21 de outubro de 2015

Os Inusitados Velórios Realizados Por Uma Funerária de San Juan, em Porto Rico


Por Marco Faustino
 
Se despedir ou dar o último adeus a um ente querido muitas vezes é situação bem díficil para alguns familiares, mas parece que uma funerária de San Juan, capital de Porto Rico, resolveu mudar um pouco os paradigmas tradicionais quando se trata de velórios. Esta notícia saiu recentemente em sites brasileiros como G1, Último Segundo, entre outros e quase sempre com um texto muito curto. Tentaremos trazer um pouco mais de informação sobre isso para vocês. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Tudo parecia transcorrer normalmente e com certa tranquilidade no bairro de San Jose, da cidade de San Juan, em Porto Rico, mas para surpresa de muitos que passavam em frente ao bar Carmín, dentro do mesmo estava acontecendo um velório, por mais que pouca coisa indicasse isso. Um homem sentado em frente a uma mesa de plástico branco com peças de dominó sobre a mesma, vestindo um agasalho esportivo azul da Adidas, usando um terço no pescoço (sendo que em outras fotos aparece uma corrente de ouro), boné azul e óculos escuros, permanecia sempre na mesma posição, diante de uma jogada que nunca terminou. E o motivo? Ele estava morto.

Jomar Aguayo Collazo, 23 anos, foi morto durante uma troca de tiros no dia 11 de outubro, um domingo. Naquele dia ele não foi a única pessoa, que foi supostamente assassinada devido ao tráfico de drogas. Ele e mais 2 pessoas morreram naquela ocasião, mas somente ele teve um velório tão peculiar e "extravagante" quanto esse. Além disso, mais 4 pessoas ficaram feridas devido ao tiroteio.

O jovem Jomar Aguayo foi morto poucos dias depois de completar 23 anos
A mãe de Jomar Aguayo é a proprietária do bar onde o filho foi velado e sempre frequentava para beber e jogar partidas de dominó. Ela mesma decorou o ambiente com bolas de gás (ou bexigas, como quiserem) coloridas, uma menção clara ao aniversário de Jomar, visto que o jovem tinha feito aniversário no dia 8 de outubro, ou seja, alguns dias antes de ser morto.

O pai de Jomar, o Sr. José Aguayo Calderón, estava bem desolado no velório e disse que ele era seu filho mais novo. O Sr. José Aguayo disse que a ideia de velar o jovem daquela forma foi ideia da mãe, da irmão e da irmã de Jomar, que por sua vez disse que o estavam velando no bar desde a noite do dia 17 (sábado passado), sendo que a primeira notícia sobre este caso foi publicada no dia 18 (domingo passado) no site de notícias local chamado Primeira Hora.

Não há muita informação sobre como os assassinatos ocorreram, mas o pai acrescentou que um jovem pediu para sair do bar, pouco tempo antes da troca de tiros começar. Segundo a polícia local, Jomar tinha passagem por tráfico de drogas e teria sido encontrada uma arma com ele. Jomar foi enterrado às 10h da última segunda-feira (19), no cemitério de San Juan.

Wilmer Rivera, primo de Jomar Aguayo, sente-se ao seu lado durante o velório


Um Pouco Sobre a Funerária Marín


Independente da perda de um ente querido, seja devido ao tráfico de drogas ou eventualmente um crime cometido pela própria polícia, o ponto central desta notícia é a funerária Marín, que desde 2008 realiza funerais no mínimo "extravagantes". Ela é bem conhecida em San Juan por embalsamar os corpos e prepará-los de uma maneira bem "incomum".

Angel Luís "Pedrito" Pantojas, foi o primeiro a ter um velório
"incomum", em Porto Rico, no ano de 2008
"Algumas pessoas pedem para simular como se estivessem jogando com eles... enquanto outros jogam bilhar, bebem, dançam ou escutam música, como fariam em qualquer bar", disse Elsie Marín, proprietária da funerária, que em seguida elogiou sua própria obra em relação ao velório de Jomar.

"Este foi o melhor em termos de detalhes", continou Elsie.

"Não parece algo de mau gosto, porque todo mundo tem o direito de ser velado como quiser. Pode ser considerado uma obra de arte", prosseguiu Marín, ao reconhecer que a sua funerária se especializou em fazer este tipo de velório "não convencional".

"Há uma opinião bem dividida sobre esse assunto, mas a nossa funerária se limita a prestar um bom serviço e agradar aos clientes", finalizou Marín, apontando que os custos deste tipo de velório, não são maiores do que os valores praticados por um velório "convencional".

A funerária Marín também já foi responsável por outros velórios um tanto quanto inusitados no passado, como o caso de um boxeador, que foi colocado dentro do ringue onde lutava, uma senhora idosa descansando em sua cadeira de balanço, um homem sentado em sua moto, entre tantos outros que iremos colocar algumas fotos logo abaixo. Para conferir os demais casos, basta acessar os links que estão nas fontes desta notícia.

David N. Morales Colón, de 22 anos, foi velado na própria funerária Marín, em abril de 2010

Edgardo Velazquez foi velado em julho de 2010 em uma de suas ambulâncias. Ele era paramédico.

O boxeador porto-riquenho Christopher Rivera, que foi assassinado em janeiro de 2014,
foi colocado em um canto do ringue, como se estivesse pronto para lutar

A octogenária Georgina Chervony Lloren foi velada em maio de 2014 em sua cadeira de balanço

A Secretaria de Saúde de Porto Rico, por sua vez, não tem como proibir este tipo inusitado de velório, uma vez que não dispõe de nenhum meio legal que obrigue um familiar a colocar um corpo de um ente querido deitado, ou seja, horizontalmente dentro de um caixão. Imagina se a moda pega por aqui.

Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.univision.com/puerto-rico/noticias/muertes/lo-velan-jugando-domino-en-el-bar-de-su-madre
http://www.primerahora.com/noticias/puerto-rico/nota/lovelanjugandodominodentrodeunbarenriopiedras-1115096/
http://www.milenio.com/cultura/Puertorriqueno_es_velado_en_bar_jugando_domino-velorio_insolito-funeral_diferente_0_613138713.html
http://www.nacion.com/vivir/Vela-jugando-polemica-Puerto-Rico_0_1519048200.html
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