2 de agosto de 2015

"Médium de Animais" Diz Ter Se Comunicado Com o Leão Cecil, Assassinado no Zimbábue


Por Marco Faustino
 
A morte do leão Cecil está sendo propagada em centenas de veículos de comunicação ao redor do mundo. A comoção, praticamente mundial, gerada após ter sido caçado e assassinado no Zimbábue, está estampada em capas de jornais, revistas e não raramente a imprensa internacional passa algumas horas sem publicar alguma novidade sobre o caso. Uma dessas notícias nos chamou atenção, sendo por este motivo, que resolvemos trazer esse assunto para o blog.

Em nossa postagem você irá saber tudo o que sabe até agora sobre este caso, a importância da simbologia do leão, principalmente na África e também de Cecil, bem como a repercussão do caso na mídia americana e africana. Por fim, após você se inteirar sobre o caso, iremos contar sobre Karen Anderson, que ganhou certo destaque em diversos sites de notícias, por ter afirmado que entrou em contato com o leão Cecil, após sua morte. Karen, que se autointitula como uma comunicadora profissional de animais, alega conseguir conversar tanto com animais que estejam vivos quanto e mortos. Vamos a matéria?

Entenda Sobre o Caso da Morte do Leão Cecil

Muito do que se fala sobre o leão Cecil desde a última terça-feira (28) tem sido um tanto quanto confuso devido ao volume de informações, e também das diversas fontes que informam cada hora um detalhe diferente, porém o que vamos postar aqui é fruto de uma intensa pesquisa para poder trazer a vocês algo o mais próximo possível de ser confiável, certo?

O leão Cecil, tinha 13 anos de idade, e era a atração principal do Parque Nacional Hwange, localizado no noroeste do Zimbábue. Ele usava uma espécie de colar com GPS em torno do pescoço. Os cientistas da Unidade da Vida Selvagem da Universidade de Oxford, na Inglaterra, o rastreavam, estudando-o desde 2008, como parte de um estudo de conservação dos felinos, e tinha livre acesso à reserva.

O dentista Walter James Palmer, 55 anos, que é acusado de ter
matado de forma ilegal o leão Cecil, no Zimbábue
Tudo isso começou a mudar no início de julho quando descobriram a carcaça de leão em uma fazenda nos arredores do Parque Nacional Hwange, e logo perceberam que os restos mortais eram de Cecil. O que de fato tinha acontecido e quem o que tinha sido responsável por tal atrocidade desde então era um mistério. Até que na última terça-feira (28) o jornal britânico Daily Telegraph foi um dos primeiros, senão o primeiro a publicar quem supostamente era o assassino de Cecil.

O assassino do leão Cecil seria o dentista norte-americano Walter James Palmer, 55 anos, pai de dois filhos, morador da cidade de Eden Prairie, uma cidade ao sudoeste do centro de Minneapolis, no condado de Hennepin.  Walter tem uma clínica na cidade de Bloomington, também próxima a Minneapolis.

Segundo o site de sua clínica, a River Bluff Dental, ele foi graduado com menção honrosa pela Universidade de Minnesota, EUA, ao completar seu curso em 1987. Ainda segundo o site, o Dr. Palmer "tem um talento único para criar deslumbrantes sorrisos que se complementam a estrutura dentária, tom de pele e atributos faciais de cada pessoa. Um aspecto muito importante para alcançar isso é usar seu tempo para escutar atentamente o que o paciente deseja em seu sorriso e quaisquer preocupações que ele possa ter. A consulta de avaliação é gratuita". O site da clínica atualmente está fora do ar e conta com mais de 1.700 avaliações no Google reviews, a maioria recente e o avaliando negativamente devido a repercussão da morte do leão Cecil.

Entretanto, o sorriso de milhões de pessoas do mundo inteiro parece ter desaparecido após a Força Tarefa de Conservação do Zimbábue (ZCTF), uma organização não governamental local, ter declarado que o Walter Palmer pagou cerca de £ 35.000,00 (pouco mais de R$ 180.000) para poder caçar e matar o leão Cecil. Ainda segundo a organização, Cecil foi degolado e teve sua pele arrancada.

Evidentemente, se ele pagou, ele não estaria sozinho nesta empreitada. Theo Bronkhorst, caçador profissional no Zimbábue, também pai de dois filhos e dono Bushman Safaris Zimbabwe, que opera naquele país desde 1992, também participou da caçada. Junto com ele estava um de seus filhos, chamado Zane, também um caçador profissional igual ao pai e uma escolta enviada por um homem chamado Honest Ndlovu.

Theo Bronkhorst, caçador profissional do Zimbábue, também pai de dois filhos e dono Bushman Safaris Zimbabwe,
que opera naquele país desde 1992, também participou da caçada
Honest Ndlovu é o proprietário da fazenda Antionette, na Área de Conservação de Gwayi, do distrito de Hwange, no Zimbábue. A carcaça de Cecil foi encontrada em sua fazenda, que fica nos arredores do Parque Nacional Hwange, e Honest também é apontado por ter colaborado e permitido a morte de Cecil, que teria sido em circunstâncias ilegais.

Segundo o que se sabe até agora, na noite do dia 1 de julho o leão Cecil, o grupo (formado por Walter, Theo, Zane e uma escolta enviada por Honest Ndlovu) teria amarrado um animal morto na traseira de um carro e atraído Cecil para fora dos limites do parque, uma vez que caçá-lo dentro do mesmo seria totalmente proibido. Walter Palmer teria usado uma besta, atirando uma flecha em Cecil, e na manhã seguinte, no dia 2 de julho, o teria localizado e desferido a última flecha, que finalmente mataria o leão.

Localização e responsabilidades dos envolvidos

Theo Bronkhorst tinha sido acusado pelo suposto assassinato ilegal de Cecil na segunda-feira (27). No dia seguinte (28), a notícia sobre o quem seria o verdadeiro autor da morte de Cecil, o Dr. Walter Palmer, estorou na imprensa do mundo inteiro. Na quarta-feira (29), o Sr. Bronkhorst apareceu diante de juízes em um tribunal em Hwange, alegando que não sabia que se tratava de um leão rastreado, tão pouco de renome, acrescentando ainda que ele tinha uma licença para o seu cliente, Palmer, para atirar em um leão usando um arco e flecha. Ele foi formalmente por ter "deixado de supervisionar, controlar e tomar medidas razoáveis para impedir uma caça ilegal".

Theo Bronkhorst (à direita) ao lado de seu advogado chamado Givemore Muvhuringi (à esquerda)
Theo foi detido sob fiança no valor de US$ 1.000 (cerca de R$ 3.500), que foi rapidamente paga, e sequer passou um dia preso, respondendo então o processo em liberdade. Ele teve que entregar seu passaporte as autoridades, sendo impedido assim de deixar o país, e também foi proibido de continuar com a caça aos animais no Zimbábue. De acordo com a BBC, ele irá retornar ao tribunal no dia 5 de agosto (próxima quarta-feira) para julgamento.

O proprietário da fazenda, Honest Ndlovu,
que também teria ajudado Palmer na caçada ao leão Cecil
O proprietário da fazenda  Honest Ndlovu, que também teria ajudado Palmer, não foi acusado formalmente na última quarta-feira. Os oficiais do Parks (Autoridade Administrativa de Parques e da Vida Selvagem do Zimbábue) disseram que o Sr. Ndlovu deve testemunhar a favor do Estado, contra Theo Bronkhorst, para depois ser acusado de algum crime. Essa informação foi confirmada por Tonderai Mukuku, seu advogado.

Walter James Palmer retornou para os EUA, e devido a repercussão internacional que este caso teve, ele desapareceu por dois dias, com medo de aparecer em público, devido a uma forte possibilidade de revolta popular dos próprios norte-americanos. Inclusive os americanos fizeram uma petição, reunindo mais de 100.000 assinaturas, pedindo para a Casa Branca extraditá-lo para o Zimbábue, para que seja julgado pelo seu suposto crime.

Em uma carta a seus pacientes, o dentista disse que iria ajudar as autoridades do Zimbabué ou dos EUA em suas investigações, e pediu desculpas por interromper as atividades em sua clínica.Walter emitiu uma nota na última terça-feira (28).

Comunicado do Dr. Walter Palmer
28 de julho de 2015

"No início de julho, eu estava em Zimbábue em uma viagem de caça com arco em um grande desafio. Contratei vários guias profissionais e eles me asseguraram todas as licenças necessárias. Até onde tenho conhecimento, tudo a respeito desta viagem foi devidamente tratado e conduzido de forma legal.

Eu não tinha idéia de que o leão em que atirei era conhecido, que estava em seu local favorito, e era rastreado como parte de um estudo até o final da caçada. Confiei na experiência dos meus guias profissionais locais para garantir uma caça legal.

Eu não fui contatado por autoridades no Zimbábue ou nos EUA sobre esta situação, mas irei colaborar sobre quaisquer dúvidas que possam ter. 

Mais uma vez, lamento profundamente que o exercício de uma atividade, que eu amo e pratico de maneira responsável e legal, tenha resultado na morte deste leão"

Duas mulheres foram vistas carregando documentos da mansão avaliada em US$ 1 milhão
do Dr. Palmer, em Minneapolis, na última sexta-feira (31)
O Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre o caso. Embora o animal não estivesse protegido pela lei americana, já que a caça aconteceu na África, as autoridades "compartilham" o interesse do Zimbábue na proteção das espécies ameaçadas, e além disso averiguam se a morte do leão pode estar ligada a uma rede ilegal de tráfico de animais.

Em nota a agência federal norte-americana disse que, na noite de quinta-feira, que foram voluntariamente contactados por um representante do Dr. Walter Palmer, que sinalizou sua disposição de cooperar com eles.

A controvérsia sobre a caça aos leões no Zimbábue

A caça aos leões usando armas de fogo e um arco e flecha é totalmente legal no Zimbábue e outros países vizinhos, mas apenas em certas circunstâncias. A mesma é somente legalizada com licenças específicas concedidas pela Autoridade Administrativa de Parques e da Vida Selvagem do Zimbábue, e as empresas que prestam o serviço de auxílio a caça pagam uma taxa anual pela licença.

A ministra do Meio Ambiente do Zimbábue, Oppah Muchinguri
Apenas é permitida a caça dos animais que façam parte de uma cota de caça anual, sendo que a caça é permitida dentro de uma área de concessão privada, em áreas de caça comunitárias e safáris controlados pelo governo, mas jamais em um parque nacional.

Os caçadores são bem conhecidos por atrair os leões para fora dos limites de suas áreas protegidas, e a caça através do arco e flecha pode ser usado por aqueles que praticam a caça ilegal ou antiética, como dizem os conservacionistas do Zimbábue, uma vez que esta arma é bem silenciosa.

No entanto, segundo a Parks, tanto o caçador e terra proprietário profissional não tinham licença ou quota, que justificassem o que eles fizeram com o Cecil, e, portanto, são responsáveis pela caça ilegal. De qualquer forma Walter Palmer insiste que ele pensava estar em uma caçada legalizada.

No rastro de toda essa polêmica sobre Cecil, as Nações Unidas na última quinta-feira (30) aprovaram uma resolução para que os países se comprometam a intensificar a luta contra o crime vida selvagem. A resolução trata a questão como um aspecto do crime organizado, pedindo que os órgãos responsáveis na aplicação de leis adotem medidas para coibir a lavagem de dinheiro e irem atrás dos responsáveis atrás de seus autores. A campanha irá durar dois anos e será liderada pelo Gabão e pela Alemanha.

No Zimbábue, matar ilegalmente um leão gera uma multa de US$ 20.000 (cerca de R$ 70.000), e pode render mais de uma década atrás das grades. Na última sexta-feira (31) a ministra do Meio Ambiente do Zimbábue, Oppah Muchinguri, disse o procedimento para pedir a extradição e tentar julgá-lo já tinha sido iniciado. Ele lamentou que o caso tenha sido noticiado apenas quando o caçador já tinha deixado o país.

A entrevista de Theo Bronkhorst

Em entrevista para o Daily Telegraph, Theo Bronkhorst, detalhou o que teria acontecido na noite do dia 1 de julho e relevou uma face sombria de Walter Palmer, cujo foco parece que não era apenas em Cecil.

"Partimos bem tarde, com o sol baixo, e encontramos uma carcaça de um elefante, que arrastamos pela grama para servir de isca. Então criamos uma 'árvore cega' (um esconderijo camuflado feito de galhos de árvores e capim)", disse.

"Uma vez que foram estávamos escondidos e em silêncio, vimos primeiramente uma leoa passando. Logo em seguida, um enorme macho - Cecil - apareceu logo atrás dela. Ele era um animal magnífico. O cliente (Walter Palmer) disparou uma flecha usando sua besta, e ele fugiu pela vegetação. Isso aconteceu por volta das 10 horas da noite", continuou.

Theo Bronkhorst disse que tinha a sensação de que o leão tinha sido atingido, mas não tinha certeza.

"As feridas causadas por uma flecha são diferentes das feridas causadas por uma arma, e elas não são muito visíveis. De qualquer forma não podíamos fazer mais nada naquela noite", completou.

Theo Bronkhorst deixando o tribunal na última quarta-feira (29)
Os quatro homens retornaram para casa naquela noite antes de voltar para procurar Cecil na manhã do dia seguinte.

"Eu estava preocupado com o leão e o que tinha acontecido. Chegamos lá por volta de 9 horas da manhã, e o encontramos ferido. O cliente em seguida atirou nele, usando sua besta, e o matou", disse Bronkhorst.

No entanto, na versão apontada pela ZCTF, Walter Palmer teria atirado uma flecha com uma besta, e então somente após 40 horas de buscas, o leão Cecil teria sido encontrado, e finalmente morto com um tiro de espingarda desferido pelo próprio Walter.

Segundo Theo, o grupo então se aproximou do leão, e viu que tinha um colar de rastreamento.

"Fiquei arrasado", disse Bronkhorst, que imediatamente viu que ele havia matado um leão protegido.

"Eu não podia ver o colar a noite. Jamais atiraríamos em um animal rastreado. Eu estava arrasado, o cliente também. Ambos estávamos chateados, e eu entrei em pânico, e o colocamos em uma árvore. Eu deveria ter o levado para o Parks, admito isso. Então nós fizemos o que tinha de ser feito. Nós tiramos a cabeça e pele, uma vez que o cliente tinha pago pelo troféu", continuou.

"Fui até o Parks e relatei o que havia acontecido. Desejei ter tirado aquele colar", desabafou.

"Então voltamos para minha casa perto de Hwange. O cliente perguntou se não poderíamos encontrar um elefante para ele, que fosse maior do que 28 quilos (peso equivalente a uma presa de elefante), que é um elefante muito grande, mas eu disse a ele que eu não seria capaz de encontrar um tão grande. Assim sendo o cliente foi embora para a cidade de Bulawayo na noite seguinte. Ele então partiu para Joanesburgo em um vôo marcado para o meio-dia do dia seguinte", continuou.

"Ele ficou aqui apenas por alguns dias. Ele atirou no leão que queria atirar, ele pagou pelo o troféu, que é o crânio e pele. Eu os levei para Bulawayo onde estávamos cicatrizando os ferimentos, antes que fossem até um taxidermista e então serem exportados para os EUA, onde finalmente seria montado. Eles fazem isso melhor por lá, do que fazemos por aqui", completou.

Edson Chidziya, diretor da Parks, Autoridade Administrativa
de Parques e da Vida Selvagem do Zimbábue
Sr. Bronkhorst, disse que seu advogado, chamado Givemore Muvhiringi, o aconselhou, após a abertura do processo judicial, para entregar a cabeça e pele às autoridades do Parks.

"Eu nunca soube nada sobre Cecil, muito menos que este leão era famoso", disse ele. "Eu só descobri a partir da mídia. Não o teria reconhecido de qualquer forma", continuou.

"Houve quatro leões rastreados que foram mortos na mesma área este ano. Se eu tivesse sido capaz de levar o cliente onde nós devíamos estar, isso não teria acontecido", finalizou.

A cabeça do leão, que foi cortada pelos caçadores, assim como sua pele foi confiscada pelas autoridades ambientes do Zimbábue. Essa informação foi confirmada por Edson Chidziya, diretor da Parks.

Tudo errado desde o começo

Segundo Theo a caçada começou errada desde o começo. "Quando o Dr. Palmer chegou em Bulawayo, a bagagem dele tinha sido perdida, eu tive que correr e procurar para ele. Então nós começamos muito tarde a nos preparar para ir", disse ele.

"Nunca fomos preparados para caçar nas terras onde este leão foi atingido. De última hora eu tive que desviar de uma concessão (área de caça) a cerca de 12 km de distância", completou.

Theo Bronkhorst alega que começou seu negócio de caça depois de ter sido expulso de forma violenta de sua fazenda de 1.269 hectares, em Southcum, perto de Kwekwe, no região central do Zimbábue, como parte de um programa de apropriação de terras do governo de Mugabe.

"Eu não quero atirar em todos os animais. Faço isso porque é a única maneira que eu tenho para ganhar a vida", disse.

"Eu sou um agricultor. Mas perdi minha fazenda no ano de 2000, e fui forçado a caçar, mas só fiz isso cinco vezes no último ano. Gosto de levar uma vida tranquila, e também de criar de animais. Estou atualmente tentando aumentar o número de zibelinas no Zimbábue, que eu estou importando da Zâmbia", finalizou.

Talvez neste ponto Theo tenha apenas esquecido de mencionar, que a pele de zibelina é tão somente um dos tipos mais caros de pele no mercado, e muitos dizem que ela é "rainha das peles e a pele das rainhas".

Repercussão entre os cidadãos americanos e também na África

A morte do leão Cecil causou comoção em milhares de cidadãos americanos. Aliás, a mídia americana vem explorando cada ponto e detalhe sobre o assunto praticamente de hora em hora desde o começo da semana passada. Não se fala de outra coisa. A cada notícia sempre surge alguma coisa a mais ou desmentindo informações anteriores.

Mandy Moore, Debra Messing, Cara Delevingne, Candice Swanepoel, Sharon Osbourne, Ricky Gervais, Jimmy Kimmel, Mia Farrow, Kristin Davis, Judd Apatow, Debra Messing, Juliette Lewis, Olivia Wilde e Virginia McKenna, da Fundação "Born Free" (uma das mais importantes organizações mundiais de proteção da vida selvagem), estão entre as celebridades que deram uma resposta furiosa ao cruel assassinato do leão Cecil, por meio de redes sociais.
Manifestantes protestando na última quarta-feira (29) em frente a clínica do Dr. Palmer

A clínica do Dr. Walter Palmer amanheceu estranhamente fechada na terça-feira (28), pegando até mesmo os pacientes de surpresa. Manifestantes se reuniram em frente a clínica na quarta-feira (29), carregando cartazes com as seguintes frases: "Justiça para Cecil", "Caçadores de Troféus são Covardes" e "Processem os Caçadores ilegais". Bichinhos de pelúcia foram deixados na porta de entrada da mesma, até mesmo por crianças. Uma delas estava inclusive fantasiada de leão. Uma grande quantidade de cartazes e papéis foram deixados colados nas paredes.

Crianças foram prestar homenagem ao leão Cecil, deixando bichinhos de pelúcia e cartas em frente ao consultório do Dr. Palmer
A presidente da PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), Ingrid Newkirk, deu a seguinte declaração em uma nota divulgada pela imprensa: "A caça é um passatempo de covardes. Se, como foi relatado, este dentista e seus guias atraíram Cecil para fora do parque utilizando comida, para então matá-lo em uma propriedade privada, uma vez que atirar nele no parque teria sido ilegal, ele precisa ser extraditado, formalmente acusado, e de preferência enforcado".

A PETA é uma organização americana sediada em Norfolk, no estado da Virgínia, nos EUA, que se dedica à causa dos direitos dos animais e também engrossa uma outra petição que pede ao governo americano para tornar a importação de tais troféus, provenientes da caça a animais silvestres, ilegal, coibindo assim os interesses de caçadores americanos, que viajam para este propósito.

Ingrid Newkirk, presidente da PETA,
Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais
O Safari Club International, que promove a caça em todas as partes do mundo, disse em nota que: "aqueles que intencionalmente matam animais selvagens ilegalmente devem ser processados e punidos até ao limite máximo permitido por lei".

O assassinato de Cecil, no entanto, atraiu bem pouco a atenção da mídia na África. O pouco comentário veio na forma de editoriais irrisórios na mídia estatal do Zimbábue.

"Nunca desde o Simba, que ganhou fama no filme 'O Rei Leão', um leão ganhou o imaginário do mundo desta maneira", escreveu Alex Magaisa para o jornal zimbabueano "Herald". Embora trágica, a morte do leão não tem inflamado as paixões locais, porque é "muito distante das realidades vividas da maioria das pessoas locais", acrescentou. Ele disse ainda que o turismo e a caça no Zimbabué são "atoladas no elitismo".

Kennedy Mavhumashava adotou um tom similar no jornal "Zimbabwe Chronicle" e invocou a história do colonialismo ocidental: "Muitos acreditam que o leão foi nomeado devido a Cecil John Rhodes, o célebre precursor do colonialismo britânico na África Austral, o que explica a saturação da cobertura que estão dando ao desaparecimento de seu homônimo".

Por falar nisso o governo britânico manifestou a sua consternação na quinta-feira (30), com David Cameron dizendo que a Grã-Bretanha pretende desempenhar um "papel de liderança" na luta contra o comércio ilegal de animais silvestres. Grant Shapps, ex-ministro de Habitação e atual ministro de Estado no Departamento para o Desenvolvimento Internacional, escreveu ao ministro do Meio Ambiente do Zimbabué, clamando para que haja uma proibição em toda a África desta "caçada bárbara", na sequência de um ato que ele descreveu como "revoltante".

Quem é o Dr. Walter James Palmer?

Como já dissemos anteriormente o Dr. Walter James Palmer apesar de seu hobby um tanto quanto questionável, parecia levar uma vida tranquila nos EUA, sem maiores complicações, até que a imprensa investigou o seu histórico. Como a história se espalhou rapidamente nos noticiários e nas redes sociais, os detalhes sobre a vida pessoal de Palmer logo surgiram.

De acordo com o jornal Minneapolis Star Tribune, Palmer foi condenado em 2003 por pescar sem licença, uma contravenção, no condado de Otter Tail, Minnesota. Ele pagou apenas uma pequena multa.

Ele ainda tem uma ficha criminal que inclui uma condenação em 2008 por fazer uma declaração falsa a agentes federais. Palmer se declarou culpado da acusação naquele ano, depois de admitir que ele mentiu sobre um incidente ocorrido em Wisconsin, onde ele matou um urso negro em 2006.

De acordo com documentos judiciais, a caça de ursos negros é permitida em apenas três zonas em Wisconsin. Palmer estava licenciado em 2006 para caçar ursos negros apenas em uma área chamada Subzona A1. Ele foi acusado de matar um urso de fora dessa área, e depois mentir sobre onde ele matou.

Parte da sentença aplicada ao Dr. Walter Palmer, por ter matado um urso negro,
fora da área permitida em Wisconsin, bem abaixo do que poderia ter sido.
Palmer matou um urso negro em 30 de setembro de 2006, perto de Phillips, no condado de Price, em Wisconsin, cerca de 65 km fora da área que ele foi licenciado para caçar. Palmer e os outros envolvidos durante a caçada ao urso concordaram em dizer que foi morto em Minong, Wisconsin, que está dentro Subzona A1, caso as autoridades perguntassem onde o urso tinha sido morto, disseram os promotores na época.

Palmer na época foi condenado a um ano em liberdade condicional e condenado a pagar uma multa de US$ 2.938 (cerca de R$ 10.500 pela cotação atual), porém ele poderia ter sido condenado a 5 anos de prisão e multa de US$ 250.000 (cerca de R$ 875.000).

O histórico de Walter Palmer vai um pouco mais além. Ele pagou uma indenização em 2009 para retirar uma queixa de assédio sexual registrada contra ele por uma ex-funcionária. A funcionária, que também era uma paciente, apresentou queixa no Conselho de Odontologia de Minnesota.

Segundo a denúncia, a mulher alegou que "ela foi submetida a assédio sexual permanente e indesejável por (Palmer), incluindo, mas não se limitando a, comentários verbais e conduta física envolvendo seus seios, nádegas e genitália".

Parte do acordo realizado, no qual uma ex-funcionária
alega ter sido abusada sexualmente pelo Dr. Palmer
Ela disse que pediu seu supervisor e a Palmer que o comportamento parasse, mas ele continuou. Ela também disse que ela acredita ter sido demitida por reportar tal conduta. A funcionária trabalhou para Palmer, de 1999 a Janeiro de 2005, como recepcionista e também serviços odontológicos foram prestados a ela por Palmer.

A denúncia foi arquivada em 2010 depois que o Conselho determinou que ele tinha completado todos os requisitos no acordo. Sua seguradora pagou US$ 127.500 (cerca de R$ 450.000) para a mulher. Além da indenização, ele também foi condenado a completar um exame de jurisprudência e ética no trabalho.

Os vizinhos e pacientes de Palmer dividem opiniões sobre ele. Enquanto alguns falam que ele é uma pessoa "gentil e graciosa", outros dizem que ele sempre foi "uma pessoa ávida por dinheiro".

Anita Gibson disse na sexta-feira (31) disse saber que o Walter Palmer é um pai amoroso. Ela disse que sua filha frequentemente brincava com a filha de Palmer, quando ambas estudvam na escola primária de Eden Lake, cerca de uma década atrás. Walter Palmer sempre estava presente e cumpria com suas responsabilidades em casa.

No entanto pacientes de sua clínica revelam um lado mais mundano de Walter Palmer.

"Ele fazia a limpeza dos meus dentes nos últimos 10 anos. Não sei nada sobre a propensão dele da prática de caça ilegal", disse Brandon Thomas.

Uma ex-paciente chamada Lexy McGuire lembrou-se dele como "uma pessoa sempre ávido por dinheiro".

"A minha família parou de ir nele, porque ele cobrava nosso dinheiro antes mesmo de trabalhar (em nossos dentes)", disse McGuire.

"No entanto, a mídia está fazendo ele parecer essa pessoa má, e não acredito que ele tinha más intenções ao matar o leão. Não acho que ele faria isso se soubesse que ele iria perder clientes ou dinheiro deles", finalizou.

O dentista americano Walter James Palmer sendo fotogrado em suas diversas caçadas ao redor do mundo
De acordo com o Minneapolis Star Tribune, Palmer também teria descrito a caça como sua paixão, e já matou 43 tipos diferentes de animais, incluindo um elefante e urso polar.

Um Leão Chamado Jericho Seria O Irmão de Cecil? Também Foi Morto por Caçadores? 

Johnny Rodrigues, porta-voz da Força Tarefa de Conservação do Zimbábue (ZCTF), que não é uma agência oficial do governo, disse à ABC News, que Jericho (Jericó em português), tido como irmão de Cecil, tinha sido baleado por um caçador e morreu em 16h (horário local) de sábado, apenas meia hora após o parque divulgar um comunicado as 15:30 anunciando a proibição de caçar quaisquer leões, leopardos e elefantes. Foi feita inclusive uma postagem na conta oficial da ZCTF no Facebook onde eles se diziam totalmente de corações partidos. Johnny relatou que recebeu uma ligação de funcionários do Parque Nacional Hwange informando sobre a morte de Jericho.

Entretanto Drew Abrahamson, um fotógrafo da vida selvagem, disse no Facebook que Jericho estava enviando um sinal de rastreamento aparentemente normal, e postou uma imagem em que mostravas as informações via satélite.

No dia de hoje, David Macdonald, diretor da Unidade de Pesquisa de Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford, escreveu um post dizendo que Jericho tinha sido visto vivo e bem de saúde às 06:15, alimentando-se de uma girafa, que ele matou junto com suas leoas para seu próprio orgulho. O departamento acadêmico acompanhava Cecil, antes de ser morto, e faz o mesmo com Jericho. O pesquisador de campo Brent Stapelkam, inclusive tirou uma foto de Jericho na manhã de hoje.

O leão Jericho fotografado pelo pesquisador de campo Brent Stapelkam
"Jericho é um leão macho de grande porte, de aproximadamente 11 anos, que tem sido objeto de acompanhamento intensivo como parte de nosso estudo", afirma David Macdonald.

Após as declarações do pesquisador, a ZCTF reconheceu o erro neste domingo. No entanto, David Macdonald levanta outra polêmica ao explicar que Cecil e Jericho não eram irmãos, como se informou no sábado.

"Não eram aparentados, mas seu vínculo era próximo ao da irmandade. Frequentemente, os leões machos formam o que se conhece como 'coalizões' cooperativas para competir melhor com outros machos por territórios e bandos", disse David.

O leão Jericho apareceu na mídia na quinta-feira passada (29), quando a ZCTF disse que os 12 filhotes deixados por Cecil estariam ameaçados de morte, justamente por ele ser o segundo leão na hierarquia do clã de Cecil.

Alguns dos filhotes deixados pelo leão Cecil, supostamente assassinado pelo dentista americano Walter James Palmer
"Ele é o próximo macho na hierarquia e provavelmente fará de tudo para matar os herdeiros de Cecil e cruzar com as outras fêmeas do bando", disse Johnny Rodríguez.

"Como Cecil morreu no dia 1º, isso provavelmente até já pode ter acontecido. Mas a essa altura é melhor deixar a natureza seguir seu curso", completou.

O que se sabe até agora é que apesar das previsões pessimistas da ZCTF, Jericho está cuidando dos filhotes deixados por Cecil, porém isso não é uma certeza para o futuro.

"A lei natural na sociedade dos leões é que quando um macho morre e sua coalizão enfraquecida é usurpada, o novo macho-alfa mata seus filhotes", finalizou David Macdonald.

A simbologia do Leão e Sua Importância na África

Não há talvez nenhum animal na Terra, que gerou mais veneração e temor ao longo dos séculos. Em inúmeras culturas antigas, os leões eram semideuses e espíritos guardiões, símbolos de nobreza e justiça.

Do Mediterrâneo até a Ásia Oriental, as estátuas de leões enfeitaram os portões das cidades, as entradas de templos e as moradas dos reis. A Bíblia está repleta de passagens que sinalizam para o incrível poder dessas criaturas. O corpo de um leão constitui a base de uma das mais famosas estrutura do antigo Egito, a Esfinge de Gizé.

A deusa vingativa Sekhmet, representada por uma leoa,
simbolizava o calor feroz do Sol
Poder solar divino, autoridade real, força, coragem, sabedoria, proteção, mas também crueldade, ferocidade, devoradora e morte. O leão é uma imagem do grande e dor terrível na natureza, uma personificação grandiosa do próprio Sol. Como na verdade gosta de sombra, sendo principalmente um caçador noturno, suas associações solares baseavam-se menos nas observações de sua natureza do que no esplendor iconográfico de seu pelo dourado, juba radiante e simples presença física. Aparece tanto como destruidor quanto como salvador, investido de dualismo de tipo divino e captado num verso do livro de Joel (3:16): "Deus ruge de Sião e emite sua voz de Jerusalém e céus e terra tremem. Mas Deus é o refúgio de seu povo, um baluarte para o povo de Israel".

O tema da caça ao leão real, como na iconografia da Ásia Ocidental, simbolizava morte e ressureição, a continuação da vida garatida pela morte de um animal divino, ligado tanto ao supremo deus mesopotâmico Marduc, quanto à deusa da fertilidade Ishtar. Em algumas gravuras o leão parece oferecer-se ao sacrifício, e a própria divindade de rei é sugerida pelo agarrar destemido da pata do animal - imagem arquetípica da coragem humana igualando-se a do leão.

No Egito, a deusa vingativa Sekhmet, representada por uma leoa, simbolizava o calor feroz do Sol, mas o leão também era um guia para o reio dos mortos, pelo qual se acreditava que o Sol passava todas as noites. Daí as tumvas com pegadas de leão encontradas no Egito e as imagens de múmias carregadas nas costas de leões.

Os leões eram guardiões da morte na Grécia (identificados com Dionísio, Febo, Ártemis e Cibele) e dos palácias, tronos, santuários, portas ou portões em geral, assim como em Micenas. O grifo, híbrido de leão e águia, era símbolo guardião alternativo, sobretudo onde os leões eram conhecidos principalmente por intermédio dos contos de viajantes.

Pintura retratando Ricardo I, que foi apelidado de
"Coração de Leão" por sua coragem e liderança
Máscaras de leão ou batedores de porta anelados de leão (símbolos da eternidade) eram comuns nas portas egípicias. O Egito também foi a origem das torneiras ou fontes de água com cabeça de leão, simbolizando a enchente fértil do Nilo quando Sol estava no signo zodiacal de Leão (de 23 de julho a 22 de agosto).

Gravuras e selos de um leão devorando um touro, cavalo ou varrão representam os opostos complementares de vida e morte, Sol e Lua, verão e inverno - tema simbólico que aparece na África, na Ásia e no Oriente Médio.

A vitória sobre a morte é simbolizada por vestir uma pele de leão e por mitos como aquele em que Hécules mata o leão de Neméia ou Sansão despedaça um leão membro a membro. Alternativamente, no judaísmo, o leão da morte é superado pela oração (Daniel na cova dos leões). O leão era o emblema da força de Judá, e veio a ser associado tanto à salvação quanto à morte, e portanto ao Messias. Daí a surpreendente passagem ao Apocalipse (5: 5-6), em que o Leão de Judá se transforma no Cordeiro (Cristo) redentor.

A serenidade cristã ante a morte está expressa em muitas histórias simbólicas que envolvem leões, entre elas em que São Jerônimo removeu um espinho da pata de um leão. As ligações entre o leão e a ressurreição foram fortalecidas pelas lendas dos primeiros cristãos em que filhotes (cegos na primeira semana) nasciam mortos, e eram trazidos à vida por seus pais depois de três dias. Assim, o leão podia aparecer na arte cristã tanto como adversário quando como atributo. São Marcos, cujo evangelho enfatiza a majestade de Cristo, é identificado como um leão alado (o emblema de Veneza, na Itália).

Vishnu, algumas vezes mostrado como
sendo um híbrido de homem e leão
De maneira menos ambivalente, o leão é um símbolo muito difundido de poder e dominação reais, vitória militar, bravura, vigilância e firmeza, virtude personificada na arte por uma mulher a lutar corpo a corpo com um leão. Os líderes identificados com o leão incluem o genro de Maomé, Ali, o "Leão de Alá", que simboliza a destruição do mal no islã; Ricardo I, o "Coração de Leão" (os leões eram usados com frequência como emblemas funerários de cruzados mortos); e os imperadores da Etiópia, que adotaram o Leão de Judá como símbolo nacional. O leão era o emblema real da Escócia e da Inglaterra, e tornou-se símbolo dominante do poder imperial britânico no século 19.

O suave Buda é um "leão entre homens", pois o leão na Índia simbolizada coragem e sabedoria, zelo religioso e defesa na lei. Era um avatar hindu de Vishnu, algumas vezes mostrado como um híbrido de homem e leão, e companheiro da deusa guerreira matadora de demônios, Durga.

O leão também era emblema do grande Ashoka, que unificou a Índia no século 3 a.C. Na China e no Japão, o leão é protetor; as danças de máscara de leão têm o mesmo objetivo amedrontador das danças de dragão. Na arte asiática, os leões costumam aparecer como uma bola, que pode simbolizar o Sol ou o ovo ou vácuo cósmicos.

Nos dias de hoje a imagem do leão possui um simbolismo real em dezenas de países. É um ícone tanto para um time de futebol camaronês, quanto para dissidentes iranianos no exílio. É o emblema nacional da república indiana, a insígna dominante na bandeira do Sri Lanka, e o logotipo da marca mais popular de cerveja na Tailândia. Não é a toa que o leão é considerado o rei da selva, passando por momentos trágicos como o Coliseu, até momentos de descontração familiar como em "As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" de C. S. Lewis.

A Mensagem de Cecil Através De Uma "Médium de Animais" 

Karen Anderson, uma americana que se autointitula como uma comunicadora profissional de animais, alega o Leão Cecil tem falado com ela e deu instruções sobre como lidar com a sua morte. Karen postou em seu Facebook, que ao fazer contato com ele, ela queria que Cecil soubesse o quão amado e honrado ele era.

Ela se diz especialista em falar com os animais de estimação falecidos de seus clientes e cobra cerca de US$ 75 (cerca de R$ 260,00) para uma sessão de 15 minutos com até dois animais vivos ou falecidos por telefone, até US$ 149 (cerca R$ 520,00) por uma sessão de 30 minutos com até cinco animais vivos ou falecidos. Ela diz que consegue conversar tanto com animais que estejam vivos quanto e mortos. Cadastrando um email em seu site, o cliente tem direito a um desconto de US$ 25 (cerca de R$ 88,00) em sua primeira sessão.

Em sua postagem no Facebook na última quarta-feira (29), Karen disse chorado ao ouvir suas palavras, visto que sua mensagem é profunda. Vamos então a suposta mensagem do leão Cecil.

Mensagem que Karen Anderson supostamente obteve durante um contato com o leão Cecil, assassinado no começo de julho
"Não deixeis que as ações de alguns homens nos derrotem ou permitam que escuridão entre em nossos corações. Se o fizermos, então, nos tornaremos um deles. Elevem suas vibrações e permitam que esta energia os façam seguir em frente. O que aconteceu não precisa ser discutido como aconteceu ou o porquê aconteceu. Sejam corajosos e se sintam confortados meus filhos, porque estou melhor do que nunca, mais grandioso do que antes, uma vez que ninguém pode nos tirar a pureza, a nossa coragem ou a nossa alma. Para sempre. Estou aqui. Sejam fortes e falem para todos os outros que sofrem desnecessariamente para satisfazer a ganância humana. Traga Luz e Amor, e vamos superar isso".

Karen diz que usava sua mediunidade para fazer com as leis fossem cumpridas aqui na Terra ao procurar por bandidos e criminosos, mas agora ela se opõe as leis da metafísica, leis da atração e as leis da energia, ao se conectar com os entes queridos tanto humanos quanto animais.

Muitos se fazem a mesma pergunta, mas será
que animais tem alma e vão para o "paraíso"?
André Ariovaldo, vice-presidente do Centro Espírita Batuíra de Sorocaba/SP, escreveu em uma publicação em seu blog no dia 28 de março de 2014, que segundo "O Livro dos Médiuns", capítulo XXV, item 283, pergunta nº 36, depois da morte do animal, o princípio inteligente que havia nele, fica em estado latente. Este princípio é imediatamente utilizado por certos espíritos encarregados deste cuidado para animar de novo seres nos quais continuam a obra de sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos, não há espíritos de animais errantes, mas somente espíritos humanos. Se o princípio que o habitava fica em estado latente, equivale a dizer que não há atividade animal no mundo espírita, pelo menos não segundo Allan Kardec e São Luís que foi quem respondeu a esta pergunta.

Os Espíritos afirmam a Kardec, que o espírito do animal existe e que sobrevive ao corpo, mas é inferior ao do homem. Haveria, entre a alma dos homens e dos animais, tanta distância, quanto entre a alma dos homens e Deus.

A alma do animal ficaria em uma espécie de erraticidade, pois não esta unida a um corpo, mas não é um espírito errante. O espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do espírito. O Espírito do animal é classificado, após a morte, pelos espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas.

A diferença estaria na consciência do eu. É esta consciência que dá ao Espírito humano a superioridade sobre o espírito do animal. O animal não é dotado desta consciência; com isso, seus atos não são nem bons nem maus e é por esse motivo que não precisam de intervalos entre as encarnações, pois esse intervalo ou erraticidade tem por finalidade ajudar o Espírito a medir a consequência dos seus atos, para que ele possa projetar novas existências onde dará continuidade em seu roteiro evolutivo, através de novas provas e expiações. O animal não possui esta característica, ou seja, não tem o que expiar nem o que provar. Desse modo, não tem necessidade de permanecer errante, reencarnando logo em seguida à sua morte precedente.

Entretanto existem diversas obras que afirmam a existência de animais no mundo dos espíritos, porém essa é uma longa discussão, que renderia até mesmo um especial apenas sobre este assunto em específico.

Conclusão

De acordo com a National Geographic, há 2.000 anos mais de um milhão de leões vagavam pela Terra. Agora esse número pode ser inferior a 20.000, sendo que uma grande parte deles se localizam na parte oriental da África e também na Índia. O declínio é em grande parte o resultado da perda do habitat dos animais, que são invadidos por uma população humana em expansão.

A caça ao leão é uma das atividades mais antigas no mundo, porém a real perseguição aos leões ocorreu somente nos últimos dois séculos. Em 1800, as estimativas a respeito da população de leões foram uma das maiores que se tem notícia na história, talvez 1 milhão ou mais. Entretanto, décadas depois se observou um declínio acentuado. Por volta de 1940, havia apenas 450 mil, e um número chocante de 50 mil surgiu apenas meio século mais tarde. Esta é a consequência da caça ilegal, bem como o efeito da crescente população humana, e da diminuição em paralelo do habitat dos leões. No século 19, colonos britânicos embarcaram no primeiro grande safari africano, matando dezenas de milhares de um continente subjugado e de fauna exótica, e isso incluiu inúmeros leões.

Nossa comodidade moderna cercada pela eletricidade, supermercados, carnes em pratos de isopor ou penduradas em ganchos de aço inoxidável em um açougue próximo de nossa casa, nos faz refletir de outra forma sobre a caça aos animais, embora a prática seja apenas vista como "esportiva".

Nossa evolução nos permite pensar, questionar, tomar atitudes, que não geram apenas um viés positivo ou negativo, muitas vezes geram ambos. De um lado temos um instinto sombrio pela conquista e o passado de guerras e colonianismos, que ainda existe, porém disfarçado, nos faz ter um pouco de Palmer dentro de nós. De outro lado temos nossas edificações suntosas de concreto acinzentados, ar condicionado, ventiladores e climatizadores, que podem nos refrescar e amenizar no calor, inclusive das nossas pretensões. Aliás, a tecnologia faz com que fiquemos ocupados com leitura, jogos, romances e diversões das mais variadas. A evolução das sociedades, principalmente ocidentais, permitiu um certo discernimento entre o que seria considerado certo ou errado do ponto de vista moral, ético e de acordo com nossas necessidades individuais.

Este é um jogo de gato e rato, de leão contra humano, de humano contra humano, de uma linha evolutiva sem precedentes. Parafraseando o que está escrito em alemão em um dos espelhos usados no "Denkmal für die ermordeten Juden Europas" (Memorial aos Judeus Mortos da Europa), em razão do Holocausto, localizado em Berlim, na Alemanha, cabe a nós respondermos uma única questão: A caça aos leões é uma aberração ou apenas um reflexo do que somos?

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
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https://www.facebook.com/pages/Karen-Anderson-Animal-Communicator-Author/62710731536
https://www.washingtonpost.com/news/worldviews/wp/2015/07/29/cecil-the-lion-and-mankinds-long-history-of-both-revering-and-destroying-his-species/
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