25 de junho de 2015

Redescoberto "rosto" misterioso em um penhasco de uma ilha remota no Canadá




Por Marco Faustino

Hank Gus, guia e agente de preservação ambiental local, postou imagens fascinantes de um rosto gravado nas rochas de Reeks Island, Canadá. O rosto já havia sido notado quando uma turista, em um passeio de caiaque, explorava um grupo de ilhas chamadas de "Broken Islands" em 2008. Vamos voltar ao passado até chegar a esta notícia para que possamos compreender melhor sobre o histórico deste rosto.

Uma turista americana chamada Sandy Floe, em 2008, estava realizando um passeio de caiaque na região de "Broken Islands", que é um grupo de pequenas ilhas e ilhotas na costa oeste da Ilha Vancouver, Colúmbia Britânica, no Canadá. Foi quando ela se deparou com um enorme rosto gravado em um penhasco.

Então ela mandou um email para o Parque Nacional Pacific Rim, que é uma reserva federal canadense localizada na província de Colúmbia Britânica e responsável pela área, dizendo: "Eu fui para mais perto da costa........ passando por recifes de algas kelp para explorar uma pequena fenda na costa rochosa no lado sudeste da Reeks Island. De repente, vi o que você vê na imagem. Um rosto! Eu quase caí do caiaque!". Ela ainda ressaltou que a área onde está localizado o rosto é perigosa. Floe escreveu que ela navegou com seu caiaque através de uma espécie de "rampa" entre os recifes e a ilha para observar melhor o rosto, mas era muito perigoso sair do caiaque e escalar o penhasco. Na época, Karen Haugen, gerente do programa First Nations da Agência de Parques no Canadá, leu o email e o encaminhou para a Tseshaht First Nation.

Visão geral do território da Tseshaht First Nation e do grupo de ilhas chamado "Broken Islands"
na província da Columbia Britânica Canadá (imagem: Wikipedia)
A Tseshaht First Nation é uma união de muitas tribos aborígenes canadenses que compreendem em um território ao redor de toda a Enseada Alberni na região central da Ilha Vancouver. Segundo estatísticas oficiais existem atualmente 1.113 membros desta união e a principal reserva da comunidade está localizada em Port Alberni. Eles se tornaram uma tribo dominante da área através de uma guerra histórica. Além disso a Tseshaht First Nation é uma das 14 nações que compõem a cultura Nuu-chah-nulth.

Arqueólogo Denis St. Claire
(imagem: site Gillian McMillan)
Na primavera de 2008, ou seja, no mesmo ano, o arqueólogo Denis St. Claire foi enviado para examinar o "rosto" mais de perto, e com sorte, determinar se possuía características naturais ou se foi esculpido homem. Entretanto a costa acidentada impediu qualquer exame mais minucioso e St. Claire foi incapaz de dizer como o rosto na rocha havia se formado daquele jeito.

Em um e-mail para o jornal Ha-Shilth-Sa, da própria comunidade, St. Claire escreveu: "É um local de difícil acesso e seria necessário que o mar estivesse menos agitado para alguém saltar de um barco e escalar o penhasco para chegar mais perto. Isso precisaria ser feito para determinar se é uma formação natural ou esculpida pelo homem... Certamente parece ter sido feita de forma proposital, mas a natureza pode nos pregar peças, e por isso que uma visão bem próxima do local seria necessária para ver se há sinais históricos de modificações na rocha".

Ele disse que um exame mais próximo do local poderia indicar que isso não tivesse sido esculpido pelo homem, visto que da distância de um barco aparentemente tenha sido. Denis St. Claire ressalta: "Ao longo dos séculos, muitos Tseshaht podem ter tratado isso como algo muito especial, e continuaria sendo independentemente da sua origem". Entretanto, ele disse que trabalhou com pessoas mais idosas nas décadas de 70 e 80 e nenhuma delas sequer mencionou algo sobre um rosto gravado em uma rocha.

Hank Gus, guia e agente de preservação ambiental
do Tseshaht First Nation (imagem: Facebook)
Cerca de 2 anos atrás, Hank Gus, guia e agente de preservação ambiental local, ouviu as histórias sobre a primeira descoberta deste rosto rochoso lá em 2008. O grupo o qual Hank pertece fornece orientações para praticantes de caiaque e demais visitantes, entre outras funções, tal como a preservação ambiental da área. Ele passou os últimos dois anos pacientemente procurando o rosto nas rochas. Finalmente, há algumas semanas, ele o avistou no alto de um penhasco.

"Gus e alguns colegas do grupo descobriram o rosto há algumas semanas, e eles vieram para compartilhá-lo conosco e também com o arqueólogo com quem trabalhamos", disse Matthew Payne, atual gerente do programa First Nations da Agência de Parques do Canadá à ABC News na última terça-feira (23). "Nós saímos recentemente para vê-lo, e é notável. É realmente um rosto olhando para você", completou Payne.

Hank Gus estima que o rosto tenha pouco mais de 2 metros de altura, e em recente entrevista para a CTV News, emissora de TV canadense, o mesmo disse que, para ele, o rosto parece estar soprando, e talvez seja um símbolo do vento. "É algo que realmente se assemelha a um rosto na rocha. Seu nome é Ugi e ele parece estar soprando o vento. Ele está compartilhando a história de nossos antepassados e mantendo-a viva", explicou.

Aliás, um ponto curioso é que o rosto lembra o de uma escultura entalhada na madeira da porta do escritório da administração Tseshaht, feita por Gordon Dick, um artista Tseshaht. Dê uma olhada na foto abaixo e tente comparar. Essa semelhança foi apontada por Darrell Ross, que é Pesquisador Adjunto de Planejamento dos Tseshaht, que também relatou a simbologia relacionada ao vento.

Escultura entalhada na madeira na porta do escritório de administração Tseshaht feita por Gordon Dick, um artista Tseshaht (imagem: ABCNews)
Por enquanto o mistério permanece, já que parece estar tudo certo para Alan Latourelle, CEO da Agência de Parques do Canadá. O mistério é o que faz o rosto tão fascinante, diz ele, e é o que provavelmente irá atrair visitantes. "É realmente uma grande descoberta, mas é também serve de inspiração para todos os visitantes que vêm para Broken Islands", completa ele.

Para Hank Gus, é uma descoberta que pode ajudá-lo a aprender mais sobre seus ancestrais. "Não importa se é natural ou esculpido pelo homem", diz ele. "É apenas muito bom poder compartilhá-lo com outros que venham nos visitar".

E para você? Alguma civilização do passado esculpiu a rocha? Foram os Tseshahts? Uma simples formação natural da rocha? Fato é que essa não é bem uma descoberta recente como foi replicado em muitos sites e jornais aqui do Brasil e do exterior. A formação já havia sido descoberta em 2008 e algumas pessoas dizem que é possível visualizar essa formação pelo Google Maps, cuja última imagem teria sido de 2012. Entretanto, vale a notícia e o mistério que permanece de como aquele "rosto" aparentemente está gravado na rocha.

Pelo visto esse mistério permanecerá por muito tempo sem uma análise mais profunda.

Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:

http://abcnews.go.com/International/man-discovers-mysterious-large-face-canada-cliffside-year/story?id=31968181
http://www.hashilthsa.com/news/2015-06-09/tseshaht-face-rock-mystery-–-man-made-or-gift-mother-nature

http://www.hashilthsa.com/news/2015-05-25/update-broken-group-islands-tseshaht-beachkeepers
http://www.buzzfeed.com/craigsilverman/a-face-mysteriously-appeared-on-a-cliff-in-canada-and-no-one#.bplMRNj2eM
http://www.ctvnews.ca/canada/mystery-surrounds-huge-face-etched-into-cliff-on-remote-b-c-island-1.2434022
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3136985/Man-discovers-hidden-face-Canadian-cliff-TWO-YEAR-search-debate-turns-man-carving-marvel-Mother-Nature.html
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