13 de outubro de 2015

"Gigantes" na Amazônia? A Estranha Matéria Publicada Por Um Site de Notícias de Cuenca, no Equador


Por Marco Faustino
 
Com certeza o tema "gigantes" é um dos que mais fascinam as pessoas. Há diversos documentários, postagens e até mesmo fotos espalhadas pela internet de supostas descobertas de "gigantes". Muito provavelmente você que nos acompanha já deve ter visto alguma. Dessa vez um site de notícias da cidade de Cuenca, no Equador, publicou uma matéria sobre esqueletos "surpreendentemente altos" descobertos na região da Amazônia equatoriana e peruana. De acordo com uma equipe de pesquisa liderada pelo antropólogo britânico Russell Dement, os esqueletos estariam sendo analisados na Alemanha.

Será que esses restos mortais provariam que uma raça de pessoas com uma estatura bem acima da média, existia há centenas de anos nas profundezas da floresta amazônica ou será que tudo isso não passa de um mero boato? Vamos saber mais sobre esse assunto?

A Matéria da Revista Eletrônica "Cuenca High Life"


Antes de falarmos sobre a notícia em si, temos que comentar sobre o site Cuenca High Life. Segundo informações do próprio site, o mesmo teria sido criado em junho de 2008, por David Morrill, um ex-jornalista, ex-colunista de jornais e revisor de arte, que se mudou para Cuenca em 2004.

Segundo eles, independentemente de todas as mudanças que ocorreram desde sua criação, a missão do site Cuenca High Life permanece o que sempre foi: publicar notícias, análises e opinões sobre a cidade de Cuenca, do próprio Equador e da América Latina, assim como todas as particularidades da próspera comunidade de expatriados (termo geralmente utilizado uma pessoa que reside em outro país, diferente daquele em que nasceu, temporariamente ou então permanentemente) de Cuenca, em benefício dos expatriados atuais e também dos que decidirem morar na cidade futuramente. Resumindo: é um site de notícias em inglês, feito primordialmente por aposentados britânicos, para pessoas que decidem morar na cidade, e que obviamente dominem o inglês.

Imagem do Google Maps mostrando a localização da cidade de Cuenca em relação a Quito, capital do Equador
Em uma notícia publicada no dia 5 de outubro deste ano, por uma pessoa chamada Liam Higgins (que não possui qualquer identificação no site), foi dito que um antropólogo britânico informou que ele finalmente havia encontrado os gigantes da Amazônia que ele estava procurando.

Embora Russell Dement tenha dito que uma tribo de gigantes, tenha praticamente desaparecido ou então tenha sido dizimada, ele e uma equipe de pesquisadores alemães escavaram dois assentamentos na região da Amazônia equatoriana e peruana, encontrando seis esqueletos humanos que mediam entre 2,13m a 2,43m. Ele ainda disse que um dos esqueletos datavam por volta do início do ano de 1400 e um outro do início do ano de 1500.

"Ainda estamos no começo da nossa pesquisa, e apenas consigo fornecer uma visão geral do que nós encontramos", disse Russell.

"Não quero fazer afirmações com base em especulação, uma vez que nosso trabalho está em andamento. Devido ao tamanho dos esqueletos, isto tem implicações médicas e antropológicas", completou.

Dois dos esqueletos teriam sido enviados para a Universidade Livre de Berlim (Freie Universität Berlin ou FU Berlin), na Alemanha, para serem analisados, incluindo um que mede cerca de 2,43m de altura, enquanto os outros permanecem no sítio arqueológico, no Equador.

Mapa mostrando a extensão da Floresta Amazônica
Russell disse que já ouvia falar sobre uma raça de pessoas de grande estatuta na Amazônia há mais de 25 anos, uma vez que ele estudou as comunidades indígenas amazônicas de Shuar, uma derivação da tribo dos Jivaros (nome dado pelos europeus, cujo sinônimo seria "selvagem").

"Os anciões das comunidades contavam uma história sobre pessoas muito altas, de pele clara, e que viviam nas proximidades. Eles os descreviam como pessoas pacíficas, gentis, e que foram sempre bem-vindos em suas aldeias", disse Russell.

De acordo com o "Cuenca High Life", histórias de gigantes amazônicos são conhecidas há mais de 100 anos, desde que os primeiros antropólogos fizeram contato com tribos amazônicas. Uma das primeiras menções a gigantes, estaria em um artigo de um jovem pesquisador e antrópologo alemão chamado "Franz Bosch", que ouviu falar sobre isso a partir de uma comunidade de índios Shuar, a sudeste de Cuenca. Bosch, no entanto, seria mais conhecido por seu estudo sobre encolhimento de cabeças, no qual infelizmente ele mesmo acabou se tornando vítima.
Universidade Livre, localizada em Berlim, na Alemanha

"Há pouquíssimas referências aos gigantes na literatura científica, até mesmo porque os Shuar insistem em dizer que eles pertenciam ao 'mundo dos espíritos', e sempre se acreditou que eles fossem uma lenda e não um fato", continuou Russell.

O que chamou a atenção de Russell Dement foi o fato de que a mesma história é contada por índios da Amazônia em uma grande região da floresta ao leste dos Andes, no Equador e no Peru.

"Devido ao fato das histórias serem tão semelhantes e de ouví-las com tanta frequência, não importa onde eu trabalhasse, sempre pensei que pudesse haver alguma correlação entre elas", prosseguiu.

Em dezembro de 2013, Russell recebeu uma ligação de um amigo Shuar, pois ele tinha encontrado parte de um esqueleto a cerca de 110km de Cuenca, no Equador. "Ele disse que era de um dos gigantes. Eu estava em Quito naquela época, e é claro que fui até lá para dar uma olhada", disse Russell.

O que Russell encontrou foi o crânio e a caixa toráxica de uma pessoa do sexo feminino de alta estatura, que viveu cerca de 600 anos atrás. Os restos mortais tinham sido expostos devido a um transbordamento de um riacho nas proximidades. Com a ajuda de seu amigo, ele rapidamente localizou o restante do esqueleto, que tinha sido movido pela enchente. Quando ele juntou todo o esqueleto, viu que o mesmo media cerca de 2,23m de altura.

Foto dos dias atuais de membros da tribo Shuar, na região da Amazônia equatoriana
Em apenas dois meses Russell montou uma equipe com quatro pesquisadores associados da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.  A universidade também forneceu o financiamento para a escavação e trabalho de investigação.

"Embora eu estivesse trabalhando para a Universidade Livre de Berlim por muitos anos, eu estava preocupado que eles não pudessem dar apoio financeiro para alguém, que estivesse à procura de gigantes. Para outros estrangeiros, especialmente cientistas, entendo que isso soa como uma bobagem", disse Russell.

Uma vez juntos, a equipe de Russell Dement trabalhou por seis meses, desenterrando mais três esqueletos e partes de mais outros dois, coletando artefatos completos e mapeando a área. Durante o trabalho, e com a ajuda de seus amigos Shuar, Russell localizou um segundo assentamento a cerca de 30km de distância da fronteira com o Peru, ainda em território equatoriano. Nesse local dois esqueletos foram encontrados, sendo que o assentamento datava de 1550.

"O mais emocionante sobre o segundo sítio arqueológico é que ele provou que a tribo tinha vivido na área há pelo menos 150 anos, e provavelmente há muito mais tempo. Isso também significa que os dois estavam nas eras pré-colombiana e pós-colombiana, embora não tenhamos encontrado nenhuma evidência de que eles interagiram com o espanhóis", disse Russell.

"Um estudo preliminar indica que os seis corpos eram relativamente saudáveis e tinham proporções coerentes com as dos seres humanos. Os esqueletos não mostram sinais de doenças, tais como os problemas de crescimento hormonais, que são comuns na maioria dos casos de gigantismo", continuou Russell.

"Em todos os esqueletos, as articulações pareciam ser saudáveis e a cavidade pulmonar aparentava ser grande. Um dos esqueletos que conseguimos datar, era de uma mulher que tinha 60 anos de idade quando ela morreu, muito mais idosa que nos típicos casos de gigantismo", completou Russell.

Russell ainda disse que havia um certo nível de preparação em relação aos funerais. "Os corpos estavam envoltos em folhas, que ainda estavam parcialmente intactas quando foram escavados. Todos os corpos estavam rodeados por uma espessa camada de argila, o que impediu a entrada de água, e provavelmente é a responsável pelo fato de que os esqueletos estão em condições relativamente boas", prosseguiu Russell.

Russell espera que seu trabalho na Universidade Livre de Berlim continue por pelo menos um ano, até que ele e sua equipe publiquem o resultado de suas descobertas. "Devido à natureza sensacionalista deste assunto, temos de ser extremamente diligentes em nossa pesquisa, uma vez que ela será recebida com uma grande dose de ceticismo", disse Russell.

Nesse meio tempo, ele disse que está coletando amostras de DNA de indígenas Shuar, que moram perto das escavações, para determinar se houve algum tipo de cruzamento com os gigantes.

Uma Outra Estranha História Envolvendo a Universidade Livre de Berlim, na Alemanha


Lembram da história sobre um jovem pesquisador e antrópologo alemão chamado "Franz Bosch", que acabamos de comentar acima? Pois bem, a matéria sobre esse suposto pesquisador também foi publicada pelo site Cuenca High Life, em uma matéria de uma pessoa chamada Sylvan Hardy, no dia 7 de abril deste ano. Pelo menos dessa vez existe a identificação de quem seria essa pessoa.

Sylvan Hardy é apontado pelo site, como sendo um ex-correspondente do Sudeste Asiático e ex-colunista de diversos jornais britânicos, que divide seu tempo entre a cidade de Cuenca, os Estados Unidos e a Etiópia, na África.

Assim sendo, em sua matéria, Sylvan Hardy disse que até que o ritual de encolhimento de cabeças, praticado por tribos indígenas amazônicas desaparecesse durante a década de 1950, toda e qualquer cabeça, inclusive a de estrangeiros, corria o risco de passar por esse processo. O Assombrados inclusive já fez uma matéria sobre isso. Clique aqui para conferir mais detalhes.

Cabeças humanas encolhidas através de um ritual da tribo dos Jivaros, que era comum até a década de 1950
Segundo Sylvan Hardy, o caso mais conhecido seria do jovem antropólogo alemão Franz Bosch, que chegou em Cuenca, no Equador, em novembro de 1906 para estudar os rituais da tribo amazônica dos Jivaros. Os Jivaros viviam a cerca de 100km a leste de Cuenca, próximo da cidade de Paute.

Bosch tinha estudado outras tribos amazônicas no Brasil e no Peru em 1905 e 1906, e foi para Cuenca para prosseguir a sua fascinação sobre o encolhimento de cabeças. Alfred Joyce, um padre irlandês que pertencia na época a Igreja de Todos os Santos, disse que um dos objetivos de Bosch era testemunhar pessoalmente a cerimônia de uma cabeça sendo encolhida. Ele fez diversas viagens em meio a floresta com um guia contratado por ele mesmo, em uma tentativa de conseguir algum acordo nesse sentido.

Página 196 de "Vagabonding Down the Andes"
escrito por Harry Franck, em 1917
Quando Bosch e seu guia não retornaram a Cuenca, dentro do cronograma previsto, em fevereiro de 1907, aqueles que os conheciam, incluindo o Padre Joyce, acreditavam que a pesquisa tinha sido bem sucedida, e que tinham viajado para o norte para visitar um outro grupo de nativos a leste da cidade de San Juan de Ambato.

Vários meses depois, enquanto ele estava andando pelo mercado de San Francisco Plaza, Joyce ficou surpreso ao ver dois rostos familiares, embora estivessem em formato bem pequeno. As cabeças encolhidas de Bosch e seu guia estavam penduradas uma lado ao lado da outra, em uma banca de remédios caseiros locais e artesanato indígena.

"Para meu horror eterno, eu reconheci imediatamente as mechas de cabelo loiro, e as distintas, porém reduzidas, características arianas do Senhor Bosch", escreveu o padre Alfred Joyce, em um jornal de Quito, algum tempo mais tarde. O padre teria conseguido comprar a cabeça dos dois pelo equivalente a 15 dólares.

Em uma viagem à Europa em 1911, Alfred Joyce teria entregada a cabeça de Bosch a seus pais em Berlim. Hoje, sua cabeça estaria exibida no Museu de História da Universidade Livre de Berlim. Veja bem, novamente uma história relacionada a Universidade Livre de Berlim.

Ainda segundo o site Cuenca High Life, o final trágico, mas peculiar de Franz Bosch foi relatado em vários jornais alemães na época, assim como em um livro chamado "Vagabonding Down the Andes", de Harry Franck, em 1917, uma espécie de diário de viagens pela América Latina.

Apesar de ser bem difícil conseguir uma cópia do livro citado acima, felizmente consegui uma para trazer para vocês. Na página 196 do livro "Vagabonding Down the Andes" é dito o seguinte: "Alguns anos atrás, um homem alto e magro, de origem alemã, chegou em Cuenca e foi até aos Jivaros para estudar seus costumes, e, principalmente para descobrir como exatamente eles encolhiam cabeças. Mês após mês foi se passando sem nenhuma palavra dele, mas os cuencanos conheciam o modo germânico de realizar uma investigação passo a passo em todos os seus detalhes e ramificações, e não estranhavam uma ausência prolongada. Então um dia, depois de um pouco mais de um ano, foi colocada a venda no mercado de Cuenca, um esplêndido exemplar de uma cabeça encolhida, com longos cabelos loiros, barba e com um semblante tipicamente acadêmico. A investigação tinha sido exaustiva; mas o mundo ainda permanece na escuridão em relação a arte de encolher cabeças dos Jivaros".

Apesar do autor do livro, Harry Franck, não mencionar o nome da pessoa que teve esse trágico destino, há grandes possibilidades, que pelo menos essa história tenha acontecido realmente com algum pesquisador alemão. Em relação a cabeça encolhida de alguém chamado Franz Bosch ou Frans Bosch, não encontramos nenhuma imagem, tão pouco informações públicas da Universidade Livre de Berlim.

Seria Verdade O Que Foi Publicado Sobre A Descoberta de "Gigantes" Pelo Site Cuenca High Life?


A história sobre uma tribo ou raça de pessoas com uma estatura muito acima da média dos seres humanos atuais é realmente algo impressionante, mas seria realmente tudo isso verdade? Tem muita coisa estranha nessa história e vamos tentar apontar algumas delas para vocês.

Quando estava procurando pela veracidade das informações, que foram publicadas sobre os supostos gigantes da Amazônia, eu encontrei um artigo muito interessante do autor e editor de livros chamado Jason Colavito, que inclusive já forneceu assistência em termos de pesquisas e consultoria para diversos programas do History Channel e NatGeo. Seu trabalho também já foi divulgado pela respeitada Skeptic Magazine.

Jason Colativo, autor e editor de livros, que já contribuiu
com pesquisas para o History Channel e NatGeo
Através dessa busca de informações na internet, não há nenhuma menção, em nenhum outro site, sobre um antropólogo chamado Russell Dement, exceto na matéria Cuenca High Life, que posteriormente foi publicado pelo site Ancient Origins, e outros sites menores.

A Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, também não tem nenhuma informação disponível publicamente sobre alguém chamado Russell Dement, nem mesmo do suposto assentamento Shuar ou a escavação de qualquer coisa nesse sentido na região de Cuenca, no Equador, apesar de Russell dizer que a universidade estaria financiando sua pesquisa.

Se Russell Dement realmente existir, então ele se recusou a fornecer fotos ou outras provas a Liam Higgins, que pudessem sustentar tais alegações. Pelo que parece, Liam Higgins não fez o "dever de casa" de verificar a identidade de Russell Dement ou sua afiliação. Nem mesmo verificou se o governo equatoriano tinha registros de licenças de escavação ou licenças de exportação de restos mortais.

Parece bem estranho que Russell Dement fosse divulgar sua descoberta logo em uma publicação de expatriados, sem divulgar, nem que fosse apenas uma pequena parte de sua descoberta, em fontes tradicionais da mídia equatoriana.

Erich von Däniken, escritor do livro "O Ouro dos Deuses",
que foi publicado no ano de 1973
Curiosamente essa história tem um certo grau de familiaridade com uma outra, isso porque na região onde os tais gigantes teriam sido descobertos, ficaria a "Caverna de Tayos", onde Erich von Däniken em seu livro chamado "O Ouro dos Deuses", publicado em 1973, alegou que alienígenas tinham construído cavernas esculpidas por laser, repletas de estátuas douradas e textos gravados em suas paredes. A caverna aparentemente estaria a 30 minutos de Cuenca.

De acordo com o que se alega, e que não pode ser de fato verificado, as tribos Shuar locais afirmam que a caverna possuiria evidências sobre gigantes que desceram dos céus. Diversos autores que escrevem sobre os antigos astronautas, e que comentam sobre o assunto, dizem que a caverna seria obra do trabalho de gigantes. Muito embora em 2013, o pesquisador Bruce Fenton, identificou uma formação rochosa natural, nos arredores do que seria uma cidade perdida de gigantes.

Cuenca também fica a cerca de 200km da cidade de Guayaquil, onde os nativos reportaram para Pedro Cieza de León, conquistador espanhol do século 16, que uma tribo de gigantes sodomitas tinham vindo em terra e tinha sido dizimada por um anjo durante uma orgia. É exatamente isso que você leu. Essa lenda tem uma origem muito clara. De 1543 até o dias atuais, a região tem sido bem conhecida por serem encontrados ossos de "gigantes". Ossos esses que são conhecidos desde o século 19, por terem pertencido a megafauna do período Pleistoceno. A história era contada pelos nativos para explicar os ossos que surgiam do solo ao longo do tempo.

Tentamos contato com a Universidade Livre de Berlim, para questionar a veracidade das informações publicadas pelo site Cuenca High Life, porém após 48 horas, ainda não tivemos nenhuma resposta por parte da universidade. Se tivermos qualquer resposta da assessoria de imprensa ou até mesmo da respectiva administração da universidade, postaremos aqui o que eles responderem, certo?

Os "Gigantes" Da Vida Real


Em uma matéria assinada por Liz Leafloor, editora e redatora do site Ancient Origins, a mesma afirma que "desde o anúncio da descoberta de tais esqueletos, vários relatos têm exagerado nas dimensões, que ao invés de dizerem que eles tem em torno de 2,13m, os mesmos teriam 7 metros". Segundo ela os ossos também têm sido erroneamente relacionados a fotos falsas, bem como a reconstrução de um "gigante do Equador", que na verdade seria de um esqueleto falso para um parque temático agora fechado na Suíça.

Seja por má-fé, descuido ou falta de pesquisa, o link atribuído por ela foi publicado há mais de um ano, e não tem nenhuma relação com o que foi recentemente divulgado pelo site Cuenca High Life.

Ainda segundo ela, vejam bem o que ela escreve, "esses falsos relatos não podem depreciar a real descoberta dos esqueletos que possuem entre 2,13m a 2,43m, encontrados na floresta tropical equatoriana e peruana, que estão sendo estudadas cientificamente". Nem ela verificou realmente a identidade de Russell Dement ou as informações divulgadas pelo site equatoriano.

De qualquer forma já tivemos alguns "gigantes", que o mundo já pode observar com seus próprios olhos. Um deles foi Robert Pershing Wadlow, mais conhecido como o "Gigante de Alton", citado como a pessoa mais alta já registrada na história. Robert nasceu na cidade de Alton, em Illinois, nos Estados Unidos, em 1918 e ao morrer, com apenas 22 anos de idade, media cerca de 2,72m de altura.

A família de Robert Pershing Wadlow. Da esquerda para direita, seu irmão Eugene, sua mãe Addie com o caçula Harold Jr.,
o próprio Robert ao centro com sua irmã Betty, logo abaixo, que por sua vez está ao lado do pai, o Sr. Harold e a irmã Helen, mais a direita
Outro dos muitos casos de gigantismo modernos, incluem o de Charles Byrne (1761-1783), conhecido como "O Gigante Irlandês", cujo esqueleto está em exposição no museu do "Royal College of Surgeons" em Londres, na Inglaterra. Seu esqueleto mede cerca de 2,31m de altura.

Vale lembrar que esses são casos relacionados a gigantismo, que muita gente confunde com acromegalia. A acromegalia é uma doença crônica provocada por excesso de produção do hormônio do crescimento (GH) na vida adulta, fase em que as cartilagens de crescimento já estão fechadas. Se ele for produzido em excesso na infância ou puberdade, antes do fechamento dessas cartilagens, a doença é chamada de gigantismo.

O esqueleto de Charles Byrne (ao fundo), "O Gigante Irlandês" em exposição no museu do "Royal College of Surgeons" em Londres, na Inglaterra
Ainda segundo a matéria, no início deste ano, na Bulgária, arqueólogos descobriram os restos mortais do que eles descreveram como um "grande esqueleto" no centro de Varna, uma cidade às margens do Mar Negro, cujas civilizações e suas ricas culturas se estenderam ao longo de 7.000 anos. Devido ao tamanho dos ossos, acredita-se que seria pertencente a um homem "muito grande". Desde então não há maiores informações sobre esse assunto.

Conclusão


Seria muito importante que houvesse uma resposta por parte da Universidade Livre de Berlim, porém há um estranho silêncio sobre esse assunto. Imagino que se alguém publica uma mentira e utiliza o nome da universidade por duas vezes indevidamente, alguém, uma vez ciente sobre isso, diria alguma coisa ou pediria que o site removesse o conteúdo. Até agora isso não aconteceu.

Por outro lado, o assunto é extremamente complicado de se lidar, pois tem uma veia sensacionalista muito forte e talvez nem mesmo a universidade, uma das mais prestigiadas da Alemanha, queira responder para evitar alimentar ainda mais esse assunto, e se expor de uma forma desnecessária. Isso é totalmente compreensível.

Fato é que a notícia divulgada no site Cuenca High Life não aponta nenhuma foto, evidência ou comprovação do que é dito. Não há absolutamente nada, nenhuma informação pública sobre o assunto e sobre os envolvidos. Infelizmente isso não parece ser verdade e até que apareça alguma prova documentada e assegurada pela própria universidade, uma vez que ela foi envolvida nisso, não podemos dizer que isso seja verdade. Soa mais uma mentira, apenas um pouco mais elaborada, sobre a suposta existência de gigantes que um dia caminharam sobre a Terra. 

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes (acessadas em 13/10/2015):
http://www.ancient-origins.net/news-history-archaeology/giant-7-8-foot-skeletons-uncovered-ecuador-sent-scientific-testing-004119
http://www.cuencahighlife.com/amazon-giants-may-be-for-real/
http://www.cuencahighlife.com/german-anthropologist-visits-cuenca-to-study-the-amazonian-head-shrinkers-east-of-twon-and-gets-more-than-he-bargained-for/
http://www.jasoncolavito.com/blog/claim-set-of-8-foot-tall-giant-skeletons-from-1400-1500-ce-found-near-cuenca-ecuador
http://www.unveilingknowledge.com/british-anthropologist-finds-giant-amazonian-skeletons/
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