20 de outubro de 2015

A Dramática Situação de Milhares de Crianças Acusadas de Bruxaria na República Democrática do Congo


Por Marco Faustino

Espremendo os olhos de uma criança pequena e empurrando o dedo polegar em seu minúsculo nariz, um padre católico expurga o demônio de uma criança, um dos muitos exorcismos que realiza todos os dias. Ao ser benzida com água benta, com o rosto manchado por azeite de oliva, uma menina de apenas 2 anos e 6 meses de vida chamada Angel, chora, irrompendo em lágrimas quando é cutucada com força na altura do estômago, enquanto tentam se livrar dos maus espíritos que supostamente se escondem dentro dela.

A criança se contorce para se soltar, mas sua mãe a agarra com firmeza, insistindo que o exorcismo continue, com o objetivo de protegê-la da feitiçaria, que muitos na República Democrática do Congo (RDC), na África Central, acreditam que controla suas vidas. Esse não é um assunto fácil de escrever, e poucos sinceramente teriam coragem de expor tal cenário. Não sei se você que está lendo nesse exato instante vai conseguir chegar até o final desta matéria, pois é uma dura realidade. Enfim, se quiser saber mais sobre o assunto, basta clicar logo abaixo.

Angel e Grace, um bebê de apenas 11 meses de vida, foram exorcizadas no mesmo dia, e foram salvas pelo ritual de exorcismo. O demônio foi expulso, e ao menos por enquanto elas permanecem seguras em suas casas. Entretanto, dezenas de milhares de outras crianças no Congo, também conhecido como "Coração das Trevas", têm sido rotuladas como "crianças bruxas", sendo jogadas nas ruas, condenadas por suas próprias famílias a uma vida de miséria, violência e abusos.

A menina chamada Angel, de apenas 2 anos e 6 meses, chora de medo perante um padre católico que tenta expulsar
o demônio que supostamente, segundo ele, estaria dentro dela
Na capital Kinshasa, mais precisamente na Igreja Católica Gallicane, o padre cujo nome é Alexis Katziota Mungala, fala sobre o assunto com a maior naturalidade do mundo, um trabalho que segundo ele já livrou milhares de crianças do poder do demônio. O exorcismo é um ritual diário, que ele realiza em sua igreja.

A pequena Grace, de apenas 11 meses de idade, durante um exorcismo em uma igreja católica
em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo
"Estas bruxas comem carne humana, eles bebem sangue humano. É o trabalho do demônio. A bruxaria mata o amor que existe dentro das crianças, as preenchendo com ódio, as fazendo comer seus pais, fazendo com que briguem com seus irmãos", disse o padre Alexis Katziota.

"A bruxaria é parte da nossa tradição, é parte da cultura congolesa. As crianças podem se 'infectar' com a feitiçaria, mas nós realizamos exorcismos para ajudar as crianças a encontrarem suas famílias novamente", completou.

Aquelas que não conseguem ser "salvas" são abandonadas por suas famílias em meio a sujeira e violência da cidade e são temidas até mesmo pelos demais cidadãos, que as ignoram ou até mesmo mudam de direção na rua para evitar o contato com elas. Estima-se que até 50.000 crianças já foram acusadas de bruxaria e deixadas para se defenderem sozinhas nas favelas, onde atualmente vivem 20 milhões de pessoas. Algumas delas são recém-nascidas ou crianças desnorteadas, perplexas, assustadas, que foram jogadas em um mundo de pesadelo onde a sobrevivência é dada pelo crime, pela prostituição e pela violência.

Uma menina chamada Dorcas, de apenas 8 anos de idade, é um exemplo das "crianças bruxas". Traumatizada, ela foi encontrada recentemente, com seu corpo franzino cravejado de piolhos, pulgas e carrapatos. Encontrada por profissionais dedicados a ajudar as crianças de rua, ela foi levada para um centro de assistência, onde quase morta de fome, ela devorou um prato de pão velho e um copo de chá, em silêncio. Embora ela tenha falado muito pouco desde então, ela tem dito o suficiente para que as pessoas do centro de assistência pudessem conhecer um pouco mais sobre sua história.

A jovem chamada Dorcas, de apenas 8 anos, e Therese, agora com 18 anos. Essas jovens são acusadas
de "crimes" horríveis, incluindo o "crime" por comer a carne de seus próprios parentes
"Ela foi acusada de ser uma bruxa", disse Claudine Nlandu, diretor do centro de assistência.

"Não sei por quanto tempo ela estava morando nas ruas. Ela veio aqui há cinco dias. Ela estava coberta de pulgas, piolhos e carrapatos quando a encontraram. Ela não nos disse o nome dela, então as outras meninas passaram a chamá-la de Dorcas", completou.

Um outro menino de apenas 6 anos chamado Malengeli, extremamente magro e com feridas por todo seu desnutrido corpo, não tem tido a mesma "sorte" de Dorcas, e ainda perambula pelas ruas, implorando por esmola. O rol de "crimes" atribuídos a essas crianças vai muito além da praticada na era medieval e quase impossível de compreender em nossa sociedade.

Ser sozinho é um destino que crianças como Malengeli, que tem apenas 6 anos, conhece muito bem.
Ele fez das ruas a sua casa, desde que foi rotulado como "bruxo"
Estas crianças são acusadas de matar parentes ao comer a carne e beber o sangue deles na calada da noite. São acusadas de conjurar feitiços - propagando a morte, a doença, o desemprego, a gravidez, dívidas, ou simplesmente má sorte - a qualquer pessoa ou até mesmo a todos ao redor. Entretanto, o que talvez seja o pior de tudo, é serem consideradas malignas por terem supostamente o demônio dentro delas.

As crianças podem se 'infectar' com a feitiçaria, mas nós realizamos exorcismos para ajudar as crianças
a encontrarem suas famílias novamente
", disse o padre Alexis Katziota Mungala
Essas acusações cruéis e infundadas levam dezenas de milhares de crianças a miséria, não somente na República Democrática do Congo, mas também em outras partes da África Central e Ocidental.

"Crianças acusadas de bruxaria estão sujeitas a violência psicológica, primeiro por membros da família e seu círculo de amigos, então por pastores da igreja ou curandeiros tradicionais", disse Aleksander Cimpric, em um estudo feito para a UNICEF denominado "Children Accused of Witchcraft" ("Crianças Acusadas de Bruxaria", em português).

"Uma vez acusadas de bruxaria, as crianças são estigmatizadas e discriminadas pelo resto de suas vidas. Crianças acusadas de bruxaria podem ser mortas, embora mais frequentemente sejam abandonadas pelos seus pais e passam a viver nas ruas", completa Aleksander.

Profundamente suspeita e repleta de misticismo a existência de crianças supostamente praticando bruxaria é profundamente enraizada na cultura congolesa.

"Bruxaria infantil é parte da nossa tradição. Todos os meninos aqui no abrigo foram acusados de serem bruxos", disse Etienne Maleke, que tem trabalhado com crianças de rua de Kinshasa por mais de 20 anos.

Entretanto, o colapso da economia na década de 90, seguido pelos saques em massa de um exército que não era sequer remunerado, e o caos gerado por outras duas guerras devastadoras transformaram este "fenômeno" em uma epidemia. A bruxaria muitas vezes era utilizada como meio para se livrar de mais uma boca para alimentar em uma casa.

Existem abrigos para as crianças que são abandonadas nas ruas, proporcionando-lhes um pouco mais de proteção.
Entretanto muitos não conseguem ficar, depois de passar tanto tempo em um ambiente tão hostil como o das ruas
"Aqui na África Central tudo o que acontece dentro de uma família - uma morte, desemprego, notas escolares ruins, e uma gravidez inesperada - exige uma explicação", disse Remy Mafu, coordenador de uma instituição de caridade congolesa chamada REEJER, que ajuda crianças de rua.

"Se não há uma explicação, então é considerado bruxaria. A pobreza é um fator crucial. As pessoas não querem cuidar das crianças, então as acusam de serem bruxas", continuou.

"Quando a família começa a se desmantelar, as crianças indesejadas da família, muitas vezes enteados, sobrinhos e sobrinhas - são acusados de bruxaria infantil. As crianças que não acrescentam nada ao lar são acusadas de serem bruxas", completou.

Uma das últimas partes da África a vivenciarem os ideais e experimentarem a cultura europeia, as tribos do Congo abraçaram os missionários católicos que trouxeram a medicina moderna, a educação e a sua religião para os confins daquele país. Entretanto, mesmo após 100 anos da Bélgica ter alegado que o Congo era sua colônia, a cultura da bruxaria ainda permanece viva no dia a dia da população.

Uma rua da capital do Congo, Kinshasa, onde um dos abrigos está localizado
A principal autoridade quando se trata do tema de "crianças bruxas" é o professor Filip de Boeck, da Universidade de Lovaina, na Bélgica. Segundo ele o surgimento da bruxaria infantil é um fenômeno recente ligado a ruptura da tradição de sempre se ter uma família com muito membros.

"O fenômeno das 'crianças bruxas' é um fenômeno completamente moderno, que é moldado pelo capitalismo global. Ao contrário das formas mais antigas, o 'novo estilo' de bruxaria é selvagem, aleatório e imprevisível. É através dessa mistura de crenças religiosas que as famílias tentam 'curar' as crianças", disse o professor Filip de Boeck, em seu livro chamado "The Devil’s Children" ("Os Filhos do Diabo", em português).

As igrejas, católica e evangélica, tal como centros religiosos animistas confirmam as acusações de feitiçaria, assim como fornecem uma solução para os jovens, que caso contrário, podem jogados na sarjeta.

"Tenho salvado milhares de crianças. Hoje eu salvei três crianças da feitiçaria. Todos os dias tenho de salvar uma criança. Eu realizo exorcismos duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras", disse o padre Alexis Katziota.

"Somos missionários católicos, por isso é nosso dever realizar exorcismos. Nós temos uma forma de espantar a feitiçaria, para afugentar os demônios. Nós dizemos a família para não jogar suas crianças na rua. Nós dizemos para eles rezarem pela criança", continuou.

"Tenho salvado milhares de crianças, somente hoje eu salvei três", disse o padre Alexis Katziota Mungala
Juntamente com horas de oração a "criança bruxa" deve suportar ser purgada com água salgada e óleo, uma vez que pastores evangélicos prometem a sua congregação um "alívio imediato" das "crianças bruxas" dentro de suas comunidades.

"Há bruxas 'conscientes', que sabem que são bruxas malignas, e as 'inconscientes' que não sabem, mas se levantam no meio da noite para comer carne humana. Posso dizer se uma criança é uma bruxa só de olhar para eles. Posso ver isso em seus olhos", disse o pastor Jean-Pierre Kwete, da Igreja Laodice, na cidade de Kinshasa.

Caso os pais relutem em recorrer a igreja católica ou evangélica, eles também podem se voltar para os ritos mais antigos. Isso porque pastores animistas oferecem uma maneira diferente para livrar as crianças das garras do diabo. Dentro de uma estrutura de ferro canelado, bem no fundo uma favela de Kinshasa, crianças se ajoelham a frente de um pequeno fogareiro de carvão. A fumaça das ervas especialmente escolhidas toca seus rostos, enquanto uma sacerdotisa borrifa água benta, como parte de rituais destinados a livrar os jovens do mal e protegê-los contra o demônio.

O pastor Bangadi-Kikongo Nkakama, de um centro espiritual tradicional chamado "Kaba Dia Bana Ba Mpeve", alega ter salvo mais de 800 crianças da feitiçaria somente este ano.

O pastor Bangadi-Kikongo Nkakama, de um centro espiritual tradicional
chamado "Kaba Dia Bana Ba Mpeve", alega ter salvo mais de 800 crianças da feitiçaria somente este ano
"Essa é a nossa religião do Congo antes da colonização. Nós adoramos a natureza e os espíritos que nos rodeiam. Nós entendemos sobre misticismo. O espírito nos deu a força para tratar casos de feitiçaria, os espíritos nos inspiram para que possamos curar os doentes", disse Bangadi-Kikongo Nkakama.

Outros sacerdotes, no entanto, são bem mais brutais, ao enfiar seus dedos na boca de uma "criança bruxa" em busca da carne de parentes recentemente mortos. Uma das vítimas contou como ela foi espancada e deixada passando fome, após ter sido acusada de bruxaria, quando tinha apenas 8 anos de idade.

Não são apenas os padres católicos que realizam exorcismos. Os curandeiros tradicionais também realizam rituais
para que as crianças se livrem dos maus espíritos
"Eu estava tranquilamente morando com meus pais, mas um parente disse que eu era uma bruxa. Quando minha avó morreu, disseram que a culpa era minha. Eles me levaram para uma igreja onde eles rezavam pelas crianças. Fizeram com que eu bebesse água salgada, muita água salgada. Eles prendiam os dedos na minha boca, descendo pela minha garganta", disse Therese, que hoje possui 18 anos, é epilética e tem um grande cisto na testa.

"Eles queriam tirar pedaços da minha avó, que eles achavam que eu tinha comido. Eles não conseguiam encontrar nada, assim sendo eles me mantiveram presa e começaram a me bater", continuou.

"Este galo na minha cabeça é um cisto, mas na igreja, eles me disseram que era onde a bruxaria estava localizada em meu corpo. Não havia nada para comer. Eu escapei, fui para as ruas e implorava. Pegava qualquer coisa que eu encontrasse no chão. Comida apodrecida, qualquer coisa", completou.

"Estive em cinco orfanatos diferentes. Eu vim para esse aqui e disse para a madre superiora, que eu tinha outro lugar para ir. Ainda sofro de ataques epiléticos", finalizou.

Therese, 18 anos, que sofre de epilepsia e tem um cisto em sua testa, foi acusada
de ser uma bruxa após a morte de sua avó
História de partir o coração como a de Therese, é uma das muitas a serem ouvidas no centro para as meninas que vivem nas ruas, onde Dorcas encontrou seu santuário. Outras contam como elas foram jogadas para fora de suas casas por parentes - tios, tias, madrastas, pais que se casaram novamente - os mesmos que os acusaram de bruxaria. A maioria diz que implorou para que deixassem que voltassem, mas foram tão espancadas que não conseguiam voltar. Muitas têm sido violentadas. Algumas trabalham como prostitutas para sobreviver. Algumas outras continuam sendo apenas crianças.

"Algumas das crianças aceitam a vida aqui, outras se recusam a aceitar. Algumas preferem ficar nas ruas. Elas podem entrar e sair quando quiserem. Somos apenas um ponto de ajuda, um santuário. Algumas das meninas se prostituem. Tentamos ajudá-las a se protegerem da doença, tentamos fazer com que usem preservativos", disse Claudine Nlandu.

"Duas ou três vezes por semana nós saímos às ruas em busca de jovens meninas em dificuldade. Feirantes e vendedores ambulantes nos contam sobre as novas meninas que aparecem nas ruas. As meninas ficam em torno dos grandes mercados, estádios, e nos principais cruzamentos da cidade. Frequentemente elas têm sido violentadas", continuou.

"Elas me dizem que foram acusadas de serem bruxas. Esperamos dar para elas uma boa vida. Nós as ensinamos a ler e escrever. Ensinamos uma profissão, a cortar cabelo, a cozinhar e corte e costura. Muitas vezes quando entramos em contato com a sua família delas, e eles dizem que não querem que as crianças, que podemos ficar com elas como se fosse um 'presente'", completou.

Tragicamente bebês recém-nascidos também são condenados a serem bruxas, caso nasçam de crianças que são chamadas de bruxas.

"Dois bebês nascem nas ruas de Kinshasa todos os dias, de meninas que foram rotuladas como 'crianças bruxas'. Consequentemente seus filhos também são considerados bruxas", disse Remy Mafu.

"Sabemos de meninas com 12 anos de idade que engravidam. Uma vez que elas estão nas ruas, não são mais crianças", completou.

Outros são considerados "aliados" do diabo, devido às deficiências que possuem, assim como Jeremy, de 10 anos, que possui deficiência auditiva e Bienvenue, de 9 anos, que tem paralisia nos braços e pernas devido aos danos cerebrais que sofreu ao contrair malária.

"Jeremy é surdo. Ele foi expulso de sua casa por sua família. Nós não sabemos o quanto ele foi maltratado. Bienvenue sofreu paralisia devido a uma complicação da meningite e da malária. Sua mãe morreu quando ele ainda era um bebê. Sua tia estava cuidando dele, mas ela o expulsou. Fomos atrás de seu pai, que o levou de volta para sua família, porém em menos de um mês ele estava de volta às ruas", disse Etienne Maleke, diretor de um abrigo para meninos de rua.

Algumas das crianças são acusadas de serem bruxas devido a uma deficiência física, assim como Bienvenue.
Aos 9 anos de idade, ele tem paralisia nos braços e pernas depois de contrair malária e meningite, o que levou sua tia a jogá-lo na rua
"Quando eles vêm aqui, os meninos são ferozes. Temos que ensiná-los a comer um ovo, como comer um peixe", acrescentou Papa Etienne, como é conhecido pelas milhares de crianças que ele ajudou.

"Vamos ajudá-los de todas as maneiras que pudermos.Vamos alimentá-los, ensiná-los, ajudá-los a resolver disputas salariais com pessoas para quem trabalham. Eu sei que muitos garotos tiveram sucesso", continuou.

"Havia um rapaz que era muito inteligente. Nós o encorajamos a continuar na escola, ir para a universidade, muito embora ele não estivesse convencido a fazer isso. Agora ele é um médico. Pedi a ele para vir aqui e falar com os meninos. Ele ainda me chama de 'papa'", completou.

"O governo precisa educar as pessoas de que não existem essas tais coisas como 'crianças bruxas'", finalizou.

Garantir que estas crianças levem vidas saudáveis; sejam capazes de ir para a escola; consigam participar plenamente na sociedade e sejam tratados de forma justa, estão entre as 17 metas de desenvolvimento sustentável adotadas pelas Nações Unidas no mês passado. O novo e ambicioso conjunto de metas espera acabar com a pobreza, a fome, promover a igualdade e proteger o meio ambiente ao longo dos próximos 15 anos.

A UNICEF diz que trabalha com instituições de caridade locais que dão assistência a crianças de rua e outros jovens vulneráveis acusadas de bruxaria. "A UNICEF está particularmente preocupada com os problemas das crianças mais vulneráveis, incluindo as crianças que sofrem violência, abuso e exploração", disse Yves Willemot, porta-voz da Unicef.

"A mudança de atitudes sobre feitiçaria deve ser promovida de modo a educar as famílias, líderes comunitários e trabalhar o assunto com aqueles que acusam as crianças de serem bruxas, líderes religiosos e praticantes religiosos tradicionais. A Carta Africana sobre os Direitos e o Bem Estar da Criança se aplicam a todas as crianças, sem exceção", completou.

Veja também: A Moderna Caça às Bruxas E A Superstição Assassina na Índia: As Faces do Medo

Conclusão


Bem-vindos ao Congo, onde a graça é alcançada e levada aos anjos, que infelizmente, imóveis ou surdos parecem não escutar as preces das crianças, que são condenadas por seus progenitores ou parentes a viverem com seus corações repletos de trevas. Não pela bruxaria, mas por terem sido julgadas a quem tinha, no mínimo, o bom senso de protegê-las, e quem sabe, talvez, amá-las durante suas vidas.

Nesse pequeno parágrafo que escrevi acima, estão os nomes em português de algumas das crianças que se tornaram vítimas, não do capitalismo moderno, mas de pessoas que pela miséria ou não, decidiram apoiados por suas crenças ou não, a levarem seus filhos e filhas a centros para serem torturados ou não, ao invés de simplesmente olharem para frente e buscarem ajuda. Ajuda esta que muitas vezes pode estar na esquina, não aquela cujos corpos enegrecidos pelo descaso são usados como objeto sexual, mas sim onde os corpos são limpos e cuja pele pode reluzir no sol escaldante do Congo, que apesar das mazelas, ainda possui alguns filhos que se preocupam com os outros.

Sentado na sua casa e lendo esta matéria, provavelmente você conhece alguém, um pai, uma mãe ou uma amiga da escola, que se tornou mãe enquanto você aprendia sobre o descobrimento do Brasil, e agora descobre uma faceta pouco comentada sobre um país, que provavelmente você nunca irá. Enquanto você não consegue ter uma conversa com sua filha, ou você que é filha não consegue ter uma conversa sobre sexo com sua mãe, temos homens e mulheres no Congo, que tem que engulir a saliva a seco pela garganta, que reflete a perplexidade, cujos olhos não conseguem mais interpretar o que veem. São essas pessoas que precisam ensinar crianças de 8, 10, 12 anos, ou até menos, a usarem camisinhas para serem menos violadas do que já serão nas ruas, porque se não fizerem isso, um inocente nascerá culpado em uma república democrática.

Imagine um padre que precisa mentir e torturar uma criança para satisfazer a mente de seus pais ou parentes, que só precisam de um pequeno motivo para atirarem eles na lama onde outrora pisavam quando crianças. De tanto fazer, talvez eles acreditem mesmo que haja um demônio, sendo que muitas vezes o demônio usa roupa branca e está sobre um altar, que só pode ser diferenciado pela cor do chão, para ser venerado perante uma multidão de infiéis, que não conhecem outra realidade. Conhecem apenas o medo, o ódio e a violência. O amor é contagioso, a dor também.

Criação/Adaptação/Tradução: Marco Faustino

Fontes:
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3276057/My-grandmother-died-said-witch-drink-salt-water-stuck-fingers-throat-pieces-said-d-eaten-Congo-s-child-witches-exorcised-devil-beaten-them.html
http://www.bbc.com/news/uk-england-london-17073332
https://sustainabledevelopment.un.org/topics
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