13 de julho de 2015

Mistério das Crateras na Rússia Resolvido? Cientistas Dizem Que São Erupções de Metano!


Por Marco Faustino

Uma nova expedição realizada esta semana até as crateras em Yamalo-Nenets, uma região autônoma ao norte da Rússia, mostrou como as crateras se alteraram rapidamente desde que foram notadas pela primeira vez no ano passado. É importante ressaltar que a região é rica em fontes energéticas como o gás natural.

Nesta nova visita aos locais foram encontradas evidências, que as crateras eram anteriormente pingos, os quais são formações geológicas, também conhecidos como hidrolacólitos, que são basicamente gelo coberto por terra. Esses pingos são comuns em regiões árticas e sub-árticas. Assim sendo os cientistas russos dizem que tais crateras foram causadas por drásticas erupções de gás em um processo "nunca observado" anteriormente. O aquecimento ao longo de vários anos desencadeou o derretimento de gelo e gerou espaços vazios no interior desses pingos, que ficaram repletos de gás natural, principalmente de metano. Isso fez com que houvesse uma erupção de gás.

As crateras intrigaram e deixaram perplexos os cientistas ao redor o mundo no ano passado, gerando inicialmente uma série de especulações e teorias quanto as suas origens. As mais diversas hipóteses foram aventadas. Alguns diziam que poderiam ter sido criadas por meteoritos, mísseis ou até mesmo fruto da ação de alienígenas.

Foto da cratera B-1 como era no ano passado.
Desde então ela passou a encher de água, quase se transformando definitivamente em um lago
O professor Vasily Bogoyavlensky, que liderou a mais recente expedição, analisou a mais famosa cratera, conhecida como B-1, que fica a cerca de 30 km do campo de gás chamado Bovanenkovo. Os cientistas foram surpreendidos ao descobrirem, através de equipamentos de eco-sonar, que a cratera tinha mais de 60 metros de profundidade. Isso é significativamente maior do que se acreditava anteriormente, e grande o suficiente "para caber um prédio de vários andares".

O buraco formado já está quase cheio de água após o derretimento da camada de neve criada no inverno. Quando foi visitada no ano passado, o fundo era bem raso, mas agora um lago está começando a se formar.

A cratera B-1 hoje em dia sendo tomada pela água praticamente até a sua borda

"Agora podemos explicar com mais certeza sobre o processo que levou à formação da famosa cratera Yamal B-1", disse Vasily Bogoyavlensky ao jornal "The Siberian Times". "Inicialmente era um pingo", completou. Um pingo pode chegar a ter 70 metros de altura e até 600 metros de diâmetro. Neste caso, o aquecimento do calor geotérmico causou o degelo de metade desse pingo e então parte dele se encheu de gás, que se originou a partir das profundezas da Terra, através de rachaduras e falhas geológicas.

O professor seguiu dizendo: "Sabemos com certeza que há uma fissura no solo neste local, provavelmente ainda há duas fendas que se cruzam. As ravinas ao redor do local confirmam isso. Através das rachaduras, o gás natural das profundezas entrou no núcleo de gelo o derretendo. O gás então preencheu o espaço, que antes era gelo, e provocou a erupção".

"O pingo também foi aquecido por uma corrente de calor que vem das profundezas da Terra através das fendas. O processo é diferente do que o habitual, porque normalmente pingos descongelam e entram em colapso, formando crateras e lagos em seguida", continuou.

Localização no mapa das crateras em território russo
Assim como a B-1, outras crateras conhecidas como a B-3 e B-4, também nota-se que o pingo entra em erupção devido ao gás, que havia preenchido o seu núcleo. "É um processo muito interessante e nós nunca tínhamos observado isso antes", completou o professor.

Ele segue explicando: "Acho que no ano que vem a cratera estará cheia de água e irá se transformar defintivamente em um lago. Daqui a 10 ou 20 anos, será difícil dizer o que aconteceu aqui. As bordas da cratera vão desaparecer devido as chuvas e o derretimento de gelo, bem como os montes que serão cobertos pela grama".

"Portanto, esta grande cratera se enche de água muito rapidamente, em questão de apenas dois anos, por isso temos de examinar tão rápido quanto pudermos tal formação assim que elas aparecem na paisagem", finalizou.

Segundo o professor uma outra cratera, que já formou em um lago, conhecida como B-2, a cerca de 20 km da cratera B-1, pode ter sido originada de uma forma ligeiramente diferente. A cratera B-2 é cercada por 30 crateras bem menores ou crateras "satélites".

"Foi a primeira vez que os cientistas, ou qualquer outra pessoa, viu a cratera B-2 de perto. Ela foi descoberta inicialmente a partir da análise de imagens de satélite", relatou o jornal "The Siberian Times".

Por mais que fosse um pingo, sua estrutura subterrânea aparenta ser diferente. A cratera B-2 pode ter sido resultado de uma combinação de um tipo de erupção que criou a B-1, e um fenômeno completamente diferente conhecido como "vulcão de lama". "Não conseguimos encontrar uma boca ou uma garganta, muito embora tenhamos usado diferentes tipos de eco-sonares. Dessa forma, essa tal garganta pode estar lá, mas repleto de lama, impedindo-nos de detectá-la. Vamos tentar novamente usando outro equipamento", disse Vasily. É importante ressaltar que mais pesquisas devem ser realizadas nesta cratera.

A cratera B-2 vista de perto e sendo acompanhada ao redor de pelo menos 30 crateras menores.

A presença de pequenas crateras em torno da maior, sendo que ao menos 30 delas são visíveis, também podem indicar que a boca da cratera tinha canais laterais, de modo que a estrutura desta formação pode ser comparada a uma árvore. Os gases passaram pelos canais formando as pequenas crateras, mas não foi suficiente para gerar uma cratera maior.

Os cientistas estavam preocupados de que os buracos gerados pela erupção poderiam representar uma ameaça para a extração de gás na Rússia, principalmente na região de Yamal, cujo nome significa "o fim da Terra".

O professor Vasily Bogoyavlensky disse: "Por mais que seja assustador ver as crateras, não vemos nenhuma razão no momento para se ter pânico". No entanto é provável que mais crateras irão aparecer e elas devem ser cuidadosamente monitoradas. "No ano passado nós repassamos informações aos oficiais sobre um grande pingo próximo de um gasoduto. O pingo até mesmo começou a levantar o tubo como se fosse um macaco hidráulico", disse.

"Mesmo assim os oficiais ainda não tomaram quaisquer medidas para mover o tubo. De qualquer forma vamos continuar a pesquisar e informar sobre os possíveis perigos para a infraestrutura", finalizou.

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Geologia de Petróleo e Gás e Geofísica Andrêi Trofimuk havia sugerido que as crateras poderiam estar ligadas ao Triângulo das Bermudas. Acredita-se que explosões sob o oceano Atlântico são causadas por elevadas emissões de hidratos de gás, que poderiam explicar parte do mistério sobre navios e aviões desaparecerem na região.

Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3159067/Mystery-Siberia-s-200ft-deep-craters-solved-Enormous-holes-formed-methane-eruptions-triggered-melting-permafrost.html
http://siberiantimes.com/science/casestudy/news/n0302-startling-changes-revealed-in-mystery-craters-in-northern-siberia/
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