28 de agosto de 2015

Expedição Que Pretendia Descobrir a Verdade Sobre o "Yeti" É Interrompida Pela Possibilidade de Terrorismo

Por Marco Faustino
 
Na semana passada uma expedição liderada por um dos alpinistas mais aclamados do mundo, para descobrir de uma vez por todas se o Yeti, também conhecido popularmente pelo nome de "Abominável Homem das Neves", realmente existe foi frustrado pela possibilidade de terrorismo por parte do Talibã.

A viagem para as montanhas remotas ao norte do Paquistão deveria ter sido liderada por Reinhold Messner, um alpinista italiano, que foi a primeira pessoa a escalar o Everest sem a utilização de cilindro de oxigênio, assim como foi o primeiro a escalar as 14 maiores montanhas do mundo.

Ele esperava reunir evidências para apoiar a uma teoria apresentada por cientistas da Universidade de Oxford. Essa teoria diz que o Yeti, que muitos acreditam ser uma espécie de hominídeo peludo capaz de andar sobre duas pernas, na verdade seja um híbrido antigo de um urso europeu com um urso polar.

Reinhold Messner, 70 anos, há muito tempo se considera fascinado pelo Yeti, mas acredita que a criatura é uma espécie de urso do Himalaia, assim como ele acredita que os avistamentos do "Pé-Grande" ou "Sasquatch" nas Montanhas Rochosas, na América do Norte, sejam apenas ursos pardos.

Ele e sua equipe, composta por uma equipe de TV britânica, esperavam capturar um urso selvagem nas montanhas do norte do Paquistão, com o objetivo de coletar uma amostra de sangue para então compará-la com outras amostras que supostamente seriam de Yetis, e que foram coletadas ao longo dos anos.

A expedição era para ter sido conduzida supostamente em segredo, por causa de temores em relação a segurança da equipe, mas o projeto acabou sendo exposto pela imprensa austríaca, e teve que ser abortada por causa do medo de que a notícia poderia ter chegado até os combatentes do Talibã nas áreas mais remotas do Paquistão. A equipe de Messner inclusive estava na estrada quando ficou sabendo que sua expedição estava sendo divulgada nos jornais da Áustria, e em seguida começou a ser replicada na Alemanha.

"Neste momento tudo foi cancelado porque as pessoas que não deveriam ter conhecimento sobre a expedição, obviamente, alguém mais acabaria sabendo sobre ela", disse Messner, o que foi interpretado como uma referência velada ao Talibã.

"Entretando continuo disponível para participar deste interessante projeto", completou.

Bryan Sykes, professor de Genética
da Universidade de Oxford, na Inglaterra
Na expedição ao Paquistão, como dissemos anteriormente, Messner pretendia reunir informações que pudessem dar algum respaldo a uma teoria formulada por um cientista britânico chamado Bryan Sykes, um professor de genética na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Bryan diz que o Yeti talvez seja um híbrido desconhecido, um produto do intercruzamento de ursos europeus e ursos polares há dezenas de milhares de anos.

Em 2013 ele realizou testes em uma amostra de pelo de um animal abatido por um caçador na região de Ladakh, no nordeste da Índia, há 40 anos, e em outra amostra coletada de uma floresta de bambu de alta altitude no Butão, que seria de um "migyhur", também conhecido popularmente por Yeti butanês.

Os resultados sugeriam que as duas amostras eram compatíveis com o DNA de urso polar que existiu há 40.000 anos. Isso indicava, por mais improvável que pudesse parecer, que uma antiga espécie híbrida de urso ainda poderia existir nas áreas mais remotas do Himalaia.

O professor Sykes, responsável pela análise, comparou o DNA das amostras com o material genético extraído de uma antiga mandíbula de urso polar encontrada no arquipélago de Svalbard, na Noruega, e que por sua vez datava entre 40.000 e 120.000 anos atrás. Na época ele descreveu a descoberta como "emocionante e completamente inesperada".

Messner, já havia sugerido que o Yeti podia ser uma subespécie rara de um urso conhecido como o "urso azul tibetano". "Queríamos descobrir quando este intercruzamento poderia ter acontecido", disse Messner, em entrevista a ANSA (Agência Nacional de Notícias da Itália).

"De acordo com algumas teorias isso teria acontecido em um período de tempo relativamente recente, talvez entre 11.000 e 12.000 anos atrás. Se isso for realmente confirmado, podemos tirar conclusões interessantes sobre a migração do animal durante a última Era do Gelo", completou.

O alpinista Reinhold Messner acabou cancelando a expedição que buscava descobrir a verdade sobre o Yeti,
devido a forte possibilidade de algum ataque terrorista nas áreas mais remotas do Paquistão
O interesse de Messner na existência do Yeti existe a cerca de 30 anos. Em 1988 ele participou de uma expedição ao Tibete para descobrir mais sobre o lendário "Abominável Homem das Neves". Dois anos mais tarde, ele escreveu um livro chamado: "My Quest for the Yeti: Confronting the Himalayas' Deepest Mystery” (em português, "Minha Busca pelo Yeti: Confrontando o Mais Profundo Mistério do Himalaia").

Messner é um membro honorário da Real Sociedade Geográfica, em Londres, e atualmente reside em um castelo na província italiana de South Tyrol, ao norte da Itália, onde ele administra um museu dedicado ao alpinismo e arte tibetana. Ele também é escritor e dá palestras ao redor do mundo sobre suas expedições, que incluem travessia a pé na Groenlândia, na Antártida, Tibete e no deserto de Gobi.

"Não sou um cientista, mas durante as minhas expedições eu coletei muita informação sobre o Yeti, e estou feliz em colocar à disposição dos pesquisadores", disse Messner.

Por outro lado os testes da Universidade de Oxford foram contestados por pesquisadores norte-americanos, que dizem que as amostras de pele provavelmente são de um urso pardo do Himalaia, uma subespécie do urso pardo que vive no Nepal, Tibete, norte do Paquistão e norte da Índia.

Pelo que vimos ainda não foi dessa vez que o mistério em torno do Yeti foi desvendado, mas quem sabe na próxima, não é mesmo?

Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/pakistan/11812875/Trek-to-discover-truth-about-Yeti-foiled-by-Taliban.html
http://www.bbc.com/news/world-asia-24564487
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