9 de abril de 2015

Minha História Assombrada: O Coração do Cemitério

Esse relato aconteceu comigo. Sempre fui bem cética, e nunca tive nenhum poder especial para ver nada. Mas sempre me interessei por magia e ocultismo. Conheci meu mestre de magia na adolescência, e comecei a estudar. Mas esse relato aconteceu comigo quando eu tinha 20 anos, em 2008.

Já estava estudando magia nessa época, e todos sabiam que eu era bruxa. Devo citar que sou o tipo de bruxa que não ferra com a vida das pessoas. Uso magia, tarô, banhos de ervas e todo o meu conhecimento para fazer o bem. Enfim... em uma família de católicos, eu me sentia um pouco excluída. Mas uma prima do meu pai sempre me pareceu bruxa, e era com ela que eu conversava sobre essas coisas. Meu pai já era falecido em 2008, e por coincidência foi no velório dele que eu comecei a conversar mais com essa prima, que me apoiou muito.

Voltando ao relato. Em 2008, meu avô faleceu inesperadamente com um derrame. Eu o amava muito, e foi uma situação muito triste. Fui no velório dele e lá encontrei essa prima com quem sempre conversei. Nos consolamos, e quando fecharam o caixão e estavam levando até o túmulo para o enterro, no meio do caminho, na estradinha do cemitério onde o carrinho levava o caixão (o túmulo era longe) e as pessoas andavam em uma espécie de procissão atrás, no meio do caminho eu encontrei um pingente bonito no chão. Era um pingente de coração preto. Abaixei para olhar e cheguei a pegar na mão. Na hora me veio a intuição: "Deixe isso aí!". E eu coloquei no chão de novo e ia continuar andando... mas antes, mostrei para essa minha prima, que estava andando do meu lado.

- Olha, Sandra, um pingente de coração.

Ela viu e abriu um enorme sorriso.

-Que lindo! Olha só, e você encontrou ele bem no caminho para o túmulo do vô. Deve ser seu avô enviando um presente pra você. Pega ele!

Eu ainda era uma bruxa novata e acabei ignorando a intuição (péssimo erro), sendo cética pensando "Qual é o problema em pegar, mal não vai fazer", e seguindo apenas o lado emocional. Eu tinha perdido meu pai e agora meu avô. A ideia de que aquele pingente no caminho do túmulo dele (que só eu tinha notado) era um presente dele, como se fosse uma despedida, encheu meus olhos de lágrimas. Será que a minha prima estava certa? E se fosse mesmo um presente do meu avô, e eu simplesmente deixasse lá no chão?

Então peguei o coração negro. O enterro do meu avô foi bonito, o pôr-do-sol estava lindo e voltei pra casa. Guardei o coração em alguma gaveta do meu quarto, e pretendia deixar encostado por um tempo, até estar menos triste e talvez colocar em uma corrente.


Daí, coisas estranhas começaram a acontecer... Primeiro: meu quarto encheu de moscas. Sempre tive meus altares de fadas e bruxinhas, incensos, tudo muito cheiroso e arrumado. Não conseguia entender por que aquela quantidade de moscas no quarto. Não tinha nada cheirando mal! Levei várias broncas da minha mãe, que falava que eu, distraída do jeito que sou, devia ter esquecido alguma comida dentro da bolsa e agora o negócio devia estar apodrecendo e atraindo bicho. Procurei, revirei tudo, e nada. As moscas até iam para outros cômodos da casa, mas parecia que o local de confraternização delas era o meu quarto.

E começaram a aparecer outros bichos. Mariposas, mosquitos e até sapos!! Eu moro em São Paulo, não tem nenhum brejo para aparecer sapo na garagem! Como bruxa, eu sabia que alguns bichos são representações de energias negativas. Mas nem pensei no bendito pingente do cemitério.

Até que aconteceu uma das coisas mais apavorantes da minha vida. Em uma noite, eu estava dormindo e de repente acordei de madrugada. Tenho certeza que estava acordada, porque não vi a aparição logo que acordei. Fiquei uns bons minutos acordada, até que aquela coisa surgiu. No teto do quarto, bem em cima da cama, tinha um rosto. Era um rosto de homem, de cabelo raspado e cavanhaque. O rosto até seria bonito se ele não tivesse aquele sorriso horroroso e não estivesse dando gargalhadinhas de zombaria. Detalhe: era um rosto enorme, feito de fumaça. A coisa mais bizarra que já vi.

Fiz o que toda pessoa razoável faz numa situação dessas: berrei. Gritei alto, apavorada, e a cara horrorosa foi se dissipando e sumiu. Saí correndo do quarto e me enfiei no quarto da minha mãe (nessas horas, a gente esquece que tem 20 anos e vira uma criança de 3),  e ela já estava levantando porque tinha me escutado berrar. Falei que tinha tido um pesadelo e dormi com ela.

No dia seguinte, a primeira coisa que fiz foi ligar para o meu mestre de magia.

-Pelo amor de deus, eu vi um fantasma!!

Contei pra ele tudo que tinha acontecido, do rosto no teto, (ele já sabia das moscas e dos bichos). Ele ficou mudo no telefone por um tempo, depois perguntou:

-Você fez alguma coisa ultimamente que você não costumava fazer? Alguma coisa fora do comum?
-Nao, não fiz nada.

-Recebeu alguma visita diferente na sua casa?

-Não.

-Pegou alguma coisa de algum lugar?

Aí lembrei na hora. O pingente de coração!! Contei para ele e levei a maior bronca da história. Como uma bruxa não escuta a intuição dela e pega uma coisa do cemitério que ela não sabe de onde veio??? Me senti muito idiota. Burra, burra, mil vezes burra!

Entrei em desespero. Só queria saber como eu fazia para tirar aquele fantasma do meu quarto. Ele me disse que eu deveria pegar uma caixa de madeira, encher de sal grosso e guardar o pingente lá dentro, no sal. Isso não iria tirar o fantasma, mas iria isolar e impedir que me assombrasse até eu poder ir no cemitério e devolver o coração. Com todos os detalhes mágicos (desde velas para guardiões, mentores, e etc), eu pediria licença com respeito e devolveria aquilo para quem quer que fosse o dono.

No mesmo dia em que coloquei o pingente na caixa com sal, as moscas do meu quarto sumiram. Sem nem suportar a ideia de passar outra noite com aquilo, fui no cemitério no dia seguinte e devolvi como meu mestre me explicou.

Tudo voltou ao normal, e meu quarto voltou a ter a energia gostosa de sempre. À noite, antes de dormir, pedi proteção aos meus mentores e que me explicassem o que foi aquilo (se é que eu podia ter alguma explicação).

E então tive um sonho muito estranho. Tinha um moço meio loiro, bem bonito, de no máximo 30 anos. Tinha o cabelo raspado e cavanhaque, exatamente como aquela cara horrorosa do teto (mas menos assustador, era um homem normal). Só que ele morava em um lugar feio, andava com umas pessoas estranhas... Daí, de repente, eu apareci no sonho. E do meu lado tinha alguém (não lembro de nada dessa pessoa, só lembro que era alta, e da voz... e não saberia dizer se era voz de homem ou mulher). Essa pessoa do meu lado me falou o seguinte:

- Esse moço era viciado em drogas. Ele se afundou muito no vício, até que começou a roubar coisas para poder comprar droga. Roubou da própria casa, depois fez assaltos. Mas ainda não conseguia pagar. Morreu com um tiro num acerto de contas com o traficante.

Eu não conseguia olhar quem falava. Só via o homem, que agora estava andando pelo cemitério, o mesmo do meu avô, como se estivesse vivo. No sonho, o moço não me via. A pessoa do lado continuou falando.

-Quando ele morreu, ele não se deu muito conta disso. Continuou achando que precisava roubar para pagar a droga. Uma mulher veio ao cemitério e estava usando um colar com o coração negro. O colar arrebentou e ela perdeu o pingente no cemitério. Ela achou que foi isso. Mas a verdade é que o fantasma do moço fez o colar arrebentar. A dona do pingente nem se deu conta. O coração estava lá no chão, e o moço achava que era dele para pagar a dívida. Daí você pegou.

A última imagem que vi foi do moço na frente do próprio túmulo. E a voz que falou:

-Bom, está devolvido.

E acordei, arrepiada dos pés à cabeça. Não sei até que ponto o sonho foi imaginação minha (imaginação fértil demais, não??), mas como aprendi que não posso desconfiar da minha intuição (aprendi do pior jeito possível), eu acredito que o sonho foi a explicação que eu havia pedido.

Agora sou mais esperta. Não pego coisas do cemitério, nem se for nota de 100.

História assombrada enviada por Fernanda B.

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