Raman é particularmente sensível a substâncias que têm boa capacidade para dispersar a luz, seja através da presença de átomos pesados, ou através da presença de elétrons que são deslocados. Assim sendo, é um excelente método para a análise de pigmentos inorgânicos e orgânicos. Neste caso estávamos interessados em determinar quaisquer que fossem os pigmentos que pudessem ter sido utilizados para produzir a pátina. Em diversos locais, o sinal de Raman registrado teve uma correspondência exata ao "Azul da Prússia", um pigmento azul moderno. O Azul da Prússia foi primeiramente disponibilizado para uso na Europa no início e meados do século 18, sendo amplamente utilizado nos séculos posteriores. A utilização do azul da Prússia para a restauração de bronzes históricos tem sido observado em diversas publicações de conservação, incluindo a restauração de bronzes da "Fonderia Chiurazzi in Naples.5". A identificação do azul da Prússia na pátina sugere fortemente que a pátina é de origem moderna, após 1734, e que foi produzida artificialmente.

Para realizar uma análise mais aprofundada, a SERS foi realizada. Neste método, uma camada fina de nanopartículas de prata é aplicada na superfície da amostra, de tal modo que o sinal de Raman pode ser significativamente aumentado. Com os dados obtidos da SERS foi possível identificar diversos pigmentos na mesma amostra. O azul da Prússia foi novamente identificado, juntamente com alvaiade, que parece corresponder bem com o azul Cerúleo. O azul Cerúleo foi primeiramente disponibilizado para uso na Europa em 1821. Adicionalmente, fortes picos na região de 1.500 cm-1 sugerem a presença de um pigmento orgânico sintético, provavelmente um corante azo amarelo, cuja fabricação remeteria ao século 19 ou 20. Picos a 2800-3000 cm-1, devido ao estiramento de vibrações de materiais orgânicos C-H também são sugerem isso. A provável presença do azul Cerúleo e um pigmento orgânico sintético desconhecido sugerem que a espada foi fabricada após 1820.

Conclusões:

A espada de Oak Island representa um artefato em descordo com o local encontrado e sem procedência estabelecida. Neste caso, a análise científica do objeto pode ajudar a responder algumas perguntas fundamentais sobre a peça, tais como a natureza e composição da liga.

Neste caso, determinou-se que a suposta espada romana é na verdade de latão com chumbo moderno, com uma pátina artificial. Com base na análise de materiais, esta espada deve ter sido fabricada após 1738, e mais provavelmente após 1880, com base nos materiais e nos processos de fabricação utilizados.

Referências:

1. P. Craddock. “Scientific Analysis of Copies, Fakes and Forgeries”. Elsevier, Oxford, UK, 2009.
2. J. Day. “Copper, Zinc and Brass Production” in J. Day and R. F. Tylecote, The Industrial Revolution in Metals, Institute of Metals, London, 1991.
3. “Surface-Enhanced Raman Spectroscopy: A Direct Method to Identify Colorants in Various Artist Media” C.L. Brosseau, K. Rayner, F. Casadio, C.M Grzywacz, R.P Van Duyne. Analytical Chemistry, 2009, 81(17) p.7443.
4. “Copper Leaching, Solvent Extraction and Electrowinning Technology” Ed. J.V. Jergensen II, 1999.
5. “The Restoration of Ancient Bronzes: Naples and Beyond” Ed. E. Risser and D. Saunders. J. Paul Getty Museum, Getty Publications, 2013.

Notas adicionais:

  • A composição da liga de base é mais estreitamente relacionada a um latão de usinagem fácil (latão 360 = ~ 61% Cu, 35% Zn, 0,45% de Fe, e 3% Pb). Nenhum Mg ou Si estava presente no metal de base.

  • É provável que esta réplica tenha se originado em Nápoles, ou em algum lugar próximo, devido a presença do azul prussiano na pátina. Alguém familiarizado com a restauração de bronzes italianos pode ter estado envolvido em sua produção.
  • A empunhadura teve sua amostra coletada após a lâmina. Isso ocorreu porque, uma vez considerando que o objeto fosse autêntico, coletar uma amostra para análise de uma empunhadura muito mais detalhada seria indesejável. Entretanto, uma vez que a espada foi verificada por ser de origem moderna, a amostragem foi completada. Como mencionado acima, tanto a lâmina quanto a empunhadura tinham uma composição idêntica.
  • Todos os testes realizados nesta peça são métodos de análise de estado-da-arte, e não "antiquados", como sugerido por um determinado indivíduo.
  • Durante as filmagens deste episódio, que foi no final de julho de 2015, o ar-condicionado do laboratório estava com defeito. Posso ter aparentado estar avermelhada durante as filmagens, pela simples razão de que eu estava prestes a desmaiar com o calor! Além disso, posso ter aparentado estar nervosa, porque eu sou uma cientista, não uma atriz. Estar na televisão realmente não é o meu negócio.
  • Todas as pessoas no laboratório devem utilizar um EPI apropriado dentro do laboratório (óculos, casacos, etc.). Isso é uma prática comum em laboratórios de química e, portanto, foi por essa razão que pedi para que usassem o equipamento durante as filmagens. O EPI certamente não fazia parte do figurino do programa.
  • Quem estiver interessado em saber mais alguma coisa pode me contactar diretamente, e ficarei muito feliz em discutir o estudo. Atualmente, estou considerando preparar este estudo para ser publicado como artigo acadêmico a ser revisado por profissionais da área. Fiquem atentos!

E aí, Assombrados? Resta alguma dúvida? Muita gente ainda pode contar sobre uma lenda misteriosa que a maioiria estaria dizendo para fingir que a espada nunca foi analisada, e que existe toda uma teoria conspiratória por trás dela. Tem gente que vive apenas de lenda, mas eu prefiro ir atrás de informações mais concretas. Foi exatamente por isso que fiz questão de traduzir todo esse "resumo" da análise feita pela Dra. Christa Brosseau.

A Nova Tentativa de Pulitzer? O Caso das "Setas de Bestas" Supostamente Romanas


J. Hutton Pulitzer sabia que estava em uma situação bem mais do que complicada, então provavelmente em um ato de puro desespero tentou repetir a mesma estratégia utilizada anteriormente para lançar na mídia um novo caso. Dessa vez ele alegou que setas de bestas romanas tinham sido encontradas em Oak Island, o que provaria "mais uma vez" que o Império Romano já tinha estado algum dia no território que hoje pertence ao Canadá.

Artefatos encontrados em Oak Island ou no seus arredores com "possíveis ligações" com o antigo Império Romano
A imagem foi fornecida ao Epoch Times como cortesia de J. Hutton Pulitzer
Da primeira vez Pulitzer havia escolhido o jornal pouco expressivo, o britânico Boston Standard, e dessa vez ele revelou o mais "novo caso" com exclusividade para o site "The Epoch Times", que assim como o anterior, fez uma longa matéria sobre as "fantásticas" descobertas em uma das ilhas mais enigmáticas do mundo. É importante ressaltar aqui, que o "The Epoch Times" se descreve como um site de notícias independentes, focado em divulgar notícias "não censuradas" da China, bem como notícias "culturais" e "científicas". Não é difícil encontrar algumas coisas bem "incoerentes" e "conspiratórias" por lá de vez em quando, porém dessa vez eles foram um tanto quanto cautelosos dada a repercussão sobre o caso da "espada romana".

Como a matéria é bem longa e já nos estendemos muito ao contar todos os detalhes da investigação paralela que Andy White conduziu juntamente com seus colegas, amigos, leitores e especialistas ao longo do mês de janeiro, vamos apenas citar um trecho dessa matéria publicada no dia 20 de janeiro:

"Na virada do século, um caçador de tesouros desenterrou uma viga grossa de madeira. Quando a mesma foi cortada, três setas de bestas foram encontradas dentro. Isso significa que as setas foram disparadas a partir de uma besta em direção a árvore, e a árvore cresceu em torno delas.

Estima-se que a árvore tinha cerca de 1.000 anos de idade quando foi cortada. As setas estavam presas a cerca de 2 cm de profundidade, sugerindo que eles acertaram as árvores centenas de anos antes de ser cortada, embora não se saiba há quanto tempo a árvore foi cortada para fazer a viga de madeira.

'A datação mais precisa das setas foi feita quando elas foram analisadas por um laboratório de testes de armas militares dos Estados Unidos', disse Pulitzer. Rick e Marty Lagina, as estrelas de 'A Maldição de Oak Island' mostraram ao Pulitzer os resultados do teste. O laboratório afirmou que as setas vieram da Ibéria, e que datam do mesma época de diversas incursões do Império Romano e, possivelmente, da espada.


Uma descrição das setas de besta encontradas em uma viga de madeira em Oak Island.
A seta no canto superior direito é uma fotografia do artefato real, não um desenho.
O Epoch Times não foi capaz de verificar os resultados do laboratório. Pulitzer disse que pediu uma cópia dos resultados, e que foi prometida uma cópia para ele, mas ele ainda não a recebeu. A documentação estaria em posse da Oak Island Tours (na qual os irmãos Lagina possuem controle acionário) e de seus parceiros.

O canal 'The History Channel' não respondeu aos pedidos de informação do Epoch Times. Pulitzer diz que viu os resultados, e tem conhecimento que eles foram recebidos através de um contato no 'Soldier Systems United States Army Center', em Natick, Massachusetts.

Uma vez que isso é um tanto quanto controverso, Pulitzer disse que os irmãos Lagina ao receberem os resultados, contactaram um especialista de uma grande universidade norte-americana para analisar as setas.

Uma das supostos "setas de bestas romanas"
Pulitzer, lendo suas anotações de seus encontros com os irmãos Lagina, compartilhou a resposta com o Epoch Times: 'Não use nosso nome, não nos envolva nisso, não mencione o nome da universidade. Nem sequer conte a ninguém que você as enviou para mim. Essas coisas são perigosas, são perigosas para minha profissão, eu não quero estar envolvido nisso de maneira alguma'

Isso sugeriria que apoiar a alegação de que os romanos chegaram ao Novo Mundo poderia ser considerado como suicídio profissional".

A Vida Curta do Caso das "Setas Romanas de Oak Island"


Após uma longa investigação sobre a espada de Oak Island, que nos permitiu chegar a conclusão que a espada supostamente encontrada na ilha, e que foi parar nas mãos de Pulitzer, não era um autêntico artefato da Roma Antiga, estava praticamente certo que esse novo caso logo seria derrubado.

Andy White foi um dos primeiros a questionar o objeto dizendo que ele poderia ser um antigo cravo de ferro de uma cerca de madeira ou então uma parte de um antigo mandril. O mais interessante mesmo foi ele ter encontrado um anúncio no site Etsy vendendo um objeto muito similar, cuja descrição fazia referência a "pontas de setas de bestas romanas" por apenas US$ 14,36 (anunciado por $20,53 dólares de Cingapura) e constando como sendo enviado a partir da Ucrânia (que confusão!).

Screenshot do anúncio das pontas de seta de bestas romanas no site Etsy


Entretanto, dessa vez a melhor explicação para o novo artefato apresentado do Pulitzer não foi dada por Andy White, mas por um blog chamado "Oak Island Compendium". De acordo com esse blog, o artefato muito provavelmente é apenas uma "ponteira de Peavey", uma parte de uma ferramenta, mais precisamente uma espécie de lança, muito comum principalmente nas antigas serrarias de Oak Island. Vale ressaltar que uma uma serraria é uma indústria de transformação de toras de madeira para produção de tábuas. Como tal, faz parte do processo da indústria madeireira, que possui um longo histórico tanto na Nova Escócia quanto em Oak Island.

Lanças utilizada na exploração madeireira (fonte: Oak Island Compendium)
Vamos a um trecho da matéria que foi publicada pelo blog "Oak Island Compendium":

"Em 1944, Clarence James Beamish comprou diversos lotes de terra em Oak Island, incluindo as propriedades de George e James McInnis (descendentes de Donald Daniel McInnes, o descobridor do "Poço do Dinheiro"). Isso deu ao Beamish a posse da maior parte da extremidade oeste da ilha, incluindo a parte onde os Blankenships vivem atualmente. Beamish criou uma serraria na ilha, e também construiu diversas cabanas, as quais as pessoas podiam alugar. A Triton Alliance (predecessora da parceria entre os irmãos Lagina, Tester, e Blankenship) diziam o seguinte texto sobre a serraria em um panfleto turístico chamado "Welcome to Oak Island", que eles mesmos produziram:

''... O Sr. Clarence Beamish construiu a serraria no começo do século 20, utilizando aço reforçado para fortalecer os pilares de concreto. Como a baía é muito profunda e ampla o suficiente para a passagem de navios nos arredores dessa extremidade da ilha, isso era ideal para que grandes navios transportassem suas cargas de toras para a ilha. A serraria, no entanto, não era popular entre os moradores locais, que tinham que transportar suas toras por meio de flutuação através da baía, e em seguida, tomar as devidas providências para transportar a madeira cortada de volta ao continente. Uma estrada destinada a este tipo de transporte, é claro, não existia naquela época. O Sr. Beamish e sua família finalmente deixaram a ilha devido aos invernos rigorosos e se estabeleceram no continente'".

Podemos constatar pela narrativa acima que a serraria foi um local movimentado, e teve que lidar com muitas e muitas toras de madeira. Portanto, não seria irrealista afirmar que ferramentas utilizadas durante o processo da exploração madeireira foram utilizadas na ilha, entre elas uma espécie de lança ou pique.

Os autores do blog disseram que viajaram até Liverpool, uma cidade canadense na região da Nova Escócia, (não confundir com a cidade de mesmo nome na Inglaterra) e se encontraram dois irmãos, Eugene e Bob Conrad, que tinham crescido trabalhando na serraria dos seus pais. Eugene ainda possui algumas das lanças que eles utilizavam. Quando perguntado para que serve esse tipo de lança utilizada na serraria, Bob respondeu: "Empurrar, puxar, ou rolar um tora de madeira". Evidentemente, soa como algo útil de ser utilizado em uma serraria.

Foto mostrando as diversas partes de uma lança utilizada na exploração madeireira, incluindo a "ponteira de Peavey"
Basicamente a ponteira pode ser substituída e devido ao desgate da lança eventualmente diversas delas poderiam ficar presas,
nas toras das árvores que eram manuseadas nas serrarias de Oak Island
(fonte: Oak Island Compendium)
Foi questionado aos irmãos se as setas de bestas da "Roma Antiga" encontradas em Oak Island poderiam ser na verdade ponteiras de lanças utilizadas em serrarias. Eugene foi rápido em responder: "Sem dúvida, é uma ponteira de Peavey. A parte que ficou presa na árvore resistiu melhor do que a parte final, que provavelmente foi corroída devido a um longo tempo de exposição".  Vale lembrar que "Peavey" é um nome de uma marca, mas é muitas vezes usado como um termo descritivo geral para lanças utilizadas na exploração madeireira.

Eugene Conrad segurando uma lança utilizada na exploração madeireira
(fonte: Oak Island Compendium)
Além disso, a exploração madeireira em Oak Island é bem anterior a década de 1940. Já tivemos diversas tentativas de encontrar um suposto tesouro na ilha, que envolveu a criação e o desmoronamento de diversos poços, os quais era necessário o uso de madeira para escorá-los. Fotos antigas mostram toras empilhadas na praia à espera de serem utilizadas. Na verdade, dois dos primeiros colonos, Daniel e Anthony Vaughan (pai do Anthony, que co-descobriu o "Poço do Dinheiro") comprou um lote de terra em Oak Island e começou um negócio envolvendo a exploração madeireira. A imagem abaixo, um trecho de uma licença concedida a Daniel Anthony para cortar árvores, é uma prova disso:

Trecho de uma licença concedida a Daniel Anthony para cortar árvores
(fonte: Oak Island Compendium)
O trecho do documento acima, que data do final do século 18, também exibe os símbolos utilizados para marcar as árvores exclusivamente para uso do Rei. A seta aberta é uma constante, enquanto que os outros dois símbolos podem variar. Será que temos aqui uma pista para a origem dos símbolos estranhos encontrados nas árvores em uma versão da história sobre a descoberta do "Poço do Dinheiro"?

Resumindo, muito provavelmente, mais uma vez, toda essa história contada novamente pelo Pulitzer não tem nada a ver com a Roma Antiga, a Ibéria, uma árvore de 1.000 anos de idade, um laboratório de testes militares dos Estados Unidos ou uma conspiração para esconder a verdade do mundo.

Atualização #1: 26/01 as 11h50


No dia 22 de janeiro, a Blockhouse Investigations, que consiste basicamente em um grupo de investigação liderado por Kel Hancock e Doug Crowell, juntamente com uma grande equipe de pesquisadores locais (de Halifax), investigadores e consultores, responsável pelo blog "Oak Island Compendium", foi até a comunidade de Smith's Cove, no condado de Digby, em Halifax (na costa oposta a de Oak Island, na parte continental). O objetivo era examinar mais uma réplica da espada com uma empunhadura de Hércules que surgiu, e praticamente idêntica a que foi mostrada recentemente na série "A Maldição de Oak Island".

A espada estava em posse de David Cvet, presidente e fundador da Academia Europeia de Artes Marciais Medievais. Assim sendo, a mesma passará a ser chamada de "espada de Cvet" para um melhor entendimento diante de tantas espadas semelhantes que estão surgindo.

David Cvet (foto) ensina artes marciais medievais em Digby, na Nova Escócia, Canadá.
O Sr. Cvet disse ter amplo conhecimento em armamento medieval, e ele também disse que comprou sua réplica da espada "romana" durante uma visita ao Museu de Pompeia há 12 anos. Ele não se lembrava se havia comprado sua réplica dentro das instalações do museu, ou fora dele, mas ele se referiu à loja como sendo uma loja de artesanato, que basicamente vende presentes e lembranças turísticas. Na época de sua visita ao Museu de Pompeia, David disse que ele não viu uma versão original dessa espada em exposição, no entanto, a maioria dos museus não têm espaço suficiente para exibir suas coleções completas. Aliás, a Blockhouse Investigations disse que já entrou em contato com o Museu Arqueológico Nacional de Nápoles a respeito da "espada de Oak Island", porém ainda não tiveram retorno. Foi pedido ao Sr. Cvet que dissesse quais características que deveríamos observar em uma espada original quando comparada com essas réplicas. Veja o que ele disse:

1. As réplicas são feitas a partir de uma espada original, e são feitas a partir de um autêntico gládio de Pompeia. Entre as variações de espadas de gládio que existem (a de Pompéia é meramente uma versão), o gládio de Pompeia era conhecido por ser o mais curto. A espada original foi sem dúvida, feita a partir de aço de com diversas concentrações de carbono. O padrão de soldagem, também referido como o aço Damasco, embora já existisse na época, pode ou não ter sido utilizado para criar tais espadas. É um processo muito demorado, e talvez só os ricos tivessem uma espada de aço Damasco. Na verdade, lá pela Idade Média, o aço de Damasco foi praticamente a norma no Oriente Médio. A empunhadura era tipicamente feita de aço/bronze/madeira. Se a empunhadura original sobreviveu para ser usada para criar réplicas, então seria mais provável que fosse feita de bronze ou de madeira. A espada original também teria afiação. Mesmo se fosse uma arma cerimonial, seria afiada. E teria afiação em ambos os lados da lâmina. Por fim, a espada não teria sido feita através de molde, mas começaria sua vida reluzindo de forma incandescente e sendo forjada a mateladas até seu formato final (embora a empunhadura possa ter sido moldada e montada sobre o espigão). A réplica é, obviamente, moldada como você pode ver pelas estrias atenuadas ao longo do corpo da espada. Então, quando o molde foi feito a partir da original (sendo que a original era afiada), o molde foi ajustado para ter uma ponta cega e arredondada expressiva, puramente do ponto de vista da segurança dos tempos modernos. Qualquer museu nunca iria vender uma arma afiada como presente, exceto para os clientes mais exigentes e dispostos a pagar grandes quantias por uma réplica autêntica.


Surge mais uma espada, a "espada de Cvet"
2. O gládio de Pompeia não é uma espada original, e foi fabricada com a finalidade de gerar receitas para o museu ou lojas de artesanato em Pompéia e nos seus arredores. Durante o final do século 18 e do século 19, as relíquias eram um grande negócio. Há toneladas de armas "medievais" e armaduras por aí, que alegam ser autênticos equipamentos mediavais, apenas para ser descoberto que eles eram de fato, compostos de várias peças independentes, muitas vezes fabricadas durante os séculos 18 e 19. O romantismo em torno dos gladiadores ao longo da história moderna, sem dúvida, era uma fonte potencial e fértil de receitas para esses "artefatos".

Interessante, não é mesmo?

Dimensões da espada de Cvet:

Largura da empunhadura (Clava de Hércules): 76 milímetros
Comprimento: 43,4975 centímetros
Largura da lâmina: 40 milímetros
Espessura da lâmina: 4,8 milímetros (0,19 polegadas)
Espessura do ombro próximo da empunhadura: 8,6 milímetros
Peso: 1,245 kg

De qualquer forma, Assombrados, sempre que tivermos quaisquer novidades relevantes e relacionadas a eventuais descobertas em Oak Island, faremos questão de mantê-los informados. Acho que depois de traduzir e escrever tanta coisa sobre esse assunto, não é necessário nenhum tipo de comentário final. Fico extremamente orgulhoso de trazer esse tipo de conteúdo para o blog AssombradO.com.br, e sinceramente espero que vocês tenham gostado!

Até a próxima, Assombrados!

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes: (acessadas em 25/01 - 16h10)

http://www.jasoncolavito.com/blog/convergence-in-the-fringe-world-the-north-pointing-roman-sword-and-micah-hanks-on-ghosts
http://www.andywhiteanthropology.com/blog
http://www.oakislandcompendium.ca/blockhouse-blog/oak-island-sawmill-we-think-youll-get-the-point
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