13 de outubro de 2015

Cientistas Dizem que "Deletar" Alguns Genes do DNA Poderia Aumentar a Expectativa de Vida Em Seres Humanos


Por Marco Faustino
 
Parece que muitos cientistas estão mesmo focados na ampliação do tempo médio de vida do ser humano moderno. Apesar de estarmos vivendo muito mais do que nossos antepassados, aparentemente há uma busca incessante desde um eventual transplante de cabeça, até o caso sobre uma bactéria de 3,5 milhões de anos, que poderia guardar o segredo da vida eterna. Nem todos são tão radicais em querer viver para sempre, mas ainda sim, buscam "esticar" nosso tempo de permanência neste mundo.

Quando se trata de nossos genes, será que menos pode significar mais? Pesquisadores descobriram que 238 genes, sendo que 119 são encontrados em células de mamíferos, se forem deletados a partir de células vivas, podem prolongar as suas vidas úteis. Um tanto quanto moderados, eles dizem que as descobertas podem ajudar a identificar novas formas de melhorar a saúde humana. Vamos saber mais sobre esse assunto?

O estudo também ajudou os cientistas a identificarem 189, genes que não eram previamente conhecidos por desempenhar um certo papel em termos de envelhecimento. Em alguns casos, deletar um único gene pode ter um efeito "significativo" sobre a longevidade de uma célula.

Se isso pudesse resultar em novos medicamentos, por exemplo, poderia permitir que os seres humanos vivessem por mais tempo e forma mais saudável.

"Este estudo analisa o envelhecimento no contexto de todo o genoma, e nos dá um quadro mais completo do que realmente é o envelhecimento. Ele também estabelece um quadro para definir toda a rede que influencia o envelhecimento neste organismo", disse o Dr. Brian Kennedy, bioquímico do Instinto Buck de Pesquisa Sobre o Envelhecimento, de Novato, Califórnia, nos Estados Unidos.

Instinto Buck de Pesquisa Sobre o Envelhecimento, de Novato, Califórnia, nos Estados Unidos
A equipe de pesquisa, que também incluiu cientistas da Universidade de Washington, testou o impacto da exclusão de 4.698 genes individuais em uma cepa de levedura chamada "Saccharomyces cerevisiae".

Eles descobriram que desse total, a ausência de 238 genes aparentemente melhorou o tempo de vida das células de levedura. Cerca de metade desses genes, também são encontrados em mamíferos. Para se ter uma noção maior disso tudo, a levedura normalmente tem cerca de 6.275 genes em seu genoma, enquanto o genoma humano contém cerca de 21.000 genes.

"Quase a metade dos genes que encontramos, e que afetam o envelhecimento, são encontrados em mamíferos. Em teoria, qualquer um desses fatores poderia ser alvo terapêutico para aumentar a expectativa de vida. O que temos de fazer agora é descobrir quais são passíveis de segmentação", completou o Dr. Brian Kennedy.

Dr. Brian Kennedy, bioquímico, professor e CEO
do Instinto Buck de Pesquisa Sobre o Envelhecimento
Em um determinado caso, a exclusão de um gene chamado LOS1 se mostrou particularmente eficaz no aumento da vida útil das células. Este gene é conhecido por ajudar a transportar informação genética chamada RNAt, os quais estão envolvidos em ajudar a sintetizar as proteínas nas células.

Isso também influencia uma "chave geral" chamada mTOR, que tem sido associada ao maior tempo de vida em animais com dietas de restrição calórica. O LOS1 por sua vez, influencia outro gene chamado Gcn4, que ajuda a controlar a reparação de danos no DNA.

"Nossos melhores resultados foram nas exclusões de um único gene que aumentaram a expectativa de vida em cerca de 60% em comparação com a levedura normal", disse o Dr. Mark McCormick, também do Instituto Buck, co-autor do estudo.

"A restrição calórica tem sido bem conhecida por estender o tempo de vida por um longo tempo. A resposta a danos no DNA também está relacionada ao envelhecimento. O gene LOS1 pode estar agindo nesses diferentes processos", disse o Dr. Brian Kennedy.

Entretanto, a pesquisa é apenas uma parte de um conjunto maior de todo um trabalho para mapear as relações entre todos os genes que controlam o envelhecimento das células. Se os cientistas forem capazes de identificar os comportamentos genéticos envolvidos no processo de envelhecimento, eles também podem ser capazes de encontrar drogas ou terapias que possam ajudar a estender a expectativa de vida de uma forma saudável.

No início deste ano, acadêmicos da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram que uma dieta cinco dias que "imita o jejum" pode retardar o envelhecimento, acrescentar alguns anos à vida das pessoas, estimulando o sistema imunológico e reduzindo o risco de doenças cardíacas e até mesmo o câncer. Essa dieta restringe as calorias entre um terço e metade do consumo normal.

No ano passado, essa mesma equipe descobriu que o jejum pode regenerar todo o sistema imunológico, trazendo uma série de benefícios para a saúde a longo prazo.

Quando pessoas testaram o "regime", em cerca de três meses, elas tinham reduzido biomarcadores ligados ao envelhecimento, diabetes, câncer e doenças cardíacas, bem como uma significativa perda de gordura total do corpo. Os pesquisadores acreditam que isso funciona ao reduzir a atuação de um hormônio que estimula o crescimento, e que tem sido associado a suscetibilidade ao câncer. Essencialmente, o regime engana o corpo para que o envelhecimento ocorra mais lentamente.

O novo estudo do Instituto Buck foi publicado na revista "Cell Metabolism".

Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.telegraph.co.uk/news/science/science-news/11925154/Deleting-genes-could-boost-lifespan-by-60-per-cent-say-scientists.html
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3265226/The-238-genes-lead-shorter-life-Mapping-DNA-involved-aging-lead-ways-helping-live-longer.html
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