21 de dezembro de 2015

Os Romanos Descobriram a América? Será que uma "Descoberta" em Oak Island Poderia Reescrever a História?

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Por Marco Faustino

Quem está sentindo falta dos resumos sobre Oak Island? Com certeza muitos de vocês. Como sabemos, a série está em sua terceira temporada, praticamente contando a saga dos irmãos Marty e Rick Lagina, que compraram parte da ilha e estão investindo muito dinheiro para descobrir possíveis tesouros enterrados em Oak Island. Alguns dizem que poderiam ser as riquezas dos Templários, assim como outros acreditam que os mistérios da ilha, alguns um tanto quanto macabros, poderiam esconder até mesmo a "Arca da Aliança".

Entretanto, na semana passada, uma notícia publicada no site de um jornal da pequena cidade portuária de Boston, no condado de Lincolnshire, na costa leste da Inglaterra, repercutiu como uma "bomba" nos principais veículos de imprensa do mundo. A descoberta de uma espada romana, que supostamente estava submersa ao longo da costa de Oak Island, poderia significar que o Império Romano navegou muito além do que se pensava anteriormente. Se isso for verdade, esse achado poderia reescrever nossos livros de história, fazendo com que Colombo fosse um mero coadjuvante no descobrimento da América.

Seria realmente isso verdade? Alguns céticos e outros arqueólogos e antropólogos começaram a desconfiar dessa história e foram atrás para investigar o assunto de forma independente. O que vocês vão ler aqui é bem interessante, e com certeza vai surpreender vocês. Vamos saber mais sobre esse assunto?

O Texto Publicado Por Gemma Gadd no Jornal Britânico "Boston Standard"


Primeiramente é importante situar vocês, sobre a forma como essa notícia surgiu. A divulgação da descoberta de uma espada romana em Oak Island teria sido obtida com exclusividade por uma agência de notícias do Reino Unido chamada Johnston Press.

Em seu respectivo site, essa agência diz ser uma das maiores organizações de multimídia locais e regionais do Reino Unido, fornecendo notícias e serviços de informação para as comunidades locais e regionais através de um extenso portfólio de centenas de publicações e websites. Sua sede é localizada em Edinburgo, na Escócia, e segundo informações, que podem ser publicamente consultadas na Wikipedia, a Johnston Press publica cerca de 250 jornais, sendo que dentre eles, eu destacaria o Lancashire Evening Post, o Harrogate Advertiser, e o Yorkshire Post.

Foi assim que uma jornalista chamada Gemma Gadd, da própria Johnston Press, publicou uma notícia com o título "Startling new report on Oak Island could ‘rewrite history’ of the Americas" ("Novo relatório surpreendente sobre Oak Island poderia 'reescrever a história' das Américas", em português), na última quarta-feira (16) em um jornal britânico regional chamado Boston Standard.

Foi a partir deste texto, que centenas de sites ao redor do mundo começaram a disseminar o que na visão de muitos seria uma descoberta fenomenal. Entretanto, como dissemos na abertura desta postagem, alguns aspectos dessa notícia chamaram a atenção dos mais céticos (algo que vamos comentar mais a frente). De qualquer forma vamos transcrever para vocês o conteúdo publicado no Boston Standard, certo? Confira o texto logo abaixo:

'Antigos marinheiros visitaram o Novo Mundo há mais de mil anos antes de Colombo - de acordo com um novo sensacional relatório'

As principais conclusões do estudo, que gira em torno da misteriosa Oak Island, na região da Nova Escócia, no Canadá, foram revelados com exclusivadade a agência de notícias Johnston Press.

Uma equipe de pesquisadores experientes acredita, que eles tenham desenterrado uma evidência surpreendente, de que navios romanos visitaram a América do Norte na Antiguidade - "durante o primeiro século ou anteriormente" - e muito antes de Colombo ter desembarcado em 1492. As descobertas poderiam lançar uma nova luz sobre o mistério de Oak Island, que atualmente [e o foco de uma centenária caça ao tesouro, cujo centro das atenções está voltado para uma verdadeira armadilha montada a 70m de profundidade, conhecido como "poço do dinheiro".

A série do History Channel chamada "A Maldição de Oak Island" está em sua terceira temporada, e acompanha os irmãos Lagina em suas tentativas de descobrir o segredo de longa data da ilha.

Agora, o pioneiro pesquisador e investigador histórico J. Hutton Pulitzer, e que estrela o programa [A Maldição de Oak Island], apresentou um relatório um tanto quanto persuasivo e de grandes proporções, juntamente com um grupo de acadêmicos da AAPS (Sociedade para Preservação de Artefatos Antigos).

O investigador J. Hutton Pulitzer
As principais descobertas incluem uma espada romana encontrada submersa ao longo da costa de Oak Island - e que se acredita ser originária de um naufrágio romano. Pulitzer disse que esta espada é "100% confirmada", e a descreveu como uma "evidência incontestável" para fundamentar sua teoria.

"A espada cerimonial é originária de um naufrágio. É um artefato romano incrível", disse Pulitzer.

O objeto chegou a seu conhecimento, pela primeira vez, quando um homem entrou em contato com a produção da série para revelar a sua existência.

"Alguns anos atrás, um homem e seu filho estavam pescando vieiras nos arredores de Oak Island, quando perceberam que no rastro marisqueiro, na parte traseira do barco, havia um objeto pendurado. Quando eles ergueram o rastro, a espada veio junto", continuou.

"O pai a manteve por décadas, e quando ele morreu, a espada ficou com sua esposa, em seguida, com a filha do casal. Então, quando ela morreu muitos anos depois, a espada ficou com seu marido. Foi ele que veio até nós na ilha e disse: 'Acho que você deve saber sobre isto e onde foi encontrado'", prosseguiu.

J. Hutton Pulitzer (em primeiro plano) já participou da série
"A Maldição de Oak Island" com os irmãos Lagina (ao fundo)
Pulitzer alega que as propriedades metálicas complexas da espada coincidem com de outros artefatos romanos antigos.

"Eu dei início ao meu trabalho forense nele utilizando um analisador XRF - que é uma ferramenta arqueológica de ponta para analisar metais. Nós encontramos todos esses outros metais, que nos dizem que isso foi forjado a partir de minério que veio diretamente do solo. Tem a mesma assinatura de arsênio e chumbo nele. Temos sido capazes de testar essa espada em relação a outra semelhante a ela, e ambas são compatíveis. Isso vai contra tudo o que lhes foi ensinado", explicou.

"Exatamente o que mais poderia estar escondido devido a este misterioso naufrágio é desconhecido, uma vez que não foi investigado por mergulhadores. Surpreendentemente, existem milhares de naufrágios inexplorados na região da Nova Escócia, cuja maioria acredita-se que remontam ao século 18 e 19", continuou.

"O naufrágio ainda está lá e não tem sido explorado. Temos realizado escaneamentos, e sabemos exatamente onde ele está, mas será algo delicado para conseguir uma permissão do governo de Nova Escócia, para que uma equipe de arqueólogos examine-o. Nós sabemos, sem sombra de dúvidas, que é romano", disse.

"Acredito que esta seja a descoberta mais importante para as Américas - um evento que irá reescrever a história. Eles vão falar sobre isso muito rapidamente em 'A Maldição de Oak Island', mas algo como isso não deve ser como uma mera nota de rodapé em um programa de TV - isso é como o som de um tiro para ser escutado ao redor do mundo. Isso muda toda a nossa história deste lado do oceano", continuou.

Pulitzer disse que os principais historiadores muitas vezes descartam tais achados, sugerindo que artefatos que não estivessem em conformidade com a ortodoxia devem ter sido descartados por colecionadores em tempos mais modernos.

"É assim que eles que expressam o desprezo por ter que cogitar sobre isso. Porém, é um artefato romano bastante notório. A reação instintiva foi pensar que alguém colocou espada lá. Foi encontrada incrivelmente perto de Oak Island, submersa na água, a somente cerca de 7,5m profundidade. Entretanto, se você deixasse cair um objeto raro como esse no mar, você não iria mergulhar para buscá-lo?", indagou Pulitzer.

Suposto tamanho real da "espada romana" encontrada nos arredores de Oak Island
Em uma tentativa de demonstrar que a espada romana e naufrágio são mais do que mera coincidência, Pultizer e sua equipe examinaram a região ao redor da Nova Escócia, munidos de registros arqueológicos para ver se havia quaisquer outras 'coincidências'. Eles se voltaram para os nativos indígenas da Nova Escócia - o povo Mi’kmaq - que se acredita terem vivido em suas terras ancestrais por mais de 8.000 anos.

"O povo Mi’kmaq carrega o marcador de DNA mais raro do mundo, cuja origem remonta ao Antigo Levante (terras na costa leste do Mediterrâneo). Você não pode fraudar um DNA", disse.

O relatório detalha uma série de petroglifos Mi'kmaq (imagens esculpidas) nas paredes das cavernas e das rochas nas margens de rios da Nova Escócia. Algumas dessas imagens, descobertas pela primeira vez em 1800, mostram o que a equipe de Pulitzer acredita serem legionários romanos marchando com suas espadas (ou lanças) - e navios romanos.

Myron Paine, autor e ex-professor da Universidade Estadual da Dakota do Sul, nos Estados Unidos, ressalta que há numerosas pictografias antigas na região, que mostram viagens, uma aprendizagem avançada, símbolos estrangeiros, povos antigos e navegadores antigos.

"Há também 50 palavras no idioma Mi'kmaq, que são termos antigos relacionados a navegação marítima utilizados pelos antigos marinheiros da época romana, porém os Mi'kmaq não eram uma cultura que visava a exploração marítima", acrescentou Pulitzer.

Um dos petroglifos Mi'kmaq (imagens esculpidas) nas paredes das cavernas e das rochas nas margens de rios da Nova Escócia.
A equipe de Pulitzer acredita serem legionários romanos marchando com suas espadas ou lanças
"Outra coincidência muito interessante" é um arbusto presente em Oak Island e outro no continente, que está listado no Canadá como uma espécie invasora (Berberis Vulgaris).

"Isto foi usado por marinheiros antigos, incluindo romanos, para temperar a comida e combater o escorbuto. Isso cresce em Oak Island e por todo o trajeto até Halifax. Todas essas coisas, sinais e símbolos perfazem muito mais do que apenas uma mera coincidência", continuou.

De acordo com Pulitzer, duas pedras esculpidas em Oak Island também possuem um idioma originário do Antigo Levante. A primeira é a famosa "pedra dos 27 metros", que foi esculpida com símbolos estranhos e descoberta pela primeira vez em 1803, a 27 metros de profundidade no "poço do dinheiro". A segunda é chamada "pedra HO" - uma grande pedra que se acredita ter sido localizada no litoral e esculpida com códigos secretos para os marinheiros, porém mais tarde foi destruída por exploradores, que pensavam que o tesouro estaria escondido embaixo dela.

"Como alguém naquela época poderia ter falsificado aquilo? Eles não tinha conhecimento sobre esse idioma", indagou Pulitzer.

A "pedra HO" - uma grande pedra que se acredita ter sido localizada no litoral e esculpida com códigos secretos para os marinheiros,
porém mais tarde foi destruída por exploradores, que pensavam que o tesouro estaria escondido embaixo dela


Outras descobertas detalhadas no relatório incluem um apito de um legionário romano encontrado em Oak Island, em 1901, uma "saliência de metal" do centro de um escudo romano descoberto na Nova Escócia, em meados de 1800, e uma pequena escultura da cabeça de um romano encontrado na Cidade do México, em 1933, sob as fundações de um edifício pré-colonial, datada entre 1476 e 1510. Além disso, o que a equipe de Pulitzer acredita serem túmulos antigos, também foram localizados em águas rasas próximas da costa ocidental de Oak Island.

O professor James P. Scherz, que pertence a Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, ressalta que os "amontoados de terra" são compatíveis com os "amontoados funerários de antigos europeus e do Antigo Levante", mas não de nativos americanos.

"Estou inteiramente de acordo, que os amontoados de terra submersos são de origem estrangeira (estilo pertencente a navegadores antigos), e não são de nativos da Nova Escócia ou tradicionais de norte-americanos. Esse amontoados, em observância aos níveis oceânicos conhecidos da região, nos dão a possibilidade de datá-los entre 1500 a.C e 180 d.C.", disse o professor Scherz, no relatório.
Uma "saliência de metal" do centro de um escudo romano (foto) teria sido descoberto na Nova Escócia, em meados de 1800
Moedas de ouro romanas de Cártago também foram descobertas no continente, próximo a Oak Island. Foi dito que um determinado número de moedas foram encontradas enterradas no mesmo local.

"Nós tínhamos verificado a autenticidade delas por alguns dos melhores especialistas. Entretanto, no programa, eles dedicaram apenas 90 segundos para este assunto", disse Pulitzer.

Pulitzer e sua equipe não são os primeiros a apresentar uma teoria, onde diz que os antigos europeus visitaram as Américas, em tempos pré-colombianos - sendo que outras teorias também apontam como se os minóicos e os fenícios também tivessem visitado o continente. O relatório também faz referência ao estudioso do século 16, Marineo Siculo, que foi o primeiro a alegar que foram os romanos que descobriram o Novo Mundo, não Colombo.

Entretanto, segundo Pulitzer, com as novas descobertas e com a ajuda da ciência moderna, está mais do que na hora destes resultados serem levados a sério. Na verdade, ele alega que tais descobertas do passado tinham sido "esquecidas e nunca totalmente investigadas ", uma vez que elas não se encaixavam com a principal corrente da história do mundo.

Uma moeda supostamente romana, de Cártago, que teria sido encontrada na Nova Escócia
"Quando você coloca todas essas coisas juntas, e você olha para as anomalias, não é uma coincidência. As plantas, o DNA, os artefatos, a linguagem, os desenhos antigos - você tem algo que merece ser levado a sério", disse Pulitzer.

"Temos sido levados a acreditar que nada aconteceu neste lado do oceano antes de Cristóvão Colombo. Isso é um conceito induzido pela Igreja. Todos os registros antigos que existem, tornam muito claro que o mundo foi circunavegado e o mundo era redondo", continuou.

"Entretanto, quando a Igreja Católica e os romanos chegaram, todos os registros foram destruídos - então tivemos que meio que reaprender essas coisas. A história é politizada deste lado do oceano. Tem havido tanta politização de quem é nativo ou não, e qual foi a primeira nação, que ao aparecerem descobertas que visam mudar isso, se torna amplamente controverso", prosseguiu.

"O problema é que para reescrever a história, significaria reescrever cada livro de ensino e de curso universitário no mundo todo. Essa é a desvantagem. Acho que qualquer coisa que desafia a história é muito arriscado, muito perigoso e extremamente político. Porém, acho que o mundo amadureceu e história pode forçar a política a amadurecer", completou.

Falando sobre o relatório, ele disse que sua equipe de pesquisadores incluem especialistas e acadêmicos que são em grande parte "fora do sistema", por isso eles nada têm a perder ao apoiar teorias heterodoxas.

"Alguns são aposentados, e alguns deixaram o sistema por diversas razões. Apenas acho que todos nós devemos lutar pela verdade, e as pessoas devem ter a consciência disso por elas mesmas. Estamos apenas dizendo 'aqui está o que nós encontramos'", disse Pulitzer.

Tamanho do cabo ou "empunhadura" da espada romana supostamente encontrada em Oak Island
O professor Carl Johannessen, que anteriormente pertencia a Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, concorda com Pulitzer, dizendo: "Nossa pesquisa desafia a ortodoxia de 1492, uma vez que essa é data crucial de quando o Novo Mundo conheceu o Velho Mundo".

Elogiando o programa de TV, Pulitzer disse que "A Maldição de Oak Island" havia "capturado a imaginação das pessoas", oferecendo aos espectadores uma emocionante oportunidade de ver a história se desenrolar em seus aparelhos de televisão. Entretanto, ele criticou os produtores do programa por mostrarem pouco interesse em teorias alternativas, sem ser a dos Cavaleiros Templários. Como ele mesmo disse, "que é o que eles acham que o público está esperando ver".

"O Google irá dizer-lhe que a maioria das pesquisas relacionadas a 'Oak Island' também incluem uma referência aos Cavaleiros Templários. A televisão usa esta informação para atrair os fãs desses tipos de teorias. Porém, sou um historiador e pesquisador forense. Meu trabalho é não acreditar em qualquer teoria em particular, mas deixar que a evidência me diga para onde ir", disse Pulitzer.

Durante o programa, Pulitzer disse aos irmãos Lagina, que ele acreditava que a região de Oak Island tinha sido visitada no passado pelos Templários, mas que eles estavam "à procura de algo" - o mesmo que as equipes estão hoje.

"Acredito que muitas sociedades diferentes, mas que visavam a navegação chegaram até Oak Island, e o local era um importante ponto de parada para eles. Nós apenas esperamos que nosso relatório seja aberto ao diálogo, que irá reescrever a história como a conhecemos. Se conseguirmos, pelo menos, nos livrar dessa conspiração em torno de Colombo", completou.

"Acredito que, como seres humanos, nós evoluímos o suficiente para sermos capazes de lidar com a verdade agora. É hora da teoria ser refletida pela ciência de verdade. Mesmo se não houver ouro dentro de Oak Island, é um tesouro de trilhões de dólares que estão sendo descobertos na história para os nossos filhos e netos", concluiu J. Hutton Pulitzer.

O relatório da equipe da AAPS está programado para ser publicado integralmente no início de 2016.

Visite o site do Pulitzer para maiores informações.

A Repercussão Imeadiata Diante da Notícia Publicada no "Boston Standard"


De acordo com o próprio J. Hutton Pulitzer, a notícia sobre o que ele chama de "relatório de pesquisa", que ainda será revelado em sua totalidade no começo de 2016, repercutiu amplamente ao redor do mundo. Teriam sido mais de 100.000 compartilhamentos em apenas 48 horas, considerando todos os veículos de imprensa que estão propagando essa mesma notícia. Aliás, o texto é um tanto quanto empolgante, pois se for mesmo verdade, mostraria o quanto estamos defasados em termos históricos.

Entretanto, essa divulgação sem precedentes, evidentemente que chamaria a atenção dos mais céticos e de outros especialistas em desvendar eventuais farsas. Será mesmo que uma espada romana encontrada por "alguém", cujo nome sequer foi mencionado, estava em Oak Island? Seria mesmo uma espada romana? Será que ela seria "única" no mundo, e uma prova "incontestável" de que os romanos visitaram ou descobriram a América? Foram essas perguntas, que ao menos dois blogs, um deles pertencente ao antropólogo Andrew White, e outro pertencente ao autor e editor Jason Colativo, tentaram responder. Vamos conhecer suas opiniões e suas "novas descobertas" sobre esse caso?

O Blog do Arqueólogo Antropológico Andrew White


No dia 16 de dezembro, na mesma quarta-feira em que a notícia foi divulgada no jornal Boston Standard, Andrew White (conhecido simplesmente como Andy White), professor adjunto de pesquisa do departamento de Antropologia da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, escreveu um artigo em seu blog, questionando ferranhamente a forma como o texto havia sido publicado, bem como as declarações categóricas de J. Hutton Pulitzer. Apesar de Andy admitir que não era especialista em metais de armamentos antigos, muito menos de espadas romanas, ele inicialmente ressaltou dois trechos da notícia:

Agora, o pioneiro pesquisador e investigador histórico J. Hutton Pulitzer, e que estrela o programa [A Maldição de Oak Island], apresentou um relatório um tanto quanto persuasivo e de grandes proporções, juntamente com um grupo de acadêmicos da AAPS (Sociedade para Preservação de Artefatos Antigos).

As principais descobertas incluem uma espada romana encontrada submersa ao longo da costa de Oak Island - e que se acredita ser originária de um naufrágio romano. Pulitzer disse que esta espada é "100% confirmada", e a descreveu como uma "evidência incontestável" para fundamentar sua teoria.

Segundo Andy White, existem dois pontos bem evidentes que merecem ser destacados neste trecho. O primeiro deles é que Pulitzer afirma ter certeza absoluta, ter uma prova cabal, de que a espada é um artefato romano autêntico. A segunda é que ele diz que dará essa prova ao mundo em relatório um tanto quanto persuasivo e de grandes proporções.

"Alguns anos atrás, um homem e seu filho estavam pescando vieiras nos arredores de Oak Island, quando perceberam que no rastro marisqueiro, na parte traseira do barco, havia um objeto pendurado. Quando eles ergueram o rastro, a espada veio junto", continuou.

"O pai a manteve por décadas, e quando ele morreu, a espada ficou com sua esposa, em seguida, com a filha do casal. Então, quando ela morreu muitos anos depois, a espada ficou com seu marido. Foi ele que veio até nós na ilha e disse: 'Acho que você deve saber sobre isto e onde foi encontrado'", prosseguiu.
Então, na melhor das hipóteses, a espada mudou de mãos cerca de quatro vezes. Quando ela realmente foi encontrada? Por quem? Em qual local? São perguntas que não foram respondidas por J. Hutton Pulitzer. Neste ponto confesso, que se alguém faz uma descoberta na qual tem certeza que reescreverá a história, com certeza não irá querer divulgar suas fontes, nem mesmo o local da desoberta para evitar que outros caçadores de tesouros, de alguma forma, explorem a área, ainda que sem permissão, para conseguirem algum tipo de vantagem financeira.

Apesar de Andy White ter razão em seus dois pontos, isso ainda era muito pouco, e ele sabia disso, tanto é que pediu ajuda aos seus leitores, algo que provocaria uma possível reviravolta nessa história.

Andy White faz uma outra publicação naquele mesmo dia (16), e dessa vez as coisas começaram a ficar realmente interessantes, pois essa sua segunda postagem do dia daria início a uma série de outras, inclusive com a alegação por parte de Andy, que J. Hutton Pulitzer teria ameaçado processá-lo, devido a comentários falsos e difamatórios, que pessoas estariam fazendo em seu blog.

O antropólogo disse que não estava planejando realizar uma segunda postagem naquele dia, porém, segundo ele, quando o dever chama, você deve atender ao seu pedido. Foi assim que um leitor, que se identificou como Doug Crowell, o alertou para um site chamado "Roman Officer Arts & Design", no qual uma espada muito semelhante a encontrada em Oak Island é exibida. O site está relacionado a uma loja em South Beach, no estado Flórida, nos Estados Unidos, administrada por um homem chamado David Xavier Kenney.

Espada supostamente romana, que pertence ao acervo da Roman Officer Arts & Design,
em South Beach, no estado da Flórida, nos Estados Unidos
Para ficar mais fácil de compreender, Andy White chamou essa espada de "espada da Flórida", e a espada supostamente encontrada em Oak Island de a "espada da Nova Escócia". Assim sendo, a descrição de Kenney, que consta no site da Roman Officer Arts & Design, sobre a "espada da Flórida", a identifica como sendo uma espada ceremonial de gladiador romano feita de latão (uma liga metálica de cobre e zinco), com uma camada de chumbo e vestígios de adornos de ouro. Posteriormente ainda é escrito, que a peça é uma liga sólida de latão, e utiliza a técnica da cera perdida (método de escultura por moldagem). Veja mais detalhes, clicando aqui.

A espada, que dataria entre o século 2 e o início do século 3 d.C, teria chegado até Kenney através de um comerciante de arte da Holanda, sendo supostamente originária de uma coleção alemã. Ele ainda diz que a espada apareceu na série "Experiencing Rome".

Mais alguns detalhes da espada supostamente romana, que pertence ao acervo da Roman Officer Arts & Design
Segundo Andy White, o cabo das espadas da "Nova Escócia" e da "Flórida" são idênticos. Não haveria nenhum detalhe, até onde ele pode perceber, que poderia sugerir que vieram de moldes diferentes. As medidas também seriam bem consistentes. Kenney relata que a "empunhadora" da "espada da Flórida" mede cerca de 17,5 cm, que é exatamente a mesma medida que é mostrada na fita métrica ao lado da "espada da Nova Escócia".

Entretanto, o comprimento das lâminas das espadas parecem ser um pouco diferentes, ao menos em alguns centímetros de diferença. Na foto do artigo publicado no Boston Standard, a "espada da Nova Escócia" aparenta ter cerca de 50cm, enquanto Kenney diz que a "espada da Flórida" tem cerca de 46,5cm. Quando você redimensiona a "espada da Nova Escócia" para que o tamanho do cabo corresponda ao tamanho do cabo da "espada da Flórida", aparentemente uma é maior que a outra. Pode ser que uma ou até mesmo ambas tenham sido fotografadas em um ângulo um pouco oblíquo.

Comparativo do cabo ou empunhadura da "espada da Flórida" (à esquerda) com a "espada da Nova Escócia" (à direita)
Por fim, Andy White tentou relacionar e especular se David Kenney conhecia J. Hutton Pulitzer, e quais eram as chances que uma espada quase idêntica a dele fosse parar na Nova Escócia. Foi justamente essa postagem, como mencionamos anteriormente, que motivou uma reação um tanto quanto agressiva por parte de Pulitzer. Porém, apesar das ameaças, Andy não se deixou abater e continuou sua investigação.

Surge Uma Espada Semelhante na Califórnia, nos Estados Unidos


Na terceira postagem realizada por Andy White na última quinta-feira (17), surgiu a foto de uma nova espada, muito semelhante a "espada da Flórida" e da "espada da Nova Escócia". De acordo com informações do próprio Andy, um leitor, que não quis se identificar, enviou um email para ele sobre sua mais recente aquisição, que ele teria feito na Califórnia, nos Estados Unidos. Dê uma olhada na foto e em um trecho do email que ele escreveu (obviamente traduzido para o português):

Imagem enviada por um leitor de Andy White, de uma "espada romana" comprada na Califórnia
Outra imagem da "espada da Califórnia", mas dessa vez mostrando o que seria o lado oposto dela.
A "cauda" de pele de leão de Hercules é claramente visível.
"Dois meses atrás, eu comprei uma espada extremamente semelhante, quase exatamente a mesma... Na verdade, em comparação com as outras duas espadas, a minha possui uma melhor definição ou riqueza de detalhes. Você pode perceber a cabeça/pele de leão, bem claramente envolta sobre a cabeça de Hércules, e você pode notar as patas de leão sobre suas coxas. Ela estava sendo vendida como uma réplica, originalmente seu preço havia sido fixado em torno de US$ 200,00, mas acho que paguei apenas US$ 25,00, uma vez que não havia nenhum interessado nela. A espada mede 61cm de comprimento, cerca de 11cm a mais do que as outras duas espadas. A parte figurativa possui cerca de 17,5 cm, que é do mesmo comprimento que as outras. A única diferença que consigo notar, é que a lâmina da minha espada não é totalmente plana. A minha lâmina possui "sulcos", ou quaisquer que sejam os termos técnicos a respeito disso, e pelo que parece um monte de espadas possuem essas características"

Nesse ponto eu gostaria de destacar, que na tradução as medidas foram adaptadas, uma vez que estavam em polegadas. Existe, é claro, uma pequena variação na medida que tivemos que desconsiderar para encaixar no contexto fornecido pelo usuário em seu email. De qualquer forma, isso não interfere de maneira significativa no texto traduzido, certo?

Voltando a postagem realizada por Andy White, o mesmo disse quanto mais dessas espadas viessem à tona, mas provável seria, que finalmente fosse descoberta a fonte, ou seja, a verdadeira origem delas. Ele inclusive disse que apostava que a espada não pertencesse a Roma Antiga. Nem é preciso dizer que Andy "apelidou" essa espada como "espada da Califórnia". Entretanto, será que mais alguma espada surgiria?

Surge uma Espada Romana "Comemorativa" de Hércules Sendo Vendida no eBay


Antes de começarmos a contar rapidamente essa história, é necessário que você saiba o que é o eBay, afinal muitas pessoas podem sequer conhecer esse nome. O eBay é um serviço de comércio eletrônico, fundado nos Estados Unidos, mas que reúne milhões de vendedores no mundo todo, disponibilizando produtos novos e usados. Atualmente é o maior site do mundo para a venda e compra de produtos, sendo também considerado o mais popular "shopping" da internet. O nosso "MercadoLivre", por exemplo, é uma espécie de "sócio exclusivo" do eBay para a América Latina.

Pois bem, no dia 18 de dezembro (sexta-feira), Andy White fez mais uma postagem sobre a "saga" da espada romana que teria sido encontrada nos arredores de Oak Island, mas dessa vez de uma forma um tanto quanto inusitada. Com o título "It's Raining 'Roman Swords', Hallelujah!" ("Está chovendo 'Espadas Romanas', Aleluia!", em português), Andy aparentemente encontrou um anúncio de uma espada romana no eBay (o anúncio atualmente consta como expirado).

Foto da "espada romana", que estava sendo vendida no eBay


Por apenas €75 (cerca de R$ 325,00 pela cotação atual) qualquer pessoa poderia levar para casa uma espada comemorativa de latão/bronze com uma empunhadora de Hércules, que por sua vez, seria praticamente idêntica a que foi supostamente encontrada na Nova Escócia, em uma coleção na Flórida, e recentemente comprada por uma pessoa na Califórnia por cerca de US$ 25,00 (cerca de R$ 100,00).

Basicamente até então teríamos ao menos quatro espadas, que poderiam ter sido originadas a partir do mesmo molde, sendo que a espada, esta que estava sendo vendida no eBay, aparentemente não possui aquelas espécies de "sulcos" em sua lâmina. Porém, é difícil afirmar isso devido ao desgaste que a mesma possui.

Ainda em sua postagem, Andy fez questão de ressaltar o texto publicado no jornal Boston Standard, onde dizia que J. Hutton Pulitzer havia alegado que a espada encontrada na Nova Escócia teria como origem, um naufrágio de uma embarcação romana em Oak Island, e que o artefato era uma prova "incontestável" de que os romanos tinham descoberto a América, não Colombo.

"Reproduções Modernas de Espadas Romanas" São Vendidas Pela Internet


Em sua segunda postagem na última sexta-feira (18), Andy White comentou sobre um link postado por uma determinada pessoa no grupo do Facebook da Associação Canadense de Arqueologia, algo que ele considerou como "reproduções modernas de espadas romanas", que estão sendo vendidas no eBay. Ele apontou para um anúncio (pelo menos este ainda está ativo), de um vendedor chamado "designtoscanocatalogs", sendo que o mesmo estaria vendendo a reprodução de uma "espada de gladiador de Pompéia" pelo valor de US$ 27,90 (cerca de R$ 110,00). Vamos a descrição do item:

"Em homenagem ao artesanato e técnica de forjar metais do Império Romano, nossa réplica exclusiva de museu, é um molde de ferro em seu estado bruto de fundição, tais como aqueles encontrados em Pompéia. Esta réplica extraordinariamente pesada possui detalhes característicos, tornando-se um belo presente para si mesmo ou para quem gosta de história ou artefatos romanos".

Foto de um exemplar de "espada romana moderna", que pode ser encontrada para vender em diversos sites na internet
O estilo (design) criado na empunhadura da espada é muito similar as espadas de latão/bronze da Flórida, Califórnia, Itália (através do eBay), e da Nova Escócia. A parte interessante da descrição é justamente aquela que menciona que a espada é uma réplica de um museu, ou seja, a descrição certamente implica que o estilo é baseado em um artefato real romano, e dá uma origem geográfica. Veja também no site da "Design Toscano".

Em um dos comentários da postagem realizada por Andy, uma leitor chamado Michael Wehar, disse ter descoberto a possível origem da espada. Ele disse que acessou um site chamado "Ancient Sculpture Gallery", e o mesmo estaria vendendo essa mesma "reprodução moderna da espada romana", sendo identificada como um item cuja reprodução seria idêntica a de um museu. Porém, qual seria esse museu?

Screenshot do site Ancient Sculpture Galley mostrando que a espada seria uma réplica
de outra existente no museu de Nápoles, na Itália
A descrição poderia nos fornecer uma pista preciosa sobre ele. Reparem no começo da descrição: "Espada de Gladiador de Pompéia. Réplica de ferro em seu estado bruto de fundição do Museu de Nápoles...".

Resumindo, teria uma espada romana semelhante a que foi encontrada em Oak Island no museu de Nápoles, na Itália? Isso é algo que ainda não sabemos, porque nem o Andy, nem seus leitores, encontraram nenhuma imagem disponível na internet sobre alguma espada semelhante em algum museu italiano. O que se sabe até então é que essa mesma "réplica moderna" é vendida no Walmart (EUA) e na Amazon.

As Possibilidades do que Estaria Ocorrendo Segundo Andy White e a Mudança no Tom das Declarações de J. Hutton Pulitzer


Após a insana sequência de postagens mostrando "espadas romanas" muito semelhantes entre si, o antropólogo Andy White resolveu escrever uma postagem um tanto quanto extensa, apontando diversas possibilidades do que estaria acontecendo diante da revelação de ter sido encontrada uma espada romana ao longo da costa de Oak Island. Porém, não foi apenas isso que ele publicou. Ele também apontou uma interessante mudança no tom das declarações de J. Hutton Pulitzer, bem como que o texto publicado no jornal Boston Standard havia sido alterado, sem nenhum tipo de aviso, na última sexta-feira (18).

Vamos começar aqui a transcrever as possibilidades citadas por Andy White.

Possibilidade nº1: Todas as espadas de latão/bronze são espadas romanas autênticas. Segundo Andy, isso seria completamente improvável de acontecer diante de tantas espadas semelhantes que surgiram.

Possibilidade nº2: Algumas das espadas são autênticas e o restante são meras cópias. Segundo Andy, isso seria possível, mas ele acredita ser improvável. A vantagem de Pulitzer, no entanto, é que as cópias geralmente são piores do que as originais. A "melhor" espada que Andy White viu até então teria sido a "espada da Califórnia", que foi comprada por cerca de US$ 25,00, sendo que não há como dizer que aquela espada é a cópia da espada de Pulitzer, pois ela apresenta detalhes, que supostamente teriam desaparecido com o tempo na espada de Pulitzer.

Possibilidade nº3: Todas as espadas de latão/bronze são consideradas modernas, ou seja, fabricadas em algum momento durante os últimos cem anos. Segundo Andy, isso é certamente possível, e que talvez essa seja a explicação mais simples em relação a espada da Nova Escócia. É possível, por exemplo, que todas as espadas tenham sido produzidas como souvenirs decorativos para o comércio turístico vitoriano no Mediterrâneo (como por exemplo, para ser vendido para os viajantes ricos que faziam grandes excursões pela Itália romana). Andy disse que não pode provar isso, mas que essa seria uma possibilidade real.

Possibilidade nº4: Existe uma autêntica espada romana ou grega em algum lugar que serviu como modelo para todas essas outras espadas. Segundo Andy, isso também seria possível. Ele disse estar ciente de que tal "modelo" antigo de espada ainda não foi identificada. Ela poderia ou não existir. Entretanto, ele estaria certo de que a espada original não foi encontrada submersa em Oak Island, uma vez que, como seria possível reproduzir tantas cópias de uma espada que ninguém sabia como era?

Interessante, não é mesmo? Porém as coisas ficariam mais estranhas a partir do que viria a seguir.

No texto originalmente publicado pelo Boston Standard, Pulitzer declarou que a espada da Nova Escócia, era "100% confirmada", lembram disso? Essa seria uma declaração inequívoca de seu trabalho e não havia um pingo de dúvida de sua parte de que o artefato era uma autêntica espada romana da antiguidade. Aparentemente, no entanto, ele mudou o tom de sua declaração em uma postagem escrita por ele mesmo na tarde do dia 18 (sexta-feira):

"Logicamente qualquer um deve questionar a descoberta de uma única espada fora de seu contexto, e vocês podem apostar que estamos trabalhando arduamente para verificar sua autenticidade"
Trecho de um texto publicado por J. Hutton Pulitzer no site "Investigating History"
Ainda estão trabalhando para verificar sua respectiva autenticidade? Não estava "100% confirmado"? Por que escrever isso justamente dois dias depois? Estavam esperando a notícia repercurtir pelo mundo inteiro e gerar mais de 100.000 compartilhamentos? Estranho, não é mesmo?

Segundo Andy, a existência de espadas semelhantes complica e muito a situação de Pulitzer. Ainda mais porque no texto original, Pulitzer havia "testado" sua espada (cuja autenticidade seria "100% confirmada"), comparando a composição do metal com a de outra espada, que ele também acredita ser autêntica. Andy supõe que seria a "espada da Flórida", mas ele não pode fazer tal afirmação. Porém, se a espada de referência também não for autêntica, então o teste feito por Pulitzer é completamente inútil. Por exemplo, imagine duas espadas decorativas sendo forjadas a partir do mesmo molde na cidade de Milão, em 1850. O teste mostraria que ambas tem a mesma composição, porém não pertenceriam a Roma Antiga.

Sem dúvida alguma este é um problema de grande relevância para a história contada por Pulitzer. Assim sendo, ele começou a tentar descobrir como explicar a existência de múltiplas outras espadas, e que são parecidas com a dele. Em uma postagem no mínimo curiosa, também publicada na sexta-feira (18), em um site chamado "History Heretic", que pertence ao próprio J. Hutton Pulitzer, ele tentou disseminar a ideia de que as novas espadas, que estavam aparecendo desde seu pronunciamento, era o resultado de pessoas tentando capitalizar em torno de sua notícia, ou seja, que elas estariam rapidamente fabricando espadas para ganhar dinheiro. Ele até mesmo sugeriu que algumas das espadas não existiam:

"Leve essa notícia sensacional adiante, clone as fotos, veja se você consegue vender toneladas delas, e fazer um bom dinheiro com isso. Isso é o capitalismo oportunista!"
Trecho de um texto publicado por J. Hutton Pulitzer no site "History Heretic"

De acordo com Andy White, escrever isso é uma completa bobagem. Qualquer um pode notar que a "espada da Califórnia", é uma espada bem diferente da "espada da Nova Escócia", uma vez que aquela outra espada preserva mais detalhes, que não foram apagados pelo tempo ou condições de conservação. A espada que estava sendo vendida no eBay também é real. Aliás, Andy diz que está ciente de quem comprou a espada (teoricamente um leitor chamado "Peter Geuzen"), e que a mesma estava sendo vendida desde o mês de setembro.

Como se isso tudo não bastasse, ainda na sexta-feira (18), o texto publicado no jornal Boston Standard foi editado, e não houve qualquer menção sobre isso. Confira como era um determinado trecho original do texto:

"Agora, o pioneiro pesquisador e investigador histórico J. Hutton Pulitzer, e que estrela o programa [A Maldição de Oak Island], apresentou um relatório um tanto quanto persuasivo e de grandes proporções, juntamente com um grupo de acadêmicos da AAPS (Sociedade para Preservação de Artefatos Antigos).

As principais descobertas incluem uma espada romana encontrada submersa ao longo da costa de Oak Island - e que se acredita ser originária de um naufrágio romano".

Veja como esse mesmo trecho está escrito desde a última sexta-feira (18):

"Agora, o investigador histórico J. Hutton Pulitzer, que já havia participado anteriormente da série, apresentou um relatório um tanto quanto persuasivo e de grandes proporções, juntamente com um grupo de acadêmicos da AAPS (Sociedade para Preservação de Artefatos Antigos).

Ele alega ter evidências de uma espada romana encontrada submersa ao longo da costa de Oak Island- e que se acredita ser originária de um naufrágio romano"
Notaram as diferenças? Em primeiro lugar, Pulitzer não é mais citado como pesquisador pioneiro e nem mesmo que "estrela" a série "A Maldição de Oak Island". Em segundo lugar, o pronunciamento a respeito da espada romana está agora situado na frase "alega ter evidências", ao invés de ser anunciada como uma "descoberta". De qualquer forma, o trecho seguinte e relativo ao "100% confirmado", permanece o mesmo.

Andy White não sabe a razão pelo qual o texto publicado no Boston Standard sofreu alterações, porém ele diz que sentiria vergonha de ter feito parte de algo assim, se tivesse sido o autor do texto. Andy ainda mencionou o caso como sendo o "Swordgate", em alusão ao caso Watergate, um escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon eleito pelo Partido Republicano. "Watergate" de certo modo tornou-se um caso paradigmático de corrupção. O clima está realmente quente entre Andy White e J. Hutton Pulitzer!

Por fim, Andy White disse que o caso não iria parar por aí, dando indícios claros que continuaria realizando investigações independentes para provar uma eventual "farsa" de J. Hutton Pulitzer. Provavelmente teremos novas postagens nesse sentido daqui pra frente, e manteremos vocês atualizados sobre o "Swordgate".

O Blog do Autor e Editor Jason Colavito e As Suas Contestações


No dia 13 de outubro deste ano, eu publiquei aqui uma história sobre uma suposta descoberta de "gigantes" na Amazônia. Na postagem que eu fiz, eu contei com a ajuda de um artigo muito interessante de Jason Colativo, autor de diversos livros e trabalhos quando o assunto se trata arqueologia, ciência, pseudociência e ficção especulativa. Ele inclusive já forneceu assistência em termos de pesquisas e consultoria para diversos programas do History Channel e NatGeo. Seu trabalho também já foi divulgado pela respeitada "Skeptic Magazine".

Consultei seu blog enquanto estava escrevendo essa matéria e encontrei um artigo interessante sobre essa suposta espada romana, que teria sido descoberta ao longo da costa de Oak Island, ou seja, não é apenas Andy White que está desconfiado sobre esse assunto. Assim sendo, será justamente sobre esse artigo que iremos comentar a partir de agora.

De acordo com Jason Colavito, a declaração que uma espada romana poderia reescrever a história, foi publicada em um jornal regional britânico "obscuro", o "Boston Standard", no qual seria um lugar muito estranho para anunciar a descoberta de um artefato tão importante quanto se diz ser. Porém, seria o local perfeito para pessoas como Pulitzer, que tentam injetar ideias sem nenhum tipo de embasamento em relação a corrente principal da história, infiltrando-as em pequenas e "obscuras" publicações com baixos padrões editoriais, na esperança de que eles vão legitimar as suas ideias não convencionais.

Jason Colavito
Para Jason, é difícil não pensar que Pulitzer tenha escolhido o "Boston Standard", pois ele poderia ser facilmente confundido com um jornal da cidade de Boston, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Logo, ofereceria um prestígio muito maior. Entretanto, uma vez que Pulitzer resolver falar diretamente com a "Johnston Press", responsável pelo "Boston Standard", talvez não seja esse o caso.

Aparentemente, a espada estava programada para ser apresentada ao público em "A Maldição de Oak Island", nesta terceira temporada, mas Pulitzer parece que queria divulgar sua versão da história para o mundo, antes que o episódio fosse ao ar. A espada talvez fosse mostrada rapidamente em Oak Island, o que sugere que os irmãos Lagina, as verdadeiras estrelas da série, podem não ter dado muito crédito a história contada por Pulitzer. Aliás, vale lembrar que Pulitzer aproveitou o espaço no "Boston Standard" para reclamar que a produção do programa não lhe deu tempo suficiente, uma vez que a série não estaria interessada em nada além do que os Cavaleiros Templários.

Em sua entrevista publicada no "Boston Standard", Pulitzer disse que a espada tinha sido descoberta alguns anos atrás. Depois ele disse "algumas décadas", por um indivíduo não identificado, que supostamente manteve a espada escondida. Vale lembrar, nessa altura dos acontecimentos, que a "caça ao tesouro" sem permissão em Oak Island é ilegal desde 2010. Será que a espada foi descoberta entre 2010 e 2015 e tanto o dono, quanto Pulitzer ficaram com medo do artefato ser confiscado pelo goveno da Nova Escócia? Evidentemente, Pulitzer não forneceu nenhum documento para confirmar o local onde a espada havia sido encontrada, nem mesmo quando.

J. Hutton Pulitzer embasa suas alegações em uma série de suposições não comprovadas de terceiros. Segundo Jason Colativo, entre elas estaria a falsa alegação de que os romanos usavam bérberis, (Berberis vulgaris) para combater o escorbuto, e que teriam deixado a mesma plantada em Oak Island (a espécie teria chegado à América juntamente com os europeus no período colonial).

Ele também diz que o povo Mi'kmaq possui DNA do Antigo Levante, algo que seria baseado uma alegação histórica não convencional de um site chamado "DNA Consultants", no qual diz que o Haplogrupo X do povo Mi'kmaq, relaciona-o ao antigo Oriente Médio, algo que muitos especialistas em DNA contestam. Ele ainda argumenta que o povo Mi'kmaq preserva cerca de 50 palavras (termos) relacionados a navegação romana, embora ele não cite nenhum deles. Uma vez que o povo Mi'kmaq têm uma longa história de interação com navegadores franceses, e o francês é uma língua românica, se houver qualquer tipo agregação latina, ele vai precisar provar que não foram mediadas através do idioma francês, certo?

Seguindo com que Pultizer disse, ele alega que um naufrágio ao longo da costa de Oak Island está "100% confirmado" de ser de origem romana, embora sua única evidência seja um escaneamento do fundo do mar, o qual ele se recusou a compartilhar. Considerando exploradores tais como Barry Clifford, que foram duramente pressionados para distinguir entre naufrágios europeus e asiáticos, ou aqueles da Idade Média e períodos mais recentes, seria difícil de acreditar que Pultizer, contando com uma perspicácia impecável, alegue que o governo da Nova Escócia não o deixe explorar o naufrágio, o que implica que ele nunca tentou fazer isso.

Pulitzer também alega que a Igreja Católica destruiu todos os registros de contato pré-colombiano com o Novo Mundo, o que é estranho, já que o primeiro registro de uma viagem ao Novo Mundo, o relato de Adam de Bremen de uma travessia Viking para a Vinlândia, ocorre em "Gesta Hammaburgensis Ecclesiae Pontificum 4.38", uma obra do século XI da história da Igreja, oficialmente encomendada pelo Arcebispo de Bremen. Na verdade, a Igreja Católica não apoiou oficialmente as alegações de uma descoberta européia pré-colombiana da América, antes que a descoberta de L'Anse-aux-Meadows provasse isso.

Pulitzer disse que os historiadores modernos acompanham a supressão feita por parte da Igreja, porque "reescrever a história, significaria reescrever cada livro de ensino e de curso universitário no mundo todo". Jason Colavito então pergunta: você realmente acredita que as editoras que publicam livros didáticos, que cobram um bom dinheiro por edições que já são atualizadas, mas que sempre encontram algo para atualizar a cada 2 ou 3 anos, não ficariam admiradas e encantadas em forçar bibliotecas, universidades e estudantes a terem que comprar novos livros mais uma vez? Pois é.

Jason elogiou o trabalho feito pelo blog de Andy White por tentar descobrir a verdade sobre a suposta espada romana encontrada em Oak Island, ressaltando que o proprietário atual da "espada da Flórida", David Xavier Kenney, que teria 60 anos, é um difusionista que acredita que os povos europeus antigos, especialmente os romanos, mantinham contato frequente com a América. Segundo Jason, o Sr. David Kenney também cria reproduções de oferendas votivas romanas para vender, e alguns acusam seus artefatos de serem falsificações grosseiras.

Enfim, segundo Jason Colavito, todos os indícios apontam para que espada romana de Pultizer não seja realmente o que ele diz ser. Talvez seja apenas uma tentativa de Pultizer para ganhar mais atenção, através de um jornal britânico regional, devido a uma série que teoricamente impulsiona sua credibilidade, ainda que ele dessa vez tenha criticado seus produtores. Estranho, não é mesmo, Assombrados?

Considerações Finais


Confesso que eu estava bastante empolgado quando li a notícia sobre a descoberta de uma espada romana em Oak Island. Fiquei admirado em pensar quantas surpresas a terceira temporada da série "A Maldição de Oak Island" poderia nos reservar. Porém, ao procurar um pouco mais sobre o assunto e ir atrás de fontes sólidas, que pudessem contestar de "igual para igual" outras pessoas da área, vi que não era tão simples assim e não compensava trazer para vocês algo incompleto. Foi assim que decidi trazer as opiniões de Andy White e Jason Colavito, mas deixando um amplo espaço para a entrevista cedida por J. Hutton Pulitzer para a jornalista Gemma Gadd da Johnston Press, que posteriormente foi publicada no jornal britânico regional chamado Boston Standard. É importante que vocês considerem os dois lados da moeda, quer dizer, neste caso, da espada. Afinal, esse é realmente um assunto de dois gumes.

Enquanto eu escrevia e traduzia o conteúdo para esta matéria, vi hoje (20) que Andy White fez uma outra postagem, comentando mais enfaticamente em torno da possibilidade nº 3 anteriormente citada por ele. Porém, não trouxe esse material adicional, uma vez que possui um teor mais especulativo, e porque ainda ninguém, nem mesmo Andy, tem a prova cabal sobre a verdadeira origem da espada, que teria sido encontrada submersa ao longo da costa de Oak Island. Temos fortes indícios, é claro, que ela não seja de fato pertencente a época da Roma Antiga, e que toda essa divulgação não passe de uma farsa criada por J. Hutton Pulitzer. Isso pode comprometer e muito a credibilidade da série "A Maldição de Oak Island", bem como a reputação do History Channel, que não anda nada boa depois de "documentários" sobre a captura de um suposto "Pé-Grande" na Rússia, e sobre Hitler, que foram considerados verdadeiros fiascos no segundo semestre desse ano.

É importante que você saiba que essa espada não foi descoberta na terceira temporada de Oak Island e teoricamente, nem mesmo dentro de Oak Island, mas sim, de acordo com Pulitzer, ao longo de sua costa e talvez até mesmo algumas décadas atrás. Não sabemos quem era o antigo dono da espada, quando ela teria sido descoberta, nem mesmo em qual região ou local ela teria sido descoberta. O que temos nessa matéria do blog AssombradO.com.br é um verdadeiro duelo entre uma possível farsa e aqueles que se dedicam a descobrir a verdade e mostrar a vocês que nem tudo que é divulgado pelos grandes veículos de imprensa é verdade. Assim como uma farsa pode ganhar força através de pequenos jornais regionais, a verdade também pode emergir de pequenos blogs, tanto de profissionais e professores respeitados, quanto aqueles, que assim como nós, tem a missão de oferecer a você um conteúdo de qualidade, digno da confiança a qual vocês depositam diariamente em nós.

Nosso compromisso é sempre com a verdade, e caso tenhamos informações mais concretas e pertinentes sobre esse assunto, faremos questão de atualizar essa matéria (com certeza ela será atualizada) para que vocês finalmente conheçam o desfecho dessa saga, que pelo menos desta vez, deverá ser brevemente solucionada. Só espero, é claro, que a dimensão disso não prejudique uma série que tanto eu, quanto a maioria de vocês, nossos leitores, tanto apreciam. Prender a atenção do público faz parte, enganá-los não deveria ser aceitável quando se trata de assunto tão nobre quanto nossa própria história.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://historyheretic.org/2015/12/18/romans-discovered-ebay-and-how-to-verify-a-historic-artifact/
http://romanofficer.com/roman_officer_permanent_collection/HerculesGladius.html/HerculesGladiusTwo.htm
http://www.amazon.com/Design-Toscano-Gladiators-Sword-Pompeii/dp/B009QU8BDI/ref=sr_1_fkmr1_1?ie=UTF8&qid=1450476908&sr=8-1-fkmr1&keywords=tuscany+design+gladiator+sword
http://www.andywhiteanthropology.com/blog
http://www.bostonstandard.co.uk/news/local/startling-new-report-on-oak-island-could-rewrite-history-of-the-americas-1-7118097
http://www.designtoscano.com/product/gladiator%26rsquo-s+sword+of+pompeii+-+sp1086.do?from=Search&cx=0
http://www.jasoncolavito.com/blog/j-hutton-pulitzer-alleges-a-roman-sword-was-found-off-oak-island-several-decades-ago
http://www.johnstonpress.co.uk/about-us
http://www.unexplained-mysteries.com/forum/index.php?showtopic=289553&st=30&p=5718238&#entry5718238
https://en.wikipedia.org/wiki/Berberis_vulgaris
https://en.wikipedia.org/wiki/Boston,_Lincolnshire
https://en.wikipedia.org/wiki/Johnston_Press
https://medium.com/@InvestigatingHistory.org/roman-sword-cuts-through-history-d7c65cd2b88b#.fgxilohpc
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