1 de setembro de 2015

Novas Diretrizes Oficiais Sobre Casos de Pessoas Desaparecidas Na Inglaterra Incluem Conselhos de Paranormais


Por Marco Faustino

O "College of Policing", uma espécie de Academia de Polícia, que regulamenta a formação de oficiais em toda a Inglaterra e País de Gales, disse que detetives que estiverem investigando casos de pessoas desaparecidas devem avaliar e considerar as dicas ou conselhos fornecidos por pessoas que afirmam ter uma "percepção extrassensorial", tais como médiuns, clarividentes e bruxas. Vamos saber mais sobre o assunto?

Nos termos revisados das normas profissionais divulgadas para consulta na semana passada, os oficiais são lembrados que: "pessoas desaparecidas que ganham muita atenção da mídia, quase sempre atraem o interesse de médiuns e outras pessoas, assim como bruxas e clarividentes, afirmando que eles possuem uma percepção extrassensorial".

A proposta da "Prática Profissional Autorizada" em relação a pessoas desaparecidas ainda acrescenta que: "as informações obtidas a partir de médiuns devem ser avaliadas no contexto do caso". Porém os oficiais são alertados que tais informações "não devem se tornar uma distração em relação a toda estratégia montada para investigação e busca, exceto se a informação puder ser verificada".

Ainda é dito que esses contatos geralmente vêm de pessoas bem-intencionadas, mas a motivação do indivíduo sempre deve ser esclarecida, especialmente quando alguma vantagem financeira estiver envolvida. Os métodos empregados pela pessoa devem ser questionados, incluindo as circunstâncias em que eles receberam a informação, assim como quaisquer eventuais êxitos atribuídos a pessoa.

"Quaisquer eventuais êxitos atribuídos a pessoa, quer dizer se essas pessoas têm um histórico comprovado de ajudar a polícia em casos anteriores, portanto isso deve ser levado em consideração", disse o porta-voz do "College of Policing". No entanto, muitos discordam, ainda que de forma velada, dessas novas diretrizes.

De acordo com John Brigges, um ex-detetive superintendente da Polícia de Derbyshire, as pessoas que afirmam ter poderes especiais podem ser apenas investigadores amadores. "Algumas pessoas dizem que têm poderes sobrenaturais quando têm informações. Temos de lidar com isso da mesma forma que iríamos lidar com qualquer outra informação... se eles dizem a obtiveram por meio de um sonho, não é a mesma coisa se tivessem conseguido algo objetivamente. Eles podem ter começado a perguntar nos arredores e iniciado suas próprias investigações", disse John Brigges em entrevista ao site "PoliceOracle.com".

O professor Nick Fyfe, diretor do Instituto Escocês de Investigação Policial, comentou sobre esse assunto: "Se uma família entrou em contato com místicos quando um ente querido está desaparecido, suponho que é uma indicação de desespero da família", disse. "A polícia vai considerar qualquer informação que possa ser levada a sério", completou.

Na última semana a discussão se a ajuda de pessoas, que afirmam ter poderes
sobrenaturais deve ser considerada ou não, voltou à tona na Inglaterra
O porta-voz de uma instituição chamada "Missing People" ("Pessoas Desaparecidas", em português), também opiniou sobre essa questão: "Nós respeitamos o fato de que algumas famílias de pessoas desaparecidas vão querer tentar todas as possibilidades para encontrar um ente querido. Em uma pesquisa baseada em entrevistas com as famílias das pessoas desaparecidas realizada pela instituição, mostra que nenhum entrevistado relatou alguma descoberta significativa ou alguma espécie de conforto após ter se consultado com paranormais ou médiuns".

Vale ressaltar que a polícia consultou um médium sobre o desaparecimento de Milly Dowler, uma estudante de 13 anos de idade, que desapareceu em Walton-on-Thames em março de 2002. Seu corpo foi descoberto seis meses depois.

Vários médiuns também contribuíram com informações à polícia na caça ao "Estripador de Yorkshire" no final da década de 70 e início da década de 80.

Técnicas semelhantes foram utilizadas por detetives portugueses na busca por Madeleine McCann, que aos 3 anos de idade desapareceu quando estava de férias em Algarve, no ano de 2007, porém neste caso até hoje não a encontraram.

Um outro aspecto das diretrizes do "College of Policing" define a forma como os oficiais talvez precisem obter permissão para investigar a conta do Facebook de uma pessoa desaparecida. Isso porque a investigação sobre contas de redes sociais podem acabar se tornando uma espécie de "vigilância", exceto se os detetives seguirem as "etapas apropriadas".

É dito que as informações coletadas sobre a atividade online da pessoa pode fornecer pistas cruciais sobre suas intenções e possíveis destinos ao desaparecem, mas a polícia nem sempre têm o direito legal de acessar essas informações. Embora nenhuma autorização judicial seja necessária para visualizar as informações que um indivíduo tenha disponibilizado publicamente em uma rede social, acessar regularmente o registro de informações de uma pessoa pode ser considerado "vigilância", e poderia exigir uma autorização para isso através da RIPA (Regulation of Investigatory Powers Act).

A RIPA é uma lei um tanto quanto complexa e polêmica em vigor no Reino Unido, que permite aos governos e os órgãos locais, filmarem pessoas com câmeras escondidas, interceptar dados de tráfego de comunicação, como ligações telefônicas e visitas a sites da internet, bem como convocar "agentes" disfarçados para representar, por exemplo, adolescentes querendo comprar bebida alcoólica. Ela basicamente regulamenta a forma como tudo isso deve acontecer, assim como quem pode ter acesso a estas práticas e as razões pelos quais tais métodos precisam ser utilizados.

As diretrizes ainda dizem que se um perfil em uma rede social for considerado revelante para a investigação, recomenda-se que o contato seja feito com o provedor da rede social, e que a assistência do mesmo seja solicitada sempre que possível.

Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/detectives-investigating-missing-persons-cases-should-consider-the-advice-of-psychics-10476680.html
http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/11834761/Paranormal-tip-offs-should-be-evaluated-in-missing-persons-inquiries-say-official-police-guidelines.html
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